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Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 1 Curso de Bacharel em Teologia Grego I A Grécia Antiga O território no qual era situada a Grécia Antiga era formado em cerca de 80% por regiões montanhosas. Terras férteis eram encontradas nos vales das cadeias de montanhas, o que favorecia o estabelecimento de grupamentos humanos. Além das montanhas, o mar também possuía considerável importância, pois praticamente de todo o território poderia se acessar o mar, possibilitando transporte marítimo para o exterior e entre as ilhas. Essas características davam o aspecto fragmentado ao território grego, o que pode ter con- tribuído também para a fragmentação da política helênica. Assim sendo, esse relevo provocou a divisão em regiões menores, que acabaram por consti- tuir unidades políticas independentes, chamadas de cidades-estado, como Atenas (Ática), Tebas (Beócia) e Esparta (Lacônia). A Grécia Antiga era portanto um conjunto de cidades independentes, muitas vezes com rivalidades entre elas, como entre Atenas e Esparta, e não um estado unificado. A história geral da Grécia Antiga pode ser dividida de forma diferente. Abaixo se encontra uma proposta bastante aceita. Proposta de periodização da língua grega 1. Período Micênico: cerca de 1650 a.C. a 1150 a.C. Começa com migração e assentamento de po- vos como os aqueus, fundadores da cidade de Micenas. Começa a edificação de palácios, templos e fortalezas, bem como a utilização da escrita. Surgem então os idiomas dórico, eólico e jônico-ático. 2. Período Homérico: cerca de 1150 a.C. a 800 a.C. Novos povos invadem a região, chamados de povos do mar (termo cunhado em 1881 pelo egiptólogo francês Gaston Maspero), que chegaram até o Egito. Esses povos destroem o mundo micênico. Há o desaparecimento do uso da escrita; trans- missão oral da cultura, formação de novas comunidades. Nesse período situam-se Homero (Ilíada e Odisseia, modalidade oral) e também Hesíodo (Teogonia; Os trabalhos e os dias). 3. Período Arcaico: cerca de 800 a.C. a 500 a.C. Ocorre a formação da pólis; colonização grega de outras regiões, com a fundação de cidades como Bizâncio, Marselha, Siracusa e Nápoles. Realiza- ção dos primeiros Jogos Olímpicos. Introdução do alfabeto fenício, adaptado pelos gregos. Ocorre também a difusão da escrita fora do círculo dos escribas. A volta da escrita põe fim a uma época chamada de Idade das Trevas (ausência da escrita). Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 2 4. Período Clássico: cerca de 500 a.C. a 323 a.C., morte de Alexandre, o Grande). Ocorre a conso- lidação da pólis (Cidade-Estado); guerras greco-pérsicas; apogeu de algumas cidades, como Atenas (que deu origem ao conceito de democracia) e Esparta (com governo oligárquico). Rivalidade e guerras entre cidades gregas. No século V, há o apogeu do dialeto ático: nesse dialeto estão os escri- tos de Sócrates, Platão e Aristóteles. 5. Período Helenístico (pós-clássico) Alexandrino: 323 a.C. a 31 a.C., com a conquista do Egito pelos romanos. Nesse período ocorrem: a) O começo da propagação e difusão do Helenismo como forma de cultura e expressão idi- omática; b) O idioma koiné (que englobava vários dialetos) começa a se tornar língua de civilização e comunicação entre os componentes da nova sociedade cosmopolita formada nos grandes centros urbanos, dentro e fora da Grécia propriamente dita; c) A Septuaginta (LXX), com início em cerca de 250 a.C., a mando de Ptolomeu Filadelfo; d) O deslumbramento e desenvolvimento das “ciências” (pensamento científico), emancipa- das da filosofia; e) O cenário literário marcado pelo artificialismo poético (poemas de erudição); a “ciência” no fazer poético, com uma preocupação estético/estilística com a literatura; f) A renovação da estética poética: lírica renovada na forma e conteúdo (poesia bucólica, elegíaca, epigramática, mimos e idílios – Calímaco, Teócrito, Herondas etc); epopeia com nova ins- piração (Apolônio de Rodes, Os argonautas) etc; g) A reformulação da arte retórica, com a reação aticista (contra a vulgarização do linguajar literário, face à crescente utilização e divulgação do idioma koiné, provocando a acentuação da di- glossia na história da língua); h) O surgimento da filologia, especialmente nos grandes centros de Alexandria, no Egito, e Pérgamo, na Mísia: trabalhos de crítica textual dos bibliotecários do Museu de Alexandria (edições críticas das epopeias homéricas divididas pela primeira vez em 24 cantos); i) A renovação das escolas filosóficas: advento do estoicismo, do epicurismo, do cinismo, do ceticismo e permanência da Academia platônica e do Liceu aristotélico, em contínuo desenvolvi- mento doutrinário; j) A renovação da historiografia, na forma e no conteúdo (importância crescente do poderio romano, que passa a fornecer os temas predominantes para os historiadores, mesmo helenísticos) – Políbio. 6. Período Helenístico (pós-clássico) Imperial-romano: 31 a.C. até 529 d.C., com o fechamento da Academia de Atenas pelo Imperador Justiniano. Nesse segundo período helenístico ocorrem: a) A concretização da propagação e difusão do helenismo como forma de cultura e expressão idiomática, através do Mediterrâneo e do Ocidente; b) A continuação do desenvolvimento da retórica (a chamada “2ª sofística); c) As origens e o desenvolvimento do romance (novo gênero literário) como decorrência na- tural do abandono dos anfiteatros e dos estádios atléticos da antiguidade clássica; d) A continuação das escolas filosóficas (mormente a Academia e o Liceu); e) O surgimento dos primeiros manuscritos do Novo Testamento; f) A criação e desenvolvimento da literatura cristã: em prosa (literatura bíblica, apologética, retórica) e em poesia, de conteúdo religioso e espiritual; Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 3 g) As obras biográficas de Plutarco, Obras morais e Vidas paralelas, sobre as grandes per- sonalidades da antiguidade clássica. 7. Período bizantino: cerca de 330 d.C. (início da queda do Império Romano) até 1453 d.C. (Que- da de Constantinopla – Bizâncio). Nesse período: a) Surge o Império Bizantino, ou Império Romano do Oriente; b) Ocorre a preservação da cultura e língua gregas muito mais em Bizâncio e Ásia Menor do que na Grécia. Assim, surge o grego bizantino, uma espécie de continuação do grego koiné; c) A maioria dos manuscritos do Novo Testamento foram copiados nesse período. 