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Sumário 
 
Introdução ....................................................................... 4 
APRENDA A SER SOZINHO ......................................... 7 
I PARTE ........................................................................... 8 
COMO ESQUECER OUTRA PESSOA? ....................... 10 
SOBRE A FELICIDADE ............................................... 14 
SOBRE AS MODINHAS E FUTILIDADES ................. 19 
DONO DO PRÓPRIO DESTINO .................................. 22 
II PARTE ........................................................................ 27 
IV PARTE ...................................................................... 53 
V PARTE........................................................................ 58 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
4 
 
Introdução 
 
Esta obra foi iniciada com o objetivo de ser um ensaio 
filosófico sobre as paixões, mas conforme escrevia, 
senti a necessidade de incluir o principal benefício 
sobre a suposta morte das paixões, isto é, o ganho 
considerável de autonomia e percepção da realidade, 
que é a clareza, a consciência do externo sem as lentes 
mentirosas das influências socialmente adquiridas e 
até mesmo das nossas inclinações naturalmente 
estabelecidas. Você aprende a ser mais sozinho na 
mesma medida em que morre para as ilusões, 
renascemos e evoluímos com a ascensão do nosso 
corpo, mente e espírito. A exposição da paixão em 
várias vertentes tratadas nessa obra, tem como efeito 
evidenciar as mentiras criadas por nós mesmos e pela 
sociedade em relação a realidade, não tome o sentido 
das palavras de forma leviana, leia esse livro com 
paciência, reflita, e faça sua própria ponderação 
acerca de tudo. Um ensaio não é uma conjectura, é 
5 
 
um pensamento próprio acerca de um determinado 
pensamento, esse é o verdadeiro espírito dessa obra, 
um pensamento livre que traz à tona importantes 
pontos ignorados pela suma maioria. 
Aprender a ser sozinho é diferente de ser sozinho, um 
nadador aprende a nadar para que um dia 
eventualmente possa exercer sua habilidade, isso não 
significa que ele passará a vida inteira nadando, boas 
doses de treino e dedicação será o suficiente. Antes 
de tudo, você deve fazer as seguintes perguntas: o que 
me leva a ter as atitudes que tenho? O que me faz 
permanecer em um relacionamento conturbado? O 
que me leva a postar o que posto nas redes sociais? O 
que me leva a defender os ideais que defendo? Bom, 
é necessário responder com sinceridade! Será que 
você tem sido extremamente influenciado a ponto de 
não questionar suas condutas? O grau de consciência 
sobre isso pode determinar o nível da sua liberdade, 
optar por trilhar seu próprio caminho é tomar 
consciência acerca daquilo que te afasta da sua 
6 
 
verdadeira essência, é entender que não vale a pena 
estar em uma relação por pura carência, não vale a 
pena estar rodeado de falsos amigos apenas para se 
sentir incluído; não vale a pena defender uma 
ideologia por medo de ser excluído de um 
determinado grupinho da faculdade. Rejeitar esses 
desejos significa estar sozinho, sei que isso assusta 
muitos, mas até quando será governado pelo medo? 
Somos naturalmente condicionados à ilusão, estourar 
essa bolha pode parecer doloroso, mas também é 
libertador, até aqui ainda há tempo de fechar esse 
livro e viver sua vidinha confortável, mas se decidir 
continuar então prepare-se para o desconforto, eu não 
garanto que isso te levará à felicidade, tampouco à 
uma vida plena, a minha missão aqui é quebrar seu 
castelinho de ilusões que há anos vem construindo, 
prometo quebrar cada tijolo, até que todos estejam no 
chão! E sobre ele iniciaremos uma nova estrutura, ela 
será a sua nova percepção da realidade, mais lúcida, 
autêntica e equilibrada. Boa sorte! 
7 
 
 
 
 
 
APRENDA A SER SOZINHO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
I PARTE 
 
Todas as vezes que nos inclinamos a falar sobre a 
secularidade, que seja a vida amorosa, 
relacionamento, desilusão ou qualquer tipo de 
dificuldade nesse âmbito, somos quase que 
naturalmente condicionados a encontrar as respostas 
voltando nossa atenção para nós mesmos, nesse 
sentido parece simples desenvolver o 
autoconhecimento, mas nada disso é possível se antes 
não aprendermos a ser sozinhos, então se instala um 
problema: como aprender a ser sozinho se passamos 
quase que a vida inteira sendo ensinados que estar 
acompanhado é sinônimo de saúde emocional? A 
primeira pergunta que nos fazem em um encontro de 
família é se estamos namorando, e se não estamos 
com alguém, há sempre um semblante triste que nos 
consola como se houvesse algo muito errado em ficar 
um tempo sozinho, neste ponto é importante dizer 
que, quando digo: Aprenda a ser sozinho. Não 
significa que iremos morrer sozinhos, não é uma 
9 
 
sentença! A necessidade de aprender a ser sozinho, 
neste e-book é abordado como meio de manutenção 
psíquica e fator primordial para o desenvolvimento 
pessoal. Mas primeiramente quero iniciar pelas 
pautas mais comuns, isto é, os relacionamentos 
amorosos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
COMO ESQUECER OUTRA PESSOA? 
 
O desejo faz parte da estrutura básica do amor, 
quando se perde o desejo, perde-se a atração, o que 
comumente chamamos de “magia”, isso acontece 
porque a imaturidade de ambas as partes o fizeram 
agir como animais impulsivos, desejo não é amor, 
desejo não é um fim em si mesmo, não há como 
basear um relacionamento apenas em desejo, pois não 
é substancial, aliás, são poucas as coisas que resistem 
a convivência, quando conhecemos uma pessoa ela 
parece perfeita, e para essa conclusão incorreta 
chamo de paixão (paixão e ilusão são as mesmíssimas 
coisas), então no decorrer do tempo as máscaras 
caem, você passa a ter intimidade e a intimidade 
evidencia toda a mentira daquela relação, o problema 
é que isso pode durar meses ou até anos, existe 
sempre uma parte que atribui demasiado significado 
ao outro, existe sempre um lado que não quer muito 
terminar a relação, esse lado é o mais fraco, se apegou 
em demasia e acreditou em todas as mentiras que ele 
11 
 
mesmo contou e reforçou dia após dia para si mesmo, 
todo esse tempo de intimidade e experiências fez com 
que incluísse a figura dessa pessoa em toda a sua 
rotina, um dos maiores problemas de um término é 
justamente o medo de não conseguir viver sem a outra 
pessoa, como se não houvesse outras milhares na 
terra, como se aquele indivíduo tivesse supremacia 
dentre as outras opções, todo esse demasiado valor 
atribuído ao outro não passa de um suposto “medo” 
de perdê-lo, o que é uma ingenuidade infantil pois, 
não pertencemos a ninguém, esse é apenas um mito 
secular reforçado no dia a dia, com termos: “minha 
namorada”, “minha esposa”, “meu amor”... sei que 
são formas comuns, ditas quase inconscientemente, 
mas é um reforçador da ideia de que temos posse da 
outra pessoa, a dura verdade é que nenhum indivíduo 
é propriedade nossa, seu medo não é necessariamente 
de perder o outro, mas sim aquela representação em 
si mesmo, e mesmo depois da separação, ali estão as 
lembranças; quando se perde uma figura tão presente, 
12 
 
