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HISTÓRIA DE EDUCAÇÃO PROF. MS. LUDOVINO LOPES DE SOUZA 1. Cite os objetivos das missões. E, quais foram as missões que mais se destacaram? p. 163. Desde o século XVI e durante o XVII, o modelo de catequese dos índios alterava-se, com o confinamento dos indígenas nas reduções ou missões, povoamentos com organização bem complexa, que incluía conversão religiosa, educação e trabalho. As que mais se destacaram foram as missões da Amazônia e, ao sul, as da região do rio da Prata. 2. Comente sobre a educação da elite pelos jesuítas no século XVII. p. 164-165. O ensino jesuítico manteve a escola conservadora, alheia à revolução intelectual representada pelo racionalismo cartesiano e pelo renascimento científico. Centrada no nível secundário, a educação visava à formação humanística, privilegiando o estudo do latim, dos clássicos e da religião. Não faziam parte do currículo escolar as ciências físicas ou naturais, bem como a técnica ou as artes. A educação interessava apenas a poucos elementos da classe dirigente e, ainda assim, como ornamento e erudição. Era literária, abstrata – além de dogmática –, afastada dos interesses materiais, utilitários, e até estranha, por tentar trazer o espírito europeu urbano para um ambiente agreste e rural. Com o tempo, a educação atendia a um segmento novo, o da pequena burguesia urbana que aspirava à ascensão social. 3. Comente sobre a reforma pombalina no Brasil. p. 191-192. A partir de 1772 teria sido implantado o ensino público oficial. Quando a Coroa nomeou professores, estabeleceu planos de estudo, inspeção e modificou o curso de humanidades, típico do ensino jesuítico, para o sistema de aulas régias de disciplinas isoladas, como ocorrera na metrópole. Para o pagamento dos professores, o governo instituiu o “subsídio literário”, a fim de gerar recursos que “nem sempre foram aplicados na manutenção das aulas”, segundo Sérgio Buarque de Holanda. As vantagens proclamadas pelo ensino reformado decorriam da intenção de oferecer aulas de línguas modernas, como o francês, além de desenho, aritmética, geometria, ciências naturais, no espírito dos novos tempos e contra o dogmatismo da tradição jesuítica. De acordo com a historiografia tradicional, o marquês de Pombal não conseguira de imediato introduzir as inovações de sua reforma no Brasil, após ter desmantelado a estrutura jesuítica, o que teria provocado o retrocesso de todo o sistema educacional brasileiro. Para Fernando de Azevedo (2005, p. 31), a “ação reconstrutora de Pombal não atingiu senão de raspão a vida escolar da colônia”, após a expulsão dos jesuítas. No entanto, os estudos mais recentes descobriram na colônia um movimento mais rico, embebido com as ideias iluministas, sobretudo na obra Emílio ou Da Educação de Rousseau. 4. Fale sobre o ensino mútuo ou monitorial. p. 202-203. O ensino mútuo ou monitorial (de Bell e Lancaster) destinava- se a crianças pobres, o qual propunha “um só mestre para mil alunos”. O sistema consistia em reunir um grande número de alunos em um galpão e, agrupá-los de acordo com o seu adiantamento em leitura, ortografia e aritmética. Para que o sistema funcionasse, havia rígida disciplina. A entrada era em fila organizada, após o toque do sino, e um apito chamava a atenção dos indisciplinados. Falava-se baixo, havia cartazes e quadros bem como cartões de sinalização, para indicar a sequência dos trabalhos, que todos da mesma “classe” deveriam cumprir ao mesmo tempo. O único professor, do alto de um estrado, supervisionava o andamento das aulas e interferia quando necessário. Esse processo barateava os custos e conseguia impor rígida disciplina, mas os resultados não eram dos melhores, como se pode imaginar, já que os monitores eram escolhidos entre os alunos. 5. Comente sobre positivismo e educação, dando ênfase as ideias de Spencer. p. 206. Para o positivismo (Augusto Comte), a educação deveria levar em conta, em cada indivíduo, as etapas que a humanidade percorrera: o pensamento fetichista (imaginação; fantasia) da criança seria superado pela concepção metafísica (argumentação), e esta, finalmente, pela positivista, no momento em que atingisse a idade madura. Spencer (1820-1903), além da influência positivista, incorporou o evolucionismo de Darwin. Portanto, para ele a educação, como tudo no mundo, sofre um processo evolutivo em que o ser revela suas potencialidades. Essa convicção baseia-se na ideia de progresso, que parte do pressuposto segundo o qual as coisas têm em germe aquilo que elas serão, bastando existir condições para serem desencadeadas. Spencer escreveu a obra Educação, que obteve muita popularidade. Nela considera o ensino das ciências o centro de toda educação, não só em termos de transmissão de conhecimentos, como da formação mesma do espírito científico. Na sua obra prevalece o interesse pelas questões utilitárias, em franca oposição ao ensino humanista tradicional. 