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Redescobrindo Universo Religioso Adecir Pozzer Professor Atualizada Ensino Fundamental Volume 8 EDITORA VOZES Petrópolis©2011, Editora Vozes Ltda. Rua Frei Luís, 100 25689-900 Petrópolis, RJ Internet: http://www.vozes.com.br Todos direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá serreproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Diretor Editorial Frei Antônio Moser Editores Aline dos Santos Carneiro José Maria da Silva AUTORIZADA CRIME Lídio Peretti ABDR Marilac Loraine Oleniki ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DIREITOS REPROGRÁFICOS DIREITO AUTORAL Secretário Executivo João Batista Kreuch Assessoria Pedagógica: Claudino Gilz Organização Textual: Viviane Mayer Daldegan Revisor: Neida Maria da Conceição Padilha José Fernandes Souza Neto Projeto gráfico e diagramação: Ícone Editoração Ltda. Capa: Ícone Editoração Ltda. Normatização bibliográfica: Edith Dias POZZER, Adecir Redescobrindo o universo religioso: ensino fundamental; livro do professor, volume 8/ Adecir Pozzer. 3. ed. atual. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. 64 p. ISBN 978-85-326-4267-7 (volume 8) Inclui bibliografia. 1. Ensino religioso (Ensino fundamental). I. Título. CDD 372.84 Editado conforme novo acordo ortográfico.SUMÁRIO POR QUE ESTUDAR ENSINO RELIGIOSO NO 8.° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 - RELIGIOSIDADE E DIVERSIDADE DE EXPRESSÕES 1. Cultura e religiosidade, 12 2. A formação da identidade do ser humano, 16 UNIDADE 2 - COEXISTÊNCIA E SINAIS DE INTERCULTURALIDADE 1. Desafios da coexistência, 24 2. Interculturalidade: possibilidades e desafios, 27 UNIDADE 3 - JOVEM E A RELIGIOSIDADE 1.0 jovem e as expressões religiosas, 36 2.0 jovem nas Tradições Religiosas, 40 UNIDADE 4 - JOVEM: DIFERENÇAS E DISCERNIMENTO 1. Transformações, conflitos e questionamentos, 48 2. Discernimento e Tradições Religiosas, 52POR QUE ESTUDAR ENSINO RELIGIOSO NO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL? Claudino Não é de hoje que o Ensino Religioso apresenta-se como uma pergunta para os alunos e os pais de alunos, para os profissionais da educação e, principalmente, para a sociedade. Uma pergunta? Sim! Por que estudar Ensino Religioso?... E bastaria apenas responder que o Ensino Religioso é importante? Ou por que a disciplina ajuda a compreender o ser humano de uma maneira mais ampla? Por que Ensino Religioso leva a conhecer, a refletir sobre a dimensão sagrada e transcendente da vida? Ou ainda, estuda-se Ensino Religioso para reavivar princípios e valores que com o tempo foram sendo esquecidos? Responder à pergunta por que estudar Ensino Religioso? é uma oportunidade de ater-se à essência do ser humano, ao sentido de sua história em relação à dimensão do ser religioso, presente em seu contexto educacional familiar, escolar e na sociedade (BOFF, 2009; TAGORE, 1991). Na vida escolar realizamos a experiência de socialização dos saberes e, dentre eles, por meio do Ensino Religioso, nos é possível tanto socializar a diversidade de manifestações, fatos e acontecimentos que configuram o fenômeno religioso como compreender melhor a influência desse mesmo fenômeno no modo de ser e agir das pessoas na sociedade (CORRÊA, 2008; GRUEN, 1994; COOGAN, 2007). Estudar Ensino Religioso é, então, levar a bom termo a noção de que escola compete integrar, dentro de uma visão de totalidade, os vários níveis de conhecimento: o sensorial, o intuitivo, o afetivo, o racional e o religioso" (FÓRUM, 1998, p. 29). É atender às prescrições da atual lei maior da educação nacional, na qual o estudo do Ensino Religioso em âmbito escolar é compreendido como "parte integrante da formação básica do cidadão [...], assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo" (BRASIL, Lei 9.475 de 22 de julho de 1997). É, enfim, preocupar-se em realizar com propriedade a transposição didática dos saberes inerentes ao fenômeno religioso, sem ignorar a história, a legislação vigente, o contexto cultural (JUNQUEIRA, 2008; ALVES, 2009). Ensino Religioso é, atualmente, uma das disciplinas escolares, não mais de cunho confessional, catequético, doutrinário ou proselitista, mas voltado ao estudo das manifestações fenômeno religioso a partir de suas raízes orientais, ocidentais e africanas" (FÓRUM, 1998, p. 5). 0 Ensino Religioso encontra-se situado, assim como qualquer outra área de conhecimento, em meio a uma organização escolar que historicamente foi se aprimorando com a finalidade de viabilizar a aprendizagem acadêmica e cadenciada de temas os mais diversos (CAMBI, 1999; GAUTHIER & TARDIF, (2010; BRASIL, Resolução 02 de 7 de abril de 1998 do CNE). Ensino Religioso dispõe, nesse sentido, de critérios para a proposição da aprendizagem de temas de estudo na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Culturas e Tradições Religiosas, Tradições Orais e Textos Sagrados, Teologias, Ritos e a ética da alteridade são alguns desses critérios. A pluralidade religiosa presente em sala de aula, o contexto e os conhecimentos prévios do aluno a respeito dos temas de estudo não podem também ser desconsiderados sob pena de um desenvolvimento metodológico, no mínimo questionável (LUCKESI, 1994). Estudo do Ensino Religioso na Educação Infantil e no Ensino Fundamental Na Educação Infantil, o Ensino Religioso leva em conta, além dos critérios já mencionados, os seguintes aspectos: a manifestação da consciência de si por meio da interação com o meio e as pessoas a sua volta (RCNPEI, 1998); nascimento da consciência moral por meio da internalização de valores e da identificação da ideia sobre Transcendente (PIAGET, 1971; LA TAILLE, 1992); a necessária introdução lúdica, ritualizada e didática do aluno nas atividades escolares de teor 1. Pedagogo e Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Membro do Grupo de Pesquisa Educação e Religião (GPER www.gper.com.br). Pesquisador do CEP (Centro de Estudos e Pesquisas Bom Jesus) e Professor do Curso de Pedagogia da FAE Centro Universitário. Professor do Centro de Estudos e Pesquisas Bom Jesus e do Curso de Pedagogia da Unifae Centro Universitário, Curitiba PR.cognitivo, de tal modo a atender à intencionalidade educativa prevista para essa etapa que é o desenvolvimento integral da criança (LEI n.º 9394/96 título V, capítulo II, seção II, art. 29); a concepção de que as crianças são sujeitos sociais, históricos, dotadas de potencial imaginativo e criador. "As crianças brincam, isso é o que as caracteriza. [...] na brincadeira, elas estabelecem novas relações e combinações. As crianças viram as coisas pelo avesso e, assim, revelam a possibilidade de criar. [...] Aprendemos, assim, com as crianças, que é possível mudar o rumo estabelecido das coisas" (KRAMER, 2007, p. 15). Os processos de aprendizagem na Educação Infantil objetivam, por sua vez, promover a percepção do significado religioso da vida, dos símbolos e das atitudes que contribuem para o desenvolvimento de uma convivência fraterna com o diferente de si. A avaliação há de se dar de forma processual, contextualizada e a partir do desenvolvimento de cada um dos momentos de aprendizagem (FÓRUM, 1998; LUCKESI, 2003). No Ensino Fundamental, o Ensino Religioso leva em conta que o aluno passa a construir noções abstratas sobre que é natural, manipulável e prático; a vivenciar a passagem da heteronomia para a autonomia que se dá por meio do desenvolvimento do juízo moral (PIAGET, 1971; LA TAILLE, 1992); a ter "acesso ao conhecimento e aos elementos da cultura imprescindíveis para o seu desenvolvimento pessoal e para a vida em sociedade, [...] independentemente da grande diversidade da população escolar e das demandas sociais" (BRASIL. Resolução 07 de 14 de dezembro de 2010); a desenvolver reflexões sobre a disposição do tempo e do espaço; a constatar o desdobramento dos fatos; a elaborar conhecimentos sobre a dimensão religiosa da vida, seja a partir da relação que estabelece com o Transcendente ou a partir dos conhecimentos que vai adquirindo sobre as representações do Transcendente nas mais diversas Tradições Religiosas (FÓRUM, 1998; BOFF, 2009); a oportunizar, enfim, o estudo do fenômeno religioso de maneira contextualizada, pedagógica e processual, sem ferir a faixa etária em que os alunos se encontram, muito menos ignorar os princípios da diversidade, da liberdade, da autonomia, da dignidade e do exercício da cidadania. Ano do Ensino Fundamental e Ensino Religioso A humanidade já se ateve, no decorrer da sua história, a inúmeros e extraordinários empreendimentos. discernimento do sentido da vida sob a perspectiva religiosa foi um desses empreendimentos. A educação é uma atividade gradativa, processual e sistematizadora dos conhecimentos auferidos a respeito dos diferentes temas. A disciplina de Ensino Religioso identifica o 8.º ano do Ensino Fundamental como uma etapa oportuna para o desenvolvimento de aprendizagens sobre: a cultura e a religiosidade na formação da identidade do ser humano; os desafios da coexistência e os caminhos à interculturalidade; a juventude (seus questionamentos, conflitos, discernimentos e transformações) e as Tradições Religiosas. De acordo com o ideário escolar e curricular referente ao 8.º ano do Ensino Fundamental, espera-se que as atividades letivas possam ser "um espaço e um tempo de aprendizados de socialização, [...] de investimento na autonomia, de desafios, de prazer e de alegria, enfim, do desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões." (Brasil, 2004. 11). A Coleção Redescobrindo Universo Religioso, sua proposta didática e metodológica O Ensino Religioso identifica no livro didático um dos recursos pedagógicos e metodológicos para o desenvolvimento da aprendizagem dos temas de estudo inerentes a cada etapa da educação básica, "seja em termos de oportunizar caminhos de acesso ao conhecimento sistematizado, seja como auxiliar do trabalho docente em sala de aula" (GILZ, 2009, p. 17). Desde a sua primeira edição, a Coleção o Universo Religioso tem sido, além de um dos livros didáticos da referida disciplina, um dos elementos constitutivos da formação docente aos profissionais que estavam a utilizá-la em sala de aula. A presente edição da Coleção Redescobrindo o Universo Religioso insere-se no âmbito dos livros didáticos. Visa oportunizar interações entre dois estudiosos do fenômeno das mais diversas manifestações religiosas: o professor e o aluno. Enquanto livro didático, a Coleção Redescobrindo o Universo Religioso não tem a incumbência e nem a pretensão de ser a última palavra sobre cada um dos temas nela contemplados (SILVA, 1996).A referida Coleção apresenta-se como um dos recursos disponíveis ao desenvolvimento das atividades acadêmico- pedagógicas, cuja intencionalidade, linguagem e estruturação metodológica buscam ser um ponto de partida para a pesquisa, o estudo e a aprendizagem sobre a diversidade de manifestações religiosas. Pressupõe, para tanto, a concepção de um aluno participativo, movido pela curiosidade, criativo e ávido por novas descobertas (LUCKESI, 1994). A atual proposta didática e metodológica da Coleção Redescobrindo o Universo Religioso resulta de um longo processo de estudo e análise. Ela se constitui, em cada volume, de quatro Unidades cada uma contendo dois Temas. Na Coleção, a seção "Interagindo" visa oportunizar ao professor e aos estudantes momentos para desenvolver atividades de interação, debate e de ampliação da aprendizagem dos aspectos referentes aos temas estudados. A referida seção em alguns volumes encontra-se visivelmente distinta do texto inicial de cada tema, em outros já se encontra presente desde os primeiros parágrafos. Por fim, a seção "Teia de Ideias" difere de uma mera atividade ao final de cada tema. Por entender que as Tradições Religiosas vivem constantemente da memória da manifestação do Transcendente na história de seus seguidores, a seção Teia de Ideias é uma estratégia metodológica da Coleção com o objetivo de oportunizar ao professor e aos estudantes um momento de fazer memória, retomar e sintetizar os principais aspectos abordados durante o capítulo sobre o tema. No livro do estudante "Anotações e Atividades" são espaços disponíveis para o desenvolvimento de atividades ou registros dos conhecimentos adquiridos a partir do estudo dos temas. Especificamente no livro do professor, para além das sugestões de atividades a serem propostas aos estudantes, foram disponibilizados espaços ao docente para anotações, lembretes, percepções e registro de pesquisas desenvolvidas por aprendizagens alcançadas no desenvolvimento do estudo dos temas.RELIGIOSIDADE E DIVERSIDADE DE EXPRESSÕES 1 Cultura e religiosidade 2 A formação da identidade do ser humano Todo ser humano nasce em uma cultura em que ele, geral- mente vai, aprendendo sobre que é favorável ou não à vida, inclusive em relação ao que convém em termos de religiosi- dade. A religiosidade é uma dimensão inerente ao ser humano, a qual contribui para a busca de respostas às grandes inter- rogações da existência. Cultivá-la, portanto, envolve os cos- tumes, os preceitos e as crenças do grupo familiar e das pes- soas de convívio. As expressões da religiosidade assumem as características culturais de como acreditar, em que acreditar e por que acreditar, revelando-se por meio dos símbolos, objetos e gestos.+ Anotações e atividades Este espaço está disponível no livro do estudante nas páginas: 24, 34, 42, 60, 72 e 80. * +ALGUMAS SUGESTÕES PARA INTRODUZIR TEMA "RELIGIOSIDADE E DIVERSIDADE DE EXPRESSÕES": Conversar com os estudantes sobre as expres- sões contidas nas imagens: RELIGIOSIDADE E que representam? DIVERSIDADE DE EXPRESSÕES Qual a relação têm com a religiosidade? que diria destas imagens em relação com os títulos da Unidade? Há relação entre o texto de abertura e as imagens? 