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Transtornos 
Psiquiátricos 
na Infância e 
Adolescência
Sumário
 ‘
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
Transtornos da Ansiedade 
 Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) 
 Desenvolvimento 
 Características 
 Critérios Diagnósticos 
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades 
 Transtorno de Ansiedade de Separação 
 Desenvolvimento 
 Características 
 Critérios Diagnósticos 
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades 
Fobias 
 Fobia Específica 
 Desenvolvimento 
 Características 
 Critérios diagnósticos 
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades 
 Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social 
 Desenvolvimento
 Características 
 Critérios diagnósticos 
5
-
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Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
 Diagnóstico diferencial e comorbidades 
Transtornos Disruptivos
 Desenvolvimento 
 Características 
 Critérios Diagnósticos 
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades 
Transtornos de Conduta
 Transtorno de Oposição Desafiante (TOD) 
 Desenvolvimento 
 Características 
 Critérios diagnósticos 
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades 
 Transtorno de Conduta 
 Desenvolvimento 
 Características 
 Critérios diagnósticos 
 Diagnóstico Diferencial e Comorbidades 
Referências 
5
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-
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se form necessarias;
Se for preciso acesar um 
ou mais sites para fazer 
dowload, assistir videos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento 
de uma competência for 
concluído e questões forem 
explicadas. 
 
@faculdadelibano_
1
Transtornos da 
Ansiedade 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Capítulo 1
Transtornos da Ansiedade
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender e identificar 
os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos da 
ansiedade. Essa competência é fundamental para a realização de 
diagnósticos diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?.
Os transtornos de ansiedade são reconhecidos como um dos mais prevalentes na 
população. A prevalência no Brasil é de 4,6% em crianças e 5,8% em adolescentes. 
Suas manifestações clínicas podem causar inúmeros prejuízos sociais, escolares e 
profissionais no indivíduo. Neste capítulo, iremos aprofundar o conhecimento sobre o 
transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno de ansiedade de separação, que 
são comuns e recorrentes em crianças e adolescentes.
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
Desenvolvimento
Inúmeras pessoas relatam o sentimento de ansiedade e nervosismo durante sua vida 
toda, entretanto, o início dos sintomas é usualmente confirmado na idade adulta. A 
principal característica do TAG é a preocupação excessiva acompanhada de sintomas 
físicos. O conteúdo da preocupação do indivíduo difere de acordo com a faixa etária. 
Crianças e adolescentes tendem a se preocupar mais com a escola e o desempenho 
esportivo, enquanto adultos mais velhos relatam maior preocupação com o bem-estar 
da família ou da sua própria saúde física.
Em crianças e adolescentes com TAG, as ansiedades e as preocupações, frequentemente, 
envolvem a qualidade de seu desempenho, de sua competência na escola ou em 
eventos esportivos, mesmo quando seu desempenho não está sendo avaliado por outros. 
Algumas crianças apresentam preocupação excessiva com a pontualidade e também 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
com eventos catastróficos, como terremotos ou guerra nuclear. As crianças com 
TAG podem ser excessivamente conformistas, perfeccionistas e inseguras. Tendem a 
refazer tarefas em razão de excessiva insatisfação com um desempenho menos que 
perfeito. Elas demonstram excessiva busca de aprovação.
A incidência de TAG em crianças de até 12 anos é significativamente menor do que em 
crianças a partir dessa idade. Além disso, o número de sintomas apresentados aumenta 
com a idade. Quanto mais cedo na vida os indivíduos têm sintomas que satisfazem os 
critérios para transtorno de ansiedade generalizada, mais tendem a ter comorbidade e 
mais provavelmente serão prejudicados.
Características
Os principais sintomas da ansiedade generalizada são preocupação excessiva e de 
difícil controle acompanhada de sintomas físicos. As características de TAG em 
crianças e adolescentes se diferem do diagnóstico em adultos. Os adultos com TAG, 
frequentemente, preocupam-se com circunstâncias diárias da rotina de vida, como 
possíveis responsabilidades no trabalho, saúde e finanças, saúde dos membros da 
família. As crianças com o transtorno tendem a se preocupar excessivamente com sua 
competência ou com a qualidade de seu desempenho. Durante o curso do transtorno, 
o foco da preocupação pode mudar de uma preocupação para outra.
Você Sabia?
A ansiedade é uma das patologias psiquiátricas mais comuns nas 
crianças, atrás apenas dos Transtornos de Déficit de Atenção e 
Hiperatividade (TDAH).
Importante
Cerca de 10% das crianças sofrem de algum transtorno ansioso, e cinco 
em cada dez passarão por algum episódio depressivo por causa da 
ansiedade.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
De acordo com Vianna et al. (2009), crianças e adolescentes com TAG são como 
“miniadultos” em função da preocupação em excesso com compromissos, da 
rígida aderência às regras, ou por suas perguntas referentes aos perigos inerentes às 
situações. As autoras afirmam, ainda, que o diagnóstico é realizado tardiamente, pois as 
preocupações apresentadas pelas crianças são vistas como senso de responsabilidade.
As crianças com TAG apresentam sintomas como perfeccionismo, catastrofizam 
pequenas situações, possuem autocrítica exagerada e tornam um pequeno erro um 
grande fracasso. Podem apresentar rigidez com regras, evitação de situações nas quais 
poderão ser julgadas e superestimam o perigo.
Geralmente, a intensidade, a duração ou a frequência da ansiedade e da preocupação 
são desproporcionais à probabilidade real ou ao impacto do evento antecipado. A 
distinção entre as características patológicas e da ansiedade não patológica é de 
extrema importância para evitar o diagnóstico errôneo. No TAG, as preocupações 
interferem de forma significativa no funcionamento psicossocial do indivíduo, enquanto 
que na ansiedade não patológica as preocupações não são excessivas e são fáceis de 
manejar. No TAG, as preocupações são mais disseminadas, intensas e angustiantes e 
ocorrem sem precipitantes. Os sintomas de preocupação no TAG são acompanhados 
de sintomas físicos, como inquietação, fatigabilidade, dificuldade de concentração, 
sensação de “brancos” na mente, irritabilidade, tensão muscular e insônia. É importante 
ressaltar que, para o diagnóstico em crianças e adolescentes, é exigida apenas a 
presença de um sintoma físico.
Importante
Usar técnicas de relaxamento e respiração com as crianças, expor 
devagar os filhos a circunstâncias diferentes e, principalmente, não se 
zangar, mas trabalhar em conjunto com as crianças para superar as 
dificuldades, são dicas importantes para os pais.3. Usou alguma arma que pode causar danos físicos graves a outros.
4. Foi fisicamente cruel com pessoas.
5. Foi fisicamente cruel com animais.
6. Roubou durante o confronto com uma vítima.
7. Forçou alguém à atividade sexual.
Destruição de propriedade
8. Envolveu-se deliberadamente na provocação de incêndios com a intenção de causar 
danos graves.
9. Destruiu deliberadamente propriedade de outras pessoas (excluindo provocação de 
incêndios).
Falsidade ou furto
10. Invadiu a casa, o edifício ou o carro de outra pessoa.
11. Frequentemente mente para obter bens materiais ou favores oupara evitar obrigações.
12. Furtou itens de valores consideráveis sem confrontar a vítima.
Violações graves de regras
13. Frequentemente fica fora de casa à noite, apesar da proibição dos pais, com início 
antes dos 13 anos de idade.
14. Fugiu de casa, passando a noite fora, pelo menos duas vezes enquanto morando 
com os pais ou em lar substituto, ou uma vez sem retomar por um longo período.
15. Com frequência falta às aulas, com início antes dos 13 anos de idade.
• A perturbação comportamental causa prejuízos clinicamente significativos no 
funcionamento social, acadêmico ou profissional.
• Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, os critérios para transtorno da personalidade 
antissocial não são preenchidos.
O diagnóstico deve determinar o subtipo do Transtorno conforme especificado a seguir:
• Tipo com início na infância: os indivíduos apresentam pelo menos um sintoma 
característico de transtorno da conduta antes dos 10 anos de idade.
• Tipo com início na adolescência: os indivíduos não apresentam nenhum sintoma 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
O diagnóstico deve especificar as características do transtorno conforme especificado 
a seguir:
• Com emoções pró-sociais limitadas: para qualificar-se para esse especificador, o 
indivíduo deve ter apresentado pelo menos duas das seguintes características de 
forma persistente durante, no mínimo, 12 meses e em múltiplos relacionamentos 
e ambientes. Essas características refletem o padrão típico de funcionamento 
interpessoal e emocional do indivíduo ao longo desse período, e não apenas 
ocorrências ocasionais em algumas situações. Consequentemente, para avaliar os 
critérios para o especificador, são necessárias várias fontes de informação. Além do 
autorrelato, é necessário considerar relatos de outras pessoas que conviveram com 
o indivíduo por longos períodos de tempo.
• Ausência de remorso ou culpa: o indivíduo não se sente mal ou culpado quando faz 
alguma coisa errada. O indivíduo demonstra falta geral de preocupação quanto às 
consequências negativas de suas ações. Por exemplo, não sente remorso depois de 
machucar alguém ou não se preocupa com as consequências de violar regras.
• Insensível – falta de empatia: ignora e não está preocupado com os sentimentos 
de outras pessoas. O indivíduo é descrito como frio e desinteressado; parece estar 
mais preocupado com os efeitos de suas ações sobre si mesmo do que sobre outras 
pessoas, mesmo que essas ações causem danos substanciais.
• Despreocupado com o desempenho: não demonstra preocupação com o 
Você Sabia?