mais potência ela ganha em nossas mentes, e aqui 
chegamos no cerne da questão: Como esquecer essa 
representação psíquica? 
Quanto maior o tempo e a intensidade da relação, 
mais difícil é desligar as emoções dessa 
representação, mas ela só é possível de fato por via de 
novas experiências e, principalmente, evitando a 
antiga rotina, ou seja, é necessário evitar qualquer 
coisa que esteja associado àquela pessoa, quanto mais 
rigorosa for essa atitude, menos tempo levará para 
esquecer. A lógica é bem simples, em um 
relacionamento a presença reforça os sentimentos 
atribuídos àquela pessoa, para esquecer, a distância 
reforça a desassociação atribuída a ela. 
Tudoisso seria facilmente evitado se as pessoas não 
se entregassem tanto às outras, é necessário investir 
em si mesmo antes de incluir alguém em nossas vidas, 
e mesmo estando em um relacionamento, jamais 
colocar o outro em um pedestal, sejamos sempre a 
nossa maior prioridade, a base forte é sempre 
13 
 
construída com boas doses de solidão, quem não é 
feliz sozinho, dificilmente será feliz com outras 
pessoas, por mais extrovertido que ela seja, todo ser 
humano necessita de tempos de introspecção para a 
manutenção psíquica e emocional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
SOBRE A FELICIDADE 
 
Existe uma falsa crença de que a felicidade está em 
pessoas ou coisas, quando você é adolescente acha 
que a felicidade virá quando conseguir o primeiro 
emprego e através da grana conseguir comprar o 
primeiro carro, você se esforça, trabalha feito um 
jumento e consegue comprar o carro, mas não 
encontra a felicidade; então decide arranjar uma 
namorada, e pensa: se eu tiver uma linda mulher ao 
meu lado serei feliz, você encontra uma mulher 
perfeita aos seus olhos, você faz de tudo para agradá-
la e surge os primeiros conflitos, mas novamente você 
pensa: certo, acho que só serei feliz quando tiver 
filhos, pois é isso que todos falam! Vocês então 
decidem ter filhos e com os filhos surgem inúmeras 
necessidades, você trabalha em dobro para pagar 
médico, supri-los para crescerem saudáveis, e a 
correria do dia a dia o faz andar na direção contrária 
da felicidade, então pensa: serei feliz quando ver 
meus filhos bem e futuramente ter meus netos junto a 
15 
 
mim. Assim a vida passa, e você que tanto buscou a 
felicidade em planos futuros, depois de mais velho 
descobre que ela sempre esteve no presente, e só aí 
você começa a aproveitar a vida vivendo cada dia 
como se fosse o último. 
O mundo é grande e maravilhoso, a maioria de nós 
vivemos e morremos no mesmo canto em que 
nascemos, você pode continuar fazendo parte dessa 
maioria, que vive centralizando sua felicidade em 
coisas tão ínfimas, atribuindo demasiado valor a 
indivíduos que vivem errando com você, ou pode 
passar a dar mais valor à sua vida, com os pés no chão, 
mas se abrindo para novas experiências. 
No total oposto temos os niilistas, são crianças 
ressentidas que não acreditam na felicidade porque 
um dia alguém fora cruel com seu pobre coração, 
Nietzsche compara o ressentido a uma espécie de 
galinha, a qual, se o dono desenha um círculo na areia, 
não consegue sair dele. Bastaria dar um passo para 
fora, mas é incapaz porque o seu norte cognitivo é 
16 
 
limitado ao que fora traçado. Assim o homem 
ressentido é incapaz de seguir em frente e acaba 
corrompido moralmente, pois a alma humana deseja 
agir, mas como não consegue, precisa criar 
justificativas para suportar a si mesmo, é nesse 
sentido que nasce o niilismo, como justificativa de 
que a vida não tem sentido, transferindo experiências 
existenciais ruins para reflexões cósmicas sem 
nenhum tipo de metodologia, ou perversões com 
justificativas imorais para insultar o alvo do seu 
ressentimento, são tão ressentidos que não 
conseguem lidar com a dor e o fracasso. Não passa de 
ingenuidade, uma visão romântica do mundo, onde 
deveria ser um paraíso, e agora, como descobri essa 
grande farsa, vou me rebelar contra tudo, inclusive 
Deus. É um bebê querendo atenção! Não entende que 
a vida não é um lugar para lhe servir, e que só terá paz 
quando entender que a saúde psicológica não está em 
receber, mas em dar. Feliz não é quem espera que o 
pai viverá para sempre e fica choramingando num 
17 
 
canto quando ele vai embora. Mas sim quem aceita a 
realidade da morte e ajuda a planejar o velório. Na 
medida em que você aprende a se manter firme, a agir 
em vez de chorar, você também começa a ser essa 
pessoa onde os mais fracos possam se apoiar. Em vez 
de se lamentar que os outros não se importam com 
você e que não há felicidade na vida, você 
simplesmente transcende o seu sofrimento e se 
importa com eles. 
Segundo Bertrand Russell em seu livro “A conquista 
da felicidade”, existem dois tipos de felicidade, a 
primeira é a normal, a segunda é a fantasiosa, 
basicamente falando, sobre a normal, Russell afirma 
que a persistência nos propósitos é um dos 
ingredientes mais importantes para alcançar a 
felicidade a longo prazo, é uma percepção sobre a 
vida que infelizmente a maioria das pessoas só 
reconhecem quando estão mais velhas. Já o jovem é 
quase sempre levado a achar que a felicidade está em 
objetos ou pessoas, é a forma fantasiosa de enxergar 
18 
 
a vida, essa conduta se repete em praticamente todos 
os jovens, se observarmos essa fase, há sempre uma 
predileção que tende aos “amigos” em vez dos pais, é 
engraçado isso, pois os pais geraram aquele 
indivíduo, alimentaram, cuidaram, instruíram, 
amaram de forma genuína, e no fim das contas ele 
prefere o amigo que está cagando para ele e oferece 
um baseado no final da aula. A incapacidade de 
encontrar a felicidade em lugares óbvios é sem 
dúvidas a doença da juventude, como a felicidade não 
estaria em um ambiente onde todos se importam com 
você? Em que momento essas pessoas se tornaram os 
vilões da história? É exatamente aqui que 
reconstruímos a imagem do niilista, deturpa a 
realidade para expressar sua angustia fantasiosa, é 
óbvio que não conhece a dor, para seu próprio bem, 
os idiotas precisam quebrar a cara para que as lentes 
da mentira se rompam e enxerguem a realidade. 
 
 
19 
 
SOBRE AS MODINHAS E FUTILIDADES 
 
Há sempre uma grande maioria que busca entender 
onde está o problema dessa geração, “o que você acha 
de tal comportamento feminino?”; ou “o que você 
acha de um homem que tem tal tipo de conduta?”, 
enquanto você busca encontrar mil respostas para mil 
defeitos nos outros, perde a oportunidade de focar no 
seu próprio desenvolvimento pessoal, é necessário 
deixar que aqueles que não se dedicam a crescer, 
aprendam com suas próprias consequências, pare de 
endereçar sua percepção para o lado errado, dedique 
seu tempo em coisas úteis. Existem inúmeras 
“filosofias”, e na internet você acaba encontrando de 
tudo, sempre haverá um coach tentando reinventar a 
roda, tenho certeza que você já ouviu termos como: 
red pill, blue pill, alpha, beta, cafajeste, sigma, etc... 
são apenas formas de chamar sua atenção para vender 
um curso caro com pouco embasamento cientifico 
depois, mais patético ainda se disserem que é uma 
20 
 
