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FUNDAÇÃO FRANCISCO MASCARENHAS FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS – FIP PROGRAMA DE ESPECIALIZAÇÃO (LATO-SENSU) CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL TECNOLOGIA ASSISTIVA COMO INSTRUMENTO DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NO AMBIENTE COMPUTACIONAL 2016 TECNOLOGIA ASSISTIVA COMO INSTRUMENTO DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NO AMBIENTE COMPUTACIONAL Trabalho de conclusão de curso – Artigo Científico apresentado ao Programa de Pós-Graduação Lato Sensu do Curso de Especialização em Psicopedagogia Institucional das Faculdades Integradas de Patos, em cumprimento às exigências para obtenção do título de Especialista. 2016 RESUMO Um grande desafio na atualidade é a inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais no ambiente escolar, onde na maioria das vezes, não acontece uma preparação da escola e de seus profissionais para que esses alunos encontrem recursos pedagógicos para as suas limitações. O sucesso de alunos com deficiência pode ficar comprometido pela falta de recursos e soluções que os auxiliem na superação de dificuldades funcionais no ambiente da sala de aula e fora dele. Isso nos alerta a fazer uma análise sobre a responsabilidade social e educacional de cada profissional do ensino, e nos remete a busca de recursos e adaptações que possibilitem o desenvolvimento do ensino / aprendizagem dessa pessoa com necessidades especiais. Um simples lápis engrossador que pode ser feito com espuma macia, pode possibilitar a escrita, desenho ou pintura de um aluno que tenha limitação motora. Para o cego, tocar os dedos no papel escrito em Braille, é o meio usado com excelência para a leitura e escrita. Em situações de comprometimento dos movimentos ou de fala, um computador pode servir de caderno e possibilitar a comunicação de pessoas que não falam e não escrevem. Tais recursos são considerados tecnologias assistivas, que pode ser entendida como qualquer recurso, produto ou serviço que favoreça a autonomia, a atividade e a participação de pessoas com deficiência, ou mobilidade reduzida. O desconhecimento desses recursos tem impedido que professores consigam proporcionar a esses alunos o uso dos mesmos. Nesse sentido, o presente artigo tem como objetivo discutir o uso da tecnologia assistiva e as inúmeras possibilidades que ela pode disponibilizar, para que alunos com graves comprometimentos comecem a realizar atividades ou desempenhar tarefas que, até bem recentemente, lhes eram inalcançáveis. Palavras-chave: inclusão, tecnologia assistiva, pessoas com deficiências. SUMARIO 1. INTRODUÇÃO......................................................................................................... 7 2. REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................................... 10 3. ACESSIBILIDADE AO COMPUTADOR POR PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS: FERRAMENTA PARA INCLUSÃO ....................................................................................................................... 10 4. RECURSOS DE ACESSIBILIDADE UTILIZANDO TECNOLOGIAS ASSISTIVAS.................................................................................................................... 11 5. METODOLOGIA....................................................................................................... 19 6 . CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................ 20 7 . REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................... 21 1 . INTRODUÇÃO O esforço pela inclusão social e escolar de pessoas com necessidades especiais no Brasil é a resposta para uma situação que perpetuava a segregação dessas pessoas e cerceava o seu pleno desenvolvimento. Neste contexto, o que se espera é que estes alunos participem de todas as atividades da escola. Até o início do século vinte e um (21), o sistema educacional brasileiro abrigava dois tipos de serviços: a escola regular e a escola especial - ou o aluno frequentava uma, ou a outra. Na última década, nosso sistema escolar modificou-se com a proposta inclusiva e um único tipo de escola foi adotado: a regular, que acolhe todos os alunos, apresenta meios e recursos adequados, e oferece apoio àqueles que encontram barreiras para a aprendizagem. Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam, no mundo inteiro, mais de 600 milhões de pessoas com deficiência, ou seja, 10% da população global. No Brasil, 24,6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, de acordo com o Censo de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o número de idosos ultrapassa 16 milhões de pessoas e deve dobrar em 20 anos, o que tornará o Brasil o sexto país em população idosa do mundo. Tais estatísticas nos ajudam a compreender o tamanho do desafio envolvido na construção de uma sociedade inclusiva, que pressupõe o respeito às diferenças, a valorização da diversidade humana e a garantia do acesso universal aos direitos, sem barreiras ou limitações de natureza socioeconômica, cultural ou em razão de alguma deficiência. As pessoas com deficiência, em sua maioria, foram excluídas das escolas, do mercado de trabalho e convivência social, e por muito tempo se teve a visão da deficiência como um problema individual, onde cabia ao próprio deficiente a responsabilidade de adaptar-se para viver em sociedade. No modelo inclusivo, cabe à sociedade adaptar-se para acolher as diferenças e a promoção das condições de acesso para todos, seja aos serviços coletivos de saúde, educação, trabalho, locomoção, segurança etc. Se faz preciso entender que as pessoas com deficiência querem, antes de tudo, inclusão e direitos. Como destacou Vygotsky, é sumamente relevante para o desenvolvimento humano o processo de apropriação, por parte do indivíduo, das experiências presentes em sua cultura. O autor enfatiza a importância da ação, da linguagem e dos processos interativos na construção das estruturas mentais superiores (VYGOTSKY, 1987). O acesso aos recursos oferecidos pela sociedade, escola, tecnologias, etc., influencia determinantemente nos processos de aprendizagem da pessoa. No entanto, as limitações do indivíduo com deficiência tendem a tornar-se uma barreira a este aprendizado. Desenvolver recursos de acessibilidade seria uma maneira concreta de neutralizar as barreiras causadas pela deficiência e inserir esse indivíduo nos ambientes para a aprendizagem. Outras dificuldades que as limitações de interação trazem, são os preconceitos a que o indivíduo com deficiência está sujeito. Desenvolver recursos de acessibilidade também pode significar combater esses preconceitos, pois, no momento em que lhe são dadas às condições para interagir e aprender, explicitando o seu pensamento, o indivíduo com deficiência mais facilmente será tratado como um "diferente-igual"... Ou seja, "diferente" por sua condição de pessoa com deficiência, mas ao mesmo tempo "igual" por interagir, relacionar-se e competir em seu meio com recursos mais poderosos, proporcionados pelas adaptações de acessibilidade de que dispõe. É visto como "igual", portanto, na medida em que suas "diferenças", cada vez mais, são situadas e se assemelham com as diferenças existentes entre todos os seres humanos. É fato que as novas Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de nossa cultura e, sua utilização, um meio concreto de inclusão e interação no mundo (LEVY, 1999). Essa constatação é ainda mais evidente e verdadeira quando nos referimos às pessoas com deficiência. Nesses casos, as TICs podem ser utilizadas ou como Tecnologia Assistiva, ou através de Tecnologias Assistivas. Estudos naárea da Cibercultura (Lemos, 2007, Lévy, 1999), apresentam uma nova perspectiva de compreensão da relação entre corpo e tecnologia. Enquanto na “vida real” o corpo determina a identidade e as formas de socialização, no ciberespaço a identidade é ambígua, sem certezas em relação a gênero, raça, idade e, assim, possibilita novas formas de sociabilidade. No espaço virtual, o corpo desaparece, dando lugar a espectros que circulam como informações e, assim, “livre de todos os constrangimentos físicos, o corpo torna-se puro símbolo digital” (Lemos, 2007, p. 174). Destaca-se que o termo “virtual” pode ser entendido a partir de três diferentes perspectivas. Comumente, o termo faz referência ao que não é real, aquilo que não existe em termos físicos; também remete as questões técnicas, especialmente relacionado a área da informática. Entretanto, pode ser entendido a partir de uma perspectiva filosófica, onde virtual significa algo que existe em potência e não em ato e, assim, o virtual não se opõe ao real, mas ao atual, levando-se em conta a possibilidade de territorialidade (Lévy, 1999). Esta questão implica na compreensão de que uma informação na Web está fisicamente disponível em algum lugar, seja computador, servidor, mas virtualmente presente em cada ponto da rede onde for solicitada. O computador se torna então um potencializador da