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## Resumo sobre Farmacotécnica do Aparelho Auditivo e Cavidade NasalO material apresentado pela Profa. Maria Bernadete Pierre aborda aspectos fundamentais da farmacotécnica aplicada ao aparelho auditivo e à cavidade nasal, destacando a anatomia, fisiologia, formas farmacêuticas e particularidades do uso de medicamentos nessas regiões. Inicialmente, o foco está no aparelho auditivo, cuja função estatoacústica envolve a manutenção do equilíbrio e a audição. O ouvido é dividido em três partes principais: externo, médio e interno. O ouvido externo capta as ondas sonoras, o ouvido médio converte essas ondas em vibrações mecânicas, e o ouvido interno transforma essas vibrações em impulsos nervosos que são enviados ao sistema nervoso central via nervo acústico.### Farmacotécnica do Ouvido ExternoA aplicação tópica no ouvido externo apresenta particularidades importantes, como a ausência de irrigação sanguínea, o que influencia a formulação dos medicamentos. As formas farmacêuticas mais comuns para uso auricular são soluções, suspensões, emulsões, pomadas e pós, com pH variando entre 5 e 7,8 para garantir compatibilidade com o ambiente do conduto auditivo. Veículos viscosos, como propilenoglicol e glicerina, são utilizados para aumentar o tempo de permanência do medicamento no canal auditivo, melhorando a eficácia do tratamento.As soluções otológicas geralmente contêm um ou mais princípios ativos e conservantes para garantir a estabilidade e segurança do produto, como clobutanol, timerosal, parabenos e antioxidantes como bissulfito de sódio. A composição das soluções pode incluir glicerina anidra, propilenoglicol, álcoois (etanol e isopropanol) para promover secagem e reduzir o crescimento microbiano, além de óleos vegetais e minerais que auxiliam na lubrificação e proteção do canal auditivo.### Tratamento e Limpeza do OuvidoUm aspecto importante abordado é o manejo do cerúmen, uma mistura das secreções das glândulas sudoríparas e sebáceas que protege o ouvido, mas que em excesso pode causar desconforto, coceira, dor e perda auditiva. Para a remoção do cerúmen, são utilizadas soluções contendo tensoativos sintéticos, peróxido de carbamida (que libera oxigênio para romper a cera compactada) e agentes emolientes como o produto comercial Cerumin, que contém borato de 8-hidroxiquinolina (fungistático e desinfetante), trietanolamina e glicerol. Além disso, soluções ácidas, como ácido bórico e ácido acético em veículos alcoólicos, são empregadas para acidificar o conduto auditivo, criando um ambiente desfavorável para infecções, especialmente em casos de otite externa (ouvido de nadador).As pomadas otológicas, geralmente formuladas com vaselina sólida e polietilenoglicol (PEG) hidrossolúvel, são indicadas para aplicação no ouvido externo, podendo conter substâncias antifúngicas, antimicrobianas ou corticóides. O PEG, um polímero do óxido de etileno, é um veículo versátil, disponível em diferentes pesos moleculares que determinam seu estado físico (líquido ou sólido). O PEG 400 é o mais comum, usado como solvente e veículo, sendo solúvel em água e em muitos solventes orgânicos, e deve ser armazenado adequadamente para manter sua estabilidade.### Farmacotécnica da Cavidade NasalA segunda parte do material aborda a cavidade nasal, órgão sensitivo responsável pelo condicionamento do ar inspirado, que é aquecido e umidificado antes de chegar aos pulmões. A cavidade nasal possui uma grande área superficial e rica vascularização, o que permite rápida absorção dos fármacos, podendo alcançar concentrações plasmáticas comparáveis à administração intravenosa.A mucosa nasal é revestida por uma membrana mucóide com uma camada de muco de 5 a 20 micrômetros de espessura, com pH entre 5,5 e 6,5. Essa camada contém lisozima, glicoproteínas, íons e imunoglobulinas, que desempenham funções de defesa, como a retenção de partículas estranhas e a barreira contra bactérias. O epitélio nasal é composto por células ciliadas e não ciliadas, incluindo células colunares com cerca de 300 cílios cada, que facilitam o movimento do muco para a nasofaringe e o trato gastrointestinal, processo conhecido como depuração mucociliar. Essa função é uma barreira natural à absorção de fármacos, exigindo que as formulações nasais sejam desenvolvidas para superar essa defesa e permanecer tempo suficiente para liberar e absorver o medicamento.Além disso, a mucosa nasal apresenta atividade enzimática, incluindo o sistema citocromo P450, que metaboliza substâncias para proteger o organismo contra agentes exógenos. Embora essa atividade seja benéfica para a defesa, pode reduzir a eficácia dos fármacos administrados por via nasal, representando um desafio para o desenvolvimento de formulações eficazes.---### Destaques- O aparelho auditivo é dividido em ouvido externo, médio e interno, com funções específicas na audição e equilíbrio.- Formas farmacêuticas auriculares incluem soluções, suspensões, pomadas e pós, com veículos viscosos para aumentar o tempo de contato no canal auditivo.- O cerúmen protege o ouvido, mas seu excesso pode causar problemas; soluções tensoativas e peróxido de carbamida são usadas para sua remoção.- A cavidade nasal possui alta vascularização e mucosa com barreiras naturais (muco, cílios, enzimas) que dificultam a absorção de fármacos.- Formulações nasais devem superar a depuração mucociliar e o metabolismo enzimático para garantir eficácia terapêutica.