filosofia — Aristóteles se contorce no tumulo toda 
vez que um coach diz isso. 
Logo mais você se aprofundará no tema 
personalidade, é impossível amadurecer se as suas 
únicas influências se baseiam naquilo que te motiva, 
o mundo não é um mar de rosas e a dor gera sempre 
as melhores experiências, pare de buscar respostas em 
vídeos motivacionais, nesse livro eu também vou te 
ensinar a ser mais crítico, e por mais que a linguagem 
comece a ficar difícil, não desista, leia novamente, 
pesquise os termos e familiarize-se com eles. 
Bukowski diz: 
"Onde quer que a multidão vá, corra na outra 
direção. Eles estão sempre errados. Por séculos 
estiveram errados e sempre estarão errados." 
Você nunca verá a maioria optando pelo caminho 
mais difícil, os espertalhões produzem conteúdos 
fáceis para ganhar a atenção das massas, isso está 
completamente ligado ao grau de ingenuidade do 
21 
 
indivíduo, quanto mais “simples”, mais ele acredita 
em soluções imediatas, nesse sentido o ceticismo é 
uma dádiva. Teóricos como: Charcot e Emile Coué; 
discorrem sobre a hipnose, e o cerne do seu método é 
a sugestão, isto é — um comando gentil ou positivo 
funde-se à mente em alto grau de concentração do 
indivíduo, o que induz a um estado de transe 
hipnótico e neste estado o indivíduo está mais 
suscetível ao poder da sugestão — essa teoria foi 
inicialmente chamada de “sonolúcido” pelo Abade 
Faria. Um dos motivos da hipnose não ser 
considerada uma ciência, é pelo simples fato dela não 
ser aplicável em todas as pessoas, como disse, quanto 
mais crítico for o indivíduo, menos manipulável ele 
será — é justamente sobre essa minoria que a hipnose 
não se aplica. 
 
 
 
22 
 
DONO DO PRÓPRIO DESTINO 
 
Quanto mais fraca for a personalidade, mais o 
indivíduo se sentirá na obrigação de pertencer a um 
grupo, e para que isso aconteça, antes é feita uma 
espécie de sabatina, isto é, sacrifique seus valores, 
suas qualidades, seu estilo, sua vocação e aceite as 
regras daquele grupo, caso contrário será tratado com 
inferioridade, desprezo e não terá amigos — uma 
personalidade forte mandaria todos à merda. É 
necessário entender que a influência coletiva sempre 
terá supremacia se você não souber quem realmente 
é. Veja, não estou falando apenas sobre grupinhos de 
faculdade, estou me referindo principalmente àqueles 
mais comuns, que te reduzem ao estereótipo do 
homem comum, que só quer saber de mulheres e 
cerveja; o mesmo anda acontecendo com muitas 
mulheres, o estereótipo da mulher dona de si que só 
quer curtir a vida, viajar e fazer compras... a conquista 
da subjetividade é a busca por força de personalidade, 
23 
 
ideias próprias, sentimentos sólidos e objetivos 
potentes. 
Sei que tudo isso à primeira vista parece confuso, mas 
quero que entenda uma coisa, para sair dessa bolha 
você precisa criar o seu próprio mundo, não é você 
que deseja ser parte deles, são eles que se intrigam e 
intrometem no seu mundo, esse mundo não pode ser 
de ilusões, você precisa criar elementos e ferramentas 
para tornar seus objetivos reais, é nisso que consiste 
o eu subjetivo, é o indivíduo que pensa, planeja e faz, 
que dita suas próprias regras, essa mesma conduta é a 
que te faz ser tão atraente para as outras pessoas, pois 
te torna diferente, você não caminha na mesma 
direção que eles, você traça seu próprio destino e tem 
resultados expressivos através de renúncias diárias. O 
caminho para alcançar grandes objetivos é a 
constância, enquanto a maioria desiste mediante ao 
primeiro obstáculo, persista. Enquanto eles 
alimentam seus prazeres imediatos, você alimenta 
seus sonhos a longo prazo com trabalho duro todos os 
24 
 
dias, não tenha pena de si mesmo, tenha pena deles 
por não ter a sua mentalidade, seja absolutamente 
implacável quanto aos seus objetivos. 
A genialidade é sempre solitária, criar esse 
ecossistema requer autonomia, você seria capaz de ter 
a sua própria fonte de renda sem depender de um 
trabalho convencional? Você seria capaz de criar um 
repertório de estudos sem se basear na receitinha de 
bolo que ensinam nas escolas? Seria capaz de testar 
os limites do seu corpo praticando musculação todos 
os dias? Essas três coisas requerem disciplina, 
organização e clareza. Romper a camada do senso 
comum exige foco absoluto, exige criar um universo 
interior onde você dita as regras, e principalmente, 
você se sente bem nesse território. 
Seja autodidata, faça isso sozinho; adquira 
habilidades que te possibilite ter a máxima liberdade 
possível, ter uma rotina de estudos fará com que você 
crie seu próprio repertório intelectual, além do mais, 
te colocará à frente daqueles que nunca tocaram em 
25 
 
um livro, aqueles que são apenas papagaios puxa 
sacos de professores, não conseguem sequer formular 
um pensamento próprio, são assim e morrerão assim, 
sendo pessoas comuns, confortáveis com os ideais do 
grupo, repetindo o que os outros fazem sem ao menos 
questionarem a veracidade dos fatos, ou se aquilo é 
moralmente certo. 
Aprender a ser sozinho na prática é criar seu próprio 
destino, quanto mais você se conhecer, mais fácil será 
esse trabalho, é nesse sentido que se encontra a 
solução para a maioria dos problemas comuns que te 
assolam, se hoje você tem problemas de âmbito 
amoroso, é focando nos seus objetivos que irá superar 
isso; ninguém se interessa por um coitado, o princípio 
da atração é a admiração, se o indivíduo age assim, 
naturalmente será visto como alguém digno de pena, 
é por isso que esses marmanjos vivem reclamando 
que estão na friendzone, são uns coitados, querem 
agradar a todos, ficam como cordeirinhos cabisbaixo 
pedindo para entrar na vida de alguém, suplicando por 
26 
 
atenção... enquanto não entenderem essa simples 
lógica do protagonismo, de serem donos do próprio 
destino, continuarão nesse ciclo patético. 
Bom, até aqui eu espero de verdade que você já tenha 
encontrado as respostas para os problemas mais 
comuns, a partir do próximo capítulo nos 
aprofundaremos mais no tema central do livro, você 
irá notar que na mediada em que progredir nessa 
leitura, a linguagem também alcançará certo nível de 
dificuldade, lembre-se dos conselhos no início do 
livro, caso não entenda uma frase ou um trecho, leia 
novamente com mais calma até extrair o sentido claro 
dele. Se possível, anote as referências literárias para 
ler depois, uma obra leva à outra, é assim que se 
forma o pensamento claro e autentico. 
 