informação. É somente na tela, ou em outros dispositivos interativos, que o leitor encontra a nova plasticidade do texto ou da imagem, uma vez que o texto em papel já está realizado por completo. A tela vira uma nova “máquina de ler”, o lugar onde uma reserva de informação possível vem se realizar por seleção aqui e agora, para um leitor particular. Toda leitura em computador é uma edição, uma montagem singular (Lévy, 1996). Considerando que nos espaços virtuais o corpo físico não é mais determinante da identidade e que as tecnologias da informação e comunicação (TICs), especialmente o computador, oportunizam diferentes formas de interação, participação e socialização, este artigo visa estudar o uso das tecnologias assistivas (TA) como um precioso instrumento de auxilio às pessoas com necessidades especiais. 2 . REFERENCIAL TEÓRICO Tecnologia Assistiva - TA é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão. (BERSCH & TONOLLI, 2006). Num sentido amplo percebemos que a evolução tecnológica caminha na direção de tornar a vida mais fácil. Sem nos apercebermos utilizamos constantemente ferramentas que foram especialmente desenvolvidas para favorecer e simplificar as atividades do cotidiano, como os talheres, canetas, computadores, controle remoto, automóveis, telefones celulares, relógio, enfim, uma interminável lista de recursos, que já estão assimilados à nossa rotina e, num senso geral, “são instrumentos que facilitam nosso desempenho em funções pretendidas”. Conforme o conceito adotado pelo Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência de Portugal (SNRIPD) em seu Catálogo Nacional de Ajudas Técnicas (CNAT)1, a tecnologia assistiva, também chamada de ajudas técnicas, é: [...] qualquer produto, instrumento, estratégia, serviço e prática utilizado por pessoas com deficiência e pessoas idosas, especialmente produzidas ou geralmente disponíveis para prevenir, compensar, aliviar ou neutralizar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem e melhorar a autonomia e a qualidade de vida dos indivíduos. A TA deve ser entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência ou pelo envelhecimento. Podemos então dizer que o objetivo maior da TA é proporcionar à pessoa com deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação de sua comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente, habilidades de seu aprendizado e trabalho. Portanto, são considerados como tecnologia assistiva desde artefatos simples, como uma colher adaptada ou um lápis com uma empunhadura mais grossa para facilitar a preensão, até sofisticados programas especiais de computador que visam à acessibilidade. 3. ACESSIBILIDADE AO COMPUTADOR POR PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS: FERRAMENTA PARA INCLUSÃO O computador é um dispositivo eletrônico que recebe informações, processa e as devolve ao usuário como resultado. Os recursos de entrada: Por meio dos "recursos de entrada" são introduzidos comandos e instruções no computador. Habitualmente utiliza-se o teclado e o mouse para esta função, mas esses instrumentos requerem habilidades motoras, como o uso das mãos e dos dedos e habilidades visuais, como a localização das teclas, a posição do cursor no monitor e a visualização de áreas ou botões que deverão ser ativados. Os recursos de processamento: O computador utiliza-se de hardware (circuitos eletrônicos dedicados) e software (programas com seqüências de instruções lógicas) para fazer o processamento das informações que recebe e devolver respostas ao seu usuário. Os recursos de saída: Através dos "recursos de saída" recebemos do computador os resultados do processamento solicitado. Os principais recursos de saída são o monitor, os alto-falantes e a impressora, que exigem do usuário habilidades visuais e auditivas. Na maioria das vezes, os recursos de entrada e saída do computador utilizados pela maioria dos usuários, mostram-se inadequados aos alunos com deficiência. Alguns alunos poderão necessitar de recursos especiais que os auxiliarão a utilizar o computador de forma autônoma. Esses recursos podem estar relacionados a algumas habilidades deste aluno: • Habilidade de introduzir informações no computador; • Habilidade de perceber os sinais visuais e auditivos emitidos pelo computador e, • Habilidade de processar as informações (entender comandos e conteúdos). Para selecionar os recursos de acessibilidade mais adequados ao usuário é preciso considerar as habilidades do aluno e a tarefa que ele deseja ou necessita executar. 