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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR 
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
 
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Professores Carlos Alfama e Paulo Igor – ZERO UM CONSULTORIA 
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – PARTE II 
5) DIREITO À PROPRIEDADE 
A) ABRANGÊNCIA DO DIREITO DE PROPRIEDADE 
A Constituição Federal não protege apenas o direito de 
propriedade sobre os bens materiais (móveis ou imóveis), mas 
também sobre os bens imateriais (direitos autorais, direitos de 
propriedade industrial e direito à herança). 
BENS 
MATERIAIS 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
 
DIREITOS 
AUTORAIS 
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de 
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, 
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; 
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: 
a) a proteção às participações individuais em obras 
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, 
inclusive nas atividades desportivas; 
b) o direito de fiscalização do aproveitamento 
econômico das obras que criarem ou de que 
participarem aos criadores, aos intérpretes e às 
respectivas representações sindicais e associativas; 
PROPRIEDADE 
INDUSTRIAL 
 
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos 
industriais privilégio temporário para sua utilização, 
bem como proteção às criações industriais, à 
propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a 
outros signos distintivos, tendo em vista o interesse 
social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do 
País; 
HERANÇA 
XXX - é garantido o direito de herança; 
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no 
País será regulada pela lei brasileira em benefício do 
cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes 
seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; 
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B) DIREITO DE PROPRIEDADE COMO NORMA DE EFICÁCIA 
CONTIDA 
O direito de propriedade previsto no art. 5º, XXII, da 
Constituição Federal é tido pela doutrina como norma de eficácia 
contida, pois pode ter a sua abrangência restrita em razão da 
aplicação de outros dispositivos constitucionais, tais como: 
Art. 5º, XXIII: a propriedade atenderá a sua função social; 
Art. 5º, XXIV: a lei estabelecerá o procedimento para 
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou 
por interesse social, mediante justa e prévia indenização em 
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; 
 Art. 5º, XXV: no caso de iminente perigo público, a 
autoridade competente poderá usar de propriedade 
particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se 
houver dano; (hipótese conhecida como requisição 
administrativa) 
Como se depreende dos dispositivos acima, a Constituição 
estabelece várias possibilidades de restrições ao exercícios do direito 
de propriedade (respeito à função social, desapropriação, requisição), 
razão pela qual não há dúvidas de que se trata de direito previsto em 
norma de eficácia contida. 
 
C) FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE DE BENS IMÓVEIS 
A função social da propriedade é conceituada pela doutrina 
majoritária como uma forma de limitação ao exercício do 
direito de propriedade, o qual somente seria constitucionalmente 
adequado quando exercido em conformidade com as determinações 
gerais da Constituição sobre a função social que a propriedade 
privada deve ter. 
 
 
 
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Corrente doutrinária minoritária, entretanto, capitaneada 
por José Afonso da Silva, entende que a função social da 
propriedade seria parte integrante do próprio direito e não mero 
mecanismo de limitação ao seu exercício. 
Para essa corrente, só existe direito de propriedade, quando 
esta cumpre a sua função social, cujo não cumprimento acarreta a 
inexistência do direito. 
 
I. FUNÇÃO SOCIAL DAS PROPRIEDADES RURAIS 
Para que as propriedades rurais atendam a sua função 
social são necessários os seguintes requisitos, todos 
estabelecidos no art. 186 da Constituição Federal, em três planos 
distintos: 
Plano econômico: Aproveitamento racional e adequado 
(produtividade); 
Plano ecológico: Utilização adequada dos recursos naturais 
disponíveis e preservação do meio ambiente; 
Plano social: 
 Observância das disposições que regulam as 
relações de trabalho; 
 Exploração que favoreça o bem-estar dos 
proprietários e dos trabalhadores. 
ATENÇÃO! A função social somente é cumprida quando a 
propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e 
graus de exigência estabelecidos em lei, todos os requisitos 
acima expressos nos três planos de atuação. 
 
 
 
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# CONSEQUÊNCIAS PARA O DESCUMPRIMENTO DA FUNÇÃO 
SOCIAL DA PROPRIEDADE RURAL 
Nos termos do art. 184 da Constituição Federal, o 
descumprimento da função social da propriedade rural pode acarretar 
na desapropriação do imóvel pelo poder público: 
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, 
para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja 
cumprindo sua função social, mediante prévia e justa 
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de 
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte 
anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização 
será definida em lei. 
Trata-se de espécie de DESAPROPRIAÇÃO SANÇÃO! Nesse 
caso, a indenização não é em dinheiro, mas em títulos da dívida da 
dívida agrária (resgatáveis no prazo de até 20 anos). 
II. FUNÇÃO SOCIAL DAS PROPRIEDADES URBANAS 
A propriedade urbana cumpre a sua função social quando 
respeita o plano diretor estabelecido pelo Município em que se 
encontre localizada, nos termos do art. 182, § 2º, da Constituição 
Federal: 
Art. 182, § 2º: A propriedade urbana cumpre sua função social 
quando atende às exigências fundamentais de ordenação da 
cidade expressas no plano diretor. 
# CONSEQUÊNCIAS PARA O DESCUMPRIMENTO DA FUNÇÃO 
SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA 
O art. 182, § 4º, da Constituição garante ao Município a 
prerrogativa de exigir que o proprietário promova o adequado 
aproveitamento de sua propriedade urbana quando o solo urbano não 
está edificado, está subutilizado, ou não está utilizado. 
Caso a exigência não seja cumprida, caberão as seguintes 
sanções, sucessivamente: 
 Parcelamento ou edificação compulsórios; 
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 Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana 
progressivo no tempo; 
 Desapropriação sanção com pagamento mediante títulos 
da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado 
Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, 
iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os 
juros legais. 
CUIDADO! A ordem acima exposta deve ser respeitada, ou seja, não 
se pode, por exemplo, desapropriar o imóvel sem antes exigir seu 
parcelamento ou edificação compulsórios e, posteriormente, 
determinar a cobrança de IPTU progressivo no tempo. 
 
D) OUTRAS FORMAS DE LIMITAÇÃO AO DIREITO DE 
PROPRIEDADE 
Além da função social da propriedade, majoritariamente 
definida como mecanismo de limitação ao exercício do direito de 
propriedade, existem outras quatro maneiras de restringir o exercício 
do referido direito: desapropriação, requisição, expropriação e 
usucapião. 
 
I. DESAPROPRIAÇÃO 
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por 
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante 
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados osiv) Deve ser previamente comunicada à autoridade 
competente; 
ATENÇÃO: Não se pode confundir a necessidade de prévia 
comunicação com a necessidade de prévia autorização. Cuidado 
com esse ponto!! 
Apenas se exige a prévia comunicação para que o poder público 
possa providenciar as ações necessárias para permitir o exercício 
pleno do direito de reunião (por exemplo, orientar o trânsito, garantir 
a segurança dos participantes, garantir a incolumidade do patrimônio 
público e etc.). 
v) Não pode frustrar outra reunião anteriormente 
marcada para o mesmo local e horário; 
 
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ELEMENTOS QUE COMPÕEM O DIREITO DE REUNIÃO 
I) ELEMENTO SUBJETIVO 
O direito de reunião pressupõe um conjunto de pessoas. Não é 
possível haver reunião individual. 
II) ELEMENTO FORMAL 
A reunião deve ser minimamente coordenada, deve haver uma 
conclamação das pessoas envolvidas, as quais devem aderir 
conscientemente à reunião. 
Uma aglomeração espontânea e casual de pessoas em 
determinado lugar não pode ser classificada como reunião. 
III) ELEMENTO TELEOLÓGICO 
Os integrantes da reunião devem comungar de uma mesma 
finalidade, que pode ser: política, filosófica, artística ou religiosa. 
IV) ELEMENTO TEMPORAL 
A reunião não pode apresentar um caráter duradouro, estável e 
permanente, sob pena de ser considerada uma associação e não uma 
mera reunião. 
A reunião, portanto, deve ser um movimento passageiro e 
pontual, momentâneo. 
V) ELEMENTO OBJETIVO 
A reunião deve ser previamente comunicada ao poder público, 
não pode frustrar outra reunião previamente marcada para o mesmo 
local e horário, deve ser pacífica e sem armas. 
VI) ELEMENTO ESPACIAL 
A reunião tem de ocorrer em local delimitado, em um local 
específico. 
 
 
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ATENÇÃO! O elemento espacial não impede que a reunião seja 
dinâmica, por exemplo, uma passeata, uma carreata e etc. Ou seja, 
não se exige que a reunião seja estática, apenas se exige que o 
trajeto que ela percorrerá seja previamente delimitado. 
 
PONTOS RELEVANTES PARA AS PROVAS DE CONCURSOS 
PÚBLICOS LIGADOS AO DIREITO À LIBERDADE DE REUNIÃO: 
 LEGALIDADE DE PASSEATAS EM DEFESA DA 
LEGALIZAÇÃO DO USO DE DETERMINADAS SUBSTÂNCIAS 
ENTORPECENTES 
O STF, por meio da ADPF 187, firmou entendimento no sentido 
de serem legítimas as popularmente denominadas “Marchas da 
Maconha”, tendo em vista que tais passeatas seriam uma expressão 
do direito à liberdade de reunião e da manifestação do pensamento. 
Nesse sentido, também a ADI 4274: 
Impossibilidade de restrição ao direito fundamental de 
reunião que não se contenha nas duas situações 
excepcionais que a própria Constituição prevê: o estado 
de defesa e o estado de sítio (art. 136, § 1º, inciso I, 
alínea “a”, e art. 139, inciso IV). Ação direta julgada 
procedente para dar ao § 2º do art. 33 da Lei 
11.343/2006 “interpretação conforme à Constituição” e 
dele excluir qualquer significado que enseje a proibição 
de manifestações e debates públicos acerca da 
descriminalização ou legalização do uso de drogas ou 
de qualquer substância que leve o ser humano ao 
entorpecimento episódico, ou então viciado, das suas 
faculdades psicofísicas (ADI 4274, STF). 
 
