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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR 
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
 
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Professores Carlos Alfama e Paulo Igor – ZERO UM CONSULTORIA 
DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – PARTE IV 
8) TRIBUNAL DO JÚRI 
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que 
lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra 
a vida; 
COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI 
Julga os crimes dolosos contra a vida (homicídio, participação em 
suicídio, infanticídio ou aborto) e os crimes conexos. 
CUIDADO! O crime de genocídio não é de competência do tribunal 
do júri, salvo se houver conexão ou continência com crime doloso 
contra a vida. 
SOBERANIA E IMUTABILIDADE DO VEREDITO 
O veredito dos jurados é soberano, mas não é imutável. Ou 
seja, uma decisão proferida pelo júri pode ser alterada, porém 
JAMAIS em sede de apelação pelo tribunal. A mudança será possível 
por intermédio de um novo júri (ou seja, nova submissão aos 
jurados). 
Em recurso de apelação contra a decisão dos jurados não é 
possível pedir a absolvição do réu, mas sim que o réu seja submetido 
a novo júri. 
CUIDADO! Se o réu for condenado por homicídio simples e 
somente a defesa recorrer, será possível nova condenação, dessa 
vez por homicídio qualificado, entretanto aplicando-se as penas do 
homicídio simples. 
Isso porque o novo julgamento não pode ter pena maior do que 
a do primeiro julgamento se o recurso tiver sido exclusivo da defesa 
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(vedação a reformatio in pejus). É possível a capitulação de crime 
mais grave no novo júri, mas a pena aplicada não pode ser maior. 
 
REVISÃO CRIMINAL 
Revisão criminal é a nova discussão de um processo já 
transitado em julgado. É cabível a revisão criminal em razão de 
condenação por tribunal do júri. 
CUIDADO! O pedido da revisão criminal pode ser a inversão do 
decidido, ou seja, não é necessário submeter o réu a novo júri. 
O próprio tribunal pode alterar a decisão proferida pelo júri em sede 
de revisão criminal. 
 
PLENITUDE DE DEFESA 
Qual a diferença entre a plenitude de defesa e a ampla defesa? 
No Tribunal do Júri, o advogado não precisa se limitar a uma 
atuação exclusivamente técnica, sendo possível a utilização de 
argumentação extrajurídica (ex. razões de ordem social, emocional, 
de política criminal...). 
Ao juiz presidente incumbe fiscalizar a plenitude da defesa 
técnica, devendo declarar o acusado indefeso se a atuação do 
advogado estiver prejudicando o acusado. 
 
Sistemas de quesitação 
Sistema norte-americano: apenas um quesito: 
condenado ou não condenado. 
Sistema francês: vários quesitos devem ser formulados 
aos jurados. 
 O Brasil adota o sistema francês, porém com um quesito 
genérico que sempre deve ser feito aos jurados, qual seja o quesito 
da absolvição: Os jurados absolvem o acusado? 
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Quesito genérico de absolvição 
O quesito genérico de absolvição é obrigatório em todo caso, 
ainda que todas as teses da defesa tenham sido afastadas. 
 
Excesso de linguagem na pronúncia 
O juiz, na decisão de pronúncia, não pode dar juízo de certeza 
sobre a materialidade e a autoria. Caso o faça, haverá um excesso de 
linguagem na pronúncia. Excesso de linguagem, portanto, é a 
exagerada incursão do juiz sobre as provas dos autos, capaz de 
influir no ânimo do conselho de sentença. 
O excesso de linguagem é proibido porque o CPP afirma que os 
jurados irão receber uma cópia da sentença de pronúncia e das 
decisões posteriores que julgaram admissível a acusação e do 
relatório do processo (art. 472, parágrafo único). Assim, se o juiz se 
excede nos argumentos empregados na sentença de pronúncia, o 
jurado irá ler essa decisão e certamente será influenciado pela 
opinião do magistrado. 
Havendo excesso de linguagem, o que o Tribunal deve 
fazer? Deverá ANULAR a sentença de pronúncia e os consecutivos 
atos processuais, determinando-se que outra seja prolatada. 
Em vez de anular, o Tribunal pode apenas determinar 
que a sentença seja desentranhada (retirada do processo) ou 
seja envelopada (isolada)? NÃO. Não basta o desentranhamento e 
envelopamento. É necessário anular a sentença e determinar que 
outra seja prolatada. Isso porque, como já dito acima, a lei determina 
que a sentença de pronúncia seja distribuída aos jurados. Logo, não 
há como desentranhar a decisão, já que uma cópia dela deverá ser 
entregue aos jurados. Se essa cópia não for entregue, estará sendo 
descumprido o art. 472, parágrafo único, do CPP. STJ. 6ª Turma. 
AgRg no REsp 1.442.002-AL, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado 
em 28/4/2015 (Info 561). 
 
 
 
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9) EXTRADIÇÃO 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de 
crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado 
envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da 
lei; 
EXTRADIÇÃO: A extradição é a medida de cooperação 
internacional entre o Estado brasileiro e outro Estado pela qual se 
concede ou solicita a entrega de pessoa sobre quem recaia 
condenação criminal definitiva ou para fins de instrução de processo 
penal em curso (art. 81 do Estatuto do Migrante – Lei nº 13.445/17) 
Importante notar que a Constituição veda a extradição do 
brasileiro nato, somente admitindo a extradição do brasileiro 
naturalizado e do estrangeiro. 
No caso de brasileiro naturalizado, é cabível quando praticar 
crime comum antes da naturalização ou em caso de tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, no caso de comprovado envolvimento, 
não importando o momento da prática do crime. 
CUIDADO! É possível que o brasileiro nato perca a nacionalidade 
brasileira, quando adquirir outra nacionalidade por naturalização 
voluntária (art. 12 da CF/88). Nesse caso, será possível a extradição 
do indivíduo. O reconhecimento da perda da nacionalidade pelo 
Judiciário nesse caso terá natureza declaratória (reconhece e declara 
uma situação de fato já consolidada). Nesse sentido, o STF na 
Extradição 1.462. 
Vale lembrar que o estrangeiro não poderá ser extraditado em 
caso de crime político ou de opinião (art. 5º, inc. LII, CF). 
 
EXPULSÃO: A expulsão é medida administrativa, prevista no 
Estatuto do Migrante, que consiste na retirada compulsória de 
migrante ou visitante do território nacional, conjugada com o 
impedimento de reingresso por prazo determinado (depende do 
trânsito em julgado de sentença judicial). 
 
 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10728448/inciso-lii-do-artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
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Poderá dar causa à expulsão a condenação com sentença 
transitada em julgado relativa à prática de: 
 
I - crime de genocídio, crime contra a humanidade, 
crime de guerra ou crime de agressão, nos termos definidos 
pelo Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, de 
1998, promulgado pelo Decreto no 4.388, de 25 de 
setembro de 2002; ou 
II - crime comum doloso passível de pena privativa de 
liberdade, consideradas a gravidade e as possibilidadesde 
ressocialização em território nacional. 
 
DEPORTAÇÃO: A deportação é medida decorrente de 
procedimento administrativo que consiste na retirada compulsória de 
pessoa que se encontre em situação migratória irregular em território 
nacional. 
 
BANIMENTO: Consiste no envio compulsório do brasileiro ao 
estrangeiro. É medida vedada pela CF (art. 5º, XLVIII). 
 
10) DIREITO ADQUIRIDO, ATO JURÍDICO PERFEITO E 
COISA JULGADA 
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico 
perfeito e a coisa julgada; 
Como regra, conferindo estabilidade às relações jurídicas, o 
constituinte originário dispôs que a lei não prejudicará o direito 
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. 
 DIREITO ADQUIRIDO: é o direito que o seu titular, ou 
alguém por ele, possa exercer, como aquele cujo começo 
do exercício tenha termo prefixo, ou condição 
preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. 
 