4. RECURSOS DE ACESSIBILIDADE UTILIZANDO TECNOLOGIAS ASSISTIVAS As tecnologias de informação e comunicação vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de nossa cultura e, sua utilização, um meio concreto de inclusão e interação no mundo, essa afirmação fica mais evidente quando nos referimos a pessoas com deficiências. Nesses casos, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) podem ser utilizadas como tecnologia assistiva, ou por meio de tecnologia assistiva. Utilizamos as TICs como tecnologia assistiva quando o próprio computador é a ajuda técnica para atingir um determinado objetivo. Um exemplo é o computador utilizado como meio eletrônico para o indivíduo que não consegue escrever no caderno comum de papel. O computador é uma ferramenta muito importante no processo de inclusão, no entanto, ele apresenta muitas barreiras de acesso. Os alunos com deficiência necessitarão encontrar meios que os auxiliem a superar dificuldades, como as de inserir informações e comandos no computador, perceber sinais visuais e auditivos e entender instruções e conteúdos. Existem diferentes adaptações e formas de utilização da tecnologia assistiva com fins de promover essa interação no computador, para pessoas com diferentes graus de comprometimento motor, sensorial e/ou de comunicação e linguagem. Essas adaptações podem ser de diferentes ordens, como, por exemplo: [...] adaptações especiais como tela sensível ao toque ou ao sopro, detector de ruídos, mouse alavancado à parte do corpo que possui movimento voluntário e varredura automática de itens em velocidade ajustável, permitem seu uso por virtualmente todo portador de paralisia cerebral, qualquer que seja o grau de seu comprometimentomotor (CAPOVILLA, 1994; MAGALHÃES et al.,1998). Busca-se aqui apresentar mais detalhadamente algumas dessas ajudas técnicas utilizadas para o uso do computador e da internet em ambiente de aprendizagem aos alunos com necessidades educacionais especiais. Conforme tem sido detectado: A importância que assumem essas tecnologias no âmbito da Educação Especial já vem sendo destacada como a parte da educação que mais está e estará sendo afetada pelos avanços e aplicações que vêm ocorrendo nessa área para atender necessidades específicas, face às limitações de pessoas no âmbito mental, físico-sensorial e motoras com repercussão nas dimensões sócio-afetivas. (Santarosa, 1997). Para esta apresentação, é utilizada a classificação proposta pelo Programa Informática na Educação Especial (InfoEsp), das Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador, na Bahia, que sistematiza o estudo desses recursos propondo situá-los em três grupos: Adaptações físicas ou órteses: São todos os aparelhos ou adaptações fixadas e utilizadas no corpo do usuário e que facilitam a interação do mesmo com o computador. Órteses são equipamentos colocados nas mãos, braços ou pernas dos usuários com o objetivo de obter melhor posicionamento e facilitar a função do membro. Exemplos de órteses de membro superior, utilizadas no computador, são as órteses de extensão de punho, órteses de abdução do polegar, faixas restringidoras de ombros e ponteiras fixadas à mão. Quando buscamos a postura correta para um aluno com deficiência física, em sua cadeira adaptada ou de rodas, utilizando almofadas, ou faixas para estabilização do tronco, antes de ser iniciado o uso do computador, já estamos utilizando recursos ou adaptações físicas muitas vezes bem eficazes para auxiliar no processo de aprendizagem dos alunos. Uma postura correta é vital e é pré-requisito para um trabalho eficiente no computador. Algumas pessoas com sequelas de paralisia cerebral têm o tônus muscular flutuante, o que faz com que o processo de digitação se torne lento e penoso pela amplitude do movimento dos membros superiores na digitação. Um recurso que pode ser utilizado é a pulseira de pesos, que ajuda a reduzir a amplitude do movimento causado pela flutuação do tônus, tornando a digitação mais rápida e eficiente. Os pesos na pulseira podem ser acrescentados ou diminuídos em função do tamanho, idade e força do usuário. Pode também usar um estabilizador de punho e abdutor de polegar, que é utilizado principalmente para pessoas com paralisia cerebral que apresentam essas limitações. Além dessas adaptações físicas e órteses, existem várias outras que também podem ser úteis, dependendo das necessidades específicas de cada pessoa, como por exemplo, os ponteiros de cabeça, ou hastes fixadas na boca ou no queixo, quando existe o