1 Cultura e religiosidade Propõe-se identificar e explorar junto aos estu- dantes a dimensão religiosa integrada à dinâ- mica cultural como elementos que constituem 2 A formação da identidade do ser humano a identidade do ser humano e caracterizam o referencial de uma determinada cultura. Assistir ao documentário "Diversidade Religio- sa e Direitos Humanos" (12 min.) promovido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Todo ser humano nasce em uma cultura em que ele, geral- mente vai, aprendendo sobre que é favorável ou não à vida, documentário encontra-se disponível em inclusive em relação ao que convém em termos de religiosi- dade. A religiosidade é uma dimensão inerente ao ser humano, a qual contribui para a busca de respostas às grandes inter- V48hHU>. Sugere-se fazer menção à diversida- rogações da existência. Cultivá-la, portanto, envolve cos- de cultural e religiosa, um dos fundamentos da tumes, os preceitos e as crenças do grupo familiar e das pes- soas de convívio. igualdade em direitos e deveres de cada Tradi- As expressões da religiosidade assumem as característi- cas culturais de como acreditar, em que acreditar e por que ção Religiosa em respeitar as diferenças e em acreditar, revelando-se por meio dos ritos, símbolos, objetos e gestos. promover a paz. Ler e discutir os principais fundamentos e as- pectos abordados pela cartilha "Diversidade Re- ligiosa e Direitos Humanos", elaborada por José Rezende Jr. A cartilha foi impressa e distribuída em novembro de 2004, mas se encontra tam- bém disponível em nos.gov.br/.arquivos/cartilhadiversidadereligio- saportugues.pdf>. Consta na terceira página do impresso que a reprodução da referida cartilha é permitida total ou parcial, desde que seja de- vidamente citada. Nesse sentido, sugere-se: fotocopiar o documento e separá-lo em qua- tro partes. organizar a turma em oito grupos, sendo que cada grupo estudará uma parte do documen- to; então, cada parte terá o estudo de dois grupos. solicitar que cada grupo prepare uma sociali- zação de forma criativa aos colegas. Pode ser uma cena teatral, um jogral ou uma paródia. incentivar que o conhecimento sobre tema desta unidade contribuirá para uma leitura compreensiva das identidades que constituem a nossa sociedade e que estão presentes na cultura. AnotaçõesSugere-se montar painel em papel kraft a 1 fim de que mesmo possa ser fixado nos cor- Unidade 1 redores da escola ou na sala de aula. Cultura e religiosidade Seria interessante explorar conhecimento da Diariamente, nos deparamos tanto com diferentes comportamentos, reações, gostos, valores, diversidade cultural no Brasil. Para isso propõe- bem como com diferentes formas de expressar pensamentos, ideias e crenças. Essas diferenças são questões culturais. -se: No senso comum, há pessoas que se utilizam das expressões "ter cultura" e "não ter cultura" como sinônimos de culto e não culto, gerando inúmeros preconceitos e discriminações, porque Formar cinco grupos. desconhecem que a compreensão do que é cultura pode estar muito além do que imaginamos. Vamos entender isso melhor? Distribuir aleatoriamente, ou por sorteio, as Procure em revistas e jornais cenas, imagens, gestos, acontecimentos cinco regiões do país: Nordeste, Norte, Sul, que são expressões culturais na sua cidade ou região e monte um painel. Depois discuta com seu professor e colegas a influência dos Centro-Oeste, Sudeste. aspectos encontrados na vida das pessoas. Solicitar que cada grupo pesquise diferentes É preciso considerar as diferentes compreensões Arboricola Referente que vive em relacionadas à cultura. Há estudos que indicam que seu Bipedismo Capacidade de se locomover traços culturais, presentes na região pela surgimento está vinculado ao desenvolvimento do cérebro permanentemente sobre membros humano, consequência da vida dos antepassados, neste caso as pernas, de forma qual grupo se responsabilizou: manter uma posição que auxiliou no desenvolvimento da capacidade de utilizar as mãos para manipular objetos e bipedismo. traços geográficos, físicos e climáticos; Bipedismo Capacidade de se locomover permanentemente sobre membros neste caso as pernas, de forma manter uma posição comidas típicas da região; Outros estudos indicam que desenvolvimento da cultura se deu quando homem convencionou festas populares e religiosas; a primeira regra ou norma. Ainda, há estudos relativos à passagem do estado animal para humano quando cérebro do homem foi capaz de gerar símbolos, representações, caracterizando assim expressões artísticas (música, pintura, dan- surgimento da cultura. Para Cuche (2002), a cultura vem a ser princípio, a origem de todo Sistema cultural Refere ao conjunto de elementos que fazem ças...); e qualquer sistema cultural e se caracteriza parte estrutura representação de uma determinada como um processo permanente em construção, vestimentas comuns da região; desconstrução e reconstrução. Por outro lado, Ladrière (1978, p. 69) compreende a cultura como um "conjunto das outros aspectos característicos. representações que indivíduos têm do mundo e de si mesmos, dos valores a partir dos quais são apreciadas, [...] das mediações técnicas e sociais". Ou seja, a cultura é a diversidade de elementos Socializar aos demais colegas em power point. que ser humano desenvolve e utiliza para compreender mundo e a si mesmo, seja ao estabelecer uma (inter)relação com outro, seja com as Recomenda-se também propor aos estudan- Nesta mesma perspectiva, Salas Astrain (2010, p. 55) afirma que a cultura "se define como uma trama de sentidos e significados transmitidos por símbolos, mitos, acontecimentos, relatos, tes, após a divulgação dos dados da pesquisa, práticas e reconstruções que expressam uma compreensão e reconstrução do sentido da totalidade da existência e dos sujeitos entre si". acesso a artigos, notícias, fotos, pesquisas, Neste contexto, podemos observar que a compreensão e explicação da cultura dependem de vídeos e outros aspectos e recursos disponí- cada indivíduo ou grupo, pois existem diferentes maneiras de compreendê-la e expressá-la. veis nos sites: . ASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES relatório mundial da UNESCO sobre diversidade cultural e diálogo intercultural apresenta um panorama sobre a temática, contextualizando diferentes olhares e aponta ndo desafios a serem enfrentados no nosso tempo. Já na sua introdução afirma que "A diversidade cultural vem suscitando um interesse notável desde começo do novo século. Porém os significados que se associam a esta expressão 'cômoda' são tão variados como mutáveis. Para alguns, a diversidade cultural é intrinsecamente positiva, na medida em que se refere a um intercâmbio da riqueza inerente a cada cultura do mundo e, assim, aos vínculos que nos unem nos processos de diálogo e de troca. Para outros, as diferenças culturais fazem-nos perder de vista que temos em comum como seres humanos, constituindo assim a raiz de numerosos conflitos. Esse segundo diagnóstico parece hoje mais crível na medida em que a globalização aumentou pontos de interação e fricção entre as culturas, originando tensões, fraturas e reivindicações relativamente à identidade, particularmente a religiosa, que se convertem em fontes potenciais de conflito. Por conseguinte, desafio fundamental consistiria em propor uma perspectiva coerente da diversidade cultural e, assim, clarificar que, longe de ser ameaça, a diversidade pode ser benéfica para a ação da comunidade internacional". Para conhecer este relatório na íntegra acesseASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES Conhecendo algumas das hipóteses quanto ao desenvolvimento da cul- tura e que ela é, pesquise e responda, no espaço a seguir, à questão De acordo com os Parâmetros Curriculares proposta: Nacionais do Ensino Religioso (FONAPER, 2009, p. que é cultura? 32) "Cada cultura tem, em sua estruturação e ma- nutenção, substrato religioso que a caracteriza. Este unifica à vida coletiva diante de seus desa- A partir do momento que ser humano nasce, ele começa a ter contato com uma ou mais cul- turas e, cedo ou tarde, passa a ser considerado portador de culturas e não de uma única e determinada fios e conflitos". Neste sentido, a dimensão trans- cultura. Ainda, no desenvolvimento do ser humano e na forma de ele se relacionar com mundo e seus semelhantes, identifica-se a dimensão da religiosidade, que integra a vida das pessoas independente cendental sempre estará presente na vida das da cultura. Por isso, exerce grande influência na forma de ser, pensar e coexistir do ser humano. pessoas de uma forma ou de outra. Recusar, negar ou inviabilizar desenvolvimento dessa dimensão 10 ao ser humano e às culturas é, no mínimo, limitar SER a compreensão do universo simbólico inerente à MAS, QUE VEM vida no conjunto de suas manifestações. Anotações Sugere-se propor aos estudantes uma pesqui- sa e a montagem de uma linha do tempo em A partir das imagens, defina com suas próprias palavras o o que é relação ao ingresso no Brasil das culturas e, religiosidade. especificamente, às religiosidades que cons- tituem a diversidade cultural religiosa. Para tanto: Organizar a turma a fim de que todos es- tudantes se responsabilizem por pesquisar A religiosidade é uma dimensão inerente ao ser humano que contribui para a busca de respostas às grandes interrogações da existência. É desejo daquilo que transcende mundo daquilo período ou momento histórico em que ingres- que é considerado sagrado, espiritual, mas que incide significativamente no cotidiano das pessoas, pois se trata de uma experiência com Transcendente, que pode ser realizada por meio de atitudes, sam ou nascem no país as seguintes religiosi- orações, comportamentos... A religiosidade ainda engloba um conjunto de sentimentos que se dades: Indígena, Católica Apostólica Romana, manifestam por meio de rituais, cultos, festas, nomes de pessoas, nomes de escolas e cidades, entre outras expressões que revelam a presença do Sagrado como elemento da cultura. Luterana, Candomblé, Umbanda, Tambor de A presença da religiosidade é constatada desde início dos tempos, por meio de achados arqueológicos de povos antepassados, entre quais foram identificados objetos e Mina, Bola de Neve, Espiritismo, Santo Daime, representações religiosas. Batista, Adventista, Assembleia de Deus, Uni- No Brasil, a diversidade de religiosidade ampliou-se com a chegada dos colonizadores e seu relacionamento com os povos com a chegada dos navios negreiros trazendo escravos versal do Reino de Deus, Budismo, Judaísmo, do continente africano, com a imigração e a globalização, que proporcionaram desenvolvimento 11 de outras crenças e manifestações religiosas. É caso do Espiritismo, das religiões Afro-brasileiras, Islamismo, Evangelho Quadrangular, Testemu- protestantes, pentecostais, neopentecostais, orientais, exotéricas e muitas outras. nha de Jeová, Mórmons, Metodista, Presbite- De acordo com Siqueira (2011), surgem no Brasil atualmente muitos grupos de cunho religioso, os quais denomina de novas religiosidades, práticas alternativas e/ou grupos místicos exotéricos, que riana, Católica Apostólica Brasileira, Renascer, apresentam valores, significados e visões de mundo relacionados a aspectos de religiões indianas, egípcias, japonesas, tibetanas, amazônicas... Uma das características presentes nestas novas Crenças Ciganas... e outras mais que poderão religiosidades, segundo a mesma autora, é que não possuem doutrinas, clero e hierarquia. ser inclusas considerando O contexto da tur- Pesquise e conceitue cada um dos termos: ma, cidade ou região. Doutrinas: Colar folhas sulfite uma ao lado da outra, suficientemente para montar a linha do tem- po, a partir da contribuição dos estudantes, Clero: acrescentando as informações históricas re- ferentes a cada uma das Tradições Religiosas. Hierarquia: Oportunizar um espaço de tempo para cons- tatações obtidas pelos próprios estudantes durante a pesquisa e a montagem da linha do tempo.ASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES A religiosidade torna-se mais evidente à medida que ser humano, de acordo com a sua Mas cabe lembrar que Brasil é um Estado confessionalidade, dispõe-se a participar seja de momentos de oração, peregrinações, rituais, laico, isto é, que não tem nenhuma Religião meditações, cultos devocionais, procissões, estudos do Texto Sagrado, novenas, jogo de búzios, tarô Benzeções práticas religiosas na crença popular usadas ou outras práticas. No processo de vivência da oficial desde a implantação da República a partir para curar dores do corpo do espirito, como quebrante, religiosidade pode haver a procura por orientação mau olhado, dores de cabeça barriga, mordidas e mediação de pessoas acessíveis e sensíveis para de cobra, etc. As benzeções são feitas por benzedeiros (as) de 1890. Isso significa que Estado não deve se relacionar com Sagrado, ou recorrer ao uso de que utilizam ervas, plantas orações próprias para cada cura imagens, colares, fitas, bentinhos, rosários, medalhas Essa prática antiguissima em todas as culturas. No Brasil, benzedores apelam para santos católicos, entidades da privilegiar uma ou outra forma institucionalizada e à prática de benzeções. Umbanda personagens do folciore de religiosidade em relação às demais, mas Mas, qual a relação entre religiosidade e cultura? deve garantir respeito à diversidade religiosa, Primeiramente, é preciso lembrar que todo ser incluindo os que optam em não ter Religião. humano nasce em uma cultura, em que ele, geralmente vai, aprendendo sobre que é favorável ou não à vida, inclusive em relação ao que convém em termos de 12 religiosidade, construindo assim a sua identidade. Passa desde então a cultivar a sua religiosidade conforme Anotações costumes, preceitos e crenças do grupo familiar, das pessoas de convívio. Portanto, aquele desejo inerente ao ser humano assume as características culturais de como acreditar, em que acreditar e por que acreditar, bem como as formas de expressar e cultivar crenças por meio dos ritos, símbolos, objetos, gestos e outros. A religiosidade serve de base para grupos humanos estruturarem e/ou institucionalizarem que conhecemos por Tradição Religiosa, religião ou outras denominações. Neste sentido, a religiosidade está presente em todas as culturas, pois nelas encontram-se crenças e diferentes maneiras de expressá-las. Negá-las, é negar e violar direito à dignidade e à liberdade de crença ao outro. Anotações INTERAGINDO 1. Para compreender melhor como você é um ser cultural, observe quadro abaixo e lembre-se que, de uma forma ou de outra, todos influenciaram para que você nascesse. "Eu" Minha mãe Meu paterno paterna materno Avó materna Bisavo Bisavó Bisavo Bisavó Bisavo Bisavo Bisavó Bisavó Mesmo que este organograma não atenda às especificidades da organização genealógica da sua família, procure escrever nos espaços abaixo as etnias e expressões da religiosidade correspondentes à pessoa indicada, de acordo com a sua realidade. Caso você não lembre, 13 procure pesquisar junto aos seus familiares. Observando as expressões da religiosidade de sua família, você pode notar que fazem parte do seu modo de ser, ou seja, do seu modo de se expressar culturalmente. Da mesma forma, Seria interessante propor aos estudantes: Elaborar um poema sobre as relações que in- fluenciam modo de ser, principalmente do jovem hoje e socializar com demais. Representar em um quadro artístico a in- fluência de pessoas das diferentes culturas, crenças e graus de parentesco ou proximida- Observando as expressões da religiosidade de sua família, você pode notar que fazem parte do de na vida dos jovens. seu modo de ser, ou seja, do seu modo de se expressar culturalmente. Da mesma forma, recebemos influência de outras pessoas com as quais convivemos, como amigos, professores, colegas de aula. Fixar os registros dos trabalhos realizados na própria sala de aula para ajudar estudantes a reconhecerem-se como seres culturais.Ex: Sinal da cruz; expressões faladas como: "Deus me livre", "Meu Deus"...; símbolos reli- 2. No cotidiano, é possível encontrar expressões de religiosidade em giosos; festas religiosas... uma cultura ou Tradição Religiosa. Procure estar atento a tais gestos ao andar na rua, no ônibus, na escola ou até mesmo em sua própria casa. Em seguida, represente um deles por meio uma colagem. Lembre-se: seja criativo pois nem sempre irá encontrar a imagem Para ajudar no estudo e na identificação de al- que deseja. guns aspectos das expressões religiosas nas di- ferentes culturas, sugere-se acesso aos sites: Ana Lucia da Silva apresenta a tradição popular, a reli- giosidade e a expressão da cultura afro-bra- sileira em uma das cidades históricas parana- enses: a congada na Lapa. . Isnard de Albuquerque Câmara Net apre- senta em Diálogos sobre religiosidade popular, conceitos, definições e aspectos históricos so- bre a religiosidade popular no Brasil. bitstream/1904/18252/1/R2146-2.pdf>. Kari- na Janz Woitowicz e Sérgio Luiz Gadini apre- sentam no texto as heranças da religiosida- de popular nas manifestações da cultura A construção do Sagrado no discurso dos fiéis Muitas são as formas de expressar a religiosidade nas do monge João Maria no Paraná, no período Esotérico Refere um conjunto de tradições diferentes culturas e Tradições Religiosas. Algumas são de interpretações filosóficas das crenças que da Guerra do Contestado. cunho esotérico, outras de cunho doutrinário, em que procuram desvendar sentido da vida das indivíduo participa por identificação coletiva. Pode-se também, a partir do estudo realizado nos sites anteriormente sugeridos: organizar grupos, incumbindo cada grupo de estudantes de inventariar maiores informa- ções sobre uma das expressões de religiosi- dade presentes na cultura brasileira. 