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NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 1 NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Elda Lúcia Freitas Campos Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Lucas Serrão Silvana Nascimento de Carvalho Luciana Pereira Santos A interseção entre neurociência educacional e metodologias ativas tem se mostrado promissora para o ensino de Matemática em escolas públicas, especialmente diante dos desafios de engajamento e aprendizagem enfrentados por alunos e professores. A neurociência cognitiva oferece bases científicas sobre como o cérebro aprende, armazenando e recuperando informações, o que favorece a elaboração de estratégias pedagógicas mais eficazes. Metodologias ativas — como aprendizagem baseada em projetos, gamificação, sala de aula invertida, uso de tecnologias digitais e laboratórios pedagógicos — têm ganhado espaço por promoverem maior protagonismo do estudante e favorecem a aprendizagem significativa. Segundo Altino Filho et al. (2020), as metodologias ativas contribuem para um ensino mais dinâmico e participativo, sendo bem avaliadas por professores e pesquisadores. Oliveira et al. (2023) evidenciam que, embora docentes reconheçam os benefícios dessas abordagens, enfrentam obstáculos estruturais e formativos em escolas públicas. Já Ferreira et al. (2021) destacam experiências bem-sucedidas com metodologias ativas em ensino remoto, revelando o potencial dessas práticas mesmo em contextos desafiadores. A neurociência educacional fundamenta a importância do envolvimento ativo do aluno na aprendizagem. Amá e Fonseca (2019) enfatizam que os projetos de aprendizagem, quando alinhados ao funcionamento cognitivo do cérebro, facilitam a internalização de conceitos complexos, como os estatísticos. Samá (2023) reforça esse ponto ao mostrar como o Laboratório de Ensino de Matemática (LEM), guiado por princípios neurocientíficos, pode ser um espaço de experimentação e inovação pedagógica. Estudos como os de Barbosa e Miola (2024) evidenciam o desafio de alinhar essas práticas às diretrizes da BNCC, especialmente em relação à formação docente inicial e continuada. A formação de professores, segundo Silva et al. (2024), deve incluir espaços de experimentação e reflexão crítica sobre as metodologias ativas, o que ainda é incipiente em muitos contextos públicos. O uso de tecnologias também desponta como ferramenta importante. Cunha et al. (2025) mostram que realidade estendida e aprendizado de máquina podem transformar o ensino de geometria, ampliando o engajamento e a compreensão espacial. Vieira e Gomes (2021) relatam experiências positivas com ferramentas como Khan Academy e Wordwall, embora alertem para desigualdades no acesso tecnológico. O papel da gamificação no processo ensino-aprendizagem, conforme apresentado por Silva, Sales e Castro (2019), indicam que elementos lúdicos favorecem a motivação e o foco, aspectos fundamentais segundo a neurociência para a consolidação da memória e aprendizagem duradoura. Os trabalhos de Rother (2016) e Jerônimo et al. (2020) reforçam que, quando bem planejadas, as metodologias ativas contribuem para uma abordagem mais inclusiva, desenvolvendo habilidades cognitivas, emocionais e sociais dos alunos — aspectos frequentemente negligenciados em métodos tradicionais. A integração entre neurociência educacional e metodologias ativas é uma via promissora para melhorar o ensino de Matemática em escolas públicas, é essencial investir na formação docente, infraestrutura e políticas públicas que sustentem essa transformação pedagógica de forma equitativa e efetiva. Palavras-chave: Neurociência educacional; metodologias ativas; ensino de matemática; escolas públicas; formação docente; tecnologias educacionais; aprendizagem significativa. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 2 EDUCATIONAL NEUROSCIENCE AND THE DEVELOPMENT OF ACTIVE METHODOLOGIES FOR TEACHING MATHEMATICS IN PUBLIC SCHOOLS Elda Lúcia Freitas Campos Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Lucas Serrão Silvana Nascimento de Carvalho Luciana Pereira Santos The intersection between educational neuroscience and active methodologies has proven promising for the teaching of Mathematics in public schools, especially in light of the engagement and learning challenges faced by both students and teachers. Cognitive neuroscience offers scientific foundations on how the brain learns, stores, and retrieves information, supporting the development of more effective pedagogical strategies. Active methodologies — such as project- based learning, gamification, flipped classroom, use of digital technologies, and pedagogical laboratories — have gained prominence by promoting student agency and meaningful learning. According to Altino Filho et al. (2020), active methodologies contribute to a more dynamic and participatory teaching process, receiving positive evaluations from both educators and researchers. Oliveira et al. (2023) highlight that although teachers recognize the benefits of these approaches, they face structural and training-related obstacles in public school environments. Ferreira et al. (2021) point out successful experiences with active methodologies in remote education, demonstrating their potential even in challenging contexts. Educational neuroscience underscores the importance of active student engagement in learning. Amá and Fonseca (2019) emphasize that learning projects, when aligned with the cognitive functioning of the brain, facilitate the internalization of complex concepts, such as those related to statistics. Samá (2023) reinforces this by showing how the Mathematics Teaching Laboratory (LEM), guided by neuroscientific principles, can serve as a space for pedagogical experimentation and innovation. Studies by Barbosa and Miola (2024) reveal the difficulty of aligning these practices with the guidelines of the BNCC (Brazilian National Common Curricular Base), particularly regarding initial and continuing teacher education. According to Silva et al. (2024), teacher training should include spaces for experimentation and critical reflection on active methodologies — a still limited practice in many public school settings. The use of technology also emerges as a key tool. Cunha et al. (2025) demonstrate that extended reality and machine learning can transform the teaching of geometry, increasing engagement and spatial understanding. Vieira and Gomes (2021) report positive experiences with tools such as Khan Academy and Wordwall, though they caution about technological access inequalities. The role of gamification in the teaching-learning process, as presented by Silva, Sales, and Castro (2019), indicates that playful elements enhance motivation and focus — essential factors according to neuroscience for memory consolidation and long-term learning. The work of Rother (2016) and Jerônimo et al. (2020) supports the idea that, when well- planned, active methodologies contribute to a more inclusive approach, developing students’ cognitive, emotional, and social skills — aspects often overlooked by traditional methods. The integration of educational neuroscience and active methodologies represents a promising pathway to improve Mathematics teaching in public schools. However, it is essential to invest in teacher training, infrastructure, and public policies that can support this pedagogical transformation in an equitable and effective manner. Keywords: Educational neuroscience; active methodologies; mathematics teaching; public schools; teacher training; educational technologies; meaningful learning. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIASpara a implementação eficaz de metodologias ativas e práticas pedagógicas alinhadas com os avanços da neurociência, pois promove a construção de saberes docentes baseados em dados concretos, reforça a capacidade reflexiva dos professores e favorece uma educação matemática mais democrática, contextualizada e centrada no aluno. O acompanhamento sistemático e a avaliação da formação docente são igualmente importantes para assegurar que os conhecimentos adquiridos estejam sendo aplicados e gerando impactos positivos na aprendizagem dos estudantes. Ferramentas de avaliação reflexiva, feedback NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 24 contínuo e estudo de casos reais ajudam a ajustar e aprimorar o processo formativo, promovendo a melhoria contínua das práticas pedagógicas (Vieira e Gomes, 2021). A formação docente baseada em evidências representa um investimento essencial para a transformação da educação matemática nas escolas públicas. Ao capacitar os professores para compreenderem e aplicarem os princípios da neurociência educacional e as metodologias ativas, a escola fortalece sua função social de promover uma aprendizagem significativa, inclusiva e alinhada aos desafios do século XXI. Como ressaltam Vieira e Gomes (2021, p. 12) e Jerônimo et al. (2020, p. 5), essa formação contínua e integrada é o caminho para a inovação educativa e a promoção da equidade em contextos escolares diversos. 