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Poder e Processo Legislativo 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 2 Arquivo revisado e atualizado até 24/10/2025 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 3 SUMÁRIO SUMÁRIO ..........................................................................................................................................................................3 DIREITO CONSTITUCIONAL ......................................................................................................................................7 QUAL DEVE SER O FOCO? .........................................................................................................................................7 RESUMO DO DIA ...........................................................................................................................................................7 1. ORGANIZAÇÃO DOS PODERES ..........................................................................................................................7 1.1. Introdução - Separação dos Poderes ..........................................................................................................7 2. PODER LEGISLATIVO ..............................................................................................................................................9 2.1. Estrutura ...............................................................................................................................................................9 2.1.1. Âmbito Federal ........................................................................................................................................ 10 2.1.2. Âmbito Legislativo Estadual ............................................................................................................... 10 2.1.3. Âmbito Legislativo Municipal .............................................................................................................. 11 2.1.4. Âmbito Legislativo Distrital ................................................................................................................. 12 2.2. Atribuições do Congresso Nacional .......................................................................................................... 12 2.3. Câmara dos Deputados ................................................................................................................................ 15 2.3.1. Requisitos para a candidatura dos Deputados Federais ............................................................ 16 2.4. Senado Federal ................................................................................................................................................ 17 2.4.1. Requisitos .................................................................................................................................................. 17 2.5. Remuneração dos Parlamentares.............................................................................................................. 20 2.6. Das Reuniões.................................................................................................................................................... 21 2.6.1. Sessão Legislativa Ordinária ............................................................................................................... 21 2.6.2. Sessão Legislativa Extraordinária ...................................................................................................... 21 2.6.3. Reunião em sessão conjunta ............................................................................................................... 22 2.6.4. Sessão Preparatória e Mesas Diretoras ........................................................................................... 22 2.7. Comissões Parlamentares ........................................................................................................................... 25 2.7.1. Permanentes ou Temporárias ............................................................................................................. 25 2.7.1.1 Comissão Permanente/Temática ................................................................................................ 25 2.7.1.2. Comissão Especial ou Temporária............................................................................................. 26 2.7.1.3. Comissão Parlamentar de Inquérito ......................................................................................... 26 2.7.1.3.1. Definição .................................................................................................................................... 27 2.7.1.3.2. Criação ........................................................................................................................................ 27 2.7.1.3.3. Requisitos .................................................................................................................................. 27 2.7.1.3.4. Objeto ......................................................................................................................................... 27 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 4 2.7.1.3.5. Prazo ........................................................................................................................................... 28 2.7.1.3.6. Poderes ...................................................................................................................................... 28 2.7.1.3.7. Motivação .................................................................................................................................. 35 2.7.1.3.8. Conclusões ................................................................................................................................ 35 2.7.1.3.9. CPIs Estaduais .........................................................................................................................A antecipação desarrazoada das eleições para os cargos da Mesa Diretora ainda subtrai dos parlamentares o poder de controle sobre a direção da Assembleia Legislativa, pois é no transcorrer do primeiro biênio que se torna viável a avaliação da conjuntura política e a realização do balanço entre expectativas e realidade, para, a partir de então, decidir o que se pretende para o próximo biênio.” (ADI 7.350/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 08.03.2024. INFORMATIVO 1.128). 2.7. Comissões Parlamentares Na constituição das mesas e de cada comissão é assegurado, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos. As comissões podem ser: 2.7.1. Permanentes ou Temporárias 2.7.1.1 Comissão Permanente/Temática É quando a existência da comissão não está submetida a prazo. Estabelecem-se em razão da matéria e são permanentes. (DECORAR ART. 58, §2º CF). Ex: CCJ, Comissão de Finanças e tributação, comissão de planejamento; comissão de ética; comissão de saúde. 9830698306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Comentário do texto Art. 58 § 2º. Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, SALVO se houver recurso de 1/10 (um décimo) dos membros da Casa; II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil; III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições; IV - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas; V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão; VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 26 Ex.: Na Câmara costumam ser 16 e no Senado também costumam ser 16. São 16 temas que o regimento interno selecionou para vincular essas comissões permanentes à análise deles. 2.7.1.2. Comissão Especial ou Temporária Criadas para apreciar matéria específica, extinguindo-se ao término da legislatura ou cumprida a finalidade para a qual foram criadas. As comissões temporárias podem ser: ● Comissão especial - É criada somente em duas situações. São elas: o Análise de proposta de emenda à constituição o Análise de projeto de lei ● Comissão externa - É criada na hipótese de diligência externa à casa. A casa precisa realizar uma diligência investigatória. Essa diligência será externa à casa. Para que venha a ser feita uma diligência externa, deverá ser constituída a comissão temporária externa. ● Comissão Mista: Formada por deputados e senadores para apreciar os assuntos que devam ser examinados em sessão conjunta pelo CN. ● Comissão Representativa: Constitui-se somente no recesso parlamentar ● Comissão de inquérito - Será criada na situação de investigação do inquérito parlamentar. Será criada para que o inquérito parlamentar venha a ser instaurado, desenvolvido e concluído. CPI são comissões temporárias de inquérito. 2.7.1.3. Comissão Parlamentar de Inquérito Art. 58, § 3°, CF/88: § 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 27 2.7.1.3.1. Definição Comissões temporárias, destinadas a investigar fato certo e determinado. 2.7.1.3.2. Criação Pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de 1/3 de seus membros. É possível instaurar CPIs simultâneas dentro de uma mesma casa, ao limite de 05, segundo regimento interno da Câmara dos Deputados. 2.7.1.3.3. Requisitos ● REQUERIMENTO SUBSCRITO POR, NO MÍNIMO, 1/3 DE PARLAMENTARES; ● INDICAÇÃO, COM PRECISÃO, DE FATO DETERMINADO, A SER APURADO NA INVESTIGAÇÃO PARLAMENTAR; ● INDICAÇÃO DE PRAZO CERTO PARA O DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS. JURISPRUDÊNCIA DO STF A instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito depende unicamente do preenchimento dos requisitos previstos no art. 58, § 3º, da Constituição Federal, ou seja: a) o requerimento de um terço dos membros das casas legislativas; b) a indicação de fato determinado a ser apurado; e c) a definição de prazo certo para sua duração. STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 14/4/2021 (Info 1013). Direito subjetivo das minorias: A maioria legislativa NÃO pode frustrar o exercício, pelos grupos minoritários que atuam no Congresso, do direito público subjetivo que lhes é assegurado pela CF, que confere a prerrogativa de ver efetivamente instaurada a investigação parlamentar, por período certo, sobre fato determinado. 2.7.1.3.4. Objeto · Apuração de fato determinado. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 28 · Fato de interesse para a vida pública e a ordem constitucional. Ou seja: não pode a CPI ser instaurada para apurar fato exclusivamente privado ou de caráter pessoal. No entanto, diante de um mesmo fato, pode ser criada CPI na Câmara e também no Senado, ou ainda a investigação poderá ser conduzida pelo Judiciário, por outros órgãos, ou até por CPIs nos outros entes federativos, se houver interesse comum, devendo cada qual atuar nos limites de sua competência. OBSERVAÇÃO É vedado a CPI investigar sobre assuntos de: 1. Interesse exclusivo de outros entes federativos- a CPI deve respeitar o Pacto Federativo. Uma CPI federal somente pode ser instaurada para a investigação de interesse federal ou nacional. O limite da competência fiscalizatória é a competência do Congresso Nacional. 2. As atribuições do Poder Judiciário - em prestígio ao Princípio da Separação dos Poderes, atos de conteúdo jurisdicional constituem verdadeiros limites materiais à atuação parlamentar. (ex: não podem rever fundamentos de uma sentença judicial) 2.7.1.3.5. Prazo Deve ter prazo certo. Na Câmara, a CPI poderá também atuar durante o recesso parlamentar, possuindo o prazo de 120 dias, prorrogável até a metade do prazo, mediante deliberação em plenário, para a conclusão de seus trabalhos. É possível a prorrogação do prazo da CPI, desde que: ● SEJA DEFINIDO NOVO TERMO FINAL; ● SUA ATUAÇÃO NÃO ULTRAPASSE O FINAL DA LEGISLATURA. 2.7.1.3.6. Poderes As CPIs terão poderes de investigação, próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos no Regimento Interno das Casas. STF: A CPI pode, por autoridade própria, sempre por decisão fundamentada e motivada, observadas todas as formalidades legais, determinar: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Sublinhado daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 29 ● QUEBRA DE SIGILO FISCAL; ● QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – SEGUNDO O STF, A VALIDADE JURÍDICA DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DETERMINADA POR CPI DEMANDA APROVAÇÃO DA MAIORIA ABSOLUTA DOS MEMBROS QUE COMPÕEM O ÓRGÃO DE INVESTIGAÇÃO LEGISLATIVA =>PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. ● QUEBRA DO SIGILO DE DADOS, COM DESTAQUE PARA O SIGILO DOS DADOS TELEFÔNICOS. JURISPRUDÊNCIA DO STF INF. 890, STF – CPI pode quebrar sigilo de dados, porém deve respeitar o caráter sigiloso dos mesmos, não podendo torná-los públicos. Há uma transferência de sigilo. Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva. Assim, a página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por comissão parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/4/2018 (Info 899) A CPI ainda pode: ● Determinar diligências que reportarem necessárias; ● Requerer convocação de ministros de estado; ● Tomar depoimento de quaisquer autoridades federais, estaduais ou municipais; ● Ouvir os indiciados: deve respeitar o direito ao silêncio, podendo o indiciado deixar de responder às perguntas que possam incriminá-lo; ● Inquirir testemunhas sob compromisso, sob pena de condução coercitiva: as testemunhas prestam o compromisso de dizer a verdade, sob pena de falso testemunho, e a elas é assegurado o direito ao silêncio, caso tenha que prestar alguma informação que a incrimine; Fonte: Meu site jurídico - As testemunhas são obrigadas a falar, e a falar a verdade, como se extrai do texto expresso do art. 203 do CPP: “A testemunha fará, sob palavra de honra, a promessa de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado (…)”. Não é possível que, indagada a respeito das circunstâncias do fato que tenha presenciado, a testemunha se cale, tanto que o crime de falso testemunho se tipifica não só na situação em que se faz afirmação falsa, mas também naquela em que se nega ou se cala a verdade. Mas quer isto dizer que, uma vez chamado na qualidade de testemunha, o indivíduo deve responder a toda e qualquer indagação que lhe é dirigida? À primeira vista, e tendo em conta que o 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 30 texto literal do art. 5º, inciso LXIII se refere apenas ao preso, a resposta seria positiva e, neste passo, somente o interrogado poderia se negar a responder às perguntas. Ocorre, no entanto, que a obrigação de prestar o depoimento encontra certa mitigação diante de indagações em cujas respostas a testemunha possa se incriminar. Em inúmeras decisões, o Supremo Tribunal Federal garantiu que depoentes em comissões parlamentares de inquérito se mantivessem em silêncio diante de perguntas que lhes pudessem ser de alguma forma prejudiciais. E o mesmo Supremo tem proferido decisões nas quais faz referência à ilicitude da prova colhida em depoimentos testemunhais sem a observância do direito à não autoincriminação: JURISPRUDÊNCIA DO STF “Recebimento da denúncia. 3. Alegação de nulidade do processo por ofensa ao princípio do nemo tenetur se detegere em razão da confissão da autoria durante a inquirição como testemunha. 4. Denúncia recebida apenas com base em elementos obtidos na confissão. 5. Garantias da ampla defesa e do contraditório no curso da ação penal. 6. Recurso provido.” (RHC 122.279/RJ, j. 12/08/2014) “I – É jurisprudência pacífica no Supremo Tribunal Federal a possibilidade do investigado ou acusado permanecer em silêncio, evitando-se a auto- incriminação. II – O depoimento da paciente, ouvida como testemunha na fase inquisitorial, foi colhido sem a observância do seu direito de permanecer em silêncio. II – Ordem concedida.” (HC 136.331/RS, j. 13/06/2017) ● Requisitar de repartições públicas e autárquicas informações e documentos; ● Transporta-se aos lugares onde seja necessária à sua presença. OBSERVAÇÃO A CPI não tem competência para a quebra de sigilo da comunicação telefônica, podendo apenas requerer a quebra dos registros telefônicos pretéritos (com quem o investigado falou durante determinado período pretérito). Se a testemunha é esposa de investigado, o CPP prevê que a testemunha NÃO poderá se eximir da obrigação de depor, mas sendo cônjuge de um dos investigados, NÃO é obrigada a firmar o compromisso de dizer a verdade. A CPI NÃO tem poderes para investigar atos de conteúdo jurisdicional, não podendo rever os fundamentos de uma sentença judicial. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 4786 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 31 A) Em homenagem à separação dos Poderes e à independência funcional, o Magistrado não está obrigado a comparecer à CPI, se o propósito explícito ou implícito do depoimento for o de investigar-lhe a conduta ou de examinar o conteúdo de algum ato ligado ao exercício da jurisdição; B) O Magistrado é livre para atender à convocação, caso o propósito não seja o do item anterior e ele entenda que sua experiência profissional poderá contribuir para o avanço das apurações. De qualquer forma, não pode responder às perguntas que envolvam quebra de sigilo ou antecipação de julgamento de processos sob sua responsabilidade; C) As CPIs não têm poderes para levantar o sigilo decretado em inquérito ou processo penal. O compartilhamento das informações só será possível mediante decisão fundamentada do Magistrado. OBSERVAÇÃO O STF1 decidiu que em juízo de delibação, não é possível a convocação de governadores de estados-membros da Federação por Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pelo Senado Federal. Se a testemunha for ascendente ou descendente, afim em linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do investigado, o CPP prevê que poderá se recusar a depor, salvo se não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias (art. 206, CPP). No entanto, ainda que tenha que depor, nesses casos tais pessoas NÃO são obrigadas a firmar o compromisso de dizer a verdade (art. 208, CPP). 1) em homenagem à separação dos Poderes e à independência funcional, o Magistrado não está obrigado a comparecer à CPI, se o propósito explícito ou implícito do depoimento for o de investigar- lhe a conduta ou de examinar o conteúdo de algum ato ligado ao exercício da jurisdição; 2) o Magistrado é livre para atender à convocação, caso o propósito não seja o do item anterior e ele entenda que sua experiência profissional poderá contribuir para o avanço das apurações. De qualquer forma, não pode responder às perguntas que envolvam quebra de sigilo ou antecipação de julgamento de processos sob sua responsabilidade; 1 ADPF 848 MC-Ref/DF, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em 25.6.2021 (sexta-feira), às 23:59. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 32 3) as CPIs não têm poderes para levantar o sigilo decretado em inquérito ou processo penal. O compartilhamento das informações só será possível mediante decisão fundamentada do Magistrado. A CPI NÃO poderá praticar determinados atos de jurisdição atribuídos exclusivamente ao Poder Judiciário – cláusula de reserva de jurisdição, como: · Diligência de busca domiciliar; · Interceptação telefônica; · Ordem de prisão, SALVO em flagrante delito por crime de falso testemunho; · Decretar medidas assecuratórias (arresto, sequestro, hipoteca legal), se inserem no poder geral de cautela do Juiz, sendo atos tipicamente jurisdicionais; · Levantar o segredo de justiça; · Decretar busca e apreensão em local sujeito à inviolabilidade domiciliar. A prerrogativa das CPIs de ouvir testemunhas não confere aos órgãos de investigação parlamentar o poder de convocar quaisquer pessoas a depor, sob quaisquer circunstâncias, pois existem limitações à obrigação de testemunhar. Entre elas, encontra-se a isenção constitucional do Presidente da República à obrigatoriedade de testemunhar perante comissões parlamentares, extensível aos governadores por aplicação do critério da simetria entre a União e os estados. É injustificável a situação de submissão institucional. Ante a ausência de norma constitucional autorizadora, o Congresso Nacional ou suas comissões parlamentares não podem impor aos chefes do Poder Executivo estadual o dever de prestar esclarecimentos e oferecer explicações, mediante convocação de natureza compulsória, com possível transgressão à autonomia assegurada constitucionalmente aos entes políticos estaduais e desrespeito ao equilíbrio e harmonia que devem reger as relações federativas. Caracteriza excesso de poder a ampliação do poder investigativo das CPIs para atingir a esfera de competência dos estados federados ou as atribuições exclusivas — competências autônomas — do Tribunal de Contas da União (TCU). Os governadores prestam contas perante a Assembleia Legislativa regional (contas de governo ou de gestão estadual) ou perante o TCU (recursos federais), mas jamais perante o Congresso Nacional. A amplitude do poder investigativo das CPIs do Senado Federal e da Câmara dos Deputados coincide com a extensão das atribuições do Congresso Nacional. OBSERVAÇÃO A CPI NÃO poderá praticar determinados atos de jurisdição atribuídos exclusivamente ao Poder Judiciário, como: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 33 ● Diligência de busca domiciliar; ● Interceptação telefônica; ● Ordem de prisão, salvo em flagrante delito por crime de falso testemunho; ● Decretar medidas assecuratórias (arresto, sequestro, hipoteca legal), se inserem no poder geral de cautela do juiz, sendo atos tipicamente jurisdicionais; ● Levantar o segredo de justiça; ● Decretar a indisponibilidade de bens. IMPORTANTE: O investigado é obrigado a comparecer na sessão da CPI na qual seria ouvido? Há divergência jurisprudencial veiculada no Informativo 942 do STF! ● 1ª corrente: SIM. Ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello. O comparecimento do investigado perante a CPI para ser ouvido é facultativo. Cabe a ele decidir se irá ou não comparecer. Se decidir comparecer, ele terá direito: a) ao silêncio; b) à assistência de advogado; c) de não prestar compromisso de dizer a verdade; d) de não sofrer constrangimentos. Caso o investigado não compareça, a CPI não pode determinar a sua condução coercitiva. Aplica-se para as CPIs o mesmo entendimento da ADPF 395/DF. ● 2ª corrente: NÃO. Ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia. O comparecimento do investigado perante a CPI para ser ouvido é compulsório. Ele tem que comparecer. No entanto, chegando lá, o investigado tem direito: a) ao silêncio; b) à assistência de advogado; c) de não prestar compromisso de dizer a verdade; d) de não sofrer constrangimentos. Caso o investigado não compareça, a CPI poderia determinar a sua condução coercitiva. Desse modo, tivemosdois votos favoráveis à tese de que o paciente não estava obrigado a comparecer à CPI e dois votos contrários. Em caso de empate, prevalece a decisão mais favorável ao paciente. Assim, a 2ª Turma do STF concedeu a ordem de habeas corpus para transformar a compulsoriedade de comparecimento em facultatividade e deixar a cargo do paciente a decisão de comparecer ou não à Câmara dos 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/692baebec3bb4b53d7ebc3b9fabac31b?categoria=1&subcategoria=5&assunto=31 daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 34 Deputados, perante a CPI, para ser ouvido na condição de investigado. STF. 2ª Turma. HC 171438/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 28/5/2019 (Info 942). Min. Gilmar Mendes e Celso de Mello SIM Min. Edson Fachin e Cármen Lúcia NÃO O comparecimento do investigado perante a CPI para ser ouvido é facultativo. Cabe a ele decidir se irá ou não comparecer. Se decidir comparecer ele terá direito: a) ao silêncio; b) à assistência de advogado; c) de não prestar compromisso de dizer a verdade; e de d) não sofrer constrangimentos. O comparecimento do investigado perante a CPI para ser ouvido é compulsório. Ele tem que comparecer. No entanto, chegando lá, o investigado tem direito: a) ao silêncio; b) à assistência de advogado; c) de não prestar compromisso de dizer a verdade; e de d) não sofrer constrangimentos. Caso o investigado não compareça, a CPI não pode determinar a sua condução coercitiva. Aplica-se para as CPIs o mesmo entendimento da ADPF 395/DF. Caso o investigado não compareça, a CPI pode determinar a sua condução coercitiva JURISPRUDÊNCIA DO STF Habeas corpus. 2. Intimação de investigado para comparecimento compulsório à Comissão Parlamentar de Inquérito, sob pena de condução coercitiva e crime de desobediência. 3. Direito ao silêncio e de ser acompanhado por advogado. Precedentes (HC 79.812/SP, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 16.2.2001). 4. Direito à não autoincriminação abrange a faculdade de comparecer ao ato, ou seja, inexiste obrigatoriedade ou sanção pelo não comparecimento. Inteligência do direito ao silêncio. 5. Precedente assentado pelo Plenário na proibição de conduções coercitivas de investigados (ADPF 395 e 444). 6. Ordem concedida para convolar a compulsoriedade de comparecimento em facultatividade. (HC 171438, Relator(a): GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 28/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-204 DIVULG 14-08-2020 PUBLIC 17-08- 2020). No concurso da PGE MS (2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Segundo recente jurisprudência firmada pelo STF, uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) instalada pelo Senado Federal, com a finalidade de investigar suposto cometimento 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 35 de ilícitos pelo poder público em determinado período, a) não poderá convocar o presidente da República para prestar informações e depor sobre assuntos inerentes às suas atribuições, mas poderá fazê-lo quanto aos governadores dos estados. b) poderá convocar o presidente da República e governadores dos estados para prestarem informações e deporem sobre assuntos inerentes às suas atribuições. c) não poderá convocar o presidente da República nem governadores dos estados para prestarem informações e deporem sobre assuntos inerentes às suas atribuições. d) poderá convidar governadores dos estados para prestarem informações e deporem sobre assuntos inerentes às suas atribuições; caso não compareçam voluntariamente, poderão ser conduzidos coercitivamente. e) poderá convocar governadores dos estados para prestarem informações e deporem sobre assuntos inerentes às suas atribuições, mas estes, ao comparecerem, não ficarão obrigados a depor. A alternativa considerada correta foi a letra C. JURISPRUDÊNCIA DO STF Habeas corpus. 2. Intimação de investigado para comparecimento compulsório à Comissão Parlamentar de Inquérito, sob pena de condução coercitiva e crime de desobediência. 3. Direito ao silêncio e de ser acompanhado por advogado. Precedentes (HC 79.812/SP, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 16.2.2001). 4. Direito à não autoincriminação abrange a faculdade de comparecer ao ato, ou seja, inexiste obrigatoriedade ou sanção pelo não comparecimento. Inteligência do direito ao silêncio. 5. Precedente assentado pelo Plenário na proibição de conduções coercitivas de investigados (ADPF 395 e 444). 6. Ordem concedida para convolar a compulsoriedade de comparecimento em facultatividade. (HC 171438, Relator(a): GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 28/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-204 DIVULG 14-08-2020 PUBLIC 17- 08-2020). 2.7.1.3.7. Motivação Toda CPI será motivada, sob pena de padecer de vício de ineficácia. 2.7.1.3.8. Conclusões As CPIs NUNCA podem impor penalidades ou condenações. Os Presidentes da Câmara dos Deputados, Senado Federal ou CN encaminharão o relatório da CPI e a resolução que o aprovar aos 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 36 chefes do MPU ou dos Estados para a responsabilização civil, administrativa ou criminal dos infratores. OBSERVAÇÃO É competência originárias do STF processar e julgar MS e HC impetrados contra CPIs constituídas no âmbito do CN ou de quaisquer de suas casas. JURISPRUDÊNCIA DO STF As Comissões Parlamentares de Inquérito – CPI possuem permissão legal para encaminhar relatório circunstanciado não só ao Ministério Público e à Advocacia-Geral da União, mas, também, a outros órgãos públicos, podendo veicular, inclusive, documentação que possibilite a instauração de inquérito policial em face de pessoas envolvidas nos fatos apurados (art. 58, § 3º, CRFB/88, c/c art. 6º-a da Lei 1.579/52, incluído pela Lei 13.367/2016). STF. Plenário. MS 35216 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/11/2017. OBS.1: É competência originária do STF processar e julgarMS e HC impetrados contra CPIs constituídas no âmbito do CN ou de quaisquer de suas casas. STF E REGRA DA PREJUDICIALIDADE: Será prejudicada as ações de MS e HC sempre que, impetrados contra CPIs, vierem estas a se extinguir em virtude de conclusão de seus trabalhos investigatórios, independente da aprovação ou não do relatório final (Há ainda precedente do STF que NÃO aceita a regra da prejudicialidade). 2.7.1.3.9. CPIs Estaduais NÃO há regra na CF que preveja CPIs NÃO Federais. No entanto, é possível a criação de CPIs Estaduais, em decorrência do equilíbrio do pacto federativo e princípio da separação de poderes. Existem precedentes que admitem o poder de quebra do sigilo fiscal pela CPI Estadual, desde que fundamentado o pedido. Pelo princípio da simetria, entendeu o STF que as prerrogativas decorrentes do art. 58, §3º também se aplicam às CPIs criadas em âmbito estadual (ACO 1.271/RJ). 2.7.1.3.10. CPIs Distritais É possível, ante a simetria. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce daniellerocha Realce ATENÇÃO!! DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 37 2.7.1.3.11. CPIs Municipais A Câmara dos Vereadores, apesar de poder instaurar a CPI, não terá, por si, o poder de quebra do sigilo bancário, devendo haver autorização judicial. STF (Joaquim Barbosa): Os poderes instrutórios NÃO são extensíveis às CPIs municipais, pois se trata de modelo de separação de poderes da CF, de excepcional derrogação deste poder para dar a uma casa legislativa poderes jurisdicionais, posto que instrutórios. Como o Município NÃO dispõe de jurisdição nem poder jurisdicional, não se admite essa transferência de poderes jurisdicionais. Logo: Municípios podem criar CPIs, mas NÃO podem quebrar sigilo bancário. 2.7.1.4. Comissão Mista Formada por deputados e senadores para apreciar os assuntos que devam ser examinados em sessão conjunta pelo CN. 2.7.1.5. Comissão Representativa Constitui-se somente no recesso parlamentar. 2.8. Imunidades Parlamentares São prerrogativas inerentes à função parlamentar, garantidoras da liberdade do exercício das funções. Podem ser: Imunidade Material, Real ou Substantiva Imunidade Processual, Formal ou Adjetiva Inviolabilidade civil pelas opiniões, palavras e votos; Regras sobre prisão e processo dos parlamentares. 2.8.1. Imunidade Parlamentar Federal As imunidades parlamentares são irrenunciáveis, por decorrerem da função exercida, e não da figura do parlamentar. Trata-se de prerrogativa de caráter institucional, inerente ao Poder Legislativo. Por essa razão, as imunidades não se estendem aos suplentes, a não ser que assumam o cargo ou estejam em seu efetivo exercício. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 38 2.8.1.1. Imunidade Material ou Inviolabilidade Parlamentar Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) Os parlamentares são invioláveis civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos, desde que proferidos em razão de suas funções parlamentares, no exercício do mandato, NÃO se restringindo ao âmbito do CN. É irresponsabilidade geral, desde que decorrente do exercício do mandato. Quanto à abrangência, a jurisprudência tradicional do STF estabelece que a presunção absoluta de conexão com a atividade parlamentar — e, portanto, a irresponsabilidade penal, civil e administrativa — somente ocorre quando as manifestações do parlamentar são proferidas dentro do recinto do Congresso Nacional. Nesses casos, não se exige demonstração de nexo funcional. Por outro lado, quando as manifestações ocorrem fora da Casa Legislativa, a imunidade não é automática: a proteção existe apenas se houver nexo funcional entre as declarações e o exercício do mandato, sendo, portanto, uma presunção relativa, passível de exame caso a caso. A presunção absoluta de conexão com a atividade parlamentar e consequente irresponsabilidade só ocorre se as manifestações ocorrerem dentro do Congresso Nacional. Caso contrário pode o parlamentar ser responsabilizado, sendo a presunção relativa. · Dentro do parlamento – nexo funcional é presumido · Fora do Parlamento – a imunidade exige a demonstração do nexo funcional Assim, há presunção absoluta de conexão com a atividade funcional quando praticada dentro do Congresso, portanto não sendo o parlamentar responsabilizado civil e penalmente nesse caso (STF, Inq. 3672/RJ (Info 763/2014) e presunção relativa quando a manifestação se dá fora do congresso e não há conexão com o exercício da atividade parlamentar (STJ no REsp 1.642.310/DF – Info 609/2017). No entanto, no Informativo 831, a primeira turma do STF entendeu que a imunidade material absoluta do parlamentar deve ser relativizada, dependendo de análise de nexo funcional, quando este proferir palavras e opiniões, dentro do recinto parlamentar, PORÉM DIRIGIDO A VEÍCULO DE IMPRENSA E DESTINADO À PUBLICIDADE EXTERNA e não, ao âmbito parlamentar, em plenário. Fique atento à jurisprudência sobre o tema: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 39 JURISPRUDÊNCIA DO STJ O Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que a também Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), “não merece ser estuprada por ser muito ruim, muito feia, não faz meu gênero”. E acrescentou que, se fosse estuprador, "não iria estuprá-la porque ela não merece". O STJ entendeu que a conduta do parlamentar não está abrangida pela imunidade parlamentar e que, portanto, ele deveria ser condenado a pagar indenização por danos morais em favor da Deputada. Decidiu o Tribunal: As opiniões ofensivas proferidas por deputados federais e veiculadas por meio da imprensa, em manifestações que não guardam nenhuma relação com o exercício do mandato, não estão abarcadas pela imunidade material prevista no art. 53 da CF/88e são aptas a gerar dano moral. STJ. 3ª Turma. REsp 1642310-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/8/2017 (Info 609). OBSERVAÇÃO NÃO há mais imunidade material para crimes praticados ANTES DA DIPLOMAÇÃO. A imunidade material tem início com a POSSE, portanto ela NÃO existe para crimes praticados antes da diplomação... o que existia antes da decisão do Supremo era o foro por prerrogativa de função. JURISPRUDÊNCIA DO STF O Deputado Federal Daniel Silveira publicou vídeo no YouTube no qual, além de atacar frontalmente os Ministros do STF, por meio de diversas ameaças e ofensas, expressamente propagou a adoção de medidas antidemocráticas contra a Corte, bem como instigou a adoção de medidas violentas contra a vida e a segurança de seus membros, em clara afronta aos princípios democráticos, republicanos e da separação de Poderes. Tais condutas, além de tipificarem crimes contra a honra do Poder Judiciário e dos Ministros do STF, são previstas como crime na Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170/1973). Não é possível invocar a imunidade parlamentar material (art. 53, da CF/88), neste caso. Isso porque a imunidade material parlamentar não deve ser utilizada para atentar frontalmente contra a própria manutenção do Estado Democrático de Direito. Plenário. Inq 4781 Ref, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/2/2021 (Info 1006). O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no momento em que proferiu as declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, nos casos em que as ofensas são divulgadas pelo próprio parlamentar na Internet. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 40 O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no momento em que proferiu as declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, porque ele depois divulgou essas ofensas na Internet. Outro argumento está no fato de que a inviolabilidade material somente abarca as declarações que apresentem nexo direto e evidente com o exercício das funções parlamentares. No caso concreto, embora tenha feito alusão à Lei Rouanet, o parlamentar nada acrescentou ao debate público sobre a melhor forma de distribuição dos recursos destinados à cultura, limitando-se a proferir palavras ofensivas à dignidade dos querelantes. A liberdade de expressão política dos parlamentares, ainda que vigorosa, deve se manter nos limites da civilidade. STF. 1ª Turma. PET 7174/DF, rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/3/2020 (Info 969). O Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que a também Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), “não merece ser estuprada por ser muito ruim, muito feia, não faz meu gênero”. E acrescentou que, se fosse estuprador, "não iria estuprá-la porque ela não merece". O STJ entendeu que a conduta do parlamentar não está abrangida pela imunidade parlamentar e que, portanto, ele deveria ser condenado a pagar indenização por danos morais em favor da Deputada. Decidiu o Tribunal: As opiniões ofensivas proferidas por deputados federais e veiculadas por meio da imprensa, em manifestações que não guardam nenhuma relação com o exercício do mandato, não estão abarcadas pela imunidade material prevista no art. 53 da CF/88 e são aptas a gerar dano moral. STJ. 3ª Turma.REsp 1642310-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/8/2017 (Info 609). O Deputado Estadual que, ao defender a privatização de banco estadual, presta declarações supostamente falsas sobre o montante das dívidas dessa instituição financeira não comete o delito do art. 3º da Lei nº 7.492/86, estando acobertado pela imunidade material. STF. 1ª Turma. HC 115397/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 16/5/2017 (Info 865). A imunidade parlamentar material (art. 53 da CF/88) protege os Deputados Federais e Senadores, qualquer que seja o âmbito espacial (local) em que exerçam a liberdade de opinião. No entanto, para isso é necessário que as suas declarações tenham conexão (relação) com o desempenho da função legislativa ou tenham sido proferidas em razão dela. Para que as afirmações feitas pelo parlamentar possam ser consideradas como "relacionadas ao exercício do mandato", elas devem ter, ainda de forma mínima, um teor político. Exemplos de afirmações relacionadas com o mandato: declarações sobre fatos que estejam sendo debatidos pela sociedade; discursos sobre fatos que estão sendo investigados por CPI ou pelos órgãos de persecução penal (Polícia, MP); opiniões sobre temas que sejam de interesse de setores da sociedade, do eleitorado, de organizações ou grupos representados no parlamento etc. Palavras e opiniões meramente pessoais, sem relação com o debate democrático de fatos ou ideias não possuem vínculo com o exercício das funções de 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 41 um parlamentar e, portanto, não estão protegidos pela imunidade material. No caso concreto, as palavras do Deputado Federal dizendo que a parlamentar não merecia ser estuprada porque seria muito feia não são declarações que possuem relação com o exercício do mandato e, por essa razão, não estão amparadas pela imunidade material. STF. 1ª Turma. Inq 3932/DF e Pet 5243/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016 (Info 831) A imunidade parlamentar é uma proteção adicional ao direito fundamental de todas as pessoas à liberdade de expressão, previsto no art. 5º, IV e IX, da CF/88. Assim, mesmo quando desbordem e se enquadrem em tipos penais, as palavras dos congressistas, desde que guardem alguma pertinência com suas funções parlamentares, estarão cobertas pela imunidade material do art. 53, “caput”, da CF/88. STF. 1ª Turma. Inq 4088/DF e Inq 4097/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 1º/12/2015 (Info 810). JURISPRUDÊNCIA DO STF Tese fixada: “1. A imunidade material parlamentar (art. 53, caput, c/c art. 27, § 1º, e art. 29, VIII, CF/1988) configura excludente da responsabilidade civil objetiva do Estado (art. 37, § 6º, CF/1988), afastando qualquer pretensão indenizatória em face do ente público por opiniões, palavras e votos cobertos por essa garantia. 2. Nas hipóteses em que a conduta do parlamentar extrapolar os limites da imunidade material, eventual responsabilização recairá de forma pessoal, direta e exclusiva sobre o próprio parlamentar, sob o regime de responsabilidade civil subjetiva.” Resumo: A imunidade material dos parlamentares — que os torna invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos — afasta qualquer pretensão indenizatória em face do ente público, na medida em que consubstancia excludente da responsabilidade civilobjetiva estatal. RE 632.115/CE, relator Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 26.09.2025 (sexta- feira), às 23:59. INFORMATIVO 1192. 2.8.1.2. Imunidade Formal ou Processual 2.8.1.2.1. Para a prisão Art. 53, § 2º, CF/88: § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 42 Relacionada à prisão dos parlamentares e ao processo. Os parlamentares passam a ter imunidade formal para a prisão a partir do momento em que são diplomados pela Justiça Eleitoral (antes da posse), configurando o termo inicial para a atribuição de imunidade formal para a prisão. Fonte do quadro a seguir: Dizer o Direito: REGRA: DEPUTADOS FEDERAIS E SENADORES NÃO PODERÃO SER PRESOS. Exceção 1: Poderão ser presos em flagrante de crime inafiançável. Exceção 2: O Deputado ou Senador condenado por sentença judicial transitada pode ser preso para cumprir pena. Trata-se de exceção prevista expressamente na CF/88. Trata-se de exceção construída pela jurisprudência do STF. Obs: os autos do flagrante serão remetidos, em até 24h, à Câmara ou ao Senado, para que se decida, pelo voto aberto da maioria de seus membros, pela manutenção ou não da prisão do parlamentar. Obs: o parlamentar condenado por sentença transitada em julgado será preso mesmo que não perca o mandato. Poderíamos ter por exemplo, em tese, a esdrúxula situação de um Deputado condenado ao regime semiaberto que, durante o dia vai até o Congresso Nacional trabalhar e, durante a noite, fica recolhido no presídio. OBSERVAÇÃO Existe divergência na doutrina sobre a possibilidade de o Deputado ou Senador ser preso por conta de atraso no pagamento da pensão alimentícia (prisão civil). Admitem: Uadi Bulos e Marcelo Novelino. Não admitem: Pedro Lenza e Bernardo Fernandes. Não há precedente do STF sobre o tema. Em suma, pode-se dizer que o § 2º do art. 53 da CF/88 veda apenas a prisão penal cautelar (provisória) do parlamentar, ou seja, não proíbe a prisão decorrente da sentença transitada em julgado, como foi a hipótese do ex-Deputado Federal Natan Donadon condenado pelo STF na AP 396/RO. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 43 No caso do Senador Delcídio, ele ainda nem foi formalmente denunciado. Dessa forma, não estamos falando em condenação definitiva. Os parlamentares só poderão ser cautelarmente presos nas hipóteses de flagrante de crime inafiançável (“ESTADO DE RELATIVA INCOERCIBILIDADE PESSOAL DOS CONGRESSITAS” – Celso de Melo). Nesse caso, os autos deverão ser encaminhados a Casa Parlamentar respectiva, no prazo de 24 horas para que, pelo voto (ABERTO) da maioria absoluta de seus membros, resolva sobre a prisão. Nota-se que a aprovação pela Casa é condição necessária para a manutenção da prisão em flagrante delito de crime inafiançável. Logo, há duas hipóteses: ● SE A CASA DECIDIR PELA NÃO MANUTENÇÃO DO CÁRCERE, A PRISÃO DEVERÁ SER IMEDIATAMENTE RELAXADA; ● SE A CASA MANTIVER A PRISÃO EM FLAGRANTE, OS AUTOS DEVERÃO SER ENCAMINHADOS, NO PRAZO DE 24 HRS, AO STF. OBSERVAÇÃO Se a prisão for decorrente de sentença judicial transitada em julgado, prevê a CF/88 que a perda do mandato será decidida pela Câmara ou Senado, por voto secreto e maioria absoluta (modalidade: cassação do mandato), em razão da especialidade do art. 53 em relação ao art. 15 da CF/88. Caso Delcídio do Amaral -> O requisito da flagrância restou satisfeito, já que o parlamentar praticou o crime de organização criminosa, que é crime permanente. A inafiançabilidade resulta do fato de o art. 324, IV do CPP proibir a fiança quando estiverem satisfeitos os requisitos da prisão preventiva. Art. 324. Não será, igualmente, concedida fiança: IV - Quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (art. 312). OBSERVAÇÃO CASO DANIEL SILVEIRA -> No dia 16/02/2021, o Deputado Federal Daniel Silveira (PSL/RJ) publicou vídeo de 19m9s, no YouTube, no atacou frontalmente os Ministros do STF, por meio de diversas ameaças e ofensas, e propagou a adoção de medidas antidemocráticas contra a Corte. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 44 No mesmo dia, o Min. Alexandre de Moraes entendeu que as afirmações proferidas configuraram crime e, no âmbito do Inquérito 4.781/DF, determinou a prisão em flagrante do Deputado. O Deputado estava em flagrante delito? R.: Para o Min. Alexandre de Moraes, sim. O Ministro afirmou que: “as condutas criminosas do parlamentar configuram flagrante delito, pois verifica-se, de maneira clara e evidente, a perpetuação dos delitos acima mencionados, uma vez que o referido vídeo permanece disponível e acessível a todos os usuários da rede mundial de computadores, sendo que até o momento, apenas em um canal que fora disponibilizado, o vídeo já conta com mais de 55 mil acessos. Relembre-se que, considera-se em flagrante delito aquele que está cometendo a ação penal, ou ainda acabou de cometê-la. Na presente hipótese, verifica-se que o parlamentar DANIEL SILVEIRA, ao postar e permitir a divulgação do referido vídeo, que repiso, permanece disponível nas redes sociais, encontra-se em infração permanente e consequentemente em flagrante delito, o que permite a consumação de sua prisão em flagrante.” Os crimes supostamente praticados pelo Deputado são inafiançáveis? R.: O Ministro entendeu que sim, pois dois motivos: 1) Porque foram praticados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 323, III, do CPP); e 2) Porque, no caso concreto, estão presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva, de sorte que estamos diantede uma situação que não admite fiança, com base no art. 324, IV, do CPP. (Mesmo argumento invocado no Caso Delcídio do Amaral) Veja esse trecho da decisão do Min. Alexandre de Moraes: “Ressalte-se, ainda, que, a prática das referidas condutas criminosas atentam diretamente contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; apresentando, portanto, todos os requisitos para que, nos termos do artigo 312 do Código de Processo Penal, fosse decretada a prisão preventiva; tornando, consequentemente, essa prática delitiva insuscetível de fiança, na exata previsão do artigo 324, IV do CPP (“Art. 324. Não será, igualmente, concedida fiança: IV quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva). Configura-se, portanto, a possibilidade constitucional de prisão em flagrante de parlamentar pela prática de crime inafiançável, nos termos do §2º, do artigo 53 da Constituição Federal.” (...) As condutas criminosas do parlamentar configuram flagrante delito, pois verifica-se, de maneira clara e evidente, a perpetuação dos delitos acima mencionados, uma vez que o referido vídeo continuava disponível e acessível a todos os usuários da internet. Os crimes que, em tese, 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 45 foram praticados pelo Deputado são inafiançáveis por duas razões: 1) porque foram praticados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5º, XLIV, da CF/88; art. 323, III, do CPP); e 2) porque, no caso concreto, estão presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva, de sorte que estamos diante de uma situação que não admite fiança, com base no art. 324, IV, do CPP. Encontra-se, portanto, configurada a possibilidade constitucional de prisão em flagrante de parlamentar pela prática de crime inafiançável, nos termos do § 2º do art. 53 da CF/88. STF. Plenário. Inq 4781 Ref, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/2/2021 (Info 1006). Caso Aécio Neves - O STF decidiu que é possível a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão (art. 319 do CPP) aos congressistas, sem que isso implique em mácula a sua imunidade à prisão. Contudo, sempre que tais medidas interferirem no exercício da atividade parlamentar (como no caso do afastamento do mandato) deve-se remeter os autos à Casa Legislativa para que delibere no prazo de 24 (vinte e quatro) horas sobre a manutenção das medidas cautelares impostas ao parlamentar (caso Aécio – ADI 5526/DF). STF (Info 579): O inciso VI do art. 319 do CPP pode ser utilizado como fundamento para se afastar do cargo Deputados Federais e Senadores. Os §§ 2º e 3º do art. 55 da CF/88 outorgam às Casas Legislativas do Congresso Nacional a competência para decidir a respeito da perda do mandato político. Isso não significa, no entanto, que o Poder Judiciário não possa suspender o exercício do mandato parlamentar. A legitimidade do deferimento das medidas cautelares de persecução criminal contra Deputados e Senadores encontra abrigo no princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, da CF/88) e no fato de que as imunidades parlamentares não são absolutas, podendo ser relativizadas quando o cargo não for exercido segundo os fins constitucionalmente previstos. Vale ressaltar que os membros do Poder Judiciário e até o chefe do Poder Executivo podem ser suspensos de suas atribuições quando estejam sendo acusados de crime. Desse modo, não há razão para conferir tratamento diferenciado apenas aos Parlamentares, livrando-os de qualquer intervenção preventiva no exercício do mandato por ordem judicial. Fique atento à jurisprudência sobre o tema envolvendo deputados estaduais, os quais possuem as mesmas imunidades formais que os deputados federais. JURISPRUDÊNCIA DO STF Assembleia Legislativa pode rejeitar a prisão preventiva e as medidas cautelares impostas pelo Poder Judiciário contra Deputados Estaduais É constitucional resolução da Assembleia Legislativa que, com base na imunidade parlamentar formal (art. 53, § 2º c/c art. 27, § 1º da CF/88), revoga a prisão preventiva e as medidas cautelares 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c0db17c6772e2a26cb133ad3ba389cce?categoria=1&subcategoria=5&assunto=32 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c0db17c6772e2a26cb133ad3ba389cce?categoria=1&subcategoria=5&assunto=32 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 46 penais que haviam sido impostas pelo Poder Judiciário contra Deputado Estadual, determinando o pleno retorno do parlamentar ao seu mandato. O Poder Legislativo estadual tem a prerrogativa de sustar decisões judiciais de natureza criminal, precárias e efêmeras, cujo teor resulte em afastamento ou limitação da função parlamentar. STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939). 2.8.1.2.2. Para o processo Art. 53, §§ 3° a 5º da CF/88: § 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, POR CRIME OCORRIDO APÓS A DIPLOMAÇÃO, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) § 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) § 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) A imunidade formal abrange apenas processos criminais. Início: com a DIPLOMAÇÃO. Assim, não há imunidade material para crimes praticados ANTES DA DIPLOMAÇÃO. Oferecida denúncia, o Ministro do STF poderá recebê-la sem prévia licença da Casa Parlamentar. Após o recebimento da denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o STF dará ciência a Casa respectiva que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria absoluta de seus membros, decidirá sustar o andamento da ação. O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de 45 dias do seu recebimento pela mesa diretora, e a sustação do processo suspende a prescrição enquanto durar o mandato. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO RO C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 47 OBSERVAÇÃO Qual efeito dessa sustação? Trata-se de causa suspensiva da prescrição. O prazo não zera, ele é interrompido, voltando a correr ao final do mandato STF: já decidiu pelo desmembramento do processo, em razão da diferença do regime de prescrição, em caso de ter havido a sustação do processo de crime praticado após a diplomação, em concurso de agentes, por parlamentar e outro indivíduo que não goze da imunidade. Considerando a importância e a complexidade da temática, vamos explicar de outra forma para melhor compreensão: O Estatuto dos Congressistas é um conjunto de normas jurídicas que estatui o regime jurídico de deputados e senadores e, que diz respeito, sobretudo, aos direitos e imunidades ou aos deveres e impedimentos dos membros do Poder Legislativo. Quando às imunidades, sem dúvida a sua finalidade é a proteção da independência do Poder Legislativo em relação aos outros Poderes e frente à própria sociedade. Com elas, portanto, visa-se o desenvolvimento do princípio da separação dos Poderes e, com isso, homenageia-se o próprio Estado Democrático de Direito. As imunidades parlamentares se subdividem em duas: material e formal. Em suma, a imunidade material (substancial) ou inviolabilidade pode ser definida como a supressão da responsabilidade civil, penal, disciplinar ou política dos parlamentares por suas opiniões, palavras e votos. A natureza jurídica desta imunidade material, para a doutrina majoritária e o STF, é de causa excludente de tipicidade. A imunidade formal, por outro lado, traduz-se na possibilidade dos deputados e senadores não serem presos (ou não permanecerem presos), ou ainda, possibilidade de sustação de ação penal contra deputado ou senador por crime praticado após a diplomação. Subdivide-se, assim, em imunidade formal em relação à prisão e em relação ao processo. A imunidade formal em relação ao processo, em suma, se traduz na mera possibilidade de sustação de ação penal contra congressista por crimes praticados após a diplomação. A imunidade formal em relação à prisão é a que se adequa ao “Estado de Relativa Incoercibilidade dos Congressistas”. Os parlamentares passam a ter imunidade formal para a prisão 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 48 a partir do momento em que são diplomados pela Justiça Eleitoral, configurando o termo inicial para a atribuição de imunidade formal para a prisão. Portanto, em regra, os Deputados e Senadores não poderão ser presos. Há duas exceções, uma prevista expressamente pela própria CRFB (prisão em flagrante de crime inafiançável – prisão cautelar) e outra construída pela jurisprudência do STF (prisão pena de condenação por sentença judicial transitada em julgado). No primeiro caso, os autos da prisão em flagrante serão remetidos em 24 horas à respectiva casa a que pertence o parlamentar preso em flagrante, para que ela decida sobre a prisão pelo quórum de maioria de membros. Os Deputados federais e os senadores possuem imunidade à prisão preventiva e à prisão temporária, não podendo eles sofrerem privação da liberdade por intermédio de mandados eventualmente expedidos em face dessas prisões. É justamente aqui que temos o chamado “estado de relativa incoercibilidade pessoal” (freedom from arrest), podendo apenas, serem presos, conforme acima, em situação de flagrância por crime inafiançável. No caso enfrentado pelo STF, que consubstanciou na prisão do então Senador Delcídio do Amaral, a Suprema Corte entendeu que o congressista estava em flagrante delito pois os crimes perpetrados por ele eram permanentes (integrar organização criminosa e embaraçar investigação envolvendo organização criminosa – art. 2° caput e §1°, respectivamente, da Lei n° 12.850/2013). Quanto à necessidade de o crime ser inafiançável, o STF entendeu que, apesar dos crimes acima descritos não serem crimes absolutamente inafiançáveis, por não estarem listados no art. 323 do CPP, estavam presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva e, com isso, estar-se-ia diante de um cenário que não admite fiança, com fulcro no art. 324, IV do CPP. Ainda, cumpre trazer à discussão, à título de corroboração, o caso do Deputado Federal Daniel Silveira, no qual o STF igualmente reconheceu o estado de flagrância pela prática de crime permanente e a inafiançabilidade porque estavam presentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva. No que concerne à segunda exceção, reconhece o STF que os parlamentares poderão ser presos (prisão pena) no caso de sentença penal condenatória transitada em julgado. O art. 15 c/c 55, IV dá a entender que a perda do mandato seria efeito automático de condenação criminal transitada em julgado a ser meramente declarada pela Mesa, ao passo que o 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 49 art. 55, VI diz que a perda do mandato decorrente de condenação criminal deve ser deliberada da Casa respectiva. O STF, no julgamento do "mensalão", (AP 470 - decisões em 17 e 21.12.2012) decidiu que se deve reconhecer a perda automática do mandato com o trânsito em julgado de condenação do próprio STF (art. 15, III). Assim, se o STF declara na decisão condenatória a perda do mandato, não se aplica o art. 55, §2º e a Casa respectiva deve apenas acatar a decisão do Supremo. Contudo, em momento seguinte (08.08.2013), no julgamento da AP 565 (Senador Ivo Cassol), o STF passou a estabelecer que a perda do mandato de parlamentar condenado não é automática, devendo ser observada a regra do art. 55, § 2º, CF/88, ou seja, a perda deve ser submetida à votação na Casa respectiva. Mais adiante, já em 2017, o STF decidiu da seguinte maneira: 1- Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto: a condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o mandato. 2- Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado (ou seja, um terço das sessões), ele deverá cumprir a pena em penitenciária enão poderá sair para trabalho externo. Logo, não poderá frequentar o Congresso Nacional, devendo, por consequência, perder o mandato com base no art. 55, III, da CF/88. Esse inciso III prevê a perda do mandato ao parlamentar que, em cada sessão legislativa, faltar a 1/3 das sessões ordinárias. Como a sessão legislativa é anual (equivalente a 1 ano), 1/3 significa 4 meses (120 dias). Logo, se o parlamentar ficar preso durante mais de 120 dias, ele não poderá comparecer às sessões neste período e, portanto, deverá ser declarada a perda de seu mandato. No caso deste inciso III, portanto, a perda do mandado é declarada pela Mesa Diretora da Câmara ou do Senado. 2.8.1.3. Prerrogativa de foro Art. 53, § 1º, CF/88: § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. ATENÇÃO 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 50 💣 O tema merece muita atenção, pois houve uma mudança jurisprudencial importantíssima em 2018 (AP 937 QO/RJ). Além disso, recentemente, em 2025, o STF decidiu alterar parcialmente o entendimento firmado na AP 937. 1. Entendimento fixado em 2018 (AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, Info 900): O Supremo Tribunal Federal restringiu o alcance do foro dos Deputados Federais e Senadores., fixando duas teses: a) o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas; b) após a conclusão da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência não mais se alteraria em razão de o agente deixar ou assumir cargo público. -> Critério da atualidade. Esse entendimento vigorou de 2018 até 2025. 2. Entendimento alterado em 2025 (HC 232.627/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, Info 1168): O STF revisou a segunda parte da tese de 2018 e retornou à lógica da antiga Súmula 394 (cancelada em 1999). Fixou-se que: “A prerrogativa de foro para julgamento de crimes praticados no cargo e em razão das funções subsiste mesmo após o afastamento do cargo, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados depois de cessado seu exercício.” Ou seja, permanece válida a primeira parte da tese de 2018 (crimes funcionais devem ter sido cometidos no exercício e em razão do cargo). Contudo, a segunda parte foi superada: agora, a saída do cargo, por qualquer motivo (renúncia, não reeleição, cassação), não faz cessar a competência do STF ou do tribunal competente, mesmo que a instrução processual não esteja encerrada. Critério da Atualidade x Contemporaneidade: O STF antes seguia o critério da atualidade, fixado na AP 937 QO/RJ (2018, Rel. Min. Roberto Barroso), pois considerava que o foro só se mantinha enquanto a autoridade ocupasse o cargo, cessando com a saída, salvo se a instrução já estivesse encerrada. Em 2025, no HC 232.627/DF (Rel. Min. Gilmar Mendes), a Corte retomou o critério da contemporaneidade, segundo o qual o relevante é se o crime foi cometido no exercício e em razão do cargo. Comparativo prático 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 51 • 2018 (AP 937): Senador comete crime funcional no mandato. Se renunciasse antes do fim da instrução, o processo descia para 1ª instância. Se a instrução já tivesse encerrado, o STF mantinha a competência. • 2025 (HC 232.627): Senador comete crime funcional no mandato. Mesmo que renuncie antes do fim da instrução, o processo continua no STF. Impactos da mudança • O critério agora é material (contemporaneidade): se o crime foi praticado durante e em razão do cargo, a competência permanece, independentemente do status atual do agente. • Afasta-se a instabilidade processual do “sobe-e-desce” e a possibilidade de manipulação da jurisdição pela renúncia estratégica. • Retoma-se, em essência, a lógica da Súmula 394 do STF. Tese vigente (2025) 1. O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. 2. A prerrogativa de foro para julgamento desses crimes subsiste mesmo após o afastamento do cargo, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam instaurados depois do término do mandato ou função. -> Critério da Contemporaneidade 💣 2.8.1.3.1. Evolução jurisprudencial do STF O STF inicialmente seguia o sistema da contemporaneidade, consagrado na Súmula 394, segundo o qual bastava que o crime tivesse sido cometido no exercício e em razão do cargo para assegurar o foro especial, mesmo após a saída da função. Posteriormente, com o Inq. 687-QO e o cancelamento da súmula, passou a vigorar o sistema da atualidade, em que a prerrogativa só existia enquanto o agente estivesse no cargo, desaparecendo com o fim do mandato, independentemente da natureza da infração. A tentativa da Lei 10.628/2002 de restaurar a Súmula 394 foi afastada pelo STF na ADI 2.797/DF. Em 2018, na AP 937-QO, a Corte adotou um modelo intermediário, denominado pela doutrina de “atualidade limitada”, que exigia tanto a relação entre o crime e o cargo quanto a permanência no exercício da função, permitindo a manutenção do foro apenas se a instrução já estivesse encerrada. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 52 Por fim, em 2025, no HC 232.627, o STF promoveu nova virada, retornando ao sistema da contemporaneidade: o foro especial permanece para crimes funcionais ainda que o inquérito ou a ação penal se iniciem depois da saída do cargo, prevalecendo a ligação do delito com a função exercida. (a) Situação anterior totalmente superada (até 2018): O foro era aplicado de forma ampla, alcançando crimes praticados antes da diplomação ou sem relação com o cargo. Isso gerava sobrecarga no STF, excesso de processos e prescrição. (b) Mudança em 2018 – AP 937 QO/RJ (Rel. Min. Roberto Barroso, Info 900): O Supremo Tribunal Federal restringiu o alcance do foro dos Deputados Federais36 2.7.1.3.10. CPIs Distritais ........................................................................................................................ 36 2.7.1.3.11. CPIs Municipais ..................................................................................................................... 37 2.7.1.4. Comissão Mista ................................................................................................................................ 37 2.7.1.5. Comissão Representativa ............................................................................................................. 37 2.8. Imunidades Parlamentares .......................................................................................................................... 37 2.8.1. Imunidade Parlamentar Federal ......................................................................................................... 37 2.8.1.1. Imunidade Material ou Inviolabilidade Parlamentar ............................................................ 38 2.8.1.2. Imunidade Formal ou Processual ............................................................................................... 41 2.8.1.2.1. Para a prisão ............................................................................................................................. 41 2.8.1.2.2. Para o processo ....................................................................................................................... 46 2.8.1.3. Prerrogativa de foro ....................................................................................................................... 49 2.8.1.3.1. Ciranda de processos ............................................................................................................. 51 2.8.1.3.2. Foro por prerrogativa de função e jurisdições de categorias diversas ................... 55 2.8.1.3.3. O congressista em licença mantém o foro por prerrogativa de função ................. 55 2.8.2. Outras garantias ...................................................................................................................................... 57 2.8.3. Observações ............................................................................................................................................. 58 2.8.4. Parlamentares Estaduais ...................................................................................................................... 59 2.8.5. Parlamentares Municipais .................................................................................................................... 60 2.8.6. Jurisprudência ........................................................................................................................................... 61 2.9. Incompatibilidades e impedimentos dos parlamentares ................................................................... 62 2.10. Perda do mandato ........................................................................................................................................ 62 2.11. Processo Legislativo .................................................................................................................................... 72 2.11.1. Processo legislativo de leis ordinárias e complementares ..................................................... 73 2.11.1.1. Iniciativa ........................................................................................................................................... 73 2.11.1.2. Fase Constitutiva – Deliberação Parlamentar ..................................................................... 79 2.11.1.3. Processo de Votação ................................................................................................................... 80 2.11.1.4. Casa Revisora ................................................................................................................................ 81 2.11.1.5. Deliberação executiva – sanção e veto .................................................................................. 82 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 5 2.11.1.5.1. Sanção e veto ........................................................................................................................ 82 2.11.1.6. Fase complementar: promulgação e publicação ................................................................ 83 2.11.1.6.1. Promulgação .......................................................................................................................... 83 2.11.1.6.2 Publicação ................................................................................................................................ 84 2.11.2. Espécies normativas ............................................................................................................................ 85 2.11.2.1. Emendas Constitucionais ........................................................................................................... 85 2.11.2.1.1. Limitações formais ou procedimentais .......................................................................... 85 2.11.2.1.1.1 Iniciativa (ART. 60, I, II, III): .......................................................................................... 85 2.11.2.1.1.2 Quórum de aprovação .................................................................................................. 86 2.11.2.1.1.3 Promulgação ................................................................................................................... 86 2.11.2.1.1.4 Proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada ............................... 86 2.11.2.1.2 Limitações Circunstanciais (Art. 60, § 1º) ...................................................................... 87 2.11.2.1.3 Limitações Materiais (Art. 60, § 4º) .................................................................................. 87 2.11.2.1.4 Limitações Temporais .......................................................................................................... 88 2.11.2.1.5 Limitações Implícitas ............................................................................................................ 88 2.11.2.1.6 Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos ............................. 