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Instituto Babcock para Pesquisa e Desenvolvimento da Pecuária Leiteira Internacional

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Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
1
1) PROCESSO DIGESTIVO NA VACA DE LEITE
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
W. Terry Howard
Department of Dairy Science
INTRODUÇÃO
Vacas e outros animais como ovelhas,
búfalos, camelos, e girafas são classificados
como herbívos pois sua dieta é composta
principalmente de material vegetal. Muitos
herbívoros são ruminantes. Animais
ruminantes podem ser reconhecidos
facilmente devido a o s frequêntes
movimentos de mastigação mesmo quando
não estão comendo. Esta atividade de
mastigação é chamada de ruminação, e faz
parte de um processo digestivo que permite
com que estes animais consigam obter
energia contida nas paredes celulares das
plantas na forma de fibras.
ADAPTAÇÃO PARA UTILIZAR FIBRAS E
NITROGÊNIO NÃO PROTÉICO
A fibra é uma estrutura que dá resistência
e rigidez as plantas e é o principal
constituinte do caule das plantas. Açúcares
complexos (celulose, hemicelulose) estão
localizados dentro da parede cellular das
plantas e permanecem inacessíveis para os
animais que não são ruminantes. Contudo,
a população de micróbios que vivem no
retículo e no rúmen (Figura 1) permitêm
com que os ruminantes possam utilizar a
energia contida nas fibras.
O nitrogênio necessário na dietas das
vacas têm origem nos aminoácidos que são
encontrados em proteínas e outras fontes de
Figura 1: O sistêma digestivo da vaca é composto de quarto estômagos. O rumen é o maior dos
estômagos e esta representado com setas que indicam o movimento do alimento no seu interior.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
2
nitrogênio não proteicos (NNP). Compostos
com nitrogênio não proteico não podem ser
utilizados por não ruminantes, mas podem
ser utilizados pelas bactérias ruminais para
a síntese proteica. A maioria dos
aminoácidos disponíveis para os bovinos
são produzidos pelas bactérias no rúmen.
OS QUATRO ESTÔMAGOS
Retículo e rúmen
O retículo e o rúmen são os dois primeiros
estômagos dos ruminantes. O conteúdo
alimentar no retículo se mistura com o
conteúdo do rúmen quase continuamente
(cerca de uma vez por minuto). Ambos
estômagos, frequentêmente chamados de
retículo-rúm e n , contém uma densa
população de microorganismos (bactérias,
protozoários, e fungos).
O rúmen é um saco que contém cerca de
100 a 120 kg de material vegetal sob
processo digestivo. As partículas fibrosas
permanecem no rúmen de 20 a 48 horas
pois a fermentação das fibras pelas
bactérias é um processo relativamente
demorado. Contúdo, algumas partículas
são digeridas mais rapidamente tendem a
ficar no rúmen por um período mais curto
de têmpo.
O retículo é uma “estrada de passagem”
onde as partículas que entram e saem do
rúmen são selecionadas. Somente partículas
de menor tamanho (<1–2 mm) e com alta
densidade (> 1.2 g/ml) vão para o terceiro
estômago.
Omaso
O terceiro estômago ou omaso (Figura 1)
têm cerca de 10 litros de volume. O omaso
é um orgão relativamente pequeno com
uma alta capacidade de absorção. Ele
também permite a recliclagem da água e
minerais como o sódio e o fósforo que
retornam ao rúmen pela saliva. O processo
digestivo que acontece no retículo é
diferente do processo digestivo que
acontece no rúmen; e o omaso funciona
como um orgão de transição entre estes
dois orgãos. Contudo, o omaso não é um
orgão essencial, pois camelos, lhamas e
alpacas não possuem o omaso
(pseudoruminantes).
Abomaso
O abomaso é o quarto estômago do
ruminante. Este estômago é parecido com o
estômago de não ruminantes. O abomaso
secreta um ácido forte (HCL) e também
outras enzimas digestivas. Em não
ruminantes, os alimentos ingeridos são
digeridos inicialmente no abomaso.
Contudo, o material que entra no estômago
de ruminantes é feito principalmente de
partículas alimentares não fermentadas,
subprodutos da fermentação microbiana e
micróbios que crescem no rúmen.
AS BACTÉRIAS DO RÚMEN
O rúmen fornece o ambiênte propício e
fonte alimentar para o crescimento e
reprodução dos micróbios. A ausência de ar
(oxigênio) no rúmen favorece o crescimento
de algumas bactérias em particular, e
algumas delas conseguem degradar a
parede celular das plantas (celulose) em
simples açúcares (glicose). Os micróbios
fermentam a glucose para obter energia
para crescer e durante o processo de
fermentação eles produzem ácidos graxos
voláteis (AGV). Os AGV atravessam a
parede ruminal os quais são a principal
fonte de energia da vaca. 
Tabela 1: Utilização de varias fontes de energia e
nitrogênio em ruminantes e em não ruminantes.
Exemplo
de
alimento
Não-
rumante Ruminante
Energia
Açúcar Melaço + +
Amido Tubérculo + +
Celulose Fibras 0 ±
Nitrogênio
NNP1 Uréia 0 +
Proteína Soja + +
1 NNP = nitrogênio não proteico.
+ completamente disponível, ± parcialmente disponível,
0 não disponível.
1—Processo Digestivo na Vaca de Leite
3
OS ORGÃOS DO TRATO DIGESTIVO E SUAS FUNÇÕES
1 – Ruminação (quebra de partículas) e produção de saliva
(regulador de pH)
• A ruminação reduz o tamanho das fibras e expõe seus
açúcares à fermentação microbiana.
• Quando a vaca rumina de 6 a 8 horas por dia ela produz
cerca de 170 litros de saliva; contudo, se a ruminação não for
estimulada (ex: muito concentrado na dieta) ela produz
somente cerca de 40 litros de saliva.
• Os tampões da saliva (bicarbonatos e fosfatos) neutralizam
os ácidos produzidos pela fermentação microbiana e mantém
o pH ruminal levemente ácido o que favorece a digestão das
fibras e o crescimento microbioano no rúmen.
2 – Retículo-rúmen (fermentação)
• A retenção de partículas longas na forragem estimulam a
ruminação.
• A fermentação microbiana produz: 1) ácidos graxos voláteis
(AGV) como produtos finais da fermentação da celulose e
outros açúcares e 2) uma massa microbiana rica em proteínas
de alta qualidade.
• A absorção dos AGV ocorre através da parede ruminal. Os
AGV são utilizados como fonte de energia para a vaca e
também para a síntese da gordura do leite (triglicerídeos) e
do açúcar do leite (lactose).
• Produção e expulsão de aproximadamente 1.000 litros de
gases por dia.
3 – Omaso (recicla alguns nutrientes)
• Absorção de água, sódio, fósforo ácidos graxos voláteis
residuais.
4 – Abomaso (digestão ácida)
• Secreção de enzimas digestivas e ácidos fortes.
• Digestão de alimentos não fermentados no rúmen (algumas
proteínas e lipídeos).
• Digestão de proteína bacteriana produzida no rúmen (de 0.5
a 2.5 kg por dia).
5 – Intestino delgado (digestão e absorção)
• Secreção de enzimas digestivas produzidas pelo pelo
intestino delgado, fígado e pâncreas.
• Digestão enzimática de carboidratos, proteínas e lipídeos.
• Absorçaõ de água, minerais e produtos da digestão: glicose,
amino ácidos e ácidos graxos.
6 – Ceco (fermentação) e intestino grosso
• Uma pequena população microbiana fermenta os produtos
da digestão que não foram absorvidos.
• Absorção de água e formação das fezes.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
4
Durante o crescimento dos micróbios no
rúmen, eles sintetizam aminoácidos, as
unidades formadoras das proteínas. As
bactérias podem utilizar amônia ou uréia
como fonte de nitrogênio para a produção
de aminoácidos. Se isso não ocorresse, a
amônia e a uréia não poderiam ser
utilizadas por ruminantes. Contudo, as
proteínas bacterianas sintetizadas no rúmen
são digeridas no intestino delgado e
constituem a fonte principal de
aminoácidos para a vaca.
ALGUMAS DEFINIÇÕES
A Absorção é a passagem de produtos de
digestão e outros compostos simples do
intestino delgado para o sangue.
Os Tampões são compostos secretados pela
saliva ou adicionados na dieta que ajudam
a manter a estabilidade ruminal, e
promovem a digestão de alimentos e
crescimento bacteriano.A Digestão é o primeiro passo de uma
série de processos que quebram partículas
complexas (alimento e micróbios) em
substâncias simples que podem ser
utilizadas pelo corpo. Um ácido forte e
muitas enzimas digestivas são secretadas
no trato digestivo para digerir o alimento.
O Metabolismo se refere às mudanças que
os produtos absorvidos na digestão sofrem
durante sua utilização pelo corpo. Os
nutrientes podem ser pelos tecidos do
corpo para a obtenção de energia para a
manutenção dos tecidos vitais, e para
outras tarefas (comer, andar, ruminar, etc.).
Os nutrientes também podem ser utilizados
como precursors para a síntese de tecidos
(músculo, gordura) e no caso das vacas de
leite, para a síntese do leite.
RECADOS FINAIS
• Os animais ruminantes podem utilizar uma variedade maior de fontes alimentares que os
animais não ruminates. Os micróbios do retículo-rúmen permitem com que os ruminantes
transformem fibras em alimento (forragens, resíduos de plantio e sub-produtos
industriais) e nitrogênio não proteico (amônia, uréia) em alimentos altamente nutritivos e
palatáveis para humanos (leite, carne).
• Os alimentos fibrosos são necessários para a saúde da vaca poise les mantém a ruminação
e a produção de saliva que são necessários para o correto funcionamento do rúmen e para
a obtenção de uma população bacteriana adequada no rúmen.
• Uma vaca pode comer forragens (alimentos de pouca energia) e concentrados (alimentos
de alta energia). Contudo, a adição de grandes quantidades de concentrados na dieta deve
ser gradual (maior que um período de 4 a 5 dias) para permitir que a população bacteriana
no rúmen se adapte à nova dieta.
• As fezes de ruminantes são ricas em material orgânica e inorgânica, e podem servir como
excelentes fertilizantes.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
5
2) COMPOSIÇÃO E ANÁLISE DE ALIMENTOS
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
INTRODUÇÃO
Os alimentos contém nutrientes que são
usados para atender os requerimentos dos
animais. A maioria dos alimentos para
vacas de leite consiste em caules, folhas,
sementes e raizes de várias plantas. As
vacas também podem ser alimentadas com
sub-produtos industriais (farelos, melaço,
resíduo de cervejaria, etc.) e estas dietas
normalmente precisam ser suplementadas
com pequenas quantidades de vitaminas e
minerais. Os alimentos para bovinos
leiteiros são classificados como:
• Forragem;
• Concentrado;
• Suplemento proteico;
• Suplemento (vitamina e mineral).
Esta classificação é um pouco discutível,
mas ela se baseia no valor nutricional do
alimento. Os Nutrientes são substâncias
químicas necessárias para a manutenção,
crescimento, produção, reprodução e saúde
do animal. Existem cinco categorias de
nutrientes:
• Água;
• Energia (carboidratos, proteínas, lipídeos);
• Proteína (compostos nitrogenados);
• Minerais;
• Vitaminas.
Os alimentos também podem conter
substâncias sem valor nutritivo (Figura 1).
Alguns compostos têm estruturas
complexas as quais não são digeríveis e
podem iinterferir na digestão de alguns
nutrientes (ex: lignina, tanino). Além disso,
certas plantas contém toxinas que podem
ser prejudiciais para a saúde do animal.
A COMPOSIÇÃO DOS ALIMENTOS
Água e matéria seca
Quando os alimentos são colocados em
um forno com temperature de 105°C por 24
horas, a água (H20) evapora e o material
restante é chamado de matéria seca . Os
alimentos contém quantidades variadas de
água. Em estágios imaturos do crescimento,
a maioria das plantas contém cerca de 70 a
80% de água (20 a 30% de matéria seca).
Contudo, as sementes contém apenas 8 a
10% de água (90 a 92% de matéria seca). A
quantidade de água nos alimentos
normalmente não é motivo de preocupação.
Vacas lactantes bebem cerca de 4 a 5 kg de
água para cada kg de matéria seca que elas
comem. Os bovinos leiteiros precisam ter
acesso à água limpa e fresca durante a
maior parte do dia.
A material seca contém todos os
nutrientes (exceto água) que são necessários
para os bovinos. A concentração de
nutrientes nos alimentos normalmente são
expressos com base na quantidade de
matérioa seca (MS) ao invés da matéria
verde (MV), pois:
• A quantidade de água nos alimentos
pode variar, portanto, o valor nutritivo
de diferentes alimentos pode ser
comparado mais facilmente quando a
concentração é expressa com base na
matéria seca.
• Quando expressa em material seca, a
concentraçaõ de nutrientes dos
alimentos pode ser comparada
diretamente com a concentração de
nutrientes necessários da dieta das
vacas.
A matéria orgânica e minerais
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
6
A matéria seca dos alimentos pode ser
classificada em matéria orgânica e matéria
inorgânica. Compostos que contém carbono
(C), hidrogênio (H), oxigênio (O) e
nitrogênio (N), são classificados como
orgânicos. Os compostos inorgânicos ou
minerais (cálcio, fósforo etc.)representam
um grupo químico diferente. Quando um
alimento é colocado em um forno a 550°C
por 24 horas, a matéria orgânica é
queimada e o que resta são os minerais ou
cinzas. Em plantas, a fração mineral varia de
1% a 12%. As forragens normalmente
contém mais cinzas que sementes e grãos.
Os sub-produtos animais derivados de
ossos pode conter cerca de 30% de minerais
(principalmente cálcio e fósforo). Os
minerais são frequentemente classificados
como macro- ou micro-minerais (Tabela 1).
Esta distinção se baseia somente na
quantidade necessária pelos animais.
Alguns minerias são possivelmente
essenciais (ex: bário, bromo, niquel) e
outros podem ter efeitos negativos na
digestibilidade dos alimentos (ex: sílica).
Nutrientes nitrogenados
O nitrogênio esta presente em proteínas e
outros compostos da matéria orgânica dos
alimentos. As proteínas são compostas de
uma ou várias cadeias de aminoácidos.
Uma sequência de 20 aminoácidos
encontra d o s n a s proteínas são
determinadas pelo código genético. Esta
sequência determina a estrutura e a função
de cada proteína no corpo. Existem
aminoácidos essenciais e não essenciais. Em
oposição aos aos aminoácidos essenciais
que podem ser sintetizados pelo organismo,
os aminoácidos essenciais precisam estar
presentes na dieta, pois o organismo é
incapaz de sintetiza-los.
Quando o nitrogênio não faz parte de da
estrutura de proteínas, como no caso da
uréia e da amônia, ele é chamado de
nitrogênio não proteico (NNP). O
nitrogênio não proteico não têm valor
nutritivo para animais de estômagos
simples. Contudo, em ruminantes, o NNP
pode ser utilizado pela flora ruminal na
síntese de aminoácidos e proteínas que
serão úteis para o animal.
Um químico dinamarquês, J.G. Kjeldhal,
desenvolveu um método para a
quantificação do nitrogênio em 1893. Em
média, as proteínas contém cerca de 16% de
nitrogênio. Portanto, a porcentagem de
proteína em um alimento é normalmente
calculada como a quantidade de nitrogênio
multiplicada por 6.25 (100/16 = 6.25). Esta
medida é chamada de proteína bruta (PB). A
palavra “bruta” se refere ao fato de que
nem todo o nitrogênio de um alimento esta
na forma de proteína. Frequentemente, a
proteína bruta superestima a quantidade de
proteína verdadeira (PV) do alimento. A
porcentagem de proteína bruta nas
forragens pode variar de 5% (resíduos de
plantio) a 20% (leguminosas de boa
qualidade). Os farelos de grãos podem
conter de 30 a 50% de PB e sub-produtos
animais podem conter mais de 60% de PB.
Nutrientes energéticos
A energia disponível nos alimentos para o
animal não pode ser quantificada por uma
simples análise laboratorial. A melhor
maneira de medir esta energia é por meio
de experimentações. No corpo, o carbono
(C), o hidrogênio (H) e o oxigênio (O) dos
carboidratos, lipídeos e proteínas pode ser
convertido em água (H2O) e dióxido de
carbono(CO2) com a libração de energia. A
megacaloria (Mcal) é frequentemente
utilizada como medida de energia, mas o
Joule (J) é a unidade oficial para a medida
de energia. Nos aliemntos para vacas de
leite, a energia é expressa em Mcal ou
Energia Líquida para a Lactação (NEl).
Tabela 1: Minerais necessários na dieta de
ruminantes e seus símbolos químicos.
Macro
minerais
Símbolo
químico
Micro
minerais
Símbolo
químico
Cálcio Ca Iodo I
Fósforo P Ferro Fe
Magnésio Mg Cobre Cu
Sódio Na Cobalto Co
Potássio K Manganês Mn
Cloro Cl Molibdênio Mo
Enxofre S Zinco Zn
Selênio Se
2—Composição e Análise de Alimentos
7
Esta unidade representa a quantidade de
energia em um alimento que esta
disponível para a manutenção do peso
corporal e pela produção de leite. Por
exemplo, são necessárias 0.74 Mcal NEl para
produzir 1 kg de leite; sendo que a energia
nos alimentos varia de 0.9 a 2.2 Mcal of
NEl/kg de matéria seca.
Os lipídeos e outras substâncias da
família das gorduras são medidos por um
método chamado de extração pelo éter (EE)
e normalmente estes compostos produzem
cerca de 2.25 vezes mais energia que
Figura 1: A composição dos alimentos e análises laboratoriais de rotina.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
8
carboidratos. Contudo, a maioria da energia
das forragens e de concentrados se origina
dos carboidratos. Os alimentos para vacas
normalmente contém menos de 5% de
lipídeos, mas cerca de 50 a 80% de
carboidratos. Existem três tipos principais
de carboidratos nas plantas:
• Açucares simples (glicose, frutose);
• Carboidratos de reserva (amido) ou
também chamados de carboidratos não
estruturais, não fibrosos, ou
carboidratos presentes fora da parede
celular;
• Carboidratos estruturais também
chamados de carboidratos fibrosos ou
de parede celular (celulose e
hemicelulose).
A glicose é encontrada em grandes
quantidades em certos tipos de alimentos
(melaço, soro de leite). O amido é o
principal componente de grãos de cereais
(trigo, cevada, milho, etc.). A celulose e a
hemicelulose s ã o p r i n c ipalmente
encontradas nos caules das plantas. O
amido e a celulose são feitos de longas
cadeias de glicose. A ligação entre as
moléculas de glucose no amido podem ser
quebradas facilmente, mas na cellulose
estas ligações resistem às enzimas
degestivas de animais superiores. Contudo,
as bactérias ruminais possuem enzimas que
podem extrair a glicose contida nas fibras.
A celulose e a hemicelulose estão
associadas com a lignina (um composto
fenólico) na parede celular. A quantidade
de fibras (ex: parede celular) nos alimentos
têm um papel importante no seu valor
nutricional. Em geral, quanto menos fibra,
maior é o valor energético de uma
forragem. As fibras na forma de partículas
grandes são necessárias na dieta das vacas
pois:
• Estimulam a ruminação, que é
necessária para manter o processo
digestivo e a saúde do animal;
• É essencial para evitar a diminuição da
porcentagem de gordura do leite.
Em muitos países, a fibra bruta ainda é o
método official para medir a quantidade de
fibra de um alimento, mas a fibra
detergente neutra (FDN) é um método
laboratorial mais recente que pode estimar
de uma maneira mais acurada a quantidade
de celulose, hemicelulose e lignina nos
alimentos. A potencial capacidade de
ingestão de um alimento pela vaca é
inversamente proporcional à quantidade de
FDN do alimento. Além disso, a fibra
detergente ácida (FDA) que quantifica a
quantidade de celulose e lignina, é um bom
indicador da digestibilidade de uma
forragem. Os açucares presentes na FDN e
na FDA são fermentadas mais
vagarosamente pelas bactérias ruminais,
mas o material que se encontra fora da
parede celular (c o mpostos solúveis como
açucares simples, e algumas proteínas),
normalmen t e s ã o r a p i damente
fermentadas.
A porcentagem de carboidratos não
fibrosos (CNF) em um alimento é
normalmente calculado levando-se em
conta as cinzas, proteína bruta, extrato
etéreo e o FDN:
CNF = 100 – (cinzas + PB + EE + FDN).
Vitaminas
A quantidade de vitaminas nos alimentos
não é calculada normalmente, mas as
vitaminas em pequena quantidade são
essenciais para a manutenção da saúde. As
vitaminas são classificadas em vitaminas
hidrosolúveis (nove vitaminas do complexo
B e a vitamina C) ou vitaminas liposolúveis
(β-caroteno ou provitamina A, vitaminas
D2, D3, E e K). Em vacas, a suplementação
de vitaminas do complexo B é menos
importante, pois as bactérias ruminais
podem sintetiza-las.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
9
3) O METABOLISMO DE CARBOIDRATOS
EM BOVINOS DE LEITE
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
Louis E. Armentano
Department of Dairy Science
TIPOS DE CARBOIDRATOS
Os carboidratos são a fonte de energia
mais importante e os principais precursores
da gordura e do açucar (lactose) presentes
no leite. Os microorganismos que vivem no
rumem permite que as vacas obtenham
energia utilizando os carboidratos fibrosos
(celulose e hemicelulose) que estão ligados
à lignina que está presente na parede
celular das plantas. A celulose e a
hemicelulose f icam são fermentadas
vagarosamente no rúmen, pois as fibras
ficam retidas no rúmen por um longo
tempo. A porcentagem de lignina é maior
em plantas maduras, em consequência, a
digestão da celulose e hemicelulose em
plantas maduras é menor. As fibras em
forma de partículas grandes são essenciais
para o estímulo da ruminação. A ruminação
aumenta a quebra e fermentação das fibras.
Além de estimular a contração ruminal, as
fibras também aumentam o fluxo de saliva
para o rúmen. A saliva contém bicarbonate
de sódio e sais de fosfato que ajudam a
manter o pH ruminal próximo da
neutralidade. As dietas com poucas fibras
normalmente resultam na produção de leite
com baixa porcentagem de gordura e
podem desencadear distúrbios digestivos
(ex: deslocamento de abomaso, acidose
ruminal).
Carboidratos não fibrosos (amidos a
açucares simples) são rapidamente
fermentados no rúmen. Os carboidratos não
fibrosos aumentam a densidade da dieta, o
que aumenta o suplemento de energia e
detrmina a quantidade de proteína
bacteriana produzida no rúmen. Contudo,
os carboidratos não fibrosos não estimulam
a ruminação e a produção de saliva, e se em
excesso, eles podem impedir a fermentação
das fibras.
Portanto, o balanceamento entre
carboidratos fibrosos e não fibrosos é
importante na dieta de bovines leiteiros
para a idela produção de leite. A Figura 1
mostra um esquema da transformação de
carboidratos em vários orgãos. Em vacas de
leite, o rúmen, o fígado e a glândula
mamária sçao os principais orgãos
envolvid o s n o metabolismo dos
carboidratos.
A PRODUÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS
VOLÁTEIS NO RÚMEN
Durante a fermentação ruminal, a
população de micróbios (na sua maioria
bactérias) fermentam os carboidratos para
produzir energia, gases (metano—CH4 e
dióxido de carbono – CO2), calor e ácidos. O
ácido acético (vinagre), o ácido propiônico e
o ácido butírico são ácidos graxos voláteis
(AGV) e constituem a maioria (>95%) dos
ácidos produzidos no rúmen (Tabela 1).
Além disso, a fermentação de aminoácidos
produz alguns ácidos chamados de iso-
ácidos. A energia e os iso-ácidos
produzidos durante a fermentação são
utilizados pelas bactérias para seu
crescimento (ex: pricipalmente para a
síntese de proteínas). O CO2 e o CH4 são
eliminados pelo orifício esofágico, e a
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
10
energia do CH4 é perdida. Ao menos que o
calor seja necessário para a manutenção da
temperatura corporal, o calor produzido
durante a fermentasção se dissipa. Os AGV,
produtos finais da fermentação ruminal,
são absorvidos através da parede ruminal.
A maioria do acetato e todoo propionato
são transportados para o fígado, mas a a
maioria do butirato é convertido na parede
ruminal em corpos cetônicos chamados de
β -hidroxibutirato. As cetônas são
importântes fontes de energia para a
Figura 1: O metabolismo dos carboidratos em bovinos.
3—O Metabolismo de Carboidratos em Bovinos de Leite
11
maioria dos tecidos do corpo. As cetônas
são derivadas do butirato que é produzido
no rúmen, mas no início da lactação, elas
também são produzidas na queima de
gordura pelo animal.
A PRODUÇÃO DE GLICOSE NO FÍGADO
A maior parte do propionato é convertida
em glucose no fígado. Além disso, o fígado
pode utilizar aminoácidos para a síntese de
glicose. Este é um processo muito
importante, pois normalmente nenhuma
glicose é absorvida pelo trato digestivo e
todo o açucar encontrado no leite (cerca de
900 g para cada 20 kg de leite) precisa ser
produzido no fígado. Uma exceção
acontece quando as vacas são alimentadas
com concentrados ricos em amido ou uma
fonte de amido resistênte à fermentação
ruminal. Deste modo, o amido escapa da
fermentação ruminal e alcança o intestino
delgado. A glicose formada durante a
diges t ã o intestin a l é absorvida,
transportada para o fígado e contribui para
o suprimento de glicose para a vaca.
O lactato é outra possível fonte de glicose
para o fígado. O lactato é e silagens bem
preservadas, mas o lactato é produzido no
rúmen quando há um excesso de amido
sendo fornecido para a vaca. Isto não é
desejável, pois o ambiênte ruminal se torna
ácido, a fermentação das fibras não
acontece adequadamente e em casos
extremos a vaca para de se alimentar.
A SÍNTESE DE LACTOSE
E GORDURA DO LEITE
Durante a lactação, a glândula mamária
têm uma grande necessidade de glicose,
que é utilizada principalmente na formação
da lactose (açucar do leite). A quantidade
total de lactose sintetizada no úbere esta
intimamente associada com a quantidade
de leite produzida por dia. A concentração
de lactose no leite é relativamente constante
e a água é adicionada à lactose até que sua
concentração seja cerca de 4.5%. Portanto, a
produção de leite de uma vaca é fortemente
influenciada pela quantidade de glicose que
pode ser produzida pelo propionato
ruminal.
A glicose é convertida em glicerol, que
será utilizado para a produção da gordura
do leite. O acetato e o β-hidroxibutirato são
usados para a formação de ácidos graxos
que ficarão aderidos ao glicerol na
formação da gordura do leite. A glândula
mamária sintetiza ácidos graxos saturados
que contém de 4 a 16 carbonos (ácidos
graxos de cadeia curta). Cerca de metade da
gordura presente no leite é produzida na
glândula mamária. A outra metade vêm
dos lipídeos na dieta, incluindo uma
pequena porção de ácidos graxos
insaturados com mais de 18 carbonos
(ácidos graxos de cadeia longa).
A combustão das cetonas fornece a
energia necessária para a síntese de gordura
e lactoseno úbere, mas o acetato e a glicose
também podem ser utilizados como fonte
de energia para células de vários tecidos.
O EFEITO DA DIETA NA FERMENTAÇÃO
RUMINAL E NA PRODUÇÃO DE LEITE
O tipo de fonte de carboidratos da dieta
influcencia a quantidade e a proporção de
AGV que são produzidos no rúmen. A
população microbiana do rúmen converte
os carboidratos fermentados em 65% ácido
acético, 20% Ácido propiônico e 15% ácido
butírico quando a dieta contém uma grande
proporção de forragens. Nestes casos, o
suprimento de acetate é adequado para a
maximização da produção de gordura, mas
a quantidade de propionato produzida no
rúmen pode limitar a quantidade de leite
produzida devido a falta de glicose
(especialmente no início da lactação).
Os carboidratos não fibrosos (presentes
em muitos concentrados) propiciam a
produção de ácido propiônico, mas os
carboidratos f ibrosos ( p r e s e n t es
principalmente nas forragens) estimulam a
produção de ácido acético no rúmen. Além
disso, os carboidratos não fibrosos
Tabela 1: Ácidos graxos voláties produzidos
pela fermentação ruminal.
Nome Estrutura
Acético CH3-COOH
Propiônico CH3-CH2-COOH
Butírico CH3-CH2-CH2-COOH
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
12
produzem mais AGV (ex: mais energia)
pois eles são fermentados no rúmen em
uma maior proporção e também mais
rapidamente.
Portanto, suplementa ç ã o com
concentrados normalmente resulta em um
aumento da produção de AGV e no
aumento do propionato e diminuição do
acetato (Figura 2). Quando grande
quantidades de concentrados são
fornecidos (ou quando o tamanho de
partícula das forragens é muito pequeno), a
porcentagem de ácido acético pode ser
menor que 40%, enquanto que a
porcentagem de ácido propiônico pode
estar acima de 40%. A produção de leite
pode aumentar devido ao aumento do
suprimento de glicose originada do
propionato, mas o ácido acético, necessário
para a síntese de gordura, pode estar em
concentações muito baixas. Em geral, esta
diminuição em ácido acético está associada
com uma redução na produção de gordura
e com uma baixa porcentagem de gordura
no leite. Além disso, o relativo excesso de
propionato pode fazer com que a vaca
utilize esta energia disponível para o
acúmulo de gordura (ganho de peso
corporal) e não para a produção de leite.
Portanto, o excesso de concentrado na
dieta pode causar um problema de
obesidade nas vacas. O uso continuado
deste tipo de dieta pode ter um efeito
negativo na saúde do animal, que estará
mais propensa a ter problemas no parto e
também ter problemas metabólicos como o
fígado gordo ou cetose após o parto.
Contudo, a falta de concentrado na dieta
limita a ingestão de energia que pode afetar
a produção de leite e a produção de
proteína no leite.
Em conclusão, as mudanças na proporção
de forragem e concentrado na dieta têm um
profundo efeito na quantidade e na
porcentagem de cada AGV que são
produzidos no rúmen. Porém, os AGV
podem influenciar a:
• Produção de leite;
• Porcentagem de gordura no leite;
• A eficiência de conversão alimentar;
• O custom benefício de uma dieta.
Figura 2: Efeito da composição da dieta nos
AGV do rúmen e na produção de leite.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
13
4) O METABOLISMO DE LIPÍDEOS
EM BOVINOS LEITEIROS
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
Ric R. Grummer
Department of Dairy Science
TÍPOS DE LIPÍDEOS
Normalmente, a dieta das vacas contém
somente cerca de 2 a 4% de lipídeos. Porém,
os lipídeos são muito importantes na dieta
das vacas, pois eles contribuem diretamente
com 50% da gordura do leite e são a fonte
de energia mais concentrada de uma dieta.
As forragens e as sementes possuem
pequenas quantidades de l ipídeos
Contudo, algumas plantas (algodão, soja)
possuem sementes ricas em lipídeos, as
quais contém mais de 20% de lipídeos.
Normalmente, os lipídeos são extraídos de
sementes ricas em lipídeos; estas sementes
também podem ser utilizadas para a
alimentação do gado.
Lipídeos são substâncias que são
insolúveis em água, mas são solúveis em
solventes orgânicos (éter, clorofórmio,
hexeno, etc.). Os triglicerídeos são
encontrados principalmente em grãos de
cereais, determinadas sementes e na
gordura animal. A estrutura básica dos
lipídeos consiste em uma unidade de
glicerol (um açúcar de 3 carbonos) e três
unidades de ácidos graxos (Figura 1).
Os glicolípedes são uma segunda classe
de l ipídeos e são encontrados
principalmente em forragens (gramíneas e
leguminosas). Estes compostos têm uma
estrutura similar aos triglicerides com
excessão de que um dos três ácidos graxos
estão substituídos por um açúcar
(normalmente a galatose). Quando um
fosfato esta substituindo um dos ácidos
graxos o lipídeo é chamado de fosfolipídeo.
Os fosfolipídeos não se encontram em
grandes quantidades nos alimentos,mas
eles são encontrados em grande quantidade
nas bactérias do rúmen.
Os ácidos graxos encontrados nas plantas
têm de 14 a 18 carbonos (Tabela 1). O ponto
de fusão de um lipídeos determina seu
estado físico (sólido ou líquido) na
temperatura ambiênte. O ponto de fusão é
influenciado pelo grau de saturação e pelo
tamanho de sua cadeia carbônica. Os
lipídeos das plantas normalmente contém
de 70 a 80% de ácidos graxos insaturados e
els tendem a permanecer no estado líquido
em temperatura ambiênte (óleos). Contudo,
as gorduras de animais contém de 40 a 50%
de ácidos graxos saturados e eles
normalmente se encontram em
estado sólido (gorduras). O grau
de insaturação têm um efeito
marcante na gigestão desta
gordura pelo animal e, no caso de
ruminantes, se isso interfere na
fermentação de carbonos no
rúmen.Figura 1: Estrutura básica dos triglicerides. Os radicais
(R1, R2 e R3) são compostos de cadeias carbônicas de vários
tamanhos e com diferentes graus de saturação.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
14
HIDRÓLISE E SATURAÇÃO DE
LIPÍDEOS NO RÚMEN
A maioria dos lipídeos são hidrolisados
no rúmen. As ligações entre o glicerol e os
ácidos graxos são quebradas gerando uma
molécula de glicerol e três de ácidos graxos.
O glicerol é rapidamente fermentado em
ácidos graxos voláteis (veja metabolismo de
carboidratos). Alguns ácidos graxos são
utilizados pelas bactérias para a síntese de
fosfolípedes que são necessários para a
construção da parede celular.
Outra ação importante dos micróbios
ruminais é a hidrogenação de ácidos graxos
insaturados. No processo de hidrogenação,
o ácido graxo se torna saturado pois a
dupla ligação é substituída por dois átomos
d e hidrogênio. Por exemplo, a
hidrogenação converte o ácido oleico em
ácido esteárico (Tabela 1).
Os ácidos graxos que estão livres no
rúmen tendem se aderem aos alimentos e
impedem o processo normal de
fermentação , espec ialmente em
carboidratos fibrosos. O excesso de lípides
na dieta (mais de 8%) pode ter um efeito
negativo na produção de leite e na
porcentagem de gordura no leite. Os ácidos
graxos insaturados afetam a fermentação
ruminal de uma maneira mais intense que
os ácidos graxos saturados. Contudo, os
lipídeos podem ser “protegidos” para que a
sua taxa de hidrólise seja menor, tornando-
os mais “inertes” dentro do rúmen. As
cascas das sementes tendem a proteger os
lipídeos da degradação ruminal, fazendo
com eles se tornem menos acessíveis à
hidrólise ruminal se comparado com óleos
que estão livres no rúmen. Além disso, o
tratamento industrial para a formação de
sabões de gordura (sais de cálcio) torna os
lipídeos insolúveis e, portanto, inertes no
rúmen.
Os fosfolípedes microbianos representam
cerca de 10 a 15% dos lipídeos que saem do
rumen para o intestino, o restante (85 a
90%) são ácidos graxos saturados que são
encontrados na forma de ácido palmítico e
esteárico e que ficam aderidos no alimento
ou nas partículas bacterianas.
A ABSORÇÃO INTESTINAL
DE LIPÍDEOS
Os fosfolípedes microbianos são digeridos
e absorvidos no intestino delgado. A bile
secretada pelo fígado e pelo pâncreas (rico
em enzimas e bicarbonato) se misturam no
intestino delgado. Estas secreções são muito
importantes na preparação dos lipídeos
para a absorção, pois neste processo ocorre
a formação de partículas que são solúveis
em água (micelas) as quais podem entrar
nas células intestinais. Nas células do
intestino, a maior parte dos ácidos graxos
estão ligados ao glicerol (vindos da glicose
sanguínea) para a formação de triglicerides.
Os triglicerides, alguns ácidos graxos livres,
o colesterol e outras substâncias da família
dos lipídeos são recobertas por proteína
para a formação de lipoproteínas (LP) que
Tabela 1: Ácidos graxos mais encontrados nas dietas de vacas de leite.
Nome Estrutura Abreviação* Ponto de fusão (°C)
Ácidos saturados
Mirístico CH3-(CH2)12-COOH (C14:0) 54
Palmítico CH3-(CH2)14-COOH (C16:0) 63
Esteárico CH3-(CH2)16-COOH (C18:0) 70
Ácidos non saturados
Palmitoleico CH3-(CH2)5-CH=CH-(CH2)7-COOH (C16:1) 61
Oléico CH3-(CH2)7-CH=CH-(CH2)7-COOH (C18:1) 13
Linolêico CH3-(CH2)4-CH=CH-CH2-CH=
CH-(CH2)7-COOH
(C18:2) –5
Linolênico CH3-CH2-CH=CH-CH2-CH=
CH-CH2-CH=CH-(CH2)7-COOH
(C18:3) –11
* O primeiro número indica o número total de carbonos e o segundo número indica o número de duplas ligações
na molécula.
4—O Metabolismo de Lipídeos em Bovinos Leiteiros
15
também são chamadas de quilomicrons ou
lipoproteínas de baixa densidade. As LP
entram nos vasos linfáticos e vão para o
ducto torácico (junção do sistema linfático
com o sistema circulatório), onde eles
entra m n a c orrente sanguínea.
Figura 2: O metabolismo de lipídeos em bovinos leiteiros.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
16
Diferentemente da maioria dos nutrients
que são absorvidos pelo trato gastro
intestinal, os lipídeos que são absorvidos
entram diretamente na circulação e são
utilizados pelos tecidos corporais sem uma
prévia metabolização hepática.
UTILIZAÇÃO DOS LIPÍDEOS
PELO ÚBERE
A glândula mamária produz cerca de 50%
da gordura do leite. Estes ácidos graxos são
fabricados a partir das lipoproteínas
formadas durante a absorção intestinal dos
lipídeos. Um aumento na porcentagem de
ácidos graxos de cadeia longa (ex: ácidos
graxos com mais de 16 carbonos) pode
influenciar sua secreção no leite, mas isto
também pode inibir a síntese de ácidos
graxos de cadeia curta ou média no úbere.
Portanto, a diminuição da porcentagem de
gordura no leite quando as vacas são
alimentadas com dietas com pouca fibra
pode ser parcialmente compensada com o
aumento de gordura na dieta.
A FUNÇÃO DO FÍGADO E DA
MOBILIZAÇÃO DE GORDURA
Durante um período de restrição
alimentar ou no início da lactação, as vacas
conseguem suprir sua demanda de energia
com a mobilização de gordura do tecido
adiposo. Os triglicerides de reserva nos
tecidos adiposos dão origem aos ácidos
graxos que são liberados na corrente
sanguínea. Os ácidos graxos são capturados
pelo fígado, onde eles serão utilizados
como fonte de energia ou serão convertidos
em cetonas que podem ser liberadas na
corrente sanguínea e usadas como fonte
energética por muitos tecidos. O fígado não
tem uma alta capacidade para exportar LP e
o excesso de mobilização de ácidos graxos
faz com que os triglicerides sejam estocados
nas células hepáticas. A gordura depositada
no fígado contribui para o desenvolvimento
de doenças metabólicas (ex: cetose e fígado
gordo) no início da lactação.
ADIÇÃO DE LIPÍDEOS NAS DIETAS
Os lipídeos possuem cerca de 2.25 mais
energia que os carboidratos. Além disso, os
lipídeos também são conhecidos como
nutrietes “frios”, pois durante a sua
digestão e utilização pelo corpo eles
produzem menos calor que carboidratos e
proteínas. Portanto, o aumento de lipídeos
nas dietas das vacas de leite pode gerar
alguns benefícios:
• Aumento da densidade calórica
(energia) da dieta, especialmente em
dietas com alta proporção de
forragens;
• Diminui a necessidade de
concentrados ricos em carboidratos os
quais são necessários no início da
lactação, quando a vaca esta em
balanço energético negativo;
• Em climas quentes, os lipídeos podem
ajudar a diminuir o estresse térmico
nas vacas de leite.
A ingestão de alimentos e a produção de
leite podem variar bastante de acordo com
o tipo de lipídeo adicionado à dieta. As
vacas não devem ser suplementadas com
mais de 1.5 kg/dia de lipídeos em adição
aos lipídeos da dieta normal. Em outras
palavras, a quantidade de lipídeos na dieta
não deve ser maior de 6 a 8%, caso
contrário, os efeitos negativos do excesso de
lipídeos serão evidentes. A produção de
leite é maximizada quando a quantidade de
gordura na matéria seca é de 5%. A adição
de gordura na dieta normalmente diminui a
proteína do leite em 0.1%. Alémdisso, o
excesso de lipídeos pode diminuir a
ingestão, a produção de leite e a
composição de gordura no leite.
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e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
17
5) METABOLISMO DE PROTEÍNA
EM BOVINOS DE LEITE
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
INTRODUÇÃO
As proteínas fornecem os aminoácidos
necessários para a manutenção das funções
vitais, reprodução, crescimento e lactação.
Animais não ruminantes precisam de
aminoácidos pré-formados na sua dieta. Os
animais ruminantes podem utilizar muitas
outras fontes de nitrogênio pois eles
possuem a habilidade de sintetizar
aminoácidos e proteínas usando nitrogênio
não proteico. Esta habilidade esta
relacionada com a p resença de
microorganismos no rúmen. Além disso, os
ruminantes possuem um mecanismo que
possibilita a reutilização do nitrogênio.
Quando uma dieta possui pouco
nitrogênio, grandes quantidades de uréia
(que normalmente é excretada na urina)
retornam ao rúmen , onde os
microorganismos podem utiliza-la. Em
animais não-ruminantes a uréia é
totalmente perdida na urina.
Algumas pesquisas mostraram que é
possível alimentar vacas com dietas
contendo somente nitrogênio não proteico
e, ainda assim, é possível se obter uma
produção diária de 580 g de proteína de
leite de alta qualidade e de 4.000 kg de leite
durante a lactação.
A TRANSFORMAÇÃO DE
PROTEÍNA NO RÚMEN
As proteínas alimentares são degradadas
pelos microorganismos ruminais em
aminoácidos, depois em amônia e em
ácidos graxos de cadeia ramificada (Figura
1). O nitrogênio não proteico presente nos
alimentos e na uréia são reciclados no
rúmen através da saliva e a parede ruminal
também contribui na concentração final de
amônia no rúmen. Se os níveis de amônia
no rúmen estão muito baixos, ocorre uma
restrição de nitrogênio para as bactérias e,
deste modo, a digestibilidade do alimento
diminui. Um excesso de amônia no rúmen
leva ao desperdício, toxidez devido a
amônia, e mesmo morte do animal em
casos extremos.
A população bacteriana utiliza a amônia
para crescer. A quantidade de amônia
usada para sintetizar proteína bacteriana
depended a disponibilidade de energia
fornecida pela fermentação de carboidratos.
Em média, 20 gramas de proteína
bacteriana é sintetizada a partir de 100
gramas de matéria orgânica fermentada no
rúmen. A síntese de proteína bacteriana
pode variar de 400 g/dia a 1.500 g/dia,
dependendo da digestibilidade da dieta. A
porcentagem de proteína na bactéria varia
de 38 a 55% (Tabela 1). Contudo, quando as
vacas ingerem mais alimento, as bactérias
têm mais proteína e passam para o rúmen
mais rapidamente.
Normalmente, uma porção da proteína da
dieta resiste à degradação ruminal e chega
inalterada até o intestino delgado. A
resistência à degradação ruminal varia
consideravelmente de acordo com a fonte
proteica e isto depende de vários fatores.
Normalmente, as proteínas da forragem são
degradadas em uma extensão maior (60 to
80%) que as proteínas de concentrados ou
de sub-produtos industriais (20 to 60%).
Uma porção das proteínas bacterianas é
quebrada no rúmen, mas a maioria vai par
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
18
Figura 1: O metabolismo de proteína em bovinos de leite.
5—Metabolismo de Proteína em Bovinos de Leite
19
Aproximadamente 60% dos aminoácidos
absorvidos no intestino delgado têm
origem bacteriana, e os restantes 40% vem
das proteínas não degradadas no rúmen.
A composição proteica da bacteria é
relativamente constante e não depende da
composição proteica que o animal esta
ingerindo. Todos os aminoácidos, incluindo
os aminoácidos essenciais, estão presentes
nas proteínas bacterianas em uma
proporção muito próxima da ideal para a
produção de leite. Portanto, o processo de
conversão da proteína da dieta em proteína
bacteriana é normalmente benéfica para o
animal. A única excessão acontece quando
uma proteína de alta qualidade é fornecida
para o animal, porém, devido a uma
possível falta de energia fermentável, a
amônia produzida no rúmen não pode ser
utilizada.
PROTEÍNA NAS FEZES
Cerca de 80% das proteínas que chegam
no intestino delgado são digerídas, mas o
restante se transforma em fezes. Outras
importantes fontes de proteína nas fezes
consistem de enzimas que foram secretadas
no intestino durante a digestão e também
pela rápida reposição das células da parede
intestinal (proteína metabólica das fezes).
Em média, para cada 1 kg de matéria seca
ingerida pela vaca, cerca de 33 g de
proteínas corporais são perdidas pelo
intestino e são secretadas pelas fezes. As
fezes de ruminantes são ótimos fertilizantes
pois são ricos em matéria orgânica e em
partículas ricas em nitrogênio (2.2 to 2.6%
de nitrogênio ou o equivalente à 14 to 16%
de proteína bruta) comparado com as fezes
de animais não ruminantes.
METABOLISMO HEPÁTICO
E O CICLO DA URÉIA
Quando acontece uma falta de energia
fermentável, ou quando a porcentagem de
proteína bruta da dieta é excessiva ou
altamente degradável, nem toda a amônia
produzida no rúmen é convertida em
proteína microbiana. Esta amônia que esta
em altas concentrações no rúmen atravessa
a parede ruminal e é transportada para o
fígado. O fígado converte a amônia em
uréia, a qual vai para a corrente sanguínea.
A uréia no sangue pode seguir as seguintes
vias:
1) Ela pode retornar ao rúmen pela saliva
ou mesmo pela parede ruminal.
2) Pode ser excretada na urina pelos
rims.
Quando a uréia retorna ao rúmen, ela é
convertida em amônia e serve como fonte
de nitrogênio para a flora ruminal.
Obviamente, a uréia que vai para a urina é
perdida. Em dietas com baixos níveis de
proteína bruta, a maioria da uréia é
reciclada e muito pouco se perde na urina.
Contudo, com o aumento progressivo de
proteína na dieta, menos uréia será
reciclada e uma maior quantidade de uréia
será excretada na urina.
A SÍNTESE DAS PROTEÍNAS DO LEITE
Durante a lactação, a glândula mamária
necessita de grande quantidade de
aminoácidos para a síntese do leite. O
metabolismo de aminoácidos na glândula
mamária é extremamente complexo. Os
aminoácidos podem ser convetidos em
outros aminoácidos, ou podem ser
oxidados para a síntese de energia. A
maioria dos aminoácidos absorvidos pela
Tabela 1: Composição (%) e digestibilidade de
nitrogênio intestinal (%) da flora ruminal.1
Bactéria
Média Intervalo
Proto-
zoário
Proteína 47.5 38–55 —
Ácidos
nucleicos2
27.6 — —
Lipídeos 7.0 4–25 —
Carboidratos 11.5 6–23 —
Peptidoglicam3 2.0 — —
Minerais 4.4 — —
Proteína bruta 62.5 31–78 24–49
Digestibilidade 71.0 44–86 76–85
1Adaptado de “Nutritional Ecology of the ruminant”.
1982. O & B Books Inc., 1215 NW Kline Place, Oregon
97330.
