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FUNDAMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA Cel BM Weltmam João de Lima 2025 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 2 EDITORIAL Governadora de Pernambuco Raquel Teixeira Lyra Vice-governadora de Pernambuco Priscila Krause Branco Secretário de Defesa Social Alessandro Carvalho Liberato Mattos Chefe da Polícia Civil Renato Márcio Rocha Leite Gerência da Polícia Científica Wagner Bezerra do Nascimento Coordenação de Ensino, Pesquisa e Gestão da Qualidade da Polícia Científica Natália Cybelle Lima Oliveira Diretora da Escola Superior de Polícia Civil Sylvana Lellis Supervisora de Ensino Kássia Lúcia Vieira dos Santos Conteudista Cel BM Weltmam João de Lima Revisor Felipe Fragoso Marinho de Lima ACA ESPC – ESCOLA SUPERIOR DE POLÍCIA CIVIL DE POLÍCIA CIVIL Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 3 Prezados Alunos, A Polícia Científica, como órgão essencial do Sistema de Defesa Social e de Justiça Criminal, desempenha um papel fundamental na produção de provas técnicas e científicas que subsidiam a investigação policial e o processo judicial. A qualidade, a imparcialidade e a celeridade de suas análises periciais são cruciais para a busca da verdade e a garantia da justiça. Nesse contexto, a eficácia de sua atuação não depende apenas da excelência técnico-científica de seus profissionais, mas também de uma sólida e moderna gestão pública. Esta disciplina, "Fundamentos da Gestão Pública", visa proporcionar aos futuros integrantes da Polícia Científica de Pernambuco uma visão integrada e estratégica dos princípios, conceitos e ferramentas que norteiam a administração pública contemporânea. Partindo de uma abordagem geral sobre os modelos de gestão e o arranjo institucional brasileiro, a disciplina se aprofunda nas dimensões da governança, na importância da orientação por resultados e na preservação do valor público. O objetivo é capacitar os alunos a compreenderem o complexo ambiente em que a Polícia Científica está inserida e a aplicarem práticas gerenciais que contribuam para a otimização dos recursos, a melhoria contínua dos processos e o aprimoramento dos serviços prestados à sociedade. Neste conteúdo, e, para a construção desta apostila, foi utilizada Inteligência Artificial como ferramenta de apoio, auxiliando na organização, aprofundamento e estruturação dos conteúdos, visando oferecer um material didático moderno e de qualidade, onde serão abordadas questões cruciais como a gestão de recursos (humanos, financeiros e materiais de alta tecnologia), o planejamento estratégico das atividades periciais, a gestão da qualidade dos laudos e a otimização dos fluxos de trabalho. Além disso, será explorada a relevância das redes de governança e das parcerias públicas como mecanismos para fortalecer a capacidade operacional e a inovação na atividade pericial. Ao final desta disciplina, espera-se que o aluno esteja apto a identificar desafios e oportunidades na gestão da Polícia Científica, contribuindo ativamente para a eficiência e a excelência da instituição. A compreensão desses fundamentos é indispensável para que cada profissional, em sua futura atuação, possa não apenas executar suas tarefas com competência técnica, mas também atuar como agente de transformação e aprimoramento da gestão institucional. Bom curso! Weltmam João de Lima Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 4 ÍNDICE CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA ........ 6 1.1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA GESTÃO PÚBLICA 6 1.2. TEORIAS E MODELOS DE GESTÃO PÚBLICA 8 1.3. GESTÃO ORIENTADA POR RESULTADOS E VALOR PÚBLICO 12 1.4. A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO PÚBLICA NA POLÍCIA CIENTÍFICA 13 Reflexões 15 CAPÍTULO 2: O ARRANJO INSTITUCIONAL BRASILEIRO ................................... 