8. Período moderno: pós 1453 (início da chamada Idade Moderna, com a queda do Império Bizan- tino diante da expansão dos turcos otomanos). Nesse período ocorre o surgimento da Caterévussa (“língua purificada”, rejeitando o grego bizantino), uma língua grega “artificial” do século XIX, e o Grego Moderno Padrão, a partir do Grego Demótico (o qual seria o desenvolvimento natural do grego antigo). O Grego Moderno Pa- drão, ou simplesmente Grego Moderno, é a língua oficial da Grécia e de Chipre, usada atualmente por cerca de 17 milhões de falantes, especialmente nesses dois países. Exercício: Cite os períodos da língua grega e a época a cada um deles atribuída, destacando pelo menos um fato importante em cada um: .................................................................................................................................................... ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................ Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 4 O alfabeto grego: origens O alfabeto grego foi o ponto intermediário entre o alfabeto semítico (fenício) e o alfabeto la- tino. Os gregos foram os primeiros a fazer a notação integral das vogais. Esse alfabeto acabou se tornando o precursor de todos os alfabetos ocidentais modernos. O historiador Heródoto (VI século a.C.) chamava as letras gregas de phoinikéia grámmata (φoinikevia gravmmata), escrita fenícia. Segundo as lições da epigrafia, o século mais provável do empréstimo alfabético é o IX século a.C. Parece que Heródoto tinha certa compreensão[C&D1] de que o alfabeto de sua língua era estrangeiro. Em 403 a.C., Atenas adotou oficialmente o alfabeto jônico de Mileto e as demais cidades gregas o fizeram sucessivamente. No século IV a.C., praticamente já havia ocorrido a unificação al- fabética. O mesmo alfabeto grego clássico com suas 24 letras, das quais 7 representam vogais e as ou- tras 17 consoantes, é usado ainda hoje no grego moderno (a segunda letra, beta, passou a se chamar vita, representando também o som do vê). O tipo impresso se manteve inalterado, com mudanças somente na forma cursiva da escrita. A pronúncia correntemente adotada no meio acadêmico (com exceção da Itália) é a estabe- lecida por Erasmo de Roterdã (em 1528, época do Renascimento) e por isso conhecida como pro- núncia erasminiana ou etacismo (característica do eta com o som do -e longo). Essa pronúncia foi adotada para o grego clássico e para o grego do NT, sendo mais conhecida, especialmente para o Novo Testamento, como pronúncia erasmiana. No Novo Testamento, além do alfabeto de origem grega, é de fundamental importância a in- fluência do hebraico/aramaico, devido ao fato de, à exceção da obra lucana (Lucas-Atos), seus es- critores serem oriundos do ambiente semítico e ao fato de todo o texto, incluindo aqui a obra luca- na, ter sido produzido neste ambiente. Daí o grego neotestamentário ser chamado de grego koiné (grego comum), e dentro de diversos dialetos koinés existentes, o do Novo Testamento ser o koiné palestinense. A essa influência semítica no idioma se dá o nome de hebraísmo e aramaísmo; de forma mais ampla, incluindo-se a cultura, semitismo. Portanto, um bom conhecimento dessas línguas e da cultura semítica se faz extremamente necessário para o intérprete do Novo Testamento. Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 5 O alfabeto grego Maiúscula Minúscula Nome Pronúncia A a alfa /ă/, /ā/ (vogal ambivalente) B b beta /bê/ G g gama /guê/ (sempre oclusiva gutural (velar): gato; nunca constritiva fricativa palatal: geladeira) D d delta /dê/ E e épsilon /ĕ/ (breve) Z z dzeta /dz/ (consoante dupla) H h eta /ē/ (longo) Q q theta /th/ (aspirada; sinal h) I i iota /ĭ/, /ī/ (ambivalente) K k kapa /k/ (como em casa) L l lambda /l/ (lateral: sempre consoante, nunca som de /u/) M m my /m/ (nunca som de nasalização) N n ny /nê/ X x ksî /ks/ (dupla, como o –x de fixo) O o ômicron /ŏ/ (breve) P p pi /pê/ R r rhô /r/ (“rre”) S s, ς sigma /s/ (sibilante surda, como em sa- po) T t tau /tê/ U u hípsilon /ü/ (ambivalente: y = vogal; u = semivogal) F f, φ phî /f/, /ph/ (aspirada, sinal h) C c chî /kh/ (aspirada, sinal h), ou “rr” Y y psî /ps/ (dupla) W w ômega /ō/ (longo) Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 6 Exercício: Escreva o alfabeto grego minúsculo repetidas vezes, nos espaços destinados abaixo: 1ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 2ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 3ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 4ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 5ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 6ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 7ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 8ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 9ª letra: ...............; ...............; ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 10ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 11ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 12ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 13ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 14ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 15ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 16ª letra: ...............; ...............;..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 17ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 18ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 19ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 20ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 21ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 22ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 23ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. 24ª letra: ...............; ...............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; ..............; .............. Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 7 Vogais, ditongos, sílaba, aspiração e sinais de pontuação 1. Vogais: são em número de sete e classificam-se em: a) breves: e, o b) longas: h, w c) ambivalentes: a, i, u 2. Ditongos: são em número de doze, e dividem-se em próprios e impróprios: a) próprios (vogal breve + semivogal): ai, au, ei, eu, oi, ou. b) impróprios (vogal longa + iota): a/, h/, w/ (iota subscrito) ou Ai, Hi, Wi (iota adscrito). c) exceções: ui (ditongo próprio) e hu, wu (impróprios). Observações: a) Depois de uma vogal longa, a letra iota (i) não é pronunciada e é escrita embaixo dessa vogal, sendo chamada de iota subscrita. Como se vê acima, é considerado como ditongo. Caso essa vogal seja maiúscula, o iota é colocado ao lado (iota adscrita). b) Somente nos ditongos a letra u (hípsilon) é pronunciada como /u/; nos demais casos seu som é próximo ao som /i/ do português, como em yuchv (o –u do francês e o –ü do alemão). 3. Sílabas: na língua grega, uma palavra tem tantas sílabas quantas vogais ou ditongos ela possuir. As sílabas podem ser longas ou breves. a) Sílaba longa: formada por uma vogal longa ou ditongo. Exceções: –ai e –oi em final absoluto (não havendo letra após). b) Sílaba breve: formada por uma vogal breve. Exemplos: lev-gw (breve/longa); dou~~-loς (longa/breve). 4. Aspiração (ou espírito): algumas letras recebem um sinal chamado “espírito”, que indica aspira- ção.1 A aspiração pode ser: a) Branda ou fraca ( = ): não é pronunciada, portanto não é transliterada: a*gavph, a*nhvr. b) Áspera ou forte ( ‘ ): afeta a pronúncia, tornando-a aspirada (como o h– no inglês: house); é transliterada por h–: a&martiva, i@ppoς. 1 Entende-se por aspiração “um ruído devido à abertura da glote durante a oclusão bucal e que acompanha a pronúncia das oclusivas surdas em certas línguas: estando a glote aberta, mas tendendo a tomar a posição da voz e portanto a se es- treitar para a pronúncia da vogal seguinte, o ar escapa durante esse tempo atritando contra as pareces, o que produz um ruído de sopro, a aspiração. Nas línguas modernas a aspiração é representada por [h]” (DUBOIS, Jean et al. Dicionário de linguística. São Paulo: Cultrix, 2000. p. 73). Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 8 Colocação dos espíritos: a) Em grego, toda palavra iniciada por vogal receberá, sempre, espírito. Se o espírito for forte, a pronúncia se altera: o* — /ó/; o& — /ró/. b) Se a palavra começa por ditongo, os espíritos (como também os acentos) são colocados na semivogal: oi*kiva. c) No início de uma palavra, os espíritos (como também os acentos) são colocados sobre as vogais minúsculas; entretanto, se a vogal for maiúscula, são colocados imediatamente antes: a*nhvr (=Anhvr), i@ppoς ( @Ippoς). d) Toda palavra começada pela vogal u– recebe espírito forte: u@pnoς. e) A consoante r–, quando estiver em início de vocábulo, também recebe espírito forte: r&ovdon. Observações finais: a) A forma –ς do sigma é usada no final de uma palavra, e a forma s– no início ou no meio da pala- vra: swv/zw (salvar, libertar), didavskaloς (mestre), dou~~loς (servo, escravo). b) A letra g– (gama) antes de consoantes guturais (k, g, c, x) tem som de n– (ny, /n/): a!ggeloς (an- jo, mensageiro), a!gkura (âncora), sφivgxiς (abraço, apertão, esfinge), o!gcnh (pera, pereira). Sinais de pontuação: Português Grego . (ponto) . (ponto) , (vírgula) , (vírgula) : (dois pontos) e ; (ponto-e-vírgula) : (ponto alto) ? (ponto de interrogação) ; (ponto-e-vírgula) Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 9 Transliteração Transliterar é escrever as palavras ou expressões de uma língua no sistema de outra, ou seja, com a grafia e o som de outra língua. Copie em uma folha de papel almaço com pauta as palavras em grego e faça a transliteração correspondente: a) oi\koς (casa): .................................................. n) a&martavnw (pecar, eu peco): ............................... b) biblivon (livro, escrita, carta): ........................... o) dovxa (glória, opinião) ......................................... c) livqoς (pedra): ................................................ p) a!rtoς (pão): ..................................................... d) o#cloς (multidão): ........................................... q) basileiva (reino): ............... e) kardiva (coração): ........................................... r) doxavzw (glorificar, eu glorifico): .......................... f) qavnatoς (morte): ............................................ s) qerapeuvw (curar, eu curo): ................................. g) i&mavtion (roupa): ............................................ t) yuchv (alma, psiquê): ......................................... h) r&a/qumiva (preguiça): ....................................... u) φulavssw (guardar, eu guardo): .......................... i) φivloς (amigo): ................................................ v) ou*ranovς (céu): ................................................ j) a&martiva (pecado, erro, falha): .......................... x) gravφw (escrever, eu escrevo): ............................. k) savbbaton (sábado): ....................................... z) a*rchv (princípio, autoridade): ............................... l) e*kklhsiva (igreja): .......................................... y) swv/zw (salvar, eu salvo, liberto): .......................... m) r&ayw/dovς (trovador): ..................................... z) gennavw (eu gero, dou à luz): .............................. Introdução à acentuação grega Há três acentos em grego: agudo (´), perispômeno (~) e grave (`). Em grego, a primeira fun- ção do acento é marcar o tom; a segunda, a sílaba tônica. O acento agudo aparece tanto na sílaba longa quanto na breve. Quando estiver na última sí- laba, a palavra será oxítona; se estiver na penúltima, a palavra será paroxítona, e na antepenúltima, será proparoxítona. Exemplos: siwphv; paideiva: qavlassa. O acento perispômeno (algumas vezes chamado erroneamente de circunflexo) só pode apa- recer em sílaba longa. Também só aparece na última ou na penúltima sílaba. Exemplos: dou~loς; dw~~ron; mna~; sukh~. A palavra acentuada na última sílaba com acento perispômeno é chamada de perispômena, e a acentuada na penúltima sílaba é chamada de properispômena. Observação importante: toda proparoxítona e toda properispômena terá sempre a última sí- laba breve. Quando a sílaba final deixar de ser breve, ou seja, passar a longa, ambas (proparoxítona e properispômena)se tornarão paroxítonas. Exemplos: a!nqrwpoς a*nqrwvpw/; dw~ron dwvrw/. O acento grave só aparece no contexto da frase, substituindo outro acento. Nas oxítonas, quando estas forem seguidas de vocábulo acentuado. As palavras com acento grave são chamadas de barítonas. Exemplos: &H oi*kiva makraV kaiV a*gaqhv e*stin. Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 10 Nomes do Novo Testamento Copie os nomes bíblicos em grego e identifique o personagem ou o lugar em português: Nome em grego Copiar em grego Português ’Ihsou~ς Cristovς ’Iwshvφ Nazarevq Dauivd Kanav Nai?n ’Iwavnhhς Galilaiva ’Ioudaiva Barnaba~ς ’Israhvl Samavreia Gabrihvl Ma~rkoς Mariva Satana~ς Messivaς Sivmwn Solomwvn ’Abraavm Pevtroς ’Isaavk ’Andrevaς Louka~ς Pau~loς Timovteoς Pila~toς Barabba~ς Zacarivaς Diavboloς Adaptado de FOUND, James. Basic Greek in 30 Minutes a Day. Minnesota: Bethany House, 1983. p. 17 Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 11 Exercício de leitura João 6,1-14 1) MetaV tau~~ta a*ph~~lqen o& ’Ihsou~ς pevran th~ς qalavsshς th~ς Galilaivaς th~ς Tiberiavdoς. 2) h*kolouvqei deV au*tw~~/ o!cloς poluvς, o@ti e*qewvroun taV shmei~~a a$ e*poivei e*piV tw~~n a*sqenouvntwn. 3) a*nh~~lqen deV ei*ς toV o!roς ’Ihsou~~ς kaiV e*kei~~ e*kavqhto metaV tw~~n maqhtw~~n au*tou~~. 4) h\n deV e*gguVς toV pavsca, h& e&orthV tw~~n ’Ioudaivwn. 5) ’Epavraς ou\n touVς o*φqalmouVς o& ’Ihsou~~ς kaiV qeasavmenoς o@ti poluVς o!cloς e!rcetai proVς au*toVn levgei proVς Fivlippon: povqen a*goravswmen a!rtouς i@na φavgwsin ou%toi; 6) tou~~to deV e!legen peiravzwn au*tovn: au*toVς gaVr h!/dei tiv e!mellen poiei~~n. 7) a*pekrivqh au*tw/~~ (o&) Fivlippoς: diakosivwn dhnarivwn a!rtoi ou*k a*rkou~~sin au*toi~~ς i@na e@kastoς bracuv (ti) lavbh/. 8) levgei au*tw~~/ ei%ς e*k tw~~n maqhtw~~n au*tou~~, ’Andrevaς o& a*delφoVς Sivmwnoς Pevtrou: 9) e!stin paidavrion w%de o$ς e!cei pevnte a!rtouς kriqivnouς kaiV duvo o*yavria: a*llaV tau~~ta tiv e*stin ei*ς tosouvtouς; 10) ei\pen o& ’Ihsou~~ς: poihvsate touVς a*nqrwvpouς a*napesei~~n. h\n deV covrtoς poluVς e*n tw~~/ tovpw//. a*nevpesan ou\n oi& a!ndreς toVn a*riqmoVn w&ς pentakiscivlioi. 11) e!laben ou\n touVς a!rtouς o& ’Ihsou~~ς kaiV eu*caristhvsaς dievdwken toi~~ς a*nakeimevnoiς o&moivwς kaiV e*k tw~~n o*yarivwn o@son h!qelon. 12) w&" deV e*neplhvsqhsan, levgei toi~~ς maqhtai~~ς au*tou~: sunagavgete taV perisseuvsanta klavsmata, i@na mhv ti a*povlhtai. 13) sunhvgagon ou\n kaiV e*gevmisan dwvdeka koφivnouς klasmavtwn e*k tw~~n pevnte a!rtwn tw~~n kriqivnwn a$ e*perivsseusan toi~~ς bebrwkovsin. 14) Oi& ou\n a!nqrwpoi i*dovnteς o$ e*poivhsen shmei~~on e!legon o@ti ou%tovς e*stin a*lhqw~~ς o& proφhvthς o& e*rcovmeno" ei*ς toVn kovsmon. Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 12 As noções de declinação e caso 1. Declinação Declinação ou flexão é a propriedade que têm certas classes de palavras de sofrer alteração em sua terminação. Essas classes são: substantivo, artigo, adjetivo e pronome. Os grupos de palavras que são flexionados de maneira semelhante são agrupados em decli- nação, dividindo-se em 1ª, 2ª e 3ª. Essas palavras flexionam-se ou declinam-se em gênero (masculi- no, feminino e neutro), número (singular, plural e dual) e caso. 2. Caso Caso é a propriedade que indica a função sintática que o nome exerce na frase em relação às demais palavras. Ele se manifesta por meio de inflexões dos substantivos em terminações próprias de cada caso. São oito, agrupados em cinco formas: a) Nominativo: sujeito e predicativo do sujeito; b) Genitivo e ablativo: adjunto adnominal; c) Locativo, instrumental e dativo: objeto indireto, complemento nominal e adjunto adverbial; d) Acusativo: objeto direto e predicativo do objeto; e) Vocativo: vocativo (acompanhado por interjeição). Terminações dos substantivos masculinos da 2ª declinação: Caso Terminações do singular Terminações do plural Nominativo – oς –oi Genitivo/ablativo –ou –wn Locativo/instrumental/dativo –w/ –oiς Acusativo –on –ouς Vocativo –e –oi Terminações dos substantivos neutros da 2ª declinação: Caso Terminações do singular Terminações do plural Nominativo – on –a Genitivo/ablativo –ou –wn Locativo/instrumental/dativo –w/ –oiς Acusativo –on –a Vocativo –on –a Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 13 Flexão do artigo: 1. Artigo masculino: Caso Masculino singular Masculino Plural Nominativo o& oi& Genitivo/ablativo tou~ tw~n Locativo/instrumental/dativo tw~/ toi~ς Acusativo tovn touvς 2. Artigo feminino: Caso Feminino singular Feminino Plural Nominativo h& ai& Genitivo/ablativo th~ς tw~n Locativo/instrumental/dativo th/~ tai~ς Acusativo thvn tavς 3. Artigo neutro: Caso Neutro singular Neutro Plural Nominativo tov tav Genitivo/ablativo tou~ tw~n Locativo/instrumental/dativo tw~/ toi~ς Acusativo tov tav Flexão de lovgoς (palavra; razão), substantivo masculino da 2ª declinação: Caso Terminações do singular Terminações do plural Nominativo o& lovgoς = a palavra oi& lovgoi = as palavras Genitivo/ablativo tou~ lovgou = da palavra tw~n lovgwn = das palavras Locativo/instrumental/dativo tw~/ lovgw/ = na, com, para a palavra toi~ς lovgoiς = com as palavras Acusativo toVn lovgon = a palavra touVς lovgouς = as palavras Vocativo lovge = palavra! lovgoi = palavras! Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 14 Flexão de e!rgon (trabalho; obra), substantivo neutro da 2ª declinação: Caso Terminações do singular Terminações do plural Nominativo toV e!rgon = o trabalho taV e!rga = os trabalhos Genitivo/ablativo tou~ e!rgou = do trabalho tw~n e!rgwn = dos trabalhos Locativo/instrumental/dativo tw~/ e!rgw/ = com o trabalho toi~ς e!rgoiς = com os trabalhos Acusativo toV e!rgon = o trabalho taV e!rga = os trabalhos Vocativo e!rgon = trabalho! e!rga = trabalhos! Exercício: Declinação de artigos e substantivos masculinos e neutros: 1) a!nqrwpoς, o& Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc 3) qavnatoς, o& Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc 5) dou~~loς, o& Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc 7) o&dovς, h& Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc 2) savbbaton, tov Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc 4) ei!dwlon, tov Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc 6) dw~~ron, tov Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc 8) i&mavtion, tov Caso Singular Plural Nom Gen Dat Ac Voc Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 15 Verbos: noções do verbo grego (SOARES, Dionísio Oliveira. O sistema verbal grego e seu uso na exegese. 