Os fatores que potencializam os transtornos do comportamento disruptivo 
incluem: influência de herança familiar; desvios somatizados por questões 
emocionais; questões relacionadas à desestruturação familiar; fatores 
genéticos, sensoriais, motores e fisiológicos; consequência de exposição 
fetal ao álcool, cigarro e cocaína; desajustes resultantes do isolamento 
social típico do estilo de vida moderno.
característico de transtorno da conduta antes dos 10 anos de idade.
• Início não especificado: os critérios para o diagnóstico de transtorno da conduta são 
preenchidos; porém, não há informações suficientes disponíveis para determinar se 
o início do primeiro sintoma ocorreu antes ou depois dos 10 anos.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
desempenho fraco e problemático na escola, no trabalho ou em outras atividades 
importantes. Não se esforça o necessário para um bom desempenho, mesmo quando 
as expectativas são claras, e geralmente culpa os outros por seu mau desempenho.
• Afeto superficial ou deficiente: não expressa sentimentos nem demonstra emoções 
para os outros, a não ser de uma maneira que parece superficial, insincera ou rasa, 
ou quando as expressões emocionais são usadas para obter algum ganho.
O diagnóstico deve especificar a gravidade atual dos sintomas conforme especificado 
a seguir:
• Leve: poucos, se algum, problemas de conduta estão presentes, além daqueles 
necessários para fazer o diagnóstico, e estes causam danos relativamente pequenos 
a outros.
• Moderada: o número de problemas de conduta e o efeito sobre os outros estão entre 
aqueles especificados como “leves” e “graves”.
• Grave: muitos problemas de conduta, além daqueles necessários para fazer 
o diagnóstico, estão presentes, ou os problemas de conduta causam danos 
consideráveis a outros.
Identificando os Subtipos
Os três subtipos de transtorno da conduta que se baseiam na idade de início do 
transtorno são caracterizados conforme descrito a seguir.
O início poderá ser estimado com mais precisão a partir de informações fornecidas 
tanto pelo jovem quanto pelo cuidador; frequentemente, essa estimativa tem uma 
discrepância de dois anos para mais em relação ao início real. Os dois subtipos podem 
ocorrer nas formas leve, moderada ou grave. O subtipo de início não especificado é 
atribuído nas situações em que não há informações suficientes para determinar a idade 
de início.
No transtorno da conduta com início na infância, usualmente os indivíduos são do 
sexo masculino, costumam apresentar agressão física contra outras pessoas, têm 
relacionamentos conturbados com pares, podem ter tido transtorno de oposição 
desafiante precocemente na infância e, normalmente, têm sintomas que preenchem 
critérios para transtorno da conduta antes da puberdade. 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
Os indivíduos com transtorno da conduta de início na adolescência são menos 
propensos a apresentar comportamentos agressivos e tendem a ter relações mais 
habituais com seus pares. Esses indivíduos são menos propensos a ter o transtorno da 
conduta persistindo na vida adulta. A proporção masculino/feminino com o transtorno 
é mais equilibrada para o tipo com início na adolescência do que para o tipo com início 
na infância.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno de conduta são: 
transtorno de oposição desafiante, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, 
transtornos depressivo e bipolar, e transtorno explosivo intermitente.
Em geral, os comportamentos do transtorno de oposição desafiante são de natureza 
menos grave do que aqueles de indivíduos com transtorno da conduta e não incluem 
agressão a pessoas ou animais, destruição de propriedade ou um padrão de furto ou 
falsidade. 
Embora o transtorno da conduta e o transtorno de oposição desafiante estejam 
relacionados a sintomas que colocam o indivíduo em conflito com adultos e outras figuras 
de autoridade, o transtorno de oposição desafiante inclui problemas de desregulação 
emocional (muita raiva ou irritação) que não estão incluídos na definição de transtorno 
da conduta.
Importante
Os sintomas do transtorno de conduta precisam estar presentes pelo 
menos por 12 meses consecutivos para o diagnóstico.
Muitas crianças com esse subtipo têm também Transtorno de Déficit de Atenção e 
Hiperatividade (TDAH) ou outras dificuldades do neurodesenvolvimento concomitantes. 
Indivíduos com o tipo de início na infância são mais propensos a ter o transtorno da 
conduta persistente na vida adulta do que aqueles com o tipo com início na adolescência.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo4
As crianças com TDAH podem apresentar comportamento hiperativo e impulsivo de 
caráter disruptivo, mas esse comportamento por si só não viola normas sociais ou os 
direitos de outras pessoas e, portanto, não preenche critérios para transtorno da conduta. 
Ambos os diagnósticos poderão ser feitos nas situações em que forem preenchidos os 
critérios tanto para TDAH quanto para transtorno de conduta.
Problemas de irritabilidade, agressividade e conduta podem ocorrer em crianças ou 
adolescentes com transtorno depressivo maior, bipolar ou disruptivo da desregulação 
do humor. Mas os problemas comportamentais associados a esses transtornos podem 
ser distinguidos com base em seu curso e no padrão dos problemas de conduta. 
As crianças e os adolescentes com diagnóstico de transtorno de conduta irão apresentar 
níveis substanciais de problemas de conduta agressivos ou não agressivos durante 
períodos em que não houver nenhuma perturbação do humor. É possível a comorbidade 
entre os diagnósticos nos casos em que forem preenchidos critérios para transtorno da 
conduta e para transtorno do humor.
Tanto o transtorno da conduta quanto o transtorno explosivo intermitente envolvem 
altas taxas de agressividade. Porém, a agressividade em indivíduos com o transtorno 
explosivo intermitente limita-se à agressão impulsiva que não é premeditada e não 
busca atingir algum objetivo tangível. Além disso, o diagnóstico do transtorno explosivo 
intermitente não inclui os sintomas não agressivos do transtorno da conduta. Ambos os 
diagnósticos podem ser realizados caso o quadro cumpra critério para os dois.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
Resumindo
E então? Vamos revisar e ter certeza de que você realmente entendeu 
o tema de estudo deste capítulo? Você deve ter aprendido que os 
transtornos de ansiedade são complexos e envolvem inúmeras 
características e sintomas diferenciais entre o desenvolvimento típico 
e atípico. Você deve ter aprendido que as fobias são caracterizadas 
por medos excessivos que causam prejuízos no funcionamento social 
da criança. O transtorno depressivo é caracterizado pela presença 
de sintomas de humor deprimido, como tristeza, irritação, perda de 
interesse em atividades, insônia ou hipersonia, fadiga, sentimento de 
inutilidade, dificuldade de concentração e sentimentos de ideação 
suicida. Os sintomas devem estar presentes ao menos por duas 
semanas consecutivas e causarem prejuízo no funcionamento social 
e adaptativo do indivíduo. Você deve ter aprendido que os transtornos 
disruptivos envolvem a presença de comportamento inadequados 
para a idade. No transtorno de oposição desafiante (TOD), a criança 
apresenta comportamentos desafiantes, questionadores e vingativos 
que interferem diretamente no funcionamento social e adaptativo. 
As crianças discutem excessivamente com adultos, não aceitam 
responsabilidade por sua má conduta, incomodam deliberadamente os 
demais, possuem dificuldade em aceitar regras e perdem facilmente o 
controle se as coisas não seguem a forma que eles desejam. Os principais 
diagnósticos diferenciais a serem realizados no TOD são: transtorno da 
conduta, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtornos 
depressivo e bipolar, transtorno explosivo intermitente, transtorno 
da linguagem e transtorno de ansiedade social. Já no transtorno de 
conduta, a criança apresenta um padrão comportamental repetitivo 
e persistente no qual são violados direitos básicos de outras pessoas 
ou normas ou regras sociais relevantes e apropriadas para a idade. Os 
principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno de 
conduta são: transtorno de oposição desafiante, transtorno de déficit de 
atenção e hiperatividade, transtornos depressivo e bipolar e transtorno 
explosivo intermitente.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Referências
VIANNA, R. R. A. B. et al. Transtornos de ansiedade na infância e adolescência: uma revisão. 
Rev. Bras. Ter. Cogn., Rio de Janeiro, v. 5, nº 1, p. 46-61, jun., 2009.Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
Critérios Diagnósticos
O transtorno da ansiedade generalizada é diagnosticado a partir dos sintomas presentes 
a seguir por no mínimo seis meses:
• Ansiedade e preocupação excessivas, ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos 
seis meses, com diversos eventos ou atividades.
• O indivíduo considera difícil controlar a preocupação.
• A ansiedade e a preocupação estão associadas com três (ou mais) dos seguintes 
seis sintomas:
• Inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele.
• Fatigabilidade.
• Dificuldade em concentrar-se ou sensações de “branco” na mente. 
• Irritabilidade.
• Tensão muscular.
• Perturbação do sono (dificuldade em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório 
e inquieto).
• A ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos causam sofrimento clinicamente 
significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas 
importantes da vida do indivíduo.
Os sintomas elencados não podem ocorrer devido aos efeitos fisiológicos de uma 
substância ou outra condição médica, e a condição não é mais bem explicada por 
outro transtorno mental.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno de ansiedade 
generalizada são: transtorno de ansiedade devido a outras condições médicas, transtorno 
Nota
Apenas um item é exigido para crianças.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
de ansiedade induzido por substância/medicamento, transtorno de ansiedade social, 
transtorno obsessivo-compulsivo, e transtorno de estresse pós-traumático.
No transtorno de ansiedade devido a outra condição médica, os achados por meio da 
história clínica do paciente, os exames laboratoriais e físicos são levados em consideração 
e o diagnóstico é realizado com base na presença de uma outra condição médica, 
como o hipertireoidismo.
