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Unidade 1
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS DE DIREITO
Aula 1
Noções de Direito
Noções de Direito
Noções de Direito
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Bons estudos!
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante, nesta primeira aula iremos conhecer o
conceito de direito e a sua relação com a sociedade e com
outros saberes.
Você já parou para pensar o que é o Direito?
Desde o nosso nascimento o Direito se faz presente, ele está
nas diversas searas da nossa vida e das nossas relações, seja
na forma de garantias que nos foram concedidas ou no
estabelecimento de regras a serem cumpridas.
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/4abf/bc3d07c1-faa3-5350-9f45-e57d6263f12f.pdf
Vamos, portanto, aprender o conceito de direito, sua relação
com a sociedade e com os demais ramos do saber, a fim de
compreender de forma ampla a disciplina de Introdução ao
Estudo do Direito, assim, criaremos uma situação-problema,
a qual ao final do estudo nos ajudará a relacionar todo o
conteúdo abordado.
Imagine que você está em uma ilha deserta com outros
indivíduos e nesta ilha não há a presença do Estado para
administrar a vida em sociedade, para criar regras e impor
sanções, assim, você e os demais indivíduos podem agir
conforme bem entenderem.
Você acredita que essa convivência sem regras daria certo ou
o caos se instalaria, tendo em vista que cada ser humano
faria o que bem entendesse sem se preocupar com o
próximo e com o bem-estar coletivo?
Será que existe sociedade sem Direito? Qual seria a solução
que você daria caso o caos viesse a se instalar?
Vamos Começar!
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Vamos Começar!
Vamos começar com a seguinte pergunta, o que é o direito?
Discorrer o conceito do Direito não é uma tarefa simples, ao
mesmo tempo que parece ser um termo tão comum e tão
presente no nosso cotidiano e nas nossas relações, também
é de grande dificuldade conceituá-lo.
Quando pensamos então em uma segunda pergunta, “qual a
função social do Direito?” vemos que ambas as perguntas
estão conectadas e se faz necessário uma busca nas ciências
afins, que estudaremos mais adiante, para encontrar essas
respostas.
O Direito está presente todo o tempo nas nossas vidas, nas
nossas relações com o próximo temos direitos e também
obrigações, seja ao comprar um imóvel, ao prestar um
serviço para o próximo, nas nossas relações com o Estado,
pelo simples fato de estarmos inseridos em sociedade o
direito se faz presente, seja ao pagarmos impostos, ao
usufruirmos da saúde pública, do asfalto, seja ao
escolhermos livremente qual religião proferir, a nossa
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
manifestação de pensamento, enfim, incontáveis são as
situações.
Desde o momento em que nascemos o Direito se faz
presente nas nossas vidas, aliás, até um pouco antes, por
exemplo, o art. 2° do Código Civil ao trazer os direitos de
personalidade, estipula que: “a personalidade civil da pessoa
começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo,
desde a concepção, os direitos do nascituro” (Brasil, 2002).
Aos olhos do ser humano comum o Direito é lei e ordem, isto
é, um conjunto de regras obrigatórias com a finalidade de
garantir a convivência social em razão dos limites postos às
ações de cada um de seus membros. Desta forma, quem age
de acordo com essas regras comporta-se direito; quem não
o faz, age torto (Reale, 2013, p. 28).
Em uma análise da etimologia da palavra, Direito (diritto;
derecho; Recht; droit; right) vem do latim medieval,
enquanto contração de de-rectum (directus, adjetivo;
dirigere, verbo), ou seja, o significado da palavra indica
intervenções passíveis de serem aplicadas à ação humana
em sociedade: endireitar; tornar reto; alinhar; dirigir; dispor;
corrigir (Bittar, 2022, p. 29).
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Do ponto de vista simbólico, encontramos o símbolo da
justiça para representar o que é justo, temos a deusa da
justiça com a balança, espada, sua venda, elementos que
indicam que a requer tempo, força, avaliação, equidistância,
prudência, sopesamento (Bittar, 2022, p. 29).
O Direito, ius, no dizer do brocardo romano tradicional, é
a arte do bom e do equitativo (ars boni et aequi). Há,
portanto, que se enfrentar, de plano, o Direito como arte
e como ciência. O termo ius é mais antigo na história do
Direito Romano, dando origem a muitas palavras”.
(Venosa, 2022, p. 9)
 
Quando pensamos na história, o Direito foi um fato social
misturado com outros elementos de natureza religiosa, da
mágica, da moral, seu uso se dava de maneira utilitária. Nas
sociedades primitivas, o Direito consolidou-se como um
processo de ordem costumeira. As regras jurídicas
formavam-se de forma anônima nos costumes da sociedade,
em conjunto e confundindo-se com outras regras não
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
jurídicas. O Direito foi, durante milênios, pura e
simplesmente um amálgama de usos e costumes (Reale,
2013, p. 170).
Já em um estágio mais evoluído da civilização é que surgem
os primeiros órgãos (órgãos de Jurisdição) responsáveis por
conhecer o Direito e declará-lo. Assim, o juiz tinha a
responsabilidade de dizer qual era o direito em cada caso
concreto, julgavam segundo a razão do direito e não
conforme critérios morais (Reale, 2013, p. 172).
Em Roma que a consciência da jurisdição aparece de
maneira clara e concreta, por estar vinculada cada vez
mais a um sistema objetivo de regras de competência e
de conduta. Foi nesse momento que a Ciência do Direito
lançou a sua base mais sólida e começou praticamente a
existir, exigindo a elaboração de categorias lógicas
próprias, atrave´s do trabalho criador dos jurisconsultos.
(Reale, 2013, p. 172)
 
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Pela análise da ciência, deve-se considerar a estrutura do
direito, seu funcionamento, os elementos que o compõe,
como conflitos, normas, valores, sanções, instituições,
poderes, justiça. O direito consegue ser complexo,
contraditório, social, histórico, dinâmico, e estruturado sobre
as tensões entre ser e dever ser.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
O Direito e a Sociedade
O homem na sua essência como ser social, vive em
sociedade, para que a sua convivência seja ordenada, faz se
necessário o Direito para reger a sociedade, com o
estabelecimento de direitos, obrigações e permissões.
Disto podemos mencionar o seguinte provérbio: ubi societas,
ibi jus (onde está a sociedade está o Direito). O inverso
também é verdadeiro: ubi jus, ibi societas, assim, não há
como admitir qualquer atividade social desprovida de forma
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
e garantia jurídica, nem qualquer regra jurídica que não se
refira à sociedade (Reale, 2013, p. 29).
