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1 
 
ANÁLISE DAS INFRAÇÕES MAIS COMUNS NAS VISTORIAS 
TÉCNICAS DO CORPO DE BOMBEIROS EM SANTARÉM NO OESTE 
DO PARÁ: DADOS ESTATÍSTICOS SOBRE NORMAS 
DESCUMPRIDAS E DIFICULDADES TÉCNICAS 
 
ANALYSIS OF THE MOST COMMON INFRACTIONS IN TECHNICAL INSPECTIONS 
BY THE FIRE DEPARTMENT IN SANTARÉM IN THE WESTERN OF PARÁ: 
STATISTICAL DATA ON BREACHED REGULATIONS AND TECHNICAL 
DIFFICULTIES 
 
Benedito Mendonça Pereira Filho 
Orientador: Patrícia Lima Vieira Philippsen 
Área de concentração: Engenharia Civil 
 
RESUMO 
Este estudo teve como objetivo analisar as infrações mais recorrentes identificadas nas vistorias 
técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém, no Oeste do Pará, no ano de 2024, 
em edificações com área igual ou superior a 750 m², bem como compreender os principais 
desafios enfrentados na adequação aos sistemas exigidos pelas normas técnicas. A justificativa 
da pesquisa reside na necessidade de aprimorar os processos de fiscalização, diante da elevada 
incidência de não conformidades detectadas. A problemática consistiu em identificar as 
infrações mais frequentes, os tipos de edificações mais irregulares, as normas mais 
descumpridas e as dificuldades no cumprimento das exigências legais. A metodologia incluiu a 
análise documental de 68 relatórios oficiais e a aplicação de um questionário a 22 profissionais. 
Os resultados indicaram que os sistemas de hidrantes (40,9%) e extintores mal posicionados ou 
insuficientes (45,5%) foram os itens mais frequentemente reprovados, seguidos pela sinalização 
de emergência inadequada (9,1%). As edificações comerciais concentraram 63,6% das não 
conformidades, enquanto as industriais responderam por 27,3%. Entre as principais causas, 
destacaram-se o desconhecimento técnico (45,5%) e a falta de acompanhamento especializado 
durante a execução (40,9%). Quanto às penalidades aplicadas, a notificação simples foi 
predominante (40,9%), seguida por multa administrativa (31,8%) e exigência de nova 
apresentação de projeto técnico (18,2%). A pesquisa revelou que 86,4% dos profissionais 
relataram casos de não conformidades que evoluíram para instâncias superiores. Conclui-se que 
há necessidade de maior capacitação técnica, revisão periódica das normativas e fortalecimento 
das ações orientativas. A contribuição científica deste trabalho consiste em oferecer um 
diagnóstico estatístico robusto e atualizado sobre as não conformidades em edificações de 
grande porte em Santarém, subsidiando futuras ações de prevenção e fiscalização. 
 
Palavras-chave: Segurança Contra Incêndio. Não Conformidades. Vistorias Técnicas. Normas 
Técnicas. Fiscalização. 
 
ABSTRACT 
This study aimed to analyze the most recurrent infractions identified during technical 
inspections conducted by the Fire Department of Santarém, in Western Pará, in 2024, 
specifically in buildings with an area equal to or greater than 750 m², as well as to understand 
the main challenges faced in adapting to the systems required by technical standards. The 
justification for the research lies in the need to improve inspection processes, given the high 
incidence of non-conformities detected. The research problem consisted of identifying the most 
frequent infractions, the types of buildings with the highest irregularities, the most frequently 
2 
 
violated standards, and the difficulties in complying with legal requirements. The methodology 
included the documentary analysis of 68 official reports and the application of a questionnaire 
to 22 professionals. The results indicated that the hydrant systems (40.9%) and poorly 
positioned or insufficient fire extinguishers (45.5%) were the most frequently failed items, 
followed by inadequate emergency signage (9.1%). Commercial buildings concentrated 63.6% 
of the non-conformities, while industrial buildings accounted for 27.3%. Among the main 
causes, technical unawareness (45.5%) and lack of specialized supervision during execution 
(40.9%) stood out. Regarding penalties, simple notification was predominant (40.9%), followed 
by administrative fines (31.8%) and the requirement for resubmission of technical projects 
(18.2%). The research revealed that 86.4% of professionals reported cases of non-conformities 
that escalated to higher authorities. It is concluded that greater technical training, periodic 
review of regulations, and strengthening of educational actions are necessary. The scientific 
contribution of this work consists of offering a robust and updated statistical diagnosis on non-
conformities in large buildings in Santarém, providing support for future prevention and 
inspection actions. 
Keywords: Fire Safety. Non-Conformities. Technical Inspections. Technical Standards. 
Inspection. 
1 INTRODUÇÃO 
As vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros desempenham um papel 
essencial na fiscalização do cumprimento das normas de segurança em edificações, garantindo 
que os empreendimentos estejam em conformidade com a legislação vigente. Essas inspeções 
são responsáveis por identificar infrações relacionadas à inadequação de sistemas de segurança, 
como sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndios, saídas de emergência 
e outros dispositivos essenciais para a proteção de edificações e seus ocupantes. Segundo Santos 
(2016), a fiscalização é um dos mecanismos mais eficazes para garantir que as normas técnicas 
sejam seguidas, reduzindo riscos estruturais e operacionais que podem comprometer a 
segurança dos espaços fiscalizados. 
Apesar da existência de normativas claras, muitas edificações apresentam não 
conformidades durante as vistorias, seja por desconhecimento da legislação, dificuldades 
técnicas na implementação das exigências ou mesmo pela falta de investimento na adequação 
dos espaços. Ribeiro (2019) menciona que, em grande parte das inspeções, são detectadas falhas 
como ausência de equipamentos obrigatórios, inadequação na instalação de dispositivos de 
segurança e descumprimento de padrões normativos estabelecidos pelos órgãos reguladores. 
Além disso, Oliveira (2021) ressalta que as dificuldades enfrentadas pelos 
responsáveis pelas edificações não se limitam apenas ao cumprimento das normas, mas também 
envolvem desafios financeiros e operacionais que dificultam a adequação dentro dos prazos 
estabelecidos pelas notificações do Corpo de Bombeiros. Diante desse cenário, este estudo tem 
como objetivo analisar estatisticamente as infrações mais comuns registradas nas vistorias 
técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros em Santarém no ano de 2024, considerando 
edificações com área superior a 750m². 
A pesquisa buscou identificar os principais itens de segurança reprovados, as normas 
mais descumpridas e as dificuldades técnicas enfrentadas pelas empresas na adequação dos 
sistemas exigidos. Segundo Cruz e Souza (2018), a análise de dados estatísticos provenientes 
das inspeções permite compreender os principais desafios enfrentados pelos estabelecimentos 
e contribui para a formulação de estratégias que facilitem a adequação às normativas vigentes. 
Para delimitar a pesquisa, foram analisados exclusivamente os relatórios de vistoria 
armazenados no sistema do Corpo de Bombeiros de Santarém, considerando apenas edificações 
3 
 
com área igual ou superior a 750m² e cujas inspeções tenham sido realizadas ao longo do ano 
de 2024. A pesquisa não incluiu edificações de menor porte, residências unifamiliares ou 
estabelecimentos que tenham sido interditados, uma vez que os dados disponíveis indicam que 
as empresas cumprem as exigências dentro do prazo estabelecido de 30 dias, evitando 
interdições. Dessa forma, a investigação se concentrou na identificação das infrações mais 
frequentes, dos tipos de edificações mais irregulares e das normas mais frequentemente 
descumpridas no município. 
Com base nessas informações, a problemática central da pesquisa pode ser sintetizada 
na seguinteedificações acima de 750 m², identificou-se 
que as dificuldades se concentram na interpretação e aplicação das normas técnicas, bem como 
na falta de atualização dos sistemas de segurança. O levantamento demonstrou que 50% (n=11) 
dos profissionais relataram dificuldades específicas na interpretação ou aplicação das ITs, 
enquanto 72,7% (n=16) consideraram que as normas vigentes não estão adequadas à realidade 
local, destacando problemas como a ausência de flexibilidade normativa e a desatualização 
frente às condições das edificações preexistentes. A partir da análise dos relatórios, observou-
se ainda que mais de 60% das edificações apresentaram pendências relacionadas à execução 
inadequada ou incompleta dos sistemas de segurança previstos em projeto. 
Quanto aos tipos de edificações que apresentaram maior índice de irregularidades, os 
dados indicaram um predomínio expressivo das edificações comerciais e industriais. O 
questionário apontou que 63,6% (n=14) dos profissionais indicaram os empreendimentos 
comerciais como os que mais frequentemente apresentam não conformidades, seguido das 
edificações industriais, com 4,5% (n=1). A análise documental reforçou esse padrão: cerca de 
47% das não conformidades identificadas ocorreram em edificações comerciais, enquanto 
aproximadamente 29% foram registradas em empreendimentos industriais, demonstrando a 
24 
 
