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AULA 1 – O que é Psicologia do Trabalho? O escopo e a prática da Psicologia do Trabalho, está longe de ser uma prática consensualmente apaziguadora e passiva (ou pacífica, em certos casos). Ela se insere em um meio tensionado permanentemente pelos interesses da força de trabalho e do capital. Ora, a intervenção do psicólogo do trabalho decorre sempre de uma demanda. Assim sendo, é fundamental perceber que pode haver antagonismo entre a demanda da empresa e a demanda do trabalhador. O info-gráfico procura mostrar o quão variadas são as abordagens nesse escopo de pesquisas e práticas. O campo de estudos da Psicologia do Trabalho, portanto, pode ser entendido como sendo voltado para analisar os fatores humanos frente aos contextos do trabalho produtivo, a fim de aplicar o resultado dessas pesquisas através de intervenções no ambiente organizacional. Alguns dos temas mais estudados no Brasil — segundo Wachelke, P. (2005) — são os seguintes: Comportamento nas organizações e trabalho Gestão, liderança e poder Saúde e qualidade de vida Aprendizagem organizacional Cultura e Clima em organizações Relações de trabalho Subjetividade Percepção Motivação No campo de estudos do mundo do trabalho — e isso deve ficar bem claro — ações como uma pesquisa de campo, um workshop de treinamento, um diagnóstico organizacional, ou uma investigação de condições de trabalho, não ocorrem movidas unicamente pela vontade do pesquisador ou do engenheiro envolvido no processo, mas fundamentalmente em função de uma demanda. Daí as tensões do cabo de guerra entre os interesses, por exemplo, da produtividade e da saúde organizacional. Uma questão fundamental para o Engenheiro de Produção frente a Psicologia do Trabalho é problematizar os vínculos dessa prática no ambiente produtivo. A perspectiva do trabalhador, a ênfase se dirige a um saber comprometido com a saúde do trabalhador, afinal de contas, mesmo no mundo coorporativo, a psicologia é uma das ciências da saúde. Entretanto, apesar do compromisso, eminentemente ético, com a saúde do trabalhador, é inegável que a Psicologia do Trabalho tem procedimentos formais, ou até profissionais com vínculos empregatícios, voltados a atender os interesses da empresa ou organização produtiva. E aí: A quem a Psicologia do Trabalho deve servir? “Psicologia social: o homem em movimento” Wanderley Codo afirmou que o psicólogo do trabalho tendia ser visto como o Lobo Mau da psicologia porque supostamente era contratado pelo patrão para fazer frente ao interesse do operário. O valor da contribuição de Codo, contudo, foi mostrar que a coisa não precisava ser necessariamente assim. Ou seja, o psicólogo, nas dinâmicas das relações de trabalho, não precisava vestir dada fantasia — ou dada metáfora — e fazer a performance do elemento perverso: o Lobo Mau. Codo se preocupou em fazer a crítica da crítica, e assinalou que trabalhadores viam a possibilidade de contrapor, à desvalorização a que a organização os submetia, uma revalorização de si mesmos, através de processos de auto-valorização: elogios à própria inteligência, perspicácia, além de realização de cursos de aperfeiçoamento, etc. Ou seja, há exploração por parte de muitos patrões, mas a verdade é que as oportunidades emancipatórias também existem, e a Psicologia do Trabalho fica no meio de tal redemoinho. Nesse sentido, há de se ressaltar que a Psicologia do Trabalho pode (e deve) contribuir para a conscientização do trabalhador frente às questões do processo produtivo. Principalmente porque as exigências da produção industrial demandam crescente nível de especialização, e essa melhor qualificação implica maior empoderamento (empowerment) ao próprio trabalhador. A metáfora do "Lobo-Mau" tem sido usada para descrever ou ironizar a tendência, em Psicologia do Trabalho, que desenvolve ações contra os trabalhadores. Os conhecimentos no campo da psicologia se inserem em um meio tensionado permanentemente pelos interesses da força de trabalho e do capital. Assim sendo, frente à pergunta acerca do papel e validade da Psicologia do Trabalho, haverá sempre a possibilidade de surgirem respostas antagônicas. A resposta certa para uns, será inadequada para outros, e vice-versa. Justamente por isso, é necessário ressaltar o papel do Engenheiro de Produção ao lançar mão desses conhecimentos, pois serão os seus compromissos éticos que darão o tom de sua apropriação do saber psicológico. Aula 02 – O que é