2Ácido nucleico = material genético.
3Peptidoglicam = estrutura complexa da parede
bacteriana.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
20
glândula mamária são usados na síntese
das proteínas do leite. Cada kg de leite
contém cerca de 30 g de proteína; contudo,
existe uma grande variação entre animais e
também entre raças. Cerca de 90% das
proteínas do leite é caseína. Existem vários
tipos de caseínas (Tabela 2) e elas
contribuem para o alto valor nutritivo de
muitos produtos derivados do leite. As
proteínas do soro também são sintetizadas
a partir de aminoácidos na glândula
mamária. A enzima α -Lactalbumina é
essencial na síntese de lactose e a
β−lactoglobulina é importante na formação
do coalho durante a produção do queijo.
Alg u m a s prote í n a s d o l e i t e
(imunoglobulinas) têm um importante
papel na resistência do bezerro recém
nascido à doenças. As imunoglobulinas,
que se encontram em alta concentração no
colostro, são absorvidas diretamente do
sangue e, deste modo, elas não são
sintetizadas na glândula mamária.
O leite contémmuito pouco nitrogênio
não proteico (ex: uréia: 0.08 g/kg).
Tabela 2: Principais proteínas encontradas
no leite normal das vacas.
Proteína Concentração (g/kg)
Caseínas
α-caseína 14.0
β-caseína 6.2
κ-caseína 3.7
γ-caseína 1.2
Proteínas do soro
Imunoglobulinas1 0.6
α-Lactalbumina 0.7
β-Lactoglobulina 0.3
1Podem aumentar dramaticamente durante a
mastite.
FONTES DE NIOTROGÊNIO PROTEICO
E NÃO PROTEICO NAS DIETAS
DE VACAS DE LEITE
As recomendações das concentrações de
proteína bruta em dietas para vacas de leite
variam de 12% (para uma vaca seca) a 18%
(para uma vaca em início de lactação). Uma
dieta com 16% de proteína é recomendada
para animais produzindo de 20 a 25 kg de
leite por dia, sendo que a maioria das
forragens e concentrados são boas fontes de
proteína. Contudo, com o aumento da
produção de leite, a síntese de proteínas
pelas bactérias do rúmen se torna
insuficiênte, e fontes de proteína resistêntes
à degradação ruminal podem ser
necessárias para suprir as necessidades de
aminoácidos de animais de alta produção.
Alguns tipos de fontes proteicas resistentes
à degradação ruminal incluem resíduos de
cervejaria e proteínas de origem animal
(sub-produtos de matadouros, farinha de
peixe e farinha de pena).
Contudo, fonts de nitrogênio não proteica
podem ser utilizadas, especialmente
quando a ração têm menos de 12 a 13% de
proteína bruta. A uréia, provavelmente, é a
fonte mais popular de nitrogênio nas dietas
para gado leiteiro. Porém, ela deve ser
utilizada com cuidado, pois o excesso de
uréia pode levar a intoxicação do animal
por amônia. Os alimentos com alta energia,
baixa proteína e baixos níveis de nitrogênio
não proteico em sua constituição são boas
fontes alimentares a serem usadas na
suplementação animal em associação com a
uréia. Alguns exemplos destes alimentos
são os grãos de cereais, o melaço, a polpa
de beterraba, feno de gramíneas maduras e
silagem de milho. A uréia não deve ser
usada em associação com fonts alimentares
com rápida degração proteica. Alguns
exemplos são a farinha de soja, farinha de
canola, forragens de leguminosas e
gramíneas jovens. Além disso, a
suplementação com uréia não deve exceder
150 a 200 g/vaca/dia, e deve ser misturada
com outros alimentos para aumentar sua
palatabilidade. A uréia deve ser adicionada
progressivamente aos animais, para que
eles se adaptem ao aumento de nirogênio
não proteico na dieta. 
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
21
6) ALIMENTOS PARA BOVINOS DE LEITE
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
W. Terry Howard
Department of Dairy Science
INTRODUÇÃO
Em geral, os alimentos são classificados e
uma das seguintes categorias:
• Forragens;
• Concentrados (alimentos energéticos ou
proteicos);
• Minerais e vitaminas.
Esta classificação é um meio conveniênte
de agrupar alimentos, contudo é um pouco
arbitrária. A classificação dos alimentos não
é tão importânte quanto o conhecimento da
disponibilidade destes alimentos, o seu
valor nutritivo, e os fatores que podem
afetar sua utilização em uma ração.
FORRAGENS
Em geral, forragens são as partes
vegetativas de uma planta que contém uma
alta concentração de fibras (mais de 30% de
fibra detergente neutra). Elas tem que ter
um tamanho mínimo (pelo menos 2.5 cm)
para a estimulação física do rúmen e correta
função ruminal.
Normalmente, as forragens são cultivadas
na própria fazenda. Ela pode ser servida em
um sistema de pastejo ou em forma de silo
ou feno. Dependendo do estágio de
lactação das vacas, as forragens devem
contribuir com cerca de 100% da matéria
seca do alimeto (para vacas secas); ou com
cerca de 35% da matéria seca (para vacas no
início de lactação). As características das
forragens são:
• Volume: O tipo de volumoso pode
limitar a capacidade de ingestão da
vaca. A ingestão de energia e a
produção de leite de uma vaca pode
ser afetada pela alta quantidade de
fibra em uma dieta. Contudo,
alimentos com fibra são essenciais
para a estimulação ruminal e para a
manutenção da saúde do animal.
• Alta fibra e baixa energia: As
forragens podem conter de 30 a 90%
de fibras (fibra detergente neutra). Em
geral, a quantidade de fibra em uma
forragem é inversamente proporcional
à sua quantidade de energia.
• Variação de proteína: Dependendo do
seu estágio de maturação, os legumes
podem conter de 15 a 23% de proteína
bruta; gramíneas tipicamente contém
de 8 a 18% de proteína bruta
(dependendo da quantidade de
nitrogênio na adubação), e resíduos de
culturas têm somente 3 a 4% de
proteína bruta (palha).
Em um ponto de vista nutricional, as
forragens podem ser alimentos muito
nutritivos (gramíneas novas, leguminosas
no seu estágio vegetativo) ou mesmo
alimentos pouco nutritivos (palhas).
Gramíneas e leguminosas
Uma forragem de alta qualidade pode
fazer parte de dois terços da material seca
de uma ração; e as vacas podem estar
comendo de 2.5 a 3% do seu peso vivo em
matéria seca vinda da forragem (por
exemplo, uma vaca de 600 kg, pode comer
de 15 a 18 kg de matéria seca vinda de uma
boa forragem). As vacas normalmente
comem mais leguminosas que gramíneas se
ambas estiverem em um mesmo estágio de
maturação. Contudo, forragens de boa
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
22
qualidade oferecidas nas dietas balanceadas
vão suprir a maioria das necessidades de
proteína e energia necessárias para a
produção de leite.
As condições climaticas e a qualidade do
solo determinam o tipo de forragem
cultivada em uma determinada região.
Gramíneas e leguminosas são amplamente
cultivadas em todo o mundo. As gramíneas
precisam de fertilizantes nitrogenados e
umidade para um desenvolvimento ideal.
Contudo, as leguminosas são mais
resistentes em climas mais áridos. Além
disso, as leguminosas podem adicionar
cerca de 200 kg de nitrogênio/ano/hectare
no solo, pois estas plantas vivem em
associação com bactérias que convertem
nitrogênio do ar em nitrogênio para
fertilização do solo.
O valor alimentar das forragens depende
do estágio de crescimento da planta na
ocasião da colheita ou do pastejo. As fases
do crescimento de uma planta podem ser
divididos da seguinte maneira:
1) Estágio vegetativo;
2) Estágio de Floração;
3) Estágio de formação de sementes.
Normalmente, o valor alimentar de uma
forragem é maior durante a fase vegetativa
e menor durante o estágio de formação de
sementes.
Com o aumento da maturidade da planta a
concentração de proteína, energia, cálcio,
fósforo, e de matéria seca degradável
diminui; porém, a quantidade de fibras
aumenta. A quantidade de lignina aumenta
juntamente com o aumento da quantidade
de fibra no alimento. A lignina não é
digerível e torna indisponível os
carboidratos que estão no interior das
fibras. Como consequência, o valor
energético das forragens diminui.
Portanto, quando as forragens são
plantadas para a alimentação de bovinos,
elas devem ser colhidas em estágios iniciais
de desenvolvimento. O milho e o sorgo
quando plantados para fins de ensilagem
são excessão pois juntamente com a
diminuição do valor nutritivo das partes
vegetativas da planta (caules e folhas)
durante a formação das sementes, occorre
um acúmulo de amido nos grãos.
A maxima produção de materia seca
digestível de uma forragem é obtida:
• Em estágios intermediários de
maturidade para gramíneas;
• Um pouco após o estado intermediário
para leguminosas;
• Antes da espiga estar completamente
cheia de grãos para o milho e o sorgo.
Depois que a planta já esta
excessivamente madura não existem muitas
opções de manejo para prevenir a perda do
seu valor nutritivo. Cada dia de atraso
depois do ótimo estágio de maturidade
pode afetar a produção de leite dos animais
que estão ingerindo a forragem. Contudo,várias estratégias podem ser utilizadas para
manter a forragem com um bom valor
nutritivo:
1) Desenvolver um esquema de pastejo
que adeque o número de animais em
pastejo com a taxa de crescimento das
gramíneas;
2) Consócio de gramíneas e leguminosas
com diferentes taxas de crescimento e
maturidade;
3) Colheita das forragens em um estágio
inicial de desenvolvimento e preserva-
las em forma de silo ou feno;
4) Fornecimento de forragem de baixo
valor nutritivo para vacas secas e
vacas em final de lactação, e forragens
de alto valor nutricional para vacas em
início de lactação.
Resíduos de cultivo e outros alimentos
de baixo valor nutricional
Os resíduos de cultivo são as partes das
plantas que ficam no campo depois da
colheita (ex: palhada de milho, aveia,
bagaço de cana). Os resíduos de plantio
podem ser utilizados para o pastejo,
processados como alimento pré-secado, ou
mesmo ensilados. Algumas características
dos resíduos de plantio são:
• Volumoso de baixo custo;
• Alta porcentagem de fibra não
digerível devido a alta concentração
de lignina nas fibras (tratamentos
6—Alimentos para Bovinos de Leites
23
químicos podem ser utilizados para
aumentar seu valor alimentar);
• Pobre em proteína;
• Proteínas e minerais precisam ser
supplementados;
• Precisam ser bem picados na ocasião
da colheita ou alimentação;
• Devem ser adicionados à dieta de
animais com baixos requerimentos
nutricionais como por exemplo em
vacas secas.
CONCENTRADOS
A palavra “concentrado” é difícil de ser
definida. Contudo, mas este termo pode ser
descrito pelas suas características
alimentares e pelos seus efeitos na função
ruminal. Normalmente, os concentrados
têm as seguintes características:
• Eles têm baixa porcentagem de fibras
e alta quantidade de energia.
• Eles podem ter uma alta ou baixa
quantidade de proteína. Os cereais
contém <12% de proteína bruta, grãos
de oleaginosas (soja, algodão,
amendoim), classificados como
alimentos proteicos, podem conter
> 50% de proteína bruta.
• Eles têm uma alta palatabilidade e
normalmente são ingeridos
rapidamente pelo animal. Ao contrário
de volumosos, os concentrados são
alimentos que normalmente têm um
volume pequeno por unidade de peso
(alta densidade).
• Ao contrário de forragens, eles não
estimulam a ruminação.
• Eles normalmente fermentam mais
rapidamente que forragens no rúmen
e, deste modo, aumentam a acidez
(redução do pH) ruminal, o que pode
impedir a fermentação ruminal
normal.
• Se presentes em 60 to 70% do total da
dieta, podem causar problemas na
saúde do animal.
Vacas de leite de alto potencial genético
para produção de leite também altos
requerimentos de proteína e energia. Dado
que vacas podem comer uma quantidade
limitada de alimento por dia, uma
alimentação somente baseada em forragens
não consegue suprir os requerimentos de
energi a e proteína do animal.
Normalmente, os concentrados são
adicionados à dieta de vacas de leite para
fornecer energia e proteína suplementar e,
desta maneira, preencher os requerimentos
nutricionais destes animais. Portanto, os
concentrados são alimentos importantes
que possibilitam a formulação de dietas que
maximizam a produção de leite. Em geral, a
quantidade máxima de concentrado que
uma vaca deve receber por dia não deve ser
maior que 12 a 14 kg.
Exemplos de concentrados
• Grãos (cevada, milho, sorgo, arroz,
trigo) são os típicos alimentos de alta
energia para bovinos; contudo, estes grãos
possuem pouca proteína. Grãos quebrados
ou prensados são excelentes fontes de
carboidratos rapidamente fermentáveis
(amido), os quais aumentam a concentração
de energia quando incluídos em uma dieta.
Contudo, um excesso de grãos na dieta
(mais de 10 a 12 kg/vaca/dia) reduz o
tempo de mastigação, a função ruminal, e a
porcentagem de gordura no leite diminui.
Os vários sub-produtos originados do
processamento industrial de grãos têm
valores nutritivos variados:
• A Protenose é obtida pela moagem
úmida do grão de milho. É uma excelente
fonte de proteína (40 to 60%) e enrgia.
Glúten de milho, outro sub-produto da
produção de milho, contém menos proteína
e mais fibra. Alguns de grãos (arroz, trigo)
aumentam a fibra de uma dieta e contém 14
a 17% de proteína. O trigo é uma boa fonte
de fósforo e ajuda a regular a função
intestinal. A casca de alguns cereais
(cevada, aveia, arroz) contém somente 3 a
4% de proteína, mas 85 a 90% de fibra não
digerível.
• Sub-produtos de cervejaria
originados de grãos cereais são uma boa
fonte de carboidratos de degradação lenta e
proteínas (20 a 30%). O malte (parte
germinativa da cevada) têm um gosto
amargo e são normalmente misturados com
outros alimentos.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
24
• Raizes e tubérculos (cenoura,
beterraba, batata) são normalmente
palatáveis, boa fonte de carboidratos
rapidamente fermentáveis (energia), mas
com pouca proteína (menos de 10%).
• Sub-produtos da indústria
açucareira (melaço, polpa de beterraba)
normalmente possuem altas porcentagens
de fibras gigestíveis (polpa de beterraba) ou
açucares simples (melaço) que podem
torna-los alimentos bastante palatáveis.
• Algumas plantas possuem altas
concentrações de gordura em suas
sementes (oleaginosas) . Muitas delas
crescem em regiões tropicais e sub-tropicais
(soja, algodão), mas algumas crescem em
regiões temperadas (linhaça, canola, e
girassol). As sementes podem ser utilizadas
como um alimento de alta concentração
energética, mas elas normalmente contém
fatores anti-nutricionais. Os farelos de
grãos, produzidos depois da extração de
óleo das sementes, contém de 30 a 50% de
proteína e são utilizadas como fontes
proteicas para bovinos leiteiros (ex: farelo
de soja).
• Sementes de leguminosas (ex:
feijão) contém substâncias anti-nutricionais,
mas depois de corretamente processadas,
são boas fontes de energia e proteína.
• Proteína de origem animal (farinha
de carne, farinha de osso, farinha de pena,
farinha de peixe) são produtos que resistem
a fermentação ruminal, e podem ser boas
fontes de cálcio e fósforo. Estes produtos
devem ser manuseados adequadamente
para se evitar riscos de infecções
bacterianas. O soro de leite, um sub-
produto de laticíneos, contém altas
quantidades de açucar do leite (lactose) e
algumas proteínas e minerais. Porém, estes
nutriêntes podem estar muito diluídos se o
soro não estiver desidratado.
MINERAIS E VITAMINAS
Minerais e vitaminas são muito
importantes na nutrição de um animal. Por
exemplo, a febre do leite que normalmente
acontece no início da lactação é causado
devido a um desbalânço no metabolismo de
cácio. O fósforo é necessário para a alta
fertilidade de um rebanho. Deficiências
nutricionais podem acaretar em grandes
prejuízos financeiros. Em vacas de leite em
lactação, os macro minerais mais
importantes são o cloreto de sódio (NaCl), o
cálcio (Ca), o fósforo (P), em algumas vezes
o potássio (K), o magnésio (Mg) e o enxofre
(S). Além disso, a maioria dos
microminerais (ex: iodo, selênio) são
necessários para a maximização da
produção e reprodução. As pequenas
quantida d e s d e m i crominerais
normalmente necessárias nas rações para
vacas de leite são normalmente incluídas no
“pre-mix” de concentrados ou em sais
fortificantes.
Todos os alimentos, com exceção da uréia
e da gordura, contém quantidades
limitadas de minerais. Os legumes possuem
mais cálcio que as gramíneas; portanto, as
dietas baseadas em leguminosas necessitam
de menos cálcio suplementar. O melaço é
rico em cálcio e a farinha de osso é uma boa
fonte de cálcio e fósforo. O sal (cloreto de
sódio) é um suplemento mineral que pode
ser oferecido a vontade para as vacas. Uma
mistura mineral contendo cálcio, fósforo, ou
ambos (ex: fosfato dicalcico) pode ser
necessário dependendo dos componentes
da dieta. As forragens verdesnormalmente
contém baixos níveis de fósforo quando
comparado com a necessidade das vacas. A
silagem de milho contém baixos níveis de
cálcio e fósforo e ambos minerais devem ser
suplementados ao se utilizar silagem de
milho na dieta. A quantidade de mistura
mineral necessária nas dietas normalmente
é de 0 a 150 g/vaca/dia.
As vitaminas A, D e E são muito
importantes. A suplementação com
vitamina A é importante em regiões com
invernos longos ou em locais de seca
prolongada. Os micróbios do rúmen
sintetizam vitaminas do complexo B, a
vitamina C, e a vitamina K. Portanto, estas
vitaminas normalmente não são necessárias
nas dietas. 
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
25
7) GUIA DE ALIMENTOS CONCENTRADOS
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
W. Terry Howard
Department of Dairy Science
A DIETA BALANCEADA
De um ponto de vista prático, para o
correto balanceamento das dietas as três
perguntas a seguir devem ser respondidas.
1) Quais são as quantidades de
forragem e concentrado que devem ser
oferecidas para que o suprimento de
energia para a vaca seja adequado? As
forragens são normalmente oferecidas sem
restições, e a quantidade de concentrado
necessário na dieta depende de diferentes
fatores (veja Tabela 1):
• Qualidade da forragem. A quantidade
de energia presente em uma forragem
madura é menor que a quantidade de
energia presente em uma forragem na sua
fase vegetativa (imatura). Portanto, mais
concentrado sera necessário em dietas que
se baseiam em forragens maduras.
• Necessidade energética da vaca . A
demanda energética da vaca aumenta com
o aumento na produção de leite. A
quantidade necessária de concentrado será
maior para vacas de alta produção que para
vacas de baixa produção.
Uma vaca seca deve ingerir uma dieta
com 90 a 100% de forragem (0 a 10% de
concentrado). Porém, uma vaca de alta
produção no início da lactação vai precisar
de uma dieta com 40 a 45% de forragem (55
a 60% de concentrado).
2) Qual deve ser a concentração proteica
do concentrado para que esta possa
fornecer a quantidade ideal de proteína na
dieta? A quantidade de proteína bruta
necessária no concentrado depende do tipo
de forragem que esta sendo oferecida.
Forragens com alta porcentagem de
proteína bruta como é o caso das
leguminosas, pode ser combinada com um
concentrado com baixa proteína bruta.
Contudo, uma gramínea com baixa
proteína bruta precisa ser combinada com
um concentrado com altas concentrações de
proteína para que a dieta seja adequada
(veja Tabela 2).
3) Que tipo de suplemento mineral deve
ser usado e quanto deve ser oferecido? O
sal (NaCl) e o fosfato de cálcio podem ser
oferecidos ad libitum . Contudo, é mais
indicado ajustar o tipo e a quantidade de
mineral na dieta com as necessidades do
animal. A quantidade de mineral que deve
ser suplementado na dieta depende dos
seguintes fatores:
• Tipo de forragem da d i e t a . As
leguminosas são ricas em cálcio e, deste
modo, dietas baseadas em leguminosas
precisam de menos suplementação com
cálcio se comparado com dietas baseadas
em gramíneas.
• A quantidade de concentrado na
dieta. Normalmente, os concentrados têm
baixas concentrações de minerais. Portanto,
maior será a necessidade de suplementação
mineral com o aumento da quantidade de
concentrado na dieta.
• As necessidades minerais da vaca.
Para a manutenção, uma vaca precisa de 30
a 50 g de cálcio e de 10 a 30 g fósforo por
dia. Cada kg de leite são necessários cerca
de 3 g de cálcio e 2 g de fósforo.
Quando uma dieta é baseada em
forragens de alta ou média qualidades, uma
certa quantidade de fósforo (0 a 150 g/
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
26
vaca/dia) pode ser necessária. Contudo, em
dietas com forragens de baixa qualidade ou
com o uso da silagem de milho, o cálcio e o
fósforo serão necessários na suplementação
(50 to 200 g/vaca/dia).
Dependendo da composição de minerias
traços e da mistura vitamínica disponível, a
quantidade de suplementação pode variar
de 10 a 25 g/vaca/dia.
QUANTIDADE DE CONCENTRADO QUE
DEVE SER OFERECIDA
A Tabela 1 mostra um resumo das
quantidades de concentrado que devem ser
Tabela 1: Suplementação mineral para várias categories de produção leiteira para vacas
alimentadas com forragens de baixa, média ou alta qualidade.1
Produção de leite Vaca de 600 kg Vaca de 500 kg
Qualidade da forragem: Gordura no leite (%) Gordura no leite (%)
Baixa2 Média3 Alta4 3.0 3.5 4.0 4.0 4.5 5.0 5.5
— 4 13 — — — — — — —
— 6 15 — — — 0.5 0.7 0.8 1.0
— 8 17 0.2 0.5 0.7 1.3 1.6 1.8 2.0
2 10 19 1.0 1.2 1.5 2.2 2.5 2.7 3.0
4 12 21 1.7 2.0 2.4 3.0 3.4 3.7 4.0
6 14 23 2.4 2.8 3.2 3.9 4.3 4.6 5.0
8 16 25 3.2 3.6 4.0 4.7 5.1 5.6 6.0
10 18 27 3.9 4.4 4.9 5.6 6.0 6.5 7.0
12 20 29 4.6 5.2 5.7 6.4 6.9 7.5 8.0
14 22 31 5.4 6.0 6.6 7.2 7.8 8.4 9.0
16 24 33 6.1 6.8 7.4 8.1 8.7 9.4 10.1
18 26 35 6.8 7.5 8.3 8.9 9.6 10.3 11.1
20 28 37 7.6 8.3 9.1 9.8 10.5 11.3 12.15
22 30 39 8.3 9.1 9.9 10.6 11.4 12.2 13.1
24 32 41 9.0 9.9 10.8 11.4 12.3 13.2 14.1
26 34 43 9.8 10.7 11.6 12.3 13.2 14.1 15.1
28 36 45 10.5 11.5 12.5 13.1 14.1 15.1 16.1
30 38 47 11.2 12.3 13.3 14.0 15.0 16.0 17.1
32 40 49 11.9 13.0 14.1 14.8 15.9 17.0 —
1 Foi assumida uma concentração energética no concentrado de 1.75 Mcal NEl/kg de matéria seca (MS). A
quantidade de energia na mistura de concentrados pode ser de apenas 1.5 Mcal NEl/kg MS se este conter
quantidades significativas de alimentos com baixa energiacomo por exemplo o bagaço de cana. Neste caso, a
proporção de concentrado na dieta deve ser aumentado em 15%. Contudo, a quantidade de energia no
concentrado pode ser alta e de 1.9 Mcal NEl/kg MS quando esta incluir apenas alimentos com alta energia como
grão de cereais e milho. Neste caso, a oferta de concentrado pode ser diminuído em 8%.
2 Baixa: vacas ingerindo 1.5% do seu peso corporal (ex: 9 kg MS para uma vaca de 600 kg) de uma forragem de
qualidade baixa (ex: palha) contendo 0.9 Mcal NEl/kg MS.
3 Média: Vacas ingerindo 2.0% do seu peso corporal (ex: 12 kg de MS de forragem para uma vaca de 600 kg) de
uma forragem de média qualidade (ex: gramínea em estado médio de maturação) contendo 1.2 Mcal NEl/kg
MS.
4 Alta: Vacas ingerindo 2.5% do seu peso corporal (ex: 15 kg de MS de forragem para uma vaca de 600 kg) de uma
forragem de alta qualidade (ex: leguminosas em estágios iniciais de maturidade) contendo 1.45 Mcal NEl/kg
MS.
5 Um maior cuidado deve ser tomado ao se fornecer as quantidades de concentrado na área sombreada pelos
possíveis problemas de saúde como indigestão, acidose ruminal, diminuição da porcentagem de gordura no
leite, etc.
7—Guia de Alimentos Concentrados
27
oferecidas para vacas de leite. Os
concentrados s ã o alimentos que
suplementam a energia e a proteína em
uma dieta baseada em pastejo, feno ou
silagem. Normalmente mais de um tipo de
ingrediente concentrado é necessário da
dieta. Os concentrados podem ser
oferecidos separadamente ou misturados
com as forragens.
Como indicado acima, a quantidade de
concentrado necessária para cada vaca em
particular depended a produção de leite e
da qualidade da forragem. A Tabela 1
indica a quantidade de alimento a ser
oferecida de acordo com a produção de leite
e do tipo de forragem que esta sendo
oferecida. Os cálculos assumem que não há
restrição na quantidade de forragem que
esta sendo oferecida. Para utilizar a Tabela
1, primeiro estime qual das três colunas
com o título “produção de leite quando a
forragem é” (primeiras três colunas no lado
esquerdo da tabela) e identifique a
qualidade da forragem oferecida.
Identifique nesta coluna a quantidade de
leite produzida pela vaca. Em seguida,
identifique na linha horizontal dos números
da tabela até que você encontre o pesocorporal e a porcentagem de gordura mais
adequados. O número encontrado
representa a quantidade de concentrado
que deve ser oferecida diariamente. Por
exemplo, uma vaca com 600 kg, que se
aliemta de uma forragem de alta qualidade
e produz 23 kg de leite com 4% de gordura
deve receber 3.2 kg de concentrado por dia.
A Tabela 1 também indica se a forragem
muda de alta para média qualidade e a
quantidade de concentrado permanece a
mesma. Neste caso, a produção de leite
diminuiria para 14 kg/dia. Contudo, uma
produção de leite de 23 kg/dia, pode ser
obtida com uma forragem de média
qualidade se a quantidade de concentrado é
aumentada de 3.2 kg para 7.0 kg por dia.
INGREDIENTES E PORCENTAGENS DE
PROTEÍNA NAS MISTURAS DE
CONCENTRADOS
Saber a quantidade de concentrado que
deve ser fornecida é muito importante.
Contudo, determinar a porcentagem de
proteína bruta na mistura de concentrado
pode ser ainda mais importante. A Tabela 2
mostra as porcentagens desejadas de
proteína na mistura de concentrados para
vacas que são alimentadas com diferentes
tipos de forragens. Na parte superior da
Tabela 2 podemos encontrar exemplos de
diferentes categorias de concentrado
dependendo da concentração de proteína
bruta1.
Quando a forragem é uma leguminosa em
estágios iniciais de maturidade, ou uma
gramínea bem fertilizada em estágios
iniciais de maturidade, ou uma mistura dos
dois, a proteína bruta na mistura de
concentrados pode ser de 12 a 14%.
Contudo, a taxa de proteína bruta na
palnata diminui com o aumento da
maturidade da planta, deste modo, a
porcentagem de proteína bruta do
concentrado precisa ser aumentada para 15
a 18%. Finalmente, para dietas que se
baseiam em forragens de baixa qualidade, a
proteína bruta da mistura de concentrados
deve ser de 18 a 23%. Na parte inferior da
Tabela 2 podemos encontrar alguns
exemplos das quantidades de ingredientes
necessários para se obter 1.000 kg da
mistura de concentrados com a
concentração desejada de proteína bruta.
Por exemplo, uma mistura de concentrados
com 14% de proteína bruta pode ser
preparada misturando-se 600, 200 e 200 kg
de concentrado com baixa categoria, médio-
baixa categoria, e médio-alta categoria,
respectivamente (Tabela 2).
 
1Para mais informações sobre concentrados consulte
o seguinte guia técnico do Instituto Babcock:
“Nutrição e Alimentação”.
Essenciais em Gado de Leite—Nutrição e Alimentação
28
Tabela 2. Exemplos de misturas de concentrados com níveis adequados de proteína bruta,
fornecida aos animais em combinação com diferentes forragens.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
29
8) A FUNÇÃO REPRODUTIVA
DA VACA LEITEIRA
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
O TRATO REPRODUTIVO DA VACA
O trato reprodutivo da vaca está
localizado acima do reto—o último
segmento do intestino grosso (Figura 1). A
maioria das partes do trato reprodutivo
podem ser examinadas indiretamente com
o braço no interioir do reto (palpação retal):
• A cérvix pode ser manipulada durante
a inseminação artificial;
• Os folículos e o corpo lúteo podem ser
identificado nos ovários;
• A presença de um embrião em
crescimento no útero pode ser
detectada.
O útero, o oviduto e os ovários estão
suspendidos na cavidade corporal por um
ligamento grande. A posição deste
ligamento permite que o útero acomode
um feto em crescimento.
Vagina
A vagina é um tubo achatado, com
aproximadamente 30 cm de comprimento.
É o sítio de deposição do sêmen durante a
monta natural. A vagina funciona como um
canal de passagem para os instrumentos
usados na inseminação artificial e para a
saída do bezerro.
Cérvix
A cérvix é um forte músculo de
aproximadamente 10 cm de comprimento e
de 2.5 a 5 cm de diâmetro. No centro da
cérvix existe um estreito canal (Figura 1).
Este canal geralmente se encontra fechado
(e selado durante a prenhez) exceto durante
o cio e na ocasião do parto. A cérvix é
muito eficiênte e funciona como uma
“barreira” que previne a entrada no útero
de qualquer material estranho e, deste
modo, isola o útero do ambiênte exterior.
Útero
O útero faz parte do trato reprodutivo
onde se localiza o bezerro em crescimento.
Em uma vaca vazia, o corpo do útero têm
menos de 5 centímetros de comprimento, e
têm dois cornos (esquerdo e direito) que se
curvam como os chifres de um carneiro
(Figura 1). O útero é um orgão muscular
com capacidade de se expandir
enormemente para acomodar o bezerro
em crescimento. No final da gestação, o
útero contêm um bezerro de 35 a 40 kg, 20
a 30 kg de líquidos, e 5 kg de tecido
placentário. Depois do parto, o útero e
outras partes adjacentes levam cerca de 40
Figura 1: Trato reprodutivo da vaca.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
30
dias para voltar ao seu tamanho normal
(este processo é chamado de involução).
Oviduto
Os ovidutos são dois tubos (um para cada
ovário) que ligam os ovários ao útero; eles
têm mais de 20 cm de comprimento e
somente 0.6 cm de diâmetro. A porção final
de cada oviduto se abre numa estrutura em
forma de funil (infundíbulo); esta estrutura
captura o óvulo que é ejetado do ovário
durante a ovulação. A fertilização, ou a
união do óvulo com o espermatozóide,
ocorre no oviduto. O embrião fica no
oviduto por 3 a 4 dias antes de cair no
útero. Este período de tempo é necessário,
pois o útero precisa se preparar para
receber o embrião em desenvolvimento.
Ovário
Em uma vaca vazia, os ovários são de
formato oval (no formato de um ovo), com
cerca de 4 a 6 cm de comprimento e 2 a 4
cm de diâmetro. As principais funções do
ovário são:
• Produzir um ovo maduro ou óvulo a
cada 21 dias quando a vaca
esta ciclando normalmente;
• Secretar hormônios que:
—Controlam o crescimento do
ovo dentro do ovário;
—Mudam o comportamento
da vaca durante o cio;
—Preparam o trato
reprodutivo para uma
possível prenhez.
Duas estruturas predominam na
superfície do ovário: o folículo que
contêm o óvulo em
desenvolvimento, ou o corpo lúteo
(corpo amarelo) que se desenvolve
a partir do que resta do folículo
após a ejeção do óvulo (ovulação).
Ovo ou óvulo
Ao contrário de todas as outras
células do corpo, cada ovo contêm
apenas uma cópia da informação
genética que existe nos
cromossomos das outras células. Os
ovos são encontrados nos ovários
antes do nascimento, mas a
maturação destes ovos começa com a
maturidade sexual durante a puberdade (12
a 14 meses de idade) e o início dos ciclos
estrais.
O ESTRO OU CIO
O intervalo entre dois cios têm em média
21 dias (Figura 2). O cio, ou estro, dura de 6
a 30 horas e é marcado por um período de
receptividade sexual (dia 1 do ciclo estral).
Fase folicular
No final do ciclo estral, o óvulo atinge a
maturidade, e está coberto por uma série
de camadas celulares e nos seus arredores
existem substâncias nutritivas. Esta
estrutura é chamada de folículo, o qual
secreta estrógeno, um hormônio que muda
o comportamento de uma vaca durante o
cio. Somente durante o cio a vaca permite
ser montada por um touro ou por outras
vacas. Durante o cio, o ovo e o folículo
atingem os estágios finais de maturação.
Na ovulação (12 horas depois do fim do
cio), o folículo “explode”, o ovo é ejetado
para o oviduto e as células remanescentes
Figura 2: O ciclo estral.
8—A Função Reprodutiva da Vaca Leiteira
31
no ovário começam a formar uma nova
estrutura chamada de corpo lúteo (CL). O
corpo lúteo secreta um hormônio chamado
progesterona que previne o completo
crescimento do folículo e é necessário para
a manutenção da prenhez.
Fase luteal ou do corpo lúteo
O desenvolvimento completo do corpo
lúteo demora cerca de 3 dias (dias 2 a 5 do
ciclo). Alguns folículoscomeçam a crescer
no dia 1 do ciclo, a progesterona secretada
pelo corpo lúteo não permite a sua
maturação e eles degeneram. No dia 16 a 18
do ciclo, se o útero não identificou a
presença de um embrião, ele (o útero) vai
mandar um sinal (hormônio
prostaglandina) que regride do corpo lúteo.
Desta maneira, o fator inibitório para as
fases finais do crescimento folicular
desaparece, permitindo que o folículo de
mature por completo. Isto leva a um novo
cio e ao início de um novo ciclo.
No caso de uma prenhez, o útero e o
embrião produzem hormônios que ajudam
na manutenção do corpo lúteo durante
toda a prenhez.
O TRATO REPRODUTIVO DO TOURO
Os testículos do touro produzem as
células sexuais masculinas ou
espermatozóides que, como o óvulo,
contém somente uma cópia do material
genético necessário para constituir um
indivíduo. Os orgãos sexuais masculinos
(Figura 3) iniciam a produção de hormônios
antes do parto; porém, a produção de
espermatozóides se inicia somente na
puberdade (7 a 12 meses de idade).
Escroto
O escroto é um saco localizado do lado
exterior da cavidade abdominal que contêm
os testículos. O escroto pode controlar a
distância entre o testículo e o corpo e, deste
modo, regular a temperatura dos
testículos. Isto ocorre pois para a ideal
produção espermática temperaturas de 2 a
4°C são necessárias. Estas temperaturas são
menores que a temperatura normal do
corpo.
Alguns touros possuem somente um
testículo no escroto. Este testículo
descendente terá uma função normal, mas
o testículo que ficou dentro da cavidade
abdominal não. Esta condição é hereditária
e estes touros não devem ser usados e,
desta maneira, a propagação deste defeito
será evitada.
Testículo
Os testículos tem duas funções principais:
• Produzir espermatozóides viáveis e
férteis;
• Produzir hormônios masculinos.
Cada testículo esta revestido em seu
compartimento, sendo cada compartimento
completamente independente um do outro.
Os testículos são principalmente feitos de
pequenos túbulos (túbulos seminíferos)
local onde a produção de espermatozóides
acontece. Algumas células especializadas
(chamadas de células de Leydig ou células
intersticiais) estão dispersas no tecido
testicular e produzem testosterona, o
hormônio masculino predominante. Este
hormônio é importante para:
Figura 3: O trato reprodutivo do touro.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
32
• Formação normal do espermatozóide;
• Determina a vontade sexual do touro
(libído);
• Manter a função normal dos órgãos
sexuais secundários (prostata, vesícula
seminal e glândula de
Cowper—Figura 3).
Na ocasião do acasalamento, antes do
sêmen ter sido ejaculado, os
espermatozóides são misturados com
secreções ricas em substâncias nutritivas
produzidas nos órgãos sexuais secundários.
A FORMAÇÃO DO
ESPERMATOZÓIDE
A formação do espermatozóide leva cerca
de 64 a 74 dias e a passagem do
espermatozóide através do epidídimo
(local de acúmulo e maturação final do
espermatozóide) leva cerca de 14 a 18 dias.
Portanto, os sintomas de infertilidade de
um touro podem acontecer de 2.5 a 3 meses
após o processo de má formação
espermática ter ocorrido. Em geral, a
formação espermática aumenta com o peso
e diâmetro do testículo. Portanto touros
maiores e mais velhos (que provavelmente
tem maiores testículos) normalmente
produzem mais esperma que touros
menores e mais jovens. A secreção das
glândulas acessórias contribuem, em média,
em até 80% do volume total do ejaculado.
Um touro jovem produz somente 1 ou 2 ml
de sêmen por ejaculação, porém, um touro
maduro pode produzir de 10 a 15 ml de
sêmen por ejaculação. Em geral, quando
um touro ejacula pela segunda, ou mesmo
pela terceira vez em sequência, o volume
do ejaculado não diminui, mas a
concentração espermática tende a diminuir.
Ejaculações frequentes normalmente não
afetam a fertilidade de um touro adulto,
mas um touro jovem deve ser utilizado
com mais cautela. 
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Gado de Leite
33
9) DETECÇÃO DE CIO, MONTA NATURAL E
INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
INTRODUÇÂO
Eficiência reprodutiva é um dos principais
aspectos na lucratividade de um rebanho.
Alguns exemplos de perdas econômicas
devido a um mal manejo reprodutivo são:
• A produção de leite da vaca é
diminuída pois durante sua vida
produtiva ela terá um menor número
de picos de lactação e o período seco
tende a se extender;
• O número de bezerros nascidos por
ano diminui, o que dificulta o descarte
de vacas com baixa produção de leite,
diminuindo o possível ganho genético
do rebanho;
• O custo direto do tratamento das
doenças reprodutivas, inseminações e
custos com o veterinário são
aumentadas.
DETECÇÃO DE CIO
Para a maximização da sua vida
produtiva, toda vaca precisa ser inseminada
dentro de 80 a 90 dias depois do parto.
Dessa maneira a vaca poderá produzir um
novo bezerro a cada 12,5 a 12,8 meses.
Longos intervalos entre partos têm um
efeito negativo na vida produtiva do
animal.
Independentêmente do uso de
inseminação artificial ou monta natural, a
detecção de cio é um fator crítico de um
bom manejo reprodutivo numa fazenda.
Em ambos os casos, anotoções sobre datas
de cio e inseminações são necessárias para
predizer as futuras datas de retorno ao cio e
datas do parto, para um melhor manejo
dos animais.
O que é o cio?
Cio é o período no qual a vaca aceita
monta (receptividade sexual) que
normalmente ocorre em novilhas depois da
puberdade que não estejam prenhez, e em
vacas não prenhez. Este período de
receptividade pode durar de 6 a 30 horas e
acontece, em média, em intervalos de 21
dias. Porém, este intervalo entre dois cios
pode variar normalmente de 18 a 24 dias.
Sinais do cio
A observação de cio é um trabalho difícil
e necessita experiência. A maioria das vacas
têm um padrão de comportamento que se
modifica gradualmente desde o começo até
o fim do cio. O melhor indicador de que a
vaca esta no cio é ela fica parada e aceita ser
Figura 1: Uma vaca esta em cio quando
ela fica em pé e parada quando esta
sendo montada por outra vaca ou
touro. A vaca que monta a outra vaca
pode ou não estar em cio.
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34
montada por outras companheiras de
rebanho ou pelo touro (Figura 1). Uma
série de sinais indicativos de que o cio esta
próximo e o animal deve ser observado
mais cuidadosamente esta resumido na
Tabela 1.
Variação circadiana do cio
O inicio da atividade do cio segue um
padrão distinto, sendo que a maioria destas
atividades ocorre durante a noite,
madrugada ou começo da manhã. Algumas
pesquisas mostram que mais de 70% da
atividade de monta ocorre entre 19:00 e
07:00 horas (Figura 2). Para se detectar mais
de 90% dos cios em um rebanho, as vacas
devem ser observadas cuidadosamente
Figura 2: Mais frequentêmente as vacas
mostram sinais de cio durante a noite.
durante as primeiras horas da manhã, ao
entardecer, e em intervalos de 4 a 5 horas
durante o dia.
Outros fatores influenciando a
expressão de cio
A expressão e a detecção do cio variam
dependendo de vários fatores. Por
exemplo, o tipo de abrigo (baracão, free
stall, pasto, espaço para caminhar ao redor
das cercas, etc.) pode determinar as chances
dos animais mostrarem cio e do produtor
detectar as vacas em cio. Em rebanhos
maiores, mais de uma vaca pode mostrar
cio ao mesmo têmpo. Quando isto
acontece, as chances de detectar as vacas
em cio aumenta dramaticamente, pois as
atividades de monta também aumentam
consideravelmente. Por exemplo, duas
vacas em cio ao mesmo tempo (grupo
sexualmente ativo) desencadeia o triplo de
atividade de monta. Todavia, fatores como
alta temperatura e humidade,vento, chuva,
neve, falta de espaço e condições de solo
escorregadio ou problemas de casco,
tendem a diminuir a expressão do cio.
Ausência de cio
O cio pode não estar sendo detectado
devido as seguintes razões:
• A vaca esta prenha;
• A vaca esta em anestro no pós parto;
Tabela 1: Sinais de cio em vacas de leite.
Cio verdadeiro
• Fica parada quando montada.
• Mostra sinais associados com o iniciao e
fim do cio.
Começo e fim do cio
• Comportamento similar do touro.
• Mostra sinais de nervosismo.
• Se aproxima subitamente; a posição
cabeça-contra-cabeça pode ser vista
frequentêmente.
• Se encosta em outras vacas.
• Cheira a vagina e a urina de outras
vacas; as vezes seguido do reflexo de
Fleming (entortar o nariz).
• Movimento de persseguição; alguns
animais tentam colocar o queixo na
garupa das outras vacas; que pode ou
não ser seguido por uma atividade de
monta.
• Vagina hiperêmica (rosada) e
entumescida; descargas de muco
transparente pela vulva.
Outros sinais1
• Diminuição de ingestão de comida e
produção de leite.
• Animal sujo (esterco na garupa).
• Queda de pêlos na altura da inserção da
cauda devido ao comportamento de
monta.
1 Sinais não específicos que ocorrem em algumas
ocasiões particulares.
9—Detecção de Cio, Monta Natural e Inseminação Artificial
35
• A vaca esta em anestro devido a
desnutrição, infecção severa do trato
reprodutivo, ou outros tipos de
complicações do pós parto;
• A vaca têm cistos ovarianos;
• Simples falha na detecção de cio;
INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL
A inseminação artificial é uma técnica na
qual o sêmen é introduzido artificialmente
dentro do corpo uterino na ocasião do cio,
visando uma futura prenhez.
As maiores vantagens da inseminação
artificial são:
• Viabilização do uso de touros
provados de melhor valor genético
para transmissão de caracteristicas
desejadas em um determinado
rebanho;
• Elimina os custos e o perigo
envolvidos na manutenção de um
touro na fazenda;
• Diminui o risco de transmissão de
doenças transmitidas sexualmente
transmissíveis e de defeitos genéticos
(ex: casco de burro);
• Têm um benefício que se acumula ao
passar dos anos.
Com a adoção da inseminação artificial,
um sistêma eficaz de identificação das
vacas e das datas dos cios e inseminações
deve ser implantado. A manutenção
acurada dos dados têm um papel chave
no desenvolvimento de um bom manejo
reprodutivo na fazenda. Estes dados
também podem ser utilizados por
associações de produtores para a criação de
uma importante base de dados.
MONTA NATURAL
O uso de touros para a monta natural
ainda é muito comum, mesmo em regiões
onde a inseminação artificial esta dando
bons resultados. Muitos fazendeiros
acreditam que as taxas de prenhez são
maiores com o uso de touros comparado à
inseminação artificial. Porém, quando a
detecção de cio é eficaz e a inseminação
artificial é feita corretamente, esta difereça
não existe.
O uso continuado de monta natural pode
ser visto como um paradoxo devido as
vantagens genéticas do uso da inseminação
artificial. Todavia, em algumas situações o
uso de monta natural pode ser indicado:
• Quando os empregados da fazenda
não estão dispostos ou mal treinados
para realizar a detecção do cio e a
inseminação artificial, o que pode levar
a baixas taxas de prenhez;
• Quando o ganho genético de longo
termo não é importante;
 • Quando as condições locais não
fornecem a infraestrutura necessária
para a implementação da inseminação
artificial (acesso a sêmen, nitrogênio
líquido e tanque para estoque de
sêmen e nitrogênio, telefone, etc.).
Os fazendeiros com que mantém touros
na propriedade nunca podem se esquecer
de que existêm relatos de casos fatais
após um ataque de um touro. Isto
representa um risco real (especialmente
quando se acredita que o touro é manso) e
precisa ser manejado com firmesa (sem
insegurança) , porém com extrema cautela.
Além disso, os touros podem espalhar
doenças sexualmente transmissíveis
(campilobacteriose e tricomoníase). Vacas
infectadas poder se tornar inférteis por até
quatro meses; ou, se as vacas conceberem,
uma morte embrionária (uma forma de
aborto) pode acontecer.
TEMPO IDEAL PARA INSEMINAÇÃO
A inseminação artificial ou monta natural
podem gerar uma prenhez somente se os
espermatozóides estão “no local correto e
na hora correta”. Os oócitos é liberado dos
ovários de 10 a 14 horas depois do fim do
cio e podem sobreviver não fertilizados por
6 a 12 horas. Todavia, os espermatozóides
podem viver até 24 horas no trato
reprodutivo da vaca. Uma recomendação
comum de manejo do melhor período para
a inseminação é conhecida com regra da
“manhã-e-tarde”: vacas observadas em cio
de manhã são inseminadas na mesma
tarde, e vacas em cio durante a tarde são
inseminadas na manhã seguinte.
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36
No caso de monta natural, a vaca e o
touro podem ser colocados juntos algumas
horas depois que a vaca aceitou monta até
quando ela não aceita mais ser montada
(Figura 3).
CAUSAS DE BAIXAS
TAXAS DE CONCEPÇÃO
Mais de 90% das vacas de um rebanho
deveriam receber menos de três serviços
para emprenhar. Possíveis causas de baixas
taxas de concepção (menos que 50%)
podem ser causadas por:
1) Problemas relacionados a detecção de
cio:
• Falha na detecção de uma vaca em cio;
• Inseminar ou cobrir um animal que
não esta em cio;
• Tempo incorreto do serviço;
• Erros de identificação de um animal
causando erros nos dados;
2) Problemas relacionados a monta
natural ou inseminação artificial:
• Touro com baixa fertilidade;
• Uso incorreto da técnica de
inseminação artificial;
3) Problemas com a vaca:
• Infecção do trato reprodutivo;
• Desordem hormonal;
• Obstrução de oviduto;
• Problemas anatômicos;
• Morte embrionária precoce (a vaca
emprenha, mas não consegue manter
a prenhez);
4) Problemas relacionados a nutrição
(veja: “Reprodução e nutrição”).
