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Políticas de saúde
Professor(a) autor(a)/conteudista
Ana Lucia Lima Gomes
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É vedada, terminantemente, a cópia do material didático sob qualquer 
forma, o seu fornecimento para fotocópia ou gravação, para alunos 
ou terceiros, bem como o seu fornecimento para divulgação em locais 
públicos, telessalas ou qualquer outra forma de divulgação pública, sob 
pena de responsabilização civil e criminal.
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Sumário
Políticas de saúde.......................................................................................4
Objetivo ........................................................................................................... 4
1 A política de saúde ....................................................................................... 4
1.1 História da política de saúde no Brasil ................................................... 4
1.2 Educação, saúde e gênero ................................................................... 10
Recapitulando ............................................................................................... 12
Glossário ....................................................................................................... 13
Referências bibliográficas ............................................................................. 13
Bibliografia clássica ................................................................................... 13
Bibliografia geral ........................................................................................ 14
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Políticas de saúde
Objetivo
Caros(as) alunos(as), sejam bem-vindos(as). Este conteúdo tem como objetivo realizar uma reflexão 
sobre as questões referentes à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos sob uma visão ética, tendo 
como ponto de partida as políticas públicas com ênfase em gênero e saúde reprodutiva. O conteúdo irá 
considerar as novas bases conceituais propostas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contextualizan-
do-as quanto à diversidade e à complexidade sociocultural da atualidade.
1 A política de saúde
Entendemos a saúde como um processo que não se dissocia do contexto social da qual emerge, e que a 
doença só tem realidade e valor de doença no interior de uma sociedade que a reconheça e a interprete 
como patológica. Portanto, o indivíduo é um doente em relação aos outros e em relação a si mesmo, 
sendo difícil definir teoricamente a saúde — e a doença — como fato isolado do conjunto da sociedade. 
Ela foi assim definida na 8ª Conferência Nacional de Saúde (BRASIL, 1986a, p. 4):
Em seu sentido mais abrangente, a saúde é resultante das condições de alimen-
tação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, 
lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde. É, assim, 
antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção, as 
quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida, a saúde não é um 
conceito abstrato. Define-se no contexto histórico de determinada sociedade 
e num dado momento de seu desenvolvimento, devendo ser conquistada pela 
população em suas lutas cotidianas.
1.1 História da política de saúde no Brasil
Vídeo: Políticas de saúde no Brasil – Breve histórico
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A partir dos pressupostos do materialismo histórico e 
dialético, entendemos que a lógica do sistema capita-
lista introduziu profundas alterações no meio econô-
mico e social e nas condições de vida da população 
mais empobrecida, interferindo diretamente na conjun-
tura de habitação, emprego e educação, como aponta 
F aleiros (1987, p. 24):
[...] tendo como determinan-
tes históricos, um conjunto de 
expressões do próprio modo 
de como a sociedade se orga-
niza para produzir suas condi-
ções materiais de existência, 
garantindo uma acumulação de 
riquezas cada vez mais acen-
tuada, e um conjunto de ações 
que reproduzem essas condi-
ções de produção.
Frente a essas questões, que envolvem desafi os sérios, 
o fenômeno saúde exige, de forma ampla e prospec-
tiva, a busca contínua por bem-estar físico, emocional 
e social para cada pessoa e para todos, sendo, nesse 
Figura - Construindo a história do SUS
Fonte: Elaborado pela autora (2023).
contexto, perseguida a visão de totalização. A perspectiva de totalidade busca compreender a socie-
dade como movimento que se transforma a partir de suas contradições internas e das suas condi-
ções concretas, em constante relação dialética. No caso específi co da saúde, essa relação dialética 
possibilita, por meio da avaliação do nível de saúde dos usuários, ter uma consciência de vigilância 
epidemiológica em saúde e “acompanhar o comportamento e a detecção de alterações no padrão 
local das doenças diarreicas agudas de forma a identifi car em tempo oportuno surtos e epidemias” 
(BRASIL, 2019, p. 369).
N a realidade, falta aos profi ssionais e gestores a capacitação para que possam focar em estratégias 
para atender às demandas existentes com qualidade; estimular a sociedade e orientá-la quanto à neces-
sidade do controle social (a sociedade tomar conta do que é seu por direito); trabalhar para o fortaleci-
mento da rede de atenção básica; contribuir para a organização de uma rede interligada de estratégias, 
ações e serviços de saúde; ajudar no desenvolvimento e na aplicação de políticas públicas de forma 
igualitária e integral. C onforme conceitua Cecílio (2006, p.115-128):
Integralidade Ampliada: fruto de uma articulação de cada serviço de saúde a uma 
rede muito mais complexa composta por outros serviços de saúde e outras insti-
tuições, não necessariamente do setor saúde.