 INCONSTITUCIONALIDADE DE DECRETO 
DISTRITAL QUE RESTRINGIA O DIREITO DE REUNIÃO NAS 
ADJACÊNCIAS DA PRAÇA DOS TRÊS PODERES 
O STF entendeu ser inconstitucional o Decreto 20.098/1999, do 
Distrito Federal, que vedava o direito de realização de manifestações 
populares com a utilização de carros, aparelhos e objetos sonoros na 
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praça dos três poderes, na Esplanada dos Ministérios, na Praça do 
Buriti e vias adjacentes. 
Segundo o tribunal, tal decreto representaria flagrante violação 
ao direito de reunião e de associação para fins lícitos, sendo portanto, 
inconstitucional, inadequado, desnecessário e desproporcional. 
 
 REMÉDIO CONSTITUCIONAL CABÍVEL PARA 
COIBIR VIOLAÇÃO AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE REUNIÃO 
O remédio constitucional adequado para garantir o exercício do 
direito de reunião é o Mandado de Segurança, mesmo nas 
hipóteses em que o direito de reunião seja exercido de forma 
dinâmica, na qual o agrupamento de pessoas tenha por finalidade 
percorrer trajeto previamente delimitado. 
ATENÇÃO! Não é cabível habeas corpus para garantir o exercício do 
direito de reunião. 
 
VIII) LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO 
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de 
caráter paramilitar; 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas 
independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu 
funcionamento; 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter 
suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro 
caso, o trânsito em julgado; 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer 
associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm 
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; 
DIREITO DE ASSOCIAÇÃO X DIREITO DE REUNIÃO 
Inicialmente, é importante diferenciar a associação da reunião 
(direito analisado no ponto anterior do nosso material). 
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Enquanto a reunião se caracteriza pela coligação temporária, 
ocasional e eventual de pessoas, a associação, em sentido oposto, se 
caracteriza pelo agrupamento estável e permanente de pessoas. 
Ademais, as reuniões jamais serão entidades personificadas, 
enquanto as associações podem adquirir personalidade jurídica na 
forma da lei. 
Esquematizando: 
REUNIÃO ASSOCIAÇÃO 
É temporária, ocasional, 
eventual 
É permanente e estável 
Jamais será uma entidade 
personificada 
Pode adquirir personalidade 
jurídica nos termos da lei 
 
Em seu art. 5º, XVII, a Constituição Federal garante o direito de 
liberdade de associação, desde que essa associação tenha fins 
lícitos e não possua caráter paramilitar: 
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, 
vedada a de caráter paramilitar; 
Como forma de garantir plenitude ao exercício do direito de 
associação, a Constituição Federal veda a ingerência estatal na 
criação e funcionamento das associações: 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de 
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a 
interferência estatal em seu funcionamento; 
Ou seja, a Constituição garante que a criação de uma 
associação não dependerá de autorização estatal. 
Além disso aduz também que o Estado não pode interferir no 
funcionamento das associações, e para garantir efetividade a essa 
disposição determina: 
 
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i) Que as atividades da associação não podem ser suspensas; 
ii) Que o Estado não pode determinar a dissolução compulsória 
das associações; 
ATENÇÃO: Salvo, em qualquer dos casos, por 
determinação judicial, exigindo-se o trânsito em julgado 
apenas para a dissolução compulsória. 
Trata-se do expresso teor do inciso XIX, do art. 5º, da 
Constituição Federal: 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente 
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão 
judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; 
DIMENSÕES DO DIREITO DE LIBERDADE ASSOCIATIVA 
O STF, no julgamento da ADI3045/DF, estabeleceu que a 
liberdade de associação possui duas dimensões: uma positiva e uma 
negativa. 
Em sua dimensão positiva a liberdade de associação assegura 
a qualquer pessoa (física ou jurídica) o direito de associar-se e de 
formar associações. 
Por outro lado, em sua dimensão negativa, a liberdade de 
associação garante a qualquer pessoa o direito de não se associar, 
de não ser compelida a filiar-se ou a desfiliar-se de 
determinada entidade. 
A dimensão negativa da liberdade de associação trata-se da 
expressão do art. 5º, XX, da Constituição: 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a 
permanecer associado; 
Ainda segundo o STF, a liberdade de associação possui ainda 
uma função inibitória, direcionada ao próprio Estado, na medida 
em que veda a interferência estatal na criação e no funcionamento 
das associações (ressalvadas as hipóteses de suspensão das 
atividades ou dissolução compulsória depois do devido processo 
judicial). 
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REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL VERSUS SUBSTITUIÇÃO 
PROCESSUAL DAS ASSOCIAÇÕES 
Em regra, é o próprio titular do direito que tem 
legitimidade ativa para ajuizar uma ação judicial. 
Excepcionalmente, entretanto, é possível que o titular do 
direito confira a alguém a atribuição de representá-lo em juízo. Surge 
aqui a figura da representação processual. 
Na representação processual o representante atua em nome de 
terceiro pleiteando direito de terceiro e somente pode ocorrer com 
autorização expressa do representado. 
Em outros casos, pode haver também aquilo que se chama 
de substituição processual, que se trata de uma legitimação 
ativa extraordinária, na qual o substituto ajuíza ação em nome 
próprio, mas na defesa de direitos alheios. Na substituição processual 
não é necessária a autorização expressa do substituído. 
Esquematizando: 
REPRESENTAÇÃO 
PROCESSUAL 
SUBSTITUIÇÃO 
PROCESSUAL 
Atuação em nome de terceiro, na 
defesa de direitos de terceiro. 
Atuação em nome próprio, na 
defesa de direitos de terceiro. 
Exige autorização expressa do 
representado. 
Não exige autorização expressa 
do representado. 
 
As associações podem atuar como representantes ou 
substitutas processuais de seus associados a depender da situação 
especifica, conforme se depreende da leitura dos incisos XXI e LXX do 
art. 5º, da Constituição Federal: 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente 
autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados 
judicial ou extrajudicialmente. 
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LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado 
por: 
(...) 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação 
legalmente constituída e em funcionamento há pelo 
menos um ano, em defesa dos interesses de seus 
membros ou associados; 
Da leitura dos dispositivos acima, depreende-se que, em regra, 
as associações têm legitimidade para atuar como representante 
processual de seus associados nas ações judiciais. Isso porque o 
inciso XXI exige “expressa autorização” para a atuação da associação 
em nome de seus filiados. 
Todavia, em situação excepcional, a associação pode também 
funcionar como substituta processual: no mandado de segurança 
coletivo, desde que legalmente constituída e em funcionamento há 
pelo menos um ano. 
Esquematizando: 
MANDADO DE SEGURANÇA 
COLETIVO 
OUTRAS AÇÕES JUDICIAIS 
A associação funciona como 
substituta processual 
A associação funciona como 
representante judicial 
Não exige expressa autorização Exige expressa autorização. 
 
ATENÇÃO! Nas ações judiciais em que se exige a 
expressa autorização dos associados (ou seja, todas com 
exceção do mandado de segurança coletivo), a 
autorização pode ser dada por ato individual do 
associado ou por meio de assembleia geral da 
entidade. 
 
 
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SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL DOS SINDICATOS 
Ponto importante para a prova é compreender o tratamento 
diferenciado em relação à legitimação extraordinária dos sindicatos 
na defesa dos direitos de seus sindicalizados. 
Enquanto as associações, em regra, atuam por representação 
processual, os sindicatos atuam por substituição processual, nos 
termos do art. 8º, III, da Constituição Federal: 
Art. 8º, III, da CF/88: ao sindicato cabe a defesa dos direitos e 
interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em 
questões judiciais ou administrativas; 
O STF entende que o supracitado dispositivo, por não exigir 
expressa autorização do sindicalizado, traz uma hipótese de ampla 
legitimação ativa extraordinária. 
Segundo o STF, o sindicato está legitimado a defender em 
juízo, na qualidade de substituto processual (portanto, sem 
expressa autorização do sindicalizado), qualquer direito dos 
sindicalizados, inclusive nas liquidações e execuções de 
sentença. 
 
# EFICÁCIA HORIZONTAL DO DIREITO À LIBERDADE DE 
ASSOCIAÇÃO: O associado somente poderá ser excluído da 
associação se houver “justa causa, assim reconhecida em 
procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos 
termos previstos no estatuto” (art. 57 do CC, com redação da Lei nº 
11.127/05). 
 
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ESTUDO DIRIGIDO 
01) O direito constitucional de propriedade se limita aos 
bens materiais? 
 
02) Como se classifica o direito de propriedade na 
tradicional classificação das normas constitucionais de 
José Afonso da Silva? 
 
03) O que é a função social da propriedade? 
 
04) Quais são os requisitos para que se considere que 
uma propriedade rural atende à sua função social? 
 
05) Quais as consequências para o descumprimento da 
função social da propriedade rural? 
 
06) Quando se considera que uma propriedade urbana 
atende à sua função social? 
 
07) Quais as consequências para o descumprimento da 
função social da propriedade urbana? 
 
08) O que é a desapropriação? 
 
09) Quais são as espécies de desapropriação? Em todas 
elas o patrimônio é incorporado ao patrimônio do 
Estado? 
 
10) Quais entes federativos podem proceder à 
desapropriação para reforma agrária? 
 
11) Qual a proteção a Constituição confere à pequena 
propriedade rural? 
 
12) O que é a requisição administrativa? Quais as suas 
características? Quais as suas espécies? 
 
13) Em quais hipóteses a Constituição autoriza a 
expropriação sem indenização (confisco)? 
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14) O que é o usucapião? Quais seus requisitos em 
imóveis urbanos e rurais? 
 
15) Os imóveis públicos são passíveis de usucapião? 
 
16) Quais as exceções constitucionais à liberdade de 
locomoção? 
 
17) Como conciliar a possibilidade de sigilo da fonte de 
informação com a vedação ao anonimato também 
expressa na Constituição Federal no inciso IV do mesmo 
art. 5º? 
 
