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CENTRO UNIVERSITÁRIO PADRE ANCHIETA
REPRESENTAÇÃO PROFISSIONAL, CORPORATIVA E INSTITUCIONAL- O.A.B.
Jundiaí-SP
 2015
Ariane Borges
Érika Andressa Ramos Silva
Felipe Fausto Maia Reis
GabriellaOtilia R. Claro
Mayra Leticia Landim da Silva
Regiane Maia Reis
Trabalho acadêmico de graduação em Direito
do Centro Universitário Padre Anchieta, sob a orientação da 
Professora Lucia Helena.
Jundiaí-SP
 2015
SUMÁRIO
Introdução..........................................................................................................4
A CONSTITUINTE DE 1823 E OS CURSOS JURIDICOS 
A difusão da formação de uma cultura jurídica no Brasil Independente remete a dois fatores, a criação dos primeiros cursos jurídicos em 1827, que foi de grande importância para a consolidação da vida política e intelectual, e a fundação, em 1843, do Instituto dos Advogados do Brasil.
Após a proclamação da Independência e num momento de definição do Estado Nacional, durante os debates da Assembleia Constituinte de 1823, se iniciaram as discussões sobre a instalação de cursos jurídicos no Brasil.
Jose Feliciano, em sessão de 14 de Junho de 1823, apresentou uma indicação pioneira de instalação de uma Universidade no Império do Brasil. Em 19 de Agosto de 1823, a indicação se transformava no primeiro Projeto Lei que fundava e organizava uma Universidade no Brasil. A Indicação e o projeto de Lei colocados a apreciação, apresentaram, desde o início, problemas que agitariam a Assembleia nos meses seguintes. Parlamentares exaltavam as qualidades de suas terras natais sem chegar a conclusão alguma, até que em 4 de Novembro o projeto foi aprovado com emendas, decidindo pela localização das Universidades em São Paulo e Olinda.
A eloquência parlamentar em prol do aprimoramento intelectual foi frustrada com a dissolução da Constituinte, em 12 de Novembro de 1823. O Conselho do Estado, ficou encarregado de elaborar a Constituição, afinal outorgada em 1824 e não estudaria a instalação de Universidades no país.
CRIAÇÃO DOS CURSOS JURIDICOS
A Criação dos Cursos Jurídicos, era uma decorrência inevitável da militância liberal. Em 1825, por Decreto de 9 de Janeiro, o Imperador instituiu um curso jurídico na cidade do Rio de Janeiro. Curso esse que não chegou a ser inaugurado.
Em 1826 a questão foi retomada pelo Parlamento. Um projeto de nove artigos, e que receberia várias emendas, transformou-se na Lei de 11 de Agosto de 1827, era o encerramento de uma luta em favor da ideia de Jose Feliciano, sob forma de Universidade. Mais tarde o então Feliciano, também conhecido como Visconde de São Leopoldo, teve o nome diretamente ligado a lei que iniciava uma nova fase na cultura nacional.
Os mesmos estatutos elaborados por Visconde, regulariam os cursos de Ciências Jurídicas e Sociais da Academia de São Paulo e Olinda. A fundação, em 1843, do Instituto dos Advogados, assentaria em bases mais solidas a atuação desses bacharéis. A fundação do Instituto foi inspirada pelas entidades congêneres já existentes na França e Portugal, tendo como finalidade reunir cultores e agitadores do Direito, que viriam constituir a OAB, regularizar o serviço de administração da justiça e complementar a organização do Poder Judiciário. A maioria de seus fundadores era composta de graduados das primeiras turmas de Olinda e São Paulo.
A FUNDAÇÃO DO INSTITUTO DOS ADVOGADOS BRASILEIROS
Francisco Alberto Teixeira Aragão, Ministro do Supremo Tribunal de Justiça, havia proposto a fundação de uma entidade brasileira nos mesmos moldes da portuguesa, sugeriu então a criação de uma entidade que facilitasse o advento da Ordem dos Advogados. Ele próprio articularia o empreendimento, fundando na Corte, a Gazeta dos Tribunais, pois já se preocupava com a transparência dos atos da justiça e com as questões importantes do Direito. Logo após a criação, em sua primeira nota foi publicada a necessidade de uma Associação de Advogados e um mês depois a criação de uma corporação que reunisse e disciplinasse a classe de advogados.
Influenciados pelo estatuto da associação portuguesa, um grupo de advogados, juntamente a Teixeira de Aragão, organizou os estatutos do Instituto dos Advogados Brasileiros, o qual foi aprovado em 7 de Agosto de 1843. Em 21 de Agosto do mesmo ano, foi eleita a primeira diretoria do Instituto dos Advogados Brasileiros e Teixeira de Aragão foi agraciado com o título de Presidente Honorário.
O IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), conseguiu atingir o objetivo de auxiliar o Governo na organização legislativa e judiciaria do país, colocando-se como órgão de estudos e debates de questões legislativas e de jurisprudência. Sua atuação na vida nacional caminhou em estreita convergência com o projeto de construção do Estado Brasileiro.
Quanto a criação da Ordem dos Advogados, foram muitas as iniciativas para cumprir o que estabelecia o Artigo segundo do IAB. Foram vários os estudos e projetos elaborados pelo Instituto, mas todos foram detidos em sua marcha. 
CONTEXTO HISTORICO
A Primeira Republica de 1889-1930 não promoveu um aumento da participação popular na cena política, tal fato somente ocorreu após a Primeira Guerra Mundial com as mudanças na estrutura socioeconômica, promovida pela desvalorização do café e crescimento industrial, bem como as disputas nas sucessões presidenciais. Diante desse quadro, uma parte da população defendia uma Republica verdadeiramente liberal, com eleições livres, governo constitucional e plena liberdade civil.
A Revolução de 1930 fez surgir novas forças no cenário político, como os profissionais liberais e dos jovens políticos, que até então, formavam a Aliança Liberal e articulavam o Golpe de Estado, dentre estes Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Flores da Cunha, Lindolfo Collor, Francisco Campos, entre outros.
A CRIAÇÃO DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
Foi em meio a esse contexto e a aspiração de renovação e modernização do País, que se deu a criação da Ordem dos Advogados do Brasil, tendo como personagem central o procurador geral do Distrito Federal, André Faria Pereira, membro do Instituto dos Advogados, e que expos a Osvaldo Aranha (Ministro da Justiça) a necessidade de modificar e organizar a Corte de Apelação, tendo como objetivo a normatização e aumento da produtividade dos seus julgamentos. Incumbido de organizar projeto de decreto, incluiu um dispositivo no Art. 17, do Decreto nº 19.408 de 18 de Novembro de 1930, assinado por Getúlio Vargas, Chefe do Governo Provisório e referendado pelo Ministro da Justiça Osvaldo Aranha.
Como determinado no Decreto, a Ordem seria regida pelos estatutos votados pelo Instituto dos Advogados brasileiros e aprovados pelo Governo. Levi Carneiro, presidente do Instituto, nomeou uma comissão para elaboração do anteprojeto, o mesmo em 15 de Novembro de 1931, já como consultor- geral da Republica, emitiu seu parecer sobre o projeto do primeiro regulamento da Ordem dos Advogados, que foi aprovado em 14 de Dezembro do mesmo ano, pelo decreto nº 20.784. O artigo 4º do regulamento previa a criação do Conselho Federal para o exercício das atribuições da Ordem em todo território Nacional.
Diante das dificuldades encontradas em implantar a Ordem em todo território Nacional, os dispositivos regulamentares passaram a valer em 1º de Novembro de 1932
INSTALAÇÃO DO CONSELHO FEDERAL
Foi no mesmo prédio do Instituto dos Advogados Brasileiros que funcionou primeiramente o Conselho Federal da OAB. Sua primeira sessão preparatória foi realizada em Março de 1933, no mesmo mês ocorreu a segunda sessão preparatória, onde foi realizada a Eleição da Diretoria em que Levi Carneiro foi nomeado Presidente e AttilioVivacqua para secretaria geral. No mesmo dia, houve a instalação solene do Conselho Federal, completando a aparelhagem da OAB. O Regimento interno foi aprovado no dia 13 de março.
No dia 11 de Agosto, na Solenidade de Instalação da primeira sessão ordinária do ConselhoFederal, Levi discursou brilhantemente sobre a etapa vencida pela Instituição.
Levi e Vivacqua permaneceram a frente do Conselho por três mandatos. Suas ações concentraram-se principalmente na Organização da Instituição, solução de problemas de interpretação do Estatuto, Ordenamentos das seções estaduais e elaboração do Código de Ética (Aspiração já antiga da classe, aprovada em 25 de Julho de 1934).
PRIMEIROS ANOS
Durante o Governo de Vargas, Levi foi o representante da bancada dos profissionais liberais, durante os oito meses que se seguiu para a elaboração da “Carta Magna”, sendo o relator do capítulo sobre o “Poder Judiciário”. Alguns dispositivos por ele apresentado e destituídos no CF da OAB, não foram aprovados.
A OAB iniciou sua trajetória na defesa das liberdades democráticas e dos direitos humanos, diante dos acontecimentos políticos de 1935, marcada pelo estado de sitio e da Lei de Segurança Nacional. Indicou advogados para a defesa de líderes comunistas em defesa da liberdade e contra a violência do regime, na tentativa de resguardar a integridade física dos presos políticos, entretanto seus clientes só conseguiram liberdade com a anistia promovida em 1945.
Durante a Segunda Guerra Mundial, se manifestou em solidariedade dos norte-americanos e pedido do desagravo da soberania nacional, diante do afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães 
.
Na década de 1950, a OAB sofreu ameaças de perda de sua autonomia, com obrigatoriedade de prestar contas ao Tribunal de Contas da União, como tentativa de submissão ao Ministério do Trabalho.
Em 1975, Jose Ribeiro de Castro, presidente da entidade, escreveu “As Razoes da Autonomia da OAB”, onde elenca, os motivos pelos quais a independência e autonomia da instituição não pressupostos fundamentais para a finalidade expressa em seu Estatuto. Defesa da Constituição, do estado Democrático de Direito, dos Direitos humanos, da Justiça social, da boa aplicação das leis e da rápida administração da Justiça, além do aperfeiçoamento da cultura e instituição jurídicas.
O GOLPE DE 1964
A participação da OAB fez-se necessário diante da crise que se apresentava pela renúncia inesperada de Jânio Quadros, e o conflito diante dos legalistas que queriam empossar Jango e os que tentavam vetar sua volta ao país, o que deflagrou uma crise político militar. Nesse período a OAB temia a perda de garantias constitucionais, caso houvesse uma infiltração comunista no País. 
Embora nem sempre atendida, por diversas vezes, a entidade interveio, exigindo apuração de responsabilidade e denunciando os atentados a dignidade da pessoa humana, tanto em relação a prisões políticas, quanto a atos arbitrários promovidos pela censura ou outros mecanismos de coerção instituídos.
AS INSTALACOES DO CONSELHO FEDERAL DA OAB
A sede própria inaugurada em 12 de Dezembro de 2000, é instalada ao lado do prédio que abrigou o Conselho desde 1990, no Setor de Autarquias Sul de Brasília e oferece melhores condições para os advogados. O Conselho inaugurou em 26 de Abril de 2001 o espaço cultural da OAB, destinado a ser um local para divulgação da cultura, o espaço é aberto aos artistas, novos talentos e advogados que produzam arte em suas várias modalidades.
CERTIFICAÇÃO DIGITAL
No princípio do século XXI o Conselho Federal da OAB iniciou um processo de modernização, implantando a certificação digital, possibilitando ao advogado, a comunicação com os órgãos do Judiciário através da internet, gerando comodidade e menores custos, por meio deste instrumento, cada mensagem ou documento enviado eletronicamente chega ao destinatário “autenticado” com “firma reconhecida”.
CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA
“O CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, ao instituir o Código de Ética e Disciplina, norteou-se por princípios que formam a consciência profissional do advogado...”
 