 ATO JURÍDICO PERFEITO: É o ato já consumado 
segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4388.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4388.htm
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 COISA JULGADA: é a decisão judicial de que não caiba 
mais recurso. 
Algumas informações são importantes. 
Não se pode invocar direito adquirido em face à nova 
Constituição (poder constituinte originário). No entanto, em se 
tratando de manifestação do poder constituinte reformador, entende-
se que os direitos adquiridos devem ser preservados. 
Não se pode invocar direito adquirido em face de novo regime 
jurídico administrativo instituído por lei para os funcionários públicos. 
Coisa soberanamente julgada: Há coisa julgada quando a 
decisão judicial se torna irrecorrível. No entanto, pelo prazo de 2 anos 
caberá a denominada ação rescisória. Depois de esgotado o prazo da 
ação rescisória, forma-se a denominada coisa soberanamente 
julgada. 
É possível a relativização da coisa soberanamente 
julgada? Sim, de forma excepcional, por exemplo em uma ação de 
reconhecimento de paternidade realizada antes da existência do 
exame de DNA. O STF fundamentou a decisão no princípio da 
busca da identidade genética (direito que toda pessoa tem de 
conhecer as suas origens) – RE 363.889. 
 
 
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11) INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 
ameaça a direito; 
Trata-se do princípio da inafastabilidade da jurisdição, que, em 
síntese, de um lado, outorga ao Poder Judiciário o monopólio da 
jurisdição definitiva e, de outro, cria o direito de ação, ou seja, o 
direito de provocação do judiciário em face de lesão ou ameaça a 
direito. 
Em relação ao princípio, importante constar que, pelo menos via de 
regra, o acesso ao Poder Judiciário não depende de prévio 
esgotamento das vias administrativas. 
Exceções: 
 Justiça Desportiva; 
 O Habeas Data (exige prova da recusa de informações pela 
autoridade); 
 Reclamação ao STF por descumprimento de súmula 
vinculante (exige-se o esgotamento da via administrativa). 
No que diz respeito às ações judiciais que postulam concessão de 
benefício previdenciário, o STF (RE 631.240) firmou entendimento no 
sentido de que: 
 A concessão de benefícios previdenciários depende de 
requerimento do interessado, não se caracterizando ameaça ou 
lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo 
INSS, ou se excedido o prazo legal para sua análise. 
 
 No entanto, a exigência do prévio requerimento administrativo 
não deve prevalecer quando o entendimento da Administração 
for notório e reiteradamente contrário à postulação do 
segurado, bem como nas hipóteses de revisão, 
restabelecimento ou manutenção de benefício anteriormente 
concedido, considerando que o INSS tem o dever legal de 
conceder a prestação mais vantajosa possível. 
 
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# A ELEIÇÃO PELAS PARTES DE JUÍZO ARBITRAL PARA 
SOLUÇÃO DE CONFLITOS VIOLA O PRINCÍPIO DA 
INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO? 
Não! A opção de pessoas capazes por submeterem seus conflitos a 
juízo arbitral não configura renúncia ao direito de ação, mas apenas a 
escolha por se submeterem à jurisdição privada. 
Além disso, a Lei nº 9.307/96 admite que seja declarada a nulidade 
de sentença arbitral por decisão do Judiciário, nos casos previstos em 
lei. 
Obs.: A administração pública direta e indireta pode utilizar-se da 
arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais 
disponíveis. 
12) DIREITO DE CERTIDÃO E DIREITO DE PETIÇÃO 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do 
pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de 
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para 
defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; 
 
Qual o remédio constitucional cabível em caso de 
indeferimento injustificado na expedição de certidão com 
informação de caráter pessoal? 
Cabe o Mandado de Segurança! O indeferimento injustificado no 
fornecimento de CERTIDÃO viola direito líquido e certo do indivíduo, 
sendo cabível, portanto, o Mandado de Segurança. 
Cabe Habeas Data para assegurar o conhecimento de 
informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros 
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter 
público e para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo 
por processo sigiloso, judicial ou administrativo. 
 
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13) PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela 
autoridade competente; 
Consiste no direito de todo cidadão de conhecer previamente 
qual a autoridade jurisdicional irá julgá-lo caso venha a praticar uma 
infração penal. 
O princípio do juiz natural busca assegurar a imparcialidade 
do magistrado. 
A) PREVISÃO LEGAL 
 
 CF/88, art. 5º, LIII: “Ninguém será processado nem 
sentenciado senão pela autoridade competente”. 
 
 CF/88, art. 5º, XXXVII: “Não haverá juízo ou tribunal de 
exceção”. 
 
# O que é um juízo ou tribunal de exceção? 
Tribunal de exceção é o órgão jurisdicional criado após a prática 
do fato delituoso, especificamente para julgá-lo. Exemplo: Os 
tribunais de Nuremberg (criados após a segunda guerra para julgar 
os crimes nela ocorridos). 
 
# A justiça especializada não configura violação ao princípio 
do juiz natural, pois como não são criadas após o fato 
especialmente para julgá-lo e possuem competência determinada por 
normas gerais e abstratas não configuram juízos de exceção. 
 
# O foro por prerrogativa de função não constitui juízo ou 
tribunal de exceção. Se de um lado, o foro por prerrogativa de 
função protege a função pública exercida de perseguições indevidas, 
de outro também protege os julgadores de eventuais pressões que, 
mais facilmente, poderiam ser exercidas sobre órgãos jurisdicionais 
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de primeiro grau. Trata-se, ao mesmo tempo, de garantia para o 
acusado e de garantia para justiça. 
 
# Características dos tribunais de exceção: 
 
 São criados “post factum”, fora das estruturas normais do 
Poder Judiciário, com poderes específicospara julgar um caso 
já ocorrido; 
 
 Atribuição de sua competência com base em fatores específicos 
e, normalmente, segundo critérios discriminatórios (raça, 
religião, ideologia, etc.); 
 
 Duração limitada no tempo; 
 
 Procedimento célere e, normalmente, não sujeito a recurso; 
 
 Escolha dos integrantes sem observância dos critérios gerais 
para investidura dos magistrados e sem assegurar-lhes a 
necessária independência. 
 
Também é tribunal de exceção aquele criado “ad personam”, 
isto é, com vistas ao julgamento específico de uma determinada 
pessoa ou grupo de pessoas, mesmo que para fatos futuros. 
B) REGRAS DE PROTEÇÃO DERIVADAS DO PRINCÍPIO DO 
JUIZ NATURAL 
 
i. Só pode exercer jurisdição os órgãos instituídos pela 
Constituição. 
 
ii. Ninguém pode ser julgado por órgão instituído após o fato. 
 
iii. Entre os juízos pré-constituídos deve ser observado um rol 
taxativo de competências. Não se admite discricionariedade 
na escolha do juiz. 
 
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# LEI POSTERIOR QUE ALTERA REGRAS DE 
COMPETÊNCIA E SUA APLICAÇÃO AOS PROCESSOS EM 
ANDAMENTO 
O art. 2º do CPP determina que “A lei processual penal 
aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos praticados 
sob a vigência da lei anterior”. Trata-se do princípio da 
imediatidade (ou tempus regit actum). 
Assim, em regra, a lei que altera as regras de competência se 
aplica imediatamente aos processos em andamento (STF, 2ª Turma, 
HC 76.510/SP). 
Exceção fica por conta dos processos em que já houver 
sentença analisando o mérito, hipótese em que o processo 
permanece no órgão jurisdicional em que tramita, salvo se tiver sido 
suprimido (STF, HC 70.810). 
 
EXEMPLO: Tráfico internacional de drogas praticado em 
município que não seja sede de vara federal. 
 
 Até 2006, o julgamento se daria pela Justiça Estadual com 
recurso para o respectivo TRF (Lei nº 6.368/76, art. 27). 
 
 Em 2006 (Lei nº 11.343/06), a competência passou a ser da 
Vara Federal da circunscrição respectiva. 
 