No transtorno de ansiedade induzido por substância/medicamento, a ansiedade e as 
preocupações são geradas a partir do uso de uma substância ou de um medicamento.
Já no transtorno de ansiedade social, os indivíduos apresentam frequentemente uma 
ansiedade antecipatória focada nas próximas situações sociais em que devem se 
apresentar ou antes de serem avaliados por outros. Na condição do TAG, os indivíduos 
se preocupam independentemente de estarem ou não sendo avaliados.
No transtorno obsessivo-compulsivo, as obsessões são ideias inadequadas que 
assumem a forma de pensamentos, os impulsos ou as imagens intrusivos e indesejados. 
E no TAG o foco da preocupação são os problemas que estão por vir, e a anormalidade 
é o excesso de preocupação acerca dos eventos futuros.
No transtorno de estresse pós-traumático, a ansiedade está invariavelmente presente. 
Mas o TAG não é diagnosticado se a ansiedade e a preocupação são mais bem 
explicadas por sintomas de transtorno do estresse pós-traumático. De acordo com 
Vianna et al. (2009), o TAG na infância ou na adolescência pode ser um precursor de 
outros transtornos psiquiátricos na vida adulta, como fobia social, transtorno de pânico 
e transtorno depressivo maior, e a falta de tratamento adequado pode levar a sérios 
prejuízos no funcionamento do indivíduo.
Importante
A formação atual das famílias faz com que os filhos, sem irmãos, não 
tenham que esperar a sua vez para nada e isso aumenta a presença de 
sintomas ansiosos na criança.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
Transtorno de Ansiedade de Separação
Desenvolvimento
Períodos de ansiedade excessiva pela separação de figuras de apego fazem parte da 
fase inicial do desenvolvimento normal e podem indicar o estabelecimento de relações 
de apego seguras. Por exemplo, em torno de 1 ano de idade, os bebês podem sofrer de 
ansiedade reativa a pessoas estranhas e se apegam especialmente à figura materna/
paterna ou do cuidador.
O comportamento de ansiedade de separação pode ser observado também em crianças 
pré-escolares que estão em período de adaptação escolar. O início do transtorno de 
ansiedade de separação pode ocorrer em idade pré-escolar ou em qualquer momento 
durante a infância e mais raramente na adolescência.
 
As manifestações do transtorno de ansiedade de separação variam com a idade. 
As crianças menores podem não expressar preocupações ou medos específicos de 
ameaças definidas aos pais, à casa ou a si mesmas, e a ansiedade é manifestada 
somente quando a separação é vivenciada. À medida que as crianças crescem, 
emergem as preocupações; com frequência, são preocupações acerca de perigos 
específicos como acidentes, sequestros ou assaltos, bem como preocupações vagas 
acerca de não se reencontrarem com as figuras paternas/maternas ou de cuidado.
Em adultos, o transtorno de ansiedade de separação pode limitar a capacidade de 
enfrentar mudanças necessárias, como mudança de casa, de cidade ou casar-se. Os 
adultos com transtorno de ansiedade de separação são, em geral, excessivamente 
preocupados em relação aos seus filhos, cônjuges ou pais.
Importante
Ensinar paciência exige envolver a criança nas situações: explicar 
a necessidade da espera e ensinar brincadeiras que não incluam 
tecnologia para que se distraiam. É preciso falar sobre o que está 
acontecendo quando estão no supermercado, por exemplo, em vez de 
excluí-las dessas atividades.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
Características
O transtorno de ansiedade de separação caracteriza-se pela experimentação de 
ansiedade excessiva em função do afastamento de casa ou de figuras de vinculação.
A ansiedade excede o esperado com relação ao estágio de desenvolvimento do 
indivíduo, ou seja, não se enquadra nas características esperadas em algumas fases 
do desenvolvimento. As crianças vivenciam sofrimento excessivo e recorrente ante a 
ocorrência ou a previsão de afastamento de casa ou de figuras importantes de apego; 
preocupam-se com o bem-estar ou com a morte de figuras de apego, quando separados 
precisam saber o paradeiro das suas figuras de apego; também se preocupam com 
eventos indesejados consigo mesmos, como perder-se.
 
As crianças ou os adolescentes com transtorno de ansiedade de separação são 
relutantes ou se recusam a sair sozinhas ou acompanhadas de pessoas com pouco 
vínculo devido ao medo de separação. Elas têm medo ou relutância persistente e 
excessiva em ficar sozinhas ou sem as figuras importantes de apego em casa ou em 
outros ambientes. 
Frequentemente, essas crianças ou adolescentes sentem a necessidade de saber onde 
eles estão ou de permanecer em contato, sendo muito comum o uso do telefone para 
esse fim.
As crianças com transtorno de ansiedade de separação podem não conseguir 
permanecer ou ir até um quarto sozinhas, e podem exibir comportamento de agarrar-
se. As crianças apresentam relutância ou recusa persistente em dormir à noite sem 
estarem perto de uma figura importante de apego ou em dormir fora de casa. Durante 
a noite, as crianças podem ir para a cama dos pais ou irmãos, e são relutantes ou se 
Importante
Apostar em brincadeiras de “esconde-esconde”, por exemplo, aquelas 
em que alguém cobre o rosto e reaparece, ajuda o bebê a lidar, por 
meio de um jogo, com suas ansiedades de separação.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
recusam a participar de acampamentos ou dormir na casa de amigos.
Alguns sintomas físicos, como cefaleias, dores abdominais, náuseas e vômitos são 
comuns em crianças quando ocorre ou é prevista a separação das figuras importantes de 
apego. Já em adultos e em adolescentes, estão presentes os sintomas cardiovasculares, 
como palpitações, tonturas e sensação de desmaio. Quando adultos podem se sentir 
desconfortáveis ao viajarem sozinhos, podem desenvolver pesadelos repetidos nos 
quais o conteúdo expressa a ansiedadede separação do indivíduo.
Os sintomas podem durar por um período de pelo menos quatro semanas em crianças 
e adolescentes com menos de 18 anos e, geralmente, duram seis meses ou mais em 
adultos. A presença dos sintomas causa sofrimento clinicamente significativo ou 
prejuízo nas áreas de funcionamento social, acadêmico, profissional ou em outras áreas 
importantes da vida do indivíduo.
 
Critérios Diagnósticos
O transtorno da ansiedade de separação é diagnosticado a partir dos sintomas 
presentes a seguir:
• Medo ou ansiedade impróprios e excessivos em relação ao estágio de desenvolvimento, 
envolvendo a separação daqueles com quem o indivíduo tem apego, evidenciados 
por três ou mais dos seguintes aspectos:
• Sofrimento excessivo e recorrente ante a ocorrência ou a previsão de afastamento 
de casa ou de figuras importantes de apego.
• Preocupação persistente e excessiva acerca da possível perda ou de perigos 
envolvendo figuras importantes de apego, tais como doença, ferimentos, desastres 
ou morte.
• Preocupação persistente e excessiva de que um evento indesejado leve à separação 
de uma figura importante de apego (por exemplo, perder-se).
• Relutância persistente ou recusa a sair, afastar-se de casa, ir para a escola, o trabalho 
ou a qualquer outro lugar, em virtude do medo da separação.
• Temor persistente e excessivo ou relutância em ficar sozinho ou sem as figuras 
importantes de apego em casa ou em outros contextos.
• Relutância ou recusa persistente em dormir longe de casa ou dormir sem estar 
próximo a uma figura importante de apego.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
• Pesadelos repetidos envolvendo o tema da separação.
• Repetidas queixas de sintomas somáticos quando a separação de figuras importantes 
de apego ocorre ou é prevista.
• O medo, a ansiedade ou a esquiva são persistentes, durando pelo menos quatro 
semanas em crianças e em adolescentes e, geralmente, seis meses ou mais em 
adultos.
• A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no 
funcionamento social, acadêmico, profissional ou em outras áreas importantes da 
vida do indivíduo.
Importante
Segurança é essencial para a diminuição do sentimento de ansiedade 
e se desenvolve pautada na confiança no outro e no mundo, não na 
superproteção que evita os sofrimentos normais da vida.
Nota
É esperado que, ao longo do tempo, com o crescimento e o 
amadurecimento, a ansiedade de separação diminua, pois, a criança já 
é capaz de entender o que ela significa. Se os sintomas não diminuírem, 
é importante buscar o auxílio de um profissional.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno de ansiedade de 
separação são: transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico, agorafobia, 
transtorno da conduta, transtorno de ansiedade social, transtorno de estresse pós-
traumático, luto, transtornos depressivo e bipolar, transtorno de oposição desafiante, 
transtornos da personalidade.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
No transtorno de ansiedade generalizada, o quadro ansioso envolve diversas 
preocupações. Já o quadro de ansiedade de separação envolve, predominantemente, 
a separação das figuras de apego. As ameaças de separação podem levar à extrema 
ansiedade e mesmo a um ataque de pânico. No entanto, a ansiedade envolvendo 
a possibilidade de se afastar das figuras de apego e a preocupação com eventos 
indesejados ocorrendo com elas, usualmente não levam a um ataque de pânico 
inesperado.
Crianças e adolescentes com transtorno de ansiedade de separação não são ansiosos 
quanto a ficarem presos ou incapacitados em situações em que a fuga é percebida 
como difícil, como acontece em crianças e em adolescentes com agorafobia.
No transtorno da conduta, é comum a esquiva da escola (evasão). No entanto, a criança 
ou o adolescente habitualmente ficam longe de casa em vez de voltar para ela, como 
aconteceria na ansiedade pela separação.
Você Sabia?
