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M KZ 00 67 _v 1. 0 Gestão da Qualidade 2 SUMÁRIO Apresentação da disciplina ___________________________________03 Introdução ao Gerenciamento da Qualidade ____________________05 Planejar o Gerenciamento da Qualidade ________________________16 Gerenciar a Qualidade _________________________________________27 Controlar a Qualidade _________________________________________35 GESTÃO DA QUALIDADE 3 Apresentação da disciplina Seja bem-vindo à disciplina Gestão da Qualidade. Durante nossas aulas, você entenderá os principais processos envolvidos em planejamento, gerenciamento e controle da qualidade, de modo que seja possível conduzir o projeto conforme as expectativas das partes interessadas. Esta disciplina está organizada em quatro temas. Iniciaremos com uma introdução ao Gerenciamento da Qualidade, em que estudaremos os conceitos introdutórios da Gestão da Qualidade, assim como os principais feitos de “Gurus” que fundamentaram esse tema. Muitos dos princípios discutidos pelo PMI, para esta área de conhecimento, devem-se a conceitos discutidos no século passado. Gurus como Shewhart, Deming, Juran, Ishikawa e Crosby tiveram participações relevantes na evolução dos princípios da qualidade. Na sequência, estudaremos como planejar a Qualidade. Você entenderá que esse processo é muito importante, pois fornece a orientação e as diretrizes de como o projeto será gerenciado e verificado ao longo do seu ciclo de vida. Nesse tema, serão estudadas as principais atividades e ferramentas para se construir um Plano de Gerenciamento da Qualidade. Aliás, esse assunto terá um tema especial, em que estudaremos o segundo processo da área de conhecimento qualidade: Gerenciar a Qualidade. O PMI (Project Management Institute) dá muita importância tanto para O QUE está sendo entregue (resultado do projeto) quanto para COMO está sendo entregue (metodologia que está sendo utilizada). O processo Gerenciar a Qualidade, também chamado de realizar a garantia da qualidade, tem por objetivo auditar o processo a ser seguido e garantir que utilizaremos as Melhores Práticas de Gestão de Projetos. 4 Por fim, estudaremos o terceiro processo da área de conhecimento da qualidade: Controlar a Qualidade, cujo objetivo é utilizar as ferramentas definidas para medir e controlar o processo de qualidade, bem como saber se os resultados do projeto estão em conformidade com o planejado. Bons estudos! 5 Introdução ao Gerenciamento da Qualidade Autoria: Manoel Walter da Silva Laranja Junior Leitura crítica: Nirse Ruscheinsky Breternitz Objetivos • Definir o que é qualidade e elucidar a relação entre prevenção e inspeção, apresentando os cinco níveis de gerenciamento da qualidade. • Entender o que é Gold Plating e sua implicação no gerenciamento de projetos. • Conhecer os principais Gurus da Qualidade, entendendo o surgimento, o desenvolvimento e a valorização de diversas teorias e práticas relacionadas à qualidade. 6 1. O que é qualidade? A gestão da qualidade em projetos refere-se ao conjunto de práticas e processos utilizados para assegurar que os produtos ou serviços entregues atendam ou superem as expectativas dos stakeholders. Essa abordagem visa garantir a satisfação do cliente, minimizar riscos e maximizar a eficiência ao longo de todas as fases do projeto. A qualidade pode ser entendida como o nível de satisfação do cliente quanto ao atendimento de suas necessidades e expectativas e, consequentemente, dos requisitos e padrões previamente estabelecidos na produção do serviço ou produto. De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 274), o conceito de qualidade, no âmbito específico da gestão de projetos, decorre do efetivo atendimento dos requisitos e padrões relacionados ao grau de complexidade das funcionalidades envolvidas, ou seja, o nível em que um conjunto de características inerentes atende aos requisitos e está associado ao desempenho em cada entrega ou resultado obtido. Assim, se a entrega/ produto apresentar baixo grau, ou poucas funcionalidades, sem problemas ou defeitos, mas tiver alta qualidade, provavelmente estaria adequado ao uso. Em contrapartida, se a entrega/produto apresentar alto grau, ou muitas funcionalidades, mas tiver baixa qualidade, as funcionalidades esperadas seriam ineficientes e comprometeriam a qualidade final. O PMBOK (PMI, 2017) e outras aplicações que conceituam a qualidade explicitam que, para garantir a qualidade da entrega ao cliente, a prevenção de problemas de qualidade fundamentada no planejamento dos processos é sempre mais oportuna e inteligente do que a prática de inspeções, pois estas apenas evidenciam problemas já existentes. Além disso, de modo geral, os custos empregados em práticas de prevenção de problemas de qualidade são inferiores aos decorrentes de inspeções e eventuais correções. 7 2. Definição dos principais termos envolvidos Os principais termos relacionados com a gestão da qualidade estão listados a seguir: • Prevenção: atuar proativamente com foco no planejamento a fim de que os processos se autoprotejam, de forma a eliminar possíveis erros. • Inspeção: prática que pode ser entendida como reativa, com a finalidade de impedir que os erros cheguem aos clientes; contudo, os erros já aconteceram e suas consequências são inevitáveis. • Amostragem de atributos: verifica a conformidade ou não conformidade de entregas e resultados quanto aos atributos, padrões e requisitos. • Amostragem de variáveis: verifica o grau de conformidade da entrega ou resultado com base em uma escala ou classificação. • Tolerâncias: trata-se de uma faixa de tolerância definida por um intervalo entre limite superior e inferior, dentro da qual resultados e entregas são considerados aceitáveis. • Limites de controle: definem os limites de variações naturais dos processos segundo um processo estatisticamente estável. De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 274), são cinco os níveis de gerenciamento da qualidade, ordenados em escala crescente de eficácia: • Atuar Reativamente: prática mais cara e menos aceitável de permitir que o cliente identifique o problema de qualidade, em especial no momento do uso. 8 • Atuar Preventivamente: identificar e atuar sobre os problemas da qualidade que já são realidade cujas consequências de algum modo são inevitáveis, antes que cheguem aos clientes. • Buscar a Causa Raiz: a partir de problemas identificados, atuar nos processos de modo a evitar a reincidência. • Qualidade Total: tornar a qualidade presente em todas as etapas desde o planejamento, focando em como obter os fins alinhados ao escopo do projeto. • Qualidade na Cultura da Empresa: promover uma mudança cultural