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www.brasileirices.com 1 Tradições, culinária e a importância cultural das Festas Juninas no Brasil O trabalho doméstico no Brasil (p. 12); um passeio pelas praias do sul da Bahia (p. 15); culturas, tradições e sabores do pastel de feira (p. 19); tudo sobre o pretérito imperfeito do indicativo (p. 22); entrevista com um diplomata goiano que representa o Brasil na Hungria (p. 25); o depoimento de uma eslovaca que, mesmo sem nunca ter pisado no Brasil, vive uma conexão profunda com o país (p. 30); e muito mais! Além disso: Im a g e m d e T ur is m o B a hi a - E ló i C o rr ê a ( m o d ifi c a d a ) - fin a lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 43 56 03 32Uma das maiores celebrações populares do Brasil mistura tradições europeias, indígenas e africanas, reunindo danças como a quadrilha, comidas típicas, fogueiras e bandeirinhas. As Festas Juninas também movimentam comunidades, especialmente no Nordeste, valorizando a cultura popular e impulsionando a economia local. Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 20252 #PUBLI Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://www.instagram.com/suaprofabrasileira/ www.brasileirices.com 3 #PUBLI Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://www.instagram.com/teachleadtransform/ Revista Brasileirices | maio 20254 www.brasileirices.com youtube.com/brasileirices instagram.com/canalbrasileirices facebook.com/canalbrasileirices Índice POLÍTICA E SOCIEDADE Clique nos títulos para acessar cada artigo O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO Redação e coordenação: Camilla Wootton Villela Arte e diagramação: Sol Arte e Design Revisão: Vinicius Guarilha p. 5 O trabalho doméstico no Brasilp. 12 PARTIU Sul da Bahia: praias que encantam p. 15 HUMMM! O pastel de feira: uma mistura de culturas, tradições e saboresp. 19 PAUSA PARA A GRAMÁTICA Desvendando o pretérito imperfeito: como e quando usá-lo? p. 22 MINHA HISTÓRIA COM O BRASIL Conexão Brasil-Eslováquia p. 30 PARA LER, VER, OUVIR… SENTIR Nossas dicas p. 36 ÚLTIMAS NOTÍCIAS Atualidades fresquinhas do Brasilp. 34 CAPA Tradições, culinária e a importância cultural das Festas Juninas no Brasil De Goiânia a Budapeste, este diplomata nos mostra os bastidores da diplomacia brasileirap. 25 Edição 10 - ano 3 - maio 2025 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 http://www.brasileirices.com http://facebook.com/canalbrasileirices http://instagram.com/canalbrasileirices http://youtube.com/brasileirices www.brasileirices.com 5 As Festas Juninas são uma das celebrações mais emblemáticas do Brasil, misturando tradições religiosas, folclóricas e culturais de maneira única. Com origens em rituais pagãos europeus, essas festas foram adaptadas e reinventadas no país, ganhando um sotaque único e tornando-se uma das maiores manifestações populares brasileiras, sendo que em algumas regiões rivalizam até mesmo com o Carnaval. A fusão de elementos pagãos, cristãos, indígenas e africanos continua a encantar milhões de pessoas, celebrando a alegria, a música e os sabores típicos. Neste artigo, vamos conhecer as origens das Festas Juninas, suas tradições, e como elas se mantêm vivas, atraindo turistas e movimentando a economia local, enquanto continuam a valorizar a cultura popular. Origem A origem das Festas Juninas está profundamente ligada às celebrações pagãs das antigas civilizações europeias, que festejavam os ciclos da natureza, Tradições, culinária e a importância cultural das Festas Juninas no Brasil especialmente o solstício de verão no hemisfério norte. Essas festividades, marcadas por rituais de fertilidade agrícola, celebravam a colheita e a abundância, com grandes reuniões comunitárias, muita comida, música e dança. Com o avanço do cristianismo na Europa, essas tradições foram apropriadas pela Igreja Católica e associadas a três santos populares: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). De acordo com o Evangelho de Lucas, João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo, e por isso sua data de nascimento foi estabelecida no calendário cristão em junho, marcando um momento de transição entre o nascimento de Cristo, celebrado em dezembro, no solstício de inverno na Europa, e o de João, que ocorre no meio do ano. Assim, a festa de São João absorveu muitos dos rituais pagãos, como o uso de fogueiras, danças e jogos populares. Inicialmente chamadas de "Festas As Festas Juninas, uma das maiores celebrações populares do Brasil, mistura tradições europeias, indígenas e africanas. Com danças como a quadrilha, comidas típicas à base de milho e amendoim, fogueiras e bandeirinhas, esses festejos movimentam comunidades em todo o país, especialmente no Nordeste. Além da diversão, as festas valorizam a cultura popular e impulsionam a economia local. Im a g e m d e T ur is m o B a hi a ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 43 56 03 29 CAPA Por Camilla Wootton Villela* Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 20256 Joaninas" (em referência a São João), essas comemorações foram adaptadas ao cristianismo e se espalharam pelos territórios colonizados pelos portugueses, incluindo o Brasil. A própria mudança do nome para "Festa Junina" ocorreu no Brasil, onde o termo passou a fazer referência ao mês de junho, período em que as festividades ocorrem. Além das influências cristãs, os romanos também realizavam festivais no período do solstício de junho em homenagem a Juno, a deusa do casamento, e a Hécate, deusa do fogo e da lua. Esses elementos simbólicos reforçaram a importância desse período no imaginário popular e foram incorporados às festas ao longo do tempo. As Festas Juninas chegaram ao Brasil, então, com os colonizadores portugueses e foram enriquecidas com contribuições indígenas e africanas. Inicialmente, tinham um caráter profundamente religioso, mas com o tempo foram sofrendo adaptações para se adequarem ao clima e aos costumes locais. Inclusive, algumas cidades preferem chamá- la de “Festa da Cultura Popular” para evitar associações religiosas. E como o início do inverno se dá em junho na maior parte do país, as festividades se reinventaram, utilizando ingredientes e práticas mais apropriadas ao clima brasileiro dessa época do ano. Hoje as Festas Juninas são celebradas em todo o Brasil, com destaque para o Nordeste, onde a Festa de São João é um evento de proporções grandiosas. A celebração dura todo o mês de junho (sendo, em alguns lugares, estendida até julho), mas o ápice ocorre no dia 24, dedicado a São João. O sincretismo cultural se reflete nas brincadeiras, nas roupas e nas comidas típicas, que variam de região para região, mas mantêm a essência das festas de origem rural. A figura do caipira ou do homem do campo, do interior, é tradicionalmente associada às Festas Juninas, sendo representada por trajes de roupas xadrez, chapéus de palha e botas. No passado, era comum, inclusive, usar carvão para desenhar bigodes nas crianças. No entanto, é fundamental ter cuidado com representações caricatas, como roupas remendadas e dentes pintados de preto para sugerir desleixo ou precariedade. O caipira não é uma fantasia. Reduzir uma cultura rica e complexa a um estereótipo reforça preconceitos históricos que retratam o caipira de forma pejorativa. A cultura caipira, influenciada por povos indígenas, africanos e europeus, é fundamental para a identidade nacional. Em vez de tratar essa figura de forma jocosa, é essencial valorizar e respeitar suas tradições, música, linguagem e história, reconhecendofamília, em geral, tem um choque cultural maior, porque a família está exposta a um idioma diferente, não tem esses brasileiros para ajudar em nada. Então, no caso da minha esposa, ela enfrenta um choque cultural bem Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202528 brasileiro aqui, esse brasileiro é preso, então a embaixada oferece algum tipo de apoio, mantém contato com a família dessa pessoa no Brasil. Ou se um brasileiro é hospitalizado e precisa de um tratamento complexo, como é que isso fica? Quem vai pagar? Como que a família brasileira pode ajudar? Então, a embaixada também atua nesses casos de assistência consular. Ou, então, até mesmo casos mais... por exemplo, brigas familiares e, de repente, guarda de filhos. Tem uma série de ocorrências, né, da vida das pessoas, dos brasileiros aqui, que a embaixada auxilia. Então, é um trabalho bastante diversificado. Então, não existe um projeto único, porque há tantas áreas que cada área, num dado momento, tem um projeto específico, né? A vida é animada aí, então! Sim. Comparando os dois países, Brasil e Hungria, tem algum choque cultural que você passou e gostaria de compartilhar? Ou algo em comum das duas culturas? É, a Hungria é um país ocidental, como o Brasil. Nesse sentido, as coisas são bastante semelhantes. Uma coisa que chama atenção aqui para um brasileiro sempre, em geral, na Europa, mas aqui em particular, é o nível de segurança muito elevado. Então, você não precisa ter medo de assalto ou de alguma coisa assim, que no Brasil é um risco calculado, né? Por outro lado, a Hungria está perto da Ucrânia, que hoje está numa situação de guerra. Então, existe uma certa apreensão, vamos dizer assim, sobre o desenrolar das coisas, né? Os governos do Brasil e da Hungria têm posições diferentes sobre alguns temas, isso também gera, né, algum tipo de surpresa. Mas, em geral, uma coisa interessante é que o povo húngaro é muito tranquilo, vamos dizer assim, muito parecido com o jeito brasileiro. As pessoas são bem-humoradas, elas conversam. Por exemplo, a minha experiência na Áustria foi um pouco diferente. Acho que as pessoas lá são mais fechadas. E aqui, eu me sinto mais em casa. Então, eu acho que, talvez assim, haja várias semelhanças entre os dois países. Talvez o que mais me chame atenção seja a questão da segurança. O idioma é bastante complicado, o húngaro... eu comecei a estudar, mas é bastante difícil. Mas de vez em quando, eu já consigo resolver uma pequena coisa na rua e fico feliz com isso. Uau! É… Você acredita que representar o Brasil no exterior também seja representar a nossa cultura? Com certeza! Com certeza! Porque muitas vezes o estrangeiro não sabe exatamente como é a cultura brasileira, né? Existe aquele padrão de imaginar que o Brasil é terra de maior do que o meu. Quem tem que fazer as coisas, às vezes, sei lá, levar o carro para consertar, ou fazer compras, e cuidar do dia a dia, é ela. Então, ela tem uma, às vezes, pressão maior do que eu sinto nessa parte cultural. Então, é muito importante conversar, e as duas pessoas, ou quando tem filhos, né, se sentirem bem com essa situação. Eu não tenho filhos, mas para os colegas que têm, é sempre difícil. Por exemplo, um adolescente ou uma criança perder todos os amigos e ter que recomeçar a cada três, quatro anos. Não é uma vida fácil nesse sentido. Prós e contras, né, Cláudio? A criança conhece o mundo, fala mil línguas, tem amigos no mundo todo, mas, enfim, esses desafios… Interessantíssimo! Eu nunca tinha pensado sobre isso, porque você trabalha para o Brasil, então você fala sobre o país basicamente o dia todo durante sua jornada de trabalho, né? E vocês estão trabalhando em algum projeto específico nesse momento em Budapeste, para a embaixada? A embaixada, na verdade, cuida de vários temas ao mesmo tempo. Então, todas as relações bilaterais, ou seja, entre o Brasil e a Hungria, no ponto de vista entre governos, elas são tocadas pela embaixada. Então, por exemplo, na área cultural, nós temos projetos, por exemplo, apresentação de filmes brasileiros, apresentação de música brasileira, exposições de artistas brasileiros. Na área de economia, nós acompanhamos a economia da Hungria, o comércio bilateral, embora a embaixada não consiga mudar muito esses dados, porque o setor privado conduz efetivamente o comércio, mas nós acompanhamos, levantamos estatísticas sobre isso, atuamos na área de promoção comercial. Então, por exemplo, recentemente, a Embraer fez uma venda de aeronaves para o governo húngaro. A embaixada, quando é chamada, auxilia nesse tipo de processo. Outras empresas privadas brasileiras desejam exportar para a Hungria, então a embaixada tenta buscar compradores para os produtos brasileiros. Tem uma área também, por exemplo, política, que nós acompanhamos a política local, então o governo da Hungria em relação ao governo brasileiro, como é que isso