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Guia de apoio científico para o integrante 1
Neurodesenvolvimento e transtornos do neurodesenvolvimento
Material de apoio para apresentação, estudo e explicação das cartas do jogo.
Este guia foi feito para ajudar o grupo a explicar, de forma simples e ao mesmo tempo completa,
o tema do jogo: neurodesenvolvimento e transtornos do neurodesenvolvimento.
A ideia é que o texto sirva como base para apresentação, discussão em sala e resposta às perguntas
da professora.
O texto está organizado em três perguntas centrais: o que é, como ocorre e por que ocorre.
Depois disso, ele mostra as fases principais do neurodesenvolvimento e explica os transtornos
representados no jogo: TEA, TDAH e transtornos específicos de aprendizagem.
Em cada parte, há conexão direta com as cartas do jogo. Assim, quem ler este material consegue
entender por que existe uma carta sobre tubo neural, por que aparecem cartas sobre atenção
conjunta,
por que há cartas sobre leitura, funções executivas, rotina, intervenção precoce e apoio escolar.
1. Neurodesenvolvimento
1. O que é neurodesenvolvimento?
Neurodesenvolvimento é o processo de formação, organização e amadurecimento do sistema
nervoso.
Ele começa ainda na vida intrauterina e continua depois do nascimento, até a adolescência e a vida
adulta.
Não é um processo “pronto” ou totalmente automático: ele resulta da interação entre o programa
biológico
do organismo e as experiências vividas ao longo do tempo.
2. Como ocorre?
No início da gestação, o sistema nervoso se forma por etapas: fechamento do tubo neural, produção
de neurônios,
migração dessas células para o lugar correto, diferenciação das regiões cerebrais e formação das
primeiras conexões.
Depois do nascimento, o cérebro continua mudando: há sinaptogênese intensa, fortalecimento das
conexões usadas,
poda sináptica, mielinização e amadurecimento de redes relacionadas à linguagem, atenção,
memória, emoção e comportamento.
3. Por que ocorre?
O neurodesenvolvimento ocorre porque o cérebro humano é plástico: ele nasce com grande potencial
de organização,
mas precisa de tempo, maturação biológica e experiência para se tornar funcional. Genes orientam a
construção inicial,
enquanto ambiente, vínculos, linguagem, nutrição, sono, escola e intervenções ajudam a ajustar o que
o cérebro vai conservar,
fortalecer ou enfraquecer.
2. Fases do neurodesenvolvimento e relação com o jogo
4. As principais fases do neurodesenvolvimento
Embora existam diferentes formas de dividir o desenvolvimento humano, para o jogo foi adotada uma
sequência didática
de cinco fases: período pré-natal, primeira infância, fase pré-escolar, idade escolar e adolescência.
Essa divisão ajuda a mostrar que o cérebro não muda do mesmo jeito em todas as etapas da vida.
4.1 Período pré-natal
É a fase em que o sistema nervoso começa a ser montado. A formação do tubo neural, a produção e
migração de neurônios,
o início da organização cortical e a sensibilidade a fatores ambientais acontecem aqui. Por isso,
cartas dessa fase tratam
de nutrição materna, ácido fólico, infecções, estresse, tabagismo, álcool, medicações e
acompanhamento pré-natal.
4.2 Primeira infância
Dos 0 aos 3 anos, o cérebro cresce muito rápido e cria inúmeras conexões. Nessa etapa, aparecem
com força o vínculo com o cuidador,
a linguagem inicial, o reconhecimento de rostos, o brincar e a regulação emocional básica. É uma
fase muito sensível à estimulação,
ao cuidado responsivo e às rotinas. As cartas dessa etapa fazem sentido quando falam de
responsividade, atenção conjunta,
superestimulação, apego, rotina e intervenção precoce.
4.3 Fase pré-escolar
Entre 3 e 6 anos, a criança amplia a linguagem, melhora a socialização e começa a desenvolver
melhor o controle inibitório.
