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www.brasileirices.com 1
Tradições, culinária e a importância 
cultural das Festas Juninas no Brasil
O trabalho doméstico no Brasil (p. 12); um passeio pelas praias do sul da Bahia (p. 15); culturas, tradições e sabores do pastel 
de feira (p. 19); tudo sobre o pretérito imperfeito do indicativo (p. 22); entrevista com um diplomata goiano que representa 
o Brasil na Hungria (p. 25); o depoimento de uma eslovaca que, mesmo sem nunca ter pisado no Brasil, vive uma conexão 
profunda com o país (p. 30); e muito mais!
Além disso:
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32Uma das maiores celebrações populares do Brasil mistura tradições europeias, indígenas e 
africanas, reunindo danças como a quadrilha, comidas típicas, fogueiras e bandeirinhas. As 
Festas Juninas também movimentam comunidades, especialmente no Nordeste, valorizando 
a cultura popular e impulsionando a economia local.
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Revista Brasileirices | maio 20252
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Revista Brasileirices | maio 20254
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Índice
POLÍTICA E SOCIEDADE
Clique nos títulos para acessar cada artigo
O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO
Redação e coordenação: Camilla Wootton Villela 
Arte e diagramação: Sol Arte e Design
Revisão: Vinicius Guarilha
p. 5
O trabalho doméstico no Brasilp. 12
PARTIU
Sul da Bahia: praias que encantam p. 15
HUMMM!
O pastel de feira: uma mistura de culturas, tradições e saboresp. 19
PAUSA PARA A GRAMÁTICA
Desvendando o pretérito imperfeito: como e quando usá-lo? p. 22
MINHA HISTÓRIA COM O BRASIL
Conexão Brasil-Eslováquia p. 30
PARA LER, VER, OUVIR… SENTIR
Nossas dicas p. 36
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Atualidades fresquinhas do Brasilp. 34
CAPA
Tradições, culinária e a importância cultural das Festas Juninas no Brasil
De Goiânia a Budapeste, este diplomata nos mostra os bastidores da diplomacia brasileirap. 25
Edição 10 - ano 3 - maio 2025
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As Festas Juninas são uma das celebrações 
mais emblemáticas do Brasil, misturando 
tradições religiosas, folclóricas e culturais de 
maneira única. Com origens em rituais pagãos 
europeus, essas festas foram adaptadas e 
reinventadas no país, ganhando um sotaque 
único e tornando-se uma das maiores 
manifestações populares brasileiras, sendo 
que em algumas regiões rivalizam até mesmo 
com o Carnaval. A fusão de elementos 
pagãos, cristãos, indígenas e africanos 
continua a encantar milhões de pessoas, 
celebrando a alegria, a música e os sabores 
típicos. Neste artigo, vamos conhecer as 
origens das Festas Juninas, suas tradições, 
e como elas se mantêm vivas, atraindo 
turistas e movimentando a economia local, 
enquanto continuam a valorizar a cultura 
popular.
Origem
A origem das Festas Juninas está 
profundamente ligada às celebrações 
pagãs das antigas civilizações europeias, 
que festejavam os ciclos da natureza, 
Tradições, culinária e a 
importância cultural das 
Festas Juninas no Brasil
especialmente o solstício de verão no 
hemisfério norte. Essas festividades, marcadas 
por rituais de fertilidade agrícola, celebravam 
a colheita e a abundância, com grandes 
reuniões comunitárias, muita comida, música 
e dança.
Com o avanço do cristianismo na Europa, 
essas tradições foram apropriadas pela 
Igreja Católica e associadas a três santos 
populares: Santo Antônio (13 de junho), São 
João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). 
De acordo com o Evangelho de Lucas, João 
Batista nasceu seis meses antes de Jesus 
Cristo, e por isso sua data de nascimento 
foi estabelecida no calendário cristão em 
junho, marcando um momento de transição 
entre o nascimento de Cristo, celebrado em 
dezembro, no solstício de inverno na Europa, 
e o de João, que ocorre no meio do ano. 
Assim, a festa de São João absorveu muitos 
dos rituais pagãos, como o uso de fogueiras, 
danças e jogos populares.
Inicialmente chamadas de "Festas 
As Festas Juninas, uma das maiores celebrações populares do Brasil, mistura 
tradições europeias, indígenas e africanas. Com danças como a quadrilha, 
comidas típicas à base de milho e amendoim, fogueiras e bandeirinhas, 
esses festejos movimentam comunidades em todo o país, especialmente 
no Nordeste. Além da diversão, as festas valorizam a cultura popular e 
impulsionam a economia local.
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CAPA
Por Camilla Wootton Villela* 
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Revista Brasileirices | maio 20256
Joaninas" (em referência a São João), 
essas comemorações foram adaptadas ao 
cristianismo e se espalharam pelos territórios 
colonizados pelos portugueses, incluindo 
o Brasil. A própria mudança do nome para 
"Festa Junina" ocorreu no Brasil, onde o termo 
passou a fazer referência ao mês de junho, 
período em que as festividades ocorrem. 
Além das influências cristãs, os romanos 
também realizavam festivais no período do 
solstício de junho em homenagem a Juno, 
a deusa do casamento, e a Hécate, deusa 
do fogo e da lua. Esses elementos simbólicos 
reforçaram a importância desse período no 
imaginário popular e foram incorporados às 
festas ao longo do tempo.
As Festas Juninas chegaram ao Brasil, então, 
com os colonizadores portugueses e foram 
enriquecidas com contribuições indígenas 
e africanas. Inicialmente, tinham um caráter 
profundamente religioso, mas com o 
tempo foram sofrendo adaptações para se 
adequarem ao clima e aos costumes locais. 
Inclusive, algumas cidades preferem chamá-
la de “Festa da Cultura Popular” para evitar 
associações religiosas. E como o início do 
inverno se dá em junho na maior parte do país, 
as festividades se reinventaram, utilizando 
ingredientes e práticas mais apropriadas ao 
clima brasileiro dessa época do ano.
Hoje as Festas Juninas são celebradas em 
todo o Brasil, com destaque para o Nordeste, 
onde a Festa de São João é um evento de 
proporções grandiosas. A celebração dura 
todo o mês de junho (sendo, em alguns 
lugares, estendida até julho), mas o ápice 
ocorre no dia 24, dedicado a São João. O 
sincretismo cultural se reflete nas brincadeiras, 
nas roupas e nas comidas típicas, que variam 
de região para região, mas mantêm a 
essência das festas de origem rural.
A figura do caipira ou do homem do campo, 
do interior, é tradicionalmente associada às 
Festas Juninas, sendo representada por trajes 
de roupas xadrez, chapéus de palha e botas. 
No passado, era comum, inclusive, usar 
carvão para desenhar bigodes nas crianças. 
No entanto, é fundamental ter cuidado com 
representações caricatas, como roupas 
remendadas e dentes pintados de preto 
para sugerir desleixo ou precariedade. O 
caipira não é uma fantasia. Reduzir uma 
cultura rica e complexa a um estereótipo 
reforça preconceitos históricos que retratam 
o caipira de forma pejorativa.
A cultura caipira, influenciada por povos 
indígenas, africanos e europeus, é 
fundamental para a identidade nacional. Em 
vez de tratar essa figura de forma jocosa, é 
essencial valorizar e respeitar suas tradições, 
música, linguagem e história, reconhecendofamília, em geral, tem um choque cultural 
maior, porque a família está exposta a um 
idioma diferente, não tem esses brasileiros para 
ajudar em nada. Então, no caso da minha 
esposa, ela enfrenta um choque cultural bem 
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Revista Brasileirices | maio 202528
brasileiro aqui, esse brasileiro é preso, então 
a embaixada oferece algum tipo de apoio, 
mantém contato com a família dessa pessoa 
no Brasil. Ou se um brasileiro é hospitalizado e 
precisa de um tratamento complexo, como 
é que isso fica? Quem vai pagar? Como 
que a família brasileira pode ajudar? Então, 
a embaixada também atua nesses casos de 
assistência consular. Ou, então, até mesmo 
casos mais... por exemplo, brigas familiares e, 
de repente, guarda de filhos. Tem uma série 
de ocorrências, né, da vida das pessoas, dos 
brasileiros aqui, que a embaixada auxilia. 
Então, é um trabalho bastante diversificado.
Então, não existe um projeto único, porque 
há tantas áreas que cada área, num dado 
momento, tem um projeto específico, né?
A vida é animada aí, então! 
Sim. 
Comparando os dois países, Brasil e Hungria, 
tem algum choque cultural que você passou 
e gostaria de compartilhar? Ou algo em 
comum das duas culturas?
É, a Hungria é um país ocidental, como o 
Brasil. Nesse sentido, as coisas são bastante 
semelhantes. Uma coisa que chama atenção 
aqui para um brasileiro sempre, em geral, na 
Europa, mas aqui em particular, é o nível de 
segurança muito elevado. Então, você não 
precisa ter medo de assalto ou de alguma 
coisa assim, que no Brasil é um risco calculado, 
né? Por outro lado, a Hungria está perto da 
Ucrânia, que hoje está numa situação de 
guerra. Então, existe uma certa apreensão, 
vamos dizer assim, sobre o desenrolar das 
coisas, né? Os governos do Brasil e da Hungria 
têm posições diferentes sobre alguns temas, 
isso também gera, né, algum tipo de surpresa. 
Mas, em geral, uma coisa interessante é que o 
povo húngaro é muito tranquilo, vamos dizer 
assim, muito parecido com o jeito brasileiro. As 
pessoas são bem-humoradas, elas conversam. 
Por exemplo, a minha experiência na Áustria 
foi um pouco diferente. Acho que as pessoas 
lá são mais fechadas. E aqui, eu me sinto mais 
em casa. Então, eu acho que, talvez assim, 
haja várias semelhanças entre os dois países. 
Talvez o que mais me chame atenção seja a 
questão da segurança. O idioma é bastante 
complicado, o húngaro... eu comecei a 
estudar, mas é bastante difícil. Mas de vez em 
quando, eu já consigo resolver uma pequena 
coisa na rua e fico feliz com isso.
Uau! É… 
Você acredita que representar o Brasil no 
exterior também seja representar a nossa 
cultura?
Com certeza! Com certeza! Porque muitas 
vezes o estrangeiro não sabe exatamente 
como é a cultura brasileira, né? Existe aquele 
padrão de imaginar que o Brasil é terra de 
maior do que o meu. Quem tem que fazer 
as coisas, às vezes, sei lá, levar o carro para 
consertar, ou fazer compras, e cuidar do dia 
a dia, é ela. Então, ela tem uma, às vezes, 
pressão maior do que eu sinto nessa parte 
cultural. Então, é muito importante conversar, 
e as duas pessoas, ou quando tem filhos, né, 
se sentirem bem com essa situação. Eu não 
tenho filhos, mas para os colegas que têm, é 
sempre difícil. Por exemplo, um adolescente 
ou uma criança perder todos os amigos e ter 
que recomeçar a cada três, quatro anos. Não 
é uma vida fácil nesse sentido. 
Prós e contras, né, Cláudio? A criança conhece 
o mundo, fala mil línguas, tem amigos no 
mundo todo, mas, enfim, esses desafios… 
Interessantíssimo! Eu nunca tinha pensado 
sobre isso, porque você trabalha para o Brasil, 
então você fala sobre o país basicamente o 
dia todo durante sua jornada de trabalho, né? 
E vocês estão trabalhando em algum projeto 
específico nesse momento em Budapeste, 
para a embaixada? 
A embaixada, na verdade, cuida de vários 
temas ao mesmo tempo. Então, todas as 
relações bilaterais, ou seja, entre o Brasil e a 
Hungria, no ponto de vista entre governos, 
elas são tocadas pela embaixada. Então, 
por exemplo, na área cultural, nós temos 
projetos, por exemplo, apresentação de 
filmes brasileiros, apresentação de música 
brasileira, exposições de artistas brasileiros. Na 
área de economia, nós acompanhamos a 
economia da Hungria, o comércio bilateral, 
embora a embaixada não consiga mudar 
muito esses dados, porque o setor privado 
conduz efetivamente o comércio, mas nós 
acompanhamos, levantamos estatísticas 
sobre isso, atuamos na área de promoção 
comercial. Então, por exemplo, recentemente, 
a Embraer fez uma venda de aeronaves para 
o governo húngaro. A embaixada, quando 
é chamada, auxilia nesse tipo de processo. 
