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Aula de Revisão Final
Prof.ª Camila Valle
1) Prova Interdisciplinar
Por conta da dinâmica da prova, a tendência é ser uma prova ainda mais
interdisciplinar.
2) Jurisprudência e julgados
O perfil da banca FGV é de cobrar julgados e jurisprudência, com
indagações teóricas ou classificações. Façam uma boa revisão de julgados.
3) Véspera – o que fazer?
Revisar o material, a dinâmica de elaboração de peças e os tópicos que
devem ter nas peças (prerrogativas, gratuidade etc). Estudar bem o código que será
usado no dia da prova.
4) Estratégia de Prova
Orientação que eu aplicava: leitura geral e lia primeiro a peça. Leitura de
todos os enuciados com anotação de tópicos de respostas (e até buscava artigos),
elaboração da resposta direto na folha de respostas. Começava pela peça. Se tinha
algo que não queria esquecer, entrava na prova pensando nisso e anotava no papel
logo que começava.
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5) Simulados
a. Simulado 1
A resposta era o Habeas Corpus Coletivo, com pedido liminar.
b. Simulado 2
Responsabilidade civil do Estado objetiva, independente de culpa. Teoria
do risco administrativo. Mesmo para casos de conduta omissiva.
6) Direitos Humanos e Direito Constitucional
a. Constitucionalismo e Teoria dos Direitos Fundamentais
* Termo = Gerações x dimensões
Críticas ao termo “gerações” = substituição de cada geração pela posterior
Paulo Bonavides - ‘dimensão’
* Fases do constitucionalismo
1ª fase: CONSTITUCIONALISMO ANTIGO
Hebreus, Grécia, Roma e Inglaterra (Magna Carta – 1215, Petition of Rights, Bill Of
Rights)
2ª fase: CONSTITUCIONALISMO LIBERAL
EUA
Declaração de Direitos da Virgínia
1787 - 1ª Constituição escrita
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França
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
Constituição de 1791
* Processo cumulativo e sucessivo
Vasak – revolução francesa
1- Liberdade
2- Igualdade
3- Fraternidade
Constitucionalismo liberal -> direitos fundamentais de Primeira Dimensão
Estado Liberal - Liberdade
Direitos civis e políticos
Fase inaugural do constitucionalismo do Ocidente
Titular: indivíduo - Oponíveis ao Estado
Faculdade ou atributos da pessoa - homem singular – subjetividade
Direito de resistência e oposição perante o Estado
3ª fase: CONSTITUCIONALISMO SOCIAL
Crítica ao Estado Liberal -> Estado Social e Estado de bem-estar social
Estado social : Keynes
Estado de bem-estar social – serviços públicos
Constitucionalismo Social
Constituição de Weimar
Constituição do México
Direito do Trabalho
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* Constitucionalismo social -> direitos fundamentais de Segunda Dimensão
Século XX - Direitos sociais, culturais e econômicos
Estado social / Welfare State
“Programáticos”
Novo conteúdo dos Direitos Fundamentais – garantias institucionais – proteger
4ª fase: CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂNEO ou
NEOCONSTITUCIONALISMO
Fim da 2ª Guerra Mundial (1945)
* Redimensionamento na práxis político‑jurídica em dois níveis:
- Teoria do Estado e da Constituição → Estado Democrático de Direito
- Teoria do Direito → reformulação da teoria das fontes, da teoria da norma e da
teoria da interpretação
teoria das fontes a supremacia da lei cede lugar à onipresença daConstituição
teoria da norma normatividade dos princípios
teoria da interpretação representa uma blindagem às discricionariedades eaos ativismos (na proposta de Streck)
- Robert Alexy
pós-positivismo - superação do antagonismo jusnaturalismo e positivismo
“O Direito Extremamente injusto não pode ser considerado Direito”
constitucionalização de princípios organizadores da ordem politica
positivação dos direitos fundamentais
Princípios - mandados de otimização- cumpridos em diferentes graus
as regras - só podem ser cumpridas ou não - implicam na exata realização
daquilo que elas exigem
* Ronald Dworkin – liberdade: uma leitura moral da constituição americana
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regras e princípios funcionam diferentemente.
regras - tudo ou nada
princípio – ponderação
* Direitos fundamentais de Terceira Dimensão
Fraternidade - gênero humano - paz, meio-ambiente, comunicação
Vasak – direito ao desenvolvimento, paz, meio-ambiente, propriedade patrimonial
comum e direito à comunicação
Estado – desenvolvimento
* Direitos fundamentais de Quarta Dimensão
Direito à democracia, informação, pluralismo - democracia direta
* Direitos fundamentais de Quinta Dimensão
Direito à paz (Bonavides)
* Características dos Direitos fundamentais
- historicidade – processo histórico
- inalienabilidade - intransferíveis, inegociáveis
- imprescritibilidade - nunca deixam de ser exigíveis
- irrenunciabilidade - não se renunciam
- absoluto x relativos
- imutabilidade - intangibilidade para o operador jurídico
- progressividade – ampliação
- indivisibilidade – sistêmico, interdependentes
- não-taxatividade – não é elenco fechado
- dialeticidade – tensões
- universalidade – condição humana, mínimo ético, dignidade
- utopismo – contradições sociais
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- superioridade normativa - prevalência dos direitos humanos, suas normas e
princípios
- essencialidade - valores essenciais
- reciprocidade - sujeitam-se a toda a coletividade
- unidade - núcleo duro e mínimo que assegure a existência digna.
- inerência - espécie humana
- proibição do retrocesso – efeito cliquet
- interpretação pro homine – máxima efetividade
* Teoria do status - Jellinek
status passivo: posição de sujeição ao Estado. Status Subjectionis.
status negativo: limitações impostas ao Estado. Status Libertatis.
status ativo: conjunto de prerrogativas e faculdades para que o indivíduo participe
da vida em sociedade. Status activus civitatis.
status positivo: conjunto de prerrogativas e faculdades de exigir do Estado sua
atuação em prol dos direitos humanos. Status Civitatis.
* Dimensão objetiva e subjetiva dos direitos fundamentais
Dimensão objetiva: valores e princípios que estruturam o ordenamento jurídico e
orientam a atuação do Estado. Limites da atuação do Estado.
FGV: “A dimensão objetiva dos direitos fundamentais indica a influência das
respectivas normas sobre a organização das estruturas estatais de poder e sobre os
padrões normativos do respectivo sistema”.
Dimensão subjetiva: posições jurídicas atribuídas aos indivíduos. O titular do direito
pode exigir a realização de ações (positiva) ou abstenções (negativa).
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FGV: “A dimensão subjetiva dos direitos fundamentais evidencia a possibilidade de
ser exigida uma ação ou abstenção de determinadas situações concretas”.
-> constitucionalismo latino-americano
Constituições do Equador de 2008 e da Bolívia de 2009
Estado Plurinacional
Pluralidade social e jurídica
Intercultural
b. Normas Constitucionais
Repercussão geral STF – Tema 548
Tese
1. A educação básica em todas as suas fases - educação
infantil, ensino fundamental e ensino médio - constitui direito
fundamental de todas as crianças e jovens, assegurado por
normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade
direta e imediata.
2. A educação infantil compreende creche (de zero a 3 anos)
e a pré-escola (de 4 a 5 anos). Sua oferta pelo Poder Público
pode ser exigida individualmente,em liberdade por conta do prazo.
Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser
determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias.
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e
basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade,
demonstrada a necessidade imperiosa da medida.
* Local da internação
Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade
judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento
prisional.
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* Princípio da legalidade
Lei n. 12.594 – lei do SINASE
Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á
pelos seguintes princípios:
I - legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento
mais gravoso do que o conferido ao adulto;
Diretrizes de RIAD
54. Com o objetivo de impedir que se prossiga à
estigmatização, à vitimização e à incriminação dos jovens,
deverá ser promulgada uma legislação pela qual seja
garantido que todo ato que não seja considerado um delito,
nem seja punido quando cometido por um adulto, também
não deverá ser considerado um delito, nem ser objeto de
punição quando for cometido por um jovem.
Diretrizes de Beijing
3.1 As disposições pertinentes das regras não só se aplicarão
aos jovens infratores, mas também àqueles que possam ser
processados por realizar qualquer ato concreto que não seria
punível se fosse praticado por adultos.
* Direito subjetivo à remissão
Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para
apuração de ato infracional, o representante do Ministério
Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão
do processo, atendendo às circunstâncias e conseqüências do
fato, ao contexto social, bem como à personalidade do
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adolescente e sua maior ou menor participação no ato
infracional.