O Direito consolida-se como um fato ou fenômeno social;
existe na sociedade e só pode ser concebido dentro dela. A
qualidade de ser social é característica da realidade jurídica.
Contudo, como fato social e histórico, o Direito possui
diversas formas e está presente em campos variados de
interesse (R, 2013, p. 29-30).
O Direito é um fato social que se desenvolve conforme o
decurso do tempo. O Direito Positivo compõe-se de
modelos, referente aos acontecimentos sociais e à
organização do Estado. O legislador se vale da análise das
relações humanas para compreender as questões sociais a
serem regulamentadas (Nader, 2023, p. 82).
O Direito tutela comportamentos humanos. As regras, as
normas de direito são instrumento da convivência social.
Quando o indivíduo age de maneira delinquente, o seu
comportamento sofre as consequências das regras penais,
por outro lado, se um indivíduo atua na busca de uma
finalidade útil para si ou para a sociedade, as normas
jurídicas garantirão a sua proteção.
DisciplinaINTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
A vida social é influenciada constantemente por fatores que
produzem efeitos jurídicos e necessitam de alterações no
Direito Positivo. Os fatores sociais e jurídicos, funcionam
como motores da vida social e do Direito. Portanto, os
fatores jurídicos são elementos que condicionam os
fenômenos sociais e, consequentemente, induzem a
transformações no Direito (Nader, 2023, p. 82).
 
Fatos Jurídicos
As situações jurídicas podem ser permanentes como as de
direito personalíssimo, e outras podem ser temporárias e
casuais, como a situação jurídica do inquilino e a do
trabalhador. As relações jurídicas seguem o ciclo da vida,
pois nascem, produzem efeitos e extinguem-se. Os direitos e
deveres implicam a ocorrência de um fato e a existência de
normas reguladoras, assim, pressupõem a existência do fato
jurídico. Os fatos jurídicos são os acontecimentos da vida
social a que o Direito objetivo determina efeitos jurídicos, ou
os fatos da natureza que geram efeitos jurídicos (Nader,
2023, p. 329).
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Considera-se fato qualquer transformação da realidade ou
do mundo exterior. Para o fato ser jurídico, ele precisa ser
regulado pelo direito. Os fatos jurídicos criam situações
jurídicas, pois eles geram, modificam ou extinguem uma
relação jurídica. Assim, o fato jurídico é acontecimento do
mundo fático a que o Direito estipula efeitos jurídicos, como
o nascimento, o roubo, o testamento, a emancipação, etc.
(Nader, 2023, p. 330).
O mundo fático engloba os acontecimentos produzidos pelo
homem ou pelas forças da natureza: a queda de uma árvore,
uma chuva, a morte, um contrato, uma geada que devasta
plantações, entre outros, podemos dizer que se encontra na
esfera das mudanças objetivas. Uma geada e um contrato,
por exemplo, por afetarem interesses sociais, e seus efeitos
estarem definidos em lei, eles encontram-se no mundo
jurídico (Nader, 2023, p. 332).
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Figura 1 | Fato Jurídico. Fonte: adaptada de Nader (2023, p.
333).
Fato jurídico é todo e qualquer fato da vida social,
correspondente ao modelo de comportamento ou de
organização configurado por uma ou mais normas de direito.
O fato jurídico stricto sensu compreende o acontecimento
provocado por agentes da natureza, independentemente da
vontade humana, com consequências na vida jurídica, pois
cria, modifica ou extingue relação jurídica. Exemplos: um
incêndio, o deslocamento natural de terra de um lado do rio
para a outra margem, o nascimento, a morte.
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Ato jurídico lato sensu é todo e qualquer acontecimento
decorrente da vontade humana, com repercussão no mundo
dos direitos. Divide-se em ato lícito e ilícito, conforme seja
admitido ou não pelas regras jurídicas. Os atos lícitos se
subdividem em ato jurídico stricto sensu e em negócio
jurídico. O ato jurídico em sentido estrito corresponde à
realização da vontade do homem, que cria, modifica ou
extingue direito, sem que haja acordo de vontades. Os
efeitos que provoca são os definidos em lei e não pela
vontade (Nader, 2023, p. 335).
O negócio jurídico se caracteriza por ser ato humano e pelo
fato de se concretizar com expressa declaração de vontade.
Seus efeitos são os fixados na declaração de vontade e
admitidos pelo ordenamento jurídico. Exemplos: adoção,
testamento, compra e venda (Nader, 2023, p. 335).
Para que o negócio jurídico seja válido é preciso preencher
os requisitos previstos no art. 104 do Código Civil: “I – agente
capaz; II – objeto lícito, possível, determinado ou
determinável; III – forma prescrita ou não defesa em lei”
(Brasil, 2002). 
Vamos Exercitar?
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Vamos Exercitar?
Você se recorda da nossa situação hipotética apresentada no
começo da nossa seção?
Então, após tudo o que foi explanado acredito que você
tenha percebido que o Direito está presente nas mais
diversas searas da nossa vida, e onde está a sociedade ali
também estará o direito. Desta forma, a criação de regras
para os indivíduos respeitarem, com a definição de direitos,
deveres, permissões e penalidades, faz-se necessário para o
bom andamento da sociedade e o convívio harmônico entre
os seres humanos. 
Saiba mais
Saiba mais
Estudante, quero te fazer um convite: acesse o livro de
Introdução ao Estudo do Direito de Eduardo Carlos Bianca
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555597066/epub
Bittar que consta na sua biblioteca virtual, em seu capítulo II,
temos uma ampla explanação a respeito do conceito de
Direito, com a abordagem, inclusive, de grandes nomes da
filosofia. A leitura do referido capítulo será de grande valia
para o aprofundamento do conhecimento a respeito do
Direito. 
Referências
Referências
BITTAR, E. C. B. Introdução ao estudo do direito. Editora
Saraiva, 2022. 
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2022. Institui o
Código Civil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2002.
Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil
ada.htm. Acesso em: 10 out. 2023. 
MACHADO, N. P. L. Introdução ao estudo do direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
NADER, P. Introdução ao estudo do direito. Grupo GEN,
2023.
REALE, M. Lições preliminares de direito. 27. ed. Editora
Saraiva, 2013.
VENOSA, S. de S. Introdução ao estudo do direito. Grupo
GEN, 2022. 
