Prévia do material em texto
MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ INSTITUTO DE ESTUDOS DO TRÓPICO ÚMIDO FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA FARMACOLOGIA VETERINÁRIA AULA 10: FARMACOLOGIA DOS ANTIMICROBIANOS ANTIMICROBIANOS Os antimicrobianos, também chamados de anti-infecciosos, são substâncias químicas utilizadas para combater microrganismos capazes de causar doenças. Esses agentes podem ser classificados em inespecíficos ou específicos, de acordo com seu alvo de ação. Antimicrobianos Inespecíficos Os antimicrobianos inespecíficos atuam contra microrganismos de maneira geral, sejam eles patogênicos ou não. Nesse grupo encontram-se os antissépticos e os desinfetantes. Antissépticos São substâncias utilizadas diretamente no paciente, principalmente sobre a pele e mucosas, com o objetivo de reduzir ou eliminar microrganismos e prevenir infecções. Exemplos de uso: • Limpeza de feridas • Antissepsia pré-cirúrgica • Higienização de mucosas Observação: algumas formulações iodadas podem ser irritantes para feridas abertas, devendo ser utilizadas com cautela. Desinfetantes São produtos destinados à eliminação ou redução de microrganismos presentes em superfícies inanimadas, equipamentos, utensílios e ambientes. Exemplos: • Instalações zootécnicas • Consultórios veterinários • Centros cirúrgicos • Gaiolas e baias Profilaxia Corresponde ao conjunto de medidas preventivas adotadas para evitar o surgimento ou a disseminação de doenças infecciosas. ANTIMICROBIANOS ESPECÍFICOS mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Os antimicrobianos específicos atuam sobre microrganismos responsáveis por doenças infecciosas que acometem os animais. Incluem os antibióticos e os quimioterápicos. Podem ser administrados por diferentes vias: • Enteral • Parenteral • Tópica Sua utilização deve considerar: • Farmacocinética • Farmacodinâmica • Localização da infecção • Agente etiológico • Resistência microbiana Para que o tratamento seja eficaz, o antimicrobiano deve atingir o foco infeccioso em concentração suficiente para inibir ou eliminar o microrganismo. Finalidades de uso Terapêutica: tratamento e controle de infecções já estabelecidas. Profilática: prevenção de infecções, especialmente em procedimentos cirúrgicos. Antibióticos (ATB) e Quimioterápicos (QMI): podem ser administrados por via enteral, parenteral ou tópica. UTILIZAÇÃO DOS ANTIMICROBIANOS ESPECÍFICOS NA MEDICINA VETERINÁRIA Metafilaxia A metafilaxia consiste no tratamento de todo um grupo de animais quando parte deles já apresenta a doença e os demais encontram-se sob elevado risco de infecção. Características: • Utilizada em animais clinicamente sadios, porém expostos ao agente infeccioso. • Emprega doses equivalentes às terapêuticas. • Geralmente utiliza antimicrobianos de longa ação. • Busca impedir a manifestação clínica da doença nos demais animais do grupo. • Os animais já doentes recebem tratamento terapêutico. Uso Terapêutico Emprego de antimicrobianos em animais que apresentam doença infecciosa diagnosticada ou suspeita. Objetivo: • Eliminar o agente infeccioso. • Promover a recuperação clínica do animal. Uso Profilático Administração de antimicrobianos em animais sadios com o objetivo de prevenir infecções. Exemplo: • Terapia da vaca seca em bovinos leiteiros. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Aditivos Zootécnicos São substâncias utilizadas em animais saudáveis para melhorar o desempenho produtivo. Objetivos: • Melhorar a conversão alimentar. • Aumentar o ganho de peso. • Reduzir mortalidade. • Melhorar índices produtivos. Entretanto, seu uso é questionado devido ao potencial de seleção de bactérias resistentes aos antimicrobianos. Normalmente são administrados em doses inferiores às terapêuticas. CONCEITOS Antibióticos São substâncias químicas produzidas por microrganismos capazes de inibir o crescimento ou destruir outros microrganismos. Com o avanço da tecnologia, tornou-se possível produzi-los por síntese laboratorial parcial ou total. Podem ser classificados em: • Naturais • Biossintéticos • Semissintéticos Quimioterápicos São fármacos produzidos sinteticamente em laboratório que apresentam ação seletiva contra: • Bactérias • Fungos • Vírus • Protozoários • Células neoplásicas Atualmente, o termo "quimioterápico" é frequentemente associado ao tratamento de neoplasias, porém seu conceito é mais amplo. Antibióticos Biossintéticos São obtidos a partir de culturas de microrganismos nas quais são adicionadas substâncias capazes de modificar a estrutura do antibiótico produzido. Exemplo A adição de precursores da cadeia lateral ao meio de cultura do fungo Penicillium produtor da penicilina G possibilita a obtenção da penicilina V, que apresenta melhor estabilidade em meio ácido e pode ser administrada por via oral. Objetivo: • Melhorar o espectro de ação. • Melhorar propriedades farmacocinéticas. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Antibióticos Semissintéticos São obtidos pela modificação química de antibióticos naturais. Exemplos derivados da penicilina G: • Oxacilina • Ampicilina • Amoxicilina Essas modificações buscam ampliar o espectro de ação, melhorar a absorção ou aumentar a resistência às betalactamases. ANTIMICROBIANOS ESPECÍFICOS – CLASSIFICAÇÃO Os antimicrobianos podem ser classificados segundo: Ação biológica • Bacteriostáticos • Bactericidas Espectro de ação • Amplo espectro • Espectro reduzido • Predominantemente Gram-positivos • Predominantemente Gram-negativos Mecanismo de ação • Inibição da síntese da parede celular • Alteração da permeabilidade da membrana celular • Inibição da síntese proteica • Inibição da síntese de ácidos nucleicos • Interferência no metabolismo celular • Inibição da síntese de ácido fólico A estrutura química do antimicrobiano está diretamente relacionada ao seu mecanismo de ação. Também existem: • Antifúngicos • Antivirais CLASSIFICAÇÃO QUANTO À AÇÃO BIOLÓGICA Antimicrobianos Bacteriostáticos Inibem o crescimento e a multiplicação bacteriana, sem provocar sua destruição direta. Características: • Dependem da resposta imune do hospedeiro. • Quando suspensos, as bactérias podem voltar a multiplicar-se. Antimicrobianos Bactericidas mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Promovem a morte da bactéria de forma irreversível. O efeito pode depender da concentração do fármaco no local da infecção. Concentração Inibitória Mínima (CIM ou MIC) Menor concentração do antimicrobiano capaz de impedir o crescimento bacteriano visível. Concentração Bactericida Mínima (CBM ou MBC) Menor concentração capaz de provocar a morte do microrganismo. Quanto menor a diferença entre CIM e CBM, mais próximo o antimicrobiano está de apresentar ação bactericida. Já os bacteriostáticos geralmente necessitam de concentrações muito superiores à CIM para se tornarem bactericidas. Antimicrobianos Concentração-Dependentes Quanto maior a concentração sérica acima da CIM, maior a velocidade e intensidade da eliminação bacteriana. Características: • Doses elevadas• Intervalos maiores entre administrações • Máximo efeito bactericida Exemplos: • Aminoglicosídeos • Fluoroquinolonas Antimicrobianos Tempo-Dependentes A eficácia depende do tempo em que a concentração plasmática permanece acima da CIM. (T > CIM) Características: • O tempo de exposição é mais importante do que a concentração máxima. • Aumentar excessivamente a dose não aumenta significativamente a eficácia. Exemplos: • Penicilinas • Cefalosporinas Antimicrobianos Dependentes de Tempo e Concentração Exemplos: • Vancomicina • Rifampicina • Algumas fluoroquinolonas Nestes casos, tanto a manutenção da concentração adequada quanto o tempo de exposição influenciam o resultado terapêutico. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS ANTIMICROBIANOS ESPECÍFICOS Os antimicrobianos específicos podem ser classificados de acordo com diferentes critérios, os quais auxiliam na compreensão de seu mecanismo de ação, espectro de atividade e aplicação clínica. Antibacterianos Estrutura química Os antibacterianos podem ser classificados conforme sua estrutura química, como: • Betalactâmicos; • Sulfonamidas (sulfas); • Aminoglicosídeos; • Tetraciclinas; • Macrolídeos; • Fluoroquinolonas; • Entre outros. Ação biológica Quanto ao efeito sobre as bactérias, podem ser classificados em: • Bactericidas: promovem a morte do microrganismo. • Bacteriostáticos: inibem o crescimento e a multiplicação bacteriana. Espectro de ação • Amplo espectro: atuam contra grande variedade de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. • Espectro reduzido: atuam sobre grupos específicos de microrganismos. • Predominantemente Gram-positivos ou Gram-negativos. Mecanismo de ação Os principais mecanismos de ação incluem: • Inibição da síntese da parede celular; • Inibição da síntese de proteínas; • Inibição da síntese de ácidos nucleicos; • Inibição da síntese do ácido fólico; • Alteração da permeabilidade e da função da membrana celular. Antifúngicos Fármacos utilizados no tratamento de infecções causadas por fungos. Antivirais Fármacos empregados no controle e tratamento de infecções virais. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira PROPRIEDADES DO ANTIMICROBIANO IDEAL Um antimicrobiano ideal deve apresentar as seguintes características: 1. Destruir o microrganismo causador da doença (ação bactericida, fungicida ou virucida). 2. Possuir amplo espectro de ação contra microrganismos patogênicos. 3. Apresentar elevado índice terapêutico, garantindo segurança ao paciente. Quanto maior o índice terapêutico, maior a distância entre a dose eficaz e a dose tóxica, tornando o fármaco mais seguro. 4. Manter atividade mesmo na presença dos fluidos orgânicos. 5. Não interferir nos mecanismos naturais de defesa do organismo, como a produção de anticorpos e a migração de células de defesa. 6. Não provocar reações de hipersensibilidade ou alergias. 7. Não favorecer o desenvolvimento de resistência microbiana. 8. Distribuir-se adequadamente pelos tecidos e líquidos corporais, alcançando concentrações terapêuticas eficazes. 9. Possibilitar administração por diferentes vias, como oral, parenteral ou tópica. 10. Possuir custo acessível, permitindo sua utilização adequada na prática clínica e zootécnica. FATORES DETERMINANTES NA PRESCRIÇÃO DE ANTIMICROBIANOS A escolha correta do antimicrobiano depende de diversos fatores. Identificação do agente etiológico Sempre que possível, deve-se identificar o agente causador da infecção. Quando isso não for possível, o profissional deve presumir o agente etiológico com base em: • Quadro clínico; • Localização do processo infeccioso; • Faixa etária do animal; • Dados epidemiológicos; • Achados laboratoriais. Resistência antimicrobiana A resistência bacteriana deve sempre ser considerada durante a escolha terapêutica. Exemplo: • Bactérias Gram-negativas produtoras de betalactamases, enzimas capazes de inativar antibióticos betalactâmicos. Realização de antibiograma O antibiograma permite determinar a sensibilidade do agente etiológico aos diferentes antimicrobianos disponíveis. Vantagens: • Escolha mais precisa do tratamento; • Maior chance de sucesso terapêutico. Limitações: • Tempo necessário para obtenção dos resultados; mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Custo do exame. POSOLOGIA A posologia envolve: • Dose administrada; • Frequência das administrações; • Duração do tratamento. A definição adequada desses parâmetros é fundamental para garantir a eficácia terapêutica e evitar resistência bacteriana. CARACTERÍSTICAS FARMACOCINÉTICAS DO ANTIMICROBIANO Devem ser avaliados: • Via de administração; • Propriedades físico-químicas; • Absorção; • Distribuição; • Metabolização; • Eliminação; • Volume de distribuição; • Meia-vida; • Taxa de depuração (clearance); • Barreiras à penetração, como a barreira hematoencefálica. CARACTERÍSTICAS FARMACODINÂMICAS DO ANTIMICROBIANO Relacionam-se à interação do fármaco com o microrganismo, incluindo: • Mecanismo de ação; • Potência antimicrobiana; • Efeito bactericida ou bacteriostático; • Relação entre concentração e resposta terapêutica. CUSTOS Devem ser considerados: • Custo do tratamento; • Valor zootécnico do animal; • Possíveis perdas produtivas decorrentes da enfermidade. RISCOS LIGADOS AO USO DOS ANTIMICROBIANOS • Presença de resíduos em produtos de origem animal destinados ao consumo humano. • Desenvolvimento de resistência bacteriana. • Reações adversas e efeitos tóxicos. FATORES RELACIONADOS AO ORGANISMO DO ANIMAL A escolha do antimicrobiano deve considerar: • Idade; mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Estado fisiológico; • Prenhez; • Condições patológicas pré-existentes; • Fatores genéticos. Exemplo: O enrofloxacino deve ser utilizado com cautela em gatos, pois doses elevadas podem causar degeneração retiniana e perda visual irreversível. CAUSAS DE INSUCESSO NA TERAPIA ANTIMICROBIANA As principais causas incluem: • Tratamento de infecções não sensíveis ao antimicrobiano utilizado; • Escolha inadequada do fármaco; • Erros de posologia; • Início tardio do tratamento; • Concentração insuficiente do antimicrobiano no foco infeccioso; • Presença de focos infecciosos que dificultam a ação do medicamento; • Resistência bacteriana; • Sensibilidade observada in vitro, mas ausência de resposta clínica in vivo. MECANISMOS DE RESISTÊNCIA BACTERIANA As bactérias podem desenvolver resistência por diversos mecanismos: • Produção de enzimas que inativam os antimicrobianos. o Exemplo: penicilinases e outras betalactamases. • Redução da permeabilidade da célula bacteriana ao antimicrobiano. • Bombas de efluxo, que removem o antimicrobiano do interior da bactéria. • Alterações nos sistemas de transporte do fármaco. • Modificação do alvo de ação do antimicrobiano. • Desenvolvimento de vias metabólicas alternativas. • Formação de biofilmes bacterianos durante infecções crônicas. RESISTÊNCIA BACTERIANA E SAÚDE PÚBLICA A resistência aos antimicrobianos possui grande importância em saúde pública devido à possibilidade de disseminação entre animais e seres humanos. Destacam-se: • Animais produtores de alimentos tratados com antimicrobianos;• Uso inadequado como aditivo zootécnico; • Transferência de genes de resistência entre bactérias. COMO REDUZIR A OCORRÊNCIA DE RESISTÊNCIA MICROBIANA A prevenção é a principal estratégia. Medidas recomendadas: • Promoção da saúde animal; • Melhoria das condições de higiene e manejo; • Uso racional dos antimicrobianos; • Redução do uso como promotores de crescimento; • Prescrição veterinária obrigatória para