Outras empresas privadas brasileiras desejam 
exportar para a Hungria, então a embaixada 
tenta buscar compradores para os produtos 
brasileiros. Tem uma área também, por 
exemplo, política, que nós acompanhamos a 
política local, então o governo da Hungria em 
relação ao governo brasileiro, como é que 
isso funciona. Tem uma parte de assistência 
a brasileiros. Então, brasileiros que moram na 
Hungria – hoje há mais de 1.000 brasileiros que 
residem aqui, alguns têm dupla cidadania, 
outros não. Essas pessoas precisam de 
documentos: passaportes, certidões... nasce 
uma criança filha de brasileiros aqui, ela tem 
que ter uma certidão de nascimento. Pessoas 
fazem CPF. Então, tem toda a parte cartorial 
que a embaixada providencia.
E tem os casos que nós chamamos de 
assistência consular. Por exemplo, se tem um 
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Carnaval, de samba, né, de futebol. E nós 
tentamos mostrar esses aspectos também, 
mas também outros lados. Então, por exemplo, 
quando a gente passa um filme brasileiro, 
às vezes vamos mostrar uma realidade do 
Nordeste brasileiro, algo que ninguém nem 
sabia que existia, uma região, uma cultura 
brasileira que não é conhecida no exterior, 
né?
Eu, como nasci em Brasília, cresci em Goiânia, 
sou do centro do país, quando eu me 
apresento para alguém, eu falo assim: "Eu sou 
brasileiro de um lugar onde não tem mar, não 
tem samba e não tem futebol praticamente, 
né?". E aí as pessoas levam um susto, porque 
elas imaginam aquele lugar e falam assim: 
"Ah, então você mora na Amazônia?". E eu: 
“Também não”. Então, é interessante porque 
as pessoas passam a ter um pouco mais de 
conhecimento sobre o Brasil, sobre as regiões. 
Por exemplo, recentemente, houve um projeto 
aqui com exposições sobre a Amazônia, 
sobre a Grande Floresta, mas também sobre 
as araucárias no sul do Brasil, que, para os 
europeus, também é interessante, porque é 
uma coisa que não é óbvia que eles saibam 
que existe um bioma no sul do Brasil que é 
parecido com os biomas que eles têm. Então, 
é mais ou menos isso. A gente vai aos poucos 
mostrando outras realidades brasileiras.
Muito bom! Para fechar a nossa entrevista, a 
nossa pergunta clássica: eu quero saber, na 
sua opinião, qual é o melhor do brasileiro?
Eu acho que o melhor do brasileiro é a alegria. 
Isso é uma marca muito forte. Então, não... em 
geral, todas as pessoas, só de falar: "Ah, eu 
sou do Brasil", já abrem um sorriso, porque a 
imagem brasileira é muito positiva no exterior. 
Então, é uma imagem realmente de alegria e 
mesmo que seja de futebol ou dos clássicos, 
né, mas é sempre uma ideia de festa, de 
coisas bastante positivas. Eu acho que isso 
é importante, e a gente tem que preservar 
essa visão positiva do Brasil. Outros países 
talvez carreguem uma carga negativa sobre 
passado, história... um passado de guerras, de 
conflitos. Mas, em geral, o brasileiro é visto de 
maneira muito positiva. Eu acho que preservar 
isso é essencial.
Excelente! Cláudio, muito obrigada por 
compartilhar um pouco da sua experiência. 
Nós temos muitos estudantes desse mundo da 
diplomacia, alunos inclusive das embaixadas 
do mundo por aí, e eu tenho certeza que 
eles compartilham de várias das suas dores e 
delíciasque você disse.
Sim, imagino que sim. Eu que agradeço, 
Camilla, a oportunidade, e sigo à disposição.
Palácio do Itamaraty
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Revista Brasileirices | maio 202530
MINHA HISTÓRIA COM O BRASIL
Conexão Brasil-Eslováquia
Meu nome é Lenka Kromholcová e sou 
de um país pequeno de só 5 milhões de 
habitantes, que fica na Europa central – a 
Eslováquia. Todos meus amigos eslovacos 
me conhecem como a grande entusiasta 
do Brasil e do português brasileiro. Aprender 
português e ficar totalmente apaixonada 
pelo Brasil, a cultura e o povo nunca era o 
meu plano. Minha história é mais sobre como 
o caminho até esta língua mais linda do 
mundo me encontrou. É um prazer e grande 
honra poder compartilhar minha experiência 
convoluta com ordem ilógica e aleatória e 
cheia de gambiarra, pois de alguma forma 
ela foi eficiente e muito satisfatória.
O ano era 2018 e eu estava começando o 
penúltimo ano do ensino médio de artes. 
Logo fiquei sabendo que minha escola 
recebeu uma intercambista da Colômbia, 
que chegou para ficar o ano inteiro.
Conheça Lenka, uma eslovaca que nunca pisou no Brasil, mas sente uma 
ligação profunda com o país. Fascinada pelo português brasileiro desde que 
ouviu músicas da Disney em filmes dublados, ela embarcou em uma jornada 
inesperada de aprendizado e descobertas. Entre conversas online e cadernos 
cheios de anotações ela se pergunta: será possível sentir patriotismo por um 
país que nem é o seu?
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Fazia um tempo que eu sonhava em poder 
praticar inglês com alguém que fosse 
estrangeiro ou falante nativo, então essa 
notícia chamou demais minha atenção 
e fiquei super animada para conhecê-la. 
Não demorou muito e a gente virou amigas. 
Foi maravilhoso ter essa oportunidade de 
falar inglês com alguém de tão longe, 
basicamente pela primeira vez na minha 
vida.
E as coisas estavam prestes a ficar melhores 
ainda, porque ela me convidou para 
conhecer mais dois intercambistas que 
chegaram na cidade, dos Estados Unidos e 
do Brasil. Minha reação foi óbvia: mil vezes 
sim!
Meu conhecimento sobre o chamado Brasil 
na época era quase não existente, tanto assim 
que me atrevo a dizer que possivelmente 
não teria conseguido encontrar onde fica no 
mapa se alguém me perguntasse. Portanto, 
não chamou minha atenção de nenhuma 
forma especial na hora. 
Após ter conhecido essas três pessoas 
maravilhosas que me inspiraram demais, 
Valeria, Nick e Pablo, meu interesse 
anteriormente também não existente em 
geografia cresceu demais e comecei a me 
interessar pelas línguas nativas deles com 
empolgação. Muitos compreensivelmente 
pensariam que tendo um intercambista 
brasileiro pessoalmente na minha vida já me 
daria uma exposição intensa ao português e 
à cultura brasileira, mas não foi bem assim. 
Foi muito mais leve e minimalista. A gente 
conseguia se comunicar às vezes usando 
apenas inglês, e brasileiro filtrado por um 
inglês limitado é um brasileiro diferente.
Mesmo que o inglês fosse o meu foco 
principal, o português começou a chamar 
mais a minha atenção, descobrindo ter 
este som nasal que achava muito único e 
tão satisfatório de ouvir. Comecei a escutar 
minhas músicas favoritas da Disney em 
português, memorizando as letras, e até 
criei um caderno para tentar aprender mais. 
Minha fascinação intensa logo culminou em 
uma ideia louca: ir praticar com brasileiros no 
Omegle.
Esse lugar controverso, cheio de brasileiros 
anônimos, foi um ambiente ideal para testar 
meu português gambiarra em forma escrita. 
Com o mais básico do básico, Google 
Tradutor e mais nada que seria de qualquer 
fonte oficial, comecei a tentar me comunicar 
com brasileiros aleatórios. Eram começos 
engraçados, porque eu mal entendia o que 
estava falando, e não entendia nada do 
que as pessoas estavam me respondendo. 
Foi assim mesmo que comecei a aprender 
português. O processo foi incrivelmente 
divertido, e surpreendentemente, eu estava 
aprendendo com uma boa facilidade.
Passei semanas conversando desse jeito 
diariamente, até que consegui manter uma 
conversa muito limitada, utilizando o tradutor 
intensamente para mesmo assim falar tudo 
errado. Mas comecei a conseguir prestar 
atenção no quanto amigáveis e prestativos 
os brasileiros eram comigo, na hora que 
descobriam que tenho interesse em aprender 
português. Achava isso muito surpreendente, 
bem diferente da minha cultura, mas foi 
algo que ressoava muito comigo e foi fácil 
de me acostumar. O lendário jeito brasileiro 
tão charmoso e animado se transmitia 
fortemente mesmo através de chat e da 
barreira linguística, e eu achava muito 
contagiante. Mal sabia que ainda tinha a 
empolgação com o Brasil por vir.
Uma das primeiras histórias que escutei 
sobre o Brasil foi um pouco assustadora. 
Me contaram sobre acordar com tiros e 
explosões, bandidos, roubos e tudo mais. 
Fiquei perplexa em escutar sobre essas 
experiências, porém meu interesse e amor 
crescente pelo Brasil foi mais forte.
O tempo estava passando e eu continuei 
aproveitando demais este processo de 
aprender, fazia muitas anotações em 
português, sentindo alegria toda vez que 
conseguia expressar algo que antes não 
conseguia. Minha ordem de aprender foi 
tão aleatória que foram meses de praticar 
somente a forma escrita antes de começar 
a aprender a pronúncia. Desse jeito, o nível 
do meu português falado foi muito atrasado 
em comparação com o escrito, ainda por 
um bom tempo.
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Revista Brasileirices | maio 202532
Eu continuava frequentando o Omegle e 
um dia encontrei um brasileiro simpático 
que chamou minha atenção. Essa pessoa 
nos próximos cinco anos era meu ótimo 
companheiro Luiz, que estava muito disposto 
a me ajudar e explicar qualquer coisa de 
português que eu não entendia, e animado 
para compartilhar comigo esta troca cultural 
entre Brasil e Eslováquia. Durante esse tempo 
todo eu comecei a amar a cultura brasileira, 
me apaixonei pelo samba e pelo Carnaval, 
tanto assim que até aprendi a sambar em 
casa. Comecei a testar receitas típicas do 
Brasil, como pão de queijo, bolo de cenoura, 
brigadeiro, feijoada, e amei todas. Um dia 
até levei uma sacola de pão de queijo para 
escola para meus colegas experimentarem, e 
todos amaram também, inclusive o professor. 
Comecei a perceber mais as diferenças 
entre sotaques diferentes, principalmente a 
abismal diferença entre sotaque o brasileiro 
e o europeu. Consegui começar a assistir 
filmes e desenhos com dublagens brasileiras 
também, e foram realmente tão ótimas 
como todos me falavam. 
Umas das mil coisas que me surpreenderam 
na cultura brasileira em comparação com a 
minha, foi por exemplo que lá não jogam papel 
higiênico no vaso, não tem aquecedores 
nas casas, a maioria não fala inglês, tomam 
muitos banhos e comem bastante arroz 
e feijão. O equivalente eslovaco disso é 
comermos uma quantidade enorme de pão 
e sopas. Foi interessante imaginar que o Natal 
brasileiro é durante o verão, enquanto aqui é 
inverno escuro com muita neve. E a escala 
gigante do Brasil! Podem passar sete horas 
no ônibus, e chegam é só no outro estado. 
Uma curiosidade sobre a Eslováquia é que 
faz fronteira com cinco países, portanto mal 
conseguimos viajar duas horas de carro e já 
entramos em outro país.
Só depois de ter passado muito tempo com 
o Luiz consegui entender muitas coisas que 
nem tive capacidade de perceber antes e 
conectei para uma imagem mais ampla, 
tanto do português, quanto do Brasil. O que 
eu acho tão bonito e inspirador é como cada 
brasileiro demonstra uma conexãopessoal 
com o seu país e cultura, e o quanto coesa 
e acolhedora é a comunidade brasileira de 
forma geral. É simplesmente impossível tentar 
expressar o quanto eu amava cada momento 
desse processo de aprender em tão poucas 
palavras. Foi incrivelmente empolgante, senti 
muita alegria, pura felicidade e satisfação, 
e o povo brasileiro começou a me lembrar 
mais de casa do que meu próprio povo.
A propósito, eu adoro o hino brasileiro com 
todo meu coração. Depois de conseguir 
entender o significado pleno da letra, me 
emocionei. Tenho essa sensação de tanto 
orgulho pelo Brasil, o português, a cultura e me 
sinto ressoar tanto com a natureza brasileira 
que até esqueço que sou uma eslovaca. 
Será que existe isso: sentir patriotismo pelo 
país que nem é meu?
Nunca cheguei a sentir uma conexão mais 
profunda com minha própria cultura ou 
idioma. As pessoas aqui preferem manter 
espaço pessoal e são bem mais reservadas, 
mais quietas e longe de praticar contato 
físico próximo na base diária. Mas por 
outro lado, quando já consegue ganhar a 
confiança de um eslovaco, creio que vai 
fazer uma amizade profunda a longo prazo, 
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e testemunhar o seu coração frio derreter 
pela luz brasileira.