3. CONCLUSÃO A integração da neurociência educacional com metodologias ativas representa uma grande oportunidade para revolucionar o ensino da matemática nas escolas públicas. Ao compreender os processos cerebrais envolvidos na aprendizagem, é possível desenvolver práticas pedagógicas que respeitam as diferenças individuais e potencializam a capacidade de cada aluno. As metodologias ativas, por sua vez, promovem o engajamento, o protagonismo e o pensamento crítico, tornando o aprendizado mais significativo e duradouro. Essa combinação não apenas aprimora o domínio dos conteúdos matemáticos, mas também contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes, envolvendo aspectos cognitivos, emocionais e sociais. Ao adaptar estratégias pedagógicas baseadas em evidências científicas, a escola pública se torna um ambiente mais inclusivo e equitativo, capaz de atender às diversas necessidades dos alunos, inclusive daqueles com dificuldades específicas de aprendizagem. A formação continuada dos professores, apoiada em fundamentos neurocientíficos e metodologias ativas, é essencial para garantir que essas práticas sejam aplicadas de forma eficaz e contextualizada. Essa preparação fortalece a autonomia docente e incentiva a inovação pedagógica, promovendo melhorias constantes no processo de ensino-aprendizagem. A neurociência educacional e as metodologias ativas funcionam como ferramentas complementares e transformadoras, que possibilitam o avanço da educação matemática nas escolas públicas. Elas contribuem para a construção de um ensino mais dinâmico, participativo e alinhado aos desafios do século XXI, preparando os estudantes para uma vida acadêmica e profissional de sucesso. Ao apostar nessa integração, gestores, educadores e formuladores de políticas públicas estarão investindo na construção de um futuro mais justo e promissor, onde o conhecimento NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 25 matemático deixa de ser um obstáculo para se tornar uma ponte para novas oportunidades e conquistas. O caminho para essa transformação já está traçado e cabe à comunidade escolar abraçá-lo com compromisso e entusiasmo. REFERÊNCIAS ALTINO FILHO, H. V.; NUNES, C. M. F.; FERREIRA, A. C. Metodologias ativas no ensino de Matemática: que dizem as pesquisas? Pensar Acadêmico, v. 18, n. 1, 2020. Disponível em: https://pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/pensaracademico/article/view/1705. Acesso em: 18 jul. 2025. AMÁ, S.; FONSECA, L. Projetos de aprendizagem sob as lentes da neurociência cognitiva: possibilidade para a construção de conceitos estatísticos. Revemat, Florianópolis, v. 14, p. 1– 16, 2019. Disponível em: https://portaldeperiodicos.ufopa.edu.br/index.php/revistaexitus/article/view/2758. Acesso em: 18 jul. 2025. BARBOSA, I. de O.; MIOLA, A. F. de S. Metodologias ativas na prática pedagógica de professores de Matemática e desafios da implementação da BNCC. Anais do XVIII SESEMAT, v. 18, n. 1, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufms.br/index.php/sesemat/article/view/21704. 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La neurociencia cognitiva proporciona fundamentos científicos sobre cómo el cerebro aprende, almacena y recupera información, lo que favorece el desarrollo de estrategias pedagógicas más eficaces.Las metodologías activas —como el aprendizaje basado en proyectos, la gamificación, el aula invertida, el uso de tecnologías digitales y los laboratorios pedagógicos— han ganado espacio por fomentar un mayor protagonismo del estudiante y facilitar un aprendizaje significativo. Según Altino Filho et al. (2020), estas metodologías contribuyen a una enseñanza más dinámica y participativa, siendo bien valoradas por docentes e investigadores. Oliveira et al. (2023) señalan que, aunque los profesores reconocen los beneficios de estas prácticas, enfrentan obstáculos estructurales y de formación en las escuelas públicas. Por su parte, Ferreira et al. (2021) destacan experiencias exitosas con metodologías activas en la enseñanza remota, lo que demuestra el potencial de estas prácticas incluso en contextos desafiantes. La neurociencia educativa resalta la importancia del involucramiento activo del estudiante en el proceso de aprendizaje. Amá y Fonseca (2019) enfatizan que los proyectos de aprendizaje, cuando se alinean con el funcionamiento cognitivo del cerebro, facilitan la internalización de conceptos complejos, como los estadísticos. Samá (2023) refuerza esta idea al mostrar cómo el Laboratorio de Enseñanza de Matemáticas (LEM), guiado por principios neurocientíficos, puede convertirse en un espacio de experimentación e innovación pedagógica. Estudios como los de Barbosa y Miola (2024) evidencian el reto de articular estas prácticas con las directrices de la Base Nacional Común Curricular (BNCC), especialmente en lo que respecta a la formación docente inicial y continua. Según Silva et al. (2024), la formación de profesores debe incluir espacios de experimentación y reflexión crítica sobre las metodologías activas, algo aún poco común en muchos contextos públicos. El uso de tecnologías también surge como una herramienta fundamental. Cunha et al. (2025) muestran que la realidad extendida y el aprendizaje automático pueden transformar la enseñanza de la geometría, aumentando el compromiso y la comprensión espacial. Vieira y Gomes (2021) relatan experiencias positivas con herramientas como Khan Academy y Wordwall, aunque alertan sobre las desigualdades en el acceso tecnológico. El papel de la gamificación en el proceso de enseñanza-aprendizaje, según lo presentado por Silva, Sales y Castro (2019), indica que los elementos lúdicos favorecen la motivación y el enfoque, aspectos fundamentales para la consolidación de la memoria y el aprendizaje duradero, según la neurociencia. Los trabajos de Rother (2016) y Jerônimo et al. (2020) refuerzan que, cuando se planifican adecuadamente, las metodologías activas contribuyen a un enfoque más inclusivo, desarrollando habilidades cognitivas, emocionales y sociales que a menudo son desatendidas por los métodos tradicionales. La integración entre neurociencia educativa y metodologías activas representa un camino prometedor para mejorar la enseñanza de las Matemáticas en escuelas públicas. Sin embargo, es fundamental invertir en la formación docente, la infraestructura y las políticas públicas que respalden esta transformación pedagógica de manera equitativa y efectiva. Palabras clave: Neurociencia educativa; metodologías activas; enseñanza de matemáticas; escuelas públicas; formación docente; tecnologías educativas; aprendizaje significativo. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 4 1. INTRODUÇÃO A união entre a neurociência educacional e as metodologias ativas tem se consolidado como uma abordagem potente para qualificar o ensino da matemática nas escolas públicas. A neurociência, ao estudar os mecanismos cerebrais envolvidos na aprendizagem, permite compreender como o aluno processa e assimila os conteúdos, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias pedagógicas mais eficazes. Ao mesmo tempo, as metodologias ativas promovem um papel mais participativo do estudante, estimulando a construção de conhecimento por meio de experiências significativas. Conforme destacam Samá e Fonseca (2019, p. 3), essa intersecção favorece a criação de ambientes de aprendizagem que respeitam o funcionamento cerebral e fomentam a autonomia intelectual. No âmbito da neurociência, um dos conceitos mais relevantes é o da plasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de se modificar estruturalmente em resposta a estímulos. Isso implica que todos os estudantes, independentemente de dificuldades pré-existentes, podem desenvolver competências matemáticas, desde que sejam ofertadas estratégias adequadas. Altino Filho, Nunes e Ferreira (2020, p. 5) reforçam que o conhecimento da plasticidade cerebral transforma a prática docente ao demonstrar que, com intervenções pedagógicas bem planejadas, é possível criar novas conexões neurais que favorecem a aprendizagem matemática em qualquer fase da vida escolar. A neurociência fornece subsídios para que o professor possa identificar diferentes estilos de aprendizagem e adaptar suas práticas conforme as particularidades dos estudantes. Ao reconhecer sinais de dificuldades cognitivas, como a discalculia ou o transtorno de déficit de atenção, o docente pode empregar estratégias como jogos, recursos visuais e fragmentação dos conteúdos para tornar a matemática mais acessível. De acordo com Barbosa e Miola (2024, p. 8), esse olhar diferenciado permite que o professor atue de forma mais precisa, alinhando o planejamento didático às reais necessidades da turma, com foco em inclusão e equidade. As funções cognitivas superiores, como memória, atenção e linguagem, são amplamente envolvidas na resolução de problemas matemáticos. A neurociência indica que atividades práticas e desafiadoras contribuem para o fortalecimento dessas funções, tornando a aprendizagem mais sólida. Nesse contexto, a gamificação e a experimentação em sala de aula ganham destaque por ativarem áreas cerebrais ligadas ao prazer e à motivação. Segundo Amá e Fonseca (2019, p. 11), jogos e dinâmicas