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1 Fisiologia Introdução O corpo humano é formado por diversos sistemas, que atuam juntos para garantir o funcionamento adequado do organismo. Esses sistemas, que podem ser definidos como conjuntos de órgãos, apesar de estarem ligados, realizam atividades específicas. Os principais sistemas do corpo humano são: sistema esquelético, sistema tegumentar, sistema articular, sistema muscular, sistema cardiovascular, sistema respiratório, sistema digestório, sistema urinário, sistema genital, sistema nervoso, sistema endócrino, sistema linfático. O objetivo deste trabalho foi elaborar um glossário com palavras referentes aos sistemas cardiovascular, respiratório e renal, figura abaixo mostra corpo humano com destaque dos órgãos dos sistemas. Figura 1- Corpo humano 1.Sistema Cardiovascular 1.1 Miocárdio Miocárdio é um conjunto de células musculares, que apresentam uma disposição e estrutura peculiar que constituem a parede do coração; estas fibras possuem um diâmetro menor do que as fibras musculares do músculo esquelético, entretanto, apresentam mais sarcoplasma, o material colégeno e os capilares sanguíneos são os outros constituintes do miocárdio; assim como outro músculo, o miocárdio possui capacidade de se contrair e de relaxar-se, funcionando como uma autentica bomba mecânica, enviando e recebendo sangue com velocidade e força determinada. 2 O infarto do miocárdio é o principal causador de insuficiência cardíaca que leva a morbimortalidade, constituindo um dos mais custosos problemas de saúde pública, sua prevalência tende a subir por conta do envelhecimento populacional. Apesar dos avanços na terapêutica, o prognóstico ainda é ruim podendo levar a óbito em curto prazo, metade dos pacientes diagnosticados com insuficiência cardíaca. O infarto do miocárdio é um processo que pode levar à necrose de parte do músculo cardíaco por falta de aporte adequado de nutrientes e oxigênio, consequente à obstrução do fluxo coronariano, transitória ou permanentemente, de magnitude e duração suficiente para não ser compensado pelas reservas orgânicas. A causa habitual da morte celular é uma isquemia no músculo cardíaco por oclusão de uma artéria coronária. A oclusão se dá em geral pela formação de um coágulo sobre uma área previamente comprometida por aterosclerose causando estreitamentos luminais de dimensões variadas. Abaixo de um determinado nível de fluxo sanguíneo para a musculatura cardíaca surge um quadro isquêmico. Quando esta isquemia se prolonga, danos irreversíveis ocorrem, configurando uma área de infarto na musculatura do miocárdio. 1.2 Arritmias Compreendendo os mecanismos fisiopatológicos gerais das arritmias cardíacas permite ao profissional de saúde envolvido com o tratamento desta condição um perfeito ajuste entre o esquema terapêutico a ser utilizado e a melhor resposta terapêutica possível quando se utiliza a opção por tratamento farmacológico. De forma geral as diversas formas de arritmia obedecem a três mecanismos fisiopatológicos básicos que envolvem: a) focos hiperautomáticos, b) defeitos canaliculares que permitem a geração de novos potenciais de ação que ocorrem nos pós potenciais precoces e tardios e c) as arritmias geradas por mecanismos de reentrada. Os focos podem se localizar em qualquer posição do miocárdio gerando ectopias supraventriculares ou ventriculares que podem ocorrer de forma isolada e também acoplada que culmina nas taquicardias. A pesquisa por mecanismos fisiopatológicos evolui constantemente de forma que em arritmias como a fibrilação atrial o perfeito conhecimento fisiopatológico possibilitara no futuro tratamentos mais efetivos melhorando a morbimortalidade. Introduzindo os mecanismos geradores de arritmias a) Hiperautomaticidade Representa a ativação acelerada de células que podem ter função automática gerando despolarizações espontâneas. Esta hiperatividade pode ser primaria ou mesmo ser secundaria a alterações no sistema nervoso autônomo ou mesmo desbalanços clínicos e metabólicos como febre, quadros de choque, acidose ou endocrinopatias como o hipertiroidismo. b) Atividade deflagrada são alterações geradas por variações no potencial 3 de membrana que geram novos potenciais de ação e consequentemente eventos arrítmicos. A atividade deflagrada habitualmente ocorre por variações no potencial de ação nas fases 2 e 3 do potencial de ação (pós potenciais precoces) ou mesmo após o termino do processo de repolarização como ocorre nos pós potenciais tardios. Desta forma os pós potenciais precoces põem ser o resultado de uma diminuição do efluxo iônico na célula ou mesmo aumento de influxo de íons positivos gerando novos potenciais. Outra possibilidade é a presença de combinação destes dois mecanismos gerando os pós potenciais precoces. Quanto aos pós potenciais tardios que ocorrem durante o processo final de repolarização existe uma corrente transitória de influxo não canal de cátion especifica ativada por um acumulo de cálcio intracelular. Presença de remodelamento elétrico associado a presença de pós potenciais como base fisiopatológica de eventos como fibrilação atrial e fibrilação ventricular, por exemplo c) Reentrada Inicialmente descrito em 1914 por George Mines este tipo de mecanismo fisiopatológico é o principal causador de eventos arrítmicos supraventriculares e ventriculares. Existem condições básicas para que um circuito de reentrada ocorra. Estes fatores envolvem a presença de um circuito com duas vias e um obstáculo anatômico e ou funcional. Também envolve a presença de um bloqueio unidirecional nas vias do circuito. Estas vias também possuem peculiaridades para que o circuito de reentrada ocorra. Estas vias têm que apresentar diferentes velocidades de condução assim como diferentes períodos refratários. Causas Intoxicação digitálica Os digitais, como a digoxina, atuam inibindo a bomba de sódio-potássio adenosina trifosfatase (ATP-ase), aumentando a concentração intracelular de cálcio4 . No sistema de condução os efeitos do digitálico são diferentes dependendo do nível do sistema observado: eles provocam um aumento do automatismo de focos ectópicos atriais, juncionais e ventriculares ao mesmo em tempo que retardam a condução do nó sinoatrial e do nó AV4 . No ECG o digital provoca, inicialmente, alterações na onda T, redução do intervalo QT, depressão característica “em colher” do segmento ST e aparecimento de ondas U2 . Em termos de alterações do ritmo, os digitálicos podem provocar uma gama de alterações desde taquicardias (por aumento do automatismo com atividade defl agrada) até bloqueios na condução quando predominam os efeitos sobre o nó AV4 . Bloqueios átrio ventriculares 4 Os bloqueios átrio-ventriculares (BAVs) se referem ao atraso ou a completa interrupção da condução do impulso elétrico entre os átrios e os ventrículos4 . A classifi cação dos BAVs se dá pelo grau de atraso na condução do nó atrioventricular: - Bloqueio de 1º grau: aumento do intervalo PR acima do normal de 0,2 segundos. Toda onda P, entretanto, leva à condução de um QRS2 . - Bloqueio de 2º grau: divide-se em tipo I e II de Mobitz. No tipo I há um aumento progressivo do intervalo PR até que não ocorra condução de uma onda P, quando, então, o mecanismo é reiniciado. No tipo II ocorre uma condução do tipo “tudo ou nada”, isto é, a interrupção de condução no nó AV é brusca e é intercalada com conduções normais da onda P em número variáve l2 . - Bloqueio de 3º grau: também conhecido como BAVtotal, neste há uma interrupção completa da passagem do estímulo e ocorre uma dissociação entre a condução atrial e os ventrículos, que assumem ritmos independentes2 . Um dos mais importantes aspectos na análise dos bloqueios átrio-ventriculares é determinar qual é exatamente a altura do bloqueio. Para isto se faz necessário a utilização do mapeamento intracardíaco da condução no feixe de His. Esta condução pode ser dividida em intervalos AH e HV, representando a condução do átrio até o início do feixe de His e do feixe de His para o ventrículo2 . Em situações nas quais o bloqueio encontra-se na porção AH (geralmente o bloqueio de 1º grau e o Mobitz tipo I), a gravidade da doença é menor e pode ser tratada de forma mais conservadora. Nos casos onde o bloqueio é encontrado na porção HV, também chamado de bloqueio infra-His, há um maior risco para o paciente e o tratamento usualmente é mais agressivo com possível utilização de marcapassos. Fibrilação ventricula A fibrilação ventricular é caracterizada por uma completa desorganização do ritmo cardíaco com múltiplas áreas dentro dos ventrículos apresentando grandes variações na despolarização e repolarização, impedindo que eles se contraiam como uma unidade. Devido à ausência de contração organizada, não existe débito cardíaco2 . A causa mais comum de fi brilação ventricular é isquêmica. Durante o infarto agudo do miocárdio a rápida queda de tensão de oxigênio no músculo cardíaco provoca uma profunda alteração metabólica nos miócitos, o que gera um acúmulo intracelular de H+, Na+ e Ca+2, metabólitos lipídicos e H+ e K+ extracelular, levando a um retardo da condução elétrica e contribuindo para o substrato de fenômenos de reentrada4 . O fenômeno de reentrada, neste caso, dá-se na interface entre o músculo não-isquêmico e a área lesada, que, com a heterogeneidade tecidual, leva à formação das características necessárias para as reentradas: condução lenta e bloqueio unidirecional. 5 Outro mecanismo importante nas fi brilações ventriculares pode envolver também o aumento do automatismo de canais de Ca+2 no tecido lesado que fi ca parcialmente despolarizado4 . No músculo que já sofreu isquemia prévia e apresenta cicatrizes fi bróticas, o tempo de repolarização daquela área fi ca mais prolongado devido à mudança da característica tecidual local. Se isto por si só já leva a uma maior susceptibilidade à quadros arrítmicos, novos eventos isquêmicos agudos podem desencadear ainda mais facilmente eventos de taquicardia e fibrilação ventricular. Ver imagem 1, eletrocardiograma mostrando fibrilação ventricular. Figura 2 – Eletrocardiograma mostrando fibrilação ventricular 1.3 Volemia A volemia é proporcional ao grau de hidratação do indivíduo. É importante salientar que, quando um indivíduo perde líquidos corporais, essa perda é proporcional nos espaços intracelular, extracelular e intravascular. Dessa forma, se um indivíduo se encontra desidratado, ele está com hipovolemia. O reconhecimento desse estado se dá pelos sinais de desidratação: olhos profundos, pele e mucosa ressecadas, e vários sinais funcionais, uma vez que, no indivíduo hipovolêmico, a função de gerar fluxo encontra-se prejudicada, causando sonolência, tonteira. A volemia é um elemento fundamental para que o sistema cardiovascular exerça sua função de distribuir fluxo; dessa forma, com a diminuição da volemia, há um prejuízo da função global cardiovascular, causando hipovolemia com consequências, queda de débito cardíaco, hipoperfusão celular, queda na liberação de oxigênio, acidose, falência bomba membrana, perda função celular, morte. 1.4 Pericárdio O pericárdio consiste em um saco fibro-seroso que envolve o coração e as raízes dos grandes vasos. É composto por duas membranas, sendo uma de constituição fibrosa, conhecido como 6 pericárido fibroso, responsável por enredar a região mais externa do coração e grandes vasos, intimamente relacionado com as estruturas mediastinais. A segunda membrana é de constituição serosa, denominado pericárdio seroso, formado por duas lâminas, chamadas de parietal e visceral. O pericárdio fibroso é composto por feixes colagenosos densamente entrelaçados, apresentando um arcabouço mais profundo composto por fibras elásticas. Este pericárdio apresenta-se semelhante a uma bolsa de formato cônico, que possui ápice no local onde o pericárdio apresenta continuação com a túnica externa dos grandes vasos. Sua base encontra- se ligada ao centro tendíneo do diafrágma, por meio de um ligamento denominado freno- pericárdico, um dos culpados pela manutenção do coração posicionado na cavidade torácica. Outra função do pericárdio é proteger a ocorrência de lesões nos pulmões durante os batimentos cardíacos normais. Como já foi citado anteriormente, o pericárdio seroso é formado por duas lâminas, chamadas de lâmina parietal e lâmina visceral. A primeira, localizada mais externamente, responsável por cobrir a superfície interna deste pericárdio, originando com o último um diminuto espaço virtual, enquanto que a segunda lâmina, também chamada de pericárdio, alberga veias, nervos e gânglios nervosos. Entre as camadas parietal e visceral existe uma quantidade pequena de fluído que tem por objetivo facilitar os movimentos cardíacos. Ver figura 2. Figura 3 - Pericárdio 7 1.5 Mediastino O mediastino está situado entre a pleura pulmonar esquerda e direita, na linha média do plano sagital no tórax. Estende-se anteriormente do esterno à coluna vertebral, posteriormente. Contém todas as estruturas do tórax, exceto os pulmões e também é conhecido com espaço interpleural. Pode ser dividido para fins descritivos em duas partes: uma porção superior, acima do limite superior do pericárdio, chamada de mediastinosuperior; e a porção inferior, abaixo do limite superior do pericárdio. Esta porção inferior subdivide-se em outras três partes, uma parte anterior ao pericárdio, o mediastino anterior; a porção que contém o pericárdio e suas as estruturas, o mediastino médio; e a porção posterior ao pericárdio, o mediastino posterior. O Mediastino Superior é o espaço interpleural que localiza-se entre o manúbrio do esterno e as vértebras torácicas superiores. É limitado inferiormente por um plano oblíquo que passa da junção munibrio-esternal até a borda inferior do corpo da 4º vértebra torácica, e lateralmente pelas pleuras. Contém a crossa da aorta, tronco braquiocefálico, a porção torácica da artéria carótida comum esquerda e artéria subclávia esquerda, a veia braquiocefálica e a metade superior da veia cava superior, o nervo vago, nervo frênico e os nervos laríngeos recorrentes, a traquéia, esôfago, ducto torácico, o remanescente do Timo e alguns linfonodos. O Mediastino Anterior existe apenas do lado esquerdo, onde a pleura esquerda diverge da Lina média. É limitado anteriormente pelo esterno, lateralmente pela pleura e posteriormente pelo pericárdio. É estreito na sua parte superior, mas expande-se um pouco inferiormente. Sua parede anterior é formada pela 5º, 6º e 7º cartilagens costais. Contém uma pequena quantidade de tecido areolar frouxo, alguns linfáticos que ascendem da superfície convexa dão fígado, 2 ou 3 linfonodos mediastinais e pequenos ramos mediastinais da artéria mamária interna. O Mediastino Médio é a maior porção do espaço interpleural. Contém o coração envolvido por sua serosa, a aorta ascendente, a metade inferior da veia cava superior com a veia ázigos se unindo à ela, a bifurcação da traquéia e os dois brônquios, a artéria pulmonar e os seus doisramos, as veias pulmonares direita e esquerda, os nervos frênicos e alguns linfonodos brônquicos. Ver figura 3. 8 Figura 4- Mediastino 1.6 Coronárias As artérias coronárias são duas (a esquerda e a direita) e têm origem no início da Artéria Aorta. A sua função é fornecer oxigénio e nutrientes ao músculo cardíaco, para um bom funcionamento do coração. Coronariopatia é a doença das artérias do coração chamada de coronária. Acontece em função do estreitamento das coronárias e isto diminui o sangue na musculatura cardíaca podendo provocar o infarto do miocárdio. O sintoma é uma dor no peito por falta sangue na musculatura do coração. Também conhecida como cardiopatia Isquêmica. Na coronariopatia crônica sintomática, primeiro estágio de estabilidade caracterizada per causa e efeitos, a história da doença referida pelo paciente e perscrutada pelo médico é facilmente identificada e comprovada pela larga gama dos meios diagnósticos atuais: eletrocardiografia clássica ou com esforço, a moderna e dinâmica seja como a ergometria ou a do tipo Holter; a Doppler-ecocardiografia em repouso ou com esforço; a cineangiocoronariografia e a cintilografia miocárdica com esforço ou pós-Dipiridamol parenteral. A coronariopatia crônica assintomática é preconcebidamente investigada em pacientes assintomáticos e aparentemente normais, principalmente a partir da quinta faixa etária e antes mesmo, quando os antecedentes familiares indicarempossível predisposição genética nesse domínio ou na presença de fatores predisponentes considerados de risco: hipertensão arterial, hiperlipidemia ou diabetes mellitus. O terceiro estágio da coronariopatia crônica é o mais temido, universalmente, representando o enfarte agudo do miocárdio e apresentado como o grande matador, o bicho 9 assombrado ou a assombração que tem servido como tal para conduzir ao rápido convencimento dos mais fracos e acovardados em potencial quando inseridos no rol dos coronariopatas pelos numerosos propugnadores da via cirúrgica como a opção terapêutica heroica, ouvem sistematicamente sentenças pouco honestas do tipo "para se evitar o enfarte só a operação de ponte de safena!” Em torno do prognóstico do enfarte agudo há muita fantasia e mentiras e frequentemente muitas das mortes por ocorrerem subitamente são debitadas a ele, quando na realidade nas autópsias são evidenciadas rupturas vasculares intra ou extracranianas; arritmias graves por miocardiopatias outras ou insuficiência cardíaca aguda. 1.7 Barorreceptores Barroreceptores ou barrorecetors são mecanoreceptores relacionados à regulação da pressão arterial omento a momento. Estão localizados principalmente no seio carotídeo e no arco da aorta, detectando variações bruscas da pressão arterial e transmitindo esta informação ao sistema nervoso central. Esta informação gera respostas do sistema nervoso autônomo, modulando o funcionamento da circulação sanguínea (Reflexo barorreceptor) O reflexo barorreceptor é considerado um sistema de controle de alto que mantém a pressão arterial dentro dos limites normais em períodos de segundos a minutos. A rapidez desse processo regulatório é obtida através dos mecanismos de retroalimentação pelo sistema nervoso autônomo. Nos seres humanos, as terminações da maioria das fibras barorreceptoras estão localizadas em vasos do sistema arterial, que apresentam as mais altas propriedades elásticas, ou seja, arco aórtico e seio carotídeo. Os barorreceptores arteriais são terminações nervosas livres, densamente ramificadas, que se distribuem na camada adventícia. O principal mecanismo de ativação dos barorreceptores é a deformação mecânica das terminações neurais, decorrente da distensão da parede vascular determinada pela onda de pulso. Dessa forma, os barorreceptores constituem-se, em última análise, em mecanorreceptores. A função primordial dos barorreceptores é manter a pressão arterial (PA) estável, dentro de uma faixa estreita de variação, esteja o indivíduo em repouso ou desenvolvendo diferentes atividades comportamentais. Dessa forma, exercem uma importante regulação reflexa da frequência cardíaca, do débito cardíaco, da contratilidade miocárdia, da resistência vascular periférica e, consequentemente, da distribuição regional do fluxo sanguíneo. Do ponto de vista funcional, os dois componentes do barorreflexo arterial 10 (carotídeo e aórtico) não são equivalentes. Sugere-se que o barorreflexo aórtico tenha maior limiar e menor sensibilidade em relação ao carotídeo. Os principais componentes neurais envolvidos na regulação da pressão arterial compreendem as terminações nervosas aórticas e carotídeas que se projetam através dos nervos vago e glossofaríngeo, respectivamente, e convergem para a região do núcleo do trato solitário (NTS), considerado, então, a primeira estação central dos sinais sensoriais originados do sistema periférico. A partir do NTS, os neurônios projetam-se para dois grupamentos de neurônios no bulbo ventrolateral: 1) neurônios inibitórios na área ventrolateral caudal do bulbo (CVLM) que, por sua vez, projetam-se para neurônios pré-motores do sistema nervoso simpático (SNS) na área ventrolateral rostral do bulbo (RVLM, neurônios simpatoexcitatórios). Finalmente, os neurônios RVLM projetam-se para os neurônios pré-ganglionares do SNC localizados na coluna intermediolateral da medula espinhal; 2) outro grupamento de neurônios está localizado no núcleo ambíguo (NA) e núcleo dorsal motor do nervo vago, que contém os corpos celulares dos neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso parassimpático. De cada uma dessas áreas e núcleos bulbares, neurônios projetam-se para outras áreas e núcleos do SNC levando informações cardiovasculares. Dessas regiões também partem projeções para outras regiões bulbares e para neurônios da coluna intermediolateral da medula, determinando a integração central do controle da pressão arterial. Na faixa de variação normal da PA, mesmo pequenas alterações da pressão geram fortes reflexos autonômicos que reajustam a pressão de volta ao normal. A freqüência de descargas de impulso aumenta durante a sístole e diminui durante a diástole cardíaca. Durante um evento de elevação da pressão arterial, há uma grande deformação da parede arterial e ativação dos barorreceptores gerando o potencial de ação nas fibras nervosas dos barorreceptores que é conduzido até o Núcleo do Trato Solitário (NTS). Com o aumento da pressão, os neurônios do NTS excitam os neurônios pré-ganglionares do parassimpático localizados nos núcleos ambíguo (NA) e dorsal motor do nervo vago cujas fibras eferentes projetam-se para os neurônios pós-ganglionares intramurais situados no coração, determinando o aumento da atividade vagal e queda da frequência cardíaca. O tônus 11 simpático também é reduzido com o aumento da pressão arterial uma vez que os neurônios do NTS excitam o bulbo ventrolateral caudal que, por sua vez, inibem os neurônios pré- motores simpáticos do bulbo ventrolateral rostral. Dessa forma, ocorre redução da contratilidade cardíaca, bradicardia e redução da resistência vascular periférica por meio da dilatação arteriolar e venodilatação que, em conjunto, levam à redução da pressão arterial. A capacidade dos barorreceptores em manter a PA relativamente constante nas situações de mudança de posição corporal também é muito importante. Quando há redução da pressão arterial na posição superior do corpo,logo depois de assumir a posição ereta, o nível pressórico reduzido inibe a ação barorreceptora reduzindo o efeito inibitório dos neurônios do Bulbo Ventrolateral Caudal (CVLM) sobre os neurônios do Bulbo Ventrolateral Rostral (RVLM). Tal fenômeno provoca um reflexo imediato caracterizado por forte descarga simpática por todo o corpo, minimizando a diminuição da PA na porção superior do corpo. Uma característica importante dos barorreceptores, em particular, é a capacidade de adaptação. Neste processo, alterações da PA para mais ou para menos, desde que sustentadas, deslocam a faixa do limiar e da sensibilidade dos barorreceptores para o novo nível de pressão arterial, que passa a ser reconhecido como normal. A adaptação completa pode ocorrer em até 48 horas com o nível de pressão sustentada. Dessa forma, a disfunção da atividade reflexa em função dos processos adaptativos dos barorreceptores tem sido demonstrada em várias doenças cardiovasculares e na hipertensão clínica e experimental. Estudos demonstram um deficiente controle reflexo da frequência cardíaca mediada pelos barorreceptores em indivíduos com predisposição genética para hipertensão arterial e apontam para o envolvimento precoce do sistema nervoso autônomo na gênese da hipertensão arterial. 1.8 Hipoxemia Hipóxia é baixo teor concentração de oxigênio. Trata-se de um estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos cuja ocorrência é atribuída a diversos fatores. Ela pode ser causada por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde uma obstrução física do fluxo sanguíneo em qualquer nível da circulação corpórea, anemia ou deslocamento para áreas com concentrações baixas de oxigênio no ar. As células cerebrais são extremamente sensíveis à privação de oxigênio. Algumas células cerebrais começam a morrer na verdade, menos de 5 minutos após o seu suprimento de 12 oxigênio desaparecer. Como resultado, hipóxia cerebral pode rapidamente causar a morte ou graves danos cerebrais. A falta de oxigênio pode se restringir a um local do organismo isquemia sendo classificada pelo local afetado, por exemplo isquemia cerebral ou isquemia cardíaca, ou pode ser sistêmica. Quando o problema é a circulação do oxigênio no sangue também pode ser chamada também de hipoxemia. Quando o problema é por dificuldade pulmonar pode ser considerada como uma hipoventilação. Quando não há respiração pulmonar, por exemplo em um afogado ou lesão celular a nível da primeira cervical, passa a ser chamada de anoxia. • Hipóxia Hipóxica(de altitude): Resulta de uma troca gasosa inadequada na membrana capilar alveolar. Isso pode ser causado por uma quantidade de oxigênio inadequada no ar inspirado, por defeito na ventilação ou por uma obstrução das vias respiratórias. Um suprimento deficiente de oxigênio para o sangue resulta em uma deficiência de oxigênio para os tecidos. Isso representa a causa mais comum de hipóxia encontrada na altitude e pode se tornar aparente acima de 3.000 metros acima do nível do mar (já que a zona de vida normal é considerada até 3.000 metros de altitude). • Hipóxia Hipoxemia (anêmica) ou hipoxemiaacontece devido à redução da capacidade carreadora de oxigênio da hemoglobina. As causas desta forma de hipóxia incluem anemia, perda sanguínea, envenenamento por monóxido de carbono, medicamentos à base de sulfa e tabagismo excessivo. • Hipóxia Estagnante: É uma deficiência de oxigênio no corpo devido à circulação pobre. Isto pode acontecer quando o débito cardíaco não satisfaz as necessidades teciduais. Outras causas de hipóxia estagnante incluem coleção venosa, espasmo arterial, oclusão de um vaso sanguíneo ou longos períodos de respiração por pressão positiva. • Hipóxia Histotóxica:é a incapacidade dos tecidos corporais em utilizar o oxigênio disponível. O envenenamento por cianeto e monóxido de carbono (que reduz a capacidade da hemoglobina em se combinar com oxigênio), ingestão de álcool e narcóticos podem resultar em hipóxia histotóxica. • Hipóxia hipoventilação de treinamento: Não é patológica, é causada por exercício excessivo e muito comum no treinamento físico aeróbico. Os músculos gastam o suprimento de oxigênio mais rápido que o organismo consegue suprir e precisa de vários minutos para se recuperar. A capacidade de oxigenar os músculos aumenta com o treinamento. 13 1.9 Miócitos As células que integram o tecido muscular cardíaco têm aspecto cilíndrico, são ramificadas e apresentam extremidades irregulares. Essas células são conhecidas como fibras musculares cardíacas, células do miocárdio, miócitos, cardiócitos ou cardiomiócitos. Seu tamanho varia de 10-20 µm de diâmetro e 85-100 µm de comprimento. Normalmente, apresentam um núcleo central e o citoesqueleto forma estriações transversais no citoplasma – como observado, também, no estriado esquelético. Em corte transversal, as células se apresentam justapostas, com contornos irregulares e perfis em vários tamanhos. .........Nas extremidades dos cardiócitos, observam-se discos intercalares – que são junções intercelulares complexas, que atuam tanto na adesão, como na comunicação, possibilitando o funcionamento coordenado do tecido (contração em sincronia). Os discos intercalares aparecem como linhas retas ou exibem um aspecto em escada (escalariforme). No citoplasma, o reticulo sarcoplasmático mostra-se menos desenvolvido que na musculatura estriada esquelética e a demanda de cálcio – essencial para a contração – é suprida, principalmente, pelo íon oriundo do meio extracelular. Diferentemente do músculo liso, apresentam túbulos T. .........Na análise histológica, nota-se, ainda, uma delicada bainha de tecido conjuntivo, equivalente ao endomísio do músculo esquelético, que circunda as células cardíacas. A lâmina basal também está presente. .........No organismo, o tecido muscular cardíaco é encontrado no músculo do coração (miocárdio). .........O controle nervoso é involuntário, com contração rítmica e espontânea. Essas características são essenciais na fisiologia cardíaca, visto que é o que possibilita os batimentos do coração, o que impulsiona o sangue na circulação. .........Finalmente, é importante ressaltar que as células musculares cardíacas têm vida longa e não se dividem. Ou seja, o tecido não apresenta capacidade de regeneração. 