“... e representam imperativos de sua conduta...”
 
Em seguida,
 
“... pugnar pelo cumprimento da Constituição e pelo respeito à lei, fazendo com que esta seja interpretada comretidão...”
 
Logo após,
 
“... aprimorar-se no culto aos princípios éticos...”
 
Adiante, no art.1º,
 
“O exercício da advocacia exige conduta compatível com os preceitos deste Código, do Estatuto, do Regulamento Geral, dos Provimentos e com os demais princípios da moral individual, social e profissional”.
 
                   Como se vê, a Deontologia advocatícia nacional se alicerça, solidamente, não apenas na compatibilidade de conduta meramente moral profissional com os preceitos éticos tratados pelo Código, mas, também, com todos os demais princípiosmandamentais da moral individual e social.
 
                   Com isso, o Código de Ética do Advogado abriu um leque de tal magnitude que vai cobrar comportamento moral compatível do advogado, em sua vida particular (=individual) e em seu agir público (=social), além, naturalmente, do relevante aspecto e igualmente importante aspecto profissional.
 
                   O fato do Código de Ética dos Advogados elencar grande número de preceitos que, caso transgredidos, constituem infrações éticas, não implica dizer que nomeou todas as possíveis transgressões, em “numerusclausus”.
 
                   A enumeração das condutas eticamente condenáveis, feita pelo Código de Ética, é meramente exemplificativa. 
 
                   A contemplar como possível fonte de infrações éticas, a conduta moral individual e social do advogado, o Código de Ética abriu oportunidade para a OAB examinar o comportamento ético da pessoa e do ser social advogado e, não apenas, doprofissional advogado que se acha inscrito.
 
                   Veja-se que o art.33, de nosso Estatuto, a Lei nº 8.906/94, que vem a estabelecer o fundamento de validade legal do Código de Ética Profissional do Advogado, prescreve que,
 
Art.33: - O advogado obriga-se a cumprir, rigorosamente os deveres consignados no Código de Ética.
Parágrafo único: - O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a comunidade, o cliente, o outro profissional e, ainda,publicidade, a recusa do patrocínio, o dever de assistência jurídica, o dever geral de urbanidade e os respectivos procedimentos disciplinares.
 
                   Ao exegeta apressado, essa disposição legal poderia parecer que estabelece os limites precisos dos mandamentos éticos a serem depositados no Código Deontológico do Advogado, de tal forma a não mais se poder abri-los para considerações outras, sobre outros temas que não aqueles enumerados no parágrafo único do art.33 da lei.
 
                   Entretanto, mencionado raciocínio e conclusão não são verdadeiros. Verifique-se que o próprio Estatuto regulamentador da profissão dos advogados abre as portas para levar em consideração toda a incomensurabilidade e mutação da moralidade humana quando, nos itens XXV e XXVII, do art.34, diz que é infração disciplinar “manter conduta incompatível com a advocacia” e“tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia”.
 
                   Esses dois dispositivos legais já escancaram a possibilidade da própria OAB, por intermédio de seus órgãos de apuração ético-disciplinar, constituída de seus próprios integrantes, estabelecer quais são as condutas que, mesmo não estando expressamente previstas no Código de Ética, constituem, todavia, comportamentos eticamente reprováveis.
 
                   Já se argumentou, de modo equivocado, “data vênia”, que, em tese, nem todas as infrações disciplinares seriam infrações éticas, porém, que todas as infrações éticas seriam, necessariamente, infrações disciplinares. Isso porque nosso Estatuto, a Lei n.8.906/94, exige-nos rigorosa observância aos preceitos do Código de Ética dos Advogados, sem que o Código de Ética, por seu turno, tenha absorvido todas as infrações éticas nomeadas na lei. Assim, a infração ética seria sempre uma infração disciplinar, mas nem sempre o ilícito disciplinar seria uma falta ética.
 
                   Por outro lado, muitas das condutasdisciplinarmente reprováveis que são nomeadas pelo Estatuto, não são contempladas pelo Código de Ética. Dessa forma, muitas faltas seriam puramente disciplinares, enquanto que as faltas éticas seriam sempre de natureza disciplinar por força do prescrito em lei. 
 
                   Discussão estéril essa. Todo dispositivo legal válido, que não seja produto de tirania, tem a precedê-lo, fundamentá-lo e validá-lo, um conteúdo ético que lhe é imanente e inarredável.
 
                   Nosso Estatuto, ao se referir a conceitos tão amplos e etéreos como aqueles embutidos nas expressões “conduta incompatível com a advocacia” e “moralmente inidôneo para o exercício da advocacia”, como capazes de configurar ilícitos disciplinares, apenas revela que as infrações disciplinares são, “in prima ratio”, essencialmente éticas.
 