Na data de vigência dessa mudança, todos os processos que 
ainda não tinha tido sentença com julgamento de mérito que 
tramitavam na Justiça Estadual foram remetidos para a Vara Federal 
da circunscrição respectiva. 
# CONVOCAÇÃO DE JUÍZES DE 1º GRAU PARA 
SUBSTITUIÇÃO DE DESEMBARGADORES 
 
PREVISÃO LEGAL: O art. 118 da Lei Complementar nº 
35/79 (Lei Orgânica da Magistratura) prevê a possibilidade de 
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substituição de Desembargadores por juízes de 1º grau em certos 
casos (afastamentos prolongados e vaga). 
 
CRITÉRIO PARA CONVOCAÇÃO: Não se admite que o juiz a 
ser convocado seja designado por um dos desembargadores, nem 
mesmo pelo Presidente do Tribunal. A convocação deve ser feita por 
votação da maioria absoluta dos Desembargadores. 
 
JURISPRUDÊNCIA: É perfeitamente possível o julgamento de 
turma de Tribunal formada por maioria de juízes convocados, desde 
que a convocação tenha respeitado os critérios legais (HC 96.821, 
STF). 
 
JUIZ CONVOCADO PARA SUBSTITUIR DESEMBARGADOR 
TEM FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO NO STJ? Não! O 
juiz convocado não passa a ser Desembargador, logo continua tendo 
foro no Tribunal de 2ª Instância. 
 
14) DEVIDO PROCESSO LEGAL 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o 
devido processo legal; 
 
CONTEÚDO: A pretensão punitiva deve perfazer-se dentro de um 
procedimento regular previsto em lei, perante autoridade 
competente, tendo por alicerce provas validamente colhidas, 
respeitando-se o contraditório e a ampla defesa. 
 
# PERSPECTIVAS: O devido processo legal deve ser analisado sob 
duas perspectivas. 
 
 Processual: O devido processo legal assegura a tutela aos 
bens jurídicos por meio da observância do procedimento legal 
previsto em lei (procedural due process of law). 
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 Material (substancial): O princípio do devido processo legal 
determina que na elaboração normativa deve-se prever um 
procedimento que garanta o exercício dos direitos 
constitucionais do acusado (substantive due process of 
law). 
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 
Apesar de o princípio da proporcionalidade não ter previsão 
expressa na Constituição Federal de 1988, decorre do princípio do 
devido processo legal (art. 5º, LIV), em sua acepção material. 
A doutrina tradicional estuda a PROPORCIONALIDADE 
subdividindo-a em três subprincípios: 
 
 Adequação: O meio empregado na atuação deve ser 
compatível com o fim colimado. A medida deve ser apta a 
atingir o objetivo. 
 
 Necessidade/exigibilidade: A conduta deve ter-se por 
necessária, não havendo outro meio menos gravoso ou oneroso 
para alcançar o fim público, ou seja, o meio escolhido é o que 
causa o menor prejuízo possível para os indivíduos. O princípio 
da necessidade analisa se não há outro meio menos gravoso 
para o indivíduo, mas que seja capaz de atingir o mesmo 
resultado. 
 
 Proporcionalidade em sentido estrito (razoabilidade): as 
vantagens a serem conquistadas devem superar as 
desvantagens. Corresponde à lei da ponderação: quanto 
maior for a intervenção em um determinado direito, maiores 
hão de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Pelo 
princípio da proporcionalidade em sentido estrito deve haver 
ponderação entre a intensidade da medida aplicada e os 
fundamentos jurídicos que a justificam. 
 
Surgem desse último subprincípio dois desdobramentos: a 
PROIBIÇÃO DO EXCESSO e a VEDAÇÃO À PROTEÇÃO 
DEFICIENTE. 
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O Estado, ao aplicar o Direito a um fato, não pode agir de 
forma excessiva (sob pena de infringir direitos e garantias 
fundamentais do acusado) e nem deficitária (sob pena de se 
fomentar a impunidade). Frise-se, no entanto, que a aplicação do 
princípio da proibição da vedação deficiente no Direito Penal não pode 
resultar em violação ao princípio da legalidade. 
 
DIFERENÇA ENTRE PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE: 
Ambos são princípios destinados à ponderação entre duas 
situações (conflito entre direitos). Vejamos as diferenças apontadas 
pela doutrina: 
 
Origem: A proporcionalidade tem origem no direito alemão. A 
razoabilidade tem origem no direito norte americano. 
 
Estrutura: Na proporcionalidade há parâmetros claros para se 
trabalhar o princípio no caso em concreto (com o desenvolvimento 
dos três elementos). Na proporcionalidade aplica-se uma noção mais 
vaga do que seria racional ou equilibrado em determinada 
circunstância. 
 
Abrangência: A proporcionalidade tem um campo de atuação 
maior do que a razoabilidade: trata-se de um parâmetro para se 
aferir a adequação e necessidade de uma determinada medida. A 
razoabilidade tem como objetivo impedir a prática de atos que fogem 
a razão e ao equilíbrio do pensamento comum. 
 
 
 
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15) CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos 
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, 
com os meios e recursos a ela inerentes; 
 
A) PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO 
SINÔNIMO: Princípio da bilateralidade da audiência, audiência 
bilateral ou “audiatur et altera pars” (seja ouvida também a parte 
adversa). 
 
CONTEÚDO: Traduz-se no binômio “ciência e participação”. O 
princípiodo contraditório impõe que às partes deve ser dado o 
conhecimento dos atos e termos do processo bem como a 
possibilidade de influir na formação do convencimento do juiz, 
oportunizando-se a participação e manifestação sobre os atos que 
constituem a evolução processual. 
 
ELEMENTOS DO CONTRADITÓRIO: 
1. Direito à informação; 
2. Direito de participação. 
 
DESTINATÁRIO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO: Ambas as 
partes têm direito ao contraditório. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DO CONTRADITÓRIO: 
 
 CONTRADITÓRIO PARA A PROVA (CONTRADITÓRIO REAL): 
é a atuação das partes de forma contemporânea à produção da 
prova. Pressupõe a cientificação prévia das partes de forma a 
possibilitar a participação ampla na produção da prova. O 
CONTRADITÓRIO REAL É A REGRA! 
 
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 CONTRADITÓRIO SOBRE A PROVA (Contraditório Diferido 
Ou Postergado): é a atuação das partes em momento posterior a 
produção da prova. Após a produção da prova as partes são 
cientificadas para se manifestarem sobre ela. É EXCEPCIONAL! 
 
DOUTRINA MODERNA SOBRE O CONTRADITÓRIO: Trabalha-se 
com a ideia do contraditório efetivo e equilibrado. Houve uma 
mudança objetiva e uma mudança subjetiva. A mudança objetiva diz 
respeito à necessidade de reação das partes (não mais possibilidade 
de reação). Trata-se da paridade de armas. A mudança subjetiva 
diz respeito ao dever do juiz de zelar pela paridade de armas na 
ação penal. 
B) PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA 
ABRANGÊNCIA: O princípio da ampla defesa abrange a: 
 
I - DEFESA TÉCNICA (defesa processual ou específica): 
Realizada por profissional habilitado em benefício do acusado. É 
obrigatória na ação penal. É IRRENUNCIÁVEL! 
 
o Súmula nº 523, STF: No processo penal, a falta da 
defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência 
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. 
ATENÇÃO! O Direito de nomear o advogado é do acusado. Diante da 
renúncia do defensor constituído, não cabe ao juiz a nomeação de 
defensor dativo antes da intimação do acusado para constituir outro. 
o Súmula nº 708, STF: É nulo o julgamento da apelação se, 
após a manifestação nos autos da renúncia do único 
defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir 
outro. 
 
o Súmula nº 707, STF: Constitui nulidade a falta de 
intimação do denunciado para oferecer contra-razões ao 
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a 
nomeação de defensor dativo. 
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O ACUSADO PODE EXERCER A SUA PRÓPRIA DEFESA 
TÉCNICA? Poderá apenas se for advogado legalmente habilitado na 
Ordem dos Advogados do Brasil (STF, HC 76.671/RJ). 
 