Aula 2
Sistemas Jurídicos e Ciências Afins
Sistema Jurídico e as Ciências Afins
Sistema Jurídico e as
Ciências Afins
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/4abf/7282e6cf-a7d4-5dac-8e45-7d56b253b78c.pdf
Olá, estudante, vimos anteriormente a importância do
Direito para a nossa sociedade e para regular as nossas
relações para que possamos conviver em ordem. Vimos
também a extensão do conceito de direito e a complexidade
em defini-lo.
Assim, para a construção do Direito na regulação de
condutas, criação de direitos, imposição de sanções e para a
compreensão do seu fenômeno, o jurista ou profissional que
atua com o direito deve estar familiarizada com o Direito dos
povos, cada vez mais mesclados e miscigenados. Desta
forma, também faz-se necessário o estudo de diversas
disciplinas afins, denominadas ciências jurídicas, que
veremos a seguir.
Para uma melhor compreensão, vamos retomar a nossa
situação-problema e avançarmos mais um pouco no
conteúdo.
Imagine que você está em uma ilha deserta com outros
indivíduos, nesta ilha não há a presença do Estado para
administrar a vida em sociedade, para criar regras e impor
sanções, assim, você e os demais indivíduos podem agir
conforme bem entenderem.
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Vimos que para o caos não ser instalado seria necessário a
criação de normas para regular as condutas dos indivíduos.
Vamos imaginar que essas normas foram criadas e a
organização e a convivência dos indivíduos nessa ilha
estavam indo muito bem por gerações.
Um certo dia ocorreu um naufrágio de um navio de cruzeiro,
que trouxe novos habitantes para a ilha, fazendo com que o
número de habitantes crescesse substancialmente. Com o
aumento da população, os recursos naturais da ilha, como
água doce, alimentos e espaço para habitação, tornaram-se
escassos.
A ilha passou a enfrentar desafios ambientais, com a
crescente população impactando negativamente a
biodiversidade local e ameaçando o equilíbrio ecológico.
Assim, compessoas preocupadas com o impacto negativo da
superpopulação na ilha e na biodiversidade local, surgiram
questões de responsabilidade ambiental. Ocorre que nas
regras de convivência da ilha não havia normas que
tratassem deste assunto.
Será preciso a criação de novas regras? Você acredita que o
Direito precisa acompanhar as mudanças da sociedade? É
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
preciso o conhecimento de outras áreas para a criação de
regras?
Com base nas ciências afins que você irá aprender nesta
unidade faça a conexão da importância delas para a
resolução do problema apresentado. 
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Discente, como vimos na aula anterior, torna-se complexa a
definição do Direito, pois seu conceito será variável
conforme a acepção tomada, seja como norma, ciência,
faculdade, etc. Contudo, pudemos perceber no geral, a ideia
do Direito como um conjunto de normas de conduta
destinadas à regulação social.
Para a construção do Direito na regulação de condutas e
para compreender o fenômeno jurídico, o jurista ou o
profissional que atua com o direito deve estar familiarizado
com o Direito dos povos, cada vez mais mesclados e
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
miscigenados, pois é assim que eles se revelam na
atualidade e se constroem no tempo.
Quando pensamos no Direito precisamos compreender que
existem dois sistemas jurídicos de grande influência e
relevância no mundo: o sistema romano – germânico e o
sistema do Common Law. O direito brasileiro, em razão da
sua origem lusitana, filia-se ao sistema  romano-germânico,
ou do direito civil ou direito continental (Civil Law).
O sistema da tradição romanística (adotado pelas nações
latinas e germânicas) caracteriza-se pelo predomínio do
processo legislativo, com valorização à lei, e conferindo um
valor secundário às demais fontes do direito. A tradição
latina ou continental, denominada de Civil Law, adquiriu
maior destaque após a Revolução Francesa, quando a lei
passou a ser considerada a única expressão autêntica da
vontade geral da Nação. O Direito vigente nas Nações latinas
e latino-americanas, assim como também no restante da
Europa continental, fundamenta-se, primordialmente, em
enunciados normativos elaborados por meio de órgãos
legislativos próprios (Reale, 2013, p. 169).
Por outro lado, na tradição anglo-americana (adota-se o
Common Law), dominante principalmente em países de
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
língua ou influência inglesa (Inglaterra, Austrália, Nova
Zelândia, Índia, Quênia, etc.), a lei não possui tanta
relevância, ela é como as várias fontes existentes, seu papel
não se sobrepõe às demais modalidades, como o costume, a
jurisprudência, os princípios gerais (Venosa, 2022, p. 127).
O Direito no Common Law se manifesta de forma mais
acentuada pelos usos e costumes e pela jurisdição. Sua
atuação é distinta em comparação a tradição romanista. No
Common Law a lei e o direito de origem jurisprudencial
convivem como dois sistemas distintos dentro do mesmo
ordenamento, é considerado assim como um sistema
jurídico misto, costumeiro e jurisprudencial. Portanto, e´
coordenado e consolidado em precedentes judiciais, isto e´,
com base em decisões judiciais fundamentadas em usos e
costumes preexistentes (Reale, 2013, p. 169).
Ambos os sistemas são expressões culturais e históricas de
cada povo, que cada vez mais sofrem influências recíprocas,
como o Direito Brasileiro que cada vez mais se vale dos
precedentes judiciais para uniformizar as decisões judiciais
dos seus tribunais e garantir que todos aqueles que
procuram o Poder Judiciário para a resolução de seus
conflitos e se encontrem na mesma situação, possam
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
receber a mesma solução, com igualdade de direitos e
tratamento.
O Direito viabiliza melhorar as condições sociais ao sugerir e
estipular regras justas e igualitárias de conduta. Como o
Direito está contido em meio às interações humanas e suas
relações, é preciso estudar os processos de regulação dos
valores humanos e dos conflitos sociais. Assim, a ciência do
Direito vai por meio da razão e da prática buscar soluções
para os conflitos dos indivíduos, mas para isso precisamos
fazer o uso de outras ciências para definir os rumos e
sentidos da norma jurídica.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Direitos e Ciências Afins
O Direito para alcançar o seu fim, se vale de outras ciências,
como a Filosofia do Direito, a Sociologia Jurídica, a História
do Direito, a Teoria Geral do Direito, entre outras, não se
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
limitando a estas, assim, faz se necessário elucidar, de forma
sucinta, as ligações do direito com os demais ramos do
conhecimento.