                   Conduta e moral são domínios da Ética. Só pela Ética se pode explicar o significado de conduta incompatível e moralmente inidôneo. Então, todas as infrações disciplinares são infrações éticas, assim como todas as infrações éticas são igualmente infrações disciplinares.
 
                   Ademais disso, ao usar expressões de conteúdo tão subjetivo como “conduta incompatível” e “moralmente inidôneo”, o legislador aceitou a impossibilidade óbvia de contemplar todos os tipos de comportamentos humanos nos estreitos limites da norma positivada. Diante da falta de alternativa, não teve outra opção senão a de deferir aos órgãos disciplinadores da OAB a magna tarefa de explicar o que isso possa vir a ser ou significar.
 
                   E para tanto, só deixou uma alternativa eticamente válida para que os órgãos disciplinadores da OAB se desincumbissem de tão dignificante, conquanto que tão pesada prerrogativa: - transformarem-se em Tribunais de Honra quando isso e outras contingências profissionais, pessoais e sociais dos advogados estiverem sendo julgadas e decididas.
 
                   Essa, seguramente, é uma das mais penosas responsabilidades ontológicas, no âmbito corporativista, que a lei deferiu àOAB: - a possibilidade da própria classe, através de seus órgãos adequados, julgar e decidir qual o tipo de conduta de seu igual que receberá o carimbo precioso, ou terrivelmente vergonhoso, de ser eticamente recomendável ou eticamente censurável. Seguramente uma empreitada de demiurgo.
 