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1.1.1 Antecedentes históricos
Nas primeiras décadas do século XX, o modelo de saúde no Brasil era centralizado na assistência médica 
curativa, com um sistema de proteção social excludente, tendo uma cidadania regulada. A cidadania 
regulada é aqui entendida, a partir de Santos (1979, p. 75), da seguinte forma:
Por cidadania regulada entendo o conceito de cidadania cujas raízes encontram-
-se, não em um código de valores políticos, mas em um sistema de estratificação 
ocupacional, e que ademais, tal sistema de estratificação ocupacional é definido 
por norma legal. Em outras palavras, são cidadãos todos aqueles membros da 
comunidade que se encontram localizados em qualquer uma das ocupações 
reconhecidas e definidas em lei.
O início do século XX é marcado pelo desenvolvimento da teoria da administração científica, que tinha 
como objetivo aumentar a eficiência nas indústrias/fábricas, com ênfase na divisão social do trabalho. 
Na década de 1970, o Brasil começou a vivenciar a crise da Previdência Social devido à má aplicação 
de recursos, à incorporação de tecnologias e ao aumento dos custos e da assistência baseada predo-
minantemente nos hospitais, privilegiando o setor privado. Tudo isso somado a um quadro crítico de 
desigualdades sociais, com a população morando em condições insalubres, o que culminou com a crise 
do governo militar.
A crise levou parte da sociedade a engajar-se em movimentos sociais (grupos reformistas), com a for-
mulação de propostas que pudessem atender à população excluída de qualquer sistema de proteção 
social, ganhando força no setor da saúde e culminando com o Movimento da Reforma Sanitária. Esse 
movimento foi um marco na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, quandotodas as propostas 
dos reformistas foram firmadas, o que impulsionou a criação do Sistema Unificado e Descentralizado de 
Saúde já em 1987, sendo este o momento de transição para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A reforma sanitária teve como pressuposto reverter a lógica da assistência à saúde, fundamentada em 
princípios básicos de universalizar o direito a ela e integralizar as ações de cunho preventivo e curativo, 
que eram desenvolvidas separadamente. Na década de 1980, vários movimentos se organizaram, como 
os trabalhadores do ABC paulista e profissionais da saúde e sanitaristas no já citado Movimento da 
Reforma Sanitária, que lutava para que a saúde fosse um direito de todos os brasileiros e um dever do 
Estado, culminando com a mobilização das Diretas Já. Segundo documento incluído na proposta 
do Conselho Nacional de Saúde (CNS), conforme Paim (2008, p.155-156):
A Reforma Sanitária deve ser entendida como um longo processo político de con-
quistas da sociedade em direção à democratização da saúde, num movimento de 
construção de um novo Sistema Nacional de Saúde [tendo como pressupostos]: 
a) visão da saúde como um processo resultante das condições de vida; b) aten-
ção à saúde não restrita a assistência médica, envolvendo ‘todas as ações de 
promoção, proteção e recuperação’; c) inscrição constitucional da saúde como 
direito de todos e dever do Estado, de modo que as ações e serviços de saúde 
estariam ‘subordinados ao interesse público’; d) acesso universal e igualitário 
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de toda a população a todas as ações e serviços necessários, sem discrimi-
nações; constituição do SUS com comando único em cada esfera de governo; 
e) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; f) distritalização; 
g) gestão colegiada.
Luta pela integralidade na década de 1980
Em junho de 1985, no governo do então presidente José Sarney, foi constituída a Assembleia Nacional 
Constituinte, que representou um marco na história do Brasil, com a posterior promulgação da Constitui-
ção Cidadã, em 5 de outubro de 1988.
A reforma sanitária representou um marco na década de 1980, com grande movimentação da classe 
trabalhadora brasileira por melhores condições de vida e saúde. Um grande pioneiro dessa luta foi o 
sanitarista Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, juntamente com 
Ulisses Guimarães, Tancredo Neves e outros personagens que fi zeram história e levaram todas as 
reivindicações à 8ª Conferência Nacional de Saúde.