maior complexidade e vulnerabilidade desses segmentos em relação ao cumprimento das 
normas. 
Em relação ao mapeamento das normas mais frequentemente descumpridas, a IT nº 
01, que trata da elaboração e execução do projeto técnico, destacou-se como a norma mais 
infringida, presente em mais de 80% das notificações emitidas. Além disso, outras normas, 
como a IT nº 03 (sistemas de hidrantes) e a IT nº 05 (sinalização e iluminação de emergência), 
também apresentaram elevados índices de descumprimento, sendo citadas como responsáveis 
por 40,9% (n=9) e 18,2% (n=4) das reprovações, respectivamente, segundo os participantes do 
questionário. 
A análise das principais dificuldades técnicas enfrentadas pelas empresas revelou que 
45,5% (n=10) dos profissionais indicaram o desconhecimento técnico como a principal causa 
das não conformidades, seguido pela falta de acompanhamento técnico durante a execução, 
citada por 40,9% (n=9). Curiosamente, aspectos como falta de recursos financeiros e 
interpretação equivocada das normas não foram apontados com relevância pelos participantes, 
evidenciando que o cerne das dificuldades está mais relacionado à carência de orientação 
técnica e ao distanciamento entre a concepção e a execução dos projetos. 
Entre as limitações desta pesquisa, destaca-se a impossibilidade de abrangência total 
de todas as edificações vistoriadas pelo Corpo de Bombeiros no período de análise, dada a 
ausência de um banco de dados consolidado e estruturado para análise estatística automatizada, 
o que exigiu a extração manual dos dados constantes nos relatórios. Além disso, o número de 
respondentes ao questionário (n=22) limita a generalização absoluta dos resultados, embora a 
amostra tenha contemplado profissionais diretamente envolvidos com as atividades de 
fiscalização, projeto e execução das medidas de segurança. 
Como contribuição para estudos futuros, recomenda-se a ampliação da investigação 
para outros municípios e estados, visando a comparação entre diferentes realidades normativas 
e operacionais, bem como a realização de análises longitudinais que permitam acompanhar a 
evolução das não conformidades ao longo dos anos. Ademais, sugere-se que sejam 
desenvolvidas pesquisas específicas para avaliar o impacto de ações educativas e orientativas 
promovidas pelos órgãos fiscalizadores, além de estudos sobre o desenvolvimento e a 
implementação de sistemas informatizados para a padronização e simplificação dos processos 
de vistoria e adequação normativa. Tais iniciativas poderão fortalecer a cultura da prevenção, 
melhorar a eficácia das ações fiscalizatórias e garantir maior segurança às edificações e aos seus 
usuários. 
 
REFERÊNCIAS 
COELHO, Juliana Rodrigues Costa. A importância da inspeção predial nas edificações 
residenciais em Belo Horizonte. 2017. 82 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização 
em Produção e Gestão do Ambiente Construído) – Escola de Engenharia, Departamento de 
Engenharia de Materiais e Construção, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 
2017. 
 
CRUZ, Douglas Cabral da; SOUZA, Eduardo José de. Elaboração de um processo de 
segurança contra incêndio e pânico: estudo de caso em uma edificação pública. 2018. 42 
f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Rede de Ensino 
Doctum, Unidade João Monlevade, 2018. 
 
DODT, Emanuele Ferreira. Avaliação de imóvel: elaboração do laudo de avaliação pelo 
método comparativo direto. 2016. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em 
Engenharia Civil) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Fortaleza, 2016. 
 
25 
 
 
GONÇALVES, Gabriel Wagner Oliveira. Laudo técnico para inspeções prediais. 2019. 51 f. 
Monografia (Bacharelado em Engenharia Civil) – Centro Universitário Atenas, Paracatu, 2019. 
 
LINS, Angelo Victor Siqueira. Caracterização metodológica da inspeção predial enquanto 
ferramenta de engenharia diagnóstica limitada e auxiliar à gestão condominial. 2022. 149 
f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Universidade Federal 
do Ceará, Centro de Tecnologia, Fortaleza, 2022. 
 
MOURA, Guilherme Henrique Munhoz de. Diretrizes, roteiro e proposta de laudo para 
inspeções prediais. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) 
– Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico, Florianópolis, 2017. 
 
OLIVEIRA, Maria Flanksuerly Ferreira de. Prevenção e combate a incêndio: estudo de caso 
em duas escolas de um município potiguar. 2021. 48 f. Monografia (Graduação em Ciência 
e Tecnologia) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido, 2021. 
 
OTONI, Lorena Letícia Gomes. Análise das manifestações patológicas em templo religioso 
na cidade de Jucás-CE. 2021. 63 f.: il. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em 
Engenharia Civil) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Cajazeiras, 
2021. 
 
RIBEIRO, Breno Guedes. Identificação dos sistemas preventivos de combate a incêndio de 
uma edificação residencial na cidade de Cajazeiras-PB. 2019. 59 f. Trabalho de Conclusão 
de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Instituto Federal de Educação, Ciência e 
Tecnologia da Paraíba, Cajazeiras, 2019. 
 
SANTOS, Deyvyd Rafael da Silva. Edificações históricas no centro de São Luís: 
importância da prevenção contra incêndio e pânico no Mercado das Tulhas. – São Luís, 
2019. 79 f. Monografia (Graduação) – Curso de Formação de Oficiais Bombeiro Militar, 
Universidade Estadual do Maranhão, 2019. 
 
SANTOS, Tiago Junio Pereira. A perícia técnica aplicada à segurança das edificações contra 
incêndio e pânico. 2016. 113 f. Monografia (Especialização em Construção Civil) – 
Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Engenharia, Departamento de Engenharia de 
Materiais e Construção, Belo Horizonte, 2016.questão: Quais são as infrações mais recorrentes identificadas nas vistorias técnicas 
realizadas pelo Corpo de Bombeiros em Santarém no Oeste do Pará no ano de 2024, e quais 
são os principais desafios enfrentados pelas edificações acima de 750m² na adequação dos 
sistemas exigidos pelas normas técnicas? 
Para responder a essa questão, o estudo tem como proposta levantar dados estatísticos 
sobre as infrações registradas, identificar os tipos de edificações que apresentam maior índice 
de irregularidades, mapear as normas mais descumpridas e analisar as principais dificuldades 
técnicas enfrentadas pelas empresas no cumprimento dos requisitos estabelecidos pelos órgãos 
fiscalizadores. Dessa forma, espera-se que esta pesquisa contribua para um melhor 
entendimento dos fatores que dificultam a conformidade das edificações, fornecendo subsídios 
para aprimoramentos nos processos de fiscalização e adequação técnica. 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1 Aspectos históricos e evolução das vistorias técnicas 
A fiscalização de edificações sempre foi uma necessidade para garantir a conformidade 
com normas de segurança e evitar riscos estruturais e operacionais. Desde os primeiros registros 
históricos, observa-se a preocupação com a regulamentação dos espaços construídos para 
minimizar acidentes e proteger os ocupantes. Segundo Coelho (2017), a realização de inspeções 
surgiu como um mecanismo essencial para assegurar que os projetos fossem executados de 
acordo com padrões técnicos previamente estabelecidos, reduzindo falhas e prevenindo 
irregularidades. 
Com o crescimento das cidades e a intensificação da urbanização, a demanda por uma 
fiscalização mais rigorosa se tornou evidente. Dodt (2016) aponta que, ao longo do século XX, 
diversos países começaram a estruturar órgãos reguladores específicos para vistoriar 
edificações e garantir que seguissem critérios mínimos de segurança. No Brasil, esse processo 
se consolidou com a normatização das vistorias técnicas, motivada pela complexidade crescente 
das construções e pelo aumento da necessidade de prevenir falhas estruturais. 
O Corpo de Bombeiros passou a desempenhar um papel central nesse cenário, 
assumindo a responsabilidade por inspeções voltadas à segurança das edificações, 
principalmente no que diz respeito à prevenção de riscos operacionais. Gonçalves (2019) 
destaca que a padronização dos procedimentos de vistoria, por meio da adoção de instruções 
técnicas específicas, possibilitou uma fiscalização mais eficiente, com critérios objetivos para 
a identificação de não conformidades. Dessa forma, a atuação dos bombeiros se tornou 
fundamental para garantir que os empreendimentos atendessem aos requisitos mínimos 
estabelecidos pelas normativas vigentes. 
A modernização dos regulamentos e dos métodos de fiscalização acompanhou as 
transformações tecnológicas ao longo das últimas décadas. De acordo com Lins (2022), o 
avanço de sistemas informatizados e a digitalização dos registros permitiram um controle mais 
eficiente das infrações detectadas nas vistorias. O uso de tecnologias especializadas trouxe 
maior precisão à análise dos problemas encontrados, além de facilitar o acompanhamento das 
medidas corretivas adotadas pelos responsáveis pelos estabelecimentos. 
4 
 