                   Eis a razão porque, no âmbito da disciplina da atividade advocatícia, somente a OAB é competente para punir seus integrantes, como veremos.
EXIGENCIAS PARA PERTENCER AOS QUADROS DA OAB
Dentre as exigências para pertencer aos quadros da OAB, o estudante de Direito deverá ser aprovado no Exame de Ordem OAB, que é realizado (três) vezes por ano em todos os Estados brasileiros.
Para conquistar o direito de advogar, além de ter o diploma de bacharel em direito é necessário passar no exame de ordem. Oexame de ordem OAB foi criado em 1963, por meio da Lei nº 4.215 e tornou-se obrigatório a partir de 1994, quando passou a vigorar o estatuto da OAB.
Todo estudante de Direito conhece o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas a prova gera muitas dúvidas sobre como é elaborado, quem pode fazer e quanto custa. O Exame de Ordem é uma avaliação obrigatória para todo bacharel em Direito que quer exercer a profissão de advogado, demonstrando que tem capacidade e conhecimento necessários para advogar.
ETAPAS DE REALIZAÇÃO DO EXAME DE ORDEM
O Exame de Ordem da OAB é realizado três vezes ao ano, sendo composto por duas fases, objetiva e Prático Profissional, realizadas em datas diferentes.
1º Fase: Objetiva
A primeira fase do exame de ordem OAB é objetiva, composta de 80 questões de múltipla escolha que abordam os conteúdos previstos no currículo obrigatório do curso de direito e tem caráter eliminatório. Para passar para a etapa seguinte é preciso acertar, no mínimo, 50% do teste. É nesta etapa que a maioria dos candidatos não consegue avançar.
Por ser uma prova extensa e as questões sempre com mais que uma resposta que parece ser a correta, dificulta bastante a vida dos candidatos que não se prepararam adequadamente para fazer a prova.
2º Fase: Prático Profissional
Já a segunda fase do exame de ordem OAB é uma prova prático-profissional, que contém uma peça processual e quatro questões, em forma de situações-problema, compreendendo uma das áreas de opção do bacharel, indicada no momento da inscrição: administrativo; civil; constitucional; do trabalho; empresarial; penal; ou tributário. A escolha dessas opções é feita pelo examinando no ato da inscrição para o exame.
Nessa etapa é permitido consultar a legislação, súmulas, enunciados, orientações jurisprudenciais e precedentes normativos. Para o candidato fazer a segunda etapa do Exame de Ordem, é preciso acertar metade da prova (40 questões) e quem não for aprovado pode se inscrever e fazer a edição seguinte. 
Na segunda parte dessa fase, é preciso responder a cinco questões práticas, sob a forma de situações-problema, relativas a área de opção do examinando. Para ser aprovado, o candidato deverá acertar, no mínimo, 60% da prova.
SOBRE O EXAME DE ORDEM
O Exame da OAB foi criado em 1963, mas só foi regulamentado por lei em 1994 com a instituição do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, que atribui à OAB a competência para organizar a avaliação. Em 2006, o Exame de Ordem foi unificado nacionalmente, facilitando o processo.
A inscrição para o Exame da Ordem dos advogados abre cerca de um mês antes da data da prova e custa R$ 200,00.
QUEM PODE FAZER O EXAME DE ORDEM OAB?
Bacharel em Direito que tenha concluído o curso de Direito reconhecido pelo MEC ou que esteja pendente de colação de grau; e facultado ao bacharelando matriculado no último ano do curso de graduação em Direito reconhecido pelo MEC.
Estar sediado no âmbito territorial da OAB ou ter domicílio eleitoral no Estado em que prestará o exame, comprovado por meio do número do Título de Eleitor fornecido no ato da inscrição.
DADOS DO EXAME DE ORDEM OAB COM BASE NA FGV
FGV revela quem passa no Exame da OAB
Recentemente, a Fundação Getulio Vargas, em seu núcleo de concursos, revelou dados importantes para muitas pessoas. Trata-se de alguns dados relativos a faculdades, matrículas, inscrições no Exame de Ordem, bem como as reprovações em tal certame.
Esse relatório é como um manual de instruções, ou uma radiografia feita do II ao XIII Exame Nacional de Ordem. Serve como base tanto para Professores e acadêmicos de cursos de direito, quanto a professores de cursos preparatórios e candidatos que prestam o Exame de Ordem.
Quem trabalha com estatística sabe que os dados apresentados em alguns tópicos são insuficientes para desenvolvermos conclusões definitivas. De qualquer maneira, temos revelado importantes indicativos para que possamos desenhar melhor ainda nossos caminhos no “preparar” para o Exame de Ordem.
Vamos a alguns dados.
A média de aprovação continua média no Exame de Ordem
17,5% – este é o numero médio de aprovados nos últimos onze exames. O pior cenário que tivemos foi no IX Exame (apenas 11,4% de aprovados) e o melhor foi no certame seguinte, X Exame, com 28,1% de aprovados.
O índice de aprovação dos candidatos revela-se menor, mas não tanto quanto os dos exames anteriores, organizados pelo CESPE/UNB. Mas esse índice pode nos levar a alguns problemas a serem detectados, são eles:
inflacionamento do número de advogados. Em 2004, tínhamos cerca de 415 mil advogados no Brasil; hoje, 2015, temos mais de 850 mil;
inflacionamento dos cursos de Direito. O Brasil tem mais de 1100 faculdade de Direito, enquanto o mundo tem menos de 1100, ou seja, temos mais faculdades de Direito no Brasil que o mundo todo;
o Exame ficou mais difícil;
a qualidade do preparo dos alunos, com grande quantidades de materiais e videoaulas de valor duvidoso e sem qualquer metodologia.
Os dois últimos motivos são os que mais me preocupam e com o qual podemos contribuir com os estudos dos alunos. De fato, ainserção de novas matérias e a redução do número de testes reduz a possibilidade de expansão temática em determinadas matérias tidas como essenciais. Penso que, com relação a esse tema, a OAB deveria ampliar a quantidade de questões para 100 testes novamente, elaborar questões mais curtas e apresentar no edital do Exame o temário das matérias que não são exigidas na segunda fase, como Direitos Humanos e Filosofia do Direito.
Com relação ao último motivo, penso que não adianta acumular no computador um amontoado de material para não estudá-lo ou não lê-lo. É preciso ter um direcionamento de estudo, como o que fazemos noCursoForum onde leciono e coordeno a OAB. A propósito, publiquei recentemente um texto sobre esse tema de estudos.
2. O vilão da segunda fase pode ser não saber escolher
Essa é a tabela dos candidatos aprovados na segunda fase por sua área de escolha.
Ouço alguns folclores nos corredores de faculdades e cursinhos que basicamente profetizam o seguinte:
“A melhor área para se prestar na segunda fase é Penal ou Trabalho, isso porque são matérias do dia a dia, vemos situações de violência reportadas cotidianamente, bem como estabelecemos relações laborais constantemente. Isso gera uma falsa aderência natural para o candidato que escolhe essas matérias.”
Dos folclores negativos, embora também envolvam relações cotidianas, temos o Direito Civil como líder. Quando alguém diz que irá prestar Civil na segunda fase:
“Você é louco? Civil? Você tem ideia de quantas peças existem em civil?”
Parece-nos que essa tabela sugere outra realidade, ao menos que prestar Trabalho ou Penal deve ser a opção daqueles que têm aderência natural à matéria. Inscrever-se nessas matérias sem qualquer aderência ou por uma visão parcial do que é a prova pode ser um erro. Mas não podemos perder o foco de que essas são as duas matérias mais procuradas, muitas vezes por candidatos indecisos ou que não tiveram um preparo adequado ao longo de sua graduação, inclusive.
Já em Direito Civil, que é líder de crítica é vice-líder de aprovação, não resta dúvida de que os candidatos que prestam essa disciplina têm aderência muito grande ao tema, haja vista o processo de desencorajamento realizado.
É preciso notar que aquelas matérias vistas como “novas” (Empresarial, Administrativo e Constitucional) vêm tendo um bom desempenho nos últimos exames, embora Empresarial, que teve um índice de quase 33% de aprovados no VI Exame, tenha obtido, no XIII certame, um índice baixíssimo, apenas 1,8%, o que também mostra uma sazonalidade na reprovação.
Contudo, essa tabela é encorajadora em Constitucional, que está não apenas no topo das normas, mas também no topo das aprovações: lidera praticamente todos os Exames, chegando a incríveis 41% no VII Exame. Um dado curioso é que Constitucional é uma das matérias menos procuradas para a segunda fase, segundo a própria OAB.
Não quero ser simplista dizendo que a melhor área para prestar na segunda fase é Direito Constitucional; quero que o aluno escolha sua área não pela simpatia a um professor, ou a um folclore, mas sim por sua aderência à matéria quando da sua escolha.
Como disse na abertura deste breve texto, temos aqui uma radiografia do Exame de Ordem. Para termos conclusões definitivas, provavelmente precisaríamos de uma tomografia computadorizada. Mas enquanto não temos toda essa tecnologia por parte da OAB, seguimos diagnosticando com os exames que nos são dados.
EXAME DE ORDEM EM NÚMEROS
atualizado:
II a XIII exame
Presidente l OAB Nacional
Marcus Vinicius Furtado Coelho
Vice-Presidente
Cláudio Pacheco Prates Lamachia
Secretário Geral
Claudio Pereira de Souza Neto
Secretário-Geral Adjunto
Cláudio Stábile Ribeiro
Diretor Tesoureiro
Antonio Oneildo Ferreira
Coordenador Nacional do
Exame da Ordem dos Advogados do Brasil
Leonardo Avelino