funciona. Tem uma parte de assistência a brasileiros. Então, brasileiros que moram na Hungria – hoje há mais de 1.000 brasileiros que residem aqui, alguns têm dupla cidadania, outros não. Essas pessoas precisam de documentos: passaportes, certidões... nasce uma criança filha de brasileiros aqui, ela tem que ter uma certidão de nascimento. Pessoas fazem CPF. Então, tem toda a parte cartorial que a embaixada providencia. E tem os casos que nós chamamos de assistência consular. Por exemplo, se tem um Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 29 Carnaval, de samba, né, de futebol. E nós tentamos mostrar esses aspectos também, mas também outros lados. Então, por exemplo, quando a gente passa um filme brasileiro, às vezes vamos mostrar uma realidade do Nordeste brasileiro, algo que ninguém nem sabia que existia, uma região, uma cultura brasileira que não é conhecida no exterior, né? Eu, como nasci em Brasília, cresci em Goiânia, sou do centro do país, quando eu me apresento para alguém, eu falo assim: "Eu sou brasileiro de um lugar onde não tem mar, não tem samba e não tem futebol praticamente, né?". E aí as pessoas levam um susto, porque elas imaginam aquele lugar e falam assim: "Ah, então você mora na Amazônia?". E eu: “Também não”. Então, é interessante porque as pessoas passam a ter um pouco mais de conhecimento sobre o Brasil, sobre as regiões. Por exemplo, recentemente, houve um projeto aqui com exposições sobre a Amazônia, sobre a Grande Floresta, mas também sobre as araucárias no sul do Brasil, que, para os europeus, também é interessante, porque é uma coisa que não é óbvia que eles saibam que existe um bioma no sul do Brasil que é parecido com os biomas que eles têm. Então, é mais ou menos isso. A gente vai aos poucos mostrando outras realidades brasileiras. Muito bom! Para fechar a nossa entrevista, a nossa pergunta clássica: eu quero saber, na sua opinião, qual é o melhor do brasileiro? Eu acho que o melhor do brasileiro é a alegria. Isso é uma marca muito forte. Então, não... em geral, todas as pessoas, só de falar: "Ah, eu sou do Brasil", já abrem um sorriso, porque a imagem brasileira é muito positiva no exterior. Então, é uma imagem realmente de alegria e mesmo que seja de futebol ou dos clássicos, né, mas é sempre uma ideia de festa, de coisas bastante positivas. Eu acho que isso é importante, e a gente tem que preservar essa visão positiva do Brasil. Outros países talvez carreguem uma carga negativa sobre passado, história... um passado de guerras, de conflitos. Mas, em geral, o brasileiro é visto de maneira muito positiva. Eu acho que preservar isso é essencial. Excelente! Cláudio, muito obrigada por compartilhar um pouco da sua experiência. Nós temos muitos estudantes desse mundo da diplomacia, alunos inclusive das embaixadas do mundo por aí, e eu tenho certeza que eles compartilham de várias das suas dores e delíciasque você disse. Sim, imagino que sim. Eu que agradeço, Camilla, a oportunidade, e sigo à disposição. Palácio do Itamaraty Im a g e m d e F ra nc is c o D o m in g o s (m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - p ix a b a y. c o m /p ho to s/ ita m a ra ti- b ra si lia -b ra zi l- w a te r- 34 03 55 3/ Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202530 MINHA HISTÓRIA COM O BRASIL Conexão Brasil-Eslováquia Meu nome é Lenka Kromholcová e sou de um país pequeno de só 5 milhões de habitantes, que fica na Europa central – a Eslováquia. Todos meus amigos eslovacos me conhecem como a grande entusiasta do Brasil e do português brasileiro. Aprender português e ficar totalmente apaixonada pelo Brasil, a cultura e o povo nunca era o meu plano. Minha história é mais sobre como o caminho até esta língua mais linda do mundo me encontrou. É um prazer e grande honra poder compartilhar minha experiência convoluta com ordem ilógica e aleatória e cheia de gambiarra, pois de alguma forma ela foi eficiente e muito satisfatória. O ano era 2018 e eu estava começando o penúltimo ano do ensino médio de artes. Logo fiquei sabendo que minha escola recebeu uma intercambista da Colômbia, que chegou para ficar o ano inteiro. Conheça Lenka, uma eslovaca que nunca pisou no Brasil, mas sente uma ligação profunda com o país. Fascinada pelo português brasileiro desde que ouviu músicas da Disney em filmes dublados, ela embarcou em uma jornada inesperada de aprendizado e descobertas. Entre conversas online e cadernos cheios de anotações ela se pergunta: será possível sentir patriotismo por um país que nem é o seu? A c e rv o p e ss o a l d e L e nk a Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 31 Fazia um tempo que eu sonhava em poder praticar inglês com alguém que fosse estrangeiro ou falante nativo, então essa notícia chamou demais minha atenção e fiquei super animada para conhecê-la. Não demorou muito e a gente virou amigas. Foi maravilhoso ter essa oportunidade de falar inglês com alguém de tão longe, basicamente pela primeira vez na minha vida. E as coisas estavam prestes a ficar melhores ainda, porque ela me convidou para conhecer mais dois intercambistas que chegaram na cidade, dos Estados Unidos e do Brasil. Minha reação foi óbvia: mil vezes sim! Meu conhecimento sobre o chamado Brasil na época era quase não existente, tanto assim que me atrevo a dizer que possivelmente não teria conseguido encontrar onde fica no mapa se alguém me perguntasse. Portanto, não chamou minha atenção de nenhuma forma especial na hora. Após ter conhecido essas três pessoas maravilhosas que me inspiraram demais, Valeria, Nick e Pablo, meu interesse anteriormente também não existente em geografia cresceu demais e comecei a me interessar pelas línguas nativas deles com empolgação. Muitos compreensivelmente pensariam que tendo um intercambista brasileiro pessoalmente na minha vida já me daria uma exposição intensa ao português e à cultura brasileira, mas não foi bem assim. Foi muito mais leve e minimalista. A gente conseguia se comunicar às vezes usando apenas inglês, e brasileiro filtrado por um inglês limitado é um brasileiro diferente. Mesmo que o inglês fosse o meu foco principal, o português começou a chamar mais a minha atenção, descobrindo ter este som nasal que achava muito único e tão satisfatório de ouvir. Comecei a escutar minhas músicas favoritas da Disney em português, memorizando as letras, e até criei um caderno para tentar aprender mais. Minha fascinação intensa logo culminou em uma ideia louca: ir praticar com brasileiros no Omegle. Esse lugar controverso, cheio de brasileiros anônimos, foi um ambiente ideal para testar meu português gambiarra em forma escrita. Com o mais básico do básico, Google Tradutor e mais nada que seria de qualquer fonte oficial, comecei a tentar me comunicar com brasileiros aleatórios. Eram começos engraçados, porque eu mal entendia o que estava falando, e não entendia nada do que as pessoas estavam me respondendo. Foi assim mesmo que comecei a aprender português. O processo foi incrivelmente divertido, e surpreendentemente, eu estava aprendendo com uma boa facilidade. Passei semanas conversando desse jeito diariamente, até que consegui manter uma conversa muito limitada, utilizando o tradutor intensamente para mesmo assim falar tudo errado. Mas comecei a conseguir prestar atenção no quanto amigáveis e prestativos os brasileiros eram comigo, na hora que descobriam que tenho interesse em aprender português. Achava isso muito surpreendente, bem diferente da minha cultura, mas foi algo que ressoava muito comigo e foi fácil de me acostumar. O lendário jeito brasileiro tão charmoso e animado se transmitia fortemente mesmo através de chat e da barreira linguística, e eu achava muito contagiante. Mal sabia que ainda tinha a empolgação com o Brasil por vir. Uma das primeiras histórias que escutei sobre o Brasil foi um pouco assustadora. Me contaram sobre acordar com tiros e explosões, bandidos, roubos e tudo mais. Fiquei perplexa em escutar sobre essas experiências, porém meu interesse e amor crescente pelo Brasil foi mais forte. O tempo estava passando e eu continuei aproveitando demais este processo de aprender, fazia muitas anotações em português, sentindo alegria toda vez que conseguia expressar algo que antes não conseguia. Minha ordem de aprender foi tão aleatória que foram meses de praticar somente a forma escrita antes de começar a aprender a pronúncia. Desse jeito, o nível do meu português falado foi muito atrasado em comparação com o escrito, ainda por um bom tempo. Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202532 Eu continuava frequentando o Omegle e um dia encontrei um brasileiro simpático que chamou minha atenção. Essa pessoa nos próximos cinco anos era meu ótimo companheiro Luiz, que estava muito disposto a me ajudar e explicar qualquer coisa de português que eu não entendia, e animado para compartilhar comigo esta troca cultural entre Brasil e Eslováquia. Durante esse tempo todo eu comecei a amar a cultura brasileira, me apaixonei pelo samba e pelo Carnaval, tanto assim que até aprendi a sambar em casa. Comecei a testar receitas típicas do Brasil, como pão de queijo, bolo de cenoura, brigadeiro, feijoada, e amei todas. Um dia até levei uma sacola de pão de queijo para escola para meus colegas experimentarem, e todos amaram também, inclusive o professor. Comecei a perceber mais as diferenças entre sotaques diferentes, principalmente a abismal diferença entre sotaque o brasileiro e o europeu. Consegui começar a assistir filmes e desenhos com dublagens brasileiras também, e foram realmente tão ótimas como todos me falavam. Umas das mil coisas que me surpreenderam na cultura brasileira em comparação com a minha, foi por exemplo que lá não jogam papel higiênico no vaso, não tem aquecedores nas casas, a maioria não fala inglês, tomam muitos banhos e comem bastante arroz e feijão. O equivalente eslovaco disso é comermos uma quantidade enorme de pão e sopas. Foi interessante imaginar que o Natal brasileiro é durante o verão, enquanto aqui é inverno escuro com muita neve. E a escala gigante do Brasil! Podem passar sete horas no ônibus, e chegam é só no outro estado. Uma curiosidade sobre a Eslováquia é que faz fronteira com cinco países, portanto mal conseguimos viajar duas horas de carro e já entramos em outro país. Só depois de ter passado muito tempo com o Luiz consegui entender muitas coisas que nem tive capacidade de perceber antes e conectei para uma imagem mais ampla, tanto do português, quanto do Brasil. O que eu acho tão bonito e inspirador é como cada brasileiro demonstra uma conexãopessoal com o seu país e cultura, e o quanto coesa e acolhedora é a comunidade brasileira de forma geral. É simplesmente impossível tentar expressar o quanto eu amava cada momento desse processo de aprender em tão poucas palavras. Foi incrivelmente empolgante, senti muita alegria, pura felicidade e satisfação, e o povo brasileiro começou a me lembrar mais de casa do que meu próprio povo. A propósito, eu adoro o hino brasileiro com todo meu coração. Depois de conseguir entender o significado pleno da letra, me emocionei. Tenho essa sensação de tanto orgulho pelo Brasil, o português, a cultura e me sinto ressoar tanto com a natureza brasileira que até esqueço que sou uma eslovaca. Será que existe isso: sentir patriotismo pelo país que nem é meu? Nunca cheguei a sentir uma conexão mais profunda com minha própria cultura ou idioma. As pessoas aqui preferem manter espaço pessoal e são bem mais reservadas, mais quietas e longe de praticar contato físico próximo na base diária. Mas por outro lado, quando já consegue ganhar a confiança de um eslovaco, creio que vai fazer uma amizade profunda a longo prazo, A c e rv o p e ss o a l d e L e nk a Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 33 e testemunhar o seu coração frio derreter pela luz brasileira. Até hoje em dia guardo todas as minhas anotações, cadernos, prints, fotos e as memórias lindas com os intercambistas com muito carinho. Continuo usando português diariamente, e no meu tempo livre aproveito para fazer traduções das músicas e outro tipo de conteúdo no Youtube. Tenho muita curiosidade de visitar o Brasil para continuar neste meu caminho, mas estou suspeitando que não seria só para visitar. Da forma que este caminho inesperado se orquestrou para mim, acredito que ainda tem muito mais por vir. Por enquanto aguardo ansiosamente pelo próximo passo do caminho se desdobrar para mim. Siga Lenka no