1.10 Infarto agudo do miocárdio O infarto do miocárdio é o principal causador de insuficiência cardíaca que leva a morbimortalidade, constituindo um dos mais custosos problemas de saúde pública, sua prevalência tende a subir por conta do envelhecimento populacional. Apesar dos avanços na 14 terapêutica, o prognóstico ainda é ruim 3 podendo levar a óbito em curto prazo, metade dos pacientes diagnosticados com insuficiência cardíaca. A identificação de intervenções terapêuticas e modificação no estilo de vida são de fundamental importância para auxiliar na prevenção primária da insuficiência cardíaca. O infarto do miocárdio é um processo que pode levar à necrose de parte do músculo cardíaco por falta de aporte adequado de nutrientes e oxigênio, consequente à obstrução do fluxo coronariano, transitória ou permanentemente, de magnitude e duração suficiente para não ser compensado pelas reservas orgânicas. A causa habitual da morte celular é uma isquemia no músculo cardíaco por oclusão de uma artéria coronária. A oclusão se dá em geral pela formação de um coágulo sobre uma área previamente comprometida por aterosclerose causando estreitamentos luminais de dimensões variadas. Abaixo de um determinado nível de fluxo sanguíneo para a musculatura cardíaca surge um quadro isquêmico. Quandoesta isquemia se prolonga, danos irreversíveis ocorrem, configurando uma área de infarto na musculatura do miocárdio . A capacidade de adaptação do miocárdio ao estresse externo, seja ele resultante de sobrecarga hemodinâmica ou de isquemia e/ou infarto do miocárdio, determina se o coração irá descompensar ou manter sua função preservada (Mann, 2003). Blankesteijn et al (2001), relacionaram o processo de restabelecimento cardíaco em quatro fases: de 6 horas a 4 dias ocorre a morte dos cardiomiócitos (fase1). Em 12 a 16 horas após o início da isquemia começa uma resposta inflamatória aguda (fase 2), com migração de neutrófilos granulócitos para a área infartada, atingindo um pico em 24 a 48 horas após o infarto. A principal função dos granulócitos é fagocitar e remover os cardiomiócitos mortos. Em seguida, os macrófagos e linfócitos acompanham os granulócitos para dentro da área infartada e ajudam na limpeza das células debrís. Dois ou três dias após o infarto do miocárdio, inicia-se a formação de tecido de granulação na margem da área infartada (fase 3). Finalmente, o remodelamento e cicatrização da área infartada inicia-se de 2 a 3 semanas e continua por 1 ano após o infarto do miocárdio (fase 4). 4 A limpeza dos debrís celulares pelos neutrófilos, monócitos e macrófagos é fundamental na cicatrização do infarto, no entanto, a modulação desta resposta inflamatória é importante para prevenir excessiva degradação tecidual levando à expansão do infarto e insuficiência cardíaca. O desenvolvimento de insuficiência cardíaca após o infarto é determinado pelo tamanho da área necrótica, resposta cicatricial que ocorre nos dias e semanas após o evento e o remodelamento crônico da cicatriz do infarto, região periinfarto e não infartada do ventrículo esquerdo. A terapia antioxidante tem sido apontada como promissora na redução do risco de insuficiência cardíaca, baseado em dados experimentais 15 que mostram que o estresse oxidativo tem fundamental importância na patofisiologia da insuficiência cardíaca e que os riscos podem ser amenizados por terapias antioxidantes. 2.0 HEMODINÂMICA Este termo designa os princípios que governam o fluxo sangüíneo, no sistema vascular. Estes princípios físicos são os mesmos que se aplicam ao movimento dos fluidos em geral. Os conceitos de fluxo, pressão, resistência e capacitância são aplicados ao fluxo sangüíneo para o coração e do coração para os vasos. TIPOS E CARACTERÍSTICA DOS VASOS SANGÜÍNEOS ARTÉRIAS: A aorta é a maior delas, artérias médias e pequenas se ramificam das aorta; a função das artérias é levar sangue oxigenado para os órgãos. São estruturas com paredes grossas e extenso desenvolvimento de tecido elástico, músculo liso e tecido conjuntivo. A espessura da parede arterial é característica especial pois recebem sangue diretamente do coração e estão submetidas a altas pressões atuantes sobre os vasos sanguíneos. O volume de sangue, contido nas artérias é chamado de volume estressado ( significando que o volume de sangue está submetido a altas pressões). ARTERÍOLAS: São os menores vasos arteriais, suas paredes apresentam extenso desenvolvimento do músculo liso e estas paredes estão tonicamente ativas (sempre contraído). São locais de alta resistência ao fluxo sanguineo são amplamaente inervados por fibras nervosas simpáticas) adrenérgicas alfa, beta 2 e colinergicas muscarínicos) CAPILARES: Os capilares são estruturas de paredes muito delgadas, revestida de um só camada de células endoteliais, circundada por uma lâmina basal. 16 Os capilares são locais onde os nutrientes, gases, água e solutos são trocados entre sangue e os tecidos. As substâncias lipossolúveis ( O2, CO2 cruzam a parede do capilar por dissolverem e se difundirem pelas membranas das células endoteliais. As substâncias hidrossolúveis (íons) cruzam as paredes do capilar por meio de fenda (espaços) entre células endoteliais ou por grandes poros (capilares fenestrados). Nem todos os capilares são todo tempo perfundidos com sangue. Ocorre perfusão seletiva dos leitos capilares dependendo das necessidades metabólicas dos tecidos. VÊNULAS E VEIAS: As vênulas são estruturas de paredes finas, as veias são formadas pela camada usual de células endoteliais e pequenas quantidades de tecido elástico, músculo liso e tecido conjuntivo. As veias têm capacitância muito grande (capacidade para armazenar sangue). As veias contêm a maior porcentagem de sangue de todo sistema cardiovascular. a porcentagem de sangue contido nas veias é chamado volume não-estressado (submetido a baixas pressões). O músculo liso das paredes das veias como o das arteríolas é inervado por fibras nervosas simpáticas. O da atividade nervosa simpática provoca contração das veias assim reduz a capacitância e por conseguinte reduz o volume não estressado. CIRCULAÇÃO PORTAL A circulação portal é um sistema auxiliar do sistema nervoso. Um certo volume de sangue procedente do intestino é transportado para o fígado, onde ocorrem mudanças importantes no sangue, incorporando-o à circulação geral até a aurícula direita. CIRCULAÇÃO PULMONAR O sangue procedente de todo o organismo chega à aurícula direita através de duas veias principais; a veia cava superior e a veia cava inferior. Quando a aurícula direita se contrai, impulsiona o sangue através de um orifício até o ventrículo direito. A contração deste ventrículo conduz o sangue para os pulmões, onde é oxigenado. Depois, ele regressa ao 17 coração na aurícula esquerda. Quando esta cavidade se contrai, o sangue passa para o ventrículo esquerdo e dali, para a aorta, graças à contração ventricular. CIRCULAÇÃO LINFÁTICA A diferença de pressão na parte do capilar que conduz sangue arterial é maior que a diferença no lado venoso, sendo assim, a quantidade de líquido que sai do capilar é maior do que a quantidade que volta, então o excesso de líquido que sai do capilar é maior do que a quantidade que volta. FUNÇÕES DA LINFA Recolher proteínas que podem vazar dos capilares devolvendo-as ao sangue. Absorve gorduras do intestino além de defesas. A ATIVIDADE ELÉTRICA DO CORAÇÃO Nódulo sinoatrial (SA) ou marcapasso ou nó sino-atrial: região especial do coração, que controla a freqüência cardíaca. Localiza-se perto da junção entre o átrio direito e a veia cava superior e é constituído por um aglomerado de células musculares especializadas. Devido ao fato do nódulo sinoatrial possuir uma freqüência rítmica mais rápida em relação às outras partes do coração, os impulsos originados do nódulo SA espalham-se para os átrios e ventrículos, estimulando essas áreas tão rapidamente, de modo que o ritmo do nódulo SA torna-se o ritmo de todo o coração; por isso é chamado marcapasso.Sistema De Purkinje: embora o impulso cardíaco possa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas, o coração possui um sistema especial de condução denominado sistema de Purkinje. 2.1 Frequência cardíaca A atividade cardíaca está submetida à regulação pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA), que fará o controle fino da função deste órgão. Graças à regulação pelo SNA, o corpo pode responder rapidamente às necessidades, criadas pelo ambiente, de um maior débito cardíaco, por exemplo. O sistema nervoso que atua no coração é o sistema nervoso autonomico simpatico e parassimpatico. Simpatico: taquicardia (aumento da frequencia cardiaca), aumentoda força de contração,aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários visando a suprir o 18 aumento da nutrição do músculo cardíaco(diminuição do debito). O simpatico atua no processo de luta ou fuga. Quando a disturbios fisiologicos como hipertensão a descarga simpatica fica aumentada. Parassimpatico:bradicardia(diminuição da frequencia cardiaca), diminuição da força de contração, diminuição do debito cardiaco. O parassimpatico geralmente atua nos processos de repouso. Na hipotensão o parassimpatico tem predominancia em relação ao simpatico. Ação cronotrópica (cronotropismo): Influencia a freqüência cardíaca; Ação inotrópica (inotropismo): Influencia a força contrátil, velocidade de desenvolvimento de pressão pelo miocárdio e a velocidade de ejeção; Ação dromotrópica (dromotropia): Atua sobre a velocidade de condução; Ação batmotrópica (batmotropia): Tem influência sobre a excitabilidade (limiar de estimulação). Um aumento sobre qualquer ação é considerado positivo; e uma diminuição representa ação negativa. Por exemplo, efeito inotrópico positivo é o que aumenta a força de contração, e efeito cronotrópico positivo o que diminui a freqüência cardíaca. Efeitos do estímulo simpático: Ação cronotrópica positiva (aumenta freqüência cardíaca - taquicardia); Ação inotrópica positiva (aumenta força de contração cardíaca, tanto de átrios como de ventrículos); Aumenta velocidade de descarga do nodo SA; Aumenta velocidade de condução no nodo atrioventricular. Efeitos do estímulo parassimpático (estímulo vagal): Ação cronotrópica negativa (diminui freqüência cardíaca - bradicardia); Ação inotrópica negativa (diminui a força de contração atrial e, em menor grau, a ventricular, devido à baixa quantidade de receptores para acetilcolina presentes no miocárdio ventricular); Diminui velocidade de descarga do nodo SA; Diminui ou bloqueia a condução no nodo atrioventricular. 2.2 Capilares Capilares são vasos sanguíneos de diâmetro bastante reduzido, são formados pela ramificação das arteríolas. Suas delicadas paredes são formadas por uma única camada de finas células endoteliais, o que, em conjunto com a baixa velocidade do fluxo sanguíneo local, torna os capilares sanguíneos o ponto ideal para a troca de oxigênio, substâncias nutritivas e resíduos metabólicos entre o sangue e os tecidos irrigados por ele. Esse pequeno diâmetro interno dos capilares obriga as hemácias, as células vermelhas do sangue, sofrerem uma leve deformação, já que os aproximados 0,008mm das hemácias superam 0,006mm do diâmetro interno dos capilares. 19 Este fluxo sanguíneo, porém não é constante, pelo contrario, é intermitente. A cada poucos segundos ou minutos ocorre um fenômeno conhecido como vasomotilidade, que consiste na contração das metarteríolas e dos esfíncteres pré-capilares. O principal fator que irá determinar o grau de abertura e fechamento das metarteríolas e dos esfíncteres pré-capilares será a concentração de oxigênio nos tecidos. Em outras palavras, quanto maior o consumo de sangue pelos tecidos, maior os períodos intermitentes de fluxo sanguíneo capilar, que permanecem mais frequentes e sua duração também. Isso permite que o sangue capilar transporte maior quantidade de oxigênio para os tecidos. Em certas áreas do corpo, principalmente na pele, o sangue não circula pelos capilares, sendo desviado diretamente das arteríolas para as vênulas. Esse desvio é conhecido por anatomose arteriovenosa ou Shunt AV, com paredes espessas e musculares e supridas por fibras nervosas vasomotoras. O Shunt AV, além de controlar o fluxo sanguíneo, ajudam a regular a temperatura corporal. À medida em que o sangue flui pelo capilar, moléculas de água e partículas dissolvidas vão passando para dentro e para fora através da difusão. Algumas substâncias, como o oxigênio e o dióxido de carbono, podem se difundir através das membranas celulares do capilar diferentemente de outras que só podem atravessar através de poros. A permeabilidade da parede dos capilares sanguíneos varia muito, depende da necessidade de cada órgão em receber grandes ou pequenas quantidades de nutrientes, líquidos ou outras substâncias. A intensidade da difusão de uma substância através da membrana capilar se dá a diferença de concentração entre os dois lados, quanto maior essa diferença mais fácil fica o transporte de substância em uma das direções (transporte passivo). A concentração de oxigênio no sangue capilar é maior que no líquido intersticial, portanto uma grande quantidade de oxigênio se move para os tecidos, ao contrário a concentração de dióxido de carbono que é maior nos tecidos e esse fato faz com que esse dióxido se mova para o sangue. 2.3 Fisiopatologia 20 Fisiopatologia é um ramo da medicina que se ocupa em estudar os fenômenos que provocam alterações anormais no organismo durante as doenças, com o objetivo de identificar as origens e as etapas de formações das patologias. Em suma, a fisiopatologia de determinada doença consiste no modo como o organismo funciona e reage ao ser acometido por esta patologia, assim como analisa a evolução das funções do organismo durante a doença. 2.4 Anasarca Anasarca é um sintoma caracterizado por um edema (inchaço) distribuído por todo o corpo devido ao acúmulo de fluido no espaço extracelular. Geralmente causado por insuficiência cardíaca ou renal. As proteínas do sangue são essenciais para uma boa circulação sanguínea, mantendo o plasma sanguíneo dentro dos vasos, assim seu deficit pode causar edema periférico e em casos causa extremos anasarca. Algumas das doenças que podem ter esse sintoma incluem: • Síndrome nefrótica por causar perda de proteínas na urina; • Insuficiência cardíaca congestiva porque os líquidos não circulam adequadamente pelo corpo e os rins retêm água; • Cirrose hepática quando o fígado não produz proteínas sanguíneas o suficiente; • Desnutrição quando há extrema deficiência de proteínas (Kwashiorkor); • Pré-eclâmpsia, tanto o período da gravidez quanto a hipertensão podem favorecer a retenção de líquidos; • Ancilostomíase, quando os vermes bloqueiam a drenagem pelos vasos linfáticos; • Mineralocorticoides como prednisona e prednisolona; • Síndrome de permeabilidade capilar sistêmica/Síndrome de Clarkson; • Aumento na atividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona; • POEMS, uma síndrome rara caracterizada por polineuropatia, organomegalia, endocrinopatia, gamopatia monoclonal e mudanças na pele A hidropsia é a anasarca fetal. Quando o bebê já nasce com muito edema, inclusive a cabeça, já que o crânio ainda não fechou diz-se que está com hidropsia. As causas mais comuns são doenças maternas como a DHEG e o tabagismo, além de infecções na gestação como rubéola 21 e toxoplasmose. O tratamento é muito variável mas geralmente são casos graves que necessitam de acompanhamento de perto e internação. O tratamento incide sobre a doença subjacente, mas pode também ser de alívio de sintoma com diuréticos, diálise ou paracentese uma vez que o paciente pode sentir muito desconforto, às vezes até para respirar. A alimentação depende da doença que causou o anasarca, por exemplo se for falência hepática não é recomendado a ingestão de proteínas porque sobrecarrega o fígado, enquanto se o problema é má-nutrição uma dieta rica em proteínas de rápida absorção é importante. Em quase todos os casos é recomendado evitar a ingestão de sal normal, pois o sódio aumenta a retenção de líquidos.Pacientes com problemas renais devem limitar o consumo de líquidos a sua capacidade renal, em outras palavras, não tomar muito mais do que conseguem eliminar. Como muitos diuréticos induzem eliminar potássio na urina é importante comer alimentos ricos em potássio como batata, laranja, tomate e banana. Exercícios aeróbicos podem ajudar a reduzir edemas dependendo do caso. 2.5 Pressão venosa central A pressão venosa central (PVC) ou pressão do átrio direito refere-se à pré-carga do ventrículo direito (VD), ou seja, a capacidade de enchimento do ventrículo direito ao final da diástole. A PVC é uma medida hemodinâmica frequente na UTI. É determinada pela interação entre o volume intravascular, função do ventrículo direito, tônus vasomotor e pressão intratorácica. A PVC é obtida através de um cateter locado na veia cava superior, o cateter central com uma ou duas vias; para mensurar a PVC o mais indicado é o cateter de duas vias (duplo lúmen). As principais vias de acesso utilizadas são a braquial, subclávia e jugular. E assim como vimos na pressão arterial invasiva à mensuração da PVC é realizada através de uma coluna de água ligada a um transdutor de pressão ou manualmente a uma régua. 22 A zeragem da linha de pressão venosa central é feita da mesma forma que a pressão arterial invasiva, alinhada a linha média axilar. Caso a conexão escolhida seja continua, ou seja, com transdutor de pressão, após a passagem do cateter central, conexão ao transdutor de pressão e ao monitor multiparametrico, observamos na tela do monitor uma curva característica do átrio direito. Não podemos esquecer que para pacientes intubados a medida da pressão venosa central deve ser realizada ao final da expiração, para pacientes em ventilação espontânea deve ser realizada no final da inspiração. Os valores normais da PVC são 2 mmHg ( uso de transdutor de pressão) ou 3-11cm H2O (uso da régua com solução salina). valores abaixo do normal podem sugerir hipovolemia e valores mais altos podem sugerir sobrecarga volumétrica ou falência ventricular, mas devem ser avaliados com outros parâmetros. 2.6 Endotélio O endotélio pode ser considerado como o maior órgão endócrino do corpo. Produz uma vasta gama de substâncias de caráter hormonal, com funções vasoconstritoras e vasodilatadoras, assim como importantes moduladores da hemostasia. Constitui a camada celular interna dos vasos sanguíneos. Tem importante participação na fisiologia animal, modulando funções variadas, como inflamação, coagulação, controle de fluxo sanguíneo local. O endotélio é formado por um único estrato de células achatadas sendo, portanto, classificado como epitélio simples pavimentoso. Para além das funções de revestimento e delimitação, o endotélio apresenta outras funções, importantes do ponto de vista fisiológico. Funciona como uma membrana semipermeável, regulando o tráfego de moléculas, mas apresenta também funções de síntese e de metabolismo de diversas substâncias. A sua ação traduz-se, principalmente, no controle do fluxo sanguíneo, na regulação da resistência vascular e na modulação das respostas imunitárias e inflamatória. 23 Ao nível arterial, as células endoteliais formam a camada mais interna, a designada túnica íntima. Como exemplos da atividade bioquímica do endotélio, podem-se referir a intervenção no metabolismo de substâncias vasoativas como a angiotensina I e angiotensina II, a inativação da bradicinina, serotonina e noradrenalina, a formação de prostaglandinas, produção de antigênios e a intervenção, em diversos níveis, no processo de coagulação do sangue, por exemplo, através da produção de trombomodulina. Como exemplo de substâncias vasodilatadoras produzidas pelo epitélio, podem-se mencionar a prostaciclina e o óxido nítrico. As células endoteliais produzem ainda diversas moléculas que atuam estimulando a formação de novos vasos sanguíneos e a reparação dos danificados. O termo endotélio refere-se a um tipo de membrana epitelial que reveste, internamente, as câmaras do coração (aurículas e ventrículos), os vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares) e os vasos linfáticos. Este tipo de tecido engloba-se nos tecidos epiteliais, que se caracterizam por serem avasculares, obtendo os nutrientes de que necessitam, por difusão, a partir dos vasos sanguíneos presentes na camada de tecido conjuntivo que, normalmente, lhes está subjacente. As células epiteliais apresentam-se separadas do tecido conjuntivo pela membrana basal, uma estrutura acelular, que funciona como superfície de separação. Em termos de estrutura, os tecidos de tipo endotelial caracterizam-se por serem pavimentosos simples, isto é, formados por uma monocamada de células intimamente ajustadas. Todas as células do endotélio estão em contacto com a membrana basal e com o lúmen das cavidades que revestem, em simultâneo. Para além das funções de revestimento e delimitação, o endotélio apresenta outras funções, importantes do ponto de vista fisiológico. Funciona como uma membrana semipermeável, regulando o tráfego de moléculas, mas apresenta também funções de síntese e de metabolismo de diversas substâncias. A sua ação traduz-se, principalmente, no controlo do fluxo sanguíneo, na regulação da resistência vascular e na modulação das respostas imunitárias e inflamatória. A nível arterial, as células endoteliais formam a camada mais interna, a designada túnica íntima. Estas células intervêm a diferentes níveis, nomeadamente no metabolismo de 24 substâncias vasoativas, interferindo no estado de relaxamento ou de contração dos vasos sanguíneos, o que acarreta diferentes variações na hipertensão arterial, logo, na velocidade de circulação do sangue. Em resposta a diferentes estímulos físico-químicos, as células do endotélio libertam diferentes moléculas, que vão atuar incrementando ou diminuindo o diâmetro dos vasos, pelo que um desarranjo ao nível desta estrutura provoca problemas na manutenção da tensão arterial ajustada ao estado fisiológico, em cada momento. Como exemplos da atividade bioquímica do endotélio, podem-se referir a intervenção no metabolismo de substâncias vasoativas como a angiotensina I e angiotensina II, a inativação da bradicinina, serotonina e noradrenalina, a formação de prostaglandinas, produção de antigênios e a intervenção, a diversos níveis, no processo de coagulação do sangue, por exemplo, através da produção de trombomodulina. Como exemplo de substâncias vasodilatadoras produzidas pelo epitélio, podem-se mencionar a prostaciclina e o óxido nítrico. As células endoteliais produzem ainda diversas moléculas que atuam estimulando a formação de novos vasos sanguíneos e a reparação dos danificados. Vários estudos científicos apontam para a relevância do papel do endotélio na etiologia de várias doenças, nomeadamente, do foro cardiovascular, metabólico e imunológico, salientando-se a importância da manutenção da integridade desta estrutura, essencial para a manutenção da normal função vascular. Em termos de origem embrionária, os endotélios formam-se a partir do folheto embrionário da mesoderme. 2.7 Vasoconstrição Os factores circulantes vasoconstritores incluem as catecolaminas (como a Adrenalina, a Noradrenalina e a Dopamina), a Angiotensina II (AII) e a Vasopressina. A Noradrenalina é o neurotransmissor vasoconstritor por excelência. As Endotelinas, o Tromboxano A2, a Prostaglandina E2 e D2 e o Ião Superóxido são os factores constritores derivados do endotélio descritosaté ao momento. MECANISMOS SUBCELULARES Os estímulos para a vasoconstrição actuam sobre receptores presentes na membrana da célula muscular lisa, como a angiotensina II ou a endotelina. Estes receptores são os responsáveis pela transdução do sinal em resposta mecânica e têm em comum o facto de utilizarem o sistema do fosfatidilinositol como segundo mensageiro (Fig. 2). O trifosfato de inositol (IP3) e o tetrafosfato de inositol (IP4) actuam 25 intracelularmente no sentido de aumentarem a concentração de cálcio citosólica, de modo a iniciar o ciclo de contracção no músculo liso vascular. Pensa-se que actuam através de um receptor específico presente no retículo sarcoplasmático. O diacilglicerol (DAG) forma-se também quando o fosfatidilinositol é degradado pela fosfolípase C. Estimula a proteína cínase C (PKC) a qual induz uma contracção tónica, provavelmente pela fosforilação das proteínas contrácteis caldesmona e calponina. A caldesmona liga-se à actina e à calmodulina, provocando inibição da interacção actina-miosina por competição com a cabeça de miosina. Esta inibição é revertida aquando da fosforilação da caldesmona. A fosforilação da calponina remove a sua inibição sobre a ATPase da miosina. A contracção necessita de ser sustentada para permitir que o tónus do músculo liso vascular tenha efeito na regulação da pressão arterial. Deste modo, a contracção vascular é do tipo tónico e pode ser explicada pelo mecanismo de formação das latchbridges. Após a ligação inicial da miosina com a actina, estas proteínas têm que se manter unidas e só relaxam quando é enviado outro sinal. Deste modo, a geração da tensão inicial requer cerca do dobro do nível de cálcio citosólico do necessário para manter a tensão subsequente. À medida que aumenta o ião cálcio citosólico, vai-se ligando, na razão de 4/1, à proteína calmodulina. Esta sofre alterações conformacionais e activa a cínase de cadeia leve de miosina, que permite a interacção entre a actina e a miosina. A activação desta cínase é revertida por acção da fosfatase da miosina de cadeia leve. As células musculares lisas vasculares possuem dois tipos de canais da cálcio sujeitos a diferentes estímulos. Os canais de cálcio dependentes da voltagem (VOC) operam em resposta à estimulação adrenérgica, à despolarização induzida pelo potássio e à automaticidade espontânea. Os canais de cálcio dependentes de receptores (ROC) respondem à estimulação dos receptores da endotelina, da angiotensina II e α1. De salientar o mecanismo de acção duplo destes agonistas (via IP3 e via ROC). Por fim há que considerar um padrão de contracção vascular que ocorre sem elevação do cálcio intracelular . A denominada 7 contracção independente do cálcio parece ocorrer pela acção da fosfolípase C sobre precursores membranares diferentes do fosfatidilinositol que libertam DAG sem formação de IP3. Interessante é a hipótese de que o estiramento do músculo vascular sensibilize a maquinaria contráctil à PKC. Os Bloqueadores dos Canais de Cálcio inibem os canais de cálcio dependentes da voltagem (ou VOC) presentes no músculo liso vascular, causando vasodilatação periférica. A nível coronário têm também um papel importante na medida em que aumentam o fluxo sanguíneo e diminuem as resistências vasculares coronárias. A nível cardíaco têm um efeito inotrópico negativo. A Hipertensão Arterial é uma das possíveis aplicações terapêuticas deste grupo de fármacos. 26 Vasodilatação Os factores circulantes vasodilatadores incluem a Acetilcolina, a Bradicinina, a Trombina, a Histamina, a Endotelina (via ETB), cuja acção depende essencialmente de factores relaxantes derivados do endotélio, como o NO e a Prostaciclina. O NO funciona também como neuromodulador. O endotélio produz ainda o factor hiperpolarizante derivado do endotélio (EDHF). 