Educação superior no Brasil
Nos últimos 20 anos, o número de cursos e matrículas em graduação sofreu forte
expansão no Brasil, amparado pelo novo quadro normativo oferecido pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional,9 aprovada em 20 de dezembro de 1996
(Lei nº 9.394/96).10
A nova legislação, entre outros aspectos, removeu alguns obstáculos institucionais e
legais ao estabelecimento de instituições privadas de educação superior, incluindo
faculdades, centros universitários, faculdades integradas, institutos e centros de
ensino tecnológico.
Com o novo marco normativo, o número de Instituições de Ensino Superior (IES)
passou de 894 para 2.391 entre 1995 e 2013.11 No mesmo período, a participação
das instituições privadas saltou de 76,5% para 87,4% do total, de acordo com dados
recentemente disponibilizados pelo Censo do Ensino Superior. O número de cursos
de graduação, por sua vez, expandiu-se quase cinco vezes no período – de 6.252, em
1995, para 32.049, em 2013.
Além da expansão da oferta, houve também alterações significativas no perfil
socioeconômico do estudante universitário brasileiro, sobretudo nos estratos sociais
mais pobres. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad), a proporção dos estudantes do ensino superior que estavam na primeira
metade da distribuição de renda (isto é, os 50% mais pobres) passou de 6% para
19% entre 2001 e 2011.12
Esses avanços no campo educacional se traduzem na melhoria geral das condições
de vida da população brasileira. Conforme o Atlas do Desenvolvimento Humano
(2013),13 entre 1991 e 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal
(IDH-M) do Brasil elevou-se em 47,5%, passando de 0,493 para 0,727. Parte significativa desse desempenho se deveu à contribuição do componente “Educação”
do IDH-M14 e ao aumento do fluxo escolar de crianças e jovens, cujo subíndice
apresentou uma evolução de 128,3% no período avaliado.
Outro fator crucial para explicar o maior acesso à educação superior envolveu o
conjunto de políticas públicas e programas governamentais direcionados à sua
universalização, com destaque para a oferta de crédito estudantil (subsidiado)
e a concessão de bolsas de estudos. Destacam-se nesse âmbito: o Fundo de
Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies),15 o Programa Universidade
para Todos (ProUni),16 o Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão
das Universidades Federais (Reuni)17 e a Universidade Aberta do Brasil (UAB).18
Considerando-se apenas o Fies e o ProUni, o número de beneficiários em cursos
de graduação era de aproximadamente 1,7 milhão de estudantes em 2013. De
acordo com dados apresentados na Tabela 1, o número de estudantes subsidiados já
responde por 30,9% do total de matriculados em instituições privadas no país. Em
2010, essa cobertura era de apenas 10,7%.
Tabela 1 Número de Contratos Ativos, por programa
Ano Fies ProUni Total
% de
matrículas
subsidiadas em
instituições
privadas
Como resultado desse processo, entre 2001 e 2012, a taxa líquida de matrícula no
ensino superior, calculada como a porcentagem de matrículas da população de 18 a
24 anos no ensino superior,19 subiu de 16,4% para 30,4%. Em 2012, o número de
pessoas com nível superior era de 14,2 milhões, o equivalente a 12% da população
com 25 anos ou mais (Gráfico 1).
Acompanhando esse novo contexto socioeconômico e o novo quadro regulatório,
o número de cursos de graduação em Direito elevou-se de 235 para 1.158, entre
1995 e 2012, o equivalente a uma média de 54 novos cursos a cada ano. Como
se nota a partir do Gráfico 2, essa expansão foi particularmente forte entre 1998 e
2007, estabilizando-se no último quinquênio da série (2008-2012).20 Desde 2012,
entretanto, a criação e manutenção dos cursos de Direito encontra-se sujeita a um
rígido controle de qualidade imposto pelo MEC.
Com a expansão da oferta de cursos, as matrículas também cresceram de forma
significativa no período. De acordo com os dados apresentados no Gráfico 3, o
número de matrículas em cursos de graduação na área jurídica elevou-se de 215
mil para 737 mil entre 1995 e 2012, o equivalentea um crescimento de 242,3%
no período. Dado o papel crescente do setor privado na oferta de novas vagas,
a proporção de matrículas em cursos em instituições privadas também cresceu,
atingindo 87,9% do total no último ano da série.
Com relação ao número de concluintes de cursos de graduação em Direito,
informações apresentadas no Gráfico 4 apontam crescimento da ordem de 260%
no período analisado. Somente em 2012, cerca de 98 mil indivíduos concluíram o
bacharelado no país.
Panorama do ensino superior em Direito
Considerando-se dados mais recentes do Inep (2012) sumarizados na Tabela 2, o
curso de graduação em Direito estava presente em 880 das 2.416 IES (36,4% do
total), a maioria privadas (88,4%). Em número, apenas 11,6% dessas instituições
eram públicas. Os 1.158 cursos de graduação em Direito representavam 3,6% do total
de cursos disponíveis no país (31,9 mil). Em 2012, apenas um curso era oferecido na
modalidade de Ensino a Distância (EAD).22
Considerando-se todas as áreas, programas e cursos de graduação presenciais
registrados no Censo do Ensino Superior de 2012, Direito era o terceiro mais
oferecido do país, atrás apenas de Administração e Pedagogia.
Em termos de fluxo, os cursos de graduação em Direito foram responsáveis pela
abertura de 217,5 mil vagas via processos seletivos (média de 187,9 novas vagas por
curso) e pela acomodação de mais de 737 mil matrículas (10,5% do total). Em 2012,
cerca de 98 mil indivíduos concluíram a graduação na área (9,3% do total). Com
isso, Direito consolida sua posição como segundo curso mais demandado pelos
estudantes de graduação, em termos de matrículas, e o terceiro que mais forma a
cada ano no país.
Em termos de distribuição regional, 484 municípios (8,7% dos 5.565 municípios
brasileiros) contavam com ao menos um curso de graduação em Direito em 2012.
Como se nota no Gráfico 5, a Região Sudeste concentrava 43,9% da oferta nacional,
liderada por São Paulo (com 221 cursos), Minas Gerais (143) e Rio de Janeiro (95).
A concentração regional também se reflete no plano municipal: dos 484 municípios
(8,7% dos 5.565 municípios brasileiros) que ofereciam o curso de graduação em
Direito em 2012, a maioria (310) dispunham de apenas um curso de graduação na
área, com apenas 18 que ofereciam dez ou mais alternativas.
Como evidenciado no Gráfico 6, dentre os municípios com maior dotação de cursos
de graduação em Direito, destacavam-se as capitais: São Paulo (60), Rio de Janeiro
(49), Belo Horizonte (28), Brasília (26) e Salvador (24), todas com mais de 20 cursos.
Perfil socioecônomico dos examinandos inscritos e dos aprovados
O processo de inscrição no EOU envolve o preenchimento de um formulário que
inclui um conjunto de informações de cunho demográfico e socioeconômico a
respeito de cada examinando. Com base em análises desse banco de dados, esta
seção busca traçar o perfil dos inscritos, comparando-os com as informações relativas
aos examinandos aprovados no mesmo período.
Uma vez que os dados passaram a ser coletados a partir do VII EOU, as análises
apresentadas a seguir foram baseadas nos dados informados pelos 833,1 mil
examinandos inscritos entre o VII e o XIII EOU. Desse total, 135,9 mil examinandos
(16,3%) foram aprovados.
Como apresentado no Gráfico 7, as mulheres, embora maioria entre os inscritos (53,8%),
apresentaram um desempenho ligeiramente inferior ao observado entre os candidatos do
sexo masculino em termos de taxa de aprovação média (15,9%, contra 16,7%).
Com relação à estrutura etária, a maior parte dos examinandos apresentava, no ato
da inscrição, entre 20 e 25 anos, incluindo 33,6% (279,5 mil) dos inscritos e 51,9%
(70,6 mil) dos aprovados (Gráfico 8). Considerando-se as sete edições avaliadas,
a taxa de aprovação média dos integrantes deste grupo etário foi de 25,3%, nove
pontos percentuais acima do desempenho médio dos examinandos (16,3%). Como
evidencia o Gráfico 8, o desempenho de cada grupo varia inversamente à faixa etária:
quanto mais idade, menor a taxa de aprovação de seus integrantes.
Com efeito, ao se considerarem as três primeiras faixas etárias (isto é, examinandos
com até 30 anos), a proporção de inscritos e de aprovados correspondeu,
respectivamente, a 55,7% e 72,5% do total. A taxa de aprovação média dos
examinandos, por sua vez, reduz-se para 21,3%, e a diferença para o desempenho
médio no Exame cai para cinco pontos percentuais.
Interessante observar que os examinandos mais jovens (com até 20 anos), a despeito
de contabilizarem o menor número de inscritos e aprovados no Exame de Ordem,
corresponderam ao grupo etário com melhor desempenho nas sete edições avaliadas,
com taxa de aprovação média de 31,1% – quase o dobro da média geral.
Aos examinandos também foram requisitadas informações com respeito à
autodeclaração de cor, cujos resultados são apresentados no Gráfico 9. Em termos
de representatividade no Exame, 64,7% dos inscritos declararam-se brancos e
32,5% negros. Amarelos e indígenas representaram, conjuntamente, apenas 2,8%
dos inscritos. Entre os aprovados, a representatividade daqueles que se declararam
brancos foi de 68,9%, negros corresponderam a 28,7%, e amarelos e indígenas 2,4%.
Como se nota, em termos de desempenho, entre o VII e XIII EOU, a taxa de aprovação
média foi maior entre aqueles que se declararam brancos (17,5%), seguidos por