6. Segundo o materialismo dialético, quais são as tarefas para os educadores enquanto não se realiza a ação revolucionária? p. 209. Segundo o materialismo dialético, existem tarefas para os educadores enquanto não se realiza a ação revolucionária. Por exemplo: a luta pela democratização do ensino (universal) e pela escola única (não dualista), isto é, sem distinção entre formar e profissionalizar; a valorização do pensar e de fazer, em que o saber esteja voltado para a transformação do mundo; e, a desmistificação da alienação e da ideologia, ou seja, a conscientização da classe oprimida (proletariado). 7. Aponte e comente sobre as ideias de Pestalozzi. p. 209-210. Pestalozzi é considerado um dos defensores da escola popular extensiva a todos. Como bom discípulo de Rousseau, estava convencido da inocência e bondade humanas. Para Pestalozzi, o indivíduo é um todo cujas partes devem ser cultivadas: a unidade espírito-coração-mão corresponde ao importante desenvolvimento da tríplice atividade conhecer-querer- agir, por meio da qual se dá o aprimoramento da inteligência, da moral e da técnica. Daí a importância dos métodos para a organização do trabalho manual e intelectual. A criança tem potencialidades inatas, que serão desenvolvidas até a maturidade, tal como a semente que se transforma em árvore. Semelhante a um jardineiro, o professor não pode forçar o aluno, mas ministrar a instrução “de acordo com o grau do poder crescente da criança”. Ou seja, o método para educar funda-se em um pricípio simples: seguir a natureza. 8. Aponte e comente sobre as ideias de Froebel. p. 210-211. Sua principal contribuição pedagógica resulta da atenção para com as crianças na fase anterior ao ensino elementar, ou seja, a educação da primeira infância. Pioneiro, fundou os kindergarten (jardins de infância), em alusão ao jardineiro que cuida da planta desde pequenina para que cresça bem, pressuposto que os primeiros anos são básicos para a formação humana. Froebel privilegiava a atividade lúdica por perceber o significado funcional do jogo e do brinquedo para o desenvolvimento sensório-motor e inventou métodos para aperfeiçoar as habilidades. A fim de estimular os impulsos criadores na atividade lúdica, inventou cuidadoso equipamento, de acordo com a fase em que se encontravam as crianças. As construções da primeira série foram por ele chamadas dons. Os dons são materiais destinados a despertar a representação da forma, da cor, do movimento e da matéria. O primeiro e mais universal “dom” é a bola; o segundo, a bola, o cubo e o cilindro; o terceiro é formadopela divisão dos cubos desmontáveis. 9. Com a mudança da Corte para o Brasil, em 1808, quais foram as transformações culturais e educacionais. p. 221. Com a mudança da Corte para o Brasil, em 1808, as transformações culturais e educacionais foram: a imprensa régia (1808), a biblioteca (1810) – futura Biblioteca Nacional, o Jardim Botânico do Rio (1810), o Museu Real (1818) e, a criação da Escola Nacional de Belas Artes sob a influência cultural francesa. As primeiras medidas a respeito da educação tomadas por D. João VI assim que chegou ao Brasil, em 1808, foram a criação de escolas de nível superior para atender às necessidades do momento, ou seja, formar oficiais do exército e da marinha (para a defesa da colônia), engenheiros militares, médicos, e a abertura de cursos especiais de caráter pragmático. 