Uma situação de estresse, como a morte de um parente, amigo ou 
animal de estimação, uma mudança geográfica ou de escola pode 
desencadear o transtorno de ansiedade de separação.
Importante
A terapia comportamental é utilizada para tratar o transtorno de 
ansiedade de separação. Ela envolve ensinar os pais e cuidadores a 
manterem as cenas de despedida tão curtas quanto possível e treiná-
los no sentido de reagir à lamentação de maneira sensata.
No transtorno de ansiedade social, a recusa de ir à escola pode ser devido ao medo 
de ser julgado negativamente pelos outros, e não relativa à separação das figuras de 
apego. Após eventos traumáticos como desastres, sequestros ou assaltos, é comum o 
medo de separação das pessoas amadas. No transtorno de estresse pós-traumático 
(TEPT), os sintomas centrais são relativos a intrusões e esquiva de lembranças 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos da Ansiedade Capítulo 1
associadas ao evento traumático, enquanto no transtorno de ansiedade de separação 
as preocupações e a esquiva estão relacionadas ao bem-estar das figuras de apego e 
à separação delas.
Sintomas como anseio intenso ou saudades da pessoa falecida, tristeza intensa, dor 
emocional e preocupação com a pessoa falecida ou com as circunstâncias da morte 
são respostas esperadas no quadro de luto. No transtorno de ansiedade de separação, 
o medo de separação envolve figuras de apego.
Em transtornos depressivos e bipolar ocorre a relutância em sair de casa, mas a 
perturbação principal não é a preocupação ou o medo de eventos indesejados afetarem 
as figuras de apego, mas a baixa motivação para se envolver com o mundo externo. 
O oposto pode ocorrer, como indivíduos com transtorno de ansiedade de separação 
ficarem deprimidos quando são separados ou quando é prevista uma separação.
O transtorno de oposição desafiante deve ser considerado apenas quando existir 
comportamento de oposição persistente e não esteja relacionado à previsão ou à 
ocorrência de separação de figuras de apego.
Alguns transtornos da personalidade podem apresentar sintomas parecidos ao 
de ansiedade de separação. No transtorno da personalidade dependente, há uma 
tendência indiscriminada a depender de outra pessoa, enquanto o transtorno de 
ansiedade de separação envolve preocupação quanto à proximidade e à segurança 
das principais figuras de apego. Já no transtorno da personalidade borderline, o medo 
envolve o abandono pelas pessoas amadas, mas sintomas de problemas na identidade, 
no autodirecionamento, no funcionamento interpessoal e na impulsividade são 
adicionalmente centrais a esse transtorno, enquanto não são centrais para o transtorno 
de ansiedade de separação.
Importante
Capacitar as crianças a retornar à escola é um objetivo imediato. Isso 
exige que os médicos, os pais e os funcionários da escola trabalhem 
como uma equipe. Ajudar as crianças a formarem um laço com um dos 
adultos da pré-escola ou da escola pode ajudar.
@faculdadelibano_
2
Fobias
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Capítulo 2
Fobias
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender e identificar 
os aspectos diagnósticos e as características das principais fobias. 
Essa competência é fundamental para a realização de diagnósticos 
diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?!
As crianças que sofrem de uma ou várias fobias apresentam sintomas de ansiedade 
constantes. As fobias mais comuns compreendem medo de altura, da interação pública, 
do sangue, dos insetos, ou dos animais.
Fobia Específica
Desenvolvimento
A fobia específica se desenvolve após um evento traumático (por exemplo, um ataque 
de um animal, ou ficar preso no elevador); ou pela observação de outras pessoas que 
passam por um evento traumático (por exemplo, ver alguém se afogar). 
Também se desenvolve após um ataque de pânico inesperado nasituação a ser 
temida (por exemplo, um ataque de pânico inesperado no metrô); ou por transmissão 
de informações (por exemplo, ampla cobertura da mídia de um acidente aéreo).
Embora a fobia específica seja situacional, muitas pessoas com fobia específica 
não conseguem se lembrar da razão para o início de suas fobias. A fobia específica 
geralmente se desenvolve na infância, entre 7 e 11 anos de idade.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
Quando a fobia específica está sendo diagnosticada em crianças, algumas questões 
devem ser consideradas. As crianças pequenas podem expressar medo e ansiedade 
chorando, tendo ataques de raiva, imobilidade ou comportamento de agarrar-se. 
Além disso, geralmente não são capazes de compreender o conceito de esquiva ou 
de fuga. Os medos excessivos são bastante comuns em crianças pequenas, mas 
são considerados apropriados ao estágio de desenvolvimento e são transitórios. Nesses 
casos, um diagnóstico de fobia específica não deve ser feito.
Para o diagnóstico de fobia específica em uma criança, é importante avaliar o grau de 
prejuízo e a duração do medo, da ansiedade ou da esquiva, e se ele é esperado para o 
estágio do desenvolvimento da criança. Embora as fobias específicas se desenvolvam 
na infância e na adolescência, é possível que elas se estabeleçam em qualquer idade, 
usualmente como consequência de experiências traumáticas. Por exemplo, fobia à 
asfixia quase sempre aparece após um evento de quase asfixia em qualquer idade.
A prevalência de fobia específica diminui no decorrer da vida, mas permanece como 
um dos transtornos mais comumente experimentados na velhice. Isso porque os idosos 
podem ter mais probabilidade de aceitar fobias específicas do ambiente natural, 
assim como fobias de queda. A fobia específica pode ocorrer em comorbidade com 
condições médicas em idosos, além dos idosos apresentarem maior probabilidade de 
atribuir os sintomas de ansiedade às condições médicas. Além disso, a presença de 
fobia específica em pessoas mais velhas está associada à redução na qualidade de 
vida e pode servir como fator de risco para transtornos demenciais.
Nota
As crianças são influenciadas pela cultura em torno delas; se uma 
pessoa é forçada ou ansiosa, a criança tende a desenvolver os mesmos 
sentimentos. Por exemplo, se o pai da criança tem medo das baratas, a 
seguir há uma possibilidade alta de que a criança desenvolva o mesmo.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
Características
A característica essencial da fobia específica é que o medo ou a ansiedade está 
relacionado à presença de uma situação ou de um objeto particular, que pode ser 
denominado estímulo fóbico. Os estímulos fóbicos podem ser categorizados como 
especificadores.
A fobia específica deve apresentar o medo ou a ansiedade intensa ou acentuada em 
um ou mais objetos ou situações fóbicas, por exemplo, animais, altura, doenças. Os 
sintomas são evocados quase todas as vezes que o indivíduo entra em contato com 
o estímulo fóbico. O grau do medo experimentado pode variar com a proximidade do 
objeto ou a situação temida e pode ocorrer com a antecipação da presença ou na 
presença real do objeto ou situação. A fobia pode assumir a forma de um ataque de 
pânico com sintomas completos ou limitados.
Os comportamentos de esquiva podem ser óbvios, como o medo de sangue e a recusa 
a ir ao médico, mas às vezes são menos óbvios, como medo de cobras e evitar olhar 
para figuras que possuem contorno semelhante à forma de cobra. Muitas pessoas 
com fobias específicas sofrem e evitam durante muitos anos o objeto ou a situação 
fóbica. Dessa forma, elas criam uma estratégia de não mais experimentar o medo ou a 
ansiedade em sua vida diária. Nessas circunstâncias, os comportamentos de esquiva ou 
a recusa persistente de se engajar em atividades que envolveriam exposição ao objeto 
ou à situação fóbica podem ser úteis para a confirmação do diagnóstico na ausência 
de ansiedade ou de pânico explícito.
Os indivíduos com fobia específica reconhecem que suas reações ao estímulo fóbico 
são desproporcionais e, mesmo assim, tendem a superestimar o perigo nas situações 
Você Sabia?
Crianças de 4 a 6 anos costumam apresentar medo da escuridão, 
enquanto que crianças de 7 a 8 anos possuem medo de rejeição social, 
principalmente na escola. Esses medos são esperados no decorrer do 
desenvolvimento.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
temidas. O medo e a ansiedade são desproporcionais em relação ao perigo real 
apresentado pelo objeto ou pela situação ou mais intensos do que é considerado 
necessário.
O contexto sociocultural do indivíduo também deve ser levado em conta. Por exemplo, 
em um contexto com violência constante, o medo do escuro pode ser razoável. O medo, 
a ansiedade ou a esquiva é persistente, geralmente durando mais de seis meses, além 
de causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, 
profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de fobia específica é realizado a partir da presença dos sintomas a seguir:
• Medo ou ansiedade acentuados acerca de um objeto ou de uma situação (por 
exemplo, voar, alturas, animais, tomar uma injeção, ver sangue).
• O objeto ou situação fóbica quase invariavelmente provoca uma resposta imediata 
de medo ou de ansiedade.
• O objeto ou situação fóbica é ativamente evitado ou suportado com intensa 
ansiedade ou sofrimento.
• O medo ou ansiedade é desproporcional em relação ao perigo real imposto pelo 
Nota
O tratamento farmacológico das fobias específicas raramente é utilizado 
na prática clínica e são poucos os estudos sobre o uso de medicações 
nesses transtornos. 
Nota
Em crianças, o medo ou a ansiedade pode ser expresso por choro, 
ataques de raiva, imobilidade ou comportamento de agarrar-se.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
objeto ou pela situação específica e ao contexto sociocultural.
• O medo, a ansiedade ou a esquiva é persistente, geralmente com duração mínima 
de seis meses.
• O medo, a ansiedade ou a esquiva causa sofrimento clinicamente significativo ou 
prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da 
vida do indivíduo.
