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Os temas alfabetização e letramento já foram vastamente tratados em obras 
importantes, que fazem parte de uma bibliografia fundamental em educação ou em 
linguística aplicada. Na obra Letramentos múltiplos, escola e inclusão social, Roxane 
Rojo propõe uma reflexão que parte de questões específicas do contexto brasileiro: 
o acesso à escola foi alcançado, mas não a escolaridade de longa duração. Da mesma 
forma, o fracasso e a exclusão são, geralmente, tidos como problemas de aprendizagem 
do aluno, quando, para a autora, são problema do ensino. Partindo desse ponto, a 
obra divide-se em seis capítulos, sendo que os dois primeiros apresentam dados que 
demonstram a exclusão, a evasão e o fracasso na relação entre a escola e os “meios 
populares”, como Rojo preferiu chamar. 
Já nesses primeiros capítulos, o texto flui sem entraves. Além de propiciar a leitura e a 
reflexão sobre os letramentos, a autora propõe, ao final de cada capítulo, atividades e 
exercícios que levam a pensar e a escrever sobre, por exemplo, nossa escolarização e a 
das gerações que nos antecederam. É possível que boa parte dos leitores constate, aí, 
que seus avós foram lavradores analfabetos, seus pais, operários semialfabetizados, e 
que, talvez, sejam os primeiros, em suas famílias, a conquistar uma educação de longa 
duração. Os que se empenharem em fazer as atividades não ficarão sem um feedback, 
já que a autora comenta os possíveis resultados dessas atividades ao final de cada 
capítulo. Também são apontados gargalos do fracasso escolar, como as séries-diploma, 
nos ensinos fundamental e médio, e apresentados procedimentos de avaliação para a 
obtenção de indicadores de alfabetismo e letramento.
Os conceitos mais importantes da obra, como alfabetização, alfabetismo e letramento, 
são introduzidos no capítulo 3 e retomados mais adiante. Nessa introdução, a autora 
recorre a autores como Magda Soares e Vera Masagão Ribeiro, entre outros. Aqui, o 
letramento passa a ser tratado não só na escola, mas também fora dela. Rojo acredita 
que as práticas letradas podem e devem ser ampliadas pela escola. Enquanto tece 
seus argumentos, Rojo vai costurando pequenos relatos de personagens reais com que 
teve contato em sua trajetória de docência e pesquisa. Descrevendo a rotina de uma 
professora do ensino fundamental, por exemplo, sinaliza diferentes atividades que 
constituem, no seu entender, eventos de letramento. Já o alfabetismo é apresentado 
em seus diferentes níveis – rudimentar, básico e pleno –, que não contemplam ainda, 
ROJO, Roxane; Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. 
São Paulo: Parábola Editorial, 2009. 127p
Marta da Rocha Costa1
Ana Elisa Ribeiro2
1 Mestre em Estudos de 
Linguagens pelo CEFET-MG. 
martarocha@intexto.
com.br
2 Professora do PPG em 
Estudos de Linguagens do 
CEFET-MG. anadigital@
gmail.com
| Educ.&Tecnol. | Belo Horizonte | Vol. 17 | No 1 | p.113-114 | jan./abr. 2012 |
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segundo a autora, habilidades de leitura crítica. Encerram o capítulo orientações para 
uma atividade na qual o leitor deve anotar, no decorrer de um dia, todos os eventos de 
letramento pelos quais passou, bem como os de seus alunos, se professor, e os de sua 
família.
O capítulo 4 que retoma os conceitos de alfabetização e alfabetismo e introduz um 
novo, o de ortografização, que, nas palavras de Rojo, “é um processo difícil e longo, 
que toma todo o ensino fundamental e se estende por toda a vida”. Um breve relato 
histórico sobre o desenvolvimento da escrita, desde os pictogramas, passando pela 
invenção de instrumentos de escrita até a criação do alfabeto fenício, também é 
apresentado. Duas afirmativas da autora merecem destaque: a de que a escola é 
a principal agência alfabetizadora e de que a alfabetização é uma típica prática de 
letramento escolar.
O capítulo 5 traz uma reflexão mais densa sobre o tema introduzido no capítulo 3. São 
apresentadas pela autora competências e habilidades de leitura e escrita das quais o 
leitor-professor pode se apropriar para a avaliação e a formulação de suas propostas de 
produção de textos em sala de aula. A autora foi mais abrangente na abordagem das 
competências e habilidades de leitura, subdivididas em procedimentos e capacidades, 
esta última novamente subdividida em capacidades de decodificação e compreensão. 
Já na abordagem sobre competências e habilidades de escrita, também chamada 
“produção de texto”, Rojo repete algumas constatações de Bonini, como “a utilização 
de mecanismos textuais na forma de regras ou rotinas pré-dadas” e “a ideia de que o 
aluno deve ser guiado e não incitado, incentivado, ao aprendizado”. Sua contribuição, 
no entanto, fica marcada ao apontar uma reconfiguração dos perfis de alunado e 
professorado frente aos novos gêneros midiáticos, que passam a disputar espaço na 
sala de aula com os textos até então produzidos a partir de um modelo literário.
No capítulo 6, o conceito de letramento(s) é visto de forma mais abrangente, a começar 
pelo “s” entre parênteses, que sinaliza o posicionamento da autora em relação ao 
assunto. Rojo acredita em diferentes práticas de letramento, mais uma vez ilustradas 
por personagens do cotidiano, ou seja, os letramentos múltiplos convivem na escola 
de hoje em versões dominantes, marginalizadas, locais, globais e universais, em 
constante conflito, algumas rejeitadas e outras enfatizadas. Isso posto, a autora discorre 
sobre a importância do papel da escola de hoje na formação de cidadãos flexíveis, 
democráticos e protagonistas, desafio possível de ser alcançado se forem trabalhados 
os letramentos múltiplos, multissemióticos, multiculturais e críticos. Não há tempo 
para tudo, mas “nossa tarefa é justamente a de fazer escolhas e encaminhamentos 
conscientes”, finaliza Rojo. 
Letramentos Múltiplos, escola e inclusão social é uma leitura essencial a todo profissional 
da educação e importante para aqueles que, de alguma forma, se interessam por 
temas como leitura, escrita e educação.
| Recebido em: 13/12/2011 | Aprovado em: 2/2/2012
| Educ.&Tecnol. | Belo Horizonte | Vol. 17 | No 1 | p.113-114 | jan./abr. 2012 |
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