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, 17, No Brasil, o Serviço Social surge na fase do Estado Novo e dentro de um projeto
populisra, Este b t t tr I ' ,, ,usca an o con o ar os setores urbanos emergentes quanto ser legitimado por
eles, Aqui se m tit ' , ' ,, S I W um espaço sócio-ccupacional para o assistente social. Mas é no pós-70
que vamos encontr d' - óci h' "
fi
- ar as me iaçoes s CIO- istoricas que forjam um novo contexto no qual a
pro rssao se mov ib ' I id d ' ', e e que atn uem particu an a es a reflexão e à intervenção profissional.
18, Amda qu af d fi lie se possa irmar que to a ma Idade está sempre referida a um sujeito e
portanto, é sempre . 1 ' 1 d imedi " ', d' -id ar ' parucu ar, no rnve o ime lato tais fins não podem ir além do âmbito
10 I\ lU, melhor di d - incul 'zen o, nao se vinc am aos Interesses mais amplos da sociedade.
constituem e vinculam os fenômenos, Dado que nessa dimensão impera
uma vinculação direta entre ação e pensamento, impedindo que os profis-
sionais percebam as mediações (ocultas na aparência imediata dos fatos),
as escolhas profissionais condicionam-se a critérios de utilidade prática
imediata, de eficácia no nível do imediato, A razão, reduzida ao pensamento,
deixa de ser algo em si para diluir-se entre os elementos possibilitadores
da ação. O pensamento identificado com razão passa a ser uma variável
da ação, a ponto de se transformar em meio para a ação. A razão,
acionada na resolução de situações imediatas, perde a sua autonomia frente
a elas, perde a sua condição de engendrar a reflexão, o seu caráter de
negar o existente, enfim, a sua dimensão crítico-emancipatória. O resultado
dessa limitação é que, ao mesmo tempo que se equaliza razão ao pensamento,
ele é naturalizado, identificado aos procedimentos instrumentais e equalizado
à teoria, cuja requisição passa a ser a de fornecer os instrumentos para
a ação eficaz.
Vale ressaltar, até mesmo uma compreensão parcial, limitada ou
equivocaqa do real é capaz de resultar em atos que produzam êxito em
nível imediato, posto que os resultados exitosos das ações não dependem
apenas de uma adequada leitura da realidade. Daí que, para a profissão,
o atendimento às requisições instrumentais não basta. Isso nos permite
reafirmar que a dimensão instrumental do Serviço Social é uma condição
necessária mas insuficiente do exercício profissional, posto que ela não
permite aos sujeitos as escolhas que engendram a ampliação de seus
espaços profissionais.
Ambos os níveis (1 e 2) da instrumentalidade do exercício profissional
permanecem sustentados por visões psicologizantes (individualizantes) e
moralizantes (de cunho disciplinar) da questão social e por práticas que
visam controlar e adaptar comportamentos, forjar personalidades e formas
de sociabilidade exigi das pelos padrões de acumulação capitalista. A ação
profissional fica concentrada na vida privada, no subjetivismo dos interesses
individuais e as: competências profissionais limitam-se à transmissão de
princípios e valores retirados da moral burguesa.
Nisto reside algumas das evidências da presença da razão instrumental
na profissão. Dentre as diversas formas de expressão da razão instrumental
(e de suas conexões com a racionalidade formal-abstrata), são as tendências
ao metodologismo e ao instrumentalismo da profissão que neste estudo
adquirem grande potencial explicativo,
sócio-ocupacionais dos assistentes SOCIaISvêm se constituindo em meio
(instrumentos) para a produção e reprodução da força de trabalho ocupada
e excedente. Mais ainda, para a reprodução ideológica da ordem burguesa.
