Prévia do material em texto
SP 20 – Transtornos de Personalidade 1) Explicar sobre os transtornos de personalidade (Os 10 tipos): A) Epidemiologia B) Quadro Clínico C) Critérios Diagnóstico (DSM 5) D) Tratamento INTRODUÇÃO PERSONALIDADE ♡ PERSONALIDADE: Estilo/jeito de ser que cada indivíduo tem de lidar com o mundo (“assinatura pessoal”). Resulta da interação entre variáveis neurobiológicas inatas (“temperamento”) e experiências ambientais e sociais precoces, intra e extra-familiares, que contribuem para a construção do “caráter” do indivíduo. A combinação de fatores biológicos (temperamento) e vivenciais/ambientais (caráter) constitui a personalidade. TRAÇO DE PERSONALIDADE ♡ TRAÇO DE PERSONALIDADE: É uma tendência específica de sentir, perceber, pensar e se comportar de forma repetida e estereotipada, especialmente dentro de contextos interpessoais (desconfiança, sedução, hostilidade, teatralidade, manipulação, perfeccionismo). Ainda não é considerado patológico. TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ♡ TRANSTORNO DE PERSONALIDADE: Quando estes traços se exageram, causando sofrimento emocional e/ou disfunções na área social, interpessoal ou profissional. EPIDEMIOLOGIA NO MUNDO ♡ 10 a 20% da população em geral. ♡ Prevalência internacional estimada de 11%. ♡ 25% dos pacientes no contexto primário. ♡ 50% dos pacientes psiquiátricos ambulatoriais. ♡ 2/3 dos prisioneiros. 1 NO BRASIL ♡ Prevalência estimada de grupos de transtornos de personalidades na região metropolitana de São Paulo: CURSO ♡ Iniciam no final da adolescência/início da idade adulta. ♡ Padrão persistente e relativamente estável no tempo. ♡ Alguns tendem a atenuar ou remitir com tempo (ex. antissocial e borderline); raramente (ex. obsessivo- compulsivo e esquizotípico). GÊNERO ♡ Não há diferença de prevalência entre os gêneros. ♡ São mais diagnosticados em homens (antissocial) e mulheres (histriônico, borderline e dependente). GRUPOS / QUADRO CLÍNICO 2 TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE (TP) 1. TP ESQUIZOTÍPICA TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICA: Estes pacientes exibem características estranhas ou excêntricas, além de distorções cognitivas e perceptivas (pensamento mágico, noções peculiares, ideias de referência, ilusões e desrealização). Apresentam padrão difuso de déficits sociais e interpessoais marcado por desconforto e incapacidade para relacionamentos íntimos isolados, poucos amigos. Epidemiologia: ♡ Prevalência em populações clínicas: 0.6-1.9%. ♡ Prevalência na população em geral: 3.9%. ♡ A proporção entre gêneros é desconhecida. ♡ Diagnosticado com frequência em mulheres com síndrome do X frágil. Características clínicas: ♡ Perturbação do pensamento e comunicação; ♡ Fala distinta/peculiar, fazendo sentido apenas para eles mesmos; ♡ Podem desconhecer seus próprios sentimentos, mas são sensíveis e conscientes sobre os do próximo; ♡ Podem ser supersticiosos/clarividentes; ♡ Podem ter relacionamentos imaginários vívidos, temores e fantasias infantis; ♡ Podem ter ilusões da percepção ou macropsia; ♡ Sob estresse, podem ter sintomas psicóticos breves. 3 Fatores de risco: ♡ Há aumento da prevalência em famílias de indivíduos com esquizofrenia. Diagnóstico: Diagnóstico diferencial: Outros transtornos mentais com sintomas psicóticos: O transtorno da personalidade esquizotípica pode ser distinguido de transtorno delirante, esquizofrenia e transtorno bipolar ou depressivo com sintomas psicóticos pelo fato de todos esses transtornos serem caracterizados por um período de sintomas psicóticos persistentes (p. ex., delírios e alucinações). Para que seja feito um diagnóstico adicional de transtorno da personalidade esquizotípica, o transtorno deve ter estado presente antes do aparecimento dos sintomas psicóticos e deve persistir quando tais sintomas estão em remissão. Quando um indivíduo tem um transtorno psicótico persistente (p. ex., esquizofrenia), antecedido de transtorno da personalidade esquizotípica, o transtorno da personalidade deve ser também registrado, seguido de “pré-mórbido” entre parênteses. 4 Transtornos do neurodesenvolvimento: Pode ser bastante difícil diferenciar crianças com transtorno da personalidade esquizotípica do grupo heterogêneo de crianças solitárias e estranhas cujo comportamento é caracterizado por isolamento social pronunciado, excentricidade ou peculiaridades linguísticas e cujos diagnósticos provavelmente incluem formas mais leves de transtorno do espectro autista ou transtornos da comunicação e linguagem. Os transtornos da comunicação podem ser diferenciados pela primazia e gravidade do transtorno na linguagem e pelos aspectos característicos de linguagem prejudicada evidenciados em uma avaliação especializada desta. As formas mais leves do transtorno do espectro autista são diferenciadas por sua falta de percepção social ainda maior e de reciprocidade emocional e por seus comportamentos e interesses estereotipados. Mudança de personalidade devido a outra condição médica: O transtorno da personalidade esquizotípica deve ser distinguido de mudança de personalidade devido a outra condição médica, na qual os traços que emergem são uma consequência fisiológica direta de outra condição médica. Transtornos por uso de substância: O transtorno da personalidade esquizotípica deve ser também distinguido de sintomas que podem se desenvolver em associação com o uso persistente de substância. Outros transtornos da personalidade e traços de personalidade: Outros transtornos da personalidade podem ser confundidos