amarelos (15,6%), negros (14,4%) e indígenas (12%).
O quantitativo de inscritos e aprovados segundo o tipo de escola em que cursaram
o ensino médio também revela nuances importantes com relação ao desempenho
no EOU. Como é possível notar a partir dos dados oferecidos no Gráfico 10, a
seguir, 51,5% dos inscritos (428 mil examinandos) frequentaram integralmente ou
a maior parte do ensino médio em escolas públicas; 43,8% (365 mil) estudaram
integralmente ou a maior parte em escolas privadas e 4,7% estudaram tanto em
escolas públicas quanto em privadas.
No conjunto de examinandos aprovados, por sua vez, 53,4% estudaram integralmente
ou em maior parte em escolas privadas; 44% estudaram em escolas públicas e 2,6%
passaram pelos dois tipos de escola durante o ensino médio.
Com relação ao desempenho, as taxas de aprovação mais elevadas foram observadas
entre aqueles que estudaram integralmente em escolas privadas (22,6%). Já entre
os que estudaram integralmente em escolas públicas, a taxa de aprovação média
entre o VII e o XIII EOU foi de 15,4%, abaixo do desempenho médio de todos os
examinandos considerados (16,3%).
De acordo com o Gráfico 11, o desempenho no EOU também varia com o rendimento
familiar do examinando. Para aqueles que informaram rendimento familiar entre 4,5
e 30 salários mínimos ou mais, por exemplo, a taxa de aprovação média é superior à
média geral nos exames avaliados (isto é, acima de 16,3%). De forma diversa, entre
os que reportaram rendimento familiar de até 4,5 salários mínimos, o desempenho
observado (1,8%) foi inferior à média geral.
O nível de escolaridade do pai do examinando também estabelece uma correlação
direta com o desempenho observado nas provas. Segundo dados dispostos no
Gráfico 12, as maiores taxas de aprovação entre o VII e XIII EOU foram observadas
entre os examinados cujo pai possuía nível educacional mais elevado.
Em termos de distribuição percentual, 46,7% dos inscritos e 53,3% dos aprovados
informaram que o pai havia concluído ao menos o ensino superior (incluindo
graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado). Comparativamente, enquanto
a taxa de aprovação média deste grupo era de 18,6%, a proporção média de
examinados aprovados cujo pai havia cursado até o ensino médio era de 14,3%.
Outra variável considerada nesta avaliação é a escolaridade do examinando no ato de
inscrição. Como evidenciado no Gráfico 13, as taxas de aprovação observadas foram
maiores entre os estudantes de graduação do 9º e 10º períodos (respectivamente,
29,8% e 19,8% – média de 24,8%) e do 5º ano (23,5%). Comparativamente,os bacharéis em Direito – maioria no Exame – apresentaram desempenho
significativamente inferior (12,6%).
Em termos de representatividade, os bacharéis correspondem a 67,7% dos inscritos e
52,5% dos aprovados. Estudantes de 10º período representam 14,2% dos inscritos e
17,2% dos aprovados; estudantes de 9º período perfazem 11% do total de inscritos e 20%
do total de aprovados; e estudantes de 5º ano 7,1% dos inscritos e 10,3% dos aprovados.
A próxima seção apresenta os principais resultados das últimas edições do Exame
Unificado da OAB, destacando a evolução do número de inscritos, e demais
informações pertinentes ao desempenho dos inscritos nas modalidades das provas
e das seccionais.
Estatísticas de desempenho e resultados no Exame
Esta seção apresenta a análise dos principais dados e informações referentes ao
desempenho dos examinandos que participaram do EOU desde que a FGV Projetos
assumiu sua organização, em 2010. A análise contempla, portanto, os dados das
últimas 12 edições da prova (do II ao XIII EOU).
Segundo dados do Núcleo de Concursos da FGV Projetos, as inscrições entre o II
e o XIII EOU23 perfizeram um contingente de 1,34 milhão de examinandos,24 dos
quais 234 mil (17,5%) foram aprovados. A evolução da taxa de aprovação média e
por edição do exame é apresentada na Tabela 3.
Como se pode notar, as maiores taxas de aprovação foram observadas no X EOU
(28,1%),VI EOU (26,1%) e V EOU (24,5%), ao passo que o menor aproveitamento
ocorreu no IX EOU: de um total de 114,8 mil inscritos, apenas 11,5% foram aprovados
(13,1 mil examinandos). Nos últimos três EOU (XI, XII e XIII), a taxa de aprovação
média foi de 14,9% dos inscritos.
A variabilidade no desempenho médio ao longo das edições subsequentes do
Exame reflete não apenas variações no conteúdo e no grau de dificuldade das rovas,
mas também na qualidade da formação e no nível de preparo dos indivíduos que
participam de cada edição. Há, ademais, um elemento de estratégia, associado
às escolhas que os examinandos devem fazer, no ato de inscrição, com relação às
disciplinas da segunda fase do Exame.
Alternativamente à ótica dos inscritos, a identificação do examinando a partir de seu
Cadastro de Pessoa Física (CPF) permite o levantamento de informações adicionais
a respeito do número de vezes em que um indivíduo se inscreveu no exameTornase
possível, assim, avaliar o desempenho com base no número de indivíduos e de
acordo com o número de exames prestados.
Nesse sentido, as informações da Tabela 4 buscam apresentar o número de
examinandos que prestaram a prova pela primeira vez em cada edição (colunas da
direita), bem como a taxa de aprovação calculada sobre essa base. É possível, com
isso, comparar o desempenho dos indivíduos que participam pela primeira vez do
Exame com a taxa média de aprovação do conjunto de inscritos (incluindo, portanto,
aqueles que já prestaram as provas ao menos uma vez).
Com base nessas informações, chega-se a uma conclusão importante: apesar do total
das inscrições realizadas entre o II e o XIII EOU ultrapassar a marca de 1,3 milhão,25
quando considerados apenas os examinandos que realizam o exame pela primeira
vez em cada uma dessas edições (“novos examinandos”), o número de participantes
se resume ao total de 487 mil,26 o equivalente a 36,4% do total de inscritos. Isso
significa, portanto, que 63,6% das inscrições se referem a indivíduos que já prestaram
o Exame em uma ou mais das 12 edições consideradas nesta publicação.
Segundo informações compiladas na Tabela 5, é possível afirmar também que 47%
dos indivíduos que já participaram do Exame foram aprovados ao longo das edições
avaliadas, sendo que 101,3 mil examinandos (43,3% do total de aprovados) foram
bem sucedidos já na primeira oportunidade. Quando consideradas três tentativas, o número de indivíduos aprovados soma 183,6 mil, isto é, 78,4% do total de
examinandos aprovados.
É possível evidenciar, igualmente, que a taxa de aprovação varia inversamente ao
número de tentativas. O resultado pode sugerir que examinandos com melhor
formação e preparo para o Exame são aprovados logo nas primeiras tentativas, isto é,
à medida que são necessárias mais oportunidades, restam indivíduos cada vez menos
preparados, o que reduz as chances de uma aprovação na prova subsequente.
Em termos regionais, a distribuição dos inscritos e dos aprovados encontra
forte correlação com a concentração territorial das instituições de ensino e,
consequentemente, dos bacharéis em Direito. Como mostram os dados apresentados
na Tabela 6, dentre os exames avaliados, o maior contingente (586,1 mil inscritos,
ou 44,0% do total) inscreveu-se para realização das provas em seccionais da Região
Sudeste. Destacaram-se, em seguida, as seccionais do Nordeste, com 20% das
inscrições; Sul (16,0%); Centro-Oeste (13,1%) e Norte (6,7%).
A taxa de aprovação por região varia entre 14,0%, na Região Norte, e 19,5%, na
Região Sul.
As taxas de aprovação médias por UF (seccional da OAB) são apresentadas a
seguir, na Tabela 7.27 Evidencia-se, em primeiro lugar, o desempenho da seccional
do Ceará, com taxa de aprovação de 21,5% nas últimas 12 edições do Exame. Em
seguida, destacam-se Minas Gerais, (20,3%), Santa Catarina (20,2%), Rio Grande
do Sul (19,7%) e Rio de Janeiro (19,2%). No extremo oposto, com as menores taxas
de aprovação, figuram as seccionais de Rondônia (14,1%), Roraima (14,0%), Mato
Grosso (13,2%), Amapá e Amazonas (ambas com 12,4%).
A Tabela 8 expressa a relação entre o aproveitamento do candidato na primeira fase,
sua aprovação final e a nota na prova discursiva. Verifica-se que, quanto maior o
aproveitamento na primeira fase, maiores são também as chances de aprovação na
segunda fase, refletindo, provavelmente, o melhor nível de preparo dos examinandos
selecionados.
De maneira geral, 50,5% dos inscritos aprovados na primeira fase obtiveram êxito
na segunda etapa do Exame. Na primeira faixa de aproveitamento (entre 50% e
59%), 45,5% dos examinandos aprovados na primeira fase são também aprovados
na segunda. Já entre aqueles que obtiveram aproveitamento entre 90% e 100%
na primeira fase, 88,9% são aprovados definitivamente. A nota média na prova
discursiva varia de 5,1 na primeira faixa de rendimento, a 8,0 na última.
O aproveitamento por disciplina da primeira fase, segundo edição do Exame, é
apresentado na Tabela 9. Na média, os melhores aproveitamentos na prova objetiva
entre o II e o XIII EOU são observados nas disciplinas: Estatuto da OAB / Código de
Ética (65%), Código do Consumidor (58,4%), Estatuto da Criança e do Adolescente
(51,3%) e Direito Administrativo (48,2%). As menores taxas de aproveitamento, por
sua vez, foram observadas nas disciplinas: Direito Processual do Trabalho (38,8%),
Direito Penal (38,5%), Direito Internacional (37,9%) e Direito Empresarial (30,4%).