3. FACTORES EXTRÍNSECOS ACETILCOLINA O sistema nervoso parassimpático é constituído por dois componentes, o craniano e o sagrado. A acetilcolina (Ach) é o neurotransmissor usado nas sinapses entre os neurónios pré e pós-ganglionares, como também entre estes últimos e os receptores nos órgãos-alvo. No que concerne aos vasos sanguíneos, eles recebem uma enervação parassimpática muito pobre e, inclusivamente, os vasos do músculo esquelético e da pele não têm qualquer enervação parassimpática. Não obstante, os vasos do músculo esquelético recebem fibras vasodilatadoras colinérgicas que caminham através de nervos simpáticos, constituindo o designado Sistema Vasodilatador Simpático. Estas fibras, anatomicamente simpáticas, libertam acetilcolina e medeiam um fenómeno de vasodilatação (que, no entanto não é constante nem muito marcado), e que ocorre imediatamente antes ou no início do exercício físico. Em termos gerais, a enervação parassimpática está topograficamente organizada: os vasos sanguíneos da cabeça e dos órgãos torácicos são enervadas pelas fibras pós-ganglionares do componente craniano, enquanto que do componente sagrado partem os nervos que suprem os vasos dos órgãos genitais, bexiga e intestino grosso. Estas fibras colinérgicas, juntamente com as do sistema simpático, constituem plexos na adventícia dos vasos e dos quais partem fibras que se dirigem à porção externa da camada média dos mesmos. Os neurotransmissores atingem as regiões mais profundas da camada muscular por difusão e, por sua vez, as junções de hiato permitem que se dê a propagação do sinal nervoso por todas as células. Receptores Existem dois tipos de receptores colinérgicos, os nicotínicos e os muscarínicos. Os receptores nicotínicos são canais iónicos dependentes de ligandos, cuja activação por duas moléculas de Ach desencadeia um rápido aumento na permeabilidade aos iões Na+ e Ca2+, conduzindo à despolarização da estrutura pós-sináptica. Estes receptores localizam-se nas placas motoras, nas células cromafins da medula supra-renal e nos gânglios vegetativos (onde medeiam as sinapses entre os neurónios pré e pós-ganglionares dos sistemas simpático e parassimpático). Os receptores muscarínicos, em contrapartida, pertencem à classe dos receptores ligados à proteína G. A sua resposta é lenta, podendo ser excitatória ou inibitória e não 22 está necessariamente relacionada com alterações da permeabilidade iónica. Existem cinco 27 subtipos de receptores muscarínicos, que apresentam localizações anatómicas e características bioquímicas diferentes. No que concerne a sua distribuição, destacam-se os receptores M1, que se localizam no SNC e na mucosa gástrica; os receptores M2, que predominam no miocárdio e na vasculatura; os receptores M3, situados no músculo liso e nas glândulas exócrinas. Quanto aos sistemas de segundos mensageiros, os receptores M1, M3 e M5 activam a proteína Gq/1l, enquanto que os receptores M2 e M4 interagem com a proteína Gi,. A proteína Gq/1l é responsável pela estimulação da fosfolípase C que leva à hidrólise do fosfolípido da membrana, fosfatididilinositol-4, 5-bisfosfato (PIP2), em diacilglicerol (DAG) e 1,4,5-trisfosfato de inositol (IP3). O DAG, juntamente com o Ca2+, activa a proteína cínase C, que intervém na fase final da resposta, enquanto que o IP3 actua num receptor do retículo sarcoplasmático, levando à libertação de Ca2+ nele armazenado. Deste modo, ocorrem fenómenos dependentes do Ca2+, como sejam a contracção no músculo liso e a secreção nas glândulas exócrinas. 23 As proteínas Go e Gi inibem a enzima adenilcíclase, activam canais de K+ e suprimem a actividade dos canais de Ca2+ dependentes da voltagem, o que, no caso concreto do miocárdio, explica os efeitos inotrópico e cronotrópico negativos da Ach. Efeitos vasculares Tendo em consideração que no músculoliso se encontram receptores M3, cujo segundo mensageiros é o IP3, esperar-se-ia que a Ach tivesse um efeito vasoconstritor, o que não acontece na realidade. Nos vasos sanguíneos, há receptores M3 na camada muscular e receptores M2 no endotélio, e a Ach libertada pelos terminais nervosos actua sobretudo neste últimos. A activação das células endoteliais pela Ach leva à síntese de substâncias vasodilatadoras, nomeadamente o óxido nítrico (NO). Para além disso, existem receptores pré-sinápticos M2 nos terminais axonais adrenérgicos, pelos quais a Ach exerce uma acção inibitória sobre a libertação de noradrenalina, o que contribui para o seu efeito vasodilatador. É pertinente notar que em caso de lesão do endotélio, este não é capaz de sintetizar substâncias relaxantes, pelo que a Ach ao interagir com os receptores da camada muscular provoca vasoconstrição. Actualmente, encontram-se disponíveis vários fármacos que interferem com a transmissão colinérgica, nomeadamente fármacos agonistas e antagonistas dos receptores muscarínicos e nicotínicos, bem como inibidores das enzimas que medeiam a síntese de Ach. Todos estes agentes prefiguram-se como importantes armas terapêuticas em situações clínicas tão diversas como o Íleo Paralítico, a Parésia Vesical, o Glaucoma de ângulo fechado, a Miastenia Gravis e a Taquicardia Paroxística Supraventricular, entre outros. 28 2.8 Tônus muscular Tônus Muscular O tônus muscular é a força com que o músculo resiste quando estirado. O tônus é pesquisado clinicamente por meio da extensão e flexão passivas e alternadas do membro de um paciente, avaliando-se a resistência oferecida pelo músculo durante a manobra. Um componente importante do tônus muscular deriva de sua própria constituição física e de suas características puramente mecânicas. Há, no entanto, um importante componente neural contribuindo para o tônus muscular. O reflexo miotático, respondendo ao estiramento passivo de um músculo com um aumento de sua atividade contrátil, pode assim modular o tônus muscular, ajustando-o de forma apropriada para uma dada tarefa motora. O tônus muscular normal contribui para importantes funções motoras, por exemplo, a manutenção de posturas. Assim, como um dentre vários possíveis exemplos, se estamos de pé e tendemos a inclinar nosso corpo para a frente, o estiramento passivo do tríceps sural produzido por essa inclinação leva à contração desse conjunto muscular, restabelecendo ` posição vertical, e diminuindo assim a amplitude de possíveis oscilações posturais. Um outro exemplo é a própria manutenção da postura ereta, em que a contração dos músculos extensores dos membros inferiores (por exemplo, o quadríceps) é mantida graças à ação do reflexo miotático sobre essa musculatura. Nesse caso, a mera tendência de uma flexão dos membros inferiores (em função da força gravitacional), e conseqüente estiramento da musculatura extensora, tem como resposta a contração dessa mesma musculatura, mantendo assim a postura ereta. De forma um tanto simplificada, o reflexo miotático pode ser concebido como um servomecanismo que tende a manter o comprimento de um músculo dentro de valores previamente estabelecidos. Um aumento da carga imposta ao músculo, que tenderia a levar a um estiramento, teria como resposta uma conseqüente contração, restabelecendo então o comprimento inicial. Já uma diminuição da carga teria efeito contrário, levando a um encurtamento do músculo, e conseqüente diminuição na descarga das fibras Ia diminuindo correspondentemente a ativação dos respectivos motoneurônios a, reduzindo portanto o grau de contração do músculo, que tenderia a retornar ao comprimento inicial. 2.9 Síndrome de Robin Hood / do furto Conceitua-se reserva coronariana como a diferença entre o fluxo de base das artérias coronárias e o fluxo máximo possível que esta circulação pode oferecer antes de ocorrer um evento isquêmico do miocárdio. A placa lipídica da íntima vascular (placa aterosclerótica) 29 provoca redução ao fluxo pelo aumento da resistência. A autoregulação provoca vasodilatação regional impedindo a isquemia. O fluxo colateral é importante nas regiões onde a reserva coronariana está em seu limite máximo. É responsável pela manutenção da viabilidade miocárdica regional. O uso de vasodilatadores nesta situação pode desviar o fluxo colateral e induzir isquemia (síndrome do roubo coronário - Robin Hood invertido). A estenose promove isquemia crônica que nos episódios de fissura da placa e trombose induz à isquemia aguda e mais intensa. A isquemia do miocárdio, sintomática ou silenciosa, induz uma disfunção das bombas iônicas com influxo de sódio e efluxo de potássio. O balanço entre consumo e aporte de oxigênio nessa situação limítrofe e deve ser levado em consideração. O consumo de oxigênio pelo miocárdio é mais importante determinante do fluxo. O miocárdio normalmente extrai 65% do oxigênio do sangue arterial, outros tecidos usualmente extraem cerca de 25%. A saturação de oxigênio do seio coronário é de somente 30%. Portanto, o miocárdio não consegue compensar uma redução do fluxo extraindo maiores quantidades de oxigênio da hemoglobina. Portanto, qualquer demanda maior de oxigênio do miocárdio deve ser compensada por um aumento no fluxo. A isquemia de qualquer tecido surge quando o aporte de oxigênio está reduzido frente às necessidades metabólicas de suas células. O aporte deficiente de oxigênio pode ser devido a uma redução ao fluxo sangüíneo ou a uma redução no conteúdo de oxigênio no sangue. Como foi visto, esta última condição é rara, a redução ao fluxo é a causa mais freqüente. O aumento da necessidade metabólica celular (miocárdio) frente a um aporte limítrofe precipita a isquemia. 2.10 Desnutrição proteica calórica Agravo desencadeado por uma má-nutrição, na qual são ingeridas quantidades insuficientes de alimentos ricos em proteínas e/ou energéticos a ponto de suprir as necessidades do organismo. A desnutrição pode originar-se de forma: • primária: baixo nível sócio-econômico - pobreza, privação nutricional, más condições ambientais levando a infecções e hospitalizações frequentes, baixo nível educacional e cultural, negligência, falta de amamentação, privação afetiva. Neste caso a correção da dieta bastará para que se obtenha a cura. • secundária: apesar de haver oferta existem outros fatores que impedem a ingestão e absorção dos alimentos - má-absorção, estenose do piloro, ou aumentam a sua 30 necessidade - hipertireoidismo. Sua evolução estará na dependência da doença que a ocasionou. • mista: situação em que os dois mecanismos estão envolvidos. A baixa ingestão energética leva o organismo a desenvolver mecanismos de adaptação: queda da atividade física em comparação com crianças normais; parada no crescimento (falta de ganho de peso e altura) e alteração da imunidade. A desnutrição pode ser classificada por diversos critérios, porém no Estado de São Paulo,utiliza-se percentis (valores que dividem o conjunto ordenado de dados obtidos em 100 partes iguais). Os percentis de corte escolhidos foram 10 e 90. Assim, considera-se normal valores compreendidos entre os dois. A gravidade da desnutrição também pode ser classificada segundo critérios de Gomez, em 1º, 2º e 3º graus, conforme a perda de peso apresentada pela criança. • Desnutrição de 1º grau ou leve - o percentil fica situado entre 10 e 25% abaixo do peso médio considerado normal para a idade. • Desnutrição de 2º grau ou moderada - o déficit situa-se entre 25 e 40 %. • Desnutrição de 3º grau ou grave - a perda de peso é igual ou superior a 40%, ou desnutridos que já apresentem edema, independentedo peso. Em termos populacionais há um predomínio da desnutrição de 1º grau, onde o organismo adapta-se à uma alimentação abaixo de suas necessidades, que, em geral, predomina por toda vida. Com isso, há uma parada no crescimento. É por isso que "em estudos populacionais a estatura é tão valorizada, sendo encarada como indicador do estado nutricional atual ou, principalmente, pregresso" (LOPES,). Estudos já comprovaram que as camadas mais pobres da sociedade têm uma alimentação geralmente equilibrada, sob o aspecto qualitativo, porém em quantidade insuficiente. Existem algumas pesquisas relatando que a desnutrição grave pode ser decorrência de falta de vínculo mãe-filho que levam a mãe a descuidar da criança a ponto de por sua vida em perigo. Estabelecem uma associação entre o grave déficit nutricional e vínculo inseguro e desorganizado entre mãe-filho. Porém esta mãe normalmente não recebeu carinho em sua infância, com isso não consegue ofertar ao filho. Acha-se incapaz, que seu leite é fraco e tem baixa auto-estima. Assim, acreditam ser desnecessário investirem nas crianças por não serem 31 boas mães. É um ciclo vicioso que a equipe multiprofissional vai precisar trabalhar para reverter essa situação. A desnutrição grave pode apresentar-se de três formas: Marasmo, Kwashiorkor e Marasmo- Kwashiorkor. 1. Marasmo: criança fica com baixa atividade, pequena para a idade, membros delgados devido a atrofia muscular e subcutânea, costelas proeminentes, pele se mostra solta e enrugada na região das nádegas, apresenta infecções constantes, comumente é irritadiça e seu apetite é variável. 2. Kwashiorkor: déficit importante de estatura, massa muscular consumida, tecido gorduroso subcutâneo preservado, alterações de pele dos membros inferiores, alterações dos cabelos, hepatomegalia, face de lua, anasarca e baixa concentração sérica de proteínas e albumina, área perineal frequentemente irritada com dermatites e escoriações devido a diarréias. Apatia exagerada, raramente responde a estímulos e não apresenta apetite. 3. Marasmo-Kwashiorkor: a origem pode ser de um marasmo que entrou em déficit protéico ou um Kwashiorkor que passou a sofrer déficit energético. Estão presentes: retardo da estatura, do desenvolvimento neuro psicomotor e queda da resistência imunológica. O tratamento da desnutrição está intimamente relacionado com aumento de oferta alimentar, que deve ser feito de forma gradual em função dos distúrbios intestinais que podem estar presentes. Após a reversão deste quadro, fornecer dieta hipercalórica para a recuperação do peso da criança; corrigir distúrbios hidro-eletrolíticos, ácido-básicos e metabólicos e tratar das patologias associadas; obtenção de adesão da mãe ao tratamento, o que irá facilitar a recuperação da criança em menor tempo e com maior intensidade. Por se tratar de um problema, em sua maioria das vezes, social é importante que a equipe de saúde esteja atenta, encaminhando esta família para assitentes sociais, comunidades de bairro e pastorais da criança para que consigam algum tipo de auxílio para suprirem suas carências. A não-criação de vínculo mãe-filho também pode levar uma criança a desenvolver desnutrição em função da negligência. Outras vezes a falta de informação leva a um preparo inadequado dos alimentos, levando a família a alimentar-se com uma dieta pouco nutritiva. 32 Os profissionais não podem culpar a família pela debilidade de seus filhos, cabe a nós orientá-los para evitar danos à saúde de nossas crianças e adolescentes, promovendo o fortalecimento do vínculo da criança com a família, com informação. 3 Sangue 3.1 Sistema hematopoético Tecido sanguíneo é considerado um tipo especial de tecido conjuntivo em que células se encontram separadas por grande quantidade de matriz extracelular (plasma). O plasma corresponde a 10% do volume sanguíneo, sendo composto de componentes de baixo e alto peso molecular. O processo de regular a produção continua de células do sangue é chamado de hemocitopoese. O tecido hematopoiético atua na produção dos elementos figurados do sangue. Estão envolvidos os processos de renovação, proliferação, diferenciação e maturação células. O processo de regular a produção continua de células do sangue é chamado de hemocitopoese. Estão envolvidos os processos de renovação, proliferação, diferenciação e maturação células. Na hemocitopoese é dividida em fases, sendo a primeira a mesoblastica, onde as primeiras células sanguíneas surgem no mesoderma do saco vitelino. Em seguida tem-se a fase hepática, onde acontece o desenvolvimento de eritroblastos, granulocitos e monócitos. Sendo esta fase é muito importante durante a vida fetal. Depois, já no segundo mês de intrauterina tem-se a fase medular, onde a medula óssea hematógena começa a se forma. Já na vida pós-natal as células-tronco da medula óssea hematógena começa a formar glóbulos, que dependendo do seu tipo são denominados de eritropoese, granulocitopoese, linfocitopoese, monocitopoese e megacariocitopoese. Essas células devem passar para o sangue, mas antes disso, elas passam pelos processos de diferenciação e maturação na medula óssea.Inicialmente todas as células são originarias da medula óssea, sendo a medula e o timo órgãos primários onde o desenvolvimento linfoide ocorre. Já o baço, linfonodos e agregados linfóides são órgãos linfóides secundários. 3.2 Melenas 33 As hemorragias de causas digestivas representam emergência clínica importante e muitas vezes de certa gravidade. Essas hemorragias constituem as hematêmeses, as melenas e as enterorragias. A hematêmese é o vômito de apreciável quantidade de sangue. Melena são fezes escuras, quase pretas e pastosas, lembrando borra de café ou piche; elas se explicam pela presença de sangue no aparelho digestivo, pois era tais casos a origem da hemorragia se situa geralmente nos segmentos mais altos do trato digestivo. As hemorragias provenientes do íleo ou cólon direito se exteriorizam pela eliminação de sangue vermelho mais ou menos escuro, mas razas vezes se assemelhando ao aspecto de borra de café característico da melena. Denomina-se enterorragia as dejeções que assumem as características de sangue vivo vermelho claro e provêm, em geral, de afecções localizadas no hemicólon esquerdo, no sigmóideo, reto ou canal anal. 3.3 Antibiograma Um antibiograma é um ensaio que mede a susceptibilidade/resistência de uma bactéria a um ou mais agentes antimicrobianos. Seu objetivo é tanto a análise do espectro de sensibilidade/resistência a drogas de uma bactéria quanto a determinação da concentração mínima inibitória. O Ágar de Mueller Hinton é recomendado pelo U.S. Food and Drug Administration (FDA) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o teste de sensibilidade/resistência a antibióticos de bactérias Gram positivas e Gram negativas, aeróbicas ou anaeróbicas facultativas, comumente encontradas em alimentos e espécimes clínicos. O teste, denominado antibiograma, é feito utilizando-se discos de difusão antibióticos depositados sobre a superfície do meio onde se inoculou, por espalhamento, uma amostra de uma cultura bacteriana previamente crescida em meio líquido. 2 - Material Pipetador com volume fixo de 100 µl, ponteiras esterilizadas, alça de Drigalski esterilizada, placas de Petri contendo meio Mueller Hinton, discos de difusão de antibióticos, cultura bacteriana em Caldo Nutriente ou meio LB. 3 - Procedimento Semear, por espalhamento com alça de Drigalski ou com uma zaragatoa esterilizada, uma alíquota de 100 µl da cultura bacteriana em uma placa de Petri contendo meioÁgar de Mueller Hinton. Em seguida, depositar discos de papel filtro impregnados, separadamente, com quantidades determinadas de um antibiótico específico sobre a superfície do meio em disposição ordenada. Incubar a placa, invertidas, a 37ºC por cerca de 24 horas. 4 - Resultados A formação de um halo transparente sobre a superfície do meio, ao redor de um disco de antibiótico, indica uma região com ausência de crescimento bacteriano, revelando a ação inibitória do agente antimicrobiano sobre a bactéria ensaiada. Ver figura 4. 34 Figura 5 - Placa Petri Antibiograma 3.4 Pressão coloidosmótica Na microcirculação, existe um grande conjunto de forças que tende a promover a passagem de líquido da luz do vaso para o interstício, e do interstício de volta para a luz do vaso. A primeira é a pressão hidrostática, que é a pressão exercida pela presença física do líquido, de sangue, e se encontra maior na luz do vaso. Se houvesse apenas a presença da pressão hidrostática, haveria um grande edema contínuo, com perda constante de líquido para o interstício. Curiosamente, à medida que há extravasamento de líquido (plasma) de dentro do vaso, as proteínas do sangue aumentam, proporcionalmente. As proteínas exercem uma força, a pressão coloidosmótica, que é a força de atração de água exercida pelas proteínas. Na medida em que o sangue chega à porção arteriolar do capilar, a pressão hidrostática do vaso é superior à pressão coloidosmótica, de forma que contribui para o extravasamento de líquido para o interstício. Quando se caminha para o lado venoso do capilar, a pressão hidrostática diminui muito, pois boa parte do líquido já saiu, e a coloidosmótica aumenta muito. Mesmo sem considerar outras forças, esse equilíbrio tende a fazer com que não ocorra acúmulo de líquido no interstício. Um pequeno acúmulo, feito ao longo do tempo, é reabsorvido pelos vasos linfáticos, que são como dedos de luva, com ponta cega, que mergulham no interstício, possuem válvulas e têm capacidade de drenagem muito grande, possuindo grandes poros nos endotélios; absorvem não somente líquido, mas também restos celulares, proteínas e solutos que existem no interstício. Portanto, o conteúdo dos vasos linfáticos não é plasmático, mas leitoso, rico em solutos protéicos e lipídicos. 35 A pressão hidrostática do interstício tende a empurrar líquido de volta para o vaso. A pressão coloidosmótica do interstício tende a atrair líquido para o interstício. Existe uma correlação muito dinâmica de líquidos que entram e saem do interstício. Numa situação fisiológica, considerando que a permeabilidade vascular não está alterada, não há acúmulo de líquido no interstício, pois o mesmo é drenado para os vasos linfáticos. 3.5 Hipoproteinemia Variações do Teor de Proteínas – a presença de proteínas no sangue denomina–se proteinemia e o aumento do seu teor, hiperproteinemia; reservando–se o termo hipoproteinemia para a diminuição do teor normal no sangue. As hipoproteinemias são devidas principalmente à baixa da albumina e as hiperproteinemias, à elevação das frações da globulina 3.6 Desequilíbrio hidroeletrolítico Um desequilíbrio eletrolítico ocorre quando o nível de algum dos eletrólitos não está na faixa normal, ou seja, quando o organismo perde mais eletrólitos do que ganha ou vice-versa. As principais causas desse tipo de desequilíbrio são a ingestão excessiva ou redução na eliminação de um eletrólito, ou ingestão diminuída ou eliminação excessiva do mesmo, sendo a insuficiência renal a causa mais comum. Qualquer tipo de desequilíbrio é perigoso, uma vez que o funcionamento ideal do organismo depende desse equilíbrio de eletrólitos. Os distúrbios eletrolíticos mais graves envolvem anormalidades nos níveis de sódio, potássio e/ou cálcio. Outros desequilíbrios de eletrólitos são menos comuns ou graves e ocorrem frequentemente em conjunto com os anteriores. Desequilíbrio nos níveis de sódio O metabolismo do sódio é influenciado pelos esteróides adrenocorticais, que quando insuficientes ocasionam uma redução do sódio sérico e um aumento na excreção. Um baixo nível de sódio (hiponatremia) pode causar confusão e fraqueza muscular, enquanto um nível elevado (hipernatremia) pode causar paralisia ou convulsão. Hiponatremia É um distúrbio onde a concentração de sódio é reduzida (inferior a 140 mEq/L). Pode resultar de uma perda excessiva de sódio, primariamente através dos rins ou de uma conservação 36 aumentada de água ou de ambas. A causa mais comum é a retenção hídrica, na maioria das vezes, causada pela inapropriada secreção do hormônio antidiurético (ADH), no entanto também pode ocorrer devido à elevada sudorese ou situações clínicas que configurem depleção de sódio como perdas excessivas de líquidos gastrointestinais, doenças renais, hemorragias, consumo excessivo de água. Hipernatremia É um distúrbio eletrolítico onde a concentração de sódio está acima do normal (acima de 160 mEq/L). Nessa situação, o ganho de sódio é maior que o de água ou a perda de água é superior a de sódio (diarreia, vômito, insuficiência renal, febre). A hipernatremia é associada a desidratação (baixo aporte de água ou perdas anormais) ou a aporte excessivo de sódio. Independente da causa, o aumento da concentração de sódio no plasma acarreta em desvio de água do compartimento intracelular para o extracelular, o que é relativamente grave quando se considera o sistema nervoso central onde a hipertonicidade nos capilares sanguíneos pode ocasionar ruptura e hemorragias. Deve-se suspeitar do desequilíbrio na presença de alteração do estado mental e histórico de déficit de água ou aporte excessivo de sódio. Quando há sintomas, esses são predominantemente ligados ao sistema nervoso central como irritabilidade, confusão, convulsões entre outros. Desequilíbrio nos níveis de potássio Apesar dos altos requerimentos dietéticos de potássio, a maioria dos alimentos apresentam concentrações adequadas desse mineral (alguns grãos são deficientes). A deficiência de K+ não é muito comum, a menos que a alimentação contenha níveis muito baixos. Teores de 3% na dieta podem interferir na utilização do magnésio, que em concentrações elevadas oferece proteção contra a toxidade do potássio. Qualquer alteração significativa na concentração extracelular de potássio pode ter sérios efeitos não apenas na função metabólica, mas também na condução nervosa com repercussões na musculatura e 7 principalmente no ritmo cardíaco. Baixas concentrações de K+ diminuem a frequência cardíaca enquanto que altas concentrações provocam arritmias cardíacas e afetam o transporte de O2 e CO2 pela hemoglobina. Hipocalemia A hipocalemia está caracterizada por concentrações de potássio menores do que 4 mEq/L, e pode se desenvolver por ingestão reduzida de potássio na dieta que é menos comum, pela 37 translocação de potássio do fluido intra para o extracelular e pela perda excessiva de potássio pelas vias gastrointestinais ou urinária. Adicionalmente, casos de alcalose também contribuem para a hipocalemia uma vez que os íons potássio entram nas células em troca de íons de hidrogênio. Na maioria dos casos o potássio intracelular é transferido para o meio extracelular sendo rapidamente removido pelo rim. Pelo fato dos hormônios adrenocorticais, particularmente a aldosterona, aumentam a excreção do potássio, a hiperatividade do córtex adrenal ou a injeção de quantidades excessivas de corticosteróides ou de corticotropina (ACTH) podem causar um déficit. Geralmente é assintomática, embora quando gravepode causar alterações que vão de fraqueza muscular, arritmias cardíacas e paralisia da musculatura esquelética e alterações na musculatura lisa. Hipercloremia Écaracterizada por um excesso de cloreto, principalmente causada por quadros de desidratação grave, falha renal e hemodiálise. A hipercloremia associada a um aumento proporcional de sódio é observada em casos de desidratação, enquanto que quando não associada a aumentos no nível de sódio é observada em casos de acidose metabólica que resulta da ingestão excessiva ou da excreção reduzida de cloreto. 9 Geralmente não possui sintomas até que os níveis subam muito acima do normal. Quando grave, os sinais clínicos estão relacionados com a acidose metabólica que a acompanha, e podem incluir hipertensão, desidratação, fraqueza, sede intensa, irritação gastrintestinal, anorexia, perda de peso, letargia e hiperventilação persistente. O diagnostico inclui avaliação dos níveis sanguíneos de cloreto, pH e CO2 sanguíneo além de exames de urina. A terapia consiste na eliminação da fonte de cloreto, na reidratação e na administração de bicarbonato de sódio. 