com transtorno da personalidade esquizotípica por terem alguns aspectos em comum. Assim, é importante distinguir entre esses transtornos com base em diferenças nos seus aspectos característicos. Entretanto, quando um indivíduo apresenta características de personalidade que atendem a critérios para um ou mais de um transtorno da personalidade além do transtorno da personalidade esquizotípica, todos podem ser diagnosticados. Ainda que os transtornos da personalidade paranoide e esquizóide possam também ser caracterizados por distanciamento social e afeto restrito, o transtorno da personalidade esquizotípica pode ser distinguido desses dois diagnósticos pela presença de distorções cognitivas ou perceptivas e excentricidade ou esquisitice acentuada. Relacionamentos próximos são limitados tanto no transtorno da personalidade esquizotípica como no transtorno da personalidade evitativa; neste último, porém, um desejo ativo de relacionamentos é inibido por medo de rejeição, ao passo que no transtorno da personalidade esquizotípica há falta de desejo de relacionamentos e distanciamento persistente. Indivíduos com transtorno da personalidade narcisista podem também demonstrar desconfiança, retraimento social ou alienação; no transtorno da personalidade narcisista, porém, essas características derivam basicamente de medos de ter reveladas imperfeições ou falhas. Indivíduos com transtorno da personalidade borderline podem também apresentar sintomas transitórios que parecem psicóticos, mas eles costumam estar mais intimamente ligados a mudanças afetivas em resposta a estresse (p. ex., raiva intensa, ansiedade, desapontamento) e são geralmente mais dissociativos (p. ex., desrealização, despersonalização). Indivíduos com transtorno da personalidade esquizotípica, por sua vez, têm maior tendência a apresentar sintomas duradouros que parecem psicóticos, os quais podem piorar sob estresse, e têm menor probabilidade de apresentarem durante todo o tempo sintomas afetivos intensos. Embora possa ocorrer isolamento social no transtorno da personalidade borderline, ele costuma ser mais 5 comumente secundário a fracassos interpessoais repetidos devido a ataques de raiva emudanças frequentes de humor do que resultado de falta persistente de contatos sociais e de desejo de intimidade. Além disso, pessoas com transtorno da personalidade esquizotípica geralmente não demonstram os comportamentos impulsivos ou manipuladores do indivíduo com transtorno da personalidade borderline. Há, todavia, alta taxa de ocorrência concomitante dos dois transtornos, de modo que fazer tais distinções nem sempre é viável. Características esquizotípicas durante a adolescência costumam ser mais reflexo de turbulência emocional passageira do que um transtorno persistente da personalidade. Tratamento: ♡ Psicoterapia ♡ Antipsicóticos; ♡ Antidepressivos. 2. TP ESQUIZÓIDE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZÓIDE: ♡ Caracterizado por padrão de retraimento social. Excêntricos, são vistos como isolados ou solitários. Seu desconforto com a interação humana, sua introversão e seu afeto frio e constrito se destacam. ♡ Apresentam distanciamento nas relações sociais e capacidade limitada de expressão emocional em contextos interpessoais. ♡ Preferem ficar sós, tem pouco/nenhum interesse em relações sexuais, indiferentes ao que os outros pensam. ♡ Os devaneios são mais gratificantes que a vida real. 6 Epidemiologia: ♡ Prevalência de 3,1 a 5% da população em geral; ♡ Proporção de homens para mulheres de 2:1. A prevalência do transtorno da personalidade esquizóide não está estabelecida de forma definitiva, mas ele pode afetar 5% da população em geral. A proporção de gênero do transtorno é desconhecida; alguns estudos apontam uma proporção de homens para mulheres de 2:1. Indivíduos afetados tendem a se direcionar para trabalhos solitários que envolvam pouco ou nenhum contato com os outros. Muitos preferem trabalhar à noite, ao invés de turnos diurnos, para que não precisem lidar com muitas pessoas. Características clínicas: ♡ Parecem frios, indiferentes, calados, distantes, isoladas e insociáveis; ♡ Exibem retraimento distante e falta de envolvimento com interesses diários e com preocupações alheias; ♡ Pouca necessidade/vontade de formar laços afetivos; ♡ Vida sexual pode existir apenas na fantasia; ♡ Interesses solitários → Empregos solitários e não competitivos; ♡ Incapacidade de expressar diretamente a raiva; ♡ A capacidade de reconhecer a realidade é normal; ♡ Atos agressivos são raros. Geralmente lidam com a maioria das ameaças através de fantasias. Pessoas com transtorno da personalidade esquizóide parecem frias e indiferentes; exibem um retraimento distante e demonstram falta de envolvimento com eventos diários e com as preocupações de terceiros. Parecem caladas, distantes, isoladas e insociáveis. Podem viver suas vidas com extraordinariamente pouca necessidade ou vontade de formar laços afetivos e são as últimas a perceber mudanças na moda popular. As histórias de vida dessas pessoas refletem interesses solitários e sucesso em empregos solitários e não competitivos que outras pessoas acham difíceis de tolerar. Sua vida sexual pode existir apenas na fantasia, e podem adiar indefinidamente o amadurecimento da sexualidade. Homens podem não se casar porque são incapazes de atingir intimidade; mulheres podem concordar de forma passiva a se casar com um homem agressivo que deseje o casamento. Indivíduos com transtorno da personalidade esquizóide costumam revelar uma incapacidade vitalícia de