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Orientadora: Profa. Me. Mariana Alves Pexe
Discentes: Luciana Tereza Leite da Silva
Lucas Henrique Santos Polidorio
Kettylem Regina Borges Ferreira
Uso de Telas na Infância Atípica:
Impactos no Neurodesenvolvimento e Possibilidades de Inclusão
Introdução
Em uma sociedade imersa na cultura das telas digitais, é necessário pensar como o desenvolvimento de crianças atípicas pode ser afetado por essa exposição excessiva: desordens no sono; prejuízos cognitivos, linguísticos, socioemocionais e comportamentais.
A tecnologia, antes limitada a espaços específicos, passou a integrar a rotina de crianças, oferecendo possibilidades de aprendizagem, lazer e socialização, mas também impondo desafios significativos ao neurodesenvolvimento, especialmente em crianças com desenvolvimento atípico (PAIVA e COSTA, 2015).
O isolamento na pandemia COVID-19 expôs dificuldades e desigualdades familiares, causando suporte limitado a terapias especializadas, sobretudo às famílias de baixa renda e baixa escolaridade (NOBRE et al., 2021 e TAKAHASHI et al., 2025).
Possibilidades de usar a tecnologia como ferramenta de inclusão demandam formação continuada e diálogo com as famílias, para que as telas sejam utilizadas como recursos pedagógicos inclusivos (NOBRE et al., 2021).
Continua...
Introdução
Para crianças neurodivergentes, aplicativos interativos podem fomentar comunicação alternativa e habilidades sociais em ambientes controlados, reduzindo barreiras à aprendizagem, e a mediação parental pode transformar telas em pontes para interações reais (ZHAO et al, 2025).
Providello et al. (2023) reforçam que a percepção dos pais sobre os impactos das telas no desenvolvimento dos filhos é fundamental para orientar práticas educativas mais conscientes, pois atividades essenciais ao desenvolvimento, como brincadeiras livres, socialização direta e vínculos afetivos familiares, têm sido frequentemente substituídas pela tela.
MÉTODOS
1. Revisão da literatura, organizada a partir da leitura de estudos científicos, livros, capítulos e relatórios publicados entre 2009 e 2025, em português e inglês, que abordassem diretamente o impacto das telas em crianças com desenvolvimento atípico (TEA, TDAH, DI, transtornos sensoriais/motores);
2. A análise de natureza interpretativa e comparativa, identificando convergências e divergências entre os estudos quanto aos riscos, benefícios e estratégias de uso consciente das tecnologias digitais no contexto infantil atípico.
3. Os materiais foram organizados em eixos temáticos: impactos cognitivos, socioemocionais e motores; papel da mediação (familiar e escolar); potencial inclusivo da tecnologia, permitindo uma visão integrada e reflexiva do fenômeno.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Impactos cognitivos, socioemocionais e motores:
Pesquisas apontam que o uso excessivo e sem supervisão das telas afeta negativamente funções cognitivas, como atenção e linguagem, sobretudo na primeira infância (SILVA E SANTOS, 2017; PAIVA E COSTA, 2015);
Na primeira infância, período em que o cérebro depende da experiência concreta para organizar funções executivas, autorregulação e linguagem, estudos de Tisseron (2024) demonstram que o uso excessivo, precoce e não supervisionado pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, emocional e linguístico.
É importante ressaltar que mais importante que o tempo de exposição é a qualidade do conteúdo oferecido;
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Papel da mediação familiar e escolar:
Trata-se de um elemento chave para minimizar riscos e sabemos que aplicativos interativos podem fomentar comunicação alternativa e habilidades sociais em ambientes controlados, reduzindo barreiras à aprendizagem (YILMAZ et al., 2025);
Tisseron (2021) também observa que o aumento do consumo digital na infância e adolescência está relacionado à falta de educação para autorregulação, ao modelo de uso fornecido pelos pais e à ausência de alternativas não digitais no cotidiano familiar.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Papel da mediação familiar e escolar:
c. Meta-análise recente reforça que a qualidade do conteúdo e a ausência de supervisão adulta são preditores mais fortes de atrasos na linguagem e engajamento social do que o tempo isolado (MADIGAN et al., 2025).