3.7 Imunoglobulinas Moléculas de glicoproteína que são produzidas pelos plasmócitos em resposta a um imunógeno e que funcionam como anticorpos. As imunoglobulinas derivam seu nome da descoberta de que elas migram com as proteínas globulares quando soro contendo anticorpos é colocado em um campo elétrico. Imunoglobulinas se ligam especificamente a um ou a alguns antígenos proximamente relacionados. Cada imunoglobulina na verdade liga-se a um determinante antigênico específico. Ligação a antígeno pelos anticorpos é a função primária dos anticorpos e pode resultar em proteção do hospedeiro. A valência do anticorpo refere-se ao número de 38 determinantes antigênicos que uma molécula individual de anticorpo pode se ligar. A valência de todos os anticorpos é pelo menos duas e em alguns casos mais. Freqüentemente a ligação de um anticorpo a um antígeno não tem efeito biológico direto. Ao invés disso, os efeitos biológicos significantes são uma conseqüência de “funções efetoras” secundárias de anticorpos. As imunoglobulinas mediam uma variedade dessas funções efetoras. Usualmente a habilidade de carrear uma função efetora particular requer que o anticorpo se ligue a seu antígeno. Nem todas as imunoglobulinas irão mediar todas as funções efetoras. 3.8 Anemia falciforme Descrita pela primeira vez em 1910 uma anemia genética, responsável pela alteração estrutural da hemoglobina, fazendo com essa passasse de seu formato de disco bicôncavo para o formato de uma foice, foi classificada pela literatura médica com o nome de Falciforme devido a sua característica peculiar. Mesmo após de um século de sua descoberta, essa ainda é alvo de muitas pesquisas, pois ainda hoje acomete vários indivíduos de etnias diferentes em várias partes do mundo. Causadora de vários males como: hipóxia, tromboses, infartos, atrofia, fibrose dos órgãos, hemólise extravascular e intravascular, atinge órgãos fundamentais como o por exemplo: fígado, medula óssea, ocasionando complicações de nível agudo e crônico. Apesar do avanço tecnológico e do precoce diagnóstico, ainda hoje o tratamento é somente preventivo ou paliativo, fazendo basicamente o uso de medicamentos ou transfusões sanguíneas. 3.9 Leucocitose Leucocitose é o aumento global do número dos glóbulos brancos no sangue. O mais frequente é que a leucocitose surja devido a uma linfocitose ou a um aumento dos neutrófilos. As taxas globais de leucócitos para homens adultos normais estão entre 4.500 e 11.000 por milímetro cúbico de sangue. Considera-se que há leucocitose quando a pessoa apresenta mais de 11.000 leucócitos por milímetro cúbico de sangue. A leucocitose não é uma doença, mas a manifestação hematológica de algum transtorno orgânico, crônico ou transitório. A maior causa de leucocitose são as infecções, mas também pode ocorrer em outras doenças malignas que afetem a médula óssea ou em doenças inflamatórias e autoimunes. 39 Em resumo, na maioria das vezes, a leucocitose indica uma defesa do organismo contra as infecção ou então um descontrole das divisões celulares. É possível diagnosticar certas doenças observando-se o tipo de células brancas predominantemente aumentadas e, em alguns casos, a morfologia delas. A leucocitose pode ser diagnosticada por um exame simples de sangue, o hemograma, que também analisa os tipos de leucócitos que estão numericamente alterados. Constatada a leucocitose, impõe-se investigar e diagnosticar a sua causa, o que exigirá exames mais sofisticados. Quando há uma leucocitose é importante ver qual dos tipos de leucócitos é responsável por essa alteração. Geralmente, os neutrófilos e linfócitos são os responsáveis maiores, por serem os tipos mais numerosos de leucócitos. Um pequeno aumento dos leucócitos pode não ter maior repercussão clínica, mas um aumento significativo deve causar preocupações e pode indicar enfermidades graves, como um câncer. A leucocitose é mais frequente que a leucopenia e está presente, sobretudo nos quadros infecciosos. Geralmente a leucocitose é causada pelo combate a infecções ou por descontrole das divisões celulares. Contudo, pode ocorrer também em certas condições fisiológicas como gravidez, menstruação e exercícios musculares intensos, mas nelas nunca chega aos altos valores que podem ser encontrados nos quadros patológicos. A eosinofilia (aumento dos eosinófilos) ocorre nos casos de doença alérgica, mas pode aparecer também em doenças parasitológicas, recuperação de infecção aguda, algumas doenças, sensibilidade a certas drogas, tumores, leucemia eosinofílica, etc. Algumas eosinofilias são idiopáticas, isto é, sem causas aparentes. Os basófilos podem aparecer na leucemia mieloide e na policitemia vera. As linfocitoses (aumento dos linfócitos) verificam-se nas doenças infecciosas. Uma hiperlinfocitose duradoura em um adulto pode indicar uma leucemia linfoide crônica, um linfoma não-Hodgkin ou uma tireotoxicose. Uma monocitose (aumento dos monócitos) pode aparecer como reparação das neutropenias medicamentosas ou quimioterápicas, em doenças virais ou parasitárias e no curso de certas espécies de anemias. Pode constituir também um sinal de leucemia mielomonocíticas agudas. Outras condições que podem gerar uma monocitose são: infecções bacterianas crônicas, protozoários, doença de Hodgkin, doenças inflamatórias e no tratamento com certos fatores de crescimento. Uma neutropenia (diminuição do número de neutrófilos) aparece nas infecções bacterianas, sobretudo, nas inflamaçõese nas necroses de tecidos. 40 Pode também acontecer nos últimos meses de gravidez, nos tratamentos por corticoides, tabagismo, desordens metabólicas, neoplasias, hemorragia aguda ou hemólise, doenças mieloproliferativas como leucemiamieloide crônica, policitemia vera, etc. Leucocitose em recém-nascidos inclui o tratamento da infecção subjacente com a nomeação de antibióticos. Embora haja ocasiões em que o corpo da criança começa a responder ao tratamento, redução dos sintomas, assim, voltar a índices de leucócitos normais um pouco mais difícil. Para resfriados deve ser o tratamento precoce da doença em si, e as células brancas do sangue voltar ao normal por conta própria depois de algum tempo. O método de leucocitose tratamento depende totalmente da doença, que acompanhou o seu surgimento. O curso da terapia medicamentosa será nomeado após o diagnóstico completo realizado. Prescrever antibióticos dirigidas para a cura e prevenção de infecção, e para prevenir o desenvolvimento de sepsia.Para reduzir ou eliminar esteroides inflamatórios são atribuídos a redução do nível de células brancas do sangue. A fim de reduzir o nível de ácido na urina, são nomeados pelas antiácidos. No caso de uma reação alérgica pode anti-histamínicos drogas. Em casos raros, a remoção dos leucócitos em excesso através de leucaférese, concentrado de leucócitos, que foi obtido pelo procedimento, médicos ou entregar centro de doadores ou paciente vai deitar para trás. Também podem ser atribuídos a medicamentos para prevenir danos nos tecidos que estimula a leucocitose. Se revelou leucocitose durante a gravidez, os especialistas prescrever o tratamento para eliminar suas causas. No caso de uma doença infecciosa, e falha do tratamento prescreveu medicamentos a serem prescritos antibióticos, idade gestacional apropriada, sem danos à criança. As drogas são selecionados individualmente para cada mulher, tendo em conta a sensibilidade do agente patogênico para o fármaco. Se o agente patogênico não pode ser determinado, então o tratamento não produziu quaisquer resultados. Se o tratamento adequado e execução rigorosa das recomendações que ela vai ser capaz de proteger não só em si, mas também a criança. Neste caso, é estritamente proibido o uso de remédios populares. 3.10 Bacteremia A identificação de bactérias em amostras de sangue representa importante recurso diagnóstico em doenças infecciosas. A bacteremia pode indicar a disseminação de infecção, cuja expressão clínica pode variar desde quadros leves e autolimitados até o óbito. 4 Regulação da pressão arterial 41 Os mecanismos que mantém a pressão arterial (PA) são divididos em duas classes: - MECANISMOS A CURTO E MÉDIO PRAZO (Resposta Rápida) – Ativos em segundos ou minutos. Ação menos duradoura. - MECANISMOS A LONGO PRAZO (Resposta Lenta) – Ativos em horas ou dias. Possuem ação mais prolongada e duradoura. BARORREFLEXO ↑ PA = leva ao estiramento do receptor e à geração do potencial de ação. ↓ PA = menor estiramento do receptor e redução do número de potenciais de ação. Barorreflexo é ativado durante o ciclo cardíaco para manutenção dos valores normais de pressão arterial. QUIMIORREFLEXO reflexo ocasionado por receptores (Células Glomais) que detectam as variações da PO2, PCO2 e do pH (quimiorreceptores) no sangue arterial. Presentes no arco aórtico e nas artérias carótidas. Células Glomais do Tipo I (quimioreceptores) e do tipo II (de sustentação). • Há a ativação dos Centros Respiratórios. • Mesmas vias neurais do Barorreflexo. Células Glomais do Tipo I (quimioreceptores) e do tipo II (de sustentação). • Há a ativação dos Centros Respiratórios. • Mesmas vias neurais do Barorreflexo. Mecanismo Renal de Regulação da PA: Um pequeno aumento na pressão arterial pode dobrar a excreção de água e sal com aumento da filtração glomerular e redução da reabsorção tubular (DIURESE E NATRIURESE PRESSÓRICA) • A excreção de sal e água leva a redução do volume de líquido extracelular, reduzindo a pressão arterial. • Queda da PA → retenção de sal e água e liberação de Renina. 4.1 Barorreceptores Respondido no item 1.7 São os barorreceptores que detectam a queda de pressão, ocasionada pela diminuição do débito cardíaco, e promovem uma resposta simpática, que desencadeia as seguintes conseqüências hemodinâmicas: 1. Aumento da freqüência cardíaca; 2. Aumento no inotropismo, ou seja, a força de contração miocárdica; 3. Aumento da resistência vascular periférica devido a uma vasoconstrição arteriolar; 4. Vasoconstrição venular, para que seja aumentado o retorno venoso. 4.2 Centro de controle cardiovascular 42 O sistema mais importante da regulação circulatória é o nervoso simpático, embora o parassimpático contribua na regulação da função cardíaca. A inervação das pequenas artérias e arteríolas permite a estimulação simpática para aumentar a resistência ao fluxo sanguíneo e, por conseguinte, diminuir sua velocidade pelos tecidos. Com relação aos vasos maiores, em particular as veias, torna possível a diminuição do seu volume, o que impulsiona o sangue para o coração e ganha papel importante na regulação do bombeamento cardíaco. As fibras simpáticas também se dirigem para o coração, acentuando sua atividade tanto pelo aumento da frequência cardíaca quanto pelo aumento da força e do volume de seu bombeamento. Já o sistema parassimpático, ele exerce papel secundário no controle circulatório – seu efeito mais importante na frequência cardíaca. Essa estimulação provoca diminuição dos batimentos do coração e redução no ato de contração do músculo cardíaco. O sistema nervoso também é o que regula a vasoconstrição e vasodilatação, possuindo muitas fibras para a primeira ação e apenas algumas para a segunda. Elas estão distribuídas para todos os segmentos da circulação, embora mais numerosas em alguns tecidos. O efeito vasoconstritor é singularmente intenso nos rins, nos intestinos, no baço e na pele. Grande parte de pequenos neurônios ao longo da substância reticular da ponte, do mesencéfalo e do diencéfalo pode excitar ou inibir o centro vasomotor. Normalmente, os neurônios nas partes laterais e superiores da substância reticular provocam excitação, enquanto as porções das mediais e inferiores causam inibição. A substância norepinefrina é secretada na musculatura vascular lisa pelas terminações nervosas, causando vasoconstrição, enquanto que a epinefrina provoca o efeito oposto – vasodilatação O mecanismo nervoso de controle da pressão arterial tem os barorreceptores como o mais conhecido e ativo reflexo. Ele é desencadeado por receptores de estiramento, localizados em pontos estratégicos nas paredes das grandes artérias sistêmicas. O aumento da pressão arterial estira os barorreceptores, transmitindo a informação para o SNC. Então são enviados sinais de “feedback” de volta pelo SNA para a circulação, regulando a pressão arterial à sua normalidade. A maior parte do controle nervoso da circulação é realizada pelo sistema nervoso autônomo, mas existem pelo menos duas condições nas quais os nervos e músculos têm participações importantes na circulação; normalmente isso ocorre durante exercícios físicos, intensos ou não. 4.3 Mecanoreceptores 43 Relacionados à regulação da pressão arterial omento a momento. Estão localizados principalmente no seio carotídeo e no arco da aorta, detectando variações bruscas da pressão arterial e transmitindo esta informação ao sistema nervoso central. Esta informação gera respostas do sistema nervoso autônomo, modulando o funcionamento da circulação sanguínea. Mecanorreceptores no controle peroférico da respiração estão iituados ao longo da árvore brônquica, nas vias respiratórias centrais e conectados às grandes fibras mielinizadas. São sensíveis ao estiramento, e, portanto, à insuflação pulmonar. A adaptação é lenta, e representa o clássico reflexo de inibição de Hering-Breuer: inspiração chama a expiração. Ao se manter a distensão pulmonar, a apnéia é mantida. 4.4 Endorfina Endorfina é uma substância natural, neurohormónio, produzida pelo cérebro, na região da glândula hipófise. Sua denominação se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico). Após sua produção é liberada no sangue até atingirem seus tecidos-alvo, onde ela ativa uma série de alterações químicas. Para atingir um pretendido resultado, um hormônio precisa ser reconhecido por uma proteína especializada nas células do tecido-alvo, chamada de receptor. Esse hormônio é secretado no momento em que o corpo precisa de algum tipo de “analgésico”, ou seja, precisa de algo que possa combater algum incomodo revertendo essasituação para uma sensação de euforia. São liberadas em resposta a praticamente qualquer tipo de estresse físico ou emocional. Comumente alivia a dor e a ansiedade. Por ter uma ação analgésica ao ser liberada estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria. Estudos recentes apontam que a endorfina pode ter um efeito sobre áreas cerebrais responsáveis pela modulação da dor. Por essa razão, diversos recursos utilizados nos tratamentos e reabilitação de dores e lesões realizados pela fisioterapia, um exemplo a TENS (Eletroestimulação Estimulação Neural Transcultânea), se baseiam na liberação de endorfina para a promoção de analgesia (melhora da dor). 4.5 Débito cardíaco O débito cardíaco é uma conseqüência da atividade metabólica e não o contrário. Sendo assim, não é o coração que determina o débito, mas a necessidade dos tecidos, que se fazem expressar através dos mecanismos metabólicos que produzem: • Vasodilatação local; • 44 Diminuição da resistência vascular, aumentando o fluxo local; • Aumento do retorno venoso; • Condicionamento do coração a aumentar o débito cardíaco compulsoriamente. As veias apresentam válvulas, que respondem por uma das suas funções mais importantes na circulação, pois, na ausência de uma pressão distal no sistema circulatório, são as válvulas que garantem o retorno do venoso. Esta é uma adaptação funcional fundamental para o ciclo cardíaco, pois o débito cardíaco só pode ser mantido caso o retorno venoso seja eficiente. Quando a pressão no interior dos ventrículos ultrapassa a pressão no interior dos átrios, ocorre o fechamento das válvulas A-V, quando é produzido o som da 1ª bulha cardíaca (B1). A 1ª bulha cardíaca marca o início da sístole; • Após o fechamento das válvulas A-V, os ventrículos começam a contrair, marcando o início da fase contração isovolumétrica; • Quando a pressão do ventrículo fica superior à pressão na aorta, ocorre a ejeção; • Quando cessa a ejeção, a pressão no ventrículo fica menor que a pressão no interior da aorta, fazendo com que se fechem as válvulas semilunares, produzindo um som denominado 2ª bulha cardíaca (B2), marcando o início da diástole. • Tem início o período de relaxamento isovolumétrico; • Quando a pressão no ventrículo fica menor que a pressão no interior dos átrios, há a abertura das válvulas A-V, ocorrendo o enchimento ventricular passivo. • Se, neste momento, a parede ventricular apresentar baixa complacência, será produzido um som característico denominado de 3ª bulha cardíaca (B3). • Enquanto nos ventrículos ocorre uma grande variação de pressão, nos átrios esta variação é pequena. 4.6 Simpático e parassimpático A unidade funcional primária dos sistemas nervoso simpático e parassimpático consiste de uma via motora formada por dois neurônios, um pré- ganglionar e um neurônio pós- ganglionar. O neurônio pré-ganglionar tem o corpo celular localizado no SNC, e o neurônio pós-ganglionar tem o seu corpo celular num gânglio autonômico. O sistema nervoso entérico tem uma organização própria, pois os neurônios e fibras nervosas estão localizados na parede do trato gastrintestinal. No sistema nervoso simpático, os neurônios pré-ganglionares estão localizados nos segmentos torácicos e lombares altos da medula espinhal, fazendo com que ele seja também denominado de divisão toracolombar do sistema nervoso autônomo. Em contrapartida, os neurônios pré-ganglionares do sistema parassimpático são encontrados no tronco encefálico e na medula espinhal sacral, fazendo com que ele seja também denominado de divisão craniossacral do sistema nervoso autônomo. Com relação à localização dos neurônios pós-ganglionares, no sistema simpático eles estão localizados nos gânglios 45 paravertebrais ou no pré-vertebrais, que se encontram a alguma distância dos órgãos-alvo. No caso do sistema parassimpático, os neurônios pós-ganglionares são encontrados nos gânglios parassimpáticos que estão próximos ou mesmo localizados nas paredes dos órgãosalvo. A idéia generalizada de antagonismo entre os sistemas Em geral, pode-se assumir que o controle exercido pelas divisões simpática e parassimpática sobre muitos órgãos tenha um caráter antagônico. Porém, esta não é uma generalização que possa ser considerada como uma regra, em relação aos controles exercidos pelos sistema simpático e parassimpático. Desta forma, é mais correto afirmar que estas duas divisões do sistema autônomo trabalhem de forma coordenada, ou seja, em algumas situações eles agem de forma sinérgica e em outras atuam reciprocamente , no que se refere ao controle da atividade visceral. Outro contraponto à idéia generalizada de que o sistema simpático age de forma antagônica ao sistema parassimpático, é o fato de nem todos os órgãos receberem inervação dos dois sistemas. A evidência desta afirmação pode ser verificada nos músculos lisos, glândulas da pele e na maioria dos vasos do corpo. Nestes, a inervação é 5 Sistema Cardiovascular Sistema Nervoso Autônomo exclusivamente simpática. Apenas uma pequena fração dos vasos corpóreos recebem inervação parassimpática. A organização do sistema nervoso simpático Os neurônios pré-ganglionares do sistema simpático encontram-se localizados, preferencialmente, na coluna intermédio-lateral da medula espinhal em seus segmentos torácicos e lombares altos. Os axônios pré-ganglionares saem da medula espinhal pela raiz ventral entrando num gânglio paravertebral através de um ramo comunicante branco. Os axônios pós-ganglionares são distribuídos através de nervos periféricos até os órgãos efetores, tais como os músculos piloeretores, vasos e glândulas sudoríparas. De uma maneira geral, as fibras pré-ganglionares são fibras mielinizadas, enquanto as pós-ganglionares são geralmente não-mielinizadas. Em geral, os neurônios pré-ganglionares simpáticos distribuem-se para gânglios simpáticos ipsilaterais. Desta forma, eles controlam a função autonômica do mesmo lado do corpo. A exceção a esta regra é observada no intestino e nas vísceras pélvicas, onde a inervação simpática é bilateral. A organização do sistema nervoso parassimpático Os neurônios pré-ganglionares estão localizados em vários núcleos de nervos cranianos no tronco encefálico, bem como na região intermediária dos segmentos S3 e S4 da medula espinhal sacral; os neurônios pós-ganglionares encontram-se localizados próximo ou mesmo nas paredes das vísceras torácicas, abdominais e pélvicas. Os neurônios pós-ganglionares parassimpáticos, que se projetam para as vísceras torácicas e de parte do abdômen, estão localizadas no núcleo motor dorsal do nervo vago e no núcleo ambíguo. Enquanto o núcleo motor dorsal do vago é amplamente secretomotor, o núcleo ambíguo é visceromotor 46 (modifica a atividade do músculo cardíaco). As fibras aferentes viscerais São aquelas que trazem os estímulos que, em sua maioria, se originam dos receptores sensoriais das vísceras. A atividade destes receptores jamais chega ao nível da consciência, pois elas formam alças aferentes de arcos reflexos, fundamentais para a manutenção da homeostasia. 6 Sistema Cardiovascular Sistema Nervoso Autônomo Os gânglios autonômicos O principal tipo de neurônio nos gânglios autonômicos são os neurônios pósganglionares, que recebem conexões sinápticas dos neurônios pré-ganglionares e se projetam sobre as células efetoras autonômicas periféricas. Os gânglios podem conter também interneurônios para processar a informação no interior do próprio gânglio, como se observa no plexo entérico. Acredita-se que esta regulação tenha caráter inibitório. Os sistemas simpático e parassimpático O sistema nervoso simpático é considerado, devidoà sua origem, um sistema tóraco-lombar, enquanto o parassimpático é considerado um sistema crânio-caudal. Ao se promover um corte transversal na medula, na altura dos segmentos tóraco-lombares, percebe-se um alargamento na parte estreita (em forma de H) da substância cinzenta. É justamente nessa coluna intermédio-lateral que se localizam os corpos neuronais das fibras simpáticas. Elas vão emergir da medula e vão fazer sinapses com gânglios simpáticos muito próximos à coluna, seguindo então para inervar vasos sangüíneos, glândulas e órgãos como o coração, o sistema gastrintestinal, as vias aéreas, etc. O aglomerado de corpos neuronais dentro do sistema nervoso central é chamado de núcleo; fora dele, ele é chamado de gânglio. As fibras nervosas do sistema nervoso autônomo fazem sinapse num gânglio antes de atingirem o órgão alvo, sendo assim chamadas de fibras pré-ganglionares e fibras pós-ganglionares. As fibras pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo (simpáticas e parassimpáticas) liberam o neurotransmissor acetilcolina no gânglio autonômico e são chamadas de fibras colinérgicas. As fibras pós-ganglionares parassimpáticas são também colinérgicas, mas as fibras pós-ganglionares simpáticas podem ser tanto colinérgicas como adrenérgicas (liberam noradrenalina ou adrenalina). A maioria da fibras pós-ganglionares simpáticas, sem dúvidas, são do tipo adrenérgicas. Uma importante característica anatômica do sistema simpático é ter as fibras pré-ganglionares bastante curtas em comparação com as fibras pós-ganglionares. O sistema nervoso parassimpático, considerado como sistema nervoso autônomo cranio-sacral, possui fibras pré-ganglionares muito longas que emergem do encéfalo ou dos segmentos sacrais. As fibras pré-ganglionares do sistema nervoso parassimpático 7 Sistema Cardiovascular Sistema Nervoso Autônomo vão até o órgão-alvo e lá, encontram gânglios bastante próximos da parede do órgão , e ali fazem sinapse com a fibra pós-ganglionar. As fibras pós-ganglionares inervam a própria estrutura (musculatura lisa) do órgão. Um bom exemplo ocorre no tubo gastrintestinal, entre 47 as lâminas de músculo liso, onde é formado um plexo denominado mioentérico. Este plexo é composto por uma enorme rede de gânglios e fibras, que são encontradas entre as camadas musculares do tubo gastrintestinal. A medula adrenal e o sistema simpático A estimulação simpática das medulas das adrenais faz com que haja a produção de adrenalina ou noradrenalina, também reconhecidas, respectivamente como epinefrina e norepinefrina, ou catecolaminas. A maioria das fibras (80%) libera a adrenalina. Na medula da adrenal, a liberação é feita diretamente na corrente sanguínea, e não em uma fenda sináptica, o que garante os efeitos do sistema simpático de forma rápida e generalizada no organismo. A adrenalina e noradrenalina são liberadas ao mesmo tempo em que os diferentes órgãos são estimulados pelo sistema simpático. Sendo assim, há uma somação de estímulos sobre os órgãos alvo, ou seja, eles são diretamente estimulados pelo sistema simpático e, indiretamente, pelas catecolaminas medulares adrenais. Uma diferença entre a estimulação simpática e parassimpática está no tempo de duração; a estimulação promovida pela acetilcolina dura cerca de 5 a 10 vezes mais que a estimulação adrenérgica do simpático. A noradrenalina, assim como a acetilcolina, produzem seus efeitos nas células através da ligação a receptores específicos. Os receptores adrenérgicos são: α e β, sendo que desses, os mais bem estudados são: a 1 e a 2; já entre os β, são: β1 e β2 . Os receptores colinérgicos são classificados em: muscarínicos e nicotínicos. Eles recebem esses nomes, pois estas foram as drogas utilizadas para se descobrir a existência destes receptores. Já se sabe, atualmente, que existem os receptores M1, M2, M3, M4, M5. Entre os nicotínicos existem os receptores N1 , N2. Esses receptores são estimulados diferentemente um do outro; portanto, possuem afinidade por ligantes diferentes, e estão envolvidos em respostas distintas. 8 Sistema Cardiovascular Sistema Nervoso Autônomo Os receptores adrenérgicos O receptor α2 é conhecido como receptor pré-ganglionar, e também recebe o nome de auto-receptor (quando a noradrenalina, por exemplo, se liga ao receptor α2, ele inibe a função da noradrenalina, modulando uma resposta como uma alça reflexa – retro-alimentação negativa). Os receptores α1 existem, em grande quantidade, na musculatura lisa das arteríolas. A noradrenalina, ao se ligar aos receptores α1 das arteríolas, produz vasoconstrição, fazendo com que exista uma tendência ao aumento de pressão arterial. Quando o indivíduo é hipertenso, deve-se dar o antagonista do receptor α1, um vasodilatador, como o Prasozin, por exemplo, pois este é um bloqueador de α1. Ele inibe, por competitividade, o receptor, pois realiza a ligação, mas não provoca o efeito vasoconstritor (noradrenalina). Também se pode impedir a liberação do neurotransmissor por uso de um agonista; dessa forma, acontece a modulação da liberação dos neurotransmissores no sistema nervoso simpático. Os receptores β1, normalmente se 48 localizam no coração, e têm influência direta no aumento da freqüência cardíaca e no aumento do inotropismo. Essa estimulação β1 é cronotrópica positiva, ou seja, aumenta a freqüência cardíaca, e tem um efeito inotrópico positivo, ou seja, aumenta a força de contração, aumentando a velocidade de liberação e recaptação de cálcio no sistema cardíaco. Os receptores β2 se localizam, fundamentalmente, na musculatura lisa das vias aéreas. Essas características podem demonstrar como os efeitos podem ser completamente diferentes. Os receptores β1 aumentam a força de contração do miocárdio, ao passo que a estimulação β2 relaxa a musculatura lisa brônquica e bronquiolar. Se um animal estiver em situação de luta ou fuga, ou durante o exercício, no caso de humanos, o sistema nervoso simpático será estimulado, e produzirá um aumento da freqüência cardíaca e da força de contração do coração; já nas vias aéreas, ocorrerá a broncodilatação. Essas respostas são necessárias devido à realização do exercício físico. Na asma, há um aumento da resistência das vias aéreas, ou seja, uma constrição das vias aéreas, fato que dificulta a ventilação. A classe farmacológica utilizada para 9 Sistema Cardiovascular Sistema Nervoso Autônomo tratar esta doença é a classe β2, com ação agonista, para que seja promovido o relaxamento das vias aéreas, facilitando a respiração. 