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NEIVA DE ALENCAR DE SALMERON PERÍODO DE DILATAÇÃO PERÍODO EXPULSIVO SECUNDAMENTO PERÍODO DE GREENBERG É o período que vai desde a dequitação da placenta até a volta do organismo materno às condições pré- gravídicas, quando ocorrem os processos involutivos anatômicos e fisiológicos. REZENDE : IMEDIATO – ATÉ 10º DIA. TARDIO – 11º AO 45º DIA. REMOTO – APÓS 45º DIA. HENTSCHEL ORGÂNICO - ATÉ 90 DIAS. SOCIAL – 4-6 meses PSICOLÓGICO - SEM TÉRMINO PRECISO. Estado geral Sistemas cardiovascular Digestivo Hematopoiético Urinário Respiratório Neuropsiquico Osteoarticular Tegumentar Endócrino e metabolismo Exaustão Franca sudorese Calafrios (liberação de catecolaminas/bacteremia) Aumento da temperatura (36,8 à 37.9 °C) Pulso (50-60bpm) aumento brusco do retorno venoso. Retorno brusco do retorno venoso(EAP) Tendência à hipotensão(rápida descompressão abdominal) Deslocamento do ictus para a linha mamilar Progressivamente desaparecem os sopros O volume sanguíneo retorna ao normal (6 semanas) A pressão venosa cai bruscamente Normalização da topografia gástrica (melhora do esvaziamento) Flacidez da musculatura abdominal justifica permanência da constipação. Aumenta o ácido clorídrico Alterações edematosas da gengiva regridem Com o retorno progressivo das vísceras abdominais ao seu sítio anatômico de origem, e a diminuição da ação progesterônica na musculatura lisa do tubo digestivo, diminuindo-Ihe o peristaltismo, tende a regredir o quadro de obstipação freqüente durante a gestação. O tempo de esvaziamento gástrico que se encontrava aumentado, também tende a normalizar-se. O relaxamento da musculatura abdominal e perineal, a episiotomia e hemorróidas, podem retardar a primeira evacuação pós-parto. Nas pacientes submetidas a operação cesariana, a ocorrência temporária de íleo paralítico pode causar distensão, abdominal e obstipação por 48 ou 72 horas. Diminuição do volume sanguíneo Leucocitose- 15.000 a 20.000( neutrófilos) por 4-5 dias/ sem desvio para esquerda. Coagulabilidade aumentada até 15 dias. Plaquetas se elevam nos primeiros 3-5 dias. Fluxo plasmático renal, filtração glomerular e taxas de uréia e creatinina voltam ao normal. A atonia vesical favorece o acúmulo de urina residual. O EDEMA DO MEATO URINÁRIO PERDA DE SENSIBILIDADE PELA ANESTESIA AUMENTO DA DIURESE ESVAZIAMENTO INCOMPLETO DA BEXIGA. Descompressão do diagrama Retorno do tipo respiratório costal A taquipnéia relaciona-se com hipotensão e hipertermia. Algumas tem tendência a apresentar pele seca, queda acentuada de cabelo e unhas quebradiças. As estrias avermelhadas tornam-se brancas e diminuem seu tamanho. Os fenômenos de hiperpigmentação da face, das mamas e do abdome tendem a regredir rapidamente, podendo deixar alterações definitivas na coloração da pele. Os distúrbios no metabolismo de hidrato de carbono, de lipídios e protéico, voltam à normalidade já a partir da 1a semana, bem como o metabolismo basal. A puérpera experimenta uma grande perda de peso, 5 a 6 kg após o parto, e, com a normalização metabólica. Poderá perder mais 2 a 3 kg nos primeiros dez dias. fatores que influenciam a relação entre a mãe e a criança: características pessoais e sociais, planejamento ou aceitação da gravidez, apoio da família, saúde da criança. Manifestações de insegurança e sensação de incompetência adaptação a nova fase da vida; mudanças no estilo de vida, alterações de sono. Mudanças na vida social e interação do casal Com a dequitação da placenta a mulher perde, subitamente, a sua fonte produtora de estrógenos, uma vez que os ovários tinham sua função bloqueada durante a gravidez. Ainda por conta do hipoestrogenismo a puérpera irá experimentar um período de atrofia genital, denominado de "crise genital" até que os ovários retornem a sua função endócrina plena, período este variável e dependente da função da lactação. Perda da lordose Retorno parcial da flacidez e frouxidão articular da sínfise púbica A amamentação é o único fenômeno evolutivo do puerpério. Ocorre a apojadura 72hs após o parto. A queda dos hormônios esteróides que inibiam o efeito da prolactina, aliada