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EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 
A Eja Como Instrumento de Inclusão Social e Fortalecimento da Cidadania 
Acadêmicos¹ Flávia de Souza Bentes
Tutor Externo² Monica Maria Baruffi
	
RESUMO
Este estudo visa pensar sobre a relevância da Educação de Jovens e Adultos (EJA) como uma ferramenta crucial para inclusão social e fortalecer a cidadania no Brasil. A EJA é para aquelas pessoas que, por diversos motivos, não terminaram a escola na idade regular, então é uma forma de tentar consertar aquelas desigualdades históricas no acesso a educação. A pesquisa foi realizada por meio de levantamento bibliográfico, com base em autores e documentos importantes sobre os aspectos históricos, sociais e pedagógicos. O trabalho apresenta, em um primeiro momento, uma contextualização da modalidade e sua trajetória no cenário educacional brasileiro. Depois, são discutidos os problemas enfrentados, como a evasão escolar, a falta de ajuda do governo e o preconceito. Por fim, o estudo propõe algumas perspectivas para fortalecer a EJA, mostrando que é necessário olhar com mais atenção e cuidado, tanto os gestores quanto os educadores. Conclui-se que, mesmo enfrentando vários desafios, a EJA tem um papel muito importante na criação de uma sociedade mais justa, sendo muito importante investir sempre em políticas públicas, assegurando efetividade e qualidade.
Palavras-chave: Inclusão social. EJA. Cidadania. Políticas Educação. públicas. Desigualdade.
1. INTRODUÇÃO
A Educação de Jovens e Adultos EJA, crucial pro Brasil, ela impulsiona inclusão social e promove a cidadania. A EJA atende aqueles que, na hora certa, não tiveram ou perderam espaço na educação básica. É, importante para diminuir desigualdades e abrir portas. Em um país de diferenças sociais e educacionais, falar dessa modalidade é essencial. Ajuda a entender os problemas dos sujeitos e encontrar soluções para entrar e permanecer na escola.
O objetivo desse estudo é mostrar a importância da EJA como inclusão, destacando sua história, os desafios atuais e os possíveis caminhos para seu fortalecimento. A pesquisa foi bibliográfica, com estudos e documentos sobre o tema. O desenvolvimento se divide em cinco seções bem distintas: inicialmente, mergulha-se no conceito e sua evolução histórica; em seguida, analisa-se os obstáculos encarados por essa forma de educação; por último, lança-se um olhar sobre perspectivas e estratégias para torna-la mais eficiente e inclusiva. Concluindo, as considerações finais surgem, relembrando os objetivos estabelecidos e ponderando a relevância do assunto discutido.
2 A Educação de Jovens e Adultos: Caminhos, Desafios e Perspectivas
2. 1 A EJA no Contexto Brasileiro
A jornada da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil é cheia de desafios históricos, sociais e políticos. Sua origem começa na época da colonização, por volta de 1549, quando a Igreja Católica, e os jesuítas em especial, cuidavam da educação. O plano era alfabetizar os índios, pra convertê-los ao cristianismo e ainda prepará-los para o trabalho. Os jesuítas permaneceram atuando até 1759, quando foram mandados embora por ordem do Marquês de Pombal, o que mudou drasticamente a maneira de educar.
Com a reforma pombalina, a educação passou a olhar pros interesses do Estado, deixando ainda mais à margem as camadas populares. A nova organização trouxe as disciplinas, mas a exclusão dos adultos de baixa renda continuou firme e forte, porque o foco era o ensino superior, perpetuando um elitismo educacional (Moura, 2003).
No Império, foram surgindo as primeiras ideias pra educação de adultos, como as escolas noturnas. Nos anos 1930, com a industrialização avançando e mudanças sociais acontecendo, a EJA começou a ser relevante, seguindo o crescimento da escola fundamental pública.
A Constituição de 1934 foi um grande passo, criando o Plano Nacional de Educação, estabelecendo que o Estado devia assegurar a educação primária grátis e obrigatória, incluindo adultos. Apesar disso, o analfabetismo ainda era muito preocupante (Brasil, 1934).
Na década de 1940, o governo criou um fundo pra alfabetizar adultos, com duas metas: treinar a mão de obra e aumentar o número de votantes, porque votar dependia de saber ler.
Depois, o apoio à EJA por parte do governo teve altos e baixos. Em 1967, foi lançado o MOBRAL, com a intenção de alfabetizar gente de 15 a 30 anos. Apesar de ter se esforçado, o programa acabou em 1985. Nas décadas de 1980 e 1990, principalmente no governo Collor, houve um passo para trás na educação de adultos.
Mas, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96) viu a EJA como algo certo, dando educação grátis e adaptando às vidas dos alunos. O artigo 37 garante, de modo firme, o acesso à educação para aqueles que não puderam estudar na hora certa, frisando a precisão de métodos que combinem com a experiência de vida, os esforços e a história dos alunos.