• É necessário identificar o estímulo fóbico no diagnóstico, por exemplo:
• Animal (aranhas, insetos, cães).
• Ambiente natural (alturas, tempestades, água).
• Sangue-injeção-ferimentos (agulhas, procedimentos médicos invasivos).
• Situacional (aviões, elevadores, locais fechados).
• Outro (situações que podem levar a asfixia ou vômitos; em crianças, por exemplo, 
sons altos ou personagens vestidos com trajes de fantasia).
O diagnóstico pode ser realizado a partir de vários estímulos fóbicos concomitantes.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno de ansiedade 
de separação são: agorafobia, transtorno de ansiedade social, transtorno de pânico, 
TOC, transtornos relacionados a traumas e estressores, transtornos alimentares.
A fobia específica situacional pode se parecer com a agorafobia na sua apresentação 
clínica, mas, se um indivíduo teme apenas uma das situações da agorafobia, então 
se deve diagnosticar fobia específica. Caso o indivíduo tema duas ou mais situações 
agorafóbicas, então um diagnóstico de agorafobia é justificado. Por exemplo, se um 
indivíduo tem medo de aviões e de elevadores (característica também agorafóbica – 
transportes públicos), mas não tem medo de outras situações, como medo de multidão, 
Nota
O maior fator de risco de uma criança ou adolescente é ter um pai ou 
mãe ansioso.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
então o diagnóstico de fobia específica é mais cabível.
Se as situações são temidas e evitadas devido à possível avaliação negativa, então é 
melhor diagnosticado de transtornode ansiedade social em vez de fobia específica.
Os indivíduos com fobia específica podem experimentar ataques de pânico quando 
confrontados com a situação ou o objeto temido. Se os ataques ocorrerem apenas em 
resposta ao objeto ou à situação específica, então é melhor diagnosticado como fobia 
específica.
No transtorno obsessivo-compulsivo, o indivíduo apresenta pensamentos causadores 
de medo ou de ansiedade de um objeto ou situação como resultado de obsessões 
(por exemplo, medo de sangue devido aos pensamentos obsessivos acerca de 
contaminação). Nesse caso, se os outros critérios diagnósticos para transtorno obsessivo- 
compulsivo são satisfeitos, então este último transtorno deve ser diagnosticado.
A fobia pode se desenvolver após um evento traumático. Nesse caso, deve ser 
considerado transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) como diagnóstico. Se um 
comportamento de esquiva está limitado exclusivamente à esquiva de alimentos e 
estímulos relacionados a alimentos, então o diagnóstico de fobia específica não é dado.
Saiba Mais
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo “A criança com 
transtorno de ansiedade: seus ajustamentos criativos defensivos”, 
acessando o link: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rag/v15n1/v15n1a09.pdf
Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social
Desenvolvimento
O transtorno de ansiedade social tem idade de início entre 8 e 15 anos (dados dos Estados 
Unidos). Geralmente emerge de uma história infantil de inibição social ou de timidez e 
pode ocorrer no princípio da infância. O início também pode ocorrer no princípio da 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
infância e pode seguir decorrente de uma experiência estressante ou humilhante, como 
o bullying, ou pode ser insidioso, desenvolvendo-se lentamente.
As crianças com até 2,5 anos tendem a não se sentirem confortáveis perto de pessoas 
não familiares, evitando estabelecer uma comunicação assertiva. Esse comportamento 
é esperado para a idade e deve ser entendido como parte do desenvolvimento 
infantil normal. Entretanto, após esse período, se o estranhamento persistir e interferir 
na construção de uma vida social, é possível que esse desconforto tenha se tornado 
patológico.
Os adolescentes apresentam um padrão mais amplo de medo e de esquiva, incluindo 
os encontros. O início na idade adulta é relativamente raro e é mais provável de ocorrer 
após um evento estressante ou humilhante, ou após mudanças na vida que exijam 
novos papéis sociais. Os idosos podem expressar ansiedade social em níveis mais 
baixos, mas dentro de uma variedade mais ampla de situações, enquanto os adultos 
mais jovens expressam níveis mais altos de ansiedade social para situações específicas. 
Em idosos, a ansiedade social pode referir-se à incapacidade devido ao declínio do 
funcionamento sensorial, como prejuízo na audição ou visão, ou à vergonha em relação 
à própria aparência ou ao próprio funcionamento devido a condições médicas, como 
incontinência ou prejuízo cognitivo.
Características
A principal característica do transtorno de ansiedade social é medo ou ansiedade 
acentuados ou intensos de situações sociais nas quais o indivíduo pode ser avaliado 
Você Sabia?
A inibição comportamental está associada ao medo de novidades 
e inclui características como introversão, esquiva e medo de pessoas 
estranhas. Protegidos em demasia pelos pais, meninos e meninas com 
esse perfil tornam-se ainda mais retraídos, formando um ciclo vicioso e 
ganhando cinco vezes mais chances de desenvolver fobia social.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
pelos outros. Em crianças, o medo ou ansiedade deve ocorrer em contextos com os 
pares, e não apenas durante interações com adultos.
Nas situações em que o indivíduo é exposto a essas situações sociais, ocorre o medo 
de ser avaliado negativamente. A preocupação envolve o julgamento de inúmeras 
maneiras, por exemplo, ser ansioso, débil, maluco, estúpido, enfadonho, amedrontado, 
sujo ou desagradável.
O indivíduo com transtorno de ansiedade social teme agir, aparecer ou demonstrar 
sintomas de ansiedade (tais como ruborizar, tremer ou transpirar), que poderão ser 
avaliados negativamente pelos demais. Vivenciar situações sociais quase sempre 
provoca medo ou ansiedade intensa. Dessa forma, uma ansiedade apenas ocasional 
em situações sociais não seria diagnosticada como transtorno de ansiedade social.
O grau e o tipo de medo e a ansiedade podem variar de acordo com diferentes ocasiões. 
Em crianças, o medo ou a ansiedade pode ser expresso por choro, ataques de raiva, 
imobilização, comportamento de agarrar-se ou encolher-se em situações sociais.
Nota
A ansiedade passa a ser um problema quando se torna disfuncional e 
impede a criança de realizar tarefas simples, como dormir, brincar com 
outra criança ou ir à escola.
Nota
Crianças tímidas, que sentem muito medo, fazem muita birra, regridem 
a fases anteriores – começam a fazer xixi na roupa, por exemplo – ou 
roem as unhas possivelmente são crianças ansiosas.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
As situações sociais frequentemente serão evitadas pelos indivíduos com transtorno 
de ansiedade social. A esquiva pode ser abrangente, como não ir a festas ou recusar ir 
à escola, ou sutil, como preparar excessivamente o texto de um discurso. O medo ou a 
ansiedade é julgado desproporcional ao risco real de ser avaliado negativamente ou 
às consequências dessa avaliação negativa. Por vezes, a ansiedade está relacionada a 
um perigo real (como ser alvo de bullying). Mas, em geral, os indivíduos com transtorno 
superestimam as consequências negativas das situações sociais. Nesses casos, o 
contexto sociocultural do indivíduo precisa ser levado em conta.
A presença dos sintomas interfere significativamente na rotina normal do indivíduo, 
no funcionamento profissional ou acadêmico ou em atividades sociais ou de 
relacionamentos, e causa sofrimento clinicamente significativo.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de transtorno de ansiedade social é realizado a partir da presença dos 
sintomas a seguir:
• Medo ou ansiedade acentuados acerca de uma ou mais situações sociais em que 
o indivíduo é exposto à possível avaliação por outras pessoas. Por exemplo, em 
interações sociais, ser observado e situações de desempenho diante de outros.
• O indivíduo teme agir de forma a demonstrar sintomas de ansiedade que serão 
avaliados negativamente.
• As situações sociais quase sempre provocam medo ou ansiedade.
• As situações sociais são evitadas ou suportadas com intenso medo ou ansiedade.
• O medo ou ansiedade é desproporcional à ameaça real apresentada pela situação 
social e o contexto sociocultural.
• O medo, ansiedade ou esquiva é persistente, geralmente durando mais de seis meses.
• O medo, a ansiedade ou a esquiva causa sofrimento clinicamente significativo ou 
prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da 
vida do indivíduo.
Os sintomas não são consequência dos efeitos fisiológicos de uma substância ou de outra 
condição médica, e não são mais bem explicados pelos sintomas de outro transtorno 
mental. Se alguma outra condição médica estiver presente, o medo, a ansiedade ou a 
esquiva não deve estar relacionado ou é excessivo. 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
O diagnóstico deve especificar se os sintomas do indivíduo estão restritos à fala ou ao 
desempenhar em público.
Diagnóstico diferencial e comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno de ansiedade 
social são: a timidez normal, agorafobia, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno 
de ansiedade de separação, transtorno depressivo maior, transtorno dismórfico corporal 
e transtornos da personalidade.
A timidez é um traço de personalidade comum e não é, por si só, patológica. Nos Estados 
Unidos, a prevalência de transtornode ansiedade social em pessoas tímidas é de 12%. 
Pessoas com diagnóstico de agorafobia podem ter medo ou evitar situações sociais, 
não porque temem ser expostas ou avaliadas, mas porque escapar pode ser difícil ou o 
auxílio pode não estar disponível no caso de incapacitação.
É preciso deixar claro que os indivíduos com transtorno de ansiedade social podem 
ter ataques de pânico, mas a preocupação está relacionada ao medo de avaliação 
negativa; enquanto no transtorno de pânico, a preocupação se relaciona aos próprios 
ataques de pânico.