que faça sentido e comprometa todos os envolvidos, a cada fase do produto ou serviço. Fundamentados em estatística aplicada à qualidade, os processos, por natureza, sofrem variações. As melhores e mais atuais práticas relacionadas à qualidade em gerenciamento de projetos preconizam: • Satisfação do cliente: é a razão de ser do projeto e de suas práticas e funciona como um norteador dos esforços capazes de garantir a conformidade a requisitos e adequação ao uso; é consequência direta do nível de atendimento das necessidades e expectativas do cliente. • Melhoria contínua: aplicação do ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action) para melhoria contínua dos resultados, práticas e sistemas, e valorização de práticas como GQT (gerenciamento da qualidade total), Seis Sigma e Lean Seis Sigma, para melhoria da qualidade do gerenciamento do projeto e consequentemente da qualidade do produto, serviço ou resultado. • Responsabilidade da gerência: exerce papel fundamental no âmbito da qualidade na medida em que é responsável pela gestão dos recursos necessários ao sucesso do projeto ou resultado do trabalho e depende do empenho e do comprometimento de todos os envolvidos. 9 • Parceria mutuamente benéfica com fornecedores: as relações com fornecedores devem ser valorizadas e ultrapassaros acordos comerciais, esperando-se delas parceria, cumplicidade, respeito e ética como bases que tornarão as relações estáveis, duradoras, eficazes e eficientes, proporcionando resultados continuamente melhores. 3. Introdução aos três processos do PMBOK Na área de conhecimento da qualidade, o PMBOK descreve os processos apresentados a seguir. 3.1 Planejamento da Qualidade Este processo envolve a definição de políticas, procedimentos e responsabilidades relacionados ao gerenciamento da qualidade do projeto. Estabelece como a qualidade deverá ser planejada, implementada e controlada ao longo do ciclo de vida do projeto. De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 277), o planejamento para gerenciamento da qualidade do projeto fundamenta-se em: • Identificar os requisitos e padrões de qualidade aplicáveis ao projeto e a cada uma de suas entregas. • Definir claramente como serão documentadas as entregas do projeto, demonstrando a sua conformidade com os requisitos e padrões preestabelecidos. • Disponibilizar padrões, diretrizes e orientações de como a qualidade será monitorada e verificada ao longo de cada um dos processos. 10 3.2 Garantia da Qualidade Neste processo, as atividades de garantia e controle da qualidade são executadas para garantir que o projeto atenda aos padrões de qualidade definidos. Isso inclui a implementação das ações planejadas para garantir que os produtos ou serviços do projeto atendam aos requisitos de qualidade. De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 279), o gerenciamento da qualidade do projeto fundamenta-se em: • Envolver a implementação de processos e atividades sistemáticas para assegurar que os padrões de qualidade sejam seguidos. • Incluir revisões de processos, auditorias e outras técnicas para monitorar e melhorar continuamente a qualidade. 3.3 Controle da Qualidade Este processo está focado na monitorização e na documentação dos resultados da execução das atividades de garantia e controle da qualidade. Ele garante que os padrões de qualidade sejam seguidos e que quaisquer desvios sejam identificados e corrigidos apropriadamente. De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 282), o controle da qualidade fundamenta-se em: • Enfocar a inspeção e a verificação dos produtos ou serviços produzidos durante o ciclo de vida do projeto. • Identificar e corrigir defeitos ou não conformidades, garantindo que o produto atenda aos requisitos estabelecidos. 11 4. O que é Gold Plating? Embora inadequada, a prática do Gold Plating ainda está muito presente no gerenciamento de projetos. Nesse contexto, ela significa adicionar voluntária e deliberadamente ao escopo do projeto características, requisitos, padrões e funcionalidades que não foram originalmente definidos como relevantes ou de interesse comum das partes. Ainda que imbuído de boas intenções, quem adota essa prática pode prejudicar de modo significativo o projeto, sendo as principais consequências negativas: comprometimento ou atraso de prazos de execução, esforço desnecessário, consumo indevido e desnecessário de recursos físicos e humanos, entre outros. Além disso, a prática não agrega valor ao projeto e às suas entregas, tampouco proporciona melhor impressão ou maior satisfação às partes interessadas. Por ser uma prática ainda bastante comum, o gerente do projeto e todos os envolvidos devem se atentar continuamente para manter o foco no atendimento ao escopo previamente estabelecido. 5. Principais Gurus da Qualidade Ao longo do século XX, presenciamos o surgimento, o desenvolvimento e a valorização de diversas teorias e práticas relacionadas à qualidade. Tal movimento viabilizou e contribuiu sobremaneira com a evolução dos processos, em especial industriais e de manufatura, em diversos países, com destaque para os EUA, berço de uma base sólida no que se refere aos aspectos e fundamentos teórico-conceituais, e para o Japão, onde a aplicação efetiva em processos reais consolidou e aprimorou o processo. 12 Segundo Lélis (2012, p. 14), a evolução do conceito de qualidade no âmbito organizacional seguiu estudos, conceitos e propostas de personalidades relevantes nesse contexto, comumente referenciadas como “gurus” da qualidade. Eles deram origem e aprimoraram quatro grupos da qualidade: • Inspeção: verificar o grau de conformidade de um atributo físico em relação ao previamente estabelecido ou determinado. • Controle estatístico: aplicar recursos e métodos estatísticos para a detecção de variações presentes nos processos que ocasionam ou apresentam potencial de ocasionar problemas de qualidade. • Garantia da qualidade: prevenir problemas da qualidade em produtos e processos, criar sistemas e aplicar o conceito de qualidade total. • Gestão da qualidade total: apresentar gestão, envolvimento e comprometimento de todos, superando as expectativas do cliente e surpreendendo-o positivamente, e o surgimento das normas de qualidade da série ISO. 5.1 Dr. W. Edwards Deming Deming foi pioneiro na aplicação de ferramentas, técnicas e conceitos matemáticos e estatísticos aos processos produtivos, com foco na melhoria contínua da qualidade. Primeiro estudioso da qualidade a visitar o Japão com tal propósito, Deming apresentou suas ideias, as quais foram muito bem aceitas por empresários japoneses. Ao treiná-los, ele fundamentou uma verdadeira revolução nos conceitos e nas práticas da qualidade então vigentes. Crítico ostensivo das práticas dos empresários estadunidenses no que se refere à qualidade, Deming valorizava e defendia o princípio e a prática da melhoria contínua como fator positivo e impactante para o aumento da produtividade dos processos. 