89 2.11.2.2 Lei complementar e lei ordinária .............................................................................................. 89 2.11.2.3. Lei Delegada .................................................................................................................................. 90 2.11.2.4. Medida Provisória ......................................................................................................................... 91 2.11.2.4.1. Processo de criação ............................................................................................................. 92 2.11.2.4.2. Parecer prévio da comissão mista e inconstitucionalidade da Res. 1/2002-CN .......................................................................................................................................................................... 94 2.11.2.4.3. Medidas a serem adotadas pelo CN ..............................................................................e Senadores, fixando duas teses: 1. O foro aplica-se apenas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções. 2. Após o término da instrução (publicação do despacho de intimação para alegações finais), a competência não mais seria alterada pela saída ou mudança de cargo do agente. · Comentários sobre a 1ª parte da tese de 2018 (que continua válida): · · O STF adotou uma interpretação restritiva do foro de prerrogativa de função previsto na CF para os parlamentares federais. · (1) CF prevê um sistema de foro extremamente ampliado que alcança inúmeros agentes público, tão alargado que gera consequências graves e indesejáveis para a justiça. (2) O modelo de foro por prerrogativa tal qual delineado impede o gozo de garantias importantes como o direito ao duplo grau de jurisdição, previsto em alguns diplomas internacionais de que o brasil é signatário como CADH. (3) Foro por prerrogativa de função é garantia para resguardar a função exercida e não, o agente público nela investido de forma que sua incidência deve ficar adstrita as infrações comuns praticadas após a diplomação e em razão do cargo. Nesse sentido, chegamos à seguinte conclusão: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 53 ✔ Infração cometida durante o exercício da função parlamentar: A competência será do STF, sendo desnecessário pedir autorização a Casa respectiva, bastando dar ciência ao Legislativo, que poderá sustar o andamento da ação; ✔ Delito cometido ANTES do exercício parlamentar: Antigamente, diplomando-se o réu, o processo deveria ser remetido imediatamente ao STF que, entendido preenchidos os requisitos, daria prosseguimento à ação penal. Pela nova regra, como foi crime praticado antes da diplomação, NÃO há mais imunidade processual. Findo o mandato, caso o processo não tenha terminado, será encerrada a competência do STF, devendo o processo retornar para o juiz natural. ✔ Delito cometido APÓS o encerramento do mandato: NÃO há foro por prerrogativa de função (Art. 451 STF) Se os fatos criminosos que teriam sido supostamente cometidos pelo Deputado Federal não se relacionam ao exercício do mandato, a competência para julgá-los não é do STF, mas sim do juízo de 1ª instância. Isso porque o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018). Comentários sobre a 2ª parte da tese (superada pelo entendimento de 2025): Essa segunda parte estabelecia um marco temporal para evitar a chamada “ciranda de processos” (sobe e desce de competência). Adotava-se o critério da atualidade, o critério da atualidade vincula o foro ao exercício presente do cargo, ou seja, a prerrogativa existe apenas enquanto o agente estiver formalmente no cargo público. Essa parte foi modificada pelo entendimento fixado em 2025, que veremos a seguir. (c) Revisão em 2025 – HC 232.627/DF (Rel. Min. Gilmar Mendes, Info 1168): O STF alterou a segunda parte da tese e retomou, na prática, o conteúdo da antiga Súmula 394. A Corte decidiu que: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 54 “A prerrogativa de foro para julgamento de crimes praticados no cargo e em razão das funções subsiste mesmo após o afastamento do cargo, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados depois de cessado seu exercício.” Portanto: • A 1ª parte da tese de 2018 permanece válida (foro apenas para crimes funcionais praticados no exercício do cargo). • A 2ª parte foi superada: agora, mesmo após a saída do cargo, o foro subsiste para os crimes funcionais. Comentários sobre o HC 232.627/DF (2025): O Tribunal, sob a Relatoria do Excelentíssimo Senhor Ministro GILMAR MENDES, no HC 232.627/DF, entendeu que, nas hipóteses de crimes funcionais, a imposição da remessa dos autos para a primeira instância com o término do exercício funcional subverte a finalidade do foro por prerrogativa de função. Isso ocorre porque, além de ser contraproducente ao causar flutuações de competência (“sobe e desce”) no decorrer das causas criminais e trazer instabilidade ao sistema de Justiça, permite a alteração da competência absoluta ratione personae ou ratione funcionae por ato voluntário do agente público acusado, ao renunciar ao mandato ou à função antes do final da instrução processual. Assim, a Corte firmou a perpetuação da competência para o julgamento de crimes funcionais com base em uma interpretação mais ampla do foro especial, centrada na natureza do crime praticado pelo agente, em vez de critérios temporais relacionados à permanência no cargo ou ao exercício atual do mandato, que podem ser manipulados pelo acusado. Ademais, a saída do cargo somente afasta o foro privativo na hipótese de crimes perpetrados antes da investidura no cargo ou que não possuam relação com o seu exercício. RESUMO: O STF consolidou o critério da contemporaneidade: o foro existe se o crime foi cometido durante o exercício do cargo e em razão dele, independentemente de a autoridade ainda estar no cargo quando o processo tramitar. Dessa forma, no Informativo 1168 do STF, restou fixada a seguinte TESE: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 55 “A prerrogativa de foro para julgamento de crimes praticados no cargo e em razão das funções subsiste mesmo após o afastamento do cargo, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados depois de cessado seu exercício.” 2.8.1.3.2. Foro por prerrogativa de função e jurisdições de categorias diversas Em razão de circunstâncias especiais, demonstradas no caso concreto, no concurso de jurisdições de diversas categorias predominará a de maior graduação, podendo se deliberar no julgamento conjunto de todos os corréus (caso do mensalão). 2.8.1.3.3. O congressista em licença mantém o foro por prerrogativa de função Decidiu o STF que, “embora licenciadopara o desempenho de cargo de secretário de estado, o nos termos autorizados pelo art. 56, I, da CF, o membro do Congresso Nacional não perde o mandato de que é titular e mantém, em consequência, nos crimes comuns, a prerrogativa de foro, ratione muneris, perante o STF” (INQ. 3.357 – 2014). Por outro lado, o congressista investido em cargo de ministro de estado perde ambas as imunidades (formal e material), mas mantém o foro por prerrogativa de função (INQ-QO 1070/TO – 200; INQ 104; INQ 777-QO). Por fim, vale ressaltar que a prerrogativa de foro conferida aos membros do congresso nacional somente se estenderá ao suplente no caso de efetivo exercício da atividade parlamentar (AP 665/MT). OBSERVAÇÃO ENTENDIMENTOS JURISPRUDENCIAIS SUPERADOS PELO NOVO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STF NO HC 232.627 (2025): PRORROGAÇÃO DO FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO E REELEIÇÃO Na vigência da orientação estabelecida na AP 937 QO/RJ (STF, Pleno, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018, Info 900), que adotava o chamado critério da atualidade limitada, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça passou a criar exceções, admitindo a ampliação do foro por prerrogativa de função em hipóteses pontuais. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 56 Entre os precedentes que seguiam essa linha, destacam-se: • O STF reconheceu a possibilidade de se manter a competência penal originária em casos de “mandatos cruzados”, isto é, quando o parlamentar federal, sem interrupção, passa de uma Casa Legislativa para outra. Nessas situações, entendeu-se que não havia quebra de continuidade e o foro deveria ser preservado. (STF. Plenário. Inq. 4342 QO/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 01/04/2022, Info 1049). • O STJ, por sua vez, decidiu que, ocorrendo interrupção entre mandatos, não haveria prorrogação da prerrogativa de foro em relação a atos praticados no período anterior. (STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 182.049/DF, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 08/08/2023, Info 785). • Também no STJ, firmou-se entendimento de que os Conselheiros estaduais e distritais dos Tribunais de Contas deveriam gozar das mesmas garantias atribuídas aos Desembargadores dos Tribunais de Justiça, incluindo o foro especial durante o exercício da função, ainda que o crime não tivesse nexo direto com as atividades exercidas. (STJ. Corte Especial. AgRg na Rcl 42.804/DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 16/08/2023, Info 783). • Em outra decisão, o STJ definiu que cabia à Corte processar e julgar o Governador em exercício que, no mesmo mandato, tenha deixado o cargo de vice-governador, quando os fatos apurados estivessem ligados às funções desempenhadas no âmbito do Executivo estadual. (STJ. Corte Especial. QO no AgRg na APn 973/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. p/ acórdão Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 03/05/2023, Info 775). Com a guinada jurisprudencial promovida no HC 232.627/DF (STF, Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 12/03/2025, Info 1168), o Supremo restabeleceu a lógica da contemporaneidade, reafirmando que o foro subsiste sempre que o crime tiver sido cometido durante e em razão do exercício do cargo, ainda que o agente já não o ocupe quando iniciado o inquérito ou a ação penal. Em razão disso, todas as construções excepcionais feitas na vigência do entendimento anterior (AP 937) perderam aplicabilidade, estando superadas pela nova orientação. ATENÇÃO Embora estejamos tratando das imunidades sobre os PARLAMENTARES FEDERAIS, por questões meramente didáticas e de pertinência com o tema, iremos falar da aplicação da decisão acima aos desembargadores. (Essa ordem facilita a compreensão, pois os argumentos utilizados estão dentro da mesma decisão!). 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 57 OBSERVAÇÃO Obs.1: A RESTRIÇÃO DO FORO POR PRERROGATIVA NÃO SE APLICA A DESEMBARGADORES E NEM AOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO E NEM AOS CONSELHEIROS DO TRIBUNAL DE CONTAS O entendimento que restringiu o âmbito do foro por prerrogativa no que diz respeito aos agentes políticos não se aplica aos desembargadores dos TJ´s. Dessa forma, o STJ continua sendo competente para julgar quaisquer crimes imputados a Desembargadores, não apenas os que tenham relação com o exercício do cargo. Igualmente, também não se aplica aos membros do Ministério Público e também aos Conselheiros do Tribunal de Contas. Veja a jurisprudência: As mesmas garantias e prerrogativas outorgadas aos Desembargadores dos Tribunais de Justiça devem ser estendidas aos Conselheiros estaduais e distritais, no que se inclui o reconhecimento do foro por prerrogativa de função durante o exercício do cargo, haja, ou não, relação de causalidade entre a infração penal e o cargo. STJ. Corte Especial. AgRg na Rcl 42.804/DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 16/8/2023 (Info 783). Veja a jurisprudência: JURISPRUDÊNCIA DO STJ O Superior Tribunal de Justiça é o tribunal competente para o julgamento nas hipóteses em que, não fosse a prerrogativa de foro (art. 105, I, da CF/88), o desembargador acusado houvesse de responder à ação penal perante juiz de primeiro grau vinculado ao mesmo tribunal. Assim, mesmo que o crime cometido pelo Desembargador não esteja relacionado com as suas funções, ele será julgado pelo STJ se a remessa para a 1ª instância significar que o réu seria julgado por um juiz de primeiro grau vinculado ao mesmo tribunal que o Desembargador. A manutenção do julgamento no STJ tem por objetivo preservar a isenção (imparcialidade e independência) do órgão julgador. STJ. Corte Especial. QO na APn 878-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/11/2018 (Info 639). 2.8.2. Outras garantias 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 58 ● SIGILO DA FONTE: Deputados e senadores NÃO são obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão de exercício ou mandato, nem sobre as pessoas em que lhesconfiaram ou deles receberam a informação. OBSERVAÇÃO É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja a possibilidade de a Assembleia Legislativa convocar o Presidente do TJ ou o PGJ para prestar informações, sob pena de crime de responsabilidade É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja a possibilidade de a Assembleia Legislativa convocar o Presidente do Tribunal de Justiça ou o Procurador-Geral de Justiça para prestar informações na Casa, afirmando que a sua ausência configura crime de responsabilidade. O art. 50 da CF/88, norma de reprodução obrigatória, somente autoriza que o Poder Legislativo convoque autoridades do Poder Executivo, e não do Poder Judiciário ou do Ministério Público. Não podem os Estados-membros ampliar o rol de autoridades sujeitas à convocação pelo Poder Legislativo e à sanção por crime de responsabilidade, por violação ao princípio da simetria e à competência privativa da União para legislar sobre o tema. STF. Plenário. ADI 2911, Rel. Carlos Britto, julgado em 10/08/2006. STF. Plenário. ADI 5416, Rel. Gilmar Mendes, julgado em 03/04/2020 (Info 977). ● INCORPORAÇÃO ÀS FORÇAS ARMADAS: Dependerá de prévia licença da Casa respectiva. ● IMUNIDADES DURANTE ESTADO DE SÍTIO E DE DEFESA SUBSISTEM: Apenas durante o estado de sítio as imunidades poderão ser suspensas, pelo voto de 2/3 dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso que sejam incompatíveis com a execução da medida. 2.8.3. Observações ● As imunidades parlamentares são IRRENUNCIÁVEIS, pois decorrem da função exercida, e não da figura do parlamentar (prerrogativa de caráter institucional); ● As imunidades NÃO se estendem aos suplentes, pois são prerrogativas decorrentes do exercício da função parlamentar. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/607bc9ebe4abfcd65181bfbef6252830?categoria=1&subcategoria=5 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/607bc9ebe4abfcd65181bfbef6252830?categoria=1&subcategoria=5 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/607bc9ebe4abfcd65181bfbef6252830?categoria=1&subcategoria=5 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 59 2.8.4. Parlamentares Estaduais Possuem as mesmas regras quanto a sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às forças armadas. JURISPRUDÊNCIA DO STF Deputados Estaduais gozam das mesmas imunidades formais previstas para os parlamentares federais no art. 53 da CF/88 São constitucionais dispositivos da Constituição do Estado que estendem aos Deputados Estaduais as imunidades formais previstas no art. 53 da Constituição Federal para Deputados Federais e Senadores. A leitura da Constituição da República revela, sob os ângulos literal e sistemático, que os Deputados Estaduais também têm direito às imunidades formal e material e à inviolabilidade que foram conferidas pelo constituinte aos congressistas (membros do Congresso Nacional). Isso porque tais imunidades foram expressamente estendidas aos Deputados pelo § 1º do art. 27 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939). É constitucional resolução da Assembleia Legislativa que, com base na imunidade parlamentar formal (art. 53, § 2º c/c art. 27, § 1º da CF/88), revoga a prisão preventiva e as medidas cautelares penais que haviam sido impostas pelo Poder Judiciário contra Deputado Estadual, determinando o pleno retorno do parlamentar ao seu mandato. O Poder Legislativo estadual tem a prerrogativa de sustar decisões judiciais de natureza criminal, precárias e efêmeras, cujo teor resulte em afastamento ou limitação da função parlamentar. STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939). Por força do § 1º do art. 27 da Constituição Federal de 1988, as imunidades materiais e formais conferidas aos membros do Congresso Nacional (deputados federais e senadores) estendem-se aos deputados estaduais. (ADI 5.824/RJ, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 16.12.2022 (sexta-feira), às 23:59. ADI 5.825/MT, relator Ministro 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4e369c0a468d3aeeda0593ba90b5e55?categoria=1&subcategoria=5&assunto=32 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4e369c0a468d3aeeda0593ba90b5e55?categoria=1&subcategoria=5&assunto=32 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 60 Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 16.12.2022 (sexta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1081) 2.8.5. Parlamentares Municipais O vereador só terá imunidade material (excluindo-se a responsabilidade penal e civil), desde que o ato tenha sido praticado na circunscrição municipal, em razão do seu ofício. JURISPRUDÊNCIA DO STF Durante sessão da Câmara Municipal, após discussão sobre uma representação contra o Prefeito, um Vereador passou a proferir pesadas ofensas contra outro Parlamentar. O Vereador ofendido ajuizou ação de indenização por danos morais contra o ofensor. A questão chegou até o STF que, julgando o tema sob a sistemática da repercussão geral, declarou que o Vereador não deveria ser condenado porque agiu sob o manto da imunidade material. Na oportunidade, o STF definiu a seguinte tese que deverá ser aplicada aos casos semelhantes: Nos limites da circunscrição do Município e havendo pertinência com o exercício do mandato, garante- se a imunidade prevista no art. 29, VIII, da CF aos vereadores. STF. Plenário. RE 600063/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 25/2/2015 (repercussão geral) (Info 775). Cuidado! Parlamentares municipais NÃO GOZAM DE IMUNIDADE FORMAL – prisional ou processual. Trata- se de norma de exceção, devendo, portanto, ser interpretada restritivamente. JURISPRUDÊNCIA DO STJ Inf. 617, 1ª T. STJ – 2018: É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a parlamentares municipais as medidas cautelares de afastamento de suas funções legislativas sem necessidade de remessa à Casa respectiva para deliberação. Cuidado! 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E ARAU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 61 A imunidades parlamentares se sujeitam ao princípio da simetria, de modo que as Constituições Estaduais não podem ampliar ou restringir a imunidade dos parlamentares municipais estabelecida na CF/88. 2.8.6. Jurisprudência JURISPRUDÊNCIA DO STF É inconstitucional — por subverter os princípios republicano e democrático em seus aspectos basilares: periodicidade dos pleitos, alternância do poder, controle e fiscalização do poder, promoção do pluralismo, representação e soberania popular (CF/1988, arts. 1º, caput, V e parágrafo único; e 60, § 4º, II) — norma de Constituição estadual que prevê eleições concomitantes (no início de cada legislatura) da Mesa Diretora de Assembleia Legislativa para os dois biênios subsequentes. ADI 7.350/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 08.03.2024 (sexta- feira), às 23:59. INFORMATIVO 1128. A instauração de inquérito e demais atos investigativos em desfavor de agentes públicos detentores de foro por prerrogativa de função depende da prévia autorização do órgão judicial competente pela supervisão das investigações penais originárias. ADI 7.447/PA, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 20.11.2023 (segunda-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1117. O prazo previsto para a convocação de suplente, no caso de licença de parlamentar para tratar de interesses particulares (CF/1988, art. 56, § 1º), é de observância obrigatória pelos estados- membros e deve ser adotado pelas respectivas Assembleias Legislativas. ADI 7.253/AC, relatora Ministra Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em 19.5.2023 (sexta- feira), às 23:59. INFORMATIVO 1095. É inconstitucional — por representar modalidade de reajustamento automático e, desse modo, violar o princípio da reserva legal (CF/1988, art. 27, § 2º), o pacto federativo e a vedação à equiparação entre espécies remuneratórias (CF/1988, art. 37, XIII) — lei estadual que vincula a remuneração dos deputados estaduais à dos deputados federais. ADI 6.545/DF, relator Ministro Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 12.4.2023 (quarta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1090. Por força do § 1º do art. 27 da Constituição Federal de 1988, as imunidades materiais e formais conferidas aos membros do Congresso Nacional (deputados federais e senadores) estendem- se aos deputados estaduais. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 62 ADI 5.824/RJ, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 16.12.2022 (sexta- feira), às 23:59. INFORMATIVO 1081. ADI 5.825/MT, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 16.12.2022 (sexta- feira), às 23:59. INFORMATIVO 1081. 2.9. Incompatibilidades e impedimentos dos parlamentares Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão: I - DESDE A EXPEDIÇÃO DO DIPLOMA: A) Firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes; B) Aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior; II - DESDE A POSSE: A) Ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada; B) Ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas no inciso i, "a"; C) Patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso i, "a"; D) Ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo. 2.10. Perda do mandato HIPÓTESES PECULIARIDADES I - Infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior; CASSAÇÃO §2º A perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. II - Cujo procedimento for declarado § 1º - É incompatível com o decoro 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 63 incompatível com o decoro parlamentar; CASSAÇÃO parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas. Conforme o §2º, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. III - Que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; EXTINÇÃO DO MANDATO §3º. A perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. IV - Que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; EXTINÇÃO §3º. A perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. V -Quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta CF; EXTINÇÃO §3º. A perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. VI -Que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. CASSAÇÃO §2º A perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. OBSERVAÇÃO 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 64 É perfeitamente possível a renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levá-lo à perda do mandato. Todavia, a renúncia terá seus efeitos suspensos até a decisão final, se não concluir pela perda do mandato (efeito suspensivo). A perda do mandato por infidelidade partidária não se aplica a cargos eletivos majoritários Se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, decidir sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa? a) Se for um cargo eletivo MAJORITÁRIO: NÃO A perda do mandato em razão de mudança de partido não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário, sob pena de violação da soberania popular e das escolhas feitas pelo eleitor. No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário. Nos pleitos dessa natureza, os eleitores votam no candidato e não no seu partido político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição da perda do mandato por infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular. b) Se for um cargo eletivo PROPORCIONAL: SIM O mandato parlamentar conquistado no sistema eleitoral proporcional pertence ao partido político. Assim, se o parlamentar eleito decidir mudar de partido político, ele sofrerá um processo na Justiça Eleitoral que poderá resultar na perda do seu mandato. Neste processo, com contraditório e ampla defesa, será analisado se havia justa causa para essa mudança. STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). Quais as hipóteses que atualmente podem ser consideradas como justa causa para a mudança de partido? As situações estão elencadas no art. 22-A da Lei nº 9.096/95 (Incluído pela Lei nº 13.165/2015). Importante citar também a exceção prevista no § 5º do art. 17 da CF/88 (Incluído pela EC 97/2017). NÃO HAVERÁ A PERDA DO MANDATO (ART. 56 CF/88): ● Investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão diplomática temporária => Apesar de não perder o mandato, as imunidades ficarão suspensas, mas a prerrogativa de foro em matéria penal permanece (STF); ● Licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1d7f7abc18fcb43975065399b0d1e48e?categoria=1&subcategoria=5 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 65 § 1º - O suplente será convocado nos casos de vaga, de investidura em funções previstas neste artigo ou de licença superior a cento e vinte dias. § 2º - Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato. § 3º - Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador poderá optar pela remuneração do mandato. ATENÇÃO Sobre o § 1º do art. 56, o STF decidiu: O prazo previsto para a convocação de suplente, no caso de licença de parlamentar para tratar de interesses particulares (CF/1988, art. 56, § 1º), é de observância obrigatória pelos estados-membros e deve ser adotado pelas respectivas Assembleias Legislativas. Conforme jurisprudência desta Corte, o princípio da simetria submete estados e municípios a observarem, em suas ordens jurídicas, os parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. Na espécie, a norma impugnada, ao diminuir o prazo para convocação de suplente de deputado estadual licenciado, propicia a alternância excessiva no exercício do mandato e até mesmo o abuso da prerrogativa de licença para tratar de interesse particular, em ofensa aos princípios republicano, democrático, da soberania popular e da moralidade administrativa. (ADI 7.253/AC, relatora Ministra Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em 19.5.2023 (sexta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1095) OBSERVAÇÃO PERDA DO MANDATO X CONDENAÇÃO CRIMINAL A condenação criminal transitada em julgado importa em perda do mandato? A discussão toda gira em torno do conflito aparente entre os artigos. 15 c/c 55, IV, e 55, VI, da CF. O art. 15 c/c 55, IV dá a entender que a perda do mandato seria efeito automático de condenação criminal transitada em julgado a ser meramente declarada pela Mesa, ao passo que o art. 55, VI diz que a perda decorrente de condenação criminal deve ser deliberada da Casa respectiva. Vamos ler os dispositivos para compreender melhor o imbróglio: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 66 Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador: IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; § 3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. § 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013) O STF, no julgamento do "mensalão", (AP 470 - decisões em 17 e 21.12.2012) decidiu que se deve reconhecer a perda automática do mandato com o trânsito em julgado de condenação do próprio STF (art. 15, III). Assim, se o STF declara na decisão condenatória a perda do mandato, não se aplica o art. 55, §2º e a Casa respectiva deve apenas acatar a decisão do Supremo. Contudo, em momento seguinte (08.08.2013), no julgamento da AP 565 (Senador Ivo Cassol), o STF passou a estabelecer que a perda do mandato deparlamentar condenado não é automática, devendo ser observada a regra do art. 55, § 2º, CF/88, ou seja, a perda deve ser submetida à votação na Casa respectiva. Mais adiante, já em 2017, o STF decidiu da seguinte maneira (Dizer o Direito): 1- Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto: a condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o mandato. 2- Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado (ou seja, um terço das sessões), ele deverá cumprir a pena em penitenciária e não poderá sair para trabalho externo. Logo, 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 http://www.dizerodireito.com.br/2017/06/se-o-stf-condenar-um-parlamentar.html DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 67 não poderá frequentar o Congresso Nacional, devendo, por consequência, perder o mandato com base no art. 55, III, da CF/88: Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador: III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; Esse inciso III prevê a perda do mandato ao parlamentar que, em cada sessão legislativa, faltar a 1/3 das sessões ordinárias. Como a sessão legislativa é anual (equivalente a 1 ano), 1/3 significa 4 meses (120 dias). Logo, se o parlamentar irá ficar preso durante mais de 120 dias, ele não poderá comparecer às sessões neste período e, portanto, deverá ser declarada a perda de seu mandato. No caso deste inciso III, a perda do mandado é declarada pela Mesa Diretora da Câmara ou do Senado: Art. 55 (...) § 3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. INFORMATIVOS E JULGADOS IMPORTANTES SOBRE O TEMA: JURISPRUDÊNCIA DO STF INFORMATIVO 863 DO STF – 1ª TURMA Perda do mandato parlamentar e declaração da mesa diretora da casa legislativa A Primeira Turma, em conclusão e por maioria, julgou procedente ação penal e condenou deputado federal à pena de 12 anos, 6 meses e 6 dias de reclusão, em regime inicial fechado, mais 374 dias-multa no valor de 3 salários mínimos, pela prática dos crimes de corrupção passiva [Código Penal, art. 317 (1)] e lavagem de dinheiro [Lei 9.613/1998, art. 1º, V (2)]. Como efeitos da condenação foram determinadas a perda do mandato parlamentar e a interdição para o exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor, membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas citadas na lei de combate à lavagem de dinheiro (redação anterior), pelo dobro da duração da pena privativa de liberdade. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 68 No caso, foi revelado esquema criminoso que atuou em vários Estados, com o objetivo de desviar recursos públicos por meio da aquisição superfaturada, por prefeituras, de ambulâncias e equipamentos médicos, como resultado de licitações direcionadas. Segundo a acusação, cabia ao deputado condenado apresentar emendas ao orçamento geral da União, destinadas a Municípios das regiões norte e nordeste do Estado do Rio de Janeiro, para beneficiar grupo empresarial. Em relação ao crime de corrupção passiva, o Colegiado considerou haver nos autos elementos de provas que demonstram o recebimento de vantagens indevidas por meio de depósitos em contas- correntes de terceiros. O livro-caixa da empresa apreendido na operação continha registros de pagamento ao acusado com as datas e os valores dos repasses. Além disso, em acordo de colaboração premiada, os proprietários afirmaram haver acertado o pagamento de comissão de 10% sobre o valor de cada emenda apresentada, fato comprovado por meio de recibos de operações de crédito efetuadas em nome de pessoas ligadas ao parlamentar condenado. Quanto ao crime de lavagem de dinheiro, a Turma concluiu que as provas colhidas nos autos indicam que os valores recebidos por terceiros foram utilizados para pagamento de despesas do deputado com aluguel de imóveis, aquisição de veículos e quitação de impostos. Essa foi a forma como o acusado efetivou a circulação dissimulada dos valores, por terceiros e em benefício próprio, convertendo dinheiro oriundo de corrupção em bens e serviços incorporáveis ao seu patrimônio formal. Quanto a esse crime, ficou vencido o ministro Marco Aurélio, que votou pela absolvição do acusado. Relativamente à fixação da pena e aos efeitos da condenação, a ministra Rosa Weber (relatora) ressaltou que a corrupção ocorreu em momento singular de cooptação de parlamentar federal para esquema criminoso, planejado e infiltrado nos altos cargos da Administração Pública. Além do descrédito para a democracia, o crime drenou recursos da saúde pública, área extremamente carente na sociedade brasileira. A motivação foi criar fonte perene de recursos ilícitos provenientes da corrupção associada a métodos de lavagem de capitais diretamente conectados ao mandato parlamentar. Quanto à pena, prevaleceu o voto da relatora, também por maioria. Vencido o ministro Alexandre de Moraes, que majorou a pena em relação a cada crime, presente a continuidade delitiva, na metade. O Colegiado, nos termos do voto do ministro Roberto Barroso e por decisão majoritária, decidiu pela perda do mandato com base no inciso III do art. 55 da Constituição Federal (CF) (3), que prevê essa punição ao parlamentar que, em cada sessão legislativa, faltar a 1/3 das sessões ordinárias. Nesse caso, não há necessidade de deliberação do Plenário e a perda do mandato deve ser automaticamente declarada pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 69 Salientou que, como regra geral, quando a condenação ultrapassar 120 dias em regime fechado,a perda do mandato é consequência lógica. Nos casos de condenação em regime inicial aberto ou semiaberto, há a possibilidade de autorização de trabalho externo, que inexiste em condenação em regime fechado. Ressaltou que a CF é clara ao estabelecer que o parlamentar que não comparecer a mais de 120 dias ou a 1/3 das sessões legislativas perde o mandato por declaração da Mesa, e não por deliberação do Plenário. Assim, para quem está condenado à prisão em regime fechado, no qual deva permanecer por mais de 120 dias, a perda é automática. Vencido, quanto à interdição, o ministro Marco Aurélio. Por último, a Turma assentou a perda do mandato e sinalizou a necessidade de declaração pela Mesa da Câmara, nos termos do § 3º do art. 55 da CF (4). (1) CF/1988: “Art. 317. Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem.” (2) Lei 9.613/1998: “Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. (...) V – contra a Administração Pública, inclusive a exigência, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, de qualquer vantagem, como condição ou preço para a prática ou omissão de atos administrativos;” (3) CF/1988: “Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador: (...) III – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;” (4) CF/1988: “Art. 55. (...) § 3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.” AP 694/MT, rel. Min. Rosa Weber, julgamento em 2.5.2017. (AP-694) AP 996 – 2ª TURMA Decisão: Prosseguindo no julgamento do feito, quanto ao mérito, a Turma, por maioria, julgou procedente em parte a denúncia para i) condenar o réu Nelson Meurer como incurso nas sanções do art. 317, § 1º, do Código Penal (corrupção passiva), por trinta vezes, vencidos, nesse ponto, os Ministros Relator e Revisor que o condenavam também pelo crime de corrupção passiva decorrente do fato referente à doação eleitoral recebida da sociedade empresária Queiroz Galvão, vencido também o Ministro Ricardo Lewandowski que o condenava pela prática de 18 delitos de corrupção passiva circunscritos ao tempo em que Nelson Meurer exercia a liderança do Partido Progressista na Câmara dos Deputados; ii) para condenar o denunciado Nelson Meurer Júnior como incurso nas sanções do art. 317, § 1º, do Código Penal (corrupção passiva), por 5 vezes, na 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 70 forma do art. 29 da Lei Penal, vencido, nesse ponto, o Ministro Ricardo Lewandowski, que o condenava por 3 delitos à luz do mesmo dispositivo legal citado; iii) condenar o réu Cristiano Augusto Meurer como incurso nas sanções do art. 317, § 1º, do Código Penal (corrupção passiva), por uma vez, vencido nesse ponto, o Ministro Ricardo Lewandowski, que o absolvia; iv) condenar Nelson Meurer como incurso nas sanções do art. 1º, caput, da Lei nº 9.613 por sete vezes, vencidos os Ministros Relator e Revisor, no ponto, pois o condenavam também pela lavagem de capitais em decorrência de doação eleitoral; e, por unanimidade, para i) absolver Nelson Meurer no tocante à participação em todos os crimes de corrupção passiva praticados no âmbito da PETROBRAS por Paulo Roberto Costa, com fundamento no inc. VII do art. 386 do Código de Processo Penal; ii) absolver Nelson Meurer no que tange à participação em todos os crimes de lavagem de dinheiro praticados por Alberto Youssef em decorrência de contratos celebrados por empresas cartelizadas no âmbito da Diretoria de Abastecimento da PETROBRAS, igualmente nos termos do inciso VII do art. 386 do Código de Processo Penal; iii) absolver Nelson Meurer, Nelson Meurer Junior e Cristiano Augusto Meurer das imputações relativas aos crimes de lavagem de capitais consubstanciados nos recebimentos em dinheiro em espécie com fundamento no inc. III, art. 386, do Código de Processo Penal. Quanto à dosimetria da pena, por unanimidade, fixou, para Nelson Meurer, a pena de 13 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão em regime inicial fechado, e o pagamento de 122 dias-multa, este fixado em 3 salários mínimos no valor vigente à época do último fato devidamente corrigido por ocasião do pagamento; para Nelson Meurer Junior, a pena de 4 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão em regime inicial semi-aberto, e o pagamento de 31 dias-multa, este fixado em 2 salários mínimos no valor vigente à época do último fato, devidamente corrigido por ocasião do pagamento; e para Cristiano Augusto Meurer, a pena de 3 anos e 4 meses de reclusão e o pagamento de 20 dias-multa, declarando-se extinta a punibilidade, pela prescrição, com fundamento no inciso IV do artigo 107 do Código Penal, vencido o Ministro Ricardo Lewandowski, que o absolvia. Em relação aos efeitos da condenação, quanto aos danos materiais, a Turma, por unanimidade, fixou como valor mínimo indenizatório, em favor da PETROBRAS, a quantia de 5 milhões de reais, corrigidos monetariamente a partir da proclamação do julgamento e com juros de mora a partir do trânsito em julgado; quanto aos danos morais coletivos, por maioria, indeferiu o pedido, nos termos do voto do Ministro Dias Toffoli, vencidos os Ministros Relator e Revisor; quanto à perda de bens, por unanimidade, determinou a perda em favor da União dos bens direitos e valores objeto em relação aos quais foram os réus condenados, ressalvado o direito de lesado ou terceiro de boa-fé (inc. I, art. 7º, da Lei 9.613/98); quanto à interdição para o exercício de cargo ou função pública (inc. II do art. 7º da Lei 9.613/98), também por unanimidade, determinou a interdição de Nelson Meurer para o exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor ou membro de Conselho de Administração ou de gerencia das pessoas jurídicas referidas no art. 9º dessa mesma lei 9.613/98 pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada; e por fim, quanto à perda do mandato parlamentar, a Turma, por maioria, deliberou que a perda do mandato não é automática e nos 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 71 termos da divergência inaugurada pelo Ministro Dias Toffoli determinou, após o trânsito em julgado, oficiar-se à Câmara dos Deputados, vencidos os Ministros Relator e Revisor.Presidência do Ministro Edson Fachin. 2ª Turma, 29.5.2018. INFORMATIVO 863 DO STF PLENÁRIO Cassação de mandato parlamentar e autocontenção do Judiciário O Plenário, por maioria, denegou a ordem em mandado de segurança impetrado por deputado federal contra atos da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) e do Conselho de Ética (COÉTICA), ambos da Câmara dos Deputados, que culminaram na recomendação ao plenário da Casa Legislativa pela cassação do mandato do impetrante com fundamento em quebra de decoro parlamentar. Na impetração, sustentava-se, em síntese, a existência de direito líquido e certo, consubstanciado nos seguintes argumentos: a) suspensão do processo político-parlamentar, inclusive para fins de defesa e obstrução; b) processamento pela autoridade competente, garantia que teria sido violada em razão do impedimento do relator, por identidade com o bloco parlamentar do impetrante; c) devido processo legal, contraditório e ampla defesa como estabilidade da acusação (em referência ao aditamento da representação e da respectiva instrução); d) votação pelo sistema eletrônico, e não nominal, no Conselho de Ética, o que teria gerado “efeito manada”; e) observância do quórum de instalação da sessão na CCJC (maioria absoluta), o que teria sido afrontado pelo cômputo de suplentes em duplicata com os respectivos titulares. O Colegiado assentou, de início, que o STF somente deve interferir em procedimentos legislativos para assegurar o cumprimento da Constituição, proteger direitos fundamentais e resguardar os pressupostos de funcionamento da democracia e das instituições republicanas. Exemplo típico da jurisprudência nesse sentido é a preservação dos direitos das minorias. Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorre no caso. Além disso, consignou que a suspensão do exercício do mandato do impetrante, por decisão do STF em sede cautelar penal, não gera direito à suspensão do processo de cassação do mandato, pois ninguém pode beneficiar-se da própria conduta reprovável. Portanto, inexiste direito subjetivo a dilações indevidas ou ofensa à ampla defesa. Destacou que o precedente firmado no MS 25.579 MC/DF (DJe de 19-10-2005) não se aplica à espécie, pois se refere a parlamentar afastado para exercer cargo no Executivo e responsabilizado por atos lá praticados. Naquele caso, aliás, a medida liminar foi indeferida, pois se entendeu que a infração se enquadrava no Código de Ética e Decoro Parlamentar. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 72 O Tribunal também afirmou que a alegação de que o relator do processo no Conselho de Ética estaria impedido por integrar o mesmo bloco parlamentar do impetrante, por pressupor debate sobre o momento relevante para aferição da composição dos blocos, não configura situação justificadora de intervenção judicial, conforme decisão proferida no MS 33.729 MC/DF (DJe de 4- 2-2016). Ademais, não há que falar em transgressão ao contraditório decorrente do aditamento da denúncia, providência admitida até em sede de processo penal. O impetrante teve todas as possibilidades de se defender, o que foi feito de forma ampla e tecnicamente competente. Sublinhou, de igual modo, a ausência de ilicitude na adoção da votação nominal do parecer no Conselho de Ética. Tal forma de voto privilegia a transparência e o debate parlamentar, e é adotada até em hipóteses mais graves. Nesse sentido, cabe deferência para com a interpretação regimental acolhida pela Câmara dos Deputados, inclusive à vista das dificuldades para aplicação do art. 187, § 4º, do seu regimento interno fora do plenário da Casa. Inexiste vedação expressa a embasar a alegação do impetrante e tampouco ocorreu o denominado “efeito manada”. Por fim, a Corte registrou a validade do quórum de instalação da sessão na CCJC. Lembrou que os suplentes a que se refere o regimento interno são dos partidos (ou dos blocos de partidos), e não propriamente dos titulares ausentes. Não haveria um suplente para cada titular, portanto. Além disso, o art. 58, § 1º, da CF alude à representação proporcional dos partidos ou blocos na composição das mesas e de cada comissão, e não ao quórum de instalação das sessões. Vencido o ministro Marco AurSEélio, que concedia a segurança. Entendia impor-se a suspensão do processo tendo em conta o afastamento do impetrante do exercício do mandato. Além disso, considerava procedente a alegação de irregularidade no quórum de votação. Por fim, também deferia o pedido tendo em conta o impedimento do relator na Casa legislativa. MS 34.327/DF, rel. min. Roberto Barroso, julgamento em 8-9-2016. 2.11. Processo Legislativo Abrange a formação das seguintes espécies normativas: ● EMENDAS À CF; ● LEIS COMPLEMENTARES; ● LEIS ORDINÁRIAS; ● LEIS DELEGADAS; ● MEDIDAS PROVISÓRIAS; ● DECRETOS LEGISLATIVOS; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 73 ● RESOLUÇÕES. 2.11.1. Processo legislativo de leis ordinárias e complementares 2.11.1.1. Iniciativa Regra Geral, podem propor: ● QUALQUER DEPUTADO OU SENADOR; ● COMISSÃO DA CÂMARA, SENADO E CN; ● PRESIDENTE DA REPÚBLICA (EP); ● STF (EP); ● TRIBUNAIS SUPERIORES (EP); ● PGR (EP); ● CIDADÃOS (EP) – 1% DO ELEITORADO, EM PELO MENOS 05 ESTADOS, NÃO MENOS DO QUE 0,3% DE ELEITORES EM CADA, MEDIANTE APRESENTAÇÃO QUE PL ORDINÁRIA OU COMPLEMENTAR À CÂMARA DOS DEPUTADOS. O PROJETO DE LEI DE INICIATIVA POPULAR NÃO PODERÁ SER REJEITADO POR VÍCIO DE FORMA. EP – INICIATIVA EXTRAPARLAMENTAR: A iniciativa pode ser concorrente ou privativa a determinadas pessoas (sob pena de se configurar vício formal de iniciativa). ● INICIATIVA RESERVADA AO PRESIDENTE: DECORAR art. 61, §1º CF, aplicado pelo princípio da simetria aos Governadores dos Estados e DF, e aos Prefeitos. ● INICIATIVA RESERVADA AO JUDICIÁRIO: Matérias de seu interesse exclusivo e elaboração do estatuto da magistratura (STF). ● INICIATIVA DA CÂMARA E DO SENADO DISPOR SOBRE ASSUNTOS DE SEU INTERESSE EXCLUSIVO. OBSERVAÇÕES: 1) NÃO se pode falar em iniciativa reserva em matéria tributária, pois o art. 61, §1º, II, b da CF/88 se refere apenas à iniciativa reservada do Presidente para leis que disponham sobre matéria tributária dos territórios; No concurso da PGDF (2022), o tema foi cobrado da seguinte forma: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JOR O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 74 À luz da Constituição Federal de 1988 (CF) e da jurisprudência do STF, julgue os próximos itens, a respeito do Sistema Tributário Nacional. A reserva legal de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo será ofendida caso lei oriunda de projeto elaborado por assembleia legislativa estadual trate sobre matéria tributária. O item foi considerado ERRADO. 2) STF: É competência exclusiva do Poder Executivo a iniciativa do processo legislativo das matérias pertinentes ao PPA, LDO e LOA. 3) STF: NÃO pode o legitimado exclusivo ser compelido a deflagrar o processo legislativo, já que a competência reservada traz implicitamente a discricionariedade para decidir o momento adequado para encaminhar o projeto de lei. 4) STF: Cabe emenda parlamentar em projetos de iniciativa reservada, desde que respeitados os seguintes requisitos: ● Os dispositivos introduzidos pela emenda parlamentar NÃO podem estar destituídos de pertinência temática com o projeto original; ● Os dispositivos introduzidos por emenda parlamentar não podem acarretar aumento de despesa ao projeto original. 5) Excepcionalmente, nos projetos orçamentários de iniciativa exclusiva do Presidente da República, admitem-se emendas parlamentares, mesmo que impliquem aumento de despesas: Ao projeto de LOA ou aos projetos que o modifiquem, desde que: ● Compatíveis com o PPA e LDO; ● Indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre dotações para pessoal e seus encargos, serviço da dívida, transferência tributárias constitucionais para E, M, DF; ● Sejam relacionadas com a correção de erros ou omissões ou com os dispositivos do texto do projeto de lei. Ao projeto de LDO, desde que as emendas parlamentares sejam compatíveis com o PPA. 6) A sanção presidencial NÃO convalida vício de iniciativa, sendo vício insanável. 7) O sistema brasileiro NÃO admitiu expressamente a iniciativa popular para propostas de Emenda à Constituição (PEC), embora Lenza entenda ser cabível, já que a soberania popular será 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 75 exercida mediante iniciativa popular. Algumas CEs admitem iniciativa popular para a Emenda às Constituições. O STF pacificou o tema: É possível que a Constituição do Estado preveja iniciativa popular para a propositura de emenda à Constituição Estadual. A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é compatível com a Constituição Federal, encontrando fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, II e III e no art. 49, XV, da CF/88. Embora a Constituição Federal não autorize proposta de iniciativa popular para emendas ao próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há impedimento para que as Constituições Estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a competência constante da Carta Federal. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921). 8) A iniciativa para apresentação de projeto de lei complementar de organização do MPU é concorrente entre o Presidente da República e o PGR (ART. 128, §5º) =>iniciativa compartilhada (José Afonso da Silva). 9) Quanto ao MP junto ao Tribunal de Contas, a iniciativa de lei sobre sua organização será privativa da Corte de Contas. 10) Princípio da irrepetibilidade dos projetos rejeitados na mesma sessão legislativa. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, pela proposta da maioria absoluta dos membros, de qualquer das casas do CN NOTAS: ⇨ Se o novo projeto de lei for novamente rejeitado, poderá ser reapresentado na mesma sessão legislativa, uma segunda vez, já que NÃO há limitação de quantidade de vezes para a reapresentação do projeto, sendo o único requisito fixado o quórum qualificado da maioria absoluta. ⇨ Em relação às matérias constantes de projeto de lei rejeitado pelo Congresso Nacional, NÃO poderá o Presidente veicular a mesma matéria por MP, sob pena de violação ao princípio da separação de poderes. ⇨ Igualmente, NÃO poderá o Presidente apresentar nova MP constante de outra anteriormente rejeitada. 11) São inconstitucionais leis estaduais, de iniciativa parlamentar, que disponham sobre o regime jurídico dos servidores públicos (seus direitos e deveres). O art. 61, § 1º, II, “c”, da CF/88 prevê que 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 76 compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores públicos. Essa regra também é aplicada no âmbito estadual por força do princípio da simetria. (STF. Plenário. ADI 3627/AP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 6/11/2014). (Info 766) 12) É inconstitucional emenda à Constituição Estadual, de iniciativa parlamentar, que trate sobre as competências da Procuradoria Geral do Estado. Isso porque esta matéria é de iniciativa reservada ao chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, da CF/88). É do Governador do Estado a iniciativa de lei ou emenda constitucional que discipline a organização e as atribuições dos órgãos e entidades da Administração Pública estadual. STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935). Fonte: Dizer o Direito. No concurso da PGDF (2022), o tema foi cobrado da seguinte forma: Com referência ao direito constitucional estadual e distrital, à rigidez e à mutação da Constituição e às emendas à Constituição, julgue os itens a seguir. Sem prejuízo da autonomia estadual e distrital, o princípio da simetria impõe que os estados e o DF observem as regras federais sobre reserva de iniciativa legislativa. O item foi considerado CERTO. 13) É inconstitucional norma de Constituição estadual, oriunda de iniciativa parlamentar, que disponha sobre a nomeação, pelo governador do estado, de ocupante do cargo de diretor- geral da Polícia Civil, a partir de lista tríplice elaborada pelo Conselho Superior de Polícia. A instituição de requisitos para a nomeação do delegado-chefe da Polícia Civil é matéria de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (CF/1988, art. 61, § 1º, II, c e e), e, dessa forma, não pode ser tratada por emenda constitucional de iniciativa parlamentar. Ademais, o art.144, § 6º, da Constituição Federal, estabelece vínculo de subordinação das respectivas polícias civis aos governadores de estado. Assim, a atribuição de maior autonomia ao Conselho Superior de Polícia, materializada na elaboração de listas tríplices de observância obrigatória, mostra-se inconstitucional, especialmente por restringir o poder de escolha do chefe do Poder Executivo estadual. (ADI 6923/RO, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 28.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1074) 14) É inconstitucional — por violar o princípio da separação dos Poderes (CF/1988, art. 2º), em decorrência da usurpação da iniciativa exclusiva do Poder Executivo para legislar sobre a organização e a administração dos órgãos da Administração Pública (CF/1988, art. 61, § 1º, II, 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 77 “e”, e art. 84, VI, “a”) — lei de iniciativa parlamentar que institui regra de reserva de vagas de estacionamento aos órgãos públicos estaduais. (ADI 6937/RO, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 21.11.2022 (segunda-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1076) 15) É inconstitucional norma que estabelece prazos ao chefe do Poder Executivo para a apresentação de projetos de lei ou para a regulamentação de disposições legais. (ADI 4.727/DF, relator Ministro Edson Fachin, redator do acórdão Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 23.2.2023. INFORMATIVO 1084) 16) É formalmente inconstitucional — por vício resultante da usurpação do poder de iniciativa (CF/1988, art. 61, § 1º, II, “a”) — lei federal de origem parlamentar que cria conselhos de fiscalização profissional e dispõe sobre a eleição dos respectivos membros efetivos e suplentes. (ADI 3.428/DF, relator Ministro Luiz Fux, julgamento virtual finalizado em 28.2.2023 (terça-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1084) JURISPRUDÊNCIA DO STF É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare inconstitucional, determinando seu arquivamento? Em regra, não. Existem, contudo, duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da propositura: a) Proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; b) Proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação às regras constitucionais sobre o processo legislativo. (STF. Plenário. MS 32033/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, 20/6/2013). (Info 711). OBSERVAÇÃO É inconstitucional norma de iniciativa parlamentar que preveja a criação de órgão público e organização administrativa É inconstitucional, na acepção formal, norma de iniciativa parlamentar que prevê a criação de órgão público e organização administrativa, levando em conta iniciativa privativa do Chefe do Executivo – arts. 25 e 61, § 1º, II, alíneas “b” e “e”, da CF/88. STF. Plenário. ADI 4726/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/11/2020 (Info 998). 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0f0d67e214f9fef69b278e3d08114da9?categoria=1&ano=2020 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0f0d67e214f9fef69b278e3d08114da9?categoria=1&ano=2020 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 78 OBSERVAÇÃO É constitucional lei de iniciativa parlamentar que cria conselho de representantes da sociedade civil com atribuição de fiscalizar ações do Executivo Surge constitucional lei de iniciativa parlamentar a criar conselho de representantes da sociedade civil, integrante da estrutura do Poder Legislativo, com atribuição de acompanhar ações do Executivo. STF. Plenário. RE 626946/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 1040) (Info 994). OBSERVAÇÃO É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que trate sobre isenção de custas judiciais É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que trate sobre isenção de custas judiciais. Isso porque, os órgãos superiores do Poder Judiciário possuem reserva de iniciativa (competência privativa) para apresentar os projetos de lei que tenham por objetivo tratar sobre redução das custas judiciais (artigos 98, § 2º, e 99, caput e § 1º da CF). STF. Plenário. ADI 3629, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 03/03/2020. OBSERVAÇÃO Inconstitucionalidade de lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha atribuições ao DETRAN É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha ao DETRAN a obrigação de publicar, no diário oficial e na internet, a relação de cada um dos veículos sinistrados, seus respectivos dados, com destinação para os que sofreram desmonte e/ou comercialização das peças e partes. Essa lei trata sobre “atribuições” de órgãos/entidades da administração pública, matéria que é de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88). A correta interpretação que deve ser dada ao art. 61, § 1º, II, “e” c/c o art. 84, VI, da CF/88 é a de que a iniciativa para leis que disponham sobre “estruturação e atribuições” dos órgãos públicos é do chefe do Poder Executivo. STF. Plenário. ADI 4704/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/3/2019 (Info 934). OBSERVAÇÃO 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f26bdcba3e7ea29ba3b9f8bc2555fefa?categoria=1&subcategoria=6 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f26bdcba3e7ea29ba3b9f8bc2555fefa?categoria=1&subcategoria=6 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/df438e5206f31600e6ae4af72f2725f1?categoria=1&subcategoria=6 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/df438e5206f31600e6ae4af72f2725f1?categoria=1&subcategoria=6 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6ffcc0d3641930e3d8980ec43343ccc5?categoria=1&subcategoria=6 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6ffcc0d3641930e3d8980ec43343ccc5?categoria=1&subcategoria=694 2.11.2.4.4. Pode o Presidente da República retirar da apreciação do CN a MP já editada? .......................................................................................................................................................................... 96 2.11.2.4.5. Limitação material à edição de MP ................................................................................. 96 2.11.2.4.6. MP E CRÉDITO EXTRAORDINÁRIO .............................................................................. 97 2.11.2.4.7. MP X MATÉRIA AMBIENTAL ........................................................................................... 98 2.11.2.4.8. MP X VIGÊNCIA ................................................................................................................. 100 2.11.2.4.9 Medida provisória x contrabando legislativo ............................................................. 101 2.11.2.5. Decreto Legislativo ................................................................................................................... 103 2.11.2.6. Tratados Internacionais ........................................................................................................... 103 2.11.2.6.1. Responsabilidade internacional por violação de direitos humanos .................. 106 2.11.2.6.2. Controle de convencionalidade .................................................................................... 108 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 6 2.11.2.7. Resolução..................................................................................................................................... 108 2.12. Função fiscalizatória exercida pelo Legislativo e o Tribunal de Contas .................................. 108 2.12.1. Tribunal de Contas da União ......................................................................................................... 109 2.12.1.1. Composição e características ................................................................................................. 109 2.12.1.2. Atribuições constitucionais do TCU ..................................................................................... 109 2.12.1.2.1. O TCU tem atribuição para exercer controle de constitucionalidade? ............. 112 2.12.1.2.2. Sustação de atos e contratos administrativos ......................................................... 114 2.12.1.2.3. O TCU pode exigir, por si, a quebra de sigilo bancário? ....................................... 115 2.12.1.2.4. TCU e teoria dos poderes implícitos ........................................................................... 115 2.12.1.3. Ministros do TCU ....................................................................................................................... 116 2.12.2. Tribunais de Contas Estaduais e Tribunal de Contas do Distrito Federal ...................... 117 2.12.3. Tribunais de Contas Municipais .................................................................................................... 118 2.12.4. Ministério Público junto ao Tribunais de Contas ..................................................................... 120 2.12.5. Jurisprudência sobre o tema .......................................................................................................... 120 3. TESES COM REPERCUSSÃO GERAL - STF ............................................................................................... 129 TAREFAS PARA O ESTUDO ATIVO .................................................................................................................. 132 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 7 DIREITO CONSTITUCIONAL TEMA DIREITO CONSTITUCIONAL Organização dos Poderes. A separação dos Poderes: projeções constitucionais. Poderes Legislativo QUAL DEVE SER O FOCO? 1. Comissões parlamentares de inquérito (CPI) 2. Imunidades parlamentares 3. Cláusulas pétreas. Teoria da dupla revisão 4. Medidas provisórias. Conversão em lei 5. Crimes de responsabilidade. Responsabilização político-administrativa dos agentes políticos. 6. Súmulas vinculantes RESUMO DO DIA 1. ORGANIZAÇÃO DOS PODERES 1.1. Introdução - Separação dos Poderes As primeiras bases teóricas para a “tripartição de Poderes” foram lançadas na Antiguidade grega por Aristóteles, em sua obra Política, em que o pensador vislumbrava a existência de três funções distintas exercidas pelo poder soberano, quais sejam, a função de editar normas gerais a serem observadas por todos, a de aplicar as referidas normas ao caso concreto (administrando) e a função de julgamento, dirimindo os conflitos oriundos da execução das normas gerais nos casos concretos. Muito tempo depois, a teoria de Aristóteles seria “aprimorada” pela visão precursora do Estado liberal burguês desenvolvida por Montesquieu em seu O espírito das leis. O grande avanço trazido por Montesquieu não foi a identificação do exercício de três funções estatais. De fato, partindo desse pressuposto aristotélico, o grande pensador francês inovou dizendo que tais funções estariam intimamente conectadas a três órgãos distintos, autônomos e independentes entre si. Cada função corresponderia a um órgão, não mais se concentrando nas mãos 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 8 únicas do soberano. Essa teoria surge em contraposição ao absolutismo, servindo de base estrutural para o desenvolvimento de diversos movimentos, como as revoluções americana e francesa, caracterizando-se, na Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão,1 em seu art. 16,2 como verdadeiro dogma constitucional. A distribuição do poder entre órgãos estatais dotados de independência é tida pelos partidários do liberalismo político como garantia de equilíbrio político que evita ou, pelo menos, minimiza os riscos de abuso de poder. O Estado que estabelece a separação dosDIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 79 Constitucionalidade de lei estadual, de iniciativa parlamentar, que proíbe a substituição de trabalhador privado em greve por servidor público Não há vício de iniciativa de lei na edição de norma de origem parlamentar que proíba a substituição de trabalhador privado em greve por servidor público. No caso, ainda que a lei distrital impugnada, de iniciativa parlamentar, esteja voltada ao funcionamento da Administração Pública, ela não se sobrepõe ao campo de discricionariedade política que a CF reservou, com exclusividade, ao governador, no que toca a dispor sobre a organização administrativa. Além disso, a norma revela-se harmônica com a CF, notadamente com os princípios do art. 37, caput, na medida em que permite a substituição nos estritos limites dos parâmetros federais aplicáveis. (ADI 1164/DF, relator Min. Nunes Marques. INFORMATIVO 1049) 2.11.1.2. Fase Constitutiva – Deliberação Parlamentar Via de regra, a discussão e votação dos projetos de lei tem início na Câmara dos Deputados, salvo os projetos de iniciativa dos Senadores ou de Comissões do Senado, funcionando, nesses casos, a Câmara dos Deputados como casa revisora. Iniciado o processo legislativo, o projeto de lei passa à apreciação pelas Comissão Temática, que analisará a matéria da proposição e, em seguida, pela CCJ, que analisará a sua constitucionalidade. Se envolver aspectos financeiros e orçamentários, após a CCJ, o projeto será apreciado pela Comissão de Finanças e Tributação, para o exame da compatibilidade e adequação orçamentária. As comissões, em razão da matéria de sua competência, poderão, além de discutir e emitir pareceres sobre projeto de lei, aprová-los, desde que, na forma do regimento interno da Casa, haja dispensa da competência do plenário (delegação interna corporis) e inexista, também, interposição de recurso de 1/10 dos membros da Casa. Porém, NÃO poderão ser objeto de delegação interna corporis os seguintes projetos: ● LEI COMPLEMENTAR; ● CÓDIGOS; ● INICIATIVA POPULAR; ● DE COMISSÃO; ● RELATIVOS À MATÉRIA QUE NÃO POSSA SER OBJETO DE DELEGAÇÃO; ● ORIUNDOS DO SENADO; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6ffcc0d3641930e3d8980ec43343ccc5?categoria=1&subcategoria=6 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6ffcc0d3641930e3d8980ec43343ccc5?categoria=1&subcategoria=6 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 80 ● QUE TENHAM PARECERES DIVERGENTES; ● EM REGIME DE URGÊNCIA. Nessas hipóteses de apreciação pelo plenário, o parecer das comissões temáticas é opinativo, já que a matéria ainda será discutida ou votada. Porém, o parecer da CCJ, quanto à constitucionalidade ou juridicidade da matéria, será terminativo, assim como o da Comissão de Finanças e Tributação. 2.11.1.3. Processo de Votação A votação pode ser: I. OSTENSIVA: ● PROCESSO SIMBÓLICO – Utilizado na votação das proposições em geral, e os parlamentares das respectivas casas, para aprovar a matéria, deverão permanecer sentados, levantando-se apenas os que votaram pela rejeição. ● PROCESSO NOMINAL – Quando é requerida regimentalmente a verificação da votação. Será utilizado: nos casos em que seja exigido quórum especial de votação; por deliberação do plenário, a requerimento de qualquer deputado; quando houver pedido de verificação de votação; e demais casos previstos no regimento. II. SECRETA: ● SISTEMA ELETRÔNICO; ● SISTEMA DE CÉDULAS. Ocorre nas seguintes hipóteses: ● Deliberação durante o estado de sítio, sobre a suspensão das imunidades de deputado; ● Por decisão do plenário, a requerimento de 1/10 dos membros da casa ou líderes que representem este número, formulado antes de iniciada a ordem do dia; ● Para eleição do Presidente e demais membros da mesa diretora, presidente e vice de comissões permanentes e temporárias, dos membros da Câmara que irão compor a comissão representativa do CN e dos 02 cidadãos que irão integrar o Conselho da República e demais eleições; EC 76/2013: Com o advento desta Emenda Constitucional, passaram a ter votação ABERTA: (a) a decisão se o Deputado ou Senador deverá perder o mandato, nas hipóteses previstas no art. 55, I, II e VI, da CF/88; e (b) a decisão se o veto do Presidente da República a um projeto de lei aprovado deverá ser mantido ou rejeitado. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 81 2.11.1.4. Casa Revisora Rejeitado o projeto na casa iniciadora, ele será arquivado. Se aprovado, seguirá para a casa revisora, passando também pelas Comissões e, ao fim, poderá ser aprovado, rejeitado ou emendado: ● Se aprovado, será enviado para sanção ou veto do chefe do executivo; ● Se rejeitado, será arquivado, só podendo ser reapresentado na mesma sessão legislativa mediante proposta da maioria absoluta dos membros de quaisquer das casas do CN, ou ser reapresentado na sessão seguinte; ● Se emendado, somente o que foi modificado será apreciado na casa iniciadora, sendo vedada a apresentação de emenda à emenda (subemenda) - No processo legislativo, há uma predominância da casa iniciadora sobre a revisora. Havendo a aprovação do projeto de lei, será encaminhado para autógrafo. É possível a inclusão a emendas ao projeto de lei, desde que não aumente a despesa prevista nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente, bem como nos projetos sobre a organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, Senado Federal, Tribunais Superiores e MP. ESPÉCIES DE EMENDAS: A) SUPRESSIVA: Manda erradicar qualquer parte de outra proposição; B) AGLUTINATIVA: Resulta da fusão de outras emendas; C) SUBSTITUTIVA: É apresentada como sucedânea a parte de outra proposição; D) MODIFICATIVA: Altera a proposição sem a modificar substancialmente; E) ADITIVA: Se acrescenta a outra proposição; F) DE REDAÇÃO: Modificativa que visa a sanar vício de linguagem, incorreção de técnica legislativa ou lapso manifesto. OBSERVAÇÃO O Presidente da República, nos projetos de sua iniciativa, poderá solicitar urgência na apreciação dos congressistas, possuindo o procedimento sumário a duração máxima de 100 dias (45 dias em cada Casa + 10 dias em caso de emenda do Senado, a ser apreciada pela Câmara). JURISPRUDÊNCIA DO STF 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL EAR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 82 Teses fixadas: “1. É inconstitucional dispositivo de lei decorrente de emenda parlamentar que trata de matéria reservada ao Chefe do Poder Executivo. 