3. Pesquise e identifique nas festas populares brasileiras as expres- solicitar a cada grupo uma apresentação das de religiosidade e registre suas descobertas. informações encontradas em que, se pos- sível, grupos estejam caracterizados de acordo com a expressão de religiosidade pes- quisada. Anotações 4. Há uma profunda relação entre a cultura e a religiosidade. Repre- sente esta relação por meio de um slogan no espaço a seguir. 15Anotações Teia de ideias A partir do estudo, organize uma reportagem para explicar a importância da religiosidade como elemento da cultura. 16 Sugere-se assistir ao filme pequeno príncipe 2 cuja direção é de Stanley Donen e A. Joseph Unidade 1 Tandet, baseado no livro The Little Prince de A formação da identidade do ser humano Antoine de Sant-Exupéry. Visando favorecer a Independentemente do tempo histórico ou do espaço sociocultural em que vive, ser humano compreensão do tema, seria interessante: vem, desde as suas origens, manifestando desejo de conhecer-se melhor: saber quem é; de onde veio; O que faz aqui; para onde vai... questões existenciais que ainda hoje estão sendo respondidas Solicitar aos estudantes para que registrem, e ainda são motivo de muitas discussões. Ao fazê-las a si mesmo, ou a um de seus semelhantes, ser humano demonstra estar pesquisando sobre a própria identidade. ou fiquem atentos às inúmeras perguntas Mas, você já parou para pensar sobre alguns desses aspectos do parágrafo anterior? Possíveis que são realizadas durante filme. respostas existem, mesmo não tendo ainda refletido a respeito ou obtido plena Desafiar os estudantes a estabelecer relações Que tal responder a essas questões a seguir? entre as perguntas identificadas no filme e a Quem sou eu? própria vida deles. Ressaltar, ao final das discussões e análises, De onde vim? que as perguntas demonstram uma atitude de busca de sentido e compreensão da iden- que faço aqui? 17 tidade pessoal. Anotações Para onde após esta vida? Agora, leia o que você respondeu e procure identificar que influen- ciou suas respostas. Assinale abaixo e depois justifique. Grupo Familiar Tradição Religiosa à qual pertence ou com a qual se identifica Concepção Científica Concepção Filosófica Outra. Qual? Justificativa: Em todas as culturas encontram-se respostas a estas perguntas que foram e são elaboradas a partir de vivências do próprio ser humano em determinado contexto, para qual tais respostas se tornaram significativas e fundamentais no desenvolvimento da identidade individual e coletiva.Com objetivo de oportunizar aos estudan- tes uma percepção da amplitude da pergun- Mas, o que é a identidade? ta, sugere-se desafiá-los a compor, de forma interdisciplinar, próprio autorretrato. Nesse A identidade refere-se àquilo que se é; e à diferença, àquilo que outro é. A identidade e a diferença não podem ser compreendidas separadamente (SILVA, 2003). Em outras palavras, pode- sentido, propõe-se: se dizer que não conseguimos existir sem Outro, pois ele é uma condição para que eu seja a cada instante melhor do que já sou. Conversar com professor de artes a fim de Como você pôde perceber, a identidade é inseparável das diferenças, pois cada ser humano precisa do outro para desenvolver a atividade em parceria. ser compreendido de forma adequada, isto é, outro vem a Outro Designa rosto que mesmo ser um espelho que revela a minha identidade. Para Tadeu da está distante próximo, que que fala se Providenciar material necessário (papel, lá- Silva (2003, p.74), "a identidade é simplesmente aquilo que se revela Exige acolhida, respeito responsabilidade de tratá é: 'sou brasileiro' [...]" e "a diferença é aquilo que outro é: pis...). dignamente. 'ela é italiana' [...]", isto significa que não sou e não posso ser aquilo que outro é. A diferença entre eu outro caracteriza Orientar estudantes para que cada um crie a minha identidade e a identidade do outro. seu autorretrato. Após cada um ter finalizado seu autorretra- to, solicitar que reflitam a partir das seguin- Se não tivéssemos diferenças, seria mais dificil definir nossas tes questões: identidades. Consegui retratar tudo que sou? Por quê? Quais as dificuldades e facilidades encon- tradas? Há algo que não consegui expressar como gostaria, mas que não cabem em formas Aquilo que possibilita a aproximação e respeito entre as culturas e as religiões é a diferença e geométricas, artísticas e nas palavras? Por não a homogeneidade. Portanto, negar as diferenças é como negar a existência do Outro e, por que não dizer, próprio "eu" mesmo (WICKERT e WARTHA, 2009). quê? Você, enquanto jovem, já pensou nisso? A partir disso, é possível perceber que a iden- É no interior da cultura, entendida como "[...] conjunto de e ações, de criações e tradições, de formas e possibilidades, de realidades e perspectivas, de uma comunidade humana tidade é constituída por aspectos que vão determinada" (CALDERA, 2003, 352), que se concebe e constrói a identidade. Ela é reconhecida além do mundo físico e visível. na medida em que as diferentes expressões se integram em um universo plural e multicultural. As diferentes identidades humanas se formaram em um mundo de certo modo marcado pela diversidade de culturas, em diferentes tempos, lugares e espaços. As sociedades antigas produziram as primeiras diferenciações mais em biológico, como a diferenciação de idade, cor e gênero. Mantendo na base alguns traços em comum, algumas delas começaram a se diversificar, desenvol- Seria interessante propor aos estudantes que, a partir do parágrafo, pensem e analisem so- bre: que mais impressiona ou aproxima de seus amigos, familiares, seria: diferente?... estranho?... proibido?... diferente ou aparentemente semelhan- te? Por quê? Pode-se concluir debate com a frase: quanto mais se tenta imitar as pessoas, mais se nega Outro em sua dignidade. AnotaçõesASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES A ampliação dos contatos com a sociedade em geral, na qual sujeito se constitui, irá ampliar perfil da identidade, ou seja, com características próprias daquela sociedade e cultura. Entretanto, a Constata-se que nos meios de comuni- forma de existir de cada sujeito (identidade) está baseada nas relações que estabelece com meio, de acordo com sua maneira de interpretá-las e compreendê-las. cação social, por exemplo, há diferentes grupos Por se constituir nas relações, pode-se afirmar que cada sujeito está em constante construção de sua identidade. Algumas características podem permanecer por toda a vida, mas algumas não, pois ninguém será aos 30 anos que foi aos 10 anos. e movimentos sociais, culturais, políticos e reli- Identifica-se, no entanto, nas últimas décadas uma forte tendência de universalizar as identidades, em que se constrói Outro como diferente, sendo negado em sua dimensão transcendental e infinita, giosos que não possuem tratamento e reconheci- e reduzido uma espécie de objeto, sujeito à manipulação e à exploração. Esta situação é resultado da valorização e enaltecimento demasiado de determinadas identidades em suas características humanas, mento igual. As notícias veiculadas geralmente sociais culturais. As Tradições Religiosas são, neste sentido, desafiadas a auxiliar o ser humano para compreender a importância do respeito às diferentes identidades culturais, étnicas e religiosas em prol de um exer- estão relacionadas aos interesses mercadológicos cício de cidadania e da cultura de paz. Assim, ajudam a promover a aceitação e a compreensão do outro, seja por meio da abertura ao diálogo, como do desenvolvimento do senso crítico em relação a em que um modelo de vida e sociedade é posto qualquer forma de preconceito. como exemplo, não reconhecendo, por vezes, a INTERAGINDO 1. Identifique características comuns da cultura brasileira e elabore dignidade e relevância de outras formas de viver 20 uma história em quadrinhos que apresente a identidade coletiva, indicando elementos religiosos, artisticos, étnicos... e de ser no mundo. Sugere-se criar um painel das diferenças, re- presentando a importância do reconhecimen- to do Outro na sua singularidade e dignidade: Organizar uma cartolina, branca de prefe- rência e frascos de diferentes cores de tinta guache. Solicitar que cada estudante pinte a palma da mão com a cor que quiser e marque painel (cartolina) como sinal de compromis- pessoal com respeito às diferenças. Após todos deixarem sua marca, secar e fixar na sala de aula. Retomar durante as aulas seguintes com- promisso a fim de que se abram cada vez mais às diferentes identidades culturais, ét- Anotações nicas, religiosas, de gênero e outras... ASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES Em uma cultura marcada por inúmeras crenças religiosas, as artes são linguagens utilizadas para expressá-las. Identificam-se nas músicas, imagens, símbolos e obras presentes na sociedade em geral. Ao mesmo tempo, servem para manter vivos ideais das Tradições Religiosas presentes nas culturas. Seria interessante propor aos estudantes a realização de uma pesquisa sobre tema em letras de músicas, imagens de obras, peças te- atrais ou outras expressões artísticas. Ter como critério da referida pesquisa aspec- tos que manifestam a religiosidade de pes- soas de diferentes crenças religiosas no país. Pedir aos estudantes que socializem aos colegas os detalhes identificados durante a pesquisa. 8a intenção de possibilitar aos estudantes breve mapeamento das influências atuais 2. Crie uma página inicial de um site. Nela, inclua uma introdução sobre dentidade deles, sugere-se: a influência das Tradições Religiosas na construção da identidade pessoal. Depois, indique links das diferentes Tradições Religiosas Conversar sobre quem são as pessoas que presentes na sua região e que certamente influenciam na constitui- ção da identidade das pessoas da sua região. mais influenciam em sua identidade por meio convivência (família, amigos, escola, socie- dade, Religião...). Elaborar um pequeno texto expressando as pessoas das quais convive, influenciam + sua forma de ser, pensar, crer e agir. PRINCIPAL Reunir-se, em grupos de três, para partilhar aspectos do texto elaborado. ações 3. Procure em revistas, jornais e outras fontes algumas imagens com as quais você se identifica contemplando vida familiar, escolar, re- ligiosa.... Cole-as abaixo. 22 Agora, explique qual a relação entre as imagens com a sua identidade.Anotações Teia de ideias A partir do estudo, elabore um fôlder apresentando a importância de valorizar a identidade pessoal e coletiva, enfatizando a influência das Tradições Religiosas sobre sua construção. 23 AnotaçõesCOEXISTÊNCIA E SINAIS DE INTERCULTURALIDADE UNIDAD 1 Desafios da coexistência 2 Interculturalidade: possibilidades e desafios Ter consciência das próprias ações é uma busca incessante de cada ser hu- mano. Conquistá-la não é mérito individual, mas coletivo. É uma construção que se dá com o outro. Neste sentido, a coexistência é uma possibilidade im- portante no reconhecimento do direito do outro existir em sua dignidade. A perspectiva intercultural desafia para a interação, para o diálogo que gera envolvimento e compromisso com o mundo do outro, sem dominação. Im- plica oportunizar aos que foram silenciados e colocados às margens, acesso às oportunidades de dignidade e reconhecimento, a fim de que sejam tratados em igualdade de direitos. Esta perspectiva torna-se intercultural, a partir do momento em que as culturas têm voz e vez em todos os setores da sociedade, dentre eles, o educacional e religioso. No educacional, conduz à valorização dos diferentes saberes de cada cultura para que, ao serem socializados, despertem atitudes de respeito e compro- misso com direito do outro ser diferente. No campo religioso, contribui sig- nificativamente no processo de reconhecimento da diversidade no conjunto de suas manifestações.Anotações 22PROPÕE-SE INTRODUZIR A TEMÁTICA DA COEXISTÊNCIA E DA INTERCULTURALIDADE A PARTIR DAS SEGUINTES ATIVIDADES: Assistir ao filme: As cinco pessoas que você en- contra no céu de Lloyd Kramer, com duração COEXISTÊNCIA E SINAIS de 160 minutos. Do filme é possível discutir os seguintes aspec- DE INTERCULTURALIDAD tos: as escolhas que fazemos na vida influen- UNIDADE ciam a vida das outras pessoas, tal como também somos influenciados pelas esco- lhas feitas por elas. 1 Desafios da coexisténcia não é possível ter tudo sob controle, mas importa descobrir o sentido da vida. 2 possibilidades para entender presente é fundamental desafios recordar o passado, fazer memória do que já se viveu. Pode-se, em seguida, provocar os estudantes Ter consciência das próprias ações é uma busca incessante de cada ser hu- para que analisem os motivos das situações mano. Conquistá-la não é mérito individual, mas coletivo. É uma construção que se dá com outro. Neste sentido, a coexistência é uma possibilidade im- que já lhes fizeram sofrer ou não demonstrar portante no reconhecimento do direito do outro existir em sua dignidade. amor à vida. A perspectiva intercultural desafia para a interação, para diálogo que gera envolvimento e compromisso com mundo do outro, sem Concluir com a ideia de que a existência hu- plica oportunizar aos que foram silenciados e colocados às margens, acesso às oportunidades de dignidade e reconhecimento, a fim de que sejam tratados mana assemelha-se a uma enorme teia de em igualdade de direitos. Esta perspectiva torna-se intercultural, a partir do momento em que as culturas têm voz e vez em todos os setores da sociedade, relações da qual se pode colher harmonia, dentre eles, educacional e religioso. alegria, satisfação, boa convivência com o No educacional, conduz à valorização dos diferentes saberes de cada cultura para que, ao serem socializados, despertem atitudes de respeito e compro próximo,... ou o contrário disso que foi men- misso com direito do outro ser diferente. No campo religioso, contribui sig nificativamente no processo de reconhecimento da diversidade no conjunto cionado. de suas manifestações. Uma possibilidade para explorar o conteúdo do filme seria planejar uma análise interdisci- plinar, envolvendo professores de outras dis- ciplinas. Anotações tema também pode ser melhor analisado por meio do estudo: do texto de José Augusto Lindgren Alves, intitulado de Coexistência Cultural e Guerra de Religião, disponível em: . Nele, o autor apresenta um panorama dos conflitos que trataram problemas de cunho religioso como sendo das civilizações. do livro críticas, diálogo e perspectivas", de Raul Fornet-Betancourt. Nele, o autor sinaliza que a exigência da interculturalidade faz parte da história da América Latina ao apresentar importantes reflexões de pensadores latinos. do livro "Religião e de Raul Fornet-Betancourt. Nele, o autor apresenta uma análise da crise do Cristia- nismo na Europa a partir de uma perspec- tiva da interculturalidade. do livro "Educação Intercultural e Justiça Cultural", de José Mario Méndez Méndez. Nele, o autor apresenta uma crítica aos ajustes da educação aos modelos econô- micos e aponta a perspectiva intercultural como alternativa à educação.Sugere-se disponibilizar aos estudantes a letra 1 da canção Miss Sarajevo, de Bono Vox para Unidade 2 que, com auxílio da professora de inglês, Desafios da coexistência possam não só ouvi-la, cantá-la e até traduzi- A palavra coexistência conquistou espaço e faz parte de discussões em diferentes grupos, sendo la, mas também analisar os aspectos da can- inclusive divulgada em shows da banda U2 pelo vocalista Bono Vox na turnê aqui no Brasil em 2006, quando usou uma bandana na cabeça. Na bandana estavam estampados alguns símbolos religiosos, indicando a ção que dizem respeito à coexistência. possibilidade e a necessidade dos seres humanos coexistirem, independentemente de crença religiosa. Em 2001, diante das inúmeras manifestações de violência que ocorriam no mundo e Acessar em: . mostra obras de vários artistas sobre a coexistência do ser humano em grandes painéis, com textos de pensadores da história da humanidade. Uma dessas obras de arte pertence ao polonês Piotr Miodozeniec, de quem Bono Vox buscou inspiração para compor e cantar a música Miss Sarajevo. Solicitar aos estudantes que, por afinidade, formem grupos de três integrantes e, inicial- Pesquise a obra de Piotr considerada o símbolo da coexistência e cole-a/ desenhe-a no quadro a seguir. mente, apenas ouçam a música, cuja letra precisam ter em mãos. Em seguida, identifiquem algumas expres- sões ou frases da referida canção que se asse- 27 melham a experiências já vividas por eles, tais como os momentos em que: já se permitiu "ficar afastado" dos que mais Vamos conhecer outras obras da Exposição Coexistence. Para isso, em grupos pesquisem na internet quais são as obras de arte que estão amava. associadas a esse movimento. já desviou o olhar de um mendigo ou de um pobre. já se permitiu "fugir" de alguém que seguia uma crença diferente da sua. já se iludiu com a beleza. já apreciou "cores" ou "nomes diferentes". já procurou servir quem estava à "mesa". Pedir que façam menção do nome a quem do seu contexto escolar ou social a canção "Miss Sarajevo" também poderia ser dedi- cada. Solicitar que elaborem um breve texto, des- Mas, que é coexistência? crevendo em que sentido a referida canção ajuda a compreender os desafios da coexis- tência. Anotações Com base nas imagens e utilizando-se de pesquisas em dicionários e outras fontes, elabore um conceito de coexistência. 