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da
remissão pela autoridade judiciária importará na suspensão
ou extinção do processo.
→ Princípio da proporcionalidade
Aplicação ampliada dos princípios previstos na lei do SINASE.
Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á
pelos seguintes princípios:
IV - proporcionalidade em relação à ofensa cometida;
11)Direito Institucional
a. Inconstitucionalidade formal e material de lei – orçamento da
DPE -> convênio com OAB
É inconstitucional — por apresentar vício de iniciativa, configurar
interferência indevida do Poder Executivo na gestão orçamentária da Defensoria
Pública e violar sua autonomia funcional, administrativa e financeira (CF/1988, arts.
5º, LXXIV; 24, XIII; 93, caput; 96, II e 134, caput, §§ 2º e 4º) — norma estadual
originária do Poder Executivo que destina percentual dos recursos orçamentários
da instituição à prestação de assistência judiciária suplementar por advogados
privados.
b. Porte de arma de Defensores
É inconstitucional – por violar as competências da União
material exclusiva para autorizar e fiscalizar a produção e o
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comércio de material bélico (CF/1988, art. 21, VI), bem
como privativa para legislar sobre o assunto (CF/1988, art.
22, XXI) – norma estadual que concede o direito ao porte de
arma de fogo a membros da Defensoria Pública local.
STF. Plenário. ADI 7.571/ES - 05/06/2024 (Info 1139)
c. Suspensão da Segurança
A Defensoria Pública não possui legitimidade para pedido de Suspensão
de Segurança ou Suspensão de Liminar e Sentença, salvo na preservação do interesse
público primário quando atua em defesa de prerrogativas institucionais próprias do
poder público.
O STJ não conheceu do pedido formulado pela Defensoria Pública. Por
configurar meio extraordinário de intervenção no regular andamento do processo, o
instituto da suspensão de segurança não comporta interpretações extensivas de modo
a ampliar suas hipóteses de cabimento, nem o rol de legitimados à sua propositura.
A legislação em vigor não reconhece legitimidade ativa em favor da Defensoria
Pública para manejar pedido de Suspensão de Segurança (SS) ou de Suspensão de
Liminar e Sentença (SLS), salvo em casos especialíssimos, nos quais se busque a
preservação do interesse público primário. STJ. Corte Especial. (EDcl no AgInt na
SLS 3.156-AM, - I. 816).
Bons estudos e boa prova!
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http://profacamivalle@gmail.comcomo no caso examinado
neste processo. 3. O Poder Público tem o dever jurídico de
dar efetividade integral às normas constitucionais sobre
acesso à educação básica.
Na avaliação de Fux, o Judiciário pode sim,
excepcionalmente, determinar à administração pública a
efetivação do direito constitucional à educação básica,
sempre que ficar comprovado que não foi possível conseguir
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a matrícula por via administrativa ou em razão de
negligência, negativa indevida ou demora irrazoável. Em seu
voto, o ministro Luís Roberto Barroso observou que, como
o direito à educação básica é uma norma constitucional de
aplicação direta, uma decisão do Judiciário determinando o
cumprimento dessa obrigação não pode ser considerada uma
intromissão em outra esfera de poder.
-> constitucionalismo feminista
* Classificação de José Afonso da Silva
-> Normas de eficácia plena - aplicabilidade imediata, direta e integral
Não necessitam de regulamentação infraconstitucional
-> Normas de eficácia contida - aplicabilidade imediata, direta e
possivelmente não integral
São normas em que o legislador constituinte possibilitou ao legislador
infraconstitucional restringir seus efeitos. Ex; art. 5º, XIII, CF
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer;
-> Normas de eficácia limitada - aplicabilidade mediata, indireta e reduzida
Necessitam de regulamentação infraconstitucional para que surtam efeito de
maneira plena.
- normas de eficácia limitada de princípios institutivos: parâmetros para que
o legislador infraconstitucional estabeleça a estrutura de órgãos, entidades ou
institutos. Ex: art. 33, CF;
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http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10730602/inciso-xiii-do-artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988
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http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10637614/artigo-33-da-constituicao-federal-de-1988
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- normas de eficácia limitada de princípios programáticos: princípios e
objetivos a serem alcançados com o objetivo de realizar os fins sociais do
Estado.
Ex: ar. 3º, CF
* princípio da aplicação imediata
Se Emenda Constitucional introduz um direito fundamental, ela
produz efeito imediatamente. Norma infraconstitucional em sentido contrário
será não recepcionada
Artigo 5º, parágrafo 1º da Constituição da República:
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata.
c. Classificação das Constituições
forma escrita (um único documento)
não escrita
conteúdo material
formal
origem promulgada - populares - democráticasoutorgadacesaristapactuada
estabilidade
flexíveisrígidassemirrígidasimutáveissuper-rígidastransitoriamente flexível
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transitoriamente imutávelsilenciosaem branco
modo de elaboração dogmáticas
históricas
modelo / finalidade
garantia
dirigente
balanço
extensão sintética
analítica
correspondência com a realidade(critério ontológico)
normativa
nominativa
semântica
sistemático reduzida
variada
ideológico ortodoxa
eclética
d. Métodos de Interpretação Constitucional
Método Hermenêutico clássicoErnest Forsthoff identidade entre lei e constituiçãoelementos clássicos de interpretaçãométodo jurídico
Método científico-espiritualRudolf Smend
Corpo: normas que consagraEspírito: valores consagrados no textoconstitucionalMétodo cientifico-espiritual / métodointegrativo / método valorativo emétodo sociológico
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Método Tópico-problemáticoTheodor Viehweg Topos é um esquema de pensamentoProblemático - problemaReação ao positivismo jurídico.
Método hermenêutico-concretizadorKonrad Hesse Concretizar uma norma é aplicar umanorma abstrata em um caso concreto
Método normativo-estruturanteFriedrich Muller
Programa normativo: texto da normaDomínio normativo: realidade socialque está prevista no texto
Método concretista da ConstituicaoabertaPeter Häberle
Interpretação não deve ser fechada,deve ser alargada
* Extensão da interpretação - EUA
- Interpretativismo
1ª premissa) respeito absoluto ao texto (Textualismo) e a vontade do constituinte
originário (originalismo ou preservacionismo)
2ª premissa) juízes devem apenas aplicar a constituição e não modificá-la
3ª premissa) existe apenas uma única resposta correta - constituinte originário
- Não-interpretativismo
Premissa básica: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo
e. Interseccionalidade
Kimberlé Crenshaw desenvolve o conceito de interseccionalidade.
Incide mais de uma forma de vulnerabilidades no caso concreto. A
interseccionalidade dialoga com o coneito de discriminação múltipla ou agravada,
da Convenção Interamericana contra o Racismo.
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3. Discriminação múltipla ou agravada é qualquer
preferência, distinção, exclusão ou restrição baseada, de
modo concomitante, em dois ou mais critérios dispostos no
Artigo 1.1, ou outros reconhecidos em instrumentos
internacionais, cujo objetivo ou resultado seja anular ou
restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições
de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades
fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais
aplicáveis aos Estados Partes, em qualquer área da vida
pública ou privada.
f. Instrumentos normativos de proteção de direitos humanos
* Instrumentos Internacionais
→ ONU: DUDH, PIDCP, PIDESC
Direito a um padrão de vida adequado (DUDH)
Artigo 251. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz
de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive
alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os
serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso
de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros
casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias
fora de seu controle.
→ OEA: CADH, Protocolo São Salvador
→ 100 Regras de Brasília - acesso à justiça
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* Gênero:
Convenção Internacional – ONU: Convenção sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW)
Recomendação CEDAW
Convenção Interamericana – OEA: Convenção Interamericana para Prevenir, Punir
e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção Belém do Pará)
caso Corte IDH: caso Campo Algodoneiro (México)
* Raça:
Convenção Internacional: Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as
Formas de Discriminação Racial
Convenção Interamericana (status de emenda constitucional) – Convenção
Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de
Intolerância
caso Corte IDH: caso Favela Nova Brasília (Brasil)
ONU: Alyne Pimentel
g. Responsabilização do veículo de comunicação – má-fe
Tese de julgamento:
1. Na hipótese de publicação de entrevista, por quaisquer
meios, em que o entrevistado imputa falsamente prática de
crime a terceiro, a empresa jornalística somente poderáser
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responsabilizada civilmente se comprovada: sua má-fé
caracterizada:
(i) pelo dolo demonstrado em razão conhecimento prévio da
falsidade da declaração, ou
(ii) culpa grave decorrente da evidente negligência na
apuração da veracidade do fato e na sua divulgação ao
público sem resposta do terceiro ofendido ou, ao menos, de
busca do contraditório pelo veículo.