Além da incorporação de novas tecnologias, houve uma ampliação no escopo das 
vistorias técnicas, que passaram a considerar aspectos ambientais e de acessibilidade. Segundo 
Moura (2017), as inspeções atuais não se limitam à identificação de falhas estruturais, mas 
também avaliam a adequação das edificações a diretrizes que garantem acessibilidade para 
pessoas com deficiência e sustentabilidade dos projetos. Essa mudança reflete um entendimento 
mais amplo sobre segurança e funcionalidade dos espaços construídos. 
Apesar dos avanços, o cumprimento das normativas ainda enfrenta desafios, 
principalmente em relação à adequação das edificações às exigências estabelecidas pelos órgãos 
fiscalizadores. Otoni (2021) observa que muitos estabelecimentos encontram dificuldades para 
seguir as instruções técnicas, seja por falta de conhecimento especializado, limitações 
financeiras ou resistência por parte dos proprietários. Essa dificuldade impacta diretamente a 
segurança das edificações e reforça a necessidade de mecanismos que incentivem o 
cumprimento das normas. 
Nesse contexto, a padronização dos critérios de vistoria e a constante atualização das 
normativas são elementos fundamentais para a eficácia da fiscalização. Conforme Santos 
(2019), a existência de regulamentos claros e objetivos reduz a subjetividade na análise das 
infrações e garante maior transparência nos processos de inspeção. Além disso, a capacitação 
contínua dos profissionais envolvidos na fiscalização contribui para que as vistorias sejam 
realizadas de maneira mais criteriosa e eficiente. 
A evolução das vistorias técnicas reflete um processo contínuo de aprimoramento e 
adaptação às novas demandas da sociedade. Coelho (2017) enfatiza que o fortalecimento das 
regulamentações, aliado à adoção de tecnologias inovadoras e à conscientização dos 
responsáveis pelas edificações, desempenha um papel crucial na efetividade das inspeções. 
Assim, a modernização dos procedimentos e a ampliação do escopo das vistorias são estratégias 
indispensáveis para garantir que os empreendimentos estejam sempre em conformidade com as 
exigências legais, promovendo ambientes mais seguros e estruturados. 
2.1.1 A evolução da segurança em edificações e a necessidade de fiscalização 
A preocupação com a segurança das edificações remonta aos primórdios da 
civilização, quando sociedades antigas já adotavam medidas para evitar colapsos estruturais e 
minimizar riscos aos ocupantes. Ao longo da história, a construção de edificações seguras se 
tornou um elemento essencial para o desenvolvimento urbano, especialmente em regiões com 
grande concentração populacional. Segundo Coelho (2017), a consolidação de normas técnicas 
foi um avanço fundamental para garantir a estabilidade das construções e prevenir acidentes 
decorrentes de falhas estruturais. 
Com o avanço das técnicas construtivas e o crescimento das cidades, a necessidade de 
regulamentações mais rígidas tornou-se evidente. Moura (2017) destaca que, à medida que as 
edificações passaram a apresentar projetos mais complexos, os riscos associados ao uso 
inadequado de materiais e à falta de planejamento também aumentaram. Dessa forma, a 
implementação de normas e diretrizes específicas se tornou imprescindível para assegurar que 
as edificações atendessem a padrões mínimos de segurança. 
No Brasil, a normatização da segurança em edificações ganhou força a partir do século 
XX, com a criação de órgãos reguladores responsáveis por fiscalizar a conformidade das 
construções. Dodt (2016) explica que o crescimento acelerado das cidades e o surgimento de 
novas demandas urbanísticas exigiram a adoção de políticas públicas voltadas para a prevenção 
de acidentes e desastres estruturais. Esse processo resultou na formulação de legislações mais 
rigorosas e no fortalecimento da atuação dos órgãos fiscalizadores. 
A necessidade de fiscalização se tornou ainda mais evidente diante de tragédias 
ocasionadas por falhas estruturais e descumprimento de normas técnicas. Gonçalves (2019) 
5 
 
observa que, em muitos casos, acidentes poderiam ter sido evitados caso houvesse um controle 
mais efetivo sobre a aplicação das normas de segurança. A fiscalização, portanto, se consolidou 
como um instrumento essencial para garantir que as edificações cumpram os padrões exigidos 
e ofereçam segurança adequada aos seus ocupantes. 
Além da segurança estrutural, a fiscalização também passou a abranger outros aspectos 
essenciais para a proteção das edificações. Lins (2022) ressalta que, com o passar dos anos, 
surgiram normativas voltadas para a acessibilidade, a sustentabilidade e a eficiência energética, 
ampliandoo escopo das regulamentações e tornando a fiscalização ainda mais complexa. Esse 
avanço permitiu que a segurança das edificações fosse analisada de maneira mais abrangente, 
contemplando não apenas a integridade física das estruturas, mas também a qualidade dos 
ambientes construídos. 
Embora a fiscalização tenha evoluído significativamente, ainda existem desafios na 
sua aplicação, especialmente em relação ao cumprimento das normativas por parte dos 
responsáveis pelas edificações. Otoni (2021) aponta que a falta de informação sobre as 
exigências legais e os custos elevados para adequação são fatores que dificultam a 
implementação das normas de segurança. Muitos proprietários e gestores de edificações 
postergam as adequações necessárias, o que aumenta os riscos e compromete a efetividade das 
regulamentações. 
Para que a fiscalização seja eficaz, é essencial que haja uma padronização dos 
procedimentos e uma atuação mais rigorosa dos órgãos responsáveis. Segundo Santos (2019), 
a criação de regulamentos claros e bem definidos facilita o trabalho dos fiscais e garante maior 
transparência no processo de inspeção. Além disso, a capacitação dos profissionais envolvidos 
na fiscalização é um fator determinante para que as normas sejam aplicadas corretamente e sem 
subjetividades. 
Dessa forma, a evolução da segurança em edificações está diretamente ligada ao 
aprimoramento dos mecanismos de fiscalização e à adaptação das normativas às novas 
realidades urbanas. Coelho (2017) reforça que o fortalecimento das regulamentações, aliado ao 
uso de tecnologias inovadoras e à conscientização dos responsáveis pelas edificações, 
desempenha um papel crucial na garantia de ambientes mais seguros. A fiscalização, portanto, 
não deve ser vista apenas como um mecanismo punitivo, mas como um instrumento essencial 
para a preservação da vida e do patrimônio. 
2.2. Origem e desenvolvimento das vistorias técnicas do Corpo de Bombeiros 
A fiscalização de edificações pelo Corpo de Bombeiros surgiu da necessidade de 
garantir a segurança estrutural e operacional dos espaços construídos, especialmente em locais 
com grande circulação de pessoas. A regulamentação dessas vistorias evoluiu ao longo dos 
anos, tornando-se um procedimento essencial para a prevenção de riscos e a aplicação das 
normativas vigentes. Segundo Santos (2016), as vistorias técnicas desempenham um papel 
fundamental na verificação das condições de segurança de edificações, garantindo que estejam 
em conformidade com as exigências impostas pelos órgãos fiscalizadores. 
Com o crescimento urbano e o aumento da complexidade das edificações, tornou-se 
essencial a adoção de critérios técnicos específicos para a fiscalização e certificação de 
empreendimentos. Lins (2022) destaca que a expedição do Certificado de Vistoria do Corpo de 
Bombeiros (CVCB) foi uma das medidas para formalizar a regularização das edificações, 
estabelecendo um documento que atesta a conformidade das instalações com as normas de 
segurança. Além disso, a implementação do Laudo de Vistoria Técnica (LVT) possibilitou uma 
análise mais detalhada das estruturas, permitindo a identificação de falhas e a indicação das 
medidas adequadas para correção. 
A evolução das vistorias técnicas ocorreu paralelamente ao aprimoramento das 
normativas externas à segurança predial. Ribeiro (2019) observa que, à medida que os sistemas 
6 
 
preventivos contra incêndios se tornaram mais sofisticados, as inspeções passaram a incluir 
critérios mais abrangentes, envolvendo desde a instalação correta de equipamentos de combate 
a incêndio até a legislação das saídas de emergência. Esse avanço garantiu maior precisão no 
diagnóstico das não conformidades e permitiu uma fiscalização mais eficiente. 
Além do foco na segurança contra incêndios, as vistorias do Corpo de Bombeiros 
passaram a abranger outros aspectos fundamentais para a integridade das edificações. Oliveira 
(2021) destaca que a fiscalização inclui a verificação da acessibilidade e da estabilidade 
estrutural dos empreendimentos, garantindo que os espaços sejam destinados para atender não 
apenas às exigências de segurança, mas também às normas de inclusão e conforto dos 
ocupantes. Com isso, as inspeções técnicas evoluíram para um escopo mais abrangente, indo 
além da prevenção de incêndios e incorporando diretrizes para um ambiente seguro e funcional. 
Apesar dos avanços na estruturação das vistorias técnicas, alguns desafios ainda 
persistem, principalmente no que diz respeito à adequação das edificações às exigências legais. 
Cruz e Souza (2018) apontam que muitas empresas enfrentam dificuldades para interpretar 
corretamente as normas e implementar as adequações permitidas dentro dos prazos propostos. 
A falta de profissionais capacitados para conduzir as adaptações realizadas pelas vistorias 
também é um obstáculo significativo, impactando diretamente a eficiência do processo 
fiscalizatório. 
A uniformização dos critérios de vistoria e a criação de um sistema informatizado para 
o controle das inspeções foram medidas que se desenvolveram para a modernização das 
fiscalizações. Segundo Lins (2022), a digitalização dos processos permitiu uma maior agilidade 
na emissão de laudos e certificados, reduzindo o tempo necessário para a regularização das 
edificações. Além disso, a implementação de plataformas eletrônicas possibilitou um 
acompanhamento mais preciso das infrações e das providências tomadas pelos responsáveis 
pelos empreendimento. 
Para que as vistorias técnicas continuem sendo eficazes, é essencial que haja 
investimentos na capacitação dos profissionais que atuam na fiscalização e na atualização das 
normativas aplicáveis. Santos (2016) reforça que a formação contínua dos inspetores e a 
adaptação das regras às novas realidades da construção civil são fatores determinantes para 
garantir que as inspeções cumpram seu papel na mitigação de riscos e na promoção da 
segurança das edificações. 
Dessa forma, a origem e o desenvolvimento das vistorias técnicas do Corpo de 
Bombeiros refletem um processo de aprimoramento contínuo, pautado na necessidade de 
garantir ambientes mais seguros e adequados às exigências legais. A evolução dessas inspeções 
demonstra a importância de mecanismos de controle rigorosos para a fiscalização das 
edificações, garantindo que os empreendimentos estejam devidamente regularizados e 
preparados para enfrentar eventuais situações de risco. 
2.2.1 Marcos regulatórios e o fortalecimento da fiscalização pelo Corpo de Bombeiros 
A regulamentação das vistorias técnicas pelo Corpo de Bombeiros é um processo que 
se consolidou ao longo das décadas, acompanhando o crescimento das cidades e a 
complexidade das edificações. O fortalecimento da fiscalização é resultado da implementação 
de normas mais rigorosas e da criação de mecanismos que garantam a aplicação eficaz das 
exigências de segurança. Segundo Santos (2016), a evolução dos marcos regulatórios permitiu 
que as inspeções se tornassem mais criteriosas, proporcionando maior controle sobre as 
infrações e ampliando a responsabilização dos responsáveis pelas edificações. 
Um dos principais avanços na regulamentação da fiscalização foi a padronização das 
Instruções Técnicas, que estabeleceram critérios claros para a avaliação das condições de 
segurança dos empreendimentos. Lins (2022) destaca que a normatização das vistorias 
possibilitou maior transparência nos processos de inspeção, garantindo que todas as edificações 
7 
 