Instagram: @lenkinhaa Canais no Youtube: • https://www.youtube.com/@lenocka • https://www.youtube.com/@lenkinha • https://www.youtube.com/@holzcrochet Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://www.instagram.com/lenkinhaa/?api=1%2F&hl=zh-cn https://www.youtube.com/@lenocka https://www.youtube.com/@lenkinha https://www.youtube.com/@holzcrochet Revista Brasileirices | maio 202534 Gilberto Gil deu o pontapé inicial em sua turnê de despedida com um show memorável na Arena Fonte Nova, em Salvador, na noite de 15 de março. A apresentação começou com a icônica canção "Palco" e contou com a presença especial de Margareth Menezes, Ministra da Cultura, e Russo Passapusso, vocalista do BaianaSystem. A turnê, batizada ÚLTIMAS NOTÍCIAS Gilberto Gil dá início à última turnê com show emocionante de estreia em Salvador de "Tempo Rei", está de passagem por outras nove capitais brasileiras, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, com shows que vão até novembro deste ano. Um dos momentos mais marcantes da noite de estreia foi a homenagem à filha do cantor, Preta Gil, que acompanhou a apresentação um dia após receber alta do hospital. Emocionado, Gil dedicou a música "Drão" à filha, enquanto imagens dos dois na infância foram exibidas no telão. Antes do show, a família se reuniu para um almoço em Salvador, e Preta celebrou a ocasião nas redes sociais, destacando a emoção de ver o pai se despedindo dos palcos diante de um estádio lotado com 50 mil espectadores. Fonte consultada: https://gshow.globo.com/cultura-pop/musica/noticia/gilberto-gil-estreia-sua-ultima-turne-com-show-em-salvador.ghtml Im a g e m d e E xa m e ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c la ss ic . e xa m e .c o m /w p -c o nt e nt /u p lo a d s/ 20 24 /0 8/ G il- Te m p o -R e i.j p e g A exposição “Fala Falar Falares” foi inaugurada em março no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, com o objetivo de celebrar a diversidade linguística do Brasil. A mostra interativa destaca os diversos sotaques, expressões e formas de falar presentes no país, explorando como a língua portuguesa se transformou ao longo da história a partir de influências indígenas, africanas e de outros povos. A curadoria foi assinada por Daniela Thomas e Caetano W. Galindo, que ressaltaram o poder da fala como ferramenta de identidade, comunicação e pertencimento. Falas e sotaques do Brasil são celebrados em nova exposição no Museu da Língua Portuguesa A exposição inclui instalações sensoriais e interativas, como projeções de luz sincronizadas à respiração, ressonâncias magnéticas que revelaram o funcionamento do corpo durante a fala e um mapa- múndi que mostra a origem de palavras do português brasileiro. A mostra também aborda o preconceito linguístico e incentiva o público a refletir sobre como a língua carrega marcas sociais e históricas. A entrada no museu é gratuita aos fins de semana, e a exposição ficará em cartaz até setembro. Fonte consultada: https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-03/nova-exposicao-em-sp-destaca-falas-e-sotaques-do-brasil Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 35 Brasil volta a exigir visto para EUA, Canadá e Austrália; Japão retira exigência para brasileiros que viajam aos EUA. Apesar da exigência determinada por decreto presidencial, o Senado aprovou um projeto de lei que suspenderia a necessidade de visto para cidadãos desses três países, além do Japão, mas a proposta ainda precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados. No entanto, o Japão já não exige mais visto de turistas brasileiros desde setembro de 2023, graças a um acordo de isenção recíproca firmado entre os dois países, com validade de três anos. A partir de 10 de abril deste ano, o Brasil voltou a exigir visto de entrada para turistas da Austrália, Canadá e Estados Unidos, retomando a exigência com base no princípio da reciprocidade, já que esses países não isentam brasileiros da mesma obrigação. O processo de solicitação deve ser feito online, com taxa de US$ 80,90, e o visto permitirá estadas de até 90 dias. O Ministério das Relações Exteriores informou que continuam as negociações para possíveis acordos bilaterais de isenção. O ministro do Turismo, Celso Sabino, reforçou que o Brasil ainda busca a isenção de vistos para brasileiros Fonte consultada: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/brasil-comeca-exigir-visto-para-eua-canada-e-australia-nesta- quinta Lady Gaga fez história no dia 3 de maio ao reunir 2,5 milhões de pessoas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O evento, apelidado de Gagacabana pelos fãs e pela própria produção, se tornou o maior da carreira da cantora e um dos mais grandiosos já realizados na orla carioca. Em um dos momentos mais emocionantes da noite, Gaga Gagacabana: Lady Gaga quebra recordes e reúne mais de 2,5 milhões de pessoas em Copacabana leu uma carta ao lado de um fã brasileiro, agradeceu pela espera de mais de 10 anos e se declarou ao país. Em seu Instagram, ela escreveu: "Estima-se que 2,5 milhões de pessoas vieram me ver cantar, a maior multidão para qualquer mulher na história". A apresentação impactou fortemente o turismo e a economia local. Mais de 500 mil turistas desembarcaram na cidade entre os dias 1º e 3 de maio, superando a expectativa inicial de 240 mil visitantes. Com estrutura orçada em R$ 92 milhões — incluindo cachê, transporte, hospedagem e equipamentos —, o evento deve injetar mais de R$ 600 milhões na economia carioca, movimentando setores como hotelaria, gastronomia, transporte e comércio. Fonte consultada: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2025-05/lady-gaga-leva-21-milhoes-areias-de- copacabana Im a g e m d e in m a g a zi ne ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - in m a ga zi ne .ig .c o m .b r/ m o d a / la d y- g a g a -b ril ha -c o m -v e st id o s- na s- c o re s- d o -b ra si l- e m -s ho w / Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202536 PARA LER, VER, OUVIR… SENTIR Como em toda edição, reunimos uma seleção especial para quem quer explorar a arte brasileira, com sugestões que passeiam pela literatura, cinema, música e artes visuais. Nossas dicas Raphael Montes Vitória Raphael Montes é um fenômeno atual da literatura e do audiovisual brasileiros. Autor da aclamada novela “Beleza Fatal", um dos maiores sucessos de 2025 no streaming e presença constante entre os assuntos mais comentados nas redes sociais, Montes já era conhecido antes disso por sua trajetória marcada por best-sellers e roteiros de grande repercussão. Carioca nascido em 1990, ele começou a escrever ainda adolescente, com contos policiais inspirados por Agatha Christie e publicados em comunidades na extinta rede social Orkut. Seu primeiro romance, “Suicidas”, foi lançado em 2012 e abriu caminho para títulos como “Jantar secreto” e “Dias perfeitos”, muitos deles com adaptações para teatro, cinema e TV. Além da literatura, Raphael Montes se destaca como roteirista de obras que impactaram o público, como os filmes “A menina que matou os pais” e “O menino que matou meus pais”, e a série “Bom dia, Verônica”, sucesso internacional na Netflix. Seus livros já venderam mais de 500 mil cópias e foram traduzidos para 25 idiomas. Em 2024 e 2025, consolidou-se ainda mais como o nome do momento, com lançamentos como “Uma família feliz", que também virou filme, e o elogiado “A magia mortal”. Com talento para criar tramas envolventes, Raphael Montes une suspense, crítica social e entretenimento como poucos, ocupando um lugar de destaque na cultura contemporânea brasileira. “Vitória” é um drama brasileiro lançado em março de 2025, dirigido por Andrucha Waddington e pelo falecido Breno Silveira, em seu trabalho póstumo. Baseado no livro “Dona Vitória Joana da Paz”, de Fábio Gusmão, com roteiro de Paula Fiúza, o filme conta a história real de Dona Vitória, uma senhora aposentada que, da janela de casa, filmou ações criminosas de traficantes e policiais no Rio de Janeiro. Sua coragem ao denunciar um esquema de corrupção a tornou símbolo de resistência e justiça. O grande destaque do filme é Fernanda Montenegro, que interpreta Nina, personagem inspirada em Dona Vitória. Aos 90 anos, a atriz entrega uma atuação sensível e poderosa, amplamente elogiada pela crítica, apesar das controvérsias sobre a escolha de uma atriz branca para viver uma mulher negra. Ainda assim, Vitória se destaca pela força de sua narrativa, pela emoção que carrega e pela repercussão nacional e internacional, tornando-se um tributo à coragem de quem enfrenta o medo em nome da verdade. Im a g e m d e F o rb e s (m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - fo rb e s. c o m .b r/ fo rb e sl ife /2 02 5/ 01 / c o m o -r a p ha e l- m o nt e s- vi ro u- um -f e no m e no -d a -l ite ra tu ra -b ra si le ira -a tu a l/ Im a g e m d e w ik ip e d ia ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - p t.w ik ip e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =7 51 92 00 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 37 Tulipa Ruiz Goya Lopes Tulipa Ruiz é uma das vozes mais singulares da música brasileira contemporânea. Cantora, compositora e também ilustradora, conquistou reconhecimento nacional e internacional por seu estilo autoral, que mistura pop, MPB e experimentações sonoras em um universo que ela mesma batizou de “pop florestal”. Desde o lançamento do álbum “Efêmera” (2010), aclamado pela crítica e eleito o Melhor do Ano pela Rolling Stone Brasil, Tulipa vem se consolidando como referência da nova geração de artistas brasileiros. Suas músicas também já renderam parcerias com importantes artistas brasileiros. Ao longo da carreira, Tulipa lançou álbuns como “Tudo Tanto” (2012), “Dancê” (2015) — vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro —, “Tu” (2017) e “Habilidades Extraordinárias” (2022), indicado ao Grammy Latino de 2023. Além de se apresentar em importantes festivais, ela é conhecida por sua entrega nos palcos e pela sensibilidade com que trata temas do cotidiano e da natureza. Goya Lopes é uma artista plástica, designer têxtil e empresária baiana cuja trajetória é marcada por uma profunda valorização da cultura afro-brasileira. Formada em Belas Artes pela UFBA, com especialização na Itália, Goya construiu uma carreira sólida unindo arte, moda e identidade. Fundadora da marca Didara, ela utiliza a estamparia como uma ferramenta de narrativa visual para contar histórias que vão da escravidão ao cangaço, refletindo a vivência e a resistência da população negra no Brasil. Suas criações se destacam por estampas vibrantes e exclusivas, que resgatam e ressignificam elementos da ancestralidade africana, ao mesmo tempo em que dialogam com a pluralidade cultural brasileira. Goya é uma referência na consolidação da moda afro-brasileira como expressão artística e política. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, foi pioneira na valorização de uma identidade visual negra no design têxtil nacional, abrindo caminhos para novas gerações de artistas e estilistas. Seu trabalho já foi reconhecido por instituições como o Museu da Casa Brasileira e a Fundação Palmares, e suas criações chegaram a ambientar eventos oficiais do governo federal. Ao afirmar que a moda afro-brasileira nasce da fusão entre culturas africanas, indígenas e europeias, a artista contribui para uma visão mais ampla e potente da brasilidade, oferecendo uma estética baseada na história, na ancestralidade e na afirmação de identidades negras. Im a g e m d e F e st iv a l S e ns a c io na l ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 20 15 43 10 Im a g e m d e M in is té rio d a C ul tu ra ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 32 72 25 1 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202538 O QUE SIGNIFICA Siricutico Siricutico é uma palavra informal que significa estar ansioso ou nervoso. Ela é usada para descrever uma inquietação súbita, um impulso de agitação ou até uma crise de ansiedade. Pode ser utilizada com o verbo "estar" (estar com siricutico) e também é usada de forma brincalhona ou exagerada para expressar impaciência, empolgação ou até uma pequena crise de raiva. Exemplos: • As crianças estão com siricutico esperando a hora de abrir os presentes. • Quando falaram que ia ter um show do Gilberto Gil, minha mãe teve um siricutico de felicidade! • Ele teve um siricutico quando viu que mexeram nas coisas dele sem permissão. VOCABULÁRIO NOVO Anote aqui as palavras e expressões que você aprendeu nesta edição da Revista Brasileirices. Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 39 Já conhece os outros produtos do Brasileirices? www.brasileirices.com/loja Compre pelo link: Novidade! www.brasileirices.com/loja Saiba mais aqui: Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 http://www.brasileirices.com/loja http://www.brasileirices.com/loja https://www.brasileirices.com/loja Revista Brasileirices | maio 202540 www.brasileirices.com/revistabrasileirices Compre pelo link: Quer escrever um texto para a Revista Brasileirices? Envie sua proposta para nós. Quer divulgar um livro, projeto, curso, produto ouaté mesmo aulas particulares de Português para Estrangeiros na Revista Brasileirices? Envie uma mensagem para mais informações. Contato: canalbrasileirices@gmail.com Perdeu as edições anteriores? Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 http://www.brasileirices.com/revistabrasileirices http://www.brasileirices.com/revistabrasileirices mailto:canalbrasileirices%40gmail.com?subject= www.brasileirices.com 41 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://www.gruposoubr.com.br/congresso2025sua contribuição para a cultura brasileira. Fogueira e bandeirinhas A fogueira é um dos símbolos mais marcantes das Festas Juninas e remete a antigas tradições europeias. Em alguns locais, como nos Pirineus (entre a França e a Espanha), essas fogueiras são consideradas patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO, demonstrando a persistência e a importância desse costume ao longo da história. A origem das fogueiras remete aos rituais pagãos de celebração do solstício, nos quais o fogo representava luz, Quadro “Caipira picando fumo", de Almeida Júnior (1893) A Festa de São João (1893) de Jules Breton retratava camponeses em celebração em torno de uma fogueira Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 7 calor e proteção. No contexto cristão, a fogueira ganhou novos significados, como a comunicação entre os fiéis e os santos juninos. Fazem parte da decoração, além da fogueira, os fogos de artifício, bandeirinhas coloridas e os balões. As bandeirinhas, grande símbolo dessa festa, evoluíram de bandeiras grandes com as imagens dos santos, usadas em procissões, para pequenos enfeites que decoram os arraiais. Já os balões, completam o cenário e no passado serviam para anunciar o começo na festa. No entanto, é importante destacar a proibição do uso de balões no Brasil. Soltar balões é crime ambiental no país, pois pode causar grandes incêndios em áreas de vegetação, bem como colocar em risco a vida de pessoas e animais. Por isso, é fundamental que a Festa Junina seja celebrada com responsabilidade, preservando suas tradições de forma segura. Se quiser usar balões, utilize-os apenas como decoração, mas não os solte no céu. Quermesse, comidas e bebidas A quermesse é o coração das Festas Juninas. Trata-se de uma celebração organizada, geralmente, por igrejas, escolas ou comunidades, com barraquinhas de comidas, bebidas e brincadeiras tradicionais. O ambiente é animado, com música, danças e decorações coloridas, criando um clima festivo e acolhedor. Na culinária junina, o milho e o amendoim são os grandes protagonistas, dando origem O que é um “arraial"? Um arraial é um local onde se realizam festas populares, geralmente ao ar livre, com música, dança e comidas típicas. No Brasil, o termo é especialmente usado no contexto das festas juninas, em espaços decorados para lembrar antigos vilarejos do interior. Muita gente fala e escreve "arraiá", uma forma popular da palavra "arraial". Essa variação reflete a pronúncia mais descontraída e regional, especialmente em contextos informais. Por isso, é comum encontrar cartazes e convites de Festas Juninas usando "arraiá", reforçando o tom festivo e popular da celebração. a pratos típicos muito apreciados nessa época. O milho, cultivado por indígenas há séculos, é um alimento essencial na cultura brasileira e tem sua colheita principal em junho, coincidindo com as festividades e se tornando a base de receitas tradicionais. Além das comidas, as bebidas típicas também desempenham um papel importante nas Festas Juninas. O quentão e o vinho quente são indispensáveis, especialmente nas regiões mais frias do país, pois ajudam a aquecer durante as comemorações. O quentão é feito de cachaça e acompanha especiarias como gengibre, cravo e canela, proporcionando um sabor marcante e reconfortante. Confira a seguir os principais pratos e bebidas típicos das Festas Juninas, que representam um sincretismo da culinária indígena, africana e europeia. Pamonha Cuscuz de milho Bolo de fubá Bolo de milho Curau Broa de milho Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 20258 Danças típicas e o casamento caipira A quadrilha é uma dança coletiva realizada em pares. Seu nome vem do francês "quadrille", uma modalidade de dança de salão que, segundo o historiador e folclorista Câmara Cascudo, foi "a grande dança palaciana do século XIX". Originalmente, era dançada por quatro pares em formação retangular. Sua origem remonta à Inglaterra do século XIII, mas foi na França que se desenvolveu como a dança de salão "quadrille", praticada pela nobreza. Foi trazida ao Brasil no século XIX pela Corte Portuguesa e, com o tempo, ganhou novos significados e adaptações populares. Inicialmente aristocrática, a dança se popularizou, incorporando elementos regionais e um tom humorístico, tão característico da cultura brasileira. A quadrilha é a dança mais tradicional das Festas Juninas, com coreografias marcadas que contam uma história, geralmente culminando no casamento caipira, um teatro improvisado e divertido que encena um casamento no interior. No Brasil, o mestre de cerimônia da quadrilha, responsável por conduzir a dança, dá comandos como: "Olha a cobra!" (todos os pares pulam assustados) e "É mentira!"; "Olha a chuva!" (todos protegem a cabeça com as mãos) e "Já passou!"; "A ponte quebrou!" (os pares dão meia-volta), entre outros. Ainda sobre os comandos da quadrilha, influências francesas também permanecem, com expressões como "anarriê" (de "en arrière" – para trás) e "balancê" (de "balancez" – balançar o corpo). No Brasil, a quadrilha se mesclou à cultura nordestina e se tornou um espetáculo vibrante, com figurinos coloridos, Pipoca Arroz doce Pinhão Vinho quente Milho cozido Paçoca Pé de moleque Canjica Quentão Im a g e m d e A g e c o m B a hi a ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 72 64 71 4 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 9 música animada e improvisações regionais. Ao chegar ao Brasil, essa dança adotou características próprias, incluindo músicas mais animadas e uma narrativa festiva que brinca com a tradição de Santo Antônio como "santo casamenteiro". Essa associação reforça o romantismo do mês de junho, que também inclui o Dia dos Namorados, data comercial celebrada em 12 de junho no Brasil, e diversas simpatias para encontrar o amor. E se voltarmos ao início deste artigo, podemos relembrar que Juno (junho) era a deusa romana do casamento… Outra dança presente nas Festas Juninas é a dança das fitas, também conhecida como pau-de-fitas. Também de origem europeia,essa manifestação cultural chegou ao Brasil com influências de Portugal e Espanha e se popularizou em festividades religiosas como as festas do Divino Espírito Santo e o Natal. A dança consiste em um mastro central com fitas coloridas presas no topo. Os dançarinos seguram as pontas das fitas e, ao se movimentarem ao som de instrumentos como sanfona, violão e pandeiro, criam tranças e desenhos coreografados. Essa tradição se espalhou por várias regiões do país, recebendo nomes diferentes. Nos estados do Sul, a dança é comum em festividades de influência açoriana e alemã. Brincadeiras As barraquinhas de brincadeiras são outro ponto alto das Festas Juninas, especialmente para as crianças. Aliás, toda criança brasileira tem alguma memória afetiva com essas festas, principalmente porque sempre há celebrações nas escolas, um momento especial antes das férias de julho, quando a comunidade escolar se reúne com as famílias dos estudantes para celebrar a cultura popular. Em muitas dessas brincadeiras, os participantes competem para ganhar prêmios, chamados de prendas. Os prêmios podem ser brinquedos ou jogos, como bichinhos de pelúcia, bonecas, jogos da memória, estalinhos, pega-varetas, bolhas de sabão, entre outros. Alguns jogos e brincadeiras são mais populares nas Festas Juninas. Vejamos a seguir alguns deles: • Pescaria: os participantes usam uma vara com um anzol para "pescar" peixes de papelão ou plástico em uma piscina artificial. Cada peixe tem um número ou prêmio. • Correio elegante: mensagens anônimas ou engraçadas são enviadasentre os participantes por meio de um mensageiro. • Touro mecânico: o participante sobe em um touro mecânico e precisa se equilibrar enquanto o equipamento se movimenta, simulando os movimentos de um touro de verdade. O objetivo é permanecer no touro o maior tempo possível sem cair. • Bingo: os jogadores recebem cartelas com números aleatórios. Um sorteador anuncia os números, e os participantes marcam os que aparecem em suas cartelas. Ganha quem completar primeiro uma linha, coluna ou a cartela inteira e gritar "Bingo!". Im a g e m d e j o rn a ld a p a ra ib a ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - jo rn a ld a p a ra ib a .c o m .b r/ c ul tu ra /d a nc a s- ju ni na s- d o -n o rd e st e Im a g e m d e a d o lfo b rin q ue d o s (m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - a d o lfo b rin q ue d o s. c o m /f e st a -j un in a .h tm l Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202510 No Nordeste, especialmente em cidades como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), que disputam o título de “Maior São João do Mundo", as celebrações são grandiosas e vibrantes. O forró domina o cenário musical, animando os arraiais e convidando todos a dançar, com a sanfona, o triângulo e a zabumba, instrumentos que sempre marcam presença. A quadrilha é uma tradição forte, e as pessoas acendem fogueiras em frente às casas. O feriado de São João é amplamente celebrado, e os nordestinos aproveitam a ocasião para agradecer pelas chuvas, que são essenciais para a agricultura da região. No Norte, as quadrilhas são animadas e misturam elementos folclóricos da região, com lendas, histórias ribeirinhas e a tradição do Boi-Bumbá. O ponto alto das festividades ocorre no Bumbódromo de Parintins (AM), onde acontece a disputa entre os grupos Boi Garantido e Boi Caprichoso, em um espetáculo cultural grandioso que ocorre no último fim de semana de junho, no Festival Folclórico de Parintins. No Centro-Oeste, as Festas Juninas carregam influências indígenas locais e também do Paraguai, país que faz fronteira com a região. Por esse motivo, além da tradicional quadrilha, duas danças presentes na festa são o cururu e a polca paraguaia. A música varia entre forró e sertanejo, e também são servidas algumas comidas locais. No Sul, as Festas Juninas são marcadas pelo clima frio, o que torna a fogueira um elemento essencial para aquecer os festeiros. Os gaúchos podem utilizar roupas típicas da região, ouvir músicas locais e dançar a dança das fitas. O churrasco e o chimarrão, tão tradicionais no Sul, também podem ser incorporados à Festa Junina, além de outros alimentos típicos, como o pinhão. • Pau de sebo: um tronco alto é coberto de gordura ou sebo para dificultar a escalada. Os participantes tentam subir até o topo para pegar um prêmio colocado no alto. • Tomba-latas: pilhas de latas são montadas, e o objetivo é derrubá-las com bolas ou saquinhos de areia. • Boca do palhaço: uma variação do derruba-latas, mas os participantes devem acertar bolas na boca de um palhaço desenhado. • Argola: o objetivo é acertar argolas em garrafas ou pinos para ganhar prêmios. • Corrida de saco: os participantes entram em sacos de estopa e competem pulando até a linha de chegada. • Corrida do ovo na colher: cada participante recebe uma colher e um ovo (ou uma bola de plástico). O desafio é caminhar até a linha de chegada segurando a colher com o ovo, sem deixá- lo cair. Quem chegar primeiro vence. • Cadeia: os participantes podem “prender” amigos, levando-os para uma área cercada que funciona como uma "cadeia". Para serem libertados, os “presos” precisam cumprir desafios engraçados. Essas brincadeiras tornam a festa ainda mais divertida e cheia de interação entre todos os participantes! Diferentes comemorações do Norte ao Sul do Brasil As Festas Juninas no Brasil são marcadas por uma grande diversidade regional, refletindo as influências culturais de cada parte do país. Embora todas compartilhem elementos como quadrilhas, fogueiras, comidas típicas e muita música, cada região tem suas particularidades que tornam as celebrações únicas. Im a g e m d e P re fe itu ra d e R e c ife ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - w w w 2. re c ife .p e .g o v. b r/ no d e /2 89 30 9 Im a g e m d e Y e sy d ro d rig ue z (m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns . w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 85 10 55 7" >H ip e rli g a ç ã o Boi Garantido no Festival Folclórico de Parintins Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 11 No Sudeste, a figura do caipira ganha destaque, sendo central na celebração, e a música também varia entre sertanejo e forró. As quadrilhas são ensaiadas e costumam incluir encenações engraçadas, como o casamento caipira. Muitas festas são realizadas em escolas, igrejas ou espaços abertos, unindo a comunidade e, muitas vezes, arrecadando recursos para causas sociais. No fim das contas, as Festas Juninas são um grande caldeirão de tradições, sabores e muita animação. Elas juntam o melhor da cultura popular brasileira, com música, dança, comida boa e aquele clima de comunidade e afeto que faz todo mundo se sentir em casa. Seja no Nordeste, com as festas gigantes de São João, ou nas quermesses das cidades pequenas, todo mundo encontra um jeito de celebrar. Então, se tiver uma Festa Junina por perto, aproveite! Pegue um quentão, entre na quadrilha e curta essa festa que, ano após ano, continua conquistando gerações e gerações de brasileiros. * Camilla Wootton Villela é professora de Português como Língua Estrangeira desde 2012, idealizadora do canal Brasileirices no Youtube e da Revista Brasileirices e autora de materiais didáticos na área. Licenciou-se em Letras-Português e é mestra em Literatura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Também é sócia-fundadora do Grupo Sou Brasil, empresa que oferece cursos e consultorias a professores de PLE. Fontes consultadas: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/crggg1np8dxo; https://www.todamateria.com. br/origem-da-festa-junina/; https://www.youtube.com/ watch?v=9YCXfx1jFDg; https://www.youtube.com/ watch?v=p9QPy3LtlG8; Referência das imagens do quadro amarelo, por ordem: commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=160575386; commons.wikimedia. org/w/index.php?curid=88276073; www.roanbonomilho.com.br/blog/linha-familia/ cuscuz-de-milho- com-farinha-de-milho-flocada; commons.wikimedia.org/w/index. php?curid=38577426; commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=924788; commons. wikimedia.org/w/index.php?curid=96891616; www.kitano.com.br/receitas/curau- com-canela-em-po; www.kitano.com.br/receitas/bolo-de-fuba-com-erva-doce; flic. kr/p/7xz5cN isaac'licious; receitas.globo.com/regionais/rpc/plug/pe-de-moleque. ghtml; boomi.com.br/pinhao-e-carboidrato-ou-proteina; www.flickr.com/photos/ leorey/14350862312; https:// commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=132858119; pixabay.com/pt/users/ferencvc-2532966/?utm_source=link- attribution&utm_ medium=referral&utm_campaign=image&utm_ content=1380146">ferencvc por Pixabay; www.kitano.com.br/receitas/ quentao-com-cravo-da-india-e-canela- em-rama; lic.kr/p/qhPFf5 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202512 Im a g e m d e L ic ia R ub in st e in /A g ê nc ia IB G E N o tíc ia s (m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - a g e nc ia d e no tic ia s. ib g e .g o v.b r/ a g e nc ia - no tic ia s/ 20 12 -a g e nc ia -d e -n o tic ia s/ no tic ia s/ 39 35 8- m ul he re s- p re ta s- o u- p a rd a s- g a st a m -m a is -t e m p o -e m -t a re fa s- d o m e st ic a s- p a rt ic ip a m - m e no s- d o -m e rc a d o -d e -t ra b a lh o -e -s a o -m a is -a fe ta d a s- p e la -p o b re za POLÍTICA E SOCIEDADE O trabalho doméstico no Brasil Por Leni* Entre avanços legais e retrocessos sociais, o desafio de garantir dignidade às trabalhadoras do lar. “Antes eu tinha patrão. Agora eu tenho clientes.” Com essa frase, Paula Costa, uma brasileira que trabalha como faxineira em Boston, reflete sobre as diferenças culturais e sociais entre o trabalho doméstico no Brasil e nos Estados Unidos. A declaração, feita em uma entrevista à BBC Brasil em 2021, evidencia não apenas uma mudança de vocabulário, mas uma transformação na percepção de respeito e valorização profissional. No Brasil, o trabalho doméstico carrega marcas de um passado escravagista e de uma estrutura social rigidamente hierarquizada. Desde o período colonial, foi desempenhado por pessoas escravizadas, em especial mulheres negras. Com a abolição da escravidão em 1888, muitas dessas mulheres não tiveram acesso a outras oportunidades e permaneceram na função doméstica em condições precárias. Ao longo do século XX, esse trabalho foi se consolidando como uma ocupação informal e pouco regulamentada. Atualmente, apesar de avanços legais, a profissão ainda é associada a desigualdades de classe, gênero e raça, e sofre de estigmatização. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o país ocupa o segundo lugar no mundo em número de trabalhadores domésticos, atrás apenas da China. No entanto, essa expressiva presença não se traduz em condições dignas para a maioria das profissionais da área. A relação empregador–empregada Ainda tomando como exemplo comparativo o caso da Paula Costa, é de conhecimento geral que nos Estados Unidos há uma segmentação do trabalho. Há profissionais responsáveis exclusivamente por limpeza, babás, cuidadores de idosos, jardineiros, entre outros. Cada função é bem delimitada Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 13 resistência de empregadores, a dificuldade de fiscalização e a limitação de políticas públicas de incentivo à formalização. Na prática, a informalidade ainda predomina. Há, atualmente, quase 6 milhões de trabalhadoras domésticas no país, dos quais 4,3 milhões estão em situação informal. Em 2013, eram 4 milhões sem registro. O número de profissionais formalizadas também caiu: de 1,9 milhão em 2013 para 1,5 milhão em 2022. Gênero, raça e desigualdade O perfil da trabalhadora doméstica no Brasil continua marcado por desigualdades históricas. Segundo o IBGE, 92% da categoria é composta por mulheres, sendo 65% delas negras. A persistência dessa configuração evidencia o impacto estrutural da herança escravocrata. Ainda hoje, é comum encontrar nos apartamentos das classes média e alta um “quarto de empregada” — um cômodo pequeno, mal ventilado, muitas vezes localizado nos fundos da casa, próximo à área de serviço. Essa arquitetura revela muito sobre o lugar social reservado a essas pessoas. O cinema brasileiro já abordou essa realidade com sensibilidade e profundidade. Um exemplo emblemático é o filme “Que horas ela volta?”, dirigido por Anna Muylaert e estrelado por Regina Casé. A obra conta a história de Val, uma empregada doméstica que trabalha há anos para uma família no sudeste do Brasil e vê sua rotina abalada e remunerada de acordo com a demanda. No Brasil, essa divisão é rara. A diarista, como é conhecida popularmente, é contratada para realizar múltiplas tarefas: limpar, lavar, passar, cozinhar e até mesmo cuidar de animais de estimação — tudo em uma única jornada de cerca de oito horas por um valor médio entre 70 e 120 reais, dependendo da cidade ou região. Quando a profissional presta serviço até dois dias por semana na mesma residência, a legislação brasileira não configura vínculo empregatício, o que contribui para o crescimento do trabalho como diarista — alternativa menos cara para os empregadores, porém mais precária para as trabalhadoras. Além das diaristas, existem as empregadas mensalistas, que trabalham em tempo integral para uma única família e recebem um salário fixo no fim do mês. Essas profissionais tradicionalmente são vistas como “quase da família”, embora, na prática, muitas vezes sejam tratadas com informalidade, privadas de alguns direitos básicos, como o próprio tempo de descanso ou até mesmo direitos humanos, casos de mulheres que moram no local de trabalho. Até 2013, era raro encontrar uma empregada doméstica com "carteira assinada". Nesse ano, com a promulgação da PEC das Domésticas, a categoria garantiu finalmente direitos como jornada de trabalho de até 44 horas semanais, pagamento de horas extras, adicional noturno, FGTS obrigatório, seguro- desemprego, entre outros benefícios. Mudanças que representaram avanços importantes. No entanto, sua implementação prática encontrou entraves, como a Im a g e m d e M a rc e llo C a sa l J r ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =2 04 12 00 C a rt a z O fic ia l ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - p t.w ik ip e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =4 91 74 88 Filme “Que horas ela volta?”, dirigido por Anna Muylaert Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202514 quando sua filha vai morar com ela para estudar arquitetura em São Paulo. O filme contrasta duas gerações: a de Val, que aceita as limitações impostas por sua posição social, e a de sua filha, Jéssica, que questiona e desafia essas normas. Produções internacionais como “Roma” (México) e “Parasita” (Coreia do Sul) também exploram essas temáticas, mostrando que a desigualdade no trabalho doméstico é uma questão global. E como dizem que a arte imita a vida, a boa notícia é que os dados indicam mudanças. Entre 1995 e 2015, o número de jovens mulheres brasileiras de até 29 anos que ingressavam no trabalho doméstico caiu de 51,5% para 16%. Essa redução está diretamente ligada ao aumento do acesso à educação básica e ao ensino superior, impulsionado por políticas de cotas sociais e raciais. Muitos desses jovens, filhos de trabalhadoras domésticas, puderam buscar novas oportunidades, inclusive em áreas antes inacessíveis. É um sinal de que, mesmo lentamente, o Brasil caminha para um futuro mais igualitário, com mais Jéssicas para contar e superar a história. * Leni é comunicador social, publicitário e host do “Fala Gringo”, um podcast focado em português, cultura e sociedade brasileira para estrangeiros. Saiba mais em: falagringopodcast.com Fontes consultadas: https://agenciabrasil.ebc.com.br/ geral/noticia/2023-04/ibge-numero-de-empregadas- domesticas-caiu-em-dez-anos; https://www.bbc.com/ portuguese/brasil-57855932; https://brasil.elpais.com/ brasil/2018/02/09/politica/1518183910_858999.html Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://falagringopodcast.com/ www.brasileirices.com 15 PARTIU Sul da Bahia: praias que encantam O sul da Bahia é uma extensa e deslumbrante região litorânea que se estende do extremo sul do estado até o baixo sul, ao longo de 700 km de faixa costeira. Conhecida por sua diversidade de paisagens, a região combina praias paradisíacas, florestas tropicais exuberantes e cidades históricas que são o berço da cultura brasileira. Além disso, a culinária local reflete a forte influência afro- indígena, destacando-se pelo uso do azeite de dendê, leite de coco,peixes e frutos do mar. Para poder conhecer um pouquinho das praias dessa parte da Bahia, é essencial dividi-la em suas principais áreas: a Costa das Baleias, a Costa do Descobrimento, a Costa do Cacau e a Costa do Dendê. Costa das Baleias A Costa das Baleias, situada no extremo sul da Bahia, é um dos destinos mais encantadores do ecoturismo no Brasil. Com cerca de 200 km de litoral, a região é conhecida por suas praias preservadas, recifes de corais, manguezais e, principalmente, pela presença das baleias-jubarte que, durante os meses de julho a novembro, migram para as águas quentes e calmas da região para acasalarem e se reproduzirem. Por esse motivo, a principal atração da Costa das Baleias é o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, declarado como primeiro parque nacional marinho em 1983, localizado a cerca de 70 km da costa. Esse arquipélago é um dos melhores lugares do Brasil Descubra praias paradisíacas em todas as regiões do Litoral Sul da Bahia. Bruno Vieira* Im a g e m d e M ur ilo M á rio D ur a ns ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns . w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =4 03 01 71 3 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202516 Im a g e m d e J M a rin ha d o B ra si l ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 21 93 77 29 0 Im a g e m d e D ie g o T e sc hi ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns . w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =4 05 43 80 4 para a observação das baleias-jubarte, além de ser um verdadeiro paraíso de águas claras, com recifes de corais únicos, incluindo os chapeirões, formações de corais em forma de cogumelo. É possível, também, fazer mergulhos com cilindro e snorkeling para explorar a vida marinha nas diversas ilhas do arquipélago. Para chegar ao arquipélago, é necessário ir até a cidade de Caravelas, de onde partem os barcos para o destino. A travessia dura de 3 a 6 horas. Vale destacar que os passeios terrestres só são permitidos nas ilhas Santa Bárbara e Siriba, sempre com o acompanhamento de um monitor do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). No entanto, a permanência e o pernoite de turistas são permitidos apenas nas embarcações de passeio. Na cidade de Prado, principal município do extremo sul da Bahia, encontram-se praias encantadoras, como a Praia da Paixão. É uma praia com águas calmas e um pequeno riacho de água doce, sendo muito agradável para crianças. Além disso, a região conta com uma excelente infraestrutura de restaurantes, onde é possível saborear a culinária local. O acesso à praia se dá por uma estrada de terra, em um percurso de aproximadamente 20 minutos. As Praias de Cumuruxatiba, distrito de Prado, são uma ótima opção para quem quer fugir dos destinos mais “badalados”, o local se caracteriza por ser uma vila de pescadores com pousadas pé na areia e um mar de águas calmas e falésias deslumbrantes. Para chegar lá, é necessário percorrer uma estrada de terra em um trajeto de aproximadamente 30 km. Outras praias muito visitadas estão no município de Mucuri, conhecidas por Praias da Costa Dourada, que ficam a cerca de 172 km de Prado, fazendo fronteira com o estado do Espírito Santo. As praias possuem lindas falésias e paisagens desérticas, com boa infraestrutura de restaurantes e pousadas para uma estadia confortável. Por fim, vale destacar as praias de Alcobaça, Nova Viçosa e Caravelas para uma aventura completa nas belezas naturais do extremo sul baiano. Costa do Descobrimento A Costa do Descobrimento, situada no sul da Bahia, é uma das regiões mais famosas e turísticas do estado. Foi nessa região que, em 1500, Pedro Álvares Cabral desembarcou, iniciando a colonização do Brasil. Além de seu valor histórico, a região se destaca por suas praias paradisíacas, vilas de pescadores, comunidades indígenas e pela cultura baiana vibrante. Porto Seguro é a principal cidade dessa região, com aeroporto, grandes hotéis e restaurantes famosos. As praias dessa cidade são para todos os gostos, sendo a Praia de Taperapuan uma das mais famosas e movimentadas, com 3 km de extensão, águas calmas e cristalinas, ideais para natação, stand-up paddle e snorkeling. Para quem gosta mais de sossego, a Praia do Mutá é a melhor opção, pois tem águas calmas e é ideal para famílias com crianças que preferem um pouco mais de tranquilidade. Ambas as praias possuem boa infraestrutura com cabanas para tomar uma caipirinha e comer um bom petisco baiano. No entanto, as praias mais famosas do sul da Bahia, atualmente, estão localizadas nos distritos de Arraial D'ajuda, Trancoso e no vilarejo de Caraíva. Em Arraial D'ajuda, a Praia da Pitinga tem um mar calmo e é ideal para banhistas, com falésias e mirantes com vistas incríveis! Entre Trancoso e Caraíva está localizada a Praia do Espelho, considerada uma das praias mais bonitas do Brasil, com piscinas naturais com águas cristalinas. No vilarejo rústico de Caraíva, muito famoso pela icônica frase “Sorria, você está em Caraíva!”, a Praia de Caraíva é dividida entre o mar de um lado e o rio do outro, perfeito para tomar banho e Costa das Baleias Costa do Descobrimento Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 17 relaxar. Para chegar a esses distritos, é necessário atravessar o rio de balsa a partir de Porto Seguro. A travessia dura cerca de 10 minutos e funciona 24 horas por dia. Apesar de pertencer ao município de Prado, no extremo sul, a Praia de Corumbau está a 12 km de Caraíva e é um destino imperdível para quem aprecia a natureza intocada. Um dos destaques do local é a impressionante faixa de areia que surge durante a maré baixa, criando uma passagem que divide o mar, fenômeno conhecido como "Caminho de Moisés". Para ir de Caraíva à praia de Corumbau, siga pela estrada de terra BA-283, que leva à aldeia de Barra Velha, e depois pegue a beira da praia até o rio Corumbau, onde há travessia de canoa. Costa do Cacau A Costa do Cacau é uma das regiões mais charmosas e exuberantes do sul da Bahia. Com praias paradisíacas, Mata Atlântica preservada e um forte legado histórico ligado ao cultivo do cacau. Esse destino encanta tanto os amantes da natureza quanto os apreciadores de chocolate. A região é marcada por um litoral recortado, cachoeiras, manguezais, trilhas e fazendas de cacau, além de uma cultura rica que inspirou as obras do escritor baiano Jorge Amado. Essa região, no sul da Bahia, compreende as cidades de Ilhéus, Itacaré, Canavieiras e Uruçuca. Em Ilhéus, principal cidade da região, a Praia dos Milionários é a mais frequentada. Com boa infraestrutura de bares e restaurantes à beira- mar, é possível desfrutar da deliciosa moqueca baiana, acarajé e peixes fritos. Além disso, um passeio em Ilhéus não estaria completo sem uma visita ao icônico Bar Vesúvio, seguido de uma deliciosa sobremesa na tradicional Sorveteria Ponto Chic – uma verdadeira experiência histórica e gastronômica. Em Serra Grande, distrito de Uruçuca, a Praia do Pé de Serra se destaca por sua ampla faixa de areia e águas cristalinas. Ainda no distrito, o Mirante Serra Grande é um destino imperdível. Situado no ponto mais alto do litoral sul da Bahia, a 82 metros de altitude, oferece uma vista deslumbrante, onde o azul do mar se encontra com a exuberância da Mata Atlântica, criando um cenário inesquecível. Na cidade de Itacaré, a mais turística da Costa do Cacau, há inúmeras praias de natureza exuberante. A Praia da Tiririca é o paraíso dos surfistas, com boas ondas e um ambiente descolado. Já a Praia da Concha é ideal para quem busca águascalmas e estrutura completa, com diversos quiosques, restaurantes e pousadas. Para os amantes de aventura, a Praia da Engenhoca é um refúgio paradisíaco e preservado, perfeito para surfistas. No entanto, o acesso exige uma trilha íngreme cercada por natureza, tornando a chegada ainda mais especial. Outra joia escondida é a Praia de Jeribucaçu, que recompensa os visitantes com um cenário deslumbrante após uma caminhada de 30 minutos pela mata. Lá, o encontro harmonioso entre o rio e o mar cria um espetáculo único, perfeito para relaxar e nadar em águas cristalinas. À noite, em Itacaré, a Rua da Pituba ganha vida e se torna o principal ponto de encontro da cidade. É o lugar ideal para aproveitar bares animados, restaurantes, lojas de lembrancinhas e música ao vivo. Costa do Dendê A Costa do Dendê é marcada por uma forte herança afro-brasileira, especialmente presente na gastronomia local. Pratos como a moqueca baiana, o bobó de camarão e o acarajé são preparados com azeite de dendê, um ingrediente essencial da culinária baiana. Esse óleo vegetal é extraído da polpa do fruto do dendezeiro, uma palmeira originária da África, que se tornou símbolo da identidade cultural e gastronômica da região. A Península de Maraú é um verdadeiro paraíso para quem busca contato com a natureza, praias de água cristalinas, tranquilidade e paisagens de tirar o fôlego. O lugar combina costa oceânica com mar aberto e áreas de baía e manguezais, formando um cenário rico em biodiversidade e beleza natural. Na península, Taipu de Fora é eleita uma das praias mais bonitas do Brasil, famosa pelas piscinas naturais que se formam na maré baixa, ideais para snorkel e observação de peixinhos coloridos. Já em Barra Grande, o principal vilarejo da península, o charme rústico se revela nas ruas de areia, no clima acolhedor e no inesquecível pôr do sol na Praia da Ponta do Im a g e m d e R o sa ne tu r ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - fl ic .k r/ p /T vH ho f Costa do Cacau Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202518 Mutá, um espetáculo que encanta visitantes de todas as partes. Outros passeios imperdíveis na Península são a Ilha da Pedra Furada, fazer a Trilha das Bromélias de quadriciclo e apreciar a Lagoa do Cassange. Morro de São Paulo, um dos destinos mais famosos da Bahia, fica no arquipélago de Tinharé, no município de Cairu, e só pode ser acessado por barco ou avião pequeno. O vilarejo, sem circulação de veículos motorizados, combina lindas praias com vida noturna agitada. As praias são numeradas e fáceis de memorizar: a Primeira Praia é ideal para surfe e esportes aquáticos; a Segunda, mais famosa, reúne bares, restaurantes e festas; a Terceira é tranquila e ótima para passeios de barco; a Quarta tem mar calmo e piscinas naturais; e a Quinta é a mais isolada, perfeita para quem busca sossego. Ainda no município de Cairu, vale conhecer o charmoso vilarejo de Boipeba, mais rústico e pacato, onde é possível explorar as piscinas naturais de Moreré, a Praia de Castelhanos e caminhar na extensa faixa de areia da Praia da Cueira. É possível acessar a Costa do Dendê pelos aeroportos de Salvador e Ilhéus. Para chegar a Morro de São Paulo, há catamarãs saindo diretamente de Salvador. Já para a Península de Maraú, é possível ir de carro pela rodovia de cascalho BA-001 (O-30) ou seguir até a cidade de Camamu e, de lá, pegar uma lancha até Barra Grande. Com tantas paisagens deslumbrantes, sabores únicos e uma energia contagiante, o sul da Bahia é um convite irresistível para quem busca natureza, história, cultura e descanso em um só lugar. Difícil é escolher por onde começar. Então, que tal arrumar as malas e deixar que cada praia revele seu encanto? A Bahia te espera de braços abertos — e com os pés na areia. * Bruno Vieira é mestre em Letras, com ênfase em Linguística Aplicada. É professor de Português para Estrangeiros há mais de 6 anos. Nordestino, natural do sul da Bahia, é apaixonado por trocas interculturais e acredita na linguagem como ponte entre mundos. Conecte-se com ele no LinkedIn ou siga-o no Instagram @vieira_bbruno. Im a g e m d e O tá vi o N o g ue ira ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns . w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 06 25 72 49 Im a g e m d e T . B A ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =6 39 43 06 0 Piscinas naturais de Taipu de Fora Morro de São Paulo Fontes consultadas: https://www.bahia.com.br; https:// www.sulbahia.net. Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://www.linkedin.com/in/bruno-vieira-575a31276 https://www.instagram.com/vieira_bbruno www.brasileirices.com 19 Im a g e m d e D ie g o T iri ra ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 26 23 33 70 A origem do pastel e da palavra Apesar de parecer tipicamente brasileiro, o pastel é resultado de encontros culturais. Acredita-se que ele tenha surgido com imigrantes chineses que vieram ao Brasil no século XIX e adaptaram os rolinhos primavera ao gosto local. Outra teoria diz que os imigrantes japoneses, durante a Segunda Guerra Mundial, começaram a vender pastéis parecidos com os guiozas (dumplings japoneses), como forma de sustento. Na época, por causa do conflito, muitos japoneses eram perseguidos no Brasil e tentavam esconder sua origem, passando- se por chineses. Com o tempo, o pastel foi se "abrasileirando": Na maioria das feiras livres do Brasil, normalmente no começo ou no fim, uma barraca se destaca: a do pastel frito na hora. Crocante, recheado e sempre acompanhado de vinagrete, o pastel de feira é mais do que um salgado popular — é um símbolo da cultura de rua do Brasil. Mas de onde vem essa tradição? E quem são as pessoas por trás das barracas que alimentam gerações com essa delícia? Neste artigo, vamos conhecer a história do pastel, a origem do seu nome e, principalmente, a trajetória de uma família que há 35 anos vive da arte de fazer pastéis com dedicação, amor e muitas histórias para contar. O pastel de feira: uma mistura de culturas, tradições e sabores HUMMM! Por Lucila Yamashita* O pastel é um símbolo da cultura brasileira, fruto da mistura entre tradições chinesas, japonesas e brasileiras. Mais do que um salgado popular, ele carrega histórias de famílias que vivem desse ofício há gerações nas feiras livres do Brasil. Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202520 Im a g e m d e o q ue fa ze rc ur iti b a ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - o q ue fa ze rc ur iti b a .c o m .b r/ o nd e -c o m e r- o -c a p is te l- e m -c ur iti b a / ganhou novos recheios, aumentou de tamanho e virou presença obrigatória nas feiras livres. Quando um japonês pergunta o que é um pastel, costuma-se dizer que é parecido com um guioza frito — e eles logo entendem! Alguns japoneses até utilizam a massa do pastel brasileiro para preparar seus próprios guiozas. É uma mistura interessante de culturas. A palavra pastel vem do italiano “pastello”, que significa "massa pequena" ou "mistura em forma de pasta", e tem origem na palavra pasta (do latim pasta, que também vem do grego pasta — mistura salgada de alimentos). Em português, pastel passou a ser o nome de diversos alimentos fritos ou assados com recheio. Desde sua origem, o pastel está sempre se reinventando. Os sabores variam dos mais tradicionais, como carne, queijo, carne com queijo, palmito e frango com catupiry,até os mais inusitados e criativos, como estrogonofe, feijoada e o famoso Romeu e Julieta, que combina queijo com goiabada (um doce feito de goiaba). Essa variedade mostra como o pastel acompanha a criatividade dos brasileiros e se adapta a todos os gostos. Um exemplo curioso é o “capistel”: um pastel em formato de capivara, animal típico do Brasil e muito querido por aqui. A ideia surgiu em Curitiba, capital do Paraná, no sul do Brasil. O pastel em forma de capivara virou especialidade local e mostra como esse salgado pode ser criativo, divertido e cheio de identidade brasileira. E para acompanhar o pastel, não pode faltar o caldo de cana — uma bebida doce feita da cana-de-açúcar espremida na hora. A combinação do salgado crocante com o suco gelado e adocicado é um clássico das feiras livres brasileiras. Apesar de parecer inusitado, muitos brasileiros não abrem mão dessa dupla, que mistura sabores e sensações de forma única. Curiosamente, muitas barracas de pastel não vendem bebidas, pois nas feiras é comum que as barracas de alimentos e bebidas sejam separadas. Por isso, o freguês compra o pastel em um lugar e o caldo de cana em outro — e essa caminhada entre uma barraca e outra já faz parte da experiência. Uma barraca, uma história A família da Erika, Elaine e Heidi conhece essa tradição como poucas pessoas. A história delas com o pastel começou ainda na infância. Em 1990, os pais compraram uma barraca de pastel em São Paulo, depois de muitos anos trabalhando com frutas. Na época, a Erika tinha 11 anos, a Elaine 10 e Heidi, 9 anos. Como os pais não podiam deixá-las sozinhas em casa, iam todas para a feira. O que começou como uma solução prática acabou se transformando em vocação. As meninas logo começaram a ajudar a montar a barraca, preparar os recheios e, com o tempo, foram assumindo o negócio da família. Aliás, é muito comum que barracas de pastel levem o sobrenome da família que a administra, mostrando como esse trabalho é passado de geração em geração. No caso delas, o nome da barraca é Nishihara’s Pastéis — os pastéis da família Nishihara. Apesar de manterem a tradição, muita coisa mudou nesses 35 anos. Hoje há máquinas que ajudam bastante: para fazer o pastel, preparar o vinagrete, cozinhar a carne e o frango. “Antes, era tudo no braço”, contam. As embalagens também mudaram. Agora usam embalagens barra-gordura — um tipo de papel especial que não deixa o óleo passar. Isso evita que o pastel fique encharcado, ajuda o cliente a comer sem se sujar e o pastel continua sequinho e gostoso. O atendimento também se modernizou. Agora tem pagamento por Pix, encomendas pelo WhatsApp e até pager! Quando o pedido fica pronto, o pager vibra, toca e acende para o cliente pegar. Antes, nos anos 90, decoravam o rosto do freguês e o pedido na memória. Rotina e sabores A rotina começa cedo. Acordam às 4h da manhã, preparam todos os recheios, batem a massa — que demora bastante — e às 6h já estão a caminho da feira. O sabor mais pedido ainda é o clássico pastel de carne. Depois vêm o de queijo, carne com queijo e o de frango com catupiry. Os acompanhamentos preferidos são: vinagrete com repolho, tomate e cebola, molho de pimenta extra forte e, claro, ketchup. Além de muito trabalho, a barraca coleciona Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 21 histórias engraçadas: Teve um freguês que tentou pagar com cartão de ônibus. Outro pediu um palito e as meninas entenderam “pastel de palmito”, contam. Um pedaço do Brasil a cada mordida O pastel de feira é mais do que um salgado: é um pedaço da cultura brasileira. E por trás de cada pastel, existe uma história, como a da família Nishihara que transformou um trabalho em paixão. São décadas de dedicação, superando desafios, inovando com o tempo e servindo, todos os dias, um sabor que virou tradição. Seja pela crocância da massa, pelo recheio bem temperado ou pelas histórias que só a feira tem, o pastel segue firme como símbolo da nossa identidade — e das nossas melhores memórias. * Lucila Yamashita é professora de Português como Língua Estrangeira (PLE) desde 2006. É formada em Letras, especialista em Língua Portuguesa e especialista em Ensino Bilíngue. É sócia-fundadora do Grupo Sou Brasil, empresa focado no ensino para professores de PLE, e também sócia-fundadora do Projeto Pipoca - Português para Crianças do Mundo, onde coordena grupo de professores para ensino de PLE para crianças e de PLH (Português como Língua de Herança), além de elaborar materiais e realizar capacitação de profissionais. Saiba mais em @gruposoubr e @pipoca.portuguesbr. criancas. Ingredientes • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo • 1 ovo • ¼ de xícara (chá) de água • 1½ colher (sopa) de óleo • 2½ colheres (sopa) de cachaça • 1 colher (chá) de sal • farinha de trigo a gosto para polvilhar a bancada Modo de preparo 1. Em uma tigela grande, misture a farinha e o sal. Em uma tigela pequena, quebre o ovo e bata com um garfo. 2. Faça um buraco no centro da farinha e adicione o ovo, a água, o óleo e a cachaça. Misture com um garfo, puxando a farinha do centro para fora. 3. Quando a farinha absorver os líquidos, amasse com as mãos até a massa ficar lisa e macia. A massa pode parecer seca no começo, mas é assim mesmo. 4. Divida a massa ao meio. Envolva a metade que não for usar em plástico para não ressecar. Em uma bancada levemente enfarinhada, abra a outra metade com um rolo até formar um retângulo de 40 cm x 20 cm e 2 mm de espessura. 5. Enquanto abre, gire a massa para não grudar. Cubra com um saquinho plástico, enrole como um rocambole para evitar que grude e leve à geladeira por pelo menos 2 horas. 6. Repita com a outra metade da massa. 7. Após o descanso, monte os pastéis com o recheio que preferir e frite. A massa pode ser guardada na geladeira por até dois dias. Ela pode escurecer e ficar mais úmida, mas é normal. Barraca do Nishihara’s Pastéis. Instagram: @pasteisnishi Im a g e m d e A lto Re la m p a g o ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - c o m m o ns .w ik im e d ia .o rg /w /i nd e x. p hp ?c ur id =1 59 03 81 70 Fontes consultadas: https://origemdapalavra.com.br/ palavras/pastel; https://pt.wikipedia.org/wiki/Pastel_ (culin%C3%A1ria); https://www5.pucsp.br/maturidades/ sabor_saber/index_55.html; https://spcity.com.br/onde- surgiu-o-delicioso-pastel-de-feira-de-sao-paulo; https:// panelinha.com.br/receita/massa-de-pastel-caseira. Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://www.instagram.com/gruposoubr/ https://www.instagram.com/pipoca.portuguesbr.criancas/ https://www.instagram.com/pipoca.portuguesbr.criancas/ https://www.instagram.com/pasteisnishi/ Revista Brasileirices | maio 202522 Revista Brasileirices | maio 2025 Desvendando o pretérito imperfeito: como e quando usá-lo? PAUSA PARA A GRAMÁTICA O pretérito imperfeito é usado para falar de hábitos, cenários e descrever ações contínuas no passado. Entenda suas principais funções com exemplos práticos e exercícios para fixação. Na língua portuguesa há dois passados muito usados que tiram o sono de muitos estudantes: o pretérito perfeito (falei, comi, dormi) e o pretérito imperfeito (falava, dormia, comia). A palavra "perfeito" vem do latim “perfectu(m)”, que significa "feito por inteiro", por isso o pretérito perfeito simples do indicativo expressa ações concluídas no passado. Isso significa que o pretérito imperfeito, por significar “não feito por inteiro”, expressa ações não concluídas? Mais ou menos. A diferença entre esses dois tempos está no aspecto: enquanto um expressa uma ação concluída e pontual (“Ontem comi pizza”), o outro enfatiza ações que expressam duração, continuidade e repetição no passado, como veremos mais adiante. Hoje o foco desta seção é o pretérito imperfeito. Afinal, quando usá-lo? Há algumas situaçõesque pedem o uso desse tempo e que podem ajudar a saber se deve-se ou não empregá-lo. Aqui vão três dicas: 1. Contrastar o passado e o presente Sempre que pensar em situações passadas que são diferentes do presente, deve-se usar o pretérito imperfeito. Exemplos: As famílias eram maiores antigamente. (Isso significa que hoje as famílias são menores.) Antes não tinha tantos restaurantes de comida japonesa em São Paulo. (Isso significa que hoje tem mais.) Quando eu era criança, queria comer batata frita todo dia. (Isso significa que hoje as coisas mudaram.) 2. Fazer descrição de lugares, pessoas, coisas no passado Para fazer uma descrição de algo que você visualiza, mas já passou. Exemplos: Sábado fui para uma festa muito legal: a decoração estava linda, tinha muita comida e era open bar. Tinha muita gente e todo mundo estava feliz. Quando eu era criança, morava em uma casa que ficava em uma rua bem calma. A casa tinha muito espaço e as paredes eram amarelas. Meu quarto tinha uma janela grande por onde entrava muito sol. Por Samira Orra* www.brasileirices.com 22 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 23www.brasileirices.com 3. Falar de rotinas e hábitos no passado Quando você vai falar sobre ações que se repetem por um período de tempo indeterminado no passado. Exemplos: Quando eu era estudante, pegava ônibus todo dia para chegar na universidade. Eu sempre precisava sair de casa duas horas antes do começo das aulas para chegar na hora certa. Às vezes eu me atrasava e perdia a primeira aula. Era muito frustrante. No meu último emprego, eu tinha que falar com clientes todos os dias e também visitava algumas empresas para fazer consultoria. Tinha contato com diferentes pessoas diariamente. Há algumas outras situações mais específicas nas quais usamos o imperfeito: 1. Falar a idade no passado: Eu tinha 6 anos quando andei de avião pela primeira vez. 2. Falar de um tempo no passado: Era verão quando nos conhecemos. Eram seis horas da tarde quando começou a chover. 3. Falar de ações simultâneas no passado (quando expressam ações com duração): Enquanto eu viajava a trabalho, meus gatos ficavam com minha mãe. Enquanto eu tentava dormir, meus vizinhos faziam uma festa. 4. Falar de uma ação que não se concretizou, por algum motivo (ótimo quando você precisa dar uma desculpa para alguém): Hoje de manhã eu ia fazer café, mas tinha acabado. Desculpa, eu ia te ligar ontem, mas não deu tempo. Portanto, o pretérito imperfeito, com seu foco na continuidade, repetição e descrição de ações passadas, é uma ferramenta valiosa na língua portuguesa e ao entender suas principais aplicações — como contrastar o passado com o presente, fazer descrições e falar de rotinas —, fica mais fácil dominar esse tempo verbal. Embora muitas vezes pareça confuso, o pretérito imperfeito tem um papel essencial para expressar nuances do passado que não são capturadas pelo pretérito perfeito. Com prática e atenção às dicas, o uso desse tempo se tornará natural e claro, permitindo uma comunicação mais rica e precisa. Vamos praticar? 