 
 
 
27 
 
II PARTE 
 
Somos extremamente reativos, e quem mais 
“entendeu” isso foram os aplicativos, até que ponto 
temos controle dos nossos atos nas redes sociais? 
Aquilo me parece mais uma prisão, likes possuem 
valores emocionais, uma reação nos stories por 
exemplo causam inúmeros efeitos, é como adestrar 
um cãozinho, quando você entende que publicar uma 
foto no feed ou no story significa: receber estímulos 
externos, você fica cada vez mais adestrado, o que 
antes você fazia uma vez por semana, passa a fazer 
todos os dias, depois todas as horas, até se tornar um 
vício; como todos sabemos o vício possui dois lados, 
isto é, o prazer e a recaída. “A caixa de Skinner”, 
basicamente falando, é um experimento feito com 
ratos em laboratórios de psicologia experimental, 
onde colocam ratos em caixas, e através de estímulos 
positivos modulam a conduta daquele animal, serve 
para simular o “modus operandi” do ser humano, se 
refletirmos, é exatamente isso que as redes sociais 
28 
 
fazem com todos nós, somos ratinhos reforçados a 
reproduzir todos os dias determinadas condutas 
através de likes, reações, comentários, 
visualizações... É uma espécie de reforço positivo 
para continuar fazendo aquelas idiotices. Comece a 
controlar seus impulsos colocando sua consciência 
nos pequenos atos, é isso que nos difere dos ratinhos 
de Skinner, temos autoconsciência! Se possível, 
exclua algumas redes sociais, em vez de perder horas 
da sua vida em TikTok, Twitter e Instagram, faça algo 
por você, algo que realmente lhe trará ganhos. 
Boa parte dos teóricos de psicologia social sempre 
enfatizam o fato de que o ser humano é um animal 
sociável, isto é certo, mas se observarmos, 
praticamente todas as patologias psicológicas da 
atualidade são consequência da sociedade, isso 
implica em uma certeza óbvia: O fato de sermos 
animais sociáveis, não significa que a sociedade nos 
faça tão bem assim, significa que a sociedade é um 
meio de garantirmos a nossa sobrevivência e 
29 
 
adquirirmos algumas habilidades sociais. A 
psicologia contemporânea se baseia em um modelo 
de aprendizagem do século XX, em teóricos como: 
Vygotsky e Piaget. É através de processos 
psicológicos elementares que se adquire os processos 
psicológicos superiores (capacidade simbólica, 
consciência, controle da atividade psíquica), e nesta 
parte é importante ressaltar que a construção dos 
signos, ou melhor dizendo, a estrutura da realidade, é 
feita através de experiência no mundo real, que 
posteriormente se transformam em representações 
mentais (ideias, conceitos e imagens), ou seja, a 
sociedade nos ajuda a desenvolver aspectos 
importantes em nós mesmos, sem ela seriamos apenas 
bichos enclausurados como Chuck e sua bola Wilson 
em uma ilha, alienadodo mundo, e neste ponto é que 
falaremos do perigo oculto, que é a outra forma de 
alienação, aquela que é adquirida pela sociedade. A 
alienação social é bem descrita por Le Bon em 
psicologia das massas: 
30 
 
 
A ação inconsciente das massas que substitui a atividade 
consciente dos indivíduos é uma das principais 
características da era atual. (LE BON, 1895, p. 3) 
As decisões de interesse geral, tomadas por uma 
assembleia de pessoas distintas, mas de especialidades 
diferentes, não são sensivelmente superiores às decisões 
que tomaria uma reunião de imbecis. Eles só podem 
colocar em comum as qualidades medíocres que todo 
mundo possui. Nas massas, é a imbecilidade e não a 
genialidade que se acumula. (LE BON, 1895, p. 14) 
 
O que isto significa, amigos? Significa que em meio 
a sociedade você age completamente diferente de 
como seria sozinho ou com uma quantidade inferior 
de pessoas, o indivíduo coloca uma máscara social 
onde sua personalidade consciente desaparece, e os 
sentimentos e ideais são orientados na mesma direção 
do bando; agimos como bichos, é mais fácil se tornar 
idiota quando permanecemos infiltrados nas massas. 
31 
 
Segundo Le Bon, pelo único fato numérico, o 
indivíduo adquire um sentimento de poder invencível 
que lhe permite ceder a instintos que, sozinho, jamais 
teria coragem. Observem as torcidas organizadas, 
manifestações políticas, grupos de estudantes ou até 
mesmo as redes sociais... isso se explica porque em 
meio ao bando é mais fácil fugir das 
responsabilidades, existe um apanhado de regras 
gerais que responsabiliza por todos. 
 
Numa massa, todo sentimento, todo ato é contagioso e 
contagioso a ponto do indivíduo sacrificar muito 
facilmente seu interesse pessoal pelo interesse coletivo. 
Esta é uma aptidão muito contrária à sua natureza e que o 
ser humano só é capaz quando ele faz parte de uma 
massa. (LE BON, 1895, p. 14) 
 
Todo ato reproduzido nas massas é extremamente 
contagioso, mesmo que seja irracional ou imoral; 
entende como pertencer a uma massa pode ser uma 
32 
 
forma de doutrinação? Este é o lado negativo da 
sociedade, o lado em que não tomamos consciência e 
somos levados a reproduzir atitudes autômatas, o que 
traz grandes prejuízos para o indivíduo e ao meu ver, 
é o principal fator para o desenvolvimento de 
ansiedades dentre outras patologias. 
Aprender a ser sozinho, nesse sentido é uma forma de 
libertação, como disse anteriormente, jamais 
excluindo a sociabilidade, mas tomando maior 
consciência da sua manifestação e se desenvolvendo 
independente dela. Lembre-se! A influência coletiva 
sempre será mais forte se você não souber quem 
realmente é. Desenvolva o senso crítico enquanto 
estiver rodeado de pessoas, as massas confundem 
facilmente o subjetivo com o objetivo, sendo assim, 
muitos vislumbrados e iludidos. Não aja conforme as 
regras, questionar é também um esforço de 
consciência acerca do todo, quanto menos 
manipulável, mais independente você se torna. 
33 
 
Neste mesmo sentido das relações interpessoais 
temos, em menor quantidade, os grupos de amigos; 
até que ponto vale a pena estar em um lugar rodeado 
de pessoas que reproduzem atitudes tão medíocres? 
Muitas vezes barganhamos nossos valores por medo 
da solidão, é assim com amigos e também em 
relacionamentos amorosos, mas sobre isso estaremos 
falando logo mais. Veja, amizades são feitas mediante 
aos graus de afinidade, interesse e admiração, é 
importante considerarmos o fato de cada indivíduo 
estar em constante mudança, isso significa que o seu 
amigo de 5 anos atrás pode não ter mais os mesmos 
fatores que fizeram você ter determinada 
consideração por ele, mas mesmo assim você insiste 
em continuar aquela amizade devido ao tempo, e com 
isso acaba copiando manias e condutas antes 
abominadas por você, assim se inicia a barganha de 
valores, começa com uma piadinha imoral e aos 
poucos vai se tornando parte dessa imoralidade. Há 
também as amizades feitas por pressão, a típica 
34 
 
amizade de faculdade, ou você coaduna com 
determinadas ideias, ou será alvo dos piores tipos de 
olhares, cochichos e risadas, eu sei que nesse sentido 
a solidão parece algo triste, mas quero te ajudar a 
ressignificar esse termo, primeiro! Solidão não é uma 
sentença, a solidão é sempre temporária, resistir a 
esse tempo significa: ter controle sobre o que te 
influencia; aqueles que controlam suas influências 
ganham a gloriosa habilidade de escolher que tipo de 
pessoa quer se tornar. Nosso comportamento é 
resultado de inúmeros fatores, mas o principal é o 
ambiente, uma vez que consegue controlá-lo, também 
controlará suas influências, é claro que não será 
possível fazer isso com tudo, estou falando apenas 
daquilo em que nossas escolhas podem alcançar, 
como dizia Sartre: Sofremos as consequências da 
liberdade dos outros. Se a solidão for necessária, 
encare-a! Com o tempo, naturalmente encontrará 
amizades compatíveis, mas lembre-se, estar em meio 
a amizades erradas, sempre te afastará das corretas, 
35 
 
não há como tomar dois caminhos. Solidão sempre 
será uma dádiva se a outra opção for se tornar igual a 
eles. Qualquer um que tenha objetivos potentes deve 
abraçar a solidão e fazer dela um bom abrigo. 
O “problema” iminente da solidão, é que conforme 
você aumenta a qualidade do seu tempo, você se torna 
mais exigente com suas companhias, conversas 
seculares ficam enfadonhas quando você está 
habituado a “dialogar” com poetas mortos, é difícil 
trocar um diálogo profundo com Bruno Tolentino ou 
até mesmo Shakespeare por uma conversa de bar, é 
nesta mesma medida que você se afasta do senso 
comum. A percepção acerca da solidão determina sua 
qualidade, para uns traz pavor, para outros, paz! Por 
que isso? Tem a ver com o ambiente e as crenças 
limitantes que aquela pessoa teve durante a vida, se 
você cresce escutando que leite com manga mata, 
certamente terá medo disso. Entender a necessidade 
de um equilíbrio faz parte da maturidade. 
36 
 