controle da cabeça, entre outras. Adaptações de hardware: São todos os aparelhos ou adaptações presentes nos componentes físicos do computador, nos periféricos, ou mesmo quando os próprios periféricos, em suas concepções e construção, são especiais e adaptados. Quando realizamos adaptações nos periféricos, na parte física do computador, as adaptações de Hardware, antes de se buscar comprar acionadores especiais ou mesmo periféricos especiais, são fundamentais procurar viabilizar, quando possível, soluções que utilizem os próprios “acionadores naturais” do computador, que são o teclado, o mouse e o microfone. Um dos recursos mais simples e eficientes para a adaptação de hardware é a máscara de teclado ou colméia. Trata-se de uma placa de plástico ou acrílico com um furo correspondente a cada botão do teclado, que é fixada sobre o aparelho, a uma pequena distância, com a finalidade de evitar que o usuário com dificuldade de coordenação motora pressione, involuntariamente, mais de uma tecla ao mesmo tempo. Essa pessoa deverá procurar o furo correspondente à tecla que deseja pressionar. A ampliação das letras e números do teclado auxilia o usuário a localizar as teclas com maior facilidade. As letras podem ser impressas em etiqueta adesiva e inseridas gradativamente quando o usuário estiver em processo de alfabetização. Pessoas com dificuldade de coordenação motora associada à deficiência intelectual também podem utilizar a máscara de teclado junto com “tampões” de papelão ou cartolina que deixam à mostra somente as teclas que serão necessárias para o trabalho em função do software que será utilizado. Desta maneira, será diminuído o número de estímulos visuais (muitas teclas), que podem tornar o trabalho muito difícil e confuso para algumas delas devido a dificuldades pessoais de abstração ou concentração. Vários tampões podem ser construídos, disponibilizando diferentes conjuntos de teclas, de acordo com o programa a ser utilizado. Podemos utilizar teclados reduzidos a teclados ampliados. O reduzido pode ser usado quando o usuário tem boa coordenação, mas pequena amplitude de movimento, não conseguindo levar as mãos em todas as teclas do teclado convencional. O teclado reduzido pode possuir um tamanho bastante inferior a de um teclado convencional. O teclado ampliado auxilia os usuários com dificuldades motoras que possuem movimentos amplos e pouco coordenados e os usuários com baixa visão. As teclas são maiores que as convencionais, as letras são ampliadas e podem ter cores diferentes. Outras adaptações simples que podem ser utilizadas dizem respeito ao próprio posicionamento do equipamento. Outra solução empregada é reposicionar o teclado perto do chão para digitação com o pé, recurso utilizado por um usuário que não pode digitar com as mãos. Quanto ao uso do mouse, as adaptações do convencional podem ser: Ajustes na posição ou tamanho do mouse; O mouse pode ser colocado mais próximo ao usuário para facilitar o seu acesso; Pode-se utilizar um mouse de tamanho menor ao convencional quando o usuário for uma criança; Pode ser utilizado um pedaço de velcro na tecla esquerda do mouse para auxiliar o usuário a clicar no botão correto; Pode ser colocada uma alça de velcro em volta da mão do usuário para manter a mão posicionada adequadamente no mouse. E assim, diversas variações e adaptações podem ser feitas nos periféricos para facilitar o trabalho do aluno, sempre, é claro, em função das necessidades específicas de cada aluno. Softwares especiais de acessibilidade São os componentes lógicos das TICs quando construídos como tecnologia assistiva, ou seja, são os programas especiais de computador que possibilitam ou facilitam a interação da pessoa com deficiência com a máquina. Alguns dos recursos mais úteis e facilmente disponíveis, mas muitas vezes ainda desconhecidos, são as opções de acessibilidade do Windows. Com esses recursos, diversas modificações podem ser feitas nas configurações do computador, adaptando-o as diferentes necessidades dos alunos. Por exemplo: um aluno que, por dificuldades de coordenação motora, não consegue utilizar o mouse, mas pode digitar no teclado, tem a solução de configurar o computador, nas opções de acessibilidade, para que a parte numérica à direita do teclado realize os mesmos comandos na seta do mouse. Além do mouse, outras configurações podem ser feitas, como a das teclas de aderência e de alto contraste na tela, para pessoas com baixa visão. Outros exemplos de softwares especiais de acessibilidade são os