fossem avaliadas com base nos mesmos critérios. Esse avanço avançou a subjetividade na 
aplicação dos conselhos e contribuiu para a uniformidade das critérios impostas aos 
estabelecimentos. 
No Brasil, a legislação externa para a fiscalização das edificações tem sido 
constantemente aprimorada para acompanhar os avanços tecnológicos e as novas demandas da 
sociedade. Ribeiro (2019) observa que a introdução de normas específicaspara diferentes tipos 
de empreendimentos, como hospitais, escolas e edificações industriais, foi fundamental para 
adequar as inspeções às necessidades de cada setor. A criação de regulamentações mais permitiu 
que as vistorias se tornassem mais precisas e especificações na identificação de falhas. 
A modernização das normativas também trouxe mudanças no funcionamento das 
fiscalizações, que passaram a contar com novas ferramentas para a realização das inspeções. 
Oliveira (2021) aponta que a digitalização dos registros e a implementação de sistemas 
informatizados facilitaram a análise dos dados coletados nas vistorias, permitindo um 
acompanhamento mais eficiente das infrações descritas e das exceções tomadas para a 
regularização dos empreendimentos. Esse avanço garantiu maior controle sobre as medidas 
corretivas impostas pelos responsáveis pelos estabelecimentos. 
Apesar da evolução dos marcos regulatórios, a aplicação das normas ainda enfrenta 
desafios, principalmente em relação ao cumprimento das exigências por parte dos 
empreendimentos fiscalizados. Cruz e Souza (2018) ressaltam que a resistência de alguns 
setores em adotar as medidas necessárias para adequação às normativas impacta diretamente na 
segurança das edificações. A fiscalização, portanto, desempenha um papel crucial na 
conscientização dos responsáveis e na garantia de que as exigências sejam cumpridas. 
A implementação de deliberações mais severas para as infrações identificadas durante 
as vistorias também contribuiu para o fortalecimento da fiscalização. Gonçalves (2019) afirma 
que a aplicação de multas e avaliações administrativas para edificações que não atendem aos 
requisitos de segurança tem sido um fator determinante para a redução das irregularidades. A 
adoção de prazos específicos para a regularização das infrações reforçou a importância do 
cumprimento das normas e aumentou a efetividade das inspeções. 
A capacitação contínua dos profissionais responsáveis pelas vistorias também é um 
aspecto essencial para o fortalecimento da fiscalização. Dodt (2016) destaca que a atualização 
constante dos fiscais e a especialização em novas tecnologias e métodos de inspeção garantem 
maior precisão na identificação de falhas e na aplicação das previsões cabíveis. A qualificação 
técnica dos inspetores contribui para que as normas sejam interpretadas corretamente e 
aplicadas de maneira uniforme em todas as inspeções. 
Desta forma, os marcos regulatórios e o fortalecimento da fiscalização do Corpo de 
Bombeiros representam um avanço significativo na garantia da segurança das edificações. O 
aprimoramento das normativas, aliado à modernização dos processos de vistoria e à capacitação 
dos profissionais envolvidos, tem permitido uma fiscalização mais eficiente e rigorosa. O 
cumprimento das regulamentações é fundamental para a redução de riscos estruturais e 
operacionais, garantindo que as edificações atendam aos padrões exigidos e promovam 
ambientes mais seguros para a sociedade. 
 
3 METODOLOGIA 
Esta pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, descritiva e complementarmente 
qualitativa, com foco na análise das não conformidades registradas nas vistorias técnicas 
realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém no ano de 2024, especificamente em 
edificações com área igual ou superior a 750 m². O estudo buscou não apenas identificar as 
infrações mais recorrentes, mas também compreender suas causas, consequências e implicações 
normativas, bem como propor soluções técnicas e procedimentais que contribuam para a 
8 
 
redução da reincidência. Segundo Santos (2016), o método quantitativo é eficaz para descrever 
fenômenos com base em dados numéricos, enquanto a abordagem qualitativa amplia a 
compreensão dos significados, contextos e dificuldades enfrentadas pelos atores envolvidos. 
A coleta dos dados foi realizada por meio da análise documental de relatórios técnicos 
oficiais disponíveis no sistema informatizado do Corpo de Bombeiros. Esses documentos 
reuniram informações detalhadas sobre as inspeções realizadas, incluindo os itens de segurança 
reprovados, normas infringidas, prazos para regularização, tipo de notificação aplicada e 
eventuais reincidências. Conforme Oliveira (2021), a análise de documentos oficiais permite 
avaliar de forma precisa a realidade fiscalizatória, garantindo credibilidade e robustez à base 
empírica da pesquisa. 
Os dados não estavam consolidados em uma base estatística unificada e acessível, por 
isso se procedeu com a extração manual das informações, com análise individual de cada 
relatório. As informações foram organizadas em uma tabela estruturada, contendo as seguintes 
variáveis: data da vistoria, tipo de edificação, área total, número de pavimentos, item ou sistema 
reprovado, norma descumprida, tipo de notificação, reincidência, prazo concedido, gravidade 
da não conformidade, regularização e consequência técnica ou administrativa. 
 
Tabela 1 – Estrutura para organização e análise dos dados 
Data Tipo de 
Edificação 
Área 
(m²) 
Nº de 
Pavimentos 
Item 
Reprovado 
Norma 
Descumprida 
Motivo da 
Reprovação 
Notificação 
ou Multa? 
Interdição? Regularização? 
 
 
 
Essa estrutura permitiu identificar as infrações mais frequentes, o grau de gravidade e 
os desdobramentos administrativos, como exigência de nova vistoria, suspensão de alvará ou 
encaminhamento para instâncias superiores, como o Ministério Público ou órgãos reguladores. 
Complementarmente, foi aplicado um questionário semiestruturado a profissionais de 
dois perfis: fiscais do Corpo de Bombeiros e engenheiros civis ou projetistas responsáveis pela 
adequação dos projetos às normas técnicas. O instrumento foi enviado por meio do Google 
Forms e divulgado via WhatsApp, obtendo 22 respostas durante o mês de maio de 2025. O 
objetivo foi compreender, sob a ótica prática, as principais dificuldades enfrentadas na 
elaboração, execução e aprovação de sistemas de proteção e segurança. 
O questionário contemplou questões fechadas, que possibilitaram análise estatística 
descritiva e a identificação de padrões, e questões abertas, que forneceram insumos para uma 
análise qualitativa sobre as dificuldades e sugestões de melhoria para os processos de vistoria 
e adequação normativa. 
Para a análise quantitativa dos dados, empregaram-se técnicas estatísticas descritivas, 
como frequências absolutas e relativas, bem como análises comparativas por tipologia de 
edificação (educacional, comercial, hospitalar, industrial, entre outras). Também foi realizada 
uma correlação entre o tipo de não conformidade e o tipo de edificação, com o objetivo de 
verificar padrões específicos, como, por exemplo, a maior incidência de falhas em sinalização 
em prédios educacionais ou problemas com hidrantes em galpões industriais. Ribeiro (2019) 
destaca que o mapeamento estatístico de falhas recorrentes permite construir medidas 
preventivas mais eficazes e direcionadas. 
Os dados qualitativos oriundos das respostas abertas foram organizados por eixos 
temáticos: causas das não conformidades, dificuldades no processo de regularização, 
interpretação das normas e sugestões de melhoria. Esses relatos contribuíram para uma 
compreensão mais profunda das razões estruturais e operacionais que dificultam o pleno 
cumprimento das normas técnicas vigentes, e para o entendimento dos impactos concretos 
dessas irregularidades, como aumento do tempo de liberação do alvará, gastos adicionais com 
retrabalho ou risco iminente à segurança dos usuários. 
9 
 
Por fim, os resultados foram apresentados por meio de tabelas e gráficos estatísticos, 
acompanhados de quadros interpretativos, que evidenciaram os achados mais relevantes da 
pesquisa, como as infrações mais graves e recorrentes, as penalidades aplicadas, os principais 
gargalos técnicos enfrentados e os caminhos possíveis para a melhoria da fiscalização e da 
adequação normativa.Espera-se que tais achados contribuam para o aperfeiçoamento dos 
processos internos do Corpo de Bombeiros, bem como para a formação crítica de profissionais 
da engenharia e da arquitetura envolvidos com a segurança das edificações. 
 
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 
4.1 Perfil dos participantes da pesquisa 
O questionário foi respondido por um total de 22 profissionais que atuam direta ou 
indiretamente com as vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros em Santarém, tal 
como se vê na Tabela 1 a seguir. 
 