expressar diretamente a raiva. Eles podem investir quantidades enormes de energia afetiva a interesses não humanos, como matemática e astronomia, e podem ser muito ligados a animais. Modismos de saúde e alimentação, correntes filosóficas e esquemas de melhora social, em especial os que não exigem envolvimento pessoal, costumam absorver sua atenção. Embora pareçam pensar apenas em si mesmas e estar perdidas em devaneios, pessoas com transtorno da personalidade esquizóide apresentam capacidade normal de reconhecer a realidade. Uma vez que atos agressivos raras vezes são incluídos em seu repertório de reações habituais, elas lidam com a maioria das ameaças, reais ou imaginadas, por meio de fantasias de onipotência ou 7 resignação. Costumam ser vistas como indiferentes, mas às vezes conseguem conceber, desenvolver e proporcionar ao mundo ideias genuinamente originais e criativas. Fatores de risco: ♡ Prevalência maior entre familiares de indivíduos com esquizofrenia ou TP Esquizotípico. Diagnóstico: Diagnóstico diferencial O transtorno da personalidade esquizóide pode ser distinguido de esquizofrenia, transtorno delirante e transtorno afetivo com características psicóticas com base em períodos com sintomas psicóticos positivos, como delírios e alucinações, nestes últimos. Embora indivíduos com transtorno da personalidade paranóide compartilhem diversos traços com os da personalidade esquizóide, os primeiros exibem maior envolvimento social, uma história de comportamento verbal agressivo e uma maior tendência a projetar seus sentimentos nos outros. Mesmo que também apresentem o mesmo grau de constrição emocional, indivíduos com transtornos das personalidades obsessivo-compulsiva e evitativa experimentam a solidão como disfórica, têm uma história mais rica de relações objetais anteriores e não se entregam com a mesma frequência a devaneios autistas. Teoricamente, a principal distinção entre um paciente com transtorno da personalidade esquizotípica e um com transtorno da personalidade esquizóide é que o primeiro se assemelha mais a um paciente com esquizofrenia no que se refere a estranhezas de percepção, pensamento, comportamento e comunicação. Aqueles com transtorno da personalidade evitativa são isolados, mas têm um forte desejo de participar de atividades, uma característica ausente em indivíduos com transtorno da personalidade esquizóide. Distingue-se, ainda, do transtorno autista e da síndrome de 8 Asperger por apresentar interações sociais prejudicadas e comportamentos e interesses estereotipados com ainda mais gravidade do que nesses dois transtornos. Diagnóstico diferencial: ♡ Esquizofrenia: Se diferencia do esquizóide porque os esquizofrênicos exibem maior envolvimento social, história de comportamento verbal agressivo e projeção de sentimentos. ♡ TPOC e Evitativa: Se diferencia porque esses dois transtornos experimentam a solidão como disfórica, têm uma história mais rica de relações objetais anteriores e não se entregam com a mesma frequência a devaneios autistas. ♡ Evitativa: Se diferencia porque os evitativos são isolados, mas tem um forte desejo de participar de atividades, o que não ocorre nos esquizóides. ♡ Esquizotípica: Se diferencia porque os esquizotípicos se assemelham mais a um paciente com esquizofrenia em relação às estranhezas. ♡ Autismo/Asperger: Se diferencia, pois no esquizóide a ↓ de interações sociais e comportamentos/interesses estereotipados não são tão graves. Tratamento: ♡ Psicoterapia, antipsicóticos, psicoestimulantes, agentes serotonérgicos (↓ sensibilidade à rejeição) e benzodiazepínicos (↓ ansiedade interpessoal). 9 3. TP PARANÓIDE Severus Snape (Harry Potter) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANÓIDE: ♡ Caracterizam-se por suspeita e desconfiança em relação às pessoas, vistos como ameaçadores, enganadores ou exploradores. ♡ Recusam a responsabilidade por seus próprios sentimentos e a atribui a outros. ♡ Rancores persistentes, sentimentos de humilhação por qualquer crítica, suspeitas recorrentes de estar sendo traído pela/o parceira/o. ♡ Costumam ser hostis, irritáveis e irascíveis. Epidemiologia: ♡ Prevalência de 2,3 a 4,4% da população em geral. ♡ Diagnosticado com maior frequência em homens. Dados sugerem que a prevalência do transtorno da personalidadeparanóide seja de 2 a 4% da população em geral. Indivíduos com o transtorno raramente buscam terapia por si mesmos; ao serem encaminhados para tratamento por um cônjuge ou empregador, conseguem se recompor e demonstrar falta de sofrimento. Parentes de pacientes com esquizofrenia demonstram uma incidência mais elevada de transtorno da personalidade paranóide do que participantes de grupos-controle. Há evidências que sugerem uma relação familiar mais específica com transtorno delirante do tipo persecutório. O transtorno é diagnosticado com maior frequência em homens do que em mulheres, em amostras clínicas. A prevalência entre indivíduos homossexuais não é mais elevada que o normal, como se pensava, mas acredita-se que seja mais elevada entre grupos de minorias, imigrantes e surdos do que na população em geral. 