aquisição dos medicamentos; mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Escolha terapêutica baseada em conhecimento técnico e diagnóstico adequado, evitando tratamentos empíricos desnecessários. ASSOCIAÇÃO DE ANTIMICROBIANOS Quando associar? • Infecções mistas; • Infecções graves de etiologia desconhecida; • Busca de maior efeito terapêutico; • Obtenção de sinergismo; • Tentativa de reduzir ou retardar o surgimento de resistência bacteriana (tema ainda controverso). Sinergismo Ocorre quando a associação apresenta resultado superior ao obtido com os fármacos isoladamente. Exemplo: • Sulfonamidas associadas ao trimetoprim. Sinergismo por potenciação O efeito da associação é maior que a soma dos efeitos individuais dos antimicrobianos. Sinergismo por adição O efeito da associação corresponde à soma dos efeitos independentes de cada fármaco. Antagonismo O efeito obtido pela associação é inferior ao efeito esperado quando os antimicrobianos são utilizados separadamente. ANTIMICROBIANOS E PERÍODO DE CARÊNCIA Período de carência É o intervalo de tempo necessário para que os resíduos do medicamento atinjam concentrações consideradas seguras nos produtos de origem animal destinados ao consumo humano. Corresponde ao período entre a suspensão do tratamento e a liberação do animal ou de seus produtos para consumo. Aplica-se a: • Carne; • Leite; • Ovos; • Mel; • Outros produtos de origem animal. O objetivo é proteger a saúde humana e evitar a exposição a resíduos potencialmente tóxicos. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira O período de carência é determinado por estudos específicos que consideram: • Tipo de antimicrobiano; • Formulação farmacêutica; • Farmacocinética; • Espécie animal; • Via de administração. AGENTES ANTIMICROBIANOS – QUIMIOTERÁPICOS E ANTIBIÓTICOS MECANISMO DE AÇÃO DOS ANTIBIÓTICOS As bactérias são organismos procariontes, ou seja, não possuem envoltório nuclear envolvendo seu material genético. Além disso, apresentam uma parede celular rica em peptidoglicano, estrutura responsável por conferir forma, rigidez e proteção à célula bacteriana. Muitos antimicrobianos exploram diferenças estruturais e metabólicas entre as bactérias e as células do hospedeiro, o que permite uma ação seletiva contra os microrganismos. Os principais mecanismos de ação dos antibióticos incluem: 1. Danos à membrana plasmática A membrana plasmática é essencial para a manutenção da integridade celular. Quando ocorre alteração de sua permeabilidade, há perda de componentes intracelulares importantes, comprometendo a sobrevivência do microrganismo. Consequências: • Extravasamento de íons e nutrientes; • Desequilíbrio osmótico; • Morte celular. 2. Inibição da síntese da parede celular A parede celular bacteriana é composta principalmente por peptidoglicano. Quando sua síntese é inibida: • A bactéria perde resistência mecânica; • Torna-se suscetível à lise osmótica; • Ocorre morte celular. 3. Inibição da síntese de proteínas Os antibióticos podem atuar nos ribossomos bacterianos, impedindo a produção de proteínas essenciais para a sobrevivência e multiplicação bacteriana. 4. Inibição da duplicação cromossômica ou da transcrição Alguns antimicrobianos impedem a replicação do DNA ou a transcrição genética, interrompendo a multiplicação bacteriana. 5. Inibição de enzimas essenciais ao metabolismo mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Certos fármacos bloqueiam enzimas responsáveis pela síntese de substâncias fundamentais para o metabolismo bacteriano, como o ácido fólico. QUIMIOTERÁPICOS Sulfas (Sulfonamidas) Ação biológica • Bacteriostáticas. Mecanismo de ação As sulfonamidas interferem na síntese do ácido fólico bacteriano, essencial para a produção de DNA, RNA e proteínas. Ao bloquear a formação do ácido fólico, impedem a multiplicação das bactérias. Trimetoprima Ação biológica • Bacteriostática. Mecanismo de ação Inibe a enzima diidrofolato-redutase, responsável por uma etapa importante da síntese do ácido fólico. Quinolonas Ação biológica • Bactericidas. Mecanismo de ação Inibem as enzimas DNA girase (topoisomerase II) e topoisomerase IV, fundamentais para a replicação e transcrição do DNA bacteriano. Consequentemente: • Ocorrem alterações cromossômicas; • A replicação bacteriana é interrompida; • A célula bacteriana morre. Derivados Nitrofurânicos Ação biológica • Bactericidas ou bacteriostáticos, dependendo da concentração utilizada. Metronidazol mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Ação biológica • Bactericida. Mecanismo de ação Após ser ativado por microrganismos anaeróbios sensíveis, produz metabólitos que causam danos ao DNA bacteriano, impedindo sua replicação. SULFONAMIDAS (SULFAS) Mecanismo de ação • São bacteriostáticas em doses terapêuticas. • Possuem amplo espectro de ação. As sulfonamidas são análogos estruturais do ácido para-aminobenzoico (PABA), substância utilizada pelas bactérias para a síntese do ácido fólico. O ácido fólico é indispensável para: • Síntese de DNA; • Síntese de RNA; • Produção de proteínas; • Multiplicação celular. Seletividade O mecanismo é seletivo porque os mamíferos não sintetizam ácido fólico; obtêm essa vitamina pela alimentação. Assim, as sulfas afetam preferencialmente as bactérias. Vias de administração Via oral (VO) Apresenta boa absorção para a maioria das sulfonamidas. Uso tópico Pode causar irritação tecidual. Exceção: • Sulfadiazina de prata, amplamente utilizada em queimaduras e feridas devido à sua ação antimicrobiana e cicatrizante. Fatores que reduzem a eficácia • Presença de pus; • Sangue; • Detritos celulares; • Produtos do metabolismo tecidual. Esses materiais podem fornecer PABA adicional às bactérias, reduzindo a ação das sulfonamidas. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Exemplos comerciais: • Borgal • Bactrim • Curacef • Zelotril Oto ASSOCIAÇÃO SULFA + TRIMETOPRIMA Mecanismo de ação A associação promove bloqueio sequencial da síntese do ácido fólico. Sulfonamida Inibe a formação do ácido diidrofólico. Trimetoprima Inibe a enzima diidrofolato-redutase. Essa dupla inibição aumenta significativamente a atividade antimicrobiana. Embora cada fármaco isoladamente seja bacteriostático, a associação frequentemente apresenta efeito bactericida. Consequências: • Inibição da síntese de DNA; • Inibição da síntese de RNA; • Redução da multiplicação bacteriana; • Maior eficácia terapêutica. CARACTERÍSTICAS FARMACOCINÉTICAS DAS SULFONAMIDAS • Rapidamente absorvidas pelo trato gastrointestinal. • Ligam-se às proteínas plasmáticas, principalmente à albumina. • Distribuem-seamplamente pelos tecidos. • Atravessam a barreira hematoencefálica (BHE). • Atravessam a placenta. • Sofrem biotransformação hepática. Exemplo de metabólito: • Acetilsulfatiazol. Eliminação Ocorre principalmente por via renal, mas também pode ocorrer por: • Saliva; • Suor; • Leite. Período de descarte no leite: • Aproximadamente 4 dias, dependendo da formulação utilizada. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira EFEITOS TÓXICOS DAS SULFONAMIDAS Considera-se uso prolongado, de forma geral, tratamentos superiores a 10 dias. Efeitos adversos Uso prolongado • Ceratoconjuntivite seca em cães; • Poliartrite; • Anemia aplástica. Uso crônico • Cristalúria; • Nefropatia por sulfonamidas. A precipitação de cristais ocorre principalmente quando: • A urina está concentrada; • O pH urinário é mais ácido. Sinais clínicos • Dor ao urinar; • Diminuição da micção; • Hematúria; • Cristalúria. Como evitar • Garantir hidratação adequada. • Evitar tratamentos prolongados sem necessidade. • Alcalinizar a urina quando indicado, utilizando bicarbonato de sódio sob orientação clínica. INDICAÇÕES DAS SULFONAMIDAS Atuam contra: • Bactérias Gram-positivas; • Algumas bactérias Gram-negativas; • Algumas enterobactérias. São utilizadas principalmente em: • Infecções urinárias; • Infecções gastrointestinais; • Infecções respiratórias; • Infecções agudas em geral. Também apresentam eficácia contra: • Toxoplasma gondii; • Coccídios. Vantagem em ruminantes mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Podem ser administradas por via oral sem provocar alterações significativas na microbiota ruminal. Melhor resposta terapêutica Ocorre quando o tratamento é iniciado precocemente. Limitação importante As sulfonamidas não são consideradas os fármacos de escolha para doenças causadas por Rickettsias, como: • Erliquiose; • Anaplasmose; • Febre maculosa. TRIMETOPRIMA (TMP) Mecanismo de ação • Bacteriostática. A trimetoprima é um análogo estrutural do ácido diidrofólico. Atua inibindo a enzima diidrofolato-redutase, impedindo a formação do ácido tetraidrofólico, essencial para a síntese de DNA. Embora essa enzima esteja presente em mamíferos e bactérias, a trimetoprima possui afinidade muito maior pela enzima bacteriana. Por esse motivo, apresenta seletividade terapêutica. Associação com Sulfonamidas A trimetoprima raramente é utilizada isoladamente. Sua principal aplicação é em associação às sulfonamidas, promovendo: • Ampliação do espectro de ação; • Maior eficácia antimicrobiana; • Efeito frequentemente bactericida. Indicações • Infecções respiratórias; • Infecções digestivas; • Infecções urinárias. Espectro de ação • Bactérias Gram-positivas; • Bactérias Gram-negativas. Exemplo comercial: • Afectrim Baixa atividade ou resistência frequente contra mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Anaeróbios estritos; • Mycoplasma spp.; • Mycobacterium spp.; • Pseudomonas aeruginosa; • Enterococcus spp. Associações comerciais • Trimetoprima + sulfametoxazol → Bactrim. • Trimetoprima + sulfadiazina → Tribrissen e Sulfamax. QUINOLONAS (QNL) Mecanismo de Ação As quinolonas são antimicrobianos de ação bactericida, atuando por meio da inibição da síntese do DNA bacteriano. Seu principal mecanismo de ação consiste na inibição das enzimas: • DNA girase (Topoisomerase II) • Topoisomerase IV Essas enzimas são fundamentais para os processos de: • Replicação do DNA; • Transcrição genética; • Recombinação cromossômica; • Divisão celular bacteriana. Ao bloquear essas enzimas, as quinolonas impedem a síntese de ácidos nucleicos, levando à interrupção da multiplicação bacteriana e à morte do microrganismo. Espectro de ação Possuem amplo espectro de ação, atuando contra: • Bactérias Gram-positivas; • Bactérias Gram-negativas; • Alguns patógenos intracelulares. Devido à sua capacidade de penetrar nos leucócitos e macrófagos, apresentam atividade contra microrganismos intracelulares, como: • Brucella spp.; • Mycoplasma spp.; • Chlamydia spp.; • Legionella spp. CLASSIFICAÇÃO DAS QUINOLONAS As quinolonas são classificadas em gerações, de acordo com a ampliação do espectro antimicrobiano. A partir da segunda geração ocorre a introdução do átomo de flúor na molécula, originando as fluoroquinolonas, que apresentam maior potência e espectro de ação ampliado. Consequências da ação das quinolonas sobre a bactéria mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Interrupção da replicação do DNA; • Alongamento bacteriano; • Formação de fragmentações cromossômicas; • Ativação de enzimas degradativas que culminam na morte celular. 1ª GERAÇÃO Principais representantes • Ácido nalidíxico • Ácido oxolínico Características • Espectro de ação reduzido; • Atividade predominante contra bactérias Gram-negativas; • Utilização principalmente em infecções urinárias e gastrointestinais. Não apresentam atividade significativa contra • Pseudomonas aeruginosa; • Bactérias Gram-positivas; • Bactérias anaeróbias. 2ª GERAÇÃO – FLUOROQUINOLONAS Principais representantes • Enrofloxacino (uso veterinário) • Marbofloxacino (uso veterinário) • Norfloxacino • Ciprofloxacino Espectro de ação Atuam contra: • Gram-negativos; • Algumas bactérias Gram-positivas; • Pseudomonas aeruginosa; • Microrganismos intracelulares. Atividade sobre • Chlamydia spp.; • Mycoplasma spp.; • Legionella spp.; • Brucella spp. Observação: o marbofloxacino pode ser utilizado em protocolos terapêuticos para infecções secundárias em cães com leishmaniose, porém não é considerado medicamento específico para tratamento da leishmaniose. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Indicações • Infecções do trato urinário; • Infecções gastrointestinais; • Infecções respiratórias; • Otites causadas por Pseudomonas aeruginosa. 3ª GERAÇÃO Principais representantes • Levofloxacino • Esparfloxacino Características Mantêm atividade contra Gram-negativos e apresentam maior eficácia contra Gram- positivos, especialmente: • Streptococcus spp. Também atuam contra: • Pseudomonas aeruginosa; • Diversos patógenos respiratórios. 4ª GERAÇÃO Principais representantes • Moxifloxacino • Trovafloxacino Características Possuem ação contra: • Bactérias Gram-positivas; • Bactérias Gram-negativas; • Bactérias anaeróbias. Apresentam um dos espectros mais amplos entre as fluoroquinolonas. PRADOFLOXACINO O pradofloxacino é uma fluoroquinolona desenvolvida especificamente para uso veterinário. Características • Excelente atividade contra cocos Gram-positivos; • Boa atividade contra anaeróbios; • Utilizado principalmente em cães e gatos. Indicações mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Infecções cutâneas; • Infecções respiratórias; • Infecções da cavidade oral; • Infecções causadas por bactérias anaeróbias. Reações adversas Podem ocorrer: • Alterações gastrointestinais;• Alterações neurológicas em casos raros; • Alterações hepáticas pouco frequentes. CARACTERÍSTICAS FARMACOCINÉTICAS Absorção • Administração oral (VO); • Rápida absorção em monogástricos e pré-ruminantes. Distribuição • Grande volume de distribuição; • Baixa ligação às proteínas plasmáticas; • Excelente penetração tecidual. Biotransformação Algumas fluoroquinolonas sofrem biotransformação parcial, produzindo metabólitos ainda ativos. Exemplo: • Enrofloxacino → Ciprofloxacino. Eliminação Altas concentrações são encontradas em: • Urina; • Bile. Por esse motivo são excelentes opções para infecções do trato urinário. EFEITOS TÓXICOS Sistema osteoarticular Podem causar lesões na cartilagem articular de animais jovens. Espécies mais susceptíveis: • Cães em crescimento; • Potros. Consequências mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Claudicação; • Dor articular; • Alterações permanentes na cartilagem. Por esse motivo devem ser utilizadas com cautela em: • Animais jovens; • Fêmeas gestantes. Sistema reprodutivo Em tratamentos prolongados podem ocorrer: • Alterações da espermatogênese; • Redução da fertilidade; • Atrofia testicular (raramente). Sistema urinário Pode ocorrer cristalúria, especialmente em animais desidratados. Prevenção: • Hidratação adequada; • Monitoramento da função renal. Sistema nervoso central Em doses elevadas ou em associação com determinados fármacos, podem ocorrer: • Excitação; • Tremores; • Convulsões. Toxicidade ocular em gatos Particularmente associada ao enrofloxacino. Pode causar: • Degeneração retiniana aguda; • Perda visual parcial ou total; • Cegueira irreversível. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) A associação pode aumentar o risco de: • Excitação do SNC; • Convulsões; • Neurotoxicidade. Antiácidos Produtos contendo: • Magnésio; • Alumínio; mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Cálcio; • Zinco. Podem reduzir significativamente a absorção das quinolonas por formação de quelatos. Sucralfato Não deve ser administrado simultaneamente às quinolonas, pois reduz sua absorção gastrointestinal. Recomenda-se intervalo mínimo de 2 a 4 horas entre as administrações. USO DAS QUINOLONAS Principais microrganismos sensíveis • Gram-positivos; • Gram-negativos; • Mycoplasma spp.; • Chlamydia spp.; • Brucella spp. Destaque para • Staphylococcus spp.; • Bacilos entéricos Gram-negativos. Importância clínica Devido à capacidade de penetração intracelular, são particularmente úteis no tratamento de infecções causadas por: • Brucella spp.; • Mycoplasma spp.; • Chlamydia spp. Fluoroquinolonas mais utilizadas na Medicina Veterinária • Enrofloxacino; • Marbofloxacino; • Ciprofloxacino; • Norfloxacino. Principais indicações • Infecções urinárias; • Otites por Pseudomonas aeruginosa; • Gastroenterites bacterianas graves; • Infecções respiratórias; • Infecções cutâneas; • Infecções causadas por microrganismos intracelulares. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira DERIVADOS NITROFURÂNICOS Mecanismo de Ação Os derivados nitrofurânicos podem apresentar ação bactericida ou bacteriostática, dependendo da concentração alcançada no local da infecção e da sensibilidade do microrganismo. Atuam interferindo em etapas iniciais do metabolismo celular bacteriano, principalmente por meio da formação de metabólitos reativos capazes de lesar diversas estruturas celulares. Principais efeitos • Interferência no metabolismo energético bacteriano; • Inibição de enzimas envolvidas no ciclo de Krebs; • Alteração da produção de Coenzima A; • Danos ao DNA e a proteínas celulares; • Interferência em processos metabólicos essenciais. Por afetarem múltiplos alvos celulares, apresentam menor tendência ao desenvolvimento de resistência quando comparados a outros antimicrobianos. Espectro de ação Apresentam atividade contra: • Bactérias Gram-positivas; • Bactérias Gram-negativas; • Alguns protozoários; • Alguns fungos. Utilização A utilização atualmente é predominantemente tópica devido à elevada frequência de efeitos adversos quando administrados sistemicamente. O uso sistêmico tornou-se limitado em razão da disponibilidade de antimicrobianos mais seguros e eficazes. Efeitos tóxicos Os principais efeitos adversos incluem: • Hemorragias disseminadas; • Trombocitopenia; • Anemia hemolítica; • Alterações hepáticas; • Distúrbios gastrointestinais; • Reações de hipersensibilidade. Restrição em Animais de Produção O uso de nitrofuranos em animais destinados à produção de alimentos foi proibido devido ao potencial: • Mutagênico; mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Carcinogênico; • Teratogênico. Esses efeitos representam risco à saúde pública pela possível presença de resíduos em produtos de origem animal. PRINCIPAIS FÁRMACOS Nitrofurantoína Características É um derivado nitrofurânico utilizado principalmente para o tratamento de infecções urinárias. Indicações • Infecções do trato urinário causadas por bactérias sensíveis; • Cães; • Gatos; • Equinos. Possui maior eficácia contra bactérias Gram-negativas presentes no trato urinário. Observação Atualmente, as fluoroquinolonas costumam ser preferidas em muitas situações clínicas devido à maior eficácia e ao melhor perfil farmacocinético. A nitrofurantoína geralmente é reservada para casos específicos ou quando há resistência a outros antimicrobianos. Farmacocinética • Administração por via oral; • Boa absorção gastrointestinal; • Distribuição sistêmica; • Pode atravessar a placenta; • Atravessa parcialmente a barreira hematoencefálica. Nitrofurazona Características Utilizada principalmente por via tópica. Indicações • Feridas contaminadas; • Queimaduras; • Metrites; • Mastites; • Lesões cutâneas infectadas. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Sua aplicação visa reduzir a proliferação bacteriana e favorecer a cicatrização. Furazolidona Características Apresenta ação antimicrobiana e antiprotozoária. Indicações • Infecções gastrointestinais; • Enterites bacterianas; • Algumas infecções causadas por protozoários. Seu uso atualmente é bastante restrito devido às limitações toxicológicas e regulatórias. METRONIDAZOL Classificação O metronidazol pertence ao grupo dos nitroimidazóis. Embora apresente algumas semelhanças químicas com os nitrofuranos, constitui uma classe farmacológica distinta. Mecanismo de Ação O metronidazol é um antimicrobiano de ação bactericida. Para exercer sua atividade, necessita ser ativado no interior de microrganismos anaeróbios ou microaerófilos sensíveis. Após a ativação, são formados metabólitos altamente reativos que se ligam ao DNA do microrganismo, promovendo: • Quebras da molécula de DNA; • Alterações estruturais do material genético; • Inibição da replicação; • Inibição da síntese de ácidos nucleicos; • Morte celular. Por esse motivo, sua atividade ocorre principalmente em ambientes com baixa tensão de oxigênio. Espectro de ação Bactérias anaeróbias• Clostridium spp.; • Fusobacterium spp.; • Bacteroides spp.; • Peptostreptococcus spp. Protozoários • Giardia spp.; mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Trichomonas spp.; • Entamoeba spp. Características Farmacocinéticas Distribuição Apresenta excelente distribuição tecidual. Atravessa: • Barreira hematoencefálica (BHE); • Placenta; • Líquidos corporais; • Tecidos profundos. Metabolização • Predominantemente hepática. Eliminação • Principalmente urinária; • Parte dos metabólitos mantém atividade antimicrobiana. Indicações Clínicas O metronidazol é amplamente utilizado no tratamento de: Afecções gastrointestinais • Giardíase; • Enterites anaeróbias; • Colites; • Diarreias associadas a Clostridium spp. Afecções intra-abdominais • Peritonites; • Abscessos; • Infecções anaeróbias profundas. Afecções da cavidade oral • Doença periodontal; • Estomatites; • Infecções odontogênicas. Frequentemente é utilizado em associação com outros antimicrobianos, como sulfonamidas, penicilinas ou fluoroquinolonas, para ampliar o espectro de ação. Principais Produtos Comerciais mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Flagyl • Giardicid • Stomorgyl Stomorgyl O Stomorgyl é uma associação medicamentosa que contém metronidazol e espiramicina. Principais indicações • Infecções periodontais; • Estomatites; • Gengivites; • Controle da microbiota oral. Seu uso em procedimentos odontológicos auxilia na redução da bacteremia transitória associada às manipulações da cavidade oral, contribuindo para diminuir o risco de complicações infecciosas em pacientes predispostos, incluindo a endocardite bacteriana. ANTIBIÓTICOS QUE INTERFEREM NA SÍNTESE DA PAREDE CELULAR. B-LACTÂMICOS Os antibióticos betalactâmicos são antimicrobianos bactericidas que atuam interferindo na síntese da parede celular bacteriana. Entre eles destacam-se as penicilinas, cefalosporinas e carbapenêmicos. A parede celular bacteriana é formada principalmente por peptidoglicano, cuja síntese ocorre em quatro etapas: 1. Síntese dos precursores: ocorre no citoplasma bacteriano, com a produção de moléculas como N-acetilglicosamina (NAG) e ácido N-acetilmurâmico (NAM). 