A brincadeira simbólica, a consciência fonológica, o uso de regras simples e o convívio com pares
ficam mais importantes.
Aqui, as cartas se ligam a linguagem, brincadeiras mediadas, rotina, autorregulação, sons da fala e
preparação para a alfabetização.
4.4 Idade escolar
Dos 6 aos 12 anos, a escola exige mais atenção sustentada, memória de trabalho, planejamento,
leitura, escrita e organização.
As diferenças entre crianças ficam mais visíveis porque a aprendizagem passa a ser comparada e
avaliada. É nessa fase que
o jogo aborda funções executivas, leitura, desempenho acadêmico, apoio pedagógico, relações com
colegas e também sinais mais claros
de TEA, TDAH e transtornos de aprendizagem.
4.5 Adolescência
Na adolescência, o córtex pré-frontal continua amadurecendo, enquanto o sistema emocional e de
recompensa já está muito ativo.
Isso ajuda a explicar a maior sensibilidade a grupos, emoção, impulsividade, identidade e autonomia.
As cartas dessa fase
se conectam a tomada de decisão, pressão social, organização, autoestima, relações sociais,
planejamento de futuro e apoio familiar.
3. Transtornos do neurodesenvolvimento representados no jogo
5. O que acontece nos transtornos do neurodesenvolvimento?
Os transtornos do neurodesenvolvimento não aparecem porque a criança “não quer aprender” ou
“não se esforça”.
Eles refletem diferenças no modo como o cérebro se forma e funciona, resultado de fatores genéticos,
neurobiológicos
e ambientais. No jogo, isso aparece nas cartas de TEA, TDAH e transtornos específicos de
aprendizagem.
3.1 Transtorno do Espectro Autista (TEA)
5.1 TEA: o que é?
O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado
principalmente por dificuldades
persistentes na comunicação social e na interação social, junto com comportamentos restritos e/ou
repetitivos.
O termo “espectro” existe porque as manifestações podem variar muito de pessoa para pessoa.
5.2 TEA: como ocorre?
Não existe uma única causa. A literatura mostra interação entre fatores genéticos e ambientais, com
alterações em vias
e redes neurais ligadas à proliferação, diferenciação e migração celular. Isso ajuda a explicar por que
algumas crianças
apresentam diferenças em atenção conjunta, contato visual, linguagem pragmática, flexibilidade
comportamental e processamento sensorial.
5.3 TEA: por que ocorre e quais consequências aparecem?
O TEA ocorre porque o desenvolvimento cerebral segue trajetórias diferentes, especialmente em
redes relacionadas à comunicação social
e integração de estímulos. Na prática, podem surgir dificuldades para iniciar e manter trocas sociais,
interpretar expressões e ironias,
lidar com mudanças de rotina e responder a estímulos sensoriais. Ao mesmo tempo, algumas
crianças e adolescentes mostram interesses intensos
e habilidades específicas em determinados temas.
3.2 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
5.4 TDAH: o que é?
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é caracterizado por desatenção, hiperatividade e
impulsividade em intensidade
e frequência maiores do que o esperado para a idade. Em muitos casos, os sintomas persistem da
infância para a adolescência,
afetando escola, rotina, relações e organização.
5.5 TDAH: como ocorre?
O TDAH é multifatorial. A literatura aponta forte influência genética, além de fatores ambientais como
prematuridade, exposição
a substâncias tóxicas no período pré-natal e contexto familiar adverso. Em termos cerebrais, as
diferenças costumam envolver
circuitos frontais e funções executivas, especialmente atenção, memória operacional, planejamento e
controle inibitório.
5.6 TDAH: por que ocorre e quais consequências aparecem?
O TDAH ocorre porque a rede cerebral responsável por regular atenção e comportamento não
amadurece ou não funciona da mesma forma em todos.