16 2.1. O ESTADO, O GOVERNO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL 16 2.2. DIVISÃO DE PODERES E FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA 18 2.3. O PAPEL DA POLÍCIA CIENTÍFICA NO CONTEXTO DO ARRANJO INSTITUCIONAL 19 2.4. RELAÇÕES INTERINSTITUCIONAIS E CADEIA DE VALOR NO SISTEMA DE JUSTIÇA 21 REFLEXÕES 23 CAPÍTULO 3: GOVERNANÇA PÚBLICA E DESEMPENHO NA POLÍCIA CIENTÍFICA 24 3.1. DIMENSÕES DA GOVERNANÇA PÚBLICA: LIDERANÇA, ESTRATÉGIA E CONTROLE 24 3.2. GESTÃO POR DESEMPENHO E INDICADORES NA ATIVIDADE PERICIAL 26 3.3. CONFORMIDADE, INTEGRIDADE E ÉTICA NA GESTÃO DA POLÍCIA CIENTÍFICA 30 3.4. TRANSPARÊNCIA, PRESTAÇÃO DE CONTAS E PARTICIPAÇÃO SOCIAL 33 REFLEXÕES 35 CAPÍTULO 4: REDES DE GOVERNANÇA E PARCERIAS NA ATIVIDADE PERICIAL 36 4.1. ESTRATÉGIAS DE RELACIONAMENTO E COOPERAÇÃO INTERINSTITUCIONAL 36 4.2. CONTRATAÇÕES PÚBLICAS E AQUISIÇÃO DE TECNOLOGIA ESPECIALIZADA 40 4.3. INVESTIMENTOS DE IMPACTO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA FORENSE 43 4.4. INSTRUMENTOS FINANCEIROS E OTIMIZAÇÃO DA CAPACIDADE OPERACIONAL 47 REFLEXÕES 48 CAPÍTULO 5: GESTÃO PÚBLICA NA POLÍCIA CIENTÍFICA DO ESTADO DE PERNAMBUCO ........................................................................................................ 49 5.1. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E REGIMENTO INTERNO DA POLÍCIA CIENTÍFICA DE PE 49 5.2. GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS: CARREIRA, CAPACITAÇÃO E DESEMPENHO 50 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 5 5.3. GESTÃO DE RECURSOS MATERIAIS E LABORATORIAIS 51 5.4. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E OPERAÇÕES DE SUPORTE TÉCNICO-CIENTÍFICO 53 5.5. GESTÃO DA QUALIDADE, OTIMIZAÇÃO DE FLUXOS E CERTIFICAÇÕES 55 REFLEXÕES 57 CONCLUSÃO ........................................................................................................... 58 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 59 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 6 1. Introdução aos Fundamentos da Gestão Pública A gestão pública é um campo de estudo e prática que se dedica à administração das organizações e recursos do Estado, com o objetivo primordial de promover o bem-estar coletivo e o desenvolvimento social. Diferentemente da gestão privada, que busca primariamente o lucro, a gestão pública tem como norte a geração e preservação do valor público, que se manifesta na oferta de serviços de qualidade, na garantia de direitos e na promoção da equidade. Para os futuros membros da Polícia Científica, compreender esses fundamentos é essencial, pois suas atividades – desde a gestão administrativa até a emissão de laudos – estão intrinsecamente ligadas à capacidade do Estado de entregar resultados eficazes e confiáveis à sociedade. GESTÃO PÚBLICA GESTÃO PRIVADA Visa a melhoria da vida coletiva Visa lucro próprio Os departamentos existem por determinação legal Os setores são formados por sócios A captação de recursos é feita principalmente através de impostos O orçamento é proveniente de pagamentos recebidos de clientes pela compra de produtos ou serviços Normalmente, as atividades públicas são monopolistas Livre concorrência Fonte: COLAB, 2024 1.1. Conceitos Fundamentais da Gestão Pública A gestão pública pode ser definida como o conjunto de ações e processos voltados para o planejamento, organização, direção e controle das atividades e recursos estatais, visando à consecução de políticas públicas e à entrega de bens e serviços aos cidadãos. Seus pilares incluem a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência. Além desses, outros conceitos são igualmente fundamentais para a compreensão da gestão pública contemporânea: • Interesse Público: É o princípio basilar que deve guiar todas as ações da administração pública. Diferentemente dos interesses privados,tradicionais, argumentando que muitas vezes eles eram baseados em fraqueza. Ele defendia a "vontade de potência", a afirmação da vida e a criação de valores próprios, superando uma "moral de rebanho". ‣ Aplicação na Polícia Científica: A perspectiva de Nietzsche, embora complexa e frequentemente mal interpretada, pode inspirar o profissional a uma autonomia intelectual e a uma busca incessante pela excelência que transcende a mera obediência a regras. Significa questionar o status quo se ele for medíocre ou se basear em premissas falsas, buscando a "verdade científica" com coragem e originalidade, mesmo que isso desafie convenções. Implica em não se