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Filosofia Antiga e Medieval

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23UNIDADE I Filosofia na Antiguidade
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: As Origens do Pensamento Grego.
Autor: Jean-Pierre Vernant.
Editora: Difel.
Sinopse: Quando Aristóteles define o homem como um “animal 
político”, enfatiza o que separa a Razão grega à sua época da 
de hoje. Se o homo sapiens é, a seus olhos, um homo politicus, 
isso se deve ao fato de que a própria Razão, em sua essência, é 
política. Em As origens do pensamento grego, tomamos conheci-
mento de como, embora estivesse atrelada ao mito, a Razão não 
apenas se desvinculou dele, mas também o ultrapassou, logrando, 
com isso, a constituição daquilo que conhecemos como a Filoso-
fia. Desse modo foi possível o surgimento da Polis e do debate 
político, que passa a ser vivenciado na Ágora, símbolo maior da 
troca não só de mercadorias, como também de idéias. Para o pen-
samento grego, se o mundo social deve estar sujeito ao número e 
à quantificação, a natureza representa notadamente o domínio da 
proximidade, e não da exatidão geométrica. Por mais paradoxal 
que pareça, os gregos começaram a se conhecer melhor por meio 
do contato — principalmente o comercial — com o Oriente. Desse 
modo, conhecendo-se melhor, passaram a ter a devida noção de 
sua pretensa superioridade sobre o mundo “bárbaro” com o qual 
passaram a lidar.
Dividido em oito capítulos, As origens do pensamento grego aborda: 
A Realeza Micênica; A Crise da Soberania; O Universo Espiritual 
da Polis; A Crise da Cidade e os Primeiros Sábios; A Organização 
do Cosmos Humano; Cosmogonias e Mitos de Soberania; e A 
Nova Imagem do Mundo.
FILME/VÍDEO 
Título: Sócrates.
Ano: 1971.
Sinopse: Cinebiografia de Sócrates (470 – 333 a.C.), um dos 
maiores filósofos da Humanidade. Rossellini mostra o final da vida 
de Sócrates, em especial seu julgamento e sua condenação à 
morte, com destaque para os célebres diálogos socráticos: “Apolo-
gía”, discurso de defesa do filósofo; “Críton”, em que um dos seus 
discípulos tenta convencê-lo a fugir da prisão; e “Fédon”, com seus 
últimos ensinamentos antes de tomar a cicuta.
24
Plano de Estudo:
● A Herança Clássica - A Querela do Universais;
● A questão da liberdade em Agostinho;
● Os regimes políticos em Tomás de Aquino;
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar e contextualizar como é possível pensar a universalidade do conceito na
Teoria do Conhecimento e das Teorias Políticas;
● Compreender os modos de conhecimento e o papel da
política no contexto cristão medieval;
● Estabelecer a importância da Teoria do Conhecimento e da
Política da Idade Média.
UNIDADE II
Filosofia Medieval
Professor Me. Matheus Mellado
25UNIDADE I Filosofia na Antiguidade 25UNIDADE II Filosofia Medieval
INTRODUÇÃO
Abordaremos inicialmente o tema da querela dos universais, ele surgiu de uma 
interpretação dos pressupostos aristotélicos e platônicos, acerca de suas teorias do conhe-
cimento. É de consenso entre os estudiosos que Porfírio realizou um sincretismo entre os 
dois autores em sua Isagoge, ou seja, ele misturou elementos dos dois pensadores gregos 
para formular sua obra. Em decorrência disso, a leitura de sua obra pelos pensadores 
medievais criou toda a especulação sobre a origem dos universais. Outro fator importante 
para o estabelecimento desse problema foi o fato das obras platônicas e aristotélicas terem 
desaparecido do território europeu durante boa parte da Idade Média, sendo “recuperadas” 
por volta dos séculos XI a XIII, depois massivamente no renascimento. Vamos primeira-
mente verificar a descrição de Porfírio sobre os universais e depois passar para alguns 
autores que lidaram com a discussão. Lembrando que as posições acerca da querela dos 
universais se dão em três blocos: o realismo (os universais são coisas), conceitualismo 
(os universais são conceitos, existem mentalmente e existem em referência ao objeto) e o 
nominalismo (os universais são nomes ou designações) – sendo que elas não são sempre 
dadas em seu estado puro, por muitas vezes existem misturas e nuances nos escritos dos 
autores que trabalharam com esse temaEm seguida, caro aluno(a), iremos debater sobre 
os aspectos da política na Idade Média. Para promover tal reflexão nós lançaremos mão de 
dois autores: Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino. O primeiro fez parte da patrística, 
no período da antiguidade tardia, já o segundo foi um pensador fundamental da escolástica, 
escola de pensamento que surgiu na Baixa Idade Média. Em Agostinho nós verificaremos 
o esforço para se pensar o problema da liberdade, como um argumento genuinamente
cristão. Por fim, em Tomás nós trabalharemos com um aspecto mais político, verificaremos
como o autor operou com a categoria da liberdade dentro de seu sistema político muito
próximo de Aristóteles.