2. Na hipótese de entrevistas realizadas e transmitidas ao
vivo, fica excluída a responsabilidade do veículo por ato
exclusivamente de terceiro quando este falsamente imputa a
outrem a prática de um crime, devendo ser assegurado pelo
veículo o exercício do direito de resposta em iguais
condições, espaço e destaque, sob pena de responsabilidade
nos termos dos incisos V e X do artigo 5º da Constituição
Federal.
3. Constatada a falsidade referida nos itens acima, deve haver
remoção, de ofício ou por notificação da vítima, quando a
imputação permanecer disponível em plataformas digitais,
sob pena de responsabilidade.
O caso concreto envolvia a publicação, pelo jornal Diário de
Pernambuco, de uma entrevista na qual o entrevistado – um
político alinhado ao regime militar - acusava falsamente um
ativista político de ter cometido um atentado com mortes. Já
havia vários indícios de que o ativista citado era inocente
anos antes da entrevista. A entrevista foi publicada pelo
jornal sem qualquer alerta de que a afirmação era
controvertida e sem ouvir o outro lado
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h. Assédio judicial a jornalista – responsabilidade em casos de dolo
ou culpa grave
O resumo dos fatos é: “A responsabilidade civil de jornalistas, ao
divulgar notícias sobre figuras públicas ou assuntos de interesse social, só ocorre em
casos de dolo ou culpa grave (manifesta negligência profissional na apuração dos
fatos), não se aplicando a opiniões, críticas ou informações verdadeiras de interesse
público”.
Tese Fixada
“1. Constitui assédio judicial comprometedor da liberdade
de expressão o ajuizamento de inúmeras ações a respeito dos
mesmos fatos, em comarcas diversas, com o intuito ou o
efeito de constranger jornalista ou órgão de imprensa,
dificultar sua defesa ou torná-la excessivamente onerosa;
2. Caracterizado o assédio judicial, a parte demandada poderá
requerer a reunião de todas as ações no foro de seu
domicílio.
3. A responsabilidade civil de jornalistas ou de órgãos de
imprensa somente estará configurada em caso inequívoco de
dolo ou de culpa grave (evidente negligência profissional na
apuração dos fatos).”
-> Caso Fontevecchia e D’Amico vs Argentina
O caso se refere à violação do direito à liberdade de expressão de Jorge
Fontevecchia e Héctor D’Amico, respetivamente, diretor e editor da revista Notícias.
A violação resultou da sua condenação civil pela publicação de dois artigos que
faziam referência à existência de um filho não reconhecido de Carlos Saúl Menem,
nessa época Presidente da República Argentina.
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Segundo o site do CEJIL
(https://summa.cejil.org/pt/entity/c608eji3x3bu766r)::
A Corte IDH reiterou a necessidade de realizar um teste de
proporcionalidade perante o conflito entre o direito à
liberdade de expressão e a proteção da intimidade. No
caso, a Corte IDH determinou que as publicações realizadas
abordavam assuntos de interesse público, motivo pelo qual
considerou que não se tratava de uma ingerência arbitrária
na vida privada do Sr. Menem.
i. Símbolos religiosos em espaços públicos – tradição cultural
“É compatível com a Constituição Federal de 1988 — e não ofende a
proibição de discriminação (CF/1988, arts. 3º, IV, e 5º, caput), o postulado da
laicidade estatal (CF/1988, art. 19, I) e o princípio da impessoalidade na
Administração Pública (CF/1988, art. 37, caput) — a presença de símbolos religiosos
em espaços públicos, pertencentes ao Estado, nas hipóteses em que se busca
representar tradição cultural da sociedade brasileira”.
Tese fixada
A presença de símbolos religiosos em prédios públicos,
pertencentes a qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, desde que tenha o
objetivo de manifestar a tradição cultural da sociedade
brasileira, não viola os princípios da não discriminação, da
laicidade estatal e da impessoalidade.
STF - ARE 1.249.095/SP (Repercussão geral - Tema 1.086
RG) - Informativo 1160
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j. Guarda Municipal e policiamento urbano
Por maioria, o STF decidiu que é constitucional, no âmbito dos
municípios, o exercício de ações de segurança urbanas pelas guardas municipais.
Mas guardas devem respeitar as atribuições dos outros órgãos de
segurança pública previstas na Constituição Federal. Além disso, ficam
impedidas de exercer funções da polícia judiciária, que cuida da investigação de
crimes. As leis municipais sobre a matéria devem observar normas gerais fixadas
pelo Congresso Nacional.
Tese de julgamento
É constitucional, no âmbito dos municípios, o exercício de
ações de segurança urbana pelas Guardas Municipais,
inclusive policiamento ostensivo e comunitário, respeitadas
as atribuições dos demais órgãos de segurança pública
previstos no art. 144 da Constituição Federal e excluída
qualquer atividade de polícia judiciária, sendo submetidas ao
controle externo da atividade policial pelo Ministério
Público, nos termos do artigo 129, inciso VII, da CF.
Conforme o art. 144, § 8º, da Constituição Federal, as leis
municipais devem observar as normas gerais fixadas pelo
Congresso Nacional.
k. Polícia civil não detém competência privativa ou exclusiva para
investigar
A Lei nº 12.830/2013 se limita à disciplina da investigação criminal
conduzida pelo delegado de polícia e a sua interpretação no sentido de restringir a
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competência investigativa do Ministério Público (CF/1988, art. 129, I, VI e IX) ou
de outras autoridades administrativas é inconstitucional.
Conforme jurisprudência, não existe norma constitucional que estabeleça
a investigação criminal como atividade exclusiva ou privativa da polícia.
l. Ilegitimidade de Amicus curiae e ED em RE com repercussão
O amicus curiae não tem legitimidade para opor embargos
de declaração em recurso extraordinário com repercussão
geral. Todavia, em sede de recurso extraordinário, o relator
eventualmente pode ouvir os terceiros sobre a questão da
repercussão geral e levar a matéria para esclarecimentos
(RISTF, art. 323, § 3º)
-> Amicus curiae e custos vulnerabilis
Os requisitos para a atuação como custos vulnerabilis foram abordados
pelo STF:
Barroso explicou que esse tipo de atuação da DPU deve
observar alguns requisitos apontados pela doutrina jurídica:
a vulnerabilidade dos destinatários da decisão, o elevado
grau de desproteção judiciária dos interesses que se pretende
defender, a formulação do requerimento por defensores
com atribuição para a matéria e a pertinência da atuação
com uma estratégia institucional, que se expressa na
relevância do direito ou no impacto do caso sobre um amplo
universo de representados.
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idCo
nteudo=515918&ori=1
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O instituto do custos vulnerabilis foi impulsionadopela atuação da DPE
em reintegração de posse multitudinária (artigo 554, parágrafo 1º do CPC):
Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de
outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue
a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos
estejam provados.
§ 1º No caso de ação possessória em que figure no polo
passivo grande número de pessoas, serão feitas a citação
pessoal dos ocupantes que forem encontrados no local e a
citação por edital dos demais, determinando-se, ainda, a
intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em
situação de hipossuficiência econômica, da Defensoria
Pública.
7) Direito Administrativo
a. União homoafetiva e direito à licença maternidade
Ambas as mães tem direito à licença.
Repercussão Geral – Tema 1.072
Tese fixada pelo STF:
“A mãe servidora ou trabalhadora não gestante em união
homoafetiva tem direito ao gozo de licença maternidade.
Caso a companheira tenha utilizado o benefício, fará jus à
licença pelo período equivalente ao da licença-paternidade”.
STF. Plenário. RE 1.211.446/SP I 1128.
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-> caso Atala Riffo e meninas vs Chile
Segundo CEJIL:
O caso se refere à responsabilidade internacional do Estado
por discriminação por motivos de orientação sexual e
intromissão arbitrária na vida privada e familiar de Karen
Átala Riffo, no âmbito de um processo judicial que lhe
retirou a custódia de suas filhas com base em preconceitos
discriminatórios e violando o interesse superior das
crianças.
A Corte IDH desenvolveu parâmetros sobre a orientação
sexual como componente da identidade pessoal e da vida
privada, e como categoria protegida pela garantia de não
discriminação. A Corte IDH declarou que as valorações
baseadas em estereótipos sobre orientação sexual ou
preferências culturais relativamente a certos conceitos
tradicionais de família, para determinar o interesse superior
da criança em matéria de guarda e custódia, são
incompatíveis com o direito internacional interamericano.
b. Pai solo – licença-maternidade e salário maternidade
O servidor público que seja pai solo ─ de família em que não há a
presença materna ─ faz jus à licença maternidade e ao salário maternidade pelo
prazo de 180 dias, da mesma forma em que garantidos à mulher pela legislação de
regência.