Segundo dados da Tabela 10, as diferenças nas taxas de aprovação por área jurídica
escolhida pelo candidato na segunda fase não obedecem a um padrão específico
ao longo das diferentes edições do EOU. Contudo, com base na taxa de aprovação
média, é possível ordená-las de acordo com o aproveitamento dos examinandos
entre II e o XIII EOU.
Como se pode notar, as disciplinas com maior taxa de aprovação foram Direito
Constitucional (31,6%), Direito Civil (25,6%) e Direito Administrativo (19%).
No extremo oposto, com pior aproveitamento nas 12 edições contempladas nesta
publicação, estavam Direito do Trabalho (13,6%) e Direito Penal (15,6%).
Os resultados apresentados até o momento contemplam o desempenho dos
examinandos em geral, de acordo com a edição do Exame, a seccional e a área jurídica
escolhida. É interessante, por outro lado, avaliar o desempenho dos examinandos de
acordo com as condições de educação que lhe foram oferecidas.
Essa perspectiva exige, por sua vez, uma unidade de análise que agrupe os
examinandos (e os resultados) de forma relativamente homogênea. Uma opção,
nessecaso, envolve a análise dos resultados por IES, objeto da próxima subseção.
Desempenho das Instituições de Ensino Superior
Um dos principais fatores associados ao melhor desempenho de examinandos
em termos de aprovação nos Exames de Ordem é a qualidade das IES no país,
responsáveis pela formação dos bacharéis em Direito.
Nesse contexto, fica patente a complementaridade entre os objetivos do Exame
de Ordem e o papel desempenhado pelo MEC. Para dar sustentação ao seu papel
regulatório,28 o MEC desenvolveu e aprimorou ao longo das últimas duas décadas
uma série de instrumentos e indicadores complementares voltados para a avaliação
e classificação dos cursos e IES no país, como o Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior (Sinaes),29 o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
(Enade),30 o Conceito Preliminar de Curso (CPC)31 e o Índice Geral de Cursos
Avaliados da Instituição (IGC).
Em particular, o CPC oferece uma ótica que permite avaliar de forma
multidimensionala capacidade de os cursos oferecerem condições adequadas para
a boa formação do bacharel. A distribuição no número de instituições de ensino
de acordo com o desempenho no CPC Contínuo33 para o curso de graduação em
Direito é apresentada no Gráfico 14. Como se pode notar, é grande a variabilidade
percebida no desempenho das instituições: apenas 26,5% dos cursos de graduação
em Direito obtiveram desempenho satisfatório (CPCs Faixa 4 ou 5).
Com base nessa avaliação, 38 dos 950 cursos de Direito avaliados obtiveram
desempenho insatisfatório pela segunda vez consecutiva (2009 e 2012) e tiveram
seus vestibulares inabilitados em 2014. Com isso, o curso de Direito respondeu por
14% do total de cursos inabilitados no ano. A lista das 50 IES/cursos de Direito com
maior CPC encontra-se disponível nos Apêndices desta publicação.
Além do Exame de Ordem, outras modalidades e programas colaboram para o
reconhecimento e a certificação de indivíduos, organizações e programas de
ensino, de acordo com o atendimento a padrões pré-definidos. Um exemplo desse
tipo de certificação é o “Selo OAB Recomenda”, que, desde 2001, reconhece e
premia as IES e os cursos de Direito e Ciências Jurídicas que atendam aos critérios
de excelência, regularidade e qualidade mínima compatíveis com as expectativas
da OAB e da sociedade brasileira. Dos 1.210 cursos de Direito no país em 2011,
a última edição do selo avaliou 790 que preencheram os pré-requisitos de: (i) participação em três edições do Exame (II, III e IV EOU) e (ii) mínimo de 20 alunos
participando de cada Exame.
Como apresentado na Tabela 11, apenas 89 cursos (7,0% do total) da amostra
avaliada foram selecionados para a outorga,35 com nota mínima de 6,9 pontos em
uma escala de 0 a 10.
Tanto os indicadores do MEC, como o IGC e o CPC, quanto o “Selo OAB Recomenda”,
servem para orientação dos órgãos governamentais quanto à eficácia institucional e à
efetividade acadêmica dos cursos oferecidos. Eles contribuem também para orientar
estudantes, pais de alunos, instituições acadêmicas e o público em geral em decisões
sobre a carreira e a qualidade da formação atualmente oferecida no país.
Ranking das IES
No momento da inscrição, o examinando deve informar a IES em que cursou o
bacharelado ou na qual frequenta o último ano em Direito, selecionando a respectiva
IES em uma lista oferecida pelo site de inscrição. Uma vez que uma IES pode
oferecer mais de um curso de Direito (a depender do campus), o examinando deve
também selecionar o endereço em que estudou, nos casos em que há mais de uma
unidade instalada no município. Com base nesses dados, esta publicação sugere
alguns critérios de classificação das IES. Cumpre destacar que não se pretende aqui
nenhuma discussão definitiva sobre a qualidade das instituições de ensino, mas
apenas prosseguir com as análises sobre o desempenho nos EOU, tendo, agora, as
IES como unidade de análise, e não mais os examinandos.
Algumas observações metodológicas são necessárias, contudo, antes que se
apresentem os dados. Em primeiro lugar, existem IES com número reduzido de
inscritos em cada edição do EOU. É possível encontrar casos de IES com um único
participante em uma edição do Exame. Se esse único examinando fosse aprovado, a
IES apresentaria uma taxa de aprovação de 100%, garantindo-lhe a primeira posição
em qualquer classificação que tenha essa variável como critério de ordenamento.
Uma alternativa metodológica para contornar esse problema é trabalhar com
amostras com 30 ou mais examinandos, por meio das quais é possível obter
indicadores confiáveis para o desempenho das IES.37 Desse modo, para o cálculo
da classificação na Tabela 12, optou-se pela exclusão de IES com menos de 30
examinandos participantes dos EOU. Para reduzir o número de IES excluídas, as
estimativas de desempenho levaram em conta os resultados das três últimas edições
do Exame. No caso das IES que oferecem curso de Direito em mais de uma unidade
dentro de um mesmo município, as unidades e cursos foram agregados.
Para fins de comparação, buscou-se destacar se o curso ou IES recebeu o “Selo
OAB Recomenda” referente ao ano de 2011, conforme o atendimento a critérios
de excelência, regularidade de desempenho e qualidade sugeridos pela entidade.
Como a metodologia tem por base o cálculo do indicador de educação jurídica
de qualidade, composto por uma média ponderada entre o Índice de Aprovação
nos EOU e avaliações do Enade,38 espera-se que as IES que figurem no ranking
apresentem também o “Selo OAB Recomenda”.39 Apresenta-se, na Tabela 12, uma versão preliminar da lista (não exaustiva) das dez instituições40 mais bem posicionadas
de acordo com o critério de desempenho (taxa de aprovação), considerando o
horizonte dos últimos três EOU (XI, XII e XIII). É possível verificar que as instituições
públicas se destacam no ranking. No entanto, não há uma relação direta e unívoca
entre o desempenho no Exame e a região de localização da IES. Logo, outros critérios
e fatores são necessários para uma melhor avaliação.
Panorama do mercado de trabalho
Embora seja notabilizado pela carreira na área jurídica, o bacharel em Direito
apresenta uma formação técnica, generalista e interdisciplinar, tornando-o apto
a atuar em diversas especialidades e setores. Além de trabalhar como advogado,
mediante aprovação no Exame de Ordem,41 pode ingressar na magistratura, ocupar
cargos na administração pública e no ministério público, além de atuar em empresas
dos mais diversos setores, que demandem conhecimentos e competências
específicas do profissional da área jurídica. Por fim, é possível que atue em áreas não
relacionadas à jurídica.
De acordo com dados do Censo de 2010, sumarizados na Tabela 13, dos cerca de
1,3 milhão de formados na área de Direito, 53,9% eram do sexo masculino; 79,7%
declararam-se brancos; e pouco mais da metade (53,6%) tinha 40 anos ou menos.
No que se refere à formação, a Tabela 14 expõe que a grande maioria dos formados
em Direito (95,1%) possuía apenas diploma de graduação na área, contra 4,9% com nível de pós-graduação. A renda média da carreira era de R$ 5.164, sendo que
o bacharel recebia, em média, R$ 4.931, contra R$ 11.074 dos indivíduos com
titulação de doutorado. Quando comparada às demais áreas de formação superior
(Tabela 15), a renda média dos indivíduos formados em Direito era 42,1% superior à
média brasileira.
Em termos ocupacionais, cerca de 80% dos formados em Direito estavam trabalhando
em 2010. Deste total, quase metade (42,4%) trabalhava como advogado ou jurista.42
Nessa categoria, a maioria (76,7%) estava empregada em atividades jurídicas de
contabilidade e de auditoria,43 seguidas por serviços prestados à administração
pública estadual (3,7%).44
Em relação à posição na ocupação principal (Tabela 16), 32,4% dos formados em
Direito informaram que trabalhavam por conta própria (profissionais liberais),
30,1% trabalhavam com carteira assinada e 23,2% como militares e funcionáriosestatutários. Em termos de renda média, os empregadores (6,3% do total) ganhavam
mais (R$ 8.609), seguidos pelos militares e funcionários estatutários (R$ 7.134) e
profissionais liberais (R$ 4.495).
Em termos regionais, os formados em Direito encontravam-se espalhados por cerca
de 4.130 municípios (74,2% dos 5.565 municípios brasileiros), compondo uma
relação de 6,7 bacharéis em Direito para cada mil habitantes em 2010.45