10 Características clínicas: Os atributos inconfundíveis do transtorno da personalidade paranóide são suspeita e desconfiança excessivas em relação a outras pessoas expressas como uma tendência global de interpretar os atos dos outros como deliberadamente aviltantes, malévolos, ameaçadores, exploradores ou enganadores. Essa tendência começa no início da vida adulta e surge em diversos contextos. Quase de modo invariável, indivíduos com o transtorno esperam ser explorados ou lesados pelos outros de alguma forma. Eles com frequência questionam, sem qualquer justificativa, a lealdade ou integridade de caráter de amigos ou sócios. Essas pessoas costumam ser patologicamente ciumentas e, sem motivo algum, questionam a fidelidade de seus cônjuges ou parceiros sexuais. Indivíduos com esse transtorno exteriorizam suas próprias emoções e usam o mecanismo de defesa de projeção; atribuem a outros os impulsos e pensamentos que não podem aceitar em si mesmos. Ideias de referência e ilusões defendidas com argumentos lógicos são comuns. Pessoas com transtorno da personalidade paranóide têm afeto restrito e parecem frias, sem emoção. Orgulham-se de sua racionalidade e objetividade, mas isso não corresponde à realidade. Demonstram ausência de afeição e impressionam-se e prestam bastante atenção a poder e nível hierárquico. Expressam desdém em relação a indivíduos que percebam como fracos, doentios, debilitados ou deficientes de alguma forma. Em situações sociais, essas pessoas podem transmitir uma ideia de profissionalismo e eficiência, mas costumam gerar medo e conflito em outras pessoas. 🔑 Principais atributos ● Suspeita constante ● Desconfiança excessiva dos outros ● Tendência global de interpretar os atos dos outros como: ○ malévolos ○ ameaçadores ○ exploradores ○ enganadores ○ aviltantes (humilhantes) 🧠 Padrão de pensamento/comportamento ● Esperam invariavelmente ser explorados ou lesados. ● Questionam, sem justificativa, a lealdade e integridade de amigos ou sócios. ● Frequentemente patologicamente ciumentos. ● Sem motivo, questionam a fidelidade do cônjuge/parceiro. Usam mecanismo de defesa de projeção → atribuem aos outros os próprios pensamentos/impulsos inaceitáveis. ● Apresentam ideias de referência (acham que acontecimentos neutros têm relação com eles). ● Têm ilusões defendidas com lógica (interpretações falsas, mas com aparência de coerência). 11 😶 Afeto e relacionamento interpessoal ● Afeto restrito → parecem frios, sem emoção. ● Orgulho da própria racionalidade e objetividade, mas de forma distorcida (não correspondem à realidade). ● Demonstram ausência de afeto. ● Prestam atenção exagerada a poder e hierarquia. ● Expressam desdém por pessoas vistas como fracas/doentes/deficientes. ● Em situações sociais: ○ Podem parecer profissionais e eficientes. ○ Mas geram medo e conflitos interpessoais. Fatores de risco: ♡ Familiares esquizofrênicos ou com transtorno delirante. Diagnóstico: 12 Diagnóstico diferencial: O transtorno da personalidade paranóide normalmente pode ser diferenciado do transtorno delirante devido à ausência de delírios fixos. Diferentemente de indivíduos com esquizofrenia paranoide, pessoas com transtornos da personalidade não têm alucinações nem um transtorno manifesto do pensamento. O transtorno da personalidade paranóide pode ser distinguido do transtorno da personalidade borderline porque pacientes paranóides raramente são capazes de desenvolver um envolvimento excessivo ou relacionamentos tumultuosos com outras pessoas. Pacientes com paranoia não têm a longa história de comportamento antissocial das pessoas com caráter antissocial. Indivíduos com transtorno da personalidade esquizóide são retraídos e indiferentes e não apresentam ideação paranóide. Diagnóstico diferencial: ♡ Transtorno delirante: Se diferenciam porque os paranóides não possuem delírios fixos. ♡ Esquizofrenia: Se diferenciam porque os pacientes com TP paranóide não têm alucinações nem um transtorno manifesto do pensamento. ♡ Borderline: Se diferenciam porque os paranóides raramente são capazes de envolvimentos excessivos ou relacionamentos tumultuosos, como os borders. ♡ Antissocial: A diferença consiste no fato de que os paranóides não possuem uma longa história de comportamento antissocial. ♡ Esquizóide: Se diferenciam porque os esquizóides são retraídos e indiferentes e não apresentam ideação paranóide. Tratamento: ♡ Psicoterapia, ansiolítico e antipsicóticos. 13 4. TP BORDERLINE Marilyn Monroe TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE: ♡ Caracterizam-se por afeto, humor, comportamento, relações interpessoais e autoimagem extraordinariamente instáveis. ♡ Encontram-se no limiar entre neurose e psicose. ♡ Impulsividade, ansiedade de separação e sentimentos crônicos de vazio são intensos. ♡ Há comportamentos recorrentes de gestos ou ameaças de suicídio e automutilações. Epidemiologia: ♡ Prevalência: 1.6 – 5.9 %. ♡ 2x mais comum em mulheres. Não há estudos definitivos sobre prevalência, mas acredita-se que o transtorno da personalidade borderline esteja presente em 1 a 2% da população e seja duas vezes mais comum em mulheres do que em homens. Um aumento de prevalência do transtorno depressivo maior, de transtornos por uso de álcool e de abuso de substância é encontrado em parentes em primeiro grau de indivíduos com transtorno da personalidade borderline. 14 Características clínicas: ♡ Mudanças de humor são comuns; ♡ Sentimentos crônicos de vazio e tédio; ♡ Falta de um senso de identidade coerente (difusão de identidade); ♡ Episódios psicóticos de curta duração; ♡ Comportamento imprevisível; ♡ É raro que suas realizações estejam no mesmo nível de suas capacidades; ♡ Atos destrutivos repetidos (automutilação), para obter ajuda dos outros, exprimir raiva ou se anestesiar do afeto que o consome; ♡ Relacionamentos interpessoais tumultuosos (dependência e raiva dirigida aos amigos íntimos); ♡ Não suportam a solidão → buscam por companhia. 