4.7 Resistência periférica As circulações sistêmica e pulmonar estão em série entre si. Se elas estão em série e é um sistema fechado, o fluxo global que passa na circulação sistêmica é o mesmo que passa na circulação pulmonar. Se esse fluxo é mesmo, a pressão deveria ser a mesma; entretanto, depende-se também da resistência ao fluxo. Essa é a íntima relação entre os três fatores: o fluxo através do sistema é diretamente proporcional ao gradiente de pressão, e inversamente proporcional à resistência do sistema. Ao se reorganizar a fórmula, pode-se perceber que pressão é igual à fluxo x resistência (∆P= Q x R). Para que haja um aumento de pressão, podemos aumentar o fluxo, a resistência, ou mesmo os dois. 1 Sistema Cardiovascular Fisiologia vascular e reologia I Apesar de o fluxo pulmonar ser igual ao sistêmico, a pressão nessas circulações não são iguais; isso porque a pressão média na aorta, que é a principal artéria da circulação sistêmica, é por volta de 10mm Hg, enquanto que na circulação pulmonar é muito menor. A explicação é baseada na menor resistência vascular da circulação pulmonar, quando comparada à resistência da circulação sistêmica. O músculoque trabalha contra essa tensão, obviamente, trabalha muito mais quando ele está submetido a uma pressão muito alta, levando a sua hipertrofia; dessa forma, a musculatura do ventrículo esquerdo é muito mais desenvolvida do que a do ventrículo direito. Quando existe um tipo de doença 49 pulmonar, que leva a aumento da resistência ao fluxo de sangue e hipertensão pulmonar, progressivamente, o ventrículo direito vai sendo sobrecarregado. A diminuição da capacidade de funcionamento dessa câmara caracteriza o cor pulmonale, que provoca uma hipertrofia, classificada como primária ou secundária. A primária possui causa idiopática, ou seja, não se sabe o motivo de sua ocorrência; é uma doença relativamente grave, de evolução complicada, que diminui o tempo de vida do indivíduo. Com a hipertrofia do coração direito, há uma diminuição da sua capacidade funcional e sua força de contração. A musculatura cardíaca é uma musculatura especial, que possui muitos discos intercalares, e com grandes capacidades de comunicação, funcionando, assim, como um sincício. Os mecanismos que controlam a circulação, como os reflexos neurais, os paraneurais e os quimioreflexos, influenciam na pressão e no fluxo. Eles modificam os fatores hemodinâmicos que determinam a pressão. O parareflexo arterial constitui um receptor, uma via aferente, um centro integrador, uma via eferente e um órgão efetor, que é o próprio vaso sangüíneo. Se a pressão cai, os parareceptores detectam a queda, e mandam sinais aferentes ao centro integrador, localizado no bulbo e ponte, no tronco cerebral, que 2 Sistema Cardiovascular Fisiologia vascular e reologia I manda uma resposta eferente, via sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático), modificando os fatores que determinam a pressão, como o débito cardíaco. O coração aumenta a quantidade de sangue que está sendo bombeada através do volume sistólico (volume de sangue ejetado a cada batimento), e da freqüência cardíaca. Essa correção da queda de pressão funciona como uma alça de retroalimentação negativa. Paralelamente, a estimulação simpática aumenta a força de contração do miocárdio, a contração sistólica, a freqüência cardíaca, a inibição do tônus parassimpático, e realiza vasoconstrição arteriolar, diminuindo o raio das arteríolas, aumentando, dessa forma, a resistência. Esse mecanismo é muito potente na elevação da pressão arterial. 4.8 Medicações anti - hipertensivas O objetivo primordial do tratamento da hipertensão arterial é a redução da morbidade e da mortalidade cardiovasculares1,2. Assim, os anti-hipertensivos devem não só reduzir a pressão arterial (PA), mas também os eventos cardiovasculares fatais e não fatais, e, se possível, a taxa de mortalidade. As evidências provenientes de estudos de desfechos clinicamente relevantes, com duração relativamente curta, de três a quatro anos, demonstram redução de morbidade e mortalidade em estudos com diuréticos3-6 (A), com betabloqueadores3,4,7,8 (A), inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA)6,9-13 (A), bloqueadores do 50 receptor AT1 da angiotensina II (BRA II)14-20 (A) e com antagonistas dos canais de cálcio (ACC)6,9,13,21-25 (A), embora a maioria dos estudos utilize, no final, associa- ção de anti- hipertensivos. Esse benefício é observado com a redução da PA per se e, com base nos estudos disponíveis até o momento, parece não depender da classe de medicamentos utilizados26. Metanálises recentes indicam que esse benefício é de menor monta com betabloqueadores, em especial com atenolol, quando comparado aos demais anti- hipertensivos 4.9 Choque O choque é uma síndrome caracterizada por insuficiência circulatória aguda com má distribuição generalizada do fluxo sanguíneo, que implica falência de oferta e/ou utilização do oxigênio nos tecidos. Nem todos os danos teciduais advêm da hipóxia, mas podem decorrer da baixa oferta de nutrientes, reduzida depuração de substâncias tóxicas, maior afluxo de substâncias nocivas aos tecidos, ativação de mecanismos agressores e redução de defesas do hospedeiro (1, 2). Faz parte da via final comum em inúmeras doenças fatais, contribuindo, portanto, para milhões de mortes em todo o mundo (2). É fundamental o seu reconhecimento precoce para correção das disfunções por ele provocadas e sua causa de base, pois quanto mais precoce o tratamento, melhor o prognóstico para o doente. Este trabalho tem como objetivo abordar os aspectos de relevância do assunto e, desta maneira, auxiliar o profissional de saúde (médico, médico-residente, estudantes de medicina, enfermeiros e técnicos de enfermagem) no atendimento de pacientes com choque no Pronto-Atendimento, conduzindo à padronização de normas e estabelecimento de condutas para melhor atendimento e tratamento desses pacientes. 4.10 Mecanismo de compensação O organismo possui diferentes mecanismos de compensação da insuficiência cardíaca. A primeira resposta do corpo ao esforço, inclusive o provocado por uma insuficiência cardíaca, é a liberação dos hormônios de “luta ou fuga”, como adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina). Esses hormônios podem, por exemplo, ser liberados imediatamente após um ataque cardíaco danificar o coração. A adrenalina e a noradrenalina fazem com que o coração passe a bombear sangue de modo mais rápido e enérgico. Elas contribuem para aumentar a 51 quantidade de sangue bombeada pelo coração (débito cardíaco), às vezes até um valor normal, ajudando, dessa forma, a compensar inicialmente a incapacidade de bombeamento. Pessoas que não têm doenças cardíacas normalmente são beneficiadas pela liberação desses hormônios em situações em que o coração precisa realizar temporariamente um esforço maior. No entanto, em pessoas com insuficiência cardíaca crônica, essa resposta hormonal aumenta a demanda de um coração já lesionado. Em longo prazo, essas demandas maiores levam à deterioração adicional da função cardíaca. Outro dos principais mecanismos de compensação do corpo para o fluxo sanguíneo reduzido na insuficiência cardíaca é o aumento da quantidade de sal e de água retidos pelos rins. A retenção de sal e de água, em vez de sua excreção na urina, aumenta o volume de sangue na corrente sanguínea e ajuda a manter a pressão sanguínea. No entanto, o maior volume de sangue também estende o músculo cardíaco, aumentando as câmaras do coração, em particular os ventrículos. Em um primeiro momento, quanto mais o músculo cardíaco se estende, mais energicamente ele se contrai, o que melhora a função cardíaca. No entanto, após um certo período de distensão, esta já não contribui para função cardíaca, pois enfraquece contrações do coração (como quando um elástico é esticado demais). Consequentemente, ocorre agravamento da insuficiência cardíaca. Outro mecanismo importante de compensação é o espessamento das paredes musculares dos ventrículos (hipertrofia ventricular). Quando um esforço mais intenso é exigido do coração, ocorrem espessamento e distensão das paredes cardíacas, semelhante ao que acontece com os músculos do bíceps após meses de treino com halteres. A princípio, o espessamento das paredes cardíacas pode ajudar o coração a contrair-se de forma mais enérgica. No entanto, o espessamento das paredes cardíacas pode vir a enrijecê-las, causando ou agravando a disfunção diastólica. 5 Sistema Renal 5.1 Cistite A infecção do trato urinário (ITU) é uma das causas mais comuns de infecção na população geral. É mais prevalente no sexo feminino, mas também acomete pacientes do sexo masculino principalmente quando associada à manipulação do trato urinário e à doença prostática. A ITU pode ser classificadaquanto à localização em ITU baixa (cistite) e ITU alta (pielonefrite) e quanto à presença de fatores complicadores em ITU não complicada e ITU 52 complicada. A ITU é complicada quando estão presentes alterações estruturais ou funcionais do trato urinário ou quando se desenvolve em ambiente hospitalar. Na ITU não complicada a Escherichia coli é a bactéria responsável pela maioria das infecções enquanto nas ITUs complicadas o espectro de bactérias envolvido é bem mais amplo incluindo bactérias Gram positivas e Gram negativas e com elevada frequência organismos multirresistentes. ITU é definida pela presença de 100.000 ufc/mL. Os sinais e sintomas associados à ITU incluem polaciúria, urgência miccional, disúria, hematúria e piúria. A escolha da terapia antimicrobiana para a ITU varia de acordo com a apresentação da infecção, hospedeiro e agente. Estratégias envolvendo diferentes esquemas terapêuticos de acordo com grupos específicos de pacientes maximizam os benefícios terapêuticos, além de reduzir os custos, as incidências de efeitos adversos e o surgimento de microrganismos resistentes. 5.2 Urolitíase Litíase renal é uma doença frequente que acomete mais homens que mulheres (atualmente em proporção inferior a 2:1) e pode estar localizada nos rins, ureter, bexiga e uretra. A recorrência da litíase renal é comum e aproximadamente 50% dos pacientes apresentarão um segundo episódio de litíase, após 5 a 10 anos do primeiro, se não forem submetidos a nenhum tipo de tratamento. Tipos de Cálculo Aproximadamente 75-80% dos pacientes com urolitíase apresentam cálculos de cálcio, sendo que a maioria destes são compostos primariamente de oxalato de cálcio e, com menor frequência, fosfato de cálcio. Os outros tipos principais incluem cálculos de ácido úrico, estruvita (fosfato de amônio magnesiano) e cistina. O mesmo paciente pode ter um cálculo misto. A formação dos cálculos urinários é o resultado de um processo complexo e multifatorial. Os principais mecanismos fisiopatogênicos responsáveis pela sua formação são distúrbios metabólicos, infecções urinárias, anormalidades anatômicas e causas idiopáticas. Outros fatores envolvidos na litogênese são o pH urinário, o volume urinário e a dieta. Os principais fatores de risco conhecidos são: questões dietéticas (baixa ingestão hídrica, dieta pobre em cálcio e rica em proteína animal e sódio); história prévia pessoal ou familiar de nefrolitíase; infecção urinária de repetição; uso de medicamentos (aciclovir, sulfadiazina e indinavir); hipertensão, diabetes e obesidade. Os cálculos de cálcio estão associados a alterações bioquímicas urinárias: hipercalciúria, com ou sem hipercalcemia; hiperoxalúria (associada à doença inflamatória intestinal e/ou malabsorção intestinal ou hiperoxalúria primária); hipocitratúria, que pode ser importante em pacientes com acidose metabólica. No entanto, hipocitratúria leve ocorre 53 numa proporção significativa de formadores de cálculo na ausência de acidemia aparente. Citrato é um importante inibidor da formação de cálculos de oxalato e fostato de cálcio; Investigação Metabólica: Após a eliminação dos cálculos existentes, o paciente pode ser submetido a investigação metabólica para determinar a causa da urolitíase e planejar o tratamento necessário. Não há consenso se avaliação metabólica completa deve ser realizada após o aparecimento do primeiro cálculo. Avaliação metabólica completa, em adição aos testes laboratoriais básicos, está indicada em todos os pacientes com múltiplos cálculos na primeira apresentação, em pacientes com história familiar fortemente positiva para litíase renal e em indivíduos com doença ativa, que é definida como formação recorrente de cálculos, aumento de cálculo pré-existente ou com passagem recorrente de cristais. A avaliação também está indicada em nefrolitíase em crianças ou adolescentes. A avaliação metabólica completa consiste em dosagem de sangue e urina, incluindo pelo menos duas coletas de urina de 24 horas com dosagem urinária de cálcio, ácido úrico, oxalato, fósforo, cistina, citrato, sódio e creatinina. A mensuração da excreção urinária de creatinina permite a avaliação da coleta correta da urina de 24h. Deve ser realizada determinação sérica de cálcio, fósforo, albumina, creatinina, bicarbonato e ácido úrico. Nos pacientes com valores de cálcio urinário acima do normal ou próximos ao limite superior, recomenda-se a solicitação de paratormônio (PTH) para investigação de hiperparatireoidismo. 5.3 Hidronefrose Dilatação da pelve e cálices renais causada por aumento da pressão hidrostática secundária a um processo obstrutivo ou funcional. Causas de Hidronefrose 1. Dilatação fisiológica – 18% dos feto normais podem apresentar dilatação da pelve renal 2. Obstrução: • Intrínseca – a n omalias urinárias • Extrínseca – massas extra-renais • Intraluminal - cálculos • Iatrogênica – ligadura inadvertida de ureter. 5.4 Néfron O néfron, também denominadonefrónio, éa menor unidade renal responsável pela filtração e formação da urina. Em cada rimexistem cerca de 1 a 4 milhões de néfrons que funcionam alternadamente, de maneira a seguir a necessidades do organismo no momento. Esta estrutura é formada por um corpúsculo renal, que compreende o glomérulo e a cápsula de Bowman e, por túbulos renais, que compreende o túbulo contorcido proximal, alça de Henle, túbulo contorcido distal e túbulo coletor. 54 5.5 Equilíbrio hidroeletrolítico existe um equilíbrio dinâmico envolvendo as trocas intercompartimentais, importante para a manuten- ção da homeostase. As trocas de água e eletrólitos entre os compartimentos são regidas por leis físicas, pelo que, em condições fisiológicas, não há variações importantes na composição dos diversos compartimentos. As trocas entre o plasma e o interstício dependem do gradiente entre a pressão hidrostática e a pressão coloidosmótica nos capilares (lei de Starling e equilíbrio de Gibbs Donnan). No pólo arterial há passagem de líqüido do intravascular para o interstício (filtração) em decorrência do predomí- nio da pressão hidrostática sobre a coloidosmótica; no pólo venular o gradiente inverte se em função da queda da pressão hidrostática, resultando na passagem de líqüido intersticial para o intravascular (absorção). As trocas entre o setor extracelular e o intracelular baseiam se no equilíbrio osmótico. As diferen- ças de composição iônica entre os dois setores resultam do transporte ativo de íons dependente da energia liberada pelo metabolismo celular; esse mecanismo, conhecido como bomba de sódio, exige normalidade celular e explica a prevalência do Na+ extracelular. O excesso de Na+ é jogado para fora da célula, levando K+ para dentro dela. Na vigência de acidose, H+ entra na célula e é trocado por K+ que passa para o extracelular como um dos mecanismos de compensação do equilíbrio ácido base. Quando a célula perde a vitalidade há prejuízo desse transporte ativo, aumentando a concentração de K+ fora da célula e de Na+ dentro dela. O sódio é o cátion fundamental e o cloro é o ânion fundamental do espaço extracelular, sem diferença importante entre o interstício e o intravascular. O sódio é importante a ponto de se poder utilizar, na prática, seu valor no plasma como referência na estimativa da osmolaridade do espaço extracelular. A quantidade de proteínas é maior no compartimento intravascular que no intersticial, porque a membrana capilar não é permeável às proteínas plasmáticas. As proteínas são carregadas negativamente pelo que, para se manter a eletroneutralidade, resulta concentração menor de outros ânions no plasma do que na água intersticia No espaçointracelular o cátion fundamental, em termos de concentração, é o potássio, e o ânion é o fosfato. 5.6 Relação do metabolismo e rins A unidade funcional do rim é o néfron. Ele é composto pelos glomérulos, no qual o sangue é filtrado e por seus segmentos renais associados, que absorvem as substâncias filtradas e contem os compostos plasmáticos que serão excretados, o fluido tubular. No córtex renal, os 55 néfrons intercalam o sistema de ductos coletores, que atravessa o rim e desemboca na pelve renal. O sistema renina-angiotensina-aldosterona é um importante regulador da TFG e do fluxo sanguíneo renal. A renina é um hormônio produzido pelas células justaglomerulares e sua liberação é estimulada pela redução na pressão de perfusão renal e pela hipotensão sistêmica. A renina catalisa a transformação do angiotensinogênio produzido no fígado em angiotensina I e está é convertida a angiotensina II pela enzima conversora de angiotensina (ECA), que se localiza no endotélio vascular dos pulmões. A angiotensina II é um potente vasoconstritor que aumenta a pressão arterial sistêmica e a pressão de perfusão renal, aumenta a captação de sódio no túbulo proximal e ducto coletor que por sua vez estimula a liberação de aldosterona (pela adrenal) e vasopressina (pela hipófise). Também estimula a produção e a liberação de duas prostaglandinas renais vasodilatadoras, causando efeito protetor contra uma vasoconstrição generalizada. O rim é o principal órgão produtor de eritropoietina (90%; sendo os 10% restantes produzidos pelo fígado), sendo secretada pelas células epiteliais tubulares em resposta a baixa concentração de oxigênio no sangue filtrado. A hipóxia, em outras partes do organismo, mas não nos rins, também estimula a secreção renal de eritropoietina, o que sugere que exista um sensor extra-renal que envia um sinal aos rins para que produza esse hormônio. A norepinefrina e a epinefrina, além de outras prostaglandinas estimula a produção de eritropoietina. A eritropoietina estimula a produção de proeritroblastos, a partir das células tronco hematopoéticas na medula óssea. Uma vez formados, a eritropoietina também estimula a diferenciação dessas células em eritrócitos que são liberados na circulação sanguínea. 6 Os rins convertem 25-hidroxicolecalciferol (produzida no fígado) em 1,25- diidroxicolecalciferol (calcitriol) nos túbulos proximais. O calcitriol é a forma ativa da vitamina D e é essencial para a absorção de cálcio pelo trato gastrointestinal e pela deposição normal de cálcio nos ossos. Essa produção também é influenciada pelas concentrações de cálcio sanguíneo e pela presença do paratormônio (PTH). Indicadores bioquímicos da função renal Albumina A albumina é a proteína mais abundante no plasma, é sintetizada no fígado e contribui em 80% para osmolaridade do plasma sanguíneo, sendo também uma importante reserva protéica. Sua principal função é como transportador de substâncias (ácidos graxos livres, aminoácidos, metais, cálcio, hormônios e bilirrubina) através da corrente circulatória. Atua na regulação do pH sanguíneo, atuando como ânion. A concentração de albumina é afetada pelo funcionamento hepático, pela quantidade de proteínas presentes na dieta, pelo equilíbrio hidroeletrolítico e por perdas de 56 proteínas em algumas doenças. A desidratação causa aumento da albumina plasmática enquanto dano hepático, déficit alimentar, síndrome de má absorção parasitismo e hemorragias causam redução nos níveis plasmáticos. Nas doenças renais, as lesões glomerulares e tubulares, causam aumento da filtração das proteínas plasmáticas e redução da reabsorção das mesmas, levando a hipoalbuminemia. A concentração de albumina sérica juntamente com a presença de proteínas na urina são indicadores de alteração na função renal. Creatinina A creatinina plasmática é derivada, praticamente na sua totalidade, do catabolismo da creatina presente no tecido muscular. A creatina é um metabólito utilizado para armazenar energia no músculo, na forma de fosfocreatina, e sua degradação para creatinina ocorre de maneira constante, ao redor de 2% do total de creatina diariamente. A conversão de fosfocreatina em creatinina é uma reação não enzimática e irreversível, na qual participam as enzimas arginina:glicina amidinotransferase (AGAT), guanidinoacetato metiltransferase (GAMT) e creatina-quinase. 5.7 Osmoralidade Osmolalidade é uma função do número total de partículas em solução, independente de massa, carga ou composição química. As partículas dissolvidas (osmólitos) exercem uma força que tendem a atrair água através de membranas semi-impermeáveis (pressão osmótica).Porque a osmolalidade plasmática deve ser mantida em faixas tão estreitas para manutenção das funções celulares. 5.8 Hipercalemia A hipercalemia, definida como concentração de potássio sérico superior a 5,5mEq/L, pode ser encontrada sem alterações do balanço de potássio, como resultado de uma série de fatores que alteram a distribuição transcelular do cátion, e por retenção do potássio, quando a taxa de absorção de potássio excede a capacidade renal de excreção. Esta última forma é a mais comumente encontrada A existência de uma hipercalemia por aumento das reservas intracelulares de potássio é pouco provável, já que as quantidades de potássio necessárias para aumentar a concentração no sangue, do líquido extracelular (LEC), são muito pequenas se comparadas ao volume e à quantidade do cátion no líquido intracelular (LIC). 57 Pode haver também umahipercalemia espúria,principalmente por hemólise, na amostra de sangue enviada ao laboratório, causando a liberação do potássio do LIC das células rompidas. 5.9 Eritropoetina A eritropoetina (EPO) é uma glicoproteína sintetizada pelo rim, mais especificamente pelas células adjacentes aos túbulos proximais renais (90%), e pelo fígado também, porém, em menor quantidade (10%). Apresenta como função a regulação da eritropoiese (produção de eritrócitos, também conhecidos como hemácias ou glóbulos vermelhos) no homem e em outros animais. Esta glicoproteína era rotineiramente utilizada para melhorar o desempenho dos atletas, especialmente nas modalidades de fundo (ciclismo, atletismo e esqui, por exemplo), uma vez que eleva os níveis de eritrócitos sanguíneos, incrementando a troca de oxigênio, resultando, assim, no aumento da resistência ao exercício físico. No entanto, em 1987, o Comitê Olímpico Internacional proibiu a utilização dessa substância, posto que a administração de EPO em atletas de ponta pode levar ao aumento artificial de seu desempenho. Objetivando preservar a saúde do atleta e a ética esportiva, este comitê e outras federações esportivas atualmente apontam como doping o uso de EPO e seus análogos. A EPO é amplamente utilizada no tratamento de diversos tipos de anemias, preparos de procedimentos cirúrgicos em que há grande perda sanguínea, reposição de níveis hematológicos, após cirurgias, terapêutica de afecções crônicas (como hepatite), tratamentos oncológicos, insuficiência renal crônica, doenças do sangue, neoplasias, programas de transfusão autóloga e cirurgias ortopedias. A administração de EPO varia de acordo com o quadro apresentado pelo paciente. Existem dosagens subcutâneas e venosas, sendo que a aplicação da primeira, por ser espessa e gelada, é altamente dolorosa. Para reduzir essa dor, deve ser aplicada em regiões que possuem maior concentração de tecido adiposo. Certas situações conduzem a uma produção aumentada de eritropoetina, em conseqüência da maior necessidade de oxigênio por parte dos tecidos, como: baixa da pressão parcial em oxigênio nocaso de pessoas que vivem em elevadas altitudes; redução do número de hemácias devido a uma hemorragia ou por uma excessiva degradação dessas células. Contrariamente, o excesso de oxigênio tecidual reduz a sua secreção. 58 5.10 Aldosterona Aldosterona é o principal mineralocorticóide produzido pela zona glomerulosa da cortical da adrenal. É importante na homeostasia do sódio e potássio e na manutenção do volume intravascular. Sua produção é estimulada pelo sistema renina-angiotensina e por elevações na concentração plasmática de potássio. Classicamente, o sistema renina-angiotensina-aldosterona (S-RAA) é descrito como um eixo endócrino no qual cada componente de uma cascata é produzido por diferentes órgãos, um arranjo que é exemplo de interação de vários sistemas orgânicos, engajados todos na luta para manter a estabilidade hemodinâmica. Teleologicamente, pode-se afirmar que a ativação do S- RAA é atitude de grande responsabilidade, em função das conseqüências que sua atuação determinam, daí a necessidade de que muitos órgãos participem desse processo. Estão identificados no corpo humano dois diferentes tipos de sistemas renina-angiotensina- aldosterona: o circulante, descrito há já bastante tempo, e o local, descrito mais recentemente, que parece desempenhar papel crucial na manutenção da homeostase circulatória. No S-RAA circulante, o angiotensinogênio é produzido pelo fígado, que requer glicorticóides do córtex adrenal e estrógeno das gônadas; a renina é liberada pelos rins, enquanto que a enzima de conversão de angiotensina I em angiotensina II (ECA) é encontrada no endotélio vascular de vários órgãos. Uma vez ativada a cascata, surgem a angiotensina I e a angiotensina II, que circulam pelo sangue ativando suas estruturas-alvo: vasos sangüíneos (sobretudo arteríolas e veias sistêmicas), rins, coração, adrenais e o sistema nervoso simpático. A lógica fundamental que preside o funcionamento do sistema é responder a uma instabilidade hemodinâmica e evitar redução na perfusão tecidual sistêmica. Atua de modo a reverter a tendência à hipotensão arterial através indução de vasoconstricção arteriolar periférica e aumento na volemia por meio de retenção renal de sódio (através da aldosterona) e água (através da liberação de ADH-vasopressina). Portanto, o sistema renina-angiotensina-aldosterona se soma ao sistema simpático e ao ADH, compondo o trio de sistemas neuro-hormonais de compensação cardiovascular. 6 Sistema Respiratório 6.1 Processo aeróbico A maioria das atividades vitais é realizada com o consumo de energia celular que é obtida através da oxidação de alimentos orgânicos. A respiração celular pode ser realizada sem a presença de oxigênio livre (fermentação ou respiração anaeróbica) ou na presença de 59 oxigênio (respiração aeróbica). Na respiração aeróbica o processo permite um aproveitamento melhor da energia porque desdobra totalmente os alimentos. Supõe-se que na atmosfera primitiva não havia oxigênio livre e que a fermentação foi o modo pelo qual os heterótrofos primitivos conseguiam energia. Esse processo de respiração é realizado por muitos protistas e plantas. O músculo humano também pode obter energia na ausência de oxigênio livre realizando a fermentação lática. Respiração Aeróbica: é aquela que utiliza o oxigênio e permite a obtenção de maior quantidade de energia em relação à anaeróbica. Processos Local de ocorrência Glicólise no hialoplasma Ciclo de Krebs na matriz mitocondrial Cadeia Respiratória nas membranas mitocôndrias. 6.2 Efisema pulmonar Enfisema é uma doença crônica dos pulmões na qual os alvéolos estão destruídos, dilatados e hiperinflados. A hiperinflação é o resultado da rotura das paredes dos alvéolos, o que produz diminuição da função respiratória e falta de ar. Essa lesão dos espaços aéreos é permanente, irreversível e lentamente progressiva. O enfisema quase sempre está associado à bronquite crônica e ambas situações causam obstrução ao fluxo de ar nas vias aéreas resultando na chamada doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). 