A Filosofia do Direito se vale das condições morais, lógicas e
históricas do fenômeno jurídico e da Ciência do Direito ao
longo do tempo, de modo que apresenta aspectos diversos
conforme a alteração do tempo. O Direito é um fenômeno
histórico-social sujeito a variações e intercorrências, fluxos e
refluxos no espaço e no tempo que será abordado pela
filosofia do Direito (Reale, 2013, p. 41).
Busca-se formular “o conceito do Jus e de analisar as
instituições jurídicas no plano do dever ser, levando-se em
consideração a condição humana, a realidade objetiva e os
valores, justiça e segurança” (Nader, 2023, p. 40). A filosofia
do Direito irá responder as seguintes perguntas: Que é
Direito? Em que se funda ou se legitima o Direito? Qual o
sentido da história do Direito? O filósofo do Direito
preocupa-se em estudar os princípios lógicos, éticos e
histórico-culturais do Direito.
A ciência do Direito tem por objeto o fenômeno jurídico e a
forma como se concretiza no espaço e no tempo, seja como
experiência passada ou atual. “A ciência do Direito é uma
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
forma de conhecimento positivo da realidade social segundo
normas ou regras objetivadas, ou seja, tornadas objetivas,
no decurso do processo histórico” (Reale, 2013, p. 44).
A Teoria Geral do Direito surgiu no século XIX e representa a
parte geral comum a todas as formas de conhecimento
positivo do Direito, abarca os princípios ou as diretrizes
sobre a estrutura das regras jurídicas, sua conexão lógica, e
os motivos que governam os variados campos da
experiência jurídica (Reale, 2013, p. 45). “Consiste na análise
e conceituação dos elementos estruturais e permanentes do
Direito, como suposto e disposição da norma jurídica,
coação, relação jurídica, fato jurídico, fontes formais” (Nader,
2023. P. 41).
A Sociologia do Direito, ou Sociologia Jurídica é uma ciência
positiva, a qual utiliza também dados estatísticos para
compreender como as normas jurídicas se apresentam
efetivamente numa determinada sociedade.
A Sociologia do Direito estuda as relações entre a sociedade
e o Direito, a estrutura e a funcionalidade do fato social a fim
de analisar a maneira como os grupos humanos se
organizam e se desenvolvem em relação aos fatores que
recaem sobre as formas de convivência, ou seja, pode-se
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
compreender que a Sociologia do Direito verifica as regras
existentes na sociedade e como os indivíduos reagem a elas
nas múltiplas circunstâncias.
Por fim, cabe destacar a interação existente entre o direito e
a Economia. Rudolf Stammler, um dos renovadores da
Filosofia do Direito contemporânea afirma que “se o
conteúdo dos atos humanos é econômico, a sua forma é
necessariamente jurídica” (Reale, 2013, p. 49), os fatos
econômicos de uma sociedade atuam com força sobre o
Direito.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Você se recorda da nossa situação hipotética apresentada no
começo da nossa seção?
Então, vimos que para o bom funcionamento de regras em
uma sociedade, é preciso que ela reflita a sociedade, o
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
espaço, o contexto político, cultural e econômico que se
encontra.
Para a criação das regras é preciso se valer das demais áreas
do saber, a fim de analisar a sociedade nas suas minúciaspara a formulação de normas que venham atender às
demandas sociais e alcançar o bem comum.
Assim, com o surgimento de novos conflitos e da
necessidade da proteção ambiental, podemos utilizar as
áreas afins para a construção de novas regras de
convivência, vejamos:
A filosofia desempenha um papel fundamental na definição
dos valores e princípios éticos que devem guiar a criação das
novas regras na ilha. A filosofia do Direito pode ser utilizada
para esclarecer questões morais, como a justiça na
distribuição de recursos escassos e os direitos individuais.
Além disso, o estudo da filosofia fornece uma base ética para
as novas regras, promovendo a igualdade, a justiça e o bem-
estar geral.
A sociologia é essencial para compreender as dinâmicas
sociais na ilha, a partir dela, podemos analisar as tensões e
os conflitos emergentes entre os grupos de habitantes e
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
identificar os fatores que contribuem para esses conflitos.
Eles podem fornecer insights sobre como diferentes culturas
e grupos sociais podem coexistir pacificamente, bem como
estratégias para promover a coesão social.
A Teoria geral do direito é crucial para estabelecer um
sistema legal que regulamente as condutas na ilha. Isso
envolve a criação de leis, a definição de direitos e deveres
dos habitantes, e a implementação de um sistema de justiça.
Podendo ajudar a definir as bases legais para a proteção dos
direitos individuais e coletivos e a resolução de conflitos.
A economia desempenha um papel vital na gestão dos
recursos escassos da ilha, por meio dela podemos descobrir
como alocar de forma eficiente de recursos, considerando
questões como oferta e demanda, escassez e impacto
ambiental. Com a economia é possível criar políticas
econômicas que promovam a sustentabilidade e a equidade
na distribuição de recursos.
Assim, a filosofia, a sociologia, a teoria geral do direito e a
economia desempenham papéis complementares na
formulação e implementação de novas regras na ilha,
garantindo que sejam justas, eficazes e sustentáveis, ao
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
mesmo tempo em que consideram os valores éticos, as
dinâmicas sociais, a ordem legal e a gestão econômica.
Saiba mais
Saiba mais
Estudante, te convido a entrar no site do Superior Tribunal
de Justiça  e buscar o último informativo jurisprudencial
disponível. Lá você terá acesso às últimas jurisprudência
firmadas pelo STJ sobre determinados temas, e verá o
quanto nosso sistema, embora priorize a lei, faz o uso dos
precedentes judiciais para integrar a aplicação do direito. 
Referências
Referências
BITTAR, E. C B. Introdução ao estudo do direito. Editora
Saraiva, 2022. 
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/
https://processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Disponível em:
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio. Acesso em: 10 out.
2023. 
MACHADO, N. P. L. Introdução ao estudo do direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 
NADER, P. Introdução ao estudo do direito. Grupo GEN,
2023. 
REALE, M. Lições preliminares de direito. 27. ed. Editora
Saraiva, 2013. 
VENOSA, S. de S. Introdução ao estudo do direito. Grupo
GEN, 2022. 
Aula 3
Direito e suas Ramificações
Direito e seus ramos
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio
Direito e seus ramos
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Ponto de Partida
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
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Estudante, nesta aula vamos estudar as dimensões em que
se subdividem o direito. Primeiramente iremos abordar o
significado de direito objetivo, de direito subjetivo e as suas
diferenças. Adiante iremos tratar sobre as divisões
conceituais do Direito, como Direito Público e Direito Privado
para uma melhor compreensão didática a respeito dos
conteúdos jurídicos.