PATROCÍNIO DA DEFESA TÉCNICA DE MAIS DE UM ACUSADO 
PELO MESMO DEFENSOR: É possível, desde que não haja colisão de 
teses individuais (HC 86.392/PA, STJ). 
 
II – AUTODEFESA (Defesa material ou genérica): É 
realizada pelo próprio acusado. 
Em relação à autodefesa, importante saber que o acusado pode 
optar pelo seu não exercício. 
Abrange dois direitos: 
o Direito de audiência: Deve-se assegurar ao acusado a 
possibilidade de se defender por ocasião do interrogatório. 
 
o Direito de presença: Deve-se dar possibilidade de o 
acusado estar presente no momento da produção das provas 
para que possa se manifestar sobre elas, inclusive tomando 
posição sobre elas no momento de sua produção. 
 
ATENÇÃO! O direito de presença possui natureza relativa. Se a 
presença do acusado causar humilhação, temor ou constrangimento à 
testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a verdade do 
depoimento, fará a inquirição por videoconferência e, somente na 
impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do réu, 
prosseguindo na inquirição, com a presença de seu defensor (art. 217 
do CPP). 
 
 
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DESLOCAMENTO DE ACUSADO PRESO PARA OITIVA DE 
TESTEMUNHAS PERANTE O JUÍZO DEPRECADO: O direito de 
presença se estende ao acusado preso. O não deslocamento do preso 
para a audiência de oitiva de testemunhas, no entanto, é causa de 
nulidade relativa. Deve ser alegada na própria audiência (sob pena 
de preclusão) e só anula o ato se causar prejuízo (STF, HC 
100.382/PR). 
CAPACIDADE POSTULATÓRIA AUTÔNOMA DO ACUSADO: O 
acusado, ainda que não seja profissional da advocacia legalmente 
habilitado na OAB, poderá: 
 Interpor recurso; 
 Provocar incidentes da execução penal (progressão de regime, 
livramento condicional, etc). 
 Impetrar Habeas Corpus. 
 
AMPLA DEFESA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
DISCIPLINAR 
Existe sim ampla defesa no âmbito do PAD. No entanto, não é 
obrigatória a assistência de ampla defesa. Nesse sentido: 
Súmula Vinculante nº 5: A falta de defesa técnica no processo 
administrativo disciplinar não ofende a Constituição. 
 
A Súmula nº 343 do STJ, que dizia que é obrigatória a 
assistência de advogado em todas as fases do processo 
administrativo disciplinar, de forma a assegurar a garantia 
constitucional do contraditório está SUPERADA! 
 
CUIDADO! A Súmula Vinculante nº 5 não é aplicável à execução 
penal. Nesse sentido: 
Súmula nº 533 do STJ: Para o reconhecimento da prática de falta 
disciplinar no âmbito da execução penal, é imprescindível a 
instauração de procedimento administrativo pelo diretor do 
estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser 
realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado.” 
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16) PROVAS ILÍCITAS 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por 
meios ilícitos; 
O estudo completo das provas ilícitas será feito na análise do 
Direito Processual Penal. 
# FINALIDADES DA VEDAÇÃO À PROVA ILÍCITA: 
 Proteção dos direitos fundamentais. 
 A vedação às provas ilícitas serve como fator de dissuasão à 
adoção de práticas probatórias ilegais. 
 
A) CONCEITO DE PROVAS ILÍCITAS 
Provas ilícitas são aquelas obtidas por meio de violação a 
normas constitucionais ou legais. 
 
# AS PROVAS INOMINADAS SÃO ADMITIDAS NO DIREITO 
PROCESSUAL PENAL BRASILEIRO? 
 
Provas inominadas são aquelas não previstas em lei, como o 
reconhecimento fotográfico de pessoas, por exemplo. Por não serem 
regulamentadas em lei, podemos concluir que não são vedadas pelo 
ordenamento jurídico, logo são provas lícitas e perfeitamente 
admissíveis no processo. 
 
# PROVAS ILÍCITAS X PROVAS ILEGÍTIMAS 
A doutrina e a jurisprudência fazem distinção entre provas 
ilícitas e ilegítimas. 
 
Enquanto as primeiras violam normas de natureza material 
(confissão mediante tortura, p. ex.) as últimas violam normas de 
natureza processual (oitiva de testemunhas sem compromisso de 
dizer a verdade, p. ex.). 
 
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Parte minoritária da doutrina ainda aponta uma segunda 
diferença: as provas ilícitas seriam extraprocessuais, ou seja, 
produzidas em momento anterior ou concomitante ao processo, mas 
em regra, produzidas fora dele. Já as provas ilegítimas seriam 
produzidas dentro do processo (endoprocessuais). 
 
A diferença tem importância prática em razão da consequência 
de cada uma dessas espécies de ilegalidade. Enquanto as provas 
ilícitas são sempre inadmissíveis, as provas ilegítimas são 
sujeitas à teoria das nulidades, ou seja, para serem anuladas deve-se 
demonstrar a ocorrência de prejuízo. 
 
B) DESTINO DAS PROVASILÍCITAS 
As provas ilícitas são inadmissíveis e devem ser 
desentranhadas do processo (art. 157, CPP)! A determinação 
consubstancia o denominado DIREITO DE EXCLUSÃO 
(“exclusionary rules”). 
 
Trata-se de limitação ao princípio da verdade real. Afinal, 
mesmo que conduza à verdade dos fatos, a prova ilícita não pode 
influir na formação da convicção do juiz. 
 
Após o fim do prazo para recorrer da decisão de 
desentranhamento, a prova declarada ilícita deve ser 
inutilizada (§3°, do art. 157, CPP)! 
Exceções (doutrina) - Não serão destruídas: 
 Provas ilícitas que pertencerem licitamente a alguém serão 
restituídas ao dono legítimo. Ex.: Computador apreendido em 
busca domiciliar sem ordem judicial. 
 Provas que forem lícitas em outro processo serão 
encaminhadas ao processo a que pertencerem. Ex.: Mídia 
digital contendo interceptação telefônica sem autorização, se 
houver processo pelo crime decorrente da violação do sigilo 
telefônico. 
 
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C) RELATIVIZAÇÃO DA INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS 
ILÍCITAS 
É importante saber que a jurisprudência não veda de forma 
absoluta a utilização pelas partes de prova ilícita no Processo Penal. 
A inadmissibilidade das provas ilícitas tem sido relativizada em 
uma determinada hipótese: quando, para fins de defesa, a prova 
ilícita for indispensável ela será admissível! 
Essa exceção se funda na aplicação do princípio da 
proporcionalidade, afinal, diante do conflito entre a 
inadmissibilidade da prova ilícita e o direito de liberdade ponderou-se 
que melhor seria admitir uma prova ilícita do que condenar um 
inocente ao inadmiti-la. 
 
D) PROVAS DERIVADAS DAS ILÍCITAS 
Provas derivadas das ilícitas são provas produzidas sem nenhuma 
violação a normas constitucionais ou legais, mas que tiveram como 
causa de sua produção uma prova ilícita. 
 
As provas derivadas das ilícitas também são inadmissíveis! 
 
Trata-se da TEORIA DOS FRUTOS DA ÁRVORE 
ENVENENADA, ou teoria da mácula, prevista no art. 157, §1º, do 
CPP, segundo a qual as provas que derivaram da prova ilícita são 
inadmissíveis, ainda que obtidas licitamente! 
 
Por essa teoria, demonstrado o nexo de causalidade entre a 
prova ilícita e qualquer outra prova, esta também deverá ser 
declarada inadmissível. 
 
Importante! A existência de uma prova ilícita não contamina todo o 
processo, mas apenas as provas que guardarem relação de 
causalidade com ela. 
 
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ATENÇÃO! 
 
A INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS DERIVADAS DAS 
ILÍCITAS NÃO ENCONTRA PREVISÃO EXPRESSA NA 
CONSTITUIÇÃO! 
 
Apesar de não haver previsão constitucional da inadmissibilidade das 
provas derivadas das ilícitas, a teoria dos frutos da árvore 
envenenada é aceita pacificamente pela jurisprudência do STF 
desde 1966. 
 