contentar com o mínimo, mas sim em buscar aprimoramento contínuo e inovação nos métodos, baseando-se na força do próprio conhecimento e na responsabilidade individual pela qualidade do trabalho. A "transvaloração" aqui seria a capacidade de aprimorar constantemente os padrões, sem se prender a métodos obsoletos por comodidade. • Zygmunt Bauman (Modernidade Líquida e Ética da Responsabilidade): Bauman, em sua teoria da "modernidade líquida", descreve uma era de incertezas, fragilidade dos laços sociais e valores fluidos. A ética, nesse contexto, torna-se uma "ética da responsabilidade", onde as ações do indivíduo têm consequências imprevisíveis em um mundo interconectado e mutável. ‣ Aplicação na Polícia Científica: No cenário atual, com a rápida evolução da criminalidade (crimes cibernéticos, globalização do crime) e das tecnologias, o profissional atua em um ambiente de "modernidade líquida". A ética, sob a ótica de Bauman, exige uma responsabilidade ampliada. O profissional não pode se limitar à sua tarefa imediata, mas deve considerar o impacto de seu laudo em toda a cadeia de justiça e na vida das pessoas. A Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 35 fragilidade das informações e a facilidade de fake news exigem que o profissional seja ainda mais rigoroso na apresentação de fatos, ciente de que a verdade científica, num mundo de "pós-verdade", é uma âncora crucial de estabilidade e justiça. A ética da responsabilidade implica em reconhecer a complexidade dos fenômenos e agir com prudência e vigilância constante. A integração dessas perspectivas filosóficas na formação do profissional da Polícia Científica reforça que a ética é um campo dinâmico e essencial, que vai além da letra da lei. Ela é um guia para a excelência na conduta diária, na relação com a ciência, com a instituição e, em última instância, com a sociedade. A valorização da gestão estratégica e a avaliação baseada em evidências são instrumentos para garantir a efetividade das ações de segurança pública, sempre pautadas por uma conduta ética rigorosa. 3.4. Transparência, Prestação de Contas e Participação Social A governança pública moderna exige transparência na atuação da administração e a responsabilização pelos atos e resultados. • Transparência Ativa e Passiva: ‣ Ativa: Publicação proativa de informações de interesse público em portais de transparência (orçamento, despesas, contratos, servidores, relatórios de atividades). Para a Polícia Científica, pode incluir dados agregados sobre tipos de perícias realizadas, tempo médio de laudos (sem identificar casos específicos), e indicadores de desempenho. ‣ Passiva: Atendimento a requisições de informação dos cidadãos, conforme a Lei de Acesso à Informação (LAI). • Prestação de Contas (Accountability): É a obrigação dos gestores de informar e justificar suas ações e decisões perante os órgãos de controle e a sociedade. Na Polícia Científica, isso se traduz em relatórios de gestão, auditorias, e a responsabilidade por garantir que os recursos públicos sejam bem aplicados e os objetivos alcançados. • Participação Social (quando aplicável): Embora a natureza da Polícia Científica seja majoritariamente técnica e sigilosa em relação aos casos, a participação social pode ocorrer em fóruns consultivos sobre políticas de segurança pública, audiências públicas sobre o orçamento ou por meio de ouvidorias que recebem manifestações da população sobre a qualidade dos serviços em geral. A retroalimentação externa é valiosa para a melhoria contínua e a legitimidade da instituição. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 36 A implementação eficaz dessas dimensões da governança, aliada a uma gestão por desempenho orientada para a conformidade e a ética, capacita a Polícia Científica de Pernambuco a cumprir sua missão com excelência, fortalecer sua credibilidade e contribuir de forma ainda mais significativa para o sistema de justiça e para a segurança da sociedade pernambucana. Reflexões Reflexão 1: Liderança além da Chefia: Fomentando a Integridade. A liderança na Polícia Científica não se limita a cargos de chefia; ela se manifesta em todos os níveis. Como cada profissional pode exercer liderança na promoção de uma cultura de integridade e conformidade, especialmente em um ambiente que lida com a produção de provas cruciais para a justiça? De que forma a sua conduta individual contribui para a reputação e a confiabilidade de toda a instituição? Reflexão 2: Transformando Dados em Decisões: O Poder dos Indicadores. A coleta de dados sobre o número de laudos, tempo de emissão, ou taxa de retrabalho é apenas o primeiro passo. Como a Polícia Científica pode ir além da simples coleta e utilizar esses indicadores de desempenho para tomar decisões estratégicas reais? Pense em como esses dados poderiam justificar a necessidade de novos equipamentos, mais pessoal, ou a criação de novas especialidades periciais. Qual é o papel da tecnologia, como Big Data e IA, na análise desses indicadores? Reflexão 3: A Certificação ISO como Garantia de Valor Público. A busca pela certificação ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 para os laboratórios da Polícia Científica é um objetivo de governança. Como essa certificação, ao garantir padrões rigorosos de qualidade e competência técnica, se traduz diretamente em valor público para a sociedade? Qual é o impacto de um laudo certificado na percepção do Judiciário, do Ministério Público e do cidadão sobre a prova pericial? Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 37 4. Redes de Governança e Parcerias na Atividade Pericial A complexidade dos desafios enfrentados pela segurança pública e pelo sistema de justiça criminal na atualidade exige que as instituições atuem de forma colaborativa, em redes. A Polícia Científica, embora dotada de expertise técnica específica, não opera de forma isolada. Ao contrário, sua eficácia é significativamente potencializada pela capacidade de estabelecer e manter relações estratégicas e parcerias com diversos atores, tanto do setor público quanto do privado e da academia. Essas redes de governança são cruciais para o compartilhamento de conhecimento, a otimização de recursos e a busca por inovação na atividade pericial. 4.1. Estratégias de Relacionamento e Cooperação Interinstitucional A Polícia Científica está inserida em um ecossistema de instituições que colaboram para a segurança pública e a justiça. A construção de relacionamentos sólidos e a formalização de acordos de cooperação são estratégias essenciais para: • Otimização do Fluxo de Informações e Evidências: A agilidade e a qualidade da prova pericial dependem de um fluxo contínuo e desimpedido de informações e vestígios entre a Polícia Civil (demandante primária), o Ministério Público (fiscal da lei e parte acusadora) e o Poder Judiciário (instância decisória). A formalização de protocolos de entrega e recebimento de materiais, sistemas de rastreamento da cadeia de custódia e plataformas de comunicação integrada são exemplos de como essa cooperação se materializa. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 38 • Compartilhamentode Expertise e Recursos: Nem todas as perícias podem ser realizadas internamente devido à alta especialização ou ao custo de equipamentos. Acordos de cooperação técnica com outras Polícias Científicas (estaduais ou federais), universidades e centros de pesquisa podem viabilizar a realização de exames complexos ou o acesso a tecnologias específicas. Por exemplo, laboratórios especializados em análise de DNA de massa ou perícias em artefatos explosivos podem operar em rede. • Padronização de Procedimentos: A colaboração com outras instituições permite a adoção de padrões e melhores práticas em nível nacional, como os estabelecidos pela Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), garantindo a comparabilidade e a validade de laudos periciais em diferentes jurisdições. • Capacitação Conjunta: A realização de cursos, seminários e intercâmbios entre a Polícia Científica e outras forças de segurança (Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar, Polícia Federal) ou órgãos do sistema de justiça (Ministério Público, Defensorias) fortalece a compreensão mútua dos papéis e otimiza a formação de profissionais. ✓ Exemplos de Cooperação Interinstitucional: - Termos de Cooperação Técnica: Formalizam a