Mas antes, vamos trazer uma situação-problema para
contextualizar o nosso conteúdo.
Em uma ilha, a principal atividade econômica dos habitantes
é a pesca. Os pescadores locais, como Ana e Beto são
conhecidos por sua habilidade em capturar uma variedade
de peixes de alto valor no mercado. Eles decidiram criar uma
cooperativa de pesca para vender seus produtos aos
moradores da ilha e exportar para o continente.
A cooperativa é composta pelos pescadores locais e opera
como uma entidade privada. Eles planejam construir uma
loja para vender seus peixes diretamente aos moradores da
ilha, bem como contratar alguns moradores para ajudar na
loja.
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
No entanto, a autoridade do governo local está preocupada
com o impacto ambiental da pesca intensiva na região e
deseja regular a atividade dos pescadores. Eles estão
considerando impor novas restrições à pesca para preservar
os recursos naturais da ilha.
Diante desta situação, responda quais situações se
relacionam com o Direito Público e quais se relacionam com
o Direito Privado:
Criação da cooperativa e a venda de peixes.
As possíveis restrições governamentais à pesca.
Vamos Começar!
Vamos Começar!
A partir disso, podemos compreender que o direito se
manifesta em três dimensões: como regra de conduta
obrigatória, traduzida no direito objetivo; como um sistema
organizado de conhecimentos, representado na ciência do
direito; e como uma faculdade do indivíduo de agir para
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
obter de terceiros o que considera cabível, configurando o
direito subjetivo (Venosa, 2022, p. 11).
O direito objetivo consiste em um conjunto de regras
destinadas a regular um grupo social, cuja observância
respalda-se no aparato estatal.
Por outro lado, o direito subjetivo está associado às
prerrogativas ou faculdades inerentes aos indivíduos, às
pessoas, com o intuito de fazer valer os seus "direitos", seja
no âmbito judicial ou extrajudicial. O direito subjetivo é
inerente à pessoa, à sua personalidade. Trata-se de um
poder do indivíduo social (Venosa, 2022, p. 12).
Quando digo que tenho o direito de me acomodar no
assento do teatro que me foi atribuído pelo ingresso que
adquiri, estarei no mesmo plano da afirmação de que
tenho direito de ingressar com ação judicial contra o
devedor que deixou de me pagar. (...) O direito subjetivo
se traduz por uma faculdade de agir. Tanto num como
noutro caso há um procedimento a ser seguido. A
faculdade de agir no caso concreto lastreia-se na base
atribuída pelo direito objetivo. Assim, se não tivesse
adquirido meu ingresso teatral, mercê de um contrato de
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
compra e venda, não teria o direito de me sentar na
poltrona designada e se não houvesse um negócio
jurídico subjacente, um empréstimo ou outro contrato,
por exemplo, não poderia acionar meu devedor para me
pagar. (Venosa, 2022, p. 12)
Siga em Frente...
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Direito Público e Direito Privado
Agora vamos abordar as subdivisões conceituais do Direito,
sendo elas: Direito Público e Direito Privado para uma
melhor compreensão didática. Essa divisão é peculiar aos
sistemas jurídicos de tradição romano-germânica. Tal
distinção, familiar aos romanos, foi conhecida pelo Direito
germânico no período da Renascença, com o fenômeno da
incorporação do Direito romano (Nader, 2023, p. 123).
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
O Direito deve ser visto e estudado como um todo, pois
atualmente há uma interpenetração dos campos jurídicos.
O ius civile dos romanos distinguia direito público de
direito privado com objetivo de traçar fronteiras entre o
Estado e o indivíduo. O ius publicum abrangia as relaçõespolíticas e os fins do Estado a serem atingidos. Colocava o
Estado em posição de supremacia. O ius privatum dizia
respeito às relações entre os cidadãos e os limites do
indivíduo em seu próprio interesse. (Venosa, 2022, p. 21) 
O Direito Privado, nos sistemas jurídicos de origem romano-
germânica foi único durante séculos, alcançou nível de
aperfeiçoamento não atingido ainda pelo Direito Público. O
direito privado regula as relações dos particulares entre si,
com fundamento no princípio de igualdade jurídica e da
autodeterminação (autonomia privada). O direito privado
engloba o direito civil, o direito comercial ou empresarial e o
direito do trabalho.
O Direito Público regula as relações do Estado e de outras
entidades investidas de poder de autoridade, tanto no que
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
diz respeito às relações com seus membros, como nas
relações mútuas de entidades públicas entre si, além de
também regulamentar a organização dessas entidades.
As normas de direito público possuem caráter de cogência
ou obrigatoriedade, abrange o direito constitucional, o
direito administrativo, o direito financeiro, o direito
tributário, o direito penal, o direito processual, o direito
internacional público e o direito internacional privado.
Alguns estudiosos entendem que alguns ramos, como o
Direito do Trabalho e o Econômico, participam, ao mesmo
tempo, dos dois domínios.
Por fim, podemos destacar também os Direitos
Transindividuais, os quais englobam o direito difuso, o
direito coletivo e os direitos individuais homogêneos. Essas
normas podem estar presentes dentro do Direito do
trabalho, previdenciário, e principalmente, do consumidor e
ambiental.
No direito difuso, os titulares do direito são pessoas
indeterminadas e ligadas por uma circunstância de fato, ou
seja, não é possível identificar individualmente o sujeito
envolvido em um litígio. Como exemplo de violação de
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
direito difuso podemos pensar na veiculação de propaganda
enganosa via televisão ou jornal. Atinge-se um número
indeterminado de pessoas, ligadas por circunstâncias de fato
(estarem assistindo à propaganda pela televisão ou lendo o
mesmo jornal).
Os direitos coletivos transindividuais de natureza indivisível,
o sujeito de direito é determinado por um grupo, categoria
ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte
contrária por ter uma relação jurídica base (BRASIL,1990).
Como exemplo, temos o direito dos alunos de uma escola
em lhes ver assegurada determinada qualidade de ensino
em determinado curso. As pessoas são determináveis, têm
uma relação jurídica com a parte contrária (que é a escola) e
o bem jurídico (qualidade de ensino) é indivisível, não é
possível usufruir de forma individual.
Nos direitos individuais homogêneos, os interesses ou
direitos são decorrentes de origem comum. Como exemplo,
podemos pensar na hipótese de direito de troca de peça
defeituosa de um dado automóvel, esse direito diz respeito a
todos os sujeitos que tenham adquirido o carro. São atos
perfeitamente divisíveis entre os titulares, mas podem
postular a proteção jurisdicional coletivamente.
