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JOURNAL OF EDUCATION, SCIENCE AND HEALTH – JESH 
Revista de Educação, Ciência e Saúde 
DOI: https://www.doi.org/10.52832.jesh.v2i2.123 
Home page: www.jeshjournal.com.br 
e-ISSN: 2763-6119 
 
 
Journal of Education, Science and Heatlth 2 (2), 01-10, abr./jun., 2022| www.jeshjournal.com.br 
CONHECIMENTOS ENTOMOLÓGICOS DE ESTUDANTES NO ENSINO MÉDIO DE UMA 
ESCOLA PÚBLICA DE CÁCERES, MATO GROSSO, BRASIL 
 
ENTOMOLOGY KNOWLEDGE OF HIGH SCHOOL STUDENTS FROM A PUBLIC SCHOOL IN CÁCERES, MATO 
GROSSO, BRAZIL 
 
CONOCIMIENTO ENTOMOLÓGICO DE ESTUDIANTES EN EL SECUNDARIA DE UNA ESCOLA PÚBLICA DE 
CÁCERES, MATO GROSSO, BRASIL 
 
Milaine Fernandes dos Santos1 
 
1Doutora em Entomologia – Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professora vinculada à Secretaria de Educação do Estado de 
Mato Grosso (SEDUC), Cáceres, Mato Grosso, Brasil. 
 
*Autor correspondente: milaine.fernandes@gmail.com 
 
Recebido: 16/04/2022| Aprovado: 25/05/2022 | Publicado: 10/06/2022 
 
 
Resumo: O estudo dos insetos é fundamental para a formação de estudantes, no entanto, rotineiramente esse 
conhecimento é repassado superficialmente no ambiente escolar. Esta pesquisa teve por objetivo analisar a percepção de 
estudantes da 3ª série do Ensino Médio sobre os insetos em Cáceres, Mato Grosso, Brasil. O estudo foi realizado com 20 
estudantes concluintes do Ensino Médio da Escola Estadual Cívico-Militar Senador Mario Motta. Foi aplicado um 
questionário semiestruturado com cinco perguntas. Todos os estudantes disseram que conhecem um inseto e, 
responderam corretamente a opção que apresentava somente exemplos desses artrópodes. No entanto, metade dos 
entrevistados (50%) não conhece com exatidão a quantidade de pernas desses animais. 55,56% dos estudantes disseram 
que não gostam de insetos, ao contrário de 44,44%. Quanto à importância dos insetos: 45% dos entrevistados disseram 
que possuem importância positiva e 55% disseram que eles possuem importância negativa e positiva. Nenhum dos 
estudantes relatou que os insetos possuem importância negativa, apesar de mais da metade ter dito que não gostam dos 
insetos. É fundamental a disseminação de conhecimentos entomológicos no meio escolar a fim de esclarecer aos 
estudantes que os insetos desempenham importante papel ecológico na natureza, e que não são exclusivamente animais 
causadores de danos ou prejuízos à saúde. 
 
Palavras-chave: Conhecimento. Entomologia. Rede pública de ensino. 
 
Abstract: The study of insects is fundamental for the formation of students, however, this knowledge is routinely applied 
on superficially way in the school environment. This study was development to analyze the perception of high school 
students about insects in Cáceres - MT. For this, semi-structured questionnaire containing five questions about insects 
were applied. All students said they know an insect, and correctly answered the option that presented only examples of 
these arthropods. However, half of the students (50%) do not know exactly how many legs these animals have. 55.56% of 
students said they does not like insects, unlike 44.44%. Regarding the importance of insects: 45% of respondents said they 
have positive importance and 55% said they have negative and positive importance. None of the students reported 
negative importance about the insects, although, more than half said that they does not like insects. It is essential to 
disseminate entomology knowledge in the high school to clarify for students those insects have an important ecological 
role in nature, and that it is not only causers of damage or harm to health. 
 