Vemos que a compatibilidade com a solidão varia de 
pessoa para pessoa, pessoas extrovertidas terão menor 
facilidade para se adaptar a solidão, já pessoas 
introvertidas possuem naturalmente essa tendência 
para uma vida mais reclusa, se observamos a teoria da 
libido e as personalidades introvertidas e 
extrovertidas de Jung, vemos que a energia do 
extrovertido flui de maneira natural para o mundo 
externo de objetos, fatos e pessoas. São indivíduos 
que realizam ações antes de pensar, podemos 
mencionar aqui dois temperamentos proeminentes a 
este traço de personalidade, são eles o sanguíneo e o 
colérico; para o extrovertido, a energia flui de dentro 
para fora, ficando mais fácil a adaptação às condições 
externas, pois o extrovertido é mais confiante em 
relação ao objeto. Na introversão, o indivíduo 
direciona a atenção para o seu mundo interno de 
impressões, emoções e pensamentos. No introvertido 
encontramos ações voltadas para o interior, o pensar 
antes de agir, postura reservada, retraimento social, 
37 
 
retenção das emoções, discrição e facilidade de 
expressão escrita. O foco do introvertido se baseia por 
fatores subjetivos. Para Jung, nenhum ser humano é 
exclusivamente um nem outro, assim como os 
temperamentos, há um primário e outro secundário, 
temos ambos em graus diferentes. 
 
“[...] ambas as atitudes existem dentro dele, mas só uma 
delas foi desenvolvida como função de adaptação; logo 
podemos supor que a extroversão cochicha no fundo do 
introvertido, como uma lava, e vice-versa”. (Carl Gustav 
Jung) 
 
Por isso que não existe ser introvertido, existe estar 
introvertido ou extrovertido! Ninguém é inteiramente 
um nem outro, até mesmo a pessoa mais sociável 
precisa de um tempo sozinha, até mesmo a pessoa 
mais antissocial precisa conviver com outras pessoas, 
o perigo iminente está nos exageros,e um dos mais 
recorrentes é aquela em que pela incapacidade de 
38 
 
exercer a mínima introspecção possível, deixa o 
indivíduo completamente refém de um parceiro, 
amigos ou grupos maiores. 
Aprender a ser sozinho é ascender habilidades de 
introspecção, talvez o silêncio seja a maior e a mais 
desafiadora delas. Quando nos tornamos silenciosos, 
absorvemos melhor o significado do mundo exterior, 
isso automaticamente nos traz determinada ordem 
interna; no silêncio encontramos a paz necessária para 
fazer brotar a criatividade, é no silêncio que as 
maiores obras e as maiores revoluções internas 
acontecem, o silêncio é geralmente o maior indicativo 
de que algo realmente mudou em uma pessoa; não há 
mais necessidade de discussão pois estou de bem 
comigo mesmo, não é necessário conversas e 
companhias fúteis, pois percebi que essa harmonia 
interna faz com que eu enxergue tudo como realmente 
é. Lembro-me que uma das principais manifestações 
do silêncio em minha vida foi poder enxergar 
determinados ciclos se repetindo, nessa situação, se 
39 
 
não houvesse o silêncio, com certeza cairia no mesmo 
erro várias vezes. Se não formos capazes de suportar 
o silêncio, buscaremos pelas respostas erradas nas 
massas barulhentas, ficaremos como palha ao vento 
para lá e para cá, de festa em festa, de relacionamento 
em relacionamento, de aventuras em aventuras, nos 
distanciando cada vez mais de nós mesmos e 
colaborando para o caos psicológico. O ditado 
popular diz que temos uma boca e dois ouvidos para 
falar menos e escutar mais; há um fundo de verdade 
nisso, mas não há somente dois ouvidos, também 
temos dois olhos, devemos usar nossa capacidade 
sensorial para identificar erros que já cometemos 
anteriormente, devemos aprender a usar menos a fala 
quando estivermos na presença de pessoas 
desiquilibradas, quantos problemas não teríamos 
evitado se apenas calássemos a boca? É necessário 
abrir mão do orgulho para crescer, nesse sentido, 
perder uma discussão não é sinônimo de fraqueza, 
mas sim de domínio próprio. Manter-se em silêncio 
40 
 
em situações caóticas é um fator determinante para o 
seu desenvolvimento pessoal. 
Sempre tive problemas em me conectar com 
adolescentes, havia sempre uma exagerada 
necessidade de autoafirmação, histeria e um tipo de 
rebeldia idiota, um fator determinante para 
transcender a natureza da própria geração é conviver 
com uma geração mais antiga, ao contrário das 
“crianças”, pessoas mais velhas, por mais simples que 
elas sejam, sempre possuem uma boa experiência 
para passar, há sabedoria nas palavras e respeito ao 
silêncio. Nas poucas vezes que participei de festas, 
me senti completamente deslocado, pensava: Certo! 
O objetivo daquele grupinho é beijar o máximo de 
bocas possíveis, daquele outro é ver quem chama 
mais atenção, e do outro é ter uma experiência 
sobrenatural com drogas psicodélicas, ok! 
Resumindo... os objetivos aqui variam de instinto de 
reprodução a autodestruição. Que coisa mais idiota, 
na manhã seguinte estarão todos do mesmo jeito, 
41 
 
checando suas redes sociais para não terem que 
encarar a dura realidade que a vida passa e ainda estão 
morando com os pais, fazendo um curso qualquer só 
porque todos fazem, e chegarão na vida adulta com 
inúmeros traumas consequência de suas escolhas 
medíocres no passado, mas no fim é isso, precisamos 
aprender a assumir responsabilidades, não adianta 
culpar seus pais, o capitalismo, o governo, o 
patriarcado, as guerras, a religião ou qualquer que 
seja o seu ressentimento, crescer dói, o quanto antes 
você encarar essa dor, melhor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
III PARTE 
 