13 O conceito de qualidade está, portanto, diretamente relacionado e é proporcional ao nível de satisfação do cliente quanto ao atendimento de suas expectativas frente ao produto adquirido ou serviço contratado. Em termos práticos, ele considerava que os clientes têm desejos e expectativas, devendo, portanto, a organização entender e satisfazer essas necessidades ao fornecer um produto ou prestar um serviço. 5.2 Dr. Joseph Juran Romeno, nascido em 1904, aos oito anos Juran emigrou para os EUA. Formado em Engenharia e em Direito, foi professor da Universidade de Nova York e, em 1979, fundou o Instituto Juran, dedicado aos estudos relacionados à qualidade. Suas principais ideias foram desenvolvidas e aplicadas principalmente no Japão, onde viveu e trabalhou a partir de 1954. Ele defendia que todos os problemas, inclusive os relacionados à qualidade, são consequência direta e óbvia dos planejamentos realizados – na verdade, via de regra, do planejamento não realizado. Esse entendimento valoriza a visão sistêmica, a correlação e a interação presente entre todos os elementos de um sistema, evidenciando a necessidade de planejamento adequado, prévio à execução, em qualquer situação ou contexto. 5.3 Philip Crosby Engenheiro estadunidense, Crosby nasceu em 1926. Construiu sua carreira na área de qualidade, inicialmente exercendo uma função técnica e posteriormente exercendo altos cargos de gestão em grandes empresas até fundar, em 1979, a Philip Crosby Associates, consultoria e treinamentos em qualidade. Crosby considerava que o conceito de qualidade dependia do nível de conformidade e atendimento aos requisitos. Assim, para ele, a qualidade 14 partia da definição do que hoje chamamos de escopo, que, por sua vez, obrigatoriamente deve contemplar a descrição clara e detalhada de todos os requisitos, padrões e especificações esperados do produto ou serviço. Esse nível de conformidade deve ser monitorado, controlado e ajustado continuamente, proporcionando a melhoria dos produtos, dos serviços e de seus respectivos processos. 5.4 Kaoru Ishikawa Nascido no Japão em 1915, Ishikawa se formou em Engenharia Química pela Universidade de Tóquio e tornou-se um dos “gurus” da qualidade por traduzir conceitos e teorias estadunidenses relacionadas à qualidade para a cultura oriental.Segundo Mello (2011, p. 21-22), ele dedicou-se, em especial, ao desenvolvimento e à aplicação de ferramentas, não tendo proposto nenhuma teoria ou definição conceitual que o diferenciasse nesse sentido. Algumas de suas principais contribuições para a qualidade foram a difusão do Círculo de Controle da Qualidade (CCQ) e a criação do Diagrama de Ishikawa. Os CCQs são pequenos grupos de funcionários que, de modo autônomo e voluntário, concebem e promovem procedimentos e práticas de qualidade em suas áreas de trabalho, colaborando não só para a qualidade final, mas também para a empresa em si, a interação entre os colaboradores e a melhoria do clima organizacional. Largamente difundido e empregado, o Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta de qualidade dedicada ao estudo das causas dos defeitos e problemas da qualidade a partir de seus efeitos. Orientado sob seis grupos distintos de causas (medição, método, mão de obra, máquinas, materiais e meio ambiente), que permitem o desdobramento e o aprofundamento da análise e viabilizam a criação de planos de ação assertivos e produtivos, o Diagrama de Ishikawa é também conhecido por 6M, Diagrama de Causa e Efeito, e Espinha de Peixe. 15 Referências LÉLIS, E. C. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. MELLO, C. H. P. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2011. PMI. Project Management Institute. Guia PMBOK: Um guia de conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. Pensilvânia: PMI , 2017. 16 Planejar o Gerenciamento da Qualidade Autoria: Manoel Walter da Silva Laranja Junior Leitura crítica: Nirse Ruscheinsky Breternitz Objetivos • Definição do processo PMBOK – Planejar o Gerenciamento da Qualidade. • Etapas do Processo Planejar o Gerenciamento da Qualidade. • Entender as principais ferramentas para planejar o Gerenciamento da Qualidade: Análise de Custo- benefício; Benchmarking; Diagrama de Causa-Efeito; Folhas de Verificação; Diagrama de Pareto; Histograma; e Gráfico de Controle. 17 1. Definição do processo PMBOK – Planejar o Gerenciamento da Qualidade Alimentados por entradas (inputs) e responsáveis por transformá-las em saídas (outputs), os processos envolvem atividades, ações e rotinas ordenadas e sequenciais. Para planejar o Gerenciamento da Qualidade, devem-se identificar os requisitos de qualidade do projeto, bem como a documentação que demonstrará e comprovará a conformidade das entregas (PMI, 2017). O planejamento é fundamental para o desenvolvimento do projeto, visto que é por meio dele que se definem orientações e diretrizes norteadoras das atividades e do monitoramento de cada etapa e das rotinas. Ao planejar o Gerenciamento da Qualidade, deve-se ainda considerar a interação, os impactos e as consequências pontuais de cada atividade para que todo o processo evolua para honrar as entregas. As diretrizes e boas práticas preconizadas pelo PMBOK (PMI, 2017) podem ser adequadas e adaptadas de acordo com peculiaridades relacionadas a restrições ou realidades do projeto, como fatores ambientais da empresa e ativos de processo organizacional. 2. Etapas do Processo Planejar o Gerenciamento da Qualidade Com anos de expertise no tema, opiniões de colaboradores, profissionais de gerenciamento de projetos, especialistas e pesquisadores do mundo todo, as etapas do processo PMBOK (PMI, 2017) visam ao desenvolvimento do plano de gerenciamento da qualidade de modo racional e estruturado segundo um fluxo contínuo e fluido de informações: 18 • Entradas: conjunto de documentos, diretrizes e informações iniciais do projeto que compõe o escopo da qualidade (termo de abertura do projeto, plano de gerenciamento do projeto, documentos do projeto, fatores ambientais da empresa e ativos de processo organizacional). • Ferramentas técnicas: levantamento, reunião e consolidação de dados e informações relevantes para a definição do planejamento (opinião de especialistas, coleta de dados, tratamento e análise dos dados coletados, tomada de decisões e definição de diretrizes, representação e documentação dos dados considerados, planejamento de testes, inspeções e reuniões). • Saídas: formalização e documentação do planejamento do gerenciamento da qualidade (plano de gerenciamento da qualidade, métricas da qualidade, atualizações do plano de gerenciamento da qualidade e atualização dos documentos do projeto). A estrutura proposta para o projeto a partir do conjunto das melhores práticas em gerenciamento de projetos deve ser seguida e respeitada, o que auxiliará na execução do projeto ao organizar as tarefas de modo racional. Mesmo após definidas as etapas do processo, podem ser necessários ajustes e correções durante a execução decorrentes da dinâmica apresentada. Trata-se de um processo normal, ou seja, não caracteriza um problema, mas é fundamental nessa fase a contribuição dos envolvidos com as etapas operacionais. 