28 A coexistência está estritamente relacionada com dia a dia do ser hu- mano e é vivenciada por meio de buscas comuns no mundo esportivo, artístico, religioso, cultural, científico e tecnológico em suas múltiplas dimensões. Coexistir é existir simultaneamente, lado a lado. Ninguém vive isolado como uma ilha em meio ao oceano. A convivência com outro opor- Sugere-se, após analisar as imagens, propor tuniza conhecê-lo melhor e possibilita importantes aprendizagens, mesmo que aos estudantes que citem outras situações outro seja diferente. Por exemplo, em determinadas catástrofes naturais ou em em que a coexistência acontece de fato. certas situações inesperadas, é comum observar que mesmo não se conhecendo, Refletir sobre os motivos que levam as pesso- as pessoas se ajudam. as à mediocridade e à indiferença, não contri- buindo com ações que promovam a coexistên- cia.Seria interessante ler e analisar texto da Carta de Princípios do Fórum Social Mundial. Dividir a turma de modo a ter quatorze pe- Descreva um fato que você conhece, presenciou ou soube, em que alguém foi ajudado ou ajudou, sem preocupar-se com quenos grupos. diferenças étnicas, culturais ou religiosas. Distribuir ou sortear um tópico da referi- da Carta para cada grupo, disponível em: main.php?id_menu=4_2&cd_language=1> Solicitar que cada grupo leia tópico a ele des- tinado. Exemplos de coexistência em âmbito cultural são frequentes no Brasil no mundo. A globalização, Distribuir uma cartolina ou papel kraft, cola, salvo algumas questões agravantes, acelerou processos que até então se desenvolviam lentamente. Se possibilitou um acesso e um contato entre as culturas, também não deixou de gerar certos tesoura e revistas para cada grupo. conflitos, estranhamentos, imposições. Se abriu caminhos para novos conhecimentos, também ajudou na diminuição das barreiras que estavam a impedir mútuo acolhimento das diferenças. Solicitar que construam um painel com ima- Um dos exemplos de coexistência são as edições do Fórum Social Mundial que, além de reunir gens que representem principais aspec- milhares de pessoas de diferentes países, aponta para outros ideais humanitários, sociais, econômi- 29 e ambientais. Desde 2001, evento acontece anualmente e Brasil, já sediou por cinco vezes tos do tópico da Carta lido e analisado. 2001, 2002, 2003, 2005 em Porto Alegre/RS e 2009 em Belém do Pará. As temáticas discutidas nas diferentes edições giraram em torno do lema central: Um outro mundo é possível. Um dos idealiza- Dispor de um espaço de tempo para que cada dores do Fórum Social Mundial é israelita naturalizado brasileiro Oded Grajew, engenheiro elétrico e pós-graduado em administração. grupo socialize aos demais as principais ideias identificadas e ilustradas pelas imagens. Para saber mais detalhes referentes aos ideais do Fórum Social Mundial, vá até a página 86 (anexo) e siga os encaminhamentos do Incentivar estudantes, ao final da ativi- seu professor. dade, a conhecer mais sobre Fórum Social Fórum Social Mundial não possui Mundial, acessando site: . governamental. Há, no entanto, entre seus participantes, membros de Tradições Religiosas que compartilham dos ideais do fórum. Este evento é, portanto uma ex- pressão da busca pela coexistência em prol da garantia da dignidade da vida e seus CONTRA SOCIAL Rua direitos para os seres humanos. Os desafios à coexistência em âmbi- to religioso são um tanto complexos. Mas, Na atualidade têm crescido as discussões em torno do bullying, uma das expressões da não coexistência na escola. Diante disso, propõe-se: há muitos de diferentes Tradições Religiosas que estão a realizar discussões e a desenvolver ações que possibilitam uma maior abertura à coexistência, de forma pacífica e respeitosa. Dividir a turma em pequenos grupos; Um exemplo dessas ações foi desenvolvido pela Comissão de Combate a Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro constituída por doze denominações religiosas. Em 19 de setembro de 2010 milhares Distribuir cartolinas ou papel kraft para cada de pessoas participaram da III Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa cujo tema foi: Camin- hando a gente se entende. Participaram membros e representantes de diversas Tradições Religiosas grupo e pincel atômico; e cidadãos que compartilham tais ideals. Outro exemplo foi VI Caminhada contra a Violência, a Intolerância Religiosa e pela Paz, ocorrida Orientar estudantes a criar frases em car- em 15 de novembro de 2010 na cidade de Salvador/BA. A ação foi organizada pelos Terreiros de Candomblés e de Caboclos do Engenho Velho da Federação. objetivo da caminhada foi de chamar a tazes que incentivem a coexistência em detri- atenção dos poderes públicos sobre direito das crianças em ter escolas de qualidade para a formação escolar e profissional. Além disso, reinvidicaram uma polícia militar e civil respeitosa e preparada mento ao bullying; para proteger cidadãos e espaços para lazer e esporte para as crianças e adolescentes. Para idosos, chamou-se a atenção para um serviço de saúde eficiente e humano. Chamaram a atenção Fixar nos corredores da escola as frases para também para cuidado com os Templos Religiosos, para que sejam tratados como patrimônios da servir de reflexão e de contribuição para cultura baiana e que todos tenham um trabalho digno, paz e harmonia nas famílias. Dentre muitos outros, há também iniciativas que vão além das fronteiras da própria Tradição surgimento de uma cultura de paz e da não Religiosa e abrangem outros segmentos da sociedade. Este é caso do Projeto Coexistência desen- volvido em vários países e nos últimos anos no Brasil. projeto abrange algumas escolas do Rio de violência. Janeiro, em que os alunos interessados participam monitorados por voluntários ligados à espiritu- alidade judaica. As atividades acontecem em forma de oficinas que abordam temas como discrimi- 30 nação, aceitação do outro e preconceito. Atentos à realidade de jovens que pouco se integravam, Anotações educadores organizaram torneios esportivos para possibilitar a integração dos jovens membros de diferentes Tradições Religiosas. Ações desta natureza demonstram O desejo presente em todas as Tradições Religiosas de possibilitarem às pessoas coexistirem harmoniosamente. Identifica-se com base nestas manifestações, que as realidades de diversas regiões do Brasil apresentam desafios a serem superados.Aproveitar cartaz, propondo a elaboração de uma campanha em prol da coexistência INTERAGINDO pacífica entre povos nos eventos esporti- 1. Em 2014 e 2016 o Brasil sediará a Copa do Mundo de Futebol e as vos programados para 2014 (Copa do Mundo) no Rio de Janeiro, respectivamente. Dois grandes even- tos esportivos que proporcionarão múltiplos encontros entre povos e 2016 (Olimpíadas). Para isso: e culturas. Se você fosse convidado a criar um cartaz sobre a im- portância dos povos, culturas e Religiões coexistirem pacificamente Definir um lema para a campanha relacionado entre si, para expor nos locais das competições, o que você criaria? Apresente seu cartaz e explique-o nas linhas que seguem. à coexistência. Elaborar um objetivo e uma justificativa, isto é, dizer por que essa campanha é importante. Escolher e desenvolver duas ações concretas Em dezembro de 2010, Brasil recebeu, depois de 53 anos na sede da ONU em Nova York, a serem desenvolvidas na escola ou na painéis da Obra "Guerra e Paz" do pintor brasileiro Cândido Portinari (1904-1962). Ao finalizar a obra em 1956, pintor dedicou-a à humanidade, pois considerou a mais bela produção feita por ele. A munidade. obra pode representar uma mensagem planetária pela paz e coexistência harmoniosa entre todos. Organizar, por fim, uma carta coletiva a ser 2. Pesquise imagem da obra Guerra e Paz e faça a sua releitura. De- pois, com base na obra, expresse a importância da coexistência na enviada às instituições organizadoras dos construção de uma cultura de paz. eventos esportivos (FIFA e Comitê Olímpico Internacional) e ao Ministério dos Esportes, solicitando apoio e incentivo a uma edu- cação voltada à coexistência pacífica entre povos e as Religiões. Anotações Considerando os aspectos sobre tema "De- safios à Coexistência" até então analisados, A fim de garantir a convivência aos brasileiros de diferentes Religiões e os sem Religião, Governo Federal instituiu por meio da Lei 11.635/2007, "Dia Nacional de Combate à Intolerância sugere-se debater com estudantes as se- Religiosa" em 21 de janeiro. Esta iniciativa fortalece as garantias presentes na Constituição do Brasil como um país laico. guintes questões: 3. Qual a importância social em ter no Brasil um dia dedicado à refle- que se entende por direitos humanos? xão e ao combate da intolerância religiosa? Responda utilizando-se das palavras do quadro. Qual a relação entre direitos humanos e res- peito à diversidade religiosa? RECONHECER PAZ SONHO IGUALDADE Garantir, promover e reparar direitos huma- DIREITO HUMANO RESPEITO COEXISTIR nos contribui em que medida para a coexis- tência religiosa? Cite alguns exemplos de pessoas que já con- tribuíram com a defesa dos direitos humanos e, por sua vez, com a coexistência religiosa. 32 Os direitos humanos são um suporte para a coexistência. A terceira versão do Plano Nacional dos Direitos Humanos, lançado em dezembro de 2009, incluiu a diversidade religiosa como um dos seus objetivos. Nele, livre exercício das diversas práticas religiosas, a proteção dos espaços físicos Anotações de culto a fim de coibir atos de intolerância e a divulgação da diversidade religiosa em prol de uma cultura de paz, apresentam como os principais temas a serem tratados no Brasil. 4. Leia o texto e responda. Leonardo Boff reflete metaforicamente a condição humana no livro A Águia e a Galinha. Apresenta os conceitos de sinceridade e autenticidade. Define sinceridade no nível do eu consciente, isto é, "a pessoa sincera diz que pensa e age conforme sua ideia" (1997, p. 174). a autenticidade é definida no nível do eu profundo, isto pessoa autêntica mostra leveza em seu ser e em tudo que faz. Seu humor é sem amargura, seu desejo é sem obsessão, sua palavra é sem segundas intenções" (p. 174-175). a) Você considera que na prática a coexistência pacífica entre as pessoas de culturas e crenças religiosas diferentes depende do entendimento e vivência da sinceridade e da autenticidade? Justifique.Anotações b) Você tem demonstrado a sinceridade na relação com as pessoas com as quais coexiste, convive? Comente. 5. Apresente duas situações desafiadoras, uma em âmbito cultural e outra em âmbito religioso que precisam ser superadas para haver coexistência pacífica no contexto em que você vive. Depois, reflita e escreva possíveis soluções para a situação. Teia de ideias Com base no estudo realizado e diante dos desafios atuais, crie um símbolo para representar que é coexistência para você. Ao lado, escreva seu significado. Sugere-se orientar para que a atividade seja realizada com máximo de respeito e respon- sabilidade, lembrando aos estudantes que, caso levem na brincadeira, podem ofender, discriminar ou criar certos preconceitos em 2 relação ao Outro, contradizendo que de fato Interculturalidade: possibilidades e desafios está sendo estudado. Unidade 2 Ao estar num grupo de amigos ou conhecidos, você consegue identificar características próprias Sugere-se relacionar termo "interculturalida- de cada um? Muitas características transparecem claramente no jeito de ser e agir, tornando-se uma de" com a imagem em que consta registro marca em relação àquela pessoa. do encontro de adolescentes de diferentes et- Para melhor entender esta ideia, escreva o nome de cinco colegas de sua classe e depois escreva uma característica compreendida como nias a conversar. qualidade pela qual cada um é conhecido. Em seguida, fazer um breve levantamento Nome entre estudantes sobre as definições que cada um deles teria a fazer sobre termo "in- Sem prescindir da metodologia da dúvida para suscitar a curiosidade dos estudantes em rela- ção ao tema, pode-se questionar cada defini- ção apresentada, por exemplo: interculturali- dade seria somente isso?... Antes de prosseguir com estudo dos pará- grafos seguintes, seria interessante abrir dicionário e ler a definição do referido termo que ali consta. Agora, escreva a sua Se observarmos, todos os seres humanos possuem qualidades específicas, as quais foram Finalizar, fazendo menção ao seguinte aspecto: estimuladas e desenvolvidas desde infância. Pois bem, para entendermos neste primeiro momento interculturalidade é muito mais do que uma que vem a ser a interculturalidade, partiremos de uma ideia desenvolvida por Fornet-Betancourt definição ou um desafio. (2001). Para ele, a interculturalidade é uma "quali- interculturalidade é uma oportunidade pa- dade" em que todas as pessoas e culturas poderão obter a partir das relações que estabelecem no ra aproximar que se encontra distante, seu cotidiano com a sua e com outras culturas. para aprender tudo aquilo que Outro tem a nos ensinar.A emancipação diz respeito à autonomia e à Esta relação se caracteriza por ser envolvente e não superfi- Perspectiva um principio que orienta todo tipo de ação liberdade, opondo-se fundamentalmente à cial; por ser transparente e não fundada em segundas intenções; relação dos seres humanos dos grupos por ser dialogante e não monóloga. A interculturalidade pressupõe culturais fundamentadas na de escravidão, à submissão forçada e à negação abertura constante ao outro que se apresenta sempre diferente, dinâmico e em constante transformação. prefixo "inter" ex- dos direitos. Sentir-se parte de algo é estar pressa uma interação positiva que, na prática, visa superar as barreiras entre povos, comunidades étnicas e grupos humanos (SALAS ASTRAIN, 2003). integrado, tendo a possibilidade de voz e vez, Para Costa (2010, 142), a interculturalidade "supõe uma inter-ação, como um colocar-se podendo assumir responsabilidades livremen- no lugar do outro para, a partir daí, buscar entendê-lo e estabelecer as bases para diálogo e a convivência. Não se trata de passiva te e, por isso, sendo (re)conhecido em um de- Já para Candau (2011), a interculturalidade encaminha processos que têm no reconhecimento do direito à diversidade e nas lutas contra todas as formas de discriminação e desigualdade, sua base terminado contexto ou cultura. fundamental. É uma perspectiva que exige uma ação constante, pois está sempre inacabada. Para que haja interculturalidade de fato, é Relações dialógicas Relações em que uma pessoa não necessário que decididamente se promova relações dialógicas e democráticas entre as culturas e os diferentes grupos para além É interessante solicitar aos estudantes que da coexistência pacífica em um mesmo território. Significa dizer que é necessário construir modos de vida em que todos se sintam parte, descrevam como gostariam de encontrar a integrados e emancipados, respeitadas e (re)conhecidas as singularidades de cada e cada humanidade daqui a 50 anos. grupo ou cultura. A relação na perspectiva intercultural desperta nos seres humanos e nas culturas uma corresponsabilidade. Mas, que esta corresponsabilidade vem a ser? Organizar a turma em duplas e entregar a elas 36 Observe tirinha: uma folha de papel para o desenvolvimento da referida atividade, levando em conta o Hei! Vamos Mas não sabe- para água mos nadar! número de anos mencionado: 50 anos. Após descreverem como imaginam a huma- nidade do futuro, solicitar que incluam tam- Alguém ajuda meu amigo, pois bém nas anotações o que seria necessário eu não sei nadar! cada ser humano fazer a partir de hoje em De acordo com a tirinha, defina o que é corresponsabilidade. Converse termos de conscientização numa perspectiva com seu professor e colegas e depois anote as relevantes. intercultural. Oportunizar a cada dupla um espaço de tempo para a partilha dos aspectos elaborados por elas. A corresponsabilidade, na perspectiva intercultural, traz na sua base a dimensão ética, cuidado e proteção da vida em todas as circunstâncias. Éo que possibilita diálogo, a superação de conflitos e Finalizar, lembrando que desafios em ter- mos de um futuro melhor comprometem a todos, inclusive a cada um de nós. AnotaçõesPode-se solicitar aos estudantes que, previa- mente, tragam jogos de baralho, dominó, jo- gos em tabuleiros ou outros que possam ser entendimento respeitoso. Para tanto, a interculturalidade requer outros olhares, mudanças nas formas jogados em equipe. Tendo em mãos esses jo- de estabelecer as relações consigo mesmo, com Outro e com mundo. fundamental identificar como se estabelecem as relações entre seres humanos e as culturas gos: entre si. Isso implica perceber as motivações, valores e interesses que perpassam e definem os modelos Fazer grupos de quatro integrantes. de relações. Na perspectiva intercultural, principio da igualdade de direito é central. Este principio, por sua Solicitar que joguem seguindo as regras esta- vez, exige desenvolvimento de uma postura ou disposição para aprender sempre. Especificamente, aprender a ler interpretar mundo a partir do olhar de várias culturas (FORNET-BETANCOURT, 2004). belecidas e conhecidas. Esta exigência abrange todas as esferas sociais: política, econômica, educacional, cultural, religiosa... Mas, como seria no campo religioso? Depois de jogarem uma ou duas vezes, soli- Primeiramente, faz-se necessário entender que não se trata de renunciar às crenças religiosas, nem aderir a várias Religiões ao mesmo tempo. Também não diz respeito apenas aos que pertencem citar que estudantes criem novas regras a uma Religião ou estão a participar de várias Religiões. para jogo (pedir que anotem para não gerar Antes de ser uma ameaça, é um enriquecimento significativo a proposição de interrelações tanto entre membros das mais diversas Tradições Religiosas como até com que não integram nenhuma confusão). Seguindo as novas regras, solicitar que jo- Por quê? guem novamente. Solicitar que cada estudante registre no seu livro didático quais foram desafios, as di- Porque esta proposta encontra-se fundada no respeito ficuldades, as descobertas e sentimentos e numa convivência que visa superar continuamente todas as formas de discriminação, exclusão e desigualdades, ocasio- gerados. nadas até mesmo por escrúpulos de cunho religioso. Neste sentido, as Tradições Religiosas podem cultivar um espírito Por fim, possibilitar que os estudantes so- de abertura para: acolher a diversidade cultural religiosa como uma cializem as aprendizagens obtidas aos demais riqueza da humanidade. colegas. contribuir na superação dos problemas que geram todo tipo de sofrimento, desigualdade e exclusão. Tendo previsto um tempo oportuno antes manter fidelidade aos princípios básicos que regem a relação do ser humano com outro na busca pela mesmo da proposição da atividade, suge- paz. não se fechar às próprias verdades como únicas. rir que estudantes troquem de grupos não reproduzir preconceitos relacionados a pessoas de outras Religiões e as que optam não para que possam jogar outros com as regras ter Religião. Há várias iniciativas no campo religioso que visam promover uma interação positiva entre as criadas pelos colegas. Religiões, são caracterizadas também como diálogo inter-religioso. Ainstituição do Parlamento Mundial Destacar que a interculturalidade se constitui das Religiões é um desses exemplos. Por ocasião do seu centenário, em 1993, referido Parlamento definiu alguns princípios norteadores de interculturalidade: de possibilidades e de desafios, mas que é uma ética mundial que oriente as transformações necessárias. um dos caminhos a ser palmilhado pelas atu- que esta ética possibilite a todo ser humano um tratamento digno. respeito a todo ser vivo como parte de uma cultura da não violência. ais gerações. uma organização econômica justa pautada nos de criar uma cultura de tolerância e de igualdade de direitos entre homem e mulher. Pode-se propor aos estudantes que troquem ideias entre si sobre como seria ler e interpre- tar acontecimentos da vida sob ponto de vista religioso. Anotações Após alguns minutos de conversa, solicitar que estudantes partilhem as ideias apre- sentadas e discutidas. Antes mesmo de apoiar esse ou aquele as- pecto apresentado pelos estudantes sobre a interpretação dos acontecimentos da vida sob o ponto de vista religioso, convidá-los a uma pesquisa ou a assistir vídeo a respeito de Tony Melendez. +Melendez/>Anotações Consta que último encontro ocorreu em 2009, na cidade australiana Melbourne, cuja dis- cussão girou em torno da consciência ambiental e aquecimento global, com ênfase no diálogo entre as Religiões. Outra organização é a Conferência Mundial das Religiões pela Paz, criada em Kioto, no Japão em 1970, cujo objetivo era promover a paz, lutar pelo desarmamento, combater toda forma de dis- criminação, suprimir ações de colonialismo em defesa dos direitos humanos. No Brasil, uma organização que vem crescendo é Iniciativa das Religiões Unidas (URI), fundada no ano de 2000 na Califórnia/ EUA presente em 167 países. A URI se caracteriza como uma rede mundial que se dedica à promoção permanente da cooperação interreligiosa. Seu objetivo é eliminar toda forma de violência por motivos religiosos, promover cultura de paz e resgatar a relação de respeito com a terra e seres vivos. Organizações desta natureza indicam de que é possível pessoas de todas as Tradições Religiosas desenvolverem aquilo que lhes é mais sagrado: respeito à vida e à dignidade humana, independ- entemente de origem étnica, cultural ou religiosa. INTERAGINDO 38 1. Qual a importância destas e outras organizações ao promoverem o diálogo, a convivência e a interação entre diferentes culturas e Religiões? 2. Pesquise um evento, projeto ou programa que foi desenvolvido por diferentes Religiões, tendo em vista o bem comum. Descreva abaixo qual foi a ação e as Religiões envolvidas. Sugere-se encaminhar a seguinte atividade: 3. A indisposição para diálogo tem se Formar grupos de até 5 integrantes. Henrique, não decida pelo que você ouviu mostrado um dos empecilhos para a dos outros. Vamos conversar para você solução dos conflitos entre seres huma- Propor que discutam como cada um resolve saber que realmente nos de diferentes culturas e Religiões. Com base na proposta intercultural, seus conflitos com os pais, com amigos e indique alguns caminhos que podem outros casos que envolvem pessoas desco- promover diálogo, a compreensão e a acolhida entre os seres humanos de nhecidas. diferentes grupos culturais e religiosos e entre si. Solicitar que identifiquem alguns critérios que utilizam para dialogar e resolver conflitos. Por fim, solicitar que, a partir de um conflito do dia a dia, criem uma cena apresentando critérios por eles identificados. Possibilitar que cada grupo socialize com 4. De acordo com o pensamento de Mahatma Gandhi, é possível dizer colegas. que não há um caminho para o diálogo, diálogo é o caminho. Con- verse sobre este pensamento com seu professor e colegas e escreva alguns comentários a partir das reflexões desse estudo. Anotações 5. Na perspectiva intercultural, o princípio da igualdade de direitos requer desenvolvimento de uma postura e disposição para reapren- der sempre. Cite dois aspectos do dia a dia em que essa postura e disposição para reaprender sempre se fazem necessárias em relação à intolerância religiosa. Justifique a escolha de cada aspecto. 30solicitar aos estudantes que sele- agens de revistas e jornais referentes a como o preconceito em relação: A sociedade moderna, ferida pelas guerras, pela violência Território Refere étnicos. e pelo poder, impôs uma lógica comum, unificadora. Sob esta geográfico em que uma pessoa ótica, propôs-se "civilizar" outros que não agem de acordo grupo de pessoas Territorialidade Refere relação rminadas culturas. com esta lógica. Este processo gerou mais dor e sofrimentos afetiva efetiva da comunidade com às culturas tradicionais, minoritárias, ameaçando valores, espaço, com rminadas crenças religiosas. costumes, modos de vida, crenças, territórios e territorialidades. longo do sentimento Culturas foram dizimadas, e muitos dos seus integrantes insubstituivel de diferentes classes sociais. constituem grande parte da população que vive às margem da sociedade atualmente. 6. Crie um painel apresentando os grupos sociais, étnicos, culturais, renças de gênero. religiosos e outros, que permanecem às margens da sociedade, pois com necessidades especiais. historicamente sofreram perseguições, discriminações e violências, geradas pela falta de interação corresponsável. com HIV ou outras doenças. estudantes para que observem as ima- cada estudante escolha mentalmente observada para compartilhar, esta- 40 relações com as outras diferentes si- retratadas. façam menção de outras situações se- presentes no contexto em que vivem. estudantes para que identifiquem as causas que ocasionam tais situações, serem vistas com preconceito... estabelecendo relações entre os aspectos e o tema da interculturalidade, possibi- Explique nas linhas abaixo, que você representou no painel. desafios. Brasil é um país que, desde 1996, tem, nas escolas públicas, a Proselitismo Conseguir adeptos, possibilidade de alunos estudarem a diversidade cultural e religiosa, seguidores para serem convertidos sem proselitismo. Isto significa que todas as Tradições Religiosas devem uma outra religião, crença ou ser tratadas igualmente na disciplina de Ensino Religioso a partir do doutrina contexto da escola, possibilitando uma educação que garanta direito ao entendimento da diferença religiosa. Se de fato esse direito é garantido, é possível que juntamente com seus colegas e professor, haja práticas e exercícios que sinalizam a perspectiva intercultural como integração que possibilita bem-viver de todos. Teia de ideias A partir do estudo feito sobre os sinais de interculturalidade, escreva, em forma de carta, as contribuições que a perspectiva intercultural traz na construção de relações corresponsáveis entre as pessoas de diferentes culturas e Tradições Religiosas. 41Anotações 32JOVEM EA RELIGIOSIDADE UNIDADE 1 jovem e as expressões religiosas 2 jovem nas Tradições Religiosas Dispor do necessário discernimento é um dos grandes desafios do jovem, já presente em sua vida desde a etapa da adolescência. Ao se deparar diante das questões existenciais, jovem, enquanto protagonista de sua própria história e agente de transformação da sociedade, começa a perceber-se na realidade em que vive, buscando sentido naquilo que transcende. A busca pelas respostas a estas questões existenciais tem-se ampliado significativamente, tornando-se possível observar com maior frequência a realização de experiências religiosas individuais que expressam a procura pelo sentido da vida.Anotações 34PROPÕE-SE INTRODUZIR A APRENDIZAGEM DO TEMA DO JOVEM E A RELIGIOSIDADE, CONVIDANDO ESTUDANTES A OBSERVAR E A ANALISAR AS IMAGENS DA PÁGINA DE ABERTURA DA UNIDADE 3: O JOVEM E A Organizar a turma em pequenos grupos Solicitar que discutam sobre que as ima- RELIGIOSIDADE gens estão a representar. Pedir para estabelecer possíveis relações UNIDADE 3 entre as imagens e a religiosidade do jo- vem. Questionar o que é a religiosidade no dia a 1 jovem e as expressões religiosas dia. Encaminhar uma breve socialização das 2 jovem Tradições ideias discutidas em cada grupo. Religiosas Analisar a possibilidade de desenvolver um aprofundamento do tema por meio do ar- tigo escrito por Regina Novaes numa pers- pectiva de notas preliminares, cujo título > Dispor do necessário discernimento é um dos grandes já enuncia os enfoques pesquisados pela desafios do jovem, já presente em sua vida desde a etapa da adolescência. autora: "Os jovens 'sem ventos Ao se deparar diante das questões existenciais, jovem, enquanto protagonista de sua própria história e agente secularizantes, 'espírito de época' e novos de transformação da sociedade, começa a perceber-se sincretismos", disponível em: . referido livro contou com a coordenação de Marcelo Córtes Neri e dis- cute a juventude no processo de adesão ou não às Religiões atualmente. AnotaçõesÉ interessante reunir estudantes em círculo 1 e dispor de um tempo para um breve debate o jovem e as expressões religiosas Unidade 3 sobre as questões introdutórias. Assistir, em seguida, ao vídeo "Diversidade Reli- Por que existem tantas crenças? giosa e Direitos Humanos", parte 01, disponível em: tqo- Quais os meios utilizados para 4ghfebzl> e parte 02, disponível em: . Como vivenciá-las livremente? Dispor de um tempo novamente para, após referido vídeo, estudantes em grupos de três integrantes, identificarem qual é papel do jovem em relação às expressões religiosas. Enfatizar, ao final, a importância de cada jo- vem aprender a respeitar qualquer expressão religiosa, inclusive as que sequer ouviu falar Você já parou para pensar sobre estas e outras questões? até então. Nos dias atuais, é comum os jovens se questionarem sobre elas. A todo momento os meios de comunicação social, os colegas de escola, os grupos de amigos... apresentam, propõem, estimulam a relação dos elementos vinculados à Religião com a religiosidade do jovem. Usar adereços, símbolos, fazer gestos, práticas... que