2. É inconstitucional dispositivo de lei que importe em aumento de despesa sem que tenha sido realizada a estimativa de impacto orçamentário no processo legislativo.” Resumo: São inconstitucionais — pois violam a competência legislativa privativa do chefe do Poder Executivo (CF/1988, art. 61, § 1º, II, a e c), bem como resultam em aumento de despesa para a Administração Pública sem estimativa do seu impacto orçamentário e financeiro (art. 63, I, da CF/1988 c/c o art. 113 do ADCT) — normas estaduais provenientes de emenda parlamentar que, sem pertinência temática com o projeto de lei originalmente encaminhado e desacompanhadas do mencionado estudo de impacto, dispõem sobre padrão remuneratório de seus servidores públicos, do auxílio social e da anistia por infrações administrativas. DI 7.145/MG relator Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 10.10.2025 (sexta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1194. É formalmente inconstitucional norma decorrente de emenda parlamentar que não guarda estrita pertinência temática com a matéria tratada em projeto de lei de iniciativa reservada originalmente encaminhado à Casa Legislativa. ADI 7.230/MG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado 30.08.2024 (sexta- feira), às 23:59. INFORMATIVO 1.148. 2.11.1.5. Deliberação executiva – sanção e veto Recebido o projeto de lei, o Presidente da República o sancionará ou vetará. 2.11.1.5.1. Sanção e veto É a anuência com o projeto de lei, podendo ser expressa ou tácita (quando recebido o projeto, o Presidente NÃO se manifesta no prazo de 15 dias). O Presidente terá 15 dias úteis para votar projeto de lei, e também para vetá-lo, contados da data do recebimento. O STF2 decidiu que o poder de veto não pode ser exercido após o decurso do prazo constitucional de 15 (quinze) dias, entendeu que essa prerrogativa somente pode ser exercida dentro do prazo expressamente previsto na Constituição, não se admitindo exercê-la após a sua expiração. 2 ADPF 893/DF, relatora Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Roberto Barroso. INFORMATIVO 1059. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 83 O VETO PODE SER: ● Parcial: Só abrangerá texto integral de artigo, parágrafo, inciso ou alínea, inexistindo veto de palavras. ● Total: Rejeição de todo o projeto de lei. OS MOTIVOS DO VETO PODEM SER: ● Jurídico: Por entender ser inconstitucional; ● Político: Contrário ao interesse público. Vetando o projeto de lei, total ou parcialmente, o Presidente deverá comunicar ao Presidente do Senado os motivos do veto em 48 horas. OBSERVAÇÃO Se o Presidente da República simplesmente vetar, sem explicar os motivos de seu ato, estaremos diante da INEXISTÊNCIA do veto, de modo que veto sem motivação expressa produz os mesmos efeitos da sanção. Sancionado o projeto de lei, passará à fase da promulgação e publicação. O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013). Esta votação não é secreta. Sugerimos a leitura deste post do Dizer o Direito: http://www.dizerodireito.com.br/2013/11/comentarios-ec-762013-voto-aberto-no.html Derrubado o veto, o projeto deverá ser enviado ao Presidente da República para promulgação, em 48 horas. Se não o fizer, caberá ao Presidente do Senado em igual prazo, e se não o fizer, caberá ao Vice-Presidente do Senado. 2.11.1.6. Fase complementar: promulgação e publicação 2.11.1.6.1. Promulgação É o atestado de existência válida da lei e de sua executoriedade. Por meio dela certifica-se o nascimento da lei. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 http://www.dizerodireito.com.br/2013/11/comentarios-ec-762013-voto-aberto-no.html DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 84 2.11.1.6.2 Publicação Inserção do texto da lei no Diário Oficial, devendo ser determinada por quem a promulgou. Regra geral, começa a vigorar 45 dias depois de oficialmente publicada, e nos Estados estrangeiros, 03 meses após oficialmente publicada. JURISPRUDÊNCIA DO STF É possível republicar uma lei já sancionada, promulgada e publicada para incluir novos vetos, ainda que sob o argumento de que se trata de mera retificação de incorreção detectada na versão original do ato? R.: NÃO. Para o STF um novo veto relacionado com a mesma lei está em desconformidade com o art. 66 da Constituição Federal, além de representar violação ao preceito fundamental da separação dos poderes (art. 2º, da CF/88). O art. 66 da CF/88 disciplina de forma clara as regras envolvendo a sanção e veto, demarca elementos e formalidades essenciais, assinala prazos e estabelece consequências jurídicas na hipótese de seu descumprimento. Tais normas, que disciplinam o processo legislativo, não configuram mera “formalidade”, possuindo caráter cogente. As fases do processo legislativo estão sujeitas ao princípio da preclusão, de forma que, depois de o Presidente ter sancionado parcialmente a lei, vetando alguns artigos, essa etapa se encerrou. Logo, não é possível que, alguns dias depois, seja republicada a lei vetando novos dispositivos. Isso porque o veto é um ato irretratável. “O veto é irretratável. Uma vez manifestado, e comunicadas as razões ao Legislativo, torna-se o veto insuscetível de retratação”. (MELLO FILHO, José Celso de. Constituição Federal Anotada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1986, p. 224) “Não há dois vetos ao mesmo ato legislativo. (...) Se publica a lei como promulgada (sanção positiva), no todo ou em parte, a publicação posterior com a indicação de veto de alguma parte, ou de outra parte, é juridicamente inexistente. O que foi publicado é lei; o poder sancionador do Presidente da República exauriu-se. (...) Não cabe publicarem-se pela segunda vez, ou outra vez, os textos, porque não se admitem correções às leis que não sejam de revisão (erros tipográficos, ou de cópia), em relação à letra do projeto que foi à sanção.” (PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Comentários à Constituição de 1967, com a Emendan. 1 de 1969. Tomo III (arts. 32- 117). 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1987, p. 187 188) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 85 O poder de veto previsto no art. 66, § 1º, da Constituição não pode ser exercido após o decurso do prazo constitucional de 15 (quinze) dias. STF. Plenário. ADPF 893/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 20/6/2022 (Info 1059). Não se admite “novo veto” em lei já promulgada e publicada. Manifestada a aquiescência do Poder Executivo com projeto de lei, pela aposição de sanção, evidencia-se a ocorrência de preclusão entre as etapas do processo legislativo, sendo incabível eventual retratação. STF. Plenário. ADPF 714/DF, ADPF 715/DF e ADPF 718/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/2/2021 (Info 1005). 2.11.2. Espécies normativas 2.11.2.1. Emendas Constitucionais Fruto do trabalho do Poder Constituinte derivado reformador, sendo poder condicionado, submetendo-se a limitações expressas e implícitas. 2.11.2.1.1. Limitações formais ou procedimentais 2.11.2.1.1.1 Iniciativa (ART. 60, I, II, III): Trata-se de iniciativa concorrente de alteração da Constituição. A CF só poderá ser emenda mediante proposta: ● 1/3, NO MÍNIMO, DOS MEMBROS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS OU DO SENADO FEDERAL; ● PRESIDENTE DA REPÚBLICA; ● MAIS DA METADE DAS ASSEMBLEIAS LEGISLATIVAS DAS UNIDADES DA FEDERAÇÃO, MANIFESTANDO-SE, CADA UMA DELAS, PELA MAIORIA RELATIVA DE SEUS MEMBROS. JURISPRUDÊNCIA DO STF STF (Info 826): É possível que emenda à Constituição Federal proposta por iniciativa parlamentar trate sobre as matérias previstas no art. 61, § 1º da CF/88. As regras de reserva de iniciativa fixadas no art. 61, § 1º da CF/88 não são aplicáveis ao processo de emenda à Constituição Federal, que é disciplinado em seu art. 60. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 86 2.11.2.1.1.2 Quórum de aprovação A proposta de emenda será discutida e votada em cada Casa do CN, em 02 turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos respectivos membros. O texto aprovado por uma Casa não pode ser modificado pela outra sem que a matéria volte para apreciação na casa iniciadora. JURISPRUDÊNCIA DO STF Atenção à jurisprudência: É inconstitucional norma de Constituição estadual que preveja quórum diverso de 3/5 dos membros do Poder Legislativo para aprovação de emendas constitucionais. STF. Plenário. ADI 6453/RO, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/2/2022 (Info 1043). 2.11.2.1.1.3 Promulgação A promulgação da emenda deverá ser realizada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem (LEMBRAR QUE NÃO HÁ SANÇÃO OU VETO PRESIDENCIAL). 2.11.2.1.1.4 Proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada A proposta de emenda rejeitada ou prejudicada NÃO pode ser objeto de nova apresentação na mesma sessão legislativa. JURISPRUDÊNCIA DO STF É inconstitucional medida provisória ou lei decorrente de conversão de medida provisória cujo conteúdo normativo caracterize a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória anterior rejeitada, de eficácia exaurida por decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional dentro do prazo estabelecido pela Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935). 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 87 No concurso da PGDF (2022), o tema foi cobrado da seguinte forma: Com referência ao direito constitucional estadual e distrital, à rigidez e à mutação da Constituição e às emendas à Constituição, julgue os itens a seguir. Uma proposta de emenda à Constituição que haja sido rejeitada no Congresso Nacional somente poderá ser reapresentada na legislatura subsequente. O item foi considerado ERRADO. ATENÇÃO Regime das PECs paralelas: conforme leciona João Trindade (2016, p. 150), “caso seja apresentada uma emenda à PEC, esta deverá retornar à Casa de onde veio. Esta, por sua vez, se rejeitar a emenda, devolverá a PEC à Cada que deliberou anteriormente, até que haja concórdia sobre o conteúdo da proposição. (...) Nessa hipótese, se houver emendas na Casa revisora, o projeto seguirá para a Casa iniciadora. Esta, se aceitar as modificações (por dois turnos), considerará aprovada a PEC. Caso contrário, deverá remeter a proposição de volta à segunda Casa: a PEC só se considera aprovada se houver concordância total, quanto ao conteúdo, de ambas as Casas Legislativas. A PEC tramita pela forma ‘pingue-pongue’. Trata-se da diferença (...) entre o bicameralismo puro (adotado na tramitação de PEC) e o bicameralismo mitigado (PL)”. Por esse motivo, surgiu a figura da PEC paralela, que resulta do desmembramento da proposta, sendo a parte sobre a qual existe consenso aprovada, enquanto que a parte que gera divergência continuará sendo discutida. O Supremo Tribunal Federal já declarou a constitucionalidade desse sistema (ADI nº 2.031), desde que o desmembramento recaia sobre parcela autônoma da proposta original. Trata-se de uma forma de racionalização do processo legislativo. 2.11.2.1.2 Limitações Circunstanciais (Art. 60, § 1º) A CF NÃO poderá ser emendada na vigência de: ● INTERVENÇÃO FEDERAL; ● ESTADO DE DEFESA; ● ESTADO DE SÍTIO. 2.11.2.1.3 Limitações Materiais (Art. 60, § 4º) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AUJO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 88 São as Cláusulas Pétreas, de modo que NÃO será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: ● FORMA FEDERATIVA DE ESTADO; ● VOTO DIRETO, SECRETO, UNIVERSAL E PERIÓDICO; ● SEPARAÇÃO DE PODERES; ● DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS. 2.11.2.1.4 Limitações Temporais No Brasil, foram previstas apenas na CF/1824. Trata-se de previsão de prazo durante o qual fica vedada qualquer alteração da Constituição. Logo, NÃO HÁ LIMITAÇÃO TEMPORAL PREVISTA NA CF/88. 2.11.2.1.5 Limitações Implícitas Teoria da Dupla Revisão: Seria a possibilidade de, através de EC, revogar o art. 60, §4º CF e, em segundo momento, dizer que a forma de Estado não é mais a Federação, passando o Brasil a ser Estado Unitário (ou seja, em um primeiro momento se revoga cláusula pétrea para, em seguida, modificar aquilo que a cláusula pétrea protegia). Lenza e doutrina majoritária estabelecem a total impossibilidade da teoria da dupla revisão, na medida em que existem limitações implícitas, decorrentes do sistema. Logo, as limitações expressas caracterizam-se como a primeira limitação implícita ou inerente. Outras limitações implícitas são a IMPOSSIBILIDADE DE SE ALTERAR O TITULAR DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO E O TITULAR DO REFORMADOR. Importante observar que a forma republicana de Estado e o sistema presidencialista de governo são cláusulas pétreas, de modo que é impossível haver emenda constitucional que institua uma monarquia ou o sistema parlamentarista no Brasil. Argumenta-se que, com base na consulta popular efetuada em abril de 1993, a República e o Presidencialismo passaram a corresponder à vontade expressa e diretamente manifestada do povo, titular do Poder Constituinte, não se encontrando, portanto, à disposição do poder de reforma da Constituição. Ressalte-se, neste contexto, que a decisão, tomada pelo Constituinte, no sentido de não enquadrar estas decisões fundamentais no rol das ‘cláusulas pétreas’ (artigo 60, § 4°), somada à previsão de um plebiscito 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 89 sobre esta matéria, autoriza a conclusão de que se pretendeu conscientemente deixar para o povo (titular do Poder Constituinte) esta opção”. Portanto, tais temas, por terem sido submetidos a plebiscito, teriam se tornado definitivos (ADCT, art. 2°). Outra linha de raciocínio, complementar a esta, é no sentido da incompatibilidade do sistema parlamentarista com o princípio da separação dos poderes nos termos em que foi consagrado pela Constituição. Nesse caso, o plebiscito realizado em 1993 é visto como a única e excepcional possibilidade de adoção do parlamentarismo. Gilmar Mendes se posiciona nesse sentido. 2.11.2.1.6 Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos As convenções e tratados internacionais de direito humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. 2.11.2.2 Lei complementar e lei ordinária A LC possui as mesmas fases que a LO. DIFERENÇAS: ● ASPECTOS MATERIAL As hipóteses de regulamentação da LC estão TAXATIVAMENTE previstas na CF, enquanto a LO possui campo residual. ● ASPECTO FORMAL Lei Complementar: Maioria Absoluta (maioria dos componentes, do total de membros dos integrantes da Casa). Lei Ordinária: Maioria Simples ou Relativa (maioria dos presentes à reunião ou sessão que, naquele dia de votação, compareceram). OBSERVAÇÃO ● Art. 47 – Quórum de Instalação: MAIORIA ABSOLUTA. ● STF: NÃO existe hierarquia entre a LC e LO! ● A Constituição estadual só pode exigir lei complementar para tratar das matérias que a Constituição Federal também exigiu lei complementar 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f26ecc6e3bc7f5e9c8cf23a7c7a315dd?categoria=1&subcategoria=6 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f26ecc6e3bc7f5e9c8cf23a7c7a315dd?categoria=1&subcategoria=6 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 90 JURISPRUDÊNCIA DO STF A Constituição Estadual não pode ampliar as hipóteses de reserva de lei complementar, ou seja, não pode criar outras hipóteses em que é exigida lei complementar, além daquelas que já são previstas na Constituição Federal. Se a Constituição Estadual amplia o rol de matérias que deve ser tratada por meio de lei complementar, isso restringe indevidamente o “arranjo democrático-representativo desenhado pela Constituição Federal”. Caso concreto: STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da CE/SC que exigia a edição de lei complementar para dispor sobre: a) regime jurídico único dos servidores estaduais; b) organização da Polícia Militar; c) organização do sistema estadual de educação e d) plebiscito e referendo. Esses dispositivos foram declarados inconstitucionais porque a CF/88 não exige lei complementar para disciplinar tais assuntos. STF. Plenário. ADI 5003/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/12/2019 (Info 962). 2.11.2.3. Lei Delegada É exceção ao princípio da indelegabilidade de atribuições, pois sua elaboração é antecedida de delegação de atribuição do Poder Legislativo ao Executivo, através da delegação externa corporis. A espécie normativa será elaborada pelo Presidente da República, após prévia solicitação ao CN, delimitando assunto sobre o qual pretende legislar. A solicitação será submetida à apreciação do CN que, no caso de aprovação, tomará a forma de resolução, especificando o conteúdo da delegação e os termos de seu exercício. É VEDADA A DELEGAÇÃO: ● DE ATOS DA COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO CN; ● ATOS DE COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA CÂMARA E DO SENADO; ● MATÉRIAS RESERVADAS À LC; ● LEGISLAÇÃO SOBRE: o ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO E MP, CARREIRA E GARANTIA DOS SEUS MEMBROS; o NACIONALIDADE, CIDADANIA, DIREITOS INDIVIDUAIS, POLÍTICOS E ELEITORAIS; o PLANO PLURIANUAIS, DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS E ORÇAMENTOS. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LLE AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 91 Havendo exorbitância nos limites da delegação legislativa, caberá ao CN sustar o ato normativo, por meio de decreto legislativo, realizando o controle repressivo de constitucionalidade. Por meio de resolução, o CN determinará se haverá ou não a apreciação do projeto de lei delegada (elaborada pelo Presidente) pelo CN. Havendo apreciação, o CN fará em votação única, sendo vedada qualquer emenda. Existem dois tipos de delegação, a delegação TÍPICA (que é a regra, presumível nesse tipo de ato) o Congresso Nacional concede plenos poderes para que o Presidente da República elabore, promulgue e publique a lei delegada SEM participação ulterior do Poder Legislativo e, a delegação ATÍPICA, em que o Presidente da República elabora o projeto de lei delegada e o submete à apreciação do Congresso Nacional, que sobre ele deliberará, em votação única, vedada qualquer emenda (somente poderá aprovar ou rejeitar, integralmente, o projeto elaborado pelo Presidente da República). Assim temos: DELEGAÇÃO TÍPICA DELEGAÇÃO ATÍPICA NÃO haverá apreciação pelo CN, que autoriza o Presidente a elaborar, promulgar e publicar a lei delegada; Haverá apreciação pelo CN, em votação única, vedada qualquer emenda. ATENÇÃO Mediante Resolução, transfere-se apenas, e temporariamente, a competência para legislar sobre determinadas matérias, permanecendo a titularidade da aludida competência com o Legislativo, que poderá, mesmo tendo havido delegação, legislar sobre a mesma matéria. Embora tenha havido delegação legislativa pelo CN ao Presidente, este NÃO estará obrigado a efetivar a elaboração do ato normativo, possuindo total discricionariedade. Caso o projeto seja aprovado, a lei delegada será encaminhada ao Presidente da República, para que este a promulgue e publique. Se ocorrer rejeição integral do projeto de lei delegada, este será arquivado, somente podendo ser reapresentada, na mesma sessão legislativa, por proposta da maioria absoluta dos membros de uma das Casas do Congresso Nacional, conforme artigo 67 da CF/88. 2.11.2.4. Medida Provisória 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 92 Para Pinto Ferreira, as medidas provisórias são mais específicas do regime parlamentarista, em que o gabinete é uma dependência do corpo legislativo, podendo cair em face do desacordo com o legislativo. No regime presidencialista, o Chefe do Executivo não está sujeito a censura que provoque a sua demissão, e assim a MP é uma forma de concentração do poder no Executivo. A MP é adotada pelo Presidente da República por ato monocrático, unipessoal, sem a participação do Legislativo, chamado a discuti-la somente em momento posterior, quando já adotada pelo Executivo, com força de lei e produzindo os seus efeitos jurídicos. 2.11.2.4.1. Processo de criação Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao CN. I. LEGITIMADO PARA A EDIÇÃO DA MP: Presidente da República (competência exclusiva, indelegável). II. PRESSUPOSTOS CONSTITUCIONAIS: Relevância e urgência. O STF (INFO 851) entende que a definição do que seja relevante e urgente para fins de edição de medidas provisórias consiste, em regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de competência do Presidente da República, controlado pelo Congresso Nacional. Desse modo, salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos da MP. No caso de MP que trate sobre situação tipicamente financeira e tributária, deve prevalecer, em regra, o juízo do administrador público, não devendo o STF declarar a norma inconstitucional por afronta ao art. 62 da CF/88. III. DURAÇÃO DA MP: Adotada a MP pelo Presidente da República, ela vigorará por 60 dias, prorrogável, de acordo com o art. 62, §7º, por igual período (mais 60 dias), contados de sua publicação no Diário Oficial, sendo o prazo suspenso durante os períodos de recesso parlamentar. IV. PRORROGAÇÃO: A MP poderá ser prorrogada por novos 60 dias, totalizando o prazo de 120 dias, quando então, se não for convertida em lei, perderá a sua eficácia desde a sua edição (eficácia ex tunc), confirmando a sua efemeridade e precariedade. Em caso de perda da eficácia, deve o CN disciplinar, por DECRETO LEGISLATIVO, as relações jurídicas delas decorrentes. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 93 V. TRAMITAÇÃO: Adotada a MP pelo Presidente da República, ela será submetida, de imediato, ao CN, cabendo a uma comissão mista de Deputados e Senadores examiná-la e sobre ela emitir parecer, apreciando os seus aspectos constitucionais (relevância e urgência) e de mérito, bem como a sua adequação financeira e orçamentária, além do cumprimento pelo Presidente da exigência contida no art. 2º, §1º da Res. 1/2002-CN (no dia da publicação da MP no DOU ter enviado seu texto ao CN, acompanhado da respectiva mensagem e de documento expondo a motivação do ato). Posteriormente, a MP passará a apreciação do plenário de cada uma das casas. O processo de votação será em sessão separada, tendo início da Câmara dos Deputados, sendo o Senado Federal a Casa revisora. O plenário de cada uma das casas decidirá, em apreciação preliminar, o atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência, bem como a sua adequação financeira e orçamentária. VI. REGIME DE URGÊNCIA: Se a MP NÃO for apreciada em até 45 dias, contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do CN, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. JURISPRUDÊNCIA DO STF STF (Info 870): O STF, ao interpretar o § 6º do art. 62, não adotou uma exegese literal e afirmou que ficarão sobrestadas (paralisadas) apenas as votações de projetos de leis ordinárias que versem sobre temas que possam ser tratados por medida provisória. Notícias STF Quinta-feira, 29 de junho de 2017 STF decide que trancamento de pauta da Câmara por MPs não alcança todos os projetos e propostas Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, na sessão desta quinta-feira (29), o julgamento do Mandado de Segurança (MS) 27931, relatado pelo ministro Celso de Mello, e decidiu que o trancamento da pauta da Câmara dos Deputados por conta de medidas provisórias (MPs) não analisadas no prazode 45 dias, contados de sua publicação, só alcança projetos de lei sobre temas passíveis de serem tratados por MP. Reedição de MP: É vedada a reedição de MP, na mesma sessão legislativa, expressamente rejeitada pelo CN ou que tenha perdido a eficácia por decurso de prazo. JURISPRUDÊNCIA DO STF 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 94 STF (Info 935): É inconstitucional medida provisória ou lei decorrente de conversão de medida provisória cujo conteúdo normativo caracterize a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória anterior rejeitada, de eficácia exaurida por decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional dentro do prazo estabelecido pela Constituição Federal. 2.11.2.4.2. Parecer prévio da comissão mista e inconstitucionalidade da Res. 1/2002-CN O § 2º do art. 6º da Resolução prevê a continuidade do processo legislativo, mesmo que a comissão mista não emita parecer sobre a MP, passando a Câmara dos Deputados a examinar a matéria. Nesta hipótese, a Comissão Mista pode, conforme determina a Resolução, emitir o parecer, por meio de seu Relator, no Plenário da Câmara dos Deputados. Por seu turno, o art. 62, §9º, CF/88 deve ser interpretado restritivamente, e estabelece ser atribuição da comissão mista de Deputados e Senadores examinar as MPs e sobre elas emitir parecer, de caráter opinativo, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das casas do CN. Segundo decidiu o STF no bojo da ADI 4029, a emissão de parecer sobre as medidas provisórias, por comissão mista de deputados e senadores configura fase de observância obrigatória e no processo legislativo das MPs. Desse modo, a Resolução n° 1/2002, ao dispensar o parecer da Comissão Mista, contentando-se com o parecer individual do Relator, violou o § 9º do art. 62 da CF/88. Contudo, tal parecer é obrigatório apenas para as medidas provisórias assinadas e encaminhadas ao Congresso Nacional a partir do julgamento da ADI 4029. Aquelas anteriores a tal da continuou regidas pelos artigos 5º e 6º da Resolução 1 do CN, que foram julgados inconstitucionais pelo STF, mas com efeitos ex nunc. 2.11.2.4.3. Medidas a serem adotadas pelo CN I. APROVAÇÃO SEM ALTERAÇÃO: Será seu texto promulgado pelo Presidente da Mesa do CN, para publicação em DOU. II. APROVAÇÃO COM ALTERAÇÃO: Havendo emendas, o projeto de lei de conversão apreciado por uma das Casas deverá ser apreciado pela outra (agora em sessão separada 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 95 pelo plenário de cada uma das casas), devendo ser, posteriormente, levado à apreciação do Presidente da República para sancionar ou vetar a lei de conversão, e, em caso de sanção ou derrubada do veto, promulgação e publicação pelo próprio Presidente da República. Quando à matéria alterada, os efeitos decorrentes desse ponto específico deverão ser regulamentados por decreto legislativo, perdendo a MP, no ponto em que foi alterada, a eficácia desde a sua edição. III. NÃO APRECIAÇÃO: Se a MP não for apreciada pelo CN em até 45 dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência constitucional, trancando a pauta da Casa em que estiver tramitando até que seja aprovada, rejeitada ou que perca sua eficácia pelo decurso do prazo. Contudo, apesar do art. 62, § 6º falar em “todas as demais deliberações”, o STF, ao interpretar esse dispositivo, não adotou uma exegese literal e afirmou que ficarão sobrestadas (paralisadas) apenas as votações de projetos de leis ordinárias que versem sobre temas que possam ser tratados por medida provisória. Logo, ECs, projetos de lei complementar e PLOs que versem sobre nacionalidade, direitos políticos, partidos políticos, entre outros, terão regular tramitação (MS 27931/DF. Info 870). Rejeição tácita: A não apreciação da MP no prazo de 60 dias, contados de sua publicação, implicará a sua prorrogação por mais de 60 dias. Assim, se não apreciada pelo CN, a MP perderá eficácia desde a sua edição (rejeição tácita), operando efeitos retroativos (ex tunc), devendo o Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas dela decorrentes por decreto legislativo. NÃO SE PERMITE APROVAÇÃO DA MP POR DECURSO DE PRAZO. No entanto, se NÃO for editado decreto legislativo para regulamentar as relações jurídicas decorrentes da MP que perdeu a sua eficácia por ausência de apreciação, até 60 dias após a perda de sua eficácia, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante a sua vigência conservar-se-ão por ela regidas. IV. REJEIÇÃO EXPRESSA: Deverá o CN disciplinar os efeitos decorrentes da MP rejeitada, através de decreto legislativo. Publicada a MP, e tendo ela força de lei, as demais normas do ordenamento jurídico, que com ela sejam incompatíveis, terão a sua eficácia suspensa. Rejeitada a MP, a lei que teve a sua eficácia suspensa volta a produzir efeitos. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 96 2.11.2.4.4. Pode o Presidente da República retirar da apreciação do CN a MP já editada? A partir do momento em que o Presidente da República edita MP, ele não mais tem controle sobre ela, já que, de imediato, deverá submetê-la à análise do CN, NÃO podendo retirá-la de sua apreciação. JURISPRUDÊNCIA DO STF Não sendo dado ao Presidente da República retirar da apreciação do CN a MP que tiver editado, é-lhe, no entanto, possível ab-rogá-la por meio de nova MP, valendo tal ato pela simples suspensão dos efeitos da primeira, efeitos esses que, todavia, o CN poderá ver restabelecidos, mediante a rejeição da medida ab-rogatória. 2.11.2.4.5. Limitação material à edição de MP É expressamente vedada a edição de MP sobre: ● Nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; ● Direito penal, processual penal e processual civil; ● Organização do Poder Judiciário e do MP, carreira e garantia de seus membros; ● Planos plurianuais,diretrizes orçamentárias, orçamento, créditos adicionais e suplementares, ressalvados os créditos extraordinários (guerra, comoção interna ou calamidade pública). ● Que vise à detenção e sequestro de bens, poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; ● Reservada à LC; ● Já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo CN e pendente de sanção ou veto pelo Presidente da República; ● Matérias que não podem ser objeto de delegação legislativa; ● Matérias reservadas às resoluções e aos decretos legislativos. ⇨ Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, vedada a edição de MP para a sua regulamentação (esse dispositivo comprova a possibilidade de edição de MP em âmbito estadual) ⇨ Os impostos que podem ser editados por MP, só produzirão efeitos no exercício financeiro seguinte se a aludida MP tiver sido convertida em lei até o último dia daquele exercício financeiro em que foi editada. ⇨ É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre matéria ambiental, mas sempre veiculando normas favoráveis ao meio ambiente. Normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só podem ser 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 97 editadas por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade civil e dos órgãos e instituições de proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Dessa forma, é inconstitucional a edição de MP que importe em diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado, especialmente em se tratando de diminuição ou supressão de unidades de conservação, com consequências potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido. A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88. STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/4/2018 (Info 896). 2.11.2.4.6. MP e crédito extraordinário A MP pode ser editada para a abertura de créditos extraordinários (art. 167, §3º CF); é o que o STF chama de limites constitucionais à atividade legislativa excepcionais do Poder Executivo na edição de MP para a abertura de crédito extraordinário. JURISPRUDÊNCIA DO STF Vem admitindo o controle dos requisitos de imprevisibilidade e urgência para a edição de MP que abre crédito extraordinário, pois há indiscutível densificação normativa. OBSERVAÇÃO Todas as MPs editadas antes da EC 32/2001, caso NÃO sejam derrubadas pelo CN, ou o Executivo deixe de revogá-las explicitamente, continuarão em vigor, implicando a indesejável perpetuação. ATENÇÃO ATENÇÃO! VAMOS FAZER UM LINK DA MEDIDA PROVISÓRIA COM CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE? É possível que o Poder Judiciário analise se a medida provisória editada possui relevância e urgência? Em uma ADI proposta, é possível que o STF julgue inconstitucional medida provisória pelo fato de ela não ter relevância e urgência? SIM. O STF admite a possibilidade excepcional de controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas provisórias. Isso porque, a definição do que seja relevante e 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 98 urgente para fins de edição de medidas provisórias consiste, em regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de competência do Presidente da República, controlado pelo Congresso Nacional. Desse modo, salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos da MP. STF. Plenário. ADI 4627/DF e ADI 4350/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 23/10/2014 (Info 764). Nesse sentido, “o escrutínio a ser feito pelo Judiciário neste particular é de domínio estrito, justificando-se a invalidação da iniciativa presidencial apenas quando atestada a inexistência cabal desses requisitos” (RE 592.377). Em outras palavras, somente em casos excepcionais será possível a declaração de inconstitucionalidade com base nesse argumento. É possível o controle judicial dos pressupostos de relevância e urgência para a edição de medidas provisórias, no entanto, esse exame é de domínio estrito, somente havendo a invalidação quando demonstrada a inexistência cabal desses requisitos. Inexistindo comprovação da ausência de urgência, não há espaço para atuação do Poder Judiciário no controle dos requisitos de edição de medida provisória pelo chefe do Poder Executivo. STF. Plenário. ADI 5599/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/10/2020 (Info 996). 