2. Transporte dos precursores: os precursores são transferidos através de transportadores específicos para a membrana celular. 3. Liberação dos precursores: após o transporte, ocorre a remoção do fosfato ligado ao transportador, permitindo a liberação das moléculas. 4. Formação da parede celular: os precursores são organizados na superfície da membrana, onde ocorre a formação de ligações cruzadas entre as cadeias de peptidoglicano, conferindo resistência e estrutura à parede celular. Os antibióticos betalactâmicos atuam principalmente na etapa final da síntese do peptidoglicano, impedindo a formação das ligações cruzadas e levando à morte bacteriana. As bactérias Gram-positivas possuem uma camada de peptidoglicano mais espessa, tornando-se geralmente mais sensíveis à ação desses antimicrobianos. Já as bactérias Gram- negativas apresentam uma membrana externa adicional, que pode dificultar a penetração de alguns antibióticos. Mecanismo de ação: mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Os antibióticos betalactâmicos são bactericidas e atuam inibindo a síntese da parede celular bacteriana por meio da inibição das enzimas transpeptidases, responsáveis pela formação das ligações cruzadas do peptidoglicano. • A ação ocorre na etapa final da síntese da parede celular, resultando em enfraquecimento estrutural e lise da bactéria. • Sua eficácia depende de bactérias em fase de multiplicação, pois não atuam sobre a parede celular já formada. • Os betalactâmicos apresentam atividade tempo-dependente, ou seja, sua eficácia está relacionada ao tempo em que a concentração do fármaco permanece acima da concentração inibitória mínima (CIM). • A principal forma de resistência bacteriana é a produção de betalactamases, enzimas capazes de hidrolisar o anel betalactâmico e inativar o antibiótico. Os principais grupos de betalactâmicos incluem: • Penicilinas • Cefalosporinas • Carbapenêmicos A amoxicilina é suscetível à ação das betalactamases, razão pela qual frequentemente é associada a inibidores dessas enzimas, como o ácido clavulânico. PENICILINAS Penicilina G (Benzilpenicilina) É uma penicilina natural com ação predominante contra bactérias Gram-positivas e espectro de ação curto. Por ser inativada pelo pH gástrico, deve ser administrada por via parenteral. Apresenta diferentes formulações: • Penicilina G cristalina: produz altas concentrações plasmáticas e possui curta duração de ação. Administração intravenosa (IV). • Penicilina G procaína: promove concentrações plasmáticas mais baixas, porém com efeito mais prolongado. Administração intramuscular (IM). • Penicilina G benzatina: apresenta baixas concentrações plasmáticas e longa duração de ação. Administração intramuscular (IM). Penicilina V (Fenoximetilpenicilina): É uma penicilina biossintética com atividade principalmente contra bactérias Gram-positivas e espectro de ação curto. Diferentemente da penicilina G, é resistente ao pH gástrico, podendo ser administrada por via oral. Penicilinas semissintéticas 1ª Geração – Penicilinas Antiestafilocócicas Incluem: • Oxacilina mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Meticilina São penicilinas semissintéticas com atividade principalmente contra estafilococos produtores de penicilinase. Apresentam resistência à ação dessas enzimas e são conhecidas como penicilinas antiestafilocócicas. 2ª Geração – Aminopenicilinas Incluem: • Ampicilina (via oral ou parenteral) • Amoxicilina (via oral) • Ciclacilina Características: • Amplo espectro de ação. • Atividade contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. • Boa ação contra diversos bacilos Gram-negativos. • Resistentes ao pH gástrico. • Sensíveis às penicilinases (betalactamases). 3ª Geração Incluem: • Carbenicilina • Indanilcarbenicilina • Ticarcilina 4ª Geração Incluem: • Azlocilina • Mezlocilina • Piperacilina As penicilinas de 3ª e 4ª gerações possuem espectro ampliado, especialmente contra bactérias Gram-negativas. São administradas por via parenteral e utilizadas principalmente em ambiente hospitalar para o tratamento de infecções mais específicas ou graves. Penicilinas naturais As penicilinas naturais têm como principal representante a Penicilina G (benzilpenicilina). Características: • São inativadas pelo pH ácido do estômago, sendo administradas apenas por via parenteral. • Principais formulações: penicilina G cristalina, penicilina G procaína e penicilina G benzatina. • Apresentam baixa capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (BHE) em condições normais. • Sofrem pouca ou nenhuma biotransformação no organismo. • São eliminadas predominantemente pelos rins. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Penicilina biossintética Penicilina V (Fenoximetilpenicilina) A penicilina V é uma penicilina biossintética obtida por fermentação eadministrada por via oral. Características: • Ativa principalmente contra bactérias Gram-positivas. • Possui espectro de ação relativamente estreito. • Sofre biotransformação hepática parcial. • É eliminada predominantemente pelos rins. • Apresenta pouca atividade contra bactérias Gram-negativas. Penicilinas Resistentes às Penicilinases Incluem: • Meticilina • Oxacilina Características: • São penicilinas semissintéticas. • Resistentes à ação das penicilinases produzidas por algumas bactérias. • Atuam principalmente contra estafilococos produtores de penicilinase. Penicilinas de Amplo Espectro 2ª Geração – Aminopenicilinas Principais representantes: • Ampicilina • Amoxicilina Características: • Atividade contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. • Sensíveis às betalactamases. • Frequentemente associadas a inibidores de betalactamase, como o ácido clavulânico. • Ampicilina pode ser administrada por via oral ou parenteral. • Amoxicilina é administrada principalmente por via oral. 3ª e 4ª Gerações: São conhecidas como penicilinas antipseudomonas e apresentam atividade ampliada contra bactérias Gram-negativas, incluindo espécies do gênero Pseudomonas. São utilizadas principalmente por via parenteral em infecções mais graves e no ambiente hospitalar. Toxicidade As penicilinas são consideradas antimicrobianos de baixa toxicidade, pois atuam na parede celular bacteriana, estrutura ausente nas células animais. Os principais efeitos tóxicos observados incluem: mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Toxicidade aguda: pode ocorrer em decorrência do excesso de potássio presente em algumas formulações, resultando em alterações cardíacas, como arritmias. • Procaína: em doses elevadas ou após administração inadequada, pode causar sinais de excitação do sistema nervoso central. • Reações alérgicas: constituem os efeitos adversos mais importantes, sendo mais frequentemente associadas às penicilinas naturais. Em equinos, o uso de penicilina associada à procaína pode resultar em testes positivos em exames antidoping, sendo recomendado um período de retirada de aproximadamente duas semanas antes de competições. CEFALOSPORINAS Classificação As cefalosporinas são antibióticos betalactâmicos derivados de fungos. Possuem ação bactericida e atuam inibindo a síntese da parede celular bacteriana por meio da inibição das transpeptidases. Seu mecanismo de ação é semelhante ao das penicilinas. 