No transtorno de ansiedade generalizada, as preocupações sociais são comuns, mas 
o foco é na natureza das relações existentes e não no medo de avaliação negativa. 
As crianças com transtorno de ansiedade generalizada podem ter preocupações 
excessivas acerca da qualidade do seu desempenho, mas essas preocupações também 
são pertinentes ao desempenho e não a quanto o indivíduo está sendo avaliado pelos 
outros. No transtorno de ansiedade social, as preocupações focam o desempenho social 
e a avaliação dos demais.
Importante
Uma criança com transtorno de ansiedade social experimenta muita 
preocupação e temor ao interagir com outras pessoas e fica ansiosa 
quando é (ou pensa que é) o centro das atenções.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Fobias Capítulo 2
As crianças com transtorno de ansiedade de separação podem evitar contextos sociais 
(incluindo recusa à escola) devido às preocupações de serem separadas das figuras de 
apego. Geralmente ficam confortáveis em contextos sociais quando sua figura de apego 
está presente ou quando estão em casa, enquanto aquelas crianças com transtorno de 
ansiedade social podem ficar desconfortáveis quando ocorrem situações sociais em 
casa ou na presença das figuras de apego.
Os indivíduos diagnosticados com transtorno depressivo maior podem se preocupar 
em serem avaliados negativamente pelos outros porque acham que são maus ou 
não merecedores de que gostem deles. Em contraste, aqueles com transtorno de 
ansiedade social preocupam- se em serem avaliados negativamente devido a certos 
comportamentos sociais ou sintomas físicos.
No transtorno dismórfico corporal, os indivíduos preocupam-se com a percepção de 
um ou mais defeitos ou falhas em sua aparência física que não são observáveis ou 
parecem leves para os outros. Essa preocupação, frequentemente, causa ansiedade 
social e esquiva.
Por seu frequente início na infância e sua persistência durante a idade adulta, o 
transtorno de ansiedade social pode se parecer com um transtorno da personalidade. A 
sobreposição mais comum é com o transtorno da personalidade evitativa. Os indivíduos 
com esse transtorno têm um padrão mais amplo de esquiva do que aqueles com 
transtorno de ansiedade social.
Importante
O fóbico social apresenta um grande desejo de causar uma impressão 
favorável nos outros e uma insegurança significativa na sua habilidade 
de atingir esse objetivo.
@faculdadelibano_
3
Transtornos 
Disruptivos
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Capítulo 3
Transtornos Disruptivos
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender e de 
identificar os aspectos diagnósticos e as características do transtorno 
depressivo. Essa competência é fundamental para a realização de 
diagnósticos diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?
Desenvolvimento
O transtorno depressivo maior pode surgir pela primeira vez em qualquer idade, mas a 
probabilidade de início aumenta sensivelmente com a puberdade. O curso do transtorno 
depressivo maior é bastante variável. Alguns indivíduos raramente experimentam 
remissão (um período de dois meses ou mais sem sintomas ou apenas 1 ou 2 sintomas 
não mais do que em um grau leve), enquanto outros experimentam muitos anos com 
poucos ou nenhum sintoma entre episódios discretos.
A cronicidade dos sintomas depressivos aumenta significativamente a probabilidade de 
transtornos da personalidade, ansiedade e abuso de substância subjacentes, e diminui a 
probabilidade de que o tratamento seja seguido pela resolução completa dos sintomas.
 
A recuperação em geral começa dentro de três meses após o início (para 2 em cada 5 
indivíduos com depressão) ou em um ano (para 4 em cada 5 indivíduos). Muitos indivíduos 
que estiveram depressivos por apenas alguns meses se recuperam espontaneamente. 
Você Sabia?
O transtorno depressivo encontra-se cada vez mais frequente em 
crianças e adolescentes. A ocorrência dos sintomas em crianças tem se 
mostrado maior na faixa etária entre 6 e 11 anos de idade.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos Disruptivos Capítulo 3
A duração do episódio atual prediz muito da taxa de recuperação. Além disso, 
características psicóticas, ansiedade proeminente, transtornos da personalidade e a 
gravidade dos sintomas auxiliam no entendimento do prognóstico.
Durante muito tempo, acreditava-se que as crianças não sofriam de depressão. 
Entretanto, existem muitas evidências de que o transtorno depressivo também ocorre 
na infância, e não somente na adolescência ou na vida adulta.
Em adolescentes, indivíduos psicóticos ou com histórico de transtorno bipolar, muitos 
diagnósticos de transtornos bipolares se iniciam com um ou mais episódios depressivos. 
O diagnóstico de depressão mista também aumenta o risco de diagnóstico maníaco 
ou hipomaníaco futuro. O curso do transtorno depressivo maior, de modo geral, não se 
altera com o envelhecimento. Os tempos médios de recuperação parecem ser estáveis 
por longos períodos, e a probabilidade de estar em um episódio não aumenta ou diminui 
com o tempo.
Importante
A depressão infantil é um distúrbio de humor que vai além da tristeza 
normal e temporária, ela é uma perturbação orgânica, que envolve 
variáveis sociais, psicológicas e biológicas.
Você Sabia?
Na perspectiva neurobiológica, a depressão é vista como uma provável 
disfunção dos neurotransmissores devido à herança genética e também 
ao fato de áreas cerebrais específicas terem anomalias e/ou falhas.
Características
Sintomas como sentimentos de tristeza, irritabilidade e agressividade, dependendo da 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos Disruptivos Capítulo 3
intensidade e da frequência, podem ser indícios de quadros depressivos em crianças. 
As súbitas mudanças de comportamentos nas crianças, não justificadas por fatores 
estressantes, são de extrema importância para identificar o diagnóstico de transtornos 
depressivos.
Os sintomas dos critérios para transtorno depressivo maior devem estar presentes 
quase todos os dias para serem considerados presentes, com exceção de alteração do 
peso e ideação suicida. O humor deprimido deve estar presente na maior parte do dia, 
além de estar presente quase todos os dias. Insônia ou fadiga usualmente são a queixa 
principal. A tristeza pode ser negada inicialmente, mas pode ser revelada por meio de 
entrevista ou inferida pela expressão facial e por atitudes. Fadiga e perturbação do sono 
estão presentes em alta proporção de casos; perturbações psicomotoras são muito 
menos comuns, mas são indicativas de maior gravidade, assim como a presença de 
culpa delirante ou quase delirante.
A principal característica de um episódio depressivo maior é o período de pelo menos 
duas semanas durante as quais há um humor depressivo ou perda de interesse ou 
prazer em quase todas as atividades. Os sintomas devem persistir na maior parte do 
dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas consecutivas. Em crianças e 
adolescentes, o humor pode ser irritável em vez de triste.
 
Além disso, deve estar presente ao menos quatro sintomas adicionais, como mudanças 
no apetite ou peso, no sono e na atividade psicomotora, na diminuição de energia, nos 
sentimentos de desvalia ou culpa; na dificuldade para pensar, para concentrar-se ou 
para tomar decisões; ou pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida, planos 
ou tentativas de suicídio.
ImportanteA quantidade e a variedade de experiências ruins vivenciadas formam 
um conjunto de fatores de risco potenciais para o desenvolvimento da 
depressão.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos Disruptivos Capítulo 3
Os sintomas depressivos podem interferir na vida da criança de maneira intensa, 
prejudicando seu rendimento escolar e seu relacionamento familiar e social. Para alguns 
indivíduos com episódios mais leves, o funcionamento pode parecer normal, mas exige 
um esforço acentuadamente aumentado.
O humor em um episódio depressivo maior frequentemente é descrito pela pessoa 
como deprimido, triste, desesperançado ou desencorajado. Alguns indivíduos queixam 
sentirem ”um vazio”, sem sentimentos ou com sentimentos ansiosos. Os indivíduos podem 
apresentar queixas somáticas (como dores corporais) em vez de relatar sentimentos 
de tristeza. Muitos referem ou demonstram irritabilidade aumentada. Em crianças e 
adolescentes, pode desenvolver-se um humor irritável ou rabugento, em vez de um 
humor triste ou abatido. Essa apresentação deve ser diferenciada de um padrão de 
irritabilidade em caso de frustração.
A perda de interesse ou de prazer quase sempre está presente. Os indivíduos podem 
relatar menor interesse por passatempos, “não se importar mais” ou falta de prazer 
com qualquer atividade anteriormente considerada prazerosa. A presença de sintomas 
como retraimento social ou negligência de atividades prazerosas é comum. Em alguns 
indivíduos, há redução significativa nos níveis anteriores de interesse ou de desejo sexual.
As alterações no apetite podem envolver redução ou aumento. As perturbações do sono 
podem assumir a forma de dificuldades para dormir ou dormir excessivamente. São 
frequentes os sintomas de diminuição da energia, cansaço e fadiga. O indivíduo pode 
relatar fadiga persistente sem esforço físico, mesmo as tarefas mais leves parecem 
exigir um esforço substancial.
As alterações psicomotoras incluem agitação ou retardo psicomotor. A agitação ou o 
retardo psicomotor devem ser suficientemente graves a ponto de serem observáveis 
por outros, não representando meros sentimentos subjetivos.
Nota
São sintomas frequentes do transtorno depressivo infantil a autocrítica 
elevada, os sentimentos de inferioridade e o comportamento agressivo. 
A agressividade e a irritabilidade são vistas mais nos meninos.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos Disruptivos Capítulo 3
O sentimento de desvalia ou culpa associados com um episódio depressivo maior pode 
incluir avaliações negativas e irrealistas do próprio valor, preocupações cheias de culpa 
ou de ruminações acerca de pequenos fracassos do passado. Em geral, os indivíduos 
interpretam mal eventos triviais ou neutros do cotidiano como evidências de defeitos 
pessoais. A autorrecriminação por estar doente e por não conseguir cumprir com as 
responsabilidades profissionais ou interpessoais é comum.