6.3 Ciclo respiratório expiração e inspiração Durante a inspiração e durante a expiração, o ar passa por diversos e diferentes segmentos que fazem parte do aparelho respiratório: Nariz: É o primeiro segmento por onde, de preferência, passa o ar durante a inspiração. Ao passar pelo nariz, o ar é filtrado, umidificado e aquecido. Na impossibilidade eventual da passagem do ar pelo nariz, tal passagem pode acontecer por um atalho, a boca. Mas infelizmente, quando isso acontece, o ar não sofre as importantes modificações descritas acima. Faringe: Após a passagem pelo nariz, antes de atingir a laringe, o ar deve passar pela faringe, segmento que também serve de passagem para os alimentos. Laringe: Normalmente permite apenas a passagem de ar. Durante a deglutição de algum alimento, uma pequena membrana (epiglote) obstrui a abertura da laringe, o que dificulta a passagem fragmentos que não sejam ar para as vias respiratórias inferiores. Na laringe localizam-se também as cordas vocais, responsáveis para produção de nossa voz. Traquéia: Pequeno tubo cartilaginoso que liga as vias respiratórias superiores às inferiores, logo abaixo. Brônquios: São numerosos e ramificam-se também numerosamente, como 60 galhos de árvore. Permitem a passagem do ar em direção aos alvéolos. Bronquíolos: Mais delgados, estão entre os brônquios e os sacos alveolares, de onde saem os alvéolos. Sua função primordial é possibilitar que o oxigênio se mova a partir do ar para dentro do sangue venoso e o dióxido de carbono se mova para fora. O pulmão executa também outros trabalhos. Ele metaboliza alguns compostos, filtra materiais tóxicos da circulação, e atua como um reservatório de sangue. Mas a sua função capital é a troca gasosa. 6.4 Substância surfactante O pulmão pode ser visto como uma coleção de bolhas, essa condição é inerentemente instável. Em virtude da tensão superficial do liquido que reveste os alvéolos desenvolvem-se forças relativamente grandes que tendem a colapsar os alvéolos. Felizmente algumas das células que revestem os alvéolos secretam uma substância chamada surfactante, que diminui a tensão superficial da camada de revestimento alveolar. O surfactante pulmonar é um líquido que reduz de forma significativa a tensão superficial dentro do alvéolo pulmonar, prevenindo o colapso durante a expiração. Consiste em 80% de fosfolípideos, 8% de lípidos e 12% de proteínas. A tensão superficial é a força que atua através de uma linha imaginaria na superfície do liquido. Ela se origina porque as forças de atração entre as moléculas adjacentes do liquido são muito mais fortes do que aquelas entre o liquido e o gás, resultando em diminuição da superfície liquida, gerando uma pressão dentro do alvéolo. 6.5 Necrose tecidual Necrose é a morte celular no organismo vivo, acompanhada de alterações morfológicas características. Se o tecido é fixado em formol a 10%, as células estão mortas, mas não necróticas. A necrose é a manifestação morfológica da lesão celular irreversível. Necrobiose é a morte natural das células que são constantemente substituídas. Ocorre de maneira evidente no epitélio de revestimento, sendo imperceptível no fígado onde o processo é mais lento. A morte do indivíduo é chamada morte somática e a destruição tecidual por enzimas intra e extracelulares de AUTÓLISE. Aspectos morfológicos da necrose A célula que sofreu necrose apresenta alterações morfológicas que indicam que morreu. O citoplasma perde as afinidades tintoriais, tornando-se eosinófilo. A eosinofilia é devida a perda do RNA citoplasmático, e a afinidadeda eosina à proteínas desnaturadas (a basofilia do citoplasma é dada pelo RNA, como ocorre nos hepatócitos e plasmócitos). A alteração mais precoce da 61 cromatina é a agregação junto a membrana nuclear. O núcleo diminui de tamanho, torna-se mais denso e com maior afinidade pela hematoxilina (picnose). A dissolução da cromatina leva ao processo de cariólise, provavelmente devido a ação de DNases lisossômicas. A fragmentação nuclear é a cariorexis. Causas da necrose Qualquer agente físico, químico ou biológico que altere as funções vitais da célula pode causar necrose. As principais alterações ocorrem nas mitocôndrias, membranas celulares, na síntese protéica e no processo de manutenção da integridade DNA. A morte tecidual por insuficiência de suprimento sangüíneo é chamada de INFARTO. 6.6 Hipercapenia Existe uma relação linear entre o volume respiratório por minuto e a PACO2 (FIG.9). No entanto, esta relação tem um limite superior. Quando a pressão de CO2 é superior a 7% do ar inspirado, a expiração de CO2 está dificultada e as pressões alveolar e arterial aumentam abruptamente apesar da hiperventilação. A acumulação de CO2 no organismo (hipercapnia) deprime o SNC, incluindo o centro respiratório, e produz cefaleias, confusão e eventulamente coma (CO2 INTERACÇÃO ENTRE HIPERCAPNIA E HIPÓXIA Quando a PACO2 é estabilizada em níveis 2-3 mmHg acima do normal, há uma relação inversa entre a ventilação e a PAO2 que se estabelece mesmo para valores de PAO2 dentro do intervalo 90-110 mmHg; mas quando a PACO2 é mantida em níveis inferiores dos valores normais, não há estimulação da ventilação pela hipóxia até que PAO2 diminua abaixo de 60 mmHg. Isto é, a hipercapnia aumenta a sensibilidade dos quimiorreceptores periféricos à hipóxia. 6.7 Hipoxemia Hipoxemia é a deficiência anormal de concentração de oxigênio no sangue arterial (baixa PaO2). Hipóxia é baixo teor (concentração) de oxigênio. Trata-se de um estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos cuja ocorrência é atribuída a diversos fatores. Ela pode ser causada por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde uma obstrução física do fluxo sanguíneo em qualquer nível da circulação corpórea, anemia ou deslocamento para áreas com concentrações baixas de oxigênio no ar. As células cerebrais são extremamente sensíveis à privação de oxigênio. Algumas células cerebrais começam a morrer na verdade, menos de 5 minutos após o seu suprimento de oxigênio desaparecer. Como resultado, hipóxia cerebral pode rapidamente causar a morte ou graves danos cerebrais. A falta de oxigênio pode se restringir a um local do organismo (isquemia) sendo classificada 62 pelo local afetado, por exemplo isquemia cerebral ou isquemia cardíaca, ou pode ser sistêmica. Quando o problema é a circulação do oxigênio no sangue também pode ser chamada também de hipoxemia. Quando o problema é por dificuldade pulmonar pode ser considerada como uma hipoventilação. Quando não há respiração pulmonar, por exemplo em um afogado ou lesão medular a nível da primeira cervical, passa a ser chamada de anoxia. ➔ Hipóxia Hipóxica (de altitude): Resulta de uma troca gasosa inadequada na membrana capilar alveolar. Isso pode ser causado por uma quantidade de oxigênio inadequada no ar inspirado, por defeito na ventilação ou por uma obstrução das vias respiratórias. Um suprimento deficiente de oxigênio para o sangue resulta em uma deficiência de oxigênio para os tecidos. Isso representa a causa mais comum de hipóxia encontrada na altitude e pode se tornar aparente acima de 3.000 metros acima do nível do mar (já que a zona de vida normal é considerada até 3.000 metros de altitude). ➔ Hipóxia Hipêmica (anêmica) ou hipoxemia: Acontece devido à redução da capacidade carreadora de oxigênio da hemoglobina. As causas desta forma de hipóxia incluem anemia, perda sanguínea, envenenamento por monóxido de carbono, medicamentos à base de sulfa e tabagismo excessivo. ➔ Hipóxia Estagnante: É uma deficiência de oxigênio no corpo devido à circulação pobre. Isto pode acontecer quando o débito cardíaco não satisfaz as necessidades teciduais. Outras causas de hipóxia estagnante incluem coleção venosa, espasmo arterial, oclusão de um vaso sanguíneo ou longos períodos de respiração por pressão positiva. ➔ Hipóxia Histotóxica: é a incapacidade dos tecidos corporais em utilizar o oxigênio disponível. O envenenamento por cianeto e monóxido de carbono (que reduz a capacidade da hemoglobina em se combinar com oxigênio), ingestão de álcool e narcóticos podem resultar em hipóxia histotóxica. ➔ Hipóxia (hipoventilação) de treinamento: Não é patológica, é causada por exercício excessivo e muito comum no treinamento físico aeróbico. Os músculos gastam o suprimento de oxigênio mais rápido que o organismo consegue suprir e precisa de vários minutos para se recuperar. A capacidade de oxigenar os músculos aumenta com o treinamento. 6.8 Relação ventilação e perfusão A relação ventilação perfusão (V/Q) é a razão existente entre a quantidade de ventilação e a quantidade de sangue que chega a esse pulmão , tendo como valores normais por volta de 0,8 . Para que ocorra uma troca gasosa ideal é necessário que o volume de ar que entra no alvéolo (V) seja próximo ao volume de sangue (Q) que passa através do pulmão. Essa relação entre o ar alveolar e o débito cardíaco, é chamada relação ventilação/perfusão (índice V/Q).No 63 pulmão normal esta relação deve estar abaixo de 1(um) já que o pulmão não é todo ventilado a cada inspiração.As alterações da relação ventilação/perfusão são notadas dependentes da complacência e permeabilidade das vias aéreas. O fluxo sangüíneo não se distribui homogeneamente e depende da pressão hidrostática capilar, diferença de pressão entre o ar alveolar e as arteríolas pulmonares, e outros fatores.A relação ventilação/perfusão está comprometida em três situações: A. Índice V/Q ALTO – neste caso a ventilação é alta e o fluxo sangüíneo é baixo, isso produz aumento de espaço morto , produzindo hipoxemia e hipercapnia . B. Índice V/Q BAIXO – neste caso a ventilação é baixa e o fluxo sangüíneo é alto, pode ser chamado de shunt intrapulmonar, pode produzir uma hipoxemia com ou sem hipercapnia . C. Índice V/Q nula - não há nem ventilação e nem perfusão sanguínea. 6.9 Oximetria A oximetria de pulso é a maneira de medir quanto oxigênio seu sangue está transportando. Usando um pequeno dispositivo chamado oxímetro de pulso, seu nível de oxigênio sanguíneo pode ser aferido sem a necessidade de puncioná-lo com uma agulha. O nível de oxigênio mensurado com um oxímetro é chamado de nível de saturação de oxigênio (abreviado como O2 sat ou SaO2 ). A SaO2 é a porcentagem de oxigênio que seu sangue está transportando, comparada com o máximo da sua capacidade de transporte. Idealmente, mais de 89% das suas células vermelhas devem estar transportando oxigênio. 6.10 Gasometria A gasometria é um exame laboratorial que permite analisar os gases sanguíneos de 02 e C02 e o equilíbrio ácido – básico, verificando a alteração no desequilíbrio no sistema respiratório e metabólico. A gasometria é utilizada no diagnóstico e monitoramento de doença respiratória, fornecendo informações fidedignas sobre a oxigenação do paciente, ventilação e equilíbrio ácido – base. Essa leitura é obtida pela comparação desses parâmetros na amostra com padrões internos do gasômetro. A amostra utilizada para essa leitura pode ser de sangue arterial ou venoso, porem é importante saber qual a natureza da amostra para uma interpretação correta dos resultados. Obviamente, quando se está interessado em uma avaliação pulmonar,deve ser sempre obtido sangue arterial, pois ela informará a respeito da hematose e permitirá o cálculo do conteúdo do oxigênio que está sendo oferecido aos tecidos. No entanto, se o objetivo for avaliar apenas a parte metabólica, isso pode ser feito através de uma gasometria venosa. As diferenças estabelecidas entre os valores normais dos parâmetros gasométricos do sangue arterial e do sangue venoso são mostrados no quadro abaixo: Para 64 que se tenha melhor exatidão nos resultados da gasometria, deve-se estabelecer um intervalo entre a coleta e a análise menor que 15 minutos, amostras com tempo superior ao estabelecido podem gerar aumento dos valores dosados, ainda no caso do PO2 deve-se evitar a formação de bolhas de ar. A aplicação clínica dos parâmetros avaliados na gasometria podem ser melhor entendidos nas definições a seguir. O PO2 baixo (hipoxemia) pode ser associado a baixo O₂ inspirado e hipoventilação alveolar e o PO2 alto (hiperoxemia) está associado a terapia excessiva. As causas comuns de PCO2 baixa são: alcalose respiratória primária, asma, insuficiência cardíaca e pneumonia e para PCO2 elevada são: acidose, respiratória primária, doença pulmonar crônica e depressão do SNC. É interessante ressaltar que a interpretação dos resultados PCO2 depende do valor do pH. No caso do pH baixo deve- se a um processo que gera íons hidrogênio em excesso e ocorre em casos de insuficiência renal, cetoacidose diabética e doença pulmonar crônica, esse quadro Parâmetro Sangue)Arterial Sangue)Venoso pH 7,35)a)7,45 0,05)unidades)menor PaCO₂ 35)a)45)mmHg 6mmHg)maior PaO₂ 70)a)100mmHg ҃50%%(35%a%50mmHg) 35!!45 40mmhg ACIDOSE ALCALOSE RESPIRATÓRIA 22!!26 24mmhg ACIDOSE ALCALOSE METABÓLICA também é chamado de acidemia. O pH aumentado se deve ao processo que gera íons hidroxil extras e pode ser causada por insuficiência cardíaca, pneumonia e uso de diuréticos. O excesso de base no sangue, também chamado de excesso de base in vitro, sinaliza o excesso ou déficit de base dissolvidas no plasma sanguíneo. Ele é determinado em princípio pela titulação do sangue com um ácido ou base forte para um pH plasmático de 7,40 com PCO2 de 40mmHg a 37°C. Um BE alto indica alcalose metabólica e um BE baixo indica acidose metabólica. No gasômetro, o HCO- 3 é a concentração de bicarbonato no plasma da amostra de sangue, este parâmetro é calculado a partir da medição de pH e PCO2 através da equação de Henderson – Hasselbach. Esse parâmetro é aplicado na indicação de acidose metabólica primária para valores baixos de bicarbonato e alcalose metabólica primária, quando os valores de bicarbonato estão elevados. Diante de um distúrbio ácido – básico é sempre importante buscar o diagnóstico etiológico, para que assim possa dirigir à causa básica do distúrbio, no caso de uma abordagem terapêutica, devido a existência de dados clínicos e laboratoriais que podem auxiliar no diagnóstico. É importante ressaltar o tipo das amostras na análise dos resultados e a qualidade do sistema utilizado na realização da gasometria. Referências Bibliográficas: - Gasometria: Interpretação e quando intervir. < www.medicina.ufmg.br/edump/ped/gasometr.htm> Acesso em 19/02/2013 e BURTIS, C.A; ASHWOOD, E.R. Fundamentos de Química Clinica. 4ª Edição. Editora Guanabara Koogan. 65 1996 - BURTIS, C.A.;ASHWOOD, E.R. Fundamentos de Química Clínica. 4ª Edição.Editora Guanabara Koogan. 1996 - Catálogo do equipamento – GEM Premier 4000. Fornecido pela Instrumentation Laboratory - www.cefir.com.br/cefir2007/index Acesso em 19/02/2013. 7 Controle da respiração 7.1 Metabolismo Metabolismo é o conjunto das reações químicas que ocorrem num organismo vivo com o fim de promover a satisfação de necessidades estruturais e energéticas. O metabolismo tem quatro funções específicas: ( 1 ) obter energia energia química química pela degradação degradação de nutrientes nutrientes ricos em energia oriundos do ambiente; (2) converter as moléculas dos nutrientes em unidades fundamentais precursoras das macromoléculas celulares; (3) reunir e organizar estas unidades fundamentais em proteínas, ácidos nucléicos e outros componentes celulares; (4) sintetizar e degradar biomoléculas necessárias às funções especializadas das células. O metabolismo pode ser dividido em duas "fases": catabolismo e anabolismo. O catabolismo é a fase degradativa do metabolismo; nela, as moléculas orgânicas nutrientes, carboidratos, lipídios e proteínas provenientes do ambiente ou dos reservatórios de nutrientes da própria célula são degradados por reações consecutivas em produtos finais menores e mais simples. O anabolismo anabolismo é uma fase sintetizante sintetizante do metabolismo metabolismo. É nele que as unidades fundamentais são reunidas para formar as macromoléculas componentes das células, como as proteínas, DNA etc.. Para ocorrer essas duas "fases" do metabolismo, é necessário um trânsito acentuado de energia. No catabolismo, por haver a "quebra" de moléculas, há a liberação de energia; por outro lado, o anabolismo é uma fase de síntese, necessitando de energia para sua ocorrência. METABOLISMO BASAL A expressão metabolismo basal designa o mínimo de energia necessária para regular a fisiologia normal de um organismo. TAXA METABÓLICA BASAL = quantidade de energia necessária para a manutenção dos processos vitais básicos (trabalho osmótico, bombeamento do sangue, respiração, atividade do sistema nervoso, etc). O Gasto Energético é Influenciado por Quatro Fatores: - Área de superfície: está relacionada com a perda de calor – quanto maior a área de superfície, maior a perda de calor. - Idade: reflete dois fatores: crescimento e massa muscular. *jovens: maior gasto energético para o crescimento *adultos: ↓ do tecido muscular - Sexo: as fêmeas têm uma TMB mais baixa que 66 os machos – menor porcentagem de massa muscular e efeitos dos hormônios femininos. - Nível de atividade: ↑ nível de atividade - ↑ o gasto energético. ATP é o nucleotídeo trifosfatado mais importante. Ele participa das inúmeras reações e processos metabólicos relacionados à transferência e conversão de tipos de energia. A hidrólise do radical fosfato terminal do ATP, formando difosfato de adenosina (ADP) e fosfato inorgânico, libera energia livre de 7,3 kcal/mol. A energia do ATP é disponibilizada para as células pelo acoplamento da hidrólise desta substância a reações químicas que requeiram energia. No citosol, existe apenas uma pequena reserva de ATP, de tal maneir a que, à medida que ele é utilizado, deve ser reposto por meio de reações que fosforilam o ADP a ATP. Existem dois mecanismos de regeneração do ATP: O primeiro é a fosforilação ao nível de substrato, em que um radical fosfato é transferido para o ADP por um composto intermediário, a fim de formar o ATP. Este tipo de fosforilação pode ocorrer na ausência de oxigênio, condição denominada de metabolismo anaeróbico. Como exemplo deste tipo de fosforilação, temos: a glicólise. O segundo mecanismo de produção de ATP é a fosforilação oxidativa, que ocorre nas membranas internas das mitocôndrias, e que exige a presença de oxigênio molecular. A fosforilação oxidativa produz a maior parte do ATP utilizado pelo organismo. O conjunto das reações que compõem a fosforilação oxidativa é chamado metabolismo aeróbico. Carreadores de elétrons: NAD e FAD - As reações metabólicas que degradam os nutrientes e obtêm energia para a célula são do tipo oxidação-redução (também denominada oxi-redução). - Quando um composto químico (molécula, íon) perde elétron ou higrogênio, dizse que houve oxidação. Ao contrário, se uma espécie química ganha elétron ou hidrogênio, observa-se umaredução. - Nestas reações participam substâncias conhecidas como coenzimas. As mais importantes coenzimas carreadoras de elétrons são a nicotinamida-adenina dinucleotídeo e a flavina-adenina dinucleotídeo. As formas oxidadas dessas coenzimas são abreviadas por NAD + e FAD; as formas reduzidas são NADH e FADH 2 . FONTES DE ENERGIA METABÓLICA Os carboidratos, gorduras e proteínas ssão produtos de alto conteúdo energético ingerido pelos animais, para os quais constituem a única fonte energética e de compostos químicos para a construção de células. Estes compostos seguem rotas metabólicas diferentes, que têm como finalidade produzir compostos finais específicos e essenciais para a vida. 7.2 Controle químico e neural da respiração 67 Regulação química A respiração permite manter concentrações adequadas de oxigénio, dióxido de carbono e hidogeniões (H+ ) nos tecidos. Os mecanismos de regulação química controlam a ventilação de tal maneira que PaCO2 é mantida dentro de valores normais, os efeitos do excesso de H+ no sangue são rapidamente tamponados, e a PaO2 é regulada evitando hipóxias potencialmente perigosas. A ventilação é regulada de acordo com as necessidades respiratórias do organismo. Por exemplo, durante o exercício as taxas de utilização de O2 e de formação de CO2 podem aumentar mais de 20 vezes, exigindo maiores volumes correntes. O volume respiratório é proporcional à taxa de metabolismo, no entanto, o elo de ligação entre o metabolismo e a ventilação é o CO2 e não o O2. Os centros respiratórios cerebrais (ventral, dorsal e pneumotáxico) não são sensíveis a alterações químicas no sangue ou no líquido cefalorraquidiano (LCR). A regulação química da ventilação é mediada pelos quimiorreceptores respiratórios. Estes receptores são sensíveis a alterações da pressão do CO2, do O2 e a alterações do pH, e enviam impulsos nervosos para os centros respiratórios cerebrais. Um aumento da PaCO2 ou da [H+ ]a ou uma diminuição da PaO2 activam os centros respiratórios cerebrais (após estimulação dos quimiorreceptores) que despolarizam os neurónios motores dos músculos respiratórios. QUIMIORRECEPTORES CENTRAIS Os quimiorreceptores centrais localizam-se na superfície ventrolateral do bolbo raquidiano, entre as origens dos sétimo e décimo nervos cranianos, perto dos centros respiratórios (FIG.6). São responsáveis por cerca de 75% da hiperventilação induzida pelo aumento da PaCO2; os restantes 25% são da responsabilidade dos quimiorreceptores periféricos. Alterações produzidas experimentalmente na pressão de CO2 do LCR têm efeitos reduzidos na variação da respiração desde que a [H+ ] seja mantida constante. Estas observações experimentais indicam que os quimiorreceptores bulbares respondem a alterações da [H+ ] do fluido intersticial cerebral que os rodeia e não ao CO2. O aumento da [H+ ] estimula a ventilação e a diminuição inibe-a. A composição do fluido intersticial depende do LCR, do fluxo sanguíneo local e do metabolismo local. O LCR é o mais importante. A barreira hemato-encefálica é impermeável aos iões H+ e HCO3 - , no entanto, as moléculas de CO2 atravessam-na facilmente por difusão. Assim, quando a PaCO2 aumenta, o CO2 difunde-se para o LCR a partir dos vasos sanguíneos cerebrais e é rapidamente hidratado. O H2CO3 dissocia-se, aumentando a concentração local de iões H+ que estimulam os quimiorreceptores centrais (FIG.7). Portanto, os efeitos do CO2 na ventilação são secundários a alterações que provoca no pH do LCR. A [H+ ] no LCR é directamente proporcional à PaCO2 e a 68 estimulação da ventilação é directamente proporcional ao aumento [H+ ]. Alterações na [H+ ]a têm menores efeitos do que alterações da PaCO2. Portanto, paradoxalmente, são libertados mais hidrogeniões na área quimiossensitiva respiratória quando aumenta a PaCO2 do que quando aumenta a [H+ ]a. O pH normal do LCR é de 7,32. Como contém menor quantidade de proteínas do que o sangue, tem uma capacidade de tampão menor. As alterações no pH do LCR são superiores às alterações verificadas no pH sanguíneo. Contudo, os mecanismos de compensação a longo prazo são mais precoces no LCR do que na corrente sanguínea. Enquanto os primeiros dependem de alterações da permeabilidade da barreira hemato-encefálica, os segundos dependem de mecanismos renais (2-3 dias). Logo, o LCR é mais sensível a alterações da PaCO2.do que o sangue periférico, porque por um lado, o seu pH sofre variações mais amplas, e por outro, retorna para níveis próximos do normal mais rapidamente. FIG.7 – Activação dos Quimiorreceptores Centrais por alterações PaCO2. Note que não são directamente activados pelo PaCO2, mas sim por alterações do pH do LCR. 11 QUIMIORRECEPTORES PERIFÉRICOS - CORPOS CAROTÍDEOS E AÓRTICOS Os quimiorreceptores periféricos ou glomus (FIG.8) são os corpos carotídeos (geralmente dois) e os corpos aórticos (dois ou mais). Os primeiros localizam-se junto da biforcação carotídea, um de cada lado; os segundos localizam-se acima e abaixo da crossa da artéria aorta. A sua principal função é detectar alterações na PaO2, apesar de também serem sensíveis a alterações da PaCO2 e da [H+ ]. Transmitem impulsos nervosos para os centros respiratórios cerebrais que regulam a actividade respiratória. Os quimiorreceptores periféricos respondem a diminuições da PaO2 e do pH sanguíneo e a aumentos da PaCO2. No homem os mais importantes são os corpos carotídeos. Cada glomus contém ilhéus de dois tipos de células, células tipo I e células tipo II, rodeadas de capilares sinusoidais fenestrados. As células tipo I têm grânulos densos que contêm catecolaminas e recebem terminações em cálice de nervos aferentes. Estas células são estimuladas quando expostas à hipóxia e libertam dopamina (principal neurotransmissor) que excita as terminações nervosas através de receptores D2. As células tipo II são semelhantes a células gliais, e cada uma rodeia quatro a seis células tipo I. A sua função é, provavelmente, de sustentação. Externamente à cápsula que rodeia cada glomus, as fibras nervosas aferentes adquirem uma baínha de mielina. Enquanto as fibras aferentes dos corpos carotídeos ascendem até ao bolbo raquidiano através do seio carotídeo e do nervo glossofaríngeo, as fibras dos corpos aórticos ascendem através do nervo vago. Os glomus são quimiorreceptores 69 com potenciais gradativos, isto é, a amplitude dos seus potenciais aumenta com a grandeza dos estímulos que os desencadeiam, têm condução decremental e podem sofrer somação temporal ou espacial. Os receptores nos corpos carotídeos são estimulados, principalmente, por diminuições da PaO2. As células tipo I têm canais de K+ sensíveis-O2, cuja condutância é inversamente proporcional ao grau de hipóxia a que estão expostos. A diminuição de radicais de oxigénio parece ser o “gatilho” bioquímico que activa os quimiorreceptores do corpo carotídeo quando PaO2 diminui. A diminuição do efluxo de K+ durante a hipóxia despolariza a célula e causa um influxo de Ca2+, principalmente via canais L. O influxo de Ca2+ desencadeia um potencial de acção e a libertação dos neurotransmissores, que consequentemente, excitam as terminações dos nervos aferentes (nervo de Hering). Nota: Enquanto as células musculares lisas das artérias pulmonares contêm canais de K+ sensíveis-O2, semelhantes aos dos quimiorreceptores, que provocam vasoconstrição quando a PaO2 diminui, as artérias sistémicas contêm canais de K+ dependentes-ATP que levam a um maior efluxo de K+ em estados de hipóxia e, consequentemente, causam vasodilatação em vez de vasoconstrição. O fluxo sanguíneo por unidade de tecido nos corpos carotídeos (2000mL/100g/min) ésuperior ao do cérebro (54mL/100g/min) e ao dos rins (420 mL/100g/min), que são órgãos de elevada perfusão sanguínea. Devido ao enorme fluxo sanguíneo por unidade de tecido, as necessidades das células glomus podem ser facilmente satisfeitas apenas com o O2 dissolvido no plasma. Portanto, os receptores não são estimulados em condições como anemia e intoxicação por CO, nas quais a PaO2 está diminuida, geralmente, à custa do componente combinado (HbO2). Os receptores são estimulados quando a PaO2 diminui à custa de ambos os componentes (combinado e dissolvido) ou quando a quantidade de O2 que chega aos receptores por unidade de tempo está diminuida, devido a estase vascular. O fluxo sanguíneo por minuto dos corpos carotídeos é cerca de 20 vezes o seu peso, portanto, a percentagem de remoção de O2 é virtualmente zero. Logo, como os quimiorreceptores estão sempre expostos a uma pressão de O2 semelhante à PaO2, têm uma acção importante na resposta ventilatória a alterações da PaO2. Quando os corpos carotídeos são extraídos ou desnervados, existe uma pequena alteração na ventilação em repouso, mas a resposta ventilatória à hipóxia é perdida e há uma redução de 25% na resposta ventilatória ao aumento da PaCO2. A resposta dos quimiorreceptores periféricos a alterações da PaCO2 é menos importante do que a dos quimiorreceptores centrais. Devido à sua localização anatómica, os corpos aórticos não têm 70 sido estudados em grande detalhe como os corpos carotídeos. As suas respostas são provavelmente semelhantes, mas de menor amplitude. Regulação nervosa A respiração é regulada por dois sistemas neuronais distintos, mas inter-relacionados: o comportamental ou voluntário e o metabólico ou automático. O sistema voluntário (tálamo e córtex cerebral) coordena a respiração relativamente a várias actividades motoras complexas, que utilizam os pulmões e a parede torácica (ex. deglutição). As suas fibras eferentes deslocam-se nos feixes extrapiramidais e fazem sinapse com os neurónios motores dos músculos da respiração. A hiperventilação voluntária é possível até um determinado estado de alcalose. Quando a PaCO2 diminui acentuadamente, os músculos da mão e do pé começam a entrar em contracção tetânica (espasmo carpopedal). Este espasmo muscular pode generalizar-se e paralisar os músculos da respiração. A hipoventilação voluntária é mais difícil. O tempo possível de sustentação da ventilação depende de vários factores, tais como, a PaCO2 e a PaO2. Uma hiperventilação prévia prolonga o período de apneia voluntária, especialmente se for inspirado ar com uma pressão parcial de oxigénio elevada. Contudo, existem outros factores e mecanismos envolvidos nesta regulação que, ainda, não estão completamente esclarecidos. O sistema automático regula a ventilação mantendo a homeostasia do meio interno. Os centros respiratórios automáticos localizam-se na ponte e no bolbo raquidiano, e são responsáveis pela origem e duração dos ciclos respiratórios. As suas fibras eferentes para os neurónios motores deslocam-se pela via piramidal. As fibras nervosas que medeiam a inspiração convergem nos neurónios motores do nervo frénico e nos neurónios motores dos nervos intercostais externos. As fibras nervosas responsáveis pela expiração activa convergem, principalmente, nos núcleos motores dos nervos intercostais internos. As vias motoras descendentes activam os músculos agonistas e inibem os músculos antagonistas, simultaneamente – inervação recíproca Isto é, os neurónios motores dos músculos expiratórios estão inibidos enquando aqueles que inervam os músculos inspiratórios estão activados e vice-versa. A única excepção é a existência de um pequeno número de axónios do nervo frénico que mantêm a sua atividade por um curto período de tempo após a inspiração. A função destas eferências pós inspiratórias é vencer a elasticidade das fibras pulmunares proporcionando movimentos respiratórios suaves. 