Isso não significa incapacidade intelectual. Significa que a criança pode saber o que deve fazer, mas
ter dificuldade para sustentar foco,
organizar tarefas, esperar a vez, controlar impulsos e manter rotina. Na escola, isso aparece como
distração, perda de materiais,
esquecimento de tarefas e dificuldade para concluir atividades.
3.3 Transtornos Específicos de Aprendizagem
5.7 Transtornos específicos de aprendizagem: o que são?
Os transtornosespecíficos de aprendizagem são dificuldades persistentes e bem delimitadas em
habilidades acadêmicas,
principalmente leitura, escrita e matemática. Eles não são explicados apenas por falta de ensino,
desinteresse ou baixa inteligência.
O problema está em processos cognitivos específicos que sustentam a aprendizagem.
5.8 Transtornos específicos de aprendizagem: como ocorrem?
Esses transtornos costumam envolver diferenças no processamento fonológico, na memória de
trabalho, na velocidade de nomeação,
na organização de informações e na automatização de habilidades. Na prática, a criança pode
confundir sons, ler devagar,
errar a escrita, ter dificuldade em lembrar instruções ou sofrer com matemática básica.
5.9 Transtornos específicos de aprendizagem: por que ocorrem e quais
consequências aparecem?
A literatura descreve interação entre vulnerabilidade biológica e ambiente. Em alguns casos, já
aparecem sinais cedo,
como atraso de linguagem, dificuldades de consciência fonológica e baixa resposta a estímulos de
leitura e escrita.
Depois, na escola, isso pode levar a frustração, evasão de atividades, vergonha de ler em voz alta e
queda da autoestima.
Intervenção pedagógica e apoio emocional podem mudar bastante essa trajetória.
4. Ligação com as cartas do jogo
As cartas do jogo foram pensadas para mostrar exatamente esses processos:
cartas biológicas tratam de etapas do desenvolvimento cerebral, como fechamento do tubo neural,
sinaptogênese,
mielinização, linguagem e funções executivas; cartas ambientais mostram o efeito de estresse, rotina,
estimulação,
vínculo, escola e fatores de risco; cartas de intervenção representam o que ajuda a modificar a
trajetória,
como intervenção precoce, terapia fonoaudiológica, apoio psicopedagógico, adaptação escolar e
organização de rotina.
Assim, quando alguém pegar uma carta, o texto do jogo conversa com a explicação científica deste
guia.
5. Mensagem central para a apresentação
O ponto principal do jogo é mostrar que o neurodesenvolvimento não é igual para todas as pessoas.
Existem etapas, possibilidades de risco, fatores de proteção e intervenções que podem ajudar
bastante.
Por isso, o jogo não quer dizer que um transtorno “define” a pessoa, mas sim que cada trajetória de
desenvolvimento
tem desafios e potencialidades próprias. Essa é a ideia que o grupo deve defender na apresentação.
Referências principais usadas na construção do texto
• Souza, J. M. et al. Desenvolvimento infantil: análise de um novo conceito. Revista Latino-Americana de Enfermagem,
2015.
• Crespi, L. et al. Neurodesenvolvimento na primeira infância: aspectos estruturais, funcionais e ambientais. 2020.
• Monteiro, M. et al. Transtorno do Espectro Autista: uma revisão. 2020.
• Rohde, L. A. et al. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Revista Brasileira de Psiquiatria, 2000.
• Ribeiro, S. R. O. O papel do movimento espontâneo no desempenho da memória operacional em crianças com
TDAH. UFMG, 2020.
• Lourenço, D. A. Transtorno do Espectro Autista: uma análise por biologia computacional... UFRGS, 2022.
• Paterlini, L. S. M. et al. Screening and diagnosis of learning disabilities/disorders. 2019.
• Universidade Federal de Santa Catarina. Dificuldades e transtornos de aprendizagem. Repositório UFSC.
• Kappel, D. Os caminhos do neurodesenvolvimento: abordagem multifacetada na identificação de perfis de
heterogeneidade clínica e genética no TDAH e Autismo. UFRGS, 2020.

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