Tese fixada
“À luz do art. 227 da Constituição Federal, que confere
proteção integral da criança com absoluta prioridade e do
princípio da paternidade responsável, a licença maternidade,
prevista no art. 7º, XVIII, da CF/88 e regulamentada pelo art.
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207 da Lei 8.112/1990, estende-se ao pai genitor
monoparental.” RE 1348854/SP (Tema 1182 RG)
c. Ação Popular
Destaque do STJ:A invalidação, pelo Poder Judiciário, de ato do CARF
lesivo ao patrimônio público, seja ele favorável ou contrário ao Fisco, somente é
possível quando eivado de manifesta ilegalidade, contrário a sedimentados
precedentes jurisdicionais ou incorrido em desvio ou abuso de poder.
A ação popular tem por fundamento axiológico a
participação da sociedade civil nos afazeres estatais, direito
cuja consagração ganhou contornos mais expansivos com a
promulgação da atual Constituição da República.
Notadamente, em seu art. 1º, parágrafo único, há a outorga
aos membros do corpo social a prerrogativa de atuarem
diretamente na tomada de decisões públicas, emprestando,
assim, maior legitimidade às ações do Estado (REsp
1.608.161-RS).
-> legitimidade ativa – cidadão
d. Intervenção em Políticas Públicas
Repercussão Geral – Tema 698
Tese
1. A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas
voltadas à realização de direitos fundamentais, em caso de
ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o
princípio da separação dos Poderes;
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2. A decisão judicial, como regra, em lugar de determinar
medidas pontuais, deve apontar as finalidades a serem
alcançadas e determinar à Administração Pública que
apresente um plano e/ou os meios adequados para alcançar
o resultado;
3. No caso de serviços de saúde, o déficit de profissionais
pode ser suprido por concurso público ou, por exemplo, pelo
remanejamento de recursos humanos e pela contratação de
organizações sociais (OS) e organizações da sociedade civil
de interesse público (OSCIP).
STF. Plenário. RE 684.612/RJ - I 1101
-> Caso Poblete Vilches vs Chile
Caso envolvendo direito à saúde. Segundo CEJIL:
Os fatos do caso relacionam-se com a morte do Sr. Poblete
Vilches, de 76 anos de idade, que esteve internado e
submetido a tratamento médico em um hospital público do
Chile. As alegações referem-se à falta de consentimento
informado e à deficiente investigação a respeito do ocorrido.
Na sentença, a CorteIDH desenvolveu o alcance do direito à
saúde protegido sob o artigo 26 da Convenção Americana,
analisando seu conteúdo em situações de urgências médicas
e em relação a pessoas idosas.
O artigo 26 da CADH é o artigo que abarca os DESCA.
ARTIGO 26
Desenvolvimento Progressivo
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Os Estados-Partes comprometem-se a adotar providências,
tanto no âmbito interno como mediante cooperação
internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de
conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos
que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre
educação, ciência e cultura, constantes da Carta da
Organização dos Estados Americanos, reformada pelo
Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos
disponíveis, por via legislativa ou por outros meios
apropriados.
Restrição do Protocolo de San Salvador:
Artigo 19
Meios de Proteção
6. Caso os direitos estabelecidos na alínea "a" do artigo 8º,
e no artigo 13, forem violados por ação que pode ser atribuída
diretamente a um Estado-Parte neste Protocolo, essa situação
poderia dar origem, mediante a participação da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos e, quando for cabível,
da Corte Interamericana de Direitos Humanos, à aplicação
do sistema de petições individuais regulado pelos artigos
44 a 51 e 61 a 69 da Convenção Americana sobre Direitos
Humanos.
Artigo 8
Direitos Sindicais
1. Os Estados-Partes garantirão:
a) o direito dos trabalhadores de organizar sindicatos e de
filiar-se ao de sua escolha, para proteger e promover seus
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interesses. Como projeção deste direito, os Estados-Partes
permitirão aos sindicatos formar federações e confederações
nacionais e associar-se às já existentes, bem como formar
organizações sindicais internacionais e associar-se à de sua
escolha. Os Estados-Partes também permitirão que os
sindicatos, federações e confederações funcionem
livremente;
Artigo 13
Direito à Educação
e. Decisão judicial e medicamento não incluído na lista do SUS
Parte da Tese do STF:
Apenas em caráter excepcional — e desde que atendidos os
parâmetros fixados pelo STF —, uma decisão judicial pode
determinar o fornecimento de medicamento registrado na
ANVISA, mas não incluído nas listas do SUS Teses fixadas
pelo STF:
1. A ausência de inclusão de medicamento nas listas de
dispensação do Sistema Único de Saúde - SUS (RENAME,
RESME, REMUME, entreoutras) impede, como regra geral,
o fornecimento do fármaco por decisão judicial,
independentemente do custo.
2. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de
medicamento registrado na ANVISA, mas não incorporado
às listas de dispensação do Sistema Único de Saúde, desde
que preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos,
cujo ônus probatório incumbe ao autor da ação:
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(a) negativa de fornecimento do medicamento na via
administrativa, nos termos do item ‘4’ do Tema 1.234 da
repercussão geral;
(b) ilegalidade do ato de não incorporação do medicamento
pela Conitec, ausência de pedido de incorporação ou da mora
na sua apreciação, tendo em vista os prazos e critérios
previstos nos artigos 19-Q e 19-R da Lei nº 8.080/1990 e no
Decreto nº 7.646/2011;
(c) impossibilidade de substituição por outro medicamento
constante das listas do SUS e dos protocolos clínicos e
diretrizes terapêuticas;
(d) comprovação, à luz da medicina baseada em evidências,
da eficácia, acurácia, efetividade e segurança do fármaco,
necessariamente respaldadas por evidências científicas de
alto nível, ou seja, unicamente ensaios clínicos randomizados
e revisão sistemática ou meta-análise;
(e) imprescindibilidade clínica do tratamento, comprovada
mediante laudo médico fundamentado, descrevendo
inclusive qual o tratamento já realizado; e
(f) incapacidade financeira de arcar com o custeio do
medicamento.
STF. Plenário. RE 566.471/RN, Rel. Min. Marco Aurélio,
redator do acórdão Min. Luís Roberto Barroso, julgado em
26/09/2024 (Repercussão Geral – Tema 6) (Info 1152).
f. Competência – medicamentos
2. Medicamentos Não Incorporados ao SUS
2.1 Sem Registro na ANVISA Competência: Justiça Federal
Responsabilidade: União
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2.2 Com Registro na ANVISA
Valor anual ≥ 210 salários mínimos:
Competência: Justiça Federal
Custeio: União
Valor anual do tratamento for superior a 7 e inferior a 210
salários mínimos:
Competência: Justiça Estadual
Custeio: Estado, com ressarcimento parcial pela União
Valor anual do tratamento for inferior a 7 salários-mínimos:
Competência: Justiça Estadual
Custeio: Estado, com possível ressarcimento ao Município
g. Importação autorizada pela Anvisa
Repercussão Geral – Tema 1161
Tese fixada pelo STF:
Cabe ao Estado fornecer, em termos excepcionais,
medicamento que, embora não possua registro na Anvisa,
tem a sua importação autorizada pela agência de vigilância
sanitária, desde que comprovada a incapacidade econômica
do paciente, a imprescindibilidade clínica do tratamento, e a
impossibilidade de substituição por outro similar constante
das listas oficiais de dispensação de medicamentos e os
protocolos de intervenção terapêutica do SUS. STF. Plenário.
RE 1165959/SP - I 1022.
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h. Núcleos urbanos informais - estudo
Destaque do STJ: “É lícito ao Poder Judiciário determinar que o Poder
Público realize estudo para identificar núcleos urbanos informais consolidados, áreas
de risco e áreas de relevante interesse ecológico, no caso de omissão estatal” (REsp
1.993.143-SC).
Dessa forma, tendo-se em vista que os princípios da
prevenção e da precaução não toleram a omissão do Poder
Público diante da segregação socioespacial urbana que leva
milhares a se estabelecerem em locais de risco e em áreas
especialmente protegidas, não se pode admitir, em nome da
discricionariedade administrativa, que o Estado postergue ou
simplesmente não atue para a proteção da segurança, da
saúde ou mesmo da vida de parte da população de baixa
renda e do meio ambiente urbanístico sadio.