simuladores de teclado e os de mouse. Todas as opções de comando e movimento do mouse e do teclado podem ser exibidas na tela e selecionadas, de forma direta ou por varredura automática que o programa realiza sobre todas as opções. Trata-se de simuladores que podem ser operados de forma bem simples, além de serem programas muito “leves”. Com esse simulador de teclado e de mouse, um aluno pode começar a trabalhar no computador, aprender a ler e escrever expressando melhor seu potencial cognitivo, permitindo para alguns, pela primeira vez na vida, escrever, desenhar, jogar e realizar diversas atividades que antes lhe eram impossíveis, permitindo que sua inteligência, antes aprisionadaem um corpo extremamente limitado, encontrasse novos canais de expressão e desenvolvimento. Esses simuladores também podem ser acionados por ruídos pequenos ou movimentos voluntários feitos por diversas partes do corpo, por piscadas ou movimento dos olhos, com o uso de outros acionadores, entretanto, alguns alunos têm dificuldades na articulação ou na sincronicidade exigida na emissão desses sons ou ruídos no microfone. A solução encontrada é acoplar ao microfone, por meio de fitas adesivas, um daqueles pequenos brinquedos infantis de borracha que produzem sons quando são pressionados, dessa forma, o aluno pode comandar a varredura pressionando o brinquedo com a parte do corpo na qual possua melhor controle (mão, pé, joelho, cabeça etc.). Com a pressão, o brinquedo emite o som no microfone, que aciona a varredura. Outro recurso bem simples, porém bastante útil como as adaptações nos mouses comuns, é a instalação de plugues laterais, disponibilizando, por meio de pinos, uma extensão do terminal de acionamento do botão esquerdo do mouse. Um simples clique nesse botão do mouse é suficiente para que o usuário possa desenvolver qualquer atividade no computador, comandando a varredura automática de um software, tal como escrever, desenhar, navegar na internet, mandar mensagens por e-mail, entre outros. Normalmente os softwares especiais de acessibilidade que funcionam com varredura automática aceitam o teclado, o mouse e/ou o microfone como acionadores dessa varredura. Atualmente, é possível controlar a seta do mouse apenas com o movimento do nariz, movimento esse captado por uma webcam comum, ou seja, uma pessoa tetraplégica que mantenha o controle da cabeça, pode realizar qualquer atividade apenas por meio de sua movimentação, sem necessidade de nenhum equipamento especial e por intermédio de um software gratuito que pode ser baixado pela internet, dentre estes destacarei alguns: HeadDev Desenvolvido pela Fundação Vodafone, é um software gratuito; A interação homem-computador é realizada por meio de uma webcam USB convencional, que reconhece os movimentos e gestos do rosto do usuário, onde é utilizada a área do nariz para o movimento do mouse; Também pode fazer uso de um teclado virtual. CameraMouse Programa gratuito, desenvolvido pelo Boston College (USA). Necessita de um computador com webcam, onde ela capta os movimentos do rosto, que passa a mover o ponteiro do mouse. Motrix Criado pelo NCE/UFRJ, em que permite que pessoas com deficiências motoras graves, em especial tetraplegia e distrofia muscular, possam ter acesso ao computador, por meio de comandos que são falados num microfone. Com o avanço das tecnologias, surgiram vários softwares que se propõem a auxiliar as pessoas com deficiência visual; entre eles, podem-se citar alguns como: Tactus É um programa utilizado para realizar a transcrição para o Braille, de textos editados no editor de texto do Windows. Zoom text É um software que foi criado para aumentar o tamanho das letras do computador, permitindo seu uso por pessoas com visão reduzida. Easy Tecnologia desenvolvida para mediar às interações entre pessoas com deficiência visual e o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) Moodle. O Easy foi projetado seguindo padrões de acessibilidade que permitem ao indivíduo portador de deficiência visual, por intermédio dos leitores de tela, capturar as informações existentes no Moodle e interpretá-las. Também os cegos já podem utilizar sistemas que fazem a leitura da tela e de arquivos por meio de um alto-falante, teclados especiais que têm pinos metálicos que se levantam formando caracteres sensíveis ao tato e que “traduzem” as informações que estão na tela ou as que estão sendo digitadas e impressoras que imprimem caracteres em Braille. Com o surgimento da informática foram surgindo uma gama de novos