8 ª Conferência Nacional de Saúde
Realizada em Brasília em 1986, fi rmou as ideias de universalização, descentralização, integralidade e 
participação popular no sistema de saúde brasileiro como política pública, materializada por meio da 
C onstituição Federal e da Lei nº 8.080/1990.
A proposta da conferência também visou descentralizar a gestão administrativa e fi nanceira do sistema 
de saúde, compartilhando responsabilidades com estados e municípios e dando ênfase à participação 
ativa dos cidadãos por meio do controle social, como contemplado no artigo 196, título VIII, capítulo II, 
seção II, da C onstituição:
A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais 
e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao 
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção 
e recuperação.
Figura - Sistema Único de Saúde (SUS)
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:SUS_apenas_preenchimento.svg
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Vídeo: Sistema Único de Saúde (SUS)
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O SUS tem como princípios gerais a universalização do direito à saúde, a descentralização, com direção 
única para o sistema, e a integralização da assistência, garantindo o acesso dos cidadãos a todos os 
níveis de assistência e tendo como pressuposto fundamental a inclusão de novos sujeitos por meio da 
participação popular, visando fiscalizar e acompanhar os serviços prestados pelo sistema nos níveis 
primário, secundário e terciário.
A fórmula da saúde como um direito de todos e um dever do Estado, consagrada como princípio cons-
titucional em 1988, sintetiza a concepção de uma política social universalista e igualitária, com ações e 
serviços com foco na promoção, proteção e recuperação da saúde por meio dos pressupostos básicos 
do SUS, descritos na Carta Magna como parte de um capítulo da seguridade social que, sob leis regula-
doras, garante o acesso universal de todos os cidadãos pela Política Nacional de Humanização (PNH), 
vinculada ao Ministério da Saúde (BRASIL, 2013a).
A PNH tem vínculo com a Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, e atua por meio de 
equipes dispostas em núcleos regionais e em Brasília, com apoiadores, tendo como objetivo a efetiva-
ção dos princípios norteadores do SUS. Na prática, os princípios da PNH possibilitam a gestão participa-
tiva, fundamental para as práticas educativas, a corresponsabilidade dos usuários nas ações coletivas 
planejadas e o fortalecimento dos vínculos, priorizando a escuta humanizada e ampliada e cumprindo 
as diretrizes do SUS, isto é, a participação da comunidade e a ideia de promoção da saúde por meio de 
ações de vigilância sanitária, estabelecida pela Lei nº 9.782/1999, que “define o Sistema Nacional 
de Vigilância Sanitária, cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária” (BRASIL, 1999).
As leis é que darão vida e voz aos princípios constitucionais. Apesar de o SUS ter sido criado por meio 
da Constituição de 1988, a legislação específica só foi aprovada em 1990, com a Lei Orgânica da Saúde 
(Lei nº 8080 e Lei nº 8142), conforme arcabouço jurídico a seguir:
a. Lei nº 8.080/1990 - Detalha o conteúdo constitucional: promoção, prevenção, recuperação da 
saúde, organização dos serviços, definindo o papel institucional em cada esfera de governo, 
estruturando o financiamento e as regras de transferência dos recursos, entre os diferentes níveis 
do governo.
b. Constituição Federal do Brasil de 1988 - Título VIII, Capítulo II, Seção II, artigo 196.
c. Norma Operacional Básica NOB/1991 - Tem como objetivo implantar políticas de financiamento, 
normalizar os recursos financeiros para a cobertura da assistência à saúde.
d. Norma Operacional Básica NOB/1992 - Estabelece normas e procedimentos reguladores do pro-
cesso de descentralização da gestão das ações e dos serviços de saúde, desencadeando no 
processo de municipalização da gestão (fundo a fundo).
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e. Norma Operacional Básica NOB/1996 - Tem como objetivo promover e consolidar o pleno exercí-
cio, por parte do poder público municipal, da função de gestor da atenção à saúde.
f. Lei nº 8.142/1990 - Define a participação da comunidade, como garantia constitucional dando 
fórum a população através de suas entidades representativas poderá participar do processo de 
formulação das políticas e do controle de sua execução. Este espaço de participação dos usuá-
rios tem a sua importância a partir do momento em que os indivíduos passam a ter uma com-
preensão mais ampliada do processo saúde doença, fortalecendo a democratização do poder 
local (sistema local de saúde), com o aumento da população na definição das políticas sociais.
É essa prática em nível local em uma unidade de saúde que denominamos de participação nos serviços 
de saúde, podendo utilizar ferramentas como o planejamento estratégico como forma de inclusão, a 
partir da compreensão do conceito ampliado de saúde.
