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UNIP 
Faculdade de Psicologia 
Análise Funcional do Comportamento 
Me. Augusto Amato Neto 
1 
 
COMPREENSÃO DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO ACERCA DOS TRANSTORNOS 
PSIQUIÁTRICOS 
→ Multideterminação do comportamento 
→ Com o avanço dos estudos da psiquiatria e das ciências do comportamento, hoje se sabe 
que tanto “transtornos psiquiátricos” como qualquer outro comportamento sofrem 
influência em três níveis: filogenético, ontogenético e cultural. 
→ Os “transtornos psiquiátricos” são resultantes do entrelaçamento de fatores genéticos, 
experiências diretas ou transmitidas pelo grupo social que o indivíduo integra. Assim são 
determinados por múltiplas “causas” e mantidos por contingências entrelaçadas. 
→ Se em muitos sentidos, os “transtornos psiquiátricos” não se distinguem de outros 
comportamentos. Pode-se distingui-los dos demais comportamentos pelo 
comprometimento que podem exercer sobre o indivíduo. 
Normalidade: um conceito definido por práticas culturais 
→ A classificação de padrões comportamentais como transtornos mentais é determinada 
por práticas culturais, que estabelecem os padrões socialmente aceitos ou não. 
→ Todavia, muitos dos que defendem a diferenciação entre “sadio” e “psicopatológico” ou 
“normal” e “anormal” sequer fazem uma reflexão da origem destas distinções. 
→ A primeira dessas práticas culturais, que classifica os indivíduos entre “sadios” e 
“acometidos por psicopatologias”, é resquício de um dualismo metafísico da Idade 
Média, pois busca atribuir como causa desses padrões comportamentais, chamados de 
psicopatológicos, falhas mentais. Esta classificação, além de se sustentar em um 
dualismo (mente-corpo), inconsistente com uma visão natural de homem vigente na 
biologia, ajuda pouco a respeito do que fazer com esses indivíduos, visto que seus 
seguidores ficam buscando em suas mentes a “causa” e a “cura” desses padrões 
comportamentais, quando deveriam buscar as “causas” nas histórias desses indivíduos 
e as “curas”, na maneira como esse indivíduo interage com seu ambiente. 
→ A segunda prática cultural, que classifica os indivíduos entre “normal” e “anormal” ou 
acometido por um “transtorno” será aqui chamada de modelo estatístico de 
normalidade e se trata de uma distorção do modelo de seleção natural de Darwin. Seu 
método para a definição de um “transtorno” é a comparação entre pessoas. Assim, 
considera a “normalidade” e o “transtorno” por critérios estatísticos de determinação 
(Abramson e Seligman, 1977). 
→ Dois problemas devem ser identificados neste critério de normalidade: uma 
intencionalidade da natureza e a divisão dos indivíduos em categorias de diferentes 
qualidades. 
→ Apesar destes problemas do modelo estatístico de classificação, ele é utilizado até a 
atualidade para dizer quem é “normal” e/ou “anormal” ou “transtornado”. Banaco, 
Zamignani e Meyer (2010) apontam os manuais diagnósticos, tais como a Classificação 
Internacional de Doenças – CID e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos 
Mentais – DSM, como expressões dessa visão. 
UNIP 
Faculdade de Psicologia 
Análise Funcional do Comportamento 
Me. Augusto Amato Neto 
2 
 
→ Por acreditar que os padrões de comportamento de um indivíduo decorrem do 
entrelaçamento dos processos de variação e seleção nos seus três níveis – filogenético, 
ontogenético e cultural – a análise do comportamento não compreende nenhuma 
forma de comportamento como “psicopatológico”, “desadaptativo” ou “anormal”. 
→ Se os comportamentos são selecionados por suas consequências, pode-se dizer que todo 
comportamento é normal, no sentido de que é selecionado. 
→ Na tentativa de encontrar uma forma diferente de lidar com esses fenômenos 
comportamentais, a análise do comportamento dá ênfase à análise de contingências 
(avaliação funcional), entendendo que alguns comportamentos merecem maior atenção 
do clínico ou do profissional de saúde não porque sejam “patológicos” ou “anormais”, 
mas porque violam expectativas sociais e, consequentemente, trazem maior sofrimento 
àqueles que os apresentam ou àqueles que com eles convivem. A análise do 
comportamento propõe que esses padrões comportamentais sejam analisados como 
déficits ou excessos comportamentais. 
→ Esses comportamentos seriam mantidos por contingências de reforçamento em um 
nível que justificaria sua manutenção, mas produzindo, ao mesmo tempo, punição, com 
manifestações emocionais intensas, gerando sofrimento para a pessoa que se comporta 
(Ferster, 1973). 
→ Desta forma, a análise do comportamento utiliza o critério do sofrimento para definir se 
um comportamento merece ou não uma atenção “especial”: é o sofrimento que a 
pessoa que se comporta/manifesta, ou os que estão ao seu redor estão submetidos, que 
justificaria o seu estudo e a busca do seu controle. 
→ Para Sidman (1989/2003), os chamados “transtornos psiquiátricos” são produtos de uma 
sociedade coercitiva, que puniria alguns tipos de comportamento que lhe são adversos. 
→ Algumas formas de adaptação à coerção seriam caracterizadas por respostas de fuga e 
esquiva que interferem no funcionamento cotidiano da pessoa, o que leva ao 
desajustamento social e à capacidade reduzida para engajamento construtivo, 
implicando em custos pessoais e sociais severos.

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