26UNIDADE I Filosofia na Antiguidade 26UNIDADE II Filosofia Medieval
1. A HERANÇA CLÁSSICA - A QUERELA DOS UNIVERSAIS
1.1 Porfírio
O texto intitulado Isagoge de Porfírio (filósofo grego do século III a.c.) na verdade 
significa introdução, tal escrito serviu de fato como uma introdução escrita pelo pensador 
a uma versão das Categorias de Aristóteles. Nesse texto é estabelecido um esquema de 
predicação do Ser seguindo cinco critérios:
1.1.1 Gênero
É aquilo a que a espécie se submete, como espécie de princípio para aquilo que 
está abaixo dele, e parece conter a multiplicidade de espécies subordinadas. É o que se 
predica de várias coisas diferindo pela espécie, relativamente à questão “o que é?”. Assim, 
os gêneros diferem o que é predicável de uma coisa pelo fato de que foram definidos como 
predicáveis de várias. Em suma, restringe a essência de um ser.
1.1.2 Espécie
É o que está abaixo de um gênero definido; ela se predica de várias coisas diferindo 
pelo número de seres subsumidos pela questão “o que é?”, logo, podem existir várias 
ramificações de diferentes espécies abaixo da delimitação do gênero. Entende-se o gênero 
como o uno e a espécie como o múltiplo.
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1.1.3 Diferença
Ela pode ser comum (uma coisa diferindo de outra por qualquer alteridade em re-
lação a si), própria (difere em virtude de um acidente inseparável, como a cor dos olhos)ou 
inteiramente própria (difere por algo específico, ou seja, são de espécies diferentes). Assim, 
as diferenças específicas realizam as divisões dos gêneros em espécies e formulam as defi-
nições. Ela se predica pela resposta à pergunta “como é a coisa”? Logo, a diferença é aquilo 
que por natureza separa o que está sob um gênero, é que separa ou agrupa indivíduos. 
1.1.4 Próprio
Pode ser tido em quatro acepções: o próprio que se dá em uma só espécie, mas 
não em toda ela; o que se dá em toda espécie, mas não só nela; o que se dá em toda 
espécie, somente nela e por um tempo determinado; o caso de coincidir em uma espécie e 
sempre ser assim.
1.1.5 Acidente
É o que pode aparecer e desaparecer num objeto sem implicar em sua destruição, é 
aquilo que pertence e não pertence a uma coisa, podendo ser separável e inseparável. Logo, 
um acidente subsiste no sujeito e não no gênero, na espécie, do próprio ou na diferença.
Com esses cinco traços, Porfírio pensava poder categorizar todos os seres exis-
tentes. Além disso, haveria traço do pensamento platônico em sua introdução ao escrito 
aristotélico, além de haver a peculiaridade de uma teoria das vozes – consiste em afirmar 
pode-se predicar de várias coisas:
Animal (gênero) – humano (espécie) – difere dos outros animais por ser racional 
(diferença) – o ser humano é um animal racional (definição) – este ser humano tem olhos 
castanhos (acidente).