colaboração para fins específicos, como o desenvolvimento de pesquisas, o intercâmbio de peritos ou o uso compartilhado de equipamentos. - Grupos de Trabalho Conjuntos: Criação de equipes multidisciplinares para aprimorar a atuação em áreas específicas, como o combate a crimes cibernéticos ou a investigação de homicídios complexos. - Sistemas de Informação Integrados: Desenvolvimento de plataformas que permitam o registro e o acompanhamento de requisições de perícia, o status de laudos e o acesso a bancos de dados relevantes. ✦ O Consórcio Nordeste como Ferramenta de Eficiência e Eficácia de Cooperação Interinstitucional: Uma das mais promissoras estratégias de cooperação interinstitucional no Brasil é a atuação por meio de consórcios públicos. No contexto da região, o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste) destaca-se como um modelo de governança colaborativa que pode ser uma ferramenta poderosa na busca por eficiência e eficácia para a Polícia Científica de Pernambuco. O Consórcio Nordeste congrega os nove estados da Região Nordeste do Brasil e tem como objetivo principal promover o desenvolvimento sustentável da região por meio de ações conjuntas e coordenadas. Embora sua atuação abranja diversas áreas, a Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 39 segurança pública e a ciência aplicada são campos com grande potencial para a colaboração. ‣ Busca pela Eficiência: - Aquisições Conjuntas: O consórcio permite a realização de compras conjuntas de equipamentos de alta tecnologia (como sequenciadores de DNA, espectrômetros de massa, equipamentos para exames de balística forense), reagentes e insumos laboratoriais em grande escala. Isso gera economia de escala, reduzindo os custos unitários e otimizando o uso dos recursos orçamentários de cada estado, tornando a gestão mais econômica. - Compartilhamento de Laboratórios e Expertise: É possível que os estados membros do consórcio, por meio de acordos específicos, compartilhem o uso de laboratórios altamente especializados ou a expertise de peritos em áreas de nicho. Por exemplo, um estado pode ter um laboratório de referência em análise de bombas e explosivos, enquanto outro é especialista em perícias ambientais complexas. O consórcio facilitaria o acesso a esses recursos sem a necessidade de cada estado replicar toda a infraestrutura e corpo técnico, evitando o retrabalho. - Padronização de Processos e Tecnologias: A atuação consorciada pode levar à padronização de protocolos de análise, sistemas de gestão laboratorial e tecnologias empregadas, facilitando a interoperabilidade e a troca de informações entre as Polícias Científicas dos estados membros, contribuindo para a eficiência dos processos. ‣ Busca pela Eficácia: - Desenvolvimento de Capacidades Regionais: O consórcio pode promover programas de capacitação e treinamento conjuntos, com o objetivo de elevar o nível Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 40 técnico e científico de todos os profissionais da região. Isso garante que as perícias realizadas em diferentes estados sigam padrões de excelência similares, aumentando a qualidade e a confiabilidade da prova pericial em toda a região. - Projetos de Pesquisa e Inovação Colaborativos: Ao unir forças, os estados podem desenvolver projetos de pesquisa e inovação de maior envergadura, buscando soluções para desafios comuns na criminalidade regional (ex: tráfico de drogas específico da região, crimes contra o meio ambiente). Isso levaria a um aprimoramento contínuo das metodologias periciais e a um maior impacto na elucidação de crimes. - Fortalecimento da Segurança Pública Integrada: A colaboração técnico- científica via consórcio contribui para uma segurança pública mais integrada e eficaz na região, auxiliando no combate a crimes transfronteiriços e na troca de informações cruciais para investigações que abrangem mais de um estado. A análise crítica e sistêmica é fundamental nesse aspecto (Exemplo: Operação Divisa Segura). A participação ativa da Polícia Científica de Pernambuco em iniciativas e projetos do Consórcio Nordeste, no que tange à área de perícia e ciência forense, representa uma oportunidade estratégica