a uma liberação aumentada da prolactina como efeito da sucção, determina o início da lactação o útero sofre rápida redução de tamanho e peso. logo após o parto pesa aproximadamente 1 kg passando para 500 g na primeira semana. imediatamente após o parto o fundo uterino está aproximadamente 2 cm abaixo da cicatriz umbilical, apresenta consistência endurecida em função das contrações. (globo de segurança de Pinard) a altura do útero diminui aproximadamente 1 cm por dia, por volta do 12º dia de puerpério o fundo uterino encontra-se logo acima da sínfise púbica. no parto vaginal a dilatação cervical que era de 10 cm passa para 3-4 cm nas primeiras horas e em 7 dias está nas condições pré-gestacionais. o orifício externo passa de uma abertura redonda e regular a uma fenda ligeiramente irregular e transversa. Contratura uterina Globo de Pinard Multíparas x primíparas Amamentação Cicatriz uterina consiste em secreções e sangue provenientes da cavidade uterina, colo e vagina. lóquios rubros: quando a secreção é de cor vermelho viva, consistindo de grande quantidade de sangue, persistindo de 3-4 dias. lóquios serossangüíneos (fusca): predominante secreção serosa de cor rosada, persiste 1-2 dias. lóquios flava e alba: os lóquios tornam-se serosos e evoluem para amarelados e esbranquiçados entre o 20º e 60º dias de puerpério. pela dilatação para a passagem do feto podem apresentar pequenas lacerações, equimoses e edema. a cicatrização é rápida pela grande vascularização. o edema é rapidamente absorvido. o anel himenal - porções irregulares de tecido conhecido por carúnculo mirtiforme. A musculatura pode sofrer distensões e lacerações que, num futuro próximo darão origem a distopias genitais, ocorrência evitada com exercícios pré e pós- natal desses grupos de músculos, e com adequada assistência obstétrica ao parto. Risco para infecção Integridade tissular prejudicada Dor aguda Conhecimento deficiente Risco para constipação Ansiedade Padrão de sono perturbado Risco para volume de líquido deficiente Medo Eliminação urinária prejudicada observar contração uterina, observar sangramento vaginal, observar condições da episiorrafia ou incisão de cesárea, acesso venoso controle dos sinais vitais coloração de mucosas registro das alterações condições de alta para enfermaria garantir ambiente tranqüilo para o repouso, controle de sinais vitais auxiliar, no banho de chuveiro, Higiene: banho por aspersão, higiene da vulva e períneo várias vezes por dia e após a micção e evacuação, usando água morna e sabão. Os absorventes devem ser trocadas várias vezes ao dia. avaliar involução uterina, anotar características dos lóquios (cor, odor, volume), avaliar cicatrização da incisão, avaliar condições do períneo, (compressas frias) observar eliminação urinária,verificar função intestinal, avaliar condições das mamas, examinar MMII observar aspectos psicológicos e relacionamento mãe-filho. banho e aparência (usar soutien e cintas), dieta, amamentação e cuidados com rn, deambulação e exercícios (para evitar tromboflebite e fortalecimento da musculatura abdominal/perineal), higiene da episiorrafia e incisão de cesárea com água e sabão, troca freqüente do absorvente, retornono puerpério e métodos anticoncepcionais. A visita domiciliaria da puérpera deverá ser realizada assim que ela chegar ao domicílio e até o 7º dia após o parto, visando acolher e garantir toda assistência de enfermagem. I - Identificar o tipo de parto e possíveis intercorrências; II - Ouvir e orientar a parturiente em relação às suas ansiedades, dúvidas e possíveis dificuldades; III - Identificar durante o exame físico: Característica de lóquios; Aspecto das mamas e incisão cirúrgica; Sinais de infecção puerperal; Coloração da mucosa; Avaliação da involução uterina; Verificar sinais vitais, avaliar a função intestinal e urinária; Avaliar presença de dor abdominal e cólica; Solicitar para que ofereça a mama, identificar a pega e aceitação do RN. Identificar a dinâmica familiar e a rede de apoio; Avaliar situação vacinal e encaminhar a parturiente, se necessário, para receber a dupla viral e 3ª dose da dT. Reforçar as orientações