-> racismo ambiental
i. Responsabilidade do Estado – indenização
É constitucional a Lei 5.751/1998 do estado do Espírito Santo, de
iniciativa parlamentar, que versa sobre a responsabilidade do ente público por danos
físicos e psicológicos causados a pessoas detidas por motivos políticos.
O Plenário, por maioria, julgou improcedente o pedido formulado em
ação direta. Para o STF, a norma impugnada está em consonância com o disposto no
art. 37, § 6º, da Constituição Federal, que prevê a responsabilidade do Estado por
danos decorrentes da prestação de serviços públicos. Além disso, por não se tratar de
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matéria de iniciativa exclusiva do Poder Executivo (CF, arts. 61, § 1º, e 165), não
caracterizada a ocorrência de vício formal.
No caso, a norma questionada dispõe sobre o pagamento de
indenização a pessoas presas ou detidas por motivos
políticos, ou que tenham sofrido maus tratos, que acarretaram
danos físicos ou psicológicos, quando se encontravam sob a
guarda e responsabilidade ou sob poder de coação de órgãos
ou agentes públicos estaduais. A norma estabelece, ainda, o
pagamento de pensão especial a pessoas que tenham perdido
a sua capacidade laborativa nas mesmas circunstâncias.
ADI 3738/ES
j. Responsabilidade das concessionárias
As concessionárias de rodovias respondem, independentemente da
existência de culpa, pelos danos oriundos de acidentes causados pela presença de
animais domésticos nas pistas de rolamento, aplicando-se as regras do Código de
Defesa do Consumidor e da Lei das Concessões.
8) Direito Civil e Processo Civil
a. Competência: domicílio - indenização por danos morais – rede
social
Destaque do STJ: A competência para julgamento de ação de indenização
por danos morais, decorrente de ofensas proferidas em rede social, é do foro do
domicílio da vítima, em razão da ampla divulgação do ato ilícito (STJ REsp
2.032.427-SP - I. 774).
b. Direito à saúde - transgênero – compatível com necessidades
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DIREITO CONSTITUCIONAL – DIREITO À SAÚDE;
PESSOAS TRANSEXUAIS E TRAVESTIS;
ATENDIMENTO MÉDICO COMPATÍVEL DE
ACORDO COM SUAS NECESSIDADES
BIOLÓGICAS; IGUALDADE; IDENTIDADE DE
GÊNERO; ACRÉSCIMO DE TERMOS INCLUSIVOS NA
DECLARAÇÃO DE NASCIDO VIVO
Pessoas transexuais e travestis: direito ao atendimento
médico de acordo com as suas necessidades biológicas e
direito à correta identificação nas DNVs de seus
filhos - ADPF 787/DF
ODS: 3 e 10
Assim resumiu o STF:
O Ministério da Saúde, em observância aos direitos à
dignidade da pessoa humana, à saúde e à igualdade
(CF/1988, arts. 1º, III, 3º, IV, 5º, caput, e 6º, caput), deve
garantir atendimento médico a pessoas transexuais e
travestis, de acordo com suas necessidades biológicas, e
acrescentar termos inclusivos para englobar a população
transexual na Declaração de Nascido Vivo (DNV) de seus
filhos.
O STF julgou procedente a ADPF, de modo a determinar que o
Ministério da Saúde adote todas as providências necessárias para garantir o acesso
das pessoas transexuais e travestis às políticas públicas de saúde, especialmente para:
i. determinar que o Ministério da Saúde proceda a todas as alterações
necessárias nos sistemas de informação do SUS, em especial para que marcações de
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consultas e de examesde todas as especialidades médicas sejam realizadas
independentemente do registro do sexo biológico, evitando procedimentos
burocráticos que possam causar constrangimento ou dificuldade de acesso às pessoas
transexuais;
ii. esclarecer que as alterações mencionadas no item anterior se referem
a todos os sistemas informacionais do SUS, não se restringindo ao agendamento de
consultas e exames, de modo a propiciar à população trans o acesso pleno, em
condições de igualdade, às ações e serviços de saúde do SUS;
iii. determinar que o Ministério da Saúde proceda à atualização do layout
da Declaração de Nascido Vivo – DNV, para que dela faça constar a categoria
“parturiente/mãe” de preenchimento obrigatório e no lugar do campo “responsável
legal” passe a constar o campo “responsável legal/pai” de preenchimento facultativo,
nos termos da Lei 12.662/2012;
iv. ordenar ao Ministério da Saúde que informe às secretarias estaduais
e municipais de saúde, bem como a todos os demais órgãos ou instituições que
integram o Sistema Único de Saúde, os ajustes operados nos sistemas informacionais
do SUS, bem como preste o suporte que se fizer necessário para a migração ou
adaptação dos sistemas locais, tendo em vista a estrutura hierarquizada e unificada
do SUS nos planos nacional (União), regional (Estados) e local (Municípios), nos
termos do voto do Relator.
Em relação à emissão de Declaração de Nascido Vivo (DNV), a DNV
tem sido preenchida de forma inadequada, uma vez que vincula as categorias pai e
mãe ao sexo atribuído ao nascer, desrespeitando, no caso das pessoas transsexuais e
travestis, a identidade de gênero dos genitores.
c. Retificação de registro civil - Gênero Neutro
Vejam a recente decisão do STJ:
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CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.
AÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE REGISTRO CIVIL.
GÊNERO NEUTRO. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA
PESSOA HUMANA. DIREITOS DA
PERSONALIDADE. ART. 12 DO CC. DIREITO À
AUTODETERMINAÇÃO DE GÊNERO. LIVRE
DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE.
1. Ação de Retificação de registro civil para alteração de
gênero ajuizada em 13/07/2022, da qual foi extraído o
recurso especial, interposto em 01/09/2023 e concluso ao
gabinete em 05/09/2024. 2. O propósito recursal consiste em
decidir se é possível a retificação de registro civil para
redesignação de gênero neutro.
3. A tábua axiológica da Constituição Federal funda-se
especialmente na tutela da pessoa e na proteção e promoção
da sua dignidade. Nesse sentido, quando se tutela a pessoa
não se pode retirar do âmbito de proteção a sua
personalidade.
4. O princípio do livre desenvolvimento da personalidade
garante a autonomia para a determinação de uma
personalidade livre, sem interferência do Estado ou de
particulares.
5. O direito à autodeterminação de gênero e à identidade
sexual, tutelado através da cláusula geral de proteção à
personalidade presente no art. 12 do CC, está
intimamente relacionado ao livre desenvolvimento da
personalidade e da possibilidade de todo ser humano
autodeterminar-se e escolher livremente as
circunstâncias que dão sentido a sua existência.
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6. A evolução jurisprudencial que culminou nas alterações
legislativas até então vigentes no ordenamento jurídico
brasileiro resultou na possibilidade jurídica de pessoas
transgêneras requererem extrajudicialmente a alteração de
prenome e gênero de acordo com sua autoidentificação. No
entanto, observa-se que tais alterações, até agora, levaram
em conta a lógica binária de gênero masculino/feminino,
uma vez que representam a normatividade padrão esperada
pela sociedade, mesmo tratando-se de pessoas transgêneras.
7. Embora não se verifique norma específica no ordenamento
jurídico brasileiro que regule a alteração do assento de
nascimento para inclusão de gênero neutro, não há razão
jurídica para distinguir entre transgêneros binários e
transgêneros não-binários.
8. Seria incongruente admitir-se posicionamento diverso
para a hipótese de transgeneridade binária e não-binária, uma
vez que em ambas as experiências há dissonância com o
gênero que foi atribuído ao nascimento, devendo prevalecer
sua identidade autopercebida, como reflexo da autonomia
privada e expressão máxima da dignidade humana.
9. Todos que têm gêneros não-binários e que querem decidir
sobre sua identidade de gênero devem receber respeito e
dignidade, para que não sejam estigmatizados e que não
fiquem à margem da lei.
10. A lacuna legislativa não tem o condão de fazer com que
o fato social da transgeneridade não-binária fique sem
solução jurídica, sendo aplicável à espécie o disposto nos
arts. 4º da LINDB e 140 do CPC, pois a falta de específica
norma regulamentar de um direito não deve ser confundida
com a ausência do próprio direito.
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11. Assim, é de ser reconhecido o direito ao livre
desenvolvimento da personalidade da pessoa transgênera
não-binária de autodeterminar-se, possibilitando-se a
retificação do registro civil para que conste gênero
neutro.
12. No recurso sob julgamento, narra a parte requerente não
se identificar com o sexo biológico ou com o gênero que lhe
foi atribuído socialmente, entendendo-se pertencente ao
gênero não-binário, ou seja, não se identifica como homem
ou como mulher. Busca, assim, a retificação de seu registro
civil, para que conste gênero não “especificado/não
binário/gênero neutro /agênero”. 13. Não se objetiva, pois, a
eliminação do gênero na certidão de nascimento, mas, sim,
assegurar que a parte recorrente tenha sua identidade
respeitada.