3. Desenvolver um Plano de Gerenciamento da Qualidade Para desenvolver o plano de gerenciamento da qualidade, é necessário considerar a natureza do projeto e de suas entregas e metas, sendo fundamentais aspectos como: 19 • Balanceamento e distribuição das atividades e rotinas do projeto em nível operacional: deve-se atender aos requisitos do projeto, mas o planejamento deve evitar que a equipe fique ociosa ou sobrecarregada. • Sobrecarga (pontual ou generalizada) de trabalho na rotina da equipe: ocasiona uma série de efeitos indesejáveis, como estresse, desgaste e atrito entre os membros da equipe; compromete resultados; aumenta os custos; não cumpre; traz retrabalhos decorrentes de erros de procedimento etc. • Apressamento/antecipação de verificações, inspeções e auditorias de qualidade para cumprir o cronograma de entregas: pode acarretar negligência ou fazer com que a equipe responsável ignore etapas e procedimentos relevantes do projeto, comprometendo a qualidade da entrega. Por isso, ao desenvolver o plano de gerenciamento do projeto, é necessário se atentar a todos os parâmetros envolvidos, contemplando cada especificação, requisito ou diretriz. Após a conclusão do plano, é preciso garantir o atendimento a ele. Por exemplo, se existe uma tarefa ou atividade com prazo preestabelecido, devem-se definir os métodos adequados para cumprir esse prazo, respeitando ainda as consequências e os impactos diretos e indiretos em outras atividades, rotinas e tarefas do projeto. O termo de abertura do projeto é uma das entradas principais para o desenvolvimento do plano de gerenciamento da qualidade. Além da descrição do projeto e das características que se espera verificar no produto, nele estão detalhados: • Os requisitos para a aceitação e a aprovação de cada entrega, quando aplicável. • Os resultados quantificáveis e mensuráveis associados aos requisitos para a aceitação e a aprovação das entregas. 20 • Os critérios e parâmetros para avaliar a entrega quanto ao sucesso ou insucesso. O termo de abertura do projeto, portanto, fornecerá as diretrizes fundamentais para a gestão referente à qualidade do produto e das entregas. Segundo o PMBOK (PMI, 2017, p. 279), o plano de gerenciamento do projeto deve, necessariamente, conter: • Plano de gerenciamento dos requisitos: fornece diretrizes quanto à abordagem adequada para a identificação, a análise e o gerenciamento dos requisitos e das métricas a eles associadas. • Plano de gerenciamento dos riscos: define os métodos para a identificação, a análise e o monitoramento dos riscos, uma vez que toda tarefa ou atividade contempla certo risco de sucesso ou insucesso. A gestão de risco é aplicada à qualidade a partir da classificação dos riscos associados às entregas, aos planos de contingência e à mitigação, objetivando aumentar a segurança no que se refere ao atendimento dos requisitos e à efetiva qualidade do projeto e de cada uma de suas entregas. • Plano de engajamento das partes interessadas: define o modo adequado de documentaras necessidades e as expectativas das partes interessadas. Ponto-chave para o gerenciamento da qualidade, devem-se dedicar tempo e atenção tanto na definição quanto na validação. • Linha de base do escopo: fundamentada na Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e em suas entregas, estabelece os padrões de qualidade adequados a cada entrega, bem como quais entregas deverão ser submetidas à revisão e verificação da qualidade. Como os critérios de aceitação dos requisitos definidos no escopo do projeto são variáveis, também serão variáveis os custos da qualidade e do projeto em si. Por isso, recomenda-se atenção nessa definição. 21 Aos critérios está associado o efetivo atendimento das necessidades das partes interessadas. Quanto mais rigorosos e exigentes forem os critérios, maiores serão os custos para a sua obtenção, tornando o projeto mais caro. Com relação aos fatores ambientais da organização, é necessário, ao se planejar o gerenciamento da qualidade do projeto, considerar a legislação e as regulamentações vigentes, bem como normas, padrões e diretrizes aplicáveis, distribuição geográfica, estrutura ou arquitetura organizacional, mercado e condições operacionais, de trabalho e cultura (PMI, 2017, p. 280). Em resumo, é necessário: • Ouvir e entender as partes interessadas: atender às necessidades, expectativas e demandas das partes é, na prática, a razão de ser do projeto. • Considerar e alinhar as necessidades e as expectativas das partes interessadas: como cada projeto é único, suas entregas devem necessariamente atender às partes interessadas. • Definir a cada entrega ou produto os requisitos e seus respectivos critérios de aceitação: na medida em que cada entrega deve ser aceita e atender às necessidades e expectativas das partes interessadas, devem-se sempre garantir o alinhamento e o atendimento dos requisitos. • Esclarecer como as entregas deverão ser documentadas: trata-se da necessária e adequada documentação de cada entrega para que se constitua um acervo formal de aceite das partes interessadas. • Estabelecer as diretrizes necessárias para que cada tarefa ou rotina produza o resultado pretendido: é necessário definir os meios (diretrizes e definições de cunho prático) para a obtenção dos fins (alcance de metas e objetivos pretendidos). • Estabelecer métodos e práticas adequadas de controle, monitoramento e registro das verificações da qualidade: relacionados 22 ao monitoramento do desempenho das atividades e do projeto, contemplam as métricas da qualidade extremamente relevantes no contexto do gerenciamento de projetos. • Promover em todas as etapas e continuamente a qualidade: é necessário considerar, aplicar e respeitar integralmente as diretrizes do PMBOK, o guia do conhecimento em gerenciamento de projetos, para melhores práticas e melhoria contínua. • Reconhecer e valorizar a interação e a interdependência entre as diferentes áreas e os profissionais envolvidos com o projeto: nunca desconsiderar ou negligenciar o fato de que o sucesso de um projeto está intimamente relacionado à interação e à integração das áreas e de suas respectivas atividades, tarefas e rotinas. Analogamente, o projeto e as áreas envolvidas são como uma orquestra e seus músicos, respectivamente, o que demanda harmonia, sintonia e afinação a cada nota executada para alcançar a melhor melodia, ou melhor produto/resultado. 