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INTERTEXTUALIDADE 
 
 
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Intertextualidade 
A intertextualidade é a presença textual de elementos semânticos e/ou formais que se referem a outros 
textos produzidos anteriormente. Ela pode se manifestar de modo explícito, permitindo que o leitor 
identifique a presença de outros textos, ou de modo implícito, sendo identificada somente por quem já 
conhece a referência. 
Por meio dessa relação entre diferentes textos, a intertextualidade permite uma ampliação do sentido, 
na medida em que cria novas possibilidades e desloca sentidos. Desse modo, ela pode ser utilizada 
para melhorar uma explicação, apresentar uma crítica, propor uma nova perspectiva, produzir humor 
etc. 
A intertextualidade se refere à presença de elementos formais ou semânticos de textos, já produzidos, 
em uma nova produção textual. Em outras palavras, refere-se aos textos que apresentam, integral ou 
parcialmente, partes semelhantes ou idênticas de outros textos produzidos anteriormente. 
Essa intertextualidade pode ser indicada explicitamente no texto ou pode vir “disfarçada” pela lingua-
gem do autor. Em todo caso, para que o sentido da relação estabelecida seja compreendido, o leitor 
precisa identificar as marcas intertextuais e, em alguns casos, conhecer e compreender o texto anterior. 
Em trabalhos científicos, como artigos e dissertações, é comum haver citação de ideias ou informações 
de outros textos. A citação pode ser direta, cópia integral do trecho necessário, ou indireta, quando se 
explica a informação desejada com suas próprias palavras. As duas formas compreendem a intertex-
tualidade, pois aproveitam ideias já produzidas para contribuir com as novas informações. 
A intertextualidade também pode ocorrer no nível formal, quando o autor repete elementos da estrutura 
anterior, mas altera outros aspectos, construindo, com isso, um novo texto, com ligações explícitas com 
a produção anterior. É muito comum nos gêneros artísticos, como poesia e música, em textos publici-
tários etc. 
Tipos De Intertextualidade 
Alusão – é o ato de indicar ou insinuar um texto anterior sem, no entanto, aprofundar-se nele. Esse 
método de intertextualidade apresenta de forma superficial e objetiva informações, ideias ou outros 
dados presentes em texto ou textos anteriores. 
Exemplo: Como diria o poeta, amanhã é outro dia. 
Paródia – é o tipo de intertextualidade em que se apresenta uma estrutura semelhante à de um texto 
anterior, mas com mudanças que interferem e/ou subvertem o sentido do texto, o qual passa a apre-
sentar forte teor crítico, cômico e/ou sátiro. Desse modo, além de construir-se um novo texto, com 
semelhanças a um anterior, procura-se também evidenciar uma mudança de sentido. 
Exemplo: 
“Minha terra tem macieiras da Califórnia 
onde cantam gaturanos de Veneza. 
Os poetas da minha terra 
são pretos que vivem em torres de ametista, 
os sargentos do exército são monistas, cubistas, 
os filósofos são polacos vendendo a prestações. 
A gente não pode dormir 
com os oradores e os pernilongos. 
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda 
Eu morro sufocado 
em terra estrangeira. 
Nossas flores são mais bonitas 
nossas frutas mais gostosas 
mas custam cem mil réis a dúzia. 
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade 
e ouvir um sabiá com certidão de idade!” 
 INTERTEXTUALIDADE 
 