🔑 Padrão geral ● Indivíduos parecem estar sempre em crise. ● Mudanças bruscas de humor: ○ Podem discutir em um momento → deprimidos no seguinte → depois sentirem-se “sem sentimentos”. ● Comportamento imprevisível. ● Realizações geralmente abaixo das capacidades. 🧠 Sintomas psicóticos ● Episódios micropsicóticos (curtos, fugazes, questionáveis). ● Diferem da esquizofrenia, pois não chegam a ser crises psicóticas plenas. 😔 Vida emocional ● Vida marcada por dor psíquica intensa. ● Atos autodestrutivos repetidos: ○ cortar pulsos ○ automutilações (para pedir ajuda, expressar raiva ou “anestesiar” o afeto doloroso). ● Sentimentos crônicos de vazio e tédio. ● Difusão de identidade → ausência de um senso de identidade coerente. ● Queixas frequentes de depressão constante, mesmo em meio a outras emoções. 15 ❤ Relações interpessoais ● Relações tumultuosas e instáveis. ● Dependência + hostilidadeem relação às pessoas íntimas. ● Medo intenso de abandono → não toleram ficar sozinhos. ● Busca frenética por companhia, mesmo que insatisfatória. ● Podem aceitar estranhos como amigos ou agir de forma promíscua para evitar a solidão. ● Cisão nas relações: ○ veem pessoas como totalmente boas (idealizadas) ou totalmente más (desvalorizadas). ● Troca frequente de lealdade entre grupos/pessoas. ⚙ Mecanismos de defesa ● Identificação projetiva (Otto Kernberg): ○ projetam aspectos intoleráveis de si mesmos no outro; ○ induzem a pessoa a agir de acordo com essa projeção; ○ ambos passam a interagir dentro desse papel. ● Importante para o terapeuta → precisa manter neutralidade. 🧪 Avaliação cognitiva ● Inteligência normal em testes estruturados (ex.: WAIS). ● Processos de pensamento aberrantes aparecem em testes projetivos não estruturados (ex.: Rorschach). 🔎 Conceitos clínicos associados ● Panfobia: medo generalizado. ● Pan-ansiedade: ansiedade difusa. ● Pan-ambivalência: sentimentos opostos intensos coexistindo. ● Sexualidade caótica: instabilidade na vida sexual, usada como regulação afetiva. Fatores de risco: ♡ O TP Borderline é 5x mais comum em parentes biológicos de 1º grau com o mesmo transtorno. Há aumento de risco familiar para transtornos do humor, de uso de álcool/substâncias e de TP antissocial. 16 Diagnóstico: Diagnóstico diferencial: O transtorno diferencia-se de esquizofrenia com base no fato de o paciente com personalidade borderline não apresentar episódios psicóticos prolongados, transtorno do pensamento e outros sinais clássicos de esquizofrenia. Pacientes com transtorno da personalidade esquizotípica exibem peculiaridades acentuadas de pensamento, ideação estranha e ideias de referência recorrentes. Aqueles com transtorno da personalidade paranoide caracterizam-se por suspeita extrema. Pacientes com transtorno da personalidade borderline em geral apresentam sentimentos crônicos de vazio e episódios psicóticos de curta duração; eles agem impulsivamente e buscam relacionamentos extraordinários; podem se mutilar e fazer tentativas de suicídio manipulativas. ♡ Esquizofrenia: Se diferenciam porque os borders não apresentam episódios psicóticos prolongados ou transtornos do pensamento. ♡ Esquizotípico: Se diferenciam devido às acentuadas peculiaridades de pensamento e ideação estranha presente nos esquizotípicos. ♡ Paranóide: Se diferenciam porque o TPB não apresenta desconfiança extrema como os paranóides. Tratamento: ♡ Psicoterapia, antipsicóticos, IMAOs, antidepressivos, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e agentes serotonérgicos. 17 5. TP NARCISISTA Adolf Hitler TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA: ♡ Caracterizam-se por senso aguçado de autoimportância, ausência de empatia e sentimentos grandiosos de serem únicos, com necessidade permanente de admiração. ♡ Crença de ter direitos exclusivos, explorador nas relações interpessoais, comportamento arrogante e invejoso. ♡ Autoestima frágil e vulnerável às menores críticas. Epidemiologia: ♡ 1 a 6% em amostras da comunidade. ♡ 50-75% são homens. Conforme o DSM-5, estimativas de prevalência desse transtorno variam de menos de 1 a 6% em amostras da comunidade. Pessoas afetadas podem transmitir uma ideia irrealista de onipotência, grandiosidade, beleza e talento a seus filhos e, assim, os filhos, de pais com essas características podem apresentar um risco acima do normal de desenvolver, eles próprios, o transtorno. 18 Características clínicas: ♡ Sentimento de autoimportância grandioso; ♡ Sentimento de merecerem tratamentos especiais; ♡ Podem lidar mal com críticas, reagindo com raiva, ou podem ser totalmente indiferente à elas; ♡ Ambição em obter fama e fortuna; ♡ Fingem simpatia para alcançar seus objetivos; ♡ Frágil autoestima → suscetíveis à depressão; ♡ Crises de meia idade → lidam mal ao envelhecerem. Pessoas com transtorno da personalidade narcisista têm um sentimento de autoimportância grandioso; consideram-se especiais e esperam tratamento especial. Seu sentimento de merecimento é impressionante. Elas lidam mal com críticas e podem ficar com raiva quando alguém ousa criticá-las, ou podem parecer completamente indiferentes a críticas. Querem que as coisas sejam do seu jeito e com frequência têm ambição de obter fama e fortuna. Seus relacionamentos são pouco importantes, e podem deixar os outros furiosos por sua recusa em obedecer às regras convencionais de comportamento. A exploração interpessoal é frequente. Não conseguem demonstrar empatia e fingem simpatia apenas para atingir seus próprios objetivos egoístas. Devido a sua frágil autoestima, são suscetíveis à depressão. Dificuldades interpessoais, problemas profissionais, rejeição e perda estão entre os estresses que os narcisistas normalmente produzem com seu comportamento – estresses com os quais são as pessoas menos capazes de lidar. Fatores de risco: ♡ Filhos de pais com este transtorno apresentam maior risco de desenvolvê-lo, pois os pais podem transmitir uma ideia irrealista de onipotência, grandiosidade, beleza e talento. 