Porfirio (2002) tem em sua Isagoge deixa aberta três questões sobre as relações de 
gênero e espécie para classificar o ser, questões que ele não trata: as categorias existem 
em si ou no intelecto? Se existem são corpóreas ou incorpóreas? Se existem, elas se 
manifestam nas coisas ou antes delas? Além disso, podemos verificar quatro posições 
defendidas porPorfírio (2002) em seu texto: a codificação da doutrina dos predicáveis; a 
inequívoca posição em relação aos universais; o remetimento aos nexos metafísico ontoló-
gicos e enológicos; a construção da árvore lógica. 
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1.2 Boécio
Será com o Boécio que a querela dos universais ganhará sua relevância. Isso ocor-
re na medida em que o autor traduziu algumas obras de Aristóteles e Platão, bem como 
alguns comentários – isso no século V. Entre os comentários traduzidos estava a Isagoge. 
Como vimos, Porfírio estabeleceu as cinco vozes como uma introdução às Categorias de 
Aristóteles, porém deixou em aberto a questão da procedência dos universais, ao mesmo 
tempo ele empregou os termos categoria e predicação como sinônimos em seu escrito. Tais 
termos correspondiam, respectivamente, as teorias aristotélicas e platônicas, se nos lem-
brarmos, Aristóteles afirma que o conhecimento vem do mundo e formalizado pelo logos, já 
Platão afirma que o conhecimento vem da correspondência com as formas inteligíveis do 
mundo das ideias. São posições distintas, pois Aristóteles tende mais a um conceitualismo 
com um realismo moderado e Platão se basearia em um realismo imaterial dos universais. 
Além disso, temos em Aristóteles duas acepções de universal, o primeiro como validade 
lógica de um silogismo e o segundo como uma premissa válida e verdadeira por si que 
é causa de um efeito. O que parece ter ocorrido em Porfírio foi uma leitura que misturou 
essas duas acepções no triângulo semântico aristotélico:
Coisa significada (ente)
/ \
Significante (léxis) – Significado (lógos)
Logo, os problemas metafísicos de uma acepção universal foram misturados com a 
acepção lógica dos universais. Tudo isso gerou questionamentos em Boécio, o que o levou 
a dar sua resposta à origem dos universais.
No texto intitulado Do Segundo Comentário ao Isagoge de Porfírio, Boécio (1994) 
delimita que é muito importante verificar a origem e validade dos universais. Sendo assim, 
ele estabelece que tudo o que a mente entende, ela concebe intelectualmente o que existe 
na natureza das coisas para, então, descrevê-la pela razão. Porém, pode-se aceitar que 
a mente exibe para si algo que não existe através da imaginação. Sendo assim, Boécio 
levanta as seguintes questões: a que tipo o entendimento do gênero e dos outros predicá-
veis pertence? Entendemos espécies e gêneros como entendemos as coisas que existem, 
das quais tiramos um entendimento verdadeiro? Ou, então, nós nos enganamos quando 
formamos em nós, por meio de um pensamento vão, coisas que não existem? Bem, se os 
universais forem tidos como falsos, o entendimento deles também será falso. Consideran-
do que os universais existem, eles podem ser corpóreos ou incorpóreos. Tal pressuposto 
guiará a investigação de Boécio.
29UNIDADE I Filosofia na Antiguidade 29UNIDADE II Filosofia Medieval
Existem vários tipos de coisas que tem seu ser em outros, dos quais não podem 
ser separados de modo algum, e se são separados não há modo pelo qual possam sub-
sistir. Como, por exemplo, a linha que percorre a superfície dos corpos, ela subsiste nos 
corpos, mas não fora deles. Sendo assim, a faculdade do sentido entrega-nos, junto com 
a apreensão dos corpos, as estruturas incorporais subsistentes nos mesmos. Porém, a 
mente, por sua vez, pode separar ou unir o que lhe é entregue através dos sentidos, assim 
podendo ressaltar as peculiaridades distintivas dos aspectos incorpóreos misturados com 
o os corpos, ainda que existam separados dos corpos na mente. Consequentemente, os
predicáveis são encontrados tanto em coisas incorporais quanto nas coisas corporais, ten-
do uma compreensão distinta em cada um dos respectivos casos Onde a primeira é só tida
como separada de um corpo. Mas, se a mente observa os corpos e separa os incorporais
deles, só o faz para poder considerá-los como integrantes dos corporais. Deste modo, é
correto pensar na linha ou contorno dos corpos (a forma) como se ela estivesse além dos
corpos, mesmo que não possa existir além deles. Isso seria assim porque o entendimento
aprende o que são as coisas de fora de seus corpos, sendo este o único modo de se
encontrar a verdade sobre algo.