 
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Murilo Mendes 
Paródia da “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias 
Paráfrase – é o processo de intertextualidade no qual o sentido do texto original é reafirmado, porém 
com pouca ou nenhuma semelhança estrutural. Nesse tipo, o intuito é reescrever o assunto do texto 
original, aproveitando principalmente os elementos semânticos já existentes, para produzir uma nova 
linguagem com o mesmo tema. 
Exemplo: 
“Meus olhos brasileiros se fecham saudosos 
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. 
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? 
Eu tão esquecido de minha terra… 
Ai terra que tem palmeiras 
Onde canta o sabiá!” 
Carlos Drummond de Andrade 
Paráfrase da “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias 
Epígrafe – é a reprodução de um pequeno trecho do texto original no início de um novo texto. Ela, 
comumente, vem alocada no início da página, no canto direito e em itálico. Apesar de ser um trecho 
“solto”, a epígrafe sempre tem uma relação com o conteúdo do novo texto. 
“Apesar de você 
amanhã há de ser 
outro dia.” 
Chico Buarque 
Citação – é quando o autor referencia outro texto por ter pertinência e relevância com o conteúdo do 
novo texto. A citação pode ocorrer de forma direta, quando se copia o trecho na íntegra e o destaca 
entre aspas, ou pode ser indireta, quando se afirma o que o autor do texto original disse, mas expli-
cando os conceitos com novas palavras, relacionando a abordagem com o novo conteúdo. 
Segundo Sócrates, “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”, logo, de nada adi-
anta ter acúmulo de informações, quando não se aplica a autocrítica e a reflexão como ferramentas de 
reconhecimento das potências e limites do nosso conhecimento. 
Diferenças entre intertextualidade implícita e intertextualidade explícita 
A intertextualidade pode se expressar de dois modos: implícito ou explícito. O modo implícito enquadra 
as produções que, apesar de referenciarem informações, conceitos e dados já apresentados por textos 
anteriores, não o farão com cópias integrais nem com indicação explícita. 
Assim como a paráfrase de Drummond, a intertextualidade implícita cita sem evidenciar ou anunciar. 
Caso o leitor não conheça o texto anterior, pode encontrar dificuldades de perceber alguma relação 
estabelecida. 
Já a intertextualidade explícita é aquela que se expressa diretamente na superfície textual, ou seja, 
apresenta semelhanças ou cópia de trechos do texto original. Nesse processo, mesmo que o autor não 
conheça o primeiro texto, ele identificará, ao menos, que existe uma referência a outra produção. 
Exemplos de intertextualidade 
A intertextualidade é presente em diferentes gêneros textuais, mas tem um espaço privilegiado nos 
gêneros artísticos. Nesses contextos, ela é utilizada, também, como ferramenta de inspiração e criati-
vidade, pois provoca uma ressignificação de textos já conhecidos, em novos contextos. Segue alguns 
exemplos de intertextualidade em gêneros textuais artísticos: 
 INTERTEXTUALIDADE 
 
 
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Na música: 
“De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda 
De Michael Jackson, nem a Billie Jean 
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel 
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim 
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz 
Das doze deusas de Edu e Chico 
Até das trinta Leilas de Donato 
E de Layla, de Clapton, eu abdico 
Só você, 
Canto e toco só você 
Só você 
Que nem você ninguém mais pode haver” 
(Lenine) 
A música do cantor brasileiro Lenine apresenta uma declaração de amor do eu lírico à sua musa inspi-
radora. Na letra, o poeta faz referência a diferentes musas, já reconhecidas socialmente, que são ins-
pirações de outros, mas não dele, pois a sua única musa é sua amada, verdade confirmada em “só 
você”, contrapondo-se à enumeração de musas referenciadas. 
Na literatura: 
“Minha terra tem palmares 
onde gorjeia o mar 
Os passarinhos daqui 
Não cantam como os de lá 
Minha terra tem mais rosas 
E quase que mais amores 
Minha terra tem mais ouro 
Minha terra tem mais terra” 
(Oswald de Andrade) 
No segundo exemplo, poema de Oswald de Andrade, encontramos a intertextualidade com o poema 
“Canção do Exílio”, publicado anteriormente pelo poeta Gonçalves Dias. O segundo texto apresenta 
elementos que evidenciam essa relação, como a repetição de expressões como “Minha terra”, "pal-
mares”, “gorjeia”, “daqui”, “lá”. 
Em textos visuais: 
 