Somos naturalmente condicionados às certezas, Carl 
Gustav Jung diz que faz parte do processo de 
expansão de consciência abandonar as certezas para 
resolver um problema, isso significa que, se tornar 
mais lucido é difícil porque vai contra a natureza 
humana, olhar para o espelho e enxergar uma pessoa 
que precisa evoluir, é doloroso, mas a força de 
personalidade parte de um princípio de 
autoconsciência, quanto mais sabemos quem somos e 
pra onde queremos ir, mais claro as coisas ficam, até 
então existem vários métodos de psicoterapia para 
isso, são inúmeras abordagens, cada teórico traçará 
um caminho diferente, lembra que falamos de um 
mediador para conduzir a evolução humana? Neste 
caso aqui seria o psicólogo. Mas o que farei aqui é 
atípico, sugiro que este livro faça o papel de agente 
mediador, o que talvez possa te levar para a 
compreensão de si mesmo, aliás, se o que buscamos 
é aprender a ser sozinhos, temos principalmente que 
43 
 
aprender a resolver nossos problemas da mesma 
forma, não por orgulho, mas porque ninguém nunca 
conseguirá acessar nossos sentimentos tão 
profundamente quanto nós mesmos. 
Se observarmos a conduta de um bebê após o seu 
nascimento, ele é apenas o efeito do mundo sobre ele, 
não há consciência de si, após alguns dias ele observa 
os objetos, a figura dos pais, e ali se delineia as 
primeiras impressões da realidade, veja que o 
princípio é: a percepção do ambiente vem antes da 
percepção do indivíduo sobre ele mesmo, só depois 
ele começa a notar seus membros, o timbre da voz, 
seus gostos, etc. Na passagem da infância para a 
adolescência acontece uma transição, na medida em 
que o indivíduo se forma subjetivamente adquirindo 
domínio sobre a linguagem, e posteriormente 
processos psicológicos superiores, seu mundo interno 
— enganosamente — passa a “determinar” o mundo 
externo, se você se sente triste, então tudo lhe parece 
meio cinza, se uma pessoa te rejeita, tudo perde a 
44 
 
graça, se você fica apaixonado então tudo parece mais 
colorido, é neste ponto do desenvolvimento do 
mundo subjetivo que nos perdemos da verdadeira 
percepção da realidade; o mundo passa a ter a ínfima 
medida dos nossos sentimentos e a desconstrução é 
sempre mais dolorosa, mas também é a que determina 
o grau de maturidade de um indivíduo: experiência 
gera dor e dor gera aprendizados, é mais fácil lembrar 
do que sentimos na pele do que adquirimos por via da 
razão, isso significa que o fato de ler este livro te fará 
potencialmente lúcido, mas a efetivação se dará no 
mundo real através do esforço diário de perceber a 
realidade. Suponhamos que você é demitido de um 
emprego, seu impulso o leva naturalmente à raiva, 
depois à pena de si mesmo, um indivíduo apaixonado 
por aquele trabalho faria de tudo para tê-lo 
novamente, caso não fosse possível, este indivíduo 
canalizaria sua dor para alguma forma de depravação, 
como: bebidas, jogos, compras desnecessárias, sexo e 
relações como válvula de escape... como se aquele 
45 
 
emprego fosse tudo, mas não, era apenas o mundinho 
dele, onde as coisas faziam sentido, era uma peça da 
engrenagem onde o todo jamais funcionaria sem; de 
fato, um trabalho é importante, mas uma visão 
apaixonada sobre aquilo faz com que em vez de agir 
rápido e conseguir outro emprego, faça com que 
afunde em seus próprios sentimentos, negando um 
mar de possibilidades. 
Viktor Frankl foi um grande psiquiatra do século XX, 
reconhecido por suas obras e principalmente por sua 
experiência em quatro campos de concentração 
nazistas; naquele cenário notou dois tipos de 
indivíduos: aqueles que se desmoronavam mediante 
aquela realidade, e os que permaneciam firmes como 
uma rocha, esses só permaneciam firmes porque 
tinham um objetivo maior que a própria existência, 
sua vida era regida por um bem maior, em 
contrapartida, a perda de sentido ou desse supremo 
bem estaria na base de todas as neuroses e psicoses. 
Fiz essa menção apenas para continuarmos o 
46 
 
raciocínio anterior, é necessário ter objetivos maiores 
do que aquilo que nos rodeia, caso contrário seremos 
apenas animais reativos, previsíveis e patéticos. 
Sertillanges dizia que aquele que se aprofunda emuma só direção percebe todo o resto com um olhar 
diferente, é necessário fugir da coletividade, é 
necessário aprimorar-se em determinada direção para 
enxergar a mínima verdade nas coisas. É difícil 
enxergar com clareza quando se está confuso, há 
necessidade de fazer mil coisas e vontade de fazer 
nenhuma, o desanimo vem justamente da ansiedade 
de ter que fazer todas ao mesmo tempo, que tal focar 
apenas em uma ou duas coisas? A confusão 
psicológica nasce primeiro da falta de organização, 
defina prioridades, e quando decidir vá até o final, 
todos os caminhos serão atraentes, mas basta um 
momento de negligência para se perder da direção 
certa. É uma forma de humildade reconhecer as 
próprias limitações, aquilo que não alcançares, 
abandone a Deus. Muitas crianças são ensinadas por 
47 
 
seus pais que podem ser o que quiserem, “basta lutar 
para conquistar seus sonhos”, dizem isso e mal sabem 
o monstro que estão criando, viram adultos mimados 
e prepotentes, como no conto “a infância de um 
chefe” de Sartre... não há mal pior do que aquele que 
possui suas crenças limitantes enraizadas na infância, 
o choque de realidade é sempre mais doloroso... seja 
capaz de contar sua própria história, seja réu e juiz de 
si mesmo! Para aqueles que leram meu primeiro livro 
“Conheça a ti mesmo” sabem que falo sobre tudo isso 
de forma mais incisiva, é necessário rasgar o véu que 
ofusca a percepção de nós mesmos, um versículo 
bíblico diz: “se os olhos forem bons, todo o resto 
estará cheio de luz”, evidentemente existe uma 
grande diferença entre organizar e perceber o que é 
bom, mas posso dizer seguramente que nada do que a 
paixão retém é necessariamente bom, mas quando 
alcançamos um supremo bem, temos a certeza de que 
aquilo faz parte do amor, pois é substancial, passou 
pelo teste do tempo, continua sendo o que é, apesar 
48 
 
das circunstancias. As escolhas mais assertivas 
sucumbem a barreira do primeiro momento, o que é 
bom quase nunca é sinal de conforto e facilidade, a 
paixão é muito mais sanguínea nesse sentido, uma 
escolha apaixonada sempre levará ao precipício, 
escolhas apaixonadas na maioria das vezes são feitas 
por influência social. Teorias behavioristas defendem 
que a personalidade humana está quase que 
inteiramente sendo formada pelo ambiente e uma 
parcela é fruto da genética, apesar de excluírem o 
fator alma por falta de recursos humanamente 
impossíveis de mensurar , é certo que isso seja 
parcialmente verdade, o risco está em definirmos o 
ser humano como um ser passivo ao ambiente, 
acredito que na medida em que ganhamos consciência 
sobre o que nos rodeia, também alcançamos 
determinado controle sobre o que absorvemos, quanto 
mais consciente, mais autônomo é o indivíduo — 
autonomia significa liberdade! 
49 
 