expressem uma crença religiosa faz parte da identidade do ser humano, e Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, procura deixar claro que a discriminação por motivos de Religião ou crença constitui uma ofensa à dignidade. É interessante propor uma pesquisa sobre a É importante perceber que a dimensão da religiosidade é parte da vida humana e, por isso, carregam-se as crenças religiosas ou não religiosas aonde se vai. Nesse sentido, tanto você quanto Declaração Universal dos Direitos Humanos. seus colegas carregam crenças religiosas ou não religiosas e as expressam de diferentes maneiras. Incumbir cada estudante de identificar em Você saberia descrever quais são as formas, objetos, sinais... que utiliza para expressar as suas crenças religiosas e não religiosas? Depois de qual artigo do documento a questão da dis- responder, socialize com seus colegas e professor. criminação por motivos de Religião ou crença constitui uma ofensa à dignidade da pessoa humana. Enfatizar que termo "direito" é, antes de tudo, um modo de ser e de cada ser humano relacionar-se com seus semelhantes. ASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES Existe uma multiplicidade de sistemas de significados que se artigo XVIII da Declaração Universal Sistemas de significados Refere-se referem a grupos, nos quais cada um se identifica por meio de um conjunto de conjunto de símbolos, objetos, palavras, adereços... alguns exibidos bolos, crenças, gestos, vestimentas dos Direitos Humanos que trata da liberdade com orgulho e outros mais timidamente. adereços que caracterizam identidade de um determinado religiosa é que versa sobre a discriminação por Agora, cite algumas das expressões utilizadas por você e/ou seus colegas e identifique a que grupo (musical, tribo urbana, Religião ou motivos de Religião ou crença: "Toda pessoa tem filosofia de vida...) determinada expressão se relaciona. Anote abaixo. direito à liberdade de pensamento, consciência e Religião; este direito inclui a liberdade de mudar de Religião ou crença e a liberdade de manifes- tar essa Religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular". Solicitar aos estudantes que, além de apre- sentarem expressões utilizadas por eles ou A partir das imagens, conceitue que são expressões religiosas. colegas, identifiquem significados que fa- zem com que as pessoas as usem. Isto é, que de fato chama a atenção ou está além do concreto. As expressões religiosas são conjunto de manifestações referentes à relação das pessoas com seus Antepassados, Ancestrais o Transcendente. Existem expressões religiosas que são manifestadas nos rituals em cada tradição, que acontecem nos Espaços Sagrados específicos. Há outras expressões Anotações que vão além dos locais de culto, por estarem associadas à maneira de ser, e viver de cada pessoa ou grupo humano. A identificação dos grupos expressão de suas crenças são manifestações pessoais que se dão por meio de objetos e símbolos (colares, pulseiras, pingentes, cortes de cabelo, maquiagens, gostos musicais, pinturas no corpo, tatuagens...), expressões populares (meu Deus, Deus me livre...), gestos corporais (ajoelhar, fazer sinal da cruz, erguer as mãos para céu, juntar as mãos para orar, dançar para um Orixá, vestimentas com cores e modelos específicos (batinas, burcas, hábitos, véus, lenços...) e muitos outros. Nas Tradições Religiosas, é comum uso de vestes, pinturas, músicas, gestos, sinais, gostos e outros elementos que caracterizam as diferentes Religiões. Seus integrantes são identificados 6Propõe-se desenvolvimento de uma pesqui- sa sobre significado da música e da dança como expressões religiosas nas diversas tradi- e se reconhecem por meio desses elementos. Há inúmeras formas utilizadas nas comunidades religiosas em que os jovens são inseridos em processos de formação, a fim de que assumam uma ções indígenas, indianas, egípcias, africanas e identidade religiosa, e essa, quando assumida, é expressada de acordo com as características de cada Tradição Religiosa. afro-brasileiras. Um dos aspectos que tem se difundido nacional e internacionalmente nas últimas décadas, como um meio de reunir e cultivar a religiosidade dos jovens é a música. Nos povos tribais e em grande Otimizar a busca de informações durante a parte das Tradições Religiosas historicamente mais antigas, ela se restringia aos rituais e festividades das comunidades religiosas. pesquisa, sugerindo a consulta nos seguintes Atualmente, além de se manter nas comunidades sites: religiosas, a música atrai multidões e é utilizada por algumas Religiões para transmitir mensagens religiosas Apresenta sig- artistas e bandas transmitem ensinamentos que, em alguns casos, vão além das próprias Igrejas. nificado da dança e da música na cultura Há grupos que inovam ao utilizarem estilos musicais nada convencionais até um determinado indiana. momento da história. É caso da banda Rosa de Saron, As autoras Neide da Silva Campos, Ma- a juventude. Entre as igrejas pentecostais, existem encontros religiosos especificamente para adolescentes e jovens, em que a ria Rita Silva Pereira e Beleni Saléte Grando THE RESPONSE: música é principal meio de comunicação, que congrega, integra e leva jovem à reflexão sobre a sua vida. Para muitos, são apresentam texto sobre as danças tradi- possibilidades de fazer novas amizades, participar de um grupo cionais como a expressão da história e da que tem em comum cultivo da sua religiosidade. Neste contexto, a música é uma das expressões religiosas dos jovens. cultura local, em Cáceres-MT. Nas Tradições Religiosas de matriz Africana e Indígena, identifica-se uma forte relação dos elementos cotidianos com a vivência da religiosidade. Nos diferentes grupos étnico-culturais afro-descendentes, há especificidades em relação aos sons e kumentenbibliothek/Indiana/Indiana_21/10 ritmos musicais e ao uso de vestimentas, colares, utensílios MuellerRegPol_neu-kM_.pdf>.Regina metálicos e demais adereços durante os rituais religiosos em que jovens participam. Além do mais, existem posturas corporais, lo Müller apresenta um estudo intitulado comportamentos e rituais próprios que manifestam determinada crença religiosa. No Candomblé, por exemplo, quando um jovem de Danças Indígenas: arte e cultura, história é iniciado, deve seguir vários preceitos. Um deles é usar e performance. Destaca a dança no ritual um colar de contas justo ao pescoço, chamado Kelê. Neste período, que vai até seis meses, deverá vestir-se Xamânico do maraka e no ritual cosmogô- de branco, além de sentar-se somente no chão e comer nico das flautas turé dos indígenas Asuriní apenas alimentos do seu orixá com as mãos. Nas Tradições é comum os adolescentes do Xingu. e jovens usarem colares, pintarem corpo, não apararem cabelo durante alguns períodos, usarem texto de Denise Guerra apresenta As Danças brasileiras de matriz africana: "Quem dança, seus males espan- ta!". Destaca que todos acontecimentos Anotações da vida africana são comemorados com mú- sica e especialmente com dança, sendo uma interdependente da outra; que não faltam são motivos: fertilidade, nascimento, plan- tio ou colheita, saúde, felicidade, doença e até a morte. Organizar espaço de tempo de uma aula, ao menos, para que os grupos exponham principais aspectos identificados durante a pesquisa. Sugere-se solicitar aos estudantes que citem alguma outra banda ou grupo musical em que a música é utilizada para transmitir mensagens religiosas. Propor que escolham uma das músicas da banda ou grupo musical mencionado e, na próxima aula, tragam a letra da mesma para ser lida ou até mesmo ouvida em sala. Ajudar estudantes a estabelecer relações entre as letras das músicas apresentadas e tema jovem e as expressões religiosas".Contextualizar fato de 11 de abril de 2011, em que a França aprovou uma lei que proíbe têm esses elementos como parte da identidade étnico- as mulheres muçulmanas de usarem a burca cultural. Utilizam-nos com objetivo de fortalecer e confirmar crenças, valores, laços afetivos e práticas em espaços públicos sob a alegação de Esta- sociais. do Francês ser laico. Na Tradição Islâmica, uso do Hijab ou véu islâmico por parte das mulheres é uma expressão religiosa dessa Tradição. Em países em que Islamismo não tem grande Discutir com os estudantes sobre as diferen- expressão, uso do Hijab e de outras vestes por parte tes opiniões referentes à liberdade religiosa, das jovens não é obrigatório. questionando-os se haveria outras formas de Para conhecer mais, pesquise outra expressão religiosa da Tradição lidar com a questão. islâmica e registre. Refletir se a educação para respeito às dife- renças religiosas e culturais não seria cami- nho mais indicado. Questionar também se conhecer Outro ou No Cristianismo Católico, existem reuniões de grupos de jovens que procuram refletir temáticas sentidos dados às questões e às expressões 48 relevantes para sua formação humana, aprofundar a vivência da fé, elaborar projetos de vida, organizar projetos em que jovens evangelizam jovens, entre outras atividades desenvolvidas. religiosas não poderia ser um caminho mais Na Tradição Wicca, jovens geralmente usam vestimentas de cor escura ou colorido forte, democrático e humano. colares e/ou pulseiras com pentagrama como um pingente, representando as aspirações humanas. Acreditam na existência de um poder sobrenatural e que princípios físicos e espirituais integram a natureza. tida como uma das crenças mais antigas. Anotações o parágrafo acima procurando em revistas, jornais ou na internet uma imagem de jovens integrantes da Tradição Wicca e cole-a no espaço a seguir. Sugere-se organizar a turma em trios com a incumbência de montarem uma maquete so- As expressões religiosas do jovem diferem de acordo com contexto cultural em que estão inseridos. As sociedades tradicionais mantêm uma estrutura rígida e unificada que permite maior bre uma possível sociedade em que os jovens controle social no intuito de preservar a identidade do grupo por meio dos seus símbolos, objetos, tenham a liberdade de expressarem as suas palavras e demais representações das expressões religiosas e não religiosas. Portanto, as expressões religiosas são formas culturais de manifestar a relação que ser crenças, religiosas e não religiosas. Para isso: humano estabelece com a transcendência, idealizada em divindades ou em ideias filosóficas, as quais são motivo e estímulo para as múltiplas manifestações em todas as culturas. planejar que objetos, símbolos, gestos, sinais, vestimentas... vão ser utilizados para construir INTERAGINDO a maquete. 1. Leia o diálogo abaixo e depois resolva as questões propostas. dar preferência aos materiais recicláveis. Marcelo! Estou percebendo Ah, Na aula de ontem, em Ensino você diferente, quietoe preocupado. Religioso, professor pediu que cada um planejar e organizar tempo. que está acontecendo? representasse uma expressão religiosa da sua Religião e depois socializasse. Assim socializar com os demais colegas e, na medida do possível, expor em intervalos para alu- nos de outras turmas e anos escolares. 49 Anotações Que bom. Mas, por que está preocupado? Mesmo que professor tenha comentado que independentemente da crença religiosa todos devem ser respeitados, alguns colegas estão me provocando e me ameaçando só porque sou de uma Religião diferente da deles. a) Que orientações você daria aos colegas de Marcelo que provocavam e ameaçavam?Considerando a faixa etária, sugere-se que as referidas entrevistas sejam realizadas com fil- magem e montagem de vídeos: b) Você tomou conhecimento em noticiários de casos semelhantes ao de Marcelo? Se sim, descreva-os brevemente. Se não, procure em jornais ou na internet algum caso de Formar grupos de no máximo quatro inte- discriminação por questões religiosas e relate-o a seguir. grantes. Explicar as perguntas e elaborar outras de interesse. 2. Faça uma entrevista com os adolescentes e jovens da sua escola para saber quais são os meios utilizados para expressar as crenças Orientar previamente os que serão entrevis- religiosas. Lembre-se de perguntar: tados quanto ao assunto da entrevista e seu que são expressões religiosas para você? um Como você expressa sua crença religiosa? exemplo. objetivo. Depois das entrevistas, montar um pequeno vídeo sobre as entrevistas. Prever um tempo para a socialização e dis- cussão dos vídeos. 50 c) Depois da entrevista, socialize com seus colegas e professor. Registre as suas conclusões. ESPOSTAS Bola de Neve. Prancha de surfe, skate, música reggae e rock, 3. Dentre as múltiplas Religiões que surgiram nas últimas décadas, uma tem chamado a atenção informalidade nos cultos, Texto Sagrado com pelas pois atrai, na sua maioria, adolescentes e jovem... jovens como adeptos, os quais compartilham gostos, estilos, objetos e símbolos. o altar tem Seguir as orientações do Texto Sagrado cristão, formato de uma prancha de surfe. Tendo por base esta referência, vitar bebidas, cigarros e demais drogas, evitar pesquise sobre: sexuais antes do casamento, dentre a) Denominação religiosa. utros. Anotações b) objetos, estilos e adereços que identificam c) Principais preceitos recomendados aos adolescentes e jovens. 4. Escolha duas Tradições Religiosas e identifique, em cada uma, dife- rentes expressões que os jovens utilizam para manifestar a crença religiosa desta Tradição e complete que segue. a) Nome da Tradição Religiosa: Expressões religiosas? Escolha uma das expressões e explique significado: 51 b) Nome da Tradição Religiosa: Expressões religiosas? Escolha uma das expressões e explique significado: 5. Na sua Tradição Religiosa, quais são as expressões religiosas mais utilizadas pelos jovens? Caso não tenha nenhuma Religião, pergunte a um dos seus colegas para responder. Proporcionar um espaço para que os estudan- tes se manifestem de forma democrática e respeitosa.Conversar sobre as imagens do texto na ten- 2 tativa de colher diferentes olhares e opiniões. jovem nas Tradições Religiosas Unidade 3 É oportuno solicitar que primeiramente cada Observando as cenas, facilmente identificam-se três discursos em relação ao jovem. Um primeiro refere-se ao jovem como "problema", afirmando que ele não sabe que quer. Isso se comprova nas estudante reflita e responda às questões. Para ações contra a criminalidade por meio da repressão e controle social. Um segundo, ele faz parte da "geração futura", os "profissionais do futuro", portanto, encontra-se numa fase de transição e em isso: construção. Em um terceiro discurso, identifica-se uma forte relação do jovem como sinônimo de dinamismo, beleza, força, coragem, a qual transmite uma imagem fantasiosa, não contemplando a Levar uma caixinha ou objeto para recolher complexidade humana, social, cultural e econômica que grande parte da juventude brasileira está inserida (NIGRI, 2010). as respostas dos estudantes. Estudem, pois futuro depende de vocês! Distribuir um pedaço de papel para que nele respondam sem se identificar. Recolher as respostas e aleatoriamente ler algumas para que todos sintam que precisam se posicionar diante dos desafios da vida. Ele é tão bonito, seu caráter não me Sugere-se ampliar estudo do tema jovem nas Tradições Religiosas", assistindo ao filme AVATAR de James Cameron. Caso não seja possível assistir a todo o filme, ideal seria selecionar previamente as cenas em que personagem principal constrói e Uma das características que todo jovem necessita desenvolver é protagonismo, isto é, ser autor e ator da história não reprodutor de ideias e ações pensadas para ele. Isto significa dizer que demonstra sentido da vida dele: jovem é capaz de construir sentido à própria vida partir do momento em que se sente parte do universo, da sociedade e da comunidade como um sujeito de direitos (RIFIOTIS, 2007). Preservar a vida, habitat, a natureza, você, que tem feito para que sua vida tenha sentido? Tem apro- enfim, tudo que constituía e dava sentido veitado as oportunidades de crescimento que a vida lhe proporcionou? à vida dos habitantes daquela terra. o filme Avatar é interessante para refletir estas questões, pois apresenta a importância de se reconhecer sentido que outro dá e, ao mesmo tempo, construir sentido a partir daquilo que se identifica como elementos sagrados que permeiam as relações, tanto no nível natural, humano, Uma cena central é, nesse sentido, mo- físico, quanto no transcendental. Neste sentido, as Tradições Religiosas podem ser um espaço gerador de oportunidades aos mento em que os invasores começam a jovens indicando caminhos na construção de sentido à própria vida. invadir as terras com máquinas. ASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES Será que todas as pessoas participam das atividades propostas por uma Tradição Religiosa? sentido da vida tem variações de pessoa Entreviste alguns dos seus colegas de sala para saber quem participa ou não de atividades de uma Tradição Religiosa e motivo. para pessoa, de cultura para cultura e de Religião Você participa? Por quê? para Religião, que precisa ser entendido como Sim Não Sim Não algo dinâmico e profundo, pois, não tem um ápice, Sim Não Sim Não um auge a ser atingido e ponto final. sentido se Sim Não Sim Não constrói no dia a dia... Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Analise quadro e escreva as suas considerações. Realizar uma discussão em relação às conside- rações que os estudantes realizarem, a fim de 54 despertar a busca de sentido às escolhas que cada um faz. As diferentes Instituições Religiosas podem contribuir significativamente ao construir lugares que agreguem socialmente os sujeitos diferentes identidades ao organizar grupos e movimentos Anotações juvenis. As experiências adquiridas em grupos ligados a Tradições Religiosas têm contribuído no surgimento e desenvolvimento de lideranças para movimentos sociais, partidos políticos, associações, bem como a outras instituições públicas e privadas (NOVAES, 2005). Agora, que tal conhecermos espaços oportunidades para os jovens nas comunidades de algumas Tradições Religiosas? Nas Comunidades Judaicas, após a realização do Bat do Bar Mitzvah, os jovens participam normalmente das reflexões juntamente com os demais membros da comunidade. As sinagogas, em geral, são utilizadas para encontros religiosos, além de serem centros de estudos para jovens que têm oportunidades de contribuir com a música, como instrumentistas e cantores dirigindo as preces.Nas Comunidades Cristãs, jovens podem participar de diversos grupos e movimentos juvenis, os quais desenvolvem atividades de oração, estudo e reflexão do Texto Sagrado, discutem temáticas de interesse do grupo, realizam atividades e projetos sociais como expressão da vivência da fé e da solidariedade. Auxiliam nas celebrações religiosas por meio da música, encenações, leituras e atividades com crianças além de outras específicas em cada denominação religiosa cristã. Você conhece alguém da sua escola que desenvolve alguma atividade em uma comunidade religiosa judaica ou cristã? Procure saber o que realiza e por quê. Depois, escreva a seguir. Em grande parte das Comunidades Islâmicas, os jovens têm nas escolas corâni- 55 cas, oportunidades para aprender a língua árabe a fim de melhor compreender corão, os ensinamentos e preceitos morais fundamentados no texto. Em alguns casos, as comunidades criam espaços de convivên- cia entre os jovens, para garantir maior vínculo entre membros e com a religião. Eles podem participar das reuniões e da pregação do sermão realizado nas sextas- feiras, geralmente acompanhado pelo pai, se for menino e, pela mãe, se for menina. Participam também com adultos de ações e projetos sociais como uma forma de divulgação do por meio das obras. Os Centros Espíritas possuem programações específicas visando atender as necessidades locais. A fim de preparar jovens para a vivência da Doutrina é comum centros oferecerem cursos de formação em etapas, as quais buscam contemplar diferentes abordagens temáticas como: jovem e a família, a sexualidade, vícios, a prática do bem. Dentre as ações que eles têm a oportunidade de desenvolver como parte da formação religiosa, pode- se citar a gincana do Livro dos Espíritos, campanhas ASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES beneficentes, visitas e ações em instituições de caridade: hospitais, clínicas e casas de recuperações de dependentes, além de trabalhos com moradores de rua e outros. As Religiões africanas e afro-brasileiras Nas Comunidades Religiosas Fé jovem é tratado como um tesouro cheio de energias para ofrem fortes preconceitos no Brasil, sendo serem usadas em benefício próprio e da humanidade. Portanto, incentivam jovem para estudar, realizar direito à liberdade de crença e culto, atividades gratuitas, desenvolver habilidades para as artes e conhecimentos de todas as áreas e ciências. a Constituição Brasileira de 1988. Todos jovens podem participar destes espaços que são abertos também aos não bahá'is, por entenderem que todos precisam atingir certo equilíbrio individual A escola e as aulas de Ensino Religioso entre material e transcendental. Em Comunidades Religiosas do Candomblé, compromisso de educar, por meio do é comum os jovens, bem como as crianças, aprenderem com as histórias contadas pelos mais velhos. Essas, por sua vez, perpassam em todos os processos de aprendizagem relacionadas às imento, para respeito e (re)conhecimento Danças Sagradas, toque do atabaque, os ritmos e cantos específicos de cada orixá, envolvendo significativamente jovens por trazerem sentido ao modo de viver e crer. As oportunidades de rsidade cultural religiosa. aprendizagem se caracterizam pelo aprender fazendo, participando. Por isso, estão juntos nos preparativos e nas festas, nos rituais e demais eventos. Procure em revistas, jornais ou internet uma imagem em que há jovens 56 de alguma Tradição Religiosa afro-brasileira participando de uma dança, tocando atabaques, cantando ou fazendo uma oferenda nos seus rituais religiosos. Depois de colar, escreva o nome da Tradição Religiosa a que estes jovens pertencem. Nome da Tradição Religiosa:Propõe-se pesquisar outros eventos e movi- mentos vinculados às Tradições Religiosas em Nas comunidades indigenas, tanto as crianças quanto os jovens, fazem mesmo que adultos. Respeitam seus líderes e seus pais por que veem os demais respeitando. É comum adultos, idosos, que objetivos contribuem com ideais do jovens e crianças brincarem, dançarem, conversarem e alimentarem-se juntos. Para participar dos bem-viver. rituais religiosos, aprendem a tocar os instrumentos como boré (flauta de osso), maracá (chocalho), uai (tambor de pele ou de madeira), toró (flauta de taquara), mimbi (buzina), uruá (flauta longa, Reservar laboratório de informática. típica dos Kamaiurá) dentre outros; pintar corpo e dançar de acordo com que se está celebrando. A religiosidade pode ser percebida nas relações interativas que oferecem aos jovens espaço e as mesmas oportunidades concedidos aos demais membros. Fazer grupos para a pesquisa. Percebe-se que em cada cultura e Tradição Religiosa, jovem tem espaço e oportunidades de desenvolvimento humano e espiritual, salvaguardando aspectos específicos de cada grupo, tempo Solicitar que registrem as informações prin- e contexto. Nota-se que há também uma multiplicidade de tentativas para inseri-lo nas comunidades religiosas, mas, ao mesmo tempo, identifica-se a necessidade de outros espaços, discursos, lugares cipais referentes à pesquisa. e oportunidades para que ele realmente seja compreendido, autor e ator da história, contribuindo com a libertação dos que são vítimas de desigualdades e preconceitos. Conversar sobre resultados da pesquisa. INTERAGINDO 1. Você percebeu que existe uma enorme diversidade de formas utiliza- das pelas Tradições Religiosas para inserir os jovens nas comunida- Anotações des religiosas. Cite dois aspectos que mais chamaram sua atenção. 2. Como as Tradições Religiosas podem contribuir com o jovem na construção de sentido para a vida? Apresente com dois exemplos. No ano de 1989, pessoas ligadas à fé cristã criaram Movimento Nacional Fé e Política. Nele, jovens de diferentes religiões podem participar de ações em favor de pessoas e grupos mais necessitados. Em 2009, por ocasião do VII Encontro Nacional do Movimento, a Pastoral da Juventude, ligada ao catolicismo, lançou a campanha nacional cujo lema era: "Chega de Violência e Extermínio de Jovens". Em outubro de 2011, VIII Encontro Nacional discutiu tema: "Em busca da Sociedade do bem-viver: Sabedoria, Protagonismo e As discussões fundamentaram-se na sabedoria dos povos indígenas Aymara, Quétchua e Guarani fim de repensar outro projeto político para os povos. termo bem viver refere-se proteção e garantia ao exercício dos direitos humanos em todas as suas dimensões. Isto implica em cada cultura ter direito de organizar vida, preservar os costumes e línguas, promover a integração e coesão social e cultivar práticas, religiosas ou não, sem sofrer violações, perseguições e discriminações por ser diferente. Neste sentido, jovem terá, cada qual na sua cultura e Tradição Religiosa, espaços e oportunidades para construir sentido à sua existência. RESPOSTAS a) Instrumentos musicais 3. Com base nos textos e em grupo resolva que está proposto. a) Você acha relevante jovem discutir questões referentes à violência, à política e outras b) cursos questões em prol do bem viver, independente da crença religiosa? Justifique. c) reflexões d) escolas corânicas b) Pense algumas ideias e crie uma logo para expressar sua compreensão do bem viver de todos povos. e) grupos juvenis f) artísticas g) atabaques h) espiritual 58 Anotações 4. De acordo com estudo, faça a cruzadinha. h. e. f. b. d. 42Sugere-se apresentar quadro abaixo somen- te com nome das Tradições Religiosas para a) que é que jovens indigenas aprendem a fazer para utilizar nos rituais religiosos? que os estudantes realizem a atividade de for- ma a complementar os estudos desenvolvidos b) No Espiritismo prioriza-se estudo de diferentes temáticas, por isso, são organizados em nesta unidade. c) No Judaismo, jovens participam das com demais membros da Estudar árabe nas Escolas Corânicas d) Todo islâmico deveria ler O Alcorão em árabe, lingua em que texto foi Para isso, é comum existir nas comunidades muçulmanas as Islamismo Participar das reuniões e pregações e) No Cristianismo encontram-se jovens animando cultos e celebrações dentre outras Um dos espaços que contribui para a formação de opiniões e desenvolvimento dos sermões da liderança são Tocar atabaques no terreiro ou casa f) Nas comunidades da Fé jovens que quiserem têm grande incentivo para desenvolverem habilidades Candomblé Aprender e participar das danças e g) No Candomblé, jovens aprendem a dançar e tocar ritmos próprios a cada orixá ao som dos: rituais sagrados h) As Tradições Religiosas devem contribuir com jovens no desenvolvimento humano e Participar de grupos e movimentos 59 Cristianismo juvenis 5. Dê um exemplo de alguma atividade desenvolvida pelos jovens na sua comunidade religiosa, diferente dos citados neste estudo. Se Tocar e cantar durante as celebrações você não participa de nenhuma, procure conversar com um dos seus colegas que participa para responder. Desenvolver atividades de solidarie- dade Fé Dedicar-se às artes Aprender a fazer e tocar os instrumen- tos musicais Indígenas Pintar o corpo e dançar de acordo com ritual Teia de ideias Estudar profundamente a Torá e os costumes judaicos Em grupo, organize um telejornal para apresentar principais aspectos do texto estudado, Judaísmo enfatizando espaço e as oportunidades que jovem tem em uma determinada Tradição Religiosa. Cantar ou ser instrumentista durante as preces Participar de cursos de formação Espiritismo Desenvolver ações junto às pessoas doentes e necessitadas AnotaçõesAnotações 44JOVEM: DIFERENÇAS E DISCERNIMENTO UNIDADE 1 Transformações, conflitos e questionamentos 2 Discernimento e Tradições Religiosas O (re)conhecimento das diferenças contribui à convivência harmoniosa e permite a experiência de encontro com o outro, enriquecendo os relacionamentos com as características pecu- liares de cada ser humano. As Tradições Religiosas, diante das diferenças, promovem re- flexões para conduzir os jovens ao discernimento, ajudando- os em seu desenvolvimento enquanto sujeitos e cidadãos na comunidade em que vivem. Ainda, auxiliam os jovens em seu processo de socialização, sensibilizando-os para acolher e reconhecer os seus semelhantes, respeitando-os em sua sin- gularidade.Anotações 46PROPÕE-SE INTRODUZIR ESTUDO DO TEMA JOVEM: DIFERENÇAS E COM A LEITURA DA FRASE ESCRITA PELO FRANCÊS JEAN DE LA BRUYÈRE (1645-1696): "DEPOIS DO ESPÍRITO DE DISCERNIMENTO, QUE HÁ DE MAIS RARO NO MUNDO SÃO os O JOVEM: DIFERENÇAS E DIAMANTES E AS PÉROLAS". DISCERNIMENTO Dispor de um espaço de tempo para uma re- flexão individual sobre a referida frase. INIDA Pedir aos estudantes que expressem o que para eles vem ser o significado do verbo dis- cernir. 1 Transformações, conflito e questionamentos Abrir dicionário e ler a definição sobre ver- bete "discernimento". 