para alavancar a eficiência na gestão de recursos e processos, e a eficácia na entrega de resultados de alta qualidade para o sistema de justiça e para a sociedade. ✓ Exemplos de Cooperação Interinstitucional: - Termos de Cooperação Técnica: Formalizam a colaboração para fins específicos, como o desenvolvimento de pesquisas, o intercâmbio de peritos ou o uso compartilhado de equipamentos. - Grupos de Trabalho Conjuntos: Criação de equipes multidisciplinares para aprimorar a atuação em áreas específicas, como o combate a crimes cibernéticos ou a investigação de homicídios complexos. - Sistemas de Informação Integrados: Desenvolvimento de plataformas que permitam o registro e o acompanhamento de requisições de perícia, o status de laudos e o acesso a bancos de dados relevantes. Fóruns de Governança no Consórcio Nordeste: O sucesso do Consórcio Nordeste como ferramenta de eficiência e eficácia reside em sua estrutura de governança, que inclui a criação de fóruns temáticos e setoriais. Esses fóruns são espaços privilegiados para a articulação e o planejamento conjunto, onde gestores e técnicos de diferentes estados se reúnem para discutir desafios, compartilhar boas práticas e propor soluções conjuntas. Instalado, de fato, em setembro de 2019, tem atuado desde então na constituição de Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 41 fóruns de governança entre os gestores públicos dos nove governos estaduais. Com tal propósito, vem reunindo os secretários das diversas áreas numa frente de trabalho e, noutra, reunindo atores do campo público a partir de temas estruturantes ou por demandas específicas, quais sejam: • Administração • Assistência Social • Cultura • Desenvolvimento Econômico • Desenvolvimento Rural • Desenvolvimento urbano • Educação • Fazenda • Infraestrutura • Meio Ambiente • Planejamento Leis de ratificação de cada Estado do Nordeste • Recursos Hídricos • Saúde • Turismo No contexto da segurança pública dentro do Consórcio Nordeste e da Polícia Científica, não há fórum específico, mas a participação ativa em tais fóruns de governança pode trazer benefícios adicionais: ‣ Fóruns Técnicos de Polícia Científica: A criação de um fórum específico de perícia, por exemplo, para os diretores e coordenadores de Polícia Científicados estados do Nordeste, sob a égide do consórcio, seria de valor inestimável. Neste espaço, seria possível: - Compartilhar Desafios Comuns: Discutir problemas de infraestrutura, falta de pessoal, demanda crescente, e buscar soluções coletivas. - Padronizar Protocolos: Trabalhar na harmonização de metodologias e procedimentos periciais entre os estados, facilitando o intercâmbio de provas e informações. - Projetar Aquisições Conjuntas: Identificar necessidades comuns de equipamentos e insumos para planejar compras consorciadas, aproveitando o poder de barganha coletivo. - Articular Programas de Capacitação: Desenvolver e oferecer cursos de capacitação e treinamentos especializados para peritos de toda a região, Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 42 otimizando recursos de instrução e garantindo a disseminação do conhecimento. - Fomentar Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento: Identificar áreas de pesquisa prioritárias para a região e buscar financiamento conjunto. A participação ativa da Polícia Científica de Pernambuco em iniciativas e projetos do Consórcio Nordeste, notadamente por meio de seus fóruns de governança, representa uma oportunidade estratégica para alavancar a eficiência na gestão de recursos e processos, e a eficácia na entrega de resultados de alta qualidade para o sistema de justiça e para a sociedade. 