 
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17) PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória; 
# SINÔNIMOS: Princípio da presunção de não culpabilidade ou 
princípio do estado de inocência. 
 
A.1) CONCEITO: Consiste no direito de não ser considerado culpado, 
senão após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 
 
A.2) PREVISÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO: 
 
Art. 5º, LVII, CF/88 
 
Pacto de San Jose da 
Costa Rica 
(Art.8º, §2º,) 
“Ninguém será considerado culpado 
até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória”; 
“Toda pessoa acusada de um delito 
tem direito a que se presuma sua 
inocência, enquanto não for 
legalmente comprovada sua culpa”. 
LIMITE TEMPORAL: A presunção 
de inocência deve ser observada até 
o trânsito em julgado de sentença 
penal condenatória. 
 
LIMITE TEMPORAL: A presunção 
de inocência deve ser observada 
até a formação legal da culpa. O 
Pacto de San José da Costa Rica 
assegura o direito ao duplo grau de 
jurisdição no art. 8º, §2º, ‘h’. 
 
Assim, a culpa considera-se 
comprovada após o exercício do 
duplo grau de jurisdição 
(julgamento do recurso de 
apelação) 
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ATENÇÃO! Para a maioria da doutrina, presunção de inocência e não 
culpabilidade são sinônimos. É a informação que deve ser levada 
para uma prova objetiva de concurso público. 
 
Todavia, parcela da doutrina que entende que o Pacto de San José da 
Costa Rica contempla o princípio da presunção de inocência enquanto a 
CF/88 contempla o princípio da não culpabilidade. 
 
# DIVERGÊNCIA ENTRE O LIMITE TEMPORAL 
 
Diante da divergência entre o limite temporal estabelecido na CF/88 e o 
Pacto de San Jose, deve prevalecer a CF/88, pelas seguintes razões: 
 
 A CF/88, na hierarquia das normas, é superior ao Pacto de San José da 
Costa Rica. 
 
 O princípio do “pro homine”, estabelecido no próprio Pacto de San José 
da Costa Rica, determina que deve prevalecer a disposição mais 
vantajosa ao acusado. 
 
 
A.3) DESDOBRAMENTOS: Duas principais regras derivam do 
princípio da presunção de inocência. 
 
I - REGRA PROBATÓRIA (REGRA DE JULGAMENTO): Recai 
sobre a acusação o ônus de comprovar a culpa do acusado já que o 
acusado presume-se inocente. Assim: 
 
o A não comprovação da culpa do acusado irá levar a sua 
absolvição. 
 
o “IN DUBIO PRO REO”: O juiz não pode se abster de julgar a 
demanda. Caso não tenha certeza da culpa do acusado deve 
decidir em favor dele. É uma regra de tratamento que deriva 
do princípio da presunção de inocência (STF, HC 73.338/RJ). 
 
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ATENÇÃO! Na revisão criminal não se aplica o “in dubio pro 
reo”. A revisão criminal se dá após o trânsito em julgado da sentença 
penal condenatória, momento em que não vigora o princípio da 
presunção de inocência. Assim, em relação à revisão criminal vigora o 
“in dubio contra reum”, recaindo sobre o condenado o ônus de 
provar o que alega. 
 
II - REGRA DE TRATAMENTO: O acusado/investigado deve 
ser tratado como inocente até a decisão condenatória definitiva. 
 
Assim, em regra, o acusado deve permanecer em liberdade durante a 
persecução penal: a prisão cautelar deve ser medida excepcional 
(medida de ultima ratio), mesmo no caso de crimes hediondos. 
 
o VEDAÇÃO GENÉRICA À LIBERDADE PROVISÓRIA: Como 
consequência da regra geral de tratamento, os tribunais 
superiores tem entendido que a gravidade em abstrato do 
delito não pode fundamentar a vedação genérica à liberdade 
provisória. 
 Lei de Drogas (art. 44): Informativo nº 665, STF. 
 Estatuto do Desarmamento: ADI 3112-1/DF. 
 
o EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA: É a execução da pena 
imposta judicialmente antes do trânsito em julgado da 
sentença condenatória. 
 
O recurso especial (STJ) e o recurso extraordinário (STF) não 
são dotados de efeito suspensivo (art. 637 do CPP), assim, discute-se 
a possibilidade de execução provisória da pena após o acórdão que 
mantém a condenação em 2º grau de jurisdição. 
 
No dia 17/02/2016, a jurisprudência do STF sofreu 
importante alteração em seu posicionamento: 
 
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ENTENDIMENTO 
ANTERIOR 
ENTENDIMENTO ATUAL 
HC 84.078-7 (2009) HC 126.292 (17/02/2016) 
O STF entendia que enquanto 
não houver o trânsito em julgadonão será possível a execução de 
uma pena, apenas cabendo a 
restrição de liberdade do acusado 
no curso do processo nos casos 
EXCEPCIONAIS de prisão 
cautelar. 
A execução provisória de acórdão 
penal condenatório proferido em 
grau de apelação, ainda que 
sujeito ao recurso especial ou 
extraordinário, não viola o 
princípio da presunção de 
inocência. 
 
# FUNDAMENTOS DO ATUAL ENTENDIMENTO DO STF: 
 O princípio da presunção de inocência pode ser 
relativizado: na Lei da Ficha Limpa (LC nº 135/2000) a 
sentença condenatória proferida por juízo colegiado gera 
inelegibilidade antes do trânsito em julgado. 
 
 Após o 2º grau de jurisdição não se discute mais os fatos 
e as provas, mas apenas a matéria de direito, o que 
permite a relativização do princípio da presunção de inocência 
após esse momento. 
 
 Princípio da harmonização (concordância prática): Deve 
ser buscado o necessário equilíbrio entre o princípio da 
presunção de inocência e a efetividade da prestação 
jurisdicional penal, que deve atender a valores caros não 
apenas aos acusados, mas também à sociedade. 
 
 Direito Comparado: Em nenhum país do mundo, depois de 
observado o duplo grau de jurisdição, a execução de uma 
condenação fica suspensa aguardando o referendo da Suprema 
Corte. 
 
 Evitam-se recursos protelatórios: O entendimento de que a 
execução da pena somente pode ocorrer após o trânsito em 
julgado incentiva como estratégia de defesa a interposição de 
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múltiplos recursos protelatórios, pois o último marco 
interruptivo da prescrição antes do início do cumprimento da 
pena é a publicação da sentença ou acórdão recorríveis. 
 
 Os eventuais equívocos das instâncias ordinárias podem ser 
questionados por instrumentos jurídicos adequados que, no 
caso concreto, podem suspender a execução provisória da pena 
(HC e medidas cautelares de efeito suspensivo ao RE e ao 
REsp). 
 
 A presunção de inocência tem sentido dinâmico, modificando-se 
conforme se avança a marcha processual. No início da 
persecução penal, deve-se dar máxima efetividade à presunção 
de inocência, através de mais institutos destinados a sua 
proteção (sigilo do inquérito policial, não configuração de maus 
antecedentes, etc.). Ao longo da persecução penal, será 
possível a relativização do princípio da presunção de inocência 
diante da necessidade de se garantir a efetividade da prestação 
jurisdicional. 
 
CONCLUSÃO: A EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA NÃO VIOLA A 
CONSTITUIÇÃO. A EXECUÇÃO DA PENA DEVE SER INICIADA APÓS O 
ACÓRDÃO CONDENATÓRIO NO SEGUNDO GRAU DE JURISDIÇÃO 
(STF, HC 126.292). 
 
O ENTENDIMENTO GANHOU EFEITO VINCULATIVO NO 
JULGAMENTO DO ARE 964.246 – Repercussão Geral/SP. 
ATENÇÃO! O entendimento ganhou força no julgamento das ADC’s 
43 e 44. Nesses julgados, o Plenário do STF entendeu que o art. 283 
do CPP não impede o início da execução da pena após condenação 
em segunda instância. 
 
# EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA E PENDÊNCIA DO 
JULGAMENTO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO: 
Não é possível a execução provisória da pena se foram 
opostos embargos de declaração contra o acórdão 
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condenatório proferido pelo Tribunal de 2ª instância e este 
recurso ainda não foi julgado (STJ. 6ª Turma. HC 366.907-PR, 
Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 6/12/2016) - Informativo 
595. 
 
CUIDADO! A execução provisória da pena não se confunde com a 
ANTECIPAÇÃO DOS BENEFÍCIOS PRISIONAIS! 
EXECUÇÃO PROVISÓRIA 
DA PENA 
ANTECIPAÇÃO DOS 
BENEFÍCIOS PRISIONAIS 
Execução provisória da 
pena é a restrição de liberdade 
do acusado independente da 
decretação de uma prisão 
cautelar. A privação da liberdade 
aqui possui natureza jurídica de 
prisão penal. 
Já a antecipação dos 
benefícios prisionais é a 
concessão de benefícios da Lei de 
Execução Penal ao preso 
cautelar. 
A execução provisória da 
pena após a decisão no segundo 
grau de jurisdição não viola a 
CF/88 (STF, HC 126.292). 
 
A antecipação dos 
benefícios prisionais é possível ao 
preso cautelar, inclusive com a 
progressão de regime e o 
livramento condicional (Súmula 
nº 716, STF). 
# DIMENSÕES DE ATUAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE 
INOCÊNCIA 
 
 DIMENSÃO INTERNA: É a manifestação do princípio da 
presunção de inocência no processo. A dimensão interna tem 
como desdobramentos a regra de tratamento e a regra 
probatória. 
 
 DIMENSÃO EXTERNA: É a manifestação do princípio da 
presunção de inocência fora do processo. A presunção de 
inocência exige uma proteção do investigado e do acusado 
contra a publicidade midiática abusiva, evitando assim sua 
estigmatização perante a sociedade. 
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(FAPEMS – 2017 – PCMS – DELEGADO DE POLÍCIA) O princípio 
da presunção de inocência ou da não culpabilidade está previsto na 
Constituição Federal e impõe o dever de tratamento do réu como 
inocente apenas na dimensão interna do processo, ou seja, atribui ao 
acusador demonstrar a culpabilidade do acusado e não este sua 
inocência. GABARITO OFICIAL: ERRADO! 
 
18) PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO (“Nemo 
tenetur se detegere) 
 
A) CONTEÚDO: Ninguém pode ser obrigado a gerar provas contra si 
mesmo. 
Nemo tenetur se detegere 
= 
“Ninguém é obrigado a contribuir para sua própria destruição”. 
 
B) PREVISÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO: 
 CF/88. Art. 5º, LXIII - o preso será informado de seus direitos, 
entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a 
assistência da família e de advogado; 
 
 Pacto de San José da Costa Rica: O princípio da não 
autoincriminação é previsto também no art. 8° letra ‘g’, do Pacto 
de San José da Costa Rica. 
 
 Art. 186 do CPP: “O silêncio, que não importará em confissão, 
não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa”. 
 
C) TITULAR DO DIREITO À NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO 
A redação do art. 5º, LXIII, CF/88 pode fazer parecer que o 
direito a não autoincriminação é exclusivo do preso. 
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Todavia, o direito a não autoincriminação não é direito 
exclusivo do preso, mas sim de qualquer pessoa a quem seja 
feito um questionamento do qual possa resultar uma 
autoincriminação, em regra o investigado ou o acusado. 
 
# O PRINCÍPIO DA NÃO-AUTOINCRIMINAÇÃO É DIREITO 
EXCLUSIVO DO INVESTIGADO/ACUSADO? 
 
ATENÇÃO! Em regra, a testemunha não pode se calar 
alegando o direito a não autoincriminação, pois em regra as 
perguntas feitas às testemunhas não podem resultar em 
autoincriminação. Responderá por falso testemunho (art. 342, 
CP). 
Todavia, deve-se frisar que o nemo tenetur se detegere não é 
direito exclusivo do acusado: pode ser alegado por qualquer 
pessoa que seja intimada a depor em processos judiciais e não 
judiciais sobre fatos que possam gerar uma autoincriminação, 
inclusive a pessoas intimadas na condição de testemunhas (STF, 2ª 
HC 106.876/RN e STF, RHC 122.279/RJ). 
 
D) DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA NÃO 
AUTOINCRIMINAÇÃO 
 
1. DIREITO AO SILÊNCIO 
 
CPP. Art. 186 “O silêncio, que não importará em confissão, não 
poderá ser interpretado em prejuízo da defesa”. 
 
O art. 198 do CPP diz que “O silêncio do acusado não importará 
confissão, mas poderá constituir elemento para a formação do 
convencimento do juiz”. Prevalece o entendimento de que a 
parte final do dispositivo não foi recepcionada pela CF/88, 
pois o exercício do direito ao silêncio não pode resultarem 
prejuízo ao acusado/investigado. 
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# O PRINCÍPIO DA NÃO-AUTOINCRIMINAÇÃO ABRANGE O 
DIREITO DE O ACUSADO FALTAR AO SEU ATO DE 
INTERROGATÓRIO? 
O art. 260 do CPP é expresso no sentido de que o acusado que 
faltar ao seu interrogatório será conduzido à presença do juiz: 
CPP, art. 260: Se o acusado não atender à intimação para o 
interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, 
não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à 
sua presença. 
No entanto, o dispositivo acima não foi totalmente recepcionado 
pela CF/88. A condução coercitiva para o interrogatório não é 
possível, pois, tendo o réu o direito de não produzir prova contra si 
mesmo, não haveria sentido em exigir sua presença para que 
permanecesse calado. 
Foi o posicionamento adotado pela banca CESPE, no ano de 
2013, que cobrou o tema na prova de Técnico Judiciário (Área 
Administrativa) do TJDFT e entendeu que o acusado que não 
comparecer ao seu interrogatório, mesmo quando devidamente 
intimado, não pode ser conduzido coercitivamente por ordem do juiz: 
(CESPE - 2013 - TJ-DF - Técnico Judiciário - Área 
Administrativa) Se o acusado, devidamente intimado, não 
comparecer ao interrogatório, poderá ser conduzido coercitivamente 
por ordem do juiz. GABARITO OFICIAL DEFINITIVO: E 
# O EXERCÍCIO DO DIREITO AO SILÊNCIO PODE SER 
UTILIZADO PELA ACUSAÇÃO NO TRIBUNAL DO JÚRI COMO 
ARGUMENTO PARA BUSCAR A CONDENAÇÃO? 
Não, sob pena de nulidade! 
Art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena de 
nulidade, fazer referências: 
(...) 
II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta 
de requerimento, em seu prejuízo. 
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2. INEXIGIBILIDADE DE DIZER A VERDADE. 
 
No Brasil, não existe o crime de perjúrio. Perjúrio é a 
conduta do acusado que mente em juízo. Sendo assim, pelo menos 
em regra, não se previu meios jurídicos para se exigir que o 
acusado/investigado fale a verdade caso opte por apresentar sua 
versão dos fatos. 
 
ATENÇÃO! Assim, é correto afirmar que o direito à não 
autoincriminação abrange a possibilidade de o acusado negar 
falsamente a prática do crime HC 68.929/SP (STF). 
 
# O DIREITO À NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO ABRAGE O DIREITO 
À MENTIRA? 
 
1ª CORRENTE: Sim! (Luís Flávio Gomes, p. ex.). 
 
2ª CORRENTE: Não! Não se pode dizer que o princípio da não 
autoincriminação abrange o direito à mentira! Isso porque não se 
pode entender que o ordenamento jurídico protege a título de 
“direito” situações imorais e reprováveis. 
 
Argumenta a segunda corrente no fato de que, se a 
mentira configurar algum delito (falsa identidade, p. ex.), o 
agente não estará isento de responsabilização (Súmula nº 522, 
STJ: “A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade 
policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa.”). 
 