Tabela 1- Perfil dos participantes da pesquisa 
CARACTERÍSTICAS 
 
n % 
 
Bombeiro 12 54,5 
 
Engenheiro civil 7 31,8 
 
Projetista de sistema preventivo 2 9,1 
 
Técnico em segurança 1 4,5 
Cargo/função 
 
 
 
Corpo de Bombeiros Militar do 
Estado 
do Pará 
14 63,6 
 
Escritório de engenharia particular 1 4,5 
Instituição ou empresa Empresa prestadora de serviços 
técnicos 
2 9,1 
 Autônomo 3 13,6 
 Outro 2 9,1 
 
 
 
Ensino Técnico 3 13,6 
 
Ensino Superior em Engenharia Civil 8 36,4 
Formação Ensino Superior em Arquitetura 0 
 
Pós-graduação em área correlata 5 22,7 
 
Outro 6 27,3 
 
 Menos de 1 ano 2 9,1 
Tempo de experiência na área 1 a 3 anos 3 13,6 
 4 a 6 anos 2 9,1 
 7 a 10 anos 2 9,1 
 Mais de 10 anos 13 59,1 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
No que se refere ao cargo ou função, a maioria dos participantes declarou atuar como 
bombeiro, representando 54,5% (n=12) do total de respondentes. Em seguida, destacaram-se os 
engenheiros civis, que corresponderam a 31,8% (n=7) dos participantes. Também participaram 
projetistas de sistemas preventivos, compondo 9,1% (n=2) da amostra, e um técnico de 
10 
 
segurança, representando 4,5% (n=1). Nenhum dos respondentes declarou exercer outra função 
que não as mencionadas, conforme sintetizado na Tabela 1. 
Quanto à instituição ou empresa de vínculo, verificou-se que a maioria atua no Corpo 
de Bombeiros Militar do Estado do Pará, representando 63,6% (n=14) dos participantes. O 
grupo de autônomos constituiu 13,6% (n=3), seguido por profissionais vinculados a empresas 
prestadoras de serviços técnicos (9,1%, n=2) e por aqueles atuantes em outros tipos de 
instituições (9,1%, n=2). Apenas 4,5% (n=1) declararam vínculo com escritórios de engenharia 
particular. 
Em relação à formação acadêmica, a maioria possui ensino superior em Engenharia 
Civil, representando 36,4% (n=8) dos participantes. A pós-graduação em área correlata foi 
indicada por 22,7% (n=5) dos respondentes, enquanto o ensino técnico correspondeu a 13,6% 
(n=3). Um grupo expressivo, representando 27,3% (n=6), declarou ter outra formação não 
especificada. Não houve registro de profissionais com ensino superior em Arquitetura. 
No que diz respeito ao tempo de experiência na área, constatou-se a predominância 
significativa de profissionais com mais de 10 anos de atuação, correspondendo a 59,1% (n=13) 
dos participantes. Os profissionais com 1 a 3 anos de experiência representaram 13,6% (n=3), 
seguidos por aqueles com menos de 1 ano (9,1%, n=2), 4 a 6 anos (9,1%, n=2) e 7 a 10 anos 
(9,1%, n=2). 
Os dados apresentados na Tabela 1 demonstram que a amostra foi composta, 
majoritariamente, por profissionais com vínculo institucional público, formação superior e 
extensa experiência na área, o que confere robustez e credibilidade às informações colhidas. 
Esse perfil reforça a validade das percepções obtidas sobre as não conformidades e os desafios 
enfrentados na adequação das edificações às normas técnicas de segurança contra incêndio. 
4.2 Não conformidades mais comuns identificadas 
A análise integrada dos dados obtidos por meio das vistorias técnicas realizadas pelo 
Corpo de Bombeiros de Santarém no ano de 2024, e das respostas ao questionário aplicado aos 
profissionais da área, permitiu identificar as não conformidades mais recorrentes em 
edificações com área igual ou superior a 750 m², como se apresenta no gráfico 1. 
 
Gráfico 1 – Não conformidades mais comuns encontradas durante as vistorias técnicas em edificações com mais 
de 750 m² 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
9,90%
45,45%
9,90%
4,55%
0,00%
27,27%
4,55%
Ausência de hidrantes
Extintores mal posicionados ou insuficientes
Sinalização de emergência inadequada
Saídas de emergência obstruídas
Sistema de alarme inoperante
Projeto técnico desatualizado ou inexistente
Outros
11 
 
Conforme demonstrado no Gráfico 1, as não conformidades mais comuns, segundo os 
22 profissionais participantes do questionário, foram: extintores mal posicionados ou 
insuficientes, com 45,5% das respostas (n=10); seguida pelo projeto técnico desatualizado ou 
inexistente, com 27,27% (n=6); e pela ausência de hidrantes e sinalização de emergência 
inadequada, ambas com 9,90% (n=2). Ocorrências como saídas de emergência obstruídas e 
outras não especificadas foram indicadas por 4,55% (n=1) cada. 
A análise documental das vistorias técnicas corroborou esses achados. Nos relatórios 
de fiscalização, observou-se que a maioria das reprovações se concentrou em falhas na 
execução ou ausência do projeto técnico (IT 01), na inoperância ou inadequação de extintores 
e hidrantes (IT 03), bem como em deficiências na sinalização de emergência (IT 05). 
Esses resultados indicam que a problemática das não conformidades decorre, em 
grande medida, da falta de atualização dos projetos de segurança e da negligência quanto à 
correta instalação e manutenção dos sistemas de combate a incêndio. A expressiva incidência 
de extintores mal posicionados ou insuficientes, destacada por quase metade dos respondentes, 
sinaliza para a necessidade de reforço na fiscalização quanto ao posicionamento estratégico e à 
quantidade adequada desses dispositivos. 
Adicionalmente, a elevada frequência de projetos técnicos desatualizados evidencia a 
persistência de lacunas no acompanhamento das modificações estruturais das edificações, o que 
compromete a efetividade das medidas preventivas e a segurança dos ocupantes. Assim, a 
conjugação dos dados das vistorias e do questionário reforça a necessidade de medidas 
educativas e normativas que promovam maior rigor na atualização e execução dos projetos 
técnicos, bem como na manutenção contínua dos sistemas de proteção. 
4.3 Sistemas de segurança predial mais frequentemente reprovados 
O levantamento dos dados permitiu identificar, com clareza, os sistemas de segurança 
predial que mais suscitaram reprovações nas vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros de 
Santarém ao longo de 2024. Ao mesmo tempo, as respostas fornecidas pelos profissionais 
participantes do questionário reforçaram essa constatação, ao apontarem, em suas experiências 
práticas, os sistemas mais críticos e suscetíveis a falhas no processo de fiscalização. 
 
Gráfico 2 – Sistemas ou itens de segurança predial mais frequentemente reprovados 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
40,90%
9,10%
18,20%
27,30%
0,00%
4,50%
0,00%
Sistema de hidrantes
Sistema de detecção e alarme
Iluminação e sinalização de emergência
Extintores de incêndio
Compartimentação vertical ou horizontal )
Escadas de emergência
Outro
12 
 
De acordo com o Gráfico 2, o sistema de hidrantes foi indicado como o mais 
frequentemente reprovado por 40,9% dos participantes (n=9), seguido pelos extintores de 
incêndio, com 27,3% (n=6). A iluminação e a sinalização de emergência também figuraram 
entre os sistemas críticos, sendo apontadas por 18,2% dos respondentes (n=4). Já o sistema de 
detecção e alarme obteve 9,1% (n=2) das respostas, enquanto elementos como 
compartimentação vertical ou horizontal e escadas de emergência tiveram menções residuais 
ou nulas. 
A análise dos relatórios técnicos das vistorias reforçou tais apontamentos, evidenciando, 
com frequência, inadequações e não conformidades relativas aos sistemas de hidrantes, tanto 
em relação ao dimensionamento quanto à instalação e manutenção, e falhas na disposição e 
validadedos extintores. Adicionalmente, observou-se a recorrência de problemas em sistemas 
de sinalização e iluminação de emergência, indispensáveis para garantir a evacuação segura em 
situações de risco. 
Esse alinhamento entre os dados objetivos e as percepções subjetivas dos profissionais 
evidencia uma problemática persistente na adequação e na manutenção dos sistemas essenciais 
de segurança contra incêndio. A elevada incidência de reprovações no sistema de hidrantes, em 
particular, destaca-se como um ponto crítico, indicando possíveis falhas desde o projeto até a 
execução e manutenção preventiva dessas instalações. 
Nesse contexto, torna-se imprescindível reforçar a capacitação técnica dos responsáveis 
pela concepção e implantação desses sistemas, além de promover ações fiscalizatórias mais 
frequentes e orientativas, que assegurem o cumprimento integral das normativas vigentes e a 
consequente elevação dos padrões de segurança nas edificações de grande porte em Santarém. 
4.4 Correlação com tipos de edificação 
A diversidade tipológica das edificações fiscalizadas revelou padrões distintos quanto 
à incidência de não conformidades. A partir da análise dos relatórios técnicos elaborados pelo 
Corpo de Bombeiros de Santarém, constatou-se que os estabelecimentos comerciais e 
industriais são os que mais frequentemente apresentam falhas no atendimento às exigências 
normativas, configurando-se como setores críticos no panorama das vistorias realizadas em 
2024. 
 