Keywords: Knowledge. Entomology. Public Education Network. 
 
Resumen: El estudio de los insectos es fundamental para la formación de estudiantes, sin embargo, rutinariamente ese 
conocimiento se transmite superficialmente en el ambiente escolar. Esta investigación tuvo como objetivo analizar la 
percepción de los estudiantes de 3ª de secundaria sobre los insectos en Cáceres – MT. Para ello se utilizó un cuestionario 
semiestructurado con cinco preguntas: (1) Usted sabe que es un insecto? (2) Marque la alternativa que presenta solo 
ejemplos de insectos (3) ¿Cuantas patas tienen los insectos? (4) ¿Le gustan a usted los insectos? ¿Porqué? (5) ¿Son 
importantes los insectos?. Todos los estudiantes manifestaron que conocen un insecto y, respondieron correctamente la 
opción que presentaba solo ejemplos de esos artrópodos. Sin embargo, la mitad de los encuestados (50%) no conocen con 
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https://www.doi.org/10.52832.jesh.v2i2.123
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http://www.jeshjournal.com.br/
http://www.jeshjournal.com.br/
https://orcid.org/0000-0001-5726-3520
mailto:milaine.fernandes@gmail.com
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exactitud la cantidad de patas de esos animales. El 55,56% de los estudiantes indicaron que no le gustan los insectos, al 
contrario de 44,44%. Respecto a la importancia de los insectos: 45% de los encuestados indicaron que tienen importancia 
positiva y el 55% manifestaron que tienen importancia positiva y negativa. Ningún estudiante informó que los insectos 
tienen importancia negativa, aunque mas de la mitad dijeron que no le gustan los insectos. Es fundamental difundir el 
conocimiento entomológico en el ámbito escolar para aclarar a los estudiantes que los insectos cumplen un rol ecológico 
importante en la naturaleza, y que no son exclusivamente animales que causan daños o perjuicios a la salud. 
 