18) No que consiste a autonomia privada? 
 
19) Qual a diferença entre a legalidade genérica e a 
legalidade para o poder público? 
 
20) Qual a diferença entre o princípio da legalidade e o 
princípio da reserva legal? 
 
21) O que é o direito de resistência? Quais são suas 
espécies? É sempre admitido no Brasil? 
 
22) Qual o limite imposto à liberdade de ação? 
 
23) Qual foi a posição do STF no que diz respeito à 
norma do edital do ENEM que previa a anulação de 
redação desrespeitosa aos direitos humanos? 
 
24) Quais são os critériosque orientam o direito de 
resposta? 
 
25) Qual o prazo decadencial para pleitear o exercício 
do direito de resposta? 
 
26) Qual foi a posição do STF em relação às biografias 
não autorizadas? 
 
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27) Quais as teorias existentes no que diz respeito ao 
momento do controle judicial da liberdade de imprensa? 
Qual foi a teoria adotada pelo STF no julgamento da 
ADPF 130/DF? Qual a teoria adotada pelo legislador 
civil? 
 
28) O que é o whistle-blower? 
 
29) É possível a instauração de inquérito policial com 
base unicamente em denúncia anônima? 
 
30) É possível a quebra do sigilo das interceptações 
telefônicas com base unicamente em denúncia anônima? 
 
31) Qual a diferença entre o “hate speech” e as 
“fighting words”? São protegidos pela liberdade de 
manifestação do pensamento? 
 
32) A antiga Lei de Imprensa foi recepcionada pela 
CF/88? 
 
33) A ordem e a segurança pública podem justificar 
restrição à liberdade de manifestação do pensamento? 
 
34) Na escusa de consciência, a recusa da prestação 
obrigatória fixada em lei gera perda ou suspensão dos 
direitos políticos? 
 
35) A escusa de consciência pode servir como 
fundamento para remarcação de provas pelo Estado 
(ENEM, por exemplo)? 
 
36) A laicidade do Brasil impede símbolos religiosos em 
locais públicos? E quanto à expressão “Deus seja 
louvado” nas cédulas de real? 
 
37) O ensino confessional é possível em escolas 
públicas? 
 
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38) A atividade de músico pode ser objeto de restrição 
estatal? 
 
39) Exige-se diploma de jornalismo para o exercício da 
profissão de jornalista? 
 
40) Quais são os requisitos para o exercício do direito 
de reunião? 
 
41) As marchas da maconha são permitidas no Brasil? 
 
42) Qual o remédio constitucional para garantir o 
exercício do direito de reunião? 
 
43) Qual a diferença entre a liberdade de associação e a 
liberdade de reunião? 
 
44) Qual o requisito para suspensão do funcionamento 
de uma associação? Qual o requisito para que uma 
associação seja compulsoriamente dissolvida? 
 
45) Quais as dimensões do direito à liberdade de 
associação? 
 
46) Qual a diferença entre representação processual e 
substituição processual? 
 
47) As associações exercem a representação processual 
ou a substituição processual de seus associados? 
 
48) Os sindicatos exercem a representação processual 
ou a substituição processual da categoria? 
 
49) Qual a eficácia horizontal do direito à liberdade de 
associação?casos 
previstos nesta Constituição; 
Desapropriação é o procedimento público de transferência 
compulsória de uma propriedade particular, por meio do qual o 
Estado a toma para si ou a transfere para terceiros, mediante o 
pagamento de prévia e justa indenização, em regra, em dinheiro. 
A doutrina classifica a desapropriação como forma 
originária de aquisição da propriedade, razão pela qual o bem 
desapropriado é insuscetível de reivindicação por parte de 
terceiros, estando livre e desembaraçado de quaisquer ônus 
que incidissem sobre ele precedentemente. 
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a) ESPÉCIES DE DESAPROPRIAÇÃO 
A desapropriação se divide em três espécies: por necessidade 
pública, por utilidade pública e por interesse social. 
 
ATENÇÃO! Nas hipóteses de necessidade e utilidade 
pública, a propriedade é revertida para o patrimônio do 
próprio Estado, enquanto na hipótese de interesse social 
não há incorporação ao patrimônio estatal, mas tão 
somente a disponibilização da propriedade para o 
credenciamento legal de beneficiários que irão recebê-las 
e utilizá-las. 
 
 DESAPROPRIAÇÃO POR NECESSIDADE PÚBLICA 
A desapropriação ocorre por necessidade pública nas hipóteses 
em que a Administração precisa realizar, em caráter emergencial, 
uma atividade essencial e indispensável ao Estado. Nessa 
hipótese, a desapropriação surge como único meio de solução 
administrativa para o problema. 
A doutrina entende que essa desapropriação ocorre nas 
hipóteses previstas, nas alíneas “a”, “b” e “c”, do art. 5º, do Decreto-
Lei 3.365/41: 
Art. 5º Consideram-se casos de utilidade pública: 
a) a segurança nacional; 
b) a defesa do Estado; 
c) o socorro público em caso de calamidade; 
ATENÇÃO: Muito embora o Decreto-Lei 3.665/41 mencione que 
são hipóteses de “utilidade pública”, a doutrina esclarece que a 
interpretação cabível é que essas hipóteses seriam, na verdade, de 
“necessidade pública”. 
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 DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA 
A desapropriação ocorre por utilidade pública nas hipóteses em 
que a atividade estatal não é urgente e nem precisa ser 
realizada indispensavelmente, mas é conveniente para o poder 
público. Nessa hipótese, a desapropriação não é a única solução 
para o problema administrativo, mas é considerada a melhor 
delas. 
A doutrina entende que essa desapropriação ocorre nas 
hipóteses previstas no art. 5º, do Decreto-Lei 3.365/411 (ressalvadas 
as alíneas “a”, “b” e “c”, que seriam hipóteses de desapropriação por 
necessidade pública, como visto anteriormente). 
 
 DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL 
(DESAPROPRIAÇÃO SANÇÃO) 
A desapropriação ocorre por interesse social nas hipóteses em 
que o Estado pretende promover uma distribuição mais justa 
da propriedade, em benefício da coletividade. Essa modalidade tem 
caráter sancionatório em razão do descumprimento da função 
social da propriedade. 
A desapropriação por interesse social pode ser de duas 
espécies: para fins de política urbana ou para fins de reforma 
agrária. 
A razão da desapropriação por interesse social sempre será o 
descumprimento da função social da propriedade, diferenciando-se as 
duas espécies unicamente em função da natureza do bem, urbano ou 
rural. 
 Para fins de política urbana: nos termos do art. 182, § 
4º, da Constituição, nas hipóteses em que a propriedade urbana não 
 
1 Trata-se de rol bastante extenso de hipóteses, o qual não precisa ser 
memorizado para fins de provas. Basta conhecer as hipóteses de desapropriação 
por necessidade pública (rol mais restrito). 
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cumprir a sua função social, o município estará autorizado a tomar 
medidas para solucionar o problema. 
O município deverá tentar solucionar o problema determinando 
inicialmente o parcelamento ou edificação compulsórios, 
posteriormente a cobrança progressiva do IPTU (necessariamente 
nessa ordem) e, persistindo o descumprimento da função social, 
procederá à desapropriação por interesse público como última 
medida. 
Nessa hipótese a indenização consistirá em pagamento 
mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada 
pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em 
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da 
indenização e os juros legais. 
 Para fins de reforma agrária: nos termos do art. 184, 
§ 1º, da Constituição, competirá exclusivamente à União promover a 
desapropriação para fins de reforma agrária da propriedade rural que 
não esteja cumprindo a sua função social. 
Nessa hipótese a indenização consistirá em pagamento 
mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com 
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até 
vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização 
será definida em lei. 
ATENÇÃO! A competência para desapropriação somente será 
exclusiva da União nas hipóteses de interesse social para fins de 
reforma agrária. Ou seja, os outros entes federativos podem 
promover a desapropriação de propriedades rurais com fundamento 
na necessidade ou utilidade pública. 
 
# PROTEÇÃO À PEQUENA PROPRIEDADE RURAL: 
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde 
que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para 
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, 
dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; 
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Esquematizando as espécies de desapropriação, temos: 
NECESSIDADE 
PÚBLICA 
UTILIDADE 
PÚBLICA 
INTERESSE 
SOCIAL 
Situação de 
emergência 
Não há situação de 
emergência 
Objetiva promover 
distribuição mais 
justa da propriedade 
Atividade 
indispensável para o 
Estado 
A atividade não é 
indispensável para o 
Estado 
Decorre do 
descumprimento da 
função social 
Única solução para o 
problema 
Não é a única 
solução, mas a 
melhor delas. 
Tem caráter 
sancionatório 
Recai sobre imóvel 
urbano ou rural 
Recai sobre imóvel 
urbano ou rural 
Recai sobre imóvel 
urbano ou rural 
 
 
II. REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA 
 XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente 
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário 
indenização ulterior, se houver dano; 
Trata-se de uma forma de intervenção do Estado na 
propriedade privada que possui caráter temporário e não tem por 
finalidade a supressão da propriedade particular, mas tão somente 
permitir o uso emergencial de uma propriedade privada em 
atendimento a interesse público. 
# CARACTERÍSTICAS DA REQUISIÇÃO 
 Situação emergencial; 
 Iminente perigo público; 
 Uso temporário do bem particular. 
 
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ATENÇÃO: A requisição administrativa possui duas modalidades: 
civil e militar. A militar ocorre durante o período de estado de 
sítio, nos termos do art. 139, VII, da Constituição Federal, 
enquanto a civil ocorre fora do referido período. 
 
# POSSIBILIDADE DE INDENIZAÇÃO 
Será devida indenização ao proprietário do bem quando a 
requisição administrativa acarretar danos ao bem requisitado. 
 