Gráfico 3 – Diferenças na ocorrência das não conformidades conforme o tipo de edificação 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
18,20%
4,50%
63,70%
4,50%
4,50%
4,50%
0,00%
0,00%
Não
Se sim, quais tipos apresentam mais
irregularidades?
Comerciais
Educacionais
Hospitalares
Industriais
Residenciais multifamiliares
Outros
13 
 
O Gráfico 3 evidencia que 63,7% (n=14) dos respondentes do questionário indicaram 
as edificações comerciais como aquelas que mais concentram irregularidades, seguidas das 
industriais, educacionais e hospitalares, todas com 4,5% (n=1) das menções. Apenas uma 
pequena parcela dos profissionais (18,2%, n=4) afirmou não perceber diferenças significativas 
quanto à ocorrência de não conformidades em função do tipo de edificação. 
A correlação desses dados com os relatórios de vistoria confirma a predominância das 
infrações em empreendimentos comerciais e industriais, o que pode ser atribuído à 
complexidade dessas edificações, ao volume de circulação de pessoas, bem como à frequente 
realização de alterações estruturais e funcionais não previamente regularizadas. Tais práticas 
comprometem a conformidade normativa e expõem os ocupantes a riscos significativos em caso 
de sinistros. 
Esse cenário reforça a necessidade de estratégias fiscalizatórias diferenciadas, mais 
rigorosas e orientativas, especialmente direcionadas para esses setores. Além disso, indica-se a 
formulação de políticas públicas que incentivem a regularização contínua, com apoio técnico e 
financeiro, de modo a mitigar as vulnerabilidades estruturais e operacionais identificadas nas 
edificações comerciais e industriais de Santarém. 
4.5 Causas das não conformidades 
A investigação acerca dos fatores que contribuem para a ocorrência das não 
conformidades nas edificações com mais de 750 m² evidenciou aspectos técnicos, estruturais e 
organizacionais que impactam diretamente na segurança e conformidade dos empreendimentos 
fiscalizados. A análise integrada dos relatórios de vistoria e das respostas ao questionário 
permitiu compreender a complexidade dessas causas e sua persistência no contexto local, tal 
como se apresenta o gráfico a seguir. 
 
Gráfico 4 – Principais fatores que contribuem para a ocorrência dessas não conformidades 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
Conforme demonstra o Gráfico 4, o fator mais apontado pelos profissionais como 
responsável pelas não conformidades foi o desconhecimento técnico, com 45,5% das respostas 
(n=10). Em seguida, a falta de acompanhamento técnico durante a execução dos sistemas de 
segurança foi mencionada por 40,9% dos participantes (n=9). Outros elementos como projetos 
45,50%
0
0
4,50%
0
4,50%
40,90%
4,60%
Desconhecimento técnico
Interpretação equivocada das normas
Falta de recursos financeiros
Projetos mal elaborados
Falta de mão de obra especializada
Atraso na atualização de normativas internas
Falta de acompanhamento técnico durante a
execução
Outro
14 
 
mal elaborados, atraso na atualização de normativas internas e fatores diversos foram indicados 
por 4,5% (n=1) cada. 
Esses dados dialogam com a análise documental realizada, na qual se constatou que a 
ausência de especificações adequadas, a falta de atualização dos memoriais técnicos e a 
execução incorreta dos sistemas projetados são as principais causas identificadas nas 
reprovações. Observou-se que muitas das infrações resultam não apenas de falhas na concepção 
dos projetos, mas, sobretudo, de deficiências no acompanhamento técnico durante a fase de 
execução e implantação das medidas preventivas. 
A convergência entre as percepções dos profissionais e os dados objetivos das vistorias 
confirma que a qualificação insuficiente dos responsáveis técnicos, aliada à carência de práticas 
sistemáticas de fiscalização interna por parte das empresas, constitui um dos principais entraves 
à plena conformidade normativa. Assim, torna-se imprescindível a implementação de ações 
formativas contínuas, associadas a mecanismos de suporte técnico que garantam o correto 
entendimento e aplicação das Instruções Técnicas vigentes. 
4.6 Dificuldades na interpretação e aplicação das Instruções Técnicas (ITs) 
No processo de avaliação das causas subjacentes às não conformidades, revelou-se 
imprescindível compreender a relação dos profissionais com as Instruções Técnicas (ITs) que 
normatizam a segurança contra incêndio. A análise integrada das respostas ao questionário 
permitiu captar as percepções sobre as dificuldades encontradas na interpretação e aplicação 
das ITs no contexto das edificações de Santarém, como se apresenta a seguir no gráfico 5. 
 
Gráfico 5- Dificuldades na interpretação das Instruções Técnicas (ITs) e adequação às edificações locais 
 
 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
A análise do Gráfico 5 evidencia um dado particularmente relevante para a 
compreensão das práticas de fiscalização técnica: a divisão equitativa entre profissionais que 
relatam dificuldades na interpretação ou aplicação das Instruções Técnicas (ITs) e aqueles que 
afirmam não enfrentar tais obstáculos. Essa polarização (50% para cada grupo, n=11) sugere 
não apenas a coexistência de diferentes níveis de domínio normativo entre os agentes 
fiscalizadores, mas também a possibilidade de que fatores contextuais — como a tipologia da 
edificação, a antiguidade das construções ou mesmo a disponibilidade de orientações técnicas 
atualizadas, impactem de maneira desigual o exercício da atividade. 
Tal resultado chama atenção para a necessidade de estratégias de capacitação contínua, 
sobretudo voltadas à atualização e contextualização das ITs frente às realidades arquitetônicas 
e funcionais locais. Ademais, evidencia-se a importância de mecanismos institucionais de apoio 
15 
 
técnico, que auxiliem na tradução prática das exigências normativas, especialmente nos casos 
em que a infraestrutura das edificações apresenta incompatibilidades com os parâmetros atuais 
de segurança contra incêndio e pânico. A divisão equitativa observada também pode ser 
interpretada como um indicativo de que, mesmo entre profissionais experientes, a clareza e a 
aplicabilidade das ITs ainda constituem um campo em aberto de aprimoramento normativo e 
pedagógico. 
 
4.7 Adequação das normas à realidade local 
No processo de avaliação das causas subjacentes às não conformidades, tornou-se 
imprescindível analisar a percepção dos profissionais sobre a adequação das normastécnicas 
de segurança contra incêndio à realidade das edificações locais. As informações obtidas são 
sistematizadas a seguir no gráfico 6. 
 
Gráfico 6 - Adequação das normas à realidade local 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
A consulta revelou que a maioria dos respondentes (72,7%, n=16) considera que as 
normas atualmente vigentes estão adequadas ao contexto construtivo de Santarém, enquanto 
27,3% (n=6) manifestaram opinião contrária. Tal dado sugere uma tendência de 
reconhecimento da aplicabilidade prática das Instruções Técnicas (ITs), mesmo diante da 
diversidade tipológica das edificações inspecionadas. 
A análise cruzada com os registros de inspeções técnicas corrobora essa percepção 
favorável: ainda que se observem índices expressivos de reprovação, especialmente vinculados 
à IT 01 (relativa à elaboração e execução do projeto técnico), tais ocorrências não implicam 
necessariamente inadequação normativa. Ao contrário, a natureza recorrente das falhas, como 
ausência de apresentação de projetos, execução parcial ou desvios em relação ao projeto 
aprovado, revela que os entraves se concentram majoritariamente na execução e na 
documentação técnica, e não na normatividade em si. 
Além disso, o fato de que a quase totalidade das edificações reprovadas não sofreu 
interdição, e muitas foram posteriormente regularizadas, reforça a hipótese de que as exigências 
normativas são tecnicamente viáveis e passíveis de cumprimento. A elevada incidência de 
notificações em detrimento de penalizações mais gravosas aponta para uma abordagem 
pedagógica por parte do órgão fiscalizador, evidenciando que as normas são exequíveis quando 
corretamente interpretadas e aplicadas. 
72,70%
27,30%
Sim Não
16 
 
Nesse sentido, a percepção de adequação normativa majoritária entre os profissionais 
encontra respaldo nos dados empíricos das inspeções, sugerindo que o problema central não 
reside na rigidez ou na descontextualização das normas, mas sim nas fragilidades operacionais 
do processo projetual e na carência de capacitação técnica para sua correta implementação. Isso 
indica a necessidade de fortalecimento de ações formativas e da elaboração de instrumentos 
interpretativos complementares que facilitem a aplicação das ITs, sem comprometer o rigor 
exigido pelos parâmetros de segurança. 
4.8 Consequências administrativas e técnicas das reprovações 
A análise integrada das respostas ao questionário permitiu identificar as principais 
consequências administrativas e técnicas enfrentadas pelas edificações após a reprovação em 
vistorias técnicas, complementando as informações obtidas nos relatórios analisados. Os dados 
coletados encontram-se sistematizados no Gráfico 7, apresentado a seguir. 
 
Gráfico 7–Principais consequências técnicas e administrativas que as edificações enfrentam após a reprovação 
em vistoria 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
Como evidenciado no gráfico, o maior impacto relatado pelos participantes foi a 
imposição de encargos financeiros adicionais, indicada por 36,4% dos respondentes (n=8). Em 
seguida, a necessidade de nova vistoria, o retrabalho do projeto técnico e o atraso na emissão 
do alvará apareceram de forma equivalente, cada um com 18,2% das respostas (n=4). A 
suspensão de funcionamento foi mencionada por 4,5% dos participantes (n=1), demonstrando 
que medidas mais severas são adotadas apenas em casos excepcionais ou de reincidência. 
Os relatórios técnicos analisados confirmam essa tendência, evidenciando que, na 
maior parte das reprovações, o encaminhamento predominante é a emissão de notificações com 
prazos para regularização, seguidas pela exigência de nova vistoria para comprovar a adequação 
das correções realizadas. A adoção de medidas mais gravosas, como a suspensão de 
funcionamento, não foi observada nos casos analisados, reforçando o caráter 
predominantemente orientativo da atuação fiscalizatória do Corpo de Bombeiros de Santarém. 
Esses achados sugerem que, embora a fiscalização cumpra importante função 
coercitiva, há espaço para aperfeiçoar os mecanismos administrativos, a fim de reduzir os 
impactos econômicos e operacionais decorrentes das reprovações, sem comprometer a 
18,20%
18,20%
18,20%
36,40%
4,50%
4,50%
Necessidade de nova vistoria
Retrabalho de projeto técnico
Atraso na emissão do alvará
Encargos financeiros adicionais
Suspensão de funcionamento
Outro
17 
 
segurança das edificações. Ademais, a elevada incidência de retrabalho técnico e de necessidade 
de nova vistoria aponta para a necessidade de ações preventivas mais eficazes, como maior 
acompanhamento técnico na execução dos sistemas de segurança e capacitação contínua dos 
profissionais envolvidos nos processos de elaboração e execução de projetos. 
4.9 Penalidades aplicadas 
A partir da sistematização das respostas ao questionário, foi possível identificar as 
penalidades mais frequentemente aplicadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém em 
decorrência das não conformidades detectadas nas vistorias técnicas. As informações 
encontram-se representadas no Gráfico 8, apresentado a seguir. 
 