interativas não apenas aumentam o engajamento, mas também facilitam a fixação dos conteúdos matemáticos, especialmente entre os estudantes da educação básica. As metodologias ativas propõem uma mudança de paradigma no ensino, deslocando o foco da transmissão de conteúdo para a construção ativa do conhecimento. Estratégias como a aprendizagem baseada em projetos, o ensino híbrido e a sala de aula invertida colocam o estudante NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 5 no centro do processo educativo, estimulando sua capacidade de pensar criticamente e resolver problemas. Como afirmam Ferreira et al. (2021, p. 4), esse tipo de abordagem permite que os conteúdos matemáticos façam sentido para o aluno, pois estão conectados com situações reais e com o cotidiano escolar. As metodologias ativas favorecem o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e cognitivas fundamentais. A colaboração entre pares, o respeito à diversidade de opiniões e a construçãoconjunta do saber são práticas que ampliam a experiência educativa. Oliveira, Miranda e Nascimento (2023, p. 6) ressaltam que tais experiências contribuem para formar sujeitos mais críticos, criativos e aptos a enfrentar os desafios sociais e acadêmicos, o que é especialmente relevante para alunos de contextos vulneráveis nas redes públicas. Mesmo diante das limitações estruturais presentes em muitas escolas públicas, é possível adaptar metodologias ativas com criatividade e intencionalidade pedagógica. A utilização de materiais recicláveis, jogos artesanais e o aproveitamento dos espaços da escola como laboratórios de aprendizagem demonstram que é viável ensinar matemática de forma inovadora com recursos simples. Conforme Barbosa e Miola (2024, p. 9), o mais importante é o planejamento consciente por parte do professor, que deve estar alinhado às possibilidades do contexto escolar e às necessidades dos seus alunos. A formação docente, nesse sentido, deve incluir conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro e sobre estratégias pedagógicas baseadas na neurociência. A qualificação contínua dos professores é essencial para que eles possam incorporar esses saberes em suas práticas e construir ambientes de aprendizagem mais eficazes. Rother (2016, p. 103) destaca que o professor que compreende os princípios neuroeducacionais tem mais chances de atuar de forma empática, criativa e assertiva, sendo capaz de criar intervenções personalizadas e acolhedoras no ensino de matemática. A combinação entre neurociência educacional e metodologias ativas representa mais do que uma inovação pedagógica; ela aponta para uma transformação estrutural na forma como concebemos o processo de ensino-aprendizagem da matemática nas escolas públicas. Tradicionalmente, o ensino da matemática foi centrado na memorização de fórmulas, na resolução repetitiva de exercícios e na padronização de conteúdos, o que frequentemente gerou desinteresse, evasão e ansiedade matemática entre os alunos. A neurociência, ao estudar como o cérebro processa informações, oferece um novo olhar: ela mostra que a aprendizagem é mais eficiente quando está vinculada à emoção, ao movimento, à interação social e à resolução de problemas reais. Isso se conecta diretamente com as metodologias ativas, que priorizam justamente esses NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 6 aspectos, transformando a sala de aula em um espaço vivo de experimentação e construção de sentido. O papel do professor deixa de ser o de mero transmissor de conteúdos e passa a ser o de mediador do conhecimento, alguém que compreende as particularidades do funcionamento cerebral de seus alunos e planeja estratégias coerentes com esse conhecimento. A neurociência educacional fornece ferramentas para que os educadores compreendam como o cérebro aprende — seja através de estímulos visuais, da repetição com variação, da emoção positiva, ou da construção coletiva de significado. Por sua vez, as metodologias ativas criam o ambiente necessário para que esses estímulos ocorram: promovem colaboração, exploram múltiplas linguagens, envolvem o corpo e desafiam os alunos de forma lúdica e instigante. Como aponta Amá e Fonseca (2019, p. 11), a aprendizagem se torna mais eficaz quando há envolvimento emocional e social. Na matemática, esses princípios podem ser aplicados de forma concreta por meio de atividades que valorizem a experimentação e a resolução de problemas contextualizados. Por exemplo, a construção de jogos de tabuleiro que envolvam operações matemáticas, o uso de aplicativos educativos que trabalham lógica e raciocínio, ou mesmo a criação de projetos interdisciplinares que incluam medidas, gráficos e proporções — como uma horta escolar ou uma feira de ciências — são práticas que ativam diversas áreas cerebrais, tornando a aprendizagem mais significativa. Segundo Altino Filho, Nunes e Ferreira (2020, p. 5), práticas pedagógicas que estimulam múltiplos sentidos favorecem a consolidação da memória e o desenvolvimento de competências matemáticas de forma duradoura. A aplicação conjunta da neurociência e das metodologias ativas também promove ganhos no campo socioemocional, aspecto essencial para o desenvolvimento integral dos estudantes. A matemática, muitas vezes encarada como um desafio intransponível, passa a ser percebida como um campo de possibilidades, acessível e estimulante. Isso contribui para a construção da autoestima acadêmica e da autoconfiança, fatores diretamente ligados à persistência e ao sucesso escolar. Como afirmam Oliveira, Miranda e Nascimento (2023, p. 6), quando o aluno se sente pertencente ao processo e reconhecido em suas potencialidades, ele se engaja com mais intensidade, mesmo diante das dificuldades. Compreendendo que cada cérebro é único, como defende a neurociência, o professor pode empregar metodologias que respeitem os ritmos e estilos de aprendizagem dos alunos, inclusive daqueles com dificuldades específicas, como a discalculia ou o TDAH. A diferenciação pedagógica se torna possível por meio de atividades diversificadas, como o uso de materiais manipulativos, o ensino por pares e a organização de grupos cooperativos. Ferreira et al. (2021, p. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 7 4) destacam que metodologias ativas permitem múltiplas formas de expressão e participação, garantindo que mais estudantes se envolvam com os conteúdos e avancem em suas trajetórias escolares. Nas escolas públicas, onde os desafios estruturais são ainda mais acentuados, essa abordagem integrada também representa uma alternativa viável e potente. Ainda que haja escassez de recursos materiais ou tecnológicos, o conhecimento neurocientífico e as metodologias ativas podem ser aplicados com criatividade e intencionalidade pedagógica. Por exemplo, a utilização de objetos do cotidiano para representar operações matemáticas, a exploração do espaço escolar como laboratório de medidas e o desenvolvimento de jogos feitos com papel reciclado são estratégias acessíveis que promovem alto engajamento. Segundo Barbosa e Miola (2024, p. 8), o mais importante não é a tecnologia de ponta, mas sim a postura ativa e reflexiva do educador diante do processo de ensino. Para que essa transformação ocorra de forma consistente, é fundamental investir na formação inicial e continuada dos professores. A atualização dos saberes docentes deve incluir, de forma sistemática, os princípios da neuroeducação e das metodologias ativas, capacitando os profissionais para tomar decisões pedagógicas baseadas em evidências científicas. Rother (2016, p. 103) argumenta que o professor consciente do funcionamento do cérebro e das estratégias que favorecem a aprendizagem se torna um agente mais eficaz da inclusão e do sucesso escolar. A formação não deve se limitar à teoria, mas envolver práticas colaborativas, análise de casos e experimentações em sala de aula, criando uma cultura escolar de inovação pedagógica. 