Sociologia do Trabalho? Desenvolvimento: Sociologia do trabalho, reestruturação produtiva e impactos no trabalhador Estudos em Sociologia da Trabalho tentam explicar a relação do trabalhador com o trabalho a partir de diferentes ângulos, que são: Fatores Estruturais: Estudos que se interessam pela estrutura organizacional, as características da organização e o alcance do controle da organização sobre os trabalhadores. Processos de Trabalho: Influência nas decisões financeiras, a autonomia dos trabalhadores em relação aos regulamentos e prescrições, o sistema de controle em relação ao ritmo de trabalho, o critério de avaliação de desempenho, a rotinização de tarefas e atividades, a pragmática da comunicação verbal e escrita, e a inovação dos métodos gerenciais de administração. Fatores Individuais: Caracterizações idiossincráticas. Os impactos da reestruturação produtiva sobre o trabalhador A ST na América Latina ganhou novo foco particularmente nos anos 1990 influenciada pelos princípios neoliberais do, assim chamado, Consenso de Washington. Nesse momento, as pesquisas ficavam mais voltadas para o que acontecia no interior das fábricas, ou para o processo de reconversão econômica em seu conjunto. No Brasil e na América Latina, nessa mesma época, também ocorria concomitantemente o fortalecimento de instituições, grupos e redes de pesquisa na área. A percepção que se instalava ao longo de 90’s, entrementes, era que os países da América Latina se inseriam no processo de globalização de uma forma absolutamente distinta daqueles do chamado Primeiro Mundo, com consequências diretas nas relações e condições de trabalho. Algumas das pesquisas desenvolvidas em ST traduziam ambiguidade no pensamento do trabalhador devido as inovações tecnológicas, os sentimentos se mesclavam entre medo, fascínio, resignação e impotência. De acordo com Humphrey, os trabalhadores passavam por uma pressão sistemática para realizar tarefas através de adoção de metas de qualidade e produtividade (...) O ritmo intenso e as jornadas longas levam a significativos riscos de saúde. A experiência de trabalho nas organizações que utilizavam métodos de Controle de Qualidade Total realmente parecia ser contraditória: Uma força de trabalho produz produtos de alta qualidade, ao mesmo tempo que dela exige um desempenho virtualmente sem limites, jornadas excessivas e submissão a rígidos códigos de comportamento e de disciplina. Várias pesquisas demostraram o impacto psicológico experimentado pela interação homem-máquina. Porém, mesmo com tanta controversas, cabe a questão: Quais são os mecanismos de poder que dão sustentação a essa contradição? O “exército industrial de reserva”, formado pela massa de desempregados, que produz nos trabalhadores o medo de perder o emprego. A busca pelo aumento da produtividade divide os trabalhadores uns contra os outros, e impedem uma maior articulação em prol de melhorias coletivas e efetivas. O eventual acréscimo no salário do trabalhador. A ST pode permitir, ao EP, uma melhor compreensão da questão da internalização de regras no ambiente de trabalho Rebechi, ao estudar os efeitos da inovação tecnológica na organização do trabalho, verificou que com a automação do processo produtivo o trabalhado se tornou mais deprimido e mais dependente. Mais deprimido porque perdeu algumas coisas fundamentais. Houve uma perda global do significado do trabalho. A que pode ser entendido como uma transferência de inteligência do homem para máquina e uma nova dependência pelo homem dessa inteligênciaque ele mesmo depositou na máquina. Em geral, a perda de autonomia do trabalhador acontece em função das características do processo produtivo. Alguns fatores centrais são o isolamento e a perda de significado do trabalho. Isso porque, a perda de autonomia, o isolamento e dependência diminuem o contati do trabalhor com o mundo exterior e aumentam sua identificação com a empresa que o abriga/obriga. “A empresa é boa, mas também é rigorosa; ajuda quem faz o seu dever e pune quem não o faz”. Esse vínculo de dependência com a “empresa poderosa” é constantemente alimentado pela falta de informação oferecida ao trabalhador. O os estudos em ST mostram é que o trabalhador tende a achar que a única saída é aumentar os vínculos de dependência com a empresa. O trabalhador atravessado por softwares de última geração “se sente constantemente frente a sua própria morte, ao contrário do trabalho anterior, onde ele pensava em continuar vivendo