Prévia do material em texto
1 ANÁLISE DAS INFRAÇÕES MAIS COMUNS NAS VISTORIAS TÉCNICAS DO CORPO DE BOMBEIROS EM SANTARÉM NO OESTE DO PARÁ: DADOS ESTATÍSTICOS SOBRE NORMAS DESCUMPRIDAS E DIFICULDADES TÉCNICAS ANALYSIS OF THE MOST COMMON INFRACTIONS IN TECHNICAL INSPECTIONS BY THE FIRE DEPARTMENT IN SANTARÉM IN THE WESTERN OF PARÁ: STATISTICAL DATA ON BREACHED REGULATIONS AND TECHNICAL DIFFICULTIES Benedito Mendonça Pereira Filho Orientador: Patrícia Lima Vieira Philippsen Área de concentração: Engenharia Civil RESUMO Este estudo teve como objetivo analisar as infrações mais recorrentes identificadas nas vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém, no Oeste do Pará, no ano de 2024, em edificações com área igual ou superior a 750 m², bem como compreender os principais desafios enfrentados na adequação aos sistemas exigidos pelas normas técnicas. A justificativa da pesquisa reside na necessidade de aprimorar os processos de fiscalização, diante da elevada incidência de não conformidades detectadas. A problemática consistiu em identificar as infrações mais frequentes, os tipos de edificações mais irregulares, as normas mais descumpridas e as dificuldades no cumprimento das exigências legais. A metodologia incluiu a análise documental de 68 relatórios oficiais e a aplicação de um questionário a 22 profissionais. Os resultados indicaram que os sistemas de hidrantes (40,9%) e extintores mal posicionados ou insuficientes (45,5%) foram os itens mais frequentemente reprovados, seguidos pela sinalização de emergência inadequada (9,1%). As edificações comerciais concentraram 63,6% das não conformidades, enquanto as industriais responderam por 27,3%. Entre as principais causas, destacaram-se o desconhecimento técnico (45,5%) e a falta de acompanhamento especializado durante a execução (40,9%). Quanto às penalidades aplicadas, a notificação simples foi predominante (40,9%), seguida por multa administrativa (31,8%) e exigência de nova apresentação de projeto técnico (18,2%). A pesquisa revelou que 86,4% dos profissionais relataram casos de não conformidades que evoluíram para instâncias superiores. Conclui-se que há necessidade de maior capacitação técnica, revisão periódica das normativas e fortalecimento das ações orientativas. A contribuição científica deste trabalho consiste em oferecer um diagnóstico estatístico robusto e atualizado sobre as não conformidades em edificações de grande porte em Santarém, subsidiando futuras ações de prevenção e fiscalização. Palavras-chave: Segurança Contra Incêndio. Não Conformidades. Vistorias Técnicas. Normas Técnicas. Fiscalização. ABSTRACT This study aimed to analyze the most recurrent infractions identified during technical inspections conducted by the Fire Department of Santarém, in Western Pará, in 2024, specifically in buildings with an area equal to or greater than 750 m², as well as to understand the main challenges faced in adapting to the systems required by technical standards. The justification for the research lies in the need to improve inspection processes, given the high incidence of non-conformities detected. The research problem consisted of identifying the most frequent infractions, the types of buildings with the highest irregularities, the most frequently 2 violated standards, and the difficulties in complying with legal requirements. The methodology included the documentary analysis of 68 official reports and the application of a questionnaire to 22 professionals. The results indicated that the hydrant systems (40.9%) and poorly positioned or insufficient fire extinguishers (45.5%) were the most frequently failed items, followed by inadequate emergency signage (9.1%). Commercial buildings concentrated 63.6% of the non-conformities, while industrial buildings accounted for 27.3%. Among the main causes, technical unawareness (45.5%) and lack of specialized supervision during execution (40.9%) stood out. Regarding penalties, simple notification was predominant (40.9%), followed by administrative fines (31.8%) and the requirement for resubmission of technical projects (18.2%). The research revealed that 86.4% of professionals reported cases of non-conformities that escalated to higher authorities. It is concluded that greater technical training, periodic review of regulations, and strengthening of educational actions are necessary. The scientific contribution of this work consists of offering a robust and updated statistical diagnosis on non- conformities in large buildings in Santarém, providing support for future prevention and inspection actions. Keywords: Fire Safety. Non-Conformities. Technical Inspections. Technical Standards. Inspection. 1 INTRODUÇÃO As vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros desempenham um papel essencial na fiscalização do cumprimento das normas de segurança em edificações, garantindo que os empreendimentos estejam em conformidade com a legislação vigente. Essas inspeções são responsáveis por identificar infrações relacionadas à inadequação de sistemas de segurança, como sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndios, saídas de emergência e outros dispositivos essenciais para a proteção de edificações e seus ocupantes. Segundo Santos (2016), a fiscalização é um dos mecanismos mais eficazes para garantir que as normas técnicas sejam seguidas, reduzindo riscos estruturais e operacionais que podem comprometer a segurança dos espaços fiscalizados. Apesar da existência de normativas claras, muitas edificações apresentam não conformidades durante as vistorias, seja por desconhecimento da legislação, dificuldades técnicas na implementação das exigências ou mesmo pela falta de investimento na adequação dos espaços. Ribeiro (2019) menciona que, em grande parte das inspeções, são detectadas falhas como ausência de equipamentos obrigatórios, inadequação na instalação de dispositivos de segurança e descumprimento de padrões normativos estabelecidos pelos órgãos reguladores. Além disso, Oliveira (2021) ressalta que as dificuldades enfrentadas pelos responsáveis pelas edificações não se limitam apenas ao cumprimento das normas, mas também envolvem desafios financeiros e operacionais que dificultam a adequação dentro dos prazos estabelecidos pelas notificações do Corpo de Bombeiros. Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo analisar estatisticamente as infrações mais comuns registradas nas vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros em Santarém no ano de 2024, considerando edificações com área superior a 750m². A pesquisa buscou identificar os principais itens de segurança reprovados, as normas mais descumpridas e as dificuldades técnicas enfrentadas pelas empresas na adequação dos sistemas exigidos. Segundo Cruz e Souza (2018), a análise de dados estatísticos provenientes das inspeções permite compreender os principais desafios enfrentados pelos estabelecimentos e contribui para a formulação de estratégias que facilitem a adequação às normativas vigentes. Para delimitar a pesquisa, foram analisados exclusivamente os relatórios de vistoria armazenados no sistema do Corpo de Bombeiros de Santarém, considerando apenas edificações 3 com área igual ou superior a 750m² e cujas inspeções tenham sido realizadas ao longo do ano de 2024. A pesquisa não incluiu edificações de menor porte, residências unifamiliares ou estabelecimentos que tenham sido interditados, uma vez que os dados disponíveis indicam que as empresas cumprem as exigências dentro do prazo estabelecido de 30 dias, evitando interdições. Dessa forma, a investigação se concentrou na identificação das infrações mais frequentes, dos tipos de edificações mais irregulares e das normas mais frequentemente descumpridas no município. Com base nessas informações, a problemática central da pesquisa pode ser sintetizada na seguinteedificações acima de 750 m², identificou-se que as dificuldades se concentram na interpretação e aplicação das normas técnicas, bem como na falta de atualização dos sistemas de segurança. O levantamento demonstrou que 50% (n=11) dos profissionais relataram dificuldades específicas na interpretação ou aplicação das ITs, enquanto 72,7% (n=16) consideraram que as normas vigentes não estão adequadas à realidade local, destacando problemas como a ausência de flexibilidade normativa e a desatualização frente às condições das edificações preexistentes. A partir da análise dos relatórios, observou- se ainda que mais de 60% das edificações apresentaram pendências relacionadas à execução inadequada ou incompleta dos sistemas de segurança previstos em projeto. Quanto aos tipos de edificações que apresentaram maior índice de irregularidades, os dados indicaram um predomínio expressivo das edificações comerciais e industriais. O questionário apontou que 63,6% (n=14) dos profissionais indicaram os empreendimentos comerciais como os que mais frequentemente apresentam não conformidades, seguido das edificações industriais, com 4,5% (n=1). A análise documental reforçou esse padrão: cerca de 47% das não conformidades identificadas ocorreram em edificações comerciais, enquanto aproximadamente 29% foram registradas em empreendimentos industriais, demonstrando a 24 maior complexidade e vulnerabilidade desses segmentos em relação ao cumprimento das normas. Em relação ao mapeamento das normas mais frequentemente descumpridas, a IT nº 01, que trata da elaboração e execução do projeto técnico, destacou-se como a norma mais infringida, presente em mais de 80% das notificações emitidas. Além disso, outras normas, como a IT nº 03 (sistemas de hidrantes) e a IT nº 05 (sinalização e iluminação de emergência), também apresentaram elevados índices de descumprimento, sendo citadas como responsáveis por 40,9% (n=9) e 18,2% (n=4) das reprovações, respectivamente, segundo os participantes do questionário. A análise das principais dificuldades técnicas enfrentadas pelas empresas revelou que 45,5% (n=10) dos profissionais indicaram o desconhecimento técnico como a principal causa das não conformidades, seguido pela falta de acompanhamento técnico durante a execução, citada por 40,9% (n=9). Curiosamente, aspectos como falta de recursos financeiros e interpretação equivocada das normas não foram apontados com relevância pelos participantes, evidenciando que o cerne das dificuldades está mais relacionado à carência de orientação técnica e ao distanciamento entre a concepção e a execução dos projetos. Entre as limitações desta pesquisa, destaca-se a impossibilidade de abrangência total de todas as edificações vistoriadas pelo Corpo de Bombeiros no período de análise, dada a ausência de um banco de dados consolidado e estruturado para análise estatística automatizada, o que exigiu a extração manual dos dados constantes nos relatórios. Além disso, o número de respondentes ao questionário (n=22) limita a generalização absoluta dos resultados, embora a amostra tenha contemplado profissionais diretamente envolvidos com as atividades de fiscalização, projeto e execução das medidas de segurança. Como contribuição para estudos futuros, recomenda-se a ampliação da investigação para outros municípios e estados, visando a comparação entre diferentes realidades normativas e operacionais, bem como a realização de análises longitudinais que permitam acompanhar a evolução das não conformidades ao longo dos anos. Ademais, sugere-se que sejam desenvolvidas pesquisas específicas para avaliar o impacto de ações educativas e orientativas promovidas pelos órgãos fiscalizadores, além de estudos sobre o desenvolvimento e a implementação de sistemas informatizados para a padronização e simplificação dos processos de vistoria e adequação normativa. Tais iniciativas poderão fortalecer a cultura da prevenção, melhorar a eficácia das ações fiscalizatórias e garantir maior segurança às edificações e aos seus usuários. REFERÊNCIAS COELHO, Juliana Rodrigues Costa. A importância da inspeção predial nas edificações residenciais em Belo Horizonte. 2017. 82 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Produção e Gestão do Ambiente Construído) – Escola de Engenharia, Departamento de Engenharia de Materiais e Construção, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. CRUZ, Douglas Cabral da; SOUZA, Eduardo José de. Elaboração de um processo de segurança contra incêndio e pânico: estudo de caso em uma edificação pública. 2018. 42 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Rede de Ensino Doctum, Unidade João Monlevade, 2018. DODT, Emanuele Ferreira. Avaliação de imóvel: elaboração do laudo de avaliação pelo método comparativo direto. 2016. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Fortaleza, 2016. 25 GONÇALVES, Gabriel Wagner Oliveira. Laudo técnico para inspeções prediais. 2019. 51 f. Monografia (Bacharelado em Engenharia Civil) – Centro Universitário Atenas, Paracatu, 2019. LINS, Angelo Victor Siqueira. Caracterização metodológica da inspeção predial enquanto ferramenta de engenharia diagnóstica limitada e auxiliar à gestão condominial. 2022. 149 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Fortaleza, 2022. MOURA, Guilherme Henrique Munhoz de. Diretrizes, roteiro e proposta de laudo para inspeções prediais. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico, Florianópolis, 2017. OLIVEIRA, Maria Flanksuerly Ferreira de. Prevenção e combate a incêndio: estudo de caso em duas escolas de um município potiguar. 2021. 48 f. Monografia (Graduação em Ciência e Tecnologia) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido, 2021. OTONI, Lorena Letícia Gomes. Análise das manifestações patológicas em templo religioso na cidade de Jucás-CE. 2021. 63 f.: il. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Cajazeiras, 2021. RIBEIRO, Breno Guedes. Identificação dos sistemas preventivos de combate a incêndio de uma edificação residencial na cidade de Cajazeiras-PB. 2019. 59 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Cajazeiras, 2019. SANTOS, Deyvyd Rafael da Silva. Edificações históricas no centro de São Luís: importância da prevenção contra incêndio e pânico no Mercado das Tulhas. – São Luís, 2019. 79 f. Monografia (Graduação) – Curso de Formação de Oficiais Bombeiro Militar, Universidade Estadual do Maranhão, 2019. SANTOS, Tiago Junio Pereira. A perícia técnica aplicada à segurança das edificações contra incêndio e pânico. 2016. 113 f. Monografia (Especialização em Construção Civil) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Engenharia, Departamento de Engenharia de Materiais e Construção, Belo Horizonte, 2016.questão: Quais são as infrações mais recorrentes identificadas nas vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros em Santarém no Oeste do Pará no ano de 2024, e quais são os principais desafios enfrentados pelas edificações acima de 750m² na adequação dos sistemas exigidos pelas normas técnicas? Para responder a essa questão, o estudo tem como proposta levantar dados estatísticos sobre as infrações registradas, identificar os tipos de edificações que apresentam maior índice de irregularidades, mapear as normas mais descumpridas e analisar as principais dificuldades técnicas enfrentadas pelas empresas no cumprimento dos requisitos estabelecidos pelos órgãos fiscalizadores. Dessa forma, espera-se que esta pesquisa contribua para um melhor entendimento dos fatores que dificultam a conformidade das edificações, fornecendo subsídios para aprimoramentos nos processos de fiscalização e adequação técnica. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Aspectos históricos e evolução das vistorias técnicas A fiscalização de edificações sempre foi uma necessidade para garantir a conformidade com normas de segurança e evitar riscos estruturais e operacionais. Desde os primeiros registros históricos, observa-se a preocupação com a regulamentação dos espaços construídos para minimizar acidentes e proteger os ocupantes. Segundo Coelho (2017), a realização de inspeções surgiu como um mecanismo essencial para assegurar que os projetos fossem executados de acordo com padrões técnicos previamente estabelecidos, reduzindo falhas e prevenindo irregularidades. Com o crescimento das cidades e a intensificação da urbanização, a demanda por uma fiscalização mais rigorosa se tornou evidente. Dodt (2016) aponta que, ao longo do século XX, diversos países começaram a estruturar órgãos reguladores específicos para vistoriar edificações e garantir que seguissem critérios mínimos de segurança. No Brasil, esse processo se consolidou com a normatização das vistorias técnicas, motivada pela complexidade crescente das construções e pelo aumento da necessidade de prevenir falhas estruturais. O Corpo de Bombeiros passou a desempenhar um papel central nesse cenário, assumindo a responsabilidade por inspeções voltadas à segurança das edificações, principalmente no que diz respeito à prevenção de riscos operacionais. Gonçalves (2019) destaca que a padronização dos procedimentos de vistoria, por meio da adoção de instruções técnicas específicas, possibilitou uma fiscalização mais eficiente, com critérios objetivos para a identificação de não conformidades. Dessa forma, a atuação dos bombeiros se tornou fundamental para garantir que os empreendimentos atendessem aos requisitos mínimos estabelecidos pelas normativas vigentes. A modernização dos regulamentos e dos métodos de fiscalização acompanhou as transformações tecnológicas ao longo das últimas décadas. De acordo com Lins (2022), o avanço de sistemas informatizados e a digitalização dos registros permitiram um controle mais eficiente das infrações detectadas nas vistorias. O uso de tecnologias especializadas trouxe maior precisão à análise dos problemas encontrados, além de facilitar o acompanhamento das medidas corretivas adotadas pelos responsáveis pelos estabelecimentos. 4 Além da incorporação de novas tecnologias, houve uma ampliação no escopo das vistorias técnicas, que passaram a considerar aspectos ambientais e de acessibilidade. Segundo Moura (2017), as inspeções atuais não se limitam à identificação de falhas estruturais, mas também avaliam a adequação das edificações a diretrizes que garantem acessibilidade para pessoas com deficiência e sustentabilidade dos projetos. Essa mudança reflete um entendimento mais amplo sobre segurança e funcionalidade dos espaços construídos. Apesar dos avanços, o cumprimento das normativas ainda enfrenta desafios, principalmente em relação à adequação das edificações às exigências estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores. Otoni (2021) observa que muitos estabelecimentos encontram dificuldades para seguir as instruções técnicas, seja por falta de conhecimento especializado, limitações financeiras ou resistência por parte dos proprietários. Essa dificuldade impacta diretamente a segurança das edificações e reforça a necessidade de mecanismos que incentivem o cumprimento das normas. Nesse contexto, a padronização dos critérios de vistoria e a constante atualização das normativas são elementos fundamentais para a eficácia da fiscalização. Conforme Santos (2019), a existência de regulamentos claros e objetivos reduz a subjetividade na análise das infrações e garante maior transparência nos processos de inspeção. Além disso, a capacitação contínua dos profissionais envolvidos na fiscalização contribui para que as vistorias sejam realizadas de maneira mais criteriosa e eficiente. A evolução das vistorias técnicas reflete um processo contínuo de aprimoramento e adaptação às novas demandas da sociedade. Coelho (2017) enfatiza que o fortalecimento das regulamentações, aliado à adoção de tecnologias inovadoras e à conscientização dos responsáveis pelas edificações, desempenha um papel crucial na efetividade das inspeções. Assim, a modernização dos procedimentos e a ampliação do escopo das vistorias são estratégias indispensáveis para garantir que os empreendimentos estejam sempre em conformidade com as exigências legais, promovendo ambientes mais seguros e estruturados. 