Até hoje em dia guardo todas as minhas 
anotações, cadernos, prints, fotos e as 
memórias lindas com os intercambistas com 
muito carinho. Continuo usando português 
diariamente, e no meu tempo livre aproveito 
para fazer traduções das músicas e outro 
tipo de conteúdo no Youtube. Tenho muita 
curiosidade de visitar o Brasil para continuar 
neste meu caminho, mas estou suspeitando 
que não seria só para visitar. Da forma que 
este caminho inesperado se orquestrou para 
mim, acredito que ainda tem muito mais por 
vir. Por enquanto aguardo ansiosamente 
pelo próximo passo do caminho se desdobrar 
para mim.
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Revista Brasileirices | maio 202534
Gilberto Gil deu o pontapé inicial em sua turnê 
de despedida com um show memorável na 
Arena Fonte Nova, em Salvador, na noite 
de 15 de março. A apresentação começou 
com a icônica canção "Palco" e contou com 
a presença especial de Margareth Menezes, 
Ministra da Cultura, e Russo Passapusso, 
vocalista do BaianaSystem. A turnê, batizada 
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Gilberto Gil dá início à última turnê com show 
emocionante de estreia em Salvador
de "Tempo Rei", está de passagem por outras 
nove capitais brasileiras, incluindo Rio de 
Janeiro, São Paulo e Brasília, com shows que 
vão até novembro deste ano.
Um dos momentos mais marcantes da 
noite de estreia foi a homenagem à filha 
do cantor, Preta Gil, que acompanhou a 
apresentação um dia após receber alta do 
hospital. Emocionado, Gil dedicou a música 
"Drão" à filha, enquanto imagens dos dois na 
infância foram exibidas no telão. Antes do 
show, a família se reuniu para um almoço 
em Salvador, e Preta celebrou a ocasião nas 
redes sociais, destacando a emoção de ver 
o pai se despedindo dos palcos diante de 
um estádio lotado com 50 mil espectadores.
Fonte consultada: https://gshow.globo.com/cultura-pop/musica/noticia/gilberto-gil-estreia-sua-ultima-turne-com-show-em-salvador.ghtml
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A exposição “Fala Falar Falares” foi 
inaugurada em março no Museu da Língua 
Portuguesa, em São Paulo, com o objetivo 
de celebrar a diversidade linguística do 
Brasil. A mostra interativa destaca os 
diversos sotaques, expressões e formas de 
falar presentes no país, explorando como a 
língua portuguesa se transformou ao longo 
da história a partir de influências indígenas, 
africanas e de outros povos. A curadoria foi 
assinada por Daniela Thomas e Caetano 
W. Galindo, que ressaltaram o poder da 
fala como ferramenta de identidade, 
comunicação e pertencimento.
Falas e sotaques do Brasil são celebrados 
em nova exposição no Museu da Língua 
Portuguesa
A exposição inclui instalações sensoriais 
e interativas, como projeções de luz 
sincronizadas à respiração, ressonâncias 
magnéticas que revelaram o funcionamento 
do corpo durante a fala e um mapa-
múndi que mostra a origem de palavras 
do português brasileiro. A mostra também 
aborda o preconceito linguístico e incentiva 
o público a refletir sobre como a língua 
carrega marcas sociais e históricas. A entrada 
no museu é gratuita aos fins de semana, e a 
exposição ficará em cartaz até setembro.
Fonte consultada: https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-03/nova-exposicao-em-sp-destaca-falas-e-sotaques-do-brasil
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Brasil volta a exigir visto para EUA, Canadá 
e Austrália; Japão retira exigência para 
brasileiros
que viajam aos EUA.
Apesar da exigência determinada por 
decreto presidencial, o Senado aprovou um 
projeto de lei que suspenderia a necessidade 
de visto para cidadãos desses três países, além 
do Japão, mas a proposta ainda precisa ser 
analisada pela Câmara dos Deputados. No 
entanto, o Japão já não exige mais visto de 
turistas brasileiros desde setembro de 2023, 
graças a um acordo de isenção recíproca 
firmado entre os dois países, com validade 
de três anos.
A partir de 10 de abril deste ano, o Brasil 
voltou a exigir visto de entrada para turistas 
da Austrália, Canadá e Estados Unidos, 
retomando a exigência com base no princípio 
da reciprocidade, já que esses países não 
isentam brasileiros da mesma obrigação. O 
processo de solicitação deve ser feito online, 
com taxa de US$ 80,90, e o visto permitirá 
estadas de até 90 dias. O Ministério das 
Relações Exteriores informou que continuam 
as negociações para possíveis acordos 
bilaterais de isenção. O ministro do Turismo, 
Celso Sabino, reforçou que o Brasil ainda 
busca a isenção de vistos para brasileiros 
Fonte consultada: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-04/brasil-comeca-exigir-visto-para-eua-canada-e-australia-nesta-
quinta
Lady Gaga fez história no dia 3 de maio ao 
reunir 2,5 milhões de pessoas na praia de 
Copacabana, no Rio de Janeiro. O evento, 
apelidado de Gagacabana pelos fãs e pela 
própria produção, se tornou o maior da 
carreira da cantora e um dos mais grandiosos 
já realizados na orla carioca. Em um dos 
momentos mais emocionantes da noite, Gaga 
Gagacabana: Lady Gaga quebra recordes e 
reúne mais de 2,5 milhões de pessoas em 
Copacabana
leu uma carta ao lado de um fã brasileiro, 
agradeceu pela espera de mais de 10 anos 
e se declarou ao país. Em seu Instagram, 
ela escreveu: "Estima-se que 2,5 milhões 
de pessoas vieram me ver cantar, a maior 
multidão para qualquer mulher na história". 
 
A apresentação impactou fortemente o 
turismo e a economia local. Mais de 500 
mil turistas desembarcaram na cidade 
entre os dias 1º e 3 de maio, superando 
a expectativa inicial de 240 mil visitantes. 
Com estrutura orçada em R$ 92 milhões — 
incluindo cachê, transporte, hospedagem e 
equipamentos —, o evento deve injetar mais 
de R$ 600 milhões na economia carioca, 
movimentando setores como hotelaria, 
gastronomia, transporte e comércio. 
Fonte consultada: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2025-05/lady-gaga-leva-21-milhoes-areias-de-
copacabana 
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Revista Brasileirices | maio 202536
PARA LER, VER, OUVIR… SENTIR
Como em toda edição, reunimos uma seleção especial para quem quer 
explorar a arte brasileira, com sugestões que passeiam pela literatura, 
cinema, música e artes visuais. 
Nossas dicas
Raphael Montes
Vitória
Raphael Montes é um fenômeno atual da literatura e 
do audiovisual brasileiros. Autor da aclamada novela 
“Beleza Fatal", um dos maiores sucessos de 2025 no 
streaming e presença constante entre os assuntos mais 
comentados nas redes sociais, Montes já era conhecido 
antes disso por sua trajetória marcada por best-sellers 
e roteiros de grande repercussão. Carioca nascido 
em 1990, ele começou a escrever ainda adolescente, 
com contos policiais inspirados por Agatha Christie e 
publicados em comunidades na extinta rede social 
Orkut. Seu primeiro romance, “Suicidas”, foi lançado em 
2012 e abriu caminho para títulos como “Jantar secreto” 
e “Dias perfeitos”, muitos deles com adaptações para teatro, cinema e TV.
Além da literatura, Raphael Montes se destaca como roteirista de obras que impactaram o 
público, como os filmes “A menina que matou os pais” e “O menino que matou meus pais”, e 
a série “Bom dia, Verônica”, sucesso internacional na Netflix. Seus livros já venderam mais de 
500 mil cópias e foram traduzidos para 25 idiomas. Em 2024 e 2025, consolidou-se ainda mais 
como o nome do momento, com lançamentos como “Uma família feliz", que também virou 
filme, e o elogiado “A magia mortal”. Com talento para criar tramas envolventes, Raphael 
Montes une suspense, crítica social e entretenimento como poucos, ocupando um lugar de 
destaque na cultura contemporânea brasileira.
“Vitória” é um drama brasileiro lançado em março de 2025, 
dirigido por Andrucha Waddington e pelo falecido Breno 
Silveira, em seu trabalho póstumo. Baseado no livro “Dona 
Vitória Joana da Paz”, de Fábio Gusmão, com roteiro de Paula 
Fiúza, o filme conta a história real de Dona Vitória, uma senhora 
aposentada que, da janela de casa, filmou ações criminosas 
de traficantes e policiais no Rio de Janeiro. Sua coragem ao 
denunciar um esquema de corrupção a tornou símbolo de 
resistência e justiça.
O grande destaque do filme é Fernanda Montenegro, que 
interpreta Nina, personagem inspirada em Dona Vitória. Aos 
90 anos, a atriz entrega uma atuação sensível e poderosa, 
amplamente elogiada pela crítica, apesar das controvérsias 
sobre a escolha de uma atriz branca para viver uma mulher 
negra. Ainda assim, Vitória se destaca pela força de sua 
narrativa, pela emoção que carrega e pela repercussão 
nacional e internacional, tornando-se um tributo à coragem de quem enfrenta o medo em 
nome da verdade.
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Tulipa Ruiz
Goya Lopes
Tulipa Ruiz é uma das vozes mais singulares da música brasileira 
contemporânea. Cantora, compositora e também ilustradora, 
conquistou reconhecimento nacional e internacional por seu 
estilo autoral, que mistura pop, MPB e experimentações sonoras 
em um universo que ela mesma batizou de “pop florestal”. Desde 
o lançamento do álbum “Efêmera” (2010), aclamado pela crítica 
e eleito o Melhor do Ano pela Rolling Stone Brasil, Tulipa vem se 
consolidando como referência da nova geração de artistas 
brasileiros. Suas músicas também já renderam parcerias com 
importantes artistas brasileiros.
Ao longo da carreira, Tulipa lançou álbuns como “Tudo Tanto” 
(2012), “Dancê” (2015) — vencedor do Grammy Latino de 
Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro —, “Tu” (2017) e 
“Habilidades Extraordinárias” (2022), indicado ao Grammy Latino 
de 2023. Além de se apresentar em importantes festivais, ela é conhecida por sua entrega 
nos palcos e pela sensibilidade com que trata temas do cotidiano e da natureza.
Goya Lopes é uma artista plástica, designer têxtil e empresária 
baiana cuja trajetória é marcada por uma profunda valorização 
da cultura afro-brasileira. Formada em Belas Artes pela UFBA, 
com especialização na Itália, Goya construiu uma carreira sólida 
unindo arte, moda e identidade. Fundadora da marca Didara, 
ela utiliza a estamparia como uma ferramenta de narrativa 
visual para contar histórias que vão da escravidão ao cangaço, 
refletindo a vivência e a resistência da população negra no Brasil. 
Suas criações se destacam por estampas vibrantes e exclusivas, 
que resgatam e ressignificam elementos da ancestralidade 
africana, ao mesmo tempo em que dialogam com a pluralidade 
cultural brasileira.
Goya é uma referência na consolidação da moda afro-brasileira 
como expressão artística e política. Ao longo das décadas de 
1980 e 1990, foi pioneira na valorização de uma identidade 
visual negra no design têxtil nacional, abrindo caminhos para 
novas gerações de artistas e estilistas. Seu trabalho já foi reconhecido por instituições como 
o Museu da Casa Brasileira e a Fundação Palmares, e suas criações chegaram a ambientar 
eventos oficiais do governo federal. Ao afirmar que a moda afro-brasileira nasce da fusão 
entre culturas africanas, indígenas e europeias, a artista contribui para uma visão mais ampla 
e potente da brasilidade, oferecendo uma estética baseada na história, na ancestralidade 
e na afirmação de identidades negras.
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Revista Brasileirices | maio 202538
O QUE SIGNIFICA
Siricutico
Siricutico é uma palavra informal que 
significa estar ansioso ou nervoso. Ela é 
usada para descrever uma inquietação 
súbita, um impulso de agitação ou 
até uma crise de ansiedade. Pode 
ser utilizada com o verbo "estar" (estar 
com siricutico) e também é usada de 
forma brincalhona ou exagerada para 
expressar impaciência, empolgação ou 
até uma pequena crise de raiva.
Exemplos:
• As crianças estão com siricutico 
esperando a hora de abrir os 
presentes.
• Quando falaram que ia ter um show 
do Gilberto Gil, minha mãe teve um 
siricutico de felicidade!