2.11.2.4.7. MP X matéria ambiental UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: MEDIDA PROVISÓRIA E RETROCESSO SOCIOAMBIENTAL (2) O Plenário, em conclusão de julgamento, conheceu em parte de ação direta e, nessa parte, julgou procedente o pedido para, sem pronunciamento de nulidade, declarar a inconstitucionalidade da Medida Provisória 558/2012, convertida na Lei 12.678/2012. A ação direta foi conhecida apenas na parte em que aponta violação dos artigos 62 e 225, § 1º, III, da Constituição Federal (CF) (1), relativamente às alterações de limites de parques e florestas nacionais, de área de proteção ambiental e de unidades de conservação, as quais foram promovidas com o objetivo de construção de usinas hidrelétricas (Informativo 873). Quanto ao aspecto formal, o Tribunal reafirmou a possibilidade, ainda que em caráter excepcional, de declaração de inconstitucionalidade de medidas provisórias quando se afigure evidente o abuso do poder de legislar pelo Chefe do Executivo, em razão da indubitável ausência dos requisitos constitucionais de relevância e urgência. Asseverou que não ficou demonstrado, de forma satisfatória, a presença dos mencionados requisitos. À época da edição da medida provisória, os empreendimentos hidrelétricos que justificariam a desafetação das áreas protegidas ainda dependiam de licenciamentos ambientais, nos 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/74a9d40b0df3a01eda99c4463b607dd1?categoria=1&ano=2020https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/74a9d40b0df3a01eda99c4463b607dd1?categoria=1&ano=2020 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/74a9d40b0df3a01eda99c4463b607dd1?categoria=1&ano=2020 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 99 quais deveriam ser analisados os impactos e avaliada a conveniência e escolha dos sítios a serem efetivamente alagados. Reconheceu a impossibilidade de diminuição ou supressão de espaços territoriais especialmente protegidos por meio de medida provisória. A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF (2). Ademais, normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só podem ser editadas por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade civil e dos órgãos e instituições de proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. A adoção de medida provisória nessas hipóteses possui evidente potencial de causar prejuízos irreversíveis ao meio ambiente na eventualidade de não ser convertida em lei. Sob o prisma material, o Colegiado considerou que a norma impugnada contrariou o princípio da proibição de retrocesso socioambiental. Isso porque as alterações legislativas atingiram o núcleo essencial do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (art. 225 da CF). Enfatizou, ainda, que a aplicação do princípio da proibição do retrocesso socioambiental não pode engessar a ação legislativa e administrativa, sendo forçoso admitir certa margem de discricionariedade às autoridades públicas em matéria ambiental (ADI 4.350/DF). Contudo, o que se consumou foi a indevida alteração de reservas florestais com gravosa diminuição da proteção de ecossistemas, à revelia do devido processo legislativo, por ato discricionário do Poder Executivo, e em prejuízo da proteção ambiental de parques nacionais. Por fim, o Tribunal julgou procedente a ação, sem pronunciamento de nulidade, ao fundamento de que o irreversível alagamento das áreas desafetadas e a execução dos empreendimentos hidrelétricos já não permite a invalidação dos efeitos produzidos, dada a impossibilidade material de reversão ao “status quo ante”. JURISPRUDÊNCIA DO STF (1) Constituição Federal: “Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional; e Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 100 direito, incumbe ao Poder Público: (...) III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção”. (2) Constituição Federal: “Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I – relativa a: (...)”. ADI 4717/DF, REL. MIN. CÁRMEN LÚCIA, JULGAMENTO EM 5.4.2018. (ADI-4717) 2.11.2.4.8. MP X vigência MEDIDA PROVISÓRIA E DECRETO LEGISLATIVO No mérito, o Tribunal registrou que o § 11 do art. 62 da CF deve ser interpretado com cautela, não se podendo protrair indefinidamente a vigência de medidas provisórias rejeitadas ou não apreciadas. Referida norma visa garantir segurança jurídica àqueles que praticaram atos embasados em medida provisória rejeitada ou não apreciada, mas isso não pode ensejar a sobreposição da vontade do Chefe do Poder Executivo à vontade do Poder Legislativo, o que ocorrerá, por exemplo, em situações nas quais a preservação dos efeitos de determinada medida provisória rejeitada implicar na manutenção de sua vigência. Interpretação diversa ofende a cláusula pétrea constante do art. 2º da Constituição, que preconiza a separação entre os Poderes. Na espécie, verifica-se que o § 11 do art. 62 da Constituição tem servido de fundamento para o deferimento de medidas judiciais a determinar à Administração Pública o exame de pedidos de licença para exploração de CLIA não analisados durante a vigência da Medida Provisória 320/2006. Nesses casos, não havia ato da Administração deferindo o pedido de licença para exploração de CLIA, sequer podendo se argumentar com a existência de ato jurídico perfeito. Dessa forma, não há falar na existência de relação jurídica constituída que torne possível a invocação do referido dispositivo constitucional para justificar a aplicação da medida provisória. Interpretação contrária postergaria indevidamente a eficácia de medida provisória já rejeitada pelo Congresso Nacional, e ofenderia não apenas o § 11 do art. 62 da Constituição, mas também o princípio da separação dos Poderes e o princípio da segurança jurídica. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 101 Vencidos os Ministros Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Ricardo Lewandowski, que julgaram improcedente o pedido. 2.11.2.4.9 Medida provisória x contrabando legislativo JURISPRUDÊNCIA DO STF EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. EMENDA PARLAMENTAR EM PROJETO DE CONVERSÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA EM LEI. CONTEÚDO TEMÁTICO DISTINTO DAQUELE ORIGINÁRIO DA MEDIDA PROVISÓRIA. PRÁTICA EM DESACORDO COM O PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO E COM O DEVIDO PROCESSO LEGAL (DEVIDO PROCESSO LEGISLATIVO). 1. Viola a Constituição da República, notadamente o princípio democrático e o devido processo legislativo (arts. 1º, caput, parágrafo único, 2º, caput, 5º, caput, e LIV, CRFB), a prática da inserção, mediante emenda parlamentar no processo legislativo de conversão de medida provisória em lei, de matérias de conteúdo temático estranho ao objeto originário da medida provisória. 2. Em atenção ao princípio da segurança jurídica (art. 1º e 5º, XXXVI, CRFB), mantém-se hígidas todas as leis de conversão fruto dessa prática promulgadas até a data do presente julgamento, inclusive aquela impugnada nesta ação. 3. Ação direta de inconstitucionalidadejulgada improcedente por maioria de votos. (ADI 5127, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 15/10/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-094 DIVULG 10-05-2016 PUBLIC 11-05-2016) EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTS. 113 A 126 DA LEI Nº 12.249/2010. CONVERSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 472/2009. DISPOSITIVOS INCLUÍDOS POR EMENDA PARLAMENTAR. AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA TEMÁTICA COM O OBJETO ORIGINAL DA MEDIDA PROVISÓRIA. INOBSERVÂNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGISLATIVO CONSTITUCIONAL. AFRONTA AO PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO E AO POSTULADO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 102 ARTS. 1º, CAPUT, 2º, 5º, LIV, 62 E 84, XXVI, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 1. Inclusão, por emenda parlamentar, dos arts. 113 a 126, versando sobre alteração de limites de unidades de conservação, na redação final da Lei nº 12.249/2010, conversão da Medida Provisória nº 472/2009. 2. Afronta ao princípio democrático, ao postulado da separação entre os Poderes e à garantia do devido processo legislativo, à ausência de pertinência temática entre a matéria veiculada na emenda parlamentar e o objeto da medida provisória submetida à conversão em lei. 3. Em 15.10.2015, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, embora reconhecendo formalmente inconstitucional, a teor dos arts. 1º, caput e parágrafo único, 2º, caput, e 5º, LIV, da Carta Política, a inclusão de emenda, em projeto de conversão de medida provisória em lei, versando conteúdo divorciado do seu objeto originário, ao julgamento da ADI 5127, forte no princípio da segurança jurídica, afirmou a validade dos preceitos normativos resultantes de emendas a projetos de lei de conversão, ainda que sem relação com o objeto da medida provisória, aprovados antes da data daquele julgamento. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. (ADI 5012, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 16/03/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-018 DIVULG 31-01-2018 PUBLIC 01-02-2018) No concurso da PGE MS (2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Se o Congresso Nacional aprovar medida provisória (MP) cujo texto original, durante o curso do processo legislativo, tenha sofrido significativa alteração, os preceitos normativos inseridos nessa MP mediante referida alteração a) serão válidos, ainda que possuam conteúdo temático estranho ao objeto originário da MP, por inexistir vedação constitucional quanto a essa prática. b) serão nulos, possuindo ou não conteúdo temático estranho ao objeto originário da MP, por vício material de constitucionalidade. c) serão nulos, caso possuam conteúdo temático estranho ao objeto originário da MP, por vício formal de constitucionalidade. d) serão nulos, possuindo ou não conteúdo temático estranho ao objeto originário da MP, por vício formal de constitucionalidade. e) serão nulos, caso possuam conteúdo temático estranho ao objeto originário da MP, por vício material de constitucionalidade. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 103 A alternativa considerada correta foi a letra C. 2.11.2.5. Decreto Legislativo É instrumento normativo pelo qual se materializam as competências exclusivas do CN. Regras sobre o procedimento: regimento interno das Casas do CN. Além das matérias do art. 49, o CN deverá regulamentar por decreto legislativo os efeitos da MP NÃO convertida em lei. NÃO existe manifestação do Presidente da República, sancionando ou vetando, pela própria natureza do ato. 2.11.2.6. Tratados Internacionais O CN tem competência exclusiva para, através de decreto legislativo, resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais (art. 49, I, CF/88). FORMAS PELAS QUAIS SE ORIGINA UM TRATADO INTERNACIONAL: ● APROVAÇÃO DO TEXTO POR UMA INSTÂNCIA DE ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL; ● ASSINATURA DE UM DOCUMENTO POR SUJEITOS DE DIREITO INTERNACIONAL. Em geral, tem-se: NEGOCIAÇÃO -> CONCLUSÕES -> ASSINATURA DO TRATADO É competência privativa do Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais sujeitos a referendo do CN (art. 84, VIII, CF/88). Logo, primeiro o Presidente celebra o tratado e depois, internamente, o Parlamento decidirá sobre sua viabilidade, conveniência e oportunidade. Concordando o CN, será elaborado decreto legislativo (instrumento para referendar e aprovar a decisão do chefe do executivo), dando-se carta branca para ratificar a assinatura já depositada ou aderir, se já não tiver feito. Posteriormente, para que haja incorporação definitiva ao ordenamento jurídico, o Presidente da República, mediante decreto, promulga o texto, publicando-o em português em órgão da imprensa oficial. A propósito do tema, o Suprema Corte decidiu que a denúncia de tratados internacionais pelo presidente da República exige a anuência do Congresso Nacional. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 104 STF: A EXPEDIÇÃO DO REFERIDO DECRETO PELO PRESIDENTE ACARRETA 03 EFEITOS BÁSICOS: ● Promulgação do tratado internacional; ● Publicação oficial de seu texto; ● Executoriedade do ato internacional, que passa a somente vincular e obrigar no plano do direito positivo interno. Referido ato normativo integra o ordenamento jurídico interno com caráter de norma infraconstitucional, como regra, situando-se nos mesmos planos de validade, eficácia e autoridade em que se posicionam as leis ordinárias, podendo, por conseguinte, ser revogado por norma posterior, bem como ser questionada a sua constitucionalidade perante os tribunais, de forma concentrada ou difusa. NOTE que o sistema constitucional brasileiro NÃO exige, para efeito de executoriedade doméstica dos tratados internacionais, a edição de lei formal distinta, satisfazendo-se com a adoção de iter procedimental complexo, que compreende a aprovação do CN e a promulgação do texto pelo Executivo (= O Brasil adotou o princípio do dualismo moderado). RESUMO DO TRÂMITEDA INTEGRAÇÃO DA NORMA INTERNACIONAL NO DIREITO INTERNO: A) Celebração de Tratado Internacional pelo órgão do Poder Executivo; B) Aprovação (referendo ou ratificação latu sensu) pelo CN, por decreto legislativo; C) Troca ou Depósito dos instrumentos de ratificação ou adesão (caso não tenha ocorrido a prévia celebração) pelo órgão do executivo em âmbito internacional; D) Promulgação por decreto presidencial, seguida da publicação do texto em português por Diário Oficial => Nesse momento, adquire executoriedade no plano do direito positivo interno e guarda paridade com Leis Ordinárias, SALVO se versar sobre direitos humanos e for aprovado com quórum de 3/5 (constitucional) ou com natureza supralegal. OBSERVAÇÃO Segundo Araújo e Nunes Júnior, “o reconhecimento da inconstitucionalidade do decreto legislativo que ratifica um tratado internacional não torna o ajuste internacional nulo, mas apenas exclui o Brasil de seu cumprimento, sujeitando-o, no entanto, a sanções internacionais decorrentes do 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 105 descumprimento”. TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS ● Aprovados por 3/5 dos votos dos seus membros, em cada Casa do CN e em 02 turnos de votação => Equivalem às ECs, guardando paridade com as normas constitucionais. Exemplos: Decreto 6.949/09 – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; Tratado de Marraqueche (Decreto 9.522/18) – busca facilitar o acesso a obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso. OBS.: servem de parâmetro constitucional de confronto, ampliando o “bloco de constitucionalidade”. Assim, perfeitamente possível que uma lei seja declarada inconstitucional por ferir tratado internacional sobre direitos humanos que tenha sido aprovado com o rito acima. ● Aprovados por regra anterior à reforma (EC 45/2004) e desde que não forem confirmadas pelo quórum qualificado: Segundo o STF, serão normas supralegais. Exemplo: Pacto de San José da Costa Rica – ratificação do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos 🡪 a previsão constitucional da prisão civil do depositário infiel não foi revogada, mas deixou de ter aplicabilidade diante do efeito paralisante desses tratados em relação à legislação infraconstitucional que disciplina a matéria. STF (RE 466.343) - os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, se não incorporados na forma do art. 5.º, § 3.º (quando teriam natureza de norma constitucional), têm natureza de normas supralegais, paralisando, assim, a eficácia de todo o ordenamento infraconstitucional em sentido contrário. ● Tratados e convenções internacionais de outra natureza: Têm força de lei ordinária. Quadro do Dizer o Direito: Qual é a natureza jurídica dos tratados internacionais promulgados pelo Brasil? Os tratados internacionais são equivalentes a que espécie normativa? 1) Tratados internacionais que não tratem sobre direitos humanos Status de lei ordinária 2) Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos, mas que Status supralegal 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 106 não tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88 3) Tratados internacionais sobre Direito Tributário (art. 98 do CTN) Status supralegal* 4) Tratados internacionais sobre matéria processual civil (art. 13 do CPC/2015) Status supralegal* 5) Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos e que tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88 Equivalente a Emenda constitucional Uma diferença relevante entre os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos aprovados em cada casa do CN, em dois turnos, por 3/5 dos votos, e os que não seguiram esse rito, está no procedimento de denúncia (ato de retirada do tratado) – Os que seguiram o procedimento mais solene dependem de prévia autorização do CN para a denúncia (mesmo rito), e os outros poderão ser denunciados pelo Executivo, sem prévia autorização do CN. RESUMO DO TRÂMITE DA INTEGRAÇÃO DA NORMA INTERNACIONAL NO DIREITO INTERNO: A) Celebração de Tratado Internacional pelo órgão do Poder Executivo; B) Aprovação (referendo ou ratificação latu sensu) por decreto legislativo; C) Troca ou Depósito dos instrumentos de ratificação ou adesão (caso não tenha ocorrido a prévia celebração) pelo órgão do executivo em âmbito internacional; D) Promulgação por decreto presidencial, seguida da publicação em português por Diário Oficial => Nesse momento, guarda paridade com Leis Ordinárias, SALVO se versar sobre direitos humanos e for aprovado com quórum de 3/5 TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS A) Aprovados por 3/5 dos votos dos seus membros, em cada Casa do CN e em 02 turnos de votação => Equivalem às ECs, guardando paridade com as normas constitucionais. B) Aprovados por regra anterior à reforma (EC 45/2004) e desde que não forem confirmadas pelo quórum qualificado: Segundo o STF, serão normas supralegais. C) Tratados e convenções internacionais de outra natureza: Têm força de lei ordinária. 2.11.2.6.1. Responsabilidade internacional por violação de direitos humanos O Estado tem um dever de cumprir e respeitar as obrigações assumidas internacionalmente, provocando, em caso de descumprimento desses compromissos assumidos, sua responsabilidade perante a comunidade internacional. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 107 Normalmente, quando o Estado adere a um tratado internacional de direitos humanos, são previstos “mecanismos de supervisão e controle do respeito, pelo Estado, desses mesmos direitos protegidos”, segundo André de Carvalho Ramos. Isto significa dizer que o Estado se compromete a proteger e respeitar os direitos humanos, tornando-se garante dessas obrigações. São as obrigações de respeito e obrigações de garantia. Assim, o Estadopoderes evita o despotismo e assume feições liberais. Do ponto de vista teórico, isso significa que na base da separação dos poderes encontra-se a tese da existência de nexo causal entre a divisão do poder e a liberdade individual. A separação dos poderes persegue esse objetivo de duas maneiras. Primeiro, impondo a colaboração e o consenso de várias autoridades estatais na tomada de decisões. Segundo, estabelecendo mecanismos de fiscalização e responsabilização recíproca dos poderes estatais, conforme o desenho institucional dos freios e contrapesos. Assim, a tripartição dos Poderes surgiu com o intuito de limitar o Poder Estatal, tanto através da Separação das Funções, bem como através do Sistema de Freios e Contrapesos. ● Separação das funções – cada Poder somente pode atuar dentro da competência constitucional que lhe é atribuída ● Sistema de Freios e Contrapesos – um poder pode limitar o outro quando constatar eventual abuso de poder. Art. 2º, CF/88. São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. APROFUNDANDO PARA DISCURSIVA e ORAL Rigorosamente, não é correto falar em divisão dos poderes, porque a compreensão prevalecente é a de que o poder estatal é uno, e de que existe apenas uma especialização de funções entre seus diferentes órgãos. Exatamente por isso é que se fala em funções típicas e atípicas dos poderes, sendo as primeiras aquelas funções preponderantes de um poder, como, por exemplo, a produção de normas gerais para o Poder Legislativo e o julgamento de conflitos, para o Judiciário. Exemplos de funções atípicas são a fiscalização financeira por parte do Legislativo e a produção de normas, por meio das resoluções de competência do Tribunal Superior Eleitoral, sobre matéria eleitoral ● FUNÇÃO LEGISLATIVA: “consiste na edição de regras gerais, abstratas, impessoais e inovadoras da ordem jurídica, denominadas leis”; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 9 ● FUNÇÃO EXECUTIVA: “resolve os problemas concretos e individualizados, de acordo com as leis; não se limita à simples execução das leis, como às vezes se diz; comporta prerrogativas, e nela entram todos os atos e fatos jurídicos que não tenham caráter geral e impessoal; por isso, é cabível dizer que a função executiva se distingue em função de governo, com atribuições políticas, legislativas e de decisão, e função administrativa, com suas três missões básicas: intervenção, fomento e serviço público”; ● FUNÇÃO JURISDICIONAL: “tem por objeto aplicar o direito aos casos concretos a fim de dirimir conflitos de interesse”. 2. PODER LEGISLATIVO FUNÇÃO TÍPICA · Função legiferante – elaborar leis · Função de fiscalização e controle dos atos do Executivo É evidente que a função típica do legislativo é legislar, a possibilidade de editar leis que inovem na ordem jurídica, criando direitos e obrigações jurídicas. Essa função decorre da própria legitimidade democrática do Poder Legislativo. Mas, no direito contemporâneo, se reconhece como função típica a função de fiscalização da Administração Pública, cujo instrumento mais importante são as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). FUNÇÃO ATÍPICA O Poder Legislativo também desempenha funções atípicas: · Função judicial – Senado Federal julga o Presidente por crimes de responsabilidade · Função administrativa – Quando a Câmara dos Deputados e o Senado Federal se organizam internamente através da criação de cargos públicos. OBSERVAÇÃO É a possibilidade de os Poderes realizarem funções típicas e atípicas que viabiliza o princípio da separação dos poderes e o sistema de Freios e Contrapesos. 2.1. Estrutura A forma federativa de Estado confere uma estrutura tríplice ao Poder Legislativo, que é composto: · Poder Legislativo Federal · Poder Legislativo Estadual 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 10 · Poder Legislativo Municipal. 2.1.1. Âmbito Federal Vigora o bicameralismo federativo: ● Câmara dos Deputados – representa o povo; ● Senado Federal – representa os estados + DF. Art. 44, CF. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos. 2.1.2. Âmbito Legislativo Estadual Unicameral, composto por deputados estaduais, na Assembleia Legislativa. ● Número de deputados estaduais da assembleia legislativa = 3x a representação da câmara dos deputados, e atingido o número de 36, será acrescido de tantos quantos forem os deputados acima de 12 (y = (x-12) + 36). ● Mandato de 04 anos. ● Subsídio fixado por lei da assembleia legislativa, não podendo ser superior a 75% do estabelecido, em espécie, para os deputados federais. ATENÇÃO O STF já decidiu que: “É inconstitucional — por representar modalidade de reajustamento automático e, desse modo, violar o princípio da reserva legal (CF/1988, art. 27, § 2º), o pacto federativo e a vedação à equiparação entre espécies remuneratórias (CF/1988, art. 37, XIII) — lei estadual que vincula a remuneração dos deputados estaduais à dos deputados federais”. Respeitados os limites constitucionais, os estados federados possuem autonomia para a fixação da remuneração de seus agentes políticos (CF/1988, art. 25), mas existe vedação expressa à vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público, objetivando, justamente, impedir as majorações remuneratórias em cadeia. (ADI 6.545/DF, relator Ministro Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 12.4.2023 (quarta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1090) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 11 É inconstitucional — porpode ser responsabilizado quer por ter cometido atos violatórios de direitos humanos, quer por ter deixado de prevenir ou punir tais atos. Nesse sentido, dispõe a Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), ratificada pelo Brasil: Artigo 1º - Obrigação de respeitar os direitos: 1. Os Estados-partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma, por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social. A doutrina aponta como elementos constitutivos da responsabilidade internacional, portanto, o ato ilícito, nexo causal e existência de prejuízo ou dano. A conduta comissiva ou omissiva do Estado em relação a uma prévia “obrigação internacional estabelecida pela ordem jurídica” constitui o primeiro elemento, mas é o nexo causal ou a imputabilidade que constitui “o elemento que vincula a conduta do agente do Estado responsável”, conforme entendimento de André de Carvalho Ramos. Ainda, cabe ressalta que, de acordo com Paulo Borba Casella e Hildebrando Accioly, o Estado responderia por atos praticados por seus agentes ou por particulares, desde que pudesse ser imputável a ele. Logo, a responsabilidade do Estado seria indireta. No concurso da PGE CE (2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Assinale a opção correta acerca do processo legislativo. a) Lei estadual que crie despesa ou conceda benefício fiscal e cujo processo legislativo não contenha estimativa de impacto orçamentário e financeiro padecerá de vício de inconstitucionalidade formal. b) A conversão em lei de medida provisória formalmente inconstitucional é capaz de sanar o vício original. c) O veto jurídico aposto pelo chefe do Poder Executivo pode abranger expressão inserida 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 108 no texto de parágrafo. d) No projeto de lei apresentado pelo Poder Executivo, a ausência de motivação contaminará a validade da lei eventualmente aprovada. A alternativa considerada correta foi a letra A. 2.11.2.6.2. Controle de convencionalidade Os tratados internacionais de direitos humanos em vigor no Brasil são também (assim como a Constituição) paradigma de controle da produção normativa doméstica. É o que se denomina de controle de convencionalidade das leis, o qual pode se dar tanto na via de ação (controle concentrado) quanto pela via de exceção (controle difuso). (Valério Mazzuoli) Segundo Alice Bianchini e Valério de Oliveira Mazzuoli, atualmente, verificar a adequação das leis com a Constituição (controle de constitucionalidade) é apenas o primeiro passo a fim de se garantir validade à produção do Direito doméstico. Além de compatíveis com a Constituição, as normas internas devem estar em conformidade com os tratados internacionais ratificados pelo governo e em vigor no país, condição a que se dá o nome de controle de convencionalidade. 2.11.2.7. Resolução Meio para regulamentar as matérias de competência privativa do Senado e da Câmara dos Deputados, e algumas do CN. NÃO haverá manifestação presidencial sancionando ou vetando o projeto de resolução. 2.12. Função fiscalizatória exercida pelo Legislativo e o Tribunal de Contas Além da função típica de legislar, ao Legislativo também foi atribuída a função fiscalizatória. Em relação ao legislativo, além do controle interno (inerente a todo Poder), também realiza controle externo, através da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da Administração direta (pertencentes ao Executivo, Legislativo e Judiciário) e indireta, levando em consideração a legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas (art. 70, caput). A CF/88 consagra, pois, um sistema harmônico, integrado e sistêmico de perfeita convivência entre os controles internos de cada Poder e o controle externo exercido pelo Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas (art. 74, IV). 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 109 O STF3 decidiu que norma estadual ou municipal não pode conferir a parlamentar, individualmente, o poder de requisitar informações ao Poder Executivo. Visto que a Constituição Federal (CF) é taxativa quanto à atribuição exclusivamente conferida às Casas do Poder Legislativo para fiscalizar os atos do Poder Executivo (CF, art. 49, X). Nesses termos, não se admite que constituição estatual ou legislação infraconstitucional, a pretexto de fiscalizar ou controlar atividades de outro poder, disponham sobre outras modalidades de controle ou inovem em fórmulas de exercício dessa atividade que ultrapassem aquelas previstas pela CF, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes (CF, art. 2º). Fica ressalvada, no entanto, a possibilidade de o parlamentar atuar na condição de cidadão, nos termos constitucionais e legais aplicáveis a matéria (CF, art. 5º, XXXIII). (STF. Plenário. RE 865401/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2018 (repercussão geral) (Info 899). 2.12.1. Tribunal de Contas da União 2.12.1.1. Composição e características ● Integrado por 9 ministros; ● Sede no Distrito Federal; ● É um órgão técnico, cujos atos praticados no auxílio do controle externo são de natureza meramente administrativa, podendo ser acatados ou não pelo Legislativo; ● Não é órgão do Poder Judiciário, nem mesmo do Legislativo; ● Tem autonomia institucional, sem nenhum vínculo de subordinação ao Legislativo. ● Tem iniciativa reservada para “instaurar processo legislativo que pretenda alterar sua organização e seu funcionamento, como resulta da interpretação sistemática dos arts. 73, 75 e 96” da CF/88 (ADI 4.418-MC, j. 06.10.2010; e ADI 1.994, j. 24.05.2006). 2.12.1.2. Atribuições constitucionais do TCU Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: I.Apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; II.Julgar as contas dos administradores e demaisresponsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as 3 ADI 4700/DF, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 13.12.2021 (segunda-feira), às 23:59 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 110 fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; III.Apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório; IV.Realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; V.Fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo; VI.Fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; VII.Prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; VIII.Aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário; IX.Assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade; X.Sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; XI.Representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados. § 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis. § 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 111 § 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo. § 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades. ATENÇÃO O TCU APRECIA as contas do Presidente da República e JULGA as contas dos administradores e demais responsáveis por recursos públicos e daquele que derem causa à perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público. Acerca do tema, o STF decidiu que: “É inconstitucional norma de Constituição Estadual que amplia as competências de Assembleia Legislativa para julgamento de contas de gestores públicos, sem observar a simetria com a Constituição Federal, por violação aos arts. 71, II, e 75 da CF/1988.”. É inconstitucional — por contrariar o princípio da simetria e o que disposto no art. 71, II, da CF/1988 — norma de Constituição estadual que atribui à Assembleia Legislativa competência exclusiva para tomar e julgar as contas prestadas pelos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. O art. 75 da CF/1988 determina expressamente que o modelo federal de controle orçamentário e financeiro se aplica aos Tribunais de Contas dos estados, vinculando, assim, o constituinte estadual. Em âmbito federal, apenas as contas da Presidência da República são julgadas pelo Congresso Nacional. Nas demais hipóteses, inclusive quanto aos Poderes Legislativo e Judiciário, a competência é do Tribunal de Contas da União. Desse modo, em atenção ao postulado da simetria, compete à Assembleia Legislativa estadual, tão somente, o julgamento das contas do governador e a apreciação dos relatórios sobre a execução dos planos de governo. Caso contrário, haveria restrição indevida da competência do Tribunal de Contas local. (ADI 6981/SP, relator Ministro Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 12.12.2022 (segunda-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1079) ATENÇÃO Acerca das atribuições do TCU, o STF decidiu: “1. É inconstitucional, por ausência de simetria com as competências do TCU e por afronta à separação de poderes, lei que condicione genericamente o repasse de recursos federais à prévia aprovação de 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 112 projeto pelo Tribunal de Contas da unidade federativa destinatária das verbas. 2. É inconstitucional, por contrariedade ao art. 70 e incisos da CF/88 e por desrespeito à autonomia federativa, lei federal que atribua aos tribunais de contas estaduais competência para analisar contas relativas à aplicação de recursos federais.” É inconstitucional — por violar os princípios da simetria e da separação de Poderes (CF/1988, art. 2º), e a autonomia federativa — norma estadual que condicione a transferência de recursos do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN) à prévia aprovação, pelo respectivo tribunal de contas, de projeto apresentado por organização da sociedade civil que administre estabelecimento penal, bem como que atribua, a esse órgão local, a prestação de contas relativas à aplicação de recursos federais. Na espécie, ao condicionar todo e qualquer repasse de recursos do FUNPEN à aprovação de projeto pelo tribunalde contas estadual, a norma impugnada lhe conferiu competência que não encontra parâmetro nas atribuições do Tribunal de Contas da União (TCU). Ademais, o critério definidor da competência fiscalizatória – federal, estadual ou distrital – é a origem dos recursos públicos. Nesse contexto, a lei impugnada não poderia fixar novas atribuições ao tribunal de contas estadual, nem condicionar, genericamente, o repasse de recursos ao aval de órgão de controle autônomo e externo. (ADI 7.002/PR, relator Ministro Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 24.4.2023 (segunda-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1091) 2.12.1.2.1. O TCU tem atribuição para exercer controle de constitucionalidade? Segundo Pedro Lenza, não. No entanto, o tema tem gerado muita dúvida, na medida em que o STF, em 13.12.1963, editou a Súmula 347, com os seguintes dizeres: “o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público”. A Corte vem fazendo uma profunda releitura da referida súmula, prescrevendo que os ditos “órgãos administrativos autônomos”, por exemplo, o TCU, o CNJ e o CNMP, não realizam controle de constitucionalidade, na medida em que não exercem jurisdição, estando esse entendimento consagrado no julgamento da Pet 4.656 (Pleno, j. 19.12.2016, DJE de 04.12.2017). Por conta dessa súmula, sempre foi tido como certo pela doutrina majoritária, que o TCU não poderia exercer controle ABSTRATO de constitucionalidade (o que só pode ser feito pelo STF), mas poderia, nos casos submetidos ao seu julgamento, isto é, nas contas que estão sendo julgadas, 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 113 realizar um controle CONCRETO de constitucionalidade. Ou seja, esse enunciado sumular sempre permitiu que, no desempenho de suas funções, o Tribunal de Contas realizasse controle concreto e incidental de constitucionalidade. Esse controle, portanto, nos termos da Súmula 347/STF, permitia ao TCU julgar, incidentalmente, a constitucionalidade das leis e dos atos normativos do poder público. Para alguns autores, no entanto, o TCU não poderia apreciar a constitucionalidade de leis, mas apenas de atos e de contratos do poder público. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (mais precisamente, o Ministro Alexandre de Mores monocraticamente) veio, nos últimos anos, afastando a aplicação da sua Súmula 347, afirmando que ela, anterior à CF/88, não se compatibiliza com a ordem constitucional em vigor, pois apenas ao Poder Judiciário (em especial, à Suprema Corte) se permite, com exclusividade, realizar controle de constitucionalidade, além de o exercício desse controle pelo Tribunal de Contas ferir a separação de Poderes e o sistema de checks and balances consagrado na Constituição da República. Ocorre que, em 13/04/2021, o Plenário do Supremo Tribunal Federal realizou julgamento e superou a sua Súmula 347, passando a entender, em verdadeira guinada jurisprudencial, que o Tribunal de Contas não pode realizar controle de constitucionalidade, ainda que no desempenho de suas atribuições. O Plenário da Corte entendeu que a possibilidade de o Tribunal de Contas exercer controle de constitucionalidade usurpa atribuição do Poder Judiciário, em especial, do STF, pois, embora a decisão seja tomada em um caso concreto, leva a Administração a afastar a aplicação da lei em todos os demais casos, o que acaba conferindo à decisão da Corte de Contas contornos abstratos, vinculantes e erga omnes. ATENÇÃO No dia 22/09/2023, a Suprema Corte julgou, no plenário, o Mandado de Segurança nº 25.888/DF. No julgamento, prevaleceu o entendimento de que a Súmula 347 continua válida, todavia, deve ser interpretada a luz de alguns parâmetros, vejamos: O STF definiu que o Tribunal de Contas pode afastar a aplicação de uma norma, desde que: a) a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal seja pacífica em reconhecer a inconstitucionalidade da matéria ou; b) seja patente a violação patente a dispositivo da Constituição. Segundo o relator, o ministro Gilmar Mendes: “[...] da Corte de Contas passa-se a esperar a postura de cobrar da Administração Pública a observância da Constituição, mormente mediante a aplicação dos entendimentos exarados pelo Supremo Tribunal Federal em matérias relacionadas ao controle externo. Nessa senda, é possível vislumbrar renovada aplicabilidade da Súmula 347 do STF: o verbete confere aos Tribunais de Contas a possibilidade de afastar (incidenter tantum) 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 114 normas cuja aplicação no caso expressaria um resultado inconstitucional (seja por violação patente a dispositivo da Constituição ou por contrariedade à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria). [...]” Vejamos trecho da ementa do aludido julgado: (...) 5. Súmula 347 do Supremo Tribunal Federal: compatibilidade com a ordem constitucional de 1988: o verbete confere aos Tribunais de Contas – caso imprescindível para o exercício do controle externo – a possibilidade de afastar (incidenter tantum) normas cuja aplicação no caso expressaria um resultado inconstitucional (seja por violação patente a dispositivo da Constituição ou por contrariedade à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria). Inteligência do enunciado, à luz de seu precedente representativo (RMS 8.372/CE, Rel. Min. Pedro Chaves, Pleno, julgado em 11.12.1961). 6. Reafirmação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quanto à inviabilidade de realização de controle abstrato de constitucionalidade por parte de Tribunal de Contas (MS 35.410 MS 35.490 MS 35.494 MS 35.498 MS 35.500 MS 35.812 MS 35.824 MS 35.836, todos de Relatoria do Eminente Ministro Alexandre De Moraes, Tribunal Pleno, e publicados no DJe 5.5.2021). (...) STF. Plenário MS 25888 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 22/08/2023. 2.12.1.2.2. Sustação de atos e contratos administrativos Diante de atos administrativos, verificando o TCU qualquer ilegalidade, deverá assinalar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei (art. 71, IX). Findo o prazo e não solucionada a ilegalidade, nos termos do art. 71, X, competirá ao TCU, no exercício de sua própria competência, sustar a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Em contrapartida, de acordo com o art. 71, § 1.º, no caso de contrato administrativo, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis. Contudo, se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo,no prazo de 90 dias, não efetivar as medidas previstas, o Tribunal de Contas da União decidirá a respeito (art. 71, § 2.º). As empresas públicas e as sociedades de economia mista, integrantes da Administração indireta, estão sujeitas à fiscalização do Tribunal de Contas. JURISPRUDÊNCIA DO STF SÚMULA VINCULANTE 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 115 beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. 2.12.1.2.3. O TCU pode exigir, por si, a quebra de sigilo bancário? O STF, no julgamento do MS 22.801, por unanimidade, anulou decisão do TCU “... que obrigava o Banco Central a dar acesso irrestrito a informações protegidas pelo sigilo bancário, constantes do Sisbacen (Sistema de Informações do Banco Central). (...) Os ministros reafirmaram que toda e qualquer decisão de quebra de sigilo bancário tem de ser motivada, seja ela do Poder Judiciário ou do Poder Legislativo (no caso por meio das CPIs, acrescente-se). Eles ressaltaram, ainda, que o TCU, como órgão auxiliar do Congresso Nacional, não tem poder para decretar quebra de sigilo. Isso porque o sigilo bancário busca proteger a intimidade e a vida privada (art. 5.º, X), devendo eventual mitigação desses direitos fundamentais ser feita com base na Constituição e na ideia de ponderação. Avançando, nem mesmo a LC n. 105/2001, que trata do assunto, autorizou a mitigação do direito fundamental pelo TCU, o que, em nosso entender, também não poderia, já que estamos diante da regra de reserva de jurisdição. Portanto, tanto o TCU como as demais Cortes de Contas, em razão da simetria, não têm competência para decretar a quebra do sigilo bancário, mesmo diante das atividades que desempenham. No entanto, excetua-se o sigilo quando se trata de recursos públicos Assim, há inoponibilidade de sigilo bancário e empresarial ao TCU quando se está diante de operações fundadas em recursos de origem pública (MS 33.340). 2.12.1.2.4. TCU e teoria dos poderes implícitos O Min. Celso de Mello, em interessante julgado, anotou que a teoria dos poderes implícitos decorre de doutrina que, tendo como precedente o célebre caso McCULLOCH v. MARYLAND (1819), da Suprema Corte dos Estados Unidos, estabelece que “... a outorga de competência expressa a determinado órgão estatal importa em deferimento implícito, a esse mesmo órgão, dos meios necessários à integral realização dos fins que lhe foram atribuídos” (MS 26.547-MC/DF, Rel. Min. Celso de Mello, j. 23.05.2007, DJ de 29.05.2007). O STF já aplicou a teoria dos poderes implícitos ao TCU, reconhecendo que o Tribunal pode conceder medidas cautelares no exercício de suas atribuições explicitamente fixadas no art. 71 da CF/88 (MS 26.547). São partes legítimas para denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o TCU (ART. 74, § 2º, CF/88): ● QUALQUER CIDADÃO; ● PARTIDO POLÍTICO; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 116 ● ASSOCIAÇÃO; ● SINDICATO. Apresentada a denúncia, o TCU deve manter sigilo sobre a autoria? O STF, por maioria, entendeu que o denunciado tem o direito de saber quem está apresentando a denúncia para, eventualmente e se for o caso, exercer o seu direito de resposta, proporcional ao agravo, e buscar, até mesmo, reparação por dano material ou moral por violação à honra e à imagem (art. 5.º, V e X); além do que, apenas em situações excepcionais é vedado o direito de se obter informações dos órgãos públicos (art. 5.º, XXXIII) (cf. MS 24.405, Rel. Min. Carlos Velloso, j. 03.12.2003, Plenário, DJ de 23.04.2004). 2.12.1.3. Ministros do TCU ● REQUISITOS: Brasileiro; mais de 35 e menos de 70 anos de idade (ATENÇÃO!! Alteração efetuada pela EC nº 122/2022); idoneidade moral e reputação ilibada; notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública e mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados. ● ESCOLHA: Os ministros do TCU serão nomeados após escolha, que se dará da seguinte forma: 1/3 dos 9 pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal por maioria simples, sendo 2 alternadamente dentre auditores e membros do MP junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice; e 2/3 dos 9 pelo Congresso Nacional. ● NOMEAÇÃO: Pelo Presidente da República; ● GARANTIAS: Os Ministros do TCU terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do STJ; ● AUDITORES: O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos do titular e, quando no exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz de TRF. No concurso da PGE MS (2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: O chefe do Poder Executivo federal, por considerar competir ao TCU julgar as contas dos administradores de verbas públicas, entre as quais as prestadas pelo próprio presidente da República, apresentou projeto de lei na Câmara dos Deputados, no qual dispõe que: a) contrato celebrado entre a União e empresa particular dependerá de prévio registro no TCU; b) decisão do TCU que negar registro de admissão de pessoal será passível de recurso dotado de efeito suspensivo, o qual deverá ser dirigido ao Congresso Nacional. Diante da situação hipotética acima referida, e considerando a previsão constante da CF e a jurisprudência do STF acerca do TCU, assinale a opção correta. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 117 a) Compete aos tribunais de contas dos estados julgar as contas de gestores de verbas federais repassadas pela União aos estados e municípios. b) Não compete aos tribunais de contas examinar previamente a validade de contratos administrativos celebrados pelo poder público. c) O TCU integraa estrutura do Poder Legislativo, estando a este hierarquicamente subordinado. d) Compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa privativa para deflagrar processo legislativo de lei que disponha sobre a organização e o funcionamento de tribunal de contas. e) Compete ao TCU julgar anualmente as contas prestadas pelo Chefe do Poder Executivo. A alternativa considerada correta foi a letra B. 2.12.2. Tribunais de Contas Estaduais e Tribunal de Contas do Distrito Federal As normas estabelecidas para o Tribunal de Contas da União (TCU) aplicam-se, no que couber e por simetria, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal (art. 75, caput). As regras sobre os Tribunais de Contas Estaduais deverão estar previstas na Constituição Estadual, com expressa menção de que o número de Conselheiros (e aqui não se fala em Ministros) deverá ser de 7, regra essa que deverá ser seguida, também, no âmbito do DF. Nos termos da Súmula 653 do STF, “no Tribunal de Contas estadual, composto por sete conselheiros, quatro devem ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual, cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do MP especial, e um terceiro à sua livre escolha”, fazendo interpretação do art. 75, caput, que estabeleceu o dever de observância de sua composição, no que couber, em relação às regras do TCU, que é composto por 9, e não 7 integrantes. Assim, das 7 vagas, 4 serão escolhidas pelo Poder Legislativo e 3 pelo Poder Executivo (escolha fundada na separação de poderes). O STF4 decidiu que é constitucional norma estadual decorrente de emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa do Tribunal de Contas estadual que veicule regras sobre prescrição e decadência a ele aplicáveis. A norma impugnada trata sobre ações de fiscalização de Corte de Contas estadual, tendo em perspectiva a passagem do tempo, não implicando vulneração de sua autonomia ou autogoverno, já que não altera sua organização ou funcionamento. Assim, inexiste 4 ADI 5384/MG, relator Min. Alexandre de Moraes. INFORMATIVO 1056. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 118 vício de iniciativa ou abuso do poder de emenda parlamentar, pois presente a pertinência temática com o escopo do projeto originariamente enviado ao Poder Legislativo e verificado que a disciplina jurídica nele inserida não implica aumento de despesa. Ademais, o princípio da simetria não pode ser invocado de modo desarrazoado, em afronta à sistemática constitucional de repartição de competências e à própria configuração do sistema federativo. Não obstante a ausência de disciplina expressa no ordenamento jurídico sobre prescrição e decadência no âmbito do TCU, a criação desses institutos pelos Tribunais de Contas nas diversas unidades federativas alinha-se com a interpretação mais consentânea com a CF/1988, notadamente o caráter excepcional das regras de imprescritibilidade. Ainda sobre a organização dos Tribunais de Contas, o STF na ADI 7.180/AP, definiu que são inconstitucionais — por violarem os princípios republicano e democrático — normas estaduais (Constituição, lei e regimento interno) que permitem mais de uma reeleição consecutiva para o mesmo cargo diretivo do Tribunal de Contas local. Embora seja permitida a reeleição de conselheiro para o mesmo cargo diretivo de Tribunal de Contas estadual, possibilitar que uma pessoa ou um grupo se eternize no exercício de postos de comando, em especial os de natureza executiva, representa grave risco ao dever de impessoalidade que norteia toda a Administração Pública, em cada uma das suas esferas, pois oportuniza a captura da máquina administrativa e abre espaço para a instalação do despotismo. ATENÇÃO Acerca das atribuições do TCE, o STF decidiu: Os Tribunais de Contas, ao apreciarem as contas anuais do respectivo chefe do Poder Executivo, podem proceder à tomada de contas especial (TCE) e, por conseguinte, condenar-lhe ao pagamento de multa ou do débito ou, ainda, aplicar-lhe outras sanções administrativas previstas em lei, independentemente de posterior aprovação pelo Poder Legislativo local. Tese fixada pelo STF: No âmbito da tomada de contas especial, é possível a condenação administrativa de Chefes dos Poderes Executivos municipais, estaduais e distrital pelos Tribunais de Contas, quando identificada a responsabilidade pessoal em face de irregularidades no cumprimento de convênios interfederativos de repasse de verbas, sem necessidade de posterior julgamento ou aprovação do ato pelo respectivo Poder Legislativo. Desse modo, os Temas 835 e 157 estão limitados ao aspecto da inelegibilidade prevista no art. 1º, inciso I, alínea “g”, da LC 64/90. (STF. Plenário. ARE 1.436.197/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/12/2023 (Repercussão Geral – Tema 1287) (Info 1121). 2.12.3. Tribunais de Contas Municipais 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 119 De acordo com o art. 75, caput, da CF/88, as normas estabelecidas para o Tribunal de Contas da União (TCU) também se aplicam, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. A CF/88, em seu art. 31, § 4.º, veda a criação de Tribunais, Conselhos ou Órgãos de Contas Municipais. No entanto, e de maneira aparentemente paradoxal, no § 1.º do art. 31 dispõe que o controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver. Daí, a única conclusão a que podemos chegar é que, após a promulgação da CF/88, veda-se a criação de Tribunais de Contas Municipais. No entanto, os que existiam à época deverão permanecer em funcionamento. O controle externo das contas do Prefeito será realizado pela Câmara Municipal, auxiliada pelo Tribunal de Contas Municipal — TCM (onde houver) ou pelo Tribunal de Contas Estadual (se inexistir, naquele Município, o municipal) ou por eventual Tribunal de Contas do Município, instituído para funcionar naquela localidade, apesar de órgão estadual. O Tribunal de Contas (art. 31, § 2.º) emitirá parecer técnico prévio sobre as contas prestadas anualmente pelo Prefeito, podendo ser rejeitado pela Câmara Municipal pelo voto de 2/3 de seus membros. JURISPRUDÊNCIA DO STF STF: “O parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento das contas anuais do Chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por decursode prazo” (RE 729.744, Pleno, j. 10.08.2016). No entanto, afirmou que o parecer prévio a ser emitido pela Corte de Contas deve ser entendido como imprescindível, “só deixando de prevalecer por decisão de 2/3 dos membros da Câmara Municipal” (Inf. 847/STF, ADI 3.077, Plenário, j. 16.11.2016). Ainda, o Pleno do STF, por maioria, também estabeleceu que, “para os fins do art. 1.º, I, ‘g’, da LC n. 64/90, alterado pela LC n. 135/2010, a apreciação das contas de prefeitos, tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas Câmaras Municipais, com o auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer prévio somente deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos vereadores” (RE 848.826, Pleno, j. 10.08.2016). OBSERVAÇÃO ● CONTAS DE GOVERNO: também denominadas “contas de desempenho” ou “de resultado”, relacionam-se ao cumprimento do orçamento dos planos e programas de governo. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 120 Referem-se à atuação do chefe do Poder Executivo como agente político (Inf. 834/STF, pendente a publicação do acórdão); ● CONTAS DE GESTÃO: também denominadas “contas de ordenação de despesas”, permitem “o exame não dos gastos globais, mas de cada ato administrativo que comporia a gestão contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do ente público quanto à legalidade, à legitimidade e à economicidade”. 2.12.4. Ministério Público junto ao Tribunais de Contas O STF já decidiu que “... somente o Ministério Público especial tem legitimidade para atuar junto às Cortes de Contas dos Estados-membros, e que a organização e a composição destas se submetem ao modelo jurídico estabelecido na Constituição Federal, de observância obrigatória pelos Estados-membros...” (ADI 3.192/ES, Rel. Min. Eros Grau, j. 24.05.2006, cf. Inf. 428/STF). Assim, não se admitiu que membros do MP estadual fossem “aproveitados” para atuar junto ao TCE. Reforçou- se a ideia de estabelecimento de carreira específica do MP especial junto ao Tribunal de Contas. 2.12.5. Jurisprudência sobre o tema JURISPRUDÊNCIA DO STF Tese fixada: Prefeitos que ordenam despesas têm o dever de prestar contas, seja por atuarem como responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração, seja na eventualidade de darem causa a perda, extravio ou outra irregularidade que resulte em prejuízo ao erário; (II) Compete aos Tribunais de Contas, nos termos do art. 71, II, da Constituição Federal de 1988, o julgamento das contas de Prefeitos que atuem na qualidade de ordenadores de despesas; (III) A competência dos Tribunais de Contas, quando atestada a irregularidade de contas de gestão prestadas por Prefeitos ordenadores de despesa, se restringe à imputação de débito e à aplicação de sanções fora da esfera eleitoral, independentemente de ratificação pelas Câmaras Municipais, preservada a competência exclusiva destas para os fins do art. 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar nº 64/1990. Resumo: Os Tribunais de Contas possuem competência constitucional para julgar as contas de gestão de prefeitos que ordenam despesas, imputando débitos e sanções fora da esfera eleitoral, 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 121 independentemente de ratificação pelas Câmaras Municipais. ADPF 982/PR, relator Ministro Flávio Dino, julgamento virtual finalizado em 21.02.2025 (sexta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1166. A inércia do Tribunal de Contas estadual em emitir parecer prévio dentro do prazo constitucionalmente estipulado (CF/1988, art. 71, I) não impede o Poder Legislativo de julgar as contas do chefe do Poder Executivo local. ADPF 366/AL, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 21.02.2025 (sexta-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1166. São inconstitucionais — pois violam a competência privativa da União para legislar sobre direito penal e processual (CF/1988, art. 22, I), a atribuição do STJ para processar e julgar crimes de responsabilidade cometidos por conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais (CF/1988, art. 105, I, “a”) e a garantia da vitaliciedade dos membros da Corte de Contas (CF/1988, arts. 73, § 3º, e 95, I, c/c o art. 75) — dispositivos de Constituição estadual que dispõem sobre as infrações administrativas cometidas por esses agentes e as sujeitam a julgamento pela Assembleia Legislativa e à sanção de afastamento do cargo. ADI 4.190/RJ, relator Ministro Nunes Marques, julgamento finalizado em 21.02.2025 (sexta-feira). INFORMATIVO 1166. São constitucionais — pois não violam o devido processo legislativo, tampouco os princípios da isonomia tributária (CF/1988, art. 150, II), da livre concorrência (CF/1988, art. 170, IV) e da uniformidade geográfica (CF/1988, art. 151, I) — as normas que alteraram o marco regulatório das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) com o objetivo de modernizá-lo para promover o desenvolvimento socioeconômico do País. ADI 7.174/DF, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 29.11.2024 (sexta-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1161 É constitucional — e não usurpa a prerrogativa de iniciativa legislativa do chefe do Poder Executivo em matéria de organização e funcionamento da Administração Pública local (CF/1988, art. 61, § 1º, II, “a” e “e”), a competência legislativa privativa da União ou a autonomia do Ministério Público (CF/1988, arts. 127, § 2º; e 128, § 5º) — lei municipal de origem parlamentar que estabelece políticas 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 122 públicas voltadas ao combate à alienação parental na respectiva localidade. ARE 1.495.711/SP, relator Ministro Flávio Dino, julgamento virtual finalizado em 29.11.2024 (sexta-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1161 As eleições dos integrantes da Mesa Diretora do Poder Legislativo para o segundo biênio da legislatura devem ser realizadas a partir do mês de outubro do ano anterior ao início do mandato pertinente, em respeito à legitimidade do processo legislativo e à expressãopolítica da atual composição da Casa Legislativa. ADI 7.733/DF, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 18.11.2024 (segunda-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1159 É constitucional — por apresentar pertinência temática e concretizar o princípio da eficiência (CF/1988, art. 37, caput) — norma estadual, decorrente de emenda parlamentar a projeto de lei de inciativa do Tribunal de Justiça local, que fixa limite de tempo proporcional e razoável para o atendimento ao público em serventias extrajudiciais. ADI 7.602/ES, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 11.11.2024 (segunda-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1.158. É constitucional — e não afronta iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (CF/1988, art. 61, § 1º, II, “a” ou “c”) nem constitui omissão que estabeleça hipótese de patente inconstitucionalidade — a Lei nº 12.030/2009, de iniciativa parlamentar, que estabelece normas gerais sobre perícias oficiais de natureza criminal. ADI 4.354/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento finalizado em 07.11.2024 (quinta-feira) ARE 1.454.560 AgR/MA, relator Ministro André Mendonça, julgamento finalizado em 07.11.2024 (quinta-feira) ADI 7.627/RS, relatora Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 07.11.2024 (quinta-feira) INFORMATIVO 1.158. É constitucional — por não violar a reserva de iniciativa do chefe do Poder Executivo para projetos de lei que envolvam a criação de órgãos, cargos e funções na Administração Pública (CF/1988, arts. 61, § 1º, “a” e “e” e 84, VI, “a”) — lei estadual, de iniciativa parlamentar, que dispõe sobre a proteção e a defesa de animais e o controle de reprodução e regulamentação da vida de cães e gatos encontrados nas ruas. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 123 ADI 4.959/AL, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 18.10.2024 (sexta-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1.155. É inconstitucional — por violar os preceitos fundamentais atinentes à separação dos Poderes (CF/1988, art. 2º) e ao devido processo legislativo (CF/1988, art. 61, § 1º, II, “e”) — emenda à Constituição estadual que condicione a composição dos quadros de pessoal dos conselhos do Poder Executivo estadual à indicação de membros pela Assembleia Legislativa. ADI 6.856/AL, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 18.10.2024 (sexta-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1.155. “O Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil não estão obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas da União nem a qualquer outra entidade externa.” A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não se sujeita à prestação de contas perante o Tribunal de Contas da União (TCU) e a ausência dessa obrigatoriedade não representa ofensa ao art. 70, parágrafo único, da Constituição Federal de 1988, já que inexiste previsão expressa em sentido diverso. (RE 1.182.189/BA, relator Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 24.4.2023 (segunda-feira), às 23:59. INFORMATIVO 1091) É constitucional a criação de órgãos jurídicos na estrutura de Tribunais de Contas estaduais, vedada a atribuição de cobrança judicial de multas aplicadas pelo próprio tribunal. É inconstitucional norma estadual que preveja que compete à Procuradoria do Tribunal de Contas cobrar judicialmente as multas aplicadas pela Corte de Contas. A Constituição Federal não outorgou aos Tribunais de Contas competência para executar suas próprias decisões. As decisões dos Tribunais de Contas que acarretem débito ou multa têm eficácia de título executivo, mas não podem ser executadas por iniciativa do próprio Tribunal. STF. Plenário. ADI 4070/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/12/2016 (Info 851). Fonte: Dizer o Direito. É inconstitucional lei de iniciativa parlamentar que trate sobre os cargos, a organização e o funcionamento do Tribunal de Contas. É a 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 124 própria Corte de Contas que tem competência reservada para deflagrar o processo legislativo que trate sobre essa matéria (arts. 73, 75 e 96 da CF/88). (STF. Plenário. ADI 3223/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/11/2014) (Info 766). Fonte: Dizer o Direito. Para os fins do artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990, a apreciação das contas de Prefeito, tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas Câmaras Municipais, com auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer prévio somente deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos vereadores. (STF. Plenário. RE 848826/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/8/2016) (repercussão geral) (Info 834). Fonte: Dizer o Direito. Parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento das contas anuais do chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por decurso de prazo. (STF. Plenário. RE 729744/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. em 10/8/2016) (repercussão geral) (Info 834). Fonte: Dizer o Direito. As atribuições do Tribunal de Contas da União são independentes em relação ao julgamento do processo administrativo disciplinar instaurado para apurar falta funcional do servidor público. Em outras palavras, o processo no TCU não depende nem está vinculado ao PAD. (STF. 2ª Turma. MS 27427 AgR/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2015) (Info 798). Fonte: Dizer o Direito. Se o servidor público responder a processo administrativo disciplinar e for absolvido, ainda assim poderá ser condenado a ressarcir o erário, em tomada de contas especial, pelo Tribunal de Contas da União. (STF. 1ª Turma. MS 27867 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18/9/2012). Fonte: Dizer o Direito. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 125 São constitucionais — enão violam a reserva de iniciativa do chefe do Poder Executivo nem a liberdade de exercício profissional ou o princípio da livre iniciativa — os arts. 1º e 3º da Lei nº 9.696/1998, que estabelecem, respectivamente, a exigência do registro do profissional de educação física e a descrição das atividades a serem desempenhadas pela categoria. ADI 6.260/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 25.10.2024 (sexta-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1.156. É constitucional, pois não configura emenda aditiva e, portanto, não afronta o princípio do bicameralismo no processo legislativo, a inclusão — pela Casa revisora, sem retorno do texto à Casa iniciadora para nova votação — de palavras e expressões em projeto de lei que apenas corrija imprecisões técnicas ou torne o sentido do texto mais claro. ADI 7.442/DF, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 24.10.2024 (quinta-feira) INFORMATIVO 1.156. É constitucional — por não violar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e proibição ao retrocesso social — a revogação de dispositivo de Constituição estadual que impõe a prévia aprovação plebiscitária como requisito de validade para a alienação, transferência do controle acionário, cisão, incorporação, fusão ou extinção de empresas estatais. ADI 6.291/RS, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento virtual finalizado em 25.10.2024 (sexta-feira), às 23:59 ADI 6.325/RS, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento virtual finalizado em 25.10.2024 (sexta-feira), às 23:59) INFORMATIVO 1.156. É inconstitucional — por violar a reserva de iniciativa do chefe do Poder Executivo para projetos de lei que envolvam a criação de cargos, funções ou empregos públicos na Administração Pública, bem como o aumento de sua remuneração (CF/1988: art. 61, § 1º, “a”), norma de observância obrigatória pelos estados-membros — lei estadual, de iniciativa do Tribunal de Contas, que concede gratificação a servidores militares em atividade na assessoria militar desse órgão. ADI 5.027/AL, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 25.10.2024 (sexta-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1.156. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 126 É constitucional — e não ofende os arts. 73, § 4º, e 75, caput, da Constituição Federal, de observância obrigatória pelos estados- membros — norma de Regimento Interno de Tribunal de Contas estadual que impede auditor de votar nas eleições internas para a composição dos cargos diretivos do órgão, ainda que no exercício da substituição de ministro ou conselheiro titular. ADI 6.054/AL, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 25.10.2024 (sexta-feira), às 23:59 INFORMATIVO 1.156. JURISPRUDÊNCIA DO STJ Os Tribunais de Contas detêm competência para julgar atos praticados por prefeitos municipais na condição de ordenadores de despesas e, quando constatadas irregularidades ou ilegalidades, têm o poder-dever de aplicar sanções, no exercício das atribuições fiscalizatórias e sancionatórias. RMS 13.499-CE, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 6/8/2024. INFORMATIVO 820 - O processo administrativo no Tribunal de Contas que julga admissões de servidores públicos deve assegurar aos interessados o contraditório e a ampla defesa considerando que poderá resultar em anulação ou revogação dos atos administrativos de nomeação dos servidores, repercutindo, portanto, no âmbito dos interesses individuais. (STJ. 2ª Turma. RMS 27.233-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 7/2/2012) (Info 490). Fonte: Dizer o Direito. É ilegal o ato praticado pelos Conselheiros do Tribunal de Contas Estadual que, durante Sessão Plenária Administrativa, sem a participação do Ministério Público de Contas, delibera sobre matérias relativas a atos praticados pelo Procurador-Geral do Ministério Público de Contas de Estado. AgInt no RMS 50.353-MS, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 16/9/2024, DJe 18/9/2024. (Informativo 832 STJ) Julgados (A Constituição e o Supremo): 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 127 JURISPRUDÊNCIA DO STF Lei complementar 101/2000. Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Artigos 56, § 2º, e 59, caput. Inexistência de usurpação de competência. (...) Inexistência de qualquer subtração à competência dos Tribunais de Contas de julgamento das próprias contas, mas previsão de atuação opinativa da Comissão Mista de Orçamento (art. 166, § 1º, da CF) ou órgão equivalente. Ao permitir a fiscalização dos padrões de gestão fiscal pela atuação concomitante do Legislativo e dos Tribunais de Contas, o dispositivo buscou melhor aproveitar as especializações institucionais, sem qualquer usurpação de competências privativas. [ADI 2.324, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 22-8-2019, P, DJE de 14-9-2020.] Deliberações do Tribunal de Contas da União que determinaram o fornecimento de trabalhos de auditoria interna. Recusa de entrega, por parte do Banco do Brasil S.A., (...) Quando enfocados apenas dados operacionais da sociedade de economia mista, sem identificação de dados pessoais ou de movimentações individuais dos correntistas, não há falar em sigilo bancário como óbice ao fornecimento dos documentos de auditoria interna requisitados pelo TCU. Esse e o entendimento que se extrai dos princípios da publicidade e da transparência, além da exigência de prestar contas, inerentes, por imposição constitucional, ao atuar dos entes da administração pública direta e indireta. [MS 23.168-AgR, rel. min. Rosa Weber, j. em 27-6-2019, 1a.T, DJE de 5-8-2019. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei Complementar 101/2000. Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). (...) Em relação ao artigo 56, caput, da LRF, a emissão de diferentes pareceres prévios respectivamente às contas dos Poderes Legislativo, Judiciário e Ministério Público transmite ambiguidade a respeito de qual deveria ser o teor da análise a ser efetuada pelos Tribunais de Contas, se juízo opinativo, tal como o do art. 71, I, da CF, ou se conclusivo, com valor de julgamento. Confirmação da liminar, declarando-se a inconstitucionalidade do dispositivo. O mesmo se aplica ao art. 57, caput, da LRF, cuja leitura sugere que a emissão de parecer prévio por Tribunais de Contas poderia ter por objeto contas de outras autoridades que não a do Chefe do Poder Executivo. Confirmação da liminar, declarando-se a inconstitucionalidade do dispositivo. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 160 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753809518 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=750432975 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 128 [ADI 2.238, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 24-6-2020, P, DJE de 15-9- 2020.] = ADI 2.324, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 22-8-2019, P, DJE de 14-9-2020 É inconstitucional o art. 1º da Lei 9.604/1998, que fixou a competência dos Tribunais de Contas Estaduais e de Câmaras Municipais para análise da prestação de contas da aplicação de recursos financeiros oriundos do Fundo Nacional de Assistência Social, repassados aos Estados e Municípios. A competência para o controle da prestação de contas da aplicação de recursos federais é do Tribunal de Contas da União (...). [ADI 1.934, rel. min. Roberto Barroso, j. 7-2-2019, P, DJE de 26-2-2019.] A competência técnica do Tribunal de Contas do Estado, ao negar registro de admissão de pessoal, não se subordina à revisão pelo Poder Legislativo respectivo. [RE 576.920, rel. min. Edson Fachin, j. 20-4-2020, P, DJE de 9- 11-2020, Tema 47.] Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. [RE 636.553, rel. min. Gilmar Mendes, j. 19-2-2020, P, DJE de 26-5-2020, Tema 445.] Itaipu Binacional. (...) Eventual fiscalização pelo Tribunal de Contas da União dar-se-á nos termos acordados em instrumento firmado entre a República Federativa do Brasil e a República do Paraguai. [ACO 1.905, rel. min. Marco Aurélio, j. 8-9-2020, P, DJE de 24-9-2020.] Fundo Nacional de Assistência Social. Lei 9.604/1998. (...) O art. 2º da (...) lei, (...) é compatível com a Constituição. A previsão de repasse automático de recursos do Fundo para Estados e Municípios, ainda que desvinculado da celebração prévia de convênio, ajuste, acordo ou contrato, não afasta a competência do TCU prevista no art. 71, VI, da Carta. [ADI 1.934, rel. min. Roberto Barroso, j. 7-2-2019, P, DJE de 26-2-2019.] (...) a tomada de contas especial é um procedimento administrativo com rito próprio, que tem suas regras e pressupostos definidos na Lei 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753826907 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753809518 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=749236337 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=749236337 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=752649685 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=752747720 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753910257 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=749236337 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 129 8.443/1992, e que permite não somente a apuração, mas também a liquidação do dano em dívida líquida e certa, por meio de decisão com eficácia de título executivo extrajudicial (art. 71, § 3º, da CF). [ACO 3.182 AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 24-8-2020, P, DJE de 2-10-2020.] REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: PEDRO LENZA. DIREITO CONSTITUCIONAL ESQUEMATIZADO. MARCELO NOVELINO. CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. DIRLEY DA CUNHA JUNIOR. CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. TRINDADE, JOÃO. PROCESSO LEGISLATIVO CONSTITUCIONAL. WILLEMAN, Marianna Montebello. Accountability democrática e o desenho institucional dos Tribunais de Contas no Brasil. Belo Horizonte: Fórum, 2017. ANA PAULA DE BARCELLOS. O STF e os parâmetros para o controle dos atos do poder legislativo: limitações do argumento das questões interna corporis. REVISTA DE INVESTIGAÇÕES CONSTITUCIONAIS. GALVÃO, Paulo Braga. As imunidades parlamentares e a emenda constitucional nº 35. Revista Forense, v. 360, 2002. 3. TESES COM REPERCUSSÃO GERAL - STF ● TEMA 950/2025: “1. A imunidade material parlamentar (art. 53, caput, c/c art. 27, § 1º, e art. 29, VIII, CF/1988) configura excludente da responsabilidade civil objetiva do Estado (art. 37, § 6º, CF/1988), afastando qualquer pretensão indenizatória em face do ente público por opiniões, palavras e votos cobertos por essa garantia. 2. Nas hipóteses em que a conduta do parlamentar extrapolar os limites da imunidade material, eventual responsabilização recairá de forma pessoal, direta e exclusiva sobre o próprio parlamentar, sob o regime de responsabilidade civil subjetiva.” ● TEMA 1326/2024: A iniciativa legislativa para definição de obrigações de pequeno valor para pagamento de condenação judicial não é reservada ao chefe do Poder Executivo. ● TEMA 1287/2023: No âmbito da tomada de contas especial, é possível a condenação administrativa de Chefes dos Poderes Executivos municipais, estaduais e distrital pelos Tribunais de Contas, quando identificada a responsabilidade pessoal em face de irregularidades no cumprimento de convênios 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753989594 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=753989594 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 130 interfederativos de repasse de verbas, sem necessidade de posterior julgamento ou aprovação do ato pelo respectivo Poder Legislativo. ● TEMA 1120/2021: Em respeito ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal, quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria interna corporis. ● TEMA 624/2020: O Poder Judiciário não possui competência para determinar ao Poder Executivo a apresentação de projeto de lei que vise a promover a revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos, tampouco para fixar o respectivo índice de correção. ● TEMA 1040/2020:Surge constitucional lei de iniciativa parlamentar a criar conselho de representantes da sociedade civil, integrante da estrutura do Poder Legislativo, com atribuição de acompanhar ações do Executivo. ● TEMA 0899/2020: É prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas. ● TEMA 0595/2020: É constitucional a promulgação, pelo Chefe do Poder Executivo, de parte incontroversa de projeto da lei que não foi vetada, antes da manifestação do Poder Legislativo pela manutenção ou pela rejeição do veto, inexistindo vício de inconstitucionalidade dessa parte inicialmente publicada pela ausência de promulgação da derrubada dos vetos. ● TEMA 0562/2020: Ante conflito entre a liberdade de expressão de agente político, na defesa da coisa pública, e honra de terceiro, há de prevalecer o interesse coletivo. ● TEMA 1044/2019: O Ministério Público de Contas não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança em face de acórdão do Tribunal de Contas perante o qual atua. ● TEMA 0672/2019: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 131 Lei municipal a versar a percepção, mensal e vitalícia, de 'subsídio' por ex-vereador e a consequente pensão em caso de morte não é harmônica com a Constituição Federal de 1988. ● TEMA 0370/2019: A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, inc. III, da Constituição Federal aplica-se no caso de substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos. ● TEMA 0832/2018: O parlamentar, na condição de cidadão, pode exercer plenamente seu direito fundamental de acesso a informações de interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. 5º, inciso XXXIII, da CF e das normas de regência desse direito. ● TEMA 0917/2016: Não usurpa competência privativa do Chefe do Poder Executivo lei que, embora crie despesa para a Administração, não trata da sua estrutura ou da atribuição de seus órgãos nem do regime jurídico de servidores públicos (art. 61, § 1º, II,"a", "c" e "e", da Constituição Federal). ● TEMA 0469/2015: Nos limites da circunscrição do município e havendo pertinência com o exercício do mandato, garante-se a imunidade ao vereador. ● TEMA 0768/2014: Somente o ente público beneficiário possui legitimidade ativa para a propositura de ação executiva decorrente de condenação patrimonial imposta por Tribunais de Contas (CF, art. 71, § 3º). ● TEMA 0652/2014: É inconstitucional a nomeação, pelo Chefe do Executivo, de membro do Ministério Público especial para preenchimento de cargo vago de Conselheiro de Tribunal de Contas local quando se tratar de vaga reservada à escolha da Assembleia Legislativa, devendo-se observar a regra constitucional de divisão proporcional das indicações entre os Poderes Legislativo e Executivo. ● TEMA 0564/2012: I - O art. 14, § 5º, da Constituição deve ser interpretado no sentido de que a proibição da segunda reeleição é absoluta e torna inelegível para determinado cargo de Chefe do Poder Executivo o cidadão que já exerceu dois mandatos consecutivos (reeleito uma única vez) em cargo da mesma natureza, ainda que em ente da Federação diverso; II - As decisões do Tribunal Superior Eleitoral - TSE que, no curso do pleito eleitoral ou logo após o seu encerramento, impliquem mudança de jurisprudência não têm aplicabilidade imediata. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 132 TAREFAS PARA O ESTUDO ATIVO 01. Quais as funções atípicas desempenhadas pelo Poder Legislativo? 02. Quais são os requisitos para a candidatura dos: 1) Senadores 2) Deputados Federais 3) Deputados Estaduais 4) Vereadores 03. Sucintamente, explique a perda do mandato por infidelidade partidária. 04. Em quais casos ocorrerá sessão legislativa extraordinária? 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 133 05. Sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito, responda: - Definição - Criação - Requisitos - Objeto - Prazo - Poderes 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 134 - Vedações - CPI instaurada pelo Senado Federal pode convocar Governador de Estado-membro? - É possível a criação de CPIs estaduais? E municipais? 06. Sobre a imunidade material parlamentar, responda: - Definição - Quando tem início? - Pode ser relativizada? 07. Quais as exceções à imunidade para prisão dos membros do Congresso Nacional? 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 135 08. É possível a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão aos congressistas?subverter os princípios republicano e democrático em seus aspectos basilares: periodicidade dos pleitos, alternância do poder, controle e fiscalização do poder, promoção do pluralismo, representação e soberania popular (CF/1988, arts. 1º, caput, V e parágrafo único; e 60, § 4º, II) — norma de Constituição estadual que prevê eleições concomitantes (no início de cada legislatura) da Mesa Diretora de Assembleia Legislativa para os dois biênios subsequentes. STF. ADI 7.350/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 08.03.2024. (Info 1128) 2.1.3. Âmbito Legislativo Municipal Unicameral, exercido pela Câmara de Vereadores, composta por vereadores, representantes do povo do Município. ● Número de vereadores: será estabelecido de acordo com o número de habitantes de cada município, até os limites máximos prescritos no art. 29, IV. A fixação em si implementa-se pela lei orgânica de cada município. ● Eleitos pelo Sistema proporcional com lista aberta. ● Mandato de 04 anos. ● O subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para a subsequente, observado o que dispõe a CF, observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei Orgânica e os seguintes limites máximos: Municípios de até 10 mil habitantes subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 20% do subsídio dos Deputados Estaduais Municípios de 10.001 a 50 mil habitantes subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 30% do subsídio dos Deputados Estaduais Municípios de 50.001 a 100 mil habitantes subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 40% do subsídio dos Deputados Estaduais Municípios de 100.001 a 300 mil habitantes subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 50% do subsídio dos Deputados Estaduais 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 12 Municípios de 300.001 a 500 mil habitantes subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 60% do subsídio dos Deputados Estaduais Municípios de mais de 500 mil habitantes subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 75% do subsídio dos Deputados Estaduais OBSERVAÇÃO (1) A Câmara Municipal não pode gastar mais de 70% da própria receita com folha de pagamento, incluindo o gasto com subsídio dos Vereadores. O Desrespeito a essa norma acarreta crime de responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal (art. 29-A, §3º) (2) A Câmara municipal, ao elaborar sua Lei orgânica, não exerce o Poder Constituinte Derivado Decorrente! (3) A fixação ou alteração dos subsídios dos vereadores não exige lei em sentido estrito, pode se dar através da edição de resolução ou lei municipal desde que obedeça ao previsto na CF em que deve ser feito na legislatura em vigência para a próxima, não sendo possível a implementação dessa alteração dentro da mesma legislatura. 2.1.4. Âmbito Legislativo Distrital Unicameral, exercido pela Câmara Legislativa, composta pelos Deputados Distritais, que representam o povo do DF. Aos deputados distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27 da CF/88, ou seja, todas as regras estabelecidas para os Estados valem para o DF. 2.2. Atribuições do Congresso Nacional 💣 São artigos muito importantes!!! É imprescindível fazer a leitura constante deles!!! ● Art. 48 CF: Dependem de sanção do Presidente; Entenda... Existem matérias que se exige sanção do presidente, o que isso quer dizer? Que se exige que essas matérias sejam tratadas por lei formal, visto que é no processo legislativo que há a exigência de sanção do presidente. Elas não podem ser tratadas por ato interno 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce ATENÇÃO!! danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 13 do congresso como decreto legislativo ou resolução. Desse modo, todas as matérias inscritas no art. 48 demandam lei formal. Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: I - Sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas; II - Plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de curso forçado; III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas; IV - planos E programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento; V - Limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da União; VI - Incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembleias Legislativas; VII - transferência temporária da sede do Governo Federal; VIII - concessão de anistia; IX - Organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito Federal; X - criação, transformação E extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84, VI, b; XI - criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública XII - telecomunicações e radiodifusão; XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações; XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal. XV - Fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, observado o que dispõem os arts. 39, §4º; 150, II; 153, III; e 153, §2º, I. ● Art.49 CF: É dispensada a manifestação do Presidente, e são materializadas por decreto legislativo. Matérias do art. 49, 51 e 52 da Constituição, que são as competências privativas do Congresso Nacional e de suas casas. Essas competências privativas podem ser exercidas por atos internos, que independem de sanção presidencial. Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo09. De quem será a competência para julgar os parlamentares federais nas seguintes situações: Infração cometida durante o exercício da função parlamentar Delito cometido antes do exercício parlamentar Delito cometido após o encerramento do mandato 10- Explique o critério da contemporaneidade, atualmente adotado pelo STF no que se refere à aplicação do foro por prerrogativa de função. 11. Pode a Constituição Estadual prever a possibilidade de a Assembleia Legislativa convocar o Presidente do TJ ou o PGJ para prestar informações? 12. Os parlamentares estaduais e municipais gozam das mesmas imunidades formais previstas 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 136 para os parlamentares federais? 13. Cite quais são as incompatibilidades e os impedimentos dos parlamentares. 14. Quais são as hipóteses de perda do mandato parlamentar? 15. A condenação criminal transitada em julgado importa em perda do mandato? 16. O que é o regime de PECs paralelas? 17. Quais as limitações circunstanciais, materiais e temporais das Emendas Constitucionais? 18. Quais as diferenças entre lei ordinária e lei complementar? 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 137 19. O que é lei delegada e sobre quais temas não pode tratar? 20. Sobre a Medida Provisória, responda: - Legitimados - Pressupostos constitucionais - Duração da MP - Prorrogação -Tramitação 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 138 - Regime de urgência - Medidas a serem adotadas pelo Congresso Nacional - Limitações materiais à edição da Medida Provisória - Pode o Presidente da República retirar da apreciação do Congresso Nacional a MP já editada? - Pode ser editada MP para a abertura de créditos extraordinários? - Em uma ADI proposta, é possível que o STF julgue inconstitucional MP pelo fato de ela não ter relevância e urgência? 21. Sucintamente, explique o trâmite da integração da norma internacional no direito interno. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 139 22. Qual é a natureza jurídica dos tratos internacionais promulgados pelo Brasil? São equivalentes a que espécie normativa? 1) Tratados internacionais que não tratem sobre direitos humanos 2) Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos, mas que não tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88 3) Tratados internacionais sobre Direito Tributário (art. 98 do CTN) 4) Tratados internacionais sobre matéria processual civil (art. 13 do CPC/2015) 5) Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos e que tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88 23. O que é o controle de convencionalidade? 24. Explique a função fiscalizatória exercida pelo Poder Legislativo e pelo Tribunal de Contas. 25. O TCU tem atribuição para exercer controle de constitucionalidade? 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 140 26. O TCU pode exigir, por si, a quebra de sigilo bancário? 27. Sobre os Ministros do TCU, responda: - Requisitos - Escolha - Nomeação - Garantias - Auditores 28. Diferencie: Contas do Governo Contas de Gestão 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 141 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IElegislativo 14 I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar; III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias; IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas; V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; VI - mudar temporariamente sua sede; VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo; X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta; XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes; XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão; XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União; XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares; XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais; XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art8 DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 15 XVIII - decretar o estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021) ATENÇÃO Conforme previsto no art. 50 da CF e alterado pela EC 132/2023, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar as seguintes autoridades para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada: Ministro de Estado, Quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República ou o Presidente do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços. Essa alteração tem implicações significativas e alguns pontos merecem destaque: 1. Ampliação dos convocáveis: Antes da emenda, o Artigo 50 limitava a convocação a Ministros de Estado e titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República. Com a modificação, o Presidente do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços também pode ser convocado. Essa inclusão pode refletir a necessidade de obter informações específicas relacionadas à gestão desse imposto, demonstrando a intenção de maior transparência e controle sobre temas tributários. 2. Crime de responsabilidade: A emenda mantém a penalidade de crime de responsabilidade para a ausência sem justificação adequada. Esse dispositivo busca garantir a seriedade e a responsabilidade no processo de convocação, reforçando a obrigação dos convocados de comparecerem e prestarem informações quando solicitados pelo Poder Legislativo. 2.3. Câmara dos Deputados Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal. § 1º O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 16 ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. (Vide Lei Complementar nº 78, de 1993) § 2º Cada Território elegerá quatro Deputados. · Casa legislativa que representa o POVO. · Eleitos pelo sistema proporcional; · Mandato: prazo de 4 anos · Nenhuma das unidades pode ter menos do que 08 e mais do que 70 deputados. 2.3.1. Requisitos para a candidatura dos Deputados Federais ● Brasileiro nato ou naturalizado (para ser presidente da Câmara dos Deputados, exige que seja brasileiro nato); ● Maior de 21 anos; ● Pleno exercício dos direitos políticos; ● Alistamento eleitoral; ● Domicílio eleitoral na circunscrição; ● Filiação partidária. COMPETÊNCIA PRIVATIVAS – ART. 51. : As competências privativas da Câmara dos Deputados estão previstas no art. 51 da Constituição Federal, não dependem de sanção presidencial, nos termos do art. 48, caput. São materializadas por resoluções. Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados: I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado; II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa; III - elaborar seu regimento interno; IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D ANIE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Sublinhado danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 17 ATENÇÃO Em relação ao inciso IV, a Câmara dos Deputados tem competência apenas para a INICIATIVA de projeto de lei que vise à fixação da remuneração dos cargos, devendo, após aprovação nas duas casas, a matéria ir à sanção do Presidente da República. A EC 19/98 retirou da CD a competência privativa para FIXAÇÃO da remuneração. 2.4. Senado Federal Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. § 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. § 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. § 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes. · Casa Legislativa que representa os Estados e o DF · Eleitos pelo sistema majoritário. · Serão 03 senadores para cada unidade da Federação, cada um com 02 suplentes. · O Mandato é de 08 anos (duas legislaturas), sendo a renovação de 4 em 4 anos, por 1/3 e 2/3. 2.4.1. Requisitos ● BRASILEIRO NATO OU NATURALIZADO (para ser presidente do Senado Federal, deve ser brasileiro nato); ● MAIOR DE 35 ANOS; ● PLENO EXERCÍCIO DOS DIREITOS POLÍTICOS; ● ALISTAMENTO ELEITORAL; ● DOMICÍLIO ELEITORAL NA CIRCUNSCRIÇÃO; ● FILIAÇÃO PARTIDÁRIA. OBSERVAÇÃO A Perda do mandato por infidelidade partidária não se aplica a cargos eletivos majoritários. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1d7f7abc18fcb43975065399b0d1e48e?categoria=1&subcategoria=5&assunto=33 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 18 JURISPRUDÊNCIA DO STF Se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, decidir sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa? a) Se for um cargo eletivo MAJORITÁRIO: NÃO A perda do mandato em razão de mudança de partido não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário, sob pena de violação da soberania popular e das escolhas feitas pelo eleitor. No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário. Nos pleitos dessa natureza, os eleitores votam no candidato e não no seu partido político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição da perda do mandato por infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular. b) Se for um cargo eletivo PROPORCIONAL: SIM O mandato parlamentar conquistado no sistema eleitoral proporcional pertence ao partido político. Assim, se o parlamentar eleito decidir mudar de partido político, ele sofrerá um processo na Justiça Eleitoral que poderá resultar na perda do seu mandato. Neste processo, com contraditório e ampla defesa, será analisado se havia justa causa para essa mudança. STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). Quais as hipóteses que atualmente podem ser consideradas como justa causa para a mudança de partido? As situações estão elencadas no art. 22- A da Lei nº 9.096/95 (Incluído pela Lei nº 13.165/2015). Importante citar também a exceção prevista no § 5º do art. 17 da CF/88 (Incluído pela EC 97/2017). COMPETÊNCIAS PRIVATIVAS: materializadas através de resoluções, NÃO dependendo de sanção presidencial. DECORAR Art. 52 CF/88. Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade; 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 19 III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha de: a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição; b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República; c) Governador de Território; d) Presidente e diretores do banco central; e) Procurador-Geral da República; f) titulares de outros cargos que a lei determinar; IV - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente; V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal; VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno; IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato; XII - elaborar seu regimento interno; XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidosna lei de diretrizes orçamentárias; XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII. XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 20 Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis. 2.5. Remuneração dos Parlamentares A Constituição Federal NÃO determina que o subsídio dos Deputados e Senadores seja igual ao dos Ministros do STF, mas estabelece isso apenas como limite remuneratório. Além do subsídio, os parlamentares recebem algumas espécies remuneratórias: ● COTA PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR (CEAP) – PARA OS DEPUTADOS FEDERAIS, destina-se a custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício de atividade parlamentar, abrangendo as despesas: o Passagens Aéreas; o Telefonia; o Serviços Postais, vedada a aquisição de selos; o Manutenção de escritórios de apoio à atividade parlamentar, compreendendo a locação, condomínio, IPTU, serviços de energia elétrica, água e esgoto, locação de móveis e equipamentos, suprimentos de informática e material de expediente, acesso à internet, assinatura de TV a cabo, aquisição de licença de uso de software, assinatura de publicações, fornecimento de alimentação do parlamentar, hospedagem, locação ou fretamento de aeronaves, combustíveis e lubrificantes, serviços de segurança, contratação de consultoria e trabalhos técnicos, divulgação de atividade parlamentar. ● VERBA DE GABINETE – SECRETÁRIO PARLAMENTAR: Destinada à contratação de pessoal; ● Auxílio-Moradia; ● Fornecimento De Jornais, Publicações Ou Revistas; ● Serviços Gráficos. JURISPRUDÊNCIA DO STF Atenção à jurisprudência: 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 21 É inconstitucional lei estadual que vincula a remuneração dos Deputados Estaduais à dos Deputados Federais. Essa vinculação é inconstitucional porque representa modalidade de reajustamento automático e, desse modo, viola o princípio da reserva legal (art. 27, § 2º, CF/88), o pacto federativo e a vedação à equiparação entre espécies remuneratórias (art. 37, XIII, CF/88). STF. Plenário. ADI 6545/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/4/2023 (Info 1090). 2.6. Das Reuniões 2.6.1. Sessão Legislativa Ordinária O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 02/02 a 17/07 e de 01/08 a 22/12 (períodos de sessão legislativa ordinária). A sessão legislativa NÃO será interrompida sem a aprovação do projeto de LDO. LEGISLATURA = 04 SESSÕES LEGISLATIVAS. 2.6.2. Sessão Legislativa Extraordinária De 18 a 31/07 e 23/12 a 01/02, há o recesso parlamentar e, havendo necessidade, os parlamentares serão convocados extraordinariamente nas seguintes hipóteses (art. 57, §6º CF): ● PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL: nos seguintes casos: o DECRETAÇÃO DE INTERVENÇÃO FEDERAL; o PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA A DECRETAÇÃO DE ESTADO DE SÍTIO; o PARA O COMPROMISSO E POSSE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. ● PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DA CÂMARA E DO SENADO: Em caso de urgência ou interesse público relevante, e SEMPRE com a aprovação da maioria absoluta de cada uma das casas do CN. ● REQUERIMENTO DA MAIORIA ABSOLUTA DOS MEMBROS DE AMBAS AS CASAS: Na convocação extraordinária, o Congresso só deliberará sobre a matéria para o qual foi convocado, ressalvada a hipótese de medida provisória em vigor na data da convocação 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 22 extraordinária, que será automaticamente incluída na pauta, VEDADO o pagamento de parcela indenizatória ou ajuda de custo =>VEDAÇÃO de reprodução obrigatória nos Estados e Municípios. 2.6.3. Reunião em sessão conjunta ● PARA INAUGURAR SESSÃO LEGISLATIVA; ● ELABORAR O REGIMENTO COMUM E REGULAR A CRIAÇÃO DE SERVIÇOS COMUNS ÀS DUAS CASAS; ● RECEBER O COMPROMISSO DO PRESIDENTE E VICE DA REPÚBLICA; ● CONHECER O VETO E SOBRE ELE DELIBERAR. 2.6.4. Sessão Preparatória e Mesas Diretoras Cada uma das casas se reunirá em sessão preparatória, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas mesas, para mandato de 02 anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente. MESAS DIRETORAS: Exercem funções administrativas, sendo seu Presidente o presidente do Senado e os demais cargos ocupados alternadamente entre Câmara e Senado. JURISPRUDÊNCIA DO STF Não é possível a recondução dos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente, dentro da mesma legislatura. Por outro lado, é possível a reeleição dos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em caso de nova legislatura. Ex: o mandato de Presidente da Câmara e de Presidente do Senado é de 2 anos. Cada legislatura tem a duração de 4 anos. Imagine que João foi eleito Deputado Federal para a legislatura de 2013 a 2016. Suponhamos que ele foi escolhido para ser Presidente da Câmara no período de 2013-2014. Significa que João não poderá ser reeleito como Presidente da Câmara para o biênio de 2015-2016.Isso porque seria uma reeleição dentro da mesma legislatura. Ex2: Pedro foi eleito Deputado Federal para a legislatura de 2013 a 2016. Suponhamos que ele foi escolhido para ser Presidente da Câmara no período de 2015- 2016. Em 2016, ele foi reeleito Deputado Federal para a legislatura de 2017 a 2020. Significa que Pedro poderá ser novamente Presidente da Câmara para no biênio de 2017-2018. Isso porque seria uma reeleição para nova legislatura. O fundamento para isso está no art. 57, § 4º da 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 23 CF/88: § 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente. Foi proposta uma ADI com o objetivo de dar interpretação conforme e dizer que esse dispositivo foi derrogado pela Emenda Constitucional nº 16/97, que permitiu uma reeleição para os cargos do Poder Executivo. O STF, contudo, não concordou com a alegação e manteve a literalidade do art. 57, § 4º. STF. Plenário. ADI 6524, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2020. ATENÇÃO O STF se manifestou acerca das eleições das Mesas Diretoras nas Assembleias Legislativas: “(i) a eleição dos membros das Mesas das Assembleias Legislativas estaduais deve observar o limite de uma única reeleição ou recondução, limite cuja observância independe de os mandatos consecutivos referirem-se à mesma legislatura; (ii) a vedação à reeleição ou recondução aplica-se somente para o mesmo cargo da mesa diretora, não impedindo que membro da mesa anterior se mantenha no órgão de direção, desde que em cargo distinto; (iii) o limite de uma única reeleição ou recondução, acima veiculado, deve orientar a formação da Mesa da Assembleia Legislativa no período posterior à data de publicação da ata de julgamento da ADI 6.524, de modo que não serão consideradas, para fins de inelegibilidade, as composições eleitas antes de 7.1.2021, salvo se configurada a antecipação fraudulenta das eleições como burla ao entendimento do Supremo Tribunal Federal.” É permitida apenas uma reeleição ou recondução sucessiva ao mesmo cargo da Mesa Diretora, mantida a composição das mesas das Assembleias Legislativas eleitas antes da data de publicação da ata de julgamento da ADI 6524/DF (7.1.2021). Conforme precedentes desta Corte, a regra proibitiva contida no art. 57, § 4º, da CF/1988 não constitui preceito de observância obrigatória pelos estados e o Distrito Federal, de modo que não pode funcionar como parâmetro de controle da constitucionalidade de regra inserida nas 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 24 Constituições estaduais, pois configura pleno exercício de suas autonomias político-administrativas (CF/1988, art. 18). Por outro lado — ainda que observada a relativa autonomia das Casas Legislativas estaduais para reger o processo eletivo da Mesa Diretora — a possibilidade de reeleições sucessivas e ilimitadas para os cargos diretivos do Poder Legislativo estadual mostra-se incompatível com os princípios republicano e democrático, os quais exigem a alternância de poder e a temporariedade dos mandatos, sendo-lhes permitida uma única recondução. Em relação à definição do marco temporal para a atribuição de efeitos em sede de controle concentrado de constitucionalidade, este Tribunal tem adotado como referência a data da publicação da ata de julgamento, considerando o que dispõe o art. 28 da Lei 9.868/1999. Desse modo, o precedente firmado no julgamento da ADI 6524/DF deve ser aplicado aos parlamentares que tomaram posse em cargos diretivos das Assembleias Legislativas a partir da data da publicação de sua ata de julgamento, salvo se configurada a antecipação fraudulenta das eleições como burla ao entendimento do STF. (ADI 6688/PR, ADI 6698/MS, ADI 6714/PR, ADI 7016/MS, ADI 6683/AP, ADI 6686/PE, ADI 6687/PI, ADI 6711/PI, relator Ministro Nunes Marques, julgamento finalizado em 7.12.2022. INFORMATIVO 1079) ATENÇÃO No dia 08/03/2024, o STF se manifestou acerca da possibilidade de eleições concomitantes, realizadas no início de cada legislatura, da Mesa Diretora de Assembleia Legislativa para os dois biênios subsequentes. Vejamos o que foi definido pela Suprema Corte: “É inconstitucional — por subverter os princípios republicano e democrático em seus aspectos basilares: periodicidade dos pleitos, alternância do poder, controle e fiscalização do poder, promoção do pluralismo, representação e soberania popular (CF/1988, arts. 1º, caput, V e parágrafo único; e 60, § 4º, II) — norma de Constituição estadual que prevê eleições concomitantes (no início de cada legislatura) da Mesa Diretora de Assembleia Legislativa para os dois biênios subsequentes. 98306 98306 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 D AN IE LL E AR AU JO R O C H A 02 47 86 29 16 0 danux Realce danux Realce danux Realce DIREITO CONSTITUCIONAL Poder e Processo legislativo 25 Embora possuam autonomia para definir o momento em que ocorrerão as eleições para os cargos de suas Mesas Diretoras, os estados-membros devem exercê-la dentro das balizas impostas pelo texto constitucional de 1988. O voto deve acompanhar o mandato ao qual se refere, de modo que deve haver contemporaneidade entre a eleição e o início do respectivo mandato, para garantir que os candidatos eleitos reflitam a conjuntura presente e os anseios atuais da maioria (CF/1988, art. 57, § 4º). A concentração das eleições de duas “chapas” diferentes para os mesmos cargos em uma única oportunidade suprime o momento político de renovação que sucede o transcurso de um mandato. Nesse contexto, privilegia-se o grupo político majoritário ou de maior influência na ocasião do pleito único, e lhes permite garantir, sem dificuldades, dois mandatos consecutivos.