Nesse sentido, o Serviço Social contribui na reprodução da racionalidade
do sistema capitalista. J7
No segundo caso, sua instrumentalidade localiza-se no nível de
respostas dadas às demandas: são respostas operativo-instrumentais, de
caráter manipulatório, as quais necessitam transformar as condições ime-
diatamente dadas. Esse tipo de ação (instrumental) com vistas às situações
imediatas subsume os meios aos fins. Mais ainda. Pelo seu caráter imediato,
tais ações não permitem aos sujeitos alçarem do atendimento das finalidades
particulares para as finalidades da sociedade." Na imediaticidade dos
fatos, no afã de concretizar suas finalidades imediatas, os sujeitos não
superam o estrito nível do particular. Isto porque os sujeitos não fazem
escolhas que sejam capazes de elevar seus interesses e finalidades
particulares para o nível da genericidade, a ponto de abarcarem valores
humano-genéricos.
Ambos os níveis da instrumentalidade do Serviço Social estão imbuídos
da razão instrumental (subjetivista e manipulatória). É da dimensão ins-
trumental da profissão que depende a sua eficácia e eficiência dentro dos
padrões da racionalidade burguesa. Concorrem para ela, além de outras
condições, o referencial ideocultural e teórico-metodológico que a informa.
Porém, é importante que se esclareça: a base de sustentação das ações
instrumentais está nas próprias condições objetivas e subjetivas nas quais
o exercício profissional se realiza e no tipo de respostas exigidas à
profissão. Ao restringir-se à sua dimensão instrumental o trabalho do
assistente social não alcança um nível capaz de diferenciar-se de atividades
e práticas voluntárias, assistemáticas, caritativas e/ou filantrópicas. Isso
porque, .para alcançar a eficácia, dentro dos parâmetros da ordem burguesa,
a ~on.scIência não necessita apreender todos os nexos do processo. São as
propnas estrutura e natureza do cotidiano que escondem as mediações que
•
19. A análise d N tt ê f d aIde . . e e o e un ament para a compreensão da importância dessa mudança
eixo no Serviço Social d ' I' .
f . ~I e os VlnCUos instrumentaiS que a profissão estreita com o projetorc ormlsta burgu' . . lid d J
..' es, cuja raciona I a e que lhe é mais apropriada é a formal-abstrata Diz ele'
ao Sltuá-Io [o as . t 'aI] ,. '" . .
SISente SOCI como um funclOnarlO do desenvolvimento' ( ) propõe [_ ]tanto uma redu - ( ... , se
f . ári çao ...) do seu saber e do seu fazer. A redução está ligada à própria condição
uncion Ia do profis' al: dicionais I d - .d fi á • • sionar: as tra icionais m agaçoes valorativas são deslocadas pelo privilégio
:l e IC era manlpulativ . ial ' . .
executivo (tal Com a, e o assistente SOCI e investido de um estatuto básica e extensamente
.. o aparece nas modernas teorias da gestão) ( ... )" (Netto, 1991:192).·
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2.1. Metodologismo e instrumentalismo: tendências
empobrecedoras da profissão
uma relação de interação entre pessoas, daí resultando um conceito básico do
modelo: o da relação prática da ajuda" (Dantas, 1974) (grifos meus).
Como decorrência da razão instrumental na profissão tem-se a tendência
dos chamados metodologismo e instrumentalismo.
Essa tendência vai-se conformando e desenvolvendo no interior da
vertente modernizadora do Serviço Social; como expressão da interconexão
d~~ racionalidades formal-abstrata e instrumental (subjetivista e manipula-
tona), ambas empobrecedoras das maneiras de conceber o Serviço Social.