14. Recurso especial conhecido e provido a fim de
autorizar a retificação do registro civil da pessoa
requerente, para excluir o gênero masculino de seu
assento de nascimento e incluir o gênero neutro.
-> Princípios de Yogyakarta
“Compreendemos identidade de gênero a profundamente
sentida experiência interna e individual do gênero de cada
pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no
nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode
envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou
função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e
outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de
falar e maneirismos.” (Princípios de Yogyakarta)
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-> Opinião Consultiva 24 – Corte IDH
-> Caso Luiza Melinho vs Brasil
O Estado negou a realização de cirurgia de afirmação sexual da
cabeleileira Luiza Melinho através do SUS ou o custeio de cirurgia em hospital
privado.
-> Caso Vicky Hernández x Honduras
Morte de Vicky Hernández, mulher transexual, defensora de direitos
humanos e portadora de HIV, por conduta de agentes policiais.
d. Sub-rogação da seguradora e sinistro
Tese fixada pelo STJ: O pagamento de indenização por sinistro não gera
para a seguradora a sub-rogação de prerrogativas processuais dos consumidores, em
especial quanto à competência na ação regressiva.
e. Convenção – transporte aéreo internacional – danos materiais
Repercussão Geral – Tema 1.366
Tese fixada pelo STF:
1. A pretensão indenizatória por danos materiais em
transporte aéreo internacional está sujeita aos limites
previstos em normas e tratados internacionais firmados pelo
Brasil, em especial as Convenções de Varsóvia e de
Montreal;
2. É infraconstitucional e fática a controvérsia sobre o
afastamento da limitação à pretensão indenizatória quando a
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transportadora tem conhecimento do valor da carga ou
age com dolo ou culpa grave.
STF. Plenário. RE 1.520.841/SP - 04/02/2025 - I 1164).
f. Responablidade civil – dano ambiental – risco interal
A exoneração da responsabilidade civil por rompimento de nexo causal
não pode ser alegada em situações de teoria do risco integral.
RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL, CIVIL E
AMBIENTAL. RESPONSABILIDADE CIVIL.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO,
CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO
OCORRÊNCIA. DANO AMBIENTAL. TEORIA DO
RISCO INTEGRAL. PRINCÍPIO DO POLUIDOR-
PAGADOR. EXONERAÇÃO DA
RESPONSABILIDADE. NEXO CAUSAL.
ROMPIMENTO. ALEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA
211/STJ. (...)
3. O propósito recursal é determinar se: a) persistiu a negativa
de prestação jurisdicional, por ter o Tribunal de origem se
omitido de examinar a tese de interrupção do nexo de
causalidade; b) nos danos ambientais, é possível arguir
causas de exoneração da responsabilidade; c) as licenças
ambientais foram concedidas de acordo com as normas
pertinentes; d) havia utilidade pública ou interesse social que
autorizassem a supressão de vegetação da Mata Atlântica; e
e)se o valor da multa/reparação foi fixado de modo
exorbitante.
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4. Ausentes os vícios do art. 535 do CPC/73, rejeitam-se os
embargos de declaração.
5. A exoneração da responsabilidade pela interrupção do
nexo causal é admitida na responsabilidade subjetiva e
em algumas teorias do risco, que regem a
responsabilidade objetiva, mas não pode ser alegada
quando se tratar de dano subordinado à teoria do risco
integral.
6. Os danos ambientais são regidos pela teoria do risco
integral, colocando-se aquele que explora a atividade
econômica na posição de garantidor da preservação
ambiental, sendo sempre considerado responsável pelos
danos vinculados à atividade, descabendo questionar sobre
a exclusão da responsabilidade pelo suposto rompimento do
nexo causal (fato exclusivo de terceiro ou força maior).
7. Na hipótese concreta, mesmo que se considere que a
instalação do posto de combustíveis somente tenha ocorrido
em razão de erro na concessão da licença ambiental, é o
exercício dessa atividade, de responsabilidade da recorrente,
que gera o risco concretizado no dano ambiental, razão pela
qual não há possibilidade de eximir-se da obrigação de
reparar a lesão verificada.
RECURSO ESPECIAL Nº 1.612.887 - PR
g. Exclusão imediata de motorista – aplicativo
Destaque do STJ: Não há óbice para a imediata suspensão do perfil
profissional de motorista de aplicativo que pratica ato suficientemente gravoso, com
a possibilidade de posterior exercício de defesa visando ao recredenciamento.
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Seriam os casos, por exemplo, de comportamento
inadequado do motorista em razão de assédio ou
importunação sexual, racismo, crimes contra o patrimônio,
agressões físicas e verbais, dentre outras questões que
envolvem não somente o contratante, senão o consumidor,
seu bem-estar, segurança e dignidade.
Conferido o direito de defesa e ainda assim a plataforma
concluir que restou comprovada a violação aos termos de
conduta, não há abusividade no descredenciamento do perfil.
Até porque não se afasta a possibilidade de revisão judicial
da questão.
REsp 2.135.783-DF
h. Casamento e União Estável maior de 70 anos
Repercussão Geral – Tema 1236
Tese fixada pelo STF:
“Nos casamentos e uniões estáveis envolvendo pessoa maior
de 70 anos, o regime de separação de bens previsto no artigo
1.641, II, do Código Civil, pode ser afastado por expressa
manifestação de vontade das partes mediante escritura
pública".
STF. ARE 1.309.642/SP - 02/02/2024 (Info 1122).
Código Civil
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no
casamento:
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos;
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i. Relativização da coisa julgada
Destaque do STJ: É possível a excepcional relativização da coisa
julgada de anterior ação de investigação de paternidade, na qual não foi realizado o
exame DNA, ainda que por culpa (recusa) do pretenso pai, quando existente resultado
negativo obtido em teste já realizado por determinação do próprio Judiciário.
Ou seja, o pai ajuizou ação negatória de paternidade, pedindo exame de
DNA, que deu negativo.
O direito à verdade biológica, relativo à dignidade da pessoa
humana, não diz respeito apenas ao filho e ao seu direito ao
reconhecimento da paternidade, mas também ao pai, não se
mostrando consentânea com este a imposição da paternidade
quando, ausente invocação de vínculo afetivo, se sabe
inexistente o vínculo genético, outrora reconhecido por
presunção e atualmente afastado pela certeza obtida por
resultado de exame de DNA.
STJ. Resp 1.639.372-SC julgado em 4/6/2024 I 20 – Edição
Extraordinária)
j. Bem de família e fraude à execução – doação a filho
É possível o reconhecimento da manutenção da proteção do bem de
família que, apesar de ter sido doado em fraude à execução aos seus filhos, ainda é
utilizado pela família como moradia. Frise-se que a dívida executada não se
enquadrava nas exceções à impenhorabilidade.
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PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. EMBARGOS DE
DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.
PENHORA DE IMÓVEL. BEM DE FAMÍLIA.
IMPENHORABILIDADE LEGAL. FRAUDE À
EXECUÇÃO. INEFICÁCIA DA DOAÇÃO. PROTEÇÃO
DA IMPENHORABILIDADE MANTIDA. IMÓVEL
QUALIFICADO COMO BEM DE FAMÍLIA ANTES DA
DOAÇÃO. SITUAÇÃO INALTERADA PELA
ALIENAÇÃO APONTADA COMO FRAUDULENTA.
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NÃO PROVIDOS.
k. Impenhorabilidade não pode ser reconhecida de ofício
Destaque do STJ: A impenhorabilidade de quantia inferior a 40 salários
mínimos (art. 833, X, do CPC) não é matéria de ordem pública e não pode ser
reconhecida de ofício pelo juiz, devendo ser arguida pelo executado no primeiro
momento em que lhe couber falar nos autos ou em sede de embargos à execução ou
impugnação ao cumprimento de sentença, sob pena de preclusão (REsp 2.061.973-
PR, Tema 1235 - REsp 2.066.882-RS - Tema 1235).
l. Impenhorabilidade dinheiro em conta ou aplicações
Destaque STJ: Se a medida de bloqueio/penhora judicial, por meio físico
ou eletrônico (Bacenjud), atingir dinheiro mantido em conta corrente ou quaisquer
outras aplicações financeiras, poderá eventualmente a garantia da impenhorabilidade
ser estendida a tal investimento, respeitado o teto de quarenta salários mínimos,
desde que comprovado, pela parte processual atingida pelo ato constritivo, que o
referido montante constitui reserva de patrimônio destinado a assegurar o mínimo
existencial.
