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Os dermatófitos são um grupo de fungos septados que ocorrem mundialmente e invadem estruturas superficiais queratinizadas, como pele, cabelos e unhas. Mais de 30 espécies de dermatófitos são reconhecidas e classificadas em três gêneros anamórficos: Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton. Quando um estágio sexuado de uma determinada espécie é identificado, essa é incluída no gênero teleomórfico Arthro-derma (filo Ascomycota). Artrósporos (artroconídios), forma infeccio-sa associada à invasão tecidual por este grupo de fungos, são liberados pela fragmentação de hifas em estruturas queratinizadas. Essas formas resistentes podem permanecer viáveis por mais de 12 meses em ambien-tes favoráveis. Macro e microconídios são produzidos em cultivo. As colônias de muitos dermatófitos são pigmentadas com uma aparência característica. A dermatofitose (tinha) afeta diversas espécies de animais. A doença é uma zoonose e muitas infecções em humanos são causadas por Microsporum canis. Os dermatófitos podem ser agrupados, com base em seus habitats e hospedeiros prefenciais, em geofílicos, zoofílicos ou antropofílicos. Dermatófitos zoofílicos e an-tropofílicos são patógenos obrigatórios de animais e humanos, respectivamente. Dermatófitos geofílicos habitam e replicam no solo. Animais podem infectar-se com dermatófitos geofílicos a partir de solo contaminado ou por contato com animais infectados. Os dermatófitos invadem estruturas queratinizadas, como estrato córneo da epiderme, folículo piloso, haste do pelo e penas. As hifas crescem centrifugamente a partir de uma lesão inicial em direção à pele normal, produzindo lesões circulares típicas. Os produtos metabólicos do crescimento das hifas podem pro-Clamidósporos em cadeias; macroconídio raro provocar uma resposta inflamatória local. Alopecia, reparo tecidual e hifas não viáveis ocorrem na região central de lesões em desenvolvimento. Animais jovens, idosos, debilitados e/ou imunocomprometidos são particularmente suscetíveis à infecção. Características clínicas da doença incluem lesões circulares clássicas, dermatite miliar e, raramente, lesões generalizadas em animais imunocomprometidos. Infecção bacteriana secundária, muitas vezes, ocorre posteriormente à foliculite micótica. Microsporum canis é a causa mais comum de dermatofitose em cães e gatos em diversos países. Infecções inaparentes podem ocorrer em gatos. Cães podem também tornar-se infectados por M. gypseum e Trichophyton mentagrophytes. A doença, geralmente, apresenta-se como áreas de alo-pecia, descamação e pelos quebrados rodeados por zonas inflamatórias. Casos de infecções generalizadas podem estar associados com hiperadrenocorticismo e imunossupresssão. Trichophyton verrucosum é causa comum de dermatofitoses em bovinos. Terneiros são afetados com mais frequência e normalmente desenvolvem lesões características na face e ao redor dos olhos. Áreas ovais de pele afetada apresentam-se alopécicas, com crostas branco acinzentadas. A infecção é mais comum nos meses de inverno, e vários animais em geral são afetados. Uma vacina composta de uma linhagem atenuada de T. verrucosum tem sido utilizada para controle da dermatofitose bovina. Em equinos, Trichophyton equinum é a principal causa de dermatofitoses. A transmissão ocorre por contato direto ou por arreios, escovas e pentes contaminados. Equinos jovens, com menos de 4 anos de idade, são particularmente suscetíveis à dermatofitose. O diagnóstico definitivo, baseado em sinais clínicos, é geralmente difícil, sendo a investigação laboratorial da dermatofitose, muitas vezes, necessária. Como os dermatófitos tendem a infectar hospedeiros em particular, as espécies animais afetadas podem indicar o tipo de dermatófito envolvido (Tabela 42.1). Em cães e gatos com lesões suspeitas, o exame com lâmpada de Wood deve ser realizada, uma vez que pode detectar a infecção causada por M. canis. Uma fluorescência característica de cor verde pode estar evidente em pelos infectados exposto à luz UV em até 50% dos animais afetados. As amostras adequadas para exame laboratorial incluem pelos arrancados, raspados profundos de pele das bordas das lesões, raspados de unhas afetadas e material de biópsias. Raspados de pele e pelos tratados com hidróxido de potássio a 10% devem ser examinados ao microscópio quanto à presença de artrósporos. Cortes histológicos de pele podem ser cora-dos pela técnica PAS ou pela prata-metanamina a fim de demonstrar estruturas fúngicas. As amostras são cultivadas em ágar Sabouraud--dextrose, geralmente com adição de extrato de levedura, cloranfenicol e cicloeximida. As placas inoculadas são incubadas aerobiamente a 25°C e examinadas duas vezes por semana por até cinco semanas. A identificação baseia-se na morfologia das colônias e na observação microscópica de macroconídios e outras estruturas. A detecção mole-cular de dermatófitos em cães e gatos por meio de PCR em tempo real está disponível comercialmente. O tratamento e o controle são particularmente importantes em carnívoros domésticos, uma vez que dermatófitos são zoonóticos. Os proprietários dos animais com dermatofitose e a equipe de veterinários que trabalha com animais suspeitos devem usar luvas. Animais com lesões suspeitas devem ser isolados e a confirmação laboratorial precoce é essencial. A remoção de pelos com equipamento de tosar é importan-te em áreas afetadas, seguida de tratamento tópico com xampu à base de miconazol. Uma solução de 0,2% de enilconazol está aprovada em muitos países para uso em cães, gatos, equinos e bovinos. Os pelos tosa-dos devem ser descartados de forma apropriada. O tratamento oral com itraconazol ou outros fármacos antifúngicos disponíveis comercialmente pode ser necessário em casos de lesões extensas. “Camas” contaminadas devem ser queimadas e escovas e pentes devem ser desinfetados com hipoclorito de sódio a 0,5%. O tratamento tópico com captan ou natamicina pode ser efetivo em bovinos. Equinos afetados devem ser tratados topicamente e arreios, escovas e pentes contaminados devem ser desinfetados com hipoclorito de sódio a 0,5%