Gráfico 8 – Tipos de penalidades são normalmente aplicadas 
 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
De acordo com o gráfico, a penalidade mais comum é a notificação simples, assinalada 
por 40,9% dos participantes (n=9), seguida pela multa administrativa, indicada por 31,8% 
(n=7). A exigência de nova apresentação de projeto técnico foi mencionada por 18,2% dos 
respondentes (n=4), enquanto a suspensão da autorização de uso da edificação apareceu em 
9,1% das respostas (n=2). Nenhum dos profissionais relatou encaminhamento para instâncias 
superiores como prática corriqueira, o que corrobora o caráter predominantemente orientativo 
das medidas aplicadas. 
Os relatórios técnicos analisados demonstraram consonância com esses dados, 
destacando que a atuação do Corpo de Bombeiros, embora pautada pela exigência do 
cumprimento rigoroso das normas, prioriza procedimentos administrativos orientativos, com 
vistas à regularização das edificações e à prevenção de riscos. 
A adoção de multas administrativas ocorre principalmente em casos de reincidência 
ou de descumprimento reiterado das exigências notificadas, sendo utilizada como instrumento 
de reforço ao cumprimento das normas técnicas. Por outro lado, a exigência de reapresentação 
do projeto técnico evidencia a importância de adequações formais e detalhadas como condição 
indispensável para a regularização da edificação. 
40,90%
31,80%
18,20%
9,10%
0,00%
0,00%
Notificação simples
Multa administrativa
Exigência de nova apresentação de projeto técnico
Suspensão da autorização de uso da edificação
Encaminhamento para instâncias superiores (MP,
órgãos reguladores)
Outro
18 
 
Esses resultados indicam que o modelo de fiscalização vigente, ao privilegiar medidas 
corretivas e educativas, busca induzir a conformidade normativa sem recorrer, inicialmente, a 
penalidades mais severas, como interdições ou encaminhamentos judiciais. Todavia, parte dos 
profissionais, nas respostas abertas, sugeriu que a aplicação mais efetiva das sanções poderia 
atuar como mecanismo dissuasório, reduzindo a reincidência das não conformidades e 
reforçando a cultura de segurança preventiva no município. 
4.10 Evolução das não conformidades para instâncias superiores 
A percepção dos profissionais quanto à evolução das situações de não conformidade 
para instâncias superiores foi captada por meio do questionário aplicado, cujos resultados estão 
organizados no Gráfico 9, apresentado a seguir. 
 
Gráfico 9 – Casos em que a situação de não conformidade se agrava ou evolui para instâncias superiores 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
De acordo com o gráfico, a ampla maioria dos participantes, 86,4% (n=19), afirmou 
que já presenciou casos em que a situação de não conformidade evoluiu para instâncias 
superiores, como Ministério Público ou outros órgãosreguladores. Apenas 13,6% (n=3) 
indicaram que tais encaminhamentos não são comuns na sua experiência. 
Esse resultado contrasta com a análise dos relatórios técnicos das vistorias realizadas 
pelo Corpo de Bombeiros em Santarém, que apontou uma predominância de soluções no âmbito 
administrativo, com regularizações ocorrendo mediante notificações e reapresentação de 
projetos. A partir dos documentos analisados, verificou-se que os casos encaminhados a 
instâncias superiores constituem uma parcela minoritária, ocorrendo apenas em situações de 
reincidência grave ou de descumprimento reiterado das determinações notificadas. 
A aparente divergência entre os dados do questionário e os registros oficiais pode ser 
explicada pela percepção subjetiva dos profissionais, que, embora não participem diretamente 
de todos os processos administrativos, identificam e acompanham casos emblemáticos em que 
a intervenção de órgãos superiores se torna necessária. 
Esse cenário reforça a importância de manter mecanismos eficientes de articulação 
entre o Corpo de Bombeiros e as instâncias superiores, garantindo que os casos mais graves 
sejam encaminhados com celeridade e eficácia, promovendo a responsabilização dos 
responsáveis e assegurando a proteção da coletividade. 
 
 
86,40%
13,60%
Sim Não
19 
 
4.11 Propostas de solução para redução das não conformidades 
A análise integrada dos resultados obtidos por meio do questionário aplicado aos 
profissionais que atuam com segurança contra incêndio e vistorias técnicas permitiu identificar 
as principais propostas sugeridas para a redução da reincidência das não conformidades nas 
edificações vistoriadas em Santarém. Essas sugestões encontram-se sistematizadas no Gráfico 
10, apresentado a seguir. 
 
Gráfico 10– O que poderia ser feito para reduzir a reincidência das não conformidades nas edificações 
 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
De acordo com as respostas obtidas, a medida mais frequentemente indicada foi a 
necessidade de ações educativas para os responsáveis técnicos, mencionada por 45,5% dos 
respondentes (n=10). Essa proposta evidencia a percepção, por parte dos profissionais, de que 
o fortalecimento de uma cultura prevencionista, alicerçada em capacitações contínuas, pode 
contribuir de forma significativa para a diminuição das falhas técnicas observadas durante as 
vistorias. 
Em segundo lugar, destacaram-se as sugestões de atualização periódica dos 
profissionais (18,2%; n=4) e de outros mecanismos complementares (13,6%; n=3), como a 
realização de campanhas de conscientização e a ampliação dos canais de orientação técnica. A 
simplificação das Instruções Técnicas (ITs) e uma fiscalização mais orientativa foram 
indicadas, respectivamente, por 9,1% (n=2) dos participantes, revelando a necessidade de tornar 
os processos normativos mais acessíveis e menos burocráticos, mas sem comprometer os 
padrões mínimos de segurança. Por fim, a divulgação de cartilhas com exemplos práticos foi 
sugerida por 4,5% (n=1), como estratégia didática de disseminação do conhecimento técnico. 
Os resultados obtidos por meio do questionário demonstram que os profissionais não 
percebem a punição isolada como a medida mais eficiente para resolver as não conformidades, 
mas sim o investimento em capacitação e orientação técnica, aspectos que também emergiram 
na análise dos relatórios de vistoria. Embora os relatórios não tragam recomendações explícitas 
sobre medidas educativas, observa-se que muitas das não conformidades detectadas decorreram 
de erros interpretativos ou falhas na execução, o que reforça a necessidade de intervenções 
formativas. 
45,50%
9,10%
9,10%
18,20%
4,50%
13,60%
Ações educativas para responsáveis técnicos
Simplificação das instruções técnicas
Fiscalização mais orientativa
Atualização periódica dos profissionais
Divulgação de cartilhas com exemplos práticos
Outro
20 
 
Assim, constata-se que as propostas apresentadas pelos profissionais convergem para 
a construção de um modelo de fiscalização mais orientativo e menos exclusivamente punitivo, 
apostando na formação de uma cultura de segurança robusta e consolidada entre os atores 
envolvidos no processo de elaboração e execução dos sistemas preventivos contra incêndio. 
Essa abordagem preventiva se revela imprescindível para mitigar as não conformidades e 
fortalecer a proteção das edificações e de seus ocupantes. 
4.12 Melhoria na preparação dos responsáveis técnicos 
A análise integrada das respostas ao questionário revelou importantes sugestões sobre 
estratégias para aprimorar a qualificação dos responsáveis técnicos pelas edificações. As 
percepções obtidas evidenciam que o fortalecimento da formação desses profissionais é uma 
medida fundamental para minimizar a ocorrência de não conformidades detectadas nas vistorias 
técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém. 
 
Gráfico 11– Propostas para a melhoria na preparação dos responsáveis técnicos 
 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
Conforme apresentado no Gráfico 11, a proposta mais mencionada foi a inclusão de 
conteúdo específico sobre segurança contra incêndio nos cursos superiores, apontada por 54,5% 
dos respondentes (n=12). Esse resultado evidencia que muitos profissionais percebem lacunas 
na formação acadêmica tradicional, especialmente no que se refere às disciplinas voltadas à 
prevenção e ao combate a incêndios. 
A realização de cursos de capacitação periódicos foi sugerida por 18,2% dos 
participantes (n=4), reforçando a necessidade de formação continuada que acompanhe as 
atualizações normativas e tecnológicas do setor. Além disso, outros 18,2% (n=4) destacaram a 
importância de um acompanhamento técnico mais rigoroso nas obras, como mecanismo para 
garantir que os projetos sejam efetivamente executados conforme as exigências regulamentares. 
Por fim, 9,1% dos respondentes (n=2) sugeriram o fortalecimento do diálogo entre 
projetistas e o Corpo de Bombeiros, como forma de alinhar interpretações normativas e 
esclarecer dúvidas recorrentes, evitando assim falhas por incompreensão ou desconhecimento 
técnico. 
18,20%
18,20%
9,10%
54,50%
Cursos de capacitação periódico
Acompanhamento técnico mais rigoroso nas obras
Maior diálogo entre projetistas e Corpo de
Bombeiros
Inclusão de conteúdo específico em cursos
superiores
21 
 
Essas proposições demonstram uma clara convergência entre a necessidade de 
aprimoramento acadêmico e a valorização da formação prática. A correlação desses achados 
com os dados obtidos nas vistorias técnicas reforça a percepção de que muitas das não 
conformidades identificadas decorrem de lacunas na formação técnica e de falhas na execução 
dos projetos. Assim, promover a qualificação sistemática dos profissionais é um caminho 
imprescindível para elevar o nível de conformidade das edificações com as normas de 
segurança, contribuindo para a redução de riscos e para o fortalecimento da cultura 
prevencionista no município de Santarém. 
4.13 Propostas para melhoria dos processos de vistoria e normativas 
A análise integrada das respostas obtidas no questionário revelou importantes 
sugestões sobre como aprimorar os processos de vistoria técnica e as normativas aplicadas pelo 
Corpo de Bombeiros de Santarém, visando facilitar a conformidade das edificações sem 
comprometer a segurança. Tais propostas refletem tanto as vivências práticas dos profissionais 
quanto a percepção das principais fragilidades observadas nas vistorias técnicas realizadas ao 
longo de 2024. 
 