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Ademais, o que se tem por razoável é considerar que a norma
sobre a impenhorabilidade deve ser interpretada, à luz da
CF/1988, sob a perspectiva de preservar direitos
fundamentais, sem que isso autorize, entretanto, a adoção de
interpretação ampliativa em relação a normas editadas com
finalidade eminentemente restritiva (já que a
impenhorabilidade constitui exceção ao princípio da
responsabilidade patrimonial), pois, em tal contexto, não
haveria interpretação buscando compatibilizar normas
jurídicas, mas construção de um ordenamento jurídico
sustentado por sistema hermenêutico autofágico, em que
uma norma aniquilaria o espírito e a razão de existir de outra.
m. Penhora de salário
Destaque STJ: Na hipótese de execução de dívida de natureza não
alimentar, é possível a penhora de salário, ainda que este não exceda 50 salários
mínimos, quando garantido o mínimo necessário para a subsistência digna do
devedor e de sua família (EREsp 1.874.222-DF).
n. Tutela cautelar antecedente
Não atendido o prazo legal de 30 dias para formulação do pedido
principal em tutela cautelar requerida em caráter antecedente, a medida concedida
perderá a sua eficácia e o procedimento de tutela antecedente será extinto sem exame
do mérito (STJ. EREsp 2.066.868-SP, - I. 807).
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o. Emenda de inicial – morte do réu
Se o réu falecer antes do ajuizamento da ação, não havendo citação
válida, deve ser facultada ao autor a emenda à petição inicial, para incluir no polo
passivo o espólio ou os herdeiros (STJ. REsp 2.025.757-SE I. 775).
p. Gratuidade de justiça
Destaque do STJ: A representação da criança ou adolescente por seus
pais vincula-se à incapacidade civil e econômica do próprio menor, sobre o qual
incide a regra do art. 99, § 3º, do CPC/2015, mas isso não implica automaticamente
o exame do direito à gratuidade com base na situação financeira dos pais . (REsp
2.055.363-MG, I. 781)
-> tópico imprescindível da peça: artigos 98 e 99 caput e parágrafo 3ºdo CPC,
artigo 5º, LXXIV
q. Entidades beneficentes – desnecessidade de comprovação
As entidades beneficentes prestadoras de serviços à pessoa idosa têm
direito à assistência judiciária gratuita, sem precisar comprovar insuficiência
econômica (STJ. REsp 1.742.251-MG - I. 746)
Em regra, pessoas jurídicas sem finalidade lucrativa também precisam
demonstrar essa precariedade de sua situação financeira para terem direito à justiça
gratuita.
Súmula 481-STJ: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a
pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar
sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais.
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r. Honorários de sucumbência em ações tributárias e Execuções
Fiscais
É inconstitucional — por violar a competência privativa da
União para legislar sobre direito processual (CF/1988, art.
22, I) — norma estadual que concede desconto sobre
honorários de sucumbência devidos em ações tributárias e
execuções fiscais ajuizadas.
s. Honorários contra ente público
Repercussão Geral – Tema 1002
Teses fixadas:
1. É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à
Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em
demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive
aquele que integra; 2. O valor recebido a título de honorários
sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao
aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o seu rateio
entre os membros da instituição.
STF. Plenário. RE 1.140.005/RJ - I. 1100).
Cancelamento da Súmula 421 do STJ: Os honorários advocatícios não
são devidos à Defensoria Pública quando esta atua contra a pessoa jurídica de direito
público à qual pertença.
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t. Prazo de petição de herança – abertura da sucessão
O prazo prescricional para propor ação de petição de herança conta-se
da abertura da sucessão; o prazo para a petição de herança não sofre qualquer
interferência de eventual ação de reconhecimento de filiação (STJ. 2ª Seção. REsps
2.029.809-MG e 2.034.650-SP - Recurso Repetitivo – Tema 1200 - Info 813.
O prazo é de 10 anos.
u. Técnica de julgamento ampliado – mérito
A técnica de julgamento ampliado aplica-se ao julgamento não unânime
proferido em agravo de instrumento, quando na fase de liquidação de sentença, o
acórdão prolatado valida os cálculos apresentados pela parte credora (definição do
quantum debeatur) (STJ. REsp 2.072.667-PE, I. 844).
Art. 942. Quando o resultado da apelação for não unânime,
o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser designada
com a presença de outros julgadores, que serão convocados
nos termos previamente definidos no regimento interno, em
número suficiente para garantir a possibilidade de inversão
do resultado inicial, assegurado às partes e a eventuais
terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante
os novos julgadores.
§ 3º A técnica de julgamento prevista neste artigo aplica-se,
igualmente, ao julgamento não unânime proferido em:
I - ação rescisória, quando o resultado for a rescisão da
sentença, devendo, nesse caso, seu prosseguimento ocorrer
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em órgão de maior composição previsto no regimento
interno;
II - agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão
que julgar parcialmente o mérito.
A liquidação de sentença tem natureza cognitiva e de mérito, já que
define o valor exato da condenação.
v. Legitimação ordinária de associação
Destaque do STJ: Nas ações coletivas em que a associação representa
seus associados por legitimação ordinária, nos termos do art. 5º, XXI, da CF/88, o
entendimento que deve ser aplicado é o firmado no Tema n. 499 do STF.
Tema n. 499/STF
A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação
coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na
defesa de interesses dos associados, somente alcança os
filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão
julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da
propositura da demanda, constantes da relação jurídica
juntada à inicial do processo de conhecimento." (RE n.
612.043).
A Segunda Seção do STJ (Recurso Especial Repetitivo n. 1.362.022-
SP), delimitando os legitimados ativos para a execução individual de sentença
coletiva, estabeleceu a seguinte distinção entre legitimidade ordinária e
extraordinária.
-> legitimidade ordinária – parte age em nome próprio. É o titular do direito.
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A legitimidade ativa de associado para executar individualmente
sentença prolatada em ação coletiva ordinária proposta por associação
expressamente autorizada pelos associados (legitimação ordinária), agindo com
base na representação prevista no art. 5º, XXI, da Constituição Federal.
Os efeitos da sentença de procedência da ação coletiva, de rito ordinário,
ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente
alcançará os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador. Há
eficácia subjetiva e territorial restrita.
-> legitimidade extraordinária – defende em nome próprio direito alheio
A legitimidade ativa de beneficiário consumidor para executar
individualmente sentença prolatada em ação coletiva substitutivaproposta por
associação, mediante legitimação constitucional extraordinária (p. ex., CF, art. 5º,
LXX) ou legitimação legal extraordinária, com arrimo, especialmente, nos arts. 81,
82 e 91 do Código de Defesa do Consumidor (ação civil pública substitutiva ou ação
coletiva de consumo).
Os efeitos da sentença de procedência da ação coletiva substitutiva não
estarão circunscritos aos limites geográficos do órgão prolator da decisão, mas aos
limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, de maneira que beneficiarão os
consumidores prejudicados e seus sucessores, legitimando-os à liquidação e à
execução, independentemente de serem filiados à associação promovente.
Nessa diferenciação é que residem os Temas n. 499 e 1.075 do egrégio
Supremo Tribunal Federal.
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Quanto ao Tema n. 1.075/STF, o Pretório Excelso: declarou a
inconstitucionalidade da redação do art. 16 da Lei 7.347/1985, dada pela Lei
9.494/1997, determinando a repristinação de sua redação original; concluindo que
os efeitos e a eficácia da sentença coletiva não estão circunscritos aos limites
geográficos do órgão prolator da decisão, mas aos limites objetivos e subjetivos do
que foi decidido (RE n. 1.101.937, Relator Ministro Alexandre de Moraes, Tribunal
Pleno, j. em 08/4/2021).
w. Eficácia de título judicial - ação coletiva
Tese firmada
A eficácia do título judicial resultante de ação coletiva
promovida por sindicato de âmbito estadual está restrita aos
integrantes da categoria profissional, filiados ou não, com
domicílio necessário (art. 76, parágrafo único, do Código
Civil) na base territorial da entidade sindical autora e àqueles
em exercício provisório ou em missão em outra localidade.
STJ. (Recurso Repetitivo – Tema 1130 - I. 829).
9) Direito do Consumidor
a. Abusividade – plano de saúde
Destaque do STJ: Considera-se abusiva a negativa, pela operadora de
plano de saúde, de cobertura de medicamento antineoplásico oral indicado para o
tratamento contra o câncer (STJ AgInt nos EREsp 2.117.477-SP - 11/12/2024 - I 23
- Edição Extraordinária).