Se investigarmos o grau de consciência que temos 
sobre as coisas, notaremos que não sabemos 
praticamente nada sobre quase tudo, você seria capaz 
de me dizer quais são as peças que compõem o 
aparelho celular que você usa? Mesmo que você seja 
um técnico, saberia me dizer quais são as matérias que 
as peças são constituídas? Seria capaz de olhar uma 
xicara de café e me dizer quais foram as etapas que 
ela sofreu até a sua produção como um todo? A 
logística, os departamentos da empresa, o conjunto de 
matérias primas que fazem uma xicara ser uma 
xicara? Se mal sabemos responder perguntas sobre 
elementos que compõem um objeto tão comum, 
imagine um sentimento. Sabemos falar basicamente o 
que é uma cadeira, mas não sabemos falar o que é a 
dor, não sabemos falar o que é o frio. Por que é tão 
difícil explicar aquilo que sentimos? Não existe uma 
estrutura básica ou material para nos nortear. Durante 
muito tempo eu tentei mesurar essas coisas, encontrei 
em Aristóteles um exemplo a ser seguido, foi o 
50 
 
homem mais lúcido que conheci, por mais difícil que 
seja angariar consciência acerca dos objetos e dos 
sentimentos, esse esforço de entendimento nos 
aproxima da realidade, tudo fica mais confuso quando 
está apenas em nossa mente, mas quando olhamos 
para o externo, conseguimos de certa forma encontrar 
a ordem para nos guiarmos internamente, pois 
atribuímos significado aquele sentimento. Acerca das 
emoções, encontrei nos clássicos praticamente todas 
as respostas, é necessário inteligência e humildade 
para aprender com os melhores, sim! Os poetas são 
sempre os melhores nisso, um bom escritor sabe 
como transformar sentimentos em palavras, não estou 
falando de romances adolescentes, estou falando de 
Shakespeare, Alexandre Dumas, Fiódor Dostoiévski, 
Machado de Assis, Liev Tolstói, Victor Hugo, Júlio 
Verne, Anton Tchekhov, Balzac, etc. Conforme sua 
envergadura intelectual aumenta lendo bons livros, 
você também adquire novos valores simbólicos para 
aquilo que antes era indescritível, antagônico a esta 
51 
 
direção temos os livros de autoajuda, não há como 
adquirir profundidade consumindo o que todos 
consomem, duvide de tudo que for fácil demais, 
crescer dói, evoluir dói, bons resultados são 
adquiridos a longo prazo e com disciplina, não existe 
formula mágica para a vida. 
Aprender a ser sozinho também é aprender a evoluir 
sozinho, é necessário adquirir um olhar crítico acerca 
das coisas, como disse, o esforço de enxergar o que 
nos rodeia com profundidade é um excelente 
exercício para conquistar a definição intrínseca 
daquilo, você está treinando “seus olhos” para 
enxergar a verdade, não de forma romantizada, mas 
com o máximo realismo possível, não se trata de 
enxergar o que você quer, mas o que realmente é, não 
se conforme apenas com a percepção sensorial, se 
esforce para ir além da imagem presente. Ao olhar um 
ser humano, somos tentados a rotulá-lo pela sua 
fisionomia e pelo que ele diz ou defende, claro que 
isso diz muito sobre ele, mas é mais do que isso, a 
52 
 
subjetividade de cada indivíduo se equipara a 
subjetividade do universo, algumas pessoas 
reproduzem apenas o que lhes foi imbuída durante 
toda a sua vida, por seus pais, professores, amigos, 
artistas e etc. Quando aprendemos a observar o 
indivíduo com um pouco mais de atenção isso 
também determina a nossa conduta, você 
automaticamente para de agir de forma tola e reativa, 
como se fosse um animal selvagem, em algumas 
situações lhe cabe o silêncio, por mais certo que você 
esteja, aprenda a observar, reter o real significado 
daquilo que se apresenta e agir de forma racional 
naquele cenário. 
 
 
 
 
 
 
53 
 
IV PARTE 
 
Para a falta de sentido basta a própria limitação de 
nossas mentes, assim como o veneno de uma cobra, 
existem dois lados: a morte e a cura. O jovem olha 
para a realidade e a falta de experiência o faz 
demasiado niilista, uma pessoa madura olha para a 
realidade e passa a valorizar mais sua própria vida, 
mas um apaixonado é sempre um jovem patético 
(independentemente da idade) que desconhece o 
amor, nega a realidade e consequentemente quebra a 
cara, quando isto acontece ele busca por ajuda ou se 
tranca em um quarto escuro, neste ponto devemos 
admirar a conduta das mulheres, elas sempre têm uma 
amiga para conversar sobre seus sentimentos — 
algumas pessoas possuem a sorte de terem amigos 
mais inteligentes que eles mesmos. Se você olha para 
o céu ao fim de tarde, enxerga determinada beleza, 
mas aquilo parece estático então logo se entedia, mas 
se você reconhece os detalhes, então enxerga que tudo 
se mexe e quem é o estático nesse mundo é você, que 
54 
 
enquanto tudo se move e se transforma lá fora, está lá 
a formiguinha ansiosa, és como uma borboleta que 
tem apenas quinze dias para mostrar sua beleza e 
depois tem com a terra o limite de seu organismo, 
com isto quero dizer que a percepção da realidade nos 
faz seletivos quanto à medida do nosso sofrimento, 
você não sofre por coisas idiotas da mesma forma que 
não se apaixonapor qualquer coisa, me parece que 
nos apaixonamos e isto define o grau da angustia em 
várias escalas, pois a paixão não possui tanta 
substância quanto o amor, apesar de aflorar 
sentimentos mais fortes e curtos, portanto, o amor é a 
estabilidade emocional, a certeza, a razão e a nobreza. 
Pela paixão os idiotas se matam em troco de nada, 
mas aqueles que sacrificam a vida por amor, está em 
paz, pois conseguiu medir o peso da sua vida para 
com aquilo que foi digno de sacrifício. Em “Sonho de 
uma noite de verão”, a paixão seria a exata imagem 
dos jovens cortesãos apaixonados por Hérmia, 
meninos enfeitiçados e confusos, na verdade, em toda 
55 
 
a obra vemos a verdadeira essência da paixão: 
rebelde, tola, confusa, dolorosa e em suma: 
mentirosa. 
Se aprender a ser sozinho é conceber o valor real das 
coisas, o contrário seria viver na ilusão, alienado, 
essas duas últimas definições significam estar 
apaixonado. Uma pessoa apaixonada pela vida é 
sempre um alienado, aquele que a ama, suporta a 
solidão, pois conhece as duas faces da moeda, não 
apenas aquilo que lhe é conveniente. 
O conceito de amor antes mesmo do período 
helenístico, revela sua face no grande Banquete em 
que Sócrates participa e ganha a admiração daqueles 
que se achavam conhecedores do amor. Segundo 
Platão no diálogo de Sócrates com Diotima, o amor 
seria, portanto, o intermediador entre os deuses e os 
homens comuns. Aquele que ama, deseja o que é bom 
aos seus próprios olhos, e se esta bondade não for 
equivalente à realidade? Então seria uma ilusão, pois 
parece bom, mas não é, não passa de uma paixão. O 
56 
 
amor é o desejo de ter parte de si ao eterno, ou melhor, 
o desejo de imortalidade. De fato, todos nós somos 
parte do desejo de alguém em se tornar imortal, neste 
sentido vemos que a força motriz do amor possui mais 
profundidade do que qualquer paixão, observe a 
conduta de uma mãe para com a sua prole, seria capaz 
de enfrentar o que fosse para defende-la, agora 
compare este mesmo impulso com a de um jovem que 
levou um pé na bunda da namorada, seu impulso não 
visa nada além de possuir o que se perdeu, de certa 
forma, egoísta, pois não a ama, apenas não sabe lidar 
com a rejeição, sob esta lente é que todos os efeitos 
da paixão se estabelecem, que é a própria negação da 
realidade. Eros representava o deus do amor na 
Grécia, é engraçado pensar que o homem precisou 
criar um deus imortal para representar o seu desejo de 
imortalidade, sendo assim, nunca se distanciando da 
sua essência, e de fato talvez esta seja uma essência 
divina, nos foge o domínio à mensuração do abstrato, 
pois o amor, assim como todos os outros sentimentos 
57 
 
possuem naturezas subjetivas, talvez a mesma de um 
criador absoluto. Se o amor possui a natureza divina, 
talvez a paixão seja a que mais represente a natureza 
humana, o amor seria sinônimo de imortalidade, 
enquanto a paixão o oposto. Eis a medida da alma 
humana, mesmo sendo pequenos quanto uma 
formiga, participamos do divino e do ínfimo, nesse 
sentido somos livres para elevar nosso espírito ou 
rebaixa-los para o nível mais comum; nunca será um 
trabalho muito fácil, ver é diferente de enxergar, o 
ambiente influencia, nossas crenças, nossos amigos, 
trabalho, faculdade, família, etc. 
 
