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Psicanálise
Por
Deborah Araujo Pereira
Laís Gomes Guitarrari
Paula Leal
(alunas do curso de Psicologia)
Atividade Prática Supervisionada (APS) entregue ao Professor Carlos Filho, na disciplina Introdução à Psicologia.
IBMR
2º semestre/2021
1. Introdução
Esse trabalho tem como objetivo fazer uma breve introdução sobre a Psicanálise e sua aplicação num consultório. Para isso um profissional foi entrevistado e a seguir apresentaremos algumas considerações sobre o que aprendemos. 
2. Psicanálise
A psicanálise é um método de pesquisa do comportamento da mente humana desenvolvida a partir das análises clínicas do médico Sigmund Freud (1856-1939), no final do século XIX, com atuação no entendimento dos sentimentos, emoções, impulsos e pensamentos, particularizando cada indivíduo no seu modo de ser e na assimilação de como a inconsciência interfere nos pensamentos cotidianos. Esta é uma abordagem que se aplica no entendimento profundo da inconsciência, que é o responsável pela consequência dos atos que temos de forma automática, desafiando em algumas situações, a lógica e o bom senso.
O seu processo é de desvelamento no qual o sujeito tem acesso ao que antes estava obscuro. Por meio da aplicação do método psicanalítico é possível obter conhecimento a respeito da subjetividade e comportamento humano e essa consciência vai ganhar uma expressão teórica sistematizada nos diversos princípios que estão presentes no campo da psicanálise, com as principais escolas da psicanálise: Freud, Lacan, Winnicott, Klein e Bion.
Um desses princípios é a psicanálise freudiana que estudou os três elementos da personalidade: o id, que armazena os desejos mais inconscientes, não tão lógicos e muitas vezes fora das regras sociais; o ego, que é a base da personalidade do indivíduo, do comportamento realista, do “eu consciente” e do “eu inconsciente”, organiza o que o id pode fazer ou não, princípio da realidade; e o superego que é a condição final da personalidade, onde o comportamento é determinado em detrimento dos valores éticos, morais e regras sociais, princípio da moralidade. Freud desenvolveu, também, técnicas psicanalíticas como a associação livre, onde o paciente fala o que vier a mente, sem nenhuma organização contextual para incitar memórias inconscientes; a análise dos sonhos, que Freud acreditava ser uma realidade disfarçada de um desejo reprimido; o estudo da sexualidade da criança com o complexo de Édipo; a dualidade no psiquismo, onde diz que o conflito resulta de forças contrárias; e os fenômenos das resistências, foram algumas técnicas de Freud que contribuíram para formar a base da psicanálise.
A psicanálise foi criada por Freud para tratamento apenas das neuroses, que designava certos quadros psicopatológicos como histeria e neuroses obsessivas. A psicanálise trabalha com o pressuposto que a mente é dividida entre uma parte que é acessível a nossa consciência, memórias, pensamentos, fantasias e uma outra parte da mente que é inconsciente, que contêm fantasias, desejos, pensamentos, memórias, que não são acessíveis a nossa consciência, estes conteúdos que estão no inconsciente se manifestam na neurose obsessiva e na histeria de modo disfarçado através dos sintomas. Logo, a psicanálise é um método que possibilita ao paciente obter acesso aos elementos que estão no inconsciente e alcançando este objetivo o sujeito pode então, abandonar estes sintomas, que já não são necessários, porque eles só interessam enquanto estão no inconsciente. A hipnose serviu como auxílio no tratamento para as neuroses, principalmente, nas histerias.
O método utilizado na psicanálise, como dito anteriormente, é o da associação livre. O paciente fala exatamente o que vier a sua cabeça e o psicólogo pede para que o paciente não organize, nem selecione aquilo que for falar. Esse processo é importante porque o objetivo do tratamento é fazer o paciente ter acesso aquilo que está no inconsciente, então, se o paciente não controla a fala permitindo que aconteça de forma espontânea, ele gera mais facilidade para que o inconsciente se manifeste.
O analista, por sua vez, vai utilizar um procedimento técnico que é chamado de atenção flutuante. O analista não vai focar apenas em determinados aspectos do paciente em detrimentos de outros, a sua atenção, a sua escuta, vai flutuar ao longo do discurso do paciente, ou seja, o analista vai prestar atenção da mesma forma a tudo o que o paciente diz, daí a ideia de flutuação. Isso é necessário porque o inconsciente utiliza as mais diferentes palavras, situações, histórias para se manifestar, então, se de repente o
psicanalista foca atenção em uma parte e menospreza a outra no discurso do paciente, ele pode estar desconsiderando exatamente aquilo que o inconsciente está utilizando para se manifestar, por isso, é importante que o psicanalista preste atenção a tudo que o paciente diz, porque desta forma ele não vai perder nada, ficará sempre atento à todas as possibilidades de expressão disfarçada e simbólica do inconsciente.
Através da associação livre, o próprio paciente pode começar a se dar conta daquilo que o inconsciente está dizendo através dele. Em muitos casos o paciente não consegue se dar conta sozinho, porque falar e prestar atenção ao que se fala ao mesmo tempo são tarefas que muitas vezes não são feitas de forma eficaz. Por conta disso, o psicanalista, por estar de fora e ouvindo com a atenção flutuante, consegue detectar, podendo apresentar ao paciente uma interpretação do que o inconsciente dele está tentando dizer. Seja o próprio paciente se dando conta, seja a partir da interpretação do psicanalista, o objetivo principal é gerar o que se chama na psicanálise de insight, que é aquele momento em que paciente se dá conta de algo que antes estava obscuro para ele, de algo que estava no inconsciente.