do planejamento familiar; Programar a consulta médica de puerpério para 40 dias. ATONIA UTERINA/ HEMORRAGIA PÓS- PARTO Distribuição dos óbitos maternos analisados pelo CEPCMMPRJ, segundo o período do puerpério em que ocorreu o óbito. Período do puerpério Freqüência Absoluta Freqüência Relativa Primeiro dia 43 51,8% Segundo dia 20 24,1% Do 3º ao 10º dia 14 16,9% Do 11º ao 42º dia 02 2,4% A partir do 42º dia 04 4,8% Total 83 100,0 ATONIA UTERINA Anormalidades Contração uterina ETIOLOGIA FATORES DE RISCO CLÍNICO Sobredistensão uterina Polidramnio Gestação múltipla macrossomia Exaustão do músculo uterino Parto rápido Parto prolongado Multiparidade Infecção intra-amniótica Febre materna RPMO prolongada Problemas funcionais ou Anatômico do útero Mioma uterino Placenta prévia Malformação uterina Hemorragia periparto ATONIA UTERINA MASSAGEM UTERINA -PROVA DE SUTURA -USO DE SUBSTÂNCIAS UTEROTÔNICAS Resultados de estudos sobre a eficácia do misoprostol via retal no controle da hemorragia pós-parto Autores Dose Eficácia Efeito colateral Jacobson ET. AL,1995 800 95% - Rapopous ET AL, 1996 1200 93% Febre Hancox & Carde, 1997 1600 92% - Sndoval ET AL, 2000 800 100% - RETENÇÃO DOS TECIDOS DA CONCEPÇÃO ETIOLOGIA FATORES DE RISCO CLÍNICO Retenção de produtos secundamento incompleto cirurgia uterina prévia multiparidade anormalidade uterina / USG Retenção de sangue na cavidade uterina Atonia uterina Hemorragia periparto •capacidade diagnóstica ( endereço da lesão) • habilidade do obstetra •acesso venoso •suporte de vida •tempo de execução •disponibilidade de sangue e hemoderivados •disponibilidade de leitos de UTI DECISÃO DIANTE DE QUADRO HEMORRÁGICO Hemorragia pós-parto ATENDIMENTO INICIAL RESUCITAÇÃO Oxigênioterapia Monitoramento (sinais vitais ( T,P,Re PA) Cateterismo venoso Saturação de oxigênio ETIOLOGIA Exploração do útero ( tônus, tecido. Etc) Avaliação de traumas história clínica Observar sangramento TESTES LABORATORIAIS Tipagem sanguínea Coagulograma ORIENTAÇÃO TERAPÊUTICA TÔNUS massagem compressão Drogas TECIDOS Remoção manual curagem TRAUMA Correção da inversão Reparo de laceração Identificação de rotura COAGULAÇÃO Reversão do quadro Anticoagulante Reposição de fatores TRATAMENTO CASOS GRAVES EQUIPE SENIOR Cirurgião Anestesista clínicos Laboratório CONTROLE LOCAL Masasgem manual Compresão vascular Embolização Desvascularização outras PRESSÃO E COAGULAÇÃO Cristalóide Sangue Sociedade Canadense de Ginecologia e Obstetrícia, 2001 Causas de Histerectomia Causas No % Atonía uterina 14 28,78 Sepsis pós cesárea 11 23,40 Rotura uterina 7 14,89 Sangramento pós-cesárea 6 12,76 Útero de Couvelaire 7 14,89 Acretismo placentário 1 2,12 Rivero Díaz e Fuentes González Rev Cubana Obstet Ginecol 1997;23(1):49-52 HISTERECTOMIA PUERPERAL INFECÇÃO Neiva Gomes de Alencar Infecção puerperal, o processo infeccioso que se instala nos 2 primeiros dias do puerpério, excluindo-se o primeiro dia, podendo atingir até o 10º dia pos-parto 1-Cirurgia Cesareana 2-Más condições de assepsia 3-Aminiorrexe prematura(perda de liquido aminotico) 4-Toques v aginais repetidos(exames) 5-Instrumental contaminado 6-Contaminação dos assistentes do ato obstétrico(médicos,emfermeiras,auxiliares) 7-Material: luvas, instrumental cirúrgico. 9-Paciente desnutrida(pré-natal? condições econômicas?) 10-Curetagens pós parto 11-Trabalho de parto prolongado(tempo decorido da rotura da bolsa das água,até o termino do parto. 12-Atividade sexual . 13-Déficit imunológico devido a infecções 14-Restos ovulares. Incisão da cicatriz da cesariana Incisão do local da episiotomia Endometrite(forma mais freqüente de infecção puerperal) Parametrite Pelviperitonite Peritonite(Íleo paralítico,distensão abdomem,Febre>40oC, Clínica exames laboratoriais ultrassonografia Tratamento a base de antibióticos Hidratação correção de anemia Cultura da secreções Antinflamatorios O fundamental para que uma infecção puerperal seja evitada, são os cuidados a serem tomados desde o pré-natal até o puerpério. São eles: Suprimir os focos de infecção da gestante; Uso rigoroso de técnicas assépticas durante o parto eo puerpério; Cultura dos lóquios da puérpera