III. EXPROPRIAÇÃO SEM INDENIZAÇÃO (CONFISCO) 
Trata-se da supressão punitiva da propriedade privada, por 
ordem judicial, sem que o proprietáriotenha direito a receber 
qualquer indenização. 
Nos termos do art. 243 da Constituição Federal, essa forma de 
intervenção na propriedade privada ocorrerá em duas situações: 
 Cultivo ilegal de plantas psicotrópicas; 
 Exploração do trabalho escravo; 
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País 
onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas 
ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão 
expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de 
habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem 
prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que 
couber, o disposto no art. 5º. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 81, de 2014) 
ATENÇÃO! A expropriação de que trata o art. 243 da CF alcança a 
totalidade do imóvel utilizado na cultura ilegal de plantas 
psicotrópicas, e não somente as áreas em que foram cultivadas (RE 
543.974/MG, STF). 
IV. USUCAPIÃO 
Trata-se da aquisição da propriedade pelo uso. Pode ser de 
duas espécies: urbana ou rural. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc81.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc81.htm#art1
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Usucapião especial de imóvel urbano: prevista no art. 183 
da Constituição Federal nos seguintes termos: 
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até 
duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua 
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que 
não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
Usucapião de imóvel rural: prevista no art. 191 da 
Constituição Federal, nos seguintes termos: 
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou 
urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem 
oposição, área de terra, em zona rural, não superior a 
cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou 
de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a 
propriedade. 
Ou seja, para que ocorra a usucapião, urbana ou rural, são 
necessários os seguintes requisitos cumulativos: 
a) Posse mansa, pacífica e ininterrupta do imóvel; 
b) Posse por cinco anos ininterruptos; 
c) Não possuir outro imóvel urbano ou rural; 
d) Utilizar o imóvel para a sua moradia ou de sua família; 
e) Área não superior a: 
i) 250 metros quadrados para imóvel urbano; 
ii) 50 hectares para imóvel rural; 
 
ATENÇÃO! Os imóveis públicos não são passíveis de usucapião em 
nenhuma hipótese. 
 
 
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6) DIREITO À LIBERDADE 
O direito à liberdade como direito fundamental estabelecido no 
art. 5º da CF/88 deve ser entendido em sua acepção mais ampla, não 
envolvendo, portanto, somente o direito à liberdade física (liberdade 
de locomoção), mas também a liberdade de acesso à informação, 
ação, pensamento e sua manifestação, consciência, crença, 
culto, profissão, reunião, associação e etc. 
Dessa forma, vamos analisar o direito à liberdade dividindo 
didaticamente os referidos direitos em suas várias facetas: 
I) LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO 
O direito à liberdade de locomoção é expressamente previsto no 
art. 5º, XV, da Constituição Federal: 
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, 
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer 
ou dele sair com seus bens; 
Como se observa do dispositivo acima transcrito o direito à 
liberdade de locomoção alcança: 
i) O acesso ao território nacional e o ingresso nele; 
ii) A saída do território nacional; 
iii) A permanência no território nacional; 
iv) O deslocamento no território nacional; 
O direito à liberdade de locomoção também é contemplado no 
seguinte dispositivo do art. 5º: 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem 
escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo 
nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, 
definidos em lei; 
Todavia, há de se ressaltar que o direito de liberdade de 
locomoção não possui caráter absoluto nem mesmo nos 
tempos de paz, até porque se constitui em norma de eficácia 
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contida, podendo ter sua aplicação restringida pela lei ou pela própria 
Constituição a partir de critérios justos e proporcionais. 
O Estado de sítio (art. 139 da CF) é um exemplo de 
exceção constitucional ao direito de liberdade de locomoção. 
Durante a sua vigência é permitida a obrigação de permanecer em 
determinado local, bem como a detenção em edifício não destinado a 
acusados ou condenados por crimes comuns. 
Outra exceção ocorre no Estado de Defesa (art. 136), 
quando é possível, por exemplo, a prisão preventiva de alguém sem 
mandado judicial. 
Além das hipóteses constitucionalmente previstas, há também 
outras situações de restrição ao referido direito, tais como a 
restrição da liberdade decorrente de imposição de penas privativas de 
liberdade em processos criminais e a autorização legislativa conferida 
à administração pública para regulamentar a forma de circulação de 
pessoas em determinados locais públicos. 
II) LIBERDADE DE ACESSO À INFORMAÇÃO 
O inciso XIV do art. 5º da Constituição Federal assegura: 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o 
sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; 
Portanto, o direito à informação é assegurado como direito 
fundamental do indivíduo como se depreende do dispositivo acima. 
Contudo, deve-se ter em mente que, como os outros direitos 
fundamentais, este também não se trata de um direito absoluto, 
razão pela qual carece de uma interpretação que lhe estabeleça o 
alcance adequado. 
Nesse sentido é necessário perceber que o referido direito recai 
sobre informações de interesse público ou geral, não cabendo a sua 
invocação perante informações que digam respeito à vida privada ou 
à intimidade de outro indivíduo. 
 
 
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PROTEÇÃO AO SIGILO DA FONTE 
Outro ponto importante é a possibilidade de salvaguarda do 
sigilo da fonte da informação, quando isso for necessário ao 
exercício profissional. 
Trata-se de uma exceção constitucional que visa, 
principalmente, auxiliar os profissionais de imprensa na execução de 
seu trabalho de informar a população, tendo em vista que em muitas 
ocasiões as informações que lhes são passadas podem colocar o seu 
informante em situação de risco pessoal, profissional e etc. 
Por essa razão, a Constituição cria um escudo protetor para a 
fonte da informação, garantindo que ao jornalista – por exemplo – 
não será imposta a obrigação de revelar a identidade dessa pessoa. 
Uma pergunta que se pode fazer nesse momento é a seguinte: 
Como conciliar a possibilidade de sigilo da fonte de 
informação com a vedação ao anonimato também expressa na 
Constituição Federal no inciso IV do mesmo art. 5º? 
A resposta é simples. A Constituição Federal veda o anonimato 
na liberdade de manifestação do pensamento para que seja possível, 
diante de eventual excesso daquele que manifesta suas opiniões, 
garantir a sua responsabilização civil e criminal. 
Pois bem, quando um jornalista divulga determinada 
informação, ele o faz em nome próprio, portanto, assumindo a 
responsabilidade pelas opiniões divulgadas, de forma que possível 
responsabilização por eventual excesso recairá sobre o profissional. 
Dessa forma, não há que se falarem ofensa à vedação do anonimato. 
Dessa forma, muito embora a fonte possa ser sigilosa, a 
informação não será divulgada de forma anônima. 
 
III) LIBERDADE DE AÇÃO (AUTONOMIA PRIVADA) 
O direito à liberdade de ação está previsto no inciso II, do art. 
5º, da CF/88, nos seguintes termos: 
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II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa 
senão em virtude de lei; 
Trata-se do muito conhecido princípio genérico da 
legalidade, que garante ao cidadão o direito de não ser forçado a 
agir ou deixar de agir por qualquer via diversa da legal. 
Sobre o princípio genérico da legalidade, dois pontos são 
relevantes para provas de concursos públicos: 
 a diferença entre o princípio genérico da legalidade e 
os princípios específicos da legalidade; e 
 
 a diferença entre o princípio genérico da legalidade e 
o princípio da reserva legal. 
Vamos analisar cada um desses pontos separadamente, 
abrangendo tudo aquilo que pode ser cobrado pelo seu examinador 
nas provas de concursos públicos. 
 
I) PRINCÍPIO GENÉRICO E PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS 
DA LEGALIDADE 
O princípio genérico da legalidade aduz que a imposição de 
obrigações aos particulares (cidadãos) somente pode se dar por meio 
de lei. 
Dessa forma, o particular está autorizado a fazer qualquer coisa 
que a lei não lhe proíba ou deixar de fazer qualquer coisa que a lei 
não lhe exija. 
Em outro giro, temos outras três hipóteses constitucionais que 
são taxadas como princípio da legalidade, mas têm incidência 
específica a determinada situação. São elas: 
a) Princípio da legalidade para o poder público (art. 37, 
caput, da CF): 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
obedecerá aos princípios de legalidade (...) 
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Segundo o princípio da legalidade especificamente aplicado ao 
poder público, a análise deve ser diferente daquela feita ao princípio 
genérico da legalidade. 
 
Ao poder público só é lícita a atuação expressamente autorizada 
por lei, nessa hipótese, o silêncio legislativo não pode ser entendido 
como autorização para agir, diferentemente do que estabelece o 
princípio genérico da legalidade. 
Resumindo: 
Legalidade Genérica 
Legalidade da Administração 
Pública 
O cidadão pode fazer qualquer 
coisa que a lei não proíba. 
A Administração Pública somente 
pode agir quando 
expressamente autorizada por 
lei. 
 
b) Princípio da legalidade para o direito penal 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem 
prévia cominação legal; 
Para o direito penal, o princípio da legalidade exige que a 
criação de crimes e a cominação de penas somente seja feita por 
meio de lei, entendida essa lei em seu sentido estrito (ou seja, 
apenas lei ordinária ou lei complementar). 
 
