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UA/P2 – FISIOLOGIA CARDÍACA 1ª e 2ª semana Ana Luíza Gomes do Nascimento Batista Acoplamento Excitação-Contração • É o processo pelo qual o potencial de ação do miócito cardíaco leva à contração. Sem Na+, o coração não é excitável e não vai bater O potencial da membrana em repouso é independente do gradiente de [Na+]e através da membrana, mas é muito dependente da [K+]e. Reduções ou aumentos da [K+]e, especialmente se são grandes ou ocorrem rapidamente, podem levar a arritmias, perda da excitabilidade das células miocárdicas e, mesmo, à parada cardíaca A remoção do Ca++ do fluido extracelular resulta em força de contração reduzida e eventual parada em diástole - [Ca++] intracelular livre é o principal fator responsável pelo estado contrátil do miocárdio Músculo cardíaco excitado – onda – sarcolema - junções comunicantes Ou Via túbulos T – invaginam na fibra cardíaca nas linhas Z - aplicação de Ca++ nas linhas Z - contração localizada Durante o platô (fase 2) do potencial de ação - permeabilidade do sarcolema ao Ca++ aumenta - o Ca++ flui a favor de seu gradiente eletroquímico - entra na célula pelos canais de Ca++ no sarcolema e nos túbulos T A quantidade de Ca++ que entra na célula vinda do fluido extracelular/intersticial - não suficiente para induzir a contração das miofibrilas - age como gatilho de Ca++ - para liberar Ca++ do RS onde o Ca++ é estocado - Ca++ deixa o RS pelos canais de liberação de Ca++ - RECEPTORES DE RIANODINA + processos juncionais - [Ca++] citoplasmática aumenta do nível de repouso – liga-se a proteína C = COMPLEXO Ca++/TROPONINA + tropomiosina – desbloqueia os sítios ativos – clivagem - contração Mecanismos que aumentam a [Ca++] citosólica exacerbam a força desenvolvida, e os que reduzem a [Ca++] citosólica diminuem a força desenvolvida Ex: catecolaminas aumentam o movimento de Ca++ para dentro da célula - fosforilação de canais de Ca++ no sarcolema - via proteinocinases dependentes de AMPc - libera mais Ca++ do RS e - aumenta a força contrátil A redução do gradiente de Na+ através do sarcolema - aumentar a força contrátil - mediado pelo antiportador 3Na+-1Ca++ - remove Ca++ da célula Ex: a redução da [Na+] - diminui a entrada de Na+ na célula em troca de Ca++ - aumento da [Ca++]i - aumento da força contrátil Glicosídeos cardíacos inibem a Na+,K+-ATPase - aumentam a [Na+]i nas células - a[Na+] citosólica elevada reverte a direção do antiportador 3Na+-1Ca++ - menos Ca++ é removido da célula - o aumento da [Ca++]i - aumento da força contrátil Força contrátil é diminuída quando a [Ca++]i é diminuída pela redução da [Ca++]e, pelo aumento do gradiente de Na+, através do sarcolema, ou pela administração de antagonista de canal de Ca++, o que impede a entrada de Ca++ na célula miocárdica Ao final da sístole o influxo de Ca++ cessa e o RS não é mais estimulado a liberar Ca++. De fato, o RS absorve Ca++ avidamente por meio da Ca++-ATPase. Essa Ca++- ATPase do RS se correlaciona, mas é diferente da Ca++- ATPase encontrada no sarcolema. A [Ca++] citosólica é também reduzida durante a diástole pela ação do antiportador 3Na+-1Ca++ no sarcolema, bem como pela Ca++-ATPase no sarcolema A contração e o relaxamento cardíacos são ambos acelerados pelas catecolaminas: Catecolaminas se ligam a seu receptor (β1-adrenoceptor) - adenilato ciclase é ativada - aumento dos níveis intracelulares de AMPc - ativação da proteinocinase dependente de AMPc A (PKA) Efeitos da PKA: 1) fosforila o canal de Ca++ no sarcolema - aumento da entrada de Ca++ na célula - aumenta a força de contração 2) fosforila outras proteínas que facilitam o relaxamento – FOSFOLAMBAN - inibe a Ca++-ATPase do RS - fosforilada - a ação inibitória diminuída - absorção de Ca++ pelo RS aumenta - aumento da atividade da Ca++-ATPase do RS diminui a [Ca++]i – relaxamento 3) fosforila a troponina I - inibe a ligação do Ca++ pela troponina C - tropomiosina retorna a sua posição - bloqueia os sítios de ligação à miosina nos filamentos de actina – relaxamento Maquinaria Contrátil Miocárdica e Contratilidade • A contração do músculo cardíaco é influenciada tanto pela pré-carga como pela pós- carga; • Em relação à vasculatura, o grau do tônus venomotor e da resistência periférica influencia a pré e a pós-carga; • Em relação ao coração, uma variação da frequência ou do volume de ejeção pode também alterar a pré e a pós-carga. 1) Pré-carga - refere-se à força que estira as fibras musculares relaxadas Ex: No ventrículo esquerdo, o enchimento sanguíneo e, consequentemente, o estiramento da parede durante a diástole A pré-carga pode ser aumentada por maior enchimento do ventrículo esquerdo durante a diástole (i. e., aumentando o volume diastólico final). Em volumes diastólicos finais baixos os aumentos da pressão de enchimento durante a diástole produzem pressão sistólico maior durante a contração subsequente Variação de forças (máximas ou mínimas) isovolumétricas - dependem do volume da pré-carga. 2) Pós-carga - refere-se à força contra a qual o músculo em contração deve agir Ex: Pressão na aorta que deve ser superada pelo músculo ventricular esquerdo em contração para abrir a válvula aórtica e ejetar o sangue Aumentos adicionais da pós-carga produzem picos de pressão sistólica progressivamente maiores. Porém, se a pós-carga continua a aumentar chega a ser tão alta que o ventrículo não consegue mais gerar força suficiente para abrir a válvula aórtica. Nesse ponto, a sístole ventricular é totalmente isométrica (i. e., não ocorre ejeção de sangue) e, portanto, não se altera o volume ventricular durante a sístole. Índices de Contratilidade O coração hipodinâmico: • pressão diastólica final elevada • aumento lento da pressão ventricular • fase de ejeção ligeiramente reduzida O coração hiperdinâmico: • Pressão diastólica final reduzida • aumento rápido da pressão ventricular • fase de ejeção breve Para lembrar e amar a física... Em qualquer grau de enchimento ventricular o ângulo dá um índice da velocidade de contração inicial e, portanto, um índice de contratilidade. Voltando... O estado contrátil do miocárdio pode ser obtido a partir da velocidade do fluxo sanguíneo que ocorre inicialmente na aorta ascendente durante o ciclo cardíaco Índice de Contratilidade usado na clínica (fração de ejeção) = volume de sangue ejetado VE a cada batimento/colume de sangue restante VE no fim da diástole. Câmaras Cardíacas Embriologicamente: Os ventrículos são constituídos por uma sequência contínua de fibra musculares que se originam no esqueleto fibroso, na base do coração (principalmente ao redor do orifício aórtico) - Essas fibras se expandem na direção do ápice cardíaco, na superfície epicárdica - Passam em direção ao endocárdio e gradualmente têm rotação de 180 graus para se alinharem paralelamente às fibras epicárdicas e formar o endocárdio e os músculos papilares. No ápice do coração as fibras se torcem e se curvam para dentro, formando os músculos papilares. Na base do coração e ao redor dos orifícios das válvulas essas fibras miocárdicas formam massa muscular espessa e poderosa que não apenas diminui a circunferência ventricular para implementar a ejeção do sangue, mas também estreita os orifícios das válvulas AV e auxilia o fechamento dessas válvulas. A ejeção ventricular é também produzida pela redução do eixo