 
 
 
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3. DIREITO DE NÃO PRATICAR QUALQUER 
COMPORTAMENTO ATIVO QUE POSSA INCRIMINÁ-LO. 
Exemplos: Bafômetro (etilômetro): O suspeito não é obrigado a 
soprar o bafômetro. Ex. 2: Exame grafotécnico (exame pericial que 
busca conhecer a autoria de determinado documento através da 
comparação de escritos). O acusado não é obrigado a fornecer o 
padrão grafotécnico. Ex. 3: Reconstituição do fato delituoso 
(reprodução simulada dos fatos): o investigado não é obrigado a 
participar ativamente da diligência. 
 
ATENÇÃO! O “nemo tenetur se detegere” não abrange o direito de 
não praticar um comportamento passivo. Ex.: Reconhecimento 
de pessoas. O acusado/investigado é colocado ao lado de pessoas 
para que a vítima ou uma testemunha aponte qual, dentre aquelas, 
foi a autora do delito. 
 
4. DIREITO DE NÃO PERMITIR A PRÁTICA DE PROVA 
INVASIVA1. 
Provas invasivas são as intervenções corporais que pressupõem 
penetração no organismo humano para dele se extraírem células. 
Ex.: Coleta de sangue, coleta de saliva no interior da boca do 
acusado/investigado. 
 
ATENÇÃO! O “nemo tenetur se detegere” não abrange o direito de 
não se sujeitar a uma prova não invasiva. Ex.: Apreender bituca de 
cigarro descartada para perícia em resquícios de saliva. Ex. 2: O STJ 
entende que o raio-X é uma prova não invasiva (STJ, HC 149.146). 
 
B.5) ADVERTÊNCIA QUANTO AO DIREITO DE NÃO 
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO 
A CF/88 determina que o preso seja informado de seus direitos, 
dentre os quais o de permanecer calado. Assim, prevalece que deve 
haver prévia advertência quanto ao direito de não produzir 
prova contra si mesmo (STF, HC 80.949). 
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# CONSEQUÊNCIA DA NÃO ADVERTÊNCIA QUANTO AO 
DIREITO AO SILÊNCIO: A ausência da advertência pode gerar a 
nulidade relativa de eventual confissão. Sendo relativa a nulidade, 
somente se anula o ato se for comprovado o prejuízo. Ex.: Gravação 
de conversa de policiais com o preso/investigado (interrogatório 
sub-reptício): Caso o investigado não tenha sido advertido de seu 
direito de permanecer calado, tal gravação é considerada prova 
ilícita. 
(CESPE – 2008 – MPE/RR – PROMOTOR DE JUSTIÇA) Alex, ao 
ser interrogado em processo penal, não foi comunicado pelo juiz 
acerca de seu direito constitucional de se manter em silêncio. 
Durante seu interrogatório, confessou as infrações penais que lhe 
foram imputadas. Nessa situação, mesmo sendo considerado o 
interrogatório como meio de prova e de defesa, configura-se causa 
de nulidade relativa, em razão da aplicação do princípio nemo 
tenetur se detegere. 
 
GABARITO OFICIAL: C 
 
ATENÇÃO! Se o agente produziu voluntariamente a prova contra si 
mesmo não há que se falar em prova ilícita sob fundamento no 
direito à não autoincriminação, ainda que não tenha sido feita a 
advertência quanto ao direito ao silêncio. 
 
(CESPE - 2013 - TJ-DF - Analista Judiciário - Área Judiciária) 
Se o teste em etilômetro (teste do bafômetro) for realizado 
voluntariamente, sem qualquer irregularidade, não haverá violação 
do princípio do nemo tenetur se detegere (direito de não produzir 
prova contra si mesmo), ainda que o policial não tenha feito 
advertência ao examinado sobre o direito de se recusar a realizar ao 
exame. Gabarito Oficial: Correto! 
 
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# ORIGEM NA NECESSIDADE DE ADVERTÊNCIA QUANTO AO 
DIREITO AO SILÊNCIO (AVISO DE MIRANDA): A necessidade da 
advertência quanto ao direito ao silêncio encontra sua origem em 
precedente da Suprema Corte Americana, que, no julgamento 
MIRANDA X ARIZONA (1966), entendeu que a confissão não possui 
nenhuma validade se não forem feitas ao preso três advertências: 
 Que o preso tem o direito de não responder; 
 Que tudo que disser pode ser utilizado contra ele; 
 Que o preso tem direito à advogado. 
 
# ENTREVISTAS COM A IMPRENSA: O dever de advertência não 
se aplica à imprensa (STF, HC nº 99.558). A confissão perante a 
imprensa é válida ainda que não tenha sido realizada a advertência 
em relação ao direito ao silêncio. 
 
# GRAVAÇÃO AMBIENTAL FEITA POR UM DOS 
INTERLOCUTORES: É lícita a gravação ambiental realizada por um 
dos interlocutores sem o conhecimento do outro, podendo ela ser 
utilizada como prova em processo judicial (Informativo nº 809, STF 
– Prisão Preventiva do Senador Delcídio do Amaral).PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR 
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19) PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS 
Art. 5º, LX, CF/88 - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o 
exigirem; 
Em regra, é garantido a todo e qualquer cidadão o acesso aos 
atos praticados no curso do processo. Excepcionalmente, o sigilo é 
admitido, quando a defesa da intimidade ou o interesse social o 
exigirem. 
O princípio da publicidade está relacionado ao caráter 
democrático do processo penal. 
Nos ensinamentos de FERRAJOLI, o princípio da publicidade é 
uma garantia de segundo grau ou garantia de garantia. Isso 
porque a publicidade proporciona o controle sobre outras garantias. 
 
# FUNDAMENTOS JURÍDICOS: 
 Art. 5º, LX, CF/88 - a lei só poderá restringir a publicidade 
dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o 
interesse social o exigirem; 
 
 CF/88, art. 93, IX - todos os julgamentos dos órgãos do 
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as 
decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a 
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus 
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a 
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não 
prejudique o interesse público à informação; 
 
 CADH, art. 8º, 5. O processo penal deve ser público, salvo no 
que for necessário para preservar os interesses da justiça. 
 
 Art. 792, CPP. As audiências, sessões e os atos processuais 
serão, em regra, públicos e se realizarão nas sedes dos juízos e 
tribunais, com assistência dos escrivães, do secretário, do 
oficial de justiça que servir de porteiro, em dia e hora certos, 
ou previamente designados. § 1o Se da publicidade da 
audiência, da sessão ou do ato processual, puder resultar 
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escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da 
ordem, o juiz, ou o tribunal, câmara, ou turma, poderá, de 
ofício ou a requerimento da parte ou do Ministério Público, 
determinar que o ato seja realizado a portas fechadas, 
limitando o número de pessoas que possam estar presentes. 
 
# CLASSIFICAÇÃO DA PUBLICIDADE 
 
I – Quanto ao sigilo do conteúdo do ato processual 
 PUBLICIDADE EXTERNA (AMPLA OU GERAL): É a 
permissão para que qualquer cidadão tenha conhecimento do 
ato processual. 
É a regra no Direito Processual Penal. 
Da publicidade externa emergem três direitos: 
 
o Direito de assistir à realização dos atos processuais. 
o Direito de narração dos atos processuais (direito de 
descrever o que ocorreu na realização dos atos 
processuais). 
o Direito de consulta dos autos. 
 
 PUBLICIDADE INTERNA (RESTRITA OU ESPECÍFICA): É a 
permissão de conhecimento do ato somente pelas partes ou por 
sujeitos processuais específicos. Ocorre quando é aplicada, 
excepcionalmente, uma restrição à publicidade do ato 
processual. Trata-se do segredo de justiça. Se o juiz tiver 
decretado o segredo de justiça, somente ele mesmo ou 
autoridade judiciária superior poderá afastar essa restrição da 
publicidade (STF, Pleno, MS 27.483/DF). Exemplo: CPI não 
pode. 
 