No parágrafo 3º desse mesmo artigo, ressalta a importância da articulação entre a EJA e a formação profissional, favorecendo a inserção no mercado de trabalho e a melhoria das condições de vida (Brasil, 1996).
Outro avanço importante veio com a Constituição de 1988, ao reafirmar o dever do Estado em dar educação básica grátis e obrigatória, com classes noturnas para quem trabalha o dia todo. A criação em 2003, da Secretaria de Erradicação do Analfabetismo e o programa Brasil Alfabetizado mostraram um compromisso maior do governo com a inclusão da EJA nas políticas educacionais (Brasil, 1988).
Apesar dos avanços legais, a EJA ainda enfrenta diversos obstáculos no dia a dia. Muitos adultos procuram a educação para melhorar as condições de vida e o acesso ao emprego, contudo as escolas devem estar prontas pra acolher esses estudantes. Precisa-se de currículos mais maleáveis, juntamente com sensibilidade social. E é crucial estar de acordo com as exigências do mundo do trabalho.
2. 2 Inclusão Social pela Educação
A inclusão social, impulsionada pela educação, busca assegurar que indivíduos, ao longo da história marginalizados, consigam acesso a oportunidades que impulsionem autonomia, cidadania e transformação social. Para Paulo Freire, o saber tem de ser um poderoso instrumento de libertação, dando a chance do educando se reconheça como agente ativo da própria realidade.
Tornar a escola mais inclusiva é crucial para que ela exerça seu papel na formação de cidadãos. No entanto, muitos jovens se deparam com obstáculos logo nos primeiros anos de estudo. A cobrança por resultados imediatos e avaliações, sempre focadas em notas, pode levar a promoções sem aprendizado de verdade ou à reprovação, alimentando sentimentos de fracasso e inferioridade. Essa dinâmica contribui o afastamento do aluno da escola, principalmente no Ensino Médio, onde a pressão por resultados e a escolha profissional ficam mais intensas.
Conforme Tröger (2012, p. 16-17) ressalta, "a escola é cada vez mais vista como uma chance para todas as crianças, não só para uma elite, de subir na vida, em uma posição social melhor do que a dos seus pais". Entretanto, o foco somente no ENEM, às vezes afasta a escola das aspirações dos jovens, atrapalhando a permanência e o interesse deles.
A saída da escola pode ter várias causas: a família desestruturada, falta de ajuda do governo, desemprego, fome, o desânimo do estudante e a escola ter baixa qualidade de ensino. Somando isso a muitos jovens largam os estudos para trabalhar, mostrando o efeito das diferenças sociais (Pereira, 2019).
Muitos alunos têm problemas com a fome, falta de cultura e de carinho, não ter recursos e nem condições psicológicas para estudar em casa. Ao mesmo tempo, a escola também tem falhas, como turmas lotadas, professores não tão prontos e conteúdos distantes da realidade dos estudantes (Paro, 1996).
Por isso, a Educação para Jovens e Adultos vira uma opção importante, pois reconhece as trajetórias marcadas pela exclusão e busca promover a equidade educacional. Assim, diz Patto (1996, p 238), "o fracasso escolar e a evasão, constituem um problema pedagógico" é necessárioagir de maneira concreta e com foco no contexto, assegurando o direito a educação.
2. 3. A EJA como Ferramenta de Inclusão Social
A Educação de Jovens e Adultos, EJA, vai além do basico ensinamento tipo ler, escrever e fazer contas. Ela é bem mais, uma ferramenta poderosa que muda vidas, tanto pro bem individual como para a sociedade, dando a chance para quem sempre esteve fora da parada, refazerem suas histórias. deve ser entendida como a educação de pessoas reais, com vida, jeito próprio de ser e direitos, e não só pra "recuperar" coisas que não foram aprendidas quando criança (Arroyo, 2005).
É muito mais do que só ensinar matérias da escola, o pertencimento e o exercício pleno da cidadania. O processo educativo precisa reconhecer os saberes prévios dos estudantes, promovendo um diálogo constante e horizontal. Freire (1996) falava da importância de ouvir e a troca de ideias no aprendizado, onde professor e aluno, juntos, constroem o saber.
E ainda, a EJA faz um papel muito importante em incluir grupos que precisam de ajuda. Pessoas em situação de rua, quem estão privados da liberdade, indígenas, quilombolas, idosos e muito mais, acham nessa chance a chance de refazer suas histórias e conseguir direitos negados durante anos. A EJA mostra ser justiça social, visando a consertar desigualdades e promover a dignidade, com uma ativa participação na sociedade (Silva, 2010).