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Por fim, importante mencionar a Teoria Monista de Hans
Kelsen, renomado jusfilósofo austríaco, autor da Teoria Pura
do Direito, que reduz o fenômeno jurídico apenas ao
elemento normativo. Kelsen, em sua análise, entende que a
moderna Ciência do Direito valoriza de forma significativa à
divisão do Direito entre Público e Privado. Para o autor,
todas as formas de produção jurídica se solidificam na
vontade do Estado, inclusive os negócios jurídicos firmados
entre particulares, que apenas realizam “a individualização
de uma norma geral”. Para Kelsen, portanto, todo Direito é
público, tanto em relação à sua origem, quanto de sua
validade (Nader, 2022, p. 124).
Por outro lado, as Teorias Dualistas, baseiam-se ou no
conteúdo ou na forma das normas jurídicas, como critério
diferenciador.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Respondendo a nossa situação-problema apresentada, a
criação da cooperativa de pesca e a venda de peixes aos
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
moradores são questões relacionadas ao direito privado. O
direito privado abrange as relações entre indivíduos e
entidades privadas, como empresas, e se concentra nas
regras de contratos, responsabilidade civil, propriedade e
acordos comerciais. A cooperativa é uma entidade privada
formada pelos pescadores locais e opera com o objetivo de
gerar lucro com a venda de seus produtos.
Já as possíveis restrições governamentais à pesca estão
relacionadas ao direito público. O direito público trata das
relações entre o governo e os cidadãos, regulando questões
de interesse público, como o meio ambiente, a segurança e a
saúde. As regulamentações propostas pelo governo local se
enquadram no âmbito do direito público, uma vez que têm
como objetivo proteger os recursos naturais da ilha e o bem-
estar geral da comunidade. 
Saiba mais
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Estudante, agora que você aprendeu um pouco sobre os
direitos transindividuais, te convido a acessar o Código de
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DIREITO
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm
Defesa do Consumidor pelo site do Planalto e descobrir
quais são os direitos que você possui como consumidor. 
Referências
Referências
BITTAR, E. C. B. Introdução ao Estudo do Direito. Editora
Saraiva, 2022. 
BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe
sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1990. 
MACHADO, N. P. L. Introdução ao estudo do direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 
NADER, P. Introdução ao estudo do direito. Grupo GEN,
2023.
REALE, M. Lições preliminares de direito. 27. ed. Editora
Saraiva, 2013. 
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DIREITO
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm
VENOSA, S. de S. Introdução ao estudo do direito. Grupo
GEN, 2022. 
Aula 4
Fontes do Direito
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você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
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Bons estudos!
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Nesta aula iremos estudar sobre as fontes do direito.
Para começar vamos trazer a seguinte situação-problema:
você, um renomado juiz, precisa julgar um processo judicial
de uma demanda muito complexa. Ao analisar o processo
com profundidade, se depara com o fato de não existir
norma que se aplique ao problema, ou seja, você não
encontra na lei uma resposta para o caso concreto.
Neste caso, você como julgador, pode deixar de julgar o
processo que está em suas mãos sob a desculpa que não há
lei existente?
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/4abf/f38aeefd-0445-5d0b-9ced-c1f0624b0b60.pdf
Caso você tenha que julgar o processo mesmo sem lei
existente, de quais fontes você julgador poderá se utilizar? 
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Na expressão entre os juristas, a palavra “fontes do direito”
refere-se em seu sentido metafórico (fons et origo) para
designar o início, a raiz, a origem, o surgimento, em que
brota o Direito (Bittar, 2022, p. 124). Buscar a fonte de uma
regra é encontrar o ponto de sua origem para a vida social.
Pode referir-se a fontes históricas, a fontes do Direito
Brasileiro, sua formação nas Ordenações do Reino e nos
antigos documentos legais que serviram como base
propulsora do nosso sistema jurídico. O Direito, apesar de
ser dinâmico, contém conceitos relevantes que persistem ao
longo da história. Nesse contexto, a análise das fontes do
Direito pode se restringir ao campo dos antecedentes
históricos de diversos institutos jurídicos (Venosa, 2022, p.
124).Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Em um outro sentido, a doutrina trata das fontes materiais
ou formais como os meios pelos quais o Direito se manifesta
em um ordenamento jurídico.
As fontes formais podem ser compreendidas como os meios
de expressão do Direito, elas criam o Direito, isto é,
introduzem no ordenamento novas normas jurídicas. As
fontes formais consolidam-se como os modos, meios,
instrumentos ou formas pelos quais o Direito se manifesta
na sociedade, tal como a lei e o costume (Venosa, 2022, p.
124).
Por outro lado, as fontes materiais são as instituições ou os
grupos sociais capazes de editar normas, como o Congresso
Nacional, as assembleias legislativas estaduais ou o Poder
Executivo, nos casos previstos na Constituição Federal. Desta
forma, a fonte material compreende-se sob o prisma de
quem emite legitimamente o Direito (Venosa, 2022, p. 124).
 
O direito resulta de um complexo de fatores que a
Filosofia e a Sociologia estudam, mas se manifesta, como
ordenação vigente e eficaz, atrave´s de certas formas (...),
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
ou estruturas normativas, que sa~o o processo legislativo,
os usos e costumes jurídicos, a atividade jurisdicional e o
ato negocial. (Reale, 2013, p. 167)
 
As fontes formais são: a lei, os costumes (fontes formais
primárias ou imediatas), a doutrina e a jurisprudência (fontes
secundárias ou mediatas).
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-
lei nº 4.657/1942), apresenta como fontes em seu art. 4°: a
lei, a analogia, os costumes e os princípios gerais de Direito.
As fontes diretas, imediatas ou primárias têm potencialidade
suficiente para gerar a regra jurídica. As fontes mediatas ou
secundárias servem para esclarecer a lei e também de base,
auxílio para a aplicação global do Direito.
Vamos tratar de forma sucinta agora cada uma das fontes
formais.