4. Ferramentas para Planejar o Gerenciamento da Qualidade 4.1 Diagrama de Causa-Efeito Uma das ferramentas mais amplamente difundidas e empregadas para o planejamento da gestão da qualidade, o Diagrama de Causa-Efeito (também conhecido no mercado como 6M, Espinha de Peixe ou Diagrama de Ishikawa – em homenagem ao seu criador, Kaoru Ishikawa) é utilizado, segundo Lélis (2012, p. 66), para determinar a causa raiz de um problema, ou seja, quando, a partir de um efeito conhecido, há o desejo de investigar, identificar e caracterizar suas possíveis causas. As causas estão agrupadas 23 e classificadas de maneira ordenada em seis categorias: medição, materiais, mão de obra, máquinas, métodos e meio ambiente. De acordo com Mello (2011, p. 88), recomenda-se que a elaboração do Diagrama de Causa-Efeito seja realizada de modo coletivo, por um grupo de pessoas que conheça intimamente o processo, de modo a não desconsiderar na análise nenhuma possibilidade ou variável potencialmente relevante. 4.2 Folha de Verificação É o nome genérico dado a uma planilha prévia e criteriosamente desenvolvida com o objetivo de aquisitar dados relevantes de um determinado processo. Adaptável, suas informações devem ser detalhadas em nível adequado para a posterior análise de não conformidade de produtos ou serviços. Ao desenvolvê-la, deve-se considerar que seu manuseio e efetivo uso, em geral, se dá por parte de profissionais envolvidos em atividades operacionais e que a acurácia das informações nela registradas é fundamental para as aplicações futuras. Assim, o manuseio e o preenchimento devem ser simples, práticos, fáceis e rápidos. A Folha de Verificação é o ponto de partida para o controle da qualidade e potencialmente serve de base para a utilização de outras ferramentas da qualidade, como o Diagrama de Causa- Efeito e o Histograma (Mello, 2011, p. 89). 4.3 Diagrama de Pareto Popularmente conhecido como Diagrama de Pareto, trata-se de um tipo gráfico e de sua respectiva análise baseada conceitualmente na ideia de que 80% dos efeitos estão associados a 20% das causas, o que explica seu outro nome, 80/20. 24 De acordo com Mello (2011, p. 93), ao aplicar a ferramenta, primeiro devem- se definir o problema a ser estudado e suas possíveis causas, pois serão a base para a aquisição e o tratamento dos dados de processo, o que pode ser feito via Folha de Verificação, por exemplo. Os dados aquisitados são então tratados, contabilizados e registrados, inicialmente em número de ocorrências e, em seguida, em porcentagem acumulada. 4.4 Histogramas Segundo Lélis (2012, p. 58), o Histograma é um recurso estatístico que, a partir de um levantamento prévio de dados, pretende evidenciar a frequência de ocorrência ou repetibilidade individual dos dados com relação à massa de dados total considerada. Uma das principais vantagens de sua aplicação é ordenar e classificar os dados, agrupando-os ao longo do tempo, de modo a facilitar a leitura, o entendimento, a interpretação e a análise, bem como ajudar a definir a posterior tomada de decisão. Os Histogramas mostram uma representação gráfica de dados numéricos, podendo evidenciar o número de defeitos por entrega, uma classificação da causa de defeitos, o número de vezes em que cada processo não tem conformidade ou outras representações de defeitos em projetos ou produtos (PMI, 2017, p. 293). 4.5 Gráfico de Controle Os Gráficos de Controle têm por finalidade monitorar um dado específico, em geral um desempenho ou performance ao longo do tempo, e, de modo claro, gráfico e visual, confrontá-lo com uma meta ou tolerância previamente definida. Mello (2011, p. 96) explica que todo processo sofre variação e essa ferramenta é utilizada para monitorar as variações de um processo e verificar se estão dentro de limites aceitáveis preestabelecidos. 25 Assim, são dotados de uma linha que representa o valor nominal pretendido e duas linhas (LSC – linha superior de controle e LIC – linha inferior de controle) que definem o intervalo aceitável de variação dos resultados, dispostas paralelamente ao eixo horizontal que representa o intervalo temporal de monitoramento. Nesse gráfico, ao longo do tempo, são plotados (marcados) os valores reais dos resultados obtidos, evidenciando se estão dentro dos limites aceitáveis. 4.6 Análise de Custo-benefício A Análise de Custo-benefício é destinada a basear a tomada de decisão a partir das variáveis envolvidas. Qualquer ação possível demanda recursos físicos (máquinas, equipamentos, materiais, insumos etc.) e humanos (mão de obra).A cada uma delas, estão associadas consequências e resultados necessários e pretendidos. Como os recursos representam custos e são limitados ou restritos no âmbito empresarial, deve-se adotar a Análise de Custo-benefício capaz de correlacionar, a cada ação possível, seus custos e potenciais benefícios, priorizando as decisões e avaliando implementações. A métrica da ferramenta, ou seja, a metodologia e a lógica empregadas para a efetiva tomada de decisão pode variar. Em geral, as organizações costumam utilizar a Análise de Custo-benefício “valorada”, que considera a cada opção de ação seu custo e seus benefícios, ou a associação de custos e benefícios financeiros a uma cronologia, o que permite estimar e acompanhar o fluxo de caixa (entradas e saídas financeiras) ao longo do tempo. 