2. DESENVOLVIMENTO A integração entre neurociência educacional e metodologias ativas representa uma revolução significativa no ensino da matemática, especialmente nas escolas públicas, ao ir muito além da simples transmissão de conteúdos. Essa abordagem redefine o papel da escola contemporânea, transformando-a em um espaço onde o aprendizado é entendido como um processo dinâmico e multifacetado, centrado no desenvolvimento integral do estudante. Nesse novo paradigma, a escola se torna um ambiente propício para a construção de sentido, valorizando a singularidade de cada aluno e promovendo a justiça social, aspecto fundamental para reduzir desigualdades educacionais históricas. Ao compreender que o cérebro humano aprende de forma mais eficaz quandoestimulado por contextos de valorização, desafio e conexão interpessoal, a neurociência educacional oferece uma base sólida para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras. Samá (2023, p. 45) NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 8 enfatiza que tais condições neurobiológicas são fundamentais para que o processo de aprendizagem aconteça de modo significativo e duradouro, enquanto Ferreira et al. (2021, p. 8) destacam a importância do engajamento ativo do aluno para a consolidação do conhecimento matemático. Assim, a união dessas duas áreas do conhecimento não apenas facilita o aprendizado, mas também humaniza a experiência educacional. As metodologias ativas, nesse contexto, emergem como ferramentas essenciais para colocar o estudante no centro do processo de aprendizagem. Técnicas como a aprendizagem baseada em projetos, a sala de aula invertida, a gamificação e a aprendizagem cooperativa estimulam a participação, o pensamento crítico e a autonomia dos alunos. Esses métodos alinham- se perfeitamente aos achados da neurociência, que aponta para a necessidade de envolver múltiplas áreas cerebrais e sensoriais para a fixação efetiva do conteúdo. Dessa forma, o ensino de matemática deixa de ser um processo passivo e repetitivo, transformando-se em uma jornada rica e colaborativa. Essa integração fortalece a dimensão ética e afetiva da prática docente. O professor deixa de ser apenas um transmissor de conhecimento para assumir o papel de mediador e facilitador da aprendizagem, atento às particularidades de cada aluno e às necessidades emocionais que influenciam o desempenho escolar. Essa postura está em consonância com uma visão mais ampla e humanizada da educação, que valoriza o respeito, a empatia e a inclusão, promovendo um ambiente escolar mais acolhedor e motivador. A construção de um projeto pedagógico fundamentado na neurociência educacional e nas metodologias ativas também reflete um compromisso com a justiça social. Ao adaptar estratégias que consideram as diferenças cognitivas e sociais dos estudantes, a escola pública torna-se capaz de atender de forma equitativa a todos os alunos, incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem ou em situação de vulnerabilidade social. Esse esforço contribui para a redução das desigualdades e para a promoção de oportunidades iguais no acesso e na apropriação do conhecimento matemático. A formação continuada dos professores assume papel estratégico para o sucesso dessa proposta. É fundamental que os educadores sejam capacitados para compreender os princípios neurocientíficos que sustentam as metodologias ativas e para aplicá-las de maneira contextualizada e criativa em suas práticas diárias. Essa preparação não só aumenta a eficácia do ensino, como também fortalece a autoestima e a motivação dos próprios professores, que passam a atuar com maior confiança e autonomia. A matemática deixa de ser um conteúdo isolado para se relacionar com outras áreas do conhecimento e com situações práticas do cotidiano, tornando-se uma ferramenta para o NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 9 desenvolvimento do pensamento crítico e da resolução de problemas reais. Isso amplia o interesse dos alunos e reforça o valor social da disciplina. A integração entre neurociência educacional e metodologias ativas oferece uma perspectiva otimista para a educação matemática no século XXI. Ao combinar fundamentos científicos rigorosos com práticas pedagógicas inovadoras e centradas no aluno, essa abordagem promove uma escola pública mais inclusiva, democrática e eficaz. Assim, ela contribui para formar cidadãos preparados para os desafios complexos do mundo contemporâneo, capazes de aprender continuamente e de atuar com responsabilidade social. Esse é, sem dúvida, um caminho promissor e urgente para transformar a realidade educacional brasileira. 2.1. FUNCIONAMENTO CEREBRAL E ESTILOS DE APRENDIZAGEM Compreender o funcionamento do cérebro humano é um dos primeiros passos para promover práticas pedagógicas mais eficazes e inclusivas no ensino da matemática, especialmente nas escolas públicas. A neurociência educacional, enquanto campo interdisciplinar, revela que a aprendizagem é um processo dinâmico e multifatorial, que envolve estruturas cerebrais específicas responsáveis por funções como atenção, memória de trabalho, processamento visual-espacial e controle executivo (NEUROMAT, 2025). Esses achados desafiam práticas pedagógicas tradicionais, centradas na exposição passiva de conteúdos, e exigem que o professor se torne um mediador atento às necessidades cognitivas dos estudantes. Elda Lúcia Freitas Campos (2025) enfatiza que o entendimento aprofundado do funcionamento cerebral é fundamental para que os educadores possam reconhecer as diversas formas pelas quais os alunos processam informações, salientando que a consideração dos múltiplos estilos de aprendizagem possibilita a construção de estratégias pedagógicas diferenciadas e inclusivas, capazes de otimizar a assimilação e a retenção do conteúdo matemático, respeitando o ritmo e as particularidades neurocognitivas de cada estudante. Simone Helen Drumond Ischkanian (2025) argumenta que a neurociência educacional revela como a atenção, a memória e a motivação interagem de maneira complexa durante o processo de aprendizagem, evidenciando que a adaptação do ensino às variações nos estilos cognitivos individuais é essencial para garantir o engajamento e o desenvolvimento pleno dos alunos, especialmente em contextos escolares que demandam flexibilidade e personalização pedagógica. Gladys Nogueira Cabral (2025) destaca que compreender o funcionamento cerebral em relação aos estilos de aprendizagem permite identificar os mecanismos neurais que facilitam ou dificultam a aquisição de conceitos abstratos, como os da matemática, o que reforça a necessidade NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 10 de metodologias que promovam experiências práticas e sensoriais para ativar diferentes áreas do cérebro e, assim, favorecer a construção de um conhecimento mais sólido e duradouro. Lucas Serrão (2025) ressalta que a plasticidade cerebral, aliada ao reconhecimento das preferências e estilos de aprendizagem dos estudantes, deve ser a base para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que vão além do modelo tradicional, incentivando a exploração ativa do conhecimento, a criatividade e a colaboração, elementos que potencializam a aprendizagem significativa e a autonomia no processo educacional. Silvana Nascimento de Carvalho (2025) aponta que a aplicação dos conhecimentos sobre funcionamento cerebral e estilos de aprendizagem na prática escolar possibilita a criação de ambientes educacionais mais inclusivos e diversificados, onde os alunos são estimulados a utilizar suas habilidades cognitivas de maneira integrada, promovendo não apenas a aquisição do conteúdo matemático, mas também o fortalecimento das competências socioemocionais necessárias para o sucesso acadêmico e pessoal. Luciana Pereira Santos (2025) destaca que as evidências neurocientíficas sobre a plasticidade e os estilos de aprendizagem indicam que o professor deve atuar como um mediador atento às singularidades de cada estudante, ajustando estratégias didáticas que respeitem as variações individuais, promovendo assim uma aprendizagem mais eficaz, personalizada e capaz de atender às demandas contemporâneas de uma educação pública inclusiva e de qualidade. A atenção, por exemplo, é fundamental para a entrada de informações na memória e sua consolidação em aprendizagens duradouras. A distração e a sobrecarga cognitiva podem comprometer esseprocesso, especialmente em crianças e adolescentes expostos a múltiplos estímulos simultâneos. Como ressaltam Ferreira et al. (2021, p. 7), o uso de metodologias ativas, como jogos e resolução de problemas, favorece o foco atencional ao envolver os alunos de forma lúdica e significativa, reduzindo o desinteresse e aumentando a retenção do conteúdo. Quando os alunos são convidados a participar ativamente, seu cérebro responde com maior liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à motivação e ao prazer de aprender. A memória de trabalho, capacidade de manter e manipular informações por um curto período, é particularmente relevante na resolução de problemas matemáticos. Estímulos visuais, recursos manipulativos e estratégias que envolvem o corpo e o espaço – como a construção de figuras geométricas com materiais recicláveis – ajudam a reforçar as conexões neurais envolvidas na retenção e aplicação do conteúdo (Cunha et al., 2025). O ensino da matemática passa a dialogar com os princípios da neurociência ao utilizar diferentes canais sensoriais e representacionais, facilitando a aprendizagem para estudantes com variados perfis cognitivos. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 11 Estudos da neurociência mostram que experiências emocionais influenciam a codificação e o armazenamento de informações no cérebro. A matemática, muitas vezes temida por alunos, pode se tornar mais acessível quando ensinada em ambientes que estimulam a autoestima e a confiança. Segundo Oliveira, Miranda e Nascimento (2023, p. 13), criar situações de aprendizagem baseadas na cooperação e no respeito às diferenças favorece a inclusão e o bem- estar emocional, fatores determinantes para a aprendizagem efetiva. O acolhimento emocional também ativa regiões do cérebro ligadas à empatia, ampliando as possibilidades de participação. A neurociência também evidencia que não há um único estilo de aprendizagem, mas sim uma diversidade de formas pelas quais o conhecimento pode ser construído. Alguns alunos são mais visuais, outros preferem abordagens auditivas, sinestésicas ou lógicas. No ensino da matemática, reconhecer essas diferenças é fundamental para evitar práticas homogêneas que desconsiderem a singularidade dos estudantes. Para Ferreira et al. (2021, p. 9), o uso de metodologias ativas permite ao professor diversificar suas estratégias, alcançando um número maior de alunos com propostas adaptadas aos seus estilos predominantes de aprendizagem. A plasticidade cerebral, conceito central da neurociência, reforça a ideia de que todos os alunos têm potencial para aprender, independentemente de sua origem, condição ou dificuldades pré-existentes. O cérebro é capaz de formar novas conexões neuronais ao longo da vida, principalmente quando desafiado por atividades que exigem raciocínio, criatividade e interação social. Como afirmam Cunha et al. (2025), as tecnologias educacionais, quando bem integradas ao currículo, estimulam essas redes cerebrais, ampliando a autonomia e a capacidade de abstração dos estudantes. Isso é particularmente relevante em turmas com altos índices de vulnerabilidade social, nas quais o uso de recursos interativos pode despertar o interesse pela matemática. Para que essas transformações aconteçam de forma consistente, o professor precisa planejar suas aulas com base em evidências neurocientíficas. Isso significa considerar os momentos ideais de concentração dos alunos, variar os tipos de estímulo e criar situações desafiadoras, mas possíveis de serem superadas. De acordo com o NEUROMAT (2025), a repetição inteligente e a prática distribuída são estratégias eficazes para fortalecer a aprendizagem de conceitos matemáticos complexos, como frações, álgebra e geometria. Essa abordagem contrasta com a prática comum de apresentar conteúdos de forma rápida e linear, sem considerar o tempo necessário para a consolidação da aprendizagem. O ambiente físico e social da sala de aula também exerce influência direta sobre os processos cerebrais. Salas barulhentas, desorganizadas ou emocionalmente hostis inibem a capacidade do cérebro de se concentrar e processar informações. Por isso, o professor deve atuar como um gestor do clima escolar, promovendo interações positivas e ambientes seguros. Oliveira, NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 12 Miranda e Nascimento (2023, p. 15) reforçam que a construção de uma cultura de respeito e colaboração impacta positivamente o desempenho dos alunos em matemática, pois diminui o medo de errar e incentiva a busca por soluções criativas e colaborativas. A personalização do ensino, orientada pela neurociência educacional, também exige ferramentas de diagnóstico que permitam identificar as potencialidades e dificuldades dos estudantes. Avaliações diagnósticas, observações sistemáticas e feedbacks formativos ajudam o professor a ajustar suas estratégias conforme o perfil neurocognitivo dos alunos. Para Ferreira et al. (2021, p. 10), esse acompanhamento contínuo é essencial para garantir que as metodologias ativas não sejam aplicadas de forma genérica, mas como parte de um planejamento intencional, centrado no desenvolvimento integral dos estudantes. A articulação entre neurociência educacional e metodologias ativas constitui um caminho promissor para qualificar o ensino da matemática nas escolas públicas. Ao reconhecer que a aprendizagem é um fenômeno complexo, mediado por fatores biológicos, emocionais e sociais, os educadores passam a desempenhar um papel mais estratégico e sensível na construção do conhecimento. A escola pública, historicamente marcada por desafios estruturais, encontra na ciência uma aliada para superar desigualdades e promover uma educação matemática significativa, equitativa e transformadora. Como conclui Cunha et al. (2025), quando o ensino respeita a diversidade neurocognitiva e utiliza estratégias ativas, os resultados vão além dos conteúdos: formam-se cidadãos mais críticos, confiantes e preparados para os desafios do século XXI. 2.2. PLASTICIDADE CEREBRAL E POTENCIAL DE APRENDIZAGEM A plasticidade cerebral é um dos conceitos mais relevantes da neurociência educacional e tem transformado a maneira como educadores compreendem o processo de aprendizagem. Essa capacidade do cérebro de reorganizar-se e formar novas conexões sinápticas ao longo da vida é o fundamento científico que comprova que todos os indivíduos têm potencial para aprender, inclusive matemática, independentemente de suas dificuldades iniciais (Rotta; Ohlweiler; Riesgo, 2016, p. 42). Esse princípio coloca em xeque ideias ultrapassadas de inteligência inata e reforça a importância de práticas pedagógicas que favoreçam a estimulação contínua e significativa. Ao considerar a plasticidade cerebral, o ensino da matemática deve ser planejado com base na progressividade do desenvolvimento neurocognitivo dos alunos. O cérebro aprende por meio de experiências, desafios e repetições inteligentes que fortalecem as conexões entre os neurônios. Segundo Rother (2016, p. 5), o uso de metodologias ativas que envolvem o aluno em situações reais e problematizadoras contribui para a consolidação de aprendizagens duradouras, pois ativa múltiplas regiões cerebrais ao mesmo tempo, favorecendo a retenção do conhecimento. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 13 Essa visão neurocientífica exige um novo olhar sobre os erros cometidos pelos alunos. Em vez de serem penalizados, os erros devem ser compreendidos como parte do processo de construção de novas redes neurais. Como afirma Samá (2023, p. 7), quando o aluno é incentivado a tentar novamente e a refletir sobre sua resposta, ele ativa mecanismoscerebrais de autorregulação, aprendizado metacognitivo e flexibilidade cognitiva. O professor se torna um facilitador da aprendizagem, criando um ambiente acolhedor onde o erro não é estigmatizado, mas tratado como oportunidade de desenvolvimento. Elda Lúcia Freitas Campos (2025) destaca que a compreensão da plasticidade cerebral como a capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões ao longo da vida oferece um fundamento científico para práticas pedagógicas que valorizam o potencial ilimitado de aprendizagem dos alunos, ressaltando que, ao respeitar os ritmos e estágios do desenvolvimento neurocognitivo, o ensino pode ser continuamente ajustado para ampliar as possibilidades de aquisição e internalização dos conhecimentos matemáticos. Simone Helen Drumond Ischkanian (2025) enfatiza que a plasticidade cerebral representa uma perspectiva transformadora para a educação, pois demonstra que as dificuldades iniciais dos estudantes não são barreiras imutáveis, mas sim desafios que podem ser superados por meio de intervenções pedagógicas adequadas e progressivas, capazes de estimular o fortalecimento das conexões neurais e, assim, promover a evolução contínua das habilidades matemáticas e cognitivas ao longo do processo educativo. Gladys Nogueira Cabral (2025) aponta que o entendimento aprofundado da plasticidade cerebral reforça a necessidade de uma educação que não apenas transmita conteúdos, mas que proponha desafios significativos e experiências diversificadas que estimulem o cérebro a se adaptar e a se desenvolver, demonstrando que o potencial de aprendizagem é dinâmico e que a construção do conhecimento matemático pode ser intensificada por meio de metodologias que exploram ativamente essa capacidade neurobiológica. Lucas Serrão (2025) argumenta que a plasticidade cerebral é um conceito central para a concepção de práticas pedagógicas inovadoras, pois ela revela que o cérebro do aluno está em constante mudança e pode ser moldado por estímulos adequados, tornando essencial que o ensino de matemática incorpore estratégias que promovam a experimentação, o erro construtivo e a reflexão, criando um ambiente propício para o desenvolvimento cognitivo e a superação de limitações anteriores. Silvana Nascimento de Carvalho (2025) ressalta que a plasticidade cerebral implica que o potencial de aprendizagem não está pré-determinado, mas é suscetível a influências ambientais e educacionais, o que demanda uma postura ativa do professor em criar contextos de aprendizagem NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 14 que favoreçam a repetição, a prática deliberada e a interdisciplinaridade, possibilitando que cada aluno desenvolva suas capacidades matemáticas em seu próprio ritmo e com autonomia. Luciana Pereira Santos (2025) destaca que a plasticidade cerebral evidencia a importância de uma educação diferenciada, que reconheça as variações individuais e promova a adaptação contínua das metodologias de ensino, reforçando que, ao estimular as conexões neurais por meio de atividades diversificadas e contextualizadas, é possível ampliar o potencial de aprendizagem dos alunos e contribuir para a construção de um conhecimento matemático sólido e duradouro, especialmente em ambientes escolares desafiadores. A plasticidade cerebral também mostra que a aprendizagem não ocorre de maneira linear ou uniforme entre os estudantes. Cada cérebro tem seu ritmo de maturação e responde de forma diferente a estímulos pedagógicos. Isso reforça a necessidade de propostas que