2000. 92 f. Monografia (Ba- charelado em Teologia)-STBSB, Rio de Janeiro, p. 6-9) I. Morfologia do verbo grego O verbo é definido na maioria das gramáticas como sendo o vocábulo que indica estado ou ação em relação a um sujeito. Para o pioneiro da linguística no Brasil, “o verbo é em português o vocábulo flexional, por excelência, dada a complexidade e a multiplicidade das suas funções”.2 Semanticamente, pode-se dizer que é verbo toda palavra que exprime um fato na perspectiva do tempo, expressando ação, fenômeno e estado. Nessa perspectiva, ele revela um processo. Sintati- camente, o verbo é o núcleo de uma oração; a frase verbal é constituída de orações. Quando não há verbo, ocorre a frase nominal. O estudo da morfologia verbal refere-se à constituição estrutural do verbo. A partir dessa es- trutura, podem ser depreendidas as noções (ideias) expressas por ele. 1.1 Noções de Modo, Tempo, Aspecto e Voz O verbo possui o que os gramáticos e linguistas chamam de categorias, termo da gramática filosófico-tradicionalque exprime as diferentes maneiras pelas quais se pode atribuir propriedades às coisas, e, por extensão, a um vocábulo. As categorias do verbo dizem respeito ao modo, tempo, aspecto, número, pessoa e voz.3 As categorias de número e pessoa não trazem, em si mesmas, difi- culdades. O modo é a categoria que expressa a atitude do falante com respeito à ação do verbo e seu agente ou fim. O falante pode considerar a ação como algo feito, verossímil, incerto, condicionado, desejado pelo agente, e assim por diante.4 Dessa forma, surge o modo indicativo (em que se indica ou se assegura algo), o subjuntivo (em que o processo é possível), o imperativo (exprime ordem ou súplica), e o optativo (geralmente exprimindo desejo). Há, ainda, as formas nominais: infinitivo, particípio e gerúndio. A língua grega não possui o gerúndio, mas possui o adjetivo verbal como forma nominal. Assim, existem quatro modos princi- pais (indicativo, subjuntivo, optativo e imperativo) e três secundários (infinitivo, particípio e o adje- tivo verbal). O tempo expressa a atitude do falante em relação ao momento em que se dá o fato expresso pelo verbo. Na língua grega, há sete tempos verbais, quatro principais (primários) e três secundários (ou históricos). Os primários são o presente, o futuro, o perfeito e o futuro perfeito (ou futuro ante- rior), e os secundários são o imperfeito, o aoristo e o mais que perfeito. Alguns verbos têm uma se- gunda forma no futuro, no aoristo, no perfeito e no mais que perfeito, chamada de forma segunda. Relacionado ao tempo verbal está a ideia de aspecto verbal. Ele indica a fase de início, de- senvolvimento (ou duração) e término da ação expressa pelo verbo. O instante em que se dá o pro- cesso é chamado de pontual (ou pontilear); na ação em desenvolvimento, o aspecto é chamado de durativo (também cursivo ou linear); quando exprime uma repetição, o aspecto é iterativo (frequen- tativo); quando o processo está concluso, mas é permanente em seus efeitos, é chamado de perman- 2 CAMARA, Mattoso. Estrutura da língua portuguesa, p. 94. 3 LYONS, John. Introdução à linguística teórica, p. 286-8. 4 BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa, p. 213. Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 16 sivo (ou extensivo); quando o foco é a ação em seu início, o aspecto é ingressivo (ou incoativo), e quando é em seu final o aspecto é efetivo. Vale ressaltar que a nomenclatura sobre aspecto verbal varia muito entre os estudiosos. O aspecto pode ser indicado por uma locução verbal (como em tenho falado), por um tempo verbal (o imperfeito é durativo, o perfeito é conclusivo, o aoristo é pontual), por sufixos (no portu- guês, -it exprime aspecto frequentativo, como em saltitar; -ec indica início da ação, como em ama- nhecer; em grego, o início da ação pode ser indicado pelo sufixo -sk, como em geravskw – eu enve- lheço), ou pela significação do radical (chegar é conclusivo, partir é incoativo, e cair é pontual). A voz indica a relação do falante com a execução da ação do verbo. Se ele é o agente, a voz é chamada de ativa; se recebe a ação, a voz é passiva; se pratica e recebe, a voz é reflexiva. No gre- go, a voz reflexiva é chamada de voz média quando o agente participa da ação ou tem interesse nela (voz média de interesse). 1.2 Elementos Formadores do Verbo O verbo grego possui os seguintes elementos: a raiz, que é o elemento originário (normal- mente provindo do indo-europeu), o tema geral, o tema temporal e as desinências pessoais. 1.2.1 Elementos básicos: os elementos básicos são a raiz e o tema geral (ou radical), o qual contém o sentido fundamental; sobre eles são acrescentados elementos que trarão novos significados ao sentido básico. 1.2.2 Sufixos e prefixos: os sufixos e prefixos fazem parte do tema temporal (desinências tempo- rais), o qual indica o tempo e o aspecto, sendo formado pelo tema geral acrescido dos sufixos tem- porais. Os prefixos são chamados de aumento (no imperfeito e mais que perfeito) e de redobro (no perfeito e mais que perfeito). Os sufixos são: a vogal temática -o / -e para o presente, em todos os modos, e para o imper- feito do indicativo; -so / -se para os futuros ativos e médios de todos os modos; -ka para os perfei- tos ativos em todos os modos; -kei para o mais que perfeito ativo do indicativo; -sa para os aoris- tos ativos e médios de todos os modos; e -qh para os aoristos passivos de todos os modos. O aumento é característico dos tempos históricos do indicativo (imperfeito, aoristo e mais que perfeito), dando a ideia de passado; ele se origina numa antiga forma adverbial; trata-se, nor- malmente, da colocação da vogal épsilon na frente do radical. Classifica-se em aumento silábico (nos verbos cujo radical começa com consoante) e temporal (alonga a vogal dos radicais começados por vogal). No entanto, no grego do Novo Testamento, o aumento geralmente não