19 Diagnóstico: Diagnóstico diferencial: Frequentemente acompanhados ♡ Borderline: Se diferenciam porque os narcisistas apresentam menor ansiedade que os borderlines e são menos propensos à vida caótica e suicídio. ♡ Histriônica: Dx diferencial mais difícil, pois ambos apresentam exibicionismo e manipulação. ♡ Antissocial: A diferença consiste no fato de os antissociais terem impulsividade relacionada à drogas de abuso, com história de problemas legais. Tratamento: ♡ Psicoterapia, lítio e antidepressivos. 20 6. TP HISTRIÔNICA Madonna TRANSTORNO DE PERSONALIDADE HISTRIÔNICA: ♡ São excitáveis e emotivos, comportando-se de forma teatral, dramática, florida e extrovertida. Epidemiologia: ♡ Prevalência de 1 a 3%; 10 a 15% em unidades psiquiátricas; ♡ Mais diagnosticado em mulheres. Dados limitados de estudos com a população em geral sugerem uma prevalência do transtorno da personalidade histriônica de cerca de 1 a 3%. Índices em torno de 10 a 15% foram relatados em instalações de saúde ambulatoriais e de internação quando se usa uma avaliação estruturada. O transtorno é diagnosticado com maior frequência em mulheres do que em homens. Alguns estudos revelaram uma associação com transtorno de sintomas somáticos e transtornos por uso de álcool. Características clínicas: ♡ Busca persistente por atenção. ♡ Comportamentos sedutores e provocantes. ♡ Pensamentos e sentimentos exagerados. ♡ Necessidade de tranquilização infinita. ♡ Incapacidade de ligações profundas e duradouras. 21 Diagnóstico: Diagnóstico diferencial: ♡ Borderline: Se diferenciam porque os borders apresentam mais tentativas de suicídio, difusão de Identidade e episódios psicóticos breves. ♡ Transtorno de sintomas somáticos (Síndrome de Briquet): Podem ocorrer em conjunto. A distinção entre transtorno da personalidade histriônica e transtor-no da personalidade borderline é difícil, mas, neste último, tentativas de suicídio, difusão de identidade e episódios psicóticos breves são mais prováveis. Embora ambas as condições possam ser diagnosticadas no mesmo paciente, o clínico deve separá-las. O transtorno de sintomas somáticos (síndrome de Briquet) pode ocorrer em conjunto com o da personalidade histriônica. Pacientes com transtornos psicóticos breve e dissociativos podem justificar um diagnóstico coexistente de transtorno da personalidade histriônica. Tratamento: ♡ Psicoterapia, antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos. 22 7. TP ANTISSOCIAL TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL: ♡São incapazes de se adequarem às regras sociais, violam e desconsideram os direitos alheios. Epidemiologia: ♡ Prevalência de 0,2 a 3,3% na população em geral; ♡ 75% da população carcerária; ♡ Mais comum em homens. Os índices de prevalência de 12 meses do transtorno da personalidade antissocial encontram-se entre 0,2 e 3% de acordo com o DSM-5. Ele é mais comum em áreas urbanas pobres e entre residentes eventuais dessas áreas. A prevalência mais elevada é encontrada entre as amostras mais graves de homens com transtorno por uso de álcool (acima de 70%) e na população carcerária, na qual pode chegar a 75%. É muito mais comum em homens do que em mulheres. Meninos com o transtorno vêm de famílias maiores do que meninas afetadas. O início do transtorno ocorre antes dos 15 anos de idade. Meninas normalmente apresentam sintomas antes da puberdade, e meninos, ainda mais cedo. Um padrão familiar está presente; o transtorno é cinco vezes mais comum entre parentes em primeiro grau de homens com o transtorno do que entre participantes do grupo-controle. Características clínicas: ♡ Podem parecer normais, simpáticos e lisonjeiros; ♡ Irritados, agressivos, impulsivos e irresponsáveis; ♡ Tendência à manipulação, mentiras e trapaças; ♡ Ausência de remorso, ansiedade e depressão; ♡ Atitudes ilegais são frequentes. 23 Indivíduos com transtorno da personalidade antissocial frequentemente podem parecer normais e até mesmo simpáticos e lisonjeiro. Suas histórias, no entanto, revelam perturbação do funcionamento ou várias áreas da vida. Mentiras, vadiagem, fuga de casa, roubos, brigas, abuso de substância e atividades ilegais são experiências típicas que os pacientes relatam ter início já na infância. Eles costumam impressionar clínicos do sexo oposto com os aspectos sedutores e pitorescos de sua personalidade, mas clínicos do mesmo sexo podem vê-los como ma-nipuladores e exigentes. Indivíduos com transtorno da personalidade antissocial não exibem ansiedade nem depressão, uma ausência que pode parecer amplamente incongruente com suas situações, embora ameaças de suicídio e preocupações somáticas possam ser comuns. Suas próprias explicações para seu comportamento antissocial fazem-no parecer gratuito, mas seu conteúdo mental revela a completa ausência de delírios e de outros sinais de pensamento irracional. Na realidade, eles com frequência têm um senso de realidade aguçado e costumam impressionar observadores com sua boa inteligência verbal. Pessoas com esse transtorno são autênticas representantes dos vigaristas. Elas são extremamente manipuladoras e com frequência podem convencer os outros a participar de esquemas para obter dinheiro fácil ou para alcançar