1. Complete as frases abaixo com o verbo no pretérito imperfeito do indicativo. a) Quando eu morava no interior, todos os dias de manhã __________ (acordar) com o som dos passarinhos e minha avó já __________ (preparar) o café na cozinha. b) Enquanto meu chefe __________ (falar) sobre o projeto, meus colegas __________ (trocar) mensagens no celular sem que ele percebesse. c) Nós sempre __________ (pedir) comida naquele restaurante porque o atendimento __________ (ser) excelente e os pratos __________ (ter) um sabor caseiro maravilhoso. d) Toda vez que eu __________ (pegar) o ônibus para o trabalho, ele já __________ (estar) lotado, e eu __________ (ficar) de pé até o final do trajeto. 23 Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202524 Revista Brasileirices | maio 2025 * Samira Orra é professora de Português para Estrangeiros há 14 anos. Estudou Letras (português/ árabe) na Universidade de São Paulo (USP) e fez mestrado na mesma instituição. Trabalhou também como professora de português no Egito, na Aswan University, e hoje trabalha com aulas particulares online. Contato: samiraorra@gmail.com. 2. Complete as frases abaixo com o verbo adequado no pretérito perfeito ou no pretérito imperfeito. a) Quando eu era criança, sempre __________ (brincar) na rua com meus amigos. b) Ontem, nós __________ (comer) pizza no jantar. c) Ela __________ (estudar) muito para a prova quando era mais nova. d) No último fim de semana, nós __________ (viajar) para a praia. e) A gente __________ (encontrar) um livro interessante ontem na livraria. f) Ela __________ (escrever) vários e-mails ontem de tarde. g) Na época da escola, minha irmã sempre __________ (ter) aulas de inglês aos sábados. h) Eu __________ (gostar) muito de ir ao cinema quando era mais jovem. www.brasileirices.com 24 Respostas: 1a) acordava; preparava; b) falava; trocavam; c) pedíamos; era; tinham; d) pegava; estava; ficava. 2a) brincava; b) comemos; c) estudava; d) viajamos; e) encontrou; f) escreveu; g) tinha; h) gostava. Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 www.brasileirices.com 25 O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO De Goiânia a Budapeste, este diplomata nos mostra os bastidores da diplomacia brasileira e coragem — trajetórias que envolvem renúncias, reinvenções e escolhas que transformam vidas. Na entrevista desta edição da Revista Brasileirices, recebemos Cláudio Meluzzi Mendes, um diplomata brasileiro que atualmente atua na Embaixada do Brasil em Budapeste, na Hungria. Natural do Centro- Representar o Brasil no exterior é realmente uma missão. A diplomacia brasileira é reconhecida por sua excelência técnica e por formar profissionais que atuam como pontes entre o Brasil e o mundo, promovendo a cultura, a economia, os direitos dos cidadãos brasileiros e os interesses estratégicos do país. Mas por trás desse trabalho essencial estão histórias humanas de dedicação, estudo O diplomata Cláudio Meluzzi Mendes trocou a carreira em TI pela diplomacia, foi aprovado em um dos concursos mais difíceis do Brasil e hoje representa o país na Hungria, enfrentando os desafios e as responsabilidades da vida no exterior. A c e rv o p e ss o a l d e C lá ud io Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 Revista Brasileirices | maio 202526 tudo mais, mas ele não atua na área política- econômica. O oficial de chancelaria tem um trabalho administrativo: ele trabalha com áreas como contabilidade, administração da embaixada, trabalha também com assuntos consulares, com assistência a brasileiros, por exemplo, assinando passaportes, o oficial de chancelaria pode ser vice-cônsul… Então, é uma carreira que é semelhante à carreira de diplomata, mas numa área administrativa. Eu passei nesse concurso em 2005 e continuei estudando para fazer o concurso para carreira de diplomata. Em 2008, eu passei finalmente no concurso para diplomata. E quando a gente passa no concurso de diplomata, a gente faz um curso de um ano e meio. Na época, esse curso também poderia ser equivalente a um mestrado se eu defendesse uma dissertação, e eu fiz isso. Então, eu tenho um mestrado em diplomacia. E desde então, eu venho trabalhando na área de... enfim, como diplomata no Serviço Exterior Brasileiro. Eu morei em Viena, na Áustria... quer dizer, inicialmente eu trabalhei um tempo no Brasil, depois morei em Viena, na Áustria, em Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, voltei para o Brasil, fiquei dois anos, e no ano passado eu vim para a Hungria, cuja capital é Budapeste. E trabalho hoje na Embaixada do Brasil. Na embaixada, há três diplomatas. Eu sou, vamos dizer, o mais jovem na carreira, e tem uma embaixadora, Susan Kleebank, o ministro conselheiro, Roberto Colin, e eu, que sou o número três,vamos dizer assim. Então, nós três diplomatas cuidamos de todos os assuntos de política, economia, ciência e tecnologia, assuntos de assistência a brasileiros… então se tem algum problema mais complexo, né? Então, basicamente, foi essa a trajetória. Oeste do país, nascido em Brasília e criado em Goiânia, em meio ao Cerrado brasileiro, Cláudio trilhou um caminho inspirador e nada linear: começou sua vida profissional na área de Tecnologia da Informação e, após alguns anos atuando no setor, decidiu se reinventar completamente. Foi assim que iniciou uma corajosa transição de carreira, motivada pelo desejo de servir ao país e de atuar em um contexto internacional. A decisão de mudar de área o levou a enfrentar um dos maiores desafios de sua trajetória: preparar-se para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, considerado um dos concursos públicos mais difíceis e concorridos do Brasil. Com provas que exigem domínio de múltiplas línguas, conhecimento profundo de história, geografia, direito, política internacional e economia, o processo seletivo é reconhecido por sua exigência e rigor. Cláudio mergulhou de cabeça nos estudos e, após anos de preparação intensa, conquistou sua vaga no Itamaraty, nosso Ministério das Relações Exteriores. Hoje, atuando no coração da Europa, ele se dedica à complexa tarefa de representar o Brasil junto ao governo húngaro. Entre mudanças de país, saudade de casa, desafios familiares e o cotidiano agitado de uma embaixada, Cláudio gentilmente nos mostrou os bastidores da diplomacia brasileira. Ouça a entrevista que fizemos com ele clicando aqui. Para acompanhar a transcrição do áudio, confira a seguir. Cláudio, seja bem-vindo à Revista Brasileirices, e eu gostaria de iniciar a nossa entrevista pedindo para você se apresentar para os nossos leitores e ouvintes, falando um pouco da sua formação, trajetória e o cargo que ocupa atualmente em Budapeste. É um prazer poder participar dessa entrevista com você. Bom, meu nome é Cláudio Meluzzi Mendes, eu fiz graduação em Ciência da Computação, que não tem nada a ver com diplomacia, e trabalhei 10 anos na área de Tecnologia da Informação. Mas eu cansei um pouco do tema e resolvi mudar de área. Então, eu comecei a me preparar para o concurso para diplomata. Como é uma prova bastante difícil e de uma área bastante diferente daquela que eu tinha estudado inicialmente na universidade, foi difícil passar no concurso, né? Um concurso bastante concorrido na época e hoje também. E eu acabei passando num concurso para oficial de chancelaria, que é uma carreira administrativa do Ministério das Relações Exteriores, faz parte também do Serviço Exterior Brasileiro, então, o oficial de chancelaria pode morar no exterior, como um diplomata, e Instituto Rio Branco Im a g e m d e g o v. b r ( m o d ifi c a d a ) – Fi na lid a d e e d uc a c io na l - g o v. b r/ m re /p t- b r/ in st itu to -r io -b ra nc o /o -i ns tit ut o Licensed to Gabriela Mlatempo - gabrielazone@gmail.com - HP4011272780 https://youtu.be/665F0kyIEFo www.brasileirices.com 27 Interessante! E você mencionou sobre o concurso. Dizem que essa é uma das provas mais difíceis do Brasil. Você lembra um pouco como foi seu processo de se preparar para ela? Você tinha uma rotina de estudo? Você tem alguma dica para quem está nesse processo agora? É, já faz um bom tempo, né? Porque eu passei nesse concurso já tem, acho que 17 anos, talvez? Porque eu tenho 20 anos de Itamaraty. Então, talvez as coisas tenham mudado já um pouco. Na época, eu comecei a estudar... eu morava em Goiânia, e eu comecei a estudar sozinho para o concurso, me preparar com a bibliografia, e foi bastante difícil porque a bibliografia era gigantesca. A prova também consistia e consiste ainda de várias etapas: uma etapa inicial, que é chamada de teste de pré-seleção, que é uma prova objetiva que já era um filtro grande. Então, quando eu fiz, havia mais de 10.000 candidatos, e passavam no teste de pré-seleção 300. Então, era o primeiro grande filtro. Nossa! E depois disso, eram mais... se não me engano, nove provas discursivas. Então, havia provas de português, inglês, no ano que eu fiz, também língua estrangeira francês e, usualmente, também espanhol. Então, inglês, francês e espanhol são línguas estrangeiras obrigatórias. As provas de português e inglês costumam ser de um nível bastante elevado, principalmente a de inglês. Mas não menos a de português. E havia também provas de história, geografia, direito internacional, direito institucional, economia... é possível que eu esteja esquecendo de alguma coisa, mas é mais ou menos isso. Essas provas todas eram feitas em fins de semana. Então, na verdade, o concurso não é um fim de semana só, mas eu acho que eram quatro ou cinco fins de semana fazendo prova todo fim de semana. E aí, desses 300 candidatos… quando eu fiz a prova, a minha turma foi a maior de todos os tempos, ela chegou a aprovar 115 candidatos. Mas o normal é uma aprovação entre 20 e 30 candidatos, eventualmente 50 por ano. Uma das vantagens do concurso é que ele é um concurso que ocorre todo ano. Então, existe uma previsibilidade, a pessoa pode se programar para estudar e ir acumulando conhecimento até que chegue num ponto em que passe na prova. Na época que eu estudei, foi bastante difícil estudar sozinho, e eu acabei… quando eu passei no concurso para oficial de chancelaria, me mudei para Brasília. E eu continuei trabalhando e estudando, e eu fazia cursinho preparatório à noite. O cursinho, na época, era só presencial, não havia cursos online. O curso foi muito bom porque era bastante direcionado para a prova. Então, eu consegui estudar o material melhor, com mais orientação, e isso ajudou bastante na aprovação. E você é de onde? Eu nasci em Brasília, mas cresci em Goiânia. Então, sempre do Centro-Oeste, do Cerrado. Legal! Muito bom! E você nos falou das várias mudanças que você fez, e acho que esse é um tema importante na vida de um diplomata: as mudanças, mudanças de país, mudança de país com família, é muito desafiador, né? Como que foi para você? Na verdade, eu sempre quis o estilo de vida de mudança. Uma das coisas que eu achava bastante difícil na época que eu trabalhava com computação era ter a perspectiva de só continuar naquele trabalho, ao lado das mesmas pessoas, fazendo a mesma rotina. Então, eu tinha interesse em mudar sempre, buscava sempre coisas diferentes. Eu gostava de idiomas, aprendi francês quando era bem pequeno, então tinha uma vontade de morar no exterior. E eu achava... quando eu descobri que existia esse concurso, porque eu nem sabia como é que funcionava, eu achei que tinha muito a ver comigo, porque eu tinha desejo por essa mudança, por essa ausência de rotina e de muita previsibilidade. Tinha muita curiosidade para conhecer o mundo e, enfim, enfrentar desafios diversos. Então, para mim, essa carreira funciona bem. Mas é uma carreira que exige tolerância, paciência. Do ponto de vista familiar, porque eu sou casado, então a minha esposa também gosta desse estilo de vida, e é importante que a família esteja bem confortável, né, nesse sentido. Alguns colegas, por exemplo, tiveram dificuldade porque o cônjuge era médico, por exemplo, e aí uma pessoa que faz medicina não consegue se mudar toda hora de país e ter trabalho. Então, ajustar a vida familiar a esse tipo de mudança constante é sempre um desafio. Então, estar com uma pessoa que também tolera essas mudanças e enfrenta bem isso é importante. Tem uma coisa que talvez poucas pessoas saibam, mas, por exemplo, eu sendo diplomata, quando eu trabalho numa embaixada brasileira, eu tô cercado de brasileiros. Então, eu tô numa certa zona de conforto. Embora eu esteja no exterior, eu estou protegido ali porque tem os colegas, o chefe, subordinados, e vários deles são brasileiros também. Mas para família, não. A