respeitem as singularidades do aluno, adotando estratégias diferenciadas conforme sua zona de desenvolvimento proximal. Segundo Rotta, Ohlweiler e Riesgo (2016, p. 61), o ensino da matemática deve considerar tanto as potencialidades quanto as dificuldades cognitivas, motoras e emocionais de cada estudante, permitindo que todos avancem em seu próprio ritmo. O uso de jogos, resolução de problemas, materiais manipulativos e recursos tecnológicos são exemplos de estratégias que, segundo Rother (2016, p. 9), favorecem a neuroplasticidade. Essas práticas provocam o cérebro a sair da zona de conforto, enfrentando desafios cognitivos que exigem concentração, memória, raciocínio lógico e tomada de decisão. Quando o aluno é instigado a resolver uma situação real que envolve porcentagem ou geometria, por exemplo, ele ativa conexões mais profundas do que em situações de simples repetição de exercícios descontextualizados. A neuroplasticidade não está restrita à infância, mas continua ao longo de toda a vida. Isso tem implicações importantes para a educação de jovens e adultos (EJA) e para estudantes com histórico de fracasso escolar. Conforme destaca Samá (2023, p. 9), mesmo aqueles que apresentam atrasos de aprendizagem ou dificuldades diagnosticadas podem ser estimulados a recuperar e desenvolver habilidades matemáticas com metodologias adequadas, respeitando seus processos internos e oferecendo suporte contínuo. A crença no potencial de mudança é um pilar fundamental para a inclusão educacional. Ambientes escolares acolhedores, onde há segurança afetiva, cooperação e valorização do esforço, potencializam a aprendizagem. Em contrapartida, o estresse tóxico, a pressão por resultados imediatos e o medo de errar inibem a formação de novas conexões neurais. Por isso, é imprescindível que o professor crie estratégias que fortaleçam a autoestima e a motivação dos estudantes, pois o cérebro aprende melhor quando está emocionalmente equilibrado. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 15 A compreensão da plasticidade cerebral também impõe desafios à formação docente. Os professores precisam ser formados não apenas em conteúdo específico, mas também em princípios básicos da neurociência educacional, para que possam planejar intervenções pedagógicas cientificamente fundamentadas. Rother (2016, p. 11) defende que a integração entre teoria neurocientífica e prática didática deve ser uma prioridade nas licenciaturas, especialmente nas áreas de ciências exatas, onde os desafios de aprendizagem são frequentemente mais acentuados. As metodologias ativas não são apenas modismos pedagógicos, mas estratégias coerentes com o funcionamento cerebral. Ao envolver o estudante como protagonista de sua aprendizagem, essas metodologias aproveitam a plasticidade natural do cérebro, criando experiências que fazem sentido, despertam curiosidade e geram significado. Conforme Samá (2023, p. 11), o uso de recursos visuais, a aprendizagem cooperativa e os projetos interdisciplinares em matemática ativam diferentes regiões cerebrais, promovendo um aprendizado mais robusto e duradouro. A noção de plasticidade cerebral deve ser incorporada ao cotidiano escolar como base para práticas inclusivas e transformadoras. Todos os alunos são capazes de aprender matemática, desde que lhes sejam dadas as condições apropriadas: estímulos adequados, apoio emocional, estratégias diversificadas e tempo para amadurecer cognitivamente. A partir desse entendimento, a escola pública se fortalece como espaço de desenvolvimento integral, onde a ciência e a prática pedagógica se unem para garantir equidade e qualidade na aprendizagem matemática. 2.3. METODOLOGIAS ATIVAS COMO PONTE ENTRE TEORIA E PRÁTICA As metodologias ativas têm se consolidado como alternativas potentes no enfrentamento dos desafios históricos do ensino de matemática, especialmente em escolas públicas. Elas se propõem a romper com o modelo tradicional de aula expositiva e centrada no professor, promovendo uma reorganização do espaço pedagógico que valoriza o protagonismo estudantil. Esse deslocamento metodológico é especialmente relevante no campo da matemática, disciplina muitas vezes percebidacomo abstrata e desmotivadora. Como destacam Santos e Lima (2024, p. 1424), metodologias ativas podem ressignificar a relação dos estudantes com a matemática ao conectar teoria e prática de forma dinâmica e contextualizada. Entre as principais estratégias destacam-se a aprendizagem baseada em projetos (ABP), a sala de aula invertida, a gamificação e a aprendizagem cooperativa. Todas essas abordagens compartilham um princípio fundamental: o aluno aprende ativamente, construindo o conhecimento a partir de sua interação com o problema, com os colegas e com o professor. A neurociência educacional endossa esse movimento, pois aponta que a aprendizagem é significativamente fortalecida quando diferentes áreas do cérebro são ativadas simultaneamente, como ocorre em NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 16 experiências de resolução colaborativa de problemas, jogos pedagógicos e simulações práticas (SILVA et al., 2024). A aprendizagem baseada em projetos, por exemplo, permite que os estudantes investiguem situações concretas utilizando conceitos matemáticos. Ao construir uma maquete, criar um orçamento ou analisar estatísticas sociais, os alunos não apenas compreendem conteúdos abstratos, mas também percebem a utilidade do conhecimento. Essa abordagem favorece o desenvolvimento do raciocínio lógico, da autonomia e da criatividade. De acordo com Santos e Lima (2024, p. 1428), o engajamento em projetos reais promove maior retenção da aprendizagem, pois mobiliza a atenção, a memória de trabalho e o sistema de recompensas do cérebro — elementos centrais na neurociência do aprendizado. Elda Lúcia Freitas Campos (2025) argumenta que as metodologias ativas, ao colocarem o aluno no centro do processo educativo, estabelecem uma ligação imprescindível entre a teoria pedagógica e sua aplicação prática, permitindo que o estudante se torne protagonista do próprio aprendizado, ao mesmo tempo em que desenvolve competências cognitivas, emocionais e sociais por meio de atividades concretas que tornam o conhecimento matemático mais significativo e duradouro. Simone Helen Drumond Ischkanian (2025) ressalta que as metodologias ativas funcionam como uma ponte dinâmica entre os conceitos teóricos sobre aprendizagem e as práticas pedagógicas efetivas, pois ao envolver os alunos em processos de resolução de problemas, colaboração e reflexão crítica, essas metodologias ampliam o engajamento e a motivação, traduzindo as bases científicas da neurociência em ações educativas concretas que promovem o desenvolvimento integral do aluno. Gladys Nogueira Cabral (2025) enfatiza que a incorporação de metodologias ativas no ensino de matemática representa uma síntese vital entre a fundamentação teórica e a prática pedagógica, possibilitando que os alunos vivenciem situações reais e contextualizadas que favorecem a construção do conhecimento, estimulando a autonomia, a criatividade e o pensamento crítico, o que resulta em aprendizagens mais significativas e alinhadas às demandas contemporâneas da educação. Lucas Serrão (2025) destaca que as metodologias ativas, ao integrarem atividades práticas e colaborativas baseadas em teorias da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo, promovem uma transformação no ambiente escolar, tornando o processo educacional mais interativo e adaptado às necessidades dos alunos, permitindo que a teoria da neurociência seja concretamente aplicada no cotidiano da sala de aula, fortalecendo o ensino da matemática. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 17 Silvana Nascimento de Carvalho (2025) pontua que a efetividade das metodologias ativas reside justamente em sua capacidade de conectar o arcabouço teórico que explica como o cérebro aprende às práticas pedagógicas que estimulam a participação ativa do aluno, proporcionando experiências que desenvolvem habilidades de pensamento crítico, colaboração e resolução de problemas, essenciais para o aprendizado profundo e para a construção de conhecimentos matemáticos contextualizados. Luciana Pereira Santos (2025) evidencia que as metodologias ativas funcionam como uma ponte indispensável entre os princípios teóricos da neurociência educacional e a prática pedagógica efetiva, pois ao estimular a experimentação, o diálogo e a reflexão, essas metodologias criam ambientes de aprendizagem que respeitam a singularidade de cada aluno, facilitando a internalização dos conteúdos matemáticos e promovendo uma educação mais inclusiva, crítica e inovadora. Na sala de aula invertida transforma o tempo e o espaço escolares. Ao deslocar a exposição teórica para momentos fora da sala, por meio de vídeos e leituras orientadas, abre-se espaço para que o tempo presencial seja usado em atividades práticas, resolução de dúvidas e socialização do conhecimento. Essa organização favorece a personalização do ensino e respeita os ritmos e estilos de aprendizagem dos estudantes. Silva et al. (2024) ressaltam que essa metodologia estimula a autorregulação e o pensamento