Muitos indivíduos relatam prejuízo na capacidade de pensar, de concentrar-se ou de 
tomar decisões. Em crianças, uma queda abrupta no rendimento escolar pode refletir 
uma concentração pobre. Os indivíduos queixam-se de distração ou dificuldades de 
memória. Em indivíduos idosos, as dificuldades de memória podem ser a queixa principal 
e ser confundidas com os sinais iniciais de uma demência. Quando o episódio depressivo 
maior é tratado com sucesso, os problemas de memória apresentam recuperação 
completa.
 
Em indivíduos com transtorno depressivo, os pensamentos sobre morte, ideação suicida 
ou tentativas de suicídio são comuns. Esses pensamentos podem variar desde um desejo 
passivo de não acordar pela manhã, até pensamentos transitórios, porém, recorrentes, 
sobre cometer suicídio ou planos específicos para se matar. As pessoas com ideações 
suicidas graves podem ter colocado seus negócios em ordem, podem ter adquirido 
materiais necessários para o ato suicida e podem estabelecer um local e momento 
para consumarem o suicídio.
A medida mais significativa para redução de risco do suicídio é a resolução de 
pensamentos que motivam a ideação, e não a negação do plano suicida.
Critérios Diagnósticos
O diagnóstico de transtorno depressivo é realizado a partir da presença dos sintomas a 
seguir:
• Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período 
de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento 
anterior; pelo menos um dos sintomas é de humor deprimido ou perda de interesse 
ou de prazer. São eles:
• Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos Disruptivos Capítulo 3
por relato subjetivo (sentir-se triste, vazio, sem esperança) ou por observação 
feita por outras pessoas (parece choroso).
• Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as 
atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicada por relato 
subjetivo ou observação feita por outras pessoas).
• Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta, ou redução ou 
aumento do apetite quase todos os dias. 
• Insônia ou hipersonia quase todos os dias.
• Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras 
pessoas, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar 
mais lento).
• Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.
• Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessiva ou inapropriada (que podem 
ser delirantes) quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou 
culpa por estar doente).
• Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase 
todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas).
• Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação 
suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou de 
plano específico para cometer suicídio.
• Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no 
funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do 
indivíduo.
• O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra 
condição médica.
• A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por outros 
transtornos mentais como transtorno esquizoafetivo, esquizofrenia, transtorno 
esquizofreniforme, transtorno delirante.
• Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco.
Nota
Essa exclusão não se aplica se todos os episódios do tipo maníaco ou 
do tipo hipomaníaco são induzidos por substância ou são atribuíveis aos 
efeitos psicológicos de outra condição médica.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos Disruptivos Capítulo 3
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno depressivo são: 
episódios maníacos com humor irritável, transtorno do humor devido a outra condição 
médica, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e tristeza.
Em suspeitas de episódios maníacos com humor irritável ou episódios mistos, deve-se 
realizar uma criteriosa avaliação clínica da presença de sintomas maníacos.
No transtorno do humor devido a outra condição médica, devem-se investigar outras 
causas orgânicas, como hipotireoidismo, por meio de exames laboratoriais e físicos.
A distratibilidade e a baixa tolerância à frustração podem ocorrer tanto em um transtorno 
de déficit de atenção/hiperatividade quanto em um episódio depressivo maior. Caso 
sejam satisfeitos os critérios para ambos, o TDAH pode ser diagnosticado em conjunto 
com transtorno de humor.
Períodos de tristeza são inerentes à experiência humana. Esses períodos não devem ser 
diagnosticados como um episódio depressivo maior, a menos que sejam satisfeitos os 
critérios de gravidade (presença de cinco dos nove sintomas), duração (na maior parte 
do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas) e sofrimento ou prejuízoclinicamente significativos.
@faculdadelibano_
4
Transtornos de 
Conduta
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Capítulo 4
Transtornos de Conduta
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender e de 
identificar os aspectos diagnósticos e as características dos transtornos 
disruptivos. Essa competência é fundamental para a realização de 
diagnósticos diferenciais e comorbidades. E então? Vamos começar?
Transtorno de Oposição Desafiante (TOD)
Desenvolvimento
Os primeiros sintomas do transtorno de oposição desafiante podem surgir durante os 
anos de pré-escola e, raramente, mais tarde, como após o início da adolescência. O 
transtorno de oposição desafiante precede o desenvolvimento do transtorno da conduta, 
sobretudo, em indivíduos com transtorno da conduta com início na infância. Mas muitas 
crianças e adolescentes com transtorno de oposição desafiante não desenvolvem o 
transtorno da conduta.
O transtorno de oposição desafiante também apresenta risco para o desenvolvimento 
de transtornos de ansiedade e transtorno depressivo maior. Os sintomas desafiantes, 
questionadores e vingativos respondem pela maior parte do risco para transtorno da 
conduta, enquanto os sintomas de humor raivoso/irritável respondem pela maior parte 
do risco para transtornos emocionais.
Você Sabia?
Desvios de conduta como crises de raiva, mentir ou matar aulas fazem 
parte do desenvolvimento da criança e do adolescente, desde que não 
sejam constantes. Quando ocorrem de maneira isolada ou de maneira 
esporádica são vistos como normais e não sinalizam transtornos.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
As crianças e adolescentes com transtorno de oposição desafiante estão sob risco 
aumentado para uma série de problemas de adaptação na idade adulta, incluindo 
comportamento antissocial, problemas de controle de impulsos, abuso de substâncias, 
ansiedade e depressão. A frequência dos comportamentos associados ao transtorno 
de oposição desafiante aumenta no período pré-escolar e na adolescência.
Características
O transtorno de oposição desafiante (TOD) caracteriza-se por um padrão global 
de desobediência, do desafio e do comportamento hostil. As crianças discutem 
excessivamente com adultos, não aceitam responsabilidade por sua má conduta, 
incomodam deliberadamente os demais, possuem dificuldade em aceitar regras e 
perdem facilmente o controle se as coisas não seguem a forma que elas desejam.
A principal característica do transtorno é um padrão frequente e persistente de humor 
raivoso/irritável, de comportamento questionador/ desafiante ou de índole vingativa. Os 
sintomas do transtorno de oposição desafiante podem se limitar a apenas um ambiente, 
mais frequentemente em casa. Os indivíduos que apresentam sintomas suficientes 
para atingir o limiar diagnóstico, mesmo que isso ocorra somente em casa, podem ter 
prejuízos significativos em seu funcionamento social. Entretanto, nos casos mais graves, 
os sintomas do transtorno estão presentes em múltiplos ambientes. Como os sintomas 
do transtorno são mais evidentes nas interações com adultos ou com pares que o 
indivíduo conhece bem, eles podem não ficar tão evidentes no exame clínico.
Nota
O TOD é caracterizado por um padrão persistente de conduta negativa, 
desafiadora ou até mesmo hostil.
Para diagnosticar o TOD, é necessária a presença de quatro sintomas ou mais durante 
os seis meses precedentes. Além disso, persistência e frequência dos sintomas deverão 
exceder os níveis considerados normais para a idade, o gênero e a cultura do indivíduo. 
Por exemplo, explosões de raiva para uma criança pré-escolar seriam consideradas 
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
sintomas do transtorno de oposição desafiante somente se tivessem ocorrido na 
maioria dos dias nos seis meses precedentes, se tivessem ocorrido com pelo menos três 
outros sintomas do transtorno e se as explosões de raiva tivessem contribuído para o 
prejuízo significativo. Geralmente, os indivíduos com esse transtorno não se consideram 
raivosos, opositores ou desafiadores, e costumam justificar seu comportamento como 
uma resposta a exigências ou circunstâncias despropositadas.
A avaliação diagnóstica deve levar em consideração o quadro e o contexto de 
desenvolvimento do indivíduo. Se a criança vivencia interações problemáticas, então a 
probabilidade de se comportar dessa forma é grande. Nas situações em que a criança 
estiver vivendo em condições particularmente precárias, em que poderão ocorrer 
negligência ou maus-tratos, a atenção clínica para diminuir a influência do ambiente 
pode ser útil.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de transtorno de oposição desafiante é realizado a partir da presença 
dos sintomas a seguir:
• Um padrão de (a) humor raivoso/irritável, (b) de comportamento questionador/
desafiante ou (c) índole vingativa com duração de pelo menos seis meses, como 
evidenciado por pelo menos quatro sintomas de qualquer das categorias seguintes 
e exibido na interação com pelo menos um indivíduo que não seja um irmão.
• Humor Raivoso/Irritável
1. Com frequência perde a calma.
2. Com frequência é sensível ou facilmente incomodado.
3. Com frequência é raivoso e ressentido.
 
• Comportamento Questionador/Desafiante
4. Frequentemente questiona figuras de autoridade ou, no caso de crianças e 
adolescentes, adultos.
5. Frequentemente desafia acintosamente ou se recusa a obedecer a regras ou a 
pedidos de figuras de autoridade.
6. Frequentemente incomoda deliberadamente outras pessoas.
7. Frequentemente culpa outros por seus erros ou mau comportamento.
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na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
• Índole Vingativa
8. Foi malvado ou vingativo pelo menos duas vezes nos últimos seis meses.
Embora tais critérios de frequência sirvam de orientação quanto a um nível mínimo de 
frequência para definir os sintomas, outros fatores também devem ser considerados, 
tais como se a frequência e a intensidade dos comportamentos estão fora de uma faixa 
normativa para o nível de desenvolvimento, para o gênero e para a cultura do indivíduo.