1.1.2 Um conceito ampliado de saúde
O modo como os homens vivem, adoecem e morrem constitui um processo socialmente determinado, 
dependendo de fatoresdiversos como a produção de riquezas pela sociedade, as relações sociais que 
se estabelecem e o modo como a sociedade faz a regulação e o controle dessas relações. Nas socieda-
des antigas de cunho escravista, a assistência à saúde era desempenhada pelos sacerdotes, com ritos 
pagãos e feitiçarias. 
A partir do período industrial, com o desenvolvimento do capitalismo e o impulso aos elementos para 
produção de riquezas, houve rápido desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia. Nesse contexto, 
observa-se a evolução da medicina, imbuída de racionalidade e objetividade. As práticas médicas avan-
çaram no sentido de buscar sinais de doença, verificando-se transformações no modo de viver, adoecer 
e morrer — transição epidemiológica, que significa justamente a forma como as pessoas nascem, cres-
cem, adoecem e morrem. Essa transição é analisada por meio de quatro modos — monocausal, multi-
causal, determinação social da doença e história natural da doença —, que têm como objetivo explicar 
os fatores que levam a adoecer e morrer.
No caso específico do Brasil, num primeiro momento a constituição de um sistema de proteção social 
não contemplou todos os cidadãos, somente os que estavam inseridos no mercado de trabalho com 
carteira assinada e contribuindo para a previdência, ao passo que os cidadãos desempregados faziam 
parte de uma camada da população com cidadania regulada, sem contribuir para a previdência, e não 
tinham direito a assistência à saúde. 
Na 8ª Conferência Nacional de Saúde, uma das pautas propostas direcionou a questão da saúde e edu-
cação, com avanços importantes na discussão, definindo o chamado conceito ampliado de saúde.
A Organização Mundial de Saúde (OMS, 1946) conceitua a saúde da seguinte forma: “É o completo bem-
-estar físico, mental e social e não a simples ausência de doença”. O conceito ampliado de saúde em seu 
sentido mais abrangente, conforme os anais da 8ª Conferência Nacional de Saúde, é o seguinte:
A saúde é resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, 
meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse 
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da terra e acesso a serviços de saúde. É, assim, antes de tudo, o resultado das 
formas de organização social da produção, as quais podem gerar grandes desi-
gualdades nos níveis de vida. A saúde não é um conceito abstrato. Define-se 
no contexto histórico de determinada sociedade e num dado momento de seu 
desenvolvimento, devendo ser conquistada pela população em suas lutas coti-
dianas. (BRASIL, 1986a, p. 1)
1.2 Educação, saúde e gênero
Vídeo: Educação, saúde e gênero
https://player.vimeo.com/video/850239851
A educação, alinhada à ideia dos direitos humanos, parte das práticas realizadas por grupos, associando 
teoria e prática continuamente e permitindo a incorporação de conceitos de forma consciente, autô-
noma, humanizada, ética e com respeito às múltiplas formas de diversidade, à luz da Política Nacional 
de Humanização (BRASIL, 2013a, p. 3).
A educação em saúde representa uma metodologia eficaz para a expressão de todos os atores de 
uma roda de discussão, com fundamento na Constituição de 1988 (art. 1º, inciso III), pois “trata-se da 
dignidade da pessoa humana”, conceito alinhado à Política Nacional de Humanização. Na prática, os 
princípios da PNH possibilitam a gestão participativa, fundamental para as práticas educativas, a cor-
responsabilidade dos usuários nas ações coletivas planejadas e o fortalecimento dos vínculos, priori-
zando a escuta humanizada, que é primordial para a garantia dos princípios básicos de direitos humanos 
de forma ampliada, cumprindo as diretrizes do SUS e da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
A Resolução nº 217, A III, art. 1º, deste documento, estabelecido em 1948 pela Assembleia Geral das 
Nações Unidas, diz o seguinte: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos 
e, dotados que são de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraterni-
dade”. Essas ações de educação podem ser pautadas por uma metodologia de problematização, com 
uma comunicação dialógica e humanizada. Segundo Gonçalves et al. (2008 p. 12), “Educação popular 
em saúde reconhece que os saberes são construídos diferentemente e por meio da interação entre 
sujeitos”, sem discriminação com respeito às diversidades e à identidade sexual, que, como definiu o 
Ministério da Saúde:
É o conjunto de características sexuais que diferenciam cada pessoa das demais 
e que se expressam pelas preferências sexuais, sentimentos ou atitudes em rela-
ção ao sexo. A identidade sexual é o sentimento de masculinidade ou feminili-
dade que acompanha a pessoa ao longo da vida. Nem sempre está de acordo 
com o sexo biológico ou com a genitália da pessoa. (BRASIL, 2004, p. 24)
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Figura - Transversalidade e intersetorialidade
Fon te: Ada ptado pela autora de Brasil (2013a, p. 26).