 INTERTEXTUALIDADE4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
A Mona Lisa é um dos textos que mais apresenta releituras, exemplificando a relação de pontos de 
intertextualidade com a obra original. Nas duas imagens anteriores, é possível reconhecer a referência 
ao quadro de Leonardo da Vinci — a posição das mãos, a paleta de cores, o cabelo, a posição do 
corpo, entre outros detalhes. Percebe-se que, mesmo com tantas semelhanças, os dois textos apre-
sentam novos sentidos para a imagem, cada um com sua assinatura específica. 
A intertextualidade é um recurso realizado entre textos, ou seja, é a influência e relação que um esta-
belece sobre o outro. Assim, determina o fenômeno relacionado ao processo de produção de textos 
que faz referência (explícita ou implícita) aos elementos existentes em outro texto, seja a nível de con-
teúdo, forma ou de ambos: forma e conteúdo. 
Grosso modo, a intertextualidade é o diálogo entre textos, de forma que essa relação pode ser estabe-
lecida entre as produções textuais que apresentem diversas linguagens (visual, auditiva, escrita), sendo 
expressa nas artes (literatura, pintura, escultura, música, dança, cinema), propagandas publicitárias, 
programas televisivos, provérbios, charges, dentre outros. 
Tipos De Intertextualidade 
Há muitas maneiras de realizar a intertextualidade sendo que os tipos de intertextualidade mais comuns 
são: 
Paródia: perversão do texto anterior que aparece geralmente, em forma de crítica irônica de caráter 
humorístico. Do grego (parodès) a palavra “paródia” é formada pelos termos “para” (semelhante) e 
“odes” (canto), ou seja, “um canto (poesia) semelhante à outra”. Esse recurso é muito utilizado pelos 
programas humorísticos. 
Paráfrase: recriação de um texto já existente mantendo a mesma ideia contida no texto original, entre-
tanto, com a utilização de outras palavras. O vocábulo “paráfrase”, do grego (paraphrasis), significa a 
“repetição de uma sentença”. 
Epígrafe: recurso bastante utilizado em obras, textos científicos, desde artigos, resenhas, monografias, 
uma vez que consiste no acréscimo de uma frase ou parágrafo que tenha alguma relação com o que 
será discutido no texto. Do grego, o termo “epígrafhe” é formado pelos vocábulos “epi” (posição supe-
rior) e “graphé” (escrita). Como exemplo podemos citar um artigo sobre Patrimônio Cultural e a epígrafe 
do filósofo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.): "A cultura é o melhor conforto para a velhice". 
Citação: Acréscimo de partes de outras obras numa produção textual, de forma que dialoga com ele; 
geralmente vem expressa entre aspas e itálico, já que se trata da enunciação de outro autor. Esse 
recurso é importante haja vista que sua apresentação sem relacionar a fonte utilizada é considerado 
“plágio”. Do Latim, o termo “citação” (citare) significa convocar. 
Alusão: Faz referência aos elementos presentes em outros textos. Do Latim, o vocábulo “alusão” (allu-
dere) é formado por dois termos: “ad” (a, para) e “ludere” (brincar). 
Outras formas de intertextualidade são o pastiche, o sample, a tradução e a bricolagem. 
Exemplos 
Segue abaixo alguns exemplos de intertextualidade na literatura e na música: 
Intertextualidade Na Literatura 
Fenômeno recorrente nas produções literárias, segue alguns exemplos de intertextualidade. 
O poema de Casimiro de Abreu (1839-1860), “Meus oito anos”, escrito no século XIX, é um dos textos 
que gerou inúmeros exemplos de intertextualidade, como é o caso da paródia de Oswald de Andrade 
“Meus oito anos”, escrito no século XX: 
Texto Original 
“Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
 INTERTEXTUALIDADE 
 
 
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Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais!” 
(Casimiro de Abreu, “Meus oito anos”) 
Paródia 
“Oh que saudades que eu tenho 
Da aurora de minha vida 
Das horas 
De minha infância 
Que os anos não trazem mais 
Naquele quintal de terra! 
Da rua de Santo Antônio 
Debaixo da bananeira 
Sem nenhum laranjais” 
(Oswald de Andrade) 
Outro exemplo é o poema de Gonçalves Dias (1823-1864) intitulado Canção do Exílio o qual já rendeu 
inúmeras versões. Dessa forma, segue um dos exemplos de paródia, o poema de Oswald de Andrade 
(1890-1954), e de paráfrase com o poema de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): 
Texto Original 
“Minha terra tem palmeiras 
Onde canta o sabiá, 
As aves que aqui gorjeiam 
Não gorjeiam como lá.” 
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”) 
Paródia 
“Minha terra tem palmares 
onde gorjeia o mar 
os passarinhos daqui 
não cantam como os de lá.” 
(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”) 
Paráfrase 
“Meus olhos brasileiros se fecham saudosos 
Minha wboca procura a ‘Canção do Exílio’. 
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? 
Eu tão esquecido de minha terra... 
Ai terra que tem palmeiras 
Onde canta o sabiá!” 
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”) 
Intertextualidade Na Música 
Há muitos casos de intertextualidade nas produções musicais, veja alguns exemplos: 
A música “Monte Castelo” da banda legião urbana cita os versículos bíblicos 1 e 4, encontrados no livro 
de Coríntios, no capítulo 13: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse 
amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine” e “O amor é sofredor, é benigno; o amor 
não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece”. 
 INTERTEXTUALIDADE 
 
 
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Além disso, nessa mesma canção, ele cita os versos do escritor português Luís Vaz de Camões (1524-
1580), encontradas na obra “Sonetos” (soneto 11): 
“Amor é um fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói, e não se sente; 
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer. 
É um não querer mais que bem querer; 
É um andar solitário entre a gente; 
É nunca contentar-se e contente; 
É um cuidar que ganha em se perder; 
É querer estar preso por vontade; 
É servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata, lealdade. 
Mas como causar pode seu favor 
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?” 
Igualmente, a música “GoBack” do grupo musical Titãs, cita o poema “Farewell” do escritor chileno 
Pablo Neruda (1904-1973): 
“Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos, 
ya no se endulzará junto a ti mi dolor. 
Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada 
y hacia donde camines llevarás mi dolor. 
Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos 
un recodo en la ruta donde el amor pasó. 
Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame, 
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo. 
Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste. 
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy. 
...Desde tu corazón me dice adiós un niño. 
Y yo le digo adiós.” 
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