• A perturbação no comportamento está associada a sofrimento para o indivíduo ou 
para os outros em seu contexto social imediato ou causa impactos negativos no 
funcionamento social, educacional, profissional ou outras áreas importantes da vida 
do indivíduo.
• Os comportamentos não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno 
psicótico, por uso de substância, de depressivo ou bipolar. Além disso, os critérios 
para transtorno disruptivo da desregulação do humor não são preenchidos.
• O diagnóstico deve especificar a gravidade atual dos sintomas conforme especificado 
a seguir:
• Leve: os sintomas limitam-se a apenas um ambiente (em casa, na escola, no trabalho, 
com os colegas).
• Moderada: alguns sintomas estão presentes em, pelo menos, dois ambientes.
• Grave: alguns sintomas estão presentes em três ou mais ambientes.
Nota
A persistência e a frequência desses comportamentos devem ser 
utilizadas para fazer a distinção entre um comportamento dentro dos 
limites normais e um comportamento sintomático. No caso de crianças 
com idade abaixo de 5 anos, o comportamento deve ocorrer na maioria 
dos dias durante um período mínimo de seis meses, exceto se explicitado 
de outro modo (Critério 8). No caso de crianças com 5 anos ou mais, o 
comportamento deve ocorrer pelo menos uma vez por semana durante 
no mínimo seis meses, exceto se explicitado de outro modo (Critério 8).
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Transtornos de Conduta Capítulo 4
Diagnóstico Diferencial e Comorbidades
Os principais diagnósticos diferenciais a serem realizados no transtorno de oposição 
desafiante (TOD) são: transtorno da conduta, transtorno de déficit de atenção/
hiperatividade, transtornos depressivo e bipolar, transtorno explosivo intermitente,transtorno da linguagem e transtorno de ansiedade social.
O transtorno da conduta e o transtorno de oposição desafiante estão relacionados a 
problemas de conduta que colocam o indivíduo em conflito com adultos e com outras 
figuras de autoridade. Geralmente, os comportamentos do transtorno de oposição 
desafiante são de natureza menos grave do que aqueles relacionados ao transtorno da 
conduta e não incluem agressão a pessoas ou a animais, destruição de propriedade ou 
um padrão de roubo ou de falsidade. Além disso, o transtorno de oposição desafiante 
inclui problemas de desregulação emocional que não estão inclusos na definição de 
transtorno da conduta.
O TDAH é frequentemente comórbido com o transtorno de oposição desafiante. Para 
fazer um diagnóstico adicional de transtorno de oposição desafiante, é importante 
verificar se a falha em obedecer às solicitações de outros não decorre somente em 
situações que demandem esforço e atenção sustentados ou que exijam que o indivíduo 
permaneça quieto.
 
Os transtornos depressivo e bipolar envolvem características de irritabilidade e de afeto 
negativo. O diagnóstico de transtorno de oposição desafiante não deverá ser feito se 
os sintomas ocorrerem exclusivamente durante o curso de um transtorno do humor. Já 
no transtorno explosivo intermitente, as altas taxas de raiva podem ser acompanhadas 
de agressão grave dirigida a outros, o que não faz parte da definição de transtorno de 
oposição desafiante.
O transtorno de oposição desafiante deve também ser diferenciado da incapacidade 
para seguir orientações decorrente de uma alteração na compreensão da linguagem, 
como perda auditiva ou dificuldade de compreensão.
No transtorno de ansiedade social, há a recusa decorrente do medo de uma avaliação 
negativa, já no transtorno de oposição desafiante não há.
Transtornos Psiquiátricos 
na Infância e Adolescência
Transtornos de Conduta Capítulo 4
Transtorno de Conduta
Desenvolvimento
O início do transtorno de conduta pode ocorrer no começo dos anos pré-escolares, 
embora os primeiros sintomas significativos costumem aparecer durante o período que 
vai desde a segunda infância até a fase intermediária da adolescência.
O transtorno de oposição desafiante pode ser um precursor comum do transtorno da 
conduta com início na infância. O transtorno da conduta pode ser diagnosticado em 
adultos, embora os sintomas geralmente tenham início na infância ou na adolescência, 
sendo raro o início depois dos 16 anos. O curso do transtorno é variável. Os transtornos 
com início na adolescência e com sintomas reduzidos e mais leves podem apresentar 
um ajuste social e profissional quando na fase adulta. 
No entanto, o tipo com início precoce é um preditor de pior prognóstico e de risco para 
comportamento criminal, transtorno de conduta e de transtornos relacionados ao uso 
de substâncias na vida adulta.
Os sintomas do transtorno variam de acordo com a idade à medida que o indivíduo 
desenvolve força física, capacidades cognitivas e maturidade sexual. Os primeiros 
sintomas tendem a ser menos graves, como mentiras ou furtos em lojas, ao passo que 
os problemas de conduta que surgem posteriormente tendem a ser mais graves, como 
o estupro e a agressão física. As diferenças acentuadas entre os indivíduos e o início dos 
sintomas predizem os comportamentos futuros, sendo que os mais danosos ocorrem 
com início em idades mais precoces.
Importante
O transtorno de conduta engloba uma série de ações comportamentais 
persistentes que desobedecem os direitos dos outros e infringem regras 
e normas sociais.
Transtornos Psiquiátricos 
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Transtornos de Conduta Capítulo 4
Na idade adulta, os sintomas de agressão, destruição de propriedades, de falsidade e 
violação de regras, incluindo violência contra colegas de trabalho, parceiros e crianças, 
poderão surgir no local de trabalho e em casa; e pode ser considerado o diagnóstico de 
um transtorno da personalidade antissocial.
Características
A principal característica do transtorno da conduta consiste em um padrão 
comportamental repetitivo e persistente no qual são violados direitos básicos de outras 
pessoas ou normas ou regras sociais relevantes e apropriadas para a idade. Esses 
comportamentos devem se enquadrar em quatro grupos principais:
• Conduta agressiva que causa ou ameaça causar danos físicos a outras pessoas ou 
animais.
• Conduta não agressiva que causa perda ou danos a propriedade.
• Falsidade ou furto.
• Violações graves de regras.
Na base do transtorno da conduta está a tendência permanente para apresentar 
comportamentos que incomodam e perturbam, além do envolvimento em atividades 
perigosas e até mesmo ilegais. Essas crianças e jovens não aparentam sofrimento 
psíquico ou constrangimento com as próprias atitudes e não se importam em ferir os 
sentimentos das pessoas ou desrespeitar seus direitos. Portanto, seu comportamento 
apresenta maior impacto nos outros do que em si mesmo.
Frequentemente, o padrão de comportamento está presente em vários ambientes, 
tais como casa, escola ou comunidade, e causam prejuízos clinicamente significativos 
no funcionamento social, acadêmico ou profissional. As crianças e adolescentes com 
o transtorno podem fazer provocações, ameaças ou assumir um comportamento 
intimidador (incluindo bullying). 
Iniciam brigas físicas com frequência. Utilizam armas que podem causar danos físicos 
graves, como bastões e garrafas. Podem ser fisicamente cruéis com pessoas ou 
animais. Cometem roubos com confronto à vítima ou forçam alguém à atividade sexual. 
A violência física pode assumir a forma de estupro, de violência ou, em casos raros, 
homicídios.
Transtornos Psiquiátricos 
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Transtornos de Conduta Capítulo 4
Também ocorre a destruição deliberada de propriedade de outras pessoas, incluindo 
provocação de incêndios com a intenção de causar danos graves. Os atos de falsidade 
ou de furtos podem incluir invasão de casas, de edifícios ou de carros de outras pessoas. 
Podem mentir ou quebrar promessas para obter bens ou favores, ou evitar dívidas ou 
obrigações com frequência, ou furtar itens de valor considerável sem confrontar a vítima.
Os indivíduos com transtorno da conduta também podem cometer violações graves às 
normas. As crianças com o transtorno costumam apresentar um padrão (iniciado antes 
dos 13 anos de idade) de ficar fora até tarde da noite, mesmo com a proibição dos pais. 
Também podem apresentar um padrão de fugir de casa, passando a noite fora.
Para ser considerada um sintoma de transtorno da conduta, a fuga de casa deve 
ocorrer pelo menos duas vezes ou apenas uma vez se a criança não retornar por um 
longo período de tempo. Episódios de fugas de casa que ocorrem como consequência 
de abuso físico ou de abuso sexual não se qualificam para esse critério. Crianças com 
transtorno de conduta frequentemente faltam às aulas.
O transtorno de conduta está frequentemente associado ao baixo rendimento escolar 
e a problemas de relacionamento com colegas, trazendo limitações acadêmicas e 
sociais ao indivíduo. São frequentes os comportamentos de risco envolvendo atividades 
sexuais, uso de drogas e até mesmo tentativas de suicídio. O envolvimento com drogas 
e gangues pode iniciar o jovem na criminalidade.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de transtorno de conduta é realizado a partir da presença dos sintomas 
a seguir:
• Um padrão de comportamento repetitivo e persistente no qual são violados direitos 
básicos de outras pessoas ou normas ou regras sociais relevantes e apropriadas 
para a idade, tal como manifestado pela presença de ao menos três dos 15 critérios 
seguintes, nos últimos 12 meses, de qualquer uma das categorias adiante, com ao 
menos um critério presente nos últimos seis meses:
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Transtornos de Conduta Capítulo 4
Agressão a pessoas e animais
1. Frequentemente provoca, ameaça ou intimida outros.
2. Frequentemente inicia brigas físicas.

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