 
 
 
 
 
58 
 
V PARTE 
 
Certa vez estava no segundo andar de um shopping, 
era feriado e o local estava cheio, aquela vista dava 
direto para a praça de alimentação no térreo, enquanto 
olhava aquele formigueiro de gente, pensava: Há 100 
anos ninguém aqui estava vivo, 100 anos depois todos 
estarão debaixo da terra sendo devorados por vermes, 
e naquela terra serão deixados todo o substrato, ou 
resquício daquilo que tanto se envaideceu, como no 
juramento de Hipócrates, naquela terra úmida terá um 
corpo que amou, odiou, entristeceu e fez planos, fez 
planos como se fosse eterno, angustiou-se como se 
não houvesse presente, martirizou-se na ilusão de que 
o passado fosse real... os estoicos diziam que o 
presente é tudo o que temos, de certa forma estavam 
certos, mas algo lá no fundo me faz pensar que eram 
todos como os coaches de hoje, insuportáveis, havia 
um certo glamour naquilo, uma ilusão sofista, uma 
consequência histórica, sempre que há demasiado 
peso social, surge também uma geração de 
59 
 
apaziguadores que abandonam o estudo sistemático 
para motivar os indivíduos... enfim, sob essa 
perspectiva parece que nada faz sentido, a 
complexidade universal está para o ser humano, como 
um gato está para a mecânica quântica, é impossível 
desconsiderar nossa limitação. 
Meu ceticismo leva-me a aceitar que a falta de sentido 
humano se dá pela existência de um Deus, a falta de 
sentido humano é o olhar de uma formiga para um 
prédio, se lhes fosse imbuído certa porcentagem de 
raciocínio com base na medida humana, certamente 
olharia para o prédio e a interpretaria como um grande 
formigueiro, mas não saberia explicar a engenharia, a 
arquitetura, o sistema elétrico, ou até mesmo como a 
própria eletricidade se faz luz naquele imenso 
edifício. Mas mesmo assim, a pobre formiga seria 
tomada por tamanha vaidade a ponto de se achar 
melhor do que aquela que cumpre o seu papel natural 
na colônia: nascer, acumular folhas, garantir a 
sobrevivência do grupo e morrer. 
60 
 
Quando falo sobre as paixões vulgares, refiro-me as 
ilusões seculares, refiro-me ao cerne da angustia 
majoritária, sim! Estou falando justamente do 
indivíduo que foi traído por uma pessoa e agora sai 
por aí reproduzindo o mal que lhe fizeram, um pobre 
coitado que não sabe lidar com as emoções e se 
afunda em bebidas. Se por um segundo soubesse que 
em todo esse tempo tem sido apenas o resultado do 
ambiente que o cerca, colocaria as mãos sobre a 
cabeça e enxergaria de fora a própria imagem patética 
de um indivíduo que passou a vida inteira preso sob o 
domínio dos outros. A verdadeira liberdade se 
confirma pela capacidade que uma pessoa tem de 
permanecer a sós consigo mesmo, a qualidade das 
suas emoções, mesmo sozinho, revela a sua 
verdadeira potência. 
Até que a solidão se torne boa, e para essa outra face 
chamamos de solitude, devemos antes aprender a 
conviver com a dor. É um tanto quanto infantil ver o 
indivíduo se afundando em desgosto por esperar 
61 
 
demais da vida, ele murmura para todos os cantos, e 
por último questiona o próprio Deus acerca da sua 
onipotência, na sua imaginação, se Deus é bom e 
sublime, deveria conceder à humanidade um oásis ou 
um lugar onde não existisse dor e sofrimento, mas se 
todos esses desejos fossem atendidos, como se 
preencheria a vida humana, em que se empregaria o 
tempo? Schopenhauer diz: 
 
“Coloque-se essa raça em um país de fadas, onde tudo 
cresceria espontaneamente, onde as calhandras voariam 
já assadas ao alcance de todas as bocas, onde todos 
encontrariam sem dificuldade a sua amada e a obteriam o 
mais facilmente possível – ver-se-ia então os homens 
morrerem de tédio ou enforcarem-se, outros disputarem-
se e causarem-se mutuamente mais sofrimentos do que a 
natureza agora lhes impões. Assim, para semelhante raça, 
nenhum outro teatro, nenhuma outra existência conviriam. 
(Schopenhauer, as dores do mundo p.26) 
 
62 
 
A vida é essa completa subjetividade onde, se 
optamos em enxergá-la como um apaixonado, 
acabamos em desilusão, se olhamos com demasiado 
pessimismo, torna-se amargo como fel. Nesse 
sentido, me atenho a definição de amor que o próprio 
Cristo ensinou, na bíblia em nenhum momento amor 
é algo confortável, para Cristo amor é uma escolha, 
amor é sinônimo de dor, amor é a verdade. A paixão 
faz com que alguém ande com você, conviva, abrace, 
beije e depois traia por trinta moedas de prata, esse 
breve livreto é a insistente tentativa de lhe convencer 
a matar as paixões em sua vida, não é pelo que a 
pessoa diz, mas sim peloque ela faz, não é pela 
beleza, mas sim pelo que fica depois que ela se vai. 
Viver significa sofrer, o útero é o lugar mais seguro e 
confortável que alguém já morou, a partir do 
momento em que é dado o primeiro folego de vida, é 
a dor que adentra juntamente com o ar nos virgens 
pulmões daquele bebê, o choro da criança é o 
sofrimento de sentir os efeitos da vida naquele frágil 
63 
 
ser, a grande tarefa de cada indivíduo é se tornar forte 
conforme cresce, eu sei, não é fácil, crescer dói, mas 
um fator determinante para nos adaptarmos a ela é, 
uma vez por todas, parar de culpar os outros, mesmo 
que haja de fato um culpado, assuma 
responsabilidades, você não vai conseguir superar 
momentos caóticos se vitimizando, pare de esperar 
que os outros te ajudem, comece a resolver seus 
problemas sozinho. É fundamental entendermos que, 
a solidão só será positiva se soubermos administrar 
nossas emoções, fazer isso sozinho implica em 
assumir a irresponsabilidade dos outros também, você 
não é culpado pelo que fizeram com você, mas o que 
irá fazer com esse sentimento é de sua total 
responsabilidade. Passe a esperar menos das pessoas, 
eu costumo sempre me lembrar do termo: trust no 
one. Pois no fim não há quem não o decepcione nessa 
vida, quando escolher amar alguém, ame também a 
sua possibilidade de errar, antes de amar a vida, 
64 
 
aprenda a ser o seu próprio porto seguro. Espero ter 
sido útil. Adeus!

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