Palabras-clave: Conocimiento. Entomología. Red de educación pública. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
Os insetos constituem o grupo dominante de animais na Terra e estão presentes em praticamente todos 
os locais (Triplehorn & Johnson, 2015). Esses organismos são essenciais para o equilíbrio ecossistêmico, 
desempenhando funções como: reciclagem de nutrientes, polinização, dispersão de sementes, manutenção da 
composição e da estrutura da comunidade de plantas, serve como alimento para vertebrados insetívoros e ainda 
contribui com a manutenção da estrutura da comunidade de animais (Gullan & Cranston, 2017). 
Dessa maneira, o desenvolvimento de estudos entomológicos na educação básica torna-se relevante, 
tendo em vista que muitas vezes os estudantes possuem uma imagem predominantemente pejorativa em relação 
à grande maioria desses organismos (Trindade et al., 2012). Além disso, os conteúdos curriculares que abordam 
conhecimentos entomológicos são repassados frequentemente de maneira superficial ou muitas vezes não são 
desenvolvidos nas escolas. 
Dentro dessa perspectiva, os insetos são ótimas ferramentas de aprendizado que podem estimular tanto 
a curiosidade quanto fomentar a iniciação científica em escolas públicas. Especificamente para o Ensino Médio, 
a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) mostra que a área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias deve 
assegurar aos estudantes competências e habilidades para que possam investigar situações-problema e avaliar 
aplicações do conhecimento científico (Brasil, 2017). No entanto, o desenvolvimento de conhecimentos 
científicos baseados em procedimento de investigação é pouco explorado pelo documento. 
De acordo com análise realizada por Sasseron (2018), a BNCC desenvolve poucas habilidades que estão 
associadas diretamente às ações de investigação. Tais habilidades são focadas para os anos iniciais e Ensino 
Fundamental, ficando de fora o Ensino Médio (Sasseron, 2018). Ainda, a BNCC apresenta de modo pontual o 
letramento científico, já que o documento não permite condições necessárias para sua efetivação (Godoi Branco 
et al., 2018). Para esses autores, a BNCC centraliza ações voltadas apenas para a reorganização curricular e não 
direciona condições mínimas para a formação de professores, valorização do conhecimento científico, e defesa 
de recursos pedagógicos e estruturais nas unidades escolares. 
Além disso, com a recente implementaçãodo Novo Ensino Médio, defasagens em recursos humanos e 
pedagógicos podem refletir em uma educação de má qualidade, já que professores revelam a necessidade de 
modelos e referenciais teóricos para o desenvolvimento de metodologias mais atrativas para os estudantes que 
passam a ter um itinerário próprio de aprendizado a partir de 2022 (Piffero et al., 2020). 
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No Brasil, algumas pesquisas sobre conhecimentos entomológicos foram desenvolvidas nos últimos 
anos na Educação Básica. Estudo realizado em escolas públicas e privadas no Estado da Bahia mostra que existe 
um nível elevado de desinformação por parte dos estudantes sobre a Classe Insecta (Lopes et al., 2013). De 
acordo com esses autores, o uso adequado de materiais didáticos e paradidáticos é essencial durante o 
aprendizado da entomologia. Nesse sentido, a análise do livro didático ou sequência didática deve ser realizada 
com regularidade para que o tema seja abordado com propriedade durante as aulas (Araújo et al., 2017; Lima et 
al., 2020a). 
Ademais, a utilização de metodologias alternativas mostra-se como um ótimo recurso para o 
desenvolvimento de conteúdos associados à Entomologia, como por exemplo: o desenvolvimento de atividades 
práticas tanto em campo quanto em laboratório (Cajaiba & Silva, 2014), desenvolvimento de atividades baseados 
em jogos (Cosme Jr. et al., 2020), criação de modelos didáticos que reproduzam estruturas ou partes de insetos, 
como pernas e antenas (Matos et al., 2009; Velloso et al., 2021), utilização de coleções entomológicas (Baccin et 
al., 2020; Santos & Souto, 2011), confecção de desenhos (Sousa-Lopes & Alves da Silva, 2020) ou a produção e 
utilização de materiais audiovisuais (Rezende & Struchiner, 2009). 
Saberes entomológicos adquiridos em unidades escolares podem também favorecer a disseminação de 
conhecimentos para a comunidade em geral e contribuir com a conscientização ambiental. Pesquisa recente 
sobre a percepção dos brasileiros em relação às libélulas mostra que 83% dos entrevistados acreditam que a 
população de suas regiões não tem conhecimento da importância ecológica da ordem Odonata, enquanto, 88% 
dos entrevistados acham que trabalhos de extensão ou divulgação científica podem ser a solução (Brasil & Vilela, 
2019). De acordo com esses autores, 33% dos entrevistados admitem que nunca fizeram ou não fazem trabalhos 
dessa natureza. Em Mato Grosso, estudos que abordem conhecimentos entomológicos em unidades escolares 
ainda é incipiente (Frida et al., 2009). Dessa maneira, o presente estudo teve por objetivo, analisar os 
conhecimentos entomológicos de estudantes do Ensino Médio de uma escola pública no município de Cáceres, 
MT. 
2 METODOLOGIA 
2.1 Área de Estudo e Público alvo 
Este estudo foi desenvolvido com 20 estudantes regularmente matriculados na única turma de 3ª série do 
Ensino Médio na Escola Estadual Cívico-Militar Senador Mario Motta durante o ano letivo de 2021 em Cáceres, 
Mato Grosso, Brasil. Os estudantes aqui investigados possuem entre 16 e 17 anos e foram escolhidos para o 
desenvolvimento deste estudo porque os conteúdos sobre seres vivos normalmente são aplicados no ano 
anterior. Atualmente, a Escola Estadual Cívico-Militar Senador Mario Motta possui Ensino Fundamental e 
Ensino Médio e desenvolve suas atividades educacionais em meio período. A referida unidade escolar foi criada 
pelo decreto nº. 171 de 10 de setembro de 1982, porém recebeu autorização para o funcionamento do Ensino 
Fundamental e Médio em 18 de dezembro de 1978 (PPP, 2021). E a partir do ano de 2022 a instituição de 
ensino foi inserida dentro da modalidade Cívico-Militar. 
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2.2 Metodologia da pesquisa 
A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de um questionário semiestruturado composto por 
cinco perguntas (Quadro 1). Este foi aplicado de maneira presencial e online com os estudantes tendo em vista 
que em 2021 as escolas públicas do Estado de Mato Grosso exploraram o formato híbrido de ensino devido a 
pandemia de Covid-19. Não houve nenhuma atividade para a contextualização do tema porque o objetivo deste 
trabalho foi justamente analisar os conhecimentos prévios dos estudantes para a partir daí desenvolver 
intervenções pedagógicas. 
Quadro 1 – Questionário aplicado com 20 estudantes de Ensino Médio da Escola Estadual Cívico-Militar Senador Mario 
Motta em Cáceres, Mato Grosso, Brasil. 
Responda o questionário abaixo: 
 