Um dos princípios doutrinários do SUS 
é a equidade, que tem como princípio 
assegurar ações e serviços de saúde em 
todos os níveis de atenção, sendo fun-
damentada na complexidade de cada 
caso. A lei determina que todos são 
iguais perante o SUS e devem ser aten-
didos conforme a necessidade de cada 
um, com igualdade e justiça e seguindo 
eixos norteadores a parir da realidade, 
com foco na transversalidade e interse-
torialidade, como demonstrado na fi gura 
a seguir.
A equidade no acesso às ações e aos serviços de saúde traduz o debate atual rela-
tivo à igualdade, prevista no texto legal, e justifi ca a prioridade na oferta de ações e 
serviços aos segmentos populacionais que enfrentam maiores riscos de adoecer e 
morrer em decorrência da desigualdade na distribuição de renda, bens e serviços.
To rnam-se necessários estímulos para atitudes emancipatórias sobre as questões de saúde e gênero, 
como Siteal (2 019, p. 2):
Gênero refere-se ao conjunto de características diferenciadas que cada sociedade 
atribui a homens e mulheres. Defi ne e hierarquiza papéis, expectativas e direitos. 
Em nossas sociedades, o gênero é baseado em relações de poder desiguais que 
limitam o exercício dos direitos, fundamentalmente das mulheres e também de 
alguns homens.
Na prática, a intersetorialidade possibi-
lita a ampliação de perspectivas rumo ao 
rompimento de paradigmas discrimina-
tórios e à eliminação das desigualdades 
entre homens e mulheres, que limitam os 
direitos essencialmente garantidos pela 
legislação, como dizem Vas concelos e 
Pasche (2006, p. 535):
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As práticas de educação em saúde a partir da identidade de gênero podem ser baseadas no diálogo, 
reconhecendo os usuários com poder de fala e promovendo a troca de experiências em um ambiente 
onde todos os saberes e vivências são valorizados, sendo os sujeitos considerados em todas as suas 
dimensões, conforme Valla et al. (1993, p. 9): “São as múltiplas ações que diferentes forças sociais 
desenvolvem”. Como apontam os autores, essas múltiplas determinações dos sujeitos partem da garan-
tia de direitos tanto na saúde quanto na educação e são fundamentadas pela Constituição Federal e por 
portarias e resoluções, como indicado a seguir:
Constituição Federal, em seus artigos 3º e 5º
O art. 3º define, entre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, a promoção “do bem 
de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
O art. 5º traz a conhecida afirmação de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, e afirma expressamente a igualdade entre homens e mulheres como preceito constitucional.
Portaria nº 1.612/2011
Asseguraàs pessoas transexuais e travestis o direito à escolha de tratamento nominal (nome social) 
nos atos e procedimentos promovidos no âmbito do Ministério da Educação.
Resolução nº 12/2015 do Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT
Estabelece parâmetros para a garantia das condições de acesso e permanência de pessoas travestis 
e transexuais – e todas aquelas que tenham sua identidade de gênero não reconhecida em diferentes 
espaços sociais – nos sistemas e instituições de ensino, formulando orientações quanto ao reconheci-
mento institucional da identidade de gênero e sua operacionalização.
Nota Técnica 15/2015 CGDH/DPEDHUC/SECADI/MEC
Encaminha aos Sistemas e Instituições de Educação Básica e Superior a Resolução n° 12 CNDC/LGBT 
de 16 de janeiro de 2015, que estabelece parâmetros para a garantia das condições de acesso e perma-
nência de pessoas travestis e transexuais – e todas aquelas que tenham sua identidade de gênero não 
reconhecida em diferentes espaços sociais – nos sistemas e instituições de ensino.