metacognitivo, dois processos mentais fundamentais para o sucesso em matemática. A gamificação, por sua vez, explora elementos dos jogos — como desafio, competição saudável, narrativa e recompensas — para tornar a aprendizagem mais atrativa e envolvente. Ao transformar atividades matemáticas em jogos de tabuleiro, quizzes interativos ou plataformas digitais com rankings, cria-se um ambiente de aprendizagem lúdico que ativa áreas cerebrais relacionadas à motivação, atenção e emoção. Segundo Santos e Lima (2024, p. 1432), os resultados obtidos com jogos no ensino fundamental revelam não apenas melhora na aprendizagem, mas também no comportamento e na participação dos alunos. A aprendizagem cooperativa completa esse quadro ao valorizar o trabalho em grupo e a construção coletiva do conhecimento. Em matemática, isso pode se traduzir em duplas ou trios que resolvem problemas juntos, discutem estratégias ou explicam conteúdos uns aos outros. Essa interação promove o desenvolvimento da empatia, da argumentação lógica e da escuta ativa, habilidades essenciais para o século XXI. Silva et al. (2024) observam que quando os alunos se tornam coautores de sua aprendizagem, cria-se um clima de confiança que estimula o engajamento e reduz a ansiedade diante de desafios matemáticos. NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 18 A articulação entre metodologias ativas e neurociência é particularmente importante em escolas públicas, onde os desafios estruturais e pedagógicos são intensos. Ao adotar práticas que valorizam a experiência ativa do aluno, respeitam suas características cognitivas e emocionais, e promovem sentido à aprendizagem, essas estratégias contribuem para uma educação mais justa e eficaz. Santos e Lima (2024, p. 1436) destacam que o uso de metodologias ativas pode reduzir as desigualdades educacionais ao oferecer alternativas que dialogam com a diversidade dos estudantes. É preciso destacar que a eficácia das metodologias ativas depende da formação docente e do suporte institucional. A mudança de paradigma não ocorre apenas pela adoção de novas técnicas, mas exige uma transformação na cultura escolar. Segundo Silva et al. (2024), é fundamental que os professores sejam formados em espaços que incentivem a experimentação e a reflexão crítica sobre suas práticas, como os Laboratórios de Ensino de Matemática (LEM), ambientes que têm se mostrado férteis para o desenvolvimento de propostas pedagógicas inovadoras. Muitas práticas podem ser realizadas com materiais simples, criatividade e planejamento colaborativo. O que realmente importa é a intencionalidade pedagógica e o compromisso com a aprendizagemativa e significativa dos alunos. Como indicam Santos e Lima (2024, p. 1440), o sucesso dessas abordagens está na conexão entre a teoria científica da aprendizagem e a realidade concreta das salas de aula públicas. As metodologias ativas representam não apenas uma inovação pedagógica, mas uma ponte concreta entre o que a neurociência revela sobre como o cérebro aprende e o que se faz diariamente nas escolas. Quando bem planejadas, elas não apenas tornam o ensino da matemática mais acessível e interessante, mas também promovem uma formação integral dos estudantes. Ao colocar os alunos no centro do processo, essas práticas fortalecem a autonomia, o pensamento crítico e a motivação — elementos fundamentais para o sucesso escolar e para a construção de uma sociedade mais equitativa e informada. 2.4. INCLUSÃO E EQUIDADE NO ENSINO DA MATEMÁTICA A inclusão e a equidade no ensino da matemática representam desafios fundamentais para a educação pública, especialmente considerando a diversidade cognitiva e socioeconômica dos alunos. A integração entre os avanços da neurociência educacional e as metodologias ativas surge como uma resposta promissora para atender essas demandas, ao possibilitar a adaptação das práticas pedagógicas para diferentes perfis de estudantes. Silva, Sales e Castro (2019) destacam que a gamificação, por exemplo, tem se mostrado uma ferramenta eficaz para engajar alunos com NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 19 dificuldades de atenção, pois transforma a aprendizagem em uma experiência dinâmica e motivadora, respeitando as singularidades de cada cérebro. A neurociência demonstra que condições como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dislexia e discalculia não configuram limitações imutáveis, mas apresentam particularidades neurológicas que podem ser compreendidas e consideradas no processo educativo. Tal compreensão abre espaço para a construção de atividades matemáticas que respeitem o ritmo e as estratégias cognitivas de cada aluno, reduzindo barreiras e promovendo uma aprendizagem mais efetiva e humanizada (Vieira e Gomes, 2021). Assim, a matemática deixa de ser uma disciplina excludente para se tornar um campo de possibilidades. O uso de metodologias ativas facilita essa adaptação, pois essas estratégias privilegiam o protagonismo do estudante e a flexibilidade no processo de aprendizagem. Atividades como a aprendizagem baseada em projetos ou a sala de aula invertida permitem que o aluno trabalhe conteúdos no seu tempo, utilizando recursos que atendam às suas necessidades específicas. Além disso, a cooperação entre os pares potencializa o apoio mútuo e a construção coletiva do conhecimento, o que é fundamental para criar um ambiente escolar inclusivo (Silva, Sales e Castro, 2019). No contexto das escolas públicas, onde a diversidade social e cultural é uma realidade constante, essa abordagem inclusiva e equitativa torna-se ainda mais imprescindível. Muitos estudantes vivem situações de vulnerabilidade que impactam diretamente seu desempenho acadêmico. A neurociência aponta que fatores como estresse e baixa autoestima podem prejudicar a capacidade de atenção e memória, essenciais para a aprendizagem matemática. Ao combinar estratégias ativas que promovam o engajamento e o sentimento de pertencimento, o ambiente escolar pode minimizar esses efeitos negativos e favorecer o sucesso dos alunos (Vieira e Gomes, 2021). O uso de tecnologias acessíveis e recursos digitais, como os citados por Vieira e Gomes (2021), amplia as possibilidades de personalização do ensino. Plataformas como Khan Academy, Wordwall e Whiteboard.fi oferecem exercícios adaptativos e feedback imediato, elementos que reforçam a motivação e permitem o acompanhamento individualizado do progresso dos estudantes. Esses recursos são especialmente importantes para atender alunos com dificuldades específicas, pois possibilitam que eles avancem conforme sua capacidade, sem pressões externas. A gamificação também se destaca como uma estratégia poderosa para promover a inclusão e a equidade. Conforme apontam Silva, Sales e Castro (2019), a introdução de elementos lúdicos no ensino da matemática pode diminuir a ansiedade e a resistência que muitos alunos sentem diante da disciplina. Jogos educativos podem ser estruturados para contemplar diferentes NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 20 níveis de dificuldade, incentivando a participação de todos e valorizando as conquistas individuais, independentemente do ponto de partida de cada estudante. Para que essa integração entre neurociência e metodologias ativas se efetive em um ensino realmente inclusivo, é fundamental que os professores estejam preparados para identificar as necessidades específicas de seus alunos e adaptar as estratégias de acordo. A formação continuada, que inclua conteúdos sobre neurodesenvolvimento e práticas pedagógicas inovadoras, deve ser uma prioridade nas políticas públicas educacionais (Vieira e Gomes, 2021). Dessa forma, os educadores poderão atuar de forma mais consciente e eficaz na promoção da equidade. Elda Lúcia Freitas Campos (2025) enfatiza que a promoção da inclusão e da equidade no ensino da matemática requer a adaptação consciente das práticas pedagógicas para atender às diversas necessidades dos alunos, considerando suas especificidades cognitivas, culturais e socioemocionais, de modo a garantir que todos, independentemente de suas condições, tenham acesso a oportunidades de aprendizagem significativas e possam desenvolver seu potencial pleno dentro das escolas públicas. Simone Helen Drumond Ischkanian (2025) destaca que para construir uma educação matemática verdadeiramente inclusiva e equitativa, é fundamental que os professores sejam formados para reconhecer e valorizar as diferenças individuais, utilizando recursos e estratégias diversificadas que promovam a participação ativa de alunos com dificuldades de aprendizagem, deficiências ou de contextos vulneráveis, assegurando, assim, a democratização do conhecimento e o respeito à diversidade no ambiente escolar. Gladys Nogueira Cabral (2025) afirma que a equidade no ensino da matemática deve ser compreendida não apenas como o acesso universal ao conteúdo, mas como a construção de um ambiente pedagógico que respeite e valorize as singularidades dos alunos, adaptando-se às suas realidades específicas e garantindo o suporte necessário para que todos possam superar barreiras cognitivas e socioeconômicas, ampliando as possibilidades de sucesso acadêmico e