• Ele teve um siricutico quando viu 
que mexeram nas coisas dele sem 
permissão.
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Revista Brasileirices | maio 202540
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https://www.gruposoubr.com.br/congresso2025sua contribuição para a cultura brasileira.
Fogueira e bandeirinhas
A fogueira é um dos símbolos mais marcantes 
das Festas Juninas e remete a antigas 
tradições europeias. Em alguns locais, como 
nos Pirineus (entre a França e a Espanha), 
essas fogueiras são consideradas patrimônio 
cultural imaterial da humanidade pela 
UNESCO, demonstrando a persistência e 
a importância desse costume ao longo 
da história. A origem das fogueiras remete 
aos rituais pagãos de celebração do 
solstício, nos quais o fogo representava luz, 
Quadro “Caipira picando fumo", de Almeida Júnior 
(1893)
A Festa de São João (1893) de Jules Breton retratava 
camponeses em celebração em torno de uma 
fogueira
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calor e proteção. No contexto cristão, a 
fogueira ganhou novos significados, como 
a comunicação entre os fiéis e os santos 
juninos.
Fazem parte da decoração, além da 
fogueira, os fogos de artifício, bandeirinhas 
coloridas e os balões. As bandeirinhas, grande 
símbolo dessa festa, evoluíram de bandeiras 
grandes com as imagens dos santos, usadas 
em procissões, para pequenos enfeites 
que decoram os arraiais. Já os balões, 
completam o cenário e no passado serviam 
para anunciar o começo na festa.
No entanto, é importante destacar a 
proibição do uso de balões no Brasil. 
Soltar balões é crime ambiental no país, 
pois pode causar grandes incêndios em 
áreas de vegetação, bem como colocar 
em risco a vida de pessoas e animais. Por 
isso, é fundamental que a Festa Junina 
seja celebrada com responsabilidade, 
preservando suas tradições de forma segura. 
Se quiser usar balões, utilize-os apenas como 
decoração, mas não os solte no céu.
Quermesse, comidas e bebidas
A quermesse é o coração das Festas 
Juninas. Trata-se de uma celebração 
organizada, geralmente, por igrejas, escolas 
ou comunidades, com barraquinhas de 
comidas, bebidas e brincadeiras tradicionais. 
O ambiente é animado, com música, danças 
e decorações coloridas, criando um clima 
festivo e acolhedor.
Na culinária junina, o milho e o amendoim 
são os grandes protagonistas, dando origem 
O que é um “arraial"? 
Um arraial é um local onde se realizam 
festas populares, geralmente ao ar livre, 
com música, dança e comidas típicas. No 
Brasil, o termo é especialmente usado no 
contexto das festas juninas, em espaços 
decorados para lembrar antigos vilarejos 
do interior.
Muita gente fala e escreve "arraiá", 
uma forma popular da palavra "arraial". 
Essa variação reflete a pronúncia mais 
descontraída e regional, especialmente 
em contextos informais. Por isso, é comum 
encontrar cartazes e convites de Festas 
Juninas usando "arraiá", reforçando o 
tom festivo e popular da celebração.
a pratos típicos muito apreciados nessa 
época. O milho, cultivado por indígenas há 
séculos, é um alimento essencial na cultura 
brasileira e tem sua colheita principal em 
junho, coincidindo com as festividades e se 
tornando a base de receitas tradicionais. 
Além das comidas, as bebidas típicas também 
desempenham um papel importante 
nas Festas Juninas. O quentão e o vinho 
quente são indispensáveis, especialmente 
nas regiões mais frias do país, pois ajudam 
a aquecer durante as comemorações. O 
quentão é feito de cachaça e acompanha 
especiarias como gengibre, cravo e canela, 
proporcionando um sabor marcante e 
reconfortante.
Confira a seguir os principais pratos e bebidas 
típicos das Festas Juninas, que representam 
um sincretismo da culinária indígena, africana 
e europeia.
Pamonha
Cuscuz de milho
Bolo de fubá
Bolo de milho
Curau
Broa de milho
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Revista Brasileirices | maio 20258
Danças típicas e o casamento caipira
A quadrilha é uma dança coletiva realizada 
em pares. Seu nome vem do francês 
"quadrille", uma modalidade de dança de 
salão que, segundo o historiador e folclorista 
Câmara Cascudo, foi "a grande dança 
palaciana do século XIX". Originalmente, era 
dançada por quatro pares em formação 
retangular.
Sua origem remonta à Inglaterra do século 
XIII, mas foi na França que se desenvolveu 
como a dança de salão "quadrille", praticada 
pela nobreza. Foi trazida ao Brasil no século 
XIX pela Corte Portuguesa e, com o tempo, 
ganhou novos significados e adaptações 
populares. Inicialmente aristocrática, 
a dança se popularizou, incorporando 
elementos regionais e um tom humorístico, 
tão característico da cultura brasileira.
A quadrilha é a dança mais tradicional das 
Festas Juninas, com coreografias marcadas 
que contam uma história, geralmente 
culminando no casamento caipira, um 
teatro improvisado e divertido que encena 
um casamento no interior. No Brasil, o mestre 
de cerimônia da quadrilha, responsável por 
conduzir a dança, dá comandos como: 
"Olha a cobra!" (todos os pares pulam 
assustados) e "É mentira!"; "Olha a chuva!" 
(todos protegem a cabeça com as mãos) 
e "Já passou!"; "A ponte quebrou!" (os pares 
dão meia-volta), entre outros.
Ainda sobre os comandos da quadrilha, 
influências francesas também permanecem, 
com expressões como "anarriê" (de "en 
arrière" – para trás) e "balancê" (de "balancez" 
– balançar o corpo). No Brasil, a quadrilha se 
mesclou à cultura nordestina e se tornou um 
espetáculo vibrante, com figurinos coloridos, 
Pipoca
Arroz doce
Pinhão
Vinho quente
Milho cozido
Paçoca
Pé de moleque
Canjica
Quentão
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música animada e improvisações regionais.
Ao chegar ao Brasil, essa dança adotou 
características próprias, incluindo músicas 
mais animadas e uma narrativa festiva que 
brinca com a tradição de Santo Antônio 
como "santo casamenteiro". Essa associação 
reforça o romantismo do mês de junho, que 
também inclui o Dia dos Namorados, data 
comercial celebrada em 12 de junho no 
Brasil, e diversas simpatias para encontrar o 
amor. E se voltarmos ao início deste artigo, 
podemos relembrar que Juno (junho) era a 
deusa romana do casamento…
Outra dança presente nas Festas Juninas 
é a dança das fitas, também conhecida 
como pau-de-fitas. Também de origem 
europeia,essa manifestação cultural chegou 
ao Brasil com influências de Portugal e 
Espanha e se popularizou em festividades 
religiosas como as festas do Divino Espírito 
Santo e o Natal.
A dança consiste em um mastro central 
com fitas coloridas presas no topo. Os 
dançarinos seguram as pontas das fitas e, ao 
se movimentarem ao som de instrumentos 
como sanfona, violão e pandeiro, criam 
tranças e desenhos coreografados. Essa 
tradição se espalhou por várias regiões 
do país, recebendo nomes diferentes. Nos 
estados do Sul, a dança é comum em 
festividades de influência açoriana e alemã.
Brincadeiras
As barraquinhas de brincadeiras são outro 
ponto alto das Festas Juninas, especialmente 
para as crianças. Aliás, toda criança 
brasileira tem alguma memória afetiva com 
essas festas, principalmente porque sempre 
há celebrações nas escolas, um momento 
especial antes das férias de julho, quando 
a comunidade escolar se reúne com as 
famílias dos estudantes para celebrar a 
cultura popular.
Em muitas dessas brincadeiras, os 
participantes competem para ganhar 
prêmios, chamados de prendas. Os prêmios 
podem ser brinquedos ou jogos, como 
bichinhos de pelúcia, bonecas, jogos da 
memória, estalinhos, pega-varetas, bolhas 
de sabão, entre outros.
Alguns jogos e brincadeiras são mais 
populares nas Festas Juninas. Vejamos a 
seguir alguns deles:
• Pescaria: os participantes usam uma 
vara com um anzol para "pescar" peixes 
de papelão ou plástico em uma piscina 
artificial. Cada peixe tem um número ou 
prêmio.
• Correio elegante: mensagens anônimas 
ou engraçadas são enviadasentre os 
participantes por meio de um mensageiro.
• Touro mecânico: o participante sobe em 
um touro mecânico e precisa se equilibrar 
enquanto o equipamento se movimenta, 
simulando os movimentos de um touro de 
verdade. O objetivo é permanecer no 
touro o maior tempo possível sem cair.
• Bingo: os jogadores recebem cartelas 
com números aleatórios. Um sorteador 
anuncia os números, e os participantes 
marcam os que aparecem em suas 
cartelas. Ganha quem completar primeiro 
uma linha, coluna ou a cartela inteira e 
gritar "Bingo!".
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No Nordeste, especialmente em cidades 
como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), 
que disputam o título de “Maior São João do 
Mundo", as celebrações são grandiosas e 
vibrantes. O forró domina o cenário musical, 
animando os arraiais e convidando todos 
a dançar, com a sanfona, o triângulo e a 
zabumba, instrumentos que sempre marcam 
presença. A quadrilha é uma tradição forte, 
e as pessoas acendem fogueiras em frente às 
casas. O feriado de São João é amplamente 
celebrado, e os nordestinos aproveitam a 
ocasião para agradecer pelas chuvas, que 
são essenciais para a agricultura da região. 
No Norte, as quadrilhas são animadas e 
misturam elementos folclóricos da região, 
com lendas, histórias ribeirinhas e a tradição 
do Boi-Bumbá. O ponto alto das festividades 
ocorre no Bumbódromo de Parintins (AM), 
onde acontece a disputa entre os grupos 
Boi Garantido e Boi Caprichoso, em um 
espetáculo cultural grandioso que ocorre no 
último fim de semana de junho, no Festival 
Folclórico de Parintins. 
No Centro-Oeste, as Festas Juninas carregam 
influências indígenas locais e também do 
Paraguai, país que faz fronteira com a 
região. Por esse motivo, além da tradicional 
quadrilha, duas danças presentes na festa 
são o cururu e a polca paraguaia. A música 
varia entre forró e sertanejo, e também são 
servidas algumas comidas locais. 
No Sul, as Festas Juninas são marcadas 
pelo clima frio, o que torna a fogueira um 
elemento essencial para aquecer os festeiros. 
Os gaúchos podem utilizar roupas típicas 
da região, ouvir músicas locais e dançar a 
dança das fitas. O churrasco e o chimarrão, 
tão tradicionais no Sul, também podem ser 
incorporados à Festa Junina, além de outros 
alimentos típicos, como o pinhão. 
• Pau de sebo: um tronco alto é coberto 
de gordura ou sebo para dificultar a 
escalada. Os participantes tentam 
subir até o topo para pegar um prêmio 
colocado no alto.
• Tomba-latas: pilhas de latas são montadas, 
e o objetivo é derrubá-las com bolas ou 
saquinhos de areia.
• Boca do palhaço: uma variação do 
derruba-latas, mas os participantes 
devem acertar bolas na boca de um 
palhaço desenhado.
• Argola: o objetivo é acertar argolas em 
garrafas ou pinos para ganhar prêmios.
• Corrida de saco: os participantes entram 
em sacos de estopa e competem pulando 
até a linha de chegada.
• Corrida do ovo na colher: cada 
participante recebe uma colher e um 
ovo (ou uma bola de plástico). O desafio 
é caminhar até a linha de chegada 
segurando a colher com o ovo, sem deixá-
lo cair. Quem chegar primeiro vence.
• Cadeia: os participantes podem 
“prender” amigos, levando-os para 
uma área cercada que funciona como 
uma "cadeia". Para serem libertados, 
os “presos” precisam cumprir desafios 
engraçados.
Essas brincadeiras tornam a festa ainda mais 
divertida e cheia de interação entre todos os 
participantes!
Diferentes comemorações do Norte ao Sul 
do Brasil
As Festas Juninas no Brasil são marcadas por 
uma grande diversidade regional, refletindo 
as influências culturais de cada parte do 
país. Embora todas compartilhem elementos 
como quadrilhas, fogueiras, comidas típicas 
e muita música, cada região tem suas 
particularidades que tornam as celebrações 
únicas.
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Boi Garantido no Festival Folclórico de Parintins
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No Sudeste, a figura do caipira ganha 
destaque, sendo central na celebração, e a 
música também varia entre sertanejo e forró. 
As quadrilhas são ensaiadas e costumam 
incluir encenações engraçadas, como 
o casamento caipira. Muitas festas são 
realizadas em escolas, igrejas ou espaços 
abertos, unindo a comunidade e, muitas 
vezes, arrecadando recursos para causas 
sociais.
