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MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ INSTITUTO DE ESTUDO TRÓPICO ÚMIDO FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA AULA 3 : FARMACODINÂMICA FARMACODINÂMICA Mecanismo de ação Os fármacos exercem seus efeitos ao interagir com alvos celulares específicos, como: ● Receptores ● Relação dose-resposta ● Efeitos anormais dos fármacos ● Interação farmacológica CLASSIFICAÇÃO DO FÁRMACO A PARTIR DO MECANISMO DE AÇÃO 1- MEDICAMENTOS ESTRUTURALMENTE INESPECÍFICO Efeito biológico mediado por alterações nas propriedades físico-químicas interferindo em funções celulares. ● Desinfetantes e anestésico inalatório 2- MEDICAMENTOS ESTRUTURALMENTE ESPECÍFICOS Receptores específicos: se ligam aos receptores e formam um complexo 🡪 geram uma ativação que pode mimetizar a ação de uma molécula ou produzindo efeitos opostos ao da molécula endógena. Alvos de ligação 🡺 Enzimas – inibidores 🡺 Moléculas transportadoras 🡺 Canais iônicos 🡺 Receptores – moléculas endógenas AÇÃO SOBRE OS RECEPTORES AGONISTA mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira ● Total → gera resposta máxima → ativa o receptor, semelhante à molécula endógena ● Parcial → ativa o receptor, mas não gera resposta máxima ● Inverso → resposta farmacológica oposta à da molécula endógena. ANTAGONISTA ● Sem efeito regulador. Não exerce atividade intrínseca (só ocupa o receptor e impede a ação do agonista) → não tem a capacidade de ativar o receptor . ● Bloqueia a ligação dos agonistas ● Efeitos inibitórios ATENÇÃO Não confundir agonista inverso com antagonista. Para produzir efeito farmacológico, o fármaco precisa apresentar atividade intrínseca (capacidade de ativar o receptor) e afinidade pelo receptor (facilidade de se ligar ao receptor). ● AFINIDADE → capacidade de ligação a um receptor ● INTRÍNSECA → capacidade de exercer função quando ligado ao receptor ALVO PARA AÇÃO DOS FÁRMACOS ● Enzimas ● Moléculas transportadoras ● Receptores intracelulares ● Receptores ligados a canais iônicos (inotrópicos) ● Receptores ligados à proteína G (metabotrópicos) mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira A. Quando um receptor ionotrópico é ativado por um agonista, tem-se alteração da permeabilidade da membrana 🡪 o potencial elétrico da membrana é alterado, portanto a resposta é rápida. B. Quando receptores metabotrópicos são ativados por agonistas a atividade intracelular irá depender de qual proteína G está sendo ativado (inibitório, estimulatório, Gq (aumenta a liberação de cálcio), Go(abrem os canais de cálcio na membrana celular) , efeito um pouco mais demorado que nos inotrópicos C. Quando receptores ligados a quinase são ativados por agonistas leva a fosforilação de proteínas, transcrição gênica e síntese de proteínas. Portanto um efeito mais demorado D. Quando receptores nucleares são ativados por agonistas também é estimulado a transcrição gênica para síntese de proteínas, logo o efeito pode demorar horas ou dias RECEPTORES LIGADOS À PROTEÍNA G (METABOTRÓPICOS) Sistemas efetores ● Ligado ao sistema adenilato ciclase (AC)/AMPc Gs (estimula a Adenilato ciclase, causando o aumento da atividade celular) e Gi (inibe a conversão de ATP em AMPc). ● Sistema guanilato ciclase (GC)/GMPc – semelhante ao adenilato ciclase ● Sistema fosfolipase C e fosfato de Inositol A proteína Gq promove a hidrólise do PIP2 formando a IP3 (aumenta a expressão de canais de cálcio dos estoques citoplasmáticos que faz com que esse passe para o citoplasma) e DAG (lipossolúvel, fica na membrana aumenta a sensibilidade da PKC ao cálcio) ● Sistema fosfolipase A2/ácido araquidônico/eicosanoides . Ativação de fosfolipases A2 quebrando ac. Araquidônico para formar os eicosanoides (mediadores inflamatórios de origem lipídica). RELAÇÃO DOSE - RESPOSTA Potência, eficácia (efeito) e inclinação mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Inclinação 🡪 mecanismo de ação de um fármaco. Potência de um fármaco é determinada pela dose administrada 🡪 quanto menor a dose que gera efeito, significa que é potente. Eficácia máxima 🡪 é o máximo atingido com a administração daquele determinado fármaco 🡪 ponto em que todos os receptores estão ocupados . 