social. Lucas Serrão (2025) ressalta que a inclusão e a equidade no ensino da matemática são pilares essenciais para a transformação da escola pública, pois ao implementar metodologias que levam em conta as particularidades dos alunos, tais como diferenças neurocognitivas e contextos sociais, cria-se um espaço de aprendizagem mais justo e acolhedor, no qual a diversidade é reconhecida como um elemento enriquecedor do processo educativo e da construção coletiva do saber. Silvana Nascimento de Carvalho (2025) aponta que o compromisso com a inclusão e a equidade implica o desenvolvimento de práticas pedagógicas flexíveis e sensíveis às desigualdades existentes, possibilitando que alunos com necessidades específicas, como aqueles NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 21 com transtornos de aprendizagem, recebam apoio adequado, por meio de metodologias ativas que favorecem a participação efetiva e a construção colaborativa do conhecimento matemático em ambientes escolarizados. Luciana Pereira Santos (2025) evidencia que garantir inclusão e equidade no ensino da matemática envolve superarparadigmas tradicionais que segregam alunos com dificuldades, adotando abordagens pedagógicas fundamentadas em evidências científicas que promovem a personalização do ensino, valorizam a diversidade cognitiva e cultural e possibilitam que todos os estudantes, especialmente os em situação de vulnerabilidade social, desenvolvam competências matemáticas essenciais para sua formação integral e cidadania ativa. A inclusão no ensino da matemática não pode ser uma ação isolada do professor, mas um compromisso coletivo que envolva suporte e recursos adequados para atender à diversidade dos alunos. Programas integrados que unam os conhecimentos da neurociência à prática pedagógica têm potencial para transformar a realidade das escolas públicas, garantindo que todos os estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade (Silva, Sales e Castro, 2019). A inclusão e a equidade no ensino da matemática, quando fundamentadas em evidências científicas e metodologias ativas, contribuem para a formação de cidadãos críticos, autônomos e capazes de superar barreiras. Essa perspectiva é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, na qual o direito à educação de qualidade seja realmente universal. Conforme afirmam Silva, Sales e Castro (2019) e Vieira e Gomes (2021), a adoção dessas práticas nas escolas públicas representa um passo decisivo para superar as desigualdades históricas e promover um ensino da matemática que valorize as potencialidades de todos. 2.5. FORMAÇÃO DOCENTE BASEADA EM EVIDÊNCIAS A formação docente baseada em evidências representa um dos pilares fundamentais para a implementação efetiva da neurociência educacional e das metodologias ativas no ensino da matemática em escolas públicas. Para que essas abordagens deixem de ser apenas conceitos teóricos e se transformem em práticas pedagógicas eficazes, é necessário que os professores estejam devidamente preparados, não apenas em relação ao conteúdo matemático, mas também ao entendimento do funcionamento cerebral e às estratégias didáticas que potencializam a aprendizagem (Vieira e Gomes, 2021). Esse preparo é essencial para enfrentar os desafios reais do cotidiano escolar. O processo de formação continuada deve, portanto, ser estruturado de forma a integrar conhecimentos científicos atuais sobre neurodesenvolvimento e aprendizagem, juntamente com técnicas pedagógicas ativas que envolvam o aluno em seu processo de construção do NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 22 conhecimento. Vieira e Gomes (2021, p. 8) ressaltam que essa articulação entre ciência e prática permite que os professores desenvolvam um olhar mais sensível às necessidades individuais dos estudantes, adaptando suas intervenções para favorecer o protagonismo e o engajamento. A prática reflexiva e contextualizada é fundamental para garantir que as metodologias ativas sejam aplicadas de maneira coerente e eficiente. Jerônimo et al. (2020) enfatizam que a formação docente deve contemplar a experiência prática em sala de aula, permitindo que os professores experimentem metodologias como a sala de aula invertida e a aprendizagem baseada em projetos. Essas vivências promovem a compreensão das potencialidades e desafios dessas estratégias, além de estimular a criatividade e a flexibilidade no planejamento das aulas. A prática supervisionada e o acompanhamento contínuo fortalecem a confiança dos docentes e facilitam a adaptação às realidades específicas das escolas públicas. A incorporação de recursos tecnológicos que complementem a aprendizagem, como plataformas digitais, jogos educativos e ferramentas de avaliação formativa é fundamental. A capacitação dos professores para o uso dessas tecnologias, como destacam Vieira e Gomes (2021), é imprescindível para que essas ferramentas sejam utilizadas de forma crítica e eficaz, evitando o simples uso mecânico e promovendo a personalização do ensino conforme as características de cada turma e aluno. A formação docente baseada em evidências também deve valorizar o trabalho colaborativo entre educadores, fomentando espaços de troca de experiências, discussões sobre práticas pedagógicas e o desenvolvimento coletivo de soluções para os desafios do ensino da matemática. Essa abordagem fortalece a rede de apoio e estimula a inovação constante, contribuindo para a construção de uma cultura escolar comprometida com a qualidade e a equidade no aprendizado (Jerônimo et al., 2020). É fundamental que a formação contemple ainda o conhecimento das bases neurocientíficas relacionadas às dificuldades de aprendizagem, como a discalculia e o déficit de atenção. Compreender os aspectos neurobiológicos desses transtornos permite que os professores adotem estratégias específicas para incluir todos os alunos no processo de aprendizagem, promovendo a equidade e reduzindo as desigualdades educacionais (Vieira e Gomes, 2021). A formação deve estar alinhada às diretrizes curriculares e políticas educacionais vigentes, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para garantir que as metodologias aplicadas estejam em consonância com os objetivos educacionais do país. O conhecimento dessas políticas auxilia os professores a integrar a neurociência e as metodologias ativas ao planejamento pedagógico, fortalecendo a coerência e a efetividade do ensino (Jerônimo et al., 2020). NEUROCIÊNCIA EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS. Página 23 Elda Lúcia Freitas Campos (2025) ressalta que a formação docente baseada em evidências deve ir além da transmissão de conteúdos teóricos, incorporando pesquisas recentes da neurociência educacional e das metodologias ativas para preparar professores capazes de adaptar suas práticas pedagógicas às necessidades reais dos alunos, promovendo um ensino de matemática mais efetivo, inclusivo e alinhado com os desafios contemporâneos da educação pública. Simone Helen Drumond Ischkanian (2025) destaca que a construção de programas de formação continuada fundamentados em evidências científicas oferece aos professores ferramentas concretas para diagnosticar dificuldades de aprendizagem, implementar estratégias pedagógicas eficazes e avaliar resultados de forma reflexiva, o que contribui para uma prática docente mais crítica, autônoma e comprometida com a melhoria contínua do ensino da matemática. Gladys Nogueira Cabral (2025) afirma que a formação docente ancorada em evidências exige um processo sistemático de atualização e aprofundamento que possibilite aos educadores compreenderem os avanços das neurociências aplicadas à educação e as potencialidades das metodologias ativas, garantindo, assim, que as intervenções pedagógicas estejam embasadas em dados confiáveis e resultem em aprendizagens significativas para os estudantes. Lucas Serrão (2025) enfatiza que investir em formação docente baseada em evidências é essencial para transformar a prática educacional, uma vez que promove o desenvolvimento profissional orientado por resultados empíricos, permitindo aos professores experimentarem, avaliarem e ajustarem suas estratégias de ensino, o que fortalece o protagonismo docente e contribui para a melhoria do desempenho dos alunos em matemática nas escolas públicas. Silvana Nascimento de Carvalho (2025) aponta que a formação continuada fundamentada em evidências científicas deve contemplar não só o conhecimento técnico sobre conteúdos matemáticos, mas também a compreensão dos processos cognitivos e emocionais envolvidos na aprendizagem, possibilitando aos professores desenvolverem abordagens pedagógicas personalizadas, inclusivas e inovadoras que respondam às demandas diversas do ambiente escolar. Luciana Pereira Santos (2025) evidencia que a formação docente sustentada em evidências é um pilar indispensávelAcesso em: 18 jul. 2025. JERÔNIMO, N. S. et al. Metodologias ativas de aprendizagem na Matemática na educação básica na perspectiva de sala de aula invertida. Anais do Seminário de Ensino de Matemática da UNESC, 2020. Disponível em: https://periodicos.unesc.net/ojs/index.php/seminariomat/article/view/6442. Acesso em: 18 jul. 2025.