Figura 3: Tempo de inseminação ou monta natural para vacas em cio.
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37
10) PRENHEZ E PARTO
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PRENHEZ
Fertilização
Fertilização é a união do ovo com o
espermatozóide dando origem à primeira
célula do embrião. A fertilização acontece
no oviduto. O embrião entra no útero 2 a 3
dias após a fertilização, mas não se adere na
parede uterina (implantação) antes de 28
dias.
Implantação
A implantação consiste na formação de 80
a 100 estruturas, onde o tecido fetal
(cotilédone) e o tecido materno (carúnculas)
se aderem. Depois do parto, se as
carúnculas e o tecido fetal falham em se
separar, a placenta não pode ser expelida,
causando a retenção da placenta. O
processo de implantação também consiste
na formação do cordão umbilical,
permitindo a troca de nutrientes e escretas
entre o tecido materno e fetal. A
implantação geralmente se completa com
45 dias de prenhez.
Morte embrionária
Até a implantação estar completa, o risco
de morte embrionária é alto. Estimativas
mostram que 10% a 20% das prenhezes
terminam devido à morte embrionária. Se a
morte do embrião acontece dentro de 17 a
18 dias após a fertilização, a vaca retorna
em cio dentro do tempo esperado e o
produtor não pode perceber que aquele
animal já esteve prenhe. Uma morte
embrionária mais tardia resulta em um
retorno tardio do cio. Neste caso, a vaca
tem um ciclo “aparente” de 30 a 35 dias.
Portanto, a morte embrionária pode
facilmente ser confundida com uma falha
na concepção ou no retorno do cio.
Exame de prenhez
Alguns métodos para se detectar a
prenhez incluem o não retorno do cio,
palpação retal e níveis de progesterona no
leite. Cada método têm suas vantagens e
desvantagens.
Não retornodo cio
Uma vaca que não retorna em cio dentro
de 21 dias após a inseminação pode estar
prenhe. Porém, uma vaca pode não
retornar em cio devido a cistos foliculares
ou devido a simples falha na detectção do
cio. Portanto, quando não se pode utilizar
de outras técnicas para a detecção da
prenhez, uma vaca é declarada prenhe se
ela não foi detectada em cio nos últimos 60
dias (tempo de três ciclos estrais).Figura 1: Feto de 4 meses envolvido em tecidos
placentários.
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38
Palpação retal
Um veterinário pode usar o exame de
palpação retal 40 a 60 dias depois da
imseminação para detectar o feto no útero,
outras estruturas relacionadas com a
gestação, e a presença do corpo lúteo no
ovário.
Progesterona no leite
Durante a prenhez, os cyclos estrais são
interrompidos pela presença do corpo lúteo
que continua produzindo progesterona
durante toda a prenhez. A persistência da
progesterona no leite 21 a 23 dias após a
inseminaçã pode ser utilizada como uma
ferramenta para o diagnóstico da prenhez.
Crescimento do feto
A maioria do crescimento fetal ocorre nos
últimos 3 meses de gestação (190 a 282 dias
de gestação), e o peso do feto aumenta de
4kg para cerca de 45kg. Para o crescimento
fetal normal muitos nutrientes são
necessários, fazendo com que os
requerimentos nutricionais da vaca
aumentem, especialmente durante os
últimos 2 meses de getação.
Aborto
O aborto é a expulsão do feto não viável
antes do tempo normal da prenhez. O
aborto de um feto implantado ocorre em 3
a 5% das gestações. As maiores causas de
aborto são:
• Inseminação de uma vaca que já esta
prenha;
• Injúrias físicas (manejo incorreto do
animal gestante);
• Ingestão de toxinas no alimento,
alimento mofado, alimentos com altos
níveis de estradiol;
• Infecções microbianas (doenças
venérias e outras doenças).
Todo caso de aborto deve ser visto como
uma situação potencialmente séria, sendo
necessário descobrir a causa do problema.
Bacterial (brucelose, leptospirose, listeriose
e vibrioses, etc.), viral (BVD, IBR), protozoal
(trichomoniase) ou infecções fúngicas
podem causar abortos durante 4 aos 7
meses de gestação.
PARTO
O parto é definido como o nascimento do
feto acompanhado pela expulsão da
placenta. Na posição fetal normal, o feto se
direciona na posição vertical (costas para
cima) com as patas dianteiras direcionadas
para a abertura uterina (a cérvix) e com a
cabeça apoiada nas patas dianteiras (Figura
2). O posicionamento anormal ao
nascimento ocorre em cerca de 1 a cada 20
partos (5% dos casos).
Sintomas do parto
• Os sintomas do parto eminente são:
• Aumento do úbre (com potencias
problemas de edema);
• Relaxamento dos ligamentos pélvicos;
• Descarga do tampão mucoso que veda
a cérvix durante a prenhez.
Fases do parto
Estágio 1: Dilatação da cérvix
Em geral, este estágio dura de 2 a 3 horas
em vacas maduras e 4 a 6 horas em
novilhas. Durante este estágio, a cérvix
dilata devido a liberação de um hormônio
(oxitocina) e pela pressão da “bolsa de
água”.
Figura 2: Posição fetal antes do
rompimento da bolsa d'agua pode
atrasar a normal dilatação da cérvix.
10—Prenhez e Parto
39
Estágio 2: Nascimento do bezerro
O segundo estágio é caracterizado pelo
progresso do bezerro através do canal do
parto seguido de sua expulsão. Neste
estágio, o bezerro ainda pode estar
encapsulado pela segunda bolsa (âmnio).
Depois da cabeça ter passado pelo canal do
parto, o resto do corpo demanda pouco
esforço para ser espelido. Este estágio pode
durar de 2 a 10 horas. Um erro comum é
tentar puxar as patas do bezerro
desnecessariamente ou muito
antecipadamente.
Estágio 3: Expulsão da placenta
Durante o terceiro estágio, a placenta é
espelida do útero. Após o nascimento do
bezerro, as contrações uterinas continuam
por algum tempo. Estas contrações ajudam
a separar as duas partes do cotilédone
(Figura 1). Normalmente, a placenta deve
ser espelida dentro de 12 horas depois do
parto.
MANEJO DO PARTO DISTÓCICO
Experiência e bom senso são necessários
para decidir quando ajudar uma vaca que
esta parindo. Depois de 1 ou 2 horas de
intensas contrações, os pés dianteiros do
bezerro devem estar aparecendo. Se a vaca
se aparenta cansada, a assistência pode ser
necessária. É muito importante lavar e
desinfetar as mãos, braços, a vulvada vaca e
todo o equipamento usado durante a
assitência. A posição do bezerro deve ser
checada primeiro e, caso seja necessário,
devemos corrigi-la antes de tracionar o
bezerro. A tração do bezerro deve ser feita
quando a vaca se contrai.
PÓS-PARTO
Um processo chamado involução uterina
se inicia imediatamente depois do parto. O
útero se encolhe e alguns tecidos devem ser
renovados. A primeira ovulação pós-parto
pode acontecer dentro de 15 dias depois do
nascimento do bezerro, porém esta
ovulação geralmente não é acompanhada
de comportamento de cio (cio silencioso), e
os primeiros ciclos estrais podem ter uma
menor duração. Porém, mais de 90% das
vacas devem ter cido observadas em cio
pelo menos uma vez até 60 dias pós-parto.
COMPLICAÇÕES DO PÓS-PARTO
Retenção de placenta
A retenção de placenta ocorre em cerca de
5 a 10% dos partos normais. A frequência
de retenção de placenta aumenta em partos
prematuros e distócicos, e também em
casos de infecção bacteriana. A placenta
NÃO deve ser removida manualmente
devido ao risco de danificação de tecidos
uterinos com possibilidades de infertilidade
irreversível. Devemos objetivar evitar
infecções uterinas e estimular contrações (o
tratamento com estrógenos pode ser
eficaz). A prevenção da retenção de
placenta deve fazer parte do manejo
reprodutivo da fazenda, pois ela esta
sempre ligada a outros problemas do pós-
parto. A prevenção inclui uma sanitização
adequada durante o parto e uma nutrição
adequanda durante o período seco.
Metrite
Metrite é uma inflamação do útero na
maioria das vezes causada por uma invasão
de microorganismos. A metrite pode
frequentemente ser reconhecida por uma
secreção purulenta escorrendo pela vagina.
A dificuldade no parto e a retenção de
placenta aumentam o risco de ocorrência da
metrite. Exceto em casos de metrite severa,
as vacas normalmente se recuperam sem
nenhum tratamento em questão de
semanas. Em casos severos, o veterinário
Figura 3: Parto.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
40
pode tentar evacuar os fluidos uterinos por
palpação retal associado com uma infusão
de antibióticos intra-uterinos. No caso de
uso de antibióticos, o leite deve ser
descartado, por um período de 3 a 4 dias.
Uma alternativa é induzir o cio com o uso
de um hormônio (prostaglandina). Durante
o cio, as contrações uterinas ajudam a
drenar a infecção e minimizam o uso de
antibióticos.
Piometra
Como no caso da metrite, este problema
envolve uma infecção do útero. Porém, no
caso da piometra, a cérvix esta fechada,
prevenindo a drenagem do material
purulento do interior do útero. O útero fica
cheio de pús e a vaca não entra em cio. Os
danos causados por uma piometra podem
levar a esterilidade irreversível.
GUIA PARA O PARTO
Boas práticas de manejo são muito
efetivas em minimizar o estresse do parto e
a mortalidade de bezerros. Manejar uma
fazenda com o objetivo de minimizar
dificuldades no parto da vaca é essencial e
requer o controle de vários fatores:
• Alimentação adequada: A alimentação
adequada das novilhas é importante,
mas o animal não deve ser inseminado
antes de atingir o peso ideal. As vacas
não devem ser super alimentadas
durante a última parte da lactação e
durante o período seco devido ao
risco de obesidade o que pode
aumentar o risco de partos distócicos.
• Uso de piquete de maternidade: Um
piquete de maternidade deve ser
reservado para cerca de 8 vacas do
rebanho. Portanto um rebanhocom
40 a 50 vacas deve ter 6 ou 7 piquetes
de maternidade no qual o animal
possa se movimentar livremente
durante o parto. O piquete deve ser
bem seco, bem ventilado e bem limpo
depois de cada parto.
• Seja paciênte, mas pronto para pedir
ajuda veterinária caso seja necessário:
Procure por sinais iniciais do parto e
observe a progressão do parto. A vaca
deve ter tempo para se preparar para
o parto; depois de 1 a 2 horas de
intensas contrações, as patas dianteiras
do bezerro devem estar aparentes.
Caso não sejam notados sinais de
progresso e a vaca se mostre cansada,
cheque a posição do bezerro. Se você
não consegue determinar a posição do
bezerro ou se você não tem certeza de
como corrigir o problema, chame o
veterinário imediatamente. Caso a
decisão de intervir no parto seja feita,
use condições de sanidade adequadas:
Ao examinar a vaca, use sempre
medidas sanitárias para evitar o perigo
de infecções.
• Dê atenção ao bezerro recém parido:
Limpe o muco da sua narina e
verifique se o bezerro esta respirando.
A limpeza interna da narina com o
dedo normalmente é sufuciente para
iniciar os movimentos respiratórios. Se
os pulmões estão obstruídos por uma
quantidade grande de muco, os fluidos
podem ser limpos segurando o
bezerro de cabeça para baixo por um
período curto de tempo. Use um
desinfetante para prevenir infecções
de umbigo. Forneça colostro dentro
de no máximo algumas horas depois
do parto para ajudar na imunidade do
bezerro contra doenças infecciosas.
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41
11) REPRODUÇÃO E NUTRIÇÃO
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INTRODUÇÃO
Água, energia, proteína, minerais e
vitaminas são necessários para uma
reprodução normal. Estes nutrientes são os
mesmo daqueles necessários para outros
processos no corpo: mantença, crescimento
e produção de leite. O impacto do estatus
nutricional no desempenho reprodutivo
pode afetar a habilidade de:
• Conceber (iniciar uma nova prenhez);
• Promover a quantidade ideal de
nutrientes para o crescimento normal
do feto;
• Parir sem complicações (retenção de
placenta, febre do leite, etc.).
CRESCIMENTO E NUTRIÇÃO
DA NOVILHA
O peso e não a idade da novilha
determinam quando a puberdade acontece
e os ciclos estrais se iniciam. Os primeiros
sinais de cio normalmente ocorrem quando
a novilha atinge 40% do seu peso adulto.
Em novilhas bem alimentadas, a
maturidade sexual acontece, em média, aos
11 meses de idade. Porém, o estresse
térmico e a baixa nutrição das bezerras e
novilhas jovens atrasam a maturidade
sexual e previnem o início dos ciclos estrais.
Em regiões tropicais, a maturidade sexual
de novilhas pode não occorrer antes de 14 a
15 meses.
As novilhas devem estar pesando cerca de
60% do seu peso adulto no momento da
inseminação (com 14 a 15 meses de idade).
Portanto se uma vaca, em média, pesa 600
Kg, as novilhas devem estar pesando cerca
de 360Kg (600 x 60/100) no momento da
inseminação (Tabela 1).
NUTRIÇÃO DA VACA
Nutrição e prenhez
Uma baixa nutrição durante a prenhez
pode gerar:
• Partos prematuros, malformações e
bezerros fracos resultantes de
deficiências maternas de energia,
proteína, vitamina e minerais.
Tabela 1: Peso corporalde novilhas de leite
em várias idades com diferentes pesos ao
nascimento e taxas de crescimento diários.
Tamanho da raça1
Meses Grande Media Pequena Regional
de Ganho diário (kg/dia)
idade 0.725 0.650 0.500 0.300
0 42 32 25 20
1 64 52 40 29
3 107 91 70 47
6 173 149 115 74
9 238 208 160 101
12 303 266 205 128
152 368 325 250 155
18 434 383 295 182
21 499 442 340 209
243 564 500 385 236
Peso adulto4 (Kg)
620 550 424 260
1 Alguns exemplos de raças incluem: Grande =
Holandesa e Pardo-Suiço; Média = Ayrshire e
Guernsey; Pequena = Jersey; Regional = raças
pequenas não selecionadas.
2 Idade à primeira inseminação.
3 Idade de parição.
4 As vacas devem continuar crescendo durante a
primeira e segunda lactação. O peso maduro é
atingido somente no começo da tercerira lactação.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
42
• Aborto, que é raramente devido à
baixa nutrição, exceto em casos de
extrema carência alimentar, ingestão
de toxinas fúngicas na comida, ou
quando a comida possui alta
contaminação de estrógeno (um
hormônio esteróide).
Nutrição e complicações no pós-parto
Muitas complicações na ocasião do parto
estão relacionadas, pelo menos em parte, a
desbalanços nutricionais:
• Síndrome da vaca gorda é uma
condição resultante do excesso de
energia no fim da lactaçãoou durante
o período seco, levando à obesidade,
perda de apetite e mobilização
excessiva de gordura no início da
próxima lactação.
• Febre do leite é causada devido a
mobilização de cálcio da circulação
para o leite nos primeiros dias depois
do parto. Esta condição é causada, em
parte, pelo excesso de cálcio ou
desbalanço entre cálcio e fósforo na
dieta. Paralisia e morte podem ocorrer
se o tratamento não é imediato.
• Torção de abomaso é a condição na
qual o abomaso é deslocado (torcido)
para a esquerda ou direita. A causa
primária deste problema pode ser um
excesso de concentrado (falta de fibra)
na dieta em associação com o aumento
de espaço na cavidade abnominal
depois do parto.
• Cetose é uma desordem metabólica
que ocorre com insuficiência ou
excesso de reservas corporais na
ocasião do parto—as vacs perdem o
apetite, a produção de leite e a
performance reprodutiva diminuem.
Vacas que sofrem de febre do leite e
síndrome da vaca gorda também tem
maiores chances de ter retenção de
placenta, metrite, distocia e baixa
fertilidade.
Lactação e concepção
No início da lactação, a maioria dos
nutrientes são direcionados para a
produção de leite. Além dos nutrientes
encontrados na dieta, as vacas tendem a
mobilizar as reservas corporais
(principalmente energéticas) para a
manutenção da produção de leite. A
ingestão de materia seca não é suficiente
durante o início da lactação; portanto, elas
entram em balanço energético negativo
(deficiência de energia), elas perdem peso e
a capacidade de conceber diminui
dramaticamente. Somente em estagios mais
tardios da lactação, quando a energia
ingerida esta em equilíbrio com a energia
necessária para a produção de leite, que a
probabilidade de concepção aumenta.
Balanço energético e fertilidade
Uma cusa comum da baixa fertilidade em
vacas de leite é a deficiência de energia
ingerida comparada com o a energia que o
animal necessita, ou balançco energético
negativo. Dependendo da produção de leite
no início da lactação, o balanço energético
negativo pode durar de 2 a 10 semanas
depois do parto (dois meses e meio). O
efeito da mudança de peso corporal
durante o período de inseminações (dois a
três meses depois do parto) esta
demonstrado na Tabela 2.
Taxas de concepção são menores para
vacas inseminadas durante o balanço
energético negativo (perdendo peso)
comparadas com vacas durante o balanço
Table 2: Efeito do estatus energético no início da lactaçãonas taxas de
concepção.
Número de:
Mudança de
peso da vaca Serviços Prenhezes
Serviços por
concepção
Taxa de
concepção
Ganhando 1368 911 1.50 67
Perdendo 544 234 2.32 44
11—Reprodução e Nutrição
43
energético positivo (ganhando peso). Não
existe nenhuma prova de que vacas de alta
produção transmitem menores habilidades
reprodutivas. Todavia, é evidente que vacas
com balanço energético negativo tem
menor fertilidade independente da
habilidade em produzir leite.
Proteína e fertilidade
O efeito da proteína da dieta na
reprodução é bastante complexa. Em geral,
quantidades inadequadas de proteína na
dieta diminuem a produção de leite e a
performance reprodutiva. O excesso de
proteína também podeter um efeito
negativo na reprodução. Todavia, em
alguns casos, maiores quantidades de
proteína estão associados a uma maior
fertilidade. Alguns dos seguintes fatores
podem explicar as baixas performances
reprodutivas observadas com excessivos
níveis de proteína na dieta:
• Altos níveis de uréia no sangue
podem ocorrer, tendo um efeito tóxico
nos espermatozóides, oócitos, e no
embrião em desenvolvimento;
• O balanço hormonal pode ser alterado
—os níveis de progesterona são
baixos na presença de altos níveis de
uréia.
• Nas vacas em início de lactação, altos
níveis de proteína podem exacerbar o
balanço energético negativo e atrasar
o retorno da função ovariana normal.
Suplementação com proteína e uréia,
fazendo com que vacas em início de
lactação tenham dietas com 16% de
proteína e vacas em fim de lactação tenham
dietas com 12% de proteína deve otimizar a
reprodução.
Minerais, vitaminas e fertilidade
Minerais e vitaminas são fatores que
podem determinar o desempenho
reprodutivo. Os efeitos mais severos das
deficiências são bem conhecidos. Todavia, é
difícil de se estabelecer possíveis efeitos de
deficiências marginais ou mesmo de
excessos. Além disso, existem muitas
interações entre minerais, especialmente
microminerais. Em geral, quase todo o
requerimento de minerais e vitaminas
(exceto ferro) tem um efeito direto ou
indireto na fertilidade da vaca (Tabela 3) e
na capacidade da vaca parir um bezerro
sadio (Tabela 4).
A deficiência em fósforo pode atrasar a
maturidade de novilhas e diminuir a
fertilidade de vacas em lactação. A deficiêcia
ou excesso de cálcio ou fósforo na dieta
pode causar febre do leite no pós-parto.
Proporções entre cálcio–fósforo de 1.5:1 a
2.5:1 são ideais. Porém, esta razão deve
sempre ser balanceada para a quantidade
de cálcio e fósforo necessárias, e não
baseada na simples proporção de cálcio-
fósforo.
Seleção genética e reprodução
Entre as raças de aptidão leiteira, a intensa
seleção genética durante os últimos 20 a 30
anos acentuou o problema do balanço
energético no começo da lactação.
Consequentemente, a medida que a
produção de leite aumentou, a performance
reprodutiva das vacas de leite diminuiu.
Taxas de concepção de 50% podem ser
Tabela 3: Efeito da deficiência de micromirerais nas desordens reprodutivas.
Micromineral1
Desordem reprodutiva Cu/Mo2 Co I Mn Se Zn Fe
Intervalo variável entre cios 4 4
Anestro ou cio silencioso 4 4 4
Aumento de services por concepção 4 4 4 4
Aborto 4 4 4 4
Retenção de placenta 4 4
1 Cu = Cobre; Mo = Molibdênio; Co = cobalto; I = iodo; Mn = manganês; Se = selênio; Zn = zinco; Fe = Ferro.
2 Níveis excessívos de molibdênio, com níveis adequados de enxofre, desencadeiam uma deficiência de cobre.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
44
consideradas taxas baixas; porém, estas
taxas ainda estão acima da média da
indústria americana. Alguns acreditam que
a queda da performance reprodutiva é
devido a seleção genética para a melhoria
da produção leiteira. Todavia, as pesquisas
indicam que as taxas de concepção para
novilhas permanecem constantes nos
últimos 25 anos, sugerindo que a seleção
genética para a maior produção leiteira não
é a causa desta baixa fertilidade.
A herdabilidade de características
reprodutivas, como dias em aberto, é muito
baixa. Portanto tentar melhorar parâmetros
reprodutivos por meio da seleção genética
seria muito ineficiênte. Provavelmente,
vacas selecionadas para alta produção
leiteira tambem foram selecionadas (seleção
indireta) para uma maior habilidade em
mobilizar reservas corporais e para ingerir
maiores quantidades de alimento. Vacas
com maior ingestão de alimentos no início
da lactação tem menos problemas
reprodutivos se comparadas a vacas que
mobilizam grandes quantidades de
reservas corporais. Portanto é possível que
a seleção de animais com maior capacidade
de ingerir alimentos no início da lactação
pode permitir uma maior produção de leite
com com mínimos efeitos negativos na
reprodução.
Tabela 4: Efeito da deficiência nutricional durante a prenhez na saúde de bezerros recém
paridos.1
Nutriente Sintomas de deficiêcia nos bezerros
Energia Baixo peso ao nascimento; anti-econômico, bezerros de crescimento lento.
Proteína Baixo peso ao nascimento; Bezerros de crescimento lento, e se muito
desnutridos, imunidade diminuída (baixa resistência à infecções) devido aos
baixos níveis de imunoglobulina no colostro.
Cálcio e
fósforo
Raramente são um problema, pois grandes quantidades de cálcio e fosforo
podem ser mobilizadas dos ossos para o crescimento fetal.
Iodo Bócio em bezerros recém paridos.
Cobre Bezerros fracos, mostrando sintomas de bócio.
Selênio Bezerros anti-econômicos, degenaração muscular (doença dos músculos
brancos), paralisia e falha cardíaca.
Vitamina A Diminuição do período de gestação e aborto em casos mais severos;
nascimento de bezerros fracos, cegos ou descoordenados; forte diarréia
(branca) em bezerros fracos.
Vitamina D Nascimento de bezerros com bócio (raramente).
Vitamina E Relacionado às deficiências em selênio; membros enfraquescidos,
dificuldades para ficar em pé e incapacidade para se amamentar.
1 Linn, J.G.; D.E. Otterby; J.K. Reneau. 1990. Dairy management manual; Factsheet 617.00.
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45
12) ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL
Michel A. Wattiaux
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CONDIÇÃO CORPORAL
A quantidade de reservas corporais na
ocasião do parto têm uma grande influência
em problemas do pós-parto imediato, na
produção de leite e na eficiência
reprodutiva da lactação subsequente. Vacas
muito magras têm:
• Menor produção de leite devido a falta
de quantidades adequadas de reservas
corporais para serem usadas no início
da lactação;
• Maiores incidências de certos problemas
metabólicos (cetose, deslocamento de
abomaso, etc.);
• Atraso no aparecimento do cio depois
do parto.
Porém, vacas muito obesas têm:
• Mais complicações no parto
(dificuldades no parto);
• Diminiução de ingestão de matéria
seca no início da lactação, o que pode
desencadear:
— Maior incidência de algumas
doenças metabólicas (síndrome da
vaca gorda, cetose, etc.);
— Diminuição da produção de leite.
Portanto, o objetivo é ter vacas em “boa”
condição corporal no parto—nem tão
magra e nem tão gorda. A condição
corporal é uma medida subjetiva da
quantidade de gordura, ou da quantidade
de energia reservada, que uma vaca possui.
A condição corporal muda ao longo da
lactação. Vacas no início da lactação estão
em balanço energético negativo e perdem
condição corporal (mobilizam reservas
copóreas de gordura). A vaca consegue
produzir sete quilos de leite com a perda de
um quilo de peso corporal. Vacas em início
de lactação não devem perder mais de um
quilo de peso corporal por dia. Porém,
vacas no final da lactação estão em balanço
energético positivo e ganham condição
corporal para repor as reservas corporais
perdidas no início da lactação. Portanto, em
condições ideais, a condição corporal muda
ao longo da lactação (Figura 1).
ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL
(CC) AO LONGO DA LACTAÇÃO
O escore de condição corporal é uma
ferramenta usada para ajustar a nutrição e
as práticas de manejo para a maximização
do potencial produtivo e minimizar as
desordens reprodutivas.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
46
Figura 1: Balanço energético de vacas de leite no início da lactação.
12—Escore de Condição Corporal
47
A condição corporal é feita observando-se
a garupa da vaca—primeiramente
observando—se os ossos do íleo (tuber
coxae), do ísquio (tuber ischii) e da inserção
da cauda. A quantidade de gordura “de
cobertura” sobre as vértebras da porção
trazeirado animals também é utilizada na
determinação da condição corporal (Figuras
2, 3 e 4). As vacas são classificadas em uma
escala de 1 a 5. Vacas muito magras
recebem escore 1 e vacas muito obesas
recebem escore 5 (Figura 4).
Uma condição corporal de 1.5 um ou dois
meses depois do parto não é desejável
podendo indicar falta de nutrição adequada
(balanço energético negativo, Figura 4a).
Uma condição corporal de 3.0 (Figura 4b)
deve ser tipicamente observada em uma
vaca recuperando suas reservas energéticas
durante a metade do período de lactação.
Durante o fim da lactação e durante o
período seco, uma condição corporal de 3.5
deve ser desejada.
Condição corporal recomendada em vários
estágios da lactação:
 Parto 3.0 to 3.5
 Inseminação 2.5
 Fim da lactação 3.0 to 3.5
 Período seco 3.0 to 3.5
Figura 2: Identificação de algumas partes do
corpo usadas para a determinação da condição
corporal.
Tabela 1: Efeito da perda de condição
corporal (CC) no início da lactação na taxa
de concepção.
Perda de CC Taxa de concepção
Menos de 1 unidade 50%
De 1 a 2 unidades 34%
Mais de 2 unidades 21%
Figura 4: Exenplo de vacas com escores de condição corporal de 1.5 (A), 3 (B) e 4.5 (C).
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
48
Estas condições corporais fornecem
reservas corporais suficientes para a
minimização do risco de complicações no
parto e maximizam a produção de leite no
início da lactação. Ao decorrer da lactação a
produção de leite diminui e as vacas
ganham condição corporal. O excesso de
oferta de concentrados é um erro comum
de manejo nas fazendas. Vacas que
recebem muito concentrado no final da
lactação tendem a ficam obesas (Figura 4c).
Estes animais têm maiores chances de ter
um parto distócico (dificuldade no parto) e
desenvolver outras doenças (síndrome da
vaca gorda).
Figura 3: Escores de condição corporal. (Adaptado de A.J. Edmondson, I.J. Lean, C.O. Weaver, T. Farver
and G. Webster. 1989. A body condition scoring chart for Holstein dairy cows. J. Dairy Sci. 72:68-78.)
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13) MANEJO REPRODUTIVO DO REBANHO
Michel A. Wattiaux
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REPRODUÇÃO É UM ASSUNTO
MULTIFATORIAL
Um bom manejo reprodutivo demanda
bastante conhecimento do rpodutor, pois
muitos fatores podem afetar as chances do
animal emprenhar:
• Fertilidade da vaca;
• Fertilidade do sêmen;
• Eficiência da detecção de cio;
• Eficiência da inseminação.
A taxa de prenhez é o produto destes
quatro fatores. A consequência deste efeito
multiplicativo entre estes fatrores faz com
que a melhoria de um destes índices (por
exemplo a fertilidade da vaca) terá um
impacto pequeno nas taxas de prenhez se
os outros fatores tem uma eficiência baixa.
A falha em apenas um dos parâmetros de
fertilidade pode diminuir drasticamente as
taxas de prenhez.
Fertilidade da vaca
A fertilidade da vaca depende de muitos
fatores. A idade do animals tem uma forte
influência na fertilidade. Novilhas e vacas
na segunda lactação são normalmente mais
férteis que vacas de primeira lactação e
vacas maduras. A fetrilidade é maior nos
meses mais frios do ano, e quando as vacas
estão:
• Sem doenças reprodutivas;
• Sem problemas relacionados ao parto;
• Sem problemas de desbalânço
nutricional—especialmente para
animais magros ou muito gordos na
ocasião do parto.
A fertilidade também é alta quando as
vacas param de perder peso e começam a
repor as reservas corporais alguns meses
depois do parto.
Fertilidade do touro
A circunferência testicular esta relacionada
com a fertilidade dos touros maduros. A
ejaculação diária durante um extenso
período de tempo não diminuir a
fertilidade; porém, isto varia com:
• Idade e maturidade sexual;
• Nutrição adequada;
• Doenças sexualmente transmissíveis;
• Libido (interesse pela fêmea).
No caso de inseminação artificial, a
fertilidade do touro também pode ser
afetada pela diluição do sêmen, sistema de
produção, cuidados no armazenamento e
manejo deste a sua produção até a
deposição no trato reprodutivo da fêmea.
Eficiência da detecção de cio
Uma baixa eficiêcia na detecção de cio é
provavelmente o fator mais importante
afetando as taxas de prenhez de vacas
férteis. A eficiêcia da detecção de cio
depende de dois fatores: O nível de
detecção e a acurácia da detecção. Causas
de baixa acurácia podem ser devido a:
• O capataz não conhece os sinais do cio
e falha em identificar vacas em cio;
• O cio é detectado corretamente, mas
um erro ocorre na identificação da
vaca ou na anotação dos dados (ex:
data incorreta).
Eficiência da inseminação
Em geral, a eficiência da inseminação é
perto de 100% quando um bom touro é
usado na monta natural. No caso da
inseminação artificial, porém, este fator é
medido principalmente pela competência
do capataz e inseminador em:
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
50
• Determinar o momento correto da
inseminação;
• Manejar o sêmen congelado
corretamente;
• Depositar o sêmen no local correto
(corpo do útero).
ÍNDICES REPRODUTIVOS
Os índices reprodutivos são indicadores
da performance reprodutiva de um
rebanho (dias vazios, intervalo entre
partos, etc.). Eles podem ser calculados
quando os eventos reprodutivos no
rebanho estão sendo anotados
corretamente. Os índices reprodutivos nos
permitem identificar áreas que podem ser
melhoradas, para alcançar objetivos
reprodutivos realísticos, para monitorar o
progresso, e para identificar problemas em
estágios iniciais. Além disso, os índices
reprodutivos podem ser usados na
investigação do histórico de algum
problema (infertilidade, entre outros). A
maioria dos índices em um rebanho são
calculados como uma performance média
de vacas individualmente. Portanto, em
rebanhos pequenos, a avaliação da
eficiência reprodutiva pode se afastar da
média do rebanho por causa da
performance de uma determinada vaca.
Importância da coleta e
armazenamento de dados
A correta anotação dos dados é muito
importante. Os dados devem ser analizados
para o fornecimento de resultados úteis.
Cada animal deve ser identificado
corretamente e cada evento deve ser
anotado corretamente para a obtenção de
índices reprodutivos que refletem a real
situação da eficiência reprodutiva do
rebanho. A manutenção correta dos dados
permite:
• O cáculo de índices reprodutivos;
• Predição de eventos futuros (cio e
parição).
Antecipação de eventos reprodutivos
futuros é muito importante no correto
manejo de uma fazenda de leite. Por
exemplo, a detecção de cio pode ser
melhorada e as vacas podem ser secas de
modo que elas tem 50 a 60 dias de descanso
(período seco) entre lactações.
As próximas duas páginas apresentam
um exemplo de folha para anotações que
podem ser utilizadas para manter os dados
históricos de cada vaca do rebanho.
Tabela 1: Índices reprodutivos e valores ótimos em condições ideais.
Índices reprodutivos Valores ótimos
Valores indicativos
de problemas
sérios
Intervalo entre partos 12.5–13 meses >14 meses
Média de dias até o primeiro cio <40 dias >60 dias
Vacas observadas em cio dentro de 60 dias após parto >90% <90%
Mdia de dias vazios ao primeiro serviço 45 a 60 dias >60 dias
Serviços por concepção <1.7 >2.5
Taxa de concepção ao primeiro serviço em novilhas 65 a 70% <60%
Taxa de concepção ao primeiro serviço em vacas
lactantes
50 a 60% <40%
Vacas que conceberam com menos de 3 serviços >90% <90%
Vacas com intervalo entre serviços de 18 a 25 dias >85% <85%
Média de dias vazios 85 a 110 dias >140 dias
Vacas vazias com mais de 120 dias <10% >15%
Tempo do período seco 50 a 60 dias <45 or >70 dias
Idade média à primeira parição 24 meses <24 or >30 meses
Taxa de aborto <5% >10%
Descartepor problemas reprodutivos <10% >10%
<= menor; >= Maior.
13—Manejo Reprodutivo do Rebanho
51
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
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53
14) CONCEITOS GENÉTICOS BÁSICOS
Michel A. Wattiaux
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O QUE É GENÉTICA?
Genética é a ciência que estuda a variação
e a transmissão de características de uma
geração para a outra. Dentro desta
definição, a palavra variação se refere a
variação genética; que é o intervalo dos
possíveis valores para uma característica e
como esta característica é influenciada pela
hereditariedade. Hereditariedade é a
transmissão de características dos pais para
sua prole via material genético. Esta
transmissão ocorre no momento da
fertilização dentro do processo da
reprodução—quanto o sêmen do touro se
unifica com o óvulo da vaca para produzir
um bezerro com um material genético
único. Somente gêmeos idênticos têm um
material genético igual, pois eles vieram de
um mesmo óocito que deu origem a dois
embriões durante as fases iniciais de
desenvolvimento.
O QUE É AMBIENTE?
O ambiente é normalmente imaginado
como as redondesas do animal—luz,
temperatura, ventilação e outros
parâmetros que podem contribuir para o
conforto físico do animal. Porém, em
genética, a palavra ambiente têm um
significado mais geral. O ambiente é a
combinação de todos os fatores, exceto os
genéticos, que podem afetar a expressão
dos genes. Por exemplo, a produção de leite
de uma vaca é afetada pela idade ao parto,
época de parição, nutrição e muitos outros
fatores. Portanto vacas com a mesma
genética irão produzir quantidades
diferentes de leite se estão em ambientes
diferentes. Por exemplo, o desempenho na
lactação de um par de gêmeos idênticos vai
variar drasticamente se as duas bezerras
são separadas na ocasião do parto e
mandadas para países diferentes. Porém,
pode existir uma diferença grande de
produção de leite entre estes mesmos
gêmeos quando estes são colocados em
duas fazendas diferentes na mesma área,
dependendo do manejo que cada uma
recebeu.
GENÓTIPO E FENÓTIPO
O genótipo de um animal representa os
genes responsáveis por uma característica
em particular. Em geral, o genótico é a
carga genética herdada por um animal.
Porém, o fenótipo é o valor de uma
característica. Em outras palavras, é o que
pode ser observado ou medido. Por
exemplo, o fenótipo pode ser a produção
de leite de uma vaca em particular, a
porcentagem de gordura no leite ou o
escore de conformação deste animal.
Existe uma importante diferença entre
genótipo e fenótipo. O genótipo é
essencialmente uma característica fixa de
um organismo; e fica constante durante
toda a vida e não é mudada por fatores do
ambiente. Quando apenas um ou alguns
poucos genes são responsáveis por uma
característica, o fenótipo normamente não
muda durante a vida (ex: cor do cabelo).
Neste caso, o fenótipo fornece uma boa
indicação da composição genética de um
indivíduo. Porém, para algumas
características, o fenótipo muda
continuamente durante a vida de um
indivíduo em resposta a fatores ambientais.
Neste caso, o fenótipo não é um indicador
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
54
confiável do genótipo. Isto normalmente
ocorre quando muitos genes estão
envolvidos na expressão de uma
característica como por exemplo a
produção de leite. Deste modo, a produção
de leite de uma vaca é normalmente
expressa da seguinte maneira:
Produção de leite fenotípica = G + E,
onde:
G é o mérito genético da vaca para
produção de leite (o efeito dos genes);
E é o efeito do manejo e do ambiente do
animal.
O MATERIAL GENÉTICO
O material genético esta localizado no
núcleo de cada célula do corpo. Exceto pelas
células reprodutivas (espermatozóide e
óvulo) e algumas outras excessões (células
vermelhas do sangue), as células contém
duas cópias do material genético do
animals. Quando as células se dividem, o
material genético se organiza em forma de
novelos chamados cromossomos (Figura
1). Nas células do corpo, cada cromossomo
têm um outro parceiro que têm o mesmo
comprimento e forma (exceto pelos dois
cromossomos sexuais que determinam o
sexo) e contém a informação genética para
a mesma característica. Estes dois
cromossomos são os dois membros de um
par cromossômico, um deles veio do touro,
e o outro da vaca. O número de pares de
cromossomos é típico de cada espécie e
normalmente é abreviado pela letra “n”.
Por exemplo, em humanos têm n = 23,
suínos n = 19 e em bovinos n = 30.
Portanto, as células do corpo de humanos,
suínos e bovinos contém 2n = 46, 38 and 60
cromossomos, respectivamente.
Os genes estão localizados ao longo dos
cromossomos. O gene é a unidade
funcional básica da hereditariedade; deste
modo, os genes contém a informação
genética que é responsável pela expressão
de uma característica em particular. O total
comprimento de uma cromossomo pode
ser dividido em milhares dessas unidades
funcionais, e cada uma é responsável por
uma característica.
O gene é composto de um material
chamado ácido desoxiribonucleico ou ADN.
A função do ADN é de transportar a
informação necessária para síntese de
proteínas. As proteínas são sintetizadas e o
ADN se replica, o número de células do
corpo aumenta (crescimento) e as células
podem se especializar em funções
específicas (desenvolvimento) onde alguns
genes são ativados e outros desativados.
Por exemplo, as células da pele (um tecido
especializado) contém todo o material
genético necessário para recriar um animal,
mas os únicos genes especializados que
estão ativos nestas células são os genes
responsáveis pela formação e cor dos
cabelos.
TRANSMISSÃO DO MATERIAL
GENÉTICO
Macho ou fêmea
Os testículos de um touro e os ovários de
uma vaca produzem células reprodutivas
por uma série especial de divisões celulares
que diminuem pela metade o número de
cromossomos de uma célula. O
espermatozóide e o óvulo contém somente
um dos membros dos pares de
cromossomos. Portanto, as células de
bovinos contém 60 cromossomos (2n = 60),
mas o espermatozóide no sêmen e o óvulo
nos ovários contém somente 30
cromossomos (n = 30, Figura 2). Os dois
principios básicos da transmissão de
Figura 1: Genes aumentados milhares de
vezes.
14—Conceitos Genéticos Básicos
55
características (ex: sexo) são as seguintes
(Figura 2):
1) Separação dos pares de cromossomos
durante a formação das células
reprodutivas;
2) União do espermatozóide com um
óvulo para criar uma célula com um
único material genético.
Em 29 dos pares de cromossomos, ambos
membros são visualmente indênticos.
Porém, em um dos pares, um dos
membros é muito mais curto; este é
chamado de par cromossômico XY, e o
membro mais curto deste par de
cromossomos é chamado de Y. Todos os
óvulos contém o cromossomo X, mas o
espermatozóide pode carregar tanto o X
como o Y. Durante a divisão celular para a
formação das células reprodutivas, cada
membro do par de cromossomos vai para
uma célula diferente. Deste modo, 50% dos
espermatozóides vão carregar o
cromossomo X e os outros 50%, vão
carregar o cromossomo Y. Se um
espermatozóide carregando o cromossomo
Y fertiliza um óvulo, o filhote será macho.
Porém, se este filhote receber 2
cromossomos X, ele será fêmea (Figura 2).
É importante percebermos que é
impossível predizer o sexo do filhote na
ocasião do acasalamento (ou inseminação);
porém, podemos predizer que, em média,
50% dos filhotes serão machos e 50% serão
fêmeas.
Características qualitativas
As características qualitativas tendem a
ser categorias discretas. Normalmente um
ou alguns poucos genes têm um efeito
significativo em características qualitativas.
O ambiente normalmente têm umefeito
pequeno em influenciar a categoria do
animal. Neste caso, o fenótipo do animal
reflete o seu genótipo. Alguns exemplos de
características qualitativas em gado de leite
são:
• Cor do pêlo;
• Defeitos hereditários (bezerro anão);
• Presença ou ausência de chifres;
• Tipo sanguíneo.
Quantitative traits
Características quantitativas diferem das
características qualitativas pois:
1) Elas são influenciadas por vários pares
de genes;
Figura 2: Os cromossomos são transmitidos pelas células reprodutivas que contém somente
metade do número total de cromossomos da espécie. As combinações de cromossomos na
ocasião da fertilização são responsáveis pelas características herdadas pela prole (ex: sexo).
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
56
2) A expressão fenotípica é mais
fortemente afetada pelo ambiente que
características qualitativas.
Muitas das características
economicamente importantes na
bovinocultura de leite são quantitativas:
• Produção de leite;
• Composição do leite;
• Conformação (ou tipo);
• Conversão alimentar;
• Resistência às doenças.
A influência de vários genes e o efeito do
ambiênte em características quantitativas
dificulta muito a determinação do genótipo
de uma maneira acurada se comparado
com a maioria das características
qualitativas. Algumas vezes o fenótipo do
animal não nos da muita informação sobre
o seu genótipo. Por exemplo, os dados de
produção de leite de um animal somente
nos informa sobre o mérito genético
daquele animal para a produção de leite.
O que faz com que o genótipo
de um animal seja único?
Quando os óvulos são formados, eles
recebem um dos dois membros dos pares
de cromossomos. Portanto, um
cromossomo em particular em um óvulo
pode ser o primeiro ou o segundo membro
do par de cromossomos parentais. Assim,
existem apenas dois tipos diferentes de
óvulos para aquele cromossomo em
particular. Se ao invés de um par de
cromossomos, considerar-mos dois, qual é
o número total de óvulos possíveis? Em
outras palavras, qual é o número total de
possíveis combinações de cromossomos?
Esta situação é semelhante ao se jogar duas
moedas ao mesmo tempo. O número de
combinações possíveis são: dois valores
possíveis para a primeira moeda vezes dois
valores possíveis para a segunda moeda =
2 x 2 = 22 = 4 possibilidades diferentes. O
número de diferentes genótipos para um
óvulo é quatro e a possibilidade de cada
combinação de cromossomos é de 1/4. Isto
também ocorre para o número de
possíveis genótipos no macho. Portanto,
quando um dentre os quatro possíveis
tipos de genótipo do espermatozóide
fertiliza um dentre os quatro tipos de
genótipo dos óvulos, o número de filhotes
com genótipo diferente é de 4 x 4 = 16 (ex:
22 x 22). Portanto a chance de um genótipo
em particular aparecer em um filhote é de
1/16.
Quando os 30 pares de cromossomos de
uma vaca de leite se separam durante a
formação das células reprodutivas e depois
se reunem na fertilização, o número total
de combinações possíveis de cromossomos
é de 230 x 230 = 1.152.900.000.000.000.000,
cada um sendo um indivíduo único. Com
esse número de possibilidades em cada
acasalamento, fica fácil de entender porque
dois indivíduos não são semelhantes em
uma população, mesmo quando eles têm os
mesmo pais.
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Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
57
15) PRINCÍPIOS DE SELEÇÃO
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
As características quantitativas em
bovinocultura de leite como a produção de
leite, gordura e proteína, são
econômicamente importantes para muitos
fazendeiros em todo mundo. Estas
características são diferentes das
características qualitativas como a cor do
pêlo, pois ao invés de estarem em
categorías discretas (vermelho, branco,
preto), os valores das características
quantitativas variam em uma escala
contínua de infinitos valores. O grande
número de possibilidades para
características quantitativas é devido a:
• A grande quantidade de genes
envolvidos na expressão de uma
característica, o que possibilita vários
genótipos;
• O efeito significante do ambiente pode
adicionar alguma variabilidade nos
possíveis valores de uma
característica.
O objetivo do melhoramento genético na
bovinocultura de leite é de modificar a
proporção de certos genes sendo que,
dependendo do ambiente em que o animal
será criado, esta(s) característica(s) de
interesse serão expressadas de modo a
maximizar os lucros do fazendeiro. Por
exemplo, o melhoramento genético para
produção de leite procura aumentar o
número de genes que irão maximizar a
produção de leite dentro de um ambiente
(clima, alimentação, manejo, etc.) no qual a
vaca vai expressar seu potencial.
FORÇAS QUE MODIFICAM A
FREQUÊNCIA DE CERTOS GENES
As mudanças no material genético dos
dos animais ocorrem naturalmente.
Existem basicamente quatro forças que
alteram a frequência de alguns genes em
uma população animal. Mutação (mudança
na estrutura do material genético) e
modificação aleatória (ocorrem ao acaso,
especialmente em populações pequenas)
não podemos predize-las, portanto não são
úteis. Porém, em um ponto de vista prático,
seleção e migração (acasalamentos
cruzados) são as ferramentas disponíveis
aos inseminadores para mudar o valor
genético do seu rebanho para uma
característica em particular.
Seleção é um processo que permite com
que certos animais se reproduzam mais que
outros. Deste modo, animais com um
genótipo desejado produzirão uma prole
maior. Quando a seleção é feita durante
várias gerações, alguns genes se tornam
mais frequentes dentro de uma população.
Portanto, a seleção genética se baseia em
duas etapas. Primeiro, os animais com um
genótipo superior precisam ser
identificados e, em uma segunda etapa,
estes animais devem servir como
reprodutores da próxima geração.
Migração envolve o transporte de
animais de uma população para outra
população que têm uma frequência de
genes diferente. O cruzamento de raças
zebuínas locais (Bos indicus) com raças
Européias (Bos taurus) é um exemplo de
migração. A forma mais importante de
migração de genes entre raças bovinas
atualmente é o comércio internacional
(importação e exportação) de sêmen.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
58
OS CONCEITOS BÁSICOS
DA SELEÇÃO
Para entender como a seleção para
características quantitativas funciona,
precisamos entender alguns conceitos
importantes. A variação em uma
característica em particular nos animais é a
chave do processo de seleção. Em um
rebanho com uma média anual de
produção de leite de 5.500 kg, algumas
vacas podem produzir 9.000 kg, enquanto
que outras podem estar produzindo
somente 2.000 kg. Estes podem ser
exemplos extremos, mas a produçaõ de
leite de uma vaca neste rebanho pode ser
de qualquer valor entre estes dois
extremos. Mesmo dentro de um rebanho,
onde alguns podem pensar que o ambiente
é parecido para todos os animais, somente
cerca de 25% da variação total na produção
de leite é devido a variação genética
(consulte herdabilidade na Tabela 1).