Consequentemente, os predicáveis ou universais existem nos seres corpóreos, 
mas são entendidos separadamente deles. De tal modo, sua natureza pode ser visada e 
suas particularidades distintivas também podem ser compreendidas pela mente. Assim, 
quando os gêneros e espécies são pensados, as semelhanças das coisas singulares são 
apreendidas pela mente a partir dos corpos. Deste modo, ao reunir um grupo de homens, 
é possível pensar em uma semelhança entre eles e formular um entendimento sobre hu-
manidade. Logo, sendo possível verificar semelhanças subsistentes nos corpos, também 
é possível organizá-los em gêneros e espécies. Portanto, uma vez que algo é limitado por 
vários conceitos, a compreensão desse algo se torna diversa. Assim o universal é percebido 
quando está no pensamento, já o singular é percebido quando é sentido nas coisas em que 
tem seu ser.
1.3 Abelardo
Com tal conceitualização dos universais como existentes na mente e subsistentes 
nos corpos, Boécio influenciou todo o debate medieval. Muitos autores tomaram a vertente 
realista, de que a substância do ser detêm em si os elementos do universal. Porém um 
pensador medieval do século XI se destacou por dar um parecer diferente. Pedro Abelardo 
foi essencial no debate da querela dos universais, ao defender a concepção conceitualista 
30UNIDADE I Filosofia na Antiguidade 30UNIDADE II Filosofia Medieval
em seus tratados de lógica. Abelardo negava a posição realista ao afirmar que as coisas 
existem apenas como particulares e a universalização delas se dá apenas na mente, 
como uma construção lógica e linguística. Sendo assim, o universal é nada mais que um 
predicável, que se funda na mente para designar a natureza das coisas e de seu ser. Logo, 
o universal existe apenas como conceito dado, que pode ser correspondido a natureza.
O argumento de Abelardo contra a tese realista dos universais segue uma via 
principal, a de que afirmar que se subsiste em cada ente características que podem ser 
consideradas como universais e, consequentemente, podem ser agrupados vários objetos 
em um mesmo gênero, surge uma contradição ontológica – ou seja, é afirmado que uma 
coisa é singular pelo fato de concordar consigo mesma (ela é o que ela é), mas ao mesmo 
tempo ela é tida como igual a outras coisas que estão no mesmo gênero de ser que ela, 
logo, ela seria ontologicamente idêntica e diferente de si mesma (a coisa é e não é ao 
mesmo tempo). Frente a tal problemática do realismo, Abelardo transporta o problema 
dos universais do âmbito ontológico para o lógico-discursivo. O autor argumenta que os 
universais são intelecções dadas por abstração dos objetos, e partir disso são gerados os 
nomes que fazem referência (geral ou específica) para corresponder os objetos pensados. 
Sendo assim, os universais não estão nas coisas, mas são formulados na mente a partir 
dos dados que os sentidos fornecem sobre um grande número de objetos. Isso significa 
afirmar que as questões levantadas por Porfírio são respondidas por Abelardo (2006) do 
seguinte modo:
1.3.1 As categorias existem em si ou no intelecto? Existem apenas no intelecto, mas 
servem para designar, por correspondência, as coisas – o intelecto pensa a matéria pura de 
algo ao mesmo tempo que pensa a forma dele em um aspecto geral, assim podendo atribuir 
o universal a vários seres, mas apenas como realidade mental.
1.3.2 Se existem são corpóreas ou incorpóreas? São dos dois modos, são cor-
póreos enquanto considerados separados da essência da coisa – porque rementem aos 
corpos dos objetos – e são incorpóreos na medida em são tidos como modo de designação 
do nome universal.
1.3.3 Se existem, elas se manifestam nascoisas ou antes delas (se são sensíveis 
ou não)? São dos dois modos também, sensíveis quanto à natureza da coisa (sua corres-
pondência com o ente) e não sensíveis quanto ao modo de significar (a generalização do 
nome a partir da abstração do intelecto).

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