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Carolina Maria de Jesus (1914–1977) foi uma das escritoras mais importantes do Brasil, conhecida por retratar a vida na favela com profundidade e autenticidade. Nascida em Sacramento (MG), filha de pais pobres e neta de ex-escravizados, estudou apenas até o segundo ano do ensino fundamental, mas aprendeu a ler e escrever — habilidade que se tornaria sua maior força. Na década de 1930 mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como empregada doméstica e catadora de papel para sustentar os filhos. Na favela do Canindé, começou a registrar em cadernos encontrados no lixo seu cotidiano marcado pela fome, miséria e exclusão social. Esses escritos deram origem ao livro “Quarto de Despejo: Diário de uma favelada” (1960), publicado graças ao jornalista Audálio Dantas. A obra foi um sucesso imediato, traduzida para mais de 10 idiomas, levando a realidade das favelas brasileiras ao mundo. Carolina ainda publicou outros livros, como Casa de Alvenaria (1961), mas enfrentou preconceito, racismo e dificuldades financeiras ao longo da vida. Mesmo com o sucesso inicial, voltou a viver em condições de pobreza. Faleceu em 1977, em Parelheiros (SP), deixando um legado literário e social poderoso. Hoje, Carolina é reconhecida como uma das vozes mais marcantes da literatura brasileira, símbolo da luta contra a desigualdade, o racismo e a invisibilidade das mulheres negras. image1.png image2.png