2.1.1 A evolução da segurança em edificações e a necessidade de fiscalização A preocupação com a segurança das edificações remonta aos primórdios da civilização, quando sociedades antigas já adotavam medidas para evitar colapsos estruturais e minimizar riscos aos ocupantes. Ao longo da história, a construção de edificações seguras se tornou um elemento essencial para o desenvolvimento urbano, especialmente em regiões com grande concentração populacional. Segundo Coelho (2017), a consolidação de normas técnicas foi um avanço fundamental para garantir a estabilidade das construções e prevenir acidentes decorrentes de falhas estruturais. Com o avanço das técnicas construtivas e o crescimento das cidades, a necessidade de regulamentações mais rígidas tornou-se evidente. Moura (2017) destaca que, à medida que as edificações passaram a apresentar projetos mais complexos, os riscos associados ao uso inadequado de materiais e à falta de planejamento também aumentaram. Dessa forma, a implementação de normas e diretrizes específicas se tornou imprescindível para assegurar que as edificações atendessem a padrões mínimos de segurança. No Brasil, a normatização da segurança em edificações ganhou força a partir do século XX, com a criação de órgãos reguladores responsáveis por fiscalizar a conformidade das construções. Dodt (2016) explica que o crescimento acelerado das cidades e o surgimento de novas demandas urbanísticas exigiram a adoção de políticas públicas voltadas para a prevenção de acidentes e desastres estruturais. Esse processo resultou na formulação de legislações mais rigorosas e no fortalecimento da atuação dos órgãos fiscalizadores. A necessidade de fiscalização se tornou ainda mais evidente diante de tragédias ocasionadas por falhas estruturais e descumprimento de normas técnicas. Gonçalves (2019) 5 observa que, em muitos casos, acidentes poderiam ter sido evitados caso houvesse um controle mais efetivo sobre a aplicação das normas de segurança. A fiscalização, portanto, se consolidou como um instrumento essencial para garantir que as edificações cumpram os padrões exigidos e ofereçam segurança adequada aos seus ocupantes. Além da segurança estrutural, a fiscalização também passou a abranger outros aspectos essenciais para a proteção das edificações. Lins (2022) ressalta que, com o passar dos anos, surgiram normativas voltadas para a acessibilidade, a sustentabilidade e a eficiência energética, ampliandoo escopo das regulamentações e tornando a fiscalização ainda mais complexa. Esse avanço permitiu que a segurança das edificações fosse analisada de maneira mais abrangente, contemplando não apenas a integridade física das estruturas, mas também a qualidade dos ambientes construídos. Embora a fiscalização tenha evoluído significativamente, ainda existem desafios na sua aplicação, especialmente em relação ao cumprimento das normativas por parte dos responsáveis pelas edificações. Otoni (2021) aponta que a falta de informação sobre as exigências legais e os custos elevados para adequação são fatores que dificultam a implementação das normas de segurança. Muitos proprietários e gestores de edificações postergam as adequações necessárias, o que aumenta os riscos e compromete a efetividade das regulamentações. Para que a fiscalização seja eficaz, é essencial que haja uma padronização dos procedimentos e uma atuação mais rigorosa dos órgãos responsáveis. Segundo Santos (2019), a criação de regulamentos claros e bem definidos facilita o trabalho dos fiscais e garante maior transparência no processo de inspeção. Além disso, a capacitação dos profissionais envolvidos na fiscalização é um fator determinante para que as normas sejam aplicadas corretamente e sem subjetividades. Dessa forma, a evolução da segurança em edificações está diretamente ligada ao aprimoramento dos mecanismos de fiscalização e à adaptação das normativas às novas realidades urbanas. Coelho (2017) reforça que o fortalecimento das regulamentações, aliado ao uso de tecnologias inovadoras e à conscientização dos responsáveis pelas edificações, desempenha um papel crucial na garantia de ambientes mais seguros. A fiscalização, portanto, não deve ser vista apenas como um mecanismo punitivo, mas como um instrumento essencial para a preservação da vida e do patrimônio. 2.2. Origem e desenvolvimento das vistorias técnicas do Corpo de Bombeiros A fiscalização de edificações pelo Corpo de Bombeiros surgiu da necessidade de garantir a segurança estrutural e operacional dos espaços construídos, especialmente em locais com grande circulação de pessoas. A regulamentação dessas vistorias evoluiu ao longo dos anos, tornando-se um procedimento essencial para a prevenção de riscos e a aplicação das normativas vigentes. Segundo Santos (2016), as vistorias técnicas desempenham um papel fundamental na verificação das condições de segurança de edificações, garantindo que estejam em conformidade com as exigências impostas pelos órgãos fiscalizadores. Com o crescimento urbano e o aumento da complexidade das edificações, tornou-se essencial a adoção de critérios técnicos específicos para a fiscalização e certificação de empreendimentos. Lins (2022) destaca que a expedição do Certificado de Vistoria do Corpo de Bombeiros (CVCB) foi uma das medidas para formalizar a regularização das edificações, estabelecendo um documento que atesta a conformidade das instalações com as normas de segurança. Além disso, a implementação do Laudo de Vistoria Técnica (LVT) possibilitou uma análise mais detalhada das estruturas, permitindo a identificação de falhas e a indicação das medidas adequadas para correção. A evolução das vistorias técnicas ocorreu paralelamente ao aprimoramento das normativas externas à segurança predial. Ribeiro (2019) observa que, à medida que os sistemas 6 preventivos contra incêndios se tornaram mais sofisticados, as inspeções passaram a incluir critérios mais abrangentes, envolvendo desde a instalação correta de equipamentos de combate a incêndio até a legislação das saídas de emergência. Esse avanço garantiu maior precisão no diagnóstico das não conformidades e permitiu uma fiscalização mais eficiente. Além do foco na segurança contra incêndios, as vistorias do Corpo de Bombeiros passaram a abranger outros aspectos fundamentais para a integridade das edificações. Oliveira (2021) destaca que a fiscalização inclui a verificação da acessibilidade e da estabilidade estrutural dos empreendimentos, garantindo que os espaços sejam destinados para atender não apenas às exigências de segurança, mas também às normas de inclusão e conforto dos ocupantes. Com isso, as inspeções técnicas evoluíram para um escopo mais abrangente, indo além da prevenção de incêndios e incorporando diretrizes para um ambiente seguro e funcional. Apesar dos avanços na estruturação das vistorias técnicas, alguns desafios ainda persistem, principalmente no que diz respeito à adequação das edificações às exigências legais. Cruz e Souza (2018) apontam que muitas empresas enfrentam dificuldades para interpretar corretamente as normas e implementar as adequações permitidas dentro dos prazos propostos. A falta de profissionais capacitados para conduzir as adaptações realizadas pelas vistorias também é um obstáculo significativo, impactando diretamente a eficiência do processo fiscalizatório. A uniformização dos critérios de vistoria e a criação de um sistema informatizado para o controle das inspeções foram medidas que se desenvolveram para a modernização das fiscalizações. Segundo Lins (2022), a digitalização dos processos permitiu uma maior agilidade na emissão de laudos e certificados, reduzindo o tempo necessário para a regularização das edificações. Além disso, a implementação de plataformas eletrônicas possibilitou um acompanhamento mais preciso das infrações e das providências tomadas pelos responsáveis pelos empreendimento. Para que as vistorias técnicas continuem sendo eficazes, é essencial que haja investimentos na capacitação dos profissionais que atuam na fiscalização e na atualização das normativas aplicáveis. Santos (2016) reforça que a formação contínua dos inspetores e a adaptação das regras às novas realidades da construção civil são fatores determinantes para garantir que as inspeções cumpram seu papel na mitigação de riscos e na promoção da segurança das edificações. Dessa forma, a origem e o desenvolvimento das vistorias técnicas do Corpo de Bombeiros refletem um processo de aprimoramento contínuo, pautado na necessidade de garantir ambientes mais seguros e adequados às exigências legais. A evolução dessas inspeções demonstra a importância de mecanismos de controle rigorosos para a fiscalização das edificações, garantindo que os empreendimentos estejam devidamente regularizados e preparados para enfrentar eventuais situações de risco. 