 
c) Princípio da legalidade tributária 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios: 
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 
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Trata-se de uma vedação à atuação estatal na arrecadação 
tributária. O Estado somente pode agravar a situação do contribuinte 
(criando novos tributos ou aumentando a carga tributária) quando 
houver expressa autorização legislativa. Perceba que se trata de clara 
limitação à discricionariedade do Estado. 
II) Princípio genérico da legalidade e o princípio da 
reserva legal 
Como vimos, o princípio genérico da legalidade aduz que a 
imposição de obrigações aos particulares (cidadãos) somente pode se 
dar por meio de lei. 
Reserva legal, por sua vez, é a exigência constitucional de que 
determinada matéria seja regulada mediante lei. 
São vários os exemplos de reserva legal no texto constitucional, 
somente no art. 5º, podemos citar dois: 
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou 
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei 
estabelecer; 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de 
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a 
interferência estatal em seu funcionamento; 
Mas não só no art. 5º, temos exemplos de reserva legal. 
Podemos citar também: 
Art. 9º, § 1º, da CF/88: A lei definirá os serviços ou atividades 
essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades 
inadiáveis da comunidade. 
Art. 37, I, da CF/88: os cargos, empregos e funções públicas 
são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos 
estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma 
da lei; 
Enfim, diversos são os exemplos de reserva legal espalhados 
pelo texto constitucional, mas a diferença entre legalidade genérica e 
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reserva legal não fica suficientemente esclarecida somente com essas 
informações. 
Afinal, analisando-se, por exemplo, o supracitado inciso XIII, do 
art. 5º, da CF/88, podemos concluir que os mandamentos da 
legalidade genérica e da reserva legal se sobrepõe 
desnecessariamente. 
Isso porque a legalidade genérica já menciona que o cidadão 
somente pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo em virtude 
de lei, o que por si só abarcaria a determinação do inciso XIII de que 
a lei poderia estabelecer qualificações para restringir o livre exercício 
profissional. 
Veja que, nesse caso, o inciso XIII estaria repetindo 
desnecessariamente a exigência de lei para estabelecimento de 
restrição ao exercício profissional. 
Todavia, essa aparente sobreposição de normas fica resolvida 
quando se compreende a extensão do vocábulo lei em cada um dos 
mandamentos constitucionais. 
Enquanto na legalidade genérica o vocábulo lei é utilizado 
em seu sentido amplo, permitindo inclusive a utilização de 
atos infralegais, o vocábulo lei empregado nos exemplos de 
reserva legal é utilizado em seu sentido estrito, apenas 
admitindo a utilização de atos normativos primários (lei 
ordinária, lei complementar, lei delegada ou medida provisória). 
 
Por essa razão, caso não houvesse a exigência de Lei no 
analisado inciso XIII, o livre exercício profissional poderia 
ser restringido por atos infralegais, pois deveria obediência 
tão somente ao princípio da legalidade genérica. 
Outra diferença marcante é que o princípio da legalidade 
genérica é utilizado tão somente para pautar a imposição de 
obrigações a particulares, enquanto a reserva legal é exigida para 
diversos temas diferentes, sendo apenas um deles a imposição de 
obrigações a particulares. 
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Como exemplo de reserva legal sem nenhuma relação com a 
imposição de obrigações a particulares temos o inciso XIX, do art. 37, 
da CF/88: 
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia 
e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de 
economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, 
neste último caso, definir as áreas de sua atuação; 
Resumindo: 
LEGALIDADE GENÉRICA RESERVA LEGAL 
Exige lei em sentido amplo, ou 
seja, admite atos infralegais 
Somente admite lei em sentido 
estrito (ato normativo primário) 
Somente se refere à imposição 
de obrigações a particulares 
Trata de diversas matérias, 
inclusive imposição de 
obrigações a particulares# DIREITO DE RESISTÊNCIA: 
Como ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão 
em virtude de lei, surge o denominado DIREITO DE RESISTÊNCIA: 
o indivíduo pode resistir à ação de agentes do Estado e de 
particulares que busquem constrange-lhe a praticar conduta não 
determinada na lei ou a não praticar algo que a lei lhe permite. 
A resistência pode ser individual ou coletiva. Além disso, comporta as 
seguintes espécies: 
 Resistência passiva: É a simples recusa em cumprir o ato 
opressivo, enquanto ainda não houver coação para cumpri-lo. 
 Resistência defensiva: É a repulsão da força pela força, num 
autêntico exercício do direito de defesa. 
 Resistência agresiva:É forma de rebelião ou revolução 
tendente à revogação do ato injusto ou à própria mudança de 
governo. 
ATENÇÃO! Apenas a resistência agressiva não é tolerada em nosso 
ordenamento jurídico. 
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# LIMITAÇÕES À LIBERDADE DE AÇÃO ( AUTONOMIA 
PRIVADA): Nos dizeres do STF, a autonomia privada encontra claras 
limitações de ordem jurídica” e “não pode ser exercida em detrimento 
ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros, 
especialmente aqueles positivados em sede constitucional, pois a 
autonomia da vontade não confere aos particulares, no domínio de 
sua incidência e atuação, o poder de transgredir as restrições postas 
e definidas pela própria Constituição, cuja eficácia e força normativa 
também se impõem, aos particulares no âmbito de suas relações 
privadas, em tema de liberdades fundamentais”. (RE 201.819, 2ª 
Turma). 
IV) LIBERDADE DE PENSAMENTO E MANIFESTAÇÃO 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
É garantido a todo e qualquer cidadão a liberdade de 
pensamento e, o mais importante, o direito de manifestar suas ideias 
por qualquer meio, tais como mensagens faladas ou escritas, gestos, 
expressões corporais, imagens e etc. 
Obviamente, o direito à liberdade de manifestação do 
pensamento não é absoluto e encontra limitação em outros direitos 
fundamentais previstos na CF/88, tais como o direito à inviolabilidade 
da privacidade e da intimidade e a vedação ao racismo. 
Por essa razão não é lícito a ninguém externar seus 
pensamentos discriminatórios em relação a uma pessoa de outra 
raça, religião, cor, etnia, procedência nacional, orientação sexual e 
etc. 
Não obstante a relatividade da liberdade de manifestação do 
pensamento, em decisões monocráticas a Ministra Cármen Lúcia 
entendeu que era ilegítima norma do edital do ENEM (Exame 
Nacional do Ensino Médio) que previa a anulação de redação 
desrespeitosa a direitos humanos (STA 864/DF e SL 1.127/DF). A 
Ministra asseverou que há outros meios e modos para se questiona, 
administrativa ou judicialmente, eventuais excessos. 
 
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PONTOS RELEVANTES PARA AS PROVAS DE CONCURSOS 
PÚBLICOS LIGADOS AO DIREITO À LIBERDADE DE 
PENSAMENTO E MANIFESTAÇÃO: 
I. VEDAÇÃO AO ANONIMATO 
Conforme determina o inciso IV, do art. 5º, da CF/88: 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o 
anonimato; 
Portanto, muito embora seja direito de qualquer cidadão 
externar de qualquer modo o seu pensamento, veda-se o anonimato. 
Busca-se, dessa forma, evitar abusos no uso do direito de livre 
manifestação, que causem ofensas a direitos de terceiras pessoas, 
tais como honra ou imagem, por exemplo, e inclusive permitir a 
responsabilização penal aplicável à hipótese quando diante de uma 
prática criminosa (como o racismo, por exemplo). 
 
ATENÇÃO! Com base na vedação ao anonimato (art. 5º, 
IV, da CF/88), o STF firmou entendimento de que o 
Tribunal de Contas da União não pode manter em sigilo a 
identidade de autor de denúncia apresentada ao Tribunal 
contra administrador público. 
 
O entendimento supramencionado foi proferido durante 
julgamento do MS 24.405/DF, DJ 23/04/2004, em que o STF declarou 
a inconstitucionalidade do art. 55, § 1º, da Lei Orgânica do TCU, que 
determinava o estabelecimento de sigilo permanente em relação à 
autoria de denúncias sobre irregularidades. 
 
II. DIREITO DE RESPOSTA 
O direito de resposta (regulamentado pela Lei 13.188/2015) 
está previsto no inciso V, do art. 5º, da CF/88: 
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V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além 
da indenização por dano material, moral ou à imagem; 
Esse direito surge na hipótese em que tenha ocorrido um abuso 
do direito de manifestação do qual tenha resultado dano a terceira 
pessoa. 
O direito de resposta é orientado pelos critérios da 
gratuidade e da proporcionalidade, ou seja, a resposta deve ser 
assegurada no mesmo meio de comunicação em que o agravo foi 
veiculado e deve ter o mesmo destaque e a mesma duração (em 
meio sonoro ou audiovisual) ou tamanho (em meio escrito), sempre 
sem ônus para o ofendido. 
O prazo decadencial para pleitear o exercício do direito 
de resposta é de sessenta dias contados a partir da data de cada 
uma das publicações, transmissões ou divulgações de matérias 
ofensivas. 
ATENÇÃO! O exercício do direito de resposta não afasta 
o direito à indenização pelas ofensas praticadas. 
 
III. OBRAS BIOGRÁFICAS OU AUDIOVISUAIS E A 
DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO 
O STF afastou a exigência de autorização prévia da pessoa 
biografada ou de seus familiares, em casos de pessoas falecidas, para 
produção de obras biográficas ou audiovisuais (ADI 4815/DF, DJe 
01/02/2016). 
Mais uma vez o fundamento foi o direito à liberdade de 
manifestação e o direito previsto no inciso IX, do art. 5º, da CF/88: 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e 
de comunicação, independentemente de censura ou licença; 
O dispositivo acima prevê a garantia do que se costuma chamar 
de LIVRE MERCADO DE IDEIAS (marketplace of ideas), com base 
no qual a sociedade tem mais chances de evoluir e prosperar, não só 
no âmbito das ciências sociais, como em todas as demais áreas do 
conhecimento. 
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A Constituição ainda reforça a vedação à censura no art. 220 
(§2º): é “vedada toda e qualquer censura de natureza política, 
ideológica e artística”. 
Muito embora não seja necessária a autorização prévia do 
biografado, diante de abusos no direito de liberdade de manifestação, 
a pessoa que se sinta prejudicada com o teor de determinada obra 
biográfica ou audiovisual pode buscar o poder judiciário em defesa de 
seu direito à honra ou imagem que eventualmente esteja sendo 
violado. 
 
ATENÇÃO! Existe a possibilidade de responsabilizar (civil 
ou penalmente) o autor da biografia nos casos de 
excesso. Sendo possível ao biografado, nos casos de 
responsabilidade civil, pleitear uma tutela ressarcitória 
(tirar o livro de circulação) ou, excepcionalmente, uma 
tutela inibitória (impedir a publicação). 
 