1 - Você sabe o que é um inseto? 
( ) – Sim 
( ) – Não 
 
 
2 - Assinale a alternativa que apresenta somente exemplos de 
insetos: 
( ) – Formiga, cupim e abelha 
( ) – Formiga, cachorro e gato 
( ) – Cupim, gato e onça pintada 
( ) – Abelha, cupim e tamanduá-bandeira 
( ) – Papagaio, tuiuiú e formiga 
 
 
3 – Qual a quantidade de pernas que os insetos 
possuem? 
( ) – 3 
( ) – 6 
( ) – 5 
( ) – 8 
( ) – 11 
 
4 – Você gosta de insetos? Por quê? 
( ) – Sim 
( ) – Não 
 
5 – Os insetos possuem importância: 
( ) – Positiva 
( ) – Negativa 
( ) – Positiva e negativa 
 
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Os dados apresentados mostraram que 100% dos estudantes disseram ter conhecimento do que é um 
inseto e, responderam corretamente a opção que apresentava somente exemplos desses artrópodes. Entretanto, 
nem sempre estudos com esse enfoque apresentam resultados realmente satisfatórios. De acordo com Guedes et 
al. (2016), apenas 56,3% dos estudantes questionados responderam acertadamente que os insetos pertencem ao 
filo Arthropoda. Além disso, estudantes de outros níveis educacionais também demonstram pouco 
conhecimento sobre os insetos. 
Cajaiba & Silva (2014) apresentam que estudantes do ensino fundamental não conseguem identificar 
corretamente os insetos confundindo-os com outros artrópodes. E conforme resultados apresentados por Frida 
et al. (2009), apesar da maioria dos estudantes do ensino fundamental e médio perceberem corretamente seres 
vivos como insetos (87,75%), ainda assim, alguns estudantes também consideram outros grupos de animais 
como pertencentes à Classe Insecta. 
Apesar dos estudantes terem respondido corretamente os nomes dos insetos nesse estudo, metade dos 
entrevistados (50%) não conhece a quantidade de pernas que esses animais possuem. Entre estes, alguns 
relataram que os insetos possuem 1 perna (5%) (1), 3 pernas (15%) (3), 5 pernas (25%) (5) ou 11 pernas (5%) 
(1). Corroborando com esse resultado, outros estudos também mostram o baixo conhecimento dos estudantes 
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da educação básica sobre a morfologia externa dos insetos (Frida et al. 2009; Guedes et al. 2016). 
Segundo Guedes et al. (2016), apenas 37% de estudantes matriculados em duas escolas públicas e 
privadas no município de Patos (PB) disseram que os insetos possuem 3 pares de pernas. Além disso, estudantes 
do Ensino Médio normalmente não conseguem distinguir a estrutura corporal, características do ciclo de vida, 
fisiologia e papel ecológico dos insetos (Lima et al., 2020a). Entretanto, esses autores relatam que essas 
dificuldades podem ser superadas com o emprego de metodologias adequadas em sala de aula. 
Nesse sentido a utilização de caixas entomológicas, modelos biológicos, jogos, atividades com técnicas 
de microscopia, confecção de blocos com resina e o uso de recursos tecnológicos como vídeos e datashow são 
excelentes recursos didáticos para o ensino da morfologia externa, ciclo de vida, características ecológicas e 
fisiológicas dos insetos, além de proporcionar momentos de interação entre os estudantes (Martelliet al., 2020; 
Oliveira et al., 2021; Velloso et al., 2021; Carvalho et al., 2022). Além do mais, o professor e a escola 
desempenham papel fundamental para a disseminação de conhecimentos específicos, já que o ambiente escolar é 
ideal para o desenvolvimento de atividades que estimulem a criatividade e curiosidade de investigação dos 
estudantes, como por exemplo, a produção de desenhos e mapas mentais (Bezerra et al., 2008). 
Conforme Bezerra et al. (2008), os professores atuam como agentes multiplicadores de conhecimento 
possibilitando atingir um público-alvo maior caracterizado por estudantes e membros da comunidade, e por essa 
razão existe uma necessidade constante de formação profissional e participação em projetos para que estes 
profissionais possam estar capacitados para transmitir conhecimentos. De acordo com 87% de estudantes 
entrevistados, os meios formais (escolas e livros) são os principais meios para a aquisição de conhecimentos 