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
 
Legislação em sentido técnico-jurídico: designa a regra
jurídica, em forma de norma estatal de determinado
ordenamento jurídico-positivo que veicula conteúdos
definidores de direito e deveres. Este uso do termo é o
mais aproximado do universo das práticas do Direito, e
designa os atos normativos, em suas várias modalidades
(leis, decretos-leis, portarias, circulares), pelos quais se
regulamenta a vida social a partir do Estado, sendo as
regras constitucionais ou infraconstitucionais. (Bittar,
2022, p. 109)
 
Assim, podemos compreender, que a lei (fonte legal),
engloba todos os atos normativos abrangidos pelo processo
normativo do art. 59 da Constituição Federal (emendas à
Constituição, leis complementares, leis ordinárias, leis
delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos,
resoluções.)
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
A Constituição é uma norma fundamental, sob o sentido
lógico-jurídico, pois confere o fundamento de validade da
ordem jurídica. É a fonte do direito de maior hierarquia, ela
está no topo da pirâmide normativa, todas as demais
normas devem respeitar os seus preceitos. Compreende-se
então que a Constituição é a fonte das normas gerais, a
ordem jurídica fundamental do Estado e da sociedade
(Machado, 2019, p. 40).
Abaixo da Constituição estão as leis, os decretos, os
regulamentos, as portarias, os tratados e as convenções
internacionais e as demais normas jurídicas do
ordenamento. A sua relevância como fonte está conectado à
hierarquia no conjunto normativo (Mascaro, 2021, p. 129).
O uso reiterado de uma conduta ou prática passa a ser
considerado costume quando seja amplamente disseminado
no meio social. O costume origina-se da consciência coletiva,
de um grupo social mais ou menos amplo. Demora um
tempo para o costume se instalar na sociedade. Por
exemplo, podemos mencionar toda a teoria da letra de
câmbio e dos títulos de crédito, hoje positivados na lei,
tiveram sua origem como costume nas feiras e nas cidades
medievais (Venosa, 2022, p. 130-131).
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Os costumes podem ser secundum legem, praeter legem e
contra legem. O costume segundo a lei significa a sua
transformação em lei e, portanto, deixou de ser costume. O
costume praeter legem (praeter = além de) é utilizado pelos
juristas como instrumento para o preenchimento de lacunas
da lei. O costume contra legem se mostra contrário à lei.
Denomina-se costume ab-rogatório, pois coloca a lei à
margem, por exemplo quando uma lei não é utilizada,
denomina-se desuso. 
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Jurisprudência significa um conjunto de decisões sobre
interpretações de leis pelos tribunais. A jurisprudência tem
mais força no sistema de common law (costumes judiciais
vinculantes); em sistemas de civil law, como o sistema
jurídico brasileiro, embora a jurisprudência seja relevante,
predomina o apego e valorização à lei, o preconceito
derivado da Revolução Francesa com relação ao poder dos
juízes e a supervalorização da segurança jurídica normativa
(Bittar, 2022, p. 115).
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Com a formatação do Código de Processo Civil de 2015
vemos uma combinação do sistema Civil Law e de Common
Law, com a tendência ao conhecimento da cultura dos
precedentes judiciais como fontes vinculantes do Direito.
Assim, são precedentes e formam norma jurídica: no STF, as
súmulas vinculantes; as decisões com efeito ergam omnes;
no STJ, decisões de unificação de entendimento nos recursos
especiais repetitivos; nos demais tribunais (STF; STJ;
Tribunais Superiores; Tribunais Estaduais), as súmulas e a
jurisprudência dominante (Bittar, 2022, p. 115).
Entende-se por doutrina a opinião jurídica fundamentada,
sólida, cujo poder de persuasão venha orientar e moldar a
prática jurídica. O fruto do estudo de professores,
pesquisadores, juristas, jusfilósofos, estudiosos, operadores
jurídicos em geral traduz-se em obras de doutrina, seja por
meio de livros, pareceres, artigos, ensaios, monografias, etc.
A “analogia é um recurso técnico que consiste em se aplicar,
a uma hipótese não prevista pelo legislador, a solução por
ele apresentada para uma outra hipótese
fundamentalmente semelhante à não prevista” (Nader, 2023,
p. 211).
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
A analogia somente será utilizada em hipótese de omissão
do texto legal. Pode-se operar como analogia legal e analogia
jurídica. Na analogia legal (analogia legis) busca-se uma
norma que se aplique a casos semelhantes. Quando não for
possível encontrar um texto legal semelhante para aplicar ao
caso concreto, ou o texto disponível for insuficiente, o
aplicador da lei tentará extrair do pensamento jurídico
dominante, de um aparato de normas, uma conclusão
particular para o referido caso. Esse processo denomina-se
analogia jurídica.
 Os princípios gerais de direito são considerados, em última
instância, uma regra de convivência, podem ser referidos
simplesmente como princípios fundamentais ou
denominações similares. Podemos pensar como exemplo,
no direito constitucional, o princípio da dignidade humana,
da função social da propriedade, da igualdade perante a lei.
“Para alguns autores, esses princípios são normas jurídicas
universais ditadas pela razão; para outros, são princípios que
servem de fundamento e informam o Direito positivo de
cada povo” (Venosa, 2022, p. 146). “Os princi´pios gerais de
direito sa~o enunciac¸o~es normativas de valor gene´rico,
que condicionam e orientam a compreensa~o do
ordenamento juri´dico, quer para a sua aplicac¸a~o e
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
integrac¸a~o, quer para a elaborac¸a~o de novas normas.”
(Reale, 2013, p. 148)
A equidade consiste no senso de justiça exercido num caso
concreto, para suprir ou corrigir, abrandar, adaptar, adequar
conteúdo contido em texto de lei, a fim de evitar os males da
generalidade, da abstração e da distância histórica do
momento de produção da legislação (Bittar, 2022, p. 119).
A equidade dos gregos (epieikeia) e dos romanos (aequitas),
encontra-se na Ética a Nicômaco, de Aristóteles,a sua
melhor definição, enquanto forma de correção do justo legal.
No common law, a equidade está associada à noção de
prudência ou ao bom senso judicial, valoriza a capacidade de
produzir decisões com base em juízos de precedentes e
raciocínios morais de valor (Bittar, 2022, p. 120).
Para Aristóteles é a justiça que se mede no caso concreto. As
normas jurídicas e os princípios gerais operam num âmbito
amplo. Quando de um julgamento, verifica-se a justeza da
aplicação das normas a um fato ou a uma circunstância em
específico. O bom ajuste é a equidade (Mascaro, 2021, p.
130).
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
A teoria das fontes não se exaure por si, deve ser
complementada pela interpretação das normas jurídicas,
pela hermenêutica, pelo conteúdo que estudaremos mais
adiante.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Agora que você conheceu as fontes do direito já consegue
responder a nossa situação-problema.