Distribuição normal
Distribuição dos dados de produção leiteira
As vacas poduzem diferentes quantidades
de leite, ainda assim, seus dados podem ser
agrupados em categorias. A Figura 1
mostra um exemplo de distribuição das
produções de leite de 200 vacas
categorizadas em 28 grupos. Neste gráfico,
cada bloco representa uma vaca. Vacas
produzindo 2.000 a 2.500 kg pertencem ao
primeiro grupo (barra do lado esquerdo do
gráfico); a direita desta barra, cada grupo é
definido tendo como base o grupo anterior.
O último grupo (barra do lado direito do
gráfico) inclui vacas produzindo entre 8.875
e 9.000 kg de leite. Esta representação,
chamada de histograma, nos da uma idéia
da média e da variação daprodução de
leite. No nosso exemplo, 19 vacas
produzem 5.250 a 5.500 kg, uma vaca
produz 2.250 a 2.500 kg e nenhuma vaca
produz mais que 8.750 kg. Quando uma
linha é desenhada passando sobre o topo
de cada barra de um lado ao outro da
figura, obtemos uma linha na forma de um
sino. A maioria das características
quantitativas seguem este tipo de curva,
que é chamada de “curva normal” ou
“distribuição normal”. A análise de dados
(produção de leite, escore de tipo, etc.) que
se distribuem seguindo uma “curva
normal” é a base do nosso conhecimento
sobre o mérito genético de uma vaca ou de
um touro para uma determinada
característica.
Em uma distribuição normal, a maioria
dos animais estão espalhados aos arredores
da média (a barra mais alta), e quando
olhamos para produções maiores ou
menores de leite, o número de animais nos
grupos diminui. A maneira em que os
dados se distribuem ao redor do ponto
central é chamada de variância ou desvio
padrão.
Por exemplo, a distribuição da produção
de leite das filhas de um touro formam uma
distribuição normal. Um animal na extrema
direita desta distribuição, provavelmente,
tem um alto mérito genético. Porém, isto
pode não ser totalmente real pois uma vaca
com um alto mérito genético pode ter tido
sua produção de leite afetada por um baixo
nível nutricional, uma dificuldade no parto,
um outro problema de manejo ou ainda ter
sofrido algum efeito do ambiente. Do
Figura 1: Distribuição da produção de
leite—curva de distribuição normal.
15—Princípios de Seleção
59
mesmo modo, uma vaca pode ter tido sua
produção de leite artificialmente aumentada
se comparado com outras vacas do
rebanho por tratamentos preferenciais.
Portanto, é necessário fazer uma correta
análise dos dados e reconhecer efeitos do
ambiente no desempenho do animal. Desta
maneira podemos nos certificar do mérito
genético que esta sendo passado para a
próxima geração.
PONTOS CHAVES PARA A MUDANÇA
GENÉTICA ATRAVÉS DA SELEÇÃO
GENÉTICA
Através da seleção, a mudança do valor
genético dos animais em uma população
pode ser afetada pela variação genética de
uma população, intensidade de seleção,
acurácia da seleção e pelo intervalo entre
duas gerações. A mudança no valor
genético pode ser resumida em uma
simples equação:
Mudança genética por ano =
Acurácia x Intensidade x Variação genética
Intervalo de gerações
Assim a mudança genética anual será
maior quando a acurácia, a intensidade de
seleção e a variação genética forem tão
grandes quanto possíveis e o intervalo
entre geraçõs for tão pequeno quanto
possível.
Acurácia na seleção de vacas e touros
O maior fator limitante para a acurácia
das estimativas de mérito genético em
vacas é que todos os animais estão no
mesmo rebanho, ou seja, elas estão
expostas a uma gama pequena de efeitos
do ambiente. Porém, o teste de progênie
permite obter alta precisão na
determinação do mérito genético dos
touros. Se um número suficiente de filhas é
criado em vários rebanhos, a avaliação da
capacidade de transmissão dos touros pode
ser obtida quase que com perfeição.
Herdabilidade ou h2
Define-se herdabilidade de uma
característica como a proporção da
variância da expressão fenotípica do animal
que é de origem genética. Em geral, maior
é a herdabilidade de uma característica,
maior a acurácia da seleção e maior a
resposta à seleção. As herdabilidades
indicadas na Tabela 1 podem ser
interpretadas da seguinte maneira:
• Menos de 0.10—baixa herdabilidade;
• Entre 0.10 e 0.30—herdabilidade
moderada;
Figura 2. Média e variância são as
duas principais características da
distribuição normal.
Tabela 1: Herdabilidade e importância econômica
de algumas características em gado leiteiro.
Características
Herdabi-
lidade
Correlação
genética1
Características de
produção:
Produção deleite 0.25 1
Produção de gordura 0.25 0.75
Produção de proteína 0.25 0.82
Sólidos totais 0.25 0.92
% gordura 0.50 –0.40
% proteína 0.50 –0.22
Características de tipo:
Escore de tipo 0.30 –0.23
Altura 0.40 —
Pernas (lateral) 0.16 —
Ângulo dos pés 0.10 —
Profundidade de úbere 0.25 —
Suporte de úbere 0.15 —
Colocação dos tetos 0.20 —
Outras características:
Velocidade de ordenha 0.11 —
Contagem de celula
somatica2
0.10 —
Dificuldade de parto 0.05 —
Peso ao nascimento 0.35 —
Dias em aberto 0.05 —
1 Correlação genética com produção de leite.
2 Medida de susceptibilidade à mastite.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
60
• Maior que 0.30—alta herdabilidade.
Intensidade de seleção
A intensidade de seleção depende
exclusivamente da fração da população que
é escolhida para serem os pais. Ela reflete
quanto a média da fração selecionada
excede a média da população antes de se
praticar a seleção. Mesmo quando o
desempenho reprodutivo é bom, a
intensidade de seleção das vacas em um
rebanho é minima se comparada à
intendidade de seleção aplicada aos touros.
Como resultado, a maioria do progresso
genético em um rebanho provém do
sêmen de touros altamente selecionados
disponíveis. O ganho genético potencial
devido a seleção das vacas é limitado pois a
maioria das vacas precisa ser mantida no
rebanho para manter o tamanho do
rebanho. Assim, o número de bezerras que
podem ser testadas no teste de progênie é
muito mais limitada em vacas que em
touros.
Variação genética (desvio padrão)
Variação genética pode ser bem ilustrada
pela distribuição dos dados da curva
normal (em forma de sino) em torno da
média. Uma pequena variação resulta em
uma estreita curva e uma grande variação
em uma ampla curva. A variação genética
influencia o ganho genético obtido em um
programa de seleção—maior variação
genética, maior será a resposta a seleção.
Contudo, o desvio padrão genético é uma
particularidade da população e não pode
ser mudado pelo criador ou melhorista.
Nos EUA o desvio padrão para a
produção de leite, gordura e proteína são
560, 22.5 e 19 libras, respectivamente. O
menor desvio padrão para a produção de
proteína que a de gordura indica que é
mais difícil se conseguir um progresso
genético em produção de proteína que em
produção de gordura. Em países onde a
média de produção de leite é menor que a
dos EUA, os desvios padrões
provavelmente são proporcionalmente
menores.
Intervalo entre gerações
Define-se intervalo de gerações como a
idade média dos pais quando do
nascimento de sua prole. Idade à
puberdade e duração da gestação são
imutáveis; contudo, intervalo de gerações
pode ser significtivamente aumentado
quando a taxa de mortalidade é alta ou a
taxa de gestação é baixa. Um intervalo de
geração típico é o tempo da primeira
avaliação genética de um touro usado em
inseminação artificial: nove meses de
prenhez para se obter um bezerro, mais
dois anos para a vaca começar a produzir
leite e mais outros dez meses de lactação.
Portanto, o intervalo de gerações é de
quarto anos.
Quanto mais curto é o intervalo de
gerações, maior é o progresso genético por
ano. Porém, um longo intervalo entre
gerações pode aumentar a exatidão da
seleção, pois um maior número de
informações estarão disponíveis com o
passar do tempo (produção de leite das
filhas de um touro).
RESPOSTA CORRELACIONADA
Correlação entre duas características
mede a tendêndia delas variarem na
mesma direção (correlação positiva) ou na
direção oposta (correlação negativa). A
interpretação da magnitude de correlação
entre duas características, como mostrado
na Tabela 1, são as seguintes:
• Entre 0.7 e 1.0—correlação alta;
• Entre 0.35 e 0.7—correlação
moderada;
• Entre 0 e 0.35—correlação pequena.
Por exemplo a correlação negativa entre a
quantidade de leite e a porcentagem de
gordura no leite (Tabela 1) torna mais difícil
a seleção de vacas para ambas, alta
produção de leite e alta porcentagem de
gordura no leite. Em contraste, a correlação
entreprodução de leite e consumo de
alimento é altamente positiva (+0.80). Deste
modo, vacas selecionadas para produzir
mais leite tendem a consumir mais
alimento.
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Gado de Leite
61
16) HABILIDADE PREDITA DE TRANSMISSÃO
E CONFIABILIDADE
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AVALIAÇÃO GENÉTICA DO
REBANHO LEITEIRO NOS EUA
A avaliação genética de touros na
bovinocultura leiteira teve início nos
Estados Unidos em 1935. Em 1974, o índice
de Comparação Contemporária Modificada
(CCM) foi implementado como um método
eficaz para a avaliação dos animais. A cada
seis meses, em Janeiro e em Julho, o
departamento de agricultura dos Estados
Unidos calculava o valor genético de vacas
e touros que tinham seus dados anotados
no programa de Melhoramento do
Rebanho Leiteiro (MRL). Desde Julho de
1989, a Capacidade Prevista de Transmissão
(CPT) de vacas e touros têm sido analisada
por um método estatístico chamado
“Modelo Animal”. No modelo animal,
machos e fêmeas são avaliados ao mesmo
tempo com a ajuda de um sistema
computadorizado muito poderoso.
CARACTERÍSTICAS AVALIADAS
As cinco características de produção para
as quais a avaliação é conduzida são:
1) Produção de leite;
2) Produção de gordura;
3) Produção de proteína;
4) Porcentagem de gordura;
5) Porcentagem de proteína.
Acresente-se características de
conformação (primariamente úbere, pernas
e pés, conformação do corpo e capacidade
leiteira) que são também avaliadas.
Avaliação genética da vida produtiva dos
touros (expectativa de vida das filhas no
rebanho) e escore das células somáticas
(uma medida de resistência à infecções por
mamites) são também avaliadas nos
Estados Unidos, desde janeiro de 1994.
CAPACIDADE PREVISTA DE
TRANSMISSÃO OU CPT
(EM INGLÊS PTA)
A habilidade de transmissão é o valor
genético médio de uma característica que
um animal transmite para sua prole. A
habilidade de transmissão pode ser
calculada com um certo grau de acurácia
(chamado de confiabilidade) usando-se três
fontes de informação:
1) O mérito genético dos pais;
2) O desempenho do próprio animal
(quando aplicável);
3) Informação da progênie.
O valor da habilidade de transmissão
predita de um touro é um número médio; é
a melhor estimativa do mérito genético de
um touro. O valor genético e o
desempenho de uma filha em particular
ainda depende de componentes
imprevisíveis, pois cada filha recebe
diferentes genes de um mesmo touro. O
acaso determina o mérito genético da prole
na ocasião da fetrilização do oócito pelo
espermatozóide. Em outras palavras, o
mérito genético de um animal não pode ser
previsto na hora do acasalamento. Por
exemplo, quando dois animais de alto
mérito genético são cruzados, o valor
genético de sua prole não sera
necessáriamente alto. Porém esta prole
estará mais propensa a ter um mérito
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
62
genético acima da média. Mas é possível
que o mérito genético da mesma prole seja
menor que a média.
O desempenho das filhas de um touro
esta distribuída de acordo com uma curva
em forma de sino (curva normal), e isto
ocorre tanto para um touro com CPT para
produção de leite de 1.000 kg, como para
um touro com CPT de 0 kg para a mesma
característica. É importante perceber que o
touro A têm um CPT de 1.000 kg, porém
poucas filhas do touro A terão o CPT
menor que algumas filhas do touro B, o
qual têm um CPT de 0 kg (Figura 1).
Contudo, um ponto importante é que mais
filhas do touro de alto valor genético (touro
A) têm um CPT maior que as filhas do
touro de baixo valor genético (Touro B).
Base genética
Base genética é o ponto de referência usado
para avaliar o mérito genético de animais
para uma característica. Todos os valores
do CPT são expressos como um desvio da
base genética. Define-se a base fixando-se a
capacidade prevista de transmissão média
no ponto “zero” para um grupo de
animais. Por exemplo, nos Estados Unidos,
até 1994, a CPT para produção de leite foi
fixada em zero para todas as vacas nascidas
em 1985 e que ainda estavam produzindo
leite em 1990. Há uma base para cada
carcterística e para cada raça.
Estritamente, não há necessidade de
modificar a base genética. Entretanto, com
o progresso genético as CPTs aumentam.
Em geral, as bases genéticas são atualizadas
para ajustar as estimativas dos valores
genéticos dos animais para a população
representativa da situação atual. Alguns
países mudam sua base genética
anualmente (Canadá), porém alguns
mudam somente a cada 10 anos. Nos
Estados Unidos, a base genética é
modificada a cada 5 anos.
O impacto da mudança da base genética
sobre a produção de leite esta ilustrado na
Figura 2. Ao se modificar a base genética
nós não mudamos o valor genético de um
animal ou sua classificação quando
comparado a outros animais da população;
somente o ponto de referência se modifica.
Confiabilidade
Confiabilidade é uma medida de precisão
ou de acurácia dos valores da CPT.
Confiabilidade pode ser vista também
como um reflexo do volume de
informações na avaliação da CPT. Maior o
volume de informações disponível, maior
será a confiabilidade e também será menos
provável que as futuras CPTs sejam
Figura 1: Frequência de distribuição das
filhas para dois touros de CPT diferentes.
Figura 2: Efeito da mudança da base
genética sobre o valor da CPT para
produção de leite.
16—Habilidade Predita de Transmissão e Confiabilidade
63
diferentes das atuais. Confiabilidade
depende primariamente da:
• Confiabilidade na CPT dos pais e dos
outros parentes;
• Do número de anotações (vacas);
• Do número de filhas de um touro e do
número de rebanhos pelos quais elas
estão distribuídas.
São necessárias cerca de 30 filhas
colocadas em 30 rebanhos diferentes para
se obter um valor da CPT para produção de
leite com uma confiabilidade aproximada
de 70%. Da mesma maneira, 100 filhas
colocadas em 100 rebanhos aumentam
aumentam a confiabilidade do CPT para
88%. Portanto, a confiabilidade aumenta
com o aumento do número de
informações. Espera-se que um valor da
CPT com confiabilidade de 70% se
modifique em avaliações futuras. A direção
da mudança é desconhecida, contudo, com
o aumento de informações disponíveis, a
CPT desses touros pode subir ou descer ou
mesmo permanecer quase intacta.
Portanto, o uso de touros com baixa
confiabilidade é mais arriscado, mas ao
mesmo tempo, há maior oportunidade de
provocar mudanças do que o uso de touros
com alta confiabilidade da CPT (mais de
90%), dos quias não se espera mais
mudanças.
Intervalo de confiança
Intervalo de confiança reflete o limite
dentro do qual se colocam 68% das
capacidades esperadas de transmissão (duas
de um total de três vezes). Um intervalo de
confiança é útil porque ele dá uma
expectativa realista da magnitude de
mudança que pode afetar o PTA de um
touro.
Intervalo de confiança é fácil de ser
calculado porque ele depende somente da
confiabilidade e do desvio padrão da
característica de interesse. O limite inferior
e superior de um intervalo de confiança
pode ser calculado da seguinte maneira:
Limite inferior = CPT – desvio;
Limite superior = CPT + desvio;
Onde o desvio =
dadeconfiabili -1 x desvio padrão genético.
Vamos calcular o intervalo de confiança
para dois touros, ambos com CPT para leite
1.000 lb, mas com confiabilidade de 70% e
99%. Como esta indicado no rodapé da
Tabela 1, o desvio padrão genético para
produção de leite é de 560 lb. Então para o
touro com confiabilidade de 70%, o desvio
da CPT é 1 - 0.7 x 560 = 307 lbs. O limite
inferior do intervalo de confiança é 1000 –
307 = 693 lbs, e o limite superior é 1000 +
307 = 1307 lbs de leite. Deste modo, nós
podemos dizer que em duas de um total de
trêsvezes, a verdadeira CPT do touro situa-
se entre 693 e 1307 lb de elite. Isto também
significa que em uma em um total de seis a
verdadeira CPT será menor que 693 lbs de
elite e em uma de um total de seis ela será
maior que 1.307 lb de leite.
Tabela 1: Desvio aproximado da média que
pode ser usado para o cálculo do intervalo de
confiança no qual o verdadeiro CPT de um
animal será encontrado em duas de um total
de três vezes.*
Deviation = dadeconfiabili-1 x
desvio padrão genéticoConfia-
bilidade Leite Proteína Gordura
% Kg Lbs Kg Lbs Kg Lbs
50 180 396 6 13 7 16
70 139 307 5 10 6 12
75 127 280 4 10 5 11
80 114 250 4 8 5 10
85 98 217 3 7 4 9
90 80 177 3 6 3 7
95 57 125 2 4 2 5
99 25 56 1 2 1 2
*Para o cáculo dos desvios na tabela, o desvio padrão
genético foi considerado da seguinte maneira:
produção de leite 254 kg (560 lbs); produção de
proteína 8.6 kg (19 lbs); produção de gordura 10.3 kg
(22.5 lbs).
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
64
Para o touro com confiabilidade do CPT
de 99%, o intervalo de confiança é bem
menor. No nosso exemplo, o touro com
CPT de 1.000 lb e confiabilidade de 99% tem
uma verdadeira capacidade de transmissão
entre 944 lb e 1.056 lb em duas de um total
de três vezes (Figura 3).
Figura 3: Intervalo de confiança (68%) e
confiabilidade em CPT para produção de
leite.
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65
17) OBJETIVOS DA SELEÇÃO
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DEFINIR OS OBJETIVOS DA
INSEMINAÇÃO
O objetivo de sistemas de acasalamento
devem considerar cuidadosamente a
situação de cada produtor de leite.
Recentemente, o objetivo de sistemas de
acasalamento é o de obter vacas mais
desejáveis—Vacas que darão a maior
lucratividade para o produtor. As
características de vacas lucrativas
normalmente são:
• Produção de grande quantidade de
leite por lactação;
• Longevidade (muitas lactações);
• Maior preço de mercado do leite
produzido.
Caracteristicas de produção e
preço do leite
Vacas que produzem grandes
quantidades de leite são mais lucrativas,
pois, em geral, elas requerem menos
comida por unidade de leite produzida
comparadas com vacas com menores
produções de leite.
O preço de mercado do leite é um fator
importante ao se definir os objetivos da
seleção. Os primeiros dois fatores
mencionados acima são biológicamente
comuns em todas as vacas no mundo;
porém, o preço de mercado do leite pode
fazer com que os objetivos de seleção sejam
diferentes entre diferentes países e mesmo
dentro de regiões diferentes em um mesmo
país. Dependendo da maneira em que o
preço do leite é estabelecido, a estratégia
mais rentável para um produtor de leite
pode ser selecionar vacas que produzem:
• O maior volume de leite,
independentemente da composição do
mesmo;
• O maior volume de leite e quantidade
de gordura;
• Maiores quantidades de gordura e
proteína, independentemente do
volume produzido;
• Maiores quantidades de leite e
proteína dentro do menor volume de
leite possível.
Na escolha de uma estratégia de seleção,
lembre-se que a genética deve ser
estabelecida a longo tempo. Objetivos de
seleção que permanecem inalterados por
muitos anos produzem melhores
resultados, pois a seleção tem um pequeno
efeito, porém este efeito é acumulativo
sobre as gerações dos animais. Além disso,
quanto mais tempo estes objetivos são
mantidos, maior é o ganho genético ao
longo do tempo. Por exemplo, levou-se
perto de 20 anos de seleção (de 1965 a 1985)
para melhorar o mérito genético para a
produção de leite em 1,000 kg nos Estados
Unidos. Porém, mesmo as estimativas mais
conservativas indicam que nos próximos 20
anos o mérito genetico para a produção de
leite deve aumentar em mais de 6.000 kg.
Longevidade (tempo de produção) e
conformação
A longevidade é uma característica
desejada por muitos produtores.
Longevidade não significa idade avançada;
vacas que vivem mais somente tem valor
caso essa idade seja acompanhada por uma
alta produção de leite. Selecionar somente
para longevidade não é eficiente, pois
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
66
muitos fatores podem influenciar esta
característica, e na maioria das vezes estes
fatores não tem natureza genética. A
herdabilidade da vida de rebanho é de 8%
(baixa herdabilidade). Além disso, são
necessários de 7 a 8 anos para que as filhas
de um touro completem a vida dentro de
um rebanho, que é o tempo necessário para
calcular de maneira confiável o PTA
estimado para estes touros. Passado este
período de tempo, o touro pode até já estar
morto, ou o mérito genético deste touro
pode ter sido ultrapassado por outros
touros mais jovens. Na realidade, a
longevidade de vacas em muitos rebanhos
depende principalmente de três
fatores—uma vaca normalmente fica mais
tempo em um rebanho se:
• Não têm casos sérios de mastite;
• Não tem problemas sérios de
reprodução (habilidade para
reproduzir-se);
• Têm uma produção de leite aceitável
para o fazendeiro.
Tipo funcional: úbere, pernas e pés
O tipo “funcional” é um termo que foi
criado recentemente e se refere a
conformação corporal que esta associada
com a performance durante a vida. Tempo
funcional difere do termo convencional do
tipo “ideal” de conformação corporal que
pode ser valorizado para produtores que
têm animais que conseguem altos escores
em tipo leiteiro, vencedores de competições
de tipo leiteiro, e podem ser vendidas com
melhores preços.
Em geral , características de conformação
não são bons preditores de longevidade. As
pesquisas mostram que as características de
produção são melhores preditores de
longevidade que qualquer outra
característica de conformação. Portanto, a
seleção do touro deve ser feita baseada nas
características de produção e,
secundariamente, em características de
conformação. Na verdade, a longevidade
seria automaticamente selecionada por
índices que eliminam o uso de touro com
baixo PTA para produção, e, obviamente,
para conformação e problemas
reprodutivos.
Dentre todas as características de
conformação, as características de
úbere—em particular o posicionamento dos
tetos, profundidade do úbere e inserção de
úbere—são mais associados com
longevidade. As pesquisas mostram que
vacas com profundidade de úbere média
fica no rebanho mais tempo que vacas nos
dois extremos (úbere razo and úbere
profundo). Isto acontece pois vacas com um
úbere razo tendem a produzir menos leite e
vacas com úberes muito profundos estão
mais predispostas à mastite e a acidentes
físicos.
Apesar da importância que alguns
produtores dão para pernas e pés, estudos
em desempenho durante a vida da vaca
sugerem que pernas e pés têm uma
importância muito menor na vida de
rebanho que características de produção ou
características de úbere.
Característcas de produção
e o tipo funcional
Apesar do pensamento comum de que
características funcionais melhoram a
longevidade de vacas leiteiras, as vacas são
raramente descartadas devido à problemas
de conformação. Não existem dúvidas de
que traumas em úberes são mais comuns
em vacas com úberes pendulares, e de que
vacas com com sérios problemas de pernas
e pés precisam ser descartádas em certas
ocasiões. Porém, se o animal esta
produzindo uma quantidade boa de leite, a
maioria dos fazendeiros preferem manter
estes animais no rebanho. Os produtores
frequentemente tem que descartar vacas
com problemas de saúde, com problemas
metabólicos ou com disordens
reprodutivas, independentemente da
conformação do animal.
Portanto, é sempre importante manter
em mente que, economicamente, as
características de produção são muito mais
importantes que características de
conformação. A maioria dos estudos
econômicos nos EUAsugerem que as
características de produção devem receber
de três a cinco vezes mais importância que
características não relacionadas a produção
de leite na priorização da seleção genética.
17—Objetivos da Seleção
67
Vacas de grande porte e vacas de
pequeno porte
Nos últimos 25 anos, o tamanho das vacas
leiteiras nos EUA têm aumentado. Como as
outras características que foram discutidas
até agora, esta mudança têm componentes
genéticos e de ambiênte. Vacas maiores
comem mais e, portanto, produzem mais.
Porém, o tamanho não esta intimamente
relacionado com maiores produções de
leite. Em outras palavras, a seleção para
maior produção de leite não
necessáriamente aumenta o tamanho
corporal. Na realidade, um projeto que foi
iniciado em 1968 mostra que o ganho
genético para produção de leite é tão rapido
em vacas de pequeno porte como é para
vacas de grande porte. Porém, vacas de
grande porte têm uma maior ingestão de
matéria seca para manutenção. Portanto,
quando a produção de leite é igual, vacas
menores são mais eficiêntes que vacas de
grande porte.
Um estudo detalhado nos EUA tem
mostrado que produtores de leite que
criam animais para vendas em exposições e
provas de julgamento preferem vacas
maiores e mais fortes. Estes animais
tendem a receber uma classificação final
melhor em pistas de show.
Quantas características devem ser
incluídas em um programa de seleção?
Quando a seleção genética é feita para
mais de uma característica, o ganho
genético é menor se comparado a seleção é
feita para apenas uma característica
sozinha. Em geral, mais de uma
característica é desejavel; porém, selecionar
para mais de quatro ou cinco características
ao mesmo tempo reduz as taxas de ganho
genético condideravelmente.
A Tabela 1 mostra a perda da pressão de
seleção quando mais características são
adicionadas em um programa de seleção.
Por exemplo, se a decisão de seleção é feita
para duas características, o progresso
genético destas duas característica será de
71% do progresso feito quando apenas uma
característica é selecionada sozinha.
Considere as correlações entre as
caracteristicas
Ao se decidir que características devem ser
selecionadas e qual a importância de cada
uma dentro de um programa de seleção,
devemos nos lembrar das correlações que
existem entre estas características. A Tabela
2 mostra o PTA médio de 10 touros para 5
características (estes touros foram foram os
10 melhores touros de “mérito genetico”
em Janeiro de 1995 nos EUA). Por exemplo,
o PTA para produção de leite teve a média
de 2.274 libras. Mas estes touros de alto
Tabela 1: Ganho genético relativo esperado
com o aumento do número de características
selecionadas em um programa de seleção.
Número de características
1 2 3 4 5 6 7
Ganho relativo
(%)
100 71 58 50 45 41 38
Tabela 2: Média dos PTAs para os 10 touros selecionados para várias características entre
os touros disponíveis nos EUA em 1995.
Média de PTA para os toruros selecionados
Linha
#
Base de
seleção
Leite
(lbs)
Tipo
score
Gordura
(%)
Proteína
(lbs)
Gordura
(lbs)
Proteína
(%)
1 Produção de
leite (lbs)
2272 1.03 –0.06 62.5 70.4 –0.04
2 Escore de tipo 1788 2.4 –0.03 51.4 56.7 –0.02
3 Gordura (%) 1312 0.574 0.121 50.3 74.9 0.044
4 Proteína (lbs) 2044 1.047 –0.01 66.3 72.8 0.011
5 Gordura (lbs) 1831 0.933 0.078 58.6 84.7 0.007
6 Proteína (%) 1293 0.376 0.096 54.9 68.8 0.067
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
68
valor genético para produção de leite
tinham os seguintes PTA para outras
características: tipo 1.03, porcentagem de
gordura –0.06%, proteína 62.5 libras,
gordura 70.4 libras, porcentagem de
proteína –0.04%. A tabela 2 mostra que o
maior PTA médio para uma característica é
obtido ao se selecionar os 10 touros para
uma característica em particular (célula
cinza).
Porém, correlações também podem
influenciar a seleção de outras
características. No nosso exemplo, a seleção
somente para produção de leite (Linha 1 na
Tabela 2) esta também associada com um
PTA para a produção de proteína de 62.5
libras—o ganho genético é de apenas
algumas libras a menos do possível ganho
ao se concentrar a seleção para a produção
de proteína (Linha 4, 66.3 lbs). Outra
observação interessante é que ao se colocar
toda a pressão de seleção na porcentagem
de gordura (Linha 3) faria que nós
escolhessemos touros com o maior PTA
para produção de gordura (74.9 lbs), mas
com menor produção de leite (média PTA =
1,312 lbs). Porém, focar a seleção no peso
da gordura (Linha 5) faz com que escolha-
mos touros que têm um PTA positivo para
porcentagem de gordura (0.078) e
produção de leite (1.831 lbs).
Como alcançar os objetivos
Escolher o touro correto para a
inseminação artificial na fazenda é o
método mais barato e eficaz de se fazer
progresso nos objetivos genéticos. Os
touros devem ser escolhidos com base na
sua habilidade de transmitir a característica
desejada. A confiabilidade deveria ser usada
somente para determinar a intensidade do
uso daquele determinado touro.
A estrutura de cotação de preços do leite
(o preço da gordura, proteína e outros
fatores de ajustamento usados para calcular
o preço do leite) pode ser usada para
calcular o índice de seleção para a judar na
identificação do melhor touro para um
determinado objetivo de seleção. A
construção de um índice de seleção tem
sido descrito nesta publicação (consulte
“Escolhendo um Touro”). Muitos dos atuais
índices de seleção valorizam características
de tipo (ex: Total performance
index—TPI—calculado pela Holstein
Association). Porém, índices mais novos
tentam dar mais importância para vida
produtiva e à resistência à mastite
(Tabela 3).
Tabela 3: Índices comuns padronizados para o uso pela indústria de laticínios nos Estados
Unidos.
PTA leite, gordura,
proteína (PTAMFP$)
Tipo-
Production
Index (TPI)1
Production-
(PTI) 2
Mérito
genético
Produção de leite 0.0546 — — —
Produção de gordura 0.58 1 2 —
Produção de proteína 1.47 3 8 —
PTA MFP$ — — — 10
Tipo (escore final) — 1 — —
Composição de úbere3 — 1 — —
Características funcionais — — 2 —
Vida produtiva — — 2 4
Escore de célula somatica4 — — –1 1
1 Somente par vacas Holândesas.
2 Somente para vacas Jerseys.
3 Veja texto para maiores detalhes.
4 Resistência à mastite.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
69
18) ESCOLHENDO O TOURO
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
A escolha do touro a ser utilizado hoje
determina o tipo de vacas que estarão em
produção em 3 anos. A escolha do touro
deve se basear nas seguintes considerações:
• Priorize as características consideradas
na seleção e coloque um valor de
importância para cada
característica—características de
produção devem ser de 3 a 5 vezes
maiores que características de
conformação;
• Utilize um método de seleção—um
método independente de seleção ou
preferencialmente um índice de
seleção—para escolher um touro
baseado no seu PTA;
• Não utilize a confiabilidade para
escolher um touro—use a
confiabilidade para decidir o quanto
você vai utilizar este touro.
USANDO O PTA PARA
DECISÕES DE SELEÇÃO
O propósito básico da Habilidade de
Transmissão Predita (PTA ou HTP) é para
classificar touros. Se um touro têm um PTA
de +1.000 kg de leite, isto não significa que
suas filhas irão produzir 1.000 kg a mais
que suas companheiras de rebanho. Isto
significa que, as filhas deste touro terão a
média de produção 1.000 kg maior que as
filhas dos touros usados na base genética. A
seleção deve ser baseada no PTA do touro.
Um erro comum é usar a confiabilidade
como critério de seleção. O uso correto da
confiabilidade será explicado mais tarde.
Em termos de seleção de touros, dois
métodos estão adisposição: o descarte
independente e o índice de seleção. Os dois
métodos têm suas vantagens e
desvantagens, porém o método dos índices
de seleção é preferido pelos geneticistas
pois este método usualmente oferece a
possibilidade de um maior progresso
genético.
Descarte independente
O descarte independente é um método no
qual o produtor coloca um valor mínimo
para cada característica desejada no
programa de seleção.i Os touros acima do
mínimo para aquelas características são
considerados para a seleção. Por exemplo,
assumindo que duas características de
importância são o PTA para produção de
leite e o PTA para produção de proteína,
alguns podem decidir escolher entre os
touros diponíveis aqueles com PTA para
leite maior que 2.250 libras e o PTA para
proteína maior que 65 libras. Como
ilustrado na Figura 1, somente dois touros
na população de touros americana em
Janeiro de 1995 conseguiriam alcançar estes
parâmetros de seleção.
Vantagens
É o método mais simples de identificar
touros que conseguem atender aos
objetivos do fazendeiro em um programa
de seleção.
Desvantagens
A primeira dificuldade em usar o descarte
independente é colocar o valor mínimo
para a seleção. Um touro pode ser
descartado por não atender a um dos
requerimentos de seleção, mesmo que isto
seja por apenas algumas libras, enquanto
 
1 No caso de facilidade ao parto, o critério não é
mínimo, mas o máximo valor em percentagem na
dificuldade de parto.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
70
todas as outras características possam
exceder os requerimentos mínimos de
seleção (Figura 1). A necessidade de se
atualizar os critérios de seleção
periodicamente é outra desvantagem do
descarte independente. Quando os touros
são selecionados com este método, o
progresso genético e a mudança na base
genética podem afetar o touro que será o
mais desejado. Se um critério de seleção
tem sido utilizado por muitos anos, mais
touros tendem a estarem em no grupo dos
preferidos pelo progresso genético. Outro
critério precisa ser encontrado para
selecionar o touro desejado ou ou os
padrões de seleção devem ser mudados
periodicamente. Além disso, quando a base
genética muda, somente poucos touros
preenchem os critérios de seleção e,
novamente, os padrões de seleção precisam
ser revistos e ajustados corretamente.
Índice de seleção
O uso do índice de seleção permite a
classificação dos touros baseado no valor de
importância calculado para as
características de seleção desejadas “peso
relativo”. O “peso” representa o valor de
importância que um produtor coloca em
uma determinada característica. O preço
dos componentes do leite, por exemplo,
pode ser utilizado como um fator de
importância ou de peso. Neste caso, o
índice teria o valor unitário da moeda
(dólares, reais, francos etc.). Porém, o valor
absoluto de um índice têm pouca
importância. Os touros devem ser
classificados de acordo com o índice mais
apropriado, e os touros mais altos para
aquele índice devem ser usados sem levar
em conta o valor real daquele índice. Em
outras palavras, não existe significado em
se colocar valores mínimos para os índices
pelo valor absoluto dos índices.
Vantagens
Um índice permite a identificação de
touros que preenchem melhor os objetivos
de ganho genético sem focar em nenhuma
característica em especial. Os índices
forçam o produtor a avaliar as
características a serem selecionadas
conscientemente e formular um plano
específico para a maximização destes
índices no rebanho. Depois de um índice
ser escolhido corretamente, a seleção dos
touros é muito mais simples que no sistema
de descarte independente, pois os melhores
touros serão os touros classificados no topo
da lista. Além disso, um índice é um
método objetivo para se dar chance a um
touro que pode ser rejeitado pelo sistema
de descarte independente pois estes touros
podem não preencher os requerimentos
para uma das características que estão
sendo selecionadas.
Desvantagens
Os índices são difíceis de se construir,
pois é difícil de se escolher e dar valores de
peso para as características a serem
inseridas na seleção. Muitos índices “pré-
calculados” estão a disposição. Porém, não
é muito claro decidir qual destes índices
reflete a prioridade de um rebanho para
uma determinada característica. Alguns
índices colocam muito peso para
características de conformação. Outros
índices, o peso econômico que é colocado
em características de produção de leite se
baseiam no sistema de preços do leite nos
Estados Unidos. A interpretação destes
índices para produtores de outros países é
muito difícil, pois, claramente, o sistema de
preços para o leite varia de país para país.
Figura 1: Seleção de touros baseado no
descatre independente.
18—Escolhendo o Touro
71
Como construir um índice de seleção
que reflete os aumentos esperados
na renda bruta
Como um exemplo, vamos assumir que
estamos construindo um índice para o
mercado leiteiro com as seguintes
características. Vamos assumir que o preço
do leite é de 12.2 (para qualquer unidade
monetária) por Kg de leite contendo 3.5%
de gordura e 3.2% de proteína. O laticínio
paga 0.150 unidades monetárias por 0.1%
de gordura (ou por grama de gordura) e
0.300 unidades monetárias por 0.1% de
proteína (ou por grama de proteína). O
peso relativo dado para a produção total de
leite, produção de proteína e produção de
gordura pode ser calculado da seguinte
maneira:
• Valor de uma grama de gordura =
0.150 unidades monetárias, valor de
1 kg de gordura = 150 unidades
monetárias, valor de 35 g de gordura
em 1 kg de leite = 0.150 x 35 = 5.25
unidades monetárias;
• Valor de uma grama de proteína =
0.300 unidades monetárias, valor de
1 kg de proteína = 300 unidades
monetárias, valor de 32 g de proteína
em 1 kg de elite = 0.300 x 32 = 9.60
unidades monetárias;
• Valor de 1 kg de leite sem gordura e
proteína = 12.2 – 5.25 – 9.60 = –2.65
unidades monetárias.
Portanto, podemos calcular um índice
que vai refletir o aumento esperado na
renda bruta das filhas de um touro baseado
no seu PTA para produção de leite,
proteína e gordura. Vamos chamar este
índice de PTA-AGI (habilidade de
transmissão predita da renda bruta). Nós
usamos a terminologia renda bruta, pois
vacas que produzem mais leite, também
tem uma maior ingestão alimentar; porém,
os custos extras da alimentação não estão
incluídos no nosso índice.
PTA-AGI = (–2.65 x PTA kg de leite) +
(300 x PTA kg de proteína) +
(150 x PTA kg de gordura).
Por exemplo um touro com PTA para leite
de 800 kg, PTA para proteína de 20 kg, e
PTA para gordura de 38 kg, teria um PTA-
AGI índex de:
PTA-AGI = (–2.65 x 800) + (300 x 20) +
(150 x 38) = 9,580 unidades monetárias
QUANTOS TOUROS DEVEM SER
USADOS EM UM REBANHO?
O número de touros e a estratégia para a
seleção destes touros pode variar em
função do:
• Tamanho do rebanho;
• Confiabilidade do touro;
• A disposição do fazendeiro em correr
alguns riscos.
Quando touros jovens são selecionados, a
compra de sêmen devem se limitar a
apenas alguns palhetes de sêmen por touro.
Quando a confiabilidade do touro aumenta,
pode-se aumentar o número de palhetes de
sêmen a serem comprados de um
determinado touro. Não é aconselhavel
inseminar mais de 15 a 20% de um rebanho
com um mesmo touro, mesmo que o touro
tenha o PTA com alta confiabilidade. Em
outras palavras o mínimo aconselhavel é
de pelo menos 3 touros para cada 50 vacas
do rebanho. A diversificação é um tipo de
segurança contra qualquer problema
inesperado que podem aparecer
decorrentes do uso de um touro no
rebanho.
USA CONFIABILIDADE
PARA DECIDIR QUANTO
INVESTIR EM UM TOURO
A confiabilidade indica a acurácia das
avaliações genéticas. Muitas vezes os
produtores utilizam a confiabilidade como
um critério de seleção.Na verdade, a
confiabilidade nunca deve ser usada como
critério de seleção de touros; porém, depois
da seleção dos touros a serem utilizados, a
confiabilidade deve ser utilizada para a
intensidade de uso desses touros (ex:
quantidade de sêmen comprado). O
número de touros a disposição é muito
grande e tendemos a rejeitar touros que
têm uma confiabilidade de PTA baixa.
Porém, usar a confiabilidade como critério
de seleção pode diminuir o ganho genético.
Essenciais em Gado de Leite—Reprodução e Melhoramento Genético
72
O verdadeiro valor genético de touros
com o PTA com alta confiabilidade esta
muito próximo do seu valor real e tende a
não mudar com o tempo. Para alguns
produtores, esta característica pode ser
importante pois isto garante que o mérito
genético previsto das filhas vai estar
proximo do PTA do touro. Porém, a alta
confiabilidade pode ser considerada por
alguns como uma falta de oportunidade.
Touros jovens normamelte têm menores
confiabilidades eles têm um número
limitado de filhas no seu teste de progênie.
Além disso, os touros com os méritos
genéticos mais altos estão entre os touros
sendo testados pela sua progênie; nós
apenas não sabemos quem são eles.
Portanto como podemos obter vantagens
de uma genética superior de determinados
touros jovens, sendo que não sabemos seu
PTA real?
Nós sabemos que um PTA com uma baixa
confiabilidade provavelmente deve mudar,
mas não podemos prever se este PTA vai
aumentar ou diminuir. Na verdade, quando
dois touros têm o mesmo PTA, é mais
arriscado comprar muito sêmen do touro
com menor confiabilidade.
Ao invés de focalizar em um touro jovem,
devemos focar em um grupo de touros
jovens, os riscos vão mudar drasticamente.
Vamos considerar o futuro de um grupo de
touros jovens com altos PTAs e baixa
confiabilidade (Figura 2). Em geral, quando
o PTA de um touro diminui, o PTA de outro
aumenta. Em um grupo, os touros que
diminuem seu PTA normalmente
contribuem para o aumento do PTA de
outros touros. Portanto, o PTA médio final
do grupo de touros jovens não muda com
o tempo pois a diminuição do PTA de
alguns dos touros será compensada pelo
aumento do PTA de outros touros
(Figura 2). Em outras palavras, a melhor
estratégia para minimizar o risco da baixa
confiabilidade e maximizar o ganho
genético é focar em um grupo de touros
com baixa confiabilidade. A estratégia deve
se basear em comprar sêmen de vários
touros jovens. Ao comprar poucas
unidades de sêmen de vários touros jovens,
de baixa confiabilidade, as chances de se
produzir um grande número de filhas de
um touro que tem seu PTA diminuido com
o tempo são pequenas; e as chances de se
produzir filhas de touros que possam ter
seu PTA aumentado com o tempo são
maximizadas.
Figura 2: Exemplo das mudanças dos PTAs de 20 touros quando a confiabilidade aumenta de
70% para 99%; cada touro está identificado com um retângulo numerado de 1 a 20 e a
distribuição das suas filhas esta ilustrada pelas curvas em horizontal.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
73
19) COMPOSIÇÃO DO LEITE E
SEU VALOR NUTRICIONAL
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
O QUE É LEITE?
O leite é um produto comum da secreção
da glândula mamária. A composição média
do leite de vacas e búfalas está na Tabela 1.
O leite é um produto complexo e nutritivo
que contém mais de 100 substâncias que
estão em solução, suspensão ou emulsão
em água. Por exemplo:
• Caseína, a principal proteína do leite,
está dispersa em grande número na
forma de partículas sólidas que são tão
minúsculas que não conseguem
assentar e assim permanecem em
suspensão. Essas partículas são
chamadas micelas e a dispersão das
micelas no leite é conhecida como uma
suspensão coloidal;
• A gordura e as vitaminas lipossolúveis
do leite estão na forma de uma
emulsão, que é uma suspensão de
pequenos glóbulos líquidos que não se
misturam com a água presente no
leite;
• Lactose (açúcar do leite), algumas
proteínas (proteína do soro), sais
minerais e outras substâncias são
solúveis, ou seja, são totalmente
dissolvidas na água do leite.
As micelas de caseína e os glóbulos de
gordura conferem ao leite a maioria de suas
características físicas, e conferem o sabor e o
gosto aos produtos lácteos como manteiga,
queijo, iogurte, etc. A composição do leite
varia consideravelmente com a raça da
vaca, estágio de lactação, alimentação,
estação do ano, e muitos outros fatores.
Entretanto, algumas relações entre os
constituintes são muito estáveis e podem
ser usadas para indicar se houve alguma
alteração na composição do leite. Por
exemplo, um leite de composição normal
tem gravidade específica que varia
normalmente de 1.023 a 1.040 (a 20˚C) e
ponto de congelamento que varia de –0.518
a –0.543˚C. Qualquer alteração,
por adição de água por
exemplo, pode ser facilmente
determinada porque essas
características do leite não
estarão mais no intervalo de
valores normais.
O leite é um produto
altamente perecível que deve
ser refrigerado a 4˚C o mais
rápido possível após a coleta.
Figura 1: Lactose é sintetizada no úbere a partir de glicose e
galactose.
Tabela 1: Composição do leite de diferentes
espécies (quantidade por 100 g).
Nutrientes Vaca Búfala Humano
Água, g 88.0 84.0 87.5
Energia, kcal 61.0 97.0 70.0
Proteína, g 3.2 3.7 1.0
Gordura, g 3.4 6.9 4.4
Lactose, g 4.7 5.2 6.9
Minerais, g 0.72 0.79 0.20
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
74
Temperaturas extremas, acidez (pH) ou
contaminação por microorganismos podem
rapidamente diminuir a sua qualidade.
LEITE COMO ALIMENTO HUMANO
Água
O valor nutricional do leite como um todo
é maior do que o valor dos seus
ingredientes individualmente devido ao
seu balanço nutricional. A quantidade de
água no leite demonstra esse balanço. Em
todos os animais, água é o nutriente
necessário em maior quantidade, e o leite
supre uma grande quantidade de
água—contém aproximadamente 90% de
água.
A quantidade de água no leite é regulada
pela quantidade de lactose sintetizada pelas
células secretoras da glândula mamária. A
água destinada ao leite é entregue à
glândula mamária pelo sangue. A produção
de leite é rapidamente afetada pelo
suprimento de água e diminue no mesmo
dia em que a água destinada ao cosumo
animal é limitada ou não está disponível.
Esta é uma razão pela qual a vaca deve ter
acesso livre à fonte de água o tempo todo.
Carboidratos
O principal carboidrato no leite é a
lactose (Figura 1). Apesar da lactose ser
um açúcar, não se nota que ela é doce
quando provada. A concentração de
lactose no leite é relativamente constante e
em média é 5% (4.8–5.2%). Ao contrário da
concentração de gordura no leite, a
concentração de lactose é similar em todas
as raças leiteiras e não pode ser alterada
facilmente por práticas na dieta alimentar.
As moléculas que dão origem à lactose são
encontradas em concentrações bem
menores no leite: glicose (14mg/100g) e
galactose (12mg/100g).
Em uma porção significativa da
população humana, a deficiência da enzima
lactase no trato digestivo resulta na
inabilidade de digerir lactose. A maioria
dos indivíduos com baixa atividade de
lactase desenvolve sintomas de intolerância
a altas doses de lactose, mas a maioria pode
consumir quantidades moderadas de leite
sem desconforto. Nem todos os produtos
lácteos contém quantidades similares de
lactose. A fermentação de lactose durante o
processamento reduz sua concentração em
vários produtos lácteos, especialmente em
iogurtes e queijos. Além disso, leite pré-
tratado com lactase, que minimiza o
problema associado com lactose, está
disponível no mercado.
Proteínas
A maioria do nitrogênio do leite é
encontrada na forma de proteína (Figura 2).
Figura 2: Estrutura das proteínas (R1, R2, etc., sãoradicais específicos para cada aminoácido. O
número de aminoácidos nas caseínas do leite
varia de 199 a 209).
Figura 3: Estrutura dos triglicerídeos. (R1, R2, R3 representam as cadeias de carbono do ácido
graxo que dão aos triglicerídeos suas características individuais.)
19—Composição do Leite e Seu Valor Nutricional
75
Os blocos construtores da proteína são os
aminoácidos. Existem 20 aminoácidos que
são geralmente encontrados nas proteínas.
A ordem dos aminoácidos na proteína
confere a esta uma função específica.
A concentração da proteína no leite varia
de 3.0 a 4.0% (30–40 gramas por litro). A
porcentagem varia com a raça da vaca e
com a proporção da quantidade de gordura
no leite. Há uma forte relação entre a
quantidade de gordura e a quantidade de
proteína no leite—quanto mais alta a
gordura, mais alta a proteína.