Nesse contexto, a EJA é uma ponte, ligando a exclusão com a cidadania. A escola passa a ser um lugar de acolhimento, onde reconstrói a identidade, e planeja o futuro. Para Gadotti (2003, p. 25), "educar é um ato político, e a EJA, falando com os silenciados, cumpre esse papel libertador, promovendo a inclusão, reconhecendo e dando lugar."
Assim, a EJA não é somente uma alternativa tardia a escola, formalmente falando, mas uma política pública bem necessária, sabe, para deixar a democracia mais forte, e lidar com as desigualdades sociais.
2. 4. Desafios na EJA
Apesar da importância central na justiça social, a Educação de Jovens e Adultos EJA batalha, inúmeros entraves que comprometem seu desempenho. Evasão escolar, algo que acontece muito, muitas vezes por causa do cansaço no trampo, falta de família e aquele desinteresse dos alunos. Conforme a PNAD Contínua (2023), cerca de 68 milhões de brasileiros com mais de 18 anos não terminaram a escola básica, evidenciando a gravidade da situação.
E a EJA ainda sofre, por causa da falta de boas políticas, e os professores nem sempre estão preparados, o que dificulta entender o que esses alunos precisam. Fazenda (2015, p. 14) fala que é preciso mudar a maneira de ensinar, investir em formas de aprendizado mais educativas e significativas. O Pacto Nacional da EJA, do MEC (2024), tenta ajudar com incentivos e treinamento, ainda depende de maior articulação e investimentos adequados.
Outro problema, é currículo rígido, desconectado da realidade dos educandos. Zabala (2022), propôs a mudança de métodos baseados apenas na memorização, por outras abordagens, como as críticas e que incentivam a participação. Os dados do IBGE (2023), mostram que os jovens de 14 a 29 anos param de estudar, a maioria por causa de trabalho ou gravidez essa foi a razão de 41,7% das mulheres e 53,4% dos homens.
Para vencer esses desafios, precisa-se ter uma visão que ligada a formação dos profissionais pra sempre, valorizar a EJA e fazer políticas públicas que funcionam, garantindo o acesso, a continuidade e um aprendizado com significado real para os alunos.
2.5. Caminhos para o Fortalecimento da EJA
Fortalecer a Educação de Jovens e Adultos, ou EJA, demanda valorizá-la nas políticas públicas, e investir que garantam acesso, e que permaneça e também a qualidade. A EJA precisa ser uma política de Estado, não somente uma ação emergencial, afinal, repara um direito que foi negado (Gadotti, 2001).
Um dos principais caminhos é montar um currículo contextualizado, que considere os saberes prévios, o que viveram e o que eles gostam. De acordo com Freire (1996), ensinar exige respeito ao que o aluno já sabe, ele acredita numa prática pedagógica que dialogue e que liberte (Freire, 1996).
Outro ponto importante é dar formação constante para os professores, focando em métodos que envolvam todos e que façam pensar. Os professores da EJA precisam saber conversar com alunos que tem trajetórias difíceis, que precisam de formas diferentes de ensinar (Arroyo, 2006).
E ainda, fazer parcerias com organizações sociais ajuda a ampliar o alcance da EJA, dando apoio aos alunos em situações difíceis. A combinação com oficinas profissionalizantes e eventos culturais impulsiona os alunos, promovendo sua autonomia, abrindo portas no mercado de trabalho.
3. CONCLUSÃO
Este trabalho visou a examinar a relevância da Educação de Jovens e Adultos EJA, vista como uma ferramenta primordial para a inclusão social, avaliando sua trajetória histórica, as dificuldades encontradas e os rumos a serem seguidos para fortalecer ela. Considerando o panorama brasileiro, foi possível entender a origem da EJA, sua evolução ao longo do tempo e sua consolidação como uma modalidade vital para assegurar o acesso à educação àqueles que, por diferentes razões, não tiveram essa chance na idade adequada.
Embora tenhamos progredido, percebemos que muitos desafios permanecem, tais como a evasão escolar, a ausência de políticas públicas efetivas e a demanda por uma abordagem pedagógica mais adequada às necessidades dos alunos. Ademais, foram propostas estratégias válidas para otimizar essa modalidade, como a valorização dos educadores, a elaboração de um currículo mais adequado e o reforço das ações conjuntas. De qual modo, o propósito de pensar sobre os trilhos a fim de deixar a EJA mais eficaz, ele foi atingido, consolidando sua importância na evolução da cidadania e da justiça social
REFERÊNCIAS
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Zabala, A. (2022). A prática educativa: Como ensinar. Artmed.
1 Nome da acadêmica Flavia de Souza Bentes
2 Nome do Professortutor externo Mônica Maria Baruffi
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Pedagogia (FLD216380HUM) –
 Educação de Jovens e Adultos – 12/05/2025

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