No fim das contas, as Festas Juninas são um 
grande caldeirão de tradições, sabores e 
muita animação. Elas juntam o melhor da 
cultura popular brasileira, com música, dança, 
comida boa e aquele clima de comunidade 
e afeto que faz todo mundo se sentir em casa. 
Seja no Nordeste, com as festas gigantes de 
São João, ou nas quermesses das cidades 
pequenas, todo mundo encontra um jeito de 
celebrar. Então, se tiver uma Festa Junina por 
perto, aproveite! Pegue um quentão, entre 
na quadrilha e curta essa festa que, ano 
após ano, continua conquistando gerações 
e gerações de brasileiros.
* Camilla Wootton Villela é professora de 
Português como Língua Estrangeira desde 2012, 
idealizadora do canal Brasileirices no Youtube e da 
Revista Brasileirices e autora de materiais didáticos 
na área. Licenciou-se em Letras-Português e é 
mestra em Literatura pela Pontifícia Universidade 
Católica de São Paulo. Também é sócia-fundadora 
do Grupo Sou Brasil, empresa que oferece cursos e 
consultorias a professores de PLE.
Fontes consultadas: https://www.bbc.com/portuguese/
articles/crggg1np8dxo; https://www.todamateria.com.
br/origem-da-festa-junina/; https://www.youtube.com/
watch?v=9YCXfx1jFDg; https://www.youtube.com/
watch?v=p9QPy3LtlG8; 
Referência das imagens do quadro amarelo, por ordem: 
commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=160575386; commons.wikimedia.
org/w/index.php?curid=88276073; www.roanbonomilho.com.br/blog/linha-familia/
cuscuz-de-milho- com-farinha-de-milho-flocada; commons.wikimedia.org/w/index.
php?curid=38577426; commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=924788; commons.
wikimedia.org/w/index.php?curid=96891616; www.kitano.com.br/receitas/curau-
com-canela-em-po; www.kitano.com.br/receitas/bolo-de-fuba-com-erva-doce; flic.
kr/p/7xz5cN isaac'licious; receitas.globo.com/regionais/rpc/plug/pe-de-moleque.
ghtml; boomi.com.br/pinhao-e-carboidrato-ou-proteina; www.flickr.com/photos/
leorey/14350862312; https:// commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=132858119; 
pixabay.com/pt/users/ferencvc-2532966/?utm_source=link- attribution&utm_
medium=referral&utm_campaign=image&utm_ content=1380146">ferencvc por Pixabay; www.kitano.com.br/receitas/
quentao-com-cravo-da-india-e-canela- em-rama; lic.kr/p/qhPFf5 
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POLÍTICA E SOCIEDADE
O trabalho doméstico 
no Brasil
Por Leni*
Entre avanços legais e retrocessos sociais, o desafio de garantir dignidade às 
trabalhadoras do lar.
“Antes eu tinha patrão. Agora eu tenho 
clientes.” Com essa frase, Paula Costa, uma 
brasileira que trabalha como faxineira em 
Boston, reflete sobre as diferenças culturais e 
sociais entre o trabalho doméstico no Brasil e 
nos Estados Unidos. A declaração, feita em 
uma entrevista à BBC Brasil em 2021, evidencia 
não apenas uma mudança de vocabulário, 
mas uma transformação na percepção de 
respeito e valorização profissional.
No Brasil, o trabalho doméstico carrega 
marcas de um passado escravagista 
e de uma estrutura social rigidamente 
hierarquizada. Desde o período colonial, foi 
desempenhado por pessoas escravizadas, 
em especial mulheres negras. Com a 
abolição da escravidão em 1888, muitas 
dessas mulheres não tiveram acesso a 
outras oportunidades e permaneceram na 
função doméstica em condições precárias. 
Ao longo do século XX, esse trabalho foi se 
consolidando como uma ocupação informal 
e pouco regulamentada. 
Atualmente, apesar de avanços legais, a 
profissão ainda é associada a desigualdades 
de classe, gênero e raça, e sofre de 
estigmatização. Segundo a Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), o país ocupa 
o segundo lugar no mundo em número de 
trabalhadores domésticos, atrás apenas da 
China. No entanto, essa expressiva presença 
não se traduz em condições dignas para a 
maioria das profissionais da área.
A relação empregador–empregada
Ainda tomando como exemplo comparativo 
o caso da Paula Costa, é de conhecimento 
geral que nos Estados Unidos há uma 
segmentação do trabalho. Há profissionais 
responsáveis exclusivamente por limpeza, 
babás, cuidadores de idosos, jardineiros, 
entre outros. Cada função é bem delimitada 
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resistência de empregadores, a dificuldade 
de fiscalização e a limitação de políticas 
públicas de incentivo à formalização. Na 
prática, a informalidade ainda predomina. 
Há, atualmente, quase 6 milhões de 
trabalhadoras domésticas no país, dos quais 
4,3 milhões estão em situação informal. Em 
2013, eram 4 milhões sem registro. O número 
de profissionais formalizadas também caiu: 
de 1,9 milhão em 2013 para 1,5 milhão em 
2022.
Gênero, raça e desigualdade
O perfil da trabalhadora doméstica no 
Brasil continua marcado por desigualdades 
históricas. Segundo o IBGE, 92% da categoria 
é composta por mulheres, sendo 65% delas 
negras. A persistência dessa configuração 
evidencia o impacto estrutural da herança 
escravocrata.
Ainda hoje, é comum encontrar nos 
apartamentos das classes média e alta um 
“quarto de empregada” — um cômodo 
pequeno, mal ventilado, muitas vezes 
localizado nos fundos da casa, próximo 
à área de serviço. Essa arquitetura revela 
muito sobre o lugar social reservado a essas 
pessoas. 
O cinema brasileiro já abordou essa 
realidade com sensibilidade e profundidade. 
Um exemplo emblemático é o filme “Que 
horas ela volta?”, dirigido por Anna Muylaert 
e estrelado por Regina Casé. A obra conta a 
história de Val, uma empregada doméstica 
que trabalha há anos para uma família no 
sudeste do Brasil e vê sua rotina abalada 
e remunerada de acordo com a demanda. 
No Brasil, essa divisão é rara. 
A diarista, como é conhecida popularmente, 
é contratada para realizar múltiplas tarefas: 
limpar, lavar, passar, cozinhar e até mesmo 
cuidar de animais de estimação — tudo em 
uma única jornada de cerca de oito horas 
por um valor médio entre 70 e 120 reais, 
dependendo da cidade ou região. 
Quando a profissional presta serviço até 
dois dias por semana na mesma residência, 
a legislação brasileira não configura 
vínculo empregatício, o que contribui 
para o crescimento do trabalho como 
diarista — alternativa menos cara para os 
empregadores, porém mais precária para as 
trabalhadoras.
Além das diaristas, existem as empregadas 
mensalistas, que trabalham em tempo 
integral para uma única família e recebem 
um salário fixo no fim do mês. Essas profissionais 
tradicionalmente são vistas como “quase da 
família”, embora, na prática, muitas vezes 
sejam tratadas com informalidade, privadas 
de alguns direitos básicos, como o próprio 
tempo de descanso ou até mesmo direitos 
humanos, casos de mulheres que moram no 
local de trabalho. 
Até 2013, era raro encontrar uma empregada 
doméstica com "carteira assinada". Nesse 
ano, com a promulgação da PEC das 
Domésticas, a categoria garantiu finalmente 
direitos como jornada de trabalho de até 44 
horas semanais, pagamento de horas extras, 
adicional noturno, FGTS obrigatório, seguro-
desemprego, entre outros benefícios. 
Mudanças que representaram avanços 
importantes. No entanto, sua implementação 
prática encontrou entraves, como a 
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Filme “Que horas ela volta?”, dirigido por Anna 
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quando sua filha vai morar com ela para 
estudar arquitetura em São Paulo. O filme 
contrasta duas gerações: a de Val, que 
aceita as limitações impostas por sua posição 
social, e a de sua filha, Jéssica, que questiona 
e desafia essas normas.
Produções internacionais como “Roma” 
(México) e “Parasita” (Coreia do Sul) também 
exploram essas temáticas, mostrando que a 
desigualdade no trabalho doméstico é uma 
questão global.
E como dizem que a arte imita a vida, 
a boa notícia é que os dados indicam 
mudanças. Entre 1995 e 2015, o número de 
jovens mulheres brasileiras de até 29 anos 
que ingressavam no trabalho doméstico 
caiu de 51,5% para 16%. Essa redução está 
diretamente ligada ao aumento do acesso 
à educação básica e ao ensino superior, 
impulsionado por políticas de cotas sociais e 
raciais.
Muitos desses jovens, filhos de trabalhadoras 
domésticas, puderam buscar novas 
oportunidades, inclusive em áreas antes 
inacessíveis. É um sinal de que, mesmo 
lentamente, o Brasil caminha para um futuro 
mais igualitário, com mais Jéssicas para 
contar e superar a história.
* Leni é comunicador social, publicitário e host do 
“Fala Gringo”, um podcast focado em português, 
cultura e sociedade brasileira para estrangeiros. 
Saiba mais em: falagringopodcast.com
Fontes consultadas: https://agenciabrasil.ebc.com.br/
geral/noticia/2023-04/ibge-numero-de-empregadas-
domesticas-caiu-em-dez-anos; https://www.bbc.com/
portuguese/brasil-57855932; https://brasil.elpais.com/
brasil/2018/02/09/politica/1518183910_858999.html
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https://falagringopodcast.com/
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Sul da Bahia: praias que 
encantam
O sul da Bahia é uma extensa e deslumbrante 
região litorânea que se estende do extremo sul 
do estado até o baixo sul, ao longo de 700 km de 
faixa costeira. Conhecida por sua diversidade de 
paisagens, a região combina praias paradisíacas, 
florestas tropicais exuberantes e cidades históricas 
que são o berço da cultura brasileira. Além disso, 
a culinária local reflete a forte influência afro-
indígena, destacando-se pelo uso do azeite de 
dendê, leite de coco,peixes e frutos do mar. 
Para poder conhecer um pouquinho das praias 
dessa parte da Bahia, é essencial dividi-la em suas 
principais áreas: a Costa das Baleias, a Costa do 
Descobrimento, a Costa do Cacau e a Costa do 
Dendê.
Costa das Baleias
A Costa das Baleias, situada no extremo sul da 
Bahia, é um dos destinos mais encantadores do 
ecoturismo no Brasil. Com cerca de 200 km de litoral, 
a região é conhecida por suas praias preservadas, 
recifes de corais, manguezais e, principalmente, 
pela presença das baleias-jubarte que, durante 
os meses de julho a novembro, migram para 
as águas quentes e calmas da região para 
acasalarem e se reproduzirem. Por esse motivo, a 
principal atração da Costa das Baleias é o Parque 
Nacional Marinho dos Abrolhos, declarado 
como primeiro parque nacional marinho em 
1983, localizado a cerca de 70 km da costa. Esse 
arquipélago é um dos melhores lugares do Brasil 
Descubra praias paradisíacas em todas as regiões do Litoral Sul da Bahia.
Bruno Vieira*
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para a observação das baleias-jubarte, além de 
ser um verdadeiro paraíso de águas claras, com 
recifes de corais únicos, incluindo os chapeirões, 
formações de corais em forma de cogumelo. É 
possível, também, fazer mergulhos com cilindro 
e snorkeling para explorar a vida marinha nas 
diversas ilhas do arquipélago. 
Para chegar ao arquipélago, é necessário ir até a 
cidade de Caravelas, de onde partem os barcos 
para o destino. A travessia dura de 3 a 6 horas. 
Vale destacar que os passeios terrestres só são 
permitidos nas ilhas Santa Bárbara e Siriba, sempre 
com o acompanhamento de um monitor do 
ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação 
da Biodiversidade). No entanto, a permanência 
e o pernoite de turistas são permitidos apenas nas 
embarcações de passeio.
Na cidade de Prado, principal município do 
extremo sul da Bahia, encontram-se praias 
encantadoras, como a Praia da Paixão. É uma 
praia com águas calmas e um pequeno riacho 
de água doce, sendo muito agradável para 
crianças. Além disso, a região conta com uma 
excelente infraestrutura de restaurantes, onde 
é possível saborear a culinária local. O acesso 
à praia se dá por uma estrada de terra, em um 
percurso de aproximadamente 20 minutos. 