7.3 Relação entre ventilação e perfusão 71 A bronquioconstrição não se processa de maneira uniforme. Nas regiões muito perfundidas e pouco ventiladas formam-se shunts; já nas regiões onde há uma hiperventilação , tem-se uma área caracterizada como um espaço morto alveolar . A relação ventilação–perfusão é fundamental para que se possa avaliar a eficiência da mecânica respiratória, no que se refere às trocas gasosas. Existem mecanismos regionais no pulmão que tendem a equilibrar a relação ventilação/perfusão. Os vasos sanguíneos pulmonares reagem de maneira inversa aos vasos sistêmicos com relação à hipoxemia. Quando há uma baixa oxigenação tecidual, é desencadeado um mecanismo regional que faz com que haja um aumento do diâmetro dos vasos, fazendo com que mais sangue perfunda o tecido. No pulmão, quando há, por exemplo, um tumor na árvore brônquica, ou uma crise asmática, que gera uma PO2 baixa no alvéolo, no primeiro momento, uma vez formado o shunt , a perfusão vai ser maior que a ventilação. Assim, de forma inversa àquela observada nos tecidos, passa a haver vasoconstrição pulmonar, quando é constatada a formação de um shunt, sendo o sangue desviado para outras regiões do pulmão. Numa situação de embolia pulmonar, há um aumento da PO2 na região afetada pelo êmbolo. Nesta situação, os vasos sangüíneos afetados tendem a dilatar, porém, neste exemplo em especial, pouco efeito pode ser sentido com a vasodilatação, mas há uma tendência à dilatação dos vasos regionais, quando a ventilação é proporcionalmente maior que a perfusão. Na hipoxemia regional, o pulmão se adapta buscando um equilíbrio na relação ventilação- perfusão. Na asma, ou em um quadro de obstrução bronquiolar, ocorre hipoxemia. Na embolia pulmonar, a PCO2 diminui no alvéolo, pois o CO2 vai sendo retirado do alvéolo, sem ser reposto devido à interrupção no fluxo, causado pela embolia. Com a baixa PCO2 vai ocorrer bronquioconstrição, para que possa ser equilibrada a relação ventilação/perfusão. Em situações de bronquioconstrição regional é gerada uma situação tipo shunt, pois há pouca ventilação em relação à perfusão, o que leva a uma vasoconstrição regional para equilibrar a relação ventilação-perfusão. O que importa não é a magnitude da ventilação ou da perfusão no sistema respiratório, mas sim o seu equilíbrio, ou seja, fazendo com que esta relação esteja o mais próximo de 1 possível. Sendo assim, uma situação de baixa ventilação proporcional à perfusão, tem-se uma situação do tipo shunt, fazendo com que esta região apresente um quadro de hipóxia, pois o sangue perfundido por esta região não estará sendo oxigenado adequadamente. Este quadro leva então a uma vasoconstrição, para que se possa alcançar o equilíbrio. 72 Quando há um prejuízo, não na ventilação, mas sim na perfusão, tal qual aquela observada em uma embolia, a ventilação passa a ser maior proporcionalmente que a perfusão, levando a um quadro de “desperdício” de ventilação. A PO2 no alvéolo é alta e a PCO2, ao contrário, vai diminuindo, fazendo com que ocorra uma bronquioconstrição, diminuindo a ventilação e proporcionando o equilíbrio entre a perfusão e a ventilação. 7.4 Ação do bicarbonato na respiração Se o distúrbio ácido-básico for acidose respiratória, ele é compensado por uma alta excreção renal de H+ e, com isso, reabsorção de bicarbonato renal para o sangue, onde ele tampona o excesso de H+. Se for acidose metabólica, a compensação se dá pelo sistema respiratório (hiperventilação). Na alcalose respiratória, ocorre uma compensação renal através de pouca excreção de H+, que fica na corrente sangüínea e tampona o excesso de bicarbonato. E a alcalose metabólica é compensadapor hipoventilação - ou espirometria em circuito fechado (respirar num saco de papel). É importante ressaltar que, quando há “excesso” de compensação, cria-se um novo distúrbio ácido-básico, oposto ao que o indivíduo tinha (ex: para compensar uma acidose metabólica, a pessoa respira demasiadamente rápido e inúmeras vezes, consumindo tanto H+que começa a haver um excesso de bicarbonato na corrente sangüínea, e o quadro passa a ser alcalose de causa respiratória. Além disso, a compensação respiratória é sempre bem mais rápida do que pelos túbulos renais (metabólica). Se o distúrbio ácido-básico for acidose respiratória, ele é compensado por uma alta excreção renal de H+ e, com isso, reabsorção de bicarbonato renal para o sangue, onde ele tampona o excesso de H+. Se for acidose metabólica, a compensação se dá pelo sistema respiratório (hiperventilação). Para tratar uma acidose respiratória, é preciso aumentar a ventilação pulmonar, usando ventilação mecânica, por exemplo. O uso de bases, como bicarbonato de sódio, é recomendado apenas em acidoses extremamente severas. Numa alcalose respiratória, especialmente se acompanhada de tetania, é preciso aumentar a quantidade de dióxido de carbono através da inalação de ar exalado (“viciado”). No caso de uma acidose metabólica, administra-se bicarbonato, geralmente de sódio, ou 73 lactato de sódio. O lactato é metabolizado pelo fígado em bicarbonato. Portanto, se o paciente apresenta deficiências hepáticas, não se deve administrar lactatos. No caso de cetoacidose diabética, a administração de insulina é o suficiente para reverter esse quadro. Por último, no caso de uma alcalose metabólica (exceto nos casos de depleção de potássio), deve ser administrado H+, na forma de ácido clorídrico ou cloreto de amônio. O NH4Cl é metabolizado em HCl pelo fígado. Logo, não se deve utilizar NH4Cl para tratar pacientes com alcaloses metabólicas e deficiências hepáticas. 7.5 Acidose respiratória A acidose respiratória é definida como uma acidose (redução do pH sanguíneo) resultante de uma ventilação reduzida dos alvéolos pulmonares, levando a uma alta concentração de dióxido de carbono (PaCO2). A acidose respiratória é um problema clínico consequente da hipoventilação. Há uma produção acelerada de dióxido de carbono, com aumento de PaCO2 devido à insuficiência ventilatória imediata. A hipoventilação alveolar resulta em uma hipercapnia, que é o PaCO2 aumentado, que por sua vez reduz a proporção de HCO3 −/PaCO2 e diminui o pH. Em outras palavras, a hipercapnia e a acidose respiratória ocorrem quando o problema na ventilação se estabelece e a retirada de CO2 pelos pulmõesé menor do que a produção de CO2 pelos tecidos. Esta disfunção é classificada em dois tipos: •Acidose respiratória aguda: na qual o PaCO2 encontra-se acima do limite superior (6,3 kPa ou 47 mm Hg), com acidemia (pH inferior a 7,35). Ocorre em casos de insuficiência súbita da ventilação. A insuficiência ventilatória pode iniciar-se por uma depressão do centro respiratório central, resultante de uma doença cerebral ou uso de drogas, inabilidade de ventilar adequadamente em consequência de uma doença neuromuscular ou obstrução das vias aéreas relacionada à asma ou agravamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). •Acidose respiratória crônica: neste caso, o PaCO2 encontra-se acima do limite superior, mas com pH sanguíneo dentro da normalidade (7,35 a 7,45) ou pH próximo ao normal secundário à compensação renal e um bicarbonato sérico elevado (HCO3 − maior do que 30 mm Hg). Este tipo de acidose apresenta diferentes etiologias, como parada cardiopulmonar, pneumotórax, hidrotórax, distensão abdominal aguda, hipertermia maligna e insuficiência cardíaca congestiva (ICC). As manifestações clínicas podem iniciar-se com cefaléias e sonolência. Também podem estar presentes dispnéia, tosse, sudorese, desmaio, cianose, arritmias, taquicardia, tremores e convulsão. O quadro pode evoluir para um estado comatoso. 74 Normalmente, o diagnóstico de acidose metabólica é definitivamente estabelecido quando se analisam os valores do pH sanguíneo e do CO2 nas amostras de sangue arterial. O tratamento varia de acordo com sua etiologia. Contudo, em todos os casos é necessário melhorar a ventilação-perfusão e o apoio ventilatório, como, por exemplo, por meio da utilização de broncodilatadores e uso de antibióticos. Indivíduos que por algum motivo apresentam funcionamento pulmonar severamente alterado podem necessitar de respiração artificial através de ventilação mecânica. 7.6 Hipertensão pulmonar Hipertensão pulmonar é caracterizada pela elevação da pressão sanguínea nos vasos pulmonares. Se o aumento da pressão sanguínea nos pulmões é devido ao estreitamento das artérias pulmonares, temos a hipertensão arterial pulmonar (HAP). Quando a pressão dentro dos vasos pulmonares está muito alta, o coração direito necessita bombear o sangue com mais força para dentro dos pulmões para oxigenar o sangue. Este processo pode levar à falência do lado direito do coração. Pacientes com esclerose sistêmica (ES) apresentam risco aumentado de desenvolver HAP por diversos mecanismos. Freqüentemente, pacientes com ES apresentam múltiplas causas para sua HAP, pacientes com ES limitada (antigamente conhecidos como síndrome CREST) são pacientes com ES limitada (antigamente conhecidos como síndrome CREST) são mais propensos a desenvolver HAP que os pacientes com ES difusa. Não é conhecida a causa da HAP neste grupo de pacientes. Pode ser o mesmo processo que causa dano nos pequenos vasos sanguíneos da circulação sistêmica. As células endoteliais (que formam a camada interna dos vasos sanguíneos) tornam-se lesadas e permitem que várias substâncias atravessem as paredes dos vasos sanguíneos. A musculatura responsável pela contração da parede dos vasos sanguíneos se torna hipertrofiada e estreita ainda mais o lúmen vascular. Outros pacientes esclerodérmicos apresentam HAP por consequência de fibrose pulmonar. Esta reduz os níveis de oxigenação do sangue, causando um aumento reflexo da pressão nas artérias pulmonares. Pacientes com HP leve podem não apresentar sintomas. Pacientes com HP moderada ou grave geralmente se queixam de “respiração curta” (falta de ar), especialmente após exercícios. Pacientes também podem apresentar dores torácicas atípicas e sintomas de insuficiência cardíaca direita (como piora da falta de ar, associada a inchaço nos pés, no abdome e nas veias do pescoço). 75 Outras queixas citadas pelos pacientes são tosse, leve de cabeça ou desmaios, palpitações e sudorese difusa. Num paciente com esclerose sistêmica, o aparecimento de falta de ar sem uma explicação deve levar a considerar a presença da hipertensão pulmonar. Uma suspeita laboratorial de que o paciente esteja desenvolvendo HAP é representada pela redução da capacidade de difusão de CO no teste de função pulmonar. A capacidade de difusão mede a habilidade do gás em mover-se pelo ar, atravessando os tecidos pulmonares e vasos sanguíneos, para dentro da circulação. Na ausência de doença intersticial pulmonar, se a capacidade de difusão de CO estiver abaixo de 50% do valor predito, é um sinal de que a HP deve estar presente. O teste mais utilizado para diagnosticar a HP é o ecocardiograma Ele pode estimar a pressão na artéria pulmonar de maneira correta na maioria dos pacientes, de uma forma não invasiva. O médico pode requisitar um cateterismo cardíaco para medir exatamente a pressão nasartérias pulmonares. Este teste invasivo é realizado para medir de maneira mais acurada a pressão nos vasos sanguíneos pulmonares; para acessar o fluxo sanguíneo gerado pelo coração (chamado débito cardíaco); para excluir outras causas de HAP; para aferir a função do lado esquerdo do coração; e também para avaliar a resposta do paciente à terapia vasodilatadora. Os resultados do cateterismo cardíaco podem alterar a prescrição do paciente. Um teste de exercício, conhecido como teste de caminhada de 6 minutos, é bastante útil para avaliar a capacidade do paciente com HP de realizar exercícios. A classe funcional de cada paciente será baseada na tolerância aos exercícios e/ou atividades, variando da classe I (leve) à classe IV (mais grave). Oxigenioterapia intermitente, anticoagulação e diuréticos fazem parte importante do tratamento da HAP. Caso o nível de oxigenação do sangue no repouso, no exercício, ou durante o sono seja baixo, oxigenioterapia domiciliar deve ser prescrita. A decisão de anticoagular o paciente é decidida individualmente pelo médico e pelo paciente, baseado no potencial risco de sangramento. Bloqueadores de canais do cálcio (como nifedipina, diltiazem, ou amlodipina) pode ajudar um grupo de pacientes. Este tratamento apresenta sucesso numa minoria de pacientes com HAP na esclerose sistêmica. 76 A década passada viu surgir cinco novos medicamentos para tratar a HAP: epoprostenol (FlolanR), treprostinil (RemodulinR), iloprost (VentavisR), bosentan (TracleerR), ambrisentan (LetairisR) e sildenafil (RevatioR). A HAP não é o único tipo de acometimento pulmonar que pode ocorrer nos pacientes com esclerose sistêmica. Doença pulmonar intersticial (DPI), também conhecida como fibrose pulmonar, é outra complicação séria. É importante frisar que pacientes podem ter significativo comprometimento pulmonar da esclerodermia antes que sinais e sintomas apareçam. Desta forma, é importante ter um esquema de investigação periódica para o acometimento pulmonar, especialmente a HAP e a DPI. Devido à complexidade do diagnóstico e do tratamento da doença pulmonar esclerodérmica, é importante que os pacientes sejam encaminhados para médicos que tenham experiência em esclerodermia, DPI e HAP. Isto requer a colaboração entre o paciente e o Reumatologista cardiologista e pneumologista. 7.7 Insuficiência respiratória aguda A insuficiência respiratória é uma condição clinica na qual os pulmões não conseguem desempenhar adequadamente sua principal função, a troca gasosa, ou seja, a captação de oxigênio e liberação de CO2 está prejudicada. Desta forma, o sistema respiratório torna-se incapaz de manter os valores da pressão parcial de O2 no sangue arterial (PaO2) e da pressão parcial de CO2 no sangue arterial (PaCO2) dentro dos limites adequados para manter o metabolismo tecidual. Sendo assim, caracteriza-se insuficiência respiratória quando a PaO2 é menor ou igual que 60 mm de Hg e a PaCO2 é maior que 45 mm Hg, considerando que o individuo respira em ar ambiente e ao nível do mar. A insuficiência respiratória pode ser classificada quanto ao tempo de instalação, em aguda ou crônica. A insuficiência respiratória aguda se caracteriza por uma instalação do quadro clínico abruptamente, de horas ou poucos dias, na qual o desenvolvimento da insuficiência é tão rápido que o organismo não consegue compensar as alterações funcionais provenientes da insuficiência, desta forma há surgimento de manifestações mais intensamente. Já a insuficiência respiratória crônica tem instalação lenta com poucos ou 77 quase nenhum sintoma, pois os pulmões desenvolvem mecanismos compensatórios eficientes. É importante ressaltar que a insuficiência respiratória é uma síndrome, não uma única doença, e vários são os mecanismos que levam à falência do sistema respiratório. 7.8 Ritmos respiratórios Presença de alterações do padrão respiratório podem associar-se a distúrbios fisiopatológicos específicos tendo importante valor semiológico no auxilío ao diagnóstico do paciente. Vão de alterações como o aumento ou diminuição da freqüência (taquipnéia e bradipnéia, respectivamente) à variações na amplitude respiratória com ou sem períodos de apnéia, podendo estar associadas a patologias graves com risco de morte iminente para o paciente. Taquipnéia - condições fisiológicas (ansiedade) - patológicas (febre, lesões pulmonares) Bradipnéia - fisiológica (sono) - lesões cerebrais com hipertensão intracraniana - intoxicação exógena com depressão do centro respiratório Ritmo de Cantani Caracteriza-se pelo aumento da amplitude dos movimentos respiratórios, de modo regular. Presente nos quadros onde há acidose metabólica (exemplos: cetoacidose diabética e insuficiência renal). Ritmo de Kussmaul Traduz-se por alternância seqüencial de apnéias inspiratórias e expiratórias e surge à medida que a acidose metabólica se agrava. As causas são as mesmas que geram o ritmo de Cantani. 78 Ritmo de Biot É caracterizado por um padrão totalmente confuso, com movimentos respiratórios erráticos, freqüência e amplitude irregulares. Surge em pacientes com hipertensão intracraniana e lesões do sistema nervoso central. Ritmo de Cheynes-Stockes Caracteriza-se pela alternância de períodos de apnéia, seguidos por hiperpnéia crescente e decrescente, até a instalação de nova apnéia, e, assim, sucessivamente. Ocorre mais comumente em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave, podendo também estar presente em vigência de lesões do sistema nervoso central e hipertensão intracraniana. 7.9 Respiração celular A respiração celular é um processo em que moléculas orgânicas são oxidadas e ocorre a produção de ATP (adenosina trifosfato), que é usada pelos seres vivos para suprir suas necessidades energéticas. A respiração ocorre em três etapas básicas: a glicólise, o ciclo de Krebs e a fosforilação oxidativa. A glicólise é uma etapa anaeróbia da respiração celular que ocorre no citosol e envolve dez reações químicas diferentes. Essas reações são responsáveis pela quebra de uma molécula de glicose (C6H12O6) em duas moléculas de ácido pirúvico (C3H4O3). O processo de glicólise inicia-se com a adição de dois fosfatos, provenientes de duas moléculas de ATP, à molécula de glicose, promovendo a sua ativação. Essa molécula torna- se instável e quebra-se facilmente em ácido pirúvico. Com a quebra, ocorre a produção de quatro moléculas de ATP, entretanto, como duas foram utilizadas inicialmente para a ativação da glicose, o saldo positivo é de duas moléculas de ATP. 79 Durante a glicólise também são liberados quatro elétrons (e-) e quatro íons H+. Dois H+ e os quatro e- são capturados por duas moléculas de NAD+ (dinucleotídio nicotinamida-adenina), produzindo moléculas de NADH. Temos, portanto, a seguinte equação que resume a glicólise: C6H12O6+ 2ADP + 2Pi + 2NAD+ → 2C3H4O3 + 2ATP + 2NADH + 2H+ Após a glicólise, inicia-se uma etapa aeróbia, a qual inclui o ciclo de Krebs, também chamado de ciclo do ácido cítrico ou ciclo do ácido tricarboxílico. Essa etapa ocorre no interior da organela celular conhecida como mitocôndria e inicia-se com o transporte do ácido pirúvico para a matriz mitocondrial. Na matriz, o ácido pirúvico reage com a coenzima A (CoA) ali existente, produzindo uma molécula de acetilcoenzima A (acetil-CoA) e uma molécula de gás carbônico. Durante esse processo, uma molécula de NAD+ é transformada em uma de NADHem razão da captura de 2 e- e 1 dos 2 H+ que foram liberados na reação. A molécula de acetil-CoA sofre com o processo de oxidação e dá origem a duas moléculas de gás carbônico e a uma molécula intacta de coenzima A. Esse processo, que envolve várias reações químicas, é o chamado ciclo de Krebs. Esse ciclo tem início quando uma molécula de acetil-CoA e o ácido oxalacético reagem e produzem uma molécula de ácido cítrico, liberando uma molécula de CoA. Ocorrem sequencialmente oito reações em que são liberadas duas moléculas de gás carbônico, elétrons e H+. No final desse processo, o ácido oxalacético é recuperado e o ciclo pode ser iniciado novamente. Os elétrons e os íons H+ são capturados pelo NAD+ e transformados em NADH. Eles também são capturados pelo FAD (dinucleotídio de flavina-adenina), que é transformado em FADH2. O ciclo de Krebs resulta em 3 NADH e 1 FADH2. Durante o ciclo, também é produzida uma molécula de GTP (trifosfato de guanosina) a partir de GDP (difosfato de guanina) e Pi. Essa molécula de GTP assemelha-se ao ATP e também é responsável por fornecer energia para a realização de alguns processos no interior da célula. A última etapa da respiração celular também ocorre no interior das mitocôndrias, mais precisamente nas cristas mitocondriais. Essa etapa é chamada de fosforilação oxidativa, uma vez que se refere à produção de ATP a partir da adição de fosfato ao ADP (fosforilação). A maior parte da produção de ATP ocorre nessa etapa, na qual acontece a reoxidação das moléculas de NADH e FADH2. 80 Nas cristas mitocondriais são encontradas proteínas que estão dispostas em sequência, as chamadas cadeias transportadoras de elétrons ou cadeias respiratórias. Nessas cadeias ocorre a condução dos elétrons presentes no NADH e no FADH2 até o oxigênio. As proteínas responsáveis por transferir os elétrons são chamadas de citocromos. Os elétrons, ao passarem pela cadeia respiratória, perdem energia e, no final, combinam-se com o gás oxigênio, formando água na reação final. Apesar de participar apenas no final da cadeia, a falta de oxigênio gera o interrompimento do processo. A energia liberada através da cadeia respiratória faz com que os íons H+ concentrem-se no espaço entre as cristas mitocondriais, voltando à matriz. Para voltar ao interior da mitocôndria, é necessário passar por um complexo proteico chamado de sintase do ATP, onde ocorre a produção de ATP. Nesse processo são formadas, no máximo, 26 moléculas de ATP. No final da respiração celular, há um saldo positivo total de 30 moléculas de ATP: 2 ATP da glicólise, 2 ATP do ciclo de Krebs e 26 da fosforilação oxidativa. Importante: Nos seres procariontes, todo o processo de respiração celular ocorre no citoplasma e na membrana celular. 7.10 Cor pulmonale O cor pulmonale é decorrente de pneumopatia ou sua vasculatura, não se referindo ao aumento do VD secundário à insuficiência VE, cardiopatia congênita (p. ex., defeitos do septo ventricular) ou valvopatia adquirida. Geralmente, cor pulmonale é uma condição crônica, mas pode ser agudo e reversível. A hipertensão pulmonar primária (ou seja, que não é provocada por doença pulmonar ou cardíaca) doenças pulmonares provocam hipertensão pulmonar por vários mecanismos: • Perda de leitos capilares (p. ex., decorrente de alterações bolhosas da DPOC ou trombose na embolia pulmonar) • Vasoconstrição provocada pela hipóxia, hipercapnia ou ambas • Aumento da pressão alveolar (p. ex., em DPOC ou durante a ventilação mecânica) • Hipertrofia da média das arteríolas (geralmente uma resposta à hipertensão pulmonar decorrente de outros mecanismos) 81 A hipertensão pulmonar aumenta a pós-carga do VD, resultando em uma cascata de eventos similar àquela que ocorre na insuficiência VE, incluindo elevação das pressões diastólica final e venosa central, hipertrofia e dilatação ventricular. As demandas sobre o VD podem ser intensificadas por aumento de viscosidade sanguínea decorrente da policitemia induzida por hipóxia. Raramente, a insuficiência VD compromete o VE, se o septo disfuncional sofrer protrusão para o VE, interferindo no enchimento e, assim, produzindo disfunção diastólica. 8. Sistema Respiratório 06/10/2017 8.1 Oxiemoglobina A oxiemoglobina é um composto formado quando a hemoglobina mistura-se com o oxigênio. Nos glóbulos vermelhos do sangue encontra-se um pigmento, a hemoglobina, que lhes confere a cor característica. Nos pulmões,a hemoglobina combina-se com o Gás Oxigênio, formando um composto denominado Oxiemoglobina. Porém, essa ligação é instável: quando o sangue atinge os tecidos; desfaz-se a ligação e o Gás Oxigênio é cedido para as células, para ser usado na respiração. A capacidade da mioglobina ou da hemoglobina se ligar ao oxigénio depende de uma unidade não peptídica: Um grupo heme, este grupo também dá à hemoglobina e à Este grupo também dá à hemoglobina e à mioglobina a sua côr característica. Realmente muitas proteínas requerem unidades não peptídicas específicas. Tais unidades são chamadas de grupos prostéticos. Uma proteína sem o seu grupo prostético característico é denomidada apoproteína. O grupo heme é constituído por uma parte orgânica e por um átomo de ferro. A parte orgânica, protoporfirina, é constituída por 4 anéis pirrólicos. Os quatro pirróis estão ligados por pontes de metano, para formar um anel tetrapirrólico. Figura -Atomo de ferro ligado aos 4 átomos de azoto 82 Interacções alostéricas habilitam a hemoglobina a transportar O2, CO2 e H+ coordenadamente. As subunidades α e β da hemoglobina têm o mesmo plano estrutural da hemoglobina. Contudo surgem novas propriedades de profunda importância biológica, quando diferentes subunidades se juntam para formar um tetrâmero. A hemoglobina é uma molécula muito mais complexa e susceptível que a mioglobina. A hemoglobina transporta H+ e CO2, para além do O2. As propriedades de ligação ao oxigénio da hemoglobina são reguladas por locais separados e não adjacentes. A hemoglobina é, portanto, uma proteína alostérica, ao contrário da mioglobina. Esta diferença é expressa de três maneiras: 1.A ligação de O2 à hemoglobina promove a ligação de mais O2 à mesma molécula de hemoglobina. Por outras palavras, o O2 liga-se cooperativamente à hemoglobina, o que não acontece na mioglobina; 2. A afinidade da hemoglobina para o oxigénio depende do pH e do CO2. Tanto o H +como o CO2 promovem a libertação do O2 ligado. Reciprocamente o O2 promove a libertação de H+e CO2; 3. A afinidade entre o oxigénio e a hemoglobina é também regulado por fosfatos orgânicos, tais como o 2,3-bifosfoglicerato, o que resulta numa menor afinidade para o oxigénio da hemoglobina em relação à mioglobina. O CO2 liga-se às aminas terminais da hemoglobina e a sua afinidade pelo oxigénio baixa No metabolismo aeróbio por cada O2 consumido, cerca de 0,8, em proporção, de CO2 é produzido, . A maior parte do CO2 é transportado como bicarbonato, o qual é formado dentro das células vermelhas, pela acção da anídrase carbónica. CO2+ H2O<―> HCO3 -+ H+ 83 A maioria dos H+ gerados por esta reacção é captada pela desoxi-hemoglobina, como parte do efeito de Bohr. O restante CO2 é carregado pela hemoglobina na forma de carbamato, porque a forma não ionizada das aminas ą da hemoglobina pode reagir reversivelmente com CO2. Os carbamatos ligados formam pontes salinas que estabilizam a forma T. Daí,a ligação do CO2 baixa a afinidade da hemoglobina pelo oxigénio. A mioglobina do tecido muscular armazena oxigénio. Quando há falta de oxigénio (p. ex., no exercício intenso), o oxigénio armazenado é libertado e será utilizado, na mitocôndria do músculo, para a síntese de ATP. 8.2 Ventilação Alveolar Corresponde à porção de volume-minuto respiratório que efetivamente sofreu as trocas gasosas alvéolo-capilares; é avaliada pelo teor de gás carbônico no sangue arterial, de um modo tal que: 1 - Quando a PACO2 é igual ou maior que 45 mmHg, diz-se que há hipoventilação alveolar, já que a re-novação do ar alveolar está se processando em ritmo insuficiente para eliminar todo o gás carbônico produzido pelo organismo. Em outras palavras: a ventilação dos alvéolos é insuficiente para equilibrar a produção com a eliminação do CO2. 