entomológicos (Frida et al., 2009). Associado a isso, os insetos podem representar um relevante recurso didático 
para trabalhar com habilidades artísticas, coordenação motora, acesso às tecnologias, conceitos, atitudes e 
valores no ensino de Ciências (Matos et al., 2009; Rezende & Struchiner, 2009; Sousa-Lopes, 2017; Sousa-Lopes 
& Alves da Silva, 2020). 
Mais da metade (55,56%) dos estudantes disse que não gostam dos insetos, ao contrário de 44,44%. No 
entanto, esse resultado pode estar relacionado ao baixo número de estudantes entrevistados. Em 2021, boa parte 
das aulas na Escola Mario Motta foi realizada pelo whatsapp devido à pandemia COVID 19 e, infelizmente 
poucos estudantes tiveram acesso regular à internet. Entre os motivos que fazem com que os estudantes não 
gostem dos insetos estão: alergia, transmissão de doenças, barulho ou danos materiais. Lima et al. (2020a) 
mostram que estudantes do Ensino Médio possuem aversão à alguns grupos de insetos, como besouros, baratas 
e mosquitos devido principalmente à visão social voltada apenas para prejuízos à saúde humana, bem como, 
para a aparência da morfologia externa de algumas espécies. 
Estudantes do Ensino Médio sustentam uma imagem predominantemente pejorativa em relação à 
grande maioria desses organismos, muito influenciado pelos meios de comunicação, pela escola e pelo 
conhecimento popular disseminado nas relações interpessoais (Trindade et al., 2012). Pesquisa recente 
desenvolvida com moradores de uma comunidade no Maranhão mostra que os entrevistados apresentam um 
sentimento negativo em relação aos insetos, caracterizando-os como animais nojentos, horríveis, perigosos e 
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transmissores de doenças, porém, também reconhecem a sua importância para a natureza (Lima et al, 2020b). 
Essa percepção negativa costuma ser transmitida entre amigos e familiares, o que mantém uma visão muitas 
vezes não condizente com a atividade dos insetos. Além disso, a percepção que os entrevistados possuem em 
relação aos insetos decorre do grau de afetividade e pela utilidade que eles apresentam (Macedo e Soares, 2012). 
Frida et al. (2009) também relatam que estudantes do ensino fundamental e médio percebem os insetos 
apenas como causadores de danos psicológicos (nojentos, não gostam, incomodam, causam medo) ou à saúde 
(perigosos, transmitem doenças). Esses autores também descrevem que os estudantes consideram os insetos 
como seres pequenos (61%), perigosos (28%) ou nojentos (24%). 
Quanto à importância dos insetos, 45% dos entrevistados disseram que possuem importância positiva e 
55% disseram que eles possuem importância negativa e positiva. Similarmente, Guedes et al. (2016) também 
mostram que a maioria dos estudantes entrevistados (82,6%) afirmam que os insetos possuem importância 
positiva e negativa. Porém nesse estudo, nenhum dos estudantes relatou que os insetos possuem apenas 
importância negativa, apesar de mais da metade ter dito que não gostam dos insetos (55,56%). Isso demonstra a 
necessidade de intervenções nas escolas a fim de esclarecer o papel ecológico que os insetos desempenham nos 
ecossistemas, tendo em vista que outros autores trazem resultados similares em outras regiões do Brasil. 
De acordo com Lima et al. (2020a), 47% de estudantes do Ensino Médio disseram que os insetos não 
apresentam utilidade reconhecida nas situações diárias, visão que se manteve mesmo após a realização de aulas 
teóricas e práticas. Frida et al. (2009) mostram que 60% dos estudantes entrevistados consideram que os insetos 
não possuem importância positiva. Porém no caso deste último estudo, existe uma tendência entre os estudantes 
à reduzir a percepção negativa sobre os insetos conforme ocorre o avanço das séries escolares (Frida et al., 2009), 
daí a importância do desenvolvimento de projetos contínuos, uso de livros e metodologias adequadas nas 
unidades escolares. 
O presente estudo trata-se de uma observação preliminar acerca dos conhecimentos prévios que os 