A proteína faz parte de 2 grupos
principais: caseínas (80%) e proteínas do
soro (20%). Historicamente , essa
classificação seguiu o processo de
fabricação de queijo, que consiste na
separação dos cubos de caseína do soro
após a coagulação do leite sob a ação da
renina (enzima digestiva coletada do
estômago de bezerros).
O comportamento dos diferentes tipos de
caseína (α , β ε κ) no leite quando tratados
com calor, pH diferente (acidez) e
concentração de sal diferente resulta nas
características dos queijos, produtos lácteos
fermentados e diferentes formas de leite
(condensado, seco, etc.).
Ocasionalmente, crianças pequenas são
alérgicas a leite porque seus organismos
desenvolvem uma reação às proteínas do
leite. A alergia causa vermelhidão, asma,
e/ou desordens gastrointestinais (cólica,
diarréia, etc.). Em casos de alergia, leite de
cabra é geralmente utilizado como um
substituo, entretanto às vezes leite com
caseína hidrolizada tem que ser utilizado.
Gordura
Normalmente, gordura (ou lipídio)
constitue cerca de 3.5 a 6.0% do leite,
variando entre raças de gado e práticas de
alimentação. Uma ração muito rica em
concentrado, não estimula ruminação na
vaca, podendo resultar em leite com
reduzido teor de gordura (2.0 a 2.5%).
A gordura está presente no leite em
glóbulos pequenos suspensos em água.
Cada glóbulo é revestido por uma camada
de fosfolipídios que previne os glóbulos de
se agregarem, por repulsão dos outros
glóbulos de gordura e atração de água.
Enquanto essa estrutura estiver intacta, a
gordura do leite permanece como uma
emulsão.
A maioria da gordura do leite está na
forma de triglicerídeos formados pela
ligação de glicerol e ácidos graxos (Figura
3). As proporções de ácidos graxos de
diferentes comprimentos determina o ponto
de fusão da gordura e portanto a
consistência da manteiga derivada da
mesma. A gordura do leite contém
predominantemente ácidos graxos de
cadeia curta (cadeia de menos de 8 átomos
de carbono) provenientes de unidades de
ácido acético derivadas da fermentação no
rúmen. Esta é uma característica única da
gordura do leite comparada com outras
gorduras animais e vegetais. Os ácidos
graxos de cadeia longa no leite são
principalmente á c id o s i n saturados
(deficiente em hidrogênio), sendo
predominante o oleico (cadeia de 18
carbonos), e linoleicos poliinsaturados e
ácidos linolênicos.
Minerais e vitaminas
Leite é uma excelente fonte da maioria
dos minerais necessários para o
crescimento. A digestibilidade do cálcio e
do fósforo são altas, em parte porque são
encontrados em associação com a caseína
do leite. Como resultado, leite é a melhor
fonte de cálcio para o crescimento do
esqueleto nos indivíduos mais novos e
manutenção da integridade do osso nos
adultos. Um outro mineral de interesse no
leite é o ferro. A baixa concentração de ferro
no leite não consegue suprir as
necessidades dos indivíduos mais novos,
mas esse nível baixo acaba tendo um efeito
benéfico porque ele limita o crescimento
bacteriano no leite—ferro é essencial para o
crescimento de muitas bactérias.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
76
Tabela 2: Concentração de mineral e
vitamina no leite (mg/100 ml).
Minerais
mg/
100 ml Vitaminas
µg/100
ml1
Potássio 138 Vit. A 30.0
Cálcio 125 Vit. D 0.06
Cloro 103 Vit. E 88.0
Fósforo 96 Vit. K 17.0
Sódio 58 Vit. B1 37.0
Sulfato 30 Vit. B2 180.0
Magnésio 12 Vit. B6 46.0
Microminerais2 <0.1 Vit. B12 0.42
Vit. C 1.7
1 µg = 0.001 gram.
2 Inclue cobalto, cobre, ferro, manganês, molibdênio,
zinco, selênio, iodo e outros.
LEITE COMO ALIMENTO
PARA O BEZERRO
Componentes imunes
O leite contém proteínas chamadas
imunoglobulinas que são uma das
principais defesas contra organismos
infecciosos (v í rus , bactéria, etc.) .
Concentrações de imunoglobulinas são
especialmente altas no colostro, o leite
produzido imediatamente no início da
lactação.
Imunoglobulinas não são produzidas no
tecido mamário mas são transferidas
diretamente do soro sanguíneo para o leite.
O bezerro pode adsorver de uma melhor
forma as imunoglobulinas imediatamente
após o nascimento, sendo a abilidade de
adsorver diminuída para cerca de zero em
36 horas após o nascimento. Isto porque nas
primeiras 12 horas de vida, o bezerro não
produz adequadas quantidades de ácido
hidroclorídrico no estômago, o que evita
que as imunoglobulinas sejam danificadas.
O colostro deve ser fornecido ao bezerro
assim que possível após o nascimento. Isto
irá pelo menos dobrar as chances do
bezerro sobreviver. As imunoglobulinas do
colostro são estáveis na corrente sanguínea
do bezerro por 60 dias, conferindo-lhe
proteção até que o seu sistema imune esteja
funcional.
O colostro não é somente vital para o
bezerro recém-nascido mas também não
tem nenhum valor comercial, já que não é
aceito para venda para consumo humano.
Portanto, o leite de uma vaca recém-parida
não deve ser incluído com o leite que será
enviado ao laticínio por 3 a 4 dias. O
colostro pode ser congelado e armazenado
para administração a outros bezerros caso
necessário.
COMPONENTES INFLUENCIANDO A
QUALIDADE DO LEITE
Células no leite
Células somáticas no leite não afetam o
valor nutricional. Elas são apenas
significativas como indicadores de outros
processos que podem estar ocorrendo no
tecido mamário, incluindo inflamação.
Quando as células somáticas estão
presentes em números maiores que meio
milhão por mililitro, há motivo para se
suspeitar de mastite.
Componentes indesejáveis no leite
O leite e os produtos lácteos são alimentos
perecíveis. Altos padrões de qualidade por
toda indústria processadora de leite são
necessários para aumentar e/ou manter a
confiança do consumidor e fazer com que
este decida a comprar produtos lácteos. O
leite que sai da fazenda tem que ser de mais
alto valor nutricional: sem alteração e
contaminação. Segue uma lista parcial das
substâncias indesejáveis mais comuns
encontradas no leite:
• Adição de água;
• Detergentes e desinfetantes;
• Antibióticos;
• Pesticidas ou inseticidas;
• Bactérias.
A vigilância de produtores quanto ao
cumprimento das instruções no uso de
químicos, assim como boa ordenha,
procedimentos de lim p e z a e
armazenamento é essencial, não somente
para o sucesso deles, mas também para o
sucesso da indústria leiteira como um todo.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
77
20) SECREÇÃO DO LEITE NO ÚBERE
DA VACA DE LEITE
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
ESTRUTURA DA GLÂNDULA MAMÁRIA
O úbere de uma vaca é um órgão
designado à produção de leite e
oferecimento ao bezerro recém-nascido de
um fácil acesso ao leite de sua mãe. Ele está
suspenso externamente à parede posterior
do abdômen e portanto não está restrito,
apoiado ou protegido por nenhuma
estrutura óssea.
O úbere de uma vaca é composto por
quatro glândulas mamárias ou quartos.
Cada quarto é uma entidadefuncional
própria que opera independentemente e
secreta o leite por seu próprio teto.
Geralmente, os quartos traseiros são
levemente mais desenvolvidos e produzem
mais leite (60%) do que os quartos
dianteiros ( 4 0 % ) . Os p r incipais
componentes do úbere estão listados aqui
com uma curta explicação de sua
importância e função.
Sistema de suporte. Um conjunto de
ligamentos e tecido conjuntivo mantém o
úbere próximo à parede do corpo.
Ligamentos fortes são desejados porque
eles ajudam a prevenir a ocorrência de
úbere penduloso, minimizando o risco de
ferimentos, e evitando dificuldades no uso
de equipamentos de ordenha.
Sistema secretor e de ductos. O úbere é
conhecido como uma glândula exócrina
porque leite é sintetizado em células
especiais agrupadas em alvéolos e então
excretado para fora do corpo por um
sistema de ductos que funciona como os
afluentes de um rio.
Suprimento sanguíneo e estruturas
capilares. A produção de leite demanda
muitos nutrientes que são trazidos ao úbere
pelo sangue. Para produzir 1 Kg de leite,
400 a 500 Kg de sangue devem passar pelo
úbere. Além disso, o sangue carrega
hormôn i o s q u e control a m o
desenvolvimento do úbere, síntese de leite,
e regeneração de células secretórias entre as
lactações (durante o período seco).
Figura 1: Sistema de suporte do úbere da vaca.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
78
Sistema linfático. A linfa é um fluído
claro que vem dos tecidos altamente
irrigados por sangue. A linfa ajuda a
balancear o fluído que se movimenta para
dentro e fora do úbere, e ajuda a combater
infecções. Em alguns casos, o aumento do
fluxo de sangue no início da lactação leva
ao acúmulo de fluído dentro do úbere até
que o sistema linfático seja capaz de
remover o fluído extra. Esta condição,
conhecida como edema de úbere, é mais
comum em novilhas na primeira parição e
vacas mais velhas com úbere penduloso.
Inervação do úbere. Receptores nervosos
na superfície do úbere são sensíveis ao
toque e à temperatura. Durante o preparo
do úbere para ordenha, esses nervos são
estimulados e iniciam o reflexo da descida
do leite que permite a liberação do leite. Os
hormônios e o sistema nervoso também
estão envolvidos na regulação do fluxo de
sangue para o úbere. Por exemplo, quando
uma vaca se assusta ou sente dor física, a
ação da adrenalina e do sistema nervoso
diminuem o fluxo sanguíneo para o úbere,
inibindo o reflexo da descida do leite e
diminuindo a produção de leite.
Sistema de suporte
Em vacas leiteiras modernas, o úbere
pode pesar mais de 50 Kg devido a grande
quantidade de tecido secretor e leite que se
acumula entre as ordenhas. As estruturas
principais que suportam o úbere são o
ligamento suspensor medial e o ligamento
suspensor lateral (Figura 1). A pele também
desempenha um papel menor no suporte e
estabilização do úbere.
O ligamento suspensor medial é um
tecido elástico que adere o úbere à parede
abdominal. De vista posterior, o espaço
inter mamário, uma linha média distinta no
úbere, marca a posição do ligamento
suspensor medial. Como esse tecido é
elástico, ele funciona como um amortecedor
de choques e acomoda mudanças no
tamanho e peso do úbere que ocorrem de
acordo com a produção de leite e idade da
vaca. Lesões ou fraqueza desse ligamento
causa o estiramento do úbere para baixo
fazendo com que seja mais difícil para
ordenhar, aumentado a probabilidade de
ferimentos, especialmente nos tetos. Seleção
genética para um forte ligamento suspensor
é eficaz em reduzir esse tipo de problema
no rebanho.
Figura 2: Alvéolos e ductos formam o sistema secretor de leite.
20—Secreção de Leite no Úbere da Vaca de Leite
79
Ao contrário do ligamento suspensor
medial, o ligamento suspensor lateral é
tecido fibroso não flexível. Ele cobre as
laterais do úbere, com origem no tendão ao
redor do osso púbico, para formar uma
rede suspensora.
Ductos e sistemas de secreção do leite
O alvéolo é uma unidade funcional de
produção onde uma única camada de
células secretoras de leite estão agrupadas
numa esfera com um centro oco (Figura 2).
Tecidos de capilares sanguíneos e células
mioepiteliais (como células musculares)
circundam o alvéolo, e o leite secretado é
encontrado na cavidade interna (lúmen). As
funções dos alvéolos são:
• Remover nutrientes do sangue;
• Transformar esses nutrientes em leite;
• Descarregar o leite dentro do lúmen.
O leite sai do úbere por um ducto coletor.
Um lóbulo é um grupo de 10 a 100 alvéolos
drenados por um ducto comum. Lóbulos
são organizados em unidades maiores
chamadas lobos. Os lobos liberam o leite
em ductos coletores maiores que levam à
cisterna da glândula que fica diretamente
acima do teto da glândula (Figura 2).
O úbere é portanto composto por bilhões
de alvéolos onde o leite é secretado. Os
ductos formam canais de drenagem onde
leite se acumula entre as ordenhas.
Entretanto, isto ocorre somente quando as
células mioepiteliais que recobrem os
alvéolos e os ductos menores contraem em
resposta ao hormônio ocitocina (reflexo da
descida do leite) para que o leite flua dentro
dos galactóforos e da cisterna da glândula.
O teto forma uma passagem por onde o
leite pode ser descartado da glândula. Ele é
coberto por uma pele lisa e um rico
suprimento de sangue e nervos. A
extremidade inferior do teto mantém-se
fechada por um anel de musculatura lisa ou
esfíncter, denominado canal do teto. Na sua
parte superior, o teto é separado da cisterna
da glândula por uma série de dobras de
célula s s e n s i t iv a s p a r t i cularmente
vulneráveis à danificação. Essas dobras de
tecido também são encontradas na outra
extremidade do teto diretamente acima do
canal do teto (roseta de Furstenburg). O teto
é portanto projetado como uma barreira
efet iva às bactérias invasoras. A
preservação da estrutura normal do teto é
essencial para manutenção do mecanismo
natural de defesa contra bactérias
causadoras de mastite. Diferenças na
estrutura do teto, particularmente de
diâmetro e comprimento, es tão
relacionadas à susceptibilidade à infecção.
SECREÇÃO DO LEITE NAS
CÉLULAS SECRETÓRIAS
A secreção do leite pelas células
secretórias é um processo contínuo que
envolve muitas reações bioquímicas
intrínsicas. Durante a ordenha, a taxa de
secreção de leite é de certa forma diminuída
mas nunca cessa completamente. Entre
ordenhas, o acúmulo de leite aumenta a
pressão no alvéolo e diminue a taxa de
síntese do leite. Por isso, é recomendado
que vacas de alta produção sejam
ordenhadas o mais próximo de intervalos
de 12 horas (as mais produtoras devem ser
ordenhadas primeiro de manhã e por
último a noite). A ejeção do leite mais
frequente reduz a pressão acumulativa
dentro do úbere e por esta razão, ordenhar
três vezes ao dia pode aumentar a
produção de leite em 10 a 15%.
A célula secretória é um fator complexo. A
Figura 3 mostra um resumo dos
mecanismos e origem de nutrientes
necessários para síntese do leite.
O uso de glicose por uma célula
secretória. Apesar de a glicose na dieta ser
totalmente fermentada no rúmen em ácidos
voláteis (ácido acético, propiônico e
butírico), ela é necessária em grandes
quantidades para o úbere lactente. O fígado
transforma ácido propiônico novamente em
glicose que é transportada pelo sangue para
o úbere, onde é usada pelas células
secretórias. A glicose pode ser usada como
uma fonte de energia para as células, como
o bloco construtor de galactose e
subsequentemente lactose, ou como fonte
de glicerol necessária para síntese de
gordura.
Síntese de lactose. A síntese de lactose é
controlada por duas unidades de enzimas
chamadas lactose sintetaze. A sub-unidade
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
80
α-Lactoalbumina é encontrada no leite
como uma proteína do soro.
Regulação do volume de leite. A
quantidade de leite produzido é controlada
principalmentepela quantidade de lactose
sintetizada pelo úbere. A secreção de
lactose na cavidade alveolar aumenta a
concentração de substâncias dissolvidas
(pressão osmótica) relativa ao outro lado
das células secretórias onde o sangue flue.
Assim, a concentração de substâncias
dissolvidas em cada lado das células
secretórias é balanceada pela liberação de
água do sangue e pela mistura com outros
componentes do leite encontrados na
cavidade alveolar. Para o leite normal, um
balanço é atingido quando há 4.5 a 5% de
lactose no leite. Portanto, a produção de
lactose atua como uma válvula que regula a
quantidade de água liberada no alvéolo e
portanto, o volume de leite produzido
(ciclos Figura 3).
O efeito da dieta na produção de leite
pode ser facilmente observado:
1) A quantidade de energia (por ex.
concentrado) na dieta influencia a
produção de propionato no rúmen;
2) O propionato disponível influencia a
quantidade de glicose sintetizada pelo
fígado;
3) A glicose disponível influencia a
quantidade de lactose sintetizada na
glândula mamária;
4) A lactose disponível influencia a
quantidade de leite produzido por dia.
Síntese de proteína. As caseínas
encontradas no leite são sintetizadas a
partir de aminoácidos provenientes do
sangue sob controle de material genético
(DNA). Essas proteínas são organizadas em
micelas antes de serem liberadas no lúmen
alveolar. O controle genético da síntese do
leite no alvéolo vem da quantidade de α-
Lactoalbumina sintetizada pelas células
secretórias. Como descrito acima, essa
enzima é um regulador importante da
quantidade de lactose e leite produzidos
por dia.
As imunoglobulinas são sintetizadas pelo
sistema imune e essas proteínas geralmente
grandes vêm do sangue para o leite. A
permeabilidade das células secretórias às
imunoglobulinas é alta durante a síntese de
colostro, mas diminue drasticamente com o
início da lactação.
Síntese de gordura. A cetato e butirato
produzidos no rúmen são usados em parte
como blocos construtores de cadeia curta de
ácidos graxos encontrados no leite. O
glicerol necessário para unir 3 ácidos graxos
em um triglicerídeo vem da glicose. Cerca
de 17–45% da gordura do leite é construída
de acetato e 8–25% de butirato. A composição
da dieta tem uma forte influência na
concentração da gordura do leite. A falta de
fibra deprime a formação de acetato no
rúmen que resulta na produção de leite com
baixa concentração de gordura (2–2.5%).
Lipídios mobilizados das reservas do
organismo no início da lactação são outro
bloco construtor para síntese de gordura no
leite. Entretanto, em geral, somente metade
da quantidade de ácidos graxos na gordura
do leite é sintetizada no úbere, a outra
metade vem predominantemente de ácidos
graxos longos encontrados na dieta.
Portanto, a composição da gordura do leite
pode ser alterada por manipulação do tipo
de gordura na dieta da vaca. 
Figura 3: Secreção do leite nas células secretórias
(os círculos com um X são passos regulatórios
essenciais).
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Gado de Leite
81
21) PRINCÍPIOS DA ORDENHA
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
ORDENHA É UM TRABALHO DE EQUIPE
ENTRE A VACA, A MÁQUINA E O
OPERADOR (OU O BEZERRO)
Ordenha é o ato de coletar leite após um
estímulo adequado na vaca para liberação
de leite do úbere. Coletar leite de uma vaca
envolve muito mais do que uma extração
mecânica. Basicamente, a ordenha é um
esforço de equipe no qual a vaca, a
máquina e o operador (ou o bezerro)
possuem papéis fundamentais. Para que a
ordenha seja rápida e completa, a vaca deve
receber os sinais adequados do seu
ambiente. Uma vez que a ejeção do leite é
desencadeada, o leite é expulso para fora do
alvéolo pelas células mioepiteliais
(musculares) e forçado para dentro do
sistema de ductos. Então, a ação da boca de
um bezerro, da mão de um operador ou do
conjunto de uma máquina pode coletar o
leite que é drenado para a glândula e para o
canal do teto.
REFLEXO DE EJEÇÃO DO LEITE
Iniciação da descida do leite
A maior parte do leite se acumula dentro
do alvéolo entre as ordenhas. O reflexo de
Figura 1: Reflexo de ejeção do leite—quando a vaca é estimulada pelo toque
na pele do úbere, pelo som do equipamento de ordenha ou pela visão de um
bezerro, impulsos nervosos passam para o hipotálamo no cérebro. O hipotálamo
estimula a glândula pituitária posterior a liberar ocitocina. O sangue carrega esse
hormônio às células mioepiteliais que circundam o alvéolo. A contração das
células mioepiteliais força o leite para dentro do sistema de ductos e da cisterna
da glândula. Excitação ou dor inibem o reflexo de ejeção do leite.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
82
ejeção do leite começa com a ativação dos
nervos cujos estímulos são interpretados
pelo cérebro (hipotálamo) para sinalizar à
vaca que a ordenha está começando. Um
estímulo ou a combinação dos seguintes
estímulos externos pode inciar o reflexo da
ejeção do leite (Figura 1):
• O toque físico de um bezerro
mamando ou de um operador
limpando os tetos (que são sensíveis
ao toque e temperatura);
• Α visão de um bezerro (especialmente
em Bos indicus-vaca tipo zebu);
• O som do equipamento de ordenha.
Após esses estímulos, o cérebro envia um
sinal para a pituitária posterior, uma
glândula na base do cérebro, que libera o
hormônio ocitocina na corrente sanguínea.
O sangue transporta a ocitocina para o
úbere onde ela estimula a contração dos
minúsculos músculos (células mioepiteliais)
ao redor do alvéolo cheio de leite. As
contrações ocorrem 20 a 60 segundos após o
estímulo. A ação de apertar aumenta a
pressão intramamária e força o leite pelos
ductos para a glândula e cisterna do teto.
A ação da ocitocina dura somente seis a
oito minutos porque a concentração no leite
diminue rapidamente. Portanto, é
importantíssimo colocar o conjunto de
teteiras (ou iniciar a ordenha manual) ao
redor de um minuto após início da
preparação do úbere. Um atraso na
colocação das teteiras reduz a quantidade
de leite ordenhada. É possível que ocorra
uma segunda liberação de ocitocina porém,
esta é geralmente menos eficaz que a
primeira.
Inibição da descida do leite
Em algumas situações, o reflexo de ejeção
do leite pode ser inibido. Quando isso
ocorre, o leite não é liberado dos alvéolos e
somente uma fração pequena pode ser
coletada. Impulsos nervosos são enviados à
glândula adrenal quando eventos
incômodos ocorrem durante a ordenha
(dor, excitação ou medo). O hormônio
adrenalina, liberado pela glândula
adrenal, pode induzir a constrição dos
tecidos sanguíneos e capilares no úbere. O
fluxo sanguíneo reduzido diminue a
quantidade de ocitocina enviada ao úbere.
Além disso, a adrenalina parece inibir
diretamente a contração das células
mioepiteliais no úbere. Portanto, a vaca
pode não ser ordenhada rapidamente e
completamente nas seguintes situações:
• Preparo inadequado do úbere;
• Atraso na colocação de teteiras (ou
início da ordenha manual) minutos
após preparo do úbere;
• Situações diferentes que levam à dor
(apanhar) ou medo (gritar, latir);
• Falha no funcionamento do
equipamento de ordenha.
Após a primeira parição, as vacas devem
ser treinadas à rotina de ordenha. A
situação emocional que ocorre nessas vacas
pode ser o suficiente para inibir o reflexo de
ejeção do leite. Uma injeção de ocitocina em
várias ordenhas pode ajudar. Entretanto,
essa prática não deve ser feita
rotineiramente porque algumas vacas
podem rapidamente se tornar dependentes
da injeção para o reflexo de ejeção do leite.
COLETANDO LEITE DO ÚBERE
O orifício na ponta do teto é mantido
fechado por um grupo de músculos
circulares (esfíncter). Normalmente, o leite
na glândula e na cisterna do teto não sai do
teto sem uma forçaexterna para superar a
força dos músculos do esfíncter. Entretanto,
o leite de algumas vacas com forte reflexo
de ejeção do leite e/ou esfíncters fracos
pode escorrer do teto, devido ao aumento
de pressão no úbere no momento da
ordenha superar a força do esfíncter. A
diferença em pressão entre o interior e
exterior do teto é geralmente necessária
para abrir o esfíncter e deixar o leite fluir. O
leite é geralmente removido do úbere por
(1) um bezerro mamando; (2) ordenha
manual; ou (3) equipamento de ordenha.
21–Princípios da Ordenha
83
Ordenha manual usa pressão
Na ordenha manual, a mão segura toda
extensão do teto. O dedão e o dedo mais
próximo da extremidade superior do teto,
assim como os outros dedos, apertam para
dentro e para baixo (Figura 2). O aumento
da pressão interna no teto (relativamente à
atmosférica fora do teto) força o leite pelo
esfíncter.
Um bezerro mamando usa o vácuo
Um bezerro mamando ou um
equipamento de ordenha usa o vácuo, ao
contrário da pressão para extrair leite da
glândula e do canal do teto. Quando uma
sucção forte e suficiente (vácuo) é aplicada
na ponta do teto, a pressão fora do teto é
menor que a de dentro e o leite é expulso
para fora.
Um bezerro mamando enrrola a sua
língua e o céu da boca ao redor do teto.
Vácuo é criado na ponta do teto quando a
mandíbula abre e a língua retrai em direção
à garganta. Como resultado, o leite se
acumula na boca. Quando o bezerro engole
o leite, o fluxo de leite do teto cessa porque
a pressão dentro da boca volta ao normal.
Entre 80 e 120 ciclos alternados de
mamadas e goles ocorrem por minuto.
A máquina de ordenha usa vácuo
A máquina de ordenha também usa vácuo
para extrair leite do úbere. Os parágrafos
seguintes descrevem a ação da teteira da
máquina de ordenha. Para uma descrição
mais genérica das partes de uma máquina
de ordenha (veja o Dairy Essential chamado
“A máquina de ordenha”, número 4 na
série “Lactação e Ordenha”).
Se o vácuo aplicado à ponta do teto é
muito alto ou dura muito tempo, sangue e
fluido corpóreo se acumularão, causando
congestão que fará com que o fluxo de leite
cesse. No caso de um bezerro mamando,
esse problema não ocorre porque enquanto
o leite acumulado em sua boca é engolido,
não há diferença de pressão ao redor do
teto e a circulação normal do sangue no teto
é possível. Esse processo é conhecido como
massagem do teto.
Quando a máquina de ordenha é
utilizada, a dupla câmara no copo da teteira
e o pulsador permitem que os tetos sejão
submetidos alternadamente ao vácuo (fase
de ordenha) e à pressão atmosférica (fase de
massagem) (Figura 3). Quando o ar é
removido da câmara (área entre o copo e a
Figure 2: Durante a ordenha manual, a
pressão interna no teto se torna superior à
externa ao teto.
Figura 3: Ação da teteira do equipamento de
ordenha.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
84
borracha da teteira), as teteiras se abrem
porque a pressão dentro da câmara e dentro
da linha de vácuo é a mesma. O vácuo na
ponta do teto força o leite de fora da
cisterna do teto para dentro da linha.
Entretanto, quando o ar é admitido dentro
da câmara de pulsação, as teteiras colapsam
no teto (porque a pressão dentro da teteira é
menor do que a de dentro da câmara de
pulsação). Durante esse período de
descanso, o canal do teto se fecha (mas não
a cisterna do teto), o fluxo de leite cessa, e
fluidos corpóreos que foram aspirados no
tecido do teto podem sair. Essa ação de
massagem da teteira durante o ciclo de
pulsação previne a congestão de fluidos e o
edema de teto.
Geralmente, a teteira de uma máquina de
ordenha abre e fecha 45 a 65 vezes por
minuto (taxa de pulsação). Num ciclo de
pulsação, a fase de ordenha é geralmente
igual ou mais longa que a fase de
massagem. A porcentagem de tempo de um
ciclo de pulsação gasto em cada fase é
chamado de relação de pulsação . Por
exemplo, a relação de pulsação de 60:40
significa que o vácuo está aumentando ou
no máximo vácuo em 60% do ciclo e
diminuindo e/ou à pressão atmosférica em
40%. Por exemplo, assumindo uma taxa de
pulsação de 60 (um ciclo de pulsação por
segundo), a relação de pulsação de 60:40
indica que a fase de ordenha dura 0.6
segundos e a fase de massagem dura 0.4
segundos. 
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Essenciais em 
Gado de Leite
85
22) A MÁQUINA DE ORDENHA
Michel A. Wattiaux
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O esquema básico das máquinas de
ordenha inclue:
• Coleta do leite em um balde ou latão
colocado próximo à vaca (balde ao pé);
• Sistemas canalizados onde as vacas
são ordenhadas num barracão e o leite
flue para um tanque central;
• Sistemas de sala de ordenha onde todo
equipamento é centralizado e as vacas
vêm à sala para ordenha.
Apesar da grande diversidade de
instalação de máquinas, máquinas de
ordenha funcionam no mesmo princípio
básico: leite é coletado da vaca por vácuo
(sucção). A Figura 1 ilustra os componentes
básicos de todas as máquinas de ordenha,
que incluem:
• Um sistema de vácuo: bomba de
vácuo e tanque de reserva, regulador
de vácuo, tubulações (linhas) e
mangueira(s) longa de pulsação
formando um espaço fechado;
• Pulsadores que alteram o nível de
vácuo ao redor do teto fazendo com
que a ordenha ocorra sem congestão
de fluído e edema dos tecidos do teto;
• Unidades de ordenha ou conjuntos: a
combinação de quatro teteiras
conectadas ao copo coletor e montadas
com uma válvula que admite e fecha o
vácuo na unidade;
• Um sistema de remoção de leite que
transporta o leite da unidadde de
ordenha para uma unidade de
armazenamento: a mangueira do leite
e o tanque coletor (balde, balão
volumétrico, linha do leite, bomba de
leite, etc.).
Todos esses componentes requerem um
alto grau de coordenação para que a
máquin a d e o rdenha funcione
devidamente.
SISTEMA DE VÁCUO
Bomba de vácuo
A bomba de vácuo evacua ar das linhas e
das unidades de ordenha para criar o vácuo
necessário para ordenhar as vacas. A
maioria das máquinas atuais também usa o
vácuo para transportar leite para um
tanque coletor (ou diretamente para o
tanque de expansão que está sob vácuo), e
para lavar o equipamento de ordenha.
Para previnir que material sólido e
líquido caiam na bomba, um interceptador
deve ser ajustado na linha de vácuo
principal próximo à bomba.
Criando e medindo vácuo
Vácuo significa pressão abaixo da pressão
atmosférica normal. Quando a bomba de
vácuo é ligada, o ar é liberado causando
uma queda na pressão de ar dentro das
linhas e das unidades de ordenha (um
espaço fechado). A diferença entre a pressão
do ar interna na tubulação e externa
(negativa) à tubulação é denominada nível
de vácuo.
Um manômetro de mercúrio pode ser
utilizado para medir o nível de vácuo
(Figura 2). Este instrumento é um tubo em
“Forma de U” parcialmente preenchido por
mercúrio (Hg). Uma extremidade do tubo é
conectada à tubulação e a outra
permanence aberta à pressão atmosférica.
Quando a bomba de vácuo é “desligada”, a
pressão atmosférica atua internamente e
externamente às tubulações e o nível de
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
86
mercúrio é o mesmo em ambos os braços
do manômetro. Entretanto, quando a
bomba de vácuo é ligada, a pressão do ar
dentro da tubulação torna-se menor do que
a pressão externa. Alguém poderia pensar
que a pressão atmosférica externa estaria
empurrando o mercúrio para baixo e o
vácuo de dentro estaria puxando o
mercúrio para cima. A diferença do nível de
mercúrio em cada braço é o nível de vácuo.
Apesar de “mm de mercúrio” ainda ser
usado, o “Kilo Pascal (Kpa)” é agora o
padrão internacional oficial para medir o
nível de vácuo do equipamento de ordenha
(1 mm Hg = 0.1333 Kpa).
Regulador de vácuo (controlador) e
vacuômetro
A função do regulador éadmitir ar dentro
do sistema para manter o vácuo no nível
recomendado. Normalmente, a bomba de
vácuo cria um nível de vácuo maior do que
o necessário na unidade de ordenha. O
regulador percebe as mudanças no vácuo
(devido a vazamentos, colocação e retirada
dos conjuntos, deslizamentos, etc.) e
controla a quantidade de ar admitida no
sistema de vácuo para manter o nível de
vácuo desejado num intervalo pequeno. O
controlador pode ser um diafrágma com
peso ou uma “spring-operated” peça
(Figura 2). Para operar propriamente, ele
Figura 1: Componentes básicos das máquinas de ordenha.
22—A Máquina de Ordenha
87
deve ser colocado no local correto de
acordo com o sistema de ordenha (balde ao
pé, sistema canalizado ou sala de ordenha).
O vacuômetro deve ser utilizado para
detectar níveis anormais e flutuações no
vácuo provenientes de vazamento de ar,
regulador sujo, bomba de vácuo com as
correias soltas, etc.
PULSADOR
O pulsador é uma válvula simples que
admite ar e vácuo alternadamente na
câmara de pulsação da teteira. A ação das
teteiras de uma unidade de ordenha torna-
se possível pelo pulsador.
Pulsadores podem ser ativados por vácuo
ou um sinal elétrico de um controle de
pulsador para gerar uma frequência de 45 a
65 ciclos por minuto (taxa de pulsação).
Pulsadores podem ter ações alternadas ou
simultâneas. A pulsação é simultânea
quando as quatro câmaras de pulsação da
unidade de ordenha estão na mesma
posição ao mesmo tempo (as quatro na fase
de ordenha ao mesmo tempo, e as quatro
na fase de massagem ao mesmo tempo). Na
ação alternada, duas teteiras estão
ordenhando enquanto as outras duas estão
massageando. O leite flue de forma mais
regular e as flutuações de vácuo são
menores com a pulsação alternada;
entretanto, o número total de flutuações de
vácuo é o dobro comparado ao sistema de
pulsação simultânea.
CONJUNTO (UNIDADE DE ORDENHA)
As partes da unidade de ordenha estão
ilustradas na Figura 1 e uma descrição
detalhada da ação das teteiras encontra-se
no Essenciais em Gado de Leite chamado
“Princípios da Ordenha” (pg. 83). A
borracha (insuflador) dentro do copo da
teteira da unidade de ordenha é a única
parte da máquina que está em contato com
o úbere da vaca. Portanto, o peso da
unidade é geralmente ajustado ao nível de
vácuo para fornecer a tensão desejada no
teto, permitindo posicionamento correto e
ação de ordenha adequada. Se o nível de
vácuo dentro da unidade é muito alto ou a
unidade é muito leve, o seguinte pode
ocorrer:
• A unidade sobe e tende a pressionar a
área onde o teto encontra-se com o
úbere. O fluxo de leite cessa e o
operador deve empurrar a unidade
para baixo para ordenhar
completamente a vaca;
Figura 2: O nível de vácuo é medido como a altura da coluna de mercúrio (ou Kilo Pascal)
quando o ar é aspirado para fora de um espaço fechado.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
88
• Lesões de teto são mais comuns,
levando à vaca a uma maior
susceptibilidade à mastite;
• Congestão de teto aumenta, o que
tende a diminuir o tamanho do canal
do teto e a velocidade de ordenha.
Quando o vácuo é muito baixo ou a
unidade de ordenha é muito pesada o
seguinte pode ocorrer:
• A unidade de ordenha cai facilmente;
• Um atrito fraco entre o teto e o
insuflador leva a deslizamentos de
teteira mais frequentes e admissão de
ar na unidade, criando flutuações de
vácuo não desejadas e maior risco de
espalhar mastite;
• A velocidade de ordenha é reduzida.
Durante a ordenha, a taxa de fluxo pode
variar entre 2 e 5 kg de leite/minuto por
um período de dois a oito minutos
dependendo da produção de leite. Portanto,
o formato da unidade é importante para
assegurar que o leite não seja restringido.
Além disso, boa visibilidade do fluxo de
leite é importante porque isso permite que
o operador tenha certeza de que a unidade
está devidamente ajustada no início da
ordenha e que o final da ordenha seja
facilmente identificado.
Os quatro insufladores (borrachas) de
uma unidade de ordenha contraem e
dilatam muitas vezes durante uma única
ordenha. A medida que são utilizadas, as
borrachas se tornam gastas, esgarçadas,
perdem eslaticidade e reagem mais devagar
às mudanças de pressão.
Insufladores usados além do limite
recomendado diminuem a velocidade de
ordenha e aumentam o risco de espalhar
mastite. Portanto, eles devem ser trocados
periodicamente. A vida útil do insuflador
depende de muitos fatores e é muito
importante seguir as recomendações do
fabricante para frequência de troca.
SISTEMA DE REMOÇÃO DE LEITE
Uma vez que o leite foi coletado na
unidade de ordenha, ele tem que ser
transportado. O sistema de transporte tem
que ser projetado corretamente de forma
que o leite flua rapidamente sem encher a
linha ou retornar pela unidade de ordenha.
Um orifício pequeno de admissão de ar
no conjunto ajuda a estabilizar o vácuo nas
teteiras durante a ordenha e a levar o leite
desta. Leite e ar fluem juntos na linha do
leite (que está sob vácuo) até que sejam
separados no tanque coletor (Figura 2). Sem
a devida admissão de ar, o nível de vácuo
pode flutuar consideravelmente na unidade
de ordenha, em parte devido ao peso do
leite na mangueira longa do leite. A razão
entre o ar e o leite torna-se especialmente
importante quando o leite tem que ser
elevado do conjunto a uma linha alta
(sistema de linha alta). Quando uma coluna
de leite é elevada numa mangueira de
vácuo de um metro de comprimento, o
nível de vácuo na unidade de ordenha é
reduzido em cerca de 10 Kpa (75 mm de
Hg). A introdução de ar na linha do leite
“quebra” a coluna de leite facilitando o
movimento da mistura de ar e leite na
mangueira longa. Um sistema de ordenha
no qual o leite flue para baixo, do conjunto
para a linha do leite (sistema linha baixa) é
uma opção melhor do que quando o leite
tem que fluir para cima, para uma linha
elevada (sistema linha alta).
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89
23) MASTITE: A DOENÇA E SUA TRANSMISSÃO
Michel A. Wattiaux
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O QUE É MASTITE?
Mastite, ou inflamação da glândula
mamária, é a doença mais comum e mais
cara do gado leiteiro na maior parte do
mundo todo. Apesar de estresse e
ferimentos físicos também causarem
inflamação da glândula, infecção por
bactérias i n v a s iv a s e outros
microorganismos (fungo, levedura e
possivelmente vírus) é a principal causa de
mastite.
Mastite clínica e subclínica
Na mastite clínica, o quarto infectado
geralmente torna-se inchado, em alguns
casos dolorido ao toque, e o leite está
visualmente alterado pela presença de
grumos, coágulos, ou alteração da cor do
soro e às vezes sangue. Em casos severos
(mastite aguda), a vaca mostra sinais de
reação generalizada: febre, pulso rápido,
perda de apetite e brusco declínio na
produção de leite.
Ao contrário da mastite clínica, a mastite
subclínica é branda e mais difícil de ser
detectada. A vaca se apresenta sadia, o
úbere não mostra nenhum sinal de
inflamação e o leite parece normal.
Entretanto, microorganismos e células
brancas do sangue (células somáticas) que
são defesas para infecção, são encontradas
em número elevado no leite.
As perdas de leite e financeira devido à
mastite clínica são facilmente observadas
—produção de leite cai drasticamente e
leite de vacas tratadas com antibióticos tem
que ser descartado por três ou quatro dias.
Apesar disso, muito mais leite é perdido
devido à mastite subclínica porque:
• A grande maioria de casos de mastite
são subclínicos (em média, para cada
caso clínico, existem 20 a 40 casos
subclínicos);
• A redução na produção de leite devido
à mastite subclínica tende a persistir
por períodos longos e portanto
subestima a produção de vacas
infectadas.
O controle da mastitesubclínica é mais
importante do que simplismente o
tratamento de casos clínicos porque:
• As vacas que têm mastite subclínica
são reservatórios de organismos que
levam à infecção de outras vacas;
• A maioria dos casos clínicos começam
como subclínicos; portanto,
controlando a mastite subclínica é a
melhor forma de reduzir casos
clínicos.
O impacto da mastite vai com o leite além
dos portões da fazenda. Mudanças na
composição do leite (redução em cálcio,
fósforo, proteína e gordura, e aumento em
sódio e cloro) reduzem sua qualidade.
Além disso, o antibiótico usado para tratar
mastite é uma preocupação importante
para a indústria e para a saúde pública. A
presença de resíduo de antibiótico no leite
interfere com o processo de manufaturação
de muitos produtos lácteos (queijo e outros
produtos fermentáve i s ) . S a b ores
indesejáveis reduzem o valor dos produtos
lácteos e a presença de níveis baixos de
antibióticos pode causar problemas de
saúde nos consumidores.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
90
DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA
I n f e c ç õ e s come ç a m quando
microorganismos penetram no canal do teto
e multiplicam-se na glândula mamária.
Invasão do teto
O teto é a primeira linha de defesa contra
a penetração de bactéria no úbere.
Normalmente, o músculo do esfíncter fecha
de forma apertada o canal do teto quando a
vaca não está sendo ordenhada.
A invasão do teto geralmente ocorre
durante a ordenha. Organismos presentes
no leite ou na ponta do teto são
introduzidos no canal do teto e na cisterna
quando ocorre admissão indesejada de ar
na unidade de ordenha (deslizamento ou
remoção das teteiras antes de fechar o
vácuo). Depois da ordenha, o canal do teto
permanece dilatado por uma a duas horas;
entretanto, o canal de um teto machucado
permanence parcialmente aberto para
sempre. Organismos do ambiente (fezes,
material da cama, etc.) ou aqueles
encontrados na pele machucada da ponta
do teto podem facilmente invadir um canal
aberto ou parcialmente aberto.
Estabelecimento de infecção e
inflamação da área afetada
Algumas bactérias podem entrar no úbere
fixando-se e colonizando novos tecidos;
outras podem mover-se pela corrente do
leite produzida pelo movimento da vaca. A
bactéria primeiramente danifica o tecido
que envolve os ductos coletores maiores de
leite. A bactéria pode encontrar leucócitos
(células brancas do sangue) presentes
naturalmente em pequeno número no leite.
Essas células são a segunda linha de defesa
porque elas podem englobar e destruir
bactérias. Entretanto, durante esse processo,
os leucócitos liberam substâncias que
causam o movimento de leucócitos
adicionais do sangue para o leite.
Se as bactérias não são totalmente
destruídas, elas continuam a se multiplicar
e começam a invadir os ductos menores e as
áreas alveolares (Figura 1A). Células
secretoras de leite danificadas pelas toxinas
e outras substâncias irritantes liberam
substâncias que levam ao aumento da
permeabilidade dos tecidos sanguíneos
(Figura 1B). Leucócitos adicionais movem
para o lugar da infecção. Eles entram no
Figura 1: Desenvolvimento de mastite e a defesa da vaca contra infecção.
23—Mastite: A Doença e Sua Transmissão
91
tecido alveolar em
grandes números, se
infiltrando pelas células
secretoras de leite
danificadas (Figura 1C).
Fluídos, minerais e
fatores de coagulação
também penetram na
área afetada. Coágulos
de leite podem fechar os
ductos e isolar as regiões
infectadas.
Destruição do tecido
alveolar
À s vezes os
microorganismos são
eliminados rapidamente
e a infecção é resolvida.
Nesse caso, os ductos
obstruídos são abertos e a composição e
produção retornam ao normal em alguns
dias. Entretanto, a medida que a infecção
persiste e os ductos permanecem
obstruídos, o leite preso faz com que as
células secretórias revertam para um estado
de descanso (não produção) e o alvéolo
começa a encolher (Figura 1D). Substâncias
liberadas pelos leucócitos levam à completa
destruição das estruturas alveolares, que
são substituídas por tecido conjuntivo e
cicatricial (Figura 1E e F). A destruição do
tecido secretório de leite é, de fato, a
terceira linha de defesa para trazer a
infecção sob controle.
Portanto, a medida que a doença
progride, o número de células somáticas no
leite torna-se elevado e associado com uma
(permanente) redução da produção de leite.
TRANSMISSÃO DE VÁRIOS TIPOS DE
ORGANISMOS DE MASTITE
Na tentativa de controlar tipos diferentes
de infecção, é importante considerar a fonte
e os métodos de transmissão da doença.
Organismos que causam mastite vivem em
ambientes diferentes (fezes, material da
cama, pele, etc.). Em geral, a limpeza da
vaca e das instalações, assim como boas
práticas de manejo—especialmente na
ordenha—são métodos eficazes de
controlar a transmissão de mastite.
Streptococcus agalactiae
Streptococcus agalactia e é a causa mais
comum de infeções subclínicas mas
raramente causa doença severa (mastite
aguda). Esse organismo vive no úbere da
vaca e sobrevive somente por um período
curto de tempo fora da glândula mamária.
Ele é transmitido principalmente durante a
ordenha através da máquina de ordenha,
contaminando as mãos dos ordenhadores, e
o material (toalha) usada para lavar o úbere
(Figura 2). Este organismo também pode
infectar o úbere de uma novilha se uma
bezerra que foi alimentada com leite
contaminado mamar nela. A infecção pode
permanecer indefinidamente na glândula
mamária da novilha. Streptococcus agalactiae
pode ser erradicado de um rebanho através
de tratamento apropriado combinado com
boas práticas de ordenha. Entretanto, pode
ser facilmente espalhado novamente no
rebanho após compra de um animal
infectado.
Staphylococcus aureus
Staphylococcus aureus vive dentro ou fora
do úbere, na pele do teto, e causa muitos
casos de mastite clínica e subclínica. Ele
geralmente é transmitido da mesma forma
que o Streptococcus agalactiae (Figura 2). A
infecção geralmente induz a formação de
tecido cicatricial, que resulta em focos de
Figura 2: As principais rotas de transmissão bacteriana.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
92
infecção isolados (abcessos) no úbere que
são muito difíceis de serem alcançados
pelos antibióticos. Alguns abcessos podem
se romper e depois disseminar a infecção
para outras partes da glândula.
Streptococcus uberis e Streptococcus
dysgalactiae
Esses organismos são encontrados na
cama (especialmente cama com material
orgânico: serragem, palha, etc.), em água
parada e no solo. Eles também podem ser
encontrados na pele da vaca (teto e barriga)
e nos órgãos reprodutivos. Esses dois
organismos são geralmente transferidos do
ambiente para o teto entre as ordenhas, mas
algumas transferências também podem
ocorrer durante a ordenha. Esses
organismos não podem ser eliminados de
um rebanho porque eles fazem parte do
ambiente normal. A taxa de infecção dessas
bactérias tende a aumentar quando as
condições são favoráveis ao seu
crescimento—por exemplo, durante os
meses úmidos e chuvosos do ano.
Streptococcus uber i s e S treptococcus
dysgalactiae também são responsáveis pela
maioria da mastite que ocorre tanto no
início como no final do período seco. Além
dessas duas espécies de bactéria, existem
muitos outros streptococci (Strep. bovis,
Strep fecalis) que podem causar mastite.
Coliformes
Os coliformes são bactérias que
normalmente habitam o solo e os intestinos
das vacas. Elas se acumulam e se
multiplicam no esterco e na cama. Coli-
formes podem causar mastite apenas se
partículas contaminadas do ambiente
entrarem em contato com o úbere. Ao
contrário das bactér ias descritas
anteriormente, o coliforme não se adere aos
ductos e alvéolo no úbere, ao invés disso,
eles se multiplicam rapidamente no leite e
produzem toxinas que são absorvidas na
corrente sanguínea.Como resultado,
infecções por coliformes levam à mastite
aguda. A temperatura corpórea da vaca
pode aumentar acima de 40oC e o quarto
infectado ficará inchado e sensível ao toque.
Os mecanismos de defesa da vaca podem
eliminar a bactéria do úbere mas as toxinas
permanecem e a vaca pode morrer. Vacas
livres de outras bactérias causadoras de
mastite (S t reptococcus agalactiae e
Staphylococcus aureus) parecem ser mais
susceptíveis à bactéria coliforme.
Tabela 1: Fontes (do mais prevalente para o menos) e métodos de transmissão das bactérias
mais comuns causadoras de mastite.