As Praias de Cumuruxatiba, distrito de Prado, são 
uma ótima opção para quem quer fugir dos 
destinos mais “badalados”, o local se caracteriza 
por ser uma vila de pescadores com pousadas 
pé na areia e um mar de águas calmas e falésias 
deslumbrantes. Para chegar lá, é necessário 
percorrer uma estrada de terra em um trajeto de 
aproximadamente 30 km. 
Outras praias muito visitadas estão no município 
de Mucuri, conhecidas por Praias da Costa 
Dourada, que ficam a cerca de 172 km de Prado, 
fazendo fronteira com o estado do Espírito Santo. 
As praias possuem lindas falésias e paisagens 
desérticas, com boa infraestrutura de restaurantes 
e pousadas para uma estadia confortável. Por 
fim, vale destacar as praias de Alcobaça, Nova 
Viçosa e Caravelas para uma aventura completa 
nas belezas naturais do extremo sul baiano.
Costa do Descobrimento
A Costa do Descobrimento, situada no sul da 
Bahia, é uma das regiões mais famosas e turísticas 
do estado. Foi nessa região que, em 1500, 
Pedro Álvares Cabral desembarcou, iniciando a 
colonização do Brasil. Além de seu valor histórico, 
a região se destaca por suas praias paradisíacas, 
vilas de pescadores, comunidades indígenas e 
pela cultura baiana vibrante.
Porto Seguro é a principal cidade dessa região, 
com aeroporto, grandes hotéis e restaurantes 
famosos. As praias dessa cidade são para todos 
os gostos, sendo a Praia de Taperapuan uma das 
mais famosas e movimentadas, com 3 km de 
extensão, águas calmas e cristalinas, ideais para 
natação, stand-up paddle e snorkeling. Para 
quem gosta mais de sossego, a Praia do Mutá é 
a melhor opção, pois tem águas calmas e é ideal 
para famílias com crianças que preferem um 
pouco mais de tranquilidade. Ambas as praias 
possuem boa infraestrutura com cabanas para 
tomar uma caipirinha e comer um bom petisco 
baiano. 
 
No entanto, as praias mais famosas do sul da Bahia, 
atualmente, estão localizadas nos distritos de 
Arraial D'ajuda, Trancoso e no vilarejo de Caraíva. 
Em Arraial D'ajuda, a Praia da Pitinga tem um 
mar calmo e é ideal para banhistas, com falésias 
e mirantes com vistas incríveis! Entre Trancoso 
e Caraíva está localizada a Praia do Espelho, 
considerada uma das praias mais bonitas do 
Brasil, com piscinas naturais com águas cristalinas. 
No vilarejo rústico de Caraíva, muito famoso pela 
icônica frase “Sorria, você está em Caraíva!”, a 
Praia de Caraíva é dividida entre o mar de um 
lado e o rio do outro, perfeito para tomar banho e 
Costa das Baleias
Costa do Descobrimento
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relaxar. Para chegar a esses distritos, é necessário 
atravessar o rio de balsa a partir de Porto Seguro. 
A travessia dura cerca de 10 minutos e funciona 
24 horas por dia. 
Apesar de pertencer ao município de Prado, no 
extremo sul, a Praia de Corumbau está a 12 km 
de Caraíva e é um destino imperdível para quem 
aprecia a natureza intocada. Um dos destaques 
do local é a impressionante faixa de areia que surge 
durante a maré baixa, criando uma passagem 
que divide o mar, fenômeno conhecido como 
"Caminho de Moisés". Para ir de Caraíva à praia 
de Corumbau, siga pela estrada de terra BA-283, 
que leva à aldeia de Barra Velha, e depois pegue 
a beira da praia até o rio Corumbau, onde há 
travessia de canoa.
Costa do Cacau
A Costa do Cacau é uma das regiões mais 
charmosas e exuberantes do sul da Bahia. Com 
praias paradisíacas, Mata Atlântica preservada 
e um forte legado histórico ligado ao cultivo do 
cacau. Esse destino encanta tanto os amantes da 
natureza quanto os apreciadores de chocolate. 
A região é marcada por um litoral recortado, 
cachoeiras, manguezais, trilhas e fazendas de 
cacau, além de uma cultura rica que inspirou 
as obras do escritor baiano Jorge Amado. Essa 
região, no sul da Bahia, compreende as cidades 
de Ilhéus, Itacaré, Canavieiras e Uruçuca. 
Em Ilhéus, principal cidade da região, a Praia 
dos Milionários é a mais frequentada. Com boa 
infraestrutura de bares e restaurantes à beira-
mar, é possível desfrutar da deliciosa moqueca 
baiana, acarajé e peixes fritos. Além disso, um 
passeio em Ilhéus não estaria completo sem uma 
visita ao icônico Bar Vesúvio, seguido de uma 
deliciosa sobremesa na tradicional Sorveteria 
Ponto Chic – uma verdadeira experiência histórica 
e gastronômica. 
Em Serra Grande, distrito de Uruçuca, a Praia do Pé 
de Serra se destaca por sua ampla faixa de areia e 
águas cristalinas. Ainda no distrito, o Mirante Serra 
Grande é um destino imperdível. Situado no ponto 
mais alto do litoral sul da Bahia, a 82 metros de 
altitude, oferece uma vista deslumbrante, onde o 
azul do mar se encontra com a exuberância da 
Mata Atlântica, criando um cenário inesquecível.
Na cidade de Itacaré, a mais turística da Costa 
do Cacau, há inúmeras praias de natureza 
exuberante. A Praia da Tiririca é o paraíso dos 
surfistas, com boas ondas e um ambiente 
descolado. Já a Praia da Concha é ideal 
para quem busca águascalmas e estrutura 
completa, com diversos quiosques, restaurantes 
e pousadas. Para os amantes de aventura, a 
Praia da Engenhoca é um refúgio paradisíaco e 
preservado, perfeito para surfistas. No entanto, 
o acesso exige uma trilha íngreme cercada 
por natureza, tornando a chegada ainda mais 
especial. Outra joia escondida é a Praia de 
Jeribucaçu, que recompensa os visitantes com um 
cenário deslumbrante após uma caminhada de 
30 minutos pela mata. Lá, o encontro harmonioso 
entre o rio e o mar cria um espetáculo único, 
perfeito para relaxar e nadar em águas cristalinas. 
À noite, em Itacaré, a Rua da Pituba ganha vida e 
se torna o principal ponto de encontro da cidade. 
É o lugar ideal para aproveitar bares animados, 
restaurantes, lojas de lembrancinhas e música ao 
vivo.
Costa do Dendê
A Costa do Dendê é marcada por uma forte 
herança afro-brasileira, especialmente presente 
na gastronomia local. Pratos como a moqueca 
baiana, o bobó de camarão e o acarajé são 
preparados com azeite de dendê, um ingrediente 
essencial da culinária baiana. Esse óleo vegetal 
é extraído da polpa do fruto do dendezeiro, 
uma palmeira originária da África, que se tornou 
símbolo da identidade cultural e gastronômica 
da região.
A Península de Maraú é um verdadeiro paraíso 
para quem busca contato com a natureza, praias 
de água cristalinas, tranquilidade e paisagens de 
tirar o fôlego. O lugar combina costa oceânica 
com mar aberto e áreas de baía e manguezais, 
formando um cenário rico em biodiversidade 
e beleza natural. Na península, Taipu de Fora 
é eleita uma das praias mais bonitas do Brasil, 
famosa pelas piscinas naturais que se formam 
na maré baixa, ideais para snorkel e observação 
de peixinhos coloridos. Já em Barra Grande, o 
principal vilarejo da península, o charme rústico 
se revela nas ruas de areia, no clima acolhedor e 
no inesquecível pôr do sol na Praia da Ponta do 
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Costa do Cacau
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Mutá, um espetáculo que encanta visitantes de 
todas as partes. Outros passeios imperdíveis na 
Península são a Ilha da Pedra Furada, fazer a Trilha 
das Bromélias de quadriciclo e apreciar a Lagoa 
do Cassange.
Morro de São Paulo, um dos destinos mais famosos 
da Bahia, fica no arquipélago de Tinharé, no 
município de Cairu, e só pode ser acessado 
por barco ou avião pequeno. O vilarejo, sem 
circulação de veículos motorizados, combina 
lindas praias com vida noturna agitada. As praias 
são numeradas e fáceis de memorizar: a Primeira 
Praia é ideal para surfe e esportes aquáticos; a 
Segunda, mais famosa, reúne bares, restaurantes 
e festas; a Terceira é tranquila e ótima para 
passeios de barco; a Quarta tem mar calmo e 
piscinas naturais; e a Quinta é a mais isolada, 
perfeita para quem busca sossego. Ainda no 
município de Cairu, vale conhecer o charmoso 
vilarejo de Boipeba, mais rústico e pacato, onde 
é possível explorar as piscinas naturais de Moreré, 
a Praia de Castelhanos e caminhar na extensa 
faixa de areia da Praia da Cueira.
É possível acessar a Costa do Dendê pelos 
aeroportos de Salvador e Ilhéus. Para chegar 
a Morro de São Paulo, há catamarãs saindo 
diretamente de Salvador. Já para a Península 
de Maraú, é possível ir de carro pela rodovia de 
cascalho BA-001 (O-30) ou seguir até a cidade de 
Camamu e, de lá, pegar uma lancha até Barra 
Grande.
Com tantas paisagens deslumbrantes, sabores 
únicos e uma energia contagiante, o sul da 
Bahia é um convite irresistível para quem busca 
natureza, história, cultura e descanso em um só 
lugar. Difícil é escolher por onde começar. Então, 
que tal arrumar as malas e deixar que cada praia 
revele seu encanto? A Bahia te espera de braços 
abertos — e com os pés na areia.
* Bruno Vieira é mestre em Letras, com ênfase 
em Linguística Aplicada. É professor de Português 
para Estrangeiros há mais de 6 anos. Nordestino, 
natural do sul da Bahia, é apaixonado por trocas 
interculturais e acredita na linguagem como 
ponte entre mundos. Conecte-se com ele no 
LinkedIn ou siga-o no Instagram @vieira_bbruno.
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Piscinas naturais de Taipu de Fora
Morro de São Paulo
Fontes consultadas: https://www.bahia.com.br; https://
www.sulbahia.net.
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https://www.linkedin.com/in/bruno-vieira-575a31276
https://www.instagram.com/vieira_bbruno
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A origem do pastel e da palavra
Apesar de parecer tipicamente brasileiro, 
o pastel é resultado de encontros culturais. 
Acredita-se que ele tenha surgido com 
imigrantes chineses que vieram ao Brasil 
no século XIX e adaptaram os rolinhos 
primavera ao gosto local. Outra teoria diz 
que os imigrantes japoneses, durante a 
Segunda Guerra Mundial, começaram a 
vender pastéis parecidos com os guiozas 
(dumplings japoneses), como forma de 
sustento. Na época, por causa do conflito, 
muitos japoneses eram perseguidos no Brasil 
e tentavam esconder sua origem, passando-
se por chineses. 
Com o tempo, o pastel foi se "abrasileirando": 
Na maioria das feiras livres do Brasil, 
normalmente no começo ou no fim, uma 
barraca se destaca: a do pastel frito 
na hora. Crocante, recheado e sempre 
acompanhado de vinagrete, o pastel de 
feira é mais do que um salgado popular — é 
um símbolo da cultura de rua do Brasil. Mas 
de onde vem essa tradição? E quem são as 
pessoas por trás das barracas que alimentam 
gerações com essa delícia?
Neste artigo, vamos conhecer a história 
do pastel, a origem do seu nome e, 
principalmente, a trajetória de uma família 
que há 35 anos vive da arte de fazer pastéis 
com dedicação, amor e muitas histórias para 
contar.
O pastel de feira: uma 
mistura de culturas, 
tradições e sabores
HUMMM!
Por Lucila Yamashita*
O pastel é um símbolo da cultura brasileira, fruto da mistura entre tradições 
chinesas, japonesas e brasileiras. Mais do que um salgado popular, ele carrega 
histórias de famílias que vivem desse ofício há gerações nas feiras livres do 
Brasil.
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ganhou novos recheios, aumentou de 
tamanho e virou presença obrigatória nas 
feiras livres.
Quando um japonês pergunta o que é um 
pastel, costuma-se dizer que é parecido com 
um guioza frito — e eles logo entendem! 
Alguns japoneses até utilizam a massa do 
pastel brasileiro para preparar seus próprios 
guiozas. É uma mistura interessante de 
culturas.
A palavra pastel vem do italiano “pastello”, 
que significa "massa pequena" ou "mistura 
em forma de pasta", e tem origem na 
palavra pasta (do latim pasta, que também 
vem do grego pasta — mistura salgada de 
alimentos). Em português, pastel passou a 
ser o nome de diversos alimentos fritos ou 
assados com recheio.