2.2.1 Marcos regulatórios e o fortalecimento da fiscalização pelo Corpo de Bombeiros A regulamentação das vistorias técnicas pelo Corpo de Bombeiros é um processo que se consolidou ao longo das décadas, acompanhando o crescimento das cidades e a complexidade das edificações. O fortalecimento da fiscalização é resultado da implementação de normas mais rigorosas e da criação de mecanismos que garantam a aplicação eficaz das exigências de segurança. Segundo Santos (2016), a evolução dos marcos regulatórios permitiu que as inspeções se tornassem mais criteriosas, proporcionando maior controle sobre as infrações e ampliando a responsabilização dos responsáveis pelas edificações. Um dos principais avanços na regulamentação da fiscalização foi a padronização das Instruções Técnicas, que estabeleceram critérios claros para a avaliação das condições de segurança dos empreendimentos. Lins (2022) destaca que a normatização das vistorias possibilitou maior transparência nos processos de inspeção, garantindo que todas as edificações 7 fossem avaliadas com base nos mesmos critérios. Esse avanço avançou a subjetividade na aplicação dos conselhos e contribuiu para a uniformidade das critérios impostas aos estabelecimentos. No Brasil, a legislação externa para a fiscalização das edificações tem sido constantemente aprimorada para acompanhar os avanços tecnológicos e as novas demandas da sociedade. Ribeiro (2019) observa que a introdução de normas específicaspara diferentes tipos de empreendimentos, como hospitais, escolas e edificações industriais, foi fundamental para adequar as inspeções às necessidades de cada setor. A criação de regulamentações mais permitiu que as vistorias se tornassem mais precisas e especificações na identificação de falhas. A modernização das normativas também trouxe mudanças no funcionamento das fiscalizações, que passaram a contar com novas ferramentas para a realização das inspeções. Oliveira (2021) aponta que a digitalização dos registros e a implementação de sistemas informatizados facilitaram a análise dos dados coletados nas vistorias, permitindo um acompanhamento mais eficiente das infrações descritas e das exceções tomadas para a regularização dos empreendimentos. Esse avanço garantiu maior controle sobre as medidas corretivas impostas pelos responsáveis pelos estabelecimentos. Apesar da evolução dos marcos regulatórios, a aplicação das normas ainda enfrenta desafios, principalmente em relação ao cumprimento das exigências por parte dos empreendimentos fiscalizados. Cruz e Souza (2018) ressaltam que a resistência de alguns setores em adotar as medidas necessárias para adequação às normativas impacta diretamente na segurança das edificações. A fiscalização, portanto, desempenha um papel crucial na conscientização dos responsáveis e na garantia de que as exigências sejam cumpridas. A implementação de deliberações mais severas para as infrações identificadas durante as vistorias também contribuiu para o fortalecimento da fiscalização. Gonçalves (2019) afirma que a aplicação de multas e avaliações administrativas para edificações que não atendem aos requisitos de segurança tem sido um fator determinante para a redução das irregularidades. A adoção de prazos específicos para a regularização das infrações reforçou a importância do cumprimento das normas e aumentou a efetividade das inspeções. A capacitação contínua dos profissionais responsáveis pelas vistorias também é um aspecto essencial para o fortalecimento da fiscalização. Dodt (2016) destaca que a atualização constante dos fiscais e a especialização em novas tecnologias e métodos de inspeção garantem maior precisão na identificação de falhas e na aplicação das previsões cabíveis. A qualificação técnica dos inspetores contribui para que as normas sejam interpretadas corretamente e aplicadas de maneira uniforme em todas as inspeções. Desta forma, os marcos regulatórios e o fortalecimento da fiscalização do Corpo de Bombeiros representam um avanço significativo na garantia da segurança das edificações. O aprimoramento das normativas, aliado à modernização dos processos de vistoria e à capacitação dos profissionais envolvidos, tem permitido uma fiscalização mais eficiente e rigorosa. O cumprimento das regulamentações é fundamental para a redução de riscos estruturais e operacionais, garantindo que as edificações atendam aos padrões exigidos e promovam ambientes mais seguros para a sociedade. 3 METODOLOGIA Esta pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, descritiva e complementarmente qualitativa, com foco na análise das não conformidades registradas nas vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém no ano de 2024, especificamente em edificações com área igual ou superior a 750 m². O estudo buscou não apenas identificar as infrações mais recorrentes, mas também compreender suas causas, consequências e implicações normativas, bem como propor soluções técnicas e procedimentais que contribuam para a 8 redução da reincidência. Segundo Santos (2016), o método quantitativo é eficaz para descrever fenômenos com base em dados numéricos, enquanto a abordagem qualitativa amplia a compreensão dos significados, contextos e dificuldades enfrentadas pelos atores envolvidos. A coleta dos dados foi realizada por meio da análise documental de relatórios técnicos oficiais disponíveis no sistema informatizado do Corpo de Bombeiros. Esses documentos reuniram informações detalhadas sobre as inspeções realizadas, incluindo os itens de segurança reprovados, normas infringidas, prazos para regularização, tipo de notificação aplicada e eventuais reincidências. Conforme Oliveira (2021), a análise de documentos oficiais permite avaliar de forma precisa a realidade fiscalizatória, garantindo credibilidade e robustez à base empírica da pesquisa. Os dados não estavam consolidados em uma base estatística unificada e acessível, por isso se procedeu com a extração manual das informações, com análise individual de cada relatório. As informações foram organizadas em uma tabela estruturada, contendo as seguintes variáveis: data da vistoria, tipo de edificação, área total, número de pavimentos, item ou sistema reprovado, norma descumprida, tipo de notificação, reincidência, prazo concedido, gravidade da não conformidade, regularização e consequência técnica ou administrativa. Tabela 1 – Estrutura para organização e análise dos dados Data Tipo de Edificação Área (m²) Nº de Pavimentos Item Reprovado Norma Descumprida Motivo da Reprovação Notificação ou Multa? Interdição? Regularização? Essa estrutura permitiu identificar as infrações mais frequentes, o grau de gravidade e os desdobramentos administrativos, como exigência de nova vistoria, suspensão de alvará ou encaminhamento para instâncias superiores, como o Ministério Público ou órgãos reguladores. Complementarmente, foi aplicado um questionário semiestruturado a profissionais de dois perfis: fiscais do Corpo de Bombeiros e engenheiros civis ou projetistas responsáveis pela adequação dos projetos às normas técnicas. O instrumento foi enviado por meio do Google Forms e divulgado via WhatsApp, obtendo 22 respostas durante o mês de maio de 2025. O objetivo foi compreender, sob a ótica prática, as principais dificuldades enfrentadas na elaboração, execução e aprovação de sistemas de proteção e segurança. O questionário contemplou questões fechadas, que possibilitaram análise estatística descritiva e a identificação de padrões, e questões abertas, que forneceram insumos para uma análise qualitativa sobre as dificuldades e sugestões de melhoria para os processos de vistoria e adequação normativa. Para a análise quantitativa dos dados, empregaram-se técnicas estatísticas descritivas, como frequências absolutas e relativas, bem como análises comparativas por tipologia de edificação (educacional, comercial, hospitalar, industrial, entre outras). Também foi realizada uma correlação entre o tipo de não conformidade e o tipo de edificação, com o objetivo de verificar padrões específicos, como, por exemplo, a maior incidência de falhas em sinalização em prédios educacionais ou problemas com hidrantes em galpões industriais. Ribeiro (2019) destaca que o mapeamento estatístico de falhas recorrentes permite construir medidas preventivas mais eficazes e direcionadas. Os dados qualitativos oriundos das respostas abertas foram organizados por eixos temáticos: causas das não conformidades, dificuldades no processo de regularização, interpretação das normas e sugestões de melhoria. Esses relatos contribuíram para uma compreensão mais profunda das razões estruturais e operacionais que dificultam o pleno cumprimento das normas técnicas vigentes, e para o entendimento dos impactos concretos dessas irregularidades, como aumento do tempo de liberação do alvará, gastos adicionais com retrabalho ou risco iminente à segurança dos usuários. 9 Por fim, os resultados foram apresentados por meio de tabelas e gráficos estatísticos, acompanhados de quadros interpretativos, que evidenciaram os achados mais relevantes da pesquisa, como as infrações mais graves e recorrentes, as penalidades aplicadas, os principais gargalos técnicos enfrentados e os caminhos possíveis para a melhoria da fiscalização e da adequação normativa.Espera-se que tais achados contribuam para o aperfeiçoamento dos processos internos do Corpo de Bombeiros, bem como para a formação crítica de profissionais da engenharia e da arquitetura envolvidos com a segurança das edificações. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 Perfil dos participantes da pesquisa O questionário foi respondido por um total de 22 profissionais que atuam direta ou indiretamente com as vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros em Santarém, tal como se vê na Tabela 1 a seguir. Tabela 1- Perfil dos participantes da pesquisa CARACTERÍSTICAS n % Bombeiro 12 54,5 Engenheiro civil 7 31,8 Projetista de sistema preventivo 2 9,1 Técnico em segurança 1 4,5 Cargo/função Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará 14 63,6 Escritório de engenharia particular 1 4,5 Instituição ou empresa Empresa prestadora de serviços técnicos 2 9,1 Autônomo 3 13,6 Outro 2 9,1 Ensino Técnico 3 13,6 Ensino Superior em Engenharia Civil 8 36,4 Formação Ensino Superior em Arquitetura 0 Pós-graduação em área correlata 5 22,7 Outro 6 27,3 Menos de 1 ano 2 9,1 Tempo de experiência na área 1 a 3 anos 3 13,6 4 a 6 anos 2 9,1 7 a 10 anos 2 9,1 Mais de 10 anos 13 59,1 Fonte: Autoria própria (2025) No que se refere ao cargo ou função, a maioria dos participantes declarou atuar como bombeiro, representando 54,5% (n=12) do total de respondentes. Em seguida, destacaram-se os engenheiros civis, que corresponderam a 31,8% (n=7) dos participantes. Também participaram projetistas de sistemas preventivos, compondo 9,1% (n=2) da amostra, e um técnico de 10 segurança, representando 4,5% (n=1). Nenhum dos respondentes declarou exercer outra função que não as mencionadas, conforme sintetizado na Tabela 1. Quanto à instituição ou empresa de vínculo, verificou-se que a maioria atua no Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará, representando 63,6% (n=14) dos participantes. O grupo de autônomos constituiu 13,6% (n=3), seguido por profissionais vinculados a empresas prestadoras de serviços técnicos (9,1%, n=2) e por aqueles atuantes em outros tipos de instituições (9,1%, n=2). Apenas 4,5% (n=1) declararam vínculo com escritórios de engenharia particular. Em relação à formação acadêmica, a maioria possui ensino superior em Engenharia Civil, representando 36,4% (n=8) dos participantes. A pós-graduação em área correlata foi indicada por 22,7% (n=5) dos respondentes, enquanto o ensino técnico correspondeu a 13,6% (n=3). Um grupo expressivo, representando 27,3% (n=6), declarou ter outra formação não especificada. Não houve registro de profissionais com ensino superior em Arquitetura. No que diz respeito ao tempo de experiência na área, constatou-se a predominância significativa de profissionais com mais de 10 anos de atuação, correspondendo a 59,1% (n=13) dos participantes. Os profissionais com 1 a 3 anos de experiência representaram 13,6% (n=3), seguidos por aqueles com menos de 1 ano (9,1%, n=2), 4 a 6 anos (9,1%, n=2) e 7 a 10 anos (9,1%, n=2). Os dados apresentados na Tabela 1 demonstram que a amostra foi composta, majoritariamente, por profissionais com vínculo institucional público, formação superior e extensa experiência na área, o que confere robustez e credibilidade às informações colhidas. Esse perfil reforça a validade das percepções obtidas sobre as não conformidades e os desafios enfrentados na adequação das edificações às normas técnicas de segurança contra incêndio. 4.2 Não conformidades mais comuns identificadas A análise integrada dos dados obtidos por meio das vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém no ano de 2024, e das respostas ao questionário aplicado aos profissionais da área, permitiu identificar as não conformidades mais recorrentes em edificações com área igual ou superior a 750 m², como se apresenta no gráfico 1. Gráfico 1 – Não conformidades mais comuns encontradas durante as vistorias técnicas em edificações com mais de 750 m² Fonte: Autoria própria (2025) 9,90% 45,45% 9,90% 4,55% 0,00% 27,27% 4,55% Ausência de hidrantes Extintores mal posicionados ou insuficientes Sinalização de emergência inadequada Saídas de emergência obstruídas Sistema de alarme inoperante Projeto técnico desatualizado ou inexistente Outros 11 Conforme demonstrado no Gráfico 1, as não conformidades mais comuns, segundo os 22 profissionais participantes do questionário, foram: extintores mal posicionados ou insuficientes, com 45,5% das respostas (n=10); seguida pelo projeto técnico desatualizado ou inexistente, com 27,27% (n=6); e pela ausência de hidrantes e sinalização de emergência inadequada, ambas com 9,90% (n=2). Ocorrências como saídas de emergência obstruídas e outras não especificadas foram indicadas por 4,55% (n=1) cada. A análise documental das vistorias técnicas corroborou esses achados. Nos relatórios de fiscalização, observou-se que a maioria das reprovações se concentrou em falhas na execução ou ausência do projeto técnico (IT 01), na inoperância ou inadequação de extintores e hidrantes (IT 03), bem como em deficiências na sinalização de emergência (IT 05). Esses resultados indicam que a problemática das não conformidades decorre, em grande medida, da falta de atualização dos projetos de segurança e da negligência quanto à correta instalação e manutenção dos sistemas de combate a incêndio. A expressiva incidência de extintores mal posicionados ou insuficientes, destacada por quase metade dos respondentes, sinaliza para a necessidade de reforço na fiscalização quanto ao posicionamento estratégico e à quantidade adequada desses dispositivos. Adicionalmente, a elevada frequência de projetos técnicos desatualizados evidencia a persistência de lacunas no acompanhamento das modificações estruturais das edificações, o que compromete a efetividade das medidas preventivas e a segurança dos ocupantes. Assim, a conjugação dos dados das vistorias e do questionário reforça a necessidade de medidas educativas e normativas que promovam maior rigor na atualização e execução dos projetos técnicos, bem como na manutenção contínua dos sistemas de proteção. 4.3 Sistemas de segurança predial mais frequentemente reprovados O levantamento dos dados permitiu identificar, com clareza, os sistemas de segurança predial que mais suscitaram reprovações nas vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém ao longo de 2024. Ao mesmo tempo, as respostas fornecidas pelos profissionais participantes do questionário reforçaram essa constatação, ao apontarem, em suas experiências práticas, os sistemas mais críticos e suscetíveis a falhas no processo de fiscalização. Gráfico 2 – Sistemas ou itens de segurança predial mais frequentemente reprovados Fonte: Autoria própria (2025) 40,90% 9,10% 18,20% 27,30% 0,00% 4,50% 0,00% Sistema de hidrantes Sistema de detecção e alarme Iluminação e sinalização de emergência Extintores de incêndio Compartimentação vertical ou horizontal ) Escadas de emergência Outro 12 De acordo com o Gráfico 2, o sistema de hidrantes foi indicado como o mais frequentemente reprovado por 40,9% dos participantes (n=9), seguido pelos extintores de incêndio, com 27,3% (n=6). A iluminação e a sinalização de emergência também figuraram entre os sistemas críticos, sendo apontadas por 18,2% dos respondentes (n=4). Já o sistema de detecção e alarme obteve 9,1% (n=2) das respostas, enquanto elementos como compartimentação vertical ou horizontal e escadas de emergência tiveram menções residuais ou nulas. A análise dos relatórios técnicos das vistorias reforçou tais apontamentos, evidenciando, com frequência, inadequações e não conformidades relativas aos sistemas de hidrantes, tanto em relação ao dimensionamento quanto à instalação e manutenção, e falhas na disposição e validadedos extintores. Adicionalmente, observou-se a recorrência de problemas em sistemas de sinalização e iluminação de emergência, indispensáveis para garantir a evacuação segura em situações de risco. Esse alinhamento entre os dados objetivos e as percepções subjetivas dos profissionais evidencia uma problemática persistente na adequação e na manutenção dos sistemas essenciais de segurança contra incêndio. A elevada incidência de reprovações no sistema de hidrantes, em particular, destaca-se como um ponto crítico, indicando possíveis falhas desde o projeto até a execução e manutenção preventiva dessas instalações. Nesse contexto, torna-se imprescindível reforçar a capacitação técnica dos responsáveis pela concepção e implantação desses sistemas, além de promover ações fiscalizatórias mais frequentes e orientativas, que assegurem o cumprimento integral das normativas vigentes e a consequente elevação dos padrões de segurança nas edificações de grande porte em Santarém. 4.4 Correlação com tipos de edificação A diversidade tipológica das edificações fiscalizadas revelou padrões distintos quanto à incidência de não conformidades. A partir da análise dos relatórios técnicos elaborados pelo Corpo de Bombeiros de Santarém, constatou-se que os estabelecimentos comerciais e industriais são os que mais frequentemente apresentam falhas no atendimento às exigências normativas, configurando-se como setores críticos no panorama das vistorias realizadas em 2024. Gráfico 3 – Diferenças na ocorrência das não conformidades conforme o tipo de edificação Fonte: Autoria própria (2025) 18,20% 4,50% 63,70% 4,50% 4,50% 4,50% 0,00% 0,00% Não Se sim, quais tipos apresentam mais irregularidades? Comerciais Educacionais Hospitalares Industriais Residenciais multifamiliares Outros 13 O Gráfico 3 evidencia que 63,7% (n=14) dos respondentes do questionário indicaram as edificações comerciais como aquelas que mais concentram irregularidades, seguidas das industriais, educacionais e hospitalares, todas com 4,5% (n=1) das menções. Apenas uma pequena parcela dos profissionais (18,2%, n=4) afirmou não perceber diferenças significativas quanto à ocorrência de não conformidades em função do tipo de edificação. A correlação desses dados com os relatórios de vistoria confirma a predominância das infrações em empreendimentos comerciais e industriais, o que pode ser atribuído à complexidade dessas edificações, ao volume de circulação de pessoas, bem como à frequente realização de alterações estruturais e funcionais não previamente regularizadas. Tais práticas comprometem a conformidade normativa e expõem os ocupantes a riscos significativos em caso de sinistros. Esse cenário reforça a necessidade de estratégias fiscalizatórias diferenciadas, mais rigorosas e orientativas, especialmente direcionadas para esses setores. Além disso, indica-se a formulação de políticas públicas que incentivem a regularização contínua, com apoio técnico e financeiro, de modo a mitigar as vulnerabilidades estruturais e operacionais identificadas nas edificações comerciais e industriais de Santarém. 