Outro fenômeno importante é o da transferência. Quando falamos de transferência na psicanálise, estamos falando de transferência de padrões de relacionamento infantis para dentro do tratamento. O paciente desenvolve na infância certas maneiras padronizadas, repetitivas de se relacionar, seja com a mãe, pai, irmão ou qualquer pessoa significativa da sua vida infantil e ele acaba levando esse modo padronizado, estereotipado de se relacionar com pessoas do passado para dentro do tratamento. Na psicanálise, o paciente dificilmente percebe que está transferindo para o psicanalista formas de relacionamento da infância, que está observando com a atenção flutuante e está atento ao comportamento do paciente. O analista percebe este modo estereotipado e faz uma interpretação transferencial, que pode gerar um insight no paciente, que ao perceber o que está acontecendo ali, modifica a sua percepção subjetiva e consequentemente isso produz a sua melhora, a evolução daquele quadro clínico que está sendo tratado.
O psicólogo pode usar este modelo de abordagem para o tratamento de pessoas com transtornos de ansiedade, depressão, indivíduos que queiram entender suas experiências pessoais, problemas de relacionamento, dificuldade de concentração, entre outras questões pertinentes. A sessão de psicanálise pode ser feita com crianças, adolescentes, adultos, individual ou em grupo. Importante procurar profissionais capacitados para que os resultados sejam positivos.
3. Perfil do entrevistado
Para entender um pouco mais sobre essa abordagem, entrevistamos Sergio Henrique Barreto Vasconcelos de 41 anos. Bacharel em Teologia e com formação em Psicanálise, Sergio atua em seu próprio consultório. Durante a entrevista, conversamos sobre questões como os motivos que lhe fizeram optar por essa abordagem, como o vínculo terapêutico é criado, como identificar se o paciente está progredindo, como não deixar suas próprias questões interferirem no processo, dentre outras. 
A seguir detalhamos um pouco do que aprendemos com essa conversa.
4. Considerações sobre a entrevista
Sergio começa a entrevista nos dizendo que a escolha para essa abordagem se deu ao estudar Freud no início da faculdade e jánaquele momento percebeu o que queria seguir na sua formação. Para ele, a realização profissional, a partir dos resultados, avanços e conquistas dos pacientes atendidos e ganho profissional avolumando ao longo dos anos de atendimentos é o que lhe impulsiona a continuar nessa área. 
Perguntamos, também, sobre a construção do vínculo terapêutico e ele nos relatou da importância da criação de um bom “rapport” com os pacientes, além de se ter um consultório organizado, limpo, com um ambiente tranquilo e agradável, com uma localização razoável, recepcionar bem o paciente dando espaço para entender suas questões e por último, mas não menos importante, pontualidade em seus atendimentos. Sergio ao falar sobre esse assunto, cita Carl Jung: “Conheça todas técnicas, domine todas as teorias, mas ao tocar uma alma uma humana, seja apenas outra alma humana”. 
Para identificar o progresso do paciente, o entrevistado ressalta que é fundamental que se crie espaços nas sessões para ouvir o feedback do paciente, para nos atentarmos aos esvaziamentos de angústias e ressignificação do comportamento do mesmo. 
Ainda que sejamos estudantes do 1º período, já temos a consciência de que não podemos deixar nossas questões pessoais ou princípios interferirem nos atendimentos, logo, perguntamos como ele lida com essas questões e Sergio nos disse que se baseia nos princípios da neutralidade e abstinência, mas que nem sempre é uma tarefa fácil. 
Questionamos também, a cerca de algumas estratégias que ele utiliza no seu dia a dia, tendo em vista que lida com tantas pessoas diferentes e com questões diferentes de modo que os assuntos trazidos por seus pacientes não extrapolem o consultório e tomem conta da sua vida pessoal também. O entrevistado menciona que costuma ter pelo menos um dia de folga para seu controle mental, ressalta também a importância do profissional ter seu momento de lazer, algo que lhe traga satisfação sem o peso da responsabilidade. Curiosamente, ele nos disse que por algumas vezes, chega à conclusão de questões relacionadas ao paciente quando está no seu momento de entretenimento, pois, ocasionalmente, pode ser mais claro de enxergar a solução quando você se afasta do problema. 
Por fim, queríamos saber se com a experiência que ele tem hoje, olhando para seus primeiros atendimentos, se ele faria algo diferente. Ele falou sobre alguns aspectos que faria diferente, mas que poderiam ser resumidos em uma característica: a paciência. Sergio nos mostra que a falta de experiência, muitas vezes, nos torna mais sensíveis a determinadas questões com as quais teremos que lidar nessa profissão e que o atendimento a pessoas envolve algumas questões mais burocráticas como atrasos, faltas, pagamento, resistência as consultas e com um pouco mais de paciência podemos lidar melhor com esses aspectos. 
Referências: 
Celes L.A. Psicanálise é trabalho de fazer falar, e fazer ouvir. Psyche (São Paulo) v.9 n.16 São Paulo dez. 2005.
Louzada, D. Psicanálise Clínica. 4 Elementos Essenciais – Teoria de Freud. https://www.psicanaliseclinica.com/elementos-teoria-freud/ Acesso em 5 de dezembro de 2021.
Psicanálise Clínica. Uma Breve História da Psicanálise. https://www.psicanaliseclinica.com/origem-e-historia-da-psicanalise/. Acesso em 5 de dezembro de 2021.

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