2 - Quando a PACO2está entre 36 e 44 mmHg (média = 40 mmHg), diz-se que a ventilação alveolar está adequada, havendo perfeito equilíbrio entre produção e eliminação de gás carbônico do organismo. 3- Quando a PACO2é menor ou igual a 35 mmHg, diz-se que há hiperventilação alveolar, já que a renovação do ar alveolar está exage-rada em relação ao ritmo de produção de gás carbônico pelo organismo. QQuando um paciente exibe taquipnéia (aumento na freqüência respiratória) e/ou hiperpnéia (aumento na profundidade inspiratória, aumento no volume corrente), poderá se elevar o volume-minuto respiratório. Diz-se, então, que há hiperventilação global. É possível que este aumento na ventilação global determine hiperventilação alveolar, mas nem sempre isso ocorre. Se a pessoa apresentar excessivo aumento no espaço morto (como se dá no enfisema pulmonar), poderá estar ocorrendo uma retenção de gás carbônico (hipoventilação alveolar). Nesse caso, apesar da hiperventilação global, está ocorrendo 84 renovação do ar principalmente nas bolhas enfisematosas, locais onde não ocorrem as trocas gasosas. Portanto,o critério seguro para a avaliar a ventilação alveolar é a PaCO2 (medida pela hemogasimetria arterial) e não o volume-minuto (medida clínicamente pelo produto freqüência respiratória x volume corrente). Do ponto de vista das trocas gasosas entre o sangue e o meio interno, o ar que importa é o ar alveolar. O volume de ar restante ventila as passagens respiratórias, mas as paredes destas não permitem trocas gasosas com o sangue; este é o ar de espaço morto, o ar de regiões pulmonares que estão "mortas" para as trocas gasosas. O ar alveolar e o ar do espaço morto se misturam consideravelmente durante a expiração, dificultando a determinação do ponto em que terminar o ar do espaço morto e passa a ser exalado o ar oriundo dos alvéolos. O sangue venoso que penetra nos capilares pulmonares absorve continuamente oxigênio do ar alveolar (é um "consumidor" de O2), ao mesmo tempo em que descarrega CO2para o mesmo ar alveolar; entretanto, a reposição do oxigênio consumido e eliminação do CO2acrescentado ao ar alveolar (isto é, a renovação do ar alveolar com ar fresco inalado) ocorre apenas de modo intermitente, não contínuo. A despeito disso, as concentrações de CO2e O2 no ar alveolar são mantidas consideravelmente constantes, uma vez que somente cerca de 10% de ar alveolar (350 ml em 3 500 ml de CRF) são renovados a cada ciclo respiratório. Dizemos por isso que a capacidade residual funcional (CRF) possui uma função "protetora" quanto à manutenção das tensões parciais desses gases respiratórios. Os ápices pulmonares são normalmente mais aerados (= expandidos) que as bases pulmonares. Isso porque, em-bora tanto o ápice quanto na base a pressão pleural seja negativa (= menor que a atmosférica), o peso do parênquima pulmonar faz com que ela seja menos negativa na base do que no ápice. Isso resulta numa maior expansão dos ápices pulmonares, que estão submetidos a uma pressão pleural mais negativa que as bases pulmonares. Como estão permanentemente mais expandidos que as bases, os ápices pulmonares recebem muito pouco ar adicional, de modo que a ventilação (= renovação) de ar alveolar é menor no ápice que nas bases. 8.3 Mioglobina 85 A mioglobina é uma hemoproteína citoplasmática de baixo peso molecular, encontrada tanto em músculo cardíaco como em periférico, sendo, portanto, inespecífica. Como é liberada rapidamente e com vida média curta, o que limita seu uso. Não é um marcador a ser utilizado para diagnóstico, principalmente por causa de sua inespecificidade (se eleva nas lesões musculares, além do cardíaco). No infarto do miocárdio, os níveis se encontram entre 0,15 e 0,5 microgramas/mL e se elevam antes da creatinoquinase. Presente no citoplasma dos músculos esquelético e cardíaco, a mioglobina é uma proteína de baixo peso molecular com estrutura semelhante à da hemoglobina, uma vez que tem também a capacidade de se ligar ao oxigênio. Seu teor no sangue aumenta sempre que há destruição muscular. Após uma lesão isquêmica da fibra muscular, a mioglobina é liberada precocemente na circulação, razão pela qual sua dosagem ajuda o médico no diagnóstico de infarto do miocárdio. Concentrações elevadas da proteína já podem ser observadas de uma a duas horas depois que a precordialgia começa, atingindo o pico em 12 horas e, em geral, normalizando-se 24 horas após um episódio único de isquemia. Essa curva, aliás, contribui para que a determinação seriada seja útil para detectar um novo infarto em pacientes com dor precordial recorrente. Convém ponderar que o aumento da mioglobina circulante não é específico de lesão cardíaca, ocorrendo igualmente em trauma da musculatura esquelética e na insuficiência renal, por exemplo. 8.4 Hemoglobina A hemoglobina é uma proteína presente nos eritrócitos (hemácias), constituindo aproximadamente 35% de seu peso. É um pigmento presente no sangue responsável por transportar o oxigênio, levando-o dos pulmões aos tecidos de todo o corpo. Além de transportar oxigênio, a hemoglobina também participa do processo de transporte de nutrientes a todas as células do corpo, processo este, no qual o sangue leva os nutrientes e recolhe as substâncias secretadas pelas células, conduzindo-as, posteriormente, para fora do organismo. Para se combinarem com o oxigênio, os eritrócitos precisam contê-lo em quantidade suficiente, e, isto, depende dos níveis de ferro presentes no organismo. A deficiência de ferro no organismo leva a um quadro conhecido como anemia. A hemoglobina é capaz de transportar oxigênio numa quantidade superior a vinte vezes seu volume. Entretanto, quando se une ao monóxido de carbono, ela perde sua capacidade de combinar-se com o oxigênio, o que implicará na perda de sua função e, conseqüentemente, em possíveis danos ao organismo. 86 Figura - Hemoglobina 8.5 Sistema hematopoético As células do sangue são temporárias, o que implica em produção e destruição constante destas mantendo o número de células circulantes estável e inalterado. Vários órgãos estão envolvidos no processo de produção, denominado hematopoese, e destruição, denominado hemocaterese ou hemólise. Em conjunto, estes órgãos compõem o sistema hematopoético- lítico, composto por: medula óssea, baço, linfonodos, timo, fígado, tubo digestivo e rins. O primeiro destes órgãos, a medula óssea, é o tecido existente no canal medular dos ossos longos e nas cavidades trabeculares dos ossos esponjosos, seu aspecto a olho nu faz com que seja classificada em dois tipos, vermelha ou hematopoeticamente ativa, e amarelaou gordurosa, hematopoeticamente inativa. A medula vermelha é predominante nos animais jovens e tem esta cor devido à grande quantidade de eritrócitos e seus precursores, ela é formada por dois compartimentos, o vascular e extravascular, sendo o extravascular onde ocorrem a eritropoese, a leucopoese e a trombocitopoese. A medula óssea também fornece células-tronco para os órgãos linfoides onde são produzidos e maturados os linfócitos. Além destas funções que compõem a hematopoese, a medula óssea também concentra células do sistema monocítico fagocitário que retira eritrócitos velhos da corrente sanguínea, fagocitando-os. Este sistema, denominado Sistema Monocítico Fagocitário (SMF), antigamente era chamado de sistema retículo endotelial, e é composto por diversas células derivadas do 87 monócito que se encontram esparramadas no organismo do animal. Em conjunto, estas células têm atributos fagocitários, cuja principal função é a hemólise fisiológica. Suas células são os monócitos circulantes, macrófagos livres e fixos do tecido conjuntivo e linfático, células de Küpffer do fígado, macrófagos alveolares, células da micróglia e macrófagos perivasculares dos sinusóides. Os órgãos linfáticos, como o baço e os linfonodos participam tanto da hematopoese quanto da hemocaterese, por participarem da formação dos linfócitos e concentrarem grande número de células do sistema monocítico fagocitário. O baço também armazena grande quantidade de eritrócitos. O timo, órgão linfático particularmente ativo na juventude, participa da maturação dos precursores linfoides e especialmente dos linfócitos T. Os linfócitos B não têm um local específico para a diferenciação nos mamíferos, ocorrendo em determinadas áreas dos órgãos linfáticos; nas aves, a bolsa de Fabrício tem esta função. O fígado atua na hematopoese e na síntese de hemoglobina acumulando substâncias como a vitamina B12, folato e ferro; além disso, sintetiza diversos fatores da coagulação, a albumina, e provavelmente é o local de produção do precursor da eritropoetina, hormônio sintetizado no rim e responsável pela eritropoese. Uma característica comum ao fígado e ao baço é o fato de que ambos participam da hematopoese na vida embrionária dos animais e ambos mantêm esta capacidade ao longo da vida do animal, podendo retomar esta atividade caso seja necessário. Indiretamente, o sistema digestivo também participa da hematopoese quando produzindo o ácido clorídrico, provoca a redução dos complexos de ferro trivalentes ou bivalentes tornado sua absorção mais fácil. Ele também produz um fator intrínseco que facilita a absorção da vitamina B12 e ainda possui locais na mucosa intestinal onde esta vitamina,o folato e o ferro são absorvidos nas quantidades necessárias. Os rins, como dito anteriormente, sintetizam a eritropoetina e também a trombopoetina, esta, responsável pela trombocitopoese. Os rins também participam da eliminação de parte da bilirrubina através da urina, outra parte é eliminada nas fezes. 8.6 Acidose e Alcalose O sangue funciona como uma solução-tampão, que evita que o seu pH sofra grandes alterações. O pH do sangue e dos fluidos extracelulares se mantém na faixa entre 7,35 a 7,45. Esse pH se deve ao fato de que as células de nosso corpo produzem 88 continuamente dióxido de carbono (CO2(aq)) como produto terminal do metabolismo. Parte desse CO2se dissolve no sangue, estabelecendo um equilíbrio iônico ácido carbônico/ hidrogenocarbonato (bicarbonato) (H2CO3(aq)/ HCO3-(aq)): CO2(aq)+ H2O(l) ↔ H2CO3(aq)↔ H+(aq)+ HCO3-(aq) É esse equilíbrio que mantém o pH do sangue em aproximadamente 7,4, tendo uma razão normal entre o HCO3-(aq)e o H2CO3 de 20:1, respectivamente. Se essa razão for alterada de alguma forma, pode causar sérios danos ao organismo, com profundas alterações metabólicas, podendo causar a morte. Por exemplo, se a quantidade de HCO3-(aq) aumentar muito em relação a H2CO3(aq), o pH do sangue da pessoa irá subir e teremos um caso de alcalose. Na maioria dos casos, isso se dá em virtude de uma respiração muito rápida, o que diminui a quantidade de CO2no organismo, deslocando o equilíbrio químico para a esquerda e diminuindo a quantidade de H+(aq)(por isso que o pH aumenta). Além de crises de ansiedade e histeria, que levam a pessoa a respirar muito, outras causasda hiperventilação que levam à alcalose podem ser: uso de drogas, febre alta, exercícios físicos em excesso, cirroses, overdose de aspirina, doenças pulmonares e, principalmente, no caso de alpinistas, pois a baixa pressão parcial do gás oxigênio na atmosfera em razão da altitude provoca o aumento da ventilação pulmonar e a perda excessiva de CO2. Os sintomas da alcalose são respiração ofegante, entorpecimento, rigidez muscular e convulsões. O contrário também pode ocorrer e é até mais comum. Quando o pH do sangue está abaixo da faixa normal, ocorre a acidose. Sua principal causa é a respiração reduzida, o que aumenta a concentração de CO2 no organismo. Algumas situações que podem levar à acidose respiratória, são elas: asma, pneumonia, enfisema, inalação de fumaça, ingestão de drogas, bronquite, alterações no sistema nervoso central, lesão no sistema respiratório e obstrução das vias aéreas. Os principais sintomas da acidose são: falta de ar, diminuição ou supressão da respiração, desorientação com possibilidade de coma. Além da respiratória, existem outros tipos de acidoses, tais como a metabólica e a urêmica. Acidose e alcalose são estados anormais resultantes de excesso de ácidos ou de bases no sangue. O pH normal do sangue deve ser mantido dentro de uma faixa estreita (7,35-7,45) 89 para o funcionamento adequado dos processos metabólicos e para a liberação de quantidades corretas de oxigênio nos tecidos. Acidose é um excesso de ácido no sangue, com pH abaixo de 7,35, e alcalose é um excesso de base no sangue, com pH acima de 7,45. Muitos distúrbios e doenças podem interferir no controle do pH do sangue, causando acidose ou alcalose. O metabolismo gera grandes quantidades de ácidos que precisam ser neutralizados ou eliminados para manter o equilíbrio ácido-base. A maior parte é constituída por ácido carbônico, formado pela reação entre dióxido de carbono (CO2) e água. São produzidos também, em menor quantidade, ácido lático, cetoácidos e outros ácidos orgânicos. Pulmões e rins são os principais órgãos envolvidos na regulação do pH do sangue. Os pulmões retiram ácido do corpo eliminando CO2. Variações da frequência respiratória mudam a quantidade de CO2 expirado e podem alterar o pH do sangue em segundos ou em minutos. Os rins excretam ácidos na urina e regulam a concentração de bicarbonato (HCO3-), uma base, no sangue. Alterações de pH devidos a aumento ou diminuição do HCO3- no sangue ocorrem mais devagar que alterações do CO2, e podem demorar horas ou dias. Os dois processos estão sempre em ação e mantêm um controle estrito do pH sanguíneo. Sistemas tampões, que resistem a alterações do pH, também contribuem para a regulação. Os principais tampões no sangue são a hemoglobina (nas hemácias), as proteínas plasmáticas, os bicarbonatos e os fosfatos. As quantidades absolutas de ácidos e de bases têm importância menor que o equilíbrio entre elas na manutenção do pH (veja Figura abaixo). Acidose ocorre quando o pH cai abaixo de 7,35, e pode ser causada pelo aumento da produção ou diminuição da excreção de ácidos, ou aumento da excreção de bases.Alcalose ocorre quando o pH ultrapassa 7,45, e pode ser provocada pela perda de ácidos com vômitos prolongados oudesidratação, administração venosa ou ingestão de bases, ou hiperventilação (por aumento da eliminação de ácido sob a forma de CO2). Qualquer doença ou problema que afete os pulmões, os rins ou o metabolismo pode causar acidose ou alcalose. O equilíbrio normal entre ácidos e bases é representado na Figura. Figura 6 – Exemplo equilíbrio normal ácido e base 90 Figura : Torneiras e drenos Pontos importantes: •O pH normal no sangue está entre 7,35 e 7,45. •O corpo procura o equilíbrio constante entre ácidos e bases ingeridos ou produzidos (torneira aberta) e ácidos e bases eliminados (dreno aberto). •Desequilíbrios causam acidose (excesso no tanque de ácidos) ou alcalose (excesso no tanque de bases). •O equilíbrio pode ser restaurado aumentando a eliminação (drenagem mais rápida) e/ou diminuindo o fluxo de entrada (fechando a torneira). Os distúrbios ácido-base dividem-se em duas categorias: •Os resultantes de alterações da concentração de CO2 no sangue são chamados acidose respiratória (pH baixo) e alcalose respiratória (pH alto). Distúrbios ácido-base respiratórios são resultantes de doenças pulmonares ou problemas que afetam a respiração. •Os distúrbios que têm influência na concentração de HCO3- são chamados acidose metabólica (pH baixo) e alcalose metabólica (pH alto). Distúrbios ácido-base metabólicos podem ser causados por doenças renais, alterações eletrolíticas, vômitos ou diarreia intensos, ingestão de algumas substâncias ou doenças que afetam o metabolismo, como diabetes. 8.7 Alpinismo e alcalose respiratória 91 A alcalose pode acontecer também quando alpinistas, por exemplo, atingem altitudes muito elevadas. Nesses lugares, a pressão atmosférica é menor, e a baixa pressão parcial do oxigênio aumenta a ventilação pulmonar, levando à perda excessiva de CO2. Os principais sintomas da alcalose são: respiração ofegante, entorpecimento, rigidez muscular e convulsões. 8.8 infecções pulmonares Infecção pulmonar pode ser de origem bacteriana, viral ou fúngica. Certos parasitas também podem afetar a saúde do pulmão sério. As infecções bacterianas são mais comuns do que as infecções virais ou por fungos. Infecções virais não precisam de qualquer medicação. Elas ficam curadas por conta própria depois de correr o seu curso. Tosse, dor de garganta, falta de ar (dispnéia), dor no peito e febre são os sintomas comuns de infecção pulmonar. As infecções bacterianas são tratadas com antibióticos. As infecções são ainda classificadas e nomeadas de acordo com o tipo de bactéria que os pulmões atacam ou de acordo com a parte do pulmão que é afectada. Aqueles que fumam são mais propensos a sofrer de infecções pulmonares. Diferentes tipos de infecção pulmonar Tuberculose: A tuberculose é um exemplo de infecção pulmonar bacteriana. Esta doença tem sido dizimada por parte dos países ricos e desenvolvidos, mas ainda mata várias pessoas nos países pobres. Verde tosse ou expectoração sanguinolenta, dificuldade respiratória são alguns sinais de tuberculose. Isso resulta em perda de peso, tônus muscular e pele escamosa seca. Os pacientes são obrigados a tomar medicamentos ao longo de meses ou anos. Aqueles que acompanham os pacientes também são tratados a fim de evitar infecções. Pleurisia: O revestimento dos pulmões é conhecido como pleura. Quando há uma infecção no seu revestimento, a condição é denominada como pleurisia. É causada por infecção viral ou pneumonia. Dor no peito, dificuldade para respirar são os sintomas comumente observados. Pneumonia: Quando os sacos de ar nos pulmões tornam-se cheios de líquido, devido a uma infecção, a condição é chamada como pneumonia. A infecção pode ser viral ou bacteriana. Muitos pacientes sofrem de pneumonia após gripe. Os pacientes necessitam de antibióticos, se a infecção é a infecção bacteriana. Produção de inflamação, de muco, dificuldade em respirar, dor no peito ao respirar, tosse, febre muito alta, calafrios e congestão no peito são os 92 sintomas comuns. Dor muscular, fadiga também são sentidas pelos pacientes de pneumonia. Este é um dos tipos comuns de infecção nos pulmões. A bactéria chamada legionella causa a doença do legionário, que é considerada como um tipo grave de pneumonia. Fumantes, idosos (aqueles que têm sistemas imunológicos fracos) são mais suscetíveis a esse tipo de infecção. Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS): Surtos de certos tipos de infecções pulmonares são observados, ocasionalmente, em diferentes partes do mundo. SARS está entre eles, embora seja um tipo de pneumonia. SARS é altamente contagiosa. A tosse convulsa, febre alta, dor de cabeça e desconforto geral são experimentadas pelos pacientes. Cerca de 8000 pessoas pegaram esta infecção em 2003 e mais de 700 pessoas perderam suas vidas. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, pieira são os principais sintomas de infecção pulmonar que necessitam de atenção médica imediata. Bronquite: No caso de bronquite, a passagem de ar a partir da traqueia para os pulmões fica irritada. Fumantes são mais propensos a sofrer de bronquite do que os não-fumantes. A bronquite crônica pode levar a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Os pacientes de bronquite crônica têm tosse por ano. Inflamação do tubo de vento para os pulmões leva a grave desconforto. O muco é espesso, amarelo e verde. MRSA infecção pulmonar: É um tipo raro de infecção. A pele pode virar seca, vermelha, irritada, inchada e com coceira devido a esta infecção. Às vezes, solavancos preenchidos com pus são notados na pele. Contato pele a pele pode espalhar esta infecção. Ela pode levar a infecções do trato urinário. Os pacientes podem sentir arrepios, febre, tosse, falta de ar, cansaço e dor muscular. Pseudomonas de infecção pulmonar: Pacientes seriamente doentes são propensos a este tipo de infecção pulmonar. Ela pode levar à inflamação de alguns tecidos no cérebro. Isso pode resultar em dor de cabeça, paralisia facial, infecções de ouvido, afetando a capacidade auditiva. Em infecções virais graves, os lábios e unhas podem ficar azuis. A desidratação é também um dos principais sintomas de infecção pulmonar. A infecção pode levar a infecções do ouvido. Alguns podem apresentar irritação da pele em caso de infecções bacterianas. Candida como infecção causada por um fungo apresenta os mesmos sintomas exibidos por outros tipos de infecções pulmonares. Em alguns casos graves, a remoção cirúrgica da massa muito grande de fungos torna-se uma parte essencial do tratamento. Se a dor de garganta não é curada dentro de alguns dias, ou se você não é capaz de se livrar de tosse depois de uma semana , 93 então você deve submeter-se a testes adequados. A detecção precoce da infecção pulmonar aumenta as chances de recuperação rápida. 8.9 Abscessos O abcesso pulmonar resulta da passagem das bactérias da cavidade oral para o tecido pulmonar. Estes doentes apresentam particular tendência para pneumonias de aspiração, tendo com frequência doença periodontal, nomeadamente gengivite. São as bactérias anaeróbias existentes na cavidade oral a causa mais frequente de abcessos pulmonares. Outros agentes infeciosos, aeróbios, podem também causar abcessos pulmonares, embora menos frequentemente. São habitualmente infeções mais agressivas, associadas a pneumonia bacteriana, com necessidade de terapêutica urgente, surgindo a cavidade à medida que se desenvolve o processo de necrose do tecido pulmonar. Dentro destes incluem-se os Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes,Haemophylus influenzae, Streptococcus pneumonia), Klebsiella, entre outros. O quadro clínico é variável, dependendo dos antecedentes do doente, da gravidade e extensão da doença e do microrganismo implicado. Os doentes com abcessos pulmonares por agentes bacterianos anaeróbios apresentam sintomas discretos que podem evoluir durante semanas ou meses, tendo habitualmente doença gengival associada. Estes sintomas podem assemelhar os da tuberculose pulmonar. Os principais sintomas são febre ao final do dia, com temperatura axilar de cerca de 37°-37,5°C, suores noturnos, tosse inicialmente seca e depois produtiva, dificuldade respiratória, dores torácica, perda de apetite e emagrecimento. A expetoração tem habitualmente cheiro fétido e causa um paladar desagradável. Podem surgir sangue na expetoração e pleurisia, em caso de rotura do abcesso para os brônquios ou para a cavidade pleural, respetivamente. 8.10 Falar da vida do povo no aspecto pulmonar O pulmão é um órgão de forma piramidal, de consistência esponjosa, cor-de-rosa, localizado na caixa torácica e recoberto por uma membrana protetora chamada pleura. O corpo humano possui dois pulmões, divididos em segmentos chamados de lobos; o pulmão esquerdo tem dois lobos e o direito, três. O direito é mais espesso e mais largo que o esquerdo e também um pouco mais curto Funções dos pulmões 94 São duas as principais funções dos pulmões: •Oxigenar o sangue; •Eliminar o dióxido de carbono. •Como sei que os meus pulmões não estão funcionando bem A presença frequente de sintomas como dor no peito constante, falta de ar, fadiga, padrão respiratório anormal, perda de peso e falta de apetite são sintomas de deficiência na função pulmonar. Principais doenças do pulmão •Atelectasia (colapso de um segmento do pulmão); •Pneumonia; •Doença pulmonar obstrutiva crônica; •Bronquiectasia (dilatação irreversível dos brônquios); •Enfisema; •Asma. Como cuidar bem dos pulmões Para manter os pulmões saudáveis, evitando danos irreversíveis para a função pulmonar, é imprescindível: •Eliminar a exposição à fumaça do tabaco; •Evitar alérgenos (substância capaz de desencadear uma reação alérgica), poluentes ambientais e a exposição ao asbesto (amianto); •Evitar imobilidade física prolongada. Exames que identificam problemas nos pulmões •Espirometria; •Radiografia de Tórax; •Tomografia computadorizada, entre outros. Que profissional de saúde se deve procurar O clínico geral ou o pneumologista (médico clínico especialista em pulmão) pode diagnosticar, prevenir e tratar as doenças pulmonares. 95 O que é um transplante de pulmão O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na transferência de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de um indivíduo para outro, a fim de compensar ou substituir uma função perdida. Sendo assim, no transplante de pulmão se implanta um pulmão sadio em um indivíduo portador de doença pulmonar terminal. Esse novo pulmão passará a desempenhar as funções que os pulmões doentes não conseguem mais manter. Um transplante pulmonar pode envolver um ou ambos os pulmões, se for de doador falecido e apenas um, se for de doador vivo. Na maior parte dos casos apenas um pulmão é transplantado. Quando é necessário um transplante de pulmão O transplante de pulmão só é indicado para pessoas com prejuízo grave e irreversível das funções do órgão. Fibrose pulmonar primária ou secundária, doença pulmonar obstrutiva crônica, bronquiectasias, hipertensão pulmonar e fibrose cística representam as indicações mais frequentes. Como funciona a seleção de receptores Para receber um órgão, o potencial receptor deve estar inscrito em uma lista de espera, respeitando-se a ordem de inscrição, a compatibilidade e a gravidade de cada caso. A lista é única por estado ou por região e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e por órgãos de controle federais. Isso impossibilita que uma pessoa conste em mais de uma lista, ou que a ordem legal não seja obedecida. Se existe um doador elegível (com morte encefálica confirmada), e após autorização da família para que ocorra a retirada dos órgãos, a Central de Transplantes emite a lista dos potenciais receptores e informa as respectivas equipes de transplante que os atende. Em quanto tempo serei transplantado O tempo de espera por um transplante depende de diversos fatores, como das características genéticas do potencial receptor e do seu estado de saúde, entre outros. O tempo médio de espera para os transplantes de pulmão ocorridos em 2014 foi de 10 meses, para pacientes não priorizados. Como acompanhar a situação na lista de espera A situação do potencial receptor de pulmão no cadastro técnico único do Ministério da Saúde pode ser consultada no endereço eletrônicohttps://snt.saude.gov.br/consulta/consultareceptorPU.aspx, ou clicando aqui (para inscritos no estado de São Paulo, acesse o endereço http://ctxses.saude.sp.gov.br/consulta/consultareceptorpu.aspx). Após preencher os dados, clique na lupa para acesso ao prontuário. 96 Qual a sobrevida média da pessoa transplantada O sucesso do transplante depende de inúmeros fatores, como a causa da doença, as condições de saúde do paciente, entre outras. Com os recursos atuais de novos medicamentos e de técnicas aprimoradas, a sobrevida dos transplantados de pulmão tem sido cada vez maior. O valor médio aproximado de sobrevida, depois de cinco anos, é de 60% para o enxerto e para o paciente, Como será a minha vida após o transplante O mais próximo possível do normal, visto que o transplante não é cura, mas sim um tratamento que pode prolongar a vida com uma melhor qualidade. Muito embora a compatibilidade entre doador e receptor seja testada antes de um transplante, depois do transplante as consultas periódicas de acompanhamento são obrigatórias. A prescrição de medicamentos imunossupressores é obrigatória e de forma permanente. Em casos de rejeição, poderá ser oferecido um novo transplante ao paciente. 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