através de suas capacidade técnicas transmitidas, além dos seus produtos” A ST pode permitir, ao EP, uma melhor compreensão da questão da proibição à crítica no ambiente de trabalho Nas fábricas automatizadas além do isolamento físico há um isolamento real. E o primeiro efeito do isolamento é dificultar a socialização. A função do trabalhador não encontra correspondência à dos outros mesmo quando estão próximos, impedindo uma maior socialização entre os trabalhadores. O trabalhador perde a identificação com os outros colegas, tende a se interiorizar a se identificar apenas com as prescrições apresentadas pela empresa, univocamente. Além de ser isolado, o trabalhador também é controlado, a memória da máquina registra absolutamente tudo o que o operário produz e o tempo que necessitou para fazê-lo. Consequentemente, a empresa pode obter através do controle pela informática, informações extremamente precisas sobre o desempenho de cada trabalhador. Tudo isso possibilita ao “chefe”, uma forma sutil de repressão diante do trabalhador. Aula 03 Platão – O Mito da Caverna [Atualizado] A caverna é o mundo ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, (pré-conceitos, pré-juízos). Quando começamos a descobrir a verdade, temos dificuldade para entender e apanhar o real (ofuscamento da visão ao sair da caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber. Na atualização do antigo mito para termos mais atuais conclui-se que “Era necessário perceber os efeitos da tecnologia na vida do próprio homem. E da sociedade”. Ou seja, aquelas milhares de imagens e sons que nos bombardeiam e levam à sociedade toda a ter um pensamento uniforme, de modo a ensinar a todos os pensamentos dos outros e a Luz é o pensamento próprio, individual, de modo a ensinar o indivíduo a pensar. Karl Marx (1818-1883) Para ele, o homem se tornou homem através do trabalho. Contudo, afirmou que as classes priveliadas da sociedade – que detêm os mecanismos de produção impõe formas de trabalho ao homem que o alienam do produto de seu trabalho e, o exploram. Desenvolveu a concepção de que a realidade não decorre da condição humana, mas foi preparada e construída socialmente ao longo dos processos [teoria: materialismo histórico] Anton Makarenko (1888 - 1939) Concebeu uma escola baseada no trabalho produtivo, no qual o ensino era oferecido para todos de forma gratuita e a filosofia adotada tinha forte caráter politécnico para familizar os alunos com bases científicas e aspectos práticos das atividades produtivas. Apoiou com as teorias de Marx. Antonio Gramsci (1891-1937) O seu livro “Concepção Dialética da História¹” defende a ideia de que a concepção do mundo mais eficaz é aquela que resulta da atividade real de cada um, a que se encontra implícita na ação humana. Com isso consegue fugir do idealismo e materialismo mecanicista herdado do positivismo. [Em seu livro¹... depois de apresentar alguns pontos preliminares de referência, onde considera que todo homem é capaz de fazer filosofia, o autor defende a ideia de que a concepção do mundo mais eficaz é aquela que resulta da atividade real de cada um. Ou seja, a concepção que se encontra implícita na ação humana. – Trecho da referência indicada no Pdf da aula] Também define a relação enre Educação e Trabalho como um processo levando em consideração o contexto de sua atualiadade – interessa-se pelo homem de hoje e não de qualquer homem genericamente. Ele também considerava que a crise da organização escolar (classe dominante tinha uma escola e a massa proletária, outra) era um aspectivo da crise organica pois cada grupo social cria para si “de um modo orgânico” camadas intelectuais que lhe dão homegeneidade e consciencia da própria função. E daí propos a ideia de uma escola unitária que incorporaria duas vertentes: a participação do Estado nesta e o significado de novas relações entre trabalho intelectual e industrial. Um olhar para o futuro Agora a apostila da uma viajada profunda no tema voltado para filmes de ficção cientifica que tratam de cenários futuros (2035). Asimov (escritor de textos classicos como “Eu Robô”) define três leis da robotica em sua obra original apenas troca-se “Tecnologia por Robô”. 