Recapitulando
A reforma sanitária representou um grande movimento de luta da classe trabalhadora brasileira por 
melhores condições de vida e saúde. Um grande pioneiro dessa luta foi o sanitarista Sérgio Arouca, da 
Fiocruz, no Rio de Janeiro, incansável ao lado de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves e outros que fize-
ram história e levaram todas as reivindicações à 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília 
em 1986. É importante ressaltar a relevância da reforma sanitária para a evolução do sistema de saúde 
brasileiro, sendo entendida como um movimento com grandes conquistas na direção de uma proposta 
democrática para a sociedade.
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Glossário
Determinantes sociais de saúde
São fatores sociais, econômicos, culturais, étnico-raciais, psicológicos, comportamentais e ambientais que 
influenciam o processo saúde-doença. Por exemplo: habitação, saneamento, condições de trabalho, serviços 
de saúde e educação, incluindo também a trama de redes sociais e comunitárias. Fonte: Brasil (2013b, p. 21).
Intersetorialidade
Modo de gestão desenvolvido por meio de processo sistemático de articulação, planejamento e cooperação 
entre os distintos setores da sociedade e entre as diversas políticas públicas para intervir nos determinantes 
sociais. Fonte: Brasil (2013b, p. 24).
Referências bibliográficas
Bibliografia clássica
BRASIL. Anais da 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS). Brasília: Ministério da Saúde, 1986a.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Artigo 196, título VIII, capítulo II, seção II. 1988.
BRASIL. Decreto 1.232, de 30 de agosto de 1994. Dispõe sobre a transferência regular de recursos do FNS para os 
Estados, Municípios e DF. 1994.
BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Artigo 15, III. 1990a.
BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. 1990b.
BRASIL. Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999. Capítulo I, artigo 1º. 1999.
BRASIL. Ministério da Saúde. Anexo 1 do anexo XI da PRC GM/MS nº 2. 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Combate à Discriminação. Brasil sem homofobia: Programa de 
Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e Promoção da Cidadania Homossexual. Brasília: Ministério 
da Saúde, 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.203, de 5 de novembro de 1996. Norma Operacional Básica – NOB SUS 
01/96. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2003.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 234, de 7 de fevereiro de 1992. Norma Operacional Básica – NOB SUS 
01/92. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1992.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 373, de 27 de fevereiro de 2002. Norma Operacional da Assistência à 
Saúde – NOAS 01/2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção I, n. 40, p. 52, 2002.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 545, de 20 de maio de 1993. Norma Operacional Básica - NOB SUS 
01/1993. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 96, 1993.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 95, de 26 de janeiro de 2001. Norma Operacional da Assistência 
à Saúde – NOAS 01/2001. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 20, 2001.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização (PNH). Brasília: 
Ministério da Saúde, 2013a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto Promoção da Saúde. As Cartas da Promoção 
da Saúde. Brasília, DF, 2002, Carta de Otawa. In: CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância 
de Doenças não Transmissíveis. Guia de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Vigilância em Saúde. Glossário temático: 
promoção da saúde. 1. ed. 2. Reimpr. Brasília: Ministério da Saúde, 2013b.
BRASIL. Nota Técnica 15/2015. CGDH/DPEDHUC/SECADI/MEC. 2015a.
BRASIL. Resolução nº 12 CNDC/LGBT, de 16 de janeiro de 2015. 2015b.
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atenção em saúde. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (org.). Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado 
à saúde. Rio de Janeiro: UERJ: IMS: Abrasco, 2006. p. 115-128.
Bibliografia geral
BRASIL. Instituto Nacional da Assistência Médica da Previdência Social. Resolução nº 258, de 7 de janeiro de 1991. 
Norma Operacional Básica – NOB SUS 01/91. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 1991.
FALEIROS. V. P. Saber profissional e poder institucional. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1987.
GONÇALVES, M. C. et al. Educação permanente em saúde: dispositivo para a qualificação da estratégia saúde da 
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ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assembleia Geral das 
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ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Carta de Ottawa para la Promoción de la Salud. Ottawa: OMS, 1986. 
Disponível em: https://www.iasaude.pt/attachments/article/152/Carta_de_Otawa_Nov_1986.pdf. Acesso em: 11 jun. 2023.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Constituição da OMS. 1946.
PAIM, J. S. Reforma sanitária brasileira: contribuição para a compreensão e crítica [online]. Salvador: EDUFBA; Rio 
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	Políticas de saúde
	Objetivo
	1 A política de saúde
	1.1 História da política de saúde no Brasil
	1.2 Educação, saúde e gênero
	Recapitulando
	Glossário
	Referências bibliográficas
	Bibliografia clássica
	Bibliografia geral
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