fama ou notoriedade. Esses esquemas podem, no fim, levar o incauto a ruína financeira ou constrangimento social, ou a ambos. Indivíduos com esse transtorno não falam a verdade, e não se pode confiar neles para executar qualquer tipo de tarefa ou aderir a qualquer padrão convencional de moralidade. Promiscuidade, abuso conjugal, abuso infantil e condução de veículos em estado de embriaguez são eventos comuns em suas vidas. Um achado de destaque é a ausência de remorso por tais atos; ou seja, eles parecem não ter uma consciência. Diagnóstico: 24 Diagnóstico diferencial: ♡ Comportamento criminoso: Se diferenciam porque o comportamento ilegal visa apenas a ganhos e não está acompanhado pelos traços de personalidade rígidos, mal-adaptativos e persistentes de um transtorno da personalidade. ♡ Abuso de substâncias: Dx diferencial mais difícil. Transtorno da personalidade antissocial pode ser distinguido de comportamento ilegal no sentido de que o transtorno envolve diversas áreas da vida do indivíduo. Quando o comportamento ilegal visa apenas a ganhos e não está acompanhado pelos traços de personalidade rígidos, mal-adaptativos e persistentes de um transtorno da personalidade, ele é classificado pelo DSM-5 como comportamento criminoso não associado a um transtorno da personalidade. Dorothy Lewis descobriu que muitas dessas pessoas apresentam um transtorno neurológico ou mental que passou despercebido ou que não foi diagnosticado. A diferenciação mais difícil de ser estabelecida é entre transtorno da personalidade antissocial e abuso de substância. Quando ambos se iniciam na infância e continuam na vida adulta, os dois transtornos devem ser diagnosticados. Quando, no entanto, o comportamento antissocial é evidentemente secundário a abuso pré-mórbido de álcool ou de outra substância, o diagnóstico de transtorno da personalidade antissocial não se justifica. Ao diagnosticar transtorno da personalidade antissocial, o clínico deve compensar a distorção causada pelo nível socioeconômico, antecedentes culturais e sexo. Ademais, esse diagnóstico não se justifica quando deficiência intelectual, esquizofrenia ou mania podem explicar os sintomas. Tratamento: ♡ Psicoterapia, antagonistas β-adrenérgicos, antiepilépticos, psicoestimulantes. Polo mais grave do TP Antissocial: PSICOPATA! ♡ Emoções ausentes: Medo, vergonha, amor e culpa. ♡ Não se conhece forma satisfatória de tratamento. 25 8. TP OBSESSIVA-COMPULSIVA Immanuel Kant TRANSTORNO DE PERSONALIDADE OBSESSIVA-COMPULSIVA: ♡ Apresentam um padrão global de perfeccionismo e inflexibilidade. Caracterizam-se por constrição emocional, organização, perseverança, teimosia e indecisão. Epidemiologia: ♡ Prevalência de 2 a 8%. ♡ Mais comum em homens. O DSM-5 relata uma prevalência estimada de 2 a 8%. O transtorno é mais comum em homens do que em mulheres e é diagnosticado com maior frequência em irmãos mais velhos. Também é mais observado em parentes biológicos em primeiro grau de pessoas com o transtorno do que na população em geral. Pacientes costumam ter antecedentes caracterizados por disciplina rígida. Freud postulou que o transtorno está associado a dificuldades no estágio anal do desenvolvimento psicossexual, geralmente por volta dos 2 anos, mas vários estudos não conseguiram validar essa teoria. Características clínicas: ♡ Perdem tempo com limpeza, listas, detalhes, regras, organização, e horários; ♡ Moralistas, centralizadores, rígidos e teimosos; ♡ Incapazes de descartar objetos usados; ♡ Mesquinhos com dinheiro; ♡ Desejam sempre a perfeição; ♡ Não toleram o que consideram infrações. 26 Diagnóstico: Diagnóstico Diferencial: Quando obsessões ou compulsões recorrentes estão presentes, o diagnóstico de transtorno obssessivo-compulsivo deve ser considerado. Talvez a distinção mais difícil seja entre pacientes ambulatoriais com alguns traços obsessivo-compulsivos e aqueles com transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva. O diagnóstico de transtorno da personalidade é reservado para indivíduos com prejuízos significativos em seu desempenho profissional ou social. Em alguns casos, o transtorno delirante coexiste com transtornos da personalidade e deve ser considerado. Tratamento: ♡ Psicoterapia, clonazepam, clomipramina, fluoxetina e nefazodona. 27 9. TP DEPENDENTE Piglet (Ursinho Pooh) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE DEPENDENTE: ♡ Apresentam necessidade excessiva de serem cuidados, criando comportamentos de submissão e apego. Epidemiologia: ♡ Prevalência de 0,49% a 0,6%. ♡ Mais comum em mulheres. O transtorno da personalidade dependente é mais comum em mulhe-res do que em homens. O DSM-5 relata uma prevalência estimada em 0,6%. Um estudo diagnosticou 2,5% de todos os transtornos da personalidade como pertencendo a essa categoria. Ele é mais co-mum em crianças pequenas do que nas mais velhas. Pessoas com doenças físicas crônicas na infância podem ser mais suscetíveis ao transtorno. Características clínicas: ♡ Subordinam suas próprias necessidades e responsabilidades àterceiros. ♡ Não têm autoconfiança e ficam desconfortáveis ao ficarem sozinhas por medo irreal de abandono. ♡ Não conseguem realizar projetos por conta própria. ♡ Pessimismo, insegurança, passividade, temor de expressar sentimentos sexuais e agressivos. O transtorno da personalidade dependente caracteriza-se por um padrão global de comportamento dependente e submisso. Pessoas com o transtorno não conseguem tomar decisões sem uma quantidade excessiva de aconselhamento e tranquilização dos outros. Elas evitam posições de responsabilidade e ficam ansiosas se precisam assumir um papel de liderança. Preferem ser submissas. Quando deixadas sozinhas, encontram dificuldades de perseverar em tarefas, mas podem achar fácil executá-las para outra pessoa. 