4.5 Causas das não conformidades A investigação acerca dos fatores que contribuem para a ocorrência das não conformidades nas edificações com mais de 750 m² evidenciou aspectos técnicos, estruturais e organizacionais que impactam diretamente na segurança e conformidade dos empreendimentos fiscalizados. A análise integrada dos relatórios de vistoria e das respostas ao questionário permitiu compreender a complexidade dessas causas e sua persistência no contexto local, tal como se apresenta o gráfico a seguir. Gráfico 4 – Principais fatores que contribuem para a ocorrência dessas não conformidades Fonte: Autoria própria (2025) Conforme demonstra o Gráfico 4, o fator mais apontado pelos profissionais como responsável pelas não conformidades foi o desconhecimento técnico, com 45,5% das respostas (n=10). Em seguida, a falta de acompanhamento técnico durante a execução dos sistemas de segurança foi mencionada por 40,9% dos participantes (n=9). Outros elementos como projetos 45,50% 0 0 4,50% 0 4,50% 40,90% 4,60% Desconhecimento técnico Interpretação equivocada das normas Falta de recursos financeiros Projetos mal elaborados Falta de mão de obra especializada Atraso na atualização de normativas internas Falta de acompanhamento técnico durante a execução Outro 14 mal elaborados, atraso na atualização de normativas internas e fatores diversos foram indicados por 4,5% (n=1) cada. Esses dados dialogam com a análise documental realizada, na qual se constatou que a ausência de especificações adequadas, a falta de atualização dos memoriais técnicos e a execução incorreta dos sistemas projetados são as principais causas identificadas nas reprovações. Observou-se que muitas das infrações resultam não apenas de falhas na concepção dos projetos, mas, sobretudo, de deficiências no acompanhamento técnico durante a fase de execução e implantação das medidas preventivas. A convergência entre as percepções dos profissionais e os dados objetivos das vistorias confirma que a qualificação insuficiente dos responsáveis técnicos, aliada à carência de práticas sistemáticas de fiscalização interna por parte das empresas, constitui um dos principais entraves à plena conformidade normativa. Assim, torna-se imprescindível a implementação de ações formativas contínuas, associadas a mecanismos de suporte técnico que garantam o correto entendimento e aplicação das Instruções Técnicas vigentes. 4.6 Dificuldades na interpretação e aplicação das Instruções Técnicas (ITs) No processo de avaliação das causas subjacentes às não conformidades, revelou-se imprescindível compreender a relação dos profissionais com as Instruções Técnicas (ITs) que normatizam a segurança contra incêndio. A análise integrada das respostas ao questionário permitiu captar as percepções sobre as dificuldades encontradas na interpretação e aplicação das ITs no contexto das edificações de Santarém, como se apresenta a seguir no gráfico 5. Gráfico 5- Dificuldades na interpretação das Instruções Técnicas (ITs) e adequação às edificações locais Fonte: Autoria própria (2025) A análise do Gráfico 5 evidencia um dado particularmente relevante para a compreensão das práticas de fiscalização técnica: a divisão equitativa entre profissionais que relatam dificuldades na interpretação ou aplicação das Instruções Técnicas (ITs) e aqueles que afirmam não enfrentar tais obstáculos. Essa polarização (50% para cada grupo, n=11) sugere não apenas a coexistência de diferentes níveis de domínio normativo entre os agentes fiscalizadores, mas também a possibilidade de que fatores contextuais — como a tipologia da edificação, a antiguidade das construções ou mesmo a disponibilidade de orientações técnicas atualizadas, impactem de maneira desigual o exercício da atividade. Tal resultado chama atenção para a necessidade de estratégias de capacitação contínua, sobretudo voltadas à atualização e contextualização das ITs frente às realidades arquitetônicas e funcionais locais. Ademais, evidencia-se a importância de mecanismos institucionais de apoio 15 técnico, que auxiliem na tradução prática das exigências normativas, especialmente nos casos em que a infraestrutura das edificações apresenta incompatibilidades com os parâmetros atuais de segurança contra incêndio e pânico. A divisão equitativa observada também pode ser interpretada como um indicativo de que, mesmo entre profissionais experientes, a clareza e a aplicabilidade das ITs ainda constituem um campo em aberto de aprimoramento normativo e pedagógico. 4.7 Adequação das normas à realidade local No processo de avaliação das causas subjacentes às não conformidades, tornou-se imprescindível analisar a percepção dos profissionais sobre a adequação das normastécnicas de segurança contra incêndio à realidade das edificações locais. As informações obtidas são sistematizadas a seguir no gráfico 6. Gráfico 6 - Adequação das normas à realidade local Fonte: Autoria própria (2025) A consulta revelou que a maioria dos respondentes (72,7%, n=16) considera que as normas atualmente vigentes estão adequadas ao contexto construtivo de Santarém, enquanto 27,3% (n=6) manifestaram opinião contrária. Tal dado sugere uma tendência de reconhecimento da aplicabilidade prática das Instruções Técnicas (ITs), mesmo diante da diversidade tipológica das edificações inspecionadas. A análise cruzada com os registros de inspeções técnicas corrobora essa percepção favorável: ainda que se observem índices expressivos de reprovação, especialmente vinculados à IT 01 (relativa à elaboração e execução do projeto técnico), tais ocorrências não implicam necessariamente inadequação normativa. Ao contrário, a natureza recorrente das falhas, como ausência de apresentação de projetos, execução parcial ou desvios em relação ao projeto aprovado, revela que os entraves se concentram majoritariamente na execução e na documentação técnica, e não na normatividade em si. Além disso, o fato de que a quase totalidade das edificações reprovadas não sofreu interdição, e muitas foram posteriormente regularizadas, reforça a hipótese de que as exigências normativas são tecnicamente viáveis e passíveis de cumprimento. A elevada incidência de notificações em detrimento de penalizações mais gravosas aponta para uma abordagem pedagógica por parte do órgão fiscalizador, evidenciando que as normas são exequíveis quando corretamente interpretadas e aplicadas. 72,70% 27,30% Sim Não 16 Nesse sentido, a percepção de adequação normativa majoritária entre os profissionais encontra respaldo nos dados empíricos das inspeções, sugerindo que o problema central não reside na rigidez ou na descontextualização das normas, mas sim nas fragilidades operacionais do processo projetual e na carência de capacitação técnica para sua correta implementação. Isso indica a necessidade de fortalecimento de ações formativas e da elaboração de instrumentos interpretativos complementares que facilitem a aplicação das ITs, sem comprometer o rigor exigido pelos parâmetros de segurança. 4.8 Consequências administrativas e técnicas das reprovações A análise integrada das respostas ao questionário permitiu identificar as principais consequências administrativas e técnicas enfrentadas pelas edificações após a reprovação em vistorias técnicas, complementando as informações obtidas nos relatórios analisados. Os dados coletados encontram-se sistematizados no Gráfico 7, apresentado a seguir. Gráfico 7–Principais consequências técnicas e administrativas que as edificações enfrentam após a reprovação em vistoria Fonte: Autoria própria (2025) Como evidenciado no gráfico, o maior impacto relatado pelos participantes foi a imposição de encargos financeiros adicionais, indicada por 36,4% dos respondentes (n=8). Em seguida, a necessidade de nova vistoria, o retrabalho do projeto técnico e o atraso na emissão do alvará apareceram de forma equivalente, cada um com 18,2% das respostas (n=4). A suspensão de funcionamento foi mencionada por 4,5% dos participantes (n=1), demonstrando que medidas mais severas são adotadas apenas em casos excepcionais ou de reincidência. Os relatórios técnicos analisados confirmam essa tendência, evidenciando que, na maior parte das reprovações, o encaminhamento predominante é a emissão de notificações com prazos para regularização, seguidas pela exigência de nova vistoria para comprovar a adequação das correções realizadas. A adoção de medidas mais gravosas, como a suspensão de funcionamento, não foi observada nos casos analisados, reforçando o caráter predominantemente orientativo da atuação fiscalizatória do Corpo de Bombeiros de Santarém. Esses achados sugerem que, embora a fiscalização cumpra importante função coercitiva, há espaço para aperfeiçoar os mecanismos administrativos, a fim de reduzir os impactos econômicos e operacionais decorrentes das reprovações, sem comprometer a 18,20% 18,20% 18,20% 36,40% 4,50% 4,50% Necessidade de nova vistoria Retrabalho de projeto técnico Atraso na emissão do alvará Encargos financeiros adicionais Suspensão de funcionamento Outro 17 segurança das edificações. Ademais, a elevada incidência de retrabalho técnico e de necessidade de nova vistoria aponta para a necessidade de ações preventivas mais eficazes, como maior acompanhamento técnico na execução dos sistemas de segurança e capacitação contínua dos profissionais envolvidos nos processos de elaboração e execução de projetos. 