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b. Denunciação da lide
Destaque do STJ: Não é possível ao hospital denunciar a lide aos
médicos responsáveis pelos atendimentos a paciente, aos quais é imputada a prática
de erro médico (REsp 2.160.516-CE I. 846).
Conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal
de Justiça (STJ), não é possível ao hospital denunciar a lide
aos médicos responsáveis pelo atendimento da paciente, em
razão da incidência dos arts. 12, 14 e 88 do Código de Defesa
do Consumidor (CDC).
(...)
Em resumo, a teoria do risco da atividade, que norteia a
responsabilização civil consumerista e processualmente veda
a denunciação da lide, tem por objetivo justamente evitar
que questões complexas sejam discutidas de forma
excessivamente prolongada.
c. CDC não se aplica a serviços do SUS
A legislação consumerista não se aplica aos serviços prestados pelo SUS,
mas é possível a redistribuição do ônus da prova quando houver hipossuficiência
técnica do paciente (STJ. REsp 2.161.702-AM - 18/3/2025 - I 844).
Mostra-se, assim, imprescindível a distinção entre os
serviços públicos passíveis de serem regidos pelo Código de
Defesa do Consumidor e aqueles que se subordinam
exclusivamente ao direito administrativo, sobretudo porque
nem todo fornecedor de serviço público poderá ser
submetido aos deveres estabelecidos no art. 22 do CDC.
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Diante dessas considerações, tem-se defendido a incidência
da legislação consumerista apenas nas hipóteses em que
o usuário do serviço público atue como agente de uma
relação de aquisição remunerada do serviço,
individualmente e mensurável, ou seja, naqueles
serviços uti singuli.
Consequentemente, afasta-se a aplicação do CDC naqueles
casos em que a prestação do serviço público é financiada
pelo esforço geral e colocado à disposição de toda a
coletividade indistintamente, sem a possibilidade de
mensuração ou determinação de graus de sua utilização,
sendo conhecidos como serviços uti universi.
Nesses termos, não há dúvidas de que o serviço público de
saúde é oferecido a toda a coletividade e sem a retribuição
financeira direta por seus usuários, porquanto seu
financiamento advém da arrecadação tributária e não há
possibilidade de se mensurar o grau de utilização de cada
um, inclusive sendo ele utilizado pela doutrina como um
exemplo de serviço público não subordinado às regras
consumeristas.
(...)
Contudo, mesmo que afastada a incidência da legislação
consumerista ao caso, ao se constatar a ausência de
conhecimentos específicos por parte dos pacientes, sobretudo
nos casos em que a situação socioeconômica do paciente é
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desvantajosa (a exemplo dos atendimentos prestados pelo
SUS), pode-se vislumbrar com maior facilidade a sua
hipossuficiência técnica capaz de justificar a redistribuição
do ônus da prova.
d. Lei estadual e apresentação de informações sobre entrega de
velocidade
É constitucional — na medida em que representa norma sobre direito do
consumidor que visa à proteção dos clientes — lei estadual que obriga as empresas
prestadoras de serviços de internet móvel e de banda larga na modalidade pós-paga
a apresentarem, na fatura mensal, informações sobre a entrega diária de velocidade
de recebimento e envio de dados pela rede mundial de computadores.
A lei estadual buscou ampliar os mecanismos de transparência e de tutela
da dignidade dos usuários, como legítimo exercício da competência concorrente do
estado para legislar sobre direitos do consumidor, notadamente o direito à informação
e. Responsabilidade do estabelecimento
Destaque STJ: Dono de estabelecimento de hospedagem onerosa de
visitantes não responde civilmente por danos morais em razão de homicídio praticado
em suas dependências por visitante hospedado no local (STJ REsp 2.114.079-RS I.
20 Edição extraordinária)
f. Restituição
Destaque do STJ: O consumidor não pode requerer a restituição da
quantia paga por um produto que foi utilizado por um longo período depois de ter
sido devidamente reparado, mesmo que o conserto tenha ocorrido após o
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esgotamento do prazo de 30 dias concedidos ao fornecedor pelo §1º, do art. 18, do
CDC (REsp 2.103.427-GO - I. 20 Edição extraordinária)
g. Nulidade de cláusulas
Nos contratos de TV por assinatura e internet, são nulas as cláusulas que
preveem a responsabilidade do consumidor em indenizar dano, perda, furto, roubo,
extravio de quaisquer equipamentos entregues em comodato ou locação pela
prestadora de serviço (STJ. REsp 1.852.362-SP - I 820).
h. Restituição
Se o consumidor é injustificadamente cobrado em excesso, terá direito à
devolução em dobro mesmo que não prove a má-fé do fornecedor (STJ EAREsp
1.501.756-SC - I 803).
i. Passagem aérea
A vendedora de passagem aérea não responde solidariamente com a
companhia aérea pelos danos morais e materiais experimentados pelo passageiro em
razão do cancelamento do voo (STJ REsp 2.082.256-SP - Info 788).
j. Competênciaem liberdade por conta do prazo.
Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser
determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias.
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e
basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade,
demonstrada a necessidade imperiosa da medida.
* Local da internação
Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade
judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento
prisional.
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* Princípio da legalidade
Lei n. 12.594 – lei do SINASE
Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á
pelos seguintes princípios:
I - legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento
mais gravoso do que o conferido ao adulto;
Diretrizes de RIAD
54. Com o objetivo de impedir que se prossiga à
estigmatização, à vitimização e à incriminação dos jovens,
deverá ser promulgada uma legislação pela qual seja
garantido que todo ato que não seja considerado um delito,
nem seja punido quando cometido por um adulto, também
não deverá ser considerado um delito, nem ser objeto de
punição quando for cometido por um jovem.
Diretrizes de Beijing
3.1 As disposições pertinentes das regras não só se aplicarão
aos jovens infratores, mas também àqueles que possam ser
processados por realizar qualquer ato concreto que não seria
punível se fosse praticado por adultos.
* Direito subjetivo à remissão
Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para
apuração de ato infracional, o representante do Ministério
Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão
do processo, atendendo às circunstâncias e conseqüências do
fato, ao contexto social, bem como à personalidade do
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adolescente e sua maior ou menor participação no ato
infracional.
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da
remissão pela autoridade judiciária importará na suspensão
ou extinção do processo.
→ Princípio da proporcionalidade
Aplicação ampliada dos princípios previstos na lei do SINASE.
Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á
pelos seguintes princípios:
IV - proporcionalidade em relação à ofensa cometida;
11)Direito Institucional
a. Inconstitucionalidade formal e material de lei – orçamento da
DPE -> convênio com OAB
É inconstitucional — por apresentar vício de iniciativa, configurar
interferência indevida do Poder Executivo na gestão orçamentária da Defensoria
Pública e violar sua autonomia funcional, administrativa e financeira (CF/1988, arts.
5º, LXXIV; 24, XIII; 93, caput; 96, II e 134, caput, §§ 2º e 4º) — norma estadual
originária do Poder Executivo que destina percentual dos recursos orçamentários
da instituição à prestação de assistência judiciária suplementar por advogados
privados.
b. Porte de arma de Defensores
É inconstitucional – por violar as competências da União
material exclusiva para autorizar e fiscalizar a produção e o
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comércio de material bélico (CF/1988, art. 21, VI), bem
como privativa para legislar sobre o assunto (CF/1988, art.
22, XXI) – norma estadual que concede o direito ao porte de
arma de fogo a membros da Defensoria Pública local.
STF. Plenário. ADI 7.571/ES - 05/06/2024 (Info 1139)
c. Suspensão da Segurança
A Defensoria Pública não possui legitimidade para pedido de Suspensão
de Segurança ou Suspensão de Liminar e Sentença, salvo na preservação do interesse
público primário quando atua em defesa de prerrogativas institucionais próprias do
poder público.
O STJ não conheceu do pedido formulado pela Defensoria Pública. Por
configurar meio extraordinário de intervenção no regular andamento do processo, o
instituto da suspensão de segurança não comporta interpretações extensivas de modo
a ampliar suas hipóteses de cabimento, nem o rol de legitimados à sua propositura.
A legislação em vigor não reconhece legitimidade ativa em favor da Defensoria
Pública para manejar pedido de Suspensão de Segurança (SS) ou de Suspensão de
Liminar e Sentença (SLS), salvo em casos especialíssimos, nos quais se busque a
preservação do interesse público primário. STJ. Corte Especial. (EDcl no AgInt na
SLS 3.156-AM, - I. 816).
Bons estudos e boa prova!
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