10. Comente sobre o ensino elementar no século XIX. p. 222-224. No século XIX, a situação era bastante caótica no ensino elementar. O contexto brasileiro era marcado pelo modelo econômico predominantemente agrário e, por uma grande população rural analfabeta composta sobretudo de escravos. Motivados pelos ideais da Revolução Francesa, os deputados aspiravam a um sistema nacional de instrução pública. Em 15 de outubro de 1827 foi instituída a lei que determina a criação de escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugarejos, escolas de meninas nas cidades e vilas mais populosas. Essas escolas implantaram o método de ensino mútuo ou monitorial. Embora na Constituição outorgada de 1824 houvesse referência a um “sistema nacional de educação”, esse projeto não foi contemplado em 1827. Sem a exigência de conclusão do curso primário para o acesso a outros níveis, a elite educava seus filhos em casa, com preceptores. Para os demais segmentos sociais, restava a oferta de poucas escolas cuja atividade se restringia à instrução elementar: ler, escrever e contar. Segundo o relatório de Liberato Barroso, apoiado em dados oficiais, em 1867 apenas 10% da população em idade escolar se matriculara nas escolas primárias. 11. Comente sobre o ensino secundário no século XIX. p. 224-225. No que se refere ao ensino secundário, porém, ocorreu uma pseudodescentralização, pois em 1837 foi fundado no Rio de Janeiro o Colégio D. Pedro II, que ficou sob a jurisdição da Coroa. Destinado a educar a elite intelectual e a servir de padrão de ensino para os demais liceus do país, esse colégio era o único autorizado a realizar exames parcelados para conferir o grau de bacharel, indispensável para o acesso aos cursos superiores. Essa distorção fez com que o ensino secundário se desinteressasse da formação global dos alunos, tornando-se ainda mais propedêutico. Como agravante, os demais liceus provinciais precisavam adequar seus programas aos do colégio-padrão, inclusive usando os mesmos livros didáticos. Muitas vezes nem chegava a haver currículo nessas escolas, mas sim aulas avulsas das disciplinas que seriam objeto de exame. 12. Fale sobre a reforma de Leôncio de Carvalho. p. 225. Leôncio de Carvalho, “o inovador de ensino mais audacioso e radical do período do Império”, segundo Fernando de Azevedo, estabeleceu normas para o ensino primário, secundário e superior na reforma de 1879. Nessa lei, defendia a liberdade de ensino (inclusive sem a fiscalização do governo), de frequência, de credo religioso (os não católicos ficavam desobrigados de assistirem às aulas de religião), a criação de escolas normais e o fim da proibição de matrículas de escravos. Estimulou ainda a organização dos colégios com propostas divergentes, como, por exemplo, os de tendência positivista, que, valorizando as ciências, pudessem superar o ensino acadêmico e humanista da tradição colonial. Teve a iniciativa de sugerir a adoção do método intuitivo ou de lições das coisas. Mas, nem todas essas propostas se efetivaram. 13. Comente sobre o ensino superior no século XIX. p. 226-227. Os cursos superiores, mesmo quando transformados em faculdades, permaneceram como institutos isolados, sem que houvesse interesse na formação de universidades (que só surgiriam no século XX). De qualquer forma, a atenção especial dada ao ensino superior reforçava o caráter elitista e aristocrático da educação brasileira, que privilegiava o acesso aos nobres, aos proprietários de terras e a uma camada intermediária, surgida da ampliação dos quadros administrativos e burocráticos. Os cursos jurídicos eram os que mais atraíam os jovens na segunda metade do século XIX, época de ouro do bacharel, cujo prestígio vinha sobretudo do uso da tribuna. A camada intermediária procurava esses cursos, não só para seguir a atividade jurídica, mas para ocupar funções administrativas e políticas ou dedicar-se ao jornalismo. Além disso, o diploma exercia uma função de “enobrecimento”. 14. Fale sobre a formação de professores no século XIX. p. 227. Para melhorar a formação de mestres, foram fundadas as escolas normais. A primeira delas foi a Escola Normal de Niterói (1835), capital da província do Rio de Janeiro. Funcionava precariamente com um só professor e poucos alunos. Fechou em 1849 por falta de alunos, para retornar mais tarde às atividades. O descaso pelo preparo do mestre fazia sentido em uma sociedade não comprometida em priorizar a educação elementar. Outra causa que agia contra a formação adequada de mestres era o costume de nomear funcionários públicos sem concurso, devido à troca de apoio, forma de clientelismo que sempre existiu – e continua existindo – no Brasil dos laços de família e dos favores que estimulam a prática de nepotismo e protecionismo. Geralmente as escolas normais ofereciam apenas dois a três anos de curso, muitas vezes de nível inferior ao secundário. Para ingressar, bastava saber ler e escrever, ser brasileiro, ter 18 anos de idade e bons costumes.