1ª Lei: Tecnologia Benéfica ao homem Torna-se necessário, portanto, dimensionar a tecnologia numa perspectiva mais social. De modo que não favoreça a alienação do homem. Nem do produto de seu trabalho, conforme critérios econômicos-sociais; nem de si mesmo, segundo categorias humanistas-existenciais. A tecnologia não é um bem nem um mal. É apenas um instrumento. O problema está nos usos (e abusos) impróprios e deletérios. E é o interesse político do homem que determina os pressupostos, os meios e os objetivos da tecnologia. E isso tem a ver com a educação para o trabalho e a qualificação profissional. 2ª Lei: A tecnologia deve servir à sociedade A proposta teórica de Habermas para explicitar os efeitos da sociedade tecnológica (já que ele diz que não há que se falar em indivíduo sem falar em sociedade), aponta uma crítica à absolutização da técnica em detrimento da vida social. A explicação para tal vertente se encontra na subjetivação própria da sociedade de consumo, alimentada pelos interesses da ideologia vigente. Verifica-se, assim, que a Societate Tecnologicae é um subproduto da Societate Politicae. O impacto da tecnologia na sociedade deve ser intermediado por práticas solidárias que marcam uma racionalidade regida pelo agir responsável. Por mais utópica que tal tarefa possa parecer 3ª Lei: “ ( ) não tem no texto” mas tem na Obra: “Os robôs devem preservar a si mesmos.” Aula 4 – A Psicologia e a Sociologia no trabalho frente ao desafio da flexibilidade do processo produtivo Alguns fenômenos sociais estão se tornando inexplicáveis segundo perspectivas mais tradicionais. Conceitos bem familiares, como “motivação” e “perfil do trabalhador”, precisam ser vistos por novos ângulos, sobretudo os da flexibilização. Uma questão fundamental para o Engenheiro de Produção frente à Psicologia e a Sociologia do Trabalho é problematizar os vínculos dessa prática no ambiente produtivo. Uma das principais características das organizações modernas, a flexibilidade, está mudando o próprio significado de trabalho. Quais os efeitos da flexibilidade e da autonomia na dinâmica organizacional e na subjetividade do trabalhador? Estudos apontam ausência de autonomia como causa do stress. O oposto soluciona a questão? Para Sennett (1999) trabalhar com autonomia não implica menos angústia existencial, menor nível de stress, ao contrário, a flexibilidade causa ansiedade e afeta até mesmo o valor ético que o trabalhador atribui a seus próprios desejos e às relações com as demais pessoas. A análise dos valores duradouros no âmbito da vida e do trabalho fica circunstanciada pela obsessão com os resultados imediatos. Sennett (1999) traz o conceito linear de tempo. Décadas de 50 e 60,a tínhamos a estabilidade no emprego e o "Estado de Bem Estar Social", o trabalhador tendia a encarar o tempo de forma linear. A rotina diária variava muito pouco e as conquistas pessoais se somavam de forma cumulativa. Com o advento da flexibilidade, entretanto, o trabalhador perdeu tal noção de previsibilidade. Há uma perda do controle da própria vida em decorrência das constantes mudanças, processos de downsizing e consequente desemprego. Para sobreviver o trabalhador é obrigado a colocar sua vida emocional à deriva. As mudanças organizacionais se tornam disfuncionais como direcionadoras da vida pessoal. A perspectiva que prevalece é a da ausência de planejamentos de longo prazo. Só que, aponta Sennett (1999), os esquemas e planos de curto prazo no ambiente de trabalho limitam o amadurecimento da confiança entre os trabalhadores: "Laços sociais levam tempo para surgir, enraizando-se devagar nas fendas e brechas das instituições”. A lealdade, como elemento básico de laços sociais mais consistentes, deixa de ser atraente num contexto onde o que importa é a flexibilidade. Só há relacionamentos consistentes e laços fortes quando existe a disposição de estabelecer compromissos com os outros. Como o trabalhador pode evitar que a vida emocional sucumba ao comportamento a curto prazo, à fraqueza de lealdade e compromisso mútuo que caracterizam e marcam o moderno lugar de trabalho? Como o trabalhador deve lidar com a autonomia total que lhe é dada nas modernas equipes de trabalho onde ele se torna totalmente responsável e totalmente descartável? Para Dahrendorf (1992), o conflito social moderno consiste basicamente nesse dilema (crescimento econômico x pobreza) — as necessidades de inovação competem com as exigências da justiça. Há pessoas que dedicam seus esforços no combate à escassez, na criação de riquezas. Outros desenvolvem análogo labor à ampliação dos direitos civis. E o conflito ocorre porque essas duas tendências entram em confronto frequentemente. Para Dahrendorf (1992), temos: o partido dos provimentos que advoga