4.7 Benchmarking De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 143), o termo Benchmarking refere- se à comparação de produtos e processos, reais ou planejados, com os 26 análogos ou correspondentes de organizações semelhantes para identificar as melhores práticas, gerar ideias para melhorias e fornecer uma base para medir o desempenho, traduzindo-se em metodologia ou cultura, e não exatamente em uma ferramenta. Portanto, o Benchmarking, a partir da observação de problemas, soluções e adaptações necessárias, serve como fonte de inspiração para a aplicação em situações e desafios próprios. Não se trata, portanto, de cópia ou plágio de produtos, ideias e processos alheios, o que é moralmente questionável e contraria princípios e valores éticos. O Benchmarking é um recurso valioso para o desenvolvimento e a melhoria de produtos e processos no âmbito empresarial e a nível profissional. A título de exemplo e para fins de entendimento, podemos dizer que aquele profissional que respeitamos e admiramos é um Benchmarking, ou seja, uma fonte de inspiração para nós e nossas práticas. Em conclusão, o processo do PMBOK (PMI, 2017) de planejar o gerenciamento da qualidade é fundamental para assegurar que o projeto atenda aos padrões de qualidade estabelecidos. Este processo envolve etapas essenciais, como a definição de objetivos de qualidade, a identificação de padrões e a elaboração de um plano de qualidade. As principais ferramentas para este planejamento incluem a Análise de Custo- benefício, Benchmarking, Diagrama de Causa-Efeito, Folhas de Verificação, Diagrama de Pareto, Histograma e Gráfico de Controle. Cada uma dessas ferramentas oferece uma abordagem específica para identificar, analisar e controlar os fatores que afetam a qualidade do projeto. Referências LÉLIS, E. C. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. MELLO, C. H. P. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2011. PMI. Project Management Institute. Guia PMBOK: Um guia de conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. Pensilvânia: PMI, 2017. 27 Gerenciar a Qualidade Autoria: Manoel Walter da Silva Laranja Junior Leitura crítica: Nirse Ruscheinsky Breternitz Objetivos • Compreender a definição do processo Gerenciar a Qualidade. • Entender as etapas do processo Gerenciar a Qualidade e as auditorias da qualidade. 28 1. Definição do processo – Gerenciar a Qualidade De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 271), o gerenciamento da qualidade do projeto consiste em aplicar conceitos, práticas e ferramentas da qualidade aos fundamentos de gestão de projetos para planejar, monitorar e controlar as métricas e os requisitos de qualidade que obrigatoriamente precisam considerar do escopo, sobretudo aqueles apontados pelas partes interessadas. Para a organização executora do projeto, um benefício adicional é a consequente e natural melhoria contínua de sua expertise. Em termos práticos, o gerenciamento da qualidade do projeto tem uma interação bastante intensa com outras políticas e práticas de gerenciamento do dia a dia, conforme apresentado na Figura 1. Figura 1 – Principais inter-relações do processo de gerenciamento da qualidade do projeto Fonte: adaptada de PMBOK (PMI, 2017, p. 273). O gerenciamento da qualidade do projeto consiste na aplicação de conceitos, práticas e ferramentas da qualidade aos fundamentos de gestão 29 de projetos para o planejamento, monitoramento e controle dos requisitos de qualidade, em especial no que se refere ao atendimento dos requisitos das partes interessadas. O gerenciamento leva em conta também os fatores ambientais e ativos de processos organizacionais, ou seja, práticas e expertise da empresa executora no âmbito da qualidade. Isso garante o efetivo, sistêmico e global monitoramento dos indicadores da qualidade a partir de relatórios emitidos com base em dados de desempenho por meio de documentações de teste e de avaliação de todas as atividades e rotinas do projeto em cada uma de suas fases. De um modo geral, em qualquer contexto, a qualidade e sua aplicação estão presentes em todos os processos, pois é um fator ativo desde o planejamento, passando pelo controle até a melhoria das atividades com foco nos resultados, sempre necessariamente alinhados aos objetivos estratégicos e às expectativas das partes interessadas. Portanto, no gerenciamento de projetos, esses conceitos não podem ser desconsiderados ou negligenciados e devem, ainda, contemplar outras informações, diretrizes e peculiaridades do projeto. 2. Etapas do Processo Gerenciar a Qualidade Gerenciar a qualidade no contexto de projetos pode ser entendido como o conjunto estruturado de planejamento e práticas que visa promover e garantir a qualidade do projeto e de suas entregas com relação ao escopo esperado pelas partes interessadas. É extremamente relevante e vital do ponto de vista operacional, uma vez que considera e valoriza as interfaces entre todas as áreas e atividades, sendo, na prática, um valioso recurso para a gestão dos assuntos da qualidade do projeto. Na sequência, apresentaremos detalhadamente cada um dos três processos do gerenciamento da qualidade do projeto – planejar o 30 gerenciamento da qualidade, gerenciar a qualidade e controlar a qualidade –, segundo a organização proposta pelo PMBOK (PMI, 2017), um guia de conhecimento em gerenciamento de projetos que contempla o conjunto das melhores práticas em gestão de projetos. Construído a partir de muito estudo e observação prática no Brasil e no mundo, todas e cada uma das recomendações do PMBOK devem ser adequadamente interpretadas e ajustadas para a efetiva, eficaz e eficiente aplicação em projetos específicos, considerando-se conhecimentos prévios, recomendações e definições conceituais e teóricas, sempre alinhados aos objetivos do projeto, interesses, desejos, necessidades e anseios das partes interessadas. Os processos propostos pelo PMBOK (Figura 2) interagem e se complementam, visando contemplar de modo sistêmico as melhores práticas recomendadas para aumentar as chances de sucesso, ou, por outro lado, minimizar as chances de insucesso, no gerenciamento e para atingir os resultados da qualidade. Figura 2 – Visão geral do gerenciamento da qualidade do projeto Fonte: adaptada de PMBOK (PMI, 2017, p. 272). 31 3. Planejar o Gerenciamento da Qualidade De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 271), planejar o gerenciamento da qualidade foca na identificação de requisitos e padrões da qualidade do projeto e em seus respectivos resultados esperados e entregas finais. Além disso, considera as documentações e os registros necessários para evidenciar o atendimento aos requisitos da qualidade a partir da definição do escopo do projeto em relação à qualidade e a seus respectivos métodos e modos de comprovação para posterior verificação e validação por parte dos stakeholders. 4. Gerenciar a Qualidade Gerenciar a qualidade consiste em traduzir e transportar as definições e diretrizes do plano de gerenciamento da qualidade para o conjunto de práticas, rotinas e atividades realizáveis do projeto, considerando e incorporando ao projeto as políticas de qualidadeda organização (PMI, 2017). A prática e os objetivos desse processo ficam evidentes na Figura 2. Note que são considerados entradas as diretrizes e o escopo do projeto voltados à qualidade (o plano de gerenciamento do projeto, os documentos do projeto e os ativos de processos organizacionais). As ferramentas e técnicas recomendadas pelo PMBOK (coleta de dados, análise de dados, tomada de decisões, representação de dados, auditorias, design for X, solução de problemas e métodos para melhoria da qualidade) dão ênfase ao acompanhamento das atividades diárias, à identificação e à correção de eventuais problemas e melhoria contínua. Já as saídas do processo (relatórios de qualidade, documentos de teste e avaliação, solicitações de mudança, atualizações do plano de gerenciamento do projeto e atualizações de documentos do projeto) dão ênfase e contemplam os registros e a 32 documentação previamente definidos para comprovar a qualidade e evidenciar o atendimento aos requisitos da qualidade. 