Tipo de bactéria
Porcentagem
de infecções Fonte principal
Principais métodos de
transmissão
Streptococcus agalactiae >40% Úbere infectado Quarto para quarto; vaca
à vaca durante ordenha1
Staphylococcus aureus 30–40% Úbere infectado,
maciez do teto
Quarto para quarto, vaca
à vaca durante ordenha1
Streptococci ambientais2 5–10 Cama, esterco Ambiente para vaca
Coliformes3 <1% Esterco Ambiente para vaca
1 Veja Figura 2 para mais detalhes.
2 Streptococcus uberis e Streptococcus dysgalactiae.
3 Escherichia coli, Enterobacteri aerogenes, Klebsillia pneumoniae.
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93
24) MASTITE: PREVENÇÃO E DETECÇÃO
Michel A. Wattiaux
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INTRODUÇÃO
Para controlar os problemas de mastite
em um rebanho, a prevenção de novas
infecções tem maior valor do que a
tentativa de curar casos clínicos. Mesmo
que a taxa de novas infecções seja reduzida,
as infecções existentes que são tratadas
podem ser curadas com sucesso limitado. A
luta contra mastite é um esforço de longo
prazo que tem que ser persistente porque é
impossível prevenir completamente a
transmissão de bactéria ou outros
organismos que causam a doença (Figura 1).
DETECÇÃO
Mastite, contagem de células
somáticas e perdas de
produção no rebanho
Mais de 98% das células somáticas
encontradas no leite vêm das células
sanguíneas brancas que entram no leite em
resposta à invasão bacteriana no úbere (ver
Dairy Essential “Mastite: A Doença e sua
Transmissão”). Uma alta contagem de
células somáticas está associada a perdas na
produção de leite. Quando o leite de todas
as vacas num rebanho é misturado, como
no tanque de expansão, a contagem de
células somáticas numa amostra composta
é um bom indicador da prevalência de
mastite no rebanho (Tabela 1). Uma
contagem de células somáticas maior que
200.000 cels/ml indica a presença de
mastite subclínica. Contagens de célula
somática menores que 400.000 cels/ml são
típicas de rebanhos que têm boas práticas
de manejo, mas sem ênfase particular no
controle de mastite. Rebanhos com um
controle de mastite eficaz tem
constantemente contagens abaixo de
100.000 cells/ml. Ao contrário, contagens
de célula somática maiores que 500.000
cels/ml indica que um terço das glândulas
mamárias estão infectadas e a perda de leite
devido à mastite subclínica é de pelo menos
10%.
A contagem de células somáticas de uma
amostra composta não revela o tipo de
infecção, nem a identidade das vacas
Figura 1: A melhoria das práticas de hygiene e manejo são formas eficazes de reduzir a taxa de
novas infecções (de A para B), mas infecções existents são difíceis de curar e vacas infectadas
permanecem no rebanho por um longo tempo após a redução da taxa de novas infecções (B).
Somente após um esforço continuo por um longo tempo (anos) que o número de vacas
infectadas no rebanho diminue (de B para C).
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
94
infectadas. Entretanto, é uma boa
ferramenta para monitorar a prevalência de
mastite no rebanho com o tempo (mês a
mês, ano a ano).
Bactéria no leite
Culturas de bactéria no leite podem ser
úteis para quantificar as bactérias e
identificar os organismos causadores de
mastite, e alta contagem de células
somáticas. Na maioria das vezes, a mistura
de diferentes tipos de bactéria é encontrada,
mas algumas vezes, uma espécie bacteriana
pode predominar (e.x., Strep. agalactiae). Se
as contagens de bactérias forem elevadas
(>50.000 bacteria/ml), a cultura pode
providenciar pistas para a(s) fonte(s) de
contaminação. A presença (ou ausência) de
organismos específicos ajuda a formular
recomendações para prevenir que os
organismos encontrados no rebanho se
espalhem. Rebanhos bem manejados têm
contagens bacterianas menores que 1.000
por ml.
Detecção de mastite em vacas
individuais
Exame físico do úbere
Sinais de mastite aguda inclue quartos
inchados, quentes e doloridos ao toque.
Mudanças no tamanho e presença de tecido
cicatricial podem ser detectadas mais
facilmente após a ordenha, quando o úbere
está vazio.
Aparência do leite
Observação dos primeiros jatos de leite
permite a detecção de leite anormal que
deve ser descartado. Leite anormal pode
apresentar alteração na coloração (aguado),
grumos, ou coágulos. Cuidado deve ser
tomado durante a remoção dos primeiros
jatos de leite para não espirrar o leite,
contaminando o corpo da vaca, rabo ou
úbere. Além disso, o ordenhador não deve
coletar os primeiros jatos na palma da mão
porque há risco de transferir bactéria de um
quarto para outro, e de uma vaca para
outra. Em sistemas onde as vacas são
ordenhadas no seu próprio alojamento
(stanchion barn), os primeiros jatos são
tipicamente desprezados em uma caneca.
Em uma sala de ordenha, entretanto, pode
ser desprezado diretamente no chão e
e n x a g u a d o imediatamen t e após
observação.
 California mastite teste
Para esse teste, o leite de cada quarto é
misturado com uma solução de detergente.
O leite de quartos infectados forma um gel;
a consistência do gel é avaliada
visualmente. Essa reação é relacionada ao
número de células somáticas no leite, e uma
reação positiva indica mastite.
Cultura bacteriana
Geralmente, esse teste é feito em vacas
selecionadas a partir da contagem de
células somáticas de amostras compostas
caso ela revele um problema sério e
persistente. Cultura de leite individual de
vaca identifica as espécies bacterianas,
sendo assim a maneira mais confiável para
se decidir quanto ao melhor tratamento
com antibiótico para uma determinada
vaca.
PREVENÇÃO
A prevenção de mastite pode ser
alcançada por simples passos que têm o
objetivo de reduzir a taxa e duração da
infecção (Tabela 2).
Correta higiene na ordenh a : Os tetos
devem ser limpos e secos antes da ordenha.
Se o leite é filtrado, a presença de partículas
(material sólido) no filtro indica limpeza
Tabela 1: Relação entre contagem de células somáticas (CCS) medidas em amostra composta
de tanque, perda de produção e prevalência de mastite subclínica no rebanho.
CCS Quarto infectado Perda de produção (%) Mastite subclínica
<200.000   6% 0–5 Próxima a zero
200.000–500.000 16% 6–9 Alguns casos
500.000–1.000.000 32% 10–18 Muitos casos
>1.000.000 48% 19–29 Epidêmica
24—Mastite: Prevenção e Detecção
95
insuficiente do teto durante a preparação
do úbere ou falta de higiene durante a
colocação e retirada da unidade de
ordenha.
A máquina de ordenha deve funcionar e
ser operada corretamente: O nível de vácuo
na unidade de ordenha deve ser entre 275 e
300 mm de mercúrio e deve variar o
mínimo possível. Flutuações podem ser
reduzidas consideravelmente, evitando
deslizamentos ou entrada de ar na unidade
durante a ordenha, e fechando o vácuo do
conjunto antes de remover as teteiras. O
regulador de vácuo deve ser mantido limpo
e checado regularmente.
Imersão dos tetos após ordenha: Pesquisa
demonstra que a taxa de novas infecões
pode ser reduzida em mais de 50% quando
um desinfetante adequado é usado para
imersão completa dos tetos ou spray. A
imersão dos tetos após ordenha é mais
efetiva contra Staphylococcus aureus e Strep.
agalactiae , asduas bactérias mais
contagiosas causadoras de mastite. A
imersão dos tetos não afeta infecções
existentes. Isso explica o porque, no curto
prazo, muitos fazendeiros não percebem os
efeitos positivos do uso dessa técnica. Para
se obter um rápido declínio no nível de
infecção, seria necessário eliminar as vacas
infectadas do rebanho (Figura 1).
Tratamento de todos os quartos de todas
as vacas na secagem: O uso efetivo de um
antibiótico de longa duração, infundido em
cada quarto do úbere na última ordenha da
lactação, reduz a incidência de novas
infecções durante o período seco. Além
disso, a terapia da vaca seca é o melhor
método para curar mastite crônica e
subclínica que raramente pode ser tratada
com sucesso durante a lactação.
 Tratamento adequado e em tempo certo
de todos os casos clínicos: A terapia
adequada tem que ser decidida por um
veterinário e a vaca deve ser manejada de
forma que se evite o risco de transmissão da
doença.
Descarte de vacas cronicamente
infectada s : Geralmente, este método é
efetivo porque na maioria dos rebanhos,
somente 6 a 8% de todas as vacas são
responsáveis por 40 a 50% de toda mastite
clínica.
Boa nutrição para manter a abilidade da
vaca de lutar contra as infecções:
Deficiências em selênio e vitamina E na
dieta têm sido associadas com um aumento
na taxa de novas infecções.
Outras práticas de manejo fáceis:
Algumas práticas simples ajudam a reduzir
a disseminação de mastite.
• Alimentar as vacas imediatamente após
ordenha para que elas fiquem de pé por
pelo menos uma hora antes de deitar;
• Ordenhar as vacas infectadas por
último.
TRATAMENTO DE MASTITE
Mastite aguda
A mastite aguda como a causada por
coliforme ameaça a vida da vaca. Um
veterinário d e v e ser chamado
imediatamente quando a vaca mostra sinais
generalizados em resposta `a infecção no
úbere (inabilidade de ficar de pé, pulso
rápido, febre, etc.). Ordenhar o quarto
afetado a cada duas a três horas ajuda a
eliminar as toxinas.
Mastite clínica
Tratamento imediato de mastite clínica
limita a duração e possível transmissão da
doença. Um veterinário familiarizado com a
estória da doença no rebanho deve
preescrever o m elhor tratamento
terapêutico. Quando o tratamento com
antibiótico é recomendado, é crítico seguir
as instruções, especialmente em relação a
duração do tratamento. Muitas vezes os
tratamentos são interrompidos muito cedo,
não permitindo que os antibióticos
alcancem e destruam os organimos em
partes do úbere que são difíceis de serem
atingidas (as infecções mais invasivas).
Somente mastite causada por Streptococcus
agalactiae pode ser tratada com sucesso com
antibióticos durante a lactação (mais de
90% de cura). Entretanto, quando a mastite
é causada por Staphylococcus aureus,
coliforme e muitos outros organismos, a
taxa de sucesso de tratamento com
antibiótico raramente excede 40 a 50% e às
vezes é tão baixa quanto 10%.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
96
Mastite subclínica
Alta contagem de células somáticas no
leite indica mastite subclínica mas isso não
deveria ser usado como um critério para
tratamento de vacas com antibióticos
porque como mencionado nos parágrafos
anteriores, a taxa de cura é geralmente
muito baixa. Casos de mastite subclínica
são tratados de uma melhor forma no
momento da secagem.
Terapia com antibiótico na secagem
A infusão intramamária de antibiótico de
longa duração no momento da secagem
(terapia da vaca seca) é um componente
essencial de um programa de controle de
mastite na fazenda. A terapia da vaca seca
ajuda a curar 50% da mastite causada por
Staphylococcus aureus e 80% dos streptococci
ambientais (S t r ep uberi s and Strep.
dysgalactiae , etc.). Um quarto infectado
tratado e curado no período seco vai
produzir cerca de 90% do seu potencial na
próxima lactação. Entretanto, se um quarto
permanence infectado ou torna-se infectado
no período seco, este quarto vai produzir
somente 60 a 70% do seu potencial.
Tabela 2: Questionário para auxiliar na identificação da fonte de transmissão e na avaliação
das práticas de prevenção em um rebanho leiteiro (quando possível, a melhor resposta está
indicada pelo quadrado: ❏).
AS VACAS Sim Não
 1. Quais vacas tem mais mastite clínica? Vacas secas ; recém-paridas ; novilhas
primeira cria ; vacas de alta produção ; sempre as mesmas vacas ; combinação 
O AMBIENTE (INSTALAÇÕES)
 2. Qual é o tipo de local/cama onde as vacas deitam? concreto ; areia ; solo ;
palha ; serragem ; raspas ; outro .
 3. A cama/local é limpa(o) (sem esterco) e seca(o)? ❏ —
 4. A comida é fornecida após ordenha para estimular as vacas a ficarem de pé por pelo
menos uma hora?
❏ —
 5. Antibióticos de longa duração são usados em todos os quartos de todas as vacas na
secagem?
❏ —
A MÁQUINA DE ORDENHA
 6. O equipamento de ordenha foi instalado corretamente? ❏ —
 7. A bomba de vácuo, o tanque de distribuição de vácuo, e as tubulações são de tamanho
adequado para o número de unidades de ordenha?
❏ —
 8. Os pulsadores e reguladores de vácuo estão limpos e funcionam corretamente? ❏ —
 9. O equipamento de ordenha é limpo de forma adequada? ❏ —
10. As borrachas das teteiras e outras partes de borracha não possuem rachaduras e
buracos e são trocadas regularmente?
❏ —
O PROCEDIMENTO DE ORDENHA
11. Os tetos são lavados com o mínimo de água e bem secos com toalha de papel individual
ou toalhas de pano limpas?
❏ —
12. Os primeiros jatos de leite são examinados regularmente para detectar anormalidades? ❏ —
13. Na imersão de tetos, o tempo de contato é adequado e todo produto removido ao secar? ❏ —
14. A água se acumula na boca do insuflador durante a ordenha? — ❏
15. O deslizamento e entrada de ar nas teteiras são prevenidos? ❏ —
16. A ordenha manual após a ordenha mecânica é evitada? ❏ —
17. A maioria das vacas são ordenhadas e os conjuntos são removidos em 3 a 6 minutos? ❏ —
18. Os tetos são desinfetados após ordenha? ❏ —
19. Pelo menos os 2/3 inferiores do comprimento do teto são desinfetados? ❏ —
* Para testar o regulador de vácuo e a reserva de vácuo, fazer o seguinte teste: Após ligar a máquina de ordenha,
deixe entrar ar em uma unidade por 5 segundos. Checar o vacuômetro. Coloque o seu dedão na borracha e
conte quantos segundos leva para sentir a pulsação normal. Se a agulha passou o ponto marcado e leva mais de
segundos para a pulsação retornar ao normal, o regulador está funcionando mal ou a reserva de vácuo é
insuficiente. Ambos problemas podem causar grandes flutuações de vácuo na ordenha.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
97
25) PROCEDIMENTO DE ORDENHA
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
INTERVALO E
FREQUÊNCIA DE ORDENHA
Durante a lactação, o leite é secretado de
forma contínua. A medida que o leite se
acumula nos alvéolos e nos ductos, há um
aumento da pressão interna e diminuição
da taxa de secreção do leite. Portanto,
quando a ordenha é feita duas vezes ao dia,
intervalos iguais de 12 horas permitem
maiores produções na lactação. Para a
maioria das vacas, a redução na produção
de leite permanence pequena, mesmo
quando os intervalos de ordenha são de 16
e 8 horas. Entretanto, o efeito de intervalos
de ordenha desiguais é mais importante
para novilhas de primeira cria (devido ao
tamanho limitado do úbere) e para vacas de
alta produção (devido às altas taxas de
secreção de leite). Ordenhando essas vacas
primeiro de manhã e por último à tarde
ajuda na manutenção da máxima produção
de leite. A remoção frequente do leite evita
o acúmulo da pressão. Como resultado, três
ordenhas por dia pode aumentar a
produção em 10 a 20% sem alteração da
composição do leite. Entretanto, essa
práticademanda mais mão de obra.
DEZ PASSOS PARA MAXIMIZAR
PRODUÇÃO E MINIMIZAR RISCOS
DE TRANSMISSÃO DE MASTITE
Máquinas de ordenha modernas são
projetadas para remover 80 a 90% do leite
do úbere da vaca em apenas alguns
minutos, e sem recorrer a algum peso
adicional no conjunto ou assistência
manual. Uma ordenha eficiente pode ser
obtida pela seguinte rotina descrita abaixo.
Cada passo no procedimento de ordenha
deve ser feito gentilmente e sem causar
trauma à vaca. O reflexo de descida do leite
é mais pronunciado quando as vacas estão
relaxadas. Ao contrário, a produção pode
ser reduzida em mais de 20% quando as
vacas estão com medo ou sentem dor
durante a ordenha. O ordenhador, o
ambiente (barracão ou sala de ordenha) e as
vacas devem estar limpos. A higiene geral
auxilia a reduzir a disseminação de mastite
e preserva a qualidade do leite. Por
exemplo, o úbere da vaca deveria ser
tosqueado para remoção dos pêlos longos e
redução da sujeira, esterco e material da
cama que podem aderir ao pêlo e à pele.
1) Deixe a vaca saber que ela será
ordenhada.
—Com um simples toque na traseira, no
flanco ou no úbere da vaca, ou com
algumas palavras gentis, sinalize a sua
presença e prepare para iniciar a ordenha.
Um movimento brusco ou inesperado pode
assustar a vaca e inibir o reflexo de descida
do leite.
2) Checar o úbere e os primeiros jatos
para mastite.
—Observar e sentir o úbere para sinais de
mastite (calor, dureza, ou quartos
aumentados).
—Desprezar os primeiros jatos e observar
sinais de dor na vaca, e a presença de
grumos no leite, ou aspecto de leite aguado
ou talhado. Para reduzir a taxa de
transmissão de mastite, os primeiros jatos
nunca devem ser desprezados diretamente
na mão. Num barracão, uma caneca de
fundo escuro1 deve ser usada e bem
 
1 Caneca de fundo escuro é uma caneca equipada
com um filtro que permite que grumos e coágulos
do leite sejam observados.
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
98
enxaguada entre cada vaca. Numa sala de
ordenha, os primeiros jatos podem ser
desprezados no chão e enxaguados
imediatamente com água após observação.
—Leite de vacas com sinais clínicos de
mastite tem que ser descartado.
3) Lavar os tetos com uma solução
sanitizante morna.
—Lave e massageie todos os tetos com
água morna contendo um desinfetante leve.
—Use pouca água e evite molhar muito o
úbere já que água escorrendo para baixo,
em direção aos tetos, aumenta o risco de
mastite e o número de bactérias no leite.
—Use uma toalha única de pano ou papel
para cada vaca. O uso da mesma toalha
para mais de uma vaca aumenta o risco de
contaminção e transmissão de bactérias
causadoras de mastite de uma vaca para
outra.
4) Imersão dos tetos com um
desinfetante seguro e eficaz
(opcional).
—“Predipping”, se permitido pela lei, é
uma prática eficaz que reduz o número de
novas infecções por microorganismos
ambientais. Somente produtos testados
para predipping devem ser usados.
Predipping consiste na imersão dos tetos
em um desinfetante. Para ser eficaz, a
maioria dos desinfetantes de predip tem
que permanecer em contato com os tetos
por 20 a 30 segundos.
5) Secar os tetos por completo.
—Secar os tetos por completo. Toalha de
papel descartável de uso único é a melhor
maneira de secar os tetos é cara. Toalhas de
pano são aceitas quando usadas somente
em uma vaca e lavadas entre as ordenhas.
Umidade residual no teto e água no úbere
estão contaminadas por bactérias e podem
eventualmente contaminar os insufladores
e o leite, criando risco para mastite e
reduzindo a qualidade do leite. Além disso,
secar os tetos minimiza a ocorrência de
deslizamentos da unidade durante a
ordenha.
—O reflexo de descida do leite da vaca é
iniciado assim que os tetos estejam limpos,
massageados e secos.
6) Colocar o conjunto dentro de um
minuto.
—Colocar a unidade de ordenha em um
minuto após início do preparo. Cada teteira
deve ser colocada no teto com mínima
entrada de ar na unidade de ordenha.
7) Checar o fluxo de leite e ajustar a
unidade de ordenha se necessário.
—Checar se o leite flue de cada teto.
—Ajustar a posição da unidade de
ordenha. A ordenha rápida e completa é
possível somente quando a unidade de
ordenha está alinhada corretamente. Em
geral, as teteiras da frente precisam ser
posicionadas um pouco mais altas que as
teteiras traseiras. Algumas empresas de
equipamento de ordenha recomendam um
braço de suporte onde a mangueira longa
do leite e a mangueira do vácuo se apoiam
e a unidadde de ordenha é ajustada na
melhor posição. Teteiras posicionadas de
forma inadequada escorregam com
frequência e o fluxo de leite pode ser
restringido, ambos contribuem para o
desenvolvimento de mastite.
—Não deixar a unidade de ordenha fazer
barulho de entrada de ar.
—Reajustar o conjunto se necessário
durante a ordenha. A entrada de ar na
teteira pode fazer com que minúsculas
gotas de leite voltem para o canal do teto
em alta velocidade. Se contaminadas, essas
gotas permitem que bactérias entrem no
úbere e causem mastite. Esse processo
ocorre mais frequentemente próximo ao
final da ordenha quando o fluxo de leite
está diminuindo.
8) Ao final da ordenha, feche o vácuo
antes de retirar o conjunto.
—Não ordenhe mais do que o necessário.
A maioria das vacas são ordenhadas em 4 a
5 minutos. Os quartos dianteiros são
geralmente ordenhados primeiro que os
traseiros que produzem mais leite.
Portanto, os quartos dianteiros tendem a ser
sobreordenhados. Geralmente, este não é
um problema; um ou dois minutos de
sobreordenha com um equipamento
funcionando adequadamente n ã o
predispoe o úbere à mastite.
25—Procedimento de Ordenha
99
—Evite ordenhar manualmente. No
passado, era comum massagear o úbere
ainda com a unidade de ordenha acoplada
para coletar os últimos jatos de leite. Esta
prática deve ser completamente descartada
porque ela aumenta o estresse no tecido do
teto e o risco de admissão de ar na unidade,
assim aumentado o risco de mastite.
—Fechar o vácuo do conjunto antes de
retirá-lo dos tetos. Tirando o teto das
teteiras sob a influência do vácuo aumenta
o risco de lesão do teto e infecção porque
cria um deslizamento de teteira “massivo”.
9) Imersão ou uso de spray nos tetos
com um desinfetante seguro e efetivo
(produto de dip).
—Faça imersão ou use o spray nos dois
terços inferiores de cada teto com um
desinfetante leve. Soluções que não vão
rachar ou irritar os tetos incluem vários
produtos comerciais, clorexidina (0.5%),
iodo (0.5-1%) baixo em ácido fosfórico, e
hipoclorito (4%) baixo em hidróxido de
sódio.
10) Desinfetar as unidades de ordenha
(opcional).
—Para previnir que a infecção se espalhe
de uma vaca para outra, está se tornando
comum a desinfecção das teteiras antes de
usá-las na próxima vaca. O procedimento
mais recomendado é colocar as teteiras em
um balde com água limpa para enxaguar o
resíduo de leite. Depois as teteiras são
mergulhadas num balde com água e um
desinfetante leve (15 a 25 miligramas de
iodo por kg de água, que é, a 15 a 25 ppm
solução de iodo) por 2.5 minutos.
Finalmente, as teteiras devem ser secas
antes de colocadas na próxima vaca. Se esse
passo não for feito de forma apropriada, ele
pode aumentar ao invés de controlar a
disseminação de mastite. Muitas máquinas
de ordenha são equipadas com um sistema
automático de desinfetante para teteiras
que é rápido e eficiente (“backflushing”).
MANUSEIO DO LEITE COLETADO
O leite coletado deve ser filtrado, resfriado
e armazenado numa sala separada e limpa.
O leite pode ser filtrado utilizando um filtro
interno na tubulação a medida que o leite é
bombeado para fora da máquina ou um
filtro manual, passando o leite coletado para
um outro balde por um filtro. Se o filtro é
descartável, deve ser usado somente uma
vez. De outra forma,um filtro de pano pode
ser usado, lavado e desinfetado após cada
ordenha. O filtro retém coágulos de leite e
outras partículas grandes, e após o uso, a
sua inspeção auxilia a avaliar a higiene geral
da ordenha—em particular, dos passos 2 e 3
acima.
A refrigeração rápida do leite após a
coleta é vital para previnir a multiplicação
de bactéria e perda de qualidade. Se não
houver instalações para refrigeração, o leite
deve ser resfriado a uma temperatura na
faixa de 2oC da temperatura da fonte de
água local. O leite refrigerado deve ser
idealmente armazenado a 4oC até que seja
transportado para a indústria. Perceba que
mesmo um leite de boa qualidade contendo
menos de 10.000 bactérias/ml não pode ser
armazenado mais de 2 dias a 4oC sem o
risco de deterioração da qualidade. O leite
não armazenado a 4oC deve ser
transportado a empresa captadora de leite
assim que possível.
LIMPANDO O EQUIPAMENTO
Uma máquina de ordenha funciona
adequadamente s o mente q u a n d o
completamente limpa após cada uso. Uma
máquina de ordenha extremamente limpa é
necessária para se obter um leite de alta
qualidade que seja seguro e com sabor
adequado para consumo humano, e que
permaneça estável por um longo tempo
(longo tempo de prateleira).
Quando a máquina de ordenha é
projetada, a facilidade de limpeza deve ser
levada em conta:
• O material utilizado para construir as
tubulações deve ser liso (alumínio, aço
sem manchas, etc.), durável e
resistente à corrosão de soluções
ácidas e alcalinas;
• A máquina tem que ser construída
com um mínimo de ângulos retos
(junções) para reduzir o
turbilhonamento do fluxo e formação
de depósito;
Essenciais em Gado de Leite—Lactação e Ordenha
100
• Todas as tubulações devem ter uma
inclinação correta para prover uma
drenagem após ordenha e limpeza.
Limpando o exterior das
unidades de ordenha
Quando a ordenha termina, toda sujeira
visível e depósito de leite têm que ser
removidos da parte externa das unidades
de ordenha e mangueiras flexíveis
esfregando e enxaguando com água limpa.
Lavando as tubulações e o interior
das unidades de ordenha
O fluxo de leite forte e em turbilhão que
passa por um ângulo reto, e o calor podem
causar a precipitação de componentes
(proteína) e formação de pedras de leite
“milkstones”.
Os passos básicos para limpar uma
máquina de ordenha manualmente de
forma adequada ou com um sistema de
limpeza no lugar “cleaning-in-place” estão
resumidos na Tabela 1. Não é possível
combinar todas as propriedades de um
produto para limpeza em uma preparação
porque a eliminação do filtro de gordura e
proteína normalmente requer detergente
alcalino, enquanto que a solução ácida é
necessária para depósitos de minerais.
Portanto, o uso alternado de detergentes
alcalinos e ácidos é recomendado. Além
disso, para assegurar a ação correta de
limpeza de vários detergentes, também
deve ser parte do processo de limpeza, o
seguinte:
1) Uma ação mecânica (esfregando
manualmente) ou um fluxo em alta
velocidade (sistema de limpeza no
lugar “clean-in-place” ) é necessário
para um tempo suficiente de contato
(tempo de contato) para remover e
levar as partículas;
2) O volume total de água usado tem que
ser suficiente para assegurar contato
entre a solução de detergente e o
equipamento;
3) A concentração de detergente tem que
ser adequada para se obter a ação de
limpeza desejada;
4) A temperatura da água não pode ser
muito baixa ou alta, a temperatura
determina a eficácia de muitos
detergentes.
Tabela 1: Passos básicos na limpeza de equipamento de ordenha.
Passos Temp água Duração Ação e comentários
1-Lavagem
inicial
35o a 45oC Remover o acúmulo de leite residual na máquina de
ordenha; “Pré-aquecimento” do equipamento para
melhor ação das soluções de limpeza.
2-Lavagem
(detergente
alcalino1)
50o a 75oC 10 min. Um produto a base de cloro ajuda a remover proteína; a
alcalinidade remove a gordura, e um agente complexo
(EDTA) previne a formação de depósitos de sal
dependendo da dureza da água.
3-Lavagem
com água
(opcional)
4-Enxague
com ácido2
35o a 45oC 5 min. Neutraliza os resíduos de cloro e alcalino (prolonga a
vida das partes de borracha) previne depósito mineral e
ajuda a previnir pedras do leite, mata bactéria.
5-Enxague
com água
Água morna ajuda o equipamento a secar mais rápido.
6-Sanitização Antes de usar o equipamento novamente, solução
sanitizante de cloro (200 mg por kg de água, ou 200 ppm)
reduz o número de bactéria no equipamento.
1 Exemplos de agentes ativos em detergentes alcalinos: hidróxido de sódio, carbonato de sódio, monofosfato
trisódico e polifosfatos. A taxa de diluição tem que ser indicada pelo fabricante no rótulo.
2 Exemplos de ácidos: ácido fosfórico ou ácidos orgânicos (ácido acético, ácido cítrico, etc). Produtos ácidos
contém inibidores de corrosão. A taxa de diluição deve ser indicada pelo fabricante no rótulo.
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e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
101
26) FATORES QUE AFETAM O TAMANHO
E A PRODUTIVIDADE DO REBANHO
LEITEIRRO DE REPOSIÇÃO
Michel A. Wattiaux Doug McCullough
Babcock Institute Dairy Science Department
A criação de novilhas deve ser encarado
como um investimento financeiro. O
número total de novilhas de primeira cria
produzido por ano, no rebanho de
reposição, tem grande influência na
rentabilidade da fazenda de leite.
Este artigo apresenta uma discussão breve
dos fatores que influenciam o balanço entre
suprimento e descarte de novilhas do
rebanho de reposição em uma base anual
(Figura 1). O número de novilhas que
nascem no rebanho dependem de:
• Taxa de parição (número de vacas e
intervalo entre partos);
• Proporção entre sexo dos bezerros
nascidos.
O número de novilhas que saem do
rebanho depende da:
• Taxa de mortalidade dos bezerros;
• Taxa de descarte (voluntário e
involuntário);
• Idade à primeira parição.
Deve-se destacar que o número de
novilhas de primeira cria disponíveis no
rebanho e o número de novilhas de
primeira cria necessárias ao rebanho são dois
conceitos diferentes. Os seguintes fatores
influenciam a necessidade—e não a entrada
espontânea de animais—de novilhas de
primeira cria no rebanho:
• Taxa de descarte de vacas;
• Venda voluntária de novilhas para
para reprodução;
• Taxa de expansão do rebanho.
Em um rebanho fechado (sem compra de
vacas ou novilhas), o número de novilhas
de primeira cria por ano determina a taxa
máxima de descarte por ano, se a intenção
for manter o rebanho do
m e s m o t a m a n h o .
Quando o número de
novilhas produzidas
exceder o número de
vacas que se deseja
descartar, as novilhas
em excesso podem ser
utilizadas tanto para
aumentar o tamanho do
rebanho como para a
venda voluntária de
animais .
A Tabela 1 mostra
como estimar o número
de novilhas que farão
parte do rebanho de
Figura 1: Estrutura do rebanho leiteiro—os círculos cruzados indicam
importantes fatores de manejo que controlam o número de animais em
cada grupo.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
102
reposição (Tabela 1A) e o número de
novilhas de primeira cria produzidas por
ano (Tabela 1B).
Taxa de parição
O suprimento de novilhas no rebanho
depende em primeiro lugar na taxa de
parição, que é calculada pela fórmula:






×
partos entre Intervalo
12
 vacasde Número
A taxa de parição mede as mudanças no
número esperado de bezerros, quando o
intervalo entre partos é de 12 meses.
Com o aumento do intervalo entre partos,
o número esperado de bezerras nascidas
por ano diminui. De acordo com a Figura 2,
o aumento do intervalo entre partos de 12
para 18 meses diminui o número de
novilhas de primeira lactação disponíveis
por ano. Em um rebanho de 100 vacas, este
númerocairia de 43 para 29 novilhas.
Os valores apresentados na parte gráfica
da Figura 2 pode ser também interpretada
como percentagem. Por exemplo, se um
rebanho de 100 vacas com 18 meses de
intervalo entre parto produz 29 novilhas de
primeira lactação por ano, então este
rebanho com o mesmo intervalo entre
partos, mas com apenas 75 vacas, irá
produzir :
 
29 x 75
100
= 22 novilhas de 1ª lactação.
Proporção entre sexo dos bezerros
recém-nascidos
 Este índice influencia o número de
novilhas do rebanho e deve ser calculado
por esta fórmula:
nascidos (total) bezerros de Número
nascidas fêmeas de Número .
Vários rebanhos experienciam uma maior
tendência ao nascimento de mais fêmeas ou
machos mas, com o passar dos anos, pode-
se perceber uma proporção de 51% de
fêmeas e 49% de machos. Estudos recentes
têm indicado fatores nutricionais (como o
balanço catiônico na dieta) podem afetar a
proporção entre sexos dos bezerros mas,
este efeito ainda é considerado mínimo. No
futuro próximo, novas tecnologias
permitirão que produtores escolham o sexo
Tabela 1: Cálculo do número de novilhas disponíveis em um rebanho de 100 vacas leiteiras.
Fatores Exemplo Fórmula Cálculo
A) Número total de novilhas de reposição no rebanho leiteiro
Período1 2 anos 2 2
Tamanho do rebanho 100 X No de vacas X 100 X 100
Intervalo entre partos 13 meses X 12/intervalo entre partos2 X 12/13 X 0.923
Proporção entre sexos 50% X No de vacas /No de bez. nascidos X 0.5 X 0.5
Mortalidade de
bezerros
10% X (1– (% de mortalidade de
bezerros/100))
X (1-0.10) X 0.90
Idade ao primeiro parto 25 meses X Idade ao 1o parto2/24 X 25/24 X 1.042
 = 87
B) Número de novilhas de primeira lactação disponíveis para reposição, por ano.
Período1 1 ano 1 1
Tamanho do rebanho 100 X No de vacas X 100 X 100
Intervalo entre partos 13 X 12/intervalo entre partos2 X 12/13 X 0.923
Proporção entre sexos 50% X No de novilhas /No de novilhas X 0.5 X 0.5
Mortalidade de
bezerros
10% X (1– (% de mortalidade de
bezerros/100))
X (1–0.10) X 0.90
Idade ao primeiro parto 25 meses X 24/Idade ao primeiro parto2 X 24/25 X 0.96
 = 40
1 Intervalo de tempo necessário para calcular número total de novilhas no rebanho em qualquer época do ano é 2
anos (24 meses) , por outro lado utiliza-se o intervalo de apenas 1 ano para o cálculo do número de novilhas de
primeira lactação.
2 Deve ser expressado em meses.
26—Fatores que Afetam o Tamanho e a Produtividade do Rebanho Leiteirro de Reposição
103
dos bezerros (por sexagem de sêmem por
exemplo) mas, atualmente, a proporção
observada entre sexo dos bezerros recém-
nascidos tem permanecido uma barreira
biológica rígida e ainda intransponível.
Mortalidade de bezerros
e descarte involuntário
A mortalidade de bezerros e descarte
involuntário de novilhas representam o
número total de animais que nasceram no
rebanho mas “desapareceram” antes do
primeiro parto devido a doenças ou injúria
física. A taxa de mortalidade inclui, ainda,
bezerros que morreram e também aqueles
que foram descartados por razões
imprevistas. A distinção entre taxa de
descarte involuntário e e taxa de descarte
voluntário (venda de novi lhas
sobressalentes como animais para
reprodução), se faz importante pelo
contraste que apresentar na melhora do
rebanho e lucratividade do mesmo.
Normalmente, bezerros recém-nascidos
encontram-se no estágio de maior risco de
contágio de doenças e de morte que
bezerros mais velhos. Com o crescimento
das novilhas, observa-se gradualmente
menor número de casos de morte. Porém, o
descarte involuntário pode também ocorrer
entre novilhas devido principalmente à:
• Severa infestação de parasitas
(pastagens);
• Severa dificuldade de parto (ao
primeiro parto).
Todo bezerro que morrer ou for
descartado involuntariamente representa
uma perda de oportunidade, especialmente
quando for utilizada inseminação artificial
para melhora do potencial genético do
rebanho. De acordo com a Figura 2B, um
aumento na mortalidade de 0 para 24 %
leva à redução de 44 para 34 novilhas de
primeira cria disponíveis por ano em um
rebanho de 100 vacas.
Idade à primeira cria
Quando a novilha apresenta idade à
primeira cria acima de 24 meses, o custo de
sua criação aumenta devido as seguintes
razões:
Figura 2: Principais fatores que afetam o
número de novilhas de primeira cria
disponíveis por ano.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
104
• Haverá excesso de novilhas no
rebanho;
• Custo adicional em alimentação será
computado;
• Menor número de novilhas de
primeira cria estará presente no
rebanho por ano.
Grande intervalo entre partos e alta taxa
de mortalidade reduzem o número total de
novilhas no rebanho (Figura 2A e 2B);
porém, um atraso na idade à primeira cria
apresenta efeito oposto (Figura 2C), já que
significará que novilhas permanecerão no
rebanho de reposição por um maior
período. Por exemplo, uma novilha que
pariu pela primeira vez aos 36 meses levou
12 meses a mais, ou em outras palavras,
50% a mais de tempo, do que uma novilha
que pariu aos 24 meses de idade, para sair
do rebanho de reposição. Como
consequência, o número total de novilhas
em um rebanho de 100
vacas pode variar de 83
para mais de 120 animais,
porém o número de
novilhas de primeira cria
produzidas por ano
diminuirá de 42 para 28
animais (Figura 2C).
Sumário
A Tabela 2 mostra o
aumento esperado no
número de novilhas de
primeira cria disponíveis
por ano em resposta à
mudança no intervalo
entre partos, mortalidade
de bezerros, taxa de
descarte involuntário e
idade à primeira cria.
Tabela 3 apresenta o
número de novilhas no
rebanho e o número de
novilhas de primeira cria
disponíveis por ano em
um rebanho de 100 vacas,
em função do intervalo
entre partos e idade à
primeira cria.
Tabela 2: Effeito médio de intervalo entre partos, mortalidade de bezerros + período
involuntário de descarte e idade à primeira cria, no número adicional de novilhas de primeira
cria disponíveis por ano em um rebanho de 100 vacas.
Fator Variação
Unidade de
mudança
Novilhas de
primeira cria em
excesso
Intervalo entre partos 12–18 meses menos 1 mês + 2 to 3
Mortalidade de bezerros + período
involuntário de descarte 0–24% menos 10% + 3 to 5
Idade à primeira cria 24–36 meses menos 1 mês + 1 to 2
Tabela 3: Número de novilhas no rebanho de reposição em um
rebanho de 100 vacas leiteriras, assumindo que a proporção entre
sexos seja 50%, com 10% de mortabidade de bezerros.1
Idade à primeira cria (meses)
IP2 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36
Número de novilhas de reposição
12.0 90 94 98 101 105 109 113 116 120 124 128 131 135
13.0 83 87 90 93 97 100 104 107 111 114 118 121 125
14.0 77 80 84 87 90 93 96 100 103 106 109 113 116
15.0 72 75 78 81 84 87 90 93 96 99 102 105 108
16.0 68 70 73 76 79 82 84 87 90 93 96 98 101
17.0 64 66 69 71 74 77 79 82 85 87 90 93 95
18.0 60 63 65 68 70 73 75 78 80 83 85 88 90
Número de novilhas de reposição por ano( taxa de descarte máxima
para manter o tamanho do rebanho)
12.0 45 43 42 40 39 37 36 35 34 33 32 31 30
13.0 42 40 38 37 36 34 33 32 31 30 29 28 28
14.0 39 37 36 34 33 32 31 30 29 28 27 26 26
15.0 36 35 33 32 31 30 29 28 27 26 25 25 24
16.0 34 32 31 30 29 28 27 26 25 25 24 23 23
17.0 32 30 29 28 27 26 25 25 24 23 22 22 21
18.0 30 29 28 27 26 25 24 23 23 22 21 21 20
1 Para checar número de novilhas disponíveis em caso de taxa de mortalidade
diferente de 10%, multiplique o vlor encontrado na tabela por 1.111 e então
multiplique novamente por (1-fração da mortalidade). Por exemplo, o
número de novilhas de primeira cria disponíveis quando o intervalo entre
partos for de 14 meses, a idade à primeira cria for de 28 meses e a taxa de
mortalidade for the 5%: 32 x 1.111 x (1 – 0.05) = 33.8 ou 34 novilhas.
2 IP = Intervalo entre partos (meses).
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Essenciais em 
Gado de Leite
105
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DO NASCIMENTO À DESMAMA
27) OBSERVAÇÕES GERAIS SOBRE
ALGUMAS PRÁTICAS DE MANEJO
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
Boas práticas de criação de novilhas
incluem nutrição adequada, alonjamento
(incluindo ventilação) e saneamento
adequados, além de prevenção de doenças
e constante cuidado diário. Este capítulo
reúne algumas práticas de manejo que
contribuem para a criação de novilhas
saudáveis desde o dia do nascimento até o
momento da desmama.
NAS PRIMEIRAS HORAS DO
NASCIMENTO. . .
Verifique se o bezerro está respirando
Problemas de respiração estão
normalmente associados com partos
demorados (distócicos). Se o bezerro não
respira imediatamente após o parto, deve-
se primeiramente retirar o muco das
narinas e boca do bezerro. O bezerro deve
ser deitado com sua cabeça abaixada em
relação ao resto do corpo ou ainda pode ser
pendurado de cabeça para baixo por alguns
segundos para que todo muco seja drenado.
Evite, porém, segurar o bezerro por muito
tempo nesta mesma posição, já que o peso
das vísceras contra o diafragma pode
dificultar a respiração. Assim que as vias
respiratórias estiverem limpas, pode-se
aplicar técnicas de respiração artificial
massageando-se o peito do bezerro com
movimentos de compressão e relaxamento.
Outras forma de estimular a respiração
incluem utilizar um palha ou graveto para
fazer cócegas na narina ou despejar água
fria na cabeça do bezerro.
Desinfecção de umbigo
Assim que seja verificado que o bezerro
está respirando normalmente, deve-se
voltar a atenção ao umbigo. Algumas vezes,
ocorre sangramento de umbigo e neste
caso, a utilização de um pedaço de algodão
limpo é suficiente pra cessar a hemorragia.
Na maioria dos casos, apenas poucos
centímetros do cordão umbilical continua
ligado ao bezerro. Qualquer acúmulo de
sangue dentro do cordão deve ser retirado
apertando-se o mesmo até que todo sangue
retido saia, para que assim, em seguida,
possa se aplicar uma solução de iodo (7%)
ou outro antiséptico (Figura 1).
Figura 1: Três importantes práticas de manejo para bezerros recém-nascidos—
administração do colostro, identificação do animal, e desinfecção de umbico.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
106
Quando o bezerro tiver 2 dias de vida, o
cordão umbilical deve ser examinado para
verificar se existe qualquer evidência de
infecção. A região umbilical deve estar
macia e flexível neste ponto. Bezerros com
infecção de umbigo apresentam sinais de
depressão. A região umbilical geralmente
apresenta-se inchada e sensível ao toque.
Infecção de umbigo pode rapidamente
progredir a uma septicemia (presença de
bactéria da circulação sanguínea), o que
frequentemente resulta na morte do
bezerro. Este problema potencialmente
fatal, pode ser facilmente evitado se a vaca
parir em um ambiente limpo e o umbigo for
desinfetado logo após o nascimento.
Seque o bezerro (opcional)
Um bezerro molhado em um ambiente
com muita ventania tem maior chance de
sentir frio e ficar doente rapidamente.
Porém, um bezerro que é mantido seco e
em local protegido de vento, pode enfrentar
temperaturas abaixo de zero sem ter
problemas de saúde. Palha seca e limpa ou
mesmo saco de estopa pode ser usado para
esfregar no bezerro logo depois do
nascimento.
Identificação do bezerro
Cada fazenda tem seu próprio método de
indentificação. Em alguns países, a
identificação de animais deve seguir
algumas regras para controle oficial dos
animais do rebanho. Recém-nascidos
devem ser identificados continuamente e o
dia do nascimento deve ser registrado
individualmente sempre. Métodos de
identificação incluem:
• Corrente ou faixa de pescoço com
número ;
• Brinco de metal ou plástico;
• Tatuagem de tinta;
• Marca a frio.
Identifição pode ser facilitada ao se incluir
uma fotografia ou resenha do bezerro com
marcas de pelagem, no caso da raça ter
mais de uma cor.
Fornecimento do colostro
A importância da administração do
colostro deve ser enfatizada. Um estudo
recente nos EUA mostrou que apesar do
conhecimento passado aos produtores de
leite, mais de 22% de mortalidade pode ser
atribuída a ausência de resistência imune.
Existem quatro aspectos de manejo de
colostro que devem ser ressaltados (veja
texto em cinza).
1- O colostro é de boa qualidade ?
Se o colostro for de qualidade questionável,
deve-se descongelar colostro de melhor
qualidade previamente congelado e oferecê-lo
ao bezerro.
2- Quanto colostro deve ser fornecido?
A quantidade de colostro necessária para a
maioria dos bezerros varia de 1,25 a 2,5 Kg por
refeição. A quantidade consumida por refeição
não deve exceder a capacidade do estômago
(5% do peso corporal ou por exemplo 2 Kg de
colostro para um bezerro de 40 Kg). Colostro
deve ser administrado de três a quatro vezes
nas 24 primeiras horas do nascimento.
3- Quando o colostro deve ser administrado?
O primeiro momento de fornecimento de
colostro deve acontecer assim que o bezerro
esteja respirando normalmente após o parto,
preferencialmente na primeira hora pós-parto.
A segunda refeição deve ocorrer entre seis e
nove horas do nascimento. Quando ocorrer
atraso no primeiro fornecimento, deve-se
aumentar a frequência nas primeiras 24 horas
de vida do bezerro para que haja o suprimento
necessário de anticorpos. Não se deve fornecer
outro tipo de alimento antes que se garanta a
ingestão de colostro.
4- Como o colostro deve ser administrado?
O colostro deve ser aquecido à temperatura
corporal (39°C) em banho-maria e fornecido em
um balde ou mamadeira (com bico
devidamente limpo). Equipamento
(mamadeira, bico de mamadeira, caneco de
medida, etc.) deve ser lavado após o uso.
Não deixe o bezerro com a vaca
Bezerros devem ser removidos do piquete
(área) de parto rapidamante após o
nascimento. Muitos estudam indicam que a
sobrevivência de bezerros aumenta muito
quando os bezerros são colocados em uma
área limpa e seca, além de receberem o
colostro imediatamente após o parto. Em
contraste, bezerros deixados com suas mães
ingerem não apenas menor quantidade de
colostro, como tambem mais tardiamente.
Do Nascimento à Desmama—27) Observações Gerais Sobre Algumas Práticas de Manejo
107
Quando o bezerro e a vaca ficam juntos
após o nascimento, mesmo por algumas
poucas horas, é fundamental supervisionar
as mamadas. O úbere da vaca deve ser
limpo antes de se permitir que o bezerro dê
a primeira mamada. Quando ocorre ligação
(vínculo) entre bezerro e vaca, a absorção
de anticorpos ingeridos com o colostro
aumenta, porém, no momento da
separação, haverá uma situação ainda mais
estressante para a vaca.
Em alguns casos, as vacas rejeitam e
possivelmente machucam seus bezerros
imediatamente antes do parto. Outro fator a
se considerar quando o bezerro e a vaca são
mantidos juntos é a saúde do bezerro; o
risco de doenças infecciosas aumenta
quando os bezerros são mantidos juntos
com suas mães.
Aloje o bezerro em baias (casinhas)
individuais
Bezerros não apresentam resistência
nenhuma a doenças ao nascimento. O risco
de contrair e transmitir doenças estará
diminuído quando os recém nascidos forem
colocados em casinhas individuais secas,
protegidas do vento e que evitem contato
direto entre animais. Além disso, com o
crescimento dos bezerros, casinhas
individuais permitem que o tratador
monitore o consumo de ração, que por sua
vez representa um importante critério na
decisão de quando o bezerro está pronto
para ser desmamado.