aparece no mais que perfeito. Já o redobro é o prefixo dos tempos de ação acabada (perfeito de todos os modos e mais que perfeito do indicativo). Trata-se da repetição da consoante inicial do radical, seguida do épsilon. As desinências pessoais dividem-se em primárias e secundárias. As primárias são usadas nos tempos primários do indicativo, isto é, presente, futuro e perfeito; as secundárias são usadas nos tempos secundários ou históricos, aqueles que exprimem a ação verbal no passado, ou seja, o preté- rito imperfeito, o aoristo e o pretérito mais que perfeito do indicativo. As vozes verbais (ativa, mé- dia e passiva) possuem desinências distintas, sendo que, na maioria das vezes, a desinência da voz média é idêntica à da passiva. As desinências pessoais são: Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 17 Ativas Médio-passivas Primárias Secundárias Primárias Secundárias Singular (-mi) -m > n -mai -mhn -si > i - -sai -so -ti > it -t -tai -to Plural -men -men -meqa -meqa -te -te -sqe -sqe -nti > si -nt, san -ntai -nto Dual -ton -thn -sqon -sqhn O dual só possui a segunda e a terceira pessoa e as desinências são iguais para ambas. Na época em que o Novo Testamento adquire a sua forma, o dual já havia caído em desuso. O Presente do Indicativo Conforme assinalado acima, o verbo é a palavra que exprime ação ou situação. Ele possui as categorias de modo, tempo, voz e aspecto, bem como pessoa e número. Em grego, o verbo “inclui” em si mesmo o pronome pessoal (chamada língua de sujeito pleno). Quando o pronome é explicita- do, sua finalidade é dar ênfase ao sujeito. Em relação ao modo, além do indicativo, subjuntivo e imperativo, presentes no português, em grego há também o modo optativo, o qual expressa um desejo ou mera possibilidade, de forma que esse desejo ou probabilidade tem menos chance de realidade do que o expresso pelo modo sub- juntivo. Em relação à voz, além da voz ativa (quando o sujeito executa a ação do verbo) e da passiva (quando o sujeito sofre a ação expressa pelo verbo, ação essa executada por outro agente), presentes no português, em grego há ainda a voz média, que pode ser a voz reflexiva do português (o sujeito sofre o efeito da ação praticada por ele mesmo), mas também pode expressar em grego ação que o sujeito efetua em seu próprio interesse (voz média de interesse) ou a partir de si mesmo (por sua própria iniciativa ou confiado em suas forças). O presente do indicativo expressa uma ação contínua ou num estado incompleto. Essa ação é chamada de durativa ou linear. Literalmente, o presente do indicativo grego, como possui aspecto durativo, deve ser tradu- zido pelo gerúndio do Português. Normalmente, numa tradução literária, aceita-se a tradução pelo presente do indicativo, desde que não fira o sentido global no texto grego em questão. O verbo em grego está mais relacionado ao tipo de ação desencadeada, e não tanto ao mo- mento de sua realização, como ocorre no Português. Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 18 Quadro das desinências pessoaisprimárias, ativas e médio-passivas: Ativas Médio-passivas Singular Plural Singular Plural 1ª pessoa (-mi) –w -men -mai -meqa 2ª pessoa -iς -te (-sai) -h/ -sqe 3ª pessoa (-it) –i (-nti) –si -tai -ntai Exemplo: verbo blevpw: Voz ativa Voz média Voz passiva blevpw = eu vejo (estou vendo) blevpomai = eu me vejo blevpomai = eu sou visto blevpeiς = tu vês (estás vendo) blevph/ = tu te vês blevph/ = tu és visto blevpei = ele (a) vê (está vendo) blevpetai = ele (a) se vê blevpetai = ele (a) é visto blevpomen = nós vemos (estamos vendo) blepovmeqa = nós nos vemos blepovmeqa = nós somos vistos blevpete = vós vedes (estais vendo) blevpesqe = vós vos vedes blevpesqe = vós sois vistos blevpousi = eles veem (estão vendo) blevpontai = eles se veem blevpontai = eles (as) são vistos Infinitivo pres. at.: blevpein = ver, estar vendo Infinitivo presente mé- dio: blevpesqai = ver para si ou ver-se Infinitivo presente passivo: blevpesqai = ser visto O presente do indicativo ativo do verbo ei*miv: ei*miv = eu sou (ou estou) ei^ = tu és (ou estás) e*stiv (n) = ele (a) é (ou está) e*smevn = nós somos (ou estamos) e*stev = vós sois (ou estais) ei*siv (n) = eles (as) são (ou estão) ei^nai (infinitivo) = ser (ou estar) Exercício: conjugue os verbos como se pede: a) pevmpw no presente do indicativo ativo b) a*kouvw, presente, indicativo passivo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 19 c) sw/vzw no presente do indicativo passivo d) a!gw no presente do indicativo ativo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... e) a*poqnh/vskw no presente do indicativo médio f) levgw, presente, indicativo passivo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... g) ei*miv no presente do indicativo ativo h) didavskw, presente, indicativo passivo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... i) ginwvskw no presente do indicativo médio j) gravφw, presente, indicativo passivo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... k) louvw no presente do indicativo ativo l) caivrw, presente, indicativo passivo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 20 Vocabulário geral de Grego I Substantivos Escrever em grego Tradução 1. a!rtoς 2. a!ggeloς 3. a*povstoloς 4. a!nqrwpoς 5. a*delφovς 6. dou~~loς 7. e!rhmoς, h& 8. qavnatoς 9. qrovnoς 10. qeovς 11. ’Ihsou~ς (nominativo) 12. ’Ihsou~ (G/A, LID e Voc.) 13. ’Ihsou~n (Ac.) 14. kovsmoς 15. kuvrioς 16. kairovς 17. livqoς 18. lovgoς 19. novmoς 20. o*φqalmovς 21. o!cloς 22. o&dovς, h& 23. oi\koς 24. ou*ranovς 25. tovpoς 26. ui&ovς 27. φivloς 28. crovnoς 29. biblivon 30. dw~~ron 31. e!rgon 32. i&erovn 33. i&mavtion 34. paidivon 35. provswpon 36. savbbaton 37. tevknon Verbos Escrever em grego Tradução 1. a!gw 2. a*kouvw 3. a&martavnw 4. a*postevllw Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 21 5. a*poqnh/vskw 6. blevpw 7. bavllw 8. ginwvskw 9. gravφw 10. didavskw 11. doxavzw 12. ei*miv 13. eu&rivskw 14. e!cw 15. e*geivrw 16. qevlw 17. e*sqivw 18. qerapeuvw 19. krivnw 20. khruvssw 21. lambavnw 22. luvw 23. louvw 24. levgw 25. lalevw 26. pevmpw 27. pisteuvw 28. sw/vzw 29. φulavssw 30. caivrw Artigos Escrever em grego Tradução 1. o&, h&, oi&, ai& (masc. e fem.) 2. tov, tav (neutro) Advérbios Escrever