🡪 ao atingir o efeito máximo se a dose for aumentada não irá mais aumentar o efeito o que aumenta são efeitos indesejados. Variabilidade de acordo com a espécie em que está sendo administrada. Dose-resposta quantal Irá avaliar vários tipos de resposta para um fármaco administrado para uma população Efetividade🡪DE50 🡪 resposta esperada para aquele fármaco DE99🡪dose em que a maioria dos pacientes apresentam a resposta esperada. Toxicidade🡪DT50 🡪 Letalidade🡪DL50 🡪 não se pode admitir doses que tenham riscos de levar o paciente ao óbito 🡪 DL0 EFEITOS ANORMAIS AOS FÁRMACOS HIPER-REATIVIDADE indivíduos que apresentam respostas a doses baixas de determinado medicamento que não causam efeitos na grande maioria da população. Exemplo: Ivermectina em cães com mutação MDR1 ● Raças: Collie, Pastor-australiano, Sheltie. ● Dose normal → resposta neurológica grave. ● Sintomas : ataxia, convulsões, coma. ● Causa : fármaco atravessa barreira hematoencefálica por falha na proteína P-gp. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira SUPERSENSIBILIDADE (UPREGULATION) 🡺 Pode ocorrer após bloqueio prolongado por antagonista 🡺 Resposta exagerada, comparada com a população 🡺 Redução da dose para esses indivíduos 🡺 Expressão aumentada de receptores Exemplo: Betabloqueadores em cavalos com tratamento prolongado ● Uso prolongado de betabloqueadores (ex: propranolol) pode levar a aumento de receptores β. ● Ao interromper o tratamento, ocorre reação exagerada à adrenalina endógena . ● Risco : arritmias, hipertensão súbita. HIPORREATIVIDADE 🡺 Tolerância/Dessensibilização (downregulation) 🡺 Se é preciso aumentar a dose, nos casos de tolerância, para que haja efeito, tem-se o deslocamento da curva para direita (GRAFICO) Exemplo: Fenobarbital em cães epilépticos ● Uso crônico → tolerância → necessidade de aumentar a dose para controlar convulsões. ● Pode haver deslocamento da curva dose-resposta para a direita . ● Importante monitorar níveis séricos HIPERSENSIBILIDADE – termo restrito às reações alérgicas 🡺 Relação antígeno-anticorpo – liberação de histamina Exemplo: Penicilinas em gatos ● Mesmo em dose correta, pode desencadear reação alérgica. ● Sintomas : urticária, prurido, edema facial, choque anafilático. ● Tratamento : anti histamínicos, corticoides, suporte emergencial. IDIOSSINCRASIA 🡺 Resposta particular de um organismo mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Exemplo: Paracetamol em cães e gatos ● Gatos: deficiência na via de conjugação hepática (glicuronidação). ● Mesmo uma pequena dose pode causar hepatotoxicidade grave ou meta-hemoglobinemia . ● Sintomas : mucosas pálidas ou cianóticas, icterícia, vômito. ● Não é uma alergia, e sim uma falha metabólica individual ou da espécie. INTERAÇÃO FARMACOLÓGICA SINERGISMO Quando o efeito está ocorrendo na mesma direção 🡺 Adição - quando o efeito final é igual a soma do efeito individual de cada fármaco 🡺 Potenciação – o efeito resultante se dá de forma adicional Exemplo: Acepromazina + Morfina (Pré-anestesia em cães e gatos) ● Tipo de sinergismo: Aditivo e potencializador ● Uso clínico: Sedação profunda para procedimentos cirúrgicos ou diagnósticos. ● A acepromazina é um tranquilizante (fenotiazina), e a morfina é um opioide. Juntas, promovem uma sedação mais intensa do que cada uma isoladamente. ANTAGONISMO Interação levando a diminuição ou anulação dos efeitos de um deles 🡺 Farmacológico 🡪 ação de dois fármacos EM RECEPTORES: Atropina + Neostigmina Uso clínico: Reversão de bloqueio colinérgico ou intoxicação por organofosforados. A atropina é anticolinérgica (bloqueia receptores muscarínicos), e a neostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase (aumenta acetilcolina). Um pode anular parcialmente o efeito do outro dependendo da dose e do objetivo terapêutico. 🡺 Não farmacológico :Carvão ativado + Vários fármacos (tratamento de intoxicações) mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira ● Uso clínico: Intoxicações agudas em cães e gatos. ● O carvão ativado absorve o fármaco no trato gastrointestinal, impedindo sua absorção sistêmica e diminuindo seu efeito. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br