PRIMEIRAS SEMANAS APÓS
NASCIMENTO
Crie bons hábitos de higiene
A disseminação de doenças pode ser
reduzida pela utilização de práticas de boa
higiene. Utensílios de alimentação como
bicos de mamadeiras devem ser
desinfetados após uso. Quando o mesmo
bico de mamadeira for utilizadopara
alimentar bezerros de diferentes idades,
alimente primeiramente os animais mais
novos e depois os mais velhos. Casinhas de
bezerros (ou mesmo baias individuais)
devem ser limpas e desinfetadas ao se
remover os bezerros para um outro local. A
area da casinha (ou a baias) deve ficar vaga
por pelo menos 3 a 4 semanas até a próxima
ocupação.
Observe sinais inicias de doenças
Lembre-se que um bezerro saudável é um
bezerro com fome; perda de apetite é um
dos primeiros sinais de problemas de
saúde. Verifique a temperatura e isole
imediatamente bezerros com sinais de
doença (perda de apetite, fraqueza, olho
fundo, etc.).
Remova tetos adicionais (opcional)
Tetos adicionais podem se tornar
infectados e causar problemas à máquina
de ordenha mais tarde. Porém, estes
problemas são relativamente raros e a
necessidade de remoção dos tetos
adicionais é questionável na maioria dos
casos. A remoção deve ser feita com
aproximamente 2 a 3 semanas de vida,
quando o bezerro é ainda pequeno e fácil
de manejar. Utilize tesoura curva com
ponta fina ou bisturi para cortar o teto fora.
Acesse pela linha de junção do teto com a
base do úbere. Normalmente não ocorre
qualquer sangramento. Mesmo assim,
deve-se tomar todos os cuidados
necessários para garantir perfeitas
condições sanitárias, como desinfetar a área
Figura 2: Instalações individuais (bezerreiras ou casinhas) ajudam a manter o
bezerro em boa saúde.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
108
antes e depois da operação, além de
esterelizar os equipamentos ciúrgicos.
Em alguns casos, os tetos adicionais não
são facilmente identificados e existe o risco
de se cortar o teto verdadeiro. Apenas um
veterinário ou pessoa habituada ao manejo
de bezerros deve retirar tetos adicionais de
animais mais erados como vacas ou mesmo
novilhas.
Descorna de bezerros
A descorna é recomendada na maioria
dos rebanhos. Vacas chifrudas podem
causar injúria a outras vacas e também a
pessoas. Em algumas partes do mundo,
porém, utiliza-se uma corda ao redor do
chifre para a contensão e manejo de
animais. A descorna pode ser feita quando
o botão cornuário está emergindo e pode
ser bem identificado (10 a 6 semanas de
idade). A descorna fica mais estressante
quando os animais vão ficando mais velhos.
Ela deve ser feita antes da desmana para
evitar estresse adicional.
A descorna pode ser feita com a
descornador elétrico ou cáustico. Antes de
se fazer descorna pela primeira vez, a
pessoa responsável por esta remoção deve
pedir orientação sobre como proceder
adequadamente. Técnicas inadequadas
podem aumentar as condições de estresse
do bezerro e o risco de injúria do bezerro e
mesmo da pessoa.
Delineie um programa de vacinação
com um veterinário
Existem vacinas disponíveis para
numerosas doenças. Por exemplo, a
incidência de diarréia devido a corona
vírus, rotavírus e E. coli podem ser
reduzidas por imunização. Outros
problemas de bezerros podem ser
significativamente reduzido quando
bezerros são imunizados contra os
patógenos prevalentes na região. A
disponibilidade de vacinas para doenças
específicas varia de país pra país. O
veterinário do rebanho será a melhor fonte
de informação sobre as vacinas que devem
ser administradas para combater doenças
específicas da região.
NO MOMENTO DA DESMAMA
Desmama de bezerros individuais é
geralmente feita de acordo com:
• Idade;
• Peso;
• Ingestão de concentrado por dia.
Porém, decisões sobre desmama devem-se
basear na quantidade de matéria seca que
os bezerros ingerem por dia, não na sua
idade ou peso. Concentrados para bezerros
devem estar disponíveis a partir de 5–10
dias após o nascimento. Um bezerro
consumindo 0.7 kg ou mais de matéria seca
em 3 dias consecutivos está pronto pra
desmama. Quando bezerros são
alimentados com níveis baixos de leite para
estimular o consumo de alimento sólido, a
desmama pode ser feita de maneira
abrupta. Em contraste, se o leite é fornecido
em grandes quantidades, o processo de
desmama deve durar de 2 ou 3 semanas de
transição lenta para evitar retardamento de
crescimento ou mesmo perda de peso.
Bezerros que não se alimentam com
quantidades suficientes de concentrados à
desmama, perdem peso por alguns dias
após desmama. Esta perda de peso ocorre
independente da idade à desmama. Desta
forma, deve-se resitir à tentação de atrasar a
desmama na esperança de uma “melhor
condição de transição”—a ênfase deve ser
dada ao estímulo ao consumo precoce de
concentrado.
 Em condições de práticas de manejo
rígidas, a maioria dos bezerros estão
prontos para a desmama com 5 semanas de
idade. Porém, a recomendação atual é
desmamar com aproximadamente 8
semanas de idade.
Bezerros devem ficar em casinhas (baias)
o u bezerreiras individuais por
aproximadamente 10 dias após semama, até
que não tenham mais o hábito de mamar
uns nos outros. 
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e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
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Essenciais em 
Gado de Leite
109
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DO NASCIMENTO À DESMAMA
28) A IMPORTÂNCIA DO
FORNECIMENTO DE COLOSTRO
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
O QUE É COLOSTRO?
Entende-se por colostro como a secreção
grossa, amarelada e cremosa que é coletada
do úbere após o parto. Por definição,
apenas a secreção da primeira ordenha
após o parto deve ser considerada colostro.
Secreções coletadas da segunda à oitava
ordenha (quinto dia de lactação) são
denominadas leite de transição devido ao
fato de sua composição se assemelhar
gradualmente à do leite integral (Tabela 1).
Além de seu alto valor nutritivo, o
colostro fornece anticorpos necessários para
a proteção de bezerros recém-nascidos de
várias doenças infecciosas que podem
provocar diarréia e morte. A concentração
de anticorpos no colostro é em média 6%
(6 g/100 g de colostro), mas, varia de 2 para
23%. Por outro lado, a concentração de
anticorpos no leite corresponde a apenas
0.1%.
O QUE SÃO ANTICORPOS?
Anticorpos ou imunoglobulinas são
proteínas normalmente encontradas na
circulação sanguínea. Estas proteínas são
componentes vitais do sistema imune.
Anticorpos identificam e
destroem bactérias e
outros corpos estranhos
(antígenos) que invadem o
corpo. Eles não estão
presentes na circulação
saguínea de bezerros
recém-nascidos porque
não podem atravessar a
placenta durante a
gestação. Porém , quando
os recém-nascidos são
alimentados com colostro
de boa qualidade, os
anticorpos são absorvidos
Tabela 1: Composição de leite e colostro.
Componentes Número da ordenha
1 2 3 4 5 11
Colostro Leite de transição
Leite
integral
Sólidos totais, % 23.9 17.9 14.1 13.9 13.6 12.5
Gordura, % 6.7 5.4 3.9 3.7 3.5 3.2
Proteína1, % 14.0 8.4 5.1 4.2 4.1 3.2
Anticorpos, % 6.0 4.2 2.4 0.2 0.1 0.09
Lactose, % 2.7 3.9 4.4 4.6 4.7 4.9
Minerais, % 1.11 0.95 0.87 0.82 0.81 0.74
Vitamina A,
ug/dl 295.0 — 113.0 — 74.0 34.0
1 Inclui percentagem de anticorpos indicada na próxima linha.
Figura 1: Ao nascimento, um bezerro não
apresenta nenhuma defesa contra agentes
infecciosos ; o fornecimento de colostro
aumenta a chance de sobrevivência.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilha
110 The Babcock Institute
nos intestinos. Vários estudos mostram que
sem uma quantidade adequada de
anticorpos no sangue, a mortalidade de
bezerros recém-nascidos aumenta
drasticamente nos primeiros dias e semanas
de vida.
COMO ANTICORPOS
COMBATEM INFECÇÕES?
Colostro contem vários tipos de
anticorpos (Ig). IgG e IgM destroem
antígenos ou microorganismos que entram
na circulação (infecções sistêmicas). IgA,
um terceiro tipo de anticorpo, protege as
membranas que envolvem vários órgãos
contra infecção, especialmente o intestino e
assim protegem contra a entrada de
antígenos na circulaçãoe sanguínea.
COMO A QUALIDADE DE
COLOSTRO É AVALIADA?
No intuitode avaliar a qualidade do
colostro, deve-se considerar ambos, o tipo e
a quantidade de imunoglobulinas.
Quantidade de anticorpos
Observações visuais dão uma boa
indicação da qualidade do colostro
(quantidade de anticorpos). Um colostro
grosso e cremoso é rico em anticorpos. Em
contraste, um colostro com aspecto mais
aguado e de consistência fluida
provavelmente contem menor concentração
de anticorpos. A concentração de
anticorpos no colostro é influenciada por
numerosos fatores, como:
• Período seco inadequadamente curto
(com menos de 4 semanas), partos
prematuros, ordenha ou vazamento
de leite antes do parto reduzem a
concentração de anticorpos no
colostro;
• Idade da vaca: Em média,
concentrações de anticorpos é maior
em vacas mais velhas (>8%) do que
em novilhas de primeira cria (5–6%).
Além disso, vacas mais velhas
produzem colostro com uma
população mais diversa de anticorpos
do que vacas mais jovens, já que as
primeiras têm mais tempo de criar
resistência às doenças exitentes no
rebanho;
• A raça da vaca: vacas Holandesas
apresentam menor concentração de
anticorpos no seu colostro (6%)
quando comparadas a concentrações
de colostro de outras vacas de leite de
raças como Ayrshire, Pardo Suíço,
Guernsey e Jersey (8 a 9%).
Tipos de anticorpo
Colostro de boa qualidade é rico em
anticorpos que fornecem imunidade contra
uma grande variedade de doenças
específicas de um ambiente. A variedade de
organismos que provocam doenças e
vacinações a que a vaca foi exposta,
determina a variedade de anticorpos
encontrados no colostro. Vacas maduras,
nascidas e criadas em uma determinada
fazenda apresentam composição de
colostro ideal para proteger os bezerros
nascidos naquela mesma fazenda. Em
contrapartida, o valor imunológico do
colostro de uma vaca comprada pela
fazenda pouco tempo antes do parto é
limitado. Da mesma forma, um bezerro
adquirido nas primeiras 6–8 semanas de
vida apresentam um alto risco de não
resistir a doenças infecciosas, já que o
mesmo não recebeu os anticorpos
específicos do seu novo meio ambiente.
IMPORTÂNCIA DA QUANTIDADE E
MOMENTO CORRETO DE
ADMINISTRAÇÃO DE COLOSTRO
Colostro apresenta um efeito laxativo e
estimula as funções normais do trato
digestivo. Ainda mais importante é a
quantidade de colostro fornecido e o
Tabela 2: Relação entre mortalidade e
quantidade de colostro fornecido aos
bezerros Holandeses recém-nascidos
durante as 12 primeiras horas de vida.
Quantidade
fornecida (kg) Mortalidade (%)1
2 a 4 15.3
5 a 8 9.9
 8 a 10 6.5
1 Mortalidade média de 1 semana a 6 meses de vida.
Do Nascimento à Desmama—28) A Importância do Fornecimento de Colostro
111
momento que este foi fornecido em relação ao
nascimento, já que tais fatores podem
influenciar consideravelmente a sobrevivência
do bezerro (Tabela 2, Figura 2).
Imediatamente após o parto, a absorção
de anticorpos encontra-se em média em
20% mas, isto pode variar de 6 a 45%.
Observa-se um rápido declínio na eficiência
de absorção de anticorpos, em poucas horas
após o nascimento. A digestão de
anticorpos aumenta e as células intestinais
rapidamente se tornam impermeáveis a
anticorpos. Com 24 horas após o
nascimento, bezerros perdem a capacidade
de absorver anticorpos intactos (devido ao
fechamento da goteira esofágica). Bezerros
que não recebem colostro nas primeiras 12
horas de vida, raramente absorvem
anticorpos suficientes para garantir
imunidade adequada. Cinquenta por cento
dos bezerros em que a primeira mamada
(ou fornecimento de colstro) atrasa até 24
horas de vida, são incapazes de absorver
anticorpos, o que acarreta em baixa
proteção contra doenças e muitas vezes
morte.
A concentrção de imunoglobulinas G
(IgG) necessárias na circulação sanguínea
para a proteção do bezerro é de 10 mg/ml
de soro. Bezerros de vacas Holandesas
absorvem apenas IgG suficiente quando são
alimentados com 2 litros de colostro, sendo
um litro logo após o nascimento e o
segundo litro 12 horas após o nascimento
(Figura 1a). Quando menos de 2 litros de
colostro for fornecido ou quando a primeira
mamada (ou fornecimento) atrasar (Figura
1b), a quantidade de IgG encontrada na
circulação sanguínea será insuficiente para
prevenir doenças (menos que 10 mg/ml).
A maioria dos anticorpos encontrados na
circulação sanguínea, vêm da primeira
mamada. Proporcionalmente, menos IgG é
absorvido da mamada às 12 horas de vida e
muito poucos anticorpos são absorvidos de
um fornecimento de colostro às 24 horas.
Além disso, a Figura 2B indica como um
atraso no fornecimento compromete a
quantidade absorvida de anticorpos,
independentementa da quantidade de
colostro fornecida.
Figura 2: Efeitos de quantidades diferentes de colostro administradas e tempo de alimentação
relativo ao nascimento, nas transferência de imunoglobulinas G (IgG) do colostro para o
sangue do bezerro.
Tabela 3: Quantidade de colostro de boa qualidade necessária por forneciemnto em função da
raça e peso corporal do bezerro.
Raça:1 Pequena Média Grande
Peso corporal, kg 25 30 35 40 45 50
Colostro,2 kg 1.25 1.50 1.75 2.00 2.25 2.50
1 Raça pequena = Jersey; Raça média= Ayrshire and Guernsey; Raça grande = Hosltein and Brown Swiss.
2 Quantidade de colostro fornecida a cada fornecimento ou refeição (4 a 5% do peso corporal).
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
112
COLOSTRO E TRANSMISSÃO
DE DOENÇAS
Em poucos casos, o colostro pode ser um
veículo para transmissão de doenças entre a
vaca e seu bezerro. Por exemplo, o vírus da
leucose bovina pode ser encontrado no
colostro de vacas infectadas. Desta forma, o
bezerro de uma vaca positiva para leucose
bovina deve ser removido da área de parto
imediatamente após o nascimento e então,
alimentado com colostro de uma vaca
saudável. Existe, portanto, uma vantagem
em manter uma reserva congelada de
colostro. O mesmo cuidado deve ser
tomado com bezerros filhos de vacas
positivas para doença de Johnes
(paratuberculose).
MÉTODO DE FORNECIMENTO
A quantidade de colostro ingerida por um
bezerro é facilmente controlada quando o
colostro é fornecido por mamadeira ou a
pail equipada com um bico. O equipamento
deve ser bem limpo após cada uso para
minimizar crescimento bacteriano e o risco
de transferência de patógenos.
Inserir a cabeça do bezerro em um balde
com colostro não é uma prática
recomendável, porque este método pode
levar a disordens digestivas. Pela mesma
razão, o colostro deve ser fornecido a
temperatura corporal (39°C). Colostro frio
deve ser aquecido em banho-maria
anteriormente ao fornecimento. Entre cada
fornecimento, o colostro que sobrou deve
ser mantido em um recipiente limpo e
coberto, além de colocado em geladeira ou
câmara fria.
Um tubo esofágico pode ser utilizado
para forçar a ingestão em situações em que
o bezerro está fraco e ou é incapaz de
mamar adequadamente. Apesar desta
técnica poder salvar a vida de um bezerro,
injúrias ou até mesmo morte podem
resultar da utilização imprópria do tubo
esofágico. A técnica de fornecimento deve
ser primeiramente demonstrada por um
veterinário e todo equipamento deve ser
adequadamente sanitizado entre usos.
CONGELAMENTO E
DESCONGELAMENTO DE COLOSTRO
Colostro pode ser preservado congelado
sem qualquer perda de valor imunológico
(destruição de anticorpos). Esta prática
representa um meio conveniente de
assegurar que colostro de boa qualidade
esteja sempre disponível. Colostro de vacas
que foram nascidas e criadas na própria
fazenda deve ser congelado em pacotes de
1.5 a 2 kg, o que representa a quantidade
necessária para para um único
fornecimento.
Congelamento e descongelamento não
destroem os anticorpos. O colostro
congelado pode ser descongelado, aquecido
e dado ao recém-nascido, quando existir
dúvida quanto à efetividade do colostro de
sua mãe em garantir imunidade. Este é o
caso quando o colostro:
• É muitofluido e ralo;
• Contem sangue;
• Vem de um quarto infectado com
mastite;
• Vem de uma vaca recém adquirida no
rebanho ou uma vaca de primeira cria;
• Vem de uma vaca que foi ordenhada
anteriormente ao parto ou que teve
um considerável vazamento de leite.
Um banho-maria deve ser utilizado para
descongelar o colostro (45–50°C) e também
para aquecê-lo a temperatura corporal antes
do fornecimento ao bezerro. O recipiente
impermeável de colostro congelado deve
ser colocado em um recipiente maior com
água morna. A temperatura de colostro
deve ser cuidadosamente monitorada para
evitar a destruição de anticorpos e o risco
de queimar o bezerro.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
113
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DO NASCIMENTO À DESMAMA
29) FORNECIMENTO DE LEITE E
SUSCEDÂNEOS DE LEITE
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
O ESTÔMAGO DO RECÉM-NASCIDO
O sistema digestivo de um bezerro não
está completamente desenvolvido ao
nascimento, mas, sofre desenvolvimento
drástico durante os primeiros meses de
vida. Ao nascimento, o sistema digestivo de
um bezerro funciona como um estômago de
animais monogástricos. O abomaso é o
único es tômago completamente
desenvolvido e funcional (Figura 1). Como
resultado, apenas alimento líquido pode ser
utilizado efetivamente por bezerros pré-
ruminantes com poucos dias de idade.
Digestão de leite em bezerros
Leite é primariamente digerido por ácidos
e enzimas gátricas (do abomaso). Quando o
leite chega ao abomaso, formam-se grumos
de coalho. A formação deste coalho resulta
da coagulação da principal proteína do
leite, a caseína, sob a ação de duas enzimas,
denominadas renina e pepsina e também
pela ação de um ácido forte (ácido
clorídrico). Alguns componentes do leite
como a gordura, água e minerais ficam
retidos nestes grumos de coalhos que por
sua vez, ficam no abomaso até que a
digestão seja completa.
Outros componentes do lei te ,
principalmente proteínas do soro, lactose e
a maioria dos minerais se separam dos
grumos e passam rapidamente para o
intestino delgado (na taxa de 200 ml por
hora). A lactose é digerida rapidamente,
garantindo energia imediata ao bezerro. Por
outro lado, a caseína e gordura levam mais
tempo para serem digeridas.
Poucos anos atrás, pesquisadores
acreditaram que a formação do coalho
ocorria no abomaso, para proporcionar boa
digestão de proteínas. As proteínas dos
sucedâneos de leite que não formam
grumos firmes são consideradas
insatisfatórias. Porém, estudos recentes
indicaram que certas proteínas de
sucedâneos, apesar da inabilidade em
coagular e formar coalhos, podem produzir
taxa de crescimento satisfatório para o
bezerro.Figura 1: Estômago do bezerro recém-
nascido.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
114
RAZÕES PARA FORNECER ALIMENTO
ANTES DA DESMAMA
Na criação de bezerras, as principais
razões para fornecer alimentos sólidos
antes da desmama são:
• Criar bezerras saudáveis;
• Obter crescimento ósseo adequado;
• Evitar desenvolvimento retardado do
rúmen por fornecer apenas grandes
quantidades de leite por muito tempo.
Boa condição de saúde é mais importante
que crescimento em bezerros alimentados
com leite e sucedâneos. Na verdade,
rápidas taxas de crescimento não podem
ser atingidas com dietas líquidas (ganho de
peso de 250–400 g/dia). Após a desmama, o
crescimento de músculos e tecido adiposo
ocorre mais rapidamente (ganho de peso de
700–900 g/dia).
FORNECIMENTO DE
LEITE A BEZERROS
Após dado colostro e leite de transição,
deve-se fornecer leite com alto valor
nutricional para permitir crescimento
satisfatório a custos baixos. Os seguintes
fatores são importantes quando alimenta-se
bezerras jovens com leite:
• Tipo de leite fornecido;
• Tamanho da refeição;
• Frequência de alimentação;
• Métodos de alimentação;
• Temperatura do leite.
Em adição, a saúde do bezerro fica mais
protegida quando se segue algumas regras
básicas de higiene, como as seguintes:
• Vestimento (incluindo calçados) e
mãos das pessoas que preparam e
fornecem o leite devem ser limpos;
• Equipamentos usados para estocar,
preparar e fornecer o leite devem ser
muito bem lavados e depois secados a
cada uso.
Qual a quantidade de leite que deve
ser fornecida por dia?
Uma regra prática seria alimentar 1 kg de
leite por dia para cada 10 a 12 kg de peso
vivo ao nascimento. Em outras palavras,
um bezerro deveria receber de 8 a 10% de
seu peso vivo ao nascimento em leite todos
os dias (2.5 kg de leite para um bezerro de
25 kg, 3.5 kg de leite para um bezerro de 35
kg, etc.). Bezerros devem ser alimentados
com a mesma quantidade de leite até que
sejam desmamados. Com o crescimento, os
bezerros podem utilizar grandes
quantidades de leite. Porém, ao se limitar o
consumo de leite, os bezerros são
encorajados a consumir alimentos sólidos
desde cedo.
Frequência de alimentação
Preferencialmente, o leite deve ser
oferecido 2 vezes por dia, sendo cada
alimentação 4 a 5% do peso vivo em leite.
Quando a quantidade de leite necessária
por dia é fornecida de uma única vez, a
capacidade de digestão do abomaso é
excedida e o leite em excesso volta ao
rúmem rudimentar do bezerro, causando
problemas digestivos (por exemplo,
timpanismo). Uma única alimentação por
dia somente tem sucesso sob condições
rígidas e controladas de manejo. Em geral,
um único fornecimento de leite por dia leva
ao aumento de casos de diarréia e outros
problemas de saúde do animal.
Figura 2: Programa de alimentação líquida
para bezerros de leite.
Do Nascimento à Desmama—29) Fornecimento de Leite e Suscedâneos de Leite
115
Métodos de fornecimento de leite:
Mamadeira ou balde
A utilização de mamadeiras força o
bezerro a beber devagar e portanto, reduz o
risco de diarréia ou outros distúrbios
digestivos. Porém, os benefícios do
fornecimento de leite com mamadeiras
podem ser perdidos se limpeza rígida dos
equipamentos não for mantida.
Um bezerro pode ser ensinado a beber
leite por um balde em poucos dias após o
nascimento. Esta técnica é simples, rápida e
requer pouco trabalho de limpeza.
Temperatura do leite
É particularmente importante controlar a
temperatura do leite durante as primeiras
semanas após o nascimento. Leite frio
produz maiores problemas digestivos que o
leite morno. Durante a primeira semana, o
leite deve ser fornecido à tempetaura
corporal (que é 39°C, em bezerros) mas,
temperaturas um pouco mais baixas podem
ser também usadas para fornecimento de
leite para bezerros mais velhos (25–30°C).
Tipo de leite que pode ser fornecido
Apesar de todo leite produzido na
fazenda não poder ser vendido, bezerros
podem utilizar a maioria do leite que não
for aceito comercialmente. Os vários tipos
de leite disponíveis na fazenda para
alimentar bezerros jovens, incluem:
1) Colostro em excesso;
2) Leite de transição em excesso;
3) Leite que não foi vendido (leite
mastítico ou com antibióticos);
4) Leite desnatado ou outros
subprodutos do processamento do
leite;
5) Leite integral.
Leite fermentado
Colostro, leite de transição ou leite
integral conservados à temperatura
ambiente (abaixo de 21°C) irão fermentar.
Durante a estocagem, lactose é
transformada a ácido lático por
fermentação, acidificando e assim,
preservando o leite por várias semanas.
Comparado ao leite integral, a média de
ganho de peso é ligeiramente menor
quando leite fermentado é fornecido.
Porém, leite fermentado mal preparado
pode ser menos palatável que leite fresco e
pode levar à redução da média de ganho de
peso.
Leite integral
Leite integral pode ser fornecido até a
desmama, após a fase do colostro e do leite
de transição. Quantidade limitada de leite
integral suplementada com um bom
concentrado para bezerros é umaexcelente
combinação de dieta para bezerros de leite.
A performance de cresciemnto obtida com
leite integral e um bom concentrado é
geralmente considerada o padrão para
avaliar outros produtos ou manejos de
alimentação de bezerros.
Leite mastítico
Leite mastítico ou leite de vacas tratadas
para mastite podem ser fornecidos a
bezerros contanto que não exista contato
entre os bezerros por pelo menos 30
minutos após alimentação. Esta
recomendação deve ser feita para prevenir
a transmissão de bactérias que causam
diarréia (Escherichia coli), pneumonia
(Pasteurella) ou outros agentes infecciosos.
O leite de vacas tratadas para mastite pode
conter um grande número de bactérias
patogênicas que podem aumentar o riso de
doenças. Além disso, o uso de leite
contendo resíduos de antibióticos pode
levar a resistência bacteriana. Assim, o
Figura 3: Aspectos importantes para
boa alimentação de bezerros: medir a
quantidade de leite, alimentar com
mamadeira ou balde e ajustar a
temperatura do leite.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
116
tratamento de antibióticos pode se tornar
menos eficiente ao longo do tempo.
Leite desnatado
O leite desnatado é relativamente alto em
proteínas mas, contém menos energia (50%)
e vitaminas solúveis em gordura (vitamina
A e vitamina D) quando comparado ao leite
integral, simplesmente porque houve
remoção da gordura.
Leite desnatado deve ser usado apenas
quando bezerros já estão se alimentando
com uma quantidade significante de
concentrado, o que ocorre normalmente
com 3 semanas de vida. O consumo de
concentrado é importante para garantir
energia e vitaminas que não estão presentes
no leite desnatado. Deve-se evitar o
fornecimento de leite desnatado a bezerros
em alojamentos frios, principalmente
durante o inverno, já que nesta fase do ano
o bezerro precisa de energia adicional para
se proteger contra baixas temperaturas.
Sucedâneos de leite
Bezerros podem receber sucedâneos de
leite a partir de 4–6 dias de idade.
Sucedâneos geralmente contém menos
godura, e portanto energia (75% to 86%),
que o leite integral em base de matéria seca.
Bezerros alimentados com sucedâneos
geralmente ganham menos peso por dia do
que bezerros alimentados com leite inegral.
A reputação do fabricante, a análise
química e a lista dos ingredientes utilizados
no sucedâneo são parâmetros importantes
para acessar sua qualidade antes de
comprá-lo. A composição recomendada
para um bom sucedâneo de leite para
bezerros pode ser encontrada na Tabela 1.
O teor protéico deve ser de pelo menos
22%. Teor de gordura (extrato etéreo) maior
que o mínimo mostrado na Tabela 1 pode
ter efeitos benéficos já que:
• Reduz a severidade da diarréia
quando esta ocorrer;
• Fornece energia adicional quando
bezerros são criados em ambientes
muito frios (em regiões temperadas e
de altitude elevada).
Os ingredientes preferenciais de
sucedâneos de leite são derivados de leite
integral. Proteínas do soro, proteína de
concentrado de peixe e proteína da soja
podem são aceitáveis, mas, produtos como
farinha de peixe, farinha de soja, proteínas
celulares ou subprodutos solúveis de
destilaria (subprodutos de cereais
fermentados em destilarias) não são bem
aceitos ou mesmo utilizados pelo sistema
digestivo dos bezerros.
Quando sucedâneos de leite são
utilizados, a taxa de diluição sugerida pelo
fabricante deve ser seguida com cuidado. A
maioria dos sucedâneos deve ser misturada
usando 1 parte de leite e 7 partes de água
para obter um produto final com conteúdo
sólido semelhante ao leite integral (12.5%).
Tabela 1: Concentração de nutrientes
recomendada para sucedâneos de leite
(NRC, 1989).
Nutrient Amount
Energia metabolizável, Mcal/kg 3.78
Proteína Bruta, % 22.0
Extrato etéreo (lipídios), min % 10.01
Macrominerais
 Cálcio–Ca, % 0.70
 Fósforo–P, % 0.60
 Magnésio–Mg, % 0.07
 Potássio–K, % 0.65
 Sódio–Na, % 0.10
 Cloro–Cl, % 0.20
 Enxofre–S, % 0.29
Microminerais
 Ferro–Fe, ppm (or mg/kg) 100.0
 Cobalto–Co, ppm 0.10
 Cobre–Cu, ppm 10.0
 Manganês–Mn, ppm 40.0
 Zinco–Zn, ppm 40.0
 Iodo–I, ppm 0.25
 Selênio–Se, ppm 0.30
Vitaminas
 Vitamina A, IU2/kg 3800.0
 Vitamina D, IU/kg 600.0
 Vitamina E, IU/kg 40.03
1 Em climas quentes, deve ser pelo menos 15%; em
climas frios, 20%.
2 IU = Unidades Internacionais.
3 Preferencialmente 200 IU/kg para estimular o
funcionamento do sistema imune.
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e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
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Essenciais em 
Gado de Leite
117
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DO NASCIMENTO À DESMAMA
30) FORNECIMENTO DE FENO,
CONCENTRADO E ÁGUA
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
INTRODUÇÃO DE ALIMENTOS
SÓLIDOS NA DIETA
Bezerros jovens e recém-nascidos
alimentados primariamente com dietas
líquidas não têm as mesma funções
digestivas que ruminantes, devido ao fato
de apresentarem apenas um estômago
funcional, o abomaso. Quando um bezerro
é alimentado com leite ou sucedâneo, o
fechamento da goteira esofágica faz com
que o leite passe diretamente do esôfago
para o abomaso. Porém, quando alimentos
sólidos são ingeridos, a goteira esofágica
vai gradualmente parando de funcionar, a
população bacteriana vai se estabelecendo
no rúmem e o inicia-se o desenvolvimento
da parede ruminal. Eventualmente, os
bezerros se tornam capazes de utilizar
alimento fibroso, devido a presença e
crescimento de microorganismos no
rúmem. Pode-se notar o início do
funcionamento ruminal quando um bezerro
começa a ruminar aos 2 a 3 meses de idade.
Assim, a disponibilidade e ingestão de
alimentos sólidos desde cedo, permite
rápido desenvolvimento ruminal e
desmama precoce (com 5 a 8 semanas de
idade).
Figura 1: Estágios do desenvolvimento do rúmem.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
118
Desenvolvimento ruminal
Um bezerro não deve ser desmamado até
que seu rúmem seja funcional e capaz de
garantir as necessidades nutricionais do
bezerro. Produtos finais da fermentação
ruminal (ácidos graxos voláteis) promovem
o est ímulo necessário para o
desenvolvimento ruminal. O rúmem de
bezerros que não tiveram acesso a
alimentos sólidos permanecerá rudimentar,
não-desenvolvido. Esta técnica de manejo é
utilizada para produzir vitelo. Assim, o
consumo de alimentos secos é essencial
para o desenvolvimento do rúmem.
Bactérias, protozoários e fungos que
habitam normalmente o rúmem são fixados
naturalmente quando o bezerro ingere
alimento sólido. Centenas de espécies de
microorganismos entram no rúmem
grudados a partículas de alimentos.
Entretanto, a população microbiana do
rúmem é dominada por apenas um grupo
pequeno de espécies de microorganismos.
Bactérias que se proliferam no rúmem são
aquelas capazes de fermentar carboidratos
na ausência de oxigênio (bactérias
anaeróbicas). Os produtos da fermentação
bacteriana (principalmente acetato e
butirato) são importantes promotores de
Tabela 1: Exemplo de mistura e composição de concentrado para bezerros novos.
Concentrado em grãos1 Concentrado completo2
Ingredientes 1 2 3 4 1 2 3 4
............................... Quantidade (kg) ....................................
Alfafa peletizada — — — — 18.9 17.0 18.8 16.0
Milho (grão) 35.0 30.0 50.0 50.0 24.0 22.0 — 15.0
Milho (grão + sabugo) — — — — — 22.0 35.0 10.0
Aveia 35.0 13.0 — — 35.0 — 22.0 10.0
Farelo de Trigo — 10.0 10.0 — — — — —
Polpa de beterraba — — — — — 15.0 — 10.0
Glúten de milho — — — 20.0 — — — 10.0
Resíduos de destilaria — — 10.0 — — — — 10.0
Farelo de Linhaça 10.0 10.0 10.0 — — — —
44% CP Supplement 22.7 10.0 12.8 12.9 15.0 17.0 17.0 12.0
Soro de leite em pó — 10.0 — — — — — —
Melaço 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0
Minerais, 23% Ca e 18% P 0.6 — — — 1.1 1.2 1.2 1.0
Calcário ou CaC03 1.4 1.7 1.9 1.8 0.7 0.5 0.7 0.7
Premix de microminerais 0.25 0.25 0.25 0.25 0.3 0.3 0.3 0.3Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0
Nutrientes ….......... Composição (em base de matéria seca) ...............
Energia
 NDT3, % 80.3 79.5 81.8 82.7 75.6 76.1 75.1 77.4
 Energia Líquida de Mantença,
 Mcal/kg
1.96 1.94 2.00 2.02 1.80 1.83 1.80 1.87
 Energia Líquida de Crescimento,
 Mcal/kg
1.32 1.30 1.36 1.39 1.19 1.21 1.19 1.23
Proteína Bruta, % 19.9 19.6 20.2 20.7 18.4 18.5 18.5 19.4
Fibra Detergente Ácido, % 8.6 8.3 7.6 6.7 14.2 16.6 15.4 16.1
Fibra Detergente Neutro, % 18.0 20.4 18.6 17.6 24.3 27.6 26.2 30.1
Cálcio, % 0.89 0.95 0.94 0.95 0.82 0.84 0.85 0.85
Fósforo, % 0.51 0.59 0.52 0.51 0.51 0.51 0.52 0.52
Microminerais, % 0.28 0.28 0.28 0.28 0.34 0.34 0.34 0.34
1 Concentrado em grãos pode ser fornecido com uma forrageira como um feno de boa qualidade.
2 Concentrado completo pode ser fornecido sem suplemetação de forrageira, porque ja contem alta
concentração de fibra.
3 NDT = Nutrientes digestíveis totais = % proteína bruta digestível + % fibra bruta digestível + % extrato
livre de nitrogênio digerível + (2.25 x % extrato etéreo digestível).
Do Nascimento à Desmama—30) Fornecimento de Feno, Concentrado e Água
119
crescimento e desenvolvimento ruminal.
Assim, o desenvolvimento e crescimento do
rúmem dependem mais da ingestão de
grãos do que de forrageiras. O consumo
precoce de concentrado altamente paltável
(mistura de grãos) é importante para
garantir o rápido desenvolvimento ruminal,
além de uma transição menos drástica no
momento da desmama.
Quando o concentrado deve ser
oferecido pela primeira vez?
O concentrado deve ser oferecido logo
cedo, em torno do 4 dias de vida e deve
continuar a ser fornecido até os 4 meses de
idade (6 a 8 semanas após desmana). O
bezerro comerá muito pouco alimento
sólido nas primeiras 2 semanas de vida.
Porém, eles devem ser encorajados a come-
lo. Por exemplo:
• O concentrado deve conter melaço ou
qualquer outro alimento palatável;
• O concentrado deve ser oferecido
frequentemente, porém sempre em
pequenas quantidades para que se
mantenha fresco;
• A ingestão de leite deve ser limitada
até no máximo a 10% do peso corporal
ao nascimento por dia;
• Água limpa e fresca deve estar sempre
disponível a partir do momento que se
inicia o fornecimento de concentrado.
O consumo de matéria seca é
estimulado pelo aumento do consumo
de água;
• Uma pequena medida (mão cheia) de
concentrado deve ser colocado no
comedouro do bezerro ou no fundo do
balde imediatamente após que o
bezerro terminar de beber leite;
• Concentrado tambem pode ser
fornecido com uma mamadeira para
estimular o consumo.
Feno e concentrado devem realmente
ser fornecidos?
Estudos indicavam que a mistura de
concentrado e feno de boa qualidade é
necessária para desenvolvimento ruminal
normal. Sugeriu-se que alimentos fibrosos
ou mais grosseiros desempenhavam um
importante papel no aumento da
capacidade ruminal e manutenção da
estrutura das papilas ruminais. Porém,
estudos recentes têm mostrado que não
existe vantagem em fornecer feno quando o
concentrado é formulado para conter a
quantidade necessária de fibras. Em
contraste, carboidratos no concentrado são
essenciais devido ao fato de fornecerem
ácido butírico e ácido acético fundamentais
para o desenvolvimento da parede ruminal.
Se o concentrado não contem pelo menos
25% de fibra detergente neutro (FDN), feno
deve ser fornecido. Além disso,
concentrado deve conter em torno de 18%
de proteína bruta, 75 a 80% de NTD e deve
ser suplementado com vitaminas A, D, e E.
Existem dois tipos de concentrados para o
bezerro novo: concentrado em grãos e
concentrado completo (Tabela 1).
Concentrado completo contem altos níveis
de fibras (em outras palavras, menos
Figura 2: Consumo de concentrado em
grãos e ganho de peso de bezerros novos
alimentados com quantidade constante de
leite e com forrageira à vontade.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
120
energia) do que concentrado em grãos mas,
ambos podem ser formulados com
ingredientes usados para alimentar animais
adultos (com exceção de uréia).
Concentrado completo aparenta ser menos
palatável e ingerido em menores
quantidades que concentrado em grãos.
Quando concentrados são fornecidos, não
há necessidade de forrageiras até após o
momento da demama.
Geralmente, os grãos de concentrados são
triturados ou amassados para obter textura
de mais grosseira. Não recomenda-se moer
muito fino, já que partículas finas de
alimento não estimulam a ruminação.
Palatabilidade é muitas vezes aumentada
pela inclusão de 5% de melaço no
concentrado. Quando bezerros comem mais
que 1.5 a 2 kg de concentrado por dia (aso 3
meses de idade), eles podem ser
alimentados com uma mistura de
concentrado mais barata. A Figura 2 mostra
o consumo esperado de concentrado em
grãos quando as forrageiras são
alimentadas a vontade a partir de 2
semanas de idade.
DESMAMA
A desmama deve ocorrer quando um
bezerro apresenta bom crescimento e está
consumindo pelo menos 1% do seu peso
vivo em concentrado em grãos (500–600g a
700–800g de concentrado para raças
pequenas e grandes, respectivamente). O
leite deve ser fornecido de maneira
contínua para bezerros pequenos ou fracos.
Este deve ser então oferecido apenas 1 vez
ao dia, na semana anterior à desmama. A
maioria dos bezerros deve ser desmamado
entre 5 e 8 semanas de idade. Bezerros
alimentados com um concentrado em grãos
podem estar prontos para a desmama
algumas semanas antes que aqueles
alimentados com um concentrado
completo. Desmamar antes de 4 semanas de
idade pode representar maior risco e
geralmente, leva a uma maior taxa de
mortalidade. Em contraste, a desmama
tardia (com mais de 8 semanas de idade)
pode aumentar o custo da criação do
bezerro, devido:
• A ração de bezerro desmamado
(forrageira e concentrado) é
geralmente mais barata que leite ou
sucedâneos de leite;
• A taxa de crescimento se mantem
limitada se o bezerro se alimenta com
dietas líquidas. O ganho em peso vivo
aumenta consideravelmente após a
desmama, o que demonstra que o
bezerro está bem adaptado a uma
dieta de alimentos sólidos
(concentrado e forragerias).
Como mencionado anteriormente, as
necess idades nutr ic ionais e o
desenvolvimento ruminal do bezerro serão
beneficiados quando com um concentrado
for fornecido com forrageira, especialmente
antes da desmama. Entretanto, uma
silagem ou feno de boa qualidade devem
ser fornecidos após a desmama. A
composição da ração deve ser
cuidadosamente monitorada, especialmente
quando a silagem de milho estiver incluída
na dieta. Como ocorre aumento da ingestão
de matéria seca após a desmama, espera-se
que haja também aumento de peso vivo ao
longo do tempo.
Figura 3: Alimentar com concentrado em
grãos palatável e água, permite rápido
desenvolvimento do rúmem e desmama
precoce.
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e Desenvolvimento da Pecuária 
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University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
121
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DO NASCIMENTO À DESMAMA
31) DIARRÉIA NEONATAL
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
INTRODUCTION
Diarréia é uma doença que pode ser
evitada ao se adotar boas práticas de
manejo, apesar de ser a causa mais comum
de morte de bezerros novos. A maioria dos
casos de diarréias fatais ocorre nas
primeiras 2 semanas de vida. Com o
crecimento dos bezerros, diminui-se a
susceptibilidade dos bezerros a doenças
infecciosas, porém esta ainda persiste até 3
a 4 meses de idade.
Tipos de diarréia
Diarréias muitas vezes podem ser
classificadas como nutricionais (por excesso
de fornecimento de leite, sucedâneos de
leite ou por mudança brusca na composição
de leite) or infecciosa (Tabela 1). Porém,
esta distinção pode ser um pouco arbitrária,
já que um desbalanço nutricional pode
predispor o bezerro a infecções. E. coli é o
principalorganismo envolvido na diarréia
que ocorre durante os primeiros dias após o
nascimento (diarréia neonatal).
Sinais clínicos
Diarréia é a excreção de fezes que contém
quantidades excessivas de água. As fezes
de bezerros com diarréia podem conter de 5
a 10 vezes mais água que o normal. Além
de líquida, vários tipos de diarréia podem
resultar na produção de fezes com odor
fétido, sem cor normal de fezes (amarelada
ou esbranquiçada) ou que contém muco e
sangue. Com a progressão da doença,
outros sinais vão se tornando mais evidente
como os ilustrados na Figura 1. Os sinais
clínicos seguintes estão listados em ordem
de severidade. O bezerro:
• Apresenta perda de interesse por
alimento (baixo apetite);
• Produz fezes líquidas;
• Apresenta sinais de desidratação
(olhos fundos, pelo eriçado, turgor
cutâneo retardado, etc.);
• Extremidades frias (hipotermia);
• Se levanta lentamente e com
dificuldade;
• É incapaz de se levantar (prostração).
Fatores predisponentes
A ocorrência de diarréia nas primeiras
semanas de vida aumenta quando um ou
mais das seguintes situações acontecem:
• Status imunológico debilitado do
bezerro:
— pouco colostro fornecido
tardiamente;
— colostro de baixa qualidade;
• Acúmulo de agentes infecciosos no
ambiente:
— pouca ventilação;
— ausência de período de
quarentena;
— baixa higiene do ambiente em
geral;
• Fatores Nutricionais:
Tabela 1: Principais microorganismos que
causam diarréia.
Bactéria Vírus Parasitas
Escherichia coli
Salmonella
Clostr. perf. 1
Rotavírus
Coronavírus
Adenovírus
Cryptosporídium
Coccídio
1 Clostr. perf. = Clostridium perfringens
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
122
— sobrealimentação de leite ou
sucedâneo de leite de baixa
qualidade;
— mudanças abruptas na composição
do leite;
• Estresse:
— dificuldades no parto;
— transporte de longa distância.
Diagnóstico precoce
Chamar a atenção para fatores de risco
ajuda na detecção precoce da diarréia. A
chance de desenvolvimento de doença
clínica e morte diminuem muito quando o
diagnóstico vem acompanhado por
medidas adequadas para minimizar o
impacto da diarréia.
Normalmente, animais jovens e em
particular bezerros novos apresentam bom
apetite. O primeiro sinal de que o bezerro
está adoecendo pode ser percebido no
momento do fornecimento do alimento.
Um bezerro que não está com fome,
possivelmente tem algo de errado
acontecendo com ele. Observação criteriosa
de certos sinais permite que o produtor
perceba o aparecimento da diarréia um dia
antes que ela realmente ocorra. Os
seguintes sinais indicam um possível
aparecimento de diarréia:
• Focinho seco;
• Muco grosso excretado pelas narinas;
• Fezes muito secas;
• Falta de apetite (recusa beber leite);
• Prostração e temperatura retal alta
(>39.3°C).
Quando um bezerro mostra algum desses
sinais, parte de seu leite pode ser retirado
como medida preventiva. A diarréia pode
não ser totalmente evitada mas, o bezerro
pode se recuperar mais rapidamente.
PREVENÇÃO
Práticas de manejo
Assim como a maioria das doenças de
bezerros, imunidade passiva adequada e
remoção de fatores predisponentes são as
duas medidas principais para se evitar a
diarréia. Verificar se as práticas
recomendadas de manejo estão entrando
em vigor, além de dar atenção aos detalhes
da criação, são atitudes que eliminam os
fa tores de r i s co e reduzem
consideravelmente a incidência de diarréia
e morte de bezerros (veja quadrante cinza).
Vacinas
Vacinas para linhagens específicas de E.
coli estão disponivies no mercado. A
Práticas de manejo adequadas eliminam
os fatores de risco e ajudam a reduzir a
incidência de diarréias:
Nutrição
1) Fornecimento da quantidade adequada
de colostro de alta qualidade.
2) Colostro e leite devem ser fornecidos à
temperatura corporal (36–38°C).
3) Alimentação deve ocorrer duas vezes ao
dia em horários regulares e com
utensílios, limpos, sanitizados e secos
após cada uso.
4) Sucedâneos de leite devem ter alta
qualidade nutricional. Um sucedâneo
rico em gordura (15–20%) provavelmente
apresentará melhores resultados do que
um sucedâneo com baixo teor de gordura
(10–15%), já da gordura é altamente
digerível.
5) Sobrealimentação e mudanças bruscas
na composição do leite (tipo de leite)
devem ser evitados.
Alojamento e manejo
6) Bezerros devem ser mantidos em
bezerreiros individuais, protegidos
contra correntes de ar. O agrupamento
de bezerros deve ser feito apenas após
a desmama.
7) Bezerreiros devem ser desinfectados
regularmente e devem permanecer
vazios por 3 semanas. O sistema
“todos dentro, todos fora” deve ser
recomendado em fazendas com histórico
de diarréia.
8) Bezerros saudáveis não devem ser
introduzidos em um alojamento onde
outros bezerros estão passando pelo
problema de diarréia.
9) Bezerros abaixo de 3 semanas de vida
não devem ser trazidos de outras
propriedades.
Do Nascimento à Desmama—31) Diarréia Neonatal
University of Wisconsin-Madison 123
maneira mais efetiva de usar estas vacinas é
pela inoculação de vacas prenhes, para que
a resistência à bactéria possa ser transferida
através de imunoglobulinas pelo colostro.
O sistema imune de um bezerro, não
responde bem a vacinação até 6 a 8 semanas
de idade. A vacinação de vacas em lactação
tem sido amplamente adotada em rebanhos
leiteiros. Existem numerosas linhagens de
E. coli que causam diarréia, assim, a
introdução de uma linhagem nova ou
diferente de E. coli (por exemplo, com a
compra de um bezerro infectado) pode
resultar em novos episódios da doença.
Reidratação é a medida-chave para salvar a vida de um bezerro com diarréia severa.
Figura 1: Desidratação é a principal causa de morte nas diarréias.