IV. JURISPRUDÊNCIA IMPORTANTE 
No HC 83.996/RJ (caso Gerald Thomas), a 2ª Turma do STF afastou a 
configuração do crime de ato obsceno e incluiu, na esfera de proteção 
efetiva da liberdade de expressão, atos de artista que, em reação a 
vaias ao término de peça teatral, exibira as nádegas aos 
espectadores. 
V. LIBERDADE DE IMPRENSA 
A Constituição tratou da liberdade de imprensa sob a ótica da ordem 
econômica. No art. 220, proibiu a instituição de monopólio ou 
oligopólio nos meios de comunicação social (§5º), além de ter criado 
séria de condições à propriedade deempresa jornalística e de 
radiofusão sonora e de sons e imagens (art. 222), atividades cuja 
exploração foi condicionada à outorga estatal (art. 223). Contudo, em 
relação à publicação de veículo impresso de comunicação, a 
Constituição afastou a necessidade de qualquer licença do Poder 
Público (art. 220, §6º). 
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 Controle judicial da liberdade de imprensa 
É certo que a liberdade de imprensa não é absoluta e pode gerar 
colisão com outros direitos fundamentais. A questão a ser analisada 
é em que momento o Poder Judiciário pode impor restrições à 
liberdade de imprensa. 
Existem duas teorias: 
o Teoria da ponderação simples: Entende que a 
liberdade de imprensa pode sofrer restrições em casos 
concretos, incluindo a possibilidade de eventual 
proibição de publicações consideradas abusivas. 
o Teoria da relativização somente “a posteriori”: 
Entende que a liberdade de imprensa e a livre 
circulação de ideias não podem ser restringidas a 
priori, nem mesmo pelo Judiciário, mas isso não 
impede a aplicação, a posteriori, de medidas contra os 
excessos cometidos, tais como a garantia do direito de 
resposta e a responsabilização civil e penal. 
A jurisprudência do STF, em momento anterior, já aderiu à 
ideia segundo a qual a liberdade de expressão (especialmente em 
relação aos órgãos de comunicação social) só poderia ser controlada 
judicialmente a posteriori. 
Nesse sentido, na ementa do AgRg na Rcl 21.504/SP (2ª 
Turma, j. 17-11-2015) constou que a “liberdade de imprensa, 
qualificada por sua natureza essencialmente constitucional, assegura 
aos profissionais de comunicação social o direito de buscar, de 
receber e de transmitir informações e ideias por quaisquer meios, 
inclusive digitais, ressalvada, no entanto, a possibilidade de 
intervenção judicial – necessariamente “a posteriori” – nos casos 
em que se registrar prática abusiva dessa prerrogativa de ordem 
jurídica, resguardando, sempre, o sigilo da fonte quando, a critério do 
próprio jornalista, este assim o julgar necessário ao seu exercício 
profissional”. 
No mesmo sentido, a redação da ementa da ADPF 130/DF que 
decidiu pela não recepção da Lei de Imprensa (Lei nº 5.520/67). 
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Todavia, o legislador civil optou, explicitamente, pela teoria da 
ponderação simples. O artigo 20 do CC admite a proibição da 
própria “divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a 
publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa” – 
salvo se autorizadas ou se necessárias à administração da justiça ou 
à manutenção da ordem pública. E o artigo seguinte do mesmo 
Código Civil prevê que o juiz, “a requerimento do interessado”, 
poderá adotar as providências necessárias também para impedir – e 
não só para fazer cessar – atos contrários à inviolabilidade da vida 
privada da pessoa natural. 
Em decisão recente, o STF fixou o entendimento no sentido de 
que, via de regra, o controle judicial da liberdade de manifestação 
do pensamento deve ser feito a posteriori, todavia, 
excepcionalmente, é possível a proibição de divulgação de 
conteúdo, sempre em situações extremas teratológicas e justificadas 
por uma análise de proporcionalidade que considere a posição 
preferencial da liberdade de expressão (ADI 4815, STF – p. 
29/1/16). 
VI. WHISTLE-BLOWER 
“Whistle-blower” é a pessoa que expõe qualquer tipo de informação 
ou atividade considerada ilegal, desonesta ou incorreta no âmbito de 
uma organização pública ou privada. 
No Brasil, pode-se manter o anonimato do “whistle-blower” para 
protegê-lo sob o fundamento do sigilo da fonte, quando necessário ao 
exercício profissional do jornalista. 
Vale ressaltar que o sigilo da fonte pode ser resguardado a critério do 
jornalista, quando ele achar necessário ao exercício profissional. 
Contudo, não há falar-se nesse critério subjetivo se foi o 
próprio informante quem requisitara ao jornalista o sigilo da 
finte, como nas informações dadas em “off” (off the records). Nesse 
caso, o jornalista estará obrigado a manter o sigilo da fonte, sob pena 
de eventual responsabilização civil e até criminal (art. 154 do CP). 
Além disso, como veremos a seguir, uma notícia anônima pode 
ensejar a verificação preliminar das informações pelas autoridades 
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policiais, que, caso verifiquem a procedência da notícia, podem 
instaurar procedimento oficial de investigação. 
VII. POSSIBILIDADE DE INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO 
POLICIAL OU DE AÇÃO PENAL COM BASE EXCLUSIVAMENTE 
EM DENÚNCIA ANÔNIMA 
Os tribunais superiores não admitem a instauração de inquérito 
policial ou de ação penal fundamentados apenas em notitia criminis 
inqualificada, notitia criminis apócrifa (ou, como popularmente é 
conhecida, denúncia anônima). Tal fato deriva do mandamento 
constitucional que veda o anonimato no exercício do direito de 
manifestação. 
Contudo, por ser uma ferramenta de suma importância no 
combate à criminalidade (já que o receio de sofrer retaliações acaba 
impedindo o cidadão de denunciar os fatos de que toma 
conhecimento), busca-se uma mitigação à vedação ao anonimato 
nessas hipóteses de delações apócrifas. 
Com efeito, os tribunais superiores entendem que, antes de 
oferecer a denúncia, instaurar inquérito policial ou solicitar medidas 
judiciais mais invasivas, as autoridades responsáveis devem realizar 
diligências preliminares que comprovem o teor da denúncia apócrifa, 
buscando indícios mínimos de sua procedência. 
Após as investigações preliminares que certifiquem a 
veracidade do teor da delatio criminis apócrifa, os procedimentos 
formais podem ser instaurados sem que exista ilegalidade por 
derivação nos elementos informativos inaugurais que decorreram da 
denúncia anônima originária. 
ATENÇÃO: Existem duas únicas hipóteses em que peças 
apócrifas (anônimas) podem ser utilizadas como única 
prova para instauração de inquérito policial ou ação 
penal: (a) quando o documento anônimo tiver sido 
produzido pelo próprio acusado; (b) quando o documento 
anônimo representar o corpo de delito do crime praticado 
(por exemplo, bilhete de resgate em um crime de 
extorsão mediante sequestro). 
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É possível a quebra do sigilo das interceptações telefônicas 
com base unicamente em denúncia anônima? A resposta é 
negativa. No julgamento de um HC envolvendo a chamada Operação 
Castelo de Areia, o STJ anulou as provas que eram decorrentes de 
interceptação telefônica autorizada com base exclusivamente em 
denúncia anônima (STJ, HC n. 137.349). 
Vale ressaltar que a Lei nº 8.443/92 prescreve tratamento sigiloso às 
denúncias formuladas por cidadãos, partidos políticos ou sindicatos ao 
TCU, até decisão definitiva sobre a matéria. O STF considerou válido 
o dispositivo, mas decidiu que o sigilo só pode ser mantido até que se 
tenha decisão definitiva sobre a matéria (MS 24.405/DF, Plenário). 
VIII. “HATE SPEECH” X “FIGHTTING WORDS” 
As palavras belicosas (“fighting words”) são discursos considerados 
ofensivos que, destituídos de valor social ou persuasivo, se dirigem 
a uma pessoa em particular e de maneira tão provocativa que 
possa gerar ou justificar o perigo de pronta e violenta 
reação/retaliação. 
Já o discurso de ódio (“hate speech”) é a manifestação do 
pensamento que ofende, ameacem ou insultem, genericamente, 
certo grupo de pessoas com base na raça, cor, religião, 
nacionalidade,orientação sexual, ancestralidade, deficiência ou 
outras características próprias. 
No direito norte-americano, prevalece o entendimento de que até o 
discurso de ódio (hate speech) inclui-se no âmbito de proteção da 
liberdade de expressão. Diversamente das palavras belicosas, que se 
dirigem a pessoa determinada. 
Adota-se o entendimento, originalmente baseado na concepção do 
livre mercado de ideias, de que a liberdade de expressão não 
admite restrições em relação à mensagem do discurso em si, embora 
possam ser admitidas quanto às maneiras com que são expressadas 
as opiniões. 
No Brasil, o hate speech não conta com proteção jurídica 
(muito menos as “fighting words”). 
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No Plenário do STF, em precedente que discutia o caráter criminoso 
de publicação literária preconceituosa e antissemita, venceu a posição 
pela antijuridicidade dos discursos de ódio. Para a Corte, o “preceito 
fundamental da liberdade de expressão não consagra o direito à 
incitação ao racismo, dado que um direito individual não pode 
constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como sucede com 
os delitos contra a honra”. (HC 82.424/RS. 
 