28 Visto que não gostam de ficar sozinhos, indivíduos com esse transtorno buscam outras pessoas de quem possam depender; seus relacionamentos, portanto, são distorcidos por sua necessidade de estar apegados à outra pessoa. Na folie à deux (transtorno psicótico compartilhado), um membro da dupla normalmente tem transtorno da personalidade dependente; o parceiro submisso assume o sistema delirante do parceiro mais agressivo e com maior autoafirmação, de quem depende. Pessimismo, insegurança, passividade, temor de expressar sentimentos sexuais e agressivos tipificam o comportamento de indivíduos com transtorno da personalidade dependente. Um cônjuge abusivo, infiel ou alcoolista pode ser tolerado durante longos períodos de tempo para evitar a perturbação da sensação de apego. Diagnóstico: Diagnóstico diferencial: Os traços de dependência são encontrados em vários transtornos psiquiátricos, de forma que o diagnóstico diferencial é difícil. Dependência é um fator proeminente em pacientes com transtornos das personalidades histriônica e borderline, mas indivíduos com transtorno da personalidade dependente costumam ter um relacionamento duradouro com outra pessoa, em vez de uma série de pessoas de quem dependam, e não são propensos a ser abertamente manipuladores. Pacientes com transtornos das personalidades esquizóide e esquizotípica podem ser indistinguíveis daqueles com transtorno da personalidade evitativa. O comportamento dependente também pode ocorrer em pessoas com agorafobia, mas estas tendem a apresentar um nível elevado de ansiedade manifesta ou até mesmo pânico. 29 ♡ Histriônica e Borderline: Dependentes possuem relacionamentos + duradouros e não manipulam. ♡ Esquizóide e esquizotípica: Dx difícil. ♡ Agorafobia: Ansiedade elevada, pânico. Tratamento: ♡ Psicoterapia, antidepressivos, ansiolíticos. 10. TP EVITATIVO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE EVITATIVO: Tímidos, com complexo de inferioridade, exibem sensibilidade extrema à rejeição. Possuem um enorme desejo por companhia, mas não o faz por medo de ser rejeitado. Epidemiologia: ♡ Prevalência de 2 a 3% na população em geral. Sugere-se que a prevalência do transtorno seja de aproximadamente 2 a 3% da população em geral, de acordo com o DSM-5. Não há informações disponíveis sobre a proporção entre sexos ou sobre o padrão familiar. Crianças pequenas que foram classificadas com um temperamento tímido podem ser mais suscetíveis ao transtorno do que as que recebem uma pontuação elevada em escalas de abordagem de atividades. Características clínicas: ♡ Inibição social, reservado, retraído; ♡ Sentimentos de inadequação e hipersensibilidade a avaliações negativas; ♡ Vê-se socialmente incapaz, sem atrativos pessoais ou inferior aos outros; ♡ Evita relacionamentos íntimos com receio de rechaço, de ser humilhado ou ridicularizado. A hipersensibilidade à rejeição por outros é a característica clínica fundamental do transtorno da personalidade evitativa, e o traço principal da personalidade é a timidez. Essas pessoas desejam o afeto e a segurança da companhia humana, mas justificam sua esquiva a relacionamentos por meio de seu suposto medo de rejeição. Ao conversar com alguém, elas expressam incerteza, demonstram falta de autoconfiança e podem falar de modo discreto. Visto serem hipervigilantes quanto a rejeição, temem falar em público ou fazer pedidos a outras pessoas. Têm inclinação a interpretar mal os comentários dos outros como depreciativos ou ridicularizadores. A recusa de qualquer pedido as leva ao retraimento e se sentirem magoados. Na esfera profissional, pacientes com transtorno da personalidade evitativa costumam assumir empregos que recebem pouca atenção. 30 Eles raramente alcançam muito avanço pessoal ou exercem muita autoridade, mas parecem tímidos e ansiosos por agradar. Essas pessoas, em geral, não estão dispostas a começar relacionamentos a menos que recebam uma forte garantia de aceitação sem críticas. Por consequência, costumam não ter amigos íntimos nem confidentes. Diagnóstico: Diagnóstico diferencial: Pacientes com transtorno da personalidade evitativa desejam interação social, ao contrário daqueles com transtorno da personalidade esquizóide, que desejam ficar sozinhos. Os evitativos não são tão exigentes, irritáveis ou imprevisíveis como indivíduos com personalidades borderline e histriônica. O transtorno da personalidade evitativa e o da personalidade dependente são semelhantes. Supõe-se que aqueles com o da personalidade dependente apresentem um temor maior de serem abandonados ou não amados do que aqueles com cuja personalidade é evitativa, mas o quadro clínico pode ser indistinguível. ♡ Esquizóide: Se diferem porque evitativos querem interagir, enquanto esquizóides preferem ficar só. ♡ Borderline e Histriônica: Diferentes, pois os evitativos não são tão exigentes, irritáveis e imprevisíveis. ♡ Dependente: Estes possuem temor maior do abandono e de não ser amado do que os evitativos. Tratamento: ♡ Psicoterapia, antagonista β-adrenérgico, agentes serotoninérgicos e dopaminérgicos. 31 🔑 Principais atributos 🧠 Padrão de pensamento/comportamento 😶 Afeto e relacionamento interpessoal 🔑 Padrão geral 🧠 Sintomas psicóticos 😔 Vida emocional ❤️ Relações interpessoais ⚙️ Mecanismos de defesa 🧪 Avaliação cognitiva 🔎 Conceitos clínicos associados