4.1 Controlar a Qualidade Controlar a qualidade foca no efetivo registro dos resultados obtidos a partir da execução das atividades de gerenciamento da qualidade. As saídas para esse processo recomendadas pelo PMBOK (PMI, 2017) são: 1. Medições de controle da qualidade. 2. Entregas verificadas. 3. Informações sobre o desempenho do trabalho. 4. Solicitações de mudança. 5. Atualizações do plano de gerenciamento do projeto. 6. Atualizações de documentos do projeto. Evidenciam a última etapa, na qual é preciso registrar documentalmente o processo e todas as ações tomadas para o atendimento dos padrões e requisitos estabelecidos inicialmente no plano de gerenciamento da qualidade do projeto. É obrigatório manter atualizados e adequadamente comunicados para as partes interessadas todos os documentos e registros dos processos de gerenciamento da qualidade do projeto. 4.2 Auditorias da Qualidade De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 294), por definição, uma auditoria consiste em um processo estruturado e independente, que busca determinar se as atividades ao longo do projeto cumprem e atendem às políticas, aos processos e aos procedimentos preconizados pela organização e pelo projeto em si. O processo de auditoria é, em geral, conduzido por 33 uma equipe externa que, com isenção e conhecimento do contexto e dos objetivos do projeto, verificará o nível de atendimento aos requisitos gerais e específicos da qualidade. Entre os objetivos da auditoria da qualidade apontados pelo PMBOK (PMI, 2017, p. 294), destacam-se: • Identificar todas as boas e melhores práticas sendo implementadas. • Identificar todas as não conformidades, lacunas e deficiências. • Compartilhar as boas práticas introduzidas ou implementadas em projetos similares na organização e/ou no setor. • Oferecer apoio proativo de forma positiva para melhorar a implementação de processos, a fim de ajudar a aumentar a produtividade da equipe. • Destacar as contribuições de cada auditoria no repositório de lições aprendidas da organização. As auditorias da qualidade podem ser realizadas a qualquer tempo de forma programada ou aleatória e, além dos objetivos listados, podem ainda evidenciar a implementação de solicitações de mudança aprovadas, inclusão de atualizações, adoção de ações corretivas, reparos de defeitos e ações preventivas com foco na qualidade do projeto. Uma auditoria de qualidade, ou Quality Audit, é um processo estruturado e independente para determinar se as atividades do projeto estão cumprindo as políticas, os processos e os procedimentos da organização e do projeto (PMI, 2017, p. 300). As auditorias da qualidade são um tipo específico de aplicação de auditoria, com a proposta de verificar, identificar e evidenciar o pleno atendimento aos requisitos e padrões previamente estabelecidos. Contudo, na prática, não é incomum que a auditoria encontre não conformidades ou oportunidades de 34 melhoria. As não conformidades são aspectos naturais dos processos de auditoria e devem ser entendidas como pontos e situações que demandam ajustes necessários e relevantes para o projeto e seus resultados. As oportunidades de melhoria, por sua vez, indicam de fato um modo melhor ou mais adequado de atuar ou proceder, com potencial de aprimorar o que já é aceitável. Referências LÉLIS, E. C. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. MELLO, C. H. P. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2011. PMI. Project Management Institute. Guia PMBOK: Um guia de conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. Pensilvânia: PMI, 2017. 35 Controlar a Qualidade Autoria: Manoel Walter da Silva Laranja Junior Leitura crítica: Nirse Ruscheinsky Breternitz Objetivos • Compreender a definição do processo – Controlar a Qualidade. • Conhecer as principais ferramentas para Controlar a Qualidade. 36 1. Definição do processo – Controlar a Qualidade De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 298), o termo “controlar a qualidade” refere-se ao processo de monitorar e registrar os resultados ou produtos das atividades apontadas pelas partes interessadas no gerenciamento da qualidade do projeto do início ao fim, a fim de verificar o nível de atendimento dos requisitos estabelecidos para a entrega ou para o projeto em si e garantir o aceite final do cliente. A cada indicador necessário para controlar a qualidade, devem-se definir clara e previamente os dados a serem monitorados, além de procedimentos metodológicos para tratamento de dados e seus critérios, métricas e parâmetros de interpretação. São exemplos dessas definições: • Instrumentos de medição: capacidades, precisões, aferições e calibrações. • Dados: forma de apresentação e unidades de medida. • Procedimentos e métodos: como aquisitar os dados, frequência de aquisição, forma de medição e forma de registro. • Tratamento dos dados: se de interpretação direta, devem ser estatisticamente tratados, aplicando fórmulas matemáticas ou algoritmos para sua adequada interpretação. • Critérios e parâmetros de interpretação: definir se os dados são quantitativos, qualitativos ou “quali-quanti”, bem como se são discretos ou contínuos; classificar os dados e os resultados em uma escala que varie adequadamente entre os conceitos de péssimo e ótimo, por exemplo. Como outras práticas relacionadas à qualidade, controlar a qualidade também segue uma ordenação lógica que contempla entradas, ferramentas e técnicas, além de saídas, conforme mostra a Figura 1. 37 Figura 1 – Controlar a qualidade: entradas, ferramentas, técnicas e saídas Fonte: adaptada de PMBOK (PMI, 2017, p. 298). Como em toda e qualquer etapa de um projeto, definições, ajustes e alterações necessárias para adequadamente controlar a qualidade devem obrigatoriamente ser documentalmente registradas, atualizadas e comunicadas às partes interessadas do início ao término do projeto, não se limitando somente aos indicadores e monitoramentos. As partes interessadas devem validar as métricas e os métodos de aquisição de dados envolvidos no monitoramento, para uma interpretação adequada dos resultados e a fim de que não restem dúvidas sobre os resultados obtidos. Portanto, o processo controlar a qualidade precisa ser orientado, construído e seguido a partir de um fluxo adequado de dados, que leva em conta sua estrutura com vistas ao atendimento de exigências gerais do projeto, conforme apresentado na Figura 2. 