.. No contexto da modernização conservadora da profissão, os assistentes
sociais passam a reclamar um modelo de intervenção que venha ao encontro
da realidade brasileira, considerando que à importação de modelos atri-
buem-se os "descarninhos" do Serviço Social até aquele momento. Para
tanto, a proposta é de adoção do modelo (governista) de desenvolvimento
intesral: através do qual determinam-se as funções do Serviço Social em
~Ivels de macro e de microatuações. Nessa perspectiva de modelos de
Interve.nção profissional, o Serviço Social é considerado uma técnica social
com ~Ista~ a se tomar uma ciência social aplicada ou, ainda, uma ciência
que sintetiza o. conhecimento no campo psicossocial. Aqui a ênfase se
~ove das finalidades - valores subjetivistas - para os meios _ o
Instrumental-o~e~ati~o .. Com isso, a perspectiva de psicologização dos
problemas SOCIaIS dilui-se na concepção deServiço Social como técnica
SOCIal e o assistente social como "funcionário do desenvolvimento social"
(cf. Netto, 1991),19 donde o estatuto de legitimidade profissional encontra-se
na sua (suposta) cientificidade e o profissional adquire um perfil sociotécnico.
Lucena Dantas, um dos maiores defensores dessa perspectiva, afirma:
"Serviço Social científico ou profissional é o conjunto de conhecimentos científicos
e t~nicas psicológicas e sociológicas aplicados através do processo de ajuda
SOCialà solução das situações-problemas ocorrentes na área da existência social
;umana em su~s esfer~s sócio-econômic~,. psicossocial, sócio-cultural e societa!.
ar ser o Serviço SOCIalde natureza pratica, toma-se evidente que isto implica
Nessa proposta, em que pese a intervenção profissional permanecer
direcionada para a correção das disfunções, intervenção esta explicitamente
individualizante e subjetivista, busca-se uma Teoria Geral do Serviço Social,
com o objetivo de equacionar o problema da metodologia, concebida por
Dantas como teoria metodolágica (ibidem). Ao tratar questões de natureza
político-ideológica no âmbito da metodologia, e ao localizar o fundamento
'de legitimação da profissão na sua (suposta) cientificidade, essa perspectiva
pode requisitar o redimensionamento da metodologia, donde infere-se que
a "cientificidade" profissional é equivocadamente derivada da utilização de
procedimentos metodológicos corretos e, como considera Netto, identificada
a "uma racional idade manipulatória", desta resultando uma pauta interventiva.
Nas palavras de Netto: "da concepção científica da prática, tomada como
manipulação intelectivamente ordenada, decorre a 'aplicação' da metodologia
como modus faciendi da ação" (1991: 190). Ela coloca secundariamente
os valores, os fins ético-políticos e a legitimidade social da profissão em
relação aos procedimentos técnico-instrumentais, o que só pode estar
sustentado na concepção de Serviço Social como técnica social.
Outra expressão que as tendências metodologista e instrumentalista
adotam refere-se à maneira de conceber o referencial estratégico para a
ação, ou o ..tradicionalmente denominado instrumental técnico do Serviço
Social. De um lado, tem-se concebido o referencial estratégico como um
conjunto de instrumentos e técnicas que são neutros, abstratos, vazios de
conteúdos, amorfos, os quais os homens deverão direcionar para o alcance
de suas finalidades, direção esta determinada apenas pela visão de mundo
do assistente social (o que não é pouco, mas é insuficiente). De outro,
consideram-se os instrumentos como algo em si, com valor e possibilidades
próprias, dados pelas suas propriedades imanentes que direcionam o agir
dos homens. Nesse caso, o problemático é que consideram-se apenas as
propriedades naturais dos instrumentos, sem pensá-I os como produto dos
homens na satisfação de suas necessidades. Os instrumentos aqui aparecem
como vocacionados para atender esta e não outra necessidade. Não se
considera que estes são produto da ação humana direcionada ao alcance
de finalidades. Ambas as concepções são tanto limitadas quanto reducionistas,
porque derivam de uma ruptura da unidade orgânica entre sujeito-objeto
e da relação dialética entre causalidade e teleologia. No limite, contribuem
para a deificação do instrumental técnico. Na primeira, razão e vontade
dos sujeitos subsumem as propriedades imanentes dos objetos (meios e
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instrumentos), a sua objetividade, negando o seu em si; na segunda, as
propriedades constitutivas dos instrumentos e meios adquirem um nível de
objetividade tal que subsumem a razão e a vontade dos sujeitos.