a necessidade de crescimento econômico, com a produção de bens e serviços em quantidade, qualidade e diversidade. Foco nas questões econômicas. Todos podem ter mais. o partido das prerrogativas encara o progresso como uma batalha de grupos distintos por chances de participação. Para os adeptos dessa cosmovisão as questões principais são políticas, havendo a necessidade do estabelecimento de direitos e redistribuição de bens. Dahrendorf (1992, p.31), “os dois partidos podem ser encontrados em toda parte, e com frequência no interior de um mesmo grupo político”. De uma maneira geral, as pessoas pensam que devem tomar partido nesse conflito. Essa visão parte de um equivoco epistemológico de que existe uma única resposta válida para os problemas. Para Dahrendorf (1992) é necessário conviver com a tensão entre os opostos. Optar por um ou outro é cair em um paradoxo. Dahrendorf observou que houve transição do crescimento sem redistribuição à redistribuição sem crescimento. Um Engenheiro de Produção deve entender que o trabalho e a produção industrial se inserem num contexto social que tem como pano de fundo o contraste entre provimentos sem prerrogativas e prerrogativas sem provimentos. O bem-estar humano, entretanto, requer tanto prerrogativas quanto provimentos. Ambos devem avançar em conjunto. Moura (1998), por sua vez, sem necessariamente negar a validade das macro análises, parte de um pressuposto onde considera enganosa a tese da supremacia do estrutural sobre o vivencial, e por isso enfatiza tal contradição em uma perspectiva que põe em relevo a subjetividade do trabalhador: “Se observarmos atentamente o ser humano na situação de trabalho, veremos as reações e sentimentos profundamente contraditórios, que se alteram dependendo das possibilidades de satisfação de suas respectivas necessidades. A alienação e o medo convivem com o entusiasmo pelos desafios e o ressentimento pela rotina.” Trabalhador é um ser subjetivo que trata o trabalho com ambiguidade. A dimensão religiosa que envolve o trabalho em sociedades influenciadas pela cultura judaico-cristã contempla também tal ambiguidade: Ele é maldito e abençoado. É visto tanto como maldição divina, quanto atividade que permite uma realização ética e evidencia a bênção de Deus. De acordo com Weber (1987), a postura frente ao trabalho muitas vezes reflete a crença que o trabalhador possui acerca dos desígnios divinos. Se por um lado é verdade que há o trabalho-exploração, também se constata a existência do outro lado da moeda: o trabalho-prosperidade. Moura (1998) assinala que as teses de Marx sobre a alienação do trabalhador na produção industrial não podem ser generalizadas acriticamente, em função das situações em que o trabalho é um ato de criação e afirmação profunda do ser humano em si. O trabalho se constitui em uma constante ambiguidade na sociedade contemporânea. O trabalho em si tanto é fonte de realização pessoal, quanto instrumento de sofrimento. Offe (1989) chega a conceber a perda do valor de auto-realização do homem pelo trabalho, em função da diminuição (e eventual eliminação) do trabalho humano nas organizações industriais. CONCLUSÔES a) A flexibilidade do trabalho dentro das organizações pode causar ansiedade e afetar inclusive o valor ético que o trabalhador atribui a seus próprios desejos e às relações com as demais pessoas. b) Com o advento da flexibilidade, a análise dos valores duradouros no âmbito do trabalho fica circunstanciada pela obsessão com os resultados imediatos, pois dentro dessa perspectiva, o trabalhador pode perder a noção da previsibilidade de sua própria vida. c) Os esquemas e planos de curto prazo, no ambiente de trabalho marcado pela flexibilidade, podem limitar o amadurecimento da confiança entre os trabalhadores, relegando-se a um segundo plano aspectos éticos como a lealdade e a integridade pessoal. d) Os efeitos da flexibilidade, vistos do ponto de vista do conflito social — criação de riquezas versus ampliação dos direitos civis — apresentam uma forte carga de impacto emocional no trabalhador, o que consequentemente traz à tona a questão da ambiguidade. e) Os efeitos da flexibilidade, portanto, devem ser avaliados no contexto da ambiguidade, pois o trabalhador pode experimentar sentimentos profundamente contraditórios, que se alteram dependendo das possibilidades de satisfação de necessidades específicas, pois o trabalho em si, tanto pode ser fonte de realização pessoal, quanto instrumento de sofrimento.