com hipertemia após as primeiras 24 horas de parto; Isolamento das puérperas febris para evitar contaminação de outras pacientes; Controle rigoroso de SSVV Acompanhamento dos exames laboratoriais Curativos em incisão Hidratação Amamentação? (avaliar possibilidades) Isolamento de contato DEPRESSÃO PÓS-PARTO PSICOSE PUERPERAL A gestação e o puerpério são períodos da vida da mulher que precisam ser avaliados com especial atenção, pois envolvem inúmeras alterações físicas, hormonais, psíquicas e de inserção social, que podem refletir diretamente na saúde mental dessas pacientes. Estudos recentes revelaram que transtornos psiquiátricos subdiagnosticados e não tratados em gestantes podem levar a graves conseqüências maternofetais, até mesmo durante o trabalho de parto. Estima-se uma prevalência de depressão na gravidez da ordem de 7,4% no primeiro, 12,8% no segundo e 12% no terceiro trimestre. (maternity blues) aparece em 50% a 85% das puérperas, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados (Cantilino, 2003). Um estudo com 1.558 mulheres detectou 17% das gestantes com sintomas significativos para depressão na gestação tardia, 18% no puerpério imediato e 13% entre a sexta e a oitava semanas do puerpério. A psicose puerperal é um quadro mais raro, e a incidência encontrada foi entre 1,1 e 4 para cada 1.000 nascimentos (Bloch et al., 2003). Os transtornos psiquiátricos puerperais são caracteristicamente classificados como: disforia do pós-parto (puerperal blues), depressão pós-parto e psicose puerperal (Chaudron e Pies, 2003). Acomete as mulheres nos primeiros dias após o nascimento do bebê, atingindo um pico no quarto ou quinto dia após o parto e remitindo de maneira espontânea, no máximo, em duas semanas. Inclui choro fácil, labilidade do humor, irritabilidade e comportamento hostil para com familiares e acompanhantes. Esses quadros normalmente não necessitam de intervenção farmacológica, e a abordagem é feita no sentido de manter suporte emocional, compreensão e auxílio nos cuidados com o bebê . As pacientes apresentam-se comhumor deprimido, choro fácil, labilidade afetiva, irritabilidade, perda de interesse pelas atividades habituais, sentimentos de culpa e capacidade de concentração prejudicada. Sintomas neurovegetativos, incluindo insônia e perda do apetite, são descritos com freqüência . Assim, sintomas como hipersonia, aumento de apetite, fadigabilidade fácil, diminuição do desejo sexual e queixas de dor e desconfortos em diferentes sistemas são de pouca utilidade para o diagnóstico de depressão nessa fase. A psicose puerperal costuma ter início mais abrupto. Estudos verificaram que 2/3 das mulheres que apresentaram psicose puerperal iniciaram sintomatologia nas duas primeiras semanas após o nascimento de seus filhos. descreve-se um quadro com presença de delírios, alucinações e estado confusional que parece ser peculiar aos quadros de psicose puerperal. Pode haver sintomas depressivos, maníacos ou mistos associados. No entanto, essas mulheres costumam apresentar comportamento desorganizado e delírios que envolvem seus filhos, com pensamentos de lhes provocar algum tipo de dano. Apesar de o suicídio ser raro no período puerperal em geral, a incidência deste nas pacientes com transtornos psicóticos nesse período é alta, necessitando muitas vezes de intervenção hospitalar por esse motivo, bem como pelo risco de infanticídio. Importância do diagnóstico precoce A decisão de oferecer tratamentos biológicos às gestantes é um processo decisório complexo que envolve uma interação constante entre paciente, família, obstetra e psiquiatra. A psicoterapia também pode ser uma aliada no que diz respeito a medidas de descontinuação ou redução de dose no tratamento farmacológico, diminuindo o risco de recaídas ou os sintomas depressivos na gestação. No entanto, é importante ressaltar que não é adequado descontinuar a farmacoterapia em casos mais graves ou recorrentes . Episódios depressivos leves ou depressão menor podem ter boa resposta ao tratamento psicoterápico, sendo benéfico às pacientes e ao feto tentar inicialmente o tratamento não farmacológico nesses casos.