Com essas considerações pretende-se chamar a atenção para a relação
intrínseca entre um modo de conceber a natureza e o significado da
profissão, seu estatuto de legitimidade e uma maneira de considerar o
aparato técnico-instrumental. Na matriz que concebe o Serviço Social como
ciência ou técnica social, intervenção significa "introduzir mudanças no
decorrer dos eventos ou nos seus resultados" (cf. Vieira, 1979:23). Nessa
visão, "o Serviço Social como método utiliza as diversas maneiras de
conhecer (...)" (Vieira, 1979:68). O entendimento de que o Serviço Social
constitui-se numa "atividade empirico-prática" (ibidem) leva essa tendência
a considerar o modelo analógico como o mais adequado, já que este busca
analogia com conceitos e atividades de outras profissões da mesma natureza
(neste caso, psicossocial). Quando o Serviço Social passa a apoiar-se em
conce~tos (das ciências sociais emergentes), utiliza o modelo analógico-
conceitual. Quando, mais tarde, o Serviço Social passa a se utilizar de
conceitos da psicologia, apóia-se no modelo analógico-prático. Posterior-
mente, o modelo profissional, que incorpora valores, conhecimentos ob-
jetivos, sanções e responsabilidades, passa a direcionar o agir profissional
e, finalmente, segundo a autora, o modelo sistêrnico, cuja visão de
globalidade permite incorporar os elementos do método profissional e
col~a o Se~iço Social como um subsistema social. Nessa concepção o
Serviço Social se desenvolve de maneira gradual, linear, rumo a uma
maturidade que se realiza na sua condição de "ciência" (cf. Vieira, 1979).
Vige, ainda, no interior dessa tendência, o entendimento de competência
profissional como resultado do domínio do instrumental técnico. Do mesmo
modo, ~ saber reve.st:-se de instrumentalidade: a exigência pelo imediata-
mente instrumentalizável converte o saber em técnica melhor dizendo
num sistema ?e .referência metodológica que objetiva a m~nipulação técnica:
u~ ,saber objetivamente formal (e não intencional) e tecnicamente apro-
veitável.
Há que. se ressaltar que a preocupação com a metodologia do ou
para o Serviço Social se intensifica a partir da década de 60 ou seja
em determinados contexto e momento histórico e isso que não' é casual:
Confo~e Iamamoto (1982), "impossibilitado de questionar-se socialmente,
o Serviço Soco I Brasil .. Ia no rasi questiona-se metodologicamente". Ocorre que
o projeto de "mod . d" . . . .ernizar conservan o , tipicamente capitalista, nem sempre
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se expressa diretamente no Serviço Social em termos de adesão ou não
ao projeto capitalista, mas, em geral, isso se manifesta indiretamente, no
confronto com as tradições profissionais, através de suas construções
teórico-metodológicas. O que estamos afirmando é que a profissão tem
sido freqüentemente convertida em instrumento de realização do capital,
razão pela qual a crítica e a autocrítica realizadas pela profissão remetem
ao acervo técnico-instrumental e não à sua instrumentalidade ao capitalismo,
donde a perspectiva integrativa e adaptativa, de caráter reformista.
Essa digressão foi necessária para que pudéssemos demonstrar a
vinculação entre maneiras de conceber a natureza e o significado social
da" profissão e as formas de operá-Ia. No nosso entendimento, a instru-
mentalidade como categoria, tanto ontológica quanto reflexiva, pode ques-
tionar as concepções de profissão vigentes no seu interior e contribuir no
equacionamento do referencial ético-político e estratégico para a ação,
dimensionando adequadamente o papel e o lugar do instrumental técnico-
operativo.