equipamentos, que estão melhorando consideravelmente a qualidade de vida das pessoas com deficiência visual. É o caso do Braille Falado, terminal Braille, das impressoras Braille, dos computadores munidos de avançados sintetizadores de voz, e dos scanners, entre outros. A seguir, estão descritas algumas ferramentas: Impressoras Braille Existem diversos modelos, tanto para uso individual como para grandes e médias empresas. O objetivo desse hardware é imprimir no formato Braille, as informações contidas em qualquer documento no formato digital. Terminal Braille (Display Braille) O display é representado por uma ou duas linhas, compostas por caracteres em Braille. É responsável pela reprodução dos dados gráficos exibidos na tela do computador, permitindo que a informação possa ser “lida” pelo tato, facilitando a navegação, sem frustrar a pessoa com deficiência visual por não enxergar o design das figuras que estão na internet. Braille Falado Equipamento informatizado de pequeno porte, com sete teclas, na disposição convencional de uma máquina Braille. O Braille Falado pode assumir a funcionalidade de um sintetizador de voz quando acoplado a um computador, ou ainda ser utilizado para transferir e receber arquivos. Pode funcionar como calculadora, agenda eletrônica e cronômetro. 5 . METODOLOGIA Para realização desse trabalho foi utilizado o método de pesquisa bibliográfica em e-books, sites, periódicos e outros suportes referentes ao tema. 6 . CONSIDERAÇÕES FINAIS A concretização da educação inclusiva é, no momento, um grande estímulo para os pesquisadores interessados na melhoria da qualidade da educação visando um futuro como cidadão atuante. Esta opção de inserção redimensiona, descontextualiza os problemas e nos remete a novas perspectivas e enfoques do cenário educacional e profissional. É importante ressaltar que as decisões sobre a tecnologia assistiva e os recursos de acessibilidade a serem utilizados devem partir de estudo pormenorizado e individual com cada pessoa com deficiência. Ele deve ser iniciado por análise detalhada e pela escuta aprofundada de suas necessidades, para, a partir desse ponto, escolher os recursos que melhor respondam a essas necessidades. Enfim, fica claro que o uso de todas essas possibilidades e recursos da tecnologia assistiva representa acesso ao enorme potencial de desenvolvimento e aprendizagem de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Esse indivíduo poderá dar passos maiores em direção à eliminação das discriminações, como consequência do respeito conquistado com a convivência, aumentando sua autoestima, porque passa a poder explicitar melhor seu potencial e pensamentos. Criar para essas pessoas novos recursos de acessibilidade, novos ambientes, é na verdade construir uma “nova sociedade”, uma sociedade as inclua em seus projetos, não significa apenas propiciar o crescimento e a auto realização das pessoas com deficiências, mas, principalmente, é possibilitar para essa sociedade crescer, expandir-se, humanizar-se por meio das riquezas de maior e mais harmonioso convívio com as diferenças. 7 . REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS GALVÃO FILHO, Teófilo A. e DAMASCENO, Luciana L., A Tecnologia Assistiva em Ambiente Computacional e Telemático na Educação de Alunos com Necessidades Especiais http://www.galvaofilho.net/assistiva/assistiva.htm. Acesso em: 02/07/2016. GALVÃO FILHO, Teófilo A. e DAMASCENO, Luciana L., Tecnologia Assistiva para autonomia do aluno com necessidades educacionais especiais, Revista INCLUSÃO, Brasília: Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (SEESP/MEC), ano 2, n. 02, p. 25-32, 2006. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revistainclusao2.pdf. Acesso em: 10/07/2016. GALVÃO FILHO, Teófilo A. Tecnologia Assistiva para uma Escola Inclusiva: apropriação, demandas e perspectivas. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009. (disponível em: www.galvaofilho.net/tese.htm). Acesso em: 20/07/2016. Tecnologia Assistiva. Disponível em: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/tecnologia_assistiva.pdf.>Acesso em: 20/07/2016. Assistiva – Tecnologia e Educação. Disponível em: http://www.assistiva.com.br/. Acesso em: 22/07/2016. http://novaescola.org.br/formacao/palavra-especialista-desafios-educacao-inclusiva-foco-redes-apoio-734436.shtml. Acesso em: 10/08/2016. http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=622. Acesso em: 10/08/2016. LÉVY, P. O que é virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.