Desde sua origem, o pastel está sempre se 
reinventando. Os sabores variam dos mais 
tradicionais, como carne, queijo, carne com 
queijo, palmito e frango com catupiry,até os 
mais inusitados e criativos, como estrogonofe, 
feijoada e o famoso Romeu e Julieta, que 
combina queijo com goiabada (um doce 
feito de goiaba). Essa variedade mostra 
como o pastel acompanha a criatividade 
dos brasileiros e se adapta a todos os gostos. 
Um exemplo curioso é o “capistel”: um pastel 
em formato de capivara, animal típico do 
Brasil e muito querido por aqui. A ideia surgiu 
em Curitiba, capital do Paraná, no sul do 
Brasil. O pastel em forma de capivara virou 
especialidade local e mostra como esse 
salgado pode ser criativo, divertido e cheio 
de identidade brasileira.
E para acompanhar o pastel, não pode 
faltar o caldo de cana — uma bebida doce 
feita da cana-de-açúcar espremida na hora. 
A combinação do salgado crocante com o 
suco gelado e adocicado é um clássico das 
feiras livres brasileiras. Apesar de parecer 
inusitado, muitos brasileiros não abrem mão 
dessa dupla, que mistura sabores e sensações 
de forma única. Curiosamente, muitas 
barracas de pastel não vendem bebidas, 
pois nas feiras é comum que as barracas 
de alimentos e bebidas sejam separadas. 
Por isso, o freguês compra o pastel em um 
lugar e o caldo de cana em outro — e essa 
caminhada entre uma barraca e outra já faz 
parte da experiência.
Uma barraca, uma história
A família da Erika, Elaine e Heidi conhece 
essa tradição como poucas pessoas. A 
história delas com o pastel começou ainda 
na infância. Em 1990, os pais compraram 
uma barraca de pastel em São Paulo, depois 
de muitos anos trabalhando com frutas. Na 
época, a Erika tinha 11 anos, a Elaine 10 e 
Heidi, 9 anos. Como os pais não podiam 
deixá-las sozinhas em casa, iam todas para 
a feira.
O que começou como uma solução prática 
acabou se transformando em vocação. As 
meninas logo começaram a ajudar a montar 
a barraca, preparar os recheios e, com 
o tempo, foram assumindo o negócio da 
família. Aliás, é muito comum que barracas 
de pastel levem o sobrenome da família que 
a administra, mostrando como esse trabalho 
é passado de geração em geração. No 
caso delas, o nome da barraca é Nishihara’s 
Pastéis — os pastéis da família Nishihara.
Apesar de manterem a tradição, muita coisa 
mudou nesses 35 anos. Hoje há máquinas 
que ajudam bastante: para fazer o pastel, 
preparar o vinagrete, cozinhar a carne e o 
frango. “Antes, era tudo no braço”, contam.
As embalagens também mudaram. Agora 
usam embalagens barra-gordura — um 
tipo de papel especial que não deixa o 
óleo passar. Isso evita que o pastel fique 
encharcado, ajuda o cliente a comer sem se 
sujar e o pastel continua sequinho e gostoso.
O atendimento também se modernizou. 
Agora tem pagamento por Pix, encomendas 
pelo WhatsApp e até pager! Quando o 
pedido fica pronto, o pager vibra, toca e 
acende para o cliente pegar. Antes, nos 
anos 90, decoravam o rosto do freguês e o 
pedido na memória.
Rotina e sabores
A rotina começa cedo. Acordam às 4h da 
manhã, preparam todos os recheios, batem 
a massa — que demora bastante — e às 6h 
já estão a caminho da feira.
O sabor mais pedido ainda é o clássico pastel 
de carne. Depois vêm o de queijo, carne 
com queijo e o de frango com catupiry. Os 
acompanhamentos preferidos são: vinagrete 
com repolho, tomate e cebola, molho de 
pimenta extra forte e, claro, ketchup.
Além de muito trabalho, a barraca coleciona 
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histórias engraçadas: Teve um freguês que 
tentou pagar com cartão de ônibus. Outro 
pediu um palito e as meninas entenderam 
“pastel de palmito”, contam.
Um pedaço do Brasil a cada mordida
O pastel de feira é mais do que um salgado: 
é um pedaço da cultura brasileira. E por trás 
de cada pastel, existe uma história, como 
a da família Nishihara que transformou 
um trabalho em paixão. São décadas de 
dedicação, superando desafios, inovando 
com o tempo e servindo, todos os dias, um 
sabor que virou tradição.
Seja pela crocância da massa, pelo recheio 
bem temperado ou pelas histórias que só a 
feira tem, o pastel segue firme como símbolo 
da nossa identidade — e das nossas melhores 
memórias.
* Lucila Yamashita é professora de Português 
como Língua Estrangeira (PLE) desde 2006. É 
formada em Letras, especialista em Língua 
Portuguesa e especialista em Ensino Bilíngue. É 
sócia-fundadora do Grupo Sou Brasil, empresa 
focado no ensino para professores de PLE, e 
também sócia-fundadora do Projeto Pipoca 
- Português para Crianças do Mundo, onde 
coordena grupo de professores para ensino de 
PLE para crianças e de PLH (Português como 
Língua de Herança), além de elaborar materiais 
e realizar capacitação de profissionais. Saiba 
mais em @gruposoubr e @pipoca.portuguesbr.
criancas.
Ingredientes
• 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
• 1 ovo
• ¼ de xícara (chá) de água
• 1½ colher (sopa) de óleo
• 2½ colheres (sopa) de cachaça
• 1 colher (chá) de sal
• farinha de trigo a gosto para polvilhar a bancada
Modo de preparo
1. Em uma tigela grande, misture a farinha e o sal. Em uma tigela pequena, quebre o ovo e 
bata com um garfo.
2. Faça um buraco no centro da farinha e adicione o ovo, a água, o óleo e a cachaça. 
Misture com um garfo, puxando a farinha do centro para fora. 
3. Quando a farinha absorver os líquidos, amasse com as mãos até a massa ficar lisa e macia. 
A massa pode parecer seca no começo, mas é assim mesmo.
4. Divida a massa ao meio. Envolva a metade que não for usar em plástico para não ressecar. 
Em uma bancada levemente enfarinhada, abra a outra metade com um rolo até formar um 
retângulo de 40 cm x 20 cm e 2 mm de espessura. 
5. Enquanto abre, gire a massa para não grudar. Cubra com um saquinho plástico, enrole 
como um rocambole para evitar que grude e leve à geladeira por pelo menos 2 horas. 
6. Repita com a outra metade da massa.
7. Após o descanso, monte os pastéis com o recheio que preferir e frite.
A massa pode ser guardada na geladeira por até dois dias. Ela pode escurecer e ficar mais 
úmida, mas é normal.
Barraca do Nishihara’s Pastéis. 
Instagram: @pasteisnishi
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Fontes consultadas: https://origemdapalavra.com.br/
palavras/pastel; https://pt.wikipedia.org/wiki/Pastel_
(culin%C3%A1ria); https://www5.pucsp.br/maturidades/
sabor_saber/index_55.html; https://spcity.com.br/onde-
surgiu-o-delicioso-pastel-de-feira-de-sao-paulo; https://
panelinha.com.br/receita/massa-de-pastel-caseira.
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https://www.instagram.com/gruposoubr/
https://www.instagram.com/pipoca.portuguesbr.criancas/
https://www.instagram.com/pipoca.portuguesbr.criancas/
https://www.instagram.com/pasteisnishi/
Revista Brasileirices | maio 202522 Revista Brasileirices | maio 2025
Desvendando o pretérito 
imperfeito: como e 
quando usá-lo?
PAUSA PARA A GRAMÁTICA
O pretérito imperfeito é usado para falar de hábitos, cenários e descrever 
ações contínuas no passado. Entenda suas principais funções com exemplos 
práticos e exercícios para fixação.
Na língua portuguesa há dois passados muito usados que tiram o sono de muitos estudantes: 
o pretérito perfeito (falei, comi, dormi) e o pretérito imperfeito (falava, dormia, comia). A 
palavra "perfeito" vem do latim “perfectu(m)”, que significa "feito por inteiro", por isso o pretérito 
perfeito simples do indicativo expressa ações concluídas no passado. Isso significa que o 
pretérito imperfeito, por significar “não feito por inteiro”, expressa ações não concluídas? 
Mais ou menos. A diferença entre esses dois tempos está no aspecto: enquanto um expressa 
uma ação concluída e pontual (“Ontem comi pizza”), o outro enfatiza ações que expressam 
duração, continuidade e repetição no passado, como veremos mais adiante. 
Hoje o foco desta seção é o pretérito imperfeito. Afinal, quando usá-lo? Há algumas situaçõesque pedem o uso desse tempo e que podem ajudar a saber se deve-se ou não empregá-lo. 
Aqui vão três dicas:
1. Contrastar o passado e o presente
Sempre que pensar em situações passadas que são diferentes do presente, deve-se usar o 
pretérito imperfeito. Exemplos: 
As famílias eram maiores antigamente. 
(Isso significa que hoje as famílias são menores.)
Antes não tinha tantos restaurantes de comida japonesa em São Paulo. 
(Isso significa que hoje tem mais.)
Quando eu era criança, queria comer batata frita todo dia. 
(Isso significa que hoje as coisas mudaram.)
2. Fazer descrição de lugares, pessoas, coisas no passado
Para fazer uma descrição de algo que você visualiza, mas já passou. Exemplos: 
Sábado fui para uma festa muito legal: a decoração estava linda, tinha muita comida e era 
open bar. Tinha muita gente e todo mundo estava feliz. 
Quando eu era criança, morava em uma casa que ficava em uma rua bem calma. A casa 
tinha muito espaço e as paredes eram amarelas. Meu quarto tinha uma janela grande por 
onde entrava muito sol. 
Por Samira Orra*
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3. Falar de rotinas e hábitos no passado
Quando você vai falar sobre ações que se repetem por um período de tempo indeterminado 
no passado. Exemplos: 
Quando eu era estudante, pegava ônibus todo dia para chegar na universidade. Eu sempre 
precisava sair de casa duas horas antes do começo das aulas para chegar na hora certa. Às 
vezes eu me atrasava e perdia a primeira aula. Era muito frustrante.
No meu último emprego, eu tinha que falar com clientes todos os dias e também visitava 
algumas empresas para fazer consultoria. Tinha contato com diferentes pessoas diariamente.
Há algumas outras situações mais específicas nas quais usamos o imperfeito:
1. Falar a idade no passado:
 Eu tinha 6 anos quando andei de avião pela primeira vez.
2. Falar de um tempo no passado:
 Era verão quando nos conhecemos.
 Eram seis horas da tarde quando começou a chover.
3. Falar de ações simultâneas no passado (quando expressam ações com duração):
 Enquanto eu viajava a trabalho, meus gatos ficavam com minha mãe. 
 Enquanto eu tentava dormir, meus vizinhos faziam uma festa.
4. Falar de uma ação que não se concretizou, por algum motivo (ótimo quando você precisa 
dar uma desculpa para alguém):
 Hoje de manhã eu ia fazer café, mas tinha acabado.
 Desculpa, eu ia te ligar ontem, mas não deu tempo.
Portanto, o pretérito imperfeito, com seu foco na continuidade, repetição e descrição 
de ações passadas, é uma ferramenta valiosa na língua portuguesa e ao entender suas 
principais aplicações — como contrastar o passado com o presente, fazer descrições e falar 
de rotinas —, fica mais fácil dominar esse tempo verbal. Embora muitas vezes pareça confuso, 
o pretérito imperfeito tem um papel essencial para expressar nuances do passado que não 
são capturadas pelo pretérito perfeito. Com prática e atenção às dicas, o uso desse tempo 
se tornará natural e claro, permitindo uma comunicação mais rica e precisa.
Vamos praticar?
1. Complete as frases abaixo com o verbo no pretérito imperfeito do indicativo.
a) Quando eu morava no interior, todos os dias de manhã __________ (acordar) com o 
som dos passarinhos e minha avó já __________ (preparar) o café na cozinha.
b) Enquanto meu chefe __________ (falar) sobre o projeto, meus colegas __________ 
(trocar) mensagens no celular sem que ele percebesse.
c) Nós sempre __________ (pedir) comida naquele restaurante porque o atendimento 
__________ (ser) excelente e os pratos __________ (ter) um sabor caseiro maravilhoso.
d) Toda vez que eu __________ (pegar) o ônibus para o trabalho, ele já __________ (estar) 
lotado, e eu __________ (ficar) de pé até o final do trajeto.