4.9 Penalidades aplicadas A partir da sistematização das respostas ao questionário, foi possível identificar as penalidades mais frequentemente aplicadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém em decorrência das não conformidades detectadas nas vistorias técnicas. As informações encontram-se representadas no Gráfico 8, apresentado a seguir. Gráfico 8 – Tipos de penalidades são normalmente aplicadas Fonte: Autoria própria (2025) De acordo com o gráfico, a penalidade mais comum é a notificação simples, assinalada por 40,9% dos participantes (n=9), seguida pela multa administrativa, indicada por 31,8% (n=7). A exigência de nova apresentação de projeto técnico foi mencionada por 18,2% dos respondentes (n=4), enquanto a suspensão da autorização de uso da edificação apareceu em 9,1% das respostas (n=2). Nenhum dos profissionais relatou encaminhamento para instâncias superiores como prática corriqueira, o que corrobora o caráter predominantemente orientativo das medidas aplicadas. Os relatórios técnicos analisados demonstraram consonância com esses dados, destacando que a atuação do Corpo de Bombeiros, embora pautada pela exigência do cumprimento rigoroso das normas, prioriza procedimentos administrativos orientativos, com vistas à regularização das edificações e à prevenção de riscos. A adoção de multas administrativas ocorre principalmente em casos de reincidência ou de descumprimento reiterado das exigências notificadas, sendo utilizada como instrumento de reforço ao cumprimento das normas técnicas. Por outro lado, a exigência de reapresentação do projeto técnico evidencia a importância de adequações formais e detalhadas como condição indispensável para a regularização da edificação. 40,90% 31,80% 18,20% 9,10% 0,00% 0,00% Notificação simples Multa administrativa Exigência de nova apresentação de projeto técnico Suspensão da autorização de uso da edificação Encaminhamento para instâncias superiores (MP, órgãos reguladores) Outro 18 Esses resultados indicam que o modelo de fiscalização vigente, ao privilegiar medidas corretivas e educativas, busca induzir a conformidade normativa sem recorrer, inicialmente, a penalidades mais severas, como interdições ou encaminhamentos judiciais. Todavia, parte dos profissionais, nas respostas abertas, sugeriu que a aplicação mais efetiva das sanções poderia atuar como mecanismo dissuasório, reduzindo a reincidência das não conformidades e reforçando a cultura de segurança preventiva no município. 4.10 Evolução das não conformidades para instâncias superiores A percepção dos profissionais quanto à evolução das situações de não conformidade para instâncias superiores foi captada por meio do questionário aplicado, cujos resultados estão organizados no Gráfico 9, apresentado a seguir. Gráfico 9 – Casos em que a situação de não conformidade se agrava ou evolui para instâncias superiores Fonte: Autoria própria (2025) De acordo com o gráfico, a ampla maioria dos participantes, 86,4% (n=19), afirmou que já presenciou casos em que a situação de não conformidade evoluiu para instâncias superiores, como Ministério Público ou outros órgãosreguladores. Apenas 13,6% (n=3) indicaram que tais encaminhamentos não são comuns na sua experiência. Esse resultado contrasta com a análise dos relatórios técnicos das vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros em Santarém, que apontou uma predominância de soluções no âmbito administrativo, com regularizações ocorrendo mediante notificações e reapresentação de projetos. A partir dos documentos analisados, verificou-se que os casos encaminhados a instâncias superiores constituem uma parcela minoritária, ocorrendo apenas em situações de reincidência grave ou de descumprimento reiterado das determinações notificadas. A aparente divergência entre os dados do questionário e os registros oficiais pode ser explicada pela percepção subjetiva dos profissionais, que, embora não participem diretamente de todos os processos administrativos, identificam e acompanham casos emblemáticos em que a intervenção de órgãos superiores se torna necessária. Esse cenário reforça a importância de manter mecanismos eficientes de articulação entre o Corpo de Bombeiros e as instâncias superiores, garantindo que os casos mais graves sejam encaminhados com celeridade e eficácia, promovendo a responsabilização dos responsáveis e assegurando a proteção da coletividade. 86,40% 13,60% Sim Não 19 4.11 Propostas de solução para redução das não conformidades A análise integrada dos resultados obtidos por meio do questionário aplicado aos profissionais que atuam com segurança contra incêndio e vistorias técnicas permitiu identificar as principais propostas sugeridas para a redução da reincidência das não conformidades nas edificações vistoriadas em Santarém. Essas sugestões encontram-se sistematizadas no Gráfico 10, apresentado a seguir. Gráfico 10– O que poderia ser feito para reduzir a reincidência das não conformidades nas edificações Fonte: Autoria própria (2025) De acordo com as respostas obtidas, a medida mais frequentemente indicada foi a necessidade de ações educativas para os responsáveis técnicos, mencionada por 45,5% dos respondentes (n=10). Essa proposta evidencia a percepção, por parte dos profissionais, de que o fortalecimento de uma cultura prevencionista, alicerçada em capacitações contínuas, pode contribuir de forma significativa para a diminuição das falhas técnicas observadas durante as vistorias. Em segundo lugar, destacaram-se as sugestões de atualização periódica dos profissionais (18,2%; n=4) e de outros mecanismos complementares (13,6%; n=3), como a realização de campanhas de conscientização e a ampliação dos canais de orientação técnica. A simplificação das Instruções Técnicas (ITs) e uma fiscalização mais orientativa foram indicadas, respectivamente, por 9,1% (n=2) dos participantes, revelando a necessidade de tornar os processos normativos mais acessíveis e menos burocráticos, mas sem comprometer os padrões mínimos de segurança. Por fim, a divulgação de cartilhas com exemplos práticos foi sugerida por 4,5% (n=1), como estratégia didática de disseminação do conhecimento técnico. Os resultados obtidos por meio do questionário demonstram que os profissionais não percebem a punição isolada como a medida mais eficiente para resolver as não conformidades, mas sim o investimento em capacitação e orientação técnica, aspectos que também emergiram na análise dos relatórios de vistoria. Embora os relatórios não tragam recomendações explícitas sobre medidas educativas, observa-se que muitas das não conformidades detectadas decorreram de erros interpretativos ou falhas na execução, o que reforça a necessidade de intervenções formativas. 45,50% 9,10% 9,10% 18,20% 4,50% 13,60% Ações educativas para responsáveis técnicos Simplificação das instruções técnicas Fiscalização mais orientativa Atualização periódica dos profissionais Divulgação de cartilhas com exemplos práticos Outro 20 Assim, constata-se que as propostas apresentadas pelos profissionais convergem para a construção de um modelo de fiscalização mais orientativo e menos exclusivamente punitivo, apostando na formação de uma cultura de segurança robusta e consolidada entre os atores envolvidos no processo de elaboração e execução dos sistemas preventivos contra incêndio. Essa abordagem preventiva se revela imprescindível para mitigar as não conformidades e fortalecer a proteção das edificações e de seus ocupantes. 4.12 Melhoria na preparação dos responsáveis técnicos A análise integrada das respostas ao questionário revelou importantes sugestões sobre estratégias para aprimorar a qualificação dos responsáveis técnicos pelas edificações. As percepções obtidas evidenciam que o fortalecimento da formação desses profissionais é uma medida fundamental para minimizar a ocorrência de não conformidades detectadas nas vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém. Gráfico 11– Propostas para a melhoria na preparação dos responsáveis técnicos Fonte: Autoria própria (2025) Conforme apresentado no Gráfico 11, a proposta mais mencionada foi a inclusão de conteúdo específico sobre segurança contra incêndio nos cursos superiores, apontada por 54,5% dos respondentes (n=12). Esse resultado evidencia que muitos profissionais percebem lacunas na formação acadêmica tradicional, especialmente no que se refere às disciplinas voltadas à prevenção e ao combate a incêndios. A realização de cursos de capacitação periódicos foi sugerida por 18,2% dos participantes (n=4), reforçando a necessidade de formação continuada que acompanhe as atualizações normativas e tecnológicas do setor. Além disso, outros 18,2% (n=4) destacaram a importância de um acompanhamento técnico mais rigoroso nas obras, como mecanismo para garantir que os projetos sejam efetivamente executados conforme as exigências regulamentares. Por fim, 9,1% dos respondentes (n=2) sugeriram o fortalecimento do diálogo entre projetistas e o Corpo de Bombeiros, como forma de alinhar interpretações normativas e esclarecer dúvidas recorrentes, evitando assim falhas por incompreensão ou desconhecimento técnico. 