1ª Geração Principais representantes: • Cefalotina – administração intravenosa (IV). • Cefazolina – administração intravenosa (IV). • Cefalexina – administração oral (VO). Características: • Maior atividade contra bactérias Gram-positivas. • Espectro de ação mais restrito. • Resistentes às betalactamases produzidas por estafilococos. • Cefalotina e cefazolina são frequentemente utilizadas na profilaxia cirúrgica. 2ª Geração Principal representante: • Cefaclor Características: • Mantém ação contra bactérias Gram-positivas. • Apresenta maior atividade contra bacilos Gram-negativos aeróbios em comparação à 1ª geração. 3ª Geração Principais representantes: • Ceftriaxona – administração parenteral, utilizada principalmente em pequenos animais. • Ceftiofur – administração parenteral, amplamente utilizado em grandes animais. Características: mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Boa atividade contra bactérias Gram-positivas. • Maior ação contra bacilos Gram-negativos. • Resistência aumentada às cefalosporinases. • Utilizadas em infecções mais graves e em protocolos de profilaxia específicos. 4ª Geração Principais representantes: • Cefpiroma • Cefepima • Cefquinoma Características: • Amplo espectro de ação. • Atividade elevada contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. • Maior estabilidade frente às β-lactamases. • Espectro semelhante ao da 3ª geração, porém mais abrangente. CARBAPENEMAS Os carbapenêmicos são antibióticos betalactâmicos bactericidas que atuam pela inibição da síntese da parede celular bacteriana. Possuem amplo espectro de ação e elevada potência antimicrobiana. Principais representantes: • Imipeném • Meropeném • Ertapeném Imipeném O imipeném é metabolizado por uma enzima presente nos túbulos renais, o que reduz sua eficácia. Por isso, é administrado em associação com a cilastatina, que inibe esse metabolismo e aumenta sua concentração no organismo. Características • Ação bactericida. • Amplo espectro de atividade. • Ativos contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. • Atuam contra microrganismos aeróbios e anaeróbios. • Alta resistência à maioria das β-lactamases. Indicações São utilizados principalmente em infecções graves ou de difícil tratamento, incluindo: • Infecções urinárias complicadas. • Infecções intra-abdominais. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Infecções de pele e tecidos moles. • Meningites. • Infecções polimicrobianas. OUTROS ANTIBIÓTICOS BETALACTÂMICOS O ácido clavulânico é um composto produzido por bactérias do gênero Streptomyces e apresenta atividade antimicrobiana própria muito reduzida. Sua principal função é atuar como inibidor de β-lactamases, enzimas produzidas por algumas bactérias que inativam os antibióticos betalactâmicos. Por esse motivo, é utilizado em associação com antibióticos sensíveis às β-lactamases, aumentando sua eficácia contra bactérias resistentes. Principais associações: • Amoxicilina + ácido clavulânico • Ampicilina + ácido clavulânico • Penicilina G + ácido clavulânico • Ticarcilina + ácido clavulânico Características: Baixa atividade antimicrobiana quando utilizado isoladamente; Inibe β- lactamases bacterianas; Protege os antibióticos betalactâmicos da degradação enzimática; Utilizado exclusivamente em associação com outros antimicrobianos. OUTROS ANTIBIÓTICOS QUE AFETAM NA SÍNTESE DA PAREDE CELULAR. Bacitracina • A bacitracina é um antibiótico produzido por bactérias do gênero Bacillus. Possui ação bactericida principalmente contra bactérias Gram-positivas. • Seu uso é predominantemente tópico, pois apresenta absorção limitada por via oral e não é utilizada sistemicamente devido à sua toxicidade. É encontrada em pomadas, cremes, preparações oftálmicas e otológicas, frequentemente associada a outros antimicrobianos, como a neomicina. • Seu mecanismo de ação consiste na inibição da desfosforilação do transportador responsável pela movimentação dos precursores da parede celular, interferindo na terceira etapa da síntese do peptidoglicano. Vancomicina • A vancomicina é um antibiótico bactericida de espectro reduzido, com ação principalmente contra bactérias Gram-positivas. É especialmente importante no tratamento de infecções causadas por estafilococos e enterococos resistentes a outros antimicrobianos. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Não apresenta atividade contra bactérias Gram-negativas. Sua administração é realizada por via intravenosa, sendo contraindicada a via intramuscular devido à intensa irritação tecidual. • Seu mecanismo de ação consiste na ligação aos precursores do peptidoglicano, impedindo a formação adequada da parede celular e interferindo na quartaetapa da síntese. • Na medicina veterinária, seu uso é restrito e reservado para situações específicas. Possui boa penetração tecidual, pode atravessar a barreira hematoencefálica e está associada a efeitos adversos como irritação tecidual, tromboflebite e neurotoxicidade. Fosfomicina Trometamol • A fosfomicina é um antibiótico bactericida de origem natural, podendo também ser produzida sinteticamente em laboratório. Apresenta atividade contra bactérias Gram- positivas e Gram-negativas. • Pode ser administrada por via oral ou intravenosa. • Seu mecanismo de ação ocorre na primeira etapa da síntese da parede celular, por meio da inibição da formação dos precursores do peptidoglicano. • Na medicina veterinária, seu uso é limitado e não é recomendado em felinos devido ao risco de nefrotoxicidade. ATB QUE INTERFEREM NA PERMEABILIDADE DA MEMBRANA CELULAR POLIMIXINAS As polimixinas são antibióticos produzidos por bactérias do gênero Bacillus. Possuem ação bactericida e atuam principalmente contra bactérias Gram-negativas. A principal representante é a Polimixina E (colistina ou colimicina). Apresentam espectro de ação reduzido, sendo eficazes contra diversas bactérias Gram- negativas. As bactérias Gram-positivas são naturalmente resistentes. O mecanismo de ação baseia-se na interação com os componentes lipoproteicos da membrana celular bacteriana. As polimixinas atuam como detergentes catiônicos, desorganizando a membrana e alterando sua permeabilidade seletiva. Como consequência, ocorre extravasamento do conteúdo celular e lise bacteriana. Também apresentam capacidade de neutralizar algumas endotoxinas bacterianas (LPS). Quanto à farmacocinética, não são absorvidas por via oral, sendo utilizadas por essa via principalmente no tratamento de infecções entéricas. Podem ser administradas por via intramuscular ou intravenosa quando se deseja efeito sistêmico. Apresentam ligação moderada às proteínas plasmáticas e são eliminadas principalmente pelos rins. As polimixinas são utilizadas no tratamento de infecções causadas por bactérias Gram-negativas e também já foram empregadas como aditivos zootécnicos. A toxicidade limita seu uso sistêmico, destacando-se: Nefrotoxicidade e neurotoxicidade. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira ATB QUE INTERFEREM NA SÍNTESE DE ÁCIDOS NUCLEICOS RIFAMICINAS • As rifamicinas são antibióticos bactericidas que atuam inibindo a síntese de RNA bacteriano. Seu mecanismo de ação consiste na ligação irreversível à enzima RNA- polimerase, impedindo a transcrição genética e, consequentemente, a síntese proteica. • Os principais representantes são a rifamicina B, a rifamicina SV (rifocina) e a rifampicina. • A rifampicina apresenta atividade contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, além de alguns microrganismos intracelulares sensíveis. Possui espectro de ação intermediário e é administrada principalmente por via oral. • A rifamicina SV é utilizada principalmente por via tópica. NOVOBIOCINA (ALBAMICINA) • A novobiocina é um antibiótico bacteriostático que impede a multiplicação bacteriana por interferir na replicação do DNA. • Possui maior atividade contra bactérias Gram-positivas do que contra Gram-negativas. Pode ser administrada por via oral ou local. • Não atravessa a barreira hematoencefálica e é eliminada principalmente pela bile. • Seu uso é mais restrito, sendo empregada principalmente como alternativa no tratamento de mastites causadas por Staphylococcus aureus. ATB QUE INTERFEREM NA SINTESE PROTEICA, COM ATIVIDADE BACTERICIDA AMINOGLICOSÍDEOS Os aminoglicosídeos são antibióticos bactericidas que atuam principalmente contra bactérias Gram-negativas aeróbias. Possuem espectro de ação relativamente curto e não apresentam atividade contra bactérias anaeróbias, pois dependem de transporte ativo mediado por oxigênio para penetrar na célula bacteriana. Entre os principais representantes estão: • Estreptomicina • Diidroestreptomicina • Gentamicina • Amicacina • Neomicina • Tobramicina São moléculas altamente ionizáveis e hidrossolúveis, apresentando dificuldade para atravessar barreiras biológicas. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Seu mecanismo de ação consiste na ligação irreversível à subunidade 30S dos ribossomos bacterianos, provocando erros na leitura do RNA mensageiro e a produção de proteínas defeituosas ou não funcionais, levando à morte da bactéria. Para exercer sua ação, precisam penetrar na célula bacteriana. Inicialmente atravessam a membrana externa das bactérias Gram-negativas por difusão através de porinas e, posteriormente, entram por transporte ativo dependente de oxigênio. Por esse motivo, bactérias anaeróbias são naturalmente resistentes. Os aminoglicosídeos apresentam efeito sinérgico quando associados aos antibióticos betalactâmicos. A lesão da parede celular causada pelos betalactâmicos facilita a entrada dos aminoglicosídeos na bactéria. A principal forma de resistência bacteriana ocorre pela produção de enzimas capazes de modificar e inativar o antibiótico, impedindo sua ligação aos ribossomos ou sua entrada na célula. Do ponto de vista farmacocinético, são administrados principalmente por via parenteral. Apresentam baixo volume de distribuição e tendem a acumular-se no córtex renal e no ouvido interno. A toxicidade é um aspecto importante dessa classe. Todos os aminoglicosídeos podem causar nefrotoxicidade e ototoxicidade. A lesão renal pode resultar em necrose tubular aguda, enquanto a toxicidade auditiva decorre do dano às células do ouvido interno. A neomicina é considerada uma das mais tóxicas, sendo utilizada principalmente por via tópica, em pomadas, colírios e no tratamento de enterites. A diidroestreptomicina apresenta elevada toxicidade auditiva. Entre os aminoglicosídeos mais modernos, destacam-se a amicacina e a tobramicina, que possuem melhor índice terapêutico e menor toxicidade quando comparadas aos fármacos mais antigos. ATB QUE INTERFEREM NA SÍNTESE PROTEICA, COM ATIVIDADE BACTERIOSTÁTICOS. MACROLÍDEOS Os macrolídeos são antibióticos bacteriostáticos que inibem a síntese proteica bacteriana por ligação reversível à subunidade 50S dos ribossomos. Principais representantes: • Espiramicina • Eritromicina • Azitromicina • Claritromicina São utilizados principalmente no tratamento de infecções do trato respiratório. Atravessam a barreira placentária e podem ser excretados no leite, mas não atravessam a barreira hematoencefálica. Apresentam maior atividade contra bactérias Gram-positivas. Muitas bactérias Gram-negativas aeróbias apresentam resistência natural a essa classe. Efeitos adversos mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira • Dor no local da aplicação intramuscular. • Distúrbios gastrointestinais. • Em equinos, coelhos e outros fermentadores pós-gástricos, podem alterar a microbiota intestinal e favorecer a proliferação de Clostridium spp., causando colite grave. LINCOSAMIDAS As principais lincosamidas são: • Lincomicina • Clindamicina Possuem mecanismo de ação semelhante ao dos macrolídeos, atuando por ligação à subunidade 50S dos ribossomos e inibindo a síntese proteica. Apresentam atividade predominante contra bactérias Gram-positivas. Muitas bactérias Gram-negativas aeróbias são resistentes. A administração é realizada principalmente por via oral. TETRACICLINAS As tetraciclinas são antibióticosbacteriostáticos amplamente utilizados em medicina veterinária, especialmente em grandes animais. Principais representantes: • Tetraciclina • Oxitetraciclina • Doxiciclina Seu mecanismo de ação consiste na ligação à subunidade 30S dos ribossomos, impedindo a ligação do RNA transportador (RNAt) ao complexo ribossômico e bloqueando a síntese proteica. São indicadas para diversas infecções, especialmente do trato respiratório e gastrointestinal. Efeitos adversos • Não devem ser utilizadas em animais jovens ou em fase de crescimento devido à afinidade pelo cálcio, podendo causar alterações ósseas e dentárias. • Devem ser evitadas durante a gestação. • Podem causar náuseas, vômitos e diarreia após administração oral. • Aplicações intramusculares podem causar irritação local. • Medicamentos vencidos podem gerar produtos tóxicos capazes de provocar lesão renal. • Em equinos, podem alterar a microbiota intestinal e favorecer infecções secundárias por Salmonella spp. Também podem ser encontradas em formulações tópicas, como pomadas, cremes e preparações otológicas. ANFENICÓIS mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br MONITORIA DE FARMACOLOGIA fernanda.assis@unifesspa.edu.br yasmim_santana@unifesspa.edu.br Fernanda de Assis Pereira Yasmim Santana de Oliveira Os principais representantes são: • Cloranfenicol • Florfenicol • Tianfenicol Atuam inibindo a síntese proteica bacteriana por ligação à subunidade 50S dos ribossomos. Possuem amplo espectro de ação, atuando contra bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e anaeróbias. Também apresentam atividade contra clamídias, micoplasmas e riquétsias. São bem absorvidos em monogástricos, enquanto a absorção em ruminantes é mais limitada. O cloranfenicol tem uso proibido em animais destinados à produção de alimentos devido ao risco de anemia aplástica em humanos. O florfenicol é amplamente utilizado em bovinos e apresenta menor risco toxicológico quando comparado ao cloranfenicol. mailto:fernanda.assis@unifesspa.edu.br