IX. NÃO RECEPÇÃO DA ANTIGA LEI DE IMPRENSA PELA 
CF/88 
Com base no direito à liberdade de manifestação, dentre vários 
outros fundamentos, o STF firmou o entendimento de que a Lei de 
Imprensa (Lei 5.250/67), editada ao tempo do regime militar, era 
absolutamente incompatível com o padrão de democracia e liberdade 
do regime jurídico estabelecido pela constituição cidadã de 1988 
(STF: ADPF 130, DJe 06/11/2009). 
X. A ORDEM E A SEGURANÇA PÚBLICA PODEM JUSTIFICAR 
RESTRIÇÃO À LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO 
PENSAMENTO? 
Sim! Na ADInMC 5.136/DF, o Plenário do STF reputou proporcionais 
– e, portanto, constitucionais – as restrições legais à liberdade de 
manifestação em estádios de futebol durante a Copa do Mundo de 
2014. De acordo com o STF, o fundamento da restrição era prevenir 
confrontos e garantir a segurança dos próprios participantes daquele 
evento de grande porte internacional. 
XI. DIREITO DIFUSO À NOTÍCIA VERDADEIRA 
A veracidade da informação serve como limite interno à liberdade de 
comunicação social. Não estão agasalhadas pelo direito à liberdade 
de expressão comunicativa aquelas informações falsas. 
V) LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA E CULTO 
O Brasil é um estado laico (secular ou não-confessional), ou 
seja, não possui nenhuma religião oficial, conforme estabelece o art. 
19, I, da CF/88: 
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Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e 
aos Municípios: 
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, 
embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus 
representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, 
na forma da lei, a colaboração de interesse público; 
Por essa razão o direito à liberdade de consciência, crença e 
culto é alçado à condição de direito fundamental do indivíduo no art. 
5º, VI, da CF/88, nos seguintes termos: 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo 
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, 
na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas 
liturgias; 
Liberdade de consciência possui um aspecto bem amplo, 
envolvendo a liberdade de o indivíduo escolher as ideias e opiniões 
que bem entender em relação à religiosidade (tais como acreditar em 
conceitos sobrenaturais propostos por determinada religião, ou 
acreditar na existência de um Deus ou até mesmo não crer em 
nenhum Deus ou entidade sobrenatural). 
Liberdade de crença, por sua vez possui conceito mais 
restrito, envolvendo tão somente o aspecto religioso em si, ou seja, é 
a liberdade de professar a crença religiosa que bem entender. 
Liberdade de culto é a permissão para externar a crença que 
professa, valendo-se dos ritos, cerimônias, reuniões, hábitos e 
tradições correspondentes. Abrange, inclusive, o direito de 
empreender proselitismo e de explicitar atos próprios de religiosidade 
(o STF entendeu que não havia crime em conduta de padre que 
explicitara conteúdo discriminatório ao Espiritismo – RHC 
134.682/BA). 
Como forma de viabilizar o direito de liberdade de consciência, 
crença e culto, o inciso VII, do art. 5º, da CF/88 estabelece a 
garantia de assistência religiosa a todos aqueles que se encontrem 
internados em entidades civis ou militares, nos seguintes termos: 
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VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de 
assistência religiosa nas entidades civis e militares de 
internação coletiva; 
 É uma espécie de garantia-limite, que busca prevenir a 
violação ao referido direito daqueles que se encontrem 
impossibilitados de comparecerem livremente aos seus locais de culto 
em razão de estarem privados de sua liberdade de locomoção em 
decorrência de condenação criminal ou em estado de saúde delicado 
em hospitais públicos ou particulares. 
PONTOS RELEVANTES PARA AS PROVAS DE CONCURSOS 
PÚBLICOS LIGADOS AO DIREITO À LIBERDADE DE 
CONSCIÊNCIA, CRENÇA E CULTO: 
I. ESCUSA DE CONSCIÊNCIA 
A escusa de consciência, também conhecida como objeção de 
consciência ou alegação de imperativo de consciência, é a 
garantia que o cidadão tem de não sofrer restrições em seus direitos 
em razão de ter se recusado a cumprir uma obrigação a todos 
imposta quando esta for colidente com seus princípios filosóficos, 
religiosos ou políticos. 
A referida garantia está prevista no inciso VIII, do art. 5º, da 
CF/88, nos seguintes termos: 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença 
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar 
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a 
cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
Da leitura do dispositivo acima podemos concluir que ninguém 
pode sofrer restrição em seus direitos por ter se valido da escusa de 
consciência. 
Salvo quando, além de não cumprir a obrigação genérica a 
todos imposta, não cumprir também a obrigação alternativa 
estabelecida em Lei. 
 
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ATENÇÃO! A ausência de norma prevendo a obrigação 
alternativa não prejudica o cidadão, ou seja, na ausência 
de norma que estabeleça prestação alternativa, o cidadão 
não pode ser punido com restrição em seus direitos por 
ter alegado a escusa de consciência. 
Diante do exposto, percebe-se que o inciso VIII, em relação à 
criação da obrigação alternativa, é norma de eficácia contida, 
muito embora possua eficácia plena em relação ao direito de alegar 
objeção de consciência. 
II. RECUSA DA PRESTAÇÃO OBRIGATÓRIA E DA ALTERNATIVA: 
PERDA OU SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS? 
Existe uma forte divergência em relação à espécie de restrição 
dos direitos políticos nos casos de escusa de consciência. 
Para uma primeira corrente, tratar-se-ia de caso de 
SUSPENSÃO dos direitos políticos, tendo em vista o disposto 
no art. 4º, § 2º, da Lei 8.239/09 (regula a obrigação alternativa 
ao serviço militar obrigatório), in verbis: 
Art. 4º, § 2º: Findo o prazo previsto no parágrafo anterior, o 
certificado só será emitido após a decretação, pela autoridade 
competente, da suspensão dos direitos políticos do 
inadimplente, que poderá, a qualquer tempo, regularizar sua 
situação mediante cumprimento das obrigações devidas. 
Ainda em favor da primeira corrente, o Código de Processo 
Penal em seuart. 438, tratando sobre a recusa ao serviço do júri, 
aduz que: 
Art. 438. A recusa ao serviço do júri fundada em convicção religiosa, 
filosófica ou política importará no dever de prestar serviço 
alternativo, sob pena de suspensão dos direitos políticos, 
enquanto não prestar o serviço imposto. 
Para uma segunda corrente, entretanto, como os direitos 
políticos ficarão restritos indefinidamente até que o cidadão 
cumpra a obrigação social alternativa prevista em Lei e tendo 
em vista que o título de eleitor do cidadão é cancelado, 
obrigando a um novo alistamento eleitoral após o 
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cumprimento da obrigação para reaquisição dos direitos 
políticos, a escusa de consciência representaria hipótese de 
PERDA dos direitos políticos (nesse sentido: José Afonso da Silva, 
Pedro Lenza e Alexandre de Moraes, André Ramos Tavares, Ives 
Gandra). 
Portanto, de um lado temos uma corrente mais legalista 
(amparada em dois dispositivos legais), que defende a suspensão dos 
direitos políticos e, de outro lado, uma corrente mais moderna e 
capitaneada por grandes nomes do direito constitucional, que defende 
ser caso de perda dos direitos políticos. 
COMO FOI COBRADO EM PROVA: 
O referido tema já foi cobrado em provas objetivas de duas grandes 
bancas examinadoras, tendo cada uma delas trabalhado com uma 
das correntes acima expostas. Vejamos: 
(CESPE/ TRF 5ª Região - Juiz Federal/2011) Apesar de a 
prestação de serviço militar ser obrigatória, a recusa em cumpri-la 
é admitida sob a alegação do direito de escusa de consciência, 
cabendo, nesse caso, às forças armadas atribuir àquele que exercer 
esse direito serviço alternativo em tempo de paz, cuja recusa 
enseja como sanção a declaração da perda dos direitos políticos. 
RESPOSTA: CORRETA. 
 
(FCC/Juiz/RR/2008) A recusa de obrigação a todos ou prestação 
alternativa acarreta: 
(a) somente a imposição de pena pecuniária; 
(b) a cassação dos direitos políticos; 
(c) a perda dos direitos políticos; 
(d) a suspensão dos direitos políticos; 
(e) somente a aplicação de pena privativa de liberdade. 
RESPOSTA: LETRA D. 
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III. IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA DE 
CERTAME PÚBLICO EM DATA DIFERENTE DA PREVISTA EM 
RAZÃO DA ESCUSA DE CONSCIÊNCIA 
Alunos Judeus ortodoxos – que devem guardar o sétimo dia 
após os seis dias de criação do universo (período compreendido entre 
o pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol de sábado) –, em razão de 
sua crença religiosa, solicitaram a alteração da data da prova do 
ENEM de sábado para domingo. 
O STF firmou posicionamento (STA 389 AgR, DJe 14/05/2010) 
de que o Estado não é obrigado a realizar provas em datas 
alternativas para atender à escusa de consciência de 
determinado grupo de estudantes que possuem limitações em 
razão de convicção religiosa. 
Notadamente em razão de ter sido oferecido aos estudantes, 
por ocasião da inscrição, a opção de “atendimento a necessidades 
especiais” que permitiria aos candidatos com essa restrição a 
permanência em sala isolada e incomunicável até as 18h de sábado, 
momento em que iniciariam a resolução das mesmas provas que 
foram aplicadas aos outros candidatos durante o dia. 
IV. SÍMBOLOS RELIGIOSOS EM LOCAIS PÚBLICOS E 
LAICIDADE DO ESTADO BRASILEIRO 
Sobre a afixação de crucifixos nas dependências dos órgãos do 
poder judiciário, o CNJ decidiu que tais objetos representariam 
símbolos da cultura brasileira, em nada prejudicando a 
universalidade e imparcialidade do poder judiciário, determinando, 
por fim, que caberia a cada órgão do poder judiciário decidir sobre a 
utilização dos referidos símbolos em seus respectivos espaços. 
 E QUANTO À EXPRESSÃO “DEUS SEJA LOUVADO” NAS 
CÉDULAS DE REAL? 
O tema ainda não foi discutido nos tribunais superiores. A doutrina 
pondera que, muito embora o Brasil seja um país laico, isso não 
significa um Estado ateu. O que se exige do Estado Brasileiro e 
decorre da noção de laicidade é a neutralidade, o respeito ao 
pluralismo, e não a atitude de intolerância e de hostilidade. 
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Vale ressaltar que laicidade não se confunde com laicismo. 
Laicidade significa neutralidade religiosa por parte do Estado. 
Laicismo é uma atitude de intolerância e hostilidade estatal em 
relação às religiões. É a laicidade a marca da República Federativa 
do Brasil. 
 