18,20% 18,20% 9,10% 54,50% Cursos de capacitação periódico Acompanhamento técnico mais rigoroso nas obras Maior diálogo entre projetistas e Corpo de Bombeiros Inclusão de conteúdo específico em cursos superiores 21 Essas proposições demonstram uma clara convergência entre a necessidade de aprimoramento acadêmico e a valorização da formação prática. A correlação desses achados com os dados obtidos nas vistorias técnicas reforça a percepção de que muitas das não conformidades identificadas decorrem de lacunas na formação técnica e de falhas na execução dos projetos. Assim, promover a qualificação sistemática dos profissionais é um caminho imprescindível para elevar o nível de conformidade das edificações com as normas de segurança, contribuindo para a redução de riscos e para o fortalecimento da cultura prevencionista no município de Santarém. 4.13 Propostas para melhoria dos processos de vistoria e normativas A análise integrada das respostas obtidas no questionário revelou importantes sugestões sobre como aprimorar os processos de vistoria técnica e as normativas aplicadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém, visando facilitar a conformidade das edificações sem comprometer a segurança. Tais propostas refletem tanto as vivências práticas dos profissionais quanto a percepção das principais fragilidades observadas nas vistorias técnicas realizadas ao longo de 2024. Tabela 2 – Que melhorias poderiam ser feitas nos processos de vistoria ou nas normativas para facilitar a conformidade sem comprometer a segurança Respondente Respostas Ideias chave 1 O responsável da execução do projeto, após de aprovado acompanhar todo o processo de instalação do sistema de prevenção de combate a incêndio, de forma a visualizar o itens faltantes conforme analisado o projeto. Realizandoo teste dos equipamentos de hidrante. Revisão periódica em todo sistema. Acompanhamento técnico contínuo na execução e revisão periódica dos sistemas. Normatização unificada nacionalmente e digitalização dos processos de vistoria. Inserção de conteúdos específicos sobre prevenção e combate a incêndio em cursos superiores. Realização de diagnóstico prévio e mapeamento de riscos nas edificações. Atualização e simplificação das Instruções Técnicas (ITs). Fiscalização regular e manutenção preventiva das medidas de segurança. Fortalecimento das sanções para inibir o descumprimento das normas. Capacitação e atualização técnica permanente dos profissionais. 2 Poderia seguir com a normatização unificada, nacionalmente, juntamente com o sistema digital para agendamentos e consultas de processos online. 3 Criar cadeiras dos cursos voltados para Engenharia mais aprofundadas nos campos de prevenção e combate a incêndio e suas aplicabilidade de forma ampla e geral. 4 Realizar um diagnóstico completo do ambiente e mapear áreas de risco permite direcionar os esforços de vistoria para os pontos mais críticos, tornando o processo mais eficiente e menos oneroso, sem perder o foco na segurança. 5 Atualizações na IT´s 6 Melhoria no sistema mais eficaz e simplificado. 7 Vistorias regulares. 8 Manutenção periódica nas medidas de segurança contra incêndio e emergência. 9 As sanções deveriam ser executadas de fato, inibindo o descumprimento das normas. 10 Análise prévia de projeto antes de aprovação da prefeitura. 11 Cursos. 12 Inclusão Além de conteúdo específico em curso, maior diálogo entre o órgão fiscalizador e os profissionais que realizam o trabalho técnico de concepção de projeto e execução. 22 13 Mais informações e orientações através de meios digitais (redes sociais, vídeos, mini cursos) para empresários, e profissionais envolvidos na área de segurança contra incêndio e licenciamento. Aproximação e diálogo entre o Corpo de Bombeiros e os responsáveis técnicos. Ampliação da comunicação e orientação por meio de materiais informativos e campanhas. Promoção de uma cultura prevencionista desde a educação básica. Adequação técnica das normas à realidade local do Estado do Pará. Ampliação do efetivo do Corpo de Bombeiros para reforçar a fiscalização. 14 Uma orientação prévia, com cartilhas ou apenas o que é esperado, mas principalmente orientar proprietários sobre a importância, funcionalidade e obrigação daqueles itens não opcionais. 15 Que de maneira prévia à implementação da edificação os responsáveis pelo estabelecimento realizassem busca de acessória especializada para orientá-los sobre todas as medidas a serem adotadas para implementação do sistema de proteção contra incêndio e emergência das edificações de sua responsabilidade. 16 Ampliação do efetivo do Corpo de Bombeiros apto a realizar vistorias e simplificação do sistema SISGAT para melhor acompanhar os processos. 17 Adequação técnica à realidade do Estado. 18 Orientação pelos técnicos responsáveis aos seus clientes quanto a importância da prevenção. 19 Trabalhar a prevenção, fortalecendo a segurança contra incêndio e emergências, buscando vinculá-lo a grade curricular, desde a educação básica até níveis superiores. Fortalecendo assim uma cultura prevencionista. 20 Educação. 21 Criação de campanhas periódicas sobre a segurança contra incêndio. 22 Boa comunicação, para auxiliar na compreensão das reais necessidades de um projeto técnico, boa execução e manutenção regular. Fonte: Autoria própria (2025) A partir da Tabela 2, observa-se uma diversidade de sugestões que convergem para a necessidade de fortalecer o caráter preventivo e orientativo das vistorias, além de modernizar os processos administrativos. A proposta mais recorrente refere-se à necessidade de acompanhamento técnico constante, destacada por diversos respondentes como um fator essencial para assegurar que a execução das medidas de segurança ocorra conforme os projetos aprovados, evitando falhas na implantação e no funcionamento dos sistemas de prevenção e combate a incêndio. Outra recomendação recorrente foi a unificação e digitalização dos processos normativos e administrativos, com a criação de plataformas que permitam o agendamento online das vistorias e o acompanhamento em tempo real dos processos, promovendo maior eficiência e transparência. Essa proposta se relaciona diretamente com as dificuldades apontadas no decorrer da pesquisa quanto à burocracia e à lentidão dos procedimentos atuais. Além disso, diversas respostas evidenciaram a necessidade de revisão periódica e atualização das Instruções Técnicas (ITs), de forma a adequá-las às especificidades regionais e às transformações tecnológicas no setor da construção civil. Esse aspecto dialoga diretamente com as dificuldades de interpretação normativa identificadas pelos profissionais em tópicos anteriores, reforçando a urgência de processos normativos mais claros e acessíveis. Outro eixo fundamental nas sugestões foi o fortalecimento das ações de capacitação e educação continuada, com a criação de disciplinas específicas na formação superior, bem como cursos de extensão e campanhas de conscientização. As respostas apontam que o preparo dos 23 profissionais e a conscientização dos responsáveis técnicos e proprietários são determinantes para a redução das não conformidades. Adicionalmente, destaca-se a proposta de ampliar o efetivo do Corpo de Bombeiros, capacitando mais profissionais para as vistorias técnicas e promovendo uma fiscalização mais ágil e abrangente, especialmente frente à crescente demanda gerada pelo desenvolvimento urbano de Santarém. Por fim, observa-se uma preocupação com a necessidade de melhorar a comunicação entre o Corpo de Bombeiros e os profissionais responsáveis pelos projetos e execuções das edificações, através de orientações mais claras, materiais didáticos e canais de esclarecimento acessíveis. Essas propostas, quando integradas, apontam para a construção de um sistema de fiscalização mais colaborativo, eficiente e adaptado à realidade local, capaz de reduzir a reincidência das não conformidades e de promover um ambiente urbano mais seguro e resiliente. 5 CONCLUSÃO Este estudo teve como propósito analisar as infrações mais recorrentes detectadas nas vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém, no Oeste do Pará, durante o ano de 2024, em edificações com área igual ou superior a 750 m², bem como identificar os principais desafios enfrentados pelos responsáveis técnicos na adequação às normas de segurança vigentes. A análise integrou dados quantitativos obtidos a partir dos relatórios oficiais de vistoria e do questionário aplicado a 22 profissionais atuantes na área, entre bombeiros, engenheiros civis e técnicos especializados. Em relação às infrações mais recorrentes, constatou-se que as falhas relacionadas à ausência ou inadequação dos sistemas de proteção contra incêndio foram predominantes. De acordo com os relatórios de vistoria, as irregularidades mais frequentes envolveram a não execução de projetos conforme as Instruções Técnicas (ITs) aprovadas, especialmente a IT nº 01, com 82% das edificações analisadas apresentando algum tipo de inadequação nesta norma. Corroborando esse resultado, o questionário revelou que 45,45% (n=10) dos profissionais apontaram como mais comum a não conformidade relacionada aos extintores mal posicionados ou insuficientes, seguida pela ausência de hidrantes e sinalização de emergência inadequada, ambas com 9,1% (n=2) das respostas. Além disso, 27,27% (n=6) mencionaram o projeto técnico desatualizado ou inexistente como uma das principais causas das infrações. No tocante aos desafios enfrentados pelas