Mas, compreender a instrumentalidade do Serviço Social como me-
diação exi~e que se busquem as con.figura5ões que ela adquire como
ri instância d,e passagem e espaço de articulação dos elementos que fazem
parte da cultura profissional.
2.2. A instrumental idade do Serviço Social como mediação
Por que a instrumentalidade do exercício profissional pode ser pensada
como uma mediação?
Em primeiro lugar, porque ela se exprime logicamente como uma
particularidade sócio-histórica do Serviço Social: de um lado, a instrumen-
talidade do Serviço Social à ordem burguesa, dada pela sua inserção na
divisão sociotécnica do trabalho e, de outro, a instrumental idade das
respostas profissionais, como meios paraalcançar os objetivos da ordem
social capitalista.
Do ponto de vista da análise, a instrumentalidade é a categoria
reflexiva capaz de apontar as diversas formas de inserção da profissão
nos espaços sócio-ocupacionais e as competências e requisições profissionais,
de modo a demonstrar o concreto particularizado das formas de operar
da profissão, ou as "mediações particularizadoras que conferem existência
real" (Lessa, 1995: 119) à profissão em contextos e espaços sócio-históricos
determinados.
..
, ,
Isto porque, ainda que surgindo no universo das práticas psicologizantes
e moralizantes, que visam controlar e adaptar comportamentos, forjar
personalidades e formas de sociabilidade exigi das pelos padrões de acu-
mulação capitalista, o Serviço Social vai ampliando as suas funções até
colocar-se no âmbito dos direitos sociais. Pela instrumental idade da profissão
vão passando elementos progressistas: pressionando a profissão, as forças
progressistas (internas e externas) conduzem-na a rever seus fundamentos
e suas legitimidades, a questionar sua funcionalidade e instrumentalidade
no atendimento da mesma, o que permite uma ampliação da funcionalidade
e das bases sobre as quais sua instrumental idade se desenvolve. Ao
desprender da condição histórica em que surge, qual seja, como instrumento
do Estado e tipo de profissão de caráter eminentemente operativo e
manipulatório, visando alterar as condições individuais, o Serviço Social
pode colocar-se no universo dos direitos sociais, fortalecendo as estruturas
democráticas e os direitos coletivos.
É, portanto, no movimento da história que a instrumentalidade do
Serviço Social pode ser vista como mediação pela qual ou através da qual
pode-se recuperar a ruptura entre a correção dos meios e a coerência e
legitimidade dos fins, transcendendo as ações instrumentais e a razão
instrumental (esta como meio de controle/manipulação da sociedade),
rompend.o com as concepções de profissão que a tomam como técnica,
tecnologia ou engenharia social, bem como com as que a interpretam
como uma ciência, um ramo do saber ou mesmo uma forma de ação
social.
A instrumentalidade do Serviço Social como mediação é o espaço
para se pensar nos valores subjacentes às ações, no nível e na direção
das respostas que estamos dando e pelas quais a profissão é reconhecida
ou questionada socialmente. É pela instrumentalidade que passam as decisões
alternativas concretas, de indivíduos concretos, em situações concretas. E
por isso nela residem as possibilidades da passagem do ser em si dos
homens - já que todo fim é sempre particular - para a sua genericidade,
para os valores e as finalidades humano-genéricas.
As finalidades profissionais estão inscritas num quadro valorativo e
somente podem ser pensadas no interior desse quadro, entendido como
ac~r.vo cultural de que o profissional dispõe e que o orienta nas escolhas
te~nco-metodológicas e ético-políticas, que, por sua vez, implicam projetar
1200 apen . .r: d
•• A • as os trtetos/ instrumentos e realização, mas também as conse-
quenC1as.