Assim, você descobriu que não poderá deixar de julgar um
processo alegando inexistência ou lacuna na lei.
Nesse caso, o art. 4° da Lei de Introdução as Normas do
Direito Brasileiro, elenca que quando a lei for omissa, o juiz
decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os
princípios gerais de direito 
Saiba mais
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Saiba mais
Estudante, te convido a acessar na sua Biblioteca Virtual, o
Manual de Direito Civil Contemporâneo do Professor
Anderson Schreiber, e fazer a leitura do Capítulo 2, que trata
a respeito da Norma Jurídica.
Nesse capítulo, o professor explana de forma didática sobre
as fontes do direito, a sua vigência, aplicabilidade e as teorias
que envolvem essa interessante disciplina. Tenho certeza
que você não irá se arrepender.  
Referências
Referências
BITTAR, E. C. B. Introdução ao estudo do direito. Editora
Saraiva, 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Disponível em:
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio. Acesso em: 10 out.
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786553626270/
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio
2023. 
MACHADO, N. P. L. Introdução ao estudo do direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 
MASCARO, A. L. Introdução ao estudo do direito. Grupo GEN,
2021. 
NADER, P. Introdução ao estudo do direito. Grupo GEN,
2023. 
REALE, M. Lições preliminares de direito. 27. ed. Editora
Saraiva, 2013. 
VENOSA, S. de S. Introdução ao estudo do direito. Grupo
GEN, 2022. 
Aula 5
Encerramento da Unidade
Noções introdutórias de Direito
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Noções introdutórias de
Direito
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
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Bons estudos!
Ponto de Chegada
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/4abf/c86f450c-57a7-5cfd-aae2-0331b80a5f49.pdf
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver as competências desta Unidade, que é
conhecer as noções introdutórias do Direito para interpretar
e aplicar suas bases de forma crítica, você deverá
primeiramente conhecer alguns conceitos e temas
fundamentais para o Direito e consequentemente poder
compreender de forma mais clara os conteúdos jurídicos.
Para tanto, importa conhecer os diversos conceitos
existentes de Direito, qual a sua relação com a sociedade e a
diferenciação entre os conceitos de fato e fatos jurídicos. Na
nossa disciplina é muito importante compreendermos os
conceitos das palavras e as áreas que elas recaem.
As ciências jurídicas (filosofia do direito, sociologia do direito,
teoria geral do Estado, Economia, etc) são áreas do saber
fundamentais para a compreensão ampla do Direito, você
conhecerá o conteúdo de cada uma delas.  
O direito está presente desde sempre na sociedade, ele se
desenvolve com tempo e se atualiza conforme as demandas
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
da sociedade, tanto nos seus aspectos culturais, sociais,
religiosos, etc. Assim, você vai conhecer a relação intrínseca
do direito com a sociedade, e vai conhecer dois grandes
sistemas jurídicos existentes na sociedade ocidental que
influenciam a forma como o direito se apresenta: o sistema
jurídico common law e o civil law.
Conforme os conteúdos se ampliam, você vai perceber que o
Direito se ramifica em Direito Público, o qual abarca os
conteúdos voltados para as relações que envolvem a figura
do Estado, e o Direito Privado: engloba as áreas voltadas
para as relações particulares dos indivíduos entre si. Mas
essa divisão ocorre meramente para uma melhor
compreensão didática do conteúdo.
Por fim, está unidade vai tratar das fontes do direito,
conteúdo de extrema importância para você conhecer e
compreender qual a forma adequada de aplicar cada uma
das fontes do Direito. 
É Hora de Praticar!
É Hora de Praticar!
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Ana e Carlos eram amigos de longa data e decidiram fazer
um acordo. Ana emprestou a Carlos uma quantia
significativa de dinheiro para ajudá-lo a iniciar um negócio.
Carlos concordou em pagar de volta o dinheiro em um ano.
No entanto, após este período, Carlos se recusou a devolver
o dinheiro alegando que o empréstimo era apenas um gesto
de amizade e não era obrigado a devolvê-lo.
Você concorda com Carlos?
Ana tem o direito de exigir o pagamento do valor
emprestado?
Reflita
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Diante desse desafio, responda: O que é o Direito? Qual a
função do Direito? Existe sociedade sem o direito? 
Resolução do Estudo de Caso
Embora Carlos alegue que o acordo que eles fizeram tenha
sido apenas um gesto de amizade e se recuse a devolver o
dinheiro, sabemos que onde há sociedade, ali está o direito.
Podemos compreender o direito como o conjunto de regras
e regulamentos que governam as relações humanas. O
empréstimo entre Ana e Carlos é um fato jurídico, em
específico, um negócio jurídico, pois envolve um ato humano
que se concretiza pela declaração de vontades realizada
pelas partes. Os efeitos deste empréstimo são os fixados na
declaração de vontade feita por eles, e admitidos pelo
ordenamento jurídico.
Podemos compreender que o direito objetivo existente na
situação-problema refere-se às leis e aos regulamentos que
governam a validade e a aplicação do acordo feito entre Ana
e Carlos. Já o direito subjetivo concretiza-se no direito
individual de Ana exigir o cumprimento do acordo que
firmou com Carlos. Assim, Ana tem o direito subjetivo de
exigir que Carlos devolva o dinheiro conforme eles
combinaram.
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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
Quando Ana entrar com uma ação judicial contra Carlos, o
juiz utilizará a lei existente no país para julgar o conflito entre
eles. Caso não haja lei aplicável a situação deles, ou haja uma
lacuna na lei para algum ponto específico do processo, o juiz
deverá utilizar das demais fontes para julgar o caso, seja pela
analogia, pelos costumes, ou pelos princípios gerais do
Direito.
Assimile
Figura 1 | Mapa Mental. Fonte: elaborada pela autora.
Referências
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO
BITTAR, E. C. B. Introdução ao estudo do direito. Editora
Saraiva, 2022.
BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe
sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1990. 
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2022. Institui o
Código Civil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2002.
Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil
ada.htm. Acesso em: 10 out. 2023. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Disponível em:
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio. Acesso em: 10 out.
2023. 
MACHADO, N. P. L. Introdução ao estudo do direito.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 
NADER, P. Introdução ao estudo do direito.Grupo GEN,
2023. 
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio
REALE, M. Lições preliminares de direito. 27. ed. Editora
Saraiva, 2013. 
VENOSA, S. de S. Introdução ao estudo do direito. Grupo
GEN, 2022.
Disciplina
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
DIREITO

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