estudantes possuem sobre os insetos e a potencial necessidade de intervenções pedagógicas na Escola Estadual 
Cívico-Militar Senador Mario Motta, em Cáceres, Mato Grosso. A partir dos dados obtidos, foi possível 
perceber que é necessário o desenvolvimento dessas intervenções na unidade escolar (como por exemplo, o 
desenvolvimento de projetos de extensão e pesquisa), considerando que os estudantes possuem conhecimento 
limitado a respeito desses animais. O ideal é que essas intervenções sejam realizadas continuamente para que 
sejam apresentadas as principais características, modo de vida e importância ecológica dos insetos. E com isso, 
possibilitar recursos para diminuir a visão negativista ou falha que os estudantes possuem em relação a esses 
organismos, bem como, a potencial propagação desses conhecimentos para a comunidade em geral. 
A falta de acesso a informações, pode deixar a população em geral com defasagens em conhecimentos 
relevantes sobre essa temática (Brasil & Vilela 2019), e a disseminação de informações não condizentes com a 
realidade (Frida et al., 2009; Trindade et al., 2012; Lima et al., 2020a; Lima et al, 2020b). Mitos e crenças que 
envolvem conhecimentos dentro da área de Ciências Biológicas são repassados com certa frequência entre a 
população, e estão associados à falta de conhecimentos específicos em relação às espécies (Santos et al., 2020). 
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Sabemos que esses conhecimentos são repassados entre as gerações, e especificamente em relação aos insetos 
podemos citar o mito de que colocar um objeto de metal sobre a picada de marimbondo ajuda a reduzir a dor 
(Silva et al., 2020), ou que as borboletas podem cegar as pessoas (Koop & Volpi, 2021). Assim, intervenções 
pedagógicas contínuas poderiam contribuir com a aquisição de conhecimentos entomológicos e redução na 
disseminação de mitos sobre essa temática. 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
É fundamental o repasse de conhecimentos entomológicos em unidades escolares em todo o Brasil, a 
fim de esclarecer aos estudantes que os insetos desempenham importante papel ecológico na natureza, e que não 
são exclusivamente animais causadores de danos materiais ou prejuízos à saúde humana. Para que isso ocorra é 
muito importante o uso de metodologias adequadas e atrativas para os estudantes, bem como, o 
desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão baseados na construção de conhecimentos sobre o 
potencial benéfico dos insetos (Carvalho et al., 2022; Martelli et al., 2020; Oliveira et al., 2021; Velloso et al., 2021). 
Nesse sentido, é fundamental que as propostas estejam centradas em conceitos específicos sobre os insetos (i.e. 
anatomia, comportamento, desenvolvimento, morfologia e reprodução), tendo em vistaque é comum o 
desenvolvimento de ações educativas com conceitos aplicados à diferentes áreas da biologia, portanto, não fica 
claro para os estudantes a importância dos insetos (Diaz & Vinholi Junior, 2020). 
Agradecimentos 
À direção e coordenação pedagógica da Escola Estadual Cívico-Militar Senador Mario Motta por 
possibilitar o desenvolvimento deste estudo, bem como, aos estudantes da 3ª série do Ensino Médio/2021 pela 
disponibilidade em responder ao questionário. 
Conflitos de interesses 
A autora declara que não há conflitos de interesse, estando ciente quanto à submissão do artigo. 
Contribuição da autora 
A autora foi responsável pela formulação e aplicação do questionário com os estudantes, coleta e análise 
de dados, bem como, preparo da redação do manuscrito e formatação do mesmo para atender as exigências da 
revista Journal of Education, Science and Heatlth. 
REFERÊNCIAS 
Araújo, J. M. de, Araújo, J. I. M., Silva, A. L. A. da, Rocha, R. B. da, Santos, G. R. dos, Oliveira, R. F. de, Silva, 
G. F. da, Silva, K. M. da, & Silva, L. B. (2017). O estudo de entomologia como ferramenta pedagógica no 7o ano 
(6asérie) do ensino fundamental e 2o ano do ensino médio. Pubvet, 11(2), 191–198. 
https://doi.org/10.22256/pubvet.v11n2.191-198 
 