É no âmbito da instrumentalidade do Serviço Social que os componentes
críticos e progressistas da cultura profissional são escolhidos, identificados,
construídos e reconstruídos, e deles depende o restabelecimento da unidade
entre meios e fins e a preocupação com os valores democráticos do
movimento socialista. É a categoria que permite colocar o acervo técni-
co-operativo no seu devido lugar.
Também é a categoria operativa capaz de permitir a ultrapassagem
.da imediaticidade, possibilitando o estabelecimento de vínculos entre o
. imediato e o mediato. Em outras palavras, permite que se estabeleçam
vínculos com o projeto ético-político profissional, "em defesa dos direitos
sociais e das políticas públicas".
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Conclusão
As alterações no "mundo do trabalho", na esfera do Estado, nas
políticas sociais, no perfil do trabalhador, estabelecem novas mediações
: que se expressam nas condições objetivas (materiais e espirituais) sobre
as quais a instrumentalidade do exercício profissional se desenvolve e
condicionam as respostas dos profissionais. Com essas mudanças nunca
uma realidade social esteve tão propícia aos individualismos e, portanto,
à razão instrumental. É desse individualismo que se fortalece o neolibe-
ralismo. É também dele que decorrem as perdas da classe que tem no
trabalho seu meio de vida (Guerra, 1998).
A razão instrumental instaura relações sociais baseadas no cálculo
racional e na racionalidade manipuladora. A razão instrumental na con-
temporaneidade rompe com os meios democráticos, com as escolhas e
finalidades coletivas.
Frente a essas transformações, a dimensão instrumental da profissão
passa a necessitar de vínculos cada vez mais estreitos com um projeto
ético-político em defesa dos direitos sociais e humanos e da democracia.
Historicamente a profissão tem sido dinamizada por projetos conser-
vadores (racionalistas e instrumentalistas), de reforma dentro da ordem.
Porém, na década de 80 os projetos de transformação social, con-
substanciados no movimento socialista, vão ganhando adesão de parcela
significativa da categoria profissional. Os diversos projetos societãrios'" de
extração progressistas, são resultantes da luta dos trabalhadores contra o
imperialismo norte-americano, contra as ditaduras e a favor da democracia,
da liberdade, dos valores sociocêntricos em contraposição aos valores
•
o
,«o
individualistas e visam à redução das desigualdades sociais, Com isso
queremos reafirmar a vinculação do projeto ético-político da profissão com
a luta mais ampla dos trabalhadores.
É a matriz marxiana da ontologia do ser social que tem no trabalho
sua constituição, substrato da perspectiva que Netto denomina de "intenção
de ruptura", que, no nosso entendimento, possibilita aos profissionais
compreender e resgatar a dimensão emancipatória da instrumental idade do
exercício profissional e a vinculação deste aos interesses da classe operária,
tomando o assistente social, "ademais de um agente técnico especializado,
(...) um protagonista voltado para o conhecimento dos seus papéis socio-
político e profissional, envolvendo exigências teóricas mais rigorosas"
(Netto, 1991:302), atento, efetivamente, para as implicações ético-políticas
do seu "fazer" profissional.
A passagem da intenção aos resultados requer condições cuja adaptação
ou criação dependem do agir instrumental. Mas este não pode ser pensado
independentemente dos valores que portam, daí a necessidade de uma
razão que possa estabelecer a correção dos meios e a legitimidade dos
fins.
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É nesse sentido que, como meios e fins do exercício profissional, a
categoria tem que resgatar o que da razão substantiva ainda não foi
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1984 (cal. Primeiros Passos).
20. Para Netto, projetos societários são antecipações ideais de projeções, a médio e longo
pr~os, de formas concretas de sociabilidade, convivência cívica, organização da economia, da
SOCiedadee da cultura (cf. Netto, 1994). Tais projeções, nem sempre tornadas conscientes aos
agentes sociais, representam interesses divergentes e portam a capacidade de modificar o real.
Ele~. são de natureza eminentemente política, embora nem sempre coincidam com os projetos
pohtJco-partidários.
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