d. Heffler et al., 2024 alertam que a exposição precoce sem mediação pode prejudicar o processamento sensorial e intensificar dificuldades socioemocionais e Zhao et al. (2025) também destacam que a mediação parental contribui para reduzir atrasos linguísticos;
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Potencial inclusivo da Tecnologia:
O uso de telas pode trazer benefícios quando ocorre com intenção pedagógica e supervisão; essas tecnologias facilitam a comunicação alternativa, estimulam o desenvolvimento cognitivo, apoiam a inclusão escolar e aumentam o engajamento de crianças com limitações motoras ou sensoriais;
b. Aplicativos interativos podem ainda reduzir déficits de atenção e linguagem em crianças com TEA, como apontado por Yilmaz et al. (2025) ao identificar ganhos em habilidades sociais e emocionais por meio de tablets.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Potencial inclusivo da Tecnologia:
c. Facilitação da comunicação por meios alternativos e aumentativos (CAA), estímulo ao desenvolvimento cognitivo por meio de conteúdos educativos, apoio à adaptação curricular em contextos inclusivos, ampliação do engajamento de alunos com dificuldades motoras ou sensoriais;
d. A tecnologia, mediada conscientemente, pode reduzir barreiras comunicativas, ampliar oportunidades de aprendizagem e favorecer a participação social plena de crianças com TEA, TDAH e DI, configurando-se como potente aliado para a construção de uma infância verdadeiramente inclusiva.
CONCLUSÃO
A mediação ativa de adultos, familiares, educadores e profissionais da saúde é elemento central para que a tecnologia atue como aliada no desenvolvimento infantil;
A formação continuada e o diálogo com as famílias configuram estratégias essenciais para que as telas sejam utilizadas como recursos pedagógicos inclusivos (NOBRE et al., 2021).
O uso equilibrado das tecnologias deve priorizar seu papel como ferramentas de aprendizagem e interação, sem substituir experiências sociais e sensoriais fundamentais. A mediação conjunta entre família, escola e saúde é apontada como base para garantir desenvolvimento integral (PROVIDELLO et al., 2023).
CONCLUSÃO
4. O uso excessivo de telas ou sem mediação pode intensificar dificuldades relacionadas à atenção, linguagem, interação social e autorregulação emocional e sua utilização deve integrar um contexto equilibrado, com interação humana significativa e estímulos presenciais;
5. A tecnologia apresenta potencial para promover autonomia e participação social, desde que empregada com planejamento e intencionalidade pedagógica, com a elaboração de materiais orientativos para famílias e investimentos em formação docente contínua.
REFERÊNCIAS
HEFFLER, K. F. et al. Early-Life Digital Media Experiences and Development of Atypical Sensory Processing. JAMA Pediatrics, v. 178, n. 3, p. 266-273, 2024. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/fullarticle/2813443. Acesso em: 17 nov. 2025.
MADIGAN, S. et al. Associations between screen use and child language skills: a systematic review and meta-analysis. JAMA Pediatrics, Chicago, v. 174, n. 7, p. 665-675, 2025. doi:10.1001/jamapediatrics.2020.0327.
NOBRE, J. N. P. et al. Fatores determinantes no tempo de tela de crianças na primeira infância. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 3, p. 1127–1136, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232021263.00602019. Acesso em: 17 nov. 2025.
PAIVA, N. M. N.; COSTA,J. S. C. A influência da tecnologia na infância: desenvolvimento ou ameaça? Psicologia PT, 2015. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0839.pdf. Acesso em: 17 nov. 2025.
PROVIDELLO, C. F.; FERREIRA, M. C. F.; HAGE, S. R. V. Uso de telas de mão e desenvolvimento da linguagem: percepção dos pais para a construção de cartilha orientativa. Revista CEFAC, v. 25, p. e1923, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rcefac/a/gGnMw9QMfhCGrFzkLm6skdM/?lang=pt. Acesso em: 17 nov. 2025.
SILVA, D. S.; SANTOS, M. F. R. Os prejuízos dos excessos do uso da tecnologia no desenvolvimento cognitivo dos bebês. In: Anais das Comunicações Acadêmicas – III Semana da Fundação. Itaperuna, RJ: Fundação São José, 2017. Disponível em: http://www.fsj.edu.br/transformar/index.php/transformar/article/viewFile/113/109#page=182. Acesso em: 17 nov. 2025.
TAKAHASHI, I. et al. Bidirectional associations between screen time and children’s externalizing and internalizing behaviors during the COVID-19 pandemic. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, [s. l.], v. 64, n. 6, p. 678-689, june 2025. doi:10.1016/j.jaac.2024.11.008.
TISSERON, S. Os perigos da TV para os bebês: não à formatação dos cérebros. Toulouse: Éditions Érès, 2009.
YILMAZ, G. et al. Technology-assisted interventions for children with autism spectrum disorder: a systematic review of randomized controlled trials (2019-2024). Research in Developmental Disabilities, [s. l.], v. 147, 104694, 2025. doi:10.1016/j.ridd.2025.104694.
ZHAO, J. et al. Association between screen time trajectory and early childhood development: a population-based study in Shanghai. Frontiers in Public Health, Lausanne, v. 13, 1403765, may 2025. doi:10.3389/fpubh.2025.1403765.
OBRIGADO!
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