As unidades federativas com maior relação de bacharéis em Direito por mil habitantes
eram, em 2010, Distrito Federal (18,2), Rio de Janeiro (12,3) e São Paulo (9,3);
ao contrário de Maranhão (1,9), Pará (2,1) e Amazonas (2,4), que apresentaram a
menor relação.
Ao estoque de bacharéis são acrescentados, anualmente, os estudantes recém
diplomados nos cursos de graduação. Segundo dados do Censo do Ensino Superior,
entre 2009 e 2012, o número médio anual de bacharéis em Direito egressos do
ensino superior foi de 92,9 mil – sendo que, só em 2012, cerca de 98 mil estudantes
se tornaram bacharéis na área. Considerando-se como base o número de formados
em Direito em 2010, pode-se estimar que, com um acréscimo da ordem de 7%
concluintes ao ano, o Brasil apresente atualmente um mercado de trabalho com
cerca de 1,7 milhão de bacharéis em Direito.
Como se sabe, o bacharel que considere a prática da advocacia no Brasil deve ser
aprovado no Exame de Ordem para ser integrado ao quadro de advogados da OAB.
Dos 1,3 milhão de bacharéis em 2010, aproximadamente 715 mil (55% do total)
apresentavam o registro. Segundo dados do Censo de 2010, entretanto, apenas 440
mil dos formados em Direito trabalhavam como advogados e juristas.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 830 mil advogados regularmente cadastrados
no quadro da OAB, média de 4,1 para cada 1.000 habitantes.46 Cabe lembrar que,
em 1991 e 2000, esta razão era, respectivamente, de 1,1 e 1,5,47 o que expõe o grande
aumento na oferta de profissionais qualificados no mercado de trabalho.
No comparativo internacional, a proporção de advogados por habitante no Brasil é muito próxima àquela verificada nos Estados Unidos (4,0)48 e na Itália (3,9).49 Os
três países apresentam um número muito superior à média da União Europeia, de
cerca de dois advogados para cada 1.000 habitantes.50
Com relação ao perfil socioeconômico dos advogados no Brasil, o site da OAB
oferece algumas informações a respeito do sexo e da faixa etária, dispostas na
Tabela 17. Como se pode notar, do total de advogados, 54% são do sexo masculino
e pouco mais da metade tem até 40 anos (52,5%). A maioria dos registros (56%)
está concentrada nas seccionais de São Paulo (252,7 mil), Rio de Janeiro (127,7 mil) e
Minas Gerais (10,2 mil).51 Não por acaso, tais estados respondem não só pela maior
parte dos concluintes, mas também concentram a maior parte da população e da
renda gerada do país.
Considerações finais
Esta publicação tem como objetivo principal avaliar o desempenho dos examinandos
no Exame de Ordem entre a II e a XIII edições. Como forma de contextualizar a
abordagem, foram apresentadas informações e análises adicionais relativas ao ensino
superior em Direito no país, bem como um panorama do mercado de trabalho para os
profissionais da área. Por fim, procurou-se compilar as informações socioeconômicas
dos inscritos e aprovados no Exame, possibilitando a avaliação de seu perfil. Nos
tópicos a seguir, são apresentados os principais destaques da publicação.
• O Exame de Ordem, como requisito necessário para a admissão no
quadro de advogados da OAB e para o exercício profissional do advogado,
é um instrumento essencial para avaliar a qualificação do bacharel em
Direito de acordo com os critérios mínimos de atendimento às demandas
do mercado, além de salvaguardar o conteúdo necessário para a prática
da profissão. Ao definir os conteúdos imprescindíveis para o domínio
do examinando, colabora, indiretamente, na orientação dos projetos
pedagógicos dos cursos de graduação, em complementaridade com o
papel regulatório desenvolvido pelo MEC;
• As provas são aplicadas três vezes ao ano, em todas as unidades da
Federação. Cada edição conta com duas fases, de caráter eliminatório:
uma prova objetiva, com 80 questões, e uma discursiva, composta por
uma peça profissional e quatro questões práticas. Em seu conjunto, busca
avaliar o conhecimento do examinando nas diferentes áreas do Direito,
o raciocínio jurídico, a consistência da fundamentação, a capacidade de
interpretação e de exposição do fato jurídico, bem como o conhecimento
de técnicas indispensáveis à prática profissional;
• Nas últimas duas décadas, houve uma significativa mudança no quadro
do ensino superior no país, graças à aprovação do novo marco regulatório
do setor (LDB, em 1996) e à melhoria das condições de vida da população
brasileira, sobretudo no plano educacional. Nesse intervalo, o número de
cursos de graduação em Direito sofreu forte expansão, elevando-se de
235, em 1995, para 1.158, em 2012;
• Com a criação de novos cursos, houve significativa expansão nas vagas
oferecidas em processos seletivos e no número de alunos matriculados
em Direito, atualmente um dos cursos mais demandados do país (com
737 mil graduandos) e situado entre aqueles que mais formam (cerca de
98 mil formandos em 2012);
• Quanto ao perfil dos examinandos, a partir das informações coletadas do
VII ao XIII EOU, é possível evidenciar que a maioria era do sexo feminino
(53,8%); apresentava, no ato da inscrição, entre 20 e 25 anos (33,6%);
declarou-se da cor branca (68,9%); frequentou integralmente ou a maior
parte do ensino médio em escolas públicas (51,5%); fazia parte de uma
família com rendimento inferior a seis salários mínimos (63,9%); e o pai
tinha concluído, no máximo, o ensino médio (53,3%). Eram, também, em
sua grande maioria, bacharéis em Direito no momento da inscrição das
provas (67,7%);
• Sob a ótica do desempenho, as maiores taxas de aprovação foram
observadas entre examinandos do sexo masculino (16,7%), com até
20 anos (31,1%), brancos (17,4%) e que cursaram integralmente o
ensino médio em escolas privadas (22,6%). São também os de melhor
desempenho aqueles com rendimento familiar acima de 30 salários
(24,0%) e cujo pai tem formação superior, com título de mestre ou
doutor (25,6%). Em termos de escolaridade do examinando, o melhor
desempenho foi observado entre os indivíduos que prestaram o Exame de
Ordem ainda como estudantes de graduação;
• No que se refere especificamente às estatísticas de desempenho dos
examinandos entre o II e o XIII EOU, houve cerca de 1,34 milhão de
examinandos, dos quais 234 mil (17,5%) foram aprovados. Uma vez que
boa parte das inscrições é realizada por indivíduos que já participaram em
outras ocasiões, é possível evidenciar que o total de inscritos equivaleu a
aproximadamente 487 mil indivíduos ou, alternativamente, que 63,6% das
inscrições se referiam a indivíduos que já prestaram o Exame em uma ou
mais das 12 edições consideradas neste estudo. Assim, é possível afirmar
que 234 mil dos 487 mil examinandos (47%) foram aprovados ao longo
das edições avaliadas. Desse contingente, 101,3 mil examinandos (43,3%
do total de aprovados) foram bem sucedidos já na primeira oportunidade;
• Do ponto de vista geográfico, a seccional que mais aprova no Exame é a
do Ceará, com aproveitamento de 21,5% nas últimas 12 edições. Depois,
destacam-se Minas Gerais (20,3%), Santa Catarina (20,2%), Rio Grande
do Sul (19,7%) e Rio de Janeiro (19,2%);
69 Exame de Ordem em números - Volume II
• Com relação às provas, as disciplinas com melhor aproveitamento
na primeira fase (objetiva) incluem Estatuto da OAB / Código de Ética
(65%), Código do Consumidor (58,4%), Estatuto da Criança e do
Adolescente (51,3%) e Direito Administrativo (48,2%); na segunda fase,
lidera em aproveitamento médio a disciplina de Direito Constitucional
(com 31,6% de aprovação), seguida por Direito Civil (25,6%) e Direito
Administrativo (19%);• O ranking das IES de acordo com a taxa de aprovação média nas últimas
três edições do Exame revela o bom desempenho das instituições
públicas, bem como a consistência da classificação proposta em relação
à metodologia do “Selo OAB Recomenda”. Destaca-se, ainda, a
inexistência de uma relação unívoca entre o desempenho no Exame e a
região de localização da IES;
• No que se refere ao panorama do mercado de trabalho, dados do Censo
contabilizaram cerca de 1,3 milhão de formados na área de Direito em 2010.
Desse contingente, 53,9% eram do sexo masculino, 79,7% declararam-se
brancos e 53,6% tinham 40 anos ou menos. A maioria dos formados em
Direito (95,1%) possuía apenas diploma de graduação na área e quase
metade (42,4%) trabalhava como advogado ou jurista. Com relação à
posição ocupacional, 32,4% dos formados em Direito informaram que
trabalhavam por conta própria (profissionais liberais),30,1% trabalhavam
com carteira assinada e 23,2% como militares e funcionários estatutários.
Estima-se, com base no número médio anual de concluintes, que o Brasil
apresente atualmente um mercado de trabalho com aproximadamente 1,7
milhão de profissionais formados na área;
• Quando se avaliam os bacharéis regularmente cadastrados na OAB
(cerca de 830 mil advogados), é possível evidenciar que a maioria é do
sexo masculino (54,0%), tem menos de 30 anos (52,5%) e encontra-se
registrada nas seccionais de São Paulo (252,7 mil), Rio de Janeiro (127,7
mil) e Minas Gerais (10,2 mil), estados que concentram boa parte dos
cursos de graduação, da renda e da população brasileira;
• Com base no número de advogados registrados na OAB, estima-se que o
Brasil conte, atualmente, com a média de 4,1 advogados para cada 1.000
habitantes, proporção equiparável àquela verificada em países como EUA
e Itália, e superior à média da União Europeia;

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