* SRO = Solução de Reidratação Oral; quantidade necessária para restabelecer o balanço de fluidos a uma bezerra
que de 45 Kg, em acréscimo à parcela de leite diária.
Tabela 2: Soluções eletrolíticas usadas para reidratação oral de bezerros com diarréia.
Solução
Ingredientes químicos Fórmula 1 2 3 4 5 EGG1
gramas / litro de água
Cloreto de sódio (sal de
cozinha)
NaCl 9.0 — 4.0 2.5 4.8 143.4
Bicarbonato de sódio NaHCO3 — 12.0 — 7.5 4.8 —
Cloreto de potássio KCl — — 2.7 1.0 — —
Fosfato de Potássio KH2PO4 — — — — — 68.0
Lactato de sódio — — 5.8 — — —
Citrato de sódio — — — — — 2.1
Glicina — — — — 10.1 103.0
Glicose — — — 12.5 20.2 675.3
Àcido cítrico — — — — — 8.1
pH da solução2 Ac Al Ac Ac Ac
1 EGG: Solução eletrolítica de Glicose-Glicina; 64 gramas desta msitura deve ser dissolvida em dois litros
de água morna e fornecida de uma só vez.
2 Ac = ácido; Al = alcalino.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
124 The Babcock Institute
TRATAMENTO DA DIARRÉIA
Solução oral de reidratação
Assim que diarréia for detectada (o
quanto mais cedo melhor), o bezerro deve
ser alojado em um ambiente seco, não
exposto ao frio, para então receber soro
terapia de reidratação (Figura 1). O
principio geral da reidratação oral segue a
seguinte afirmativa: se sal e água passarem
devagar o bastante pelos intestinos, então a
absorção será completa. As várias soluções
salinas presentes na Tabela 2 podem ser
preparadas e fornecidas à temperatura
corporal.
A presença de glicose na solução eletrolítica
é opcional. A glicose pode aumentar a
fermentação intestinal mas, por outro lado,
pode ajudar na absorção de eletrólitos e,
seguida da absorção, pode fornecer energia
ao bezerro. Soluções orais também estão
disponívies comercialmente. Estes produtos
contém uma mistura de eletrólitos, glicose e
outros sais (como apontado na Tabela 2)
assim como microminerais, vitaminas e
agentes gelatinosos (guar goma, xanthum
ágar, pectina, etc.). Pectina e gumas não são
essenciais em uma solução de reidratação
oral; porém, esses ingredientes podem
ajudar a reduzir a taxa de passagemde leite
pelos intestinos e assim, melhorar a digestão.
Podem ainda, fornecer proteção e alívio à
mucosa intestinal que está inflamada e
danificada pelo quadro de diarréia.
Deve-se continuar fornecendo leite?
Bezerros com diarréia perdem
parcialmente a capacidade de digerir leite.
Diarréias podem ter seu quadro clínico
piorado pela passagem de leite não
digerido pelos intestinos, porque isto pode
estimular o crescimento de bactérias.
Assim, uma recomendação prática seria
substituir o leite parcialmente ou
completamente por uma solução de
reidratação oral (SRO). Porém, pesquisas
recentes indicam que bezerros recebendo
SRO por apenas 2 dias, continuam
desidratados e podem perder peso
rapidamente. Em contraste, bezerros
recebendo sua cota diária de leite (10% de
peso corporal) suplementada com uma SRO
acídica não apresentam sinais de piora e
geralmente ganham peso durante o período
de reidratação (7 dias).
Métodos de tratamento
No início da diarréia, um bezerro deve ser
alimentado com sua parcela diária de leite;
neste momento então, a SRO deve ser
fornecida. A acidez ou alcalinidade do SRO
pode influenciar sua efetividade. Soluções
alcalinas podem interferir com a digestão
normal do leite no abomaso e portanto, não
deve ser fornecida até 3 a 4 horas após
alimentação. Em contrapartida, soluções
acídicas podem ajudar na digestão protéica
e podem ser fornecidas imediatamente
(15–20 min.) após alimentação completa
com leite.
Limitar a quantidade de leite oferecido ao
bezerro nestes casos, mantém o bezerro
ainda com um pouco de fome e portanto,
mais propenso a aceitar a SRO. O leite pode
se limitar a quantidade necessária para
mantença: 1.8 kg/d para um bezerro de 25
kg, 2.7 kg para um bezerros de 35 kg e 3.4
kg/d para um bezerro de 45 kg. Além
disso, o número de alimentações pode ser
aumentado para 3 ou 4 por dia (e a
quantidade oferecida deve ser diminuída
proporcionalmente) para encorajar o
bezerro a beber mais líquidos. Quando o
bezerro recusa tomar SRO, apesar da
redução de leite e do aumento da
frequência de alimentações, deve-se lançar
mão de uma sonda esofágica para força a
ingestão de SRO pelo animal.1
Antibióticos e reidratação intravenosa
Se a diarréia persistir e os sinais de
desidratação piorarem, um veterinário deve
ser chamado. Quando um bezerro
apresenta sinais severos de desidratação
(Figura 1—perda de água corporal >8%),
um veterinário pode administrar eletrólitos
e antibióticos intravenosos. Bezerros
desidratados, mesmo aqueles parecendo
que estão morrendo, geralmente
respondem muito bem a infusão
endovenosa de eletrólitos. 
 
1 Apenas uma pessoa bem treinada deve tentar
alimentar um bezerro com uma sonda esofágica.
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Gado de Leite
125
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DO NASCIMENTO À DESMAMA
32) PNEUMONIA
Michel A. Wattiaux
Babcock InstituteIntrodução
Pneumonia é o segundo problema de
saúde mais comum de bezerros jovens,
sendo a diarréia o número um.
Infecções respiratórias incluem todas as
doenças que afetam o trato respiratório
como um todo. Por outro lado, pneumonia
se refere apenas a inflamação dos pulmões.
Pneumonia é uma doença que pode variar
de subclínica a aguda, podendo inclusive
ser fatal. Dependendo da severidade da
infecção, pode ocorrer problemas
temporários ou mesmo permanentes no
pulmão. Bezerros com pneumonia crônica
raramente se recuperam completamente e
não devem ser contados como futuras
novilhas de reposição.
A maioria dos problemas repiratórios
ocorrem quando um bezerro encontra-se
entre 6 e 8 semanas de idade. Estes
problemas são causados por interações de
um ou mais microorganismos com estresse
(isto é, transporte), alojamento (ventilação)
e nutrição dos bezerros. A taxa de
morbidade (incidência da doença) é
normalmente alta, mas a taxa de
mortalidade é variável. Os principais
organismos implicado nos surtos de
pneumonia dos bezerros podem ser
observados pela Tabela 1.
ORGANISMOS
Pneumonia frequentemente acompanha
outras doenças infecciosas. Os organismos
associados a esta doença normalmente não
causariam sintomas clínicos sem a presença
dos fatores predisponentes. Em outras
palavras, um bezerro saudável muitas
vezes não fica doente quando é exposto a
um microorganismo em particular. Porém,
microorganismos de espécies diferentes
podem reforçar o efeito um do outro (efeito
sinérgico). Por exemplo, bezerros se tornam
severamente doentes quando infectados ao
mesmo tempo com micoplasma (por
exemplo, M. bovis) e bactéria (por exemplo,
P. hemolytica) do que quando infectados
com qualquer dos agentes separadamente.
Algumas vezes, infecções com um agente
pode enfraquecer a resistência do bezerro.
Por exemplo, infecção pelo vírus
respiratório sincicial (VRS) parece
predispor os pulmões a infecções
secundárias. VRS destroem o epitélio
ciliado que normalmente está envolvido na
limpeza dos pulmões a invasores externos.
Infecção por agentes virais é muitas vezes
seguido por infecção secundária bacteriana,
especialmente por P. haemolytica e C .
pyogenes). VRS virus e adenovírus afetam
Tabela 1: Microorganismos envolvidos no quadro de pneumonia.
Bacteria Virus Mycoplasma
Pasteurella multocida1 Parainfluenza tipo 3 (PI3)1 Mycoplasma dispar1
Pasteurella hemolytica1 Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR)2 Mycoplasma spp
Corynebacterium pyogenes
Neisseria spp
Chlamydia spp
Haemophilus somnus
Bovine respiratory syncytial virus (RSV)
Diarréia Bovina a Vírus (BVD)
Adenovírus Bovino
Reovírus
M. bovirhinis
M. bovis
Ureaplasma spp
1 Microorganismos mais comumente isolados de pulmões de bezerros que morreram com pneumonia.
2 Também chamado Herpes Vírus Bovino- tipo 1.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
126
primariamente o trato respiratório inferior
(lobos dos pulmões). Entretanto, muitos
microorganismos também colonizam o
trato respiratório superior (nariz, laringe,
traquéia e brônquios).
SINAIS CLÍNICOS
Considerando-se o fato dos bezerros não
apresentarem sinais agudos de pneumonia
até quando atinjem 1 mês de vida, eles
podem hospedar ou ser infectados com
microorganismos nestas primeiras semanas
de vida. Sinais clínicos são muito variáveis
e geralmente são observados em
combinação:
1) Discarga Nasal (serosa e transparente
ou mucosa e purulenta);
2) Tosse seca, especialmente percebida
após exercício (a tosse pode persistir
mesmo depois que o bezerro se
recupere da doença);
3) Temperatura retal acima de 41°C
(normal = 38.6°C);
4) Lesões nos pulmões;
5) Dificuldades respiratórias (dificuldade
de respirar ou dispnéia);
6) Diarréia.
FATORES PREDISPONENTES
Fornecimento de colostro (isto é, de
imunidade passiva) parece proteger
bezerros pelo primeiro mês após o
nascimento, já que poucos casos de
pneumonia são observados até esta idade.
O pico de incidência ocorre entre 40 e 50
dias após o nascimento, o que corresponde
ao pico de redução de antibióticos no
sangue (Figura 1). Em bezerros saudáveis,
imunoglobul ina A ( IgA) é a
imunoglobulina de maior concentração no
trato respiratório superior e nos pulmões
(mucosa respiratória). Entretanto, a
imunoglobulina G (IgG) predomina no
pulmão de animais infectados.
Concentração de IgG no soro sanguíneo
maior que 15 g/l parece adequada para
proteger bezerros contra pneumonia.
Bezerros com baixa resitência imune ou em
constante contato com grande número de
microorganismos estão mais propensos a
desenvolver pneumonia. A resitência do
bezerro a pneumonia pode ser
comprometida por inadequadas condições
nutricionais, de alojamento e de manejo.
Alojamento (ventilação da
área para bezerros)
Pouca ventilação e alta humidade relativa
são muitas vezes associados com surtos de
pneumonia.Entretanto, outros fatores
ambientais também apresentam ações
predisponentes. Por exemplo, alta
concentração de amônia e outros gazes
vindos das fezes e da cama em
decomposição podem irritar os pulmões. O
volume e a velocidade do ar na área dos
bezerros afetam a concentração de
microorganismos no ambiente. Bezerros são
mais predispostos a adoecer com
pneumonia quando estão nas seguintes
condições ambientais:
1) Espaços pouco ventilados onde gases e
microorganismos se acumulam;
2) Umidade relativa do ar alta
combinada com um ambiente com
baixa temperatura (frio, ar úmido) e
também, apesar de não tão grave
quanto o primeiro, a uma umidade
relativa do ar baixa com altas
temperaturas ambientes (quente, ar
seco);
Bezerros com pneumonia raramente
se recuperam completamente e não
devem ser usados como animais
de reposição para o rebanho.
Figura 1: Bezerros são mais susceptíveis à
pneumonia entre as semamas 4 e 6 de
idade.
Do Nascimento à Desmama—32) Pneumonia
127
3) Grandes variações de temperatura
durante o dia.
Manejo
As situações seguintes aumentam a
susceptibilidade de pneumonia:
• Bezerros agrupados precocemente e
expostos a microorganismos vindos de
bezerros doentes com pneumonia
crônica ou subclínica;
• Bezerros desmamados quando ainda
não estavam se alimentando
adequadamente com a devida
quantidade de alimentos sólidos
(desmama precoce);
• Bezerros comprados de propriedades
diferentes e agrupados juntos e;ou
transportados por longas
distâncias(estresse).
Alimentação
Bezerros alimentados com extremas
quantidades de leite ou com sucedâneos
que tenham alta concentração de matéria
seca podem apresentar rápida taxa de
crescimento, mas por outro lado parecem
ficar mais predispostos a pneumonia. Esta
observação pode ser devida ao aumento de
aumento de urina no ambiente, o que torna
difícil manter o bezerro seco, ou ainda
deve-se a uma diminuição da resposta
imune já que o bezerro encontra-se em
estresse por estar crescendo muito
rapidamente.
Deficiência de selênio pode também ser
relacionada à alta susceptibilidade a
pneumonia, porém, dados experimentais
ainda são contaditórios hoje em dia.
PREVENÇÃO DE PNEUMONIA
A redução parcial ou eliminação de
fatores predisponentes e a melhora de
alguns procedimentos de manejo
inadequados reduzirão a ocorrência de
pneumonia significativamente. Ingestão
adequada de colostro, alojamento seco e
individual, boa ventilação natural e
ausência de estresses nutricionais são
maneiras efetivas de reduzir a incidência de
pneumonia. Vacinas contra vários
microorganismos envolvidos com
p n e u m o n i a e s t ã o d i s p o n í v e i s
comercialmente, mas estas devem ser
consideradas apenas quando agentes
específicos são detectados e identificados.
Um programa de vacinação relevante que
leve em consideração os agentes
prevalentes na propriedade devem ser feito
com a ajuda de um veterinário.
TRATAMENTO DE PNEUMONIA
Quando um bezerro se torna doente, a
detecção precoce da doença é importante
para sua chance de sobrevivência. O
bezerro deve ser colocado em um ambiente
agradável e protegido do frio (com sol),
seco, bem ventilado (com ar fresco).
Diarréia e desidratação podem ser tratadas
pela administração de fluidos. Geralmente,
tratamentos com antibióticos são desejados
para que se reduza o efeito de invasões
bacterianas secundárias.
Adequada ingestão de colostro, ausência de
estresse nutricional, alojamento adequado,
e boa ventilação natural são maneiras
efetivas de reduzir a incidência de
pneumonia.
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Gado de Leite
128
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DA DESMAMA AO PRIMEIRO PARTO
33) ALIMENTAÇÃO E ALOJAMENTO
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
ALIEMNTAÇÃO
A desmama marca o fim da maioria dos
problemas de saúde do bezerro. Faz-se
então necessário decidir sobre o ganho de
peso que se pretende atingir e fornecer
alimento com as fontes mais econômicas de
energia, proteína, minerais e vitaminas para
satisfazer os requerimentos nutricionais
para o desenvolvimento do animal.
Requerimentos nutricionais e capacidade
de ingestão mudam ao longo do tempo.
Novilhas com menos de 1 ano de idade
apresentam requerimento nutricional alto,
apesar de pouca capacidade ruminal. Como
resultado, taxas de crescimento
ainda serão considereradas
subótimas se esses animais
receberem forragem pura.
Grãos ou concentrados devem
ser incluídos na dieta de
novilhas jovens, mas não
necessariamente em dietas de
novilhas mais velhas (Tabela
1).
Em algumas fazendas,
novilhas são alimentadas com
ração que não foi consumida
por vacas de leite. Uma dieta
baseada em resto de ração,
provavelmente concentra
muitas fibras e pouca
proteínas. Geralmente, restos
de ração podem ser fornecidos
a novilhas com mais de 6
meses de vida, desde que a
ração seja devidamente
b a l a n c e a d a e t e n h a
palatabilidade aceitável.
Alimentação da desmama à
inseminação
Tipicamente, de 3 a 6 meses de idade, a
ração de novilhas deve conter entre 40% a
80% de forragem. Para novilhas de 7 a 12
meses de idade, a porcentagem de forragem
na dieta pode variar de 50 a 90 %. Com o
crescimento das novilhas, a concentração de
proteína na dieta pode diminuir e a
concentração de fibra (FDN) pode ser
aumentada. Forrageiras de baixa qualidade
devem ser evitadas na ração de novilhas de
3 a 6 meses de idade. Forrageiras de baixa
qualidade são fornecidas a novilhas mais
Tabela 1: Concentrados e forragens para novilhas de raças grandes.
Idade (meses)
3–6 7–12 13–18 19–22
Peso médio, kg 150 270 400 500
Ingestão estimada, kg/d 3.2–4.0 5.4–7.3 7.7–9.5 10–11.8
Forragem de excelente
qualidade1, kg
1.8–2.2 5.0–6.0 8.0–9.0 10–11
Concentrado, kg 1.4–1.8 0–1.0 0–1.0 0–1.0
Forrageira de boa qualidade2,
kg
1.4–1.8 4.5–5.0 6.4–7.3 9.0–10
Concentrados, kg 1.8–2.2 1.4–1.8 1.4–1.8 1.0–1.4
Forrageira de má qualidade3,
kg
0.9–1.4 3.2–4.0 5.4–6.4 7.3–8.2
Concentrados, kg 2.3–2.7 2.3–2.7 2.7–3.6 2.7–3.6
Composição da dieta, % de matéria seca
Forragens 40 to 80 50 to 90 60 to 100 60 to 100
Fibra–FDN 34 42 48 48
Proteína Bruta 16 15 14 12
Cálcio 0.5 0.4 0.3 0.3
Fósforo 0.3 0.3 0.2 0.2
1 com mais de de 60% de Nutrientes Digestíveis Totais (silagem de milho, capim
novo); 2 com 54% a 56% de Nutrientes Digestíveis Totais (alfafa florescendo ou da
metade até a floração completa); 3 com 48 a 50% de Nutrientes Digestíveis Totais
(palhada, feno de baixa qualidade, etc.).
Da Desmama ao Primeiro Parto—33) Alimentação e Alojamento
129
velhas, devem ser devidamente
suplementadas com concentrados e
minerais (Tabela 2). A porcentagem de
proteína bruta, necessária no concentrado
depende primariamente da proteína bruta
contida na forragem da dieta.
Normalmente, uma mistura de concentrado
com 16 % de proteína bruta (que muitas
vezes é formulada para vacas em lactação)
pode ser tranquilamente usada para
novilhas em crescimento.
Alimentação da inseminação ao parto
Novilhas com mais de 13 meses de idade
apresentam suficiente capacidade ruminal
para crescimento adequado quando
alimentadas apenas com forragem de boa
qualidade. Realmente, forrageiras com
energia alta como a silagem de milho
deveriam ser fornecidas em quantidades
limitadas devido ao fato de que novilhas
mais velhas comerão mais, se tornando
obesas. Uma combinação de silagem de
milho e uma leguminosa ou um capim bem
fertilizado garante suprimento adequado
de energia e proteína. Concentrados devem
ser usados, a princípio, quando a forrageira
da ração for de baixa qualidade. Rações
baseadas em alimentos variados estão
apresentadas na Tabela 2.
Um ou dois meses antes do parto, o
programa de alimentação deve ser ajustado
para preparar a novilha para este evento e
também paraa primeira lactação. As
novilhas, então, devem receber forragem e
Tabela 2: Exemplos de rações para novilhas de gado leiteiro.
3 a 6 meses de idade 7 a 12 meses de idade
1 2 3 4 1 2 3 4
Ingredientes ..................... Quantidade (em base de matéria seca)......................
Alfalfa meio de floração, kg 2.2 — 1.7 — 3.2 — 5.7 —
Alfalfa-gramínea, kg — — — 1.1 — 2.8 — —
Feno de capim, kg — 1.6 — — — — — —
Palhada de milho, kg — — — — — — — 4.3
Silagem de milho, kg — — 0.9 1.1 2.7 2.8 — —
Milho grão, kg1 1.4 1.5 1.0 0.9 0.5 0.5 1.1 1.2
Concentrado com 44% de
Proteína Bruta, kg
0.27 0.64 0.36 0.64 0.27 0.5 1.1
Minerais, 23% Ca–18% P, g 14.0 — 14.0 9.0 18.0 9.0 18.0 23.0
Calcário ou CaC03, g — 40.0 — 18.0 — — — 18.0
Premix de microminerais, g 9.0 9.0 9.0 9.0 18.0 18.0 18.0 18.0
Total (ingestão, kg/d) 3.9 3.7 4.0 3.7 6.7 6.6 6.8 6.6
13 a 19 meses de idade 19 a 22 meses de idade
1 2 3 4 1 2 3 4
Ingredientes …….............. Quantidade (em base de matéria seca)....................
Alfalfa meio de floração, kg 5.1 10.1 — — 11.4 7.3 6.6 —
Alfalfa-gramínea, kg — — 5.4 — — — — —
Feno de capim, kg — — — — — — — —
Palhada de milho, kg — — — 6.5 — — 4.1 8.6
Silagem de milho, kg 4.0 — 3.6 — — 3.6 — —
Milho grão, kg1 — — — 1.5 — — 0.73 1.2
Concentrado com 44% de
Proteína Bruta, kg
— — 0.27 1.3 — — — 1.5
Minerais, 23% Ca–18% P, g 36.0 23.0 18.0 41.0 18.0 36.0 50.0 50.0
Calcário ou CaC03, g — — — 23.0 — — — 23.0
Premix de microminerais, g 23.0 23.0 23.0 23.0 29.0 27.0 29.0 28.0
Total (ingestão, kg/d) 9.1 10.1 9.2 9.3 11.4 10.9 11.4 11.3
1 Aveia, cevada ou subprodutos altamente energéticos podem ser usados para repor todo ou parte do milho.
Todos os ingredientes não forrageiros podem ser incluídos na mistura total de grãos.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
130
progressivamente mais concentrado para
que a transição não seja muito sentida,
assegurando-se assim que haja alta ingestão
de matéria seca o mais cedo possível após o
parto.
É importante evitar que a novilha chegue
ao momento do parto com condição
corporal inapropriada, seja esta com baixo
ou alto score de condição corporal. Novilha
muito magras ou obesas estão mais
susceptíveis a ter problemas de parto ou
mesmo problemas pós-parto. Entretando,
deve-se ressaltar que o final da getação é
um período de preparo da novilha para o
estresse do início da lactação e não um
período de ajuste de condição corporal.
ALOJAMENTO
Ao crescerem, as novilha mudam sua
necessidade de áreas de descanço e de
alimentação. Além disso, várias práticas de
manejo requerem a contenção do animal
para vacinação, vermifugação, inseminação
artificial, avaliação de altura e peso, etc.
Instalações para novilhas devem ser
planejadas para suprir as necessidades do
animal, tendo em mente facilidade de
manejo. As instalações devem facilitar:
• Alimentação;
• Distribuição de cama (quando houver)
e limpeza da área;
• Movimentação e contenção dos
animais.
Após a desmama, os bezerros podem ser
agrupados, inicialmente em grupos
pequenos de animais que se encontram com
os mesmos requerimentos nutricionais. O
tamanho e números de grupos vai
depender do tamanho do rebanho e
disponibilidade de alojamento. Condição
corporal similar e idade são importantes
considerações a serem feitas ao se agrupar
animais.
Bezerras desmamadas:
de 2–5 meses de idade
Bezerros desmamados de tamanhos
semelhantes devem ser colocadas em
grupos pequenos (4 a 6 bezerros) em
alojamentos de transição onde as
características da instalação individual
puderam ser mantidas, isto é, cobertura de
Tabela 4: Espaço necessário para alimentação(cm
por animal).1
Idade
(meses)
Altura
(kg)
Alimento
sempre
disponível
Restrição
de alimentos
ou de tempo
3–5 90–160 30 30
6–8 160–225 30 46
9–12 225–300 38 56
13–15 300–360 46 66
16–24 360–544 46 66
Vaca seca >600 46 66–76
1 Adaptado do Dairy Freestall Housing and Equipment.
Quinta edição, 1995. MidWest Plan Service, Ames Iowa.
Tabela 3: Cobertura de solo para novilhas em vários sistemas de alojamento.1
Cobertura do solo para área de descanso (m2)
Idade
(meses)
Peso
Vivo
(kg)
Inclinação
(auto-
limpante)2
Área com cama
(palha, etc.)3
Confinamento
em solo
descoberto
Lote de fora
com piso de
pavimentação
0–2 45–90 Não requer Casinhas (baias) ou
bezerreiros individuais4
Não requer Não requer
3–5 90–160 Não requer 2.6 Não requer Não requer
6–8 160–225 0.9 2.3 1.1 3.3
9–12 225–300 1.1 2.6 1.2 3.7
13–15 300–360 1.4 3.0 1.6 4.2
16–24 360–544 1.75 3.7 2.3 4.7
Vaca seca >600 1.95 4.6 3.3 5.1
1 Adaptado de Dairy Freestall Housing and Equipment. Quinta edição, 1995. MidWest Plan Service, Ames Iowa.
2 8% de inclinação (8 cm por metro).
3 Assumindo confinamento total e acesso a corredor de limpeza com 3 metros de largura.
4 Dimenção da casinha (baia): 1.2m x 2.4m e dimenção do piso: 1.2m x 2.1 m.
5 Novilhas e vacas secas em gestação avançada podem ter dificuldade respiratória quando deitadas em pisos
inclinados com a cabeça voltada para a inclinação (baixo).
Da Desmama ao Primeiro Parto—33) Alimentação e Alojamento
131
solo (ou cama) limpa e seca, boa ventilação,
fácil acesso a água e alimento, etc. Deve
haver área de comedouro suficiente para
que todos os bezerros possam se alimentar
ao mesmo tempo (Tabela 4), principalmente
quando um concentrado é oferecido em
quantidades restritas. Isto porque, deve-se
procurar evitar competição entre bezerros
jovens.
Novilhas pré-púberes:
de 6–11 meses de idade
Grupos de novilhas pré-puberes devem
consistir de 10 a 20 animais. A variação
máxima de peso dentro de um grupo não
deve exceder 70–90 kg. Alimentação e taxa
de cresciemnto devem ser cuidadosamente
monitoradas, já que ganho de peso
excessivo durante este período pode
interferir na capacidade futura de produção
de leite. Por outro lado, ganho de peso
insuficiente gera atrasos na idade à
p u b e r d a d e , i n s e m i n a ç ã o e
consequentemente, ao primeiro parto. O
monitoramento da altura, peso e condição
corporal da novilha é muito importante
nesta fase para a avaliação das práticas de
alimentação.
Novilhas em idade de inseminação:
de 12–15 meses de idade
Estas novilhas devem ser agrupadas
primariamente para facilidade de
observação de cio e manejo reprodutivo
(para inseminações). A variação máxima do
peso corporal não deve ultrapassar 130 kg.
Novinhas prenhes:
de 16–22 meses de idade
Durante este período, alimentação e peso
corporal devem ser monitorados para que
as novilha cheguem ao primeiro parto com
altura, peso e condição corporal adequadas.
Não há necessidade de gastos com
instalações, nem mesmo programas de
alimentação.
Novilhas em final de gestação:
de 22–24 meses de idade
Poucos dias antes do parto, recomenda-se
passar com as novilhas pela sala de
ordenha junto das vacas em lactação para
que seja mais fácil depois a adaptação à
rotina de ordenha. Se possível, novilhas de
primeira cria devem ser mantidas em seu
mesmo grupo de animais após o parto, para
evitar o estresse de entrar em um grupo de
vacas mais velhas. 
Figura 1: Free stall ou baias coletivas com camas são instalações adequadas para
bezerras desmamadas, de raças leiteiras.
Figura 2: Área de cama em comum e pasto são instalações adequadas para novilhas prenhes.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
132
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DESMAMA AO PRIMEIRO PARTO
34) TAXA DE CRESCIMENTO
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
IMPORTÂNCIA DA TAXA DE
CRESCIMENTO
A taxa de crescimento das novilhas é uma
indicador do nível de manejo do rebanho.
Alimentação, alojamento e manejo em geral
estão em constantes mudanças entre o
nascimento e o primeiro parto. O
crescimento das novilhas deve ser
monitoradopor múltiplas razões, como:
• Evitar atrasos na maturidade sexual e
na idade ao primeiro parto devido a
crescimento lento;
• Determinar quando as novilhas
estiverem super ou subalimentadas;
• Alcançar o peso ideal ao primeiro
parto, para assim, reduzir problemas
de parto.
TAXA DE CRESCIMENTO DESEJÁVEL E
IDADE AO PRIMEIRO PARTO
Figura 1 apresenta a média de ganho de
peso diário e idade ao primeiro parto sob
manejo intensivo em países temperados.
Períodos curtos de criação são
normalmente mais desejáveis sob o ponto
de vista econômico e genético. As
vantagens de aumentar a taxa de
crescimento, permitindo que a idade ao
primeiro parto seja de 24 meses (ao invés de
36 meses), incluem:
• Retorno rápido do capital investido;
• Redução dos custos variáveis
(trabalho);
• Redução no número de novilhas
necessárias para manter o tamanho do
rebanho;
Figura 1: Efeitos de raças leiteiras em relação a peso corporla em vários estágios de
desenvolvimento e taxa de crescimento de novilhas.
Desmama ao Primeiro Parto—34) Taxa de Crescimento
133
• Aumento de vida produtiva;
• Ganho genético do rebanho mais
rápido;
• Redução da quantidade total de
alimentos necessários do nascimento
ao primeiro parto.
Dificuldades ou desvantagens associadas
com a taxa de crescimento rápida que leva à
redução do número de meses até o primeiro
parto, de 24 meses para 20 meses, por
exemplo, incluem:
• Necessidade de forrageira e
concentrado de alta qualidade;
• Necessidade de melhora nas práticas
gerais de manejo;
• Grande risco de dificuldade de parto
se a taxa de crescimento não for
devidamente monitorada;
• Maior risco de fornecer uma dieta que
possa afetar adversamente a produção
de leite.
Quando alimentos de alta qualidade são
difíceis de serem produzidos, criar novilhas
com alimentos mais abundantes só que de
baixa qualidade pode resultar em taxa de
crescimento lento e atraso no primeiro
parto. Apesar disso, muitas vezes esta
prática pode ser a estratégia de criação mais
econômica e que, portanto, pode ser
empregada.
Taxa de crescimento e
maturidade sexual
A maturidade sexual de novilhas
depende mais do peso corporal do que da
idade propriamente dita. Assim, taxa de
crescimento influencia consideravelmente a
idade à puberdade e portanto, a idade ao
primeiro parto. Novilhas não atingem a
puberdade antes dos 18–20 meses de idade
quando crescem lentamente (<0.35 kg/d).
Porém, puberdade pode ocorrer antes de 9
meses de idade quando o crescimento das
novilhas for muito rápido (>0.9 kg/d).
Como apontado na Figura 2, puberdade
ocorre quando o peso das novilhas estiver
entre 40 e 50% do peso corporal adulto,
independentemente da idade. A primeira
inseminação (ou cobrição) deve ocorrer
quando as novilhas atingirem de 50–60% do
peso corporal adulto (14–16 meses de
idade). A taxa de crescimento deve ser
mantida durante a lactação, para que as
novilhas atinjam 80–85% do peso corporal
adulto ao primeiro parto.
Figura 2: Taxa de crescimento de novilhas e performance reprodutiva.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
134
Peso corporal e problemas de parto
Problemas de parto são mais comuns no
primeiro do que em qualquer outro parto.
Novilhas de primeira cria podem
apresentar dificuldade de parto por razões
que vão desde o desenvolvimento do
bezerro até seu próprio desenvolvimento.
Em geral, dificuldades de parto devem-se a
uma ou mais causas relacionadas abaixo:
• O bezerro recém-nascido é grande:
—Devido à genética do bezerro;
—Por haver atraso no nascimento
(gestação longa);
• A novilha está subdesenvolvida e a
área pélvica é muito estreita em
relação ao tamanho do bezerro;
• A novilha está acima do peso e excesso
de tecido adiposo interfere com o
parto normal.
No intuito de minimizar dificuldades de
parto para novilhas de primeira cria,
recomenda-se que o produtor:
• Escolha sêmem de touros com baixa
porcentagem de dificuldade de parto
(<8%);
• Ajuste a taxa de crescimento da
novilha para atingir de 80 a 85% do
peso corporal adulto ao primeiro
parto;
• Evite problemas de obesidade
(novilhas gordas) ou emaciação
(novilhas magras) ao primeiro parto.
Peso corporal e produção
à primeira lactação
Existe uma relação forte e positiva entre
peso ao primeiro parto e produção à
primeira lactação. Esta relação nao significa
necessariamente que novilhas de tamanho
grande geneticamante sejam mais
desejáveis—o que é desejável é que as
novilh a s estejam s u f i cientemente
desenvolvidas no momento do parto.
Nos Estados Unidos, novilhas Holandesas
devem pesar, em média, 620 kg (peso no
primeiro mês pós-parto) para maximizar a
produção de leite na primeira lactação.
Estas novilhas de primeira cria continuarão
a crescer e chegarão ao peso corporal adulto
(>700 kg) durante a quarta ou quinta
lactação.
TAXA DE CRESCIMENTO
CONSTANTE E VARIÁVEL
A taxa de crescimento das novilhas não
precisa ser constante. Na realidade, muitas
vezes o crescimento das novilhas é
caraterizado por taxas períodos de
crescimento lento e períodos de crescimento
mais rápido. Novilhas apresentam grande
habilidade em compensar períodos de
baixo crescimento com outros de
crescimento mais rápido. A variabilidade na
taxa de crescimento das novilhas pode
refletir:
• Sazonalidade das forrgens
(quantidade e qualidade);
• Decisões de manejo para ajustar o
crecimento das novilhas para uma
taxa de ganho desejada.
Taxa de crescimento antes
e depois da puberdade
Estudos recentes indicam que uma taxa
de crescimento moderada antes da
puberdade, seguida de uma taxa de
crescimento mais rápida para atingir o peso
ideal ao primeiro parto parece ser a melhor
estratégia de criação apar maximizar a
futura produção de leite da novilha. Este
conceito poder ser aplicado a quaisquer
raças de leite, apesar da taxa de crescimento
variar de uma raça para outra (Figura 1).
Effeito da sobrealimentação e rápido
ganho de peso antes da puberdade
Alguns resultados de pesquisa têm
demonstrado que fornecer ração altamente
energética para acelerar o ganho de peso
antes da puberdade podem afetar o
desenvolvimento da glândula mamária e
limitar a futura produção de leite. Porém,
estes resultados são ainda contraditórios.
Estudos em rebanhos bovinos de alta
produção leiteira nos Estados Unidos,
indicam que a taxa de crescimento das
novilhas variam entre 0.8 and 0.95 kg/dia.
Estas taxas de crescimento rápidas não são
compatíveis com grande produção de leite
em novilhas de primeira cria.
Desmama ao Primeiro Parto—34) Taxa de Crescimento
135
Efeitos da subalimentação e baixa taxa
de crescimento antes da puberdade
Idade à puberdade pode variar de 9 a 20
meses de idade, dependendo da taxa de
crescimento. Para que o parto ocorra com
24 meses de idade, a puberdade deve
ocorrer quando as novilhas tenham 12 a 13
meses de idade.2 Quando a taxa de
crescimento antes da puberdade for lenta, o
peso ideal ao primeiro parto não poderá ser
atingido sem:
• Crescimento acelerado durante a
gestação (linha aa| na Figura 3);
• Atraso à cobrição (inseminação) e
parto(linha aa|| na Figura 3);
• Combinação das opções acima
descritas.
Por exemplo, quando a média de ganho
de peso for 0.55 kg/dia, espera-se que a
puberdade ocorra com 12–13 meses de
idade. Considerando que a gestação começa
aos 15 meses de idade, a taxa de
crescimento deve ser então ajustada para
0.9 kg/dia, para garantir ganho de peso
adequado ao primeiro parto (linha aa|
 
2 Isto deve-se ao fato da gestação durar 9 meses e a
taxa de sucesso da inseminação de novilhas estar em
torno de 66% (em outras palavras, demora-se de 2 a
3 cios para se obter uma gestação).
Figura 3). Se a taxa de crescimento não
ajustada, novilhas podem parir com 24
meses de idade, porém ainda não
totalmente desenvolvidas.Haverá então,
risco de dificuldade de parto e a
performance da primeira lactação deixará a
desejar.
Quando espera-se que o crescimento
permaneça lento durante a gestação, deve-
se adiar a cobrição (inseminação) para
evitar que a novilha ainda esteja pouco
desenvolvida no momento do parto. Por
exemplo, quando a taxa de crescimento de
uma novilha Holandesa grande for de 0.55
kg/dia durante todo o período de recria,
recomenda-se atrasar a primeira cobrição
até 19–20 meses de idade. Neste caso, a
idade ao primeiro parto também será
atrasada, mas é mais importante que
novilhas consigam chegar ao parto com o
peso corporal ideal desejado.
Efeitos da superalimentação
após a puberdade
O fornecimento de uma dieta altamente
energética que promova crescimento rápido
durante a gestação é desejável porque
assegura:
• Boa nutrição para o feto;
• Desenvolvimento adequado da
novilha ao primeiro parto.
Po r é m , e n g o r d a r a n o v i l h a
demasiadamente é indesejável. Novilhas
obesas apresentam alto risco de dificuldade
de parto e problemas metabólicos pós-
parto. Fornecer uma dieta balanceada é
uma boa maneira de evitar obesidade.
Avaliação de score corporal pode ser
também uma boa ferramenta para
promover o ajuste de dietas de vacas
prenhes.
Efeitos de subalimentação
após a puberdade
A taxa de concepção pode estar reduzida
quando novilhas não estão ganhando peso
no momento da cobrição. Taxa de
crescimento lenta após puberdade não
causa nenhum malefício se a novilha não
estiver prenhe (a não ser o atraso no
primeiro parto). Porém, uma vez que a
novilha está prenhe, crescimento
Figura 3: Taxa de crescimento de novilhas antes
e depois da puberdade pode ser ajustada—até
certo ponto—para se alcançar peso corporal
“ideal” aos 24 meses de idade, ao primeiro
parto (peso corporal no eixo y se refere a
novilhas de raças leiteiras grandes).
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
136
insuficiente pode gerar alguns efeitos
adversos, como:
• Nutrição animal insatisfatória;
• Dificuldade de parto devido ao
crescimento esquelético subótimo;
• Baixa produção de leite na primeira
lactação.
Se a disponibilidade de alimento (ou
outros recursos) não permitir que haja
grande crescimento após a concepção, pode
ser melhor atrasar a concepção até que a
novilha tenha um maior peso corporal. A
primeira lactação poderá ater ser
satisfatória, mas, em contradição a vida
produtiva do animal será reduzida e o
custo da recria aumentará.
Instituto Babcock para Pesquisa 
e Desenvolvimento da Pecuária 
Leiteira Internacional
University of Wisconsin-Madison
Essenciais em 
Gado de Leite
137
CRIAÇÃO DE NOVILHAS—DESMAMA AO PRIMEIRO PARTO
35) AVALIAÇÃO DA TAXA DE CRESCIMENTO
Michel A. Wattiaux
Babcock Institute
POR QUE USAR GRÁFICOS DE
CRESCIMENTO?
O gráfico de crescimento representa uma
ferramenta que pode ser usada para
comparar a altura e o peso de novilhas a
uma curva padrão e assim, determinar se a
alimentação e outras práticas de manejo
estão adequadas ou se estas devem ser
ajustadas durante algumas fases do período
de recria.
Em qualquer sistema de manejo (pastejo,
confinamento), é sempre um desafio
acessar a performance das novilhas. A
utilização de um gráfico de crescimento
permite que o produtor monitore a taxa de
crescimento das novilhas.
PESO CORPORAL, ALTURA
NA CERNELHA E SCORE
DE CONDIÇÃO CORPORAL
Peso corporal até certa idade é o critério
mais comumente usado para avaliar o
crescimento das novilhas. Porém, este não
deve ser o único critério. Peso corporal
sozinho não reflete o status nutricional da
novilha. O desenvolvimento da novilha é
melhor quando a avaliação de peso é
acompanha por medidas de crescimento
ósseo, como a altura na cernelha ou
comprimento corpóreo. A altura da novilha
reflete crescimento em estrutura
(crescimento ósseo), enquanto que o peso
corporal reflete o crescimento de órgãos,
músculos e tecido adiposo (gordura).
Score de condição corporal pode também
ser usado para avaliar programas de
alimentação para novilhas. Esta medida
avalia a quantidade de reserva corporal
estocada em tecido adiposo. Assim, quando
for usada em conjunto com peso corporal e
altura de cernelha, o score de condição
corporal ajuda a caracterizar o crescimento
corporal como um todo, associando
crescimento esquelético (ósseo e muscular)
e adiposo. A Tabela 1 indica score de
condição corporal desejada em diferentes
idades em uma escala de 1 (muito magra) a
5 (obesa).
Tabela 1: Score de condição corporal (SCC)
de novilhas em várias idades.1
Idade (m.) 3 6 9 12 15 18 21 24
SCC 2.2 2.3 2.4 2.8 2.9 3.2 3.4 3.5
1 Patrick Hoffman. 1995. Optimum growth rate for
Holstein replacement heifers. Em Calves, heifers,
and dairy profitability. NRAES-74 152 Riley-Robb
Hall, Ithaca, New York 14853-5701.
AVALIAÇÃO DE PESO
O método mais acurado para se
determinar o peso corporal é a utilização de
uma balança calibrada. Porém, o tempo e
trabalho envolvidos na movimentação de
novilhas torna este método pouco prático
para empregar na rotina da fazenda.
A avaliação do perímetro torácico pode
ser utilizada para predizer com acurácia o
peso corporal. Uma fita métrica não
metálica deve ser colocada logo atrás dos
membros anteriores e atrás da paleta da
novilha. A fita deve ser esticada sobre o
corpo do animal e a medida, então anotada
(Figura 2). A Tabela 2 fornece o peso
corporal para vários perímetros torácicos
de raças leiteiras pequenas, médias e
grandes encontradas nos Estados Unidos
da América. A construção de gráficos
específicos a outras raças e/ou localidades
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
138
ao redor do mundo deve ser parte de
qualquer projeto de melhoria em uma
fazenda de leite.
AVALIAÇÃO DE ALTURA
NA CERNELHA
Figura 1 ilustra uma régua simples
ajustável que pode ser usada para avaliar
altura na cernelha. A cernelha é
considerada o ponto mais alto na linha
dorsal na base do pescoço, bem entre as
paletas. A régua deve ser colocada próxima
aos membros anteriores da novilha (logo a
frente de onde se coloca a fita métrica para
medir perímetro torácico). Um nível pode
ser usado para assegurar que a parte
ajustável da régua, a qual é colocada sobre
a cernelha, fique sempre paralela ao piso no
momento da avaliação.
Outra opção seria fixar a régua em uma
parede. A escala de altura deve ser
desenhada (pintada) diretamente sobre a
parede. Avaliações de altura devem ser
feitas com cautela e frequência.
Comparação de dados ao longo dos anos
pode ser uma boa ferramenta de manejo.
COM QUE FREQUÊNCIA DEVE-SE
AVALIAR A ALTURA E O PESO?
O acesso à taxa de crescimento
pode ser feita:
• Durante todo o período de
recria (do nascimento ao
primeiro parto);
• Durante fases específicas do
período de recria (período de
fornecimento de leite, período
da desmama, período de
alimentação em local coberto,
período de pastejo, etc.).
No intuito de monitorar o
crescimento da novilha, avaliação ao
nascimento e ao primeiro parto são
suficientes. No entanto, avaliações
múltiplas da altura, peso e score de
condição corporal em vários
momentos durante a recria, permite
ao produtor monitorar fases específicas
(fase inicial de crescimento pós-parto,
período da desmama, crescimento pré-
puberal, etc.). Uma mudança de estação
normalmente leva a mudanças em tipo de
alojamento e práticas de alimentação que
podem gerar grande impacto no
desenvolvimento da novilha.
Infelizmente, a maioria dos fazendeiros
ainda não tem instalações para avaliar
altura e peso de uma maneira prática e fácil.
O monitoramento das novilhas terá maior
chance de sucesso se for simples e
necessitar pouco trabalho. Existem dois
métodos práticos de avaliar altura e peso de
novilhas. O primeiro é fazer estas
avaliações quando as novilhas estiverem
contidas, o que acontece normalmente:• Ao nascimento;
• Quando as bezerras forem mudadas
das casinhas individuais para as
bezerreiras (alojamento em grupo) na
desmama e (ou ) quando forem
descornadas;
• Quando estiverem sendo inseminadas;
• Ao serem colocadas em baias
individuais para o primeiro parto.
Figura 1: Avaliação de altura de cernelha e perímetro
torárico (peso corporal) em novilhas.
Desmama ao Primeiro Parto—35) Avaliação da Taxa de Crescimento
139
O segundo método é o quando se avalia a
novilha apenas uma vez durante o
crescimento. Por este método, as medidas
não são avaliadas ao longo do do tempo
para a mesma novilha, mas, são avaliadas
de uma só vez em todas novilhas presentes
no rebanho. Neste caso, quanto maior o
número de novilhas em cada grupo, mais
acurada será estimativa de crescimento.
Em ambos os casos, a avaliação de ganho
diário pode ser calculada ou os dados
podem ser transformados em gráfico e
comparados ao gráfico de crescimento (veja
abaixo).
Tabela 2: Perímetro torácico e peso corporal de novilhas de raças leiteiras européias, populares
nos EUA.
Perímetro Peso corporal (kg) Perímettro Peso corporal (kg)
Torácico
(cm)
Raças
grandes1
Raças
médias1
Raças
pequenas1
Torácico
(cm)
Raças
grandes1
Raças
médias1
Raças
pequenas1
68.6 37.2 31.3 25.9 137.2 220.9 214.1 205.0
71.1 37.4 32.4 28.1 139.7 230.4 223.2 216.4
73.7 38.6 34.9 31.3 142.2 242.7 233.1 228.6
76.2 40.6 37.6 34.9 144.8 254.9 248.1 240.9
78.7 43.5 41.3 39.5 147.3 266.3 259.5 252.2
81.3 46.7 44.9 43.5 149.9 279.0 272.2 267.2
83.8 51.7 50.8 49.9 152.4 289.8 283.0 278.1
86.4 56.2 55.8 55.3 154.9 305.3 298.0 291.7
88.9 61.2 61.7 61.7 157.5 316.2 309.8 303.9
91.4 67.1 67.1 67.1 160.0 331.6 325.7 320.2
94.0 73.9 73.9 73.9 162.6 343.8 337.9 332.5
96.5 80.3 80.3 80.3 165.1 360.2 354.7 349.7
99.1 87.1 87.1 87.1 167.6 374.7 369.7 364.2
101.6 94.3 94.3 93.9 170.2 390.5 385.1 379.7
104.1 101.6 100.7 100.2 172.7 403.2 397.8 392.4
106.7 110.7 109.3 108.4 175.3 421.8 415.9 410.5
109.2 117.5 116.1 114.8 177.8 435.9 428.6 422.7
111.8 126.6 124.3 122.5 180.3 455.0 448.6 438.2
114.3 134.3 131.5 129.3 182.9 474.0 459.5 450.0
116.8 143.3 140.2 137.0 185.4 489.4 476.7 464.5
119.4 151.5 147.9 144.2 188.0 507.1 490.3 475.8
121.9 161.9 157.4 152.9 190.5 525.3 506.2 487.2
124.5 169.6 164.7 160.1 193.0 539.8 517.1 494.9
127.0 179.6 173.3 169.2 195.6 563.8 534.3 504.8
129.5 189.1 183.3 177.8 198.1 584.2 547.0 510.3
132.1 200.0 193.7 187.8 200.7 600.6 556.6 513.5
134.6 210.0 202.8 197.3 — — — —
1 Raças grandes= Holandesa e Pardo Suiço; Raças médias = Guernsey e Ayrshire; Raças pequenas = Jersey.
Essenciais em Gado de Leite—Criação de Novilhas
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