2 Enfatizar que, para além de uma definição Tradições Religiosas pessoal ou identificável no dicionário, faz-se necessário identificar a importância do dis- cernimento em relação às diferenças. (re)conhecimento das diferenças contribui à convivência harmoniosa e permite a experiência de encontro com outro, Pode-se aprofundar o estudo do tema "o jo- enriquecendo relacionamentos com as características pecu- liares de cada ser humano. vem: diferenças e discernimento", acessando: As Tradições Religiosas, diante das diferenças, promovem re flexões para conduzir jovens ao discernimento, ajudando- em seu desenvolvimento enquanto sujeitos e cidadãos na comunidade em que vivem. Ainda, auxiliam jovens em mentas/tese_di/arquivos/199.pdf>. No referi- seu processo de socialização, sensibilizando-os para acolher do site, o autor do texto, Elcio Cecchetti discu- reconhecer os seus semelhantes, respeitando-os em sua sin- gularidade. te a "Diversidade Cultural Religiosa na Cultura da Escola", ou seja, as interações e as relações entre as diferentes identidades religiosas na cultura de uma escola da rede pública de Flo- rianópolis-SC. . No referido site, as autoras Lucia Ra- bello de Castro, Amana Rocha Mattos, Elaine Teixeira Juncken, Helena Antunes Maciel Ville- la e Renata Alves de Paula Monteiro discutem como se dá "a construção da diferença" entre os jovens na cidade. . No referido site, as autoras Leila Maria Ferreira Salles e Joyce Mary Adam de Paula e Silva discutem as "diferenças, pre- conceitos e violência no âmbito escolar", pro- tagonizadas por adolescentes e jovens. trabalho/GT21-3964-Int.pdf>. No referido site, a autora Leila Dupret procura identificar quais são as diferenças e os desafios do jovem da baixada fluminense em relação à "Cultura Afro- -brasileira". Anotações1 ASPECTOS E CONTRIBUIÇÕES Transformações, conflitos e questionamentos Unidade 4 A adolescência, por exemplo, não é uma ser humano está em contínua transformação. As mudanças ocorrem em relação a todas as dimensões da vida. Em muitos casos, elas são enfrentadas com certa naturalidade pelas pessoas e fase comum para todos os seres humanos, pois grupos, já em outros, geram questionamentos e conflitos nem sempre encarados e superados com facilidade. não se manifesta em todas as culturas. Em algu- Mas, além das transformações, que mais origina os conflitos? mas, termo "adolescência" nem é conhecido e muito menos utilizado. Ela é uma criação humana de nossa sociedade. entendimento que se tem deste termo influencia na constituição da identidade humana. desafio é saber se a construção se dá enquanto sujeito ou indivíduo. Segundo alguns estudiosos, ela se carac- teriza pela formação de opinião e afrontamentos, Se você analisar com cuidado, perceberá que grande parte dos conflitos entre as pessoas são impulsividade, formação de grupos, imaturidade, gerados pelo não (re)conhecimento do diferente e das diferenças do Outro. Juntamente com seus colegas e com o professor, liste as principais autoafirmação. Na psicologia sócio-histórica, jo- causas dos conflitos na sociedade atual. Anote nas linhas a seguir. vem não é algo mas é considerado um parceiro social, presente com suas característi- cas em constante interação e interpretação (BOCK, Em relação às diferenças, Cecchetti (2008, 33-34) lembra que é necessário fazer uma distinção 2004). Ao interagir ele identifica elementos que entre a diferença enquanto um fenômeno natural e a diferença enquanto um produto social. A diferença natural diz respeito às características humanas que possibilitam distinguir uma pessoa das demais como única, e singular. Significa dizer que não existiu, não existe e não existirá geralmente se tornam referencias para a identi- alguém exatamente igual a você. Já a diferença, enquanto produto social é originada pelas relações dade pessoal. Desigualdade social, negação de direitos, falta de responsabilidade, falta de educação, falta de respeito, preconceito étnico e religioso, ga- desiguais de poder que "fabricam" Outro, ditando O que este deverá ser, classificando como igual nância por poder, impunidade... ou diferente. Neste caso, pode-se reconhecer e incluir, ou simplesmente, negar e excluir. Observe as imagens e escreva (DN) para diferenças naturais e (DS) para diferenças como produto social. Depois justifique as escolhas. Sugere-se solicitar que estudantes citem ou- tras situações em que as diferenças são produ- zidas socialmente. Orientar os estudantes para a atividade de dobradura: confeccionar um barquinho. cortar as duas pontas do barquinho e apenas um pouco da pontinha da vela do mesmo. abrir de tal forma que ficará com for- mato de uma camiseta. Agora, texto a seguir e reflita com seus colegas e professor, relacionando-o com as imagens que você acabou de observar. na camiseta, solicitar que estudan- "É pelo poder que historicamente grupos se tornaram culturalmente hegemônicos e tes criem um lema que combata desres- sua identidade como norma e referência para a classificação dos Outros como iguais ou diferentes. Neste processo, a marcação da diferença é sustentada pela exclusão e por suas peito às diferenças produzidas socialmen- representações no social". p. 40) te. Anote as suas considerações. organizar um varal da conscientização no corredores da escola. Em relação aos conflitos gerados pelo não (re)conhecimento das diferenças, Moreira (2002, p. Anotações 18-19) recorda a necessidade de considerar que determinadas 'minorias', identificadas por fatores relativos à classe social, gênero, etnia, sexualidade, Religião, idade, linguagem, têm sido definidas, desvalorizadas e discriminadas por representarem 'o outro', 'o diferente', Significa dizer que, se numa determinada sociedade uma Tradição Religiosa não é valorizada e respeitada, as pessoas que a poderão ser tratadas indignamente e desrespeitados enquanto sujeitos de direitos, por pessoas ligadas a algum grupo hegemônico ou não. 48Anotações Portanto, faz-se necessário identificar nas culturas e Tradições Religiosas os aspectos que podem aproximar as pessoas. Alguns deles podem ser os próprios questionamentos humanos, as diferentes transformações e conflitos que envolvem ser humano, interna ou externamente a ele. Mas como as Tradições Religiosas podem auxiliar jovens, como as demais pessoas, a melhor compreender as transformações, questionamentos e conflitos a fim de possibilitar maior respeito às diferenças, autoaceitação, autoestima e sentimento de pertença? Nas culturas indígenas do Xingu, por exemplo, todos os momentos da vida e tudo que envolve individual perpassam a comunidade. Nela, cultiva-se sentimento de pertença em que jovens aprendem a valorizar e preservar a cultura, por meio de práticas, ensinamentos, valores e crenças vivenciadas no dia a dia. Um exemplo claro é na passagem da infância à vida adulta, em que todos participam de forma direta ou indireta dos rituais, quais legitimam a responsabilidade que cada jovem passa a assumir diante do grupo. Na Tradição Espírita, jovem participa de palestras e encontros cujos temas abordam questionamentos e conflitos que surgem com as transformações, despertando para a prática da caridade. Esta, por sua vez, é entendida como caminho que possibilita jovens sentirem-se parte importante da comunidade, contribuindo com a autoaceitação e autoestima. Na Tradição Africana e Afro-brasileira, a integração ser humano/natureza, comunidade/ sociedade possibilita ao jovem sentir-se parte, fortemente assumido e acolhido na comunidade, seja ela religiosa ou não, vinculando a própria existência ao fato de pertencer a um determinado grupo, expresso no ditado eu pertenço, logo sou. Este sentimento eleva a autoestima e a autoaceitação das pessoas, possibilitando melhores condições de lidar com as transformações da e na vida e conviver com as diferenças. Na Tradição Budista, ao iniciar jovens na prática dos ensinamentos de Buda, busca-se indicar a verdadeira natureza das coisas, a fim de que eles aprendam a agir com sabedoria, que inclui profundo respeito ao Outro e suas diferenças. Propõe-se questionar estudantes sobre as motivações que cultivam ao estudar. Estabelecer um diálogo, a fim de que perce- No Confucionismo, cultivo de virtudes pessoais como a bam a oportunidade de estudar como uma honestidade e amor trazem harmonia à família, a sociedade e ao Estado. Para isso, estudo é central, pois, por meio dele, das formas de melhor entender ser huma- conhece-se melhor a realidade das coisas, do ser humano e de si mesmo. Neste sentido, os jovens devem dedicar-se ao máximo no. para ter uma educação que liberte da ignorância, a fim de viverem mais plenamente a humanidade. Enfatizar que estudo possibilita condições de melhor conhecer Outro para respeitá-lo. Na Tradição japonesa do Xintoísmo, os jovens aprendem a reverenciar grandes personagens e familiares falecidos como uma forma de manter presente em contato com passado, conservando assim a memória dos ensinamentos transmitidos. Seria oportuno encaminhar a elaboração de Buscar a pureza em tudo leva as pessoas a viverem bem com um cartaz, contemplando a contribuição das elas mesmas, enfrentando as transformações e desafios da vida com maior naturalidade e sabedoria. culturas e Tradições Religiosas estudadas na No Cristianismo, ao se colocar do lado dos oprimidos, humilhados e ofendidos da sua época, compreensão das transformações, questio- Jesus demonstra qual deve ser a atitude dos cristãos em relação outros. A justiça, namentos e conflitos e no respeito às dife- amor e a fidelidade de Jesus à sua missão são renças, à autoaceitação, à autoestima e ao 66 exemplos de como jovens cristãos devem se orientar em relação aos conflitos, as transfor- sentimento de pertença. mações e questionamentos, buscando sempre entendimento e (re)conhecimento da dig- Organizar a turma em duplas. nidade humana. Distribuir uma folha Na Tradição Islâmica, é recomendado às comunidades que procurem conviver da Orientar que procurem retomar estudo melhor maneira possível com as diferenças, consideradas pelo profeta Maomé uma bênção. Nesse sentido, os jovens são iniciados nessa per- realizado para identificar a contribuição de spectiva, evitando conflito com outro, enfrentando os questionamentos e as transformações de uma forma coletiva e responsável. diferentes culturas e Tradições Religiosas. Como você pode observar, estas e muitas outras Tradições Religiosas apresentam um conjunto de princípios, valores, ensinamentos e outros aspectos fundamentais no processo humanização Organizar uma amostragem das produções dos jovens, pois, sensibilizam para respeito e acolhida do Outro em sua dignidade, e de si mesmo, e fixar na sala de aula ou nos corredores da como um ser único e irrepetível. Independentemente de ter ou não Religião, há jovens que participam ativamente nas comunidades religiosas por terem encontrado espaço e acolhida. Na medida em que se comprometem escola. com valores da sua Tradição Religiosa, constroem uma religiosa, isto é, assumem determinados ensinamentos e valores que dão sentido à sua existência e direção à própria vida, reforçando assim sentimento de pertença. Portanto, a contribuição das Tradições Religiosas para os jovens e demais pessoas enfrentarem Anotações as transformações da vida e resolverem conflitos, produzem avanços quando realizados em tempos e espaços próprios e adequados.Anotações INTERAGINDO 1. As transformações, tanto internas quanto externas às pessoas, ge- ram o conflito. Outro aspecto é o não do diferente e suas diferenças, originando, por vezes, práticas discriminatórias e preconceituosas. Juntamente com seus colegas e professor, organize a capa do jornal apresentando algumas chamadas de notícias referentes às origens dos conflitos. Sugere-se propor uma pesquisa de letras de músicas que versam direta ou indiretamente 2. Com exemplos, apresente a distinção que há entre a diferença en- quanto um fenômeno natural e a diferença enquanto um produto sobre as diferenças. social. Fazer grupos e orientar para que cada grupo leia as letras das músicas pesquisadas. Solicitar que cada grupo realize uma classi- ficação das letras das músicas que tratam as diferenças como naturais ou como produtos sociais. 3. Você concorda que o sentimento de pertença a um grupo religioso Socializar, discutir e justificar a classificação. ajuda o jovem a melhor compreender as transformações, questio- namentos e conflitos da vida? Justifique. Anotações 68 4. Em sua vida, você se sente parte de algum grupo em que há acolhi- da, respeito e (re)conhecimento? Faça um comentário sobre isso.Anotações 5. Construa criativamente um quadro que apresente contribuições das diferentes Tradições Religiosas na orientação dos jovens em relação a conflitos, questionamentos e transformações. Você deve ter observado que quando se reflete sobre a vida, surgem questionamentos que despertam desejo de respostas. Em meio a outras possibilidades, as crenças religiosas auxiliam os jovens na superação de conflitos internos e externos relacionados aos diferentes aspectos da vida. Podem ainda, proporcionar maior compreensão de si mesmo e aceitação da própria condição humana. 6. Pesquise na sua escola ou comunidade religiosa, algum caso em que a crença religiosa contribuiu na compreensão de transforma- ções, questionamentos e superação de conflitos, resgatando assim a dignidade enquanto pessoa. Descreva brevemente o fato. Solicitar que os estudantes compartilhem com demais a sua elaboração no intuito de pos- 7. Conceitue o que é identidade religiosa e descreva sua importância sibilitar maior abertura e acolhimento das di- para o sentimento de pertença dos jovens à sua Tradição Religiosa. Selecione imagens para ilustrar seu conceito. ferenças presentes em sala de aula. AnotaçõesSolicitar que estudantes manifestem suas 2 opiniões, apresentando os benefícios de fazer Unidade 4 as escolhas corretamente, com transparência, Discernimento e Tradições Religiosas isto é, buscando não causar sofrimento às pes- Você já parou para pensar quantas decisões tomamos durante um dia, soas e a si próprios. uma semana, um mês? dia a dia exige posicionamentos, e ações que geram em muitos jovens, insegurança, angústia, medo, mas ao mesmo tempo podem gerar crescimento, amadurecimento e autonomia. Discernir que fazer e como agir diante das situações e Sugere-se distribuir uma folha para cada estu- Discernimento Ato ou efeito de discernir, desafios do dia a dia é um dos elementos com qual as Tradições distinguir, separar, escolher discemimento dante em que, por meio de desenho ou tex- Religiosas se ocupam direta ou indiretamente. Não significa em âmbito religioso refere-se origem dos dizer que elas oferecem cursos específicos, mas apresentam Impulsos tualmente, descrevam como está acontecen- ensinamentos, critérios, princípios e valores com quais os jovens, em especial, poderão decidir responsavelmente. do a relação com seus pais e familiares. Cara, que será de Se possível, proporcionar um momento de Menti para minha melhor mim se eu reprovar? Nem amiga e ela descobriu. que faço quero pensar na reação dos partilha em duplas. agora? meus Seria interessante recolher registro dos estudantes no intuito de verificar histórico 73 para contribuir pedagogicamente e melhor acolher a história e contexto de cada um. Cite uma situação semelhante que você vivenciou. Anotações Um dos aspectos que marcam discernimento é diálogo. Você já deve ter se defrontado com situações duvidosas, em que precisou fazer escolhas. É bem provável que sentiu a necessidade de partilhar e buscar orientações, conselhos de amigos, familiares ou outras pessoas de confiança. Diante de uma decisão, é prudente analisar todas as possibilidades. Dialogar é abrir-se ao outro, é dividir responsabilidades. Neste sentido, jovens podem encontrar nas Tradições Religiosas amparo para melhor realizar escolhas, evitando prejudicar a si próprio e aos outros. Anotações No Espiritismo, por exemplo, jovens, bem como os demais participantes, apoiam-se nas orientações concedidas Bom senso Refere-se virtude, sabedoria nos Centros Espíritas e no bom senso ao refletir que fazer, distinguir sobre methor conduta diante das situações da como fazer e também aquilo que se lê. A intenção prioritária neste processo é contribuir ao bem coletivo e pessoal. Prudência considerada uma das principais Por este motivo, no Espiritismo toda ação deve estar virtudes Quem desenvolve baseada na prudência. discernimento é necessário para não capacidade de prever atitudes virtuosas ou haver ações impensadas. Para isso, a atenção, conhecimento tempo de se e a transparência são essenciais para que discernimento contribua na construção da autonomia e maturidade. Explique como o bom senso e a prudência podem ser determinantes para o bom entendimento entre as pessoas e para evitar um possível conflito. 74 No Budismo difunde-se a ideia de que nada se produz a partir de si mesmo, pois, para tudo existe uma causa. Portanto, ao querer algo, deve-se acionar aquilo que produzirá o que se quer. Por outro lado, quando não se deseja algo, não se deve acionar aquilo que poderá causar não desejado. Tudo é con- sequência de uma justiça universal (BORAU, 2008). discernimento, neste sentido, está em conhecer, identificar, refletir a causa de tudo que poderá gerar sofrimento, por meio da meditação. Para isso, é oferecido aos jovens referenciais, métodos e instrumentos que possibilitam caminhar em busca dessas causas. É uma maneira de, aos poucos, afastar todas as forças que agem contrárias às escolhas conscientes que levam à iluminação. A no Budismo refere-se ao entendimento, à sabedoria, que permite ter clareza sobre as coisas. Para atingi-la, todo jovem budista, monge ou leigo, deve considerar três as- pectos fundamentais, conhecidos como as três jóias, essência da prática religiosa (FONAPER, 2000a).