longitudinal à medida que o coração começa a se estreitar em direção à base. A contração prematurada parte apical dos ventrículos, acoplada com a aproximação das paredes ventriculares, propele o sangue em direção aos tratos ventriculares de saída. O ventrículo direito, que desenvolve força média, correspondente a cerca de um sétimo da desenvolvida pelo ventrículo esquerdo, é consideravelmente mais fino que o ventrículo esquerdo. Válvulas Cardíacas Histologicamente: As cúspides das válvulas cardíacas consistem em folhetos finos de tecido fibroso flexível, resistente e revestido por endotélio, que estão firmemente aderidos à base dos anéis fibrosos das válvulas. Existem dois tipos de válvulas no coração: 1) Atrioventriculares: • Válvula tricúspide (entre o átrio direito e o ventrículo direito) - formada por três cúspides; • Válvula mitral (entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo) - tem duas cúspides. 2) Semilunares: • Válvula pulmonar (entre o ventrículo direito e a artéria • Pulmonar); • Válvula aórtica (entre o ventrículo esquerdo e a aorta) Por trás das válvulas semilunares existem evaginações (seios de Valsalva) da artéria pulmonar e da aorta - desenvolvem-se correntes turbilhonantes que tendem a manter as cúspides das válvulas longe das paredes do vaso Não fosse pela presença dos seios de Valsalva e das correntes turbilhonantes, os óstios coronários seriam bloqueados pelas cúspides das válvulas, cessando o fluxo sanguíneo coronário Pericárdio Funções: • Possui pequena quantidade de fluido, que fornece lubrificação para o movimento contínuo do coração; • Apresenta forte resistência ao aumento acentuado e rápido do tamanho cardíaco; • Impede a distenção exagerada súbita das câmaras cardíacas. Bulhas Cardíacas 1ª bulha - começo da sístole ventricular - fechamento das válvulas AV 2ª bulha - diástole ventricular - fechamento abrupto das válvulas semilunares 3ª bulha - crianças ou em pacientes com insuficiência ventricular esquerda 4ª bulha (bulha atrial) - diástole atrial - oscilação do sangue e das câmaras cardíacas Ciclo Cardíaco 1) Sístole Ventricular Contração Isovolumétrica - fase entre o começo da sístole ventricular e a abertura das válvulas semilunares (quando a pressão ventricular aumenta abruptamente) é chamada de período de contração isovolumétrica (literalmente, “mesmo volume”) - breve período. o Coincide com o início da 1ª bulha cardíaca Ejeção - reversão do gradiente de pressão ventricular-aórtico, em presença de fluxo sanguíneo contínuo do ventrículo esquerdo para a aorta - resultado do armazenamento de energia potencial nas paredes arteriais estiradas o O volume residual diminui quando a frequência cardíaca aumenta ou quando a resistência vascular periférica diminui. 2) Diástole Ventricular Relaxamento Isovolumétrico - período entre o fechamento das válvulas semilunares e a abertura das válvulas AV o Coincide com a 2ª bulha cardíaca; o O fechamento da válvula aórtica produz a incisura característica no braço descendente da curva de pressão aórtica; o Caracterizado pela redução abrupta da pressão ventricular, sem variação do volume ventricular. Diástase - fase de enchimento ventricular rápido é seguida por uma fase de enchimento ventricular lento Sangue das veias periféricas - ventrículo direito Sangue dos pulmões - ventrículo esquerdo NA CLÍNICA Um aumento da contratilidade miocárdica, como o produzido pelas catecolaminas ou por digitálicos, em paciente com insuficiência cardíaca pode diminuir o volume residual ventricular e aumentar o volume e a fração de ejeção. Em corações severamente hipodinâmicos e dilatados, o volume residual fica muito maior que o volume de ejeção.