38 Figura 2 – Diagrama do fluxo de dados do processo controlar a qualidade Fonte: adaptada de PMBOK (PMI, 2017, p. 299). Observe que o fluxo de dados enfatiza a contínua necessidade de envolvimento e validação das partes interessadas, além da documentação e da comunicação necessárias para controlar a qualidade. 39 2. Utilização de ferramentas para controlar a qualidade De acordo com o PMBOK (PMI, 2017, p. 298), o processo Controlar a Qualidade de um projeto e suas respectivas entregas deve respeitar a mesmaestrutura conceitual definida para todos os processos relacionados à qualidade, ou seja, deve estruturar-se em entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 3. Coleta de Dados O PMBOK (PMI, 2017, p. 302) cita algumas formas de coleta de dados a serem adotadas para a alimentação dos indicadores e consequente monitoramento e controle da qualidade, o que pode variar de acordo com a situação: • Lista de verificação: trata-se de um checklist previamente definido que contempla itens ou ações a serem verificados, com registro dos resultados aferidos. • Folha de verificação: são formulários ou documentos para registrar, organizar e consolidar resultados parciais e acumulados, decorrentes da coleta de dados. • Amostragem estatística: trata-se da verificação de certa amostra de elementos dentro de uma população de interesse, sendo necessário respeitar todos os fundamentos e técnicas estatísticos aplicáveis, como cálculo de média, variância, desvio padrão, erro relativo etc. • Questionários e pesquisas: em geral, são desenvolvidos e aplicados em uma população de interesse, com a finalidade de mensurar o nível de satisfação, impressões e considerações diante da entrega 40 realizada. Para o controle da qualidade de projetos, são, via de regra, dedicados às partes interessadas. 4. Análise de Dados Quanto ao tratamento e à análise de dados, o PMBOK (PMI, 2017, p. 303) menciona como exemplos, não métodos únicos ou exclusivos: • Análises de desempenho: busca mensurar, comparar e analisar as métricas da qualidade definidas pelo processo de planejar o gerenciamento da qualidade em relação aos resultados efetivamente obtidos e evidenciados na entrega. • Análise de causa raiz (RCA): trata-se de uma clássica ferramenta da qualidade que busca investigar a origem ou fator(es) desencadeador(es) de um problema de qualidade ou efeito indesejado resultante de um processo, atividade ou rotina realizado. 4.1 Inspeção É uma denominação genérica que pode ser substituída por revisão, revisão por pares, auditoria e homologação (PMI, 2017, p. 303). Trata- se do exame das entregas para verificar a conformidade em relação aos padrões documentados e esperados. Em geral, os resultados das inspeções envolvem medições e monitoramentos e podem servir de base para verificar a eficácia e a eficiência de ações de correção e melhoria. 4.2 Testes/Avaliação de Produtos Os testes consistem em colocar à prova a entrega ou o projeto em si. Limitando ou extrapolando as condições normais estimadas de trabalho, a ideia é submeter o sistema a condições reais de utilização por meio de 41 simulações que permitam prever o funcionamento, a resposta, o resultado, bem como, acima de tudo, provocar eventuais falhas. Com isso, é possível antecipar ações corretivas e evitar falhas que possam ocorrer após a entrega e aceite final, já em operação normal. 4.3 Representação de Dados A representação de dados pode variar de acordo com a situação, os objetivos e a natureza dos dados envolvidos ou considerados. Para esse fim, o PMBOK (PMI, 2017, p. 304) cita como exemplos: • Diagramas de causa e efeito: utilizados para evidenciar os potenciais e eventuais impactos de defeitos e erros da qualidade relacionando-os às suas causas. • Gráficos de controle: usados para verificar e evidenciar se um processo é estável ou não e se se comporta de maneira previsível. Trata-se de um recurso fundamentado em análise e tratamento estatístico de dados que envolve limites de controle, limites reais identificados a partir dos dados coletados e comparação entre eles, com a finalidade de identificar o comportamento dinâmico de um processo repetitivo. • Histogramas: utilizados para apresentar graficamente a quantidade de defeitos ou falhas ordenados por origem ou por componente. • Diagramas de dispersão: têm por finalidade evidenciar em um plano cartesiano orientado (gráfico) o desempenho planejado no eixo horizontal e o desempenho real no eixo vertical, por exemplo. 4.4 Reuniões Os seguintes formatos de reunião (PMI, 2017, p. 305) são possibilidades a serem adotadas como padrão para o controle da qualidade: 42 • Análise das solicitações de mudança aprovadas: as solicitações de mudança devem ser bem fundamentadas e justificadas, suas implementações monitoradas e seus efetivos resultados analisados para confirmar se foram implementadas como aprovadas. Além disso, é necessário verificar se as mudanças parciais ou em andamento estão concluídas, quando serão e se cada uma de suas etapas foi adequadamente implementada, testada, concluída e certificada. • Retrospectivas/lições aprendidas: conduzidas pela equipe do projeto, têm finalidades como: registrar e analisar elementos bem- sucedidos no projeto/fase; discutir o que ou quais práticas podem ser melhoradas; decidir o que incorporar, adequar ou eliminar no projeto em andamento e em projetos futuros; e adicionar potencialmente itens, conceitos e práticas aos ativos de processos organizacionais como contribuição para situações futuras. Em livre tradução do inglês, checklist significa lista de verificação, o que inclui itens, tópicos ou pontos de conferência obrigatória para um determinado fim. Por exemplo: a alimentação de indicadores para o monitoramento e consequente controle da qualidade das entregas de um projeto. As ferramentas para controlar a qualidade aqui apresentadas são exemplos de boas práticas aplicadas, em geral, com bons resultados. Contudo, a cada projeto, entrega e processo, devem-se considerar as peculiaridades envolvidas e ajustar o que for necessário para potencializar os resultados. Referências LÉLIS, E. C. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. MELLO, C. H. P. Gestão da qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2011. PMI. Project Management Institute. Guia PMBOK: Um guia de conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. Pensilvânia: PMI, 2017. 43