Pode se dar em duas situações: 
 
o Restrição da publicidade ao público em geral. 
Exemplo: art. 234-B, CP. Os processos em que se 
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apuram crimes definidos nesse título correrão em segredo 
de justiça (crimes contra a dignidade sexual). 
o Restrição da publicidade às partes. 
 
CF/88, art. 93, IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder 
Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob 
pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em 
determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou 
somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à 
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público 
à informação; 
 
II – Quanto à voluntariedade do conhecimento do ato 
 Publicidade ativa: Os atos são informados sem prévia 
provocação. 
 Publicidade passiva: A cientificação do ato processual 
depende de provocação/pedido de alguém. 
 
III – Quanto à acessibilidade do ato 
 Publicidade imediata: A publicidade dos atos está disponível 
a todos, indistintamente. 
 Publicidade mediata: A publicidade dos atos ocorre mediante 
certidão ou cópia. 
ATENÇÃO! A publicidade dos atos às partes garante o exercício do 
contraditório e da ampla defesa, bem como do plexo de direitos que 
os sujeitos possuem no processo. 
# SEGREDO DE JUSTIÇA: O juiz tomará as providências 
necessárias à preservação da intimidade, vida privada, honra e 
imagem do ofendido, podendo, inclusive, determinar o segredo de 
justiça em relação aos dados, depoimentos e outras informações 
constantes dos autos a seu respeito para evitar sua exposição aos 
meios de comunicação (art. 201, §6º, CPP). O segredo de justiça 
pode ser determinado em toda a persecução criminal. 
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20) PRISÃO CIVIL 
A prisão civil é a privação da liberdade de alguém em razão do 
não pagamento de uma dívida. É prevista na Constituição Federal 
de 1988, no art. 5º, LXVII: 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do 
responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de 
obrigação alimentícia e a do depositário infiel; 
Apesar de a Constituição Federal ter autorizado a prisão civil no 
caso do depositário infiel, a aplicação dessa hipótese é condicionada a 
existência de uma lei (o dispositivo não é autoaplicável). 
A Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San 
José), tratado internacional ratificado pelo Brasil em 1992, veda, em 
seu art. 7º, item 7, a prisão civil do depositário infiel. 
O supracitado diploma normativo possui hierarquia supralegal, 
por versar sobre direitos humanos. Diante disso, o STF (RE 466.346) 
entendeu ser impossível a prisão civil do depositário infiel, em razão 
de a CADH ter tornado inaplicáveis os dispositivos infraconstitucionais 
que permitiam a prisão civil do depositário infiel. Nesse sentido: 
Súmula Vinculante nº 25: “É ilícita a prisão civil de 
depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito”. 
CONCLUSÃO: Atualmente, a única hipótese de prisão civil 
existente em nosso ordenamento jurídico é a decretada em virtude 
do inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia. 
ATENÇÃO! Os crimes tributários não caracterizam prisão civil 
por dívida. 
 
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21) PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO 
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são 
assegurados a razoável duração do processo e os meios que 
garantam a celeridade de sua tramitação. 
O dispositivo foi incluído na CF pela Emenda Constitucional nº 45, de 
2004. Há doutrina que entende que os dispositivos inseridos no art. 
5º pelo poder constituinte derivado não configuram cláusula 
pétrea. O tema é, todavia, divergente. 
CONTEÚDO: A atuação dos órgãos de persecução penal, seja na 
investigação preliminar ou na ação penal, deve se dar em tempo 
razoável. Busca-se evitar dois extremos: o processo não pode ser 
moroso, pois a lentidão traz consequências danosas tanto para a 
vítima como para o acusado, mas também não pode ser conduzido às 
pressas atropelando-se o exercício do contraditório e da ampla 
defesa. 
# HÁ UM PRAZO DEFINIDO PARA DURAÇÃODO PROCESSO 
PENAL? 
Foi adotada a teoria do não prazo: A análise da razoável duração 
do processo deve ser feita caso a caso pelo juiz. Não há um prazo 
fixo para que se considere excessivo o prazo de duração do processo. 
Os prazos estabelecidos em lei para a instrução criminal não 
desnaturam a teoria do “não prazo” porque a lei não estabelece uma 
sanção para seu descumprimento. 
 
# SÚMULAS RELACIONADAS: 
 Súmula nº 21, STJ: Pronunciado o réu, fica superada a 
alegação do constrangimento ilegal da prisão por excesso 
de prazo na instrução. 
 
 Súmula nº 52, STJ: Encerrada a instrução criminal, fica 
superada a alegação de constrangimento por excesso de 
prazo. 
 
 Súmula nº 64, STJ: Não constitui constrangimento ilegal 
o excesso de prazo na instrução, provocado pela defesa. 
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ESTUDO DIRIGIDO 
01) Qual a competência do tribunal do júri? 
 
02) No procedimento do tribunal do júri é possível pedir 
a absolvição do acusado no recurso de apelação? 
 
03) O princípio da proibição da reformatio in pejus é 
aplicável ao procedimento do tribunal do júri? Como 
conciliá-lo com a soberania dos vereditos? 
 
04) Na revisão criminal, pode-se pleitear a anulação do 
julgamento ou o pedido deve ser a realização de novo 
júri? 
 
05) Qual a diferença entre a plenitude de defesa e a 
ampla defesa? 
 
06) Quais são os sistemas de quesitação apresentados 
pela doutrina no que diz respeito ao procedimento do 
tribunal do júri? Qual foi o sistema adotado pelo 
Brasil? 
 
07) O que é o excesso de linguagem na pronúncia? 
 
08) Havendo excesso de linguagem, o que o Tribunal 
deve fazer? 
 
09) Quem pode ser extraditado no Brasil? 
 
10) Brasileiro nato que perder a nacionalidade 
brasileira pode ser extraditado? 
 
11) Qual a diferença entre extradição, expulsão, 
deportação e banimento? 
 
12) O acesso ao Poder Judiciário depende de prévio 
esgotamento das vias administrativas? 
 
13) Qual o remédio constitucional cabível em caso de 
indeferimento injustificado na expedição de certidão 
com informação de caráter pessoal? 
 
14) No que consiste o princípio do juiz natural? 
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15) O que é um juízo ou tribunal de exceção? Quais são 
as suas características? 
 
16) A justiça especializada configura violação ao 
princípio do juiz natural? E o foro por prerrogativa de 
função? 
 
17) Quais são as regras derivadas do princípio do juiz 
natural? 
 
18) Lei posterior que altera regras de competência é 
aplicável aos processos em andamento? 
 
19) É possível o julgamento de turma de Tribunal 
formada por maioria de juízes convocados? 
 
20) Quais são as perspectivas do devido processo legal? 
 
21) Quais são os três subprincípios do princípio da 
proporcionalidade? 
 
22) Qual a diferença entre proporcionalidade e 
razoabilidade? 
 
23) No que consiste o direito ao contraditório? Quais 
seus elementos? Quais os seus destinatários? Quais 
as suas classificações? 
 
24) O que diz a doutrina moderna sobre o direito ao 
contraditório? 
 
25) Quais os desdobramentos do princípio da ampla 
defesa? 
 
26) É obrigatória a presença de advogado no PAD? Isso 
vale para o PAD destinado a reconhecer falta grave na 
execução penal? 
 
27) O que são provas ilícitas? São admissíveis? Existe 
exceção? 
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28) No que consiste o princípio da presunção de 
inocência? Quais os seus desdobramentos? 
 
29) Admite-se a execução provisória de acórdão 
proferido em grau de apelação (2ª instância)? 
 
30) Quais são as dimensões do princípio da presunção 
de inocência? 
 
31) Qual o conteúdo do direito à não autoincriminação? 
Possui fundamento constitucional? Quem é titular 
desse direito? 
 
32) Quais os desdobramentos do direito à não 
autoincriminação? 
 
33) É lícita a gravação ambiental realizada por um dos 
interlocutores sem o conhecimento do outro? 
 
34) Qual a diferença entre a publicidade interna e 
publicidade externa? 
 
35) Em quais casos se admite a prisão civil? 
 
36) Qual o conteúdo do princípio da razoável duração 
do processo?

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