Brasil. (2017). Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 
 
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https://doi.org/10.22256/pubvet.v11n2.191-198
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Baccin, K., Azevedo Filho, W., & Silva, S. (2020). Os Insetos e a Ciência na Escola: Estratégias de Ensino. 
Scientia Cum Industria, 8(3), 6–9. https://doi.org/10.18226/23185279.v8iss3p13 
 
Bezerra, T. M. O., Feliciano, A. L. P., & Alves, A. G. C. (2008). Percepção ambiental de alunos e professores do 
entorno da Estação Ecológica de Caetés – Região Metropolitana do Recife-PE. In Revista Biotemas, 21(1), 147-
160. https://doi.org/10.5007/2175-7925.2008v21n1p147 
 
Brasil, L. S., Vilela, D. S. (2019). Peculiaridades regionais na percepção de brasileiros sobre libélulas : 
nomenclatura popular e conservação. Hetaerina, 1(1), 15–20. 
 
Cajaiba, R. L., & Silva, W. B. (2014). Percepção dos alunos do ensino fundamental sobre os insetos antes e após 
aulas práticas: um estudo de caso no município de Uruará-Pará, Brasil. Enciclopédia Biosfera, 10(19), 2510–2521. 
http://www.tjyybjb.ac.cn/CN/article/downloadArticleFile.do?attachType=PDF&id=9987 
 
Carvalho, A. L., Nascimento, Y., & SÁ, D. M. C. (2022). Caixa entomológica como recurso didático para aulas 
sobre a classe Insecta. Diversitas Journal, 7(1), 0449–0462. https://doi.org/10.48017/dj.v7i1.1848 
 
Cosme Jr., L., Turchen, L. M., & Guedes, N. C. (2020). Insect World: Game-Based Learning as a Strategy for 
Teaching Entomology. The American Biology Teacher, 82(4), 210–215. https://doi.org/10.1525/abt.2020.82.4.210 
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