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Revista Brasileirices | maio 202524 Revista Brasileirices | maio 2025
* Samira Orra é professora de Português para Estrangeiros há 14 anos. Estudou Letras (português/
árabe) na Universidade de São Paulo (USP) e fez mestrado na mesma instituição. Trabalhou 
também como professora de português no Egito, na Aswan University, e hoje trabalha com 
aulas particulares online. Contato: samiraorra@gmail.com.
2. Complete as frases abaixo com o verbo adequado no pretérito perfeito ou no pretérito 
imperfeito.
a) Quando eu era criança, sempre __________ (brincar) na rua com meus amigos.
b) Ontem, nós __________ (comer) pizza no jantar.
c) Ela __________ (estudar) muito para a prova quando era mais nova.
d) No último fim de semana, nós __________ (viajar) para a praia.
e) A gente __________ (encontrar) um livro interessante ontem na livraria.
f) Ela __________ (escrever) vários e-mails ontem de tarde.
g) Na época da escola, minha irmã sempre __________ (ter) aulas de inglês aos sábados.
h) Eu __________ (gostar) muito de ir ao cinema quando era mais jovem.
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Respostas: 
1a) acordava; preparava; b) falava; trocavam; c) pedíamos; era; tinham; d) pegava; estava; ficava.
2a) brincava; b) comemos; c) estudava; d) viajamos; e) encontrou; f) escreveu; g) tinha; h) gostava.
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O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO
De Goiânia a Budapeste, 
este diplomata nos mostra 
os bastidores da diplomacia 
brasileira
e coragem — trajetórias que envolvem 
renúncias, reinvenções e escolhas que 
transformam vidas.
Na entrevista desta edição da Revista 
Brasileirices, recebemos Cláudio Meluzzi 
Mendes, um diplomata brasileiro que 
atualmente atua na Embaixada do Brasil em 
Budapeste, na Hungria. Natural do Centro-
Representar o Brasil no exterior é realmente 
uma missão. A diplomacia brasileira é 
reconhecida por sua excelência técnica e por 
formar profissionais que atuam como pontes 
entre o Brasil e o mundo, promovendo a 
cultura, a economia, os direitos dos cidadãos 
brasileiros e os interesses estratégicos do país. 
Mas por trás desse trabalho essencial estão 
histórias humanas de dedicação, estudo 
O diplomata Cláudio Meluzzi Mendes trocou a carreira em TI pela diplomacia, 
foi aprovado em um dos concursos mais difíceis do Brasil e hoje representa o 
país na Hungria, enfrentando os desafios e as responsabilidades da vida no 
exterior.
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Revista Brasileirices | maio 202526
tudo mais, mas ele não atua na área política-
econômica. O oficial de chancelaria tem 
um trabalho administrativo: ele trabalha com 
áreas como contabilidade, administração da 
embaixada, trabalha também com assuntos 
consulares, com assistência a brasileiros, por 
exemplo, assinando passaportes, o oficial de 
chancelaria pode ser vice-cônsul… Então, é 
uma carreira que é semelhante à carreira de 
diplomata, mas numa área administrativa.
Eu passei nesse concurso em 2005 e continuei 
estudando para fazer o concurso para carreira 
de diplomata. Em 2008, eu passei finalmente 
no concurso para diplomata. E quando a 
gente passa no concurso de diplomata, 
a gente faz um curso de um ano e meio. 
Na época, esse curso também poderia ser 
equivalente a um mestrado se eu defendesse 
uma dissertação, e eu fiz isso. Então, eu tenho 
um mestrado em diplomacia. E desde então, 
eu venho trabalhando na área de... enfim, 
como diplomata no Serviço Exterior Brasileiro. 
Eu morei em Viena, na Áustria... quer dizer, 
inicialmente eu trabalhei um tempo no 
Brasil, depois morei em Viena, na Áustria, em 
Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, voltei para 
o Brasil, fiquei dois anos, e no ano passado eu 
vim para a Hungria, cuja capital é Budapeste. 
E trabalho hoje na Embaixada do Brasil. 
Na embaixada, há três diplomatas. Eu sou, 
vamos dizer, o mais jovem na carreira, e tem 
uma embaixadora, Susan Kleebank, o ministro 
conselheiro, Roberto Colin, e eu, que sou o 
número três,vamos dizer assim. Então, nós três 
diplomatas cuidamos de todos os assuntos 
de política, economia, ciência e tecnologia, 
assuntos de assistência a brasileiros… então 
se tem algum problema mais complexo, né? 
Então, basicamente, foi essa a trajetória. 
Oeste do país, nascido em Brasília e criado 
em Goiânia, em meio ao Cerrado brasileiro, 
Cláudio trilhou um caminho inspirador e nada 
linear: começou sua vida profissional na área 
de Tecnologia da Informação e, após alguns 
anos atuando no setor, decidiu se reinventar 
completamente. Foi assim que iniciou uma 
corajosa transição de carreira, motivada pelo 
desejo de servir ao país e de atuar em um 
contexto internacional.
A decisão de mudar de área o levou a enfrentar 
um dos maiores desafios de sua trajetória: 
preparar-se para o Concurso de Admissão à 
Carreira de Diplomata, considerado um dos 
concursos públicos mais difíceis e concorridos 
do Brasil. Com provas que exigem domínio 
de múltiplas línguas, conhecimento profundo 
de história, geografia, direito, política 
internacional e economia, o processo seletivo 
é reconhecido por sua exigência e rigor. 
Cláudio mergulhou de cabeça nos estudos e, 
após anos de preparação intensa, conquistou 
sua vaga no Itamaraty, nosso Ministério das 
Relações Exteriores.
Hoje, atuando no coração da Europa, ele 
se dedica à complexa tarefa de representar 
o Brasil junto ao governo húngaro. Entre 
mudanças de país, saudade de casa, desafios 
familiares e o cotidiano agitado de uma 
embaixada, Cláudio gentilmente nos mostrou 
os bastidores da diplomacia brasileira. 
Ouça a entrevista que fizemos com ele 
clicando aqui. Para acompanhar a 
transcrição do áudio, confira a seguir.
Cláudio, seja bem-vindo à Revista Brasileirices, 
e eu gostaria de iniciar a nossa entrevista 
pedindo para você se apresentar para os 
nossos leitores e ouvintes, falando um pouco 
da sua formação, trajetória e o cargo que 
ocupa atualmente em Budapeste.
É um prazer poder participar dessa entrevista 
com você. Bom, meu nome é Cláudio Meluzzi 
Mendes, eu fiz graduação em Ciência da 
Computação, que não tem nada a ver com 
diplomacia, e trabalhei 10 anos na área de 
Tecnologia da Informação. Mas eu cansei 
um pouco do tema e resolvi mudar de área. 
Então, eu comecei a me preparar para o 
concurso para diplomata. Como é uma 
prova bastante difícil e de uma área bastante 
diferente daquela que eu tinha estudado 
inicialmente na universidade, foi difícil passar 
no concurso, né? Um concurso bastante 
concorrido na época e hoje também. E 
eu acabei passando num concurso para 
oficial de chancelaria, que é uma carreira 
administrativa do Ministério das Relações 
Exteriores, faz parte também do Serviço Exterior 
Brasileiro, então, o oficial de chancelaria pode 
morar no exterior, como um diplomata, e 
Instituto Rio Branco
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Interessante! E você mencionou sobre o 
concurso. Dizem que essa é uma das provas 
mais difíceis do Brasil. Você lembra um pouco 
como foi seu processo de se preparar para 
ela? Você tinha uma rotina de estudo? Você 
tem alguma dica para quem está nesse 
processo agora?
É, já faz um bom tempo, né? Porque eu passei 
nesse concurso já tem, acho que 17 anos, 
talvez? Porque eu tenho 20 anos de Itamaraty. 
Então, talvez as coisas tenham mudado já um 
pouco. Na época, eu comecei a estudar... eu 
morava em Goiânia, e eu comecei a estudar 
sozinho para o concurso, me preparar com 
a bibliografia, e foi bastante difícil porque a 
bibliografia era gigantesca. A prova também 
consistia e consiste ainda de várias etapas: 
uma etapa inicial, que é chamada de teste 
de pré-seleção, que é uma prova objetiva 
que já era um filtro grande. Então, quando 
eu fiz, havia mais de 10.000 candidatos, e 
passavam no teste de pré-seleção 300. Então, 
era o primeiro grande filtro.
Nossa!
E depois disso, eram mais... se não me 
engano, nove provas discursivas. Então, havia 
provas de português, inglês, no ano que eu 
fiz, também língua estrangeira francês e, 
usualmente, também espanhol. Então, inglês, 
francês e espanhol são línguas estrangeiras 
obrigatórias. As provas de português e inglês 
costumam ser de um nível bastante elevado, 
principalmente a de inglês. Mas não menos 
a de português. E havia também provas de 
história, geografia, direito internacional, direito 
institucional, economia... é possível que eu 
esteja esquecendo de alguma coisa, mas é 
mais ou menos isso.
Essas provas todas eram feitas em fins de 
semana. Então, na verdade, o concurso não 
é um fim de semana só, mas eu acho que 
eram quatro ou cinco fins de semana fazendo 
prova todo fim de semana. E aí, desses 300 
candidatos… quando eu fiz a prova, a minha 
turma foi a maior de todos os tempos, ela 
chegou a aprovar 115 candidatos. Mas 
o normal é uma aprovação entre 20 e 30 
candidatos, eventualmente 50 por ano. 
Uma das vantagens do concurso é que ele 
é um concurso que ocorre todo ano. Então, 
existe uma previsibilidade, a pessoa pode 
se programar para estudar e ir acumulando 
conhecimento até que chegue num ponto 
em que passe na prova. Na época que eu 
estudei, foi bastante difícil estudar sozinho, e 
eu acabei… quando eu passei no concurso 
para oficial de chancelaria, me mudei 
para Brasília. E eu continuei trabalhando e 
estudando, e eu fazia cursinho preparatório à 
noite. O cursinho, na época, era só presencial, 
não havia cursos online. O curso foi muito 
bom porque era bastante direcionado para a 
prova. Então, eu consegui estudar o material 
melhor, com mais orientação, e isso ajudou 
bastante na aprovação. 
E você é de onde?
Eu nasci em Brasília, mas cresci em Goiânia. 
Então, sempre do Centro-Oeste, do Cerrado.
Legal! Muito bom! E você nos falou das várias 
mudanças que você fez, e acho que esse é 
um tema importante na vida de um diplomata: 
as mudanças, mudanças de país, mudança 
de país com família, é muito desafiador, né? 
Como que foi para você?
Na verdade, eu sempre quis o estilo de vida 
de mudança. Uma das coisas que eu achava 
bastante difícil na época que eu trabalhava 
com computação era ter a perspectiva de 
só continuar naquele trabalho, ao lado das 
mesmas pessoas, fazendo a mesma rotina. 
Então, eu tinha interesse em mudar sempre, 
buscava sempre coisas diferentes. Eu gostava 
de idiomas, aprendi francês quando era 
bem pequeno, então tinha uma vontade de 
morar no exterior. E eu achava... quando eu 
descobri que existia esse concurso, porque eu 
nem sabia como é que funcionava, eu achei 
que tinha muito a ver comigo, porque eu tinha 
desejo por essa mudança, por essa ausência 
de rotina e de muita previsibilidade. Tinha 
muita curiosidade para conhecer o mundo e, 
enfim, enfrentar desafios diversos.
Então, para mim, essa carreira funciona bem. 
Mas é uma carreira que exige tolerância, 
paciência. Do ponto de vista familiar, porque 
eu sou casado, então a minha esposa também 
gosta desse estilo de vida, e é importante que 
a família esteja bem confortável, né, nesse 
sentido. Alguns colegas, por exemplo, tiveram 
dificuldade porque o cônjuge era médico, 
por exemplo, e aí uma pessoa que faz 
medicina não consegue se mudar toda hora 
de país e ter trabalho. Então, ajustar a vida 
familiar a esse tipo de mudança constante 
é sempre um desafio. Então, estar com uma 
pessoa que também tolera essas mudanças 
e enfrenta bem isso é importante.
Tem uma coisa que talvez poucas pessoas 
saibam, mas, por exemplo, eu sendo 
diplomata, quando eu trabalho numa 
embaixada brasileira, eu tô cercado de 
brasileiros. Então, eu tô numa certa zona de 
conforto. Embora eu esteja no exterior, eu 
estou protegido ali porque tem os colegas, 
o chefe, subordinados, e vários deles são 
brasileiros também. Mas para família, não. 
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