V. CURANDEIRISMO E A OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA 
O Curandeirismo trata-se de conduta criminosa prevista no art. 
284 do Código Penal, nos seguintes termos: 
Curandeirismo 
Art. 284 - Exercer o curandeirismo: 
 I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, 
habitualmente, qualquer substância; 
 II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio; 
 III - fazendo diagnósticos: 
 Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
 Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante 
remuneração, o agente fica também sujeito à multa. 
O agente que pratique a conduta definida em Lei como 
curandeirismo deve ser punido nos termos propostos pelo 
código penal, não sendo possível a alegação de exercício da 
liberdade religiosa. Esse foi o entendimento firmado pelo STF 
(RHC 62.240). 
 
VI. POSSIBILIDADE DE ENSINO RELIGIOSO CONFESSIONAL 
EM ESCOLAS PÚBLICAS 
O STF firmou o entendimento de que é possível que ocorra o 
ensino religioso confessional em escolas públicas sem que isso afete a 
laicidade estatal (STF: ADI 4439/DF, julgado em 27/9/2017). 
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Para que assim seja, é necessário que o Estado observe o 
binômio: laicidade estatal (art. 19, I, da CF/88) e Direito à liberdade 
religiosa (art. 5º, VI, da CF/88), garantindo que a rede pública, 
em igualdade de condições, permita o oferecimento de ensino 
confessional das diversas crenças, mediante requisitos 
formais e objetivos previamente fixados pelo Ministério da 
Educação - MEC. 
O STF entendeu, portanto, que a CF/88 não proíbe que sejam 
oferecidas aulas de uma religião específica, que ensine os dogmas ou 
valores daquela religião. Não há qualquer problema nisso, desde que 
se garanta oportunidade a todas as doutrinas religiosas. 
O ensino religioso é, então, encarado da seguinte forma: o 
Estado disponibiliza a estrutura física das escolas públicas, assim 
como já acontece com alguns hospitais e presídios, para que a 
religião que assim desejar possa fazer a livre disseminação de suas 
crenças e ideais para aqueles alunos que professam da mesma fé e 
que voluntariamente queiram cursar a disciplina. 
Resumindo: 
O ensino religioso pode ser confessional nas escolas públicas, 
desde que cumpridos os seguintes requisitos: 
a) Seja concedido, em igualdade de condições às diversas 
crenças, o direito de lecionar o ensino religioso de acordo 
com seus dogmas na estrutura física das escolas públicas; 
b) Que o MEC estabeleça requisitos formais e objetivos para 
viabilizar a igualdade de condições às diversas crenças; 
c) Que a matrícula na disciplina “ensino religioso” seja 
facultativa; 
VII. TRANSFUSÃO DE SANGUE E TESTEMUNHAS DE JEOVÁ 
As testemunhas de jeová, por convicções religiosas, não 
admitem a realização de transfusão de sangue em nenhuma hipótese, 
ainda que em situações extremas como a morte iminente. 
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Em razão dessa convicçãoreligiosa, não raras vezes pode 
ocorrer uma situação de embate entre dois direitos fundamentais: a 
vida e a liberdade de crença. 
Diante do perigo de morte iminente em que seja necessário 
realizar uma transfusão de sangue para salvar a vida de um paciente 
e a recusa de realização do referido procedimento por parte da vítima 
ou de seus familiares em razão de convicção religiosa, qual direito 
deve prevalecer? 
A resposta à indagação acima dependerá do contexto em que 
estiver inserida a discussão: 
a) Se a vítima for absolutamente capaz e estiver 
consciente e manifestar a sua vontade de não receber a 
transfusão de sangue em razão de sua convicção religiosa: 
Prevalecerá a autonomia da vontade do paciente, o qual 
deverá ter o seu direito de liberdade de crença respeitado, 
devendo o Estado abster-se de realizar o procedimento médico. 
Por essa razão, caso o médico não faça a transfusão de sangue 
nessas circunstâncias e o paciente venha a óbito em função disso, o 
médico não poderá ser responsabilizado de forma alguma (seja 
civilmente, criminalmente ou profissionalmente – no conselho de 
classe). 
ATENÇÃO! Caso desrespeite a vontade da vítima e realize o 
procedimento de maneira forçada, o médico, muito embora possa 
ter praticado o fato típico do delito de constrangimento ilegal, 
estará penalmente resguardado por causa de exclusão da ilicitude 
de seu comportamento, tendo em vista o disposto no art. 146, § 
3º, I, do Código Penal: 
Constrangimento ilegal 
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave 
ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, 
a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a 
fazer o que ela não manda: 
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Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo: 
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento 
do paciente ou de seu representante legal, se justificada por 
iminente perigo de vida; 
 
 
b) Se a vítima estiver inconsciente ou for incapaz, por 
qualquer razão, de manifestar sua intenção: 
Prevalecerá o direito à vida, devendo o Estado realizar o 
procedimento salvador ainda que os pais ou outros familiares 
ou responsáveis pelo paciente recusem o procedimento. 
Esse foi o entendimento do STJ, no julgamento do HC 
268.459/SP, DJe 28/10/2014. 
No referido julgamento o tribunal não emite uma conclusão a 
respeito da possível responsabilização criminal do médico que deixa 
de fazer a transfusão nessas circunstâncias, permitindo a morte do 
paciente. 
Apenas menciona expressamente que é dever do profissional 
tomar todas as medidas que considere necessárias para a 
salvaguarda da vida, mesmo que isso vá de encontro ao anseio dos 
responsáveis legais. 
CUIDADO! A doutrina (por exemplo, Marcelo Novelino) 
ressalta que nem mesmo a manifestação de vontade 
antecipada, por escrito, de paciente que esteja 
inconsciente no momento da transfusão, recusando-se a 
esse tipo de tratamento, será suficiente para afastar a 
prática da transfusão. 
 
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# O QUE É O “DIREITO DE APOSTASIA”? 
É o direito implicitamente assegurado pela Constituição de negar, 
renunciar ou sair de determinada religião ou culto religioso, 
independentemente das regras religiosas. 
Há discussão sobre o eventual direito de se obter a eliminação de 
registros de adesão ou de filiação anterior a determinado grupo 
religioso, sobretudo nos casos em que tais registros tenham sido 
promovidos sem o consentimento do interessado (como no caso dos 
batismos feitos em crianças). 
No Brasil, contudo, a proibição constitucional a que o Estado 
intervenha ou embarace o funcionamento das igrejas ou cultos 
religiosos (art. 19, I) obsta essa dimensão do direito à apostasia. 
VI) LIBERDADE PROFISSIONAL 
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas 
as qualificações profissionais que a lei estabelecer; 
A CF/88 estabelece como regra que o exercício profissional será 
livre. 
Excepcionalmente, contudo, a lei poderá restringir o exercício 
profissional, exigindo determinada qualificação técnica para o 
exercício da profissão. 
 
ATENÇÃO! Não é qualquer profissão que poderá ser 
objeto de regulamentação e restrição estatal, mas tão 
somente aquelas atividades com um potencial lesivo 
inerente às atribuições, por exemplo, médico, advogado2 
e etc. 
CUIDADO! Por essa razão, entendeu o STF que a atividade 
de músico não pode depender de licença ou registro em 
entidade de classe para seu exercício, afinal a liberdade 
profissional é quase absoluta e a restrição ao seu exercício somente 
 
2 Segundo o STF, o exame de ordem mostra-se consentâneo com a 
Constituição Federal, que possibilita a exigência de qualificação específica para o 
exercício de algumas profissões (RE 603.583, DJe 25/05/2012). 
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pode ser justificada em razão de proteção a um interesse público 
(STF: RE 414.426/SC, DJe 10/10/2011). 
O exercício da acupuntura por indivíduo que não é médico não 
configura o delito previsto no art. 282 do CP (exercício ilegal da 
medicina, arte dentária ou farmacêutica). Não existe lei federal 
prevendo que a acupuntura é uma atividade privativa de médico (art. 
22, XVI, da CF/88). STJ. 6ª Turma. RHC 66.641-SP, Rel. Min. Nefi 
Cordeiro, julgado em 3/3/2016 (Info 578). 
PONTOS RELEVANTES PARA AS PROVAS DE CONCURSOS 
PÚBLICOS LIGADOS AO DIREITO À LIBERDADE 
PROFISSIONAL: 
I. NÃO EXIGÊNCIA DE DIPLOMA DE JORNALISMO PARA O 
EXERCÍCIO DA PROFISSÃO 
Com fundamento, dentre outros, no direito à liberdade 
profissional, o STF entendeu ser inconstitucional a exigência de 
diploma de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista (RE 
511.961/SP, DJe 13/11/2009). 
O tribunal asseverou que seria uma ofensa à liberdade de 
imprensa e ao direito de livre exercício profissional condicionar o 
exercício da profissão de jornalista à específica formação acadêmica. 
No mesmo julgado, o STF asseverou o entendimento da 
impossibilidade do estabelecimento de controles estatais 
sobre a profissão jornalística, o que leva à conclusão de que 
não pode o Estado criar uma ordem ou um conselho 
profissional para a fiscalização desse tipo de profissão. O 
exercício do poder de polícia do Estado é vedado nesse campo em 
que imperam as liberdades de expressão e de informação”. 
 
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VII) LIBERDADE DE REUNIÃO 
O direito de liberdade de reunião é estampado no art. 5º, inciso 
XVI, da Constituição Federal: 
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais 
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que 
não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo 
local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; 
REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO DE REUNIÃO 
i) A reunião deve ser pacífica; 
ii) Não pode haver utilização de armas; 
ATENÇÃO: Uma reunião de policiais civis grevistas portando armas 
de fogo, por exemplo, caracterizaria violação a este requisito, 
tornando a reunião inconstitucional. 
iii) Deve ocorrer em locais abertos ao público; 
ATENÇÃO: Violaria este requisito o exercício do direito de reunião 
nas dependências do Congresso Nacional, ou do Palácio do Planalto, 
por exemplo, por tratar-se de local não aberto indiscriminadamente 
ao público.

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