Tabela 2 – Que melhorias poderiam ser feitas nos processos de vistoria ou nas normativas para facilitar a 
conformidade sem comprometer a segurança 
Respondente Respostas Ideias chave 
1 O responsável da execução do projeto, após de 
aprovado acompanhar todo o processo de 
instalação do sistema de prevenção de combate a 
incêndio, de forma a visualizar o itens faltantes 
conforme analisado o projeto. Realizandoo teste 
dos equipamentos de hidrante. Revisão periódica 
em todo sistema. 
Acompanhamento técnico 
contínuo na execução e revisão 
periódica dos sistemas. 
 
Normatização unificada 
nacionalmente e digitalização 
dos processos de vistoria. 
 
Inserção de conteúdos 
específicos sobre prevenção e 
combate a incêndio em cursos 
superiores. 
 
Realização de diagnóstico prévio 
e mapeamento de riscos nas 
edificações. 
 
Atualização e simplificação das 
Instruções Técnicas (ITs). 
 
Fiscalização regular e 
manutenção preventiva das 
medidas de segurança. 
 
Fortalecimento das sanções para 
inibir o descumprimento das 
normas. 
 
Capacitação e atualização 
técnica permanente dos 
profissionais. 
 
2 Poderia seguir com a normatização unificada, 
nacionalmente, juntamente com o sistema digital 
para agendamentos e consultas de processos 
online. 
3 Criar cadeiras dos cursos voltados para 
Engenharia mais aprofundadas nos campos de 
prevenção e combate a incêndio e suas 
aplicabilidade de forma ampla e geral. 
4 Realizar um diagnóstico completo do ambiente e 
mapear áreas de risco permite direcionar os 
esforços de vistoria para os pontos mais críticos, 
tornando o processo mais eficiente e menos 
oneroso, sem perder o foco na segurança. 
5 Atualizações na IT´s 
6 Melhoria no sistema mais eficaz e simplificado. 
7 Vistorias regulares. 
8 Manutenção periódica nas medidas de segurança 
contra incêndio e emergência. 
9 As sanções deveriam ser executadas de fato, 
inibindo o descumprimento das normas. 
10 Análise prévia de projeto antes de aprovação da 
prefeitura. 
11 Cursos. 
12 Inclusão Além de conteúdo específico em curso, 
maior diálogo entre o órgão fiscalizador e os 
profissionais que realizam o trabalho técnico de 
concepção de projeto e execução. 
22 
 
13 Mais informações e orientações através de meios 
digitais (redes sociais, vídeos, mini cursos) para 
empresários, e profissionais envolvidos na área 
de segurança contra incêndio e licenciamento. 
Aproximação e diálogo entre o 
Corpo de Bombeiros e os 
responsáveis técnicos. 
 
Ampliação da comunicação e 
orientação por meio de materiais 
informativos e campanhas. 
 
Promoção de uma cultura 
prevencionista desde a educação 
básica. 
 
Adequação técnica das normas à 
realidade local do Estado do 
Pará. 
 
Ampliação do efetivo do Corpo 
de Bombeiros para reforçar a 
fiscalização. 
14 Uma orientação prévia, com cartilhas ou apenas 
o que é esperado, mas principalmente orientar 
proprietários sobre a importância, funcionalidade 
e obrigação daqueles itens não opcionais. 
15 Que de maneira prévia à implementação da 
edificação os responsáveis pelo estabelecimento 
realizassem busca de acessória especializada 
para orientá-los sobre todas as medidas a serem 
adotadas para implementação do sistema de 
proteção contra incêndio e emergência das 
edificações de sua responsabilidade. 
16 Ampliação do efetivo do Corpo de Bombeiros 
apto a realizar vistorias e simplificação do 
sistema SISGAT para melhor acompanhar os 
processos. 
17 Adequação técnica à realidade do Estado. 
18 Orientação pelos técnicos responsáveis aos seus 
clientes quanto a importância da prevenção. 
19 Trabalhar a prevenção, fortalecendo a segurança 
contra incêndio e emergências, buscando 
vinculá-lo a grade curricular, desde a educação 
básica até níveis superiores. Fortalecendo assim 
uma cultura prevencionista. 
20 Educação. 
21 Criação de campanhas periódicas sobre a 
segurança contra incêndio. 
22 Boa comunicação, para auxiliar na compreensão 
das reais necessidades de um projeto técnico, boa 
execução e manutenção regular. 
Fonte: Autoria própria (2025) 
 
A partir da Tabela 2, observa-se uma diversidade de sugestões que convergem para a 
necessidade de fortalecer o caráter preventivo e orientativo das vistorias, além de modernizar 
os processos administrativos. A proposta mais recorrente refere-se à necessidade de 
acompanhamento técnico constante, destacada por diversos respondentes como um fator 
essencial para assegurar que a execução das medidas de segurança ocorra conforme os projetos 
aprovados, evitando falhas na implantação e no funcionamento dos sistemas de prevenção e 
combate a incêndio. 
Outra recomendação recorrente foi a unificação e digitalização dos processos 
normativos e administrativos, com a criação de plataformas que permitam o agendamento 
online das vistorias e o acompanhamento em tempo real dos processos, promovendo maior 
eficiência e transparência. Essa proposta se relaciona diretamente com as dificuldades 
apontadas no decorrer da pesquisa quanto à burocracia e à lentidão dos procedimentos atuais. 
Além disso, diversas respostas evidenciaram a necessidade de revisão periódica e 
atualização das Instruções Técnicas (ITs), de forma a adequá-las às especificidades regionais e 
às transformações tecnológicas no setor da construção civil. Esse aspecto dialoga diretamente 
com as dificuldades de interpretação normativa identificadas pelos profissionais em tópicos 
anteriores, reforçando a urgência de processos normativos mais claros e acessíveis. 
Outro eixo fundamental nas sugestões foi o fortalecimento das ações de capacitação e 
educação continuada, com a criação de disciplinas específicas na formação superior, bem como 
cursos de extensão e campanhas de conscientização. As respostas apontam que o preparo dos 
23 
 
profissionais e a conscientização dos responsáveis técnicos e proprietários são determinantes 
para a redução das não conformidades. 
Adicionalmente, destaca-se a proposta de ampliar o efetivo do Corpo de Bombeiros, 
capacitando mais profissionais para as vistorias técnicas e promovendo uma fiscalização mais 
ágil e abrangente, especialmente frente à crescente demanda gerada pelo desenvolvimento 
urbano de Santarém. 
Por fim, observa-se uma preocupação com a necessidade de melhorar a comunicação 
entre o Corpo de Bombeiros e os profissionais responsáveis pelos projetos e execuções das 
edificações, através de orientações mais claras, materiais didáticos e canais de esclarecimento 
acessíveis. 
Essas propostas, quando integradas, apontam para a construção de um sistema de 
fiscalização mais colaborativo, eficiente e adaptado à realidade local, capaz de reduzir a 
reincidência das não conformidades e de promover um ambiente urbano mais seguro e 
resiliente. 
 
5 CONCLUSÃO 
Este estudo teve como propósito analisar as infrações mais recorrentes detectadas nas 
vistorias técnicas realizadas pelo Corpo de Bombeiros de Santarém, no Oeste do Pará, durante 
o ano de 2024, em edificações com área igual ou superior a 750 m², bem como identificar os 
principais desafios enfrentados pelos responsáveis técnicos na adequação às normas de 
segurança vigentes. A análise integrou dados quantitativos obtidos a partir dos relatórios oficiais 
de vistoria e do questionário aplicado a 22 profissionais atuantes na área, entre bombeiros, 
engenheiros civis e técnicos especializados. 
Em relação às infrações mais recorrentes, constatou-se que as falhas relacionadas à 
ausência ou inadequação dos sistemas de proteção contra incêndio foram predominantes. De 
acordo com os relatórios de vistoria, as irregularidades mais frequentes envolveram a não 
execução de projetos conforme as Instruções Técnicas (ITs) aprovadas, especialmente a IT nº 
01, com 82% das edificações analisadas apresentando algum tipo de inadequação nesta norma. 
Corroborando esse resultado, o questionário revelou que 45,45% (n=10) dos profissionais 
apontaram como mais comum a não conformidade relacionada aos extintores mal posicionados 
ou insuficientes, seguida pela ausência de hidrantes e sinalização de emergência inadequada, 
ambas com 9,1% (n=2) das respostas. Além disso, 27,27% (n=6) mencionaram o projeto técnico 
desatualizado ou inexistente como uma das principais causas das infrações. 
No tocante aos desafios enfrentados pelas

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