em grego Tradução 1. kaiv 2. mhv 3. ou* – ou*k, ou*c, ou! 4. ou* mhv Conjunções Escrever em grego Tradução 1. e@wς (com genitivo) 2. h! 3. i@na 4. kaiv 5. mhv 6. ou\n 7. o@tan 8. o@ti Preposições Escrever em grego Tradução Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 22 1. ei*ς + acusativo 2. e*n + dativo (loc.) 3. e*k /e*x + genitivo (abl.) 4. u&pov + genitivo (abl.) Pronomes pessoais Escrever em grego Tradução 1. e*gwv 2. suv 3. au*tovς, au*thv, au*tov 4. h&mei~~ς 5. u&mei~~ς 6. au*toiv, au*taiv, au*tav Pronome demonstrativo Escrever em grego Tradução ou%toς, au@th, tou~to Pronome reflexivo Escrever em grego Tradução e&autou~, -h~ς, -ou~ Pres. Ind. ei*miv Escrever em grego Tradução 1. ei*miv 2. ei\ 3. e*stiv (n) 4. e*smevn 5. e*stev 6. ei*siv (n) 7. Infinitivo pres. at. ei\nai Pres. Subj. ei*miv Escrever em grego Tradução 1. w\ 2. h\/ς 3. h\/ 4. w\men 5. h\te 6. w\si (n) Exercícios de tradução: faça a tradução para o português das sentenças abaixo: 1. Pevtroς levgei tw~/ ’Ihsou~. .................................................................................................................................................... 2. ou*k ei*miV e*gwV o& Cristovς. .................................................................................................................................................... Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 23 3. qevlete a*kouvein; .................................................................................................................................................... 4. oi& dou~loi pevmpontai ei*ς toVn oi\kon. ....................................................................................................................................................5. o& lovgoς khruvssetai e*n tw~/ i&erw~/. .................................................................................................................................................... 6. qevlomen toVn lovgon tw~n a*postovlwn. .................................................................................................................................................... 7. gravφetai e*n tw~~/ novmw/. .................................................................................................................................................... 8. Pevtroς khruvssei toVn lovgon kaiV pisteuvomen e*p’ au*tovn. (e*p’ au*tovn = nela) .................................................................................................................................................... 9. ‘Hrwv/dhς luvei toV paidivon. .................................................................................................................................................... 10. toV tevknon a!getai u&poV tou~ a*nqrwvpou . .................................................................................................................................................... 11. e*n tw~/ oi!kw/ doxavzetai o& kuvrioς. .................................................................................................................................................... 12. u&mei~~ς ou*k a*kouvete, o@ti e*k tou~~ qeou~ ou*k e*stev. .................................................................................................................................................... 13. SuV ei^ o& ui&oVς tou~ qeou~; ‘Umei~ς levgete o@ti e*gwv ei*mi. .................................................................................................................................................... 14. e*gwv ei*mi h& o&doVς kaiV o& lovgoς kaiV o& kuvrioς: .................................................................................................................................................... 15. toi~ς o*φqalmoi~ς blevpomen toVn a!ggelon tou~ kurivou. .................................................................................................................................................... Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 24 Exercício de leitura e tradução Mateus 1,1-17 1. Bivbloς genevsewς ’Ihsou~~ Cristou~~ ui&ou~~ DauiVd ui&ou~~ ’Abraavm. 2. ’AbraaVm e*gevnnhsen toVn ’Isaavk, ’IsaaVk deV e*gevnnhsen toVn ’Iakwvb, ’IakwVb deV e*gevnnhsen toVn ’Iouvdan kaiV touVς a*delφouVς au*tou~~, 3. ’Iouvdaς deV e*gevnnhsen toVn Favreς kaiV toVn Zavra e*k th~~ς Qamavr, Favreς deV e*gevnnhsen toVn ‘Esr- wvm, ‘EsrwVm deV e*gevnnhsen toVn ’Aravm, 4. ’AraVm deV e*gevnnhsen toVn ’Aminadavb, ’AminadaVb deV e*gevnnhsen toVn Naasswvn, NaasswVn deV e*gevnnhsen toVn Salmwvn, 5. SalmwVn deV e*gevnnhsen toVn Boveς e*k th~~ς ‘Racavb, Boveς deV e*gevnnhsen toVn ’IwbhVd e*k th~~ς ‘Rouvq, ’IwbhVd deV e*gevnnhsen toVn ’Iessaiv, 6. ’IessaiV deV e*gevnnhsen toVn DauiVd toVn basileva. DauiVd deV e*gevnnhsen toVn Solomw~~na e*k th~~ς tou~~ Ou*rivou, 7. SolomwVn deV e*gevnnhsen toVn ‘Roboavm, ‘RoboaVm deV e*gevnnhsen toVn ’Abiav, ’AbiaV deV e*gevnnhsen toVn ’Asavφ, 8. ’AsaVφ deV e*gevnnhsen toVn ’Iwsaφavt, ’IwsaφaVt deV e*gevnnhsen toVn ’Iwravm, ’IwraVn deV e*gevnnhsen toVn ’Ozivan, 9. ’Ozivaς deV e*gevnnhsen toVn ’Iwaqavm, ’IwaqaVm deV e*gevnnhsen toVn ’Acavz, ’AcaVz deV e*gevnnhsen toVn ’Ezekivan, 10. ’Ezekivaς deV e*gevnnhsen toVn Manassh~~, Manassh~~ς deV e*gevnnhsen toVn ’Amwvς, ’AmwVς deV e*gevnnhsen toVn ’Iwsivan, 11. ’Iwsivaς deV e*gevnnhsen toVn ’Ieconivan kaiV tou~~ς a*delφouVς au*tou~~ e*piV th~~ς metoikesivaς babulw~~noς. 12. MetaV deV thVn metoikesivan babulw~~noς ’Ieconivaς deV e*gevnnhsen toVn Salaqihvl, SalaqihVl deV e*gevnnhsen toVn Zorobabevl, 13. ZotobabeVl deV e*gevnnhsen toVn ’Abiouvd, ’AbiouVd deV e*gevnnhsen toVn ’Eliakivm, ’EliakiVm deV e*gevnnhsen toVn ’Azwvr, 14. ’AzwVr deV e*gevnnhsen toVn Sadwvk, SadwVk deV e*gevnnhsen toVn ’Acivm, ’AciVm deV e*gevnnhsen toVn ’Eliouvd, 15. ’EliouVd deV e*gevnnhsen toVn ’Eleavzar, ’Eleavzar deV e*gevnnhsen toVn Matqavn, MatqaVn deV e*gevnnhsen toVn ’Iakwvb, 16. ’IakwVb deV e*gevnnhsen toVn ’IwshVφ toVn a!ndra Marivaς, e*x h%ς e*gennhvqh ’Ihsou~~ς o& lelovmenoς cristovς. 17. Pa~~sai ou\n ai& geneaiV a*poV ’AbraaVm e@wς DauiVd geneaiV dekatevssareς, kaiV a*poV DauiVd e@wς th~~ς metoikesivaς Babulw~~noς geneaiV dekatevssareς, kaiV a*poV th~~ς metoikesivaς Babulw~~noς e@wς tou~~ Cris- tou~~ geneaiV dekatevssareς. Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 25 Exercícios de revisão 1ª Questão: faça a tradução para o português das sentenças: a) o& a!ggeloς gravφei toi~~ς douvloiς. .................................................................................................................................................... b) a*kouvomen toVn lovgon tou~~ kurivou. .................................................................................................................................................... c) o& =Ihsou~~ς e*stin o& ui&oVς tou~~ kurivou. .................................................................................................................................................... d) pisteuvousin ei*ς toVn ’Ihsou~n kaiV sw/vzontai doxavzein toVn qeovn. .................................................................................................................................................... e) qevlomen toVn lovgon tou~~ kurivou. .................................................................................................................................................... f) blevpomen taV e!rga tou~ kurivou kaiV doxavzomen toVn qeovn. .................................................................................................................................................... g) toi~ς biblivoiς ginwvskomen o@ti au*toVς e*stin h& o&doVς kaiv h&mei~ς krinovmeqa. .................................................................................................................................................... h) a*postevllei toVn ui&oVn au*tou~ o& kuvrioς tw~n ou*ranw~n ei*ς toVn kovsmon. .................................................................................................................................................... i) o& kuvrioς levgei kaiV oi& a!nqrwpoi a*kouvousin. .................................................................................................................................................... j) blevpw touVς douvlouς e*n tw~/ i&erw/~. .................................................................................................................................................... k) o& kuvrioς e!cei taV dw~~ra toi~ς douvloiς. .................................................................................................................................................... l) blevpetai o& dou~loς e*n tw~/ oi!kw/. .................................................................................................................................................... Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 26 m) a*kouvomai u&pov tw~n douvlwn e*n tw~/ i&erw/~. .................................................................................................................................................... n) e*n tw~/ kovsmw/ e*stiv kaiV o& kovsmoς ou* ginwvskei au*tovn. . .................................................................................................................................................... o) pevmpontai ei*ς toV i&eroVn taV paidiva. .................................................................................................................................................... p) o& a!ggeloς tou~ kurivou..................................................................................................................................................... q) e*gwV ou* ginwvskw o@ti suV ei^ h& o&doVς tou~ qeou~; .................................................................................................................................................... r) toi~ς a&postovloiς toVn lovgon tou~ kurivou ginwvskomen. .................................................................................................................................................... s) o& kuvrioς levgei kaiV oi& a!nqrwpoi a*kouvousin. .................................................................................................................................................... t) o& qeoVς swv/zei touVς douvlouς e*n tw/~~ kovsmw/. .................................................................................................................................................... u) toV paidivon ginwvskei toVn a*delφovn. .................................................................................................................................................... v) o& lovgoς tw~n a*postovlwn a*kouvetai u&poV tw~n a*nqrwvpwn. .................................................................................................................................................... w) lavlei au*toi~ς toVn lovgon. .................................................................................................................................................... x) baptivzontai u&p’au*tou~. .................................................................................................................................................... y) o& lovgoς gravφetai toi~ς a*nqrwvpoiς. .................................................................................................................................................... z) o& a*delφoVς tou~ kurivou~. .................................................................................................................................................... Prof. Dr. Dionísio Oliveira Soares 27 2ª Questão: conjugue os verbos como se pede: a) qevlw no presente do indicativo ativo b) e!cw no presente do indicativo médio ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... c) luvw no presente do indicativo passivo d) caivrw no presente do indicativo ativo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... e) louvw no presente do indicativo médio f) e*geivrw, presente, indicativo passivo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... g) levgw no presente do indicativo passivo h) gravφw, presente do indicativo ativo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... i) pisteuvw no presente do indicativo ativo j) bavllw, presente, indicativo passivo ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ...................................