4.2. Contratações Públicas e Aquisição de Tecnologia Especializada A modernização da Polícia Científica depende diretamente da capacidade de adquirir equipamentos de ponta, reagentes de alta qualidade, sistemas de informação forense avançados e softwares especializados. As contratações públicas, regidas principalmente pela Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos), são o principal instrumento legal para concretizar essas aquisições. A boa gestão nesse campo é vital para garantir não apenas a conformidade legal, mas também a economicidade, a eficiência e a qualidade dos meios empregados na atividade pericial. I. O Planejamento das Aquisições: A Fase Estratégica A etapa mais crítica da contratação pública, especialmente para a aquisição de tecnologia especializada, é o planejamento. Sem um planejamento robusto, a instituição corre o risco de adquirir equipamentos inadequados, obsoletos ou excessivamente caros. • Levantamento de Necessidades: A Polícia Científica deve realizar um diagnóstico preciso de suas demandas e lacunas tecnológicas. Isso envolve a consulta a peritos e técnicos especializados, a análise de tendências da criminalidade e dos avanços científicos. • Pesquisa de Mercado e Soluções: É fundamental realizar uma ampla pesquisa de mercado para identificar as tecnologias mais recentes, os melhores fornecedores e as soluções que atendam às necessidades específicas da perícia forense (ex: softwares para análise de dados digitais em celulares apreendidos, equipamentos para detecção de novas substâncias tóxicas). A simples compra de um equipamento sem a avaliação de sua usabilidade e integração com os sistemas existentes pode gerar desperdício. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 43 • Estudos Técnicos Preliminares (ETP) e Termo de Referência (TR): Documentos essenciais que detalham a necessidade da contratação, os requisitos técnicos do objeto, a estimativa de custos e os critérios de aceitação. Um ETP e um TR bem elaborados são a base para uma licitação bem-sucedida, garantindo que o mercado entenda o que a Polícia Científica precisa e possa apresentar as melhores propostas. • Análise de Custo-Benefício e Sustentabilidade: A decisão de compra não deve se basear apenas no preço inicial, mas também nos custos de manutenção, insumos, treinamento e obsolescência. Priorizar equipamentos com menor impacto ambiental e maior vida útil contribui para a sustentabilidade da gestão. II. Modalidades de Licitação e Processo Licitatório A Nova Lei de Licitações trouxe atualizações significativas nas modalidades e procedimentos, buscando mais agilidade e segurança jurídica. Conhecer e aplicar corretamente essas modalidades é fundamental para o gestor. • Pregão (Eletrônico): A modalidade preferencial para a aquisição de bens e serviços comuns, caracterizados por padrões de desempenho e qualidade que podem ser objetivamente definidos (pode ser por aquisição normal ou por registro de preços). É ágil e competitivo, ideal para a compra de reagentes, materiais de laboratório e equipamentos mais padronizados. • Concorrência: Utilizada para bens e serviços especiais e obras e serviços de engenharia de maior valor. Permite maior complexidade na avaliação das propostas. • Diálogo Competitivo: Uma inovação da Lei nº 14.133/2021. É uma modalidade que permite à Administração Pública dialogar com licitantes previamente selecionados para desenvolver a melhor solução para uma necessidade complexa e não facilmente definível no início. É particularmente útil para aquisição de soluções tecnológicas altamente inovadoras ou sistemas integrados complexos, onde a Polícia Científica pode não ter todas as especificações claras de antemão. Isso permite à instituição buscar a melhor solução tecnológica em conjunto com o mercado. • Dispensa e Inexigibilidade de Licitação: Casos excepcionais previstos em lei para situações específicas (ex: emergência, contratação de serviços técnicos especializados de notória especialização). A correta aplicação dessas exceções exige rigor e fundamentação para evitar irregularidades. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 44 A nova lei permite critérios de julgamento mais flexíveis, como "melhor técnica ou conteúdo artístico", "maior retorno econômico" e "maior desconto". Para tecnologia, o critério de "melhor técnica ou conteúdo técnico e preço" pode ser fundamental, pois prioriza a qualidade e a funcionalidade em vez apenas do menor preço. III. Gestão e Fiscalização de Contratos A contratação pública não termina com a assinatura do contrato. A fase de gestão e fiscalização é igualmente crucial para garantir que o objeto contratado seja entregue conforme as especificações e que o valor público seja gerado. • Fiscalização Contratual: A Polícia Científica deve designar fiscais de contrato qualificados para acompanhar a execução, verificar a qualidade dos produtos ou serviços entregues, atestar medições e garantir o cumprimento das cláusulas contratuais (ex: prazos de entrega, garantia, manutenção). • Gestão de Desempenho do Fornecedor: Avaliar o desempenho dos fornecedores e prestadores de serviço é essencial para futuras contratações e para o aprimoramento contínuo. • Acompanhamento da Manutenção e Suporte: Para equipamentos de alta tecnologia, a manutenção preventiva e o suporte técnico adequado são tão importantes quanto a aquisição. A gestão de contratos deve assegurar que esses serviços sejam prestados conforme o acordado, prolongando a vida útil dos equipamentos e garantindo a continuidade das operações periciais. • Transparência e Controle: Todas as etapas da contratação, desde o planejamento até a execução e fiscalização, devem ser registradas e publicadas nos portais de transparência, conforme a Lei de Acesso à Informação. Isso permite o controle social e a fiscalização pelos órgãos de controle externo. A capacidade de gerir as contratações públicas de forma estratégica, alinhada às melhores práticas da Nova Lei de Licitações, é um diferencial competitivo para a Polícia Científica de Pernambuco. Permite não apenas a aquisição dos melhores recursos Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 45 tecnológicos e insumos, mas também a otimização dos investimentos e a garantia da qualidade do suporte necessário para uma atuação pericial de ponta. 4.3. Investimentos de Impacto Social e Desenvolvimento da Pesquisa ForenseA Polícia Científica, em sua essência, serve ao interesse público e à justiça. Além da produção de provas para casos específicos, a instituição tem um papel estratégico em investimentos que geram um impacto social mais amplo e no fomento contínuo da pesquisa científica. Essas duas frentes, embora não diretamente ligadas à demanda diária de laudos, são cruciais para a evolução da perícia forense e para a consolidação da Polícia Científica como uma instituição de vanguarda e socialmente responsável. ‣ Investimentos de Impacto Social Direto e Indireto Os investimentos de impacto social na Polícia Científica referem-se a ações ou projetos que, utilizando a expertise e os recursos da instituição, geram benefícios tangíveis para a sociedade que vão além do resultado de um inquérito ou processo judicial. Esses investimentos podem ser diretos ou indiretos: • Impacto Social Direto: ‣ Programas de Identificação de Desaparecidos: A utilização de técnicas forenses avançadas (como perfis genéticos de familiares, reconstrução facial, odontologia forense) para identificar restos mortais e reuni-los às suas famílias. Esta é uma ação de altíssimo valor humanitário, que alivia o sofrimento de centenas de famílias e dá dignidade aos falecidos. Tais programas muitas vezes envolvem a criação de bancos de dados genéticos de familiares de desaparecidos, exigindo gestão de amostras e integração de informações. ‣ Projetos de Localização de Vítimas de Grandes Desastres: Em eventos como desastres naturais, acidentes de grandes proporções ou tragédias com múltiplas vítimas, a Polícia Científica tem um papel crucial na identificação rápida e precisa dos corpos, facilitando o trabalho de resgate e a elaboração de laudos que auxiliam as investigações sobre as causas. A organização de equipes de pronta resposta e o planejamento de contingência são investimentos essenciais para essa capacidade. • Impacto Social Indireto: ‣ Palestras e Campanhas de Conscientização: A participação da Polícia Científica em escolas, universidades e comunidades para falar sobre temas como prevenção de crimes (ex.: dicas de segurança digital, combate a fraudes), os perigos das drogas, ou a importância da preservação de locais Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 46 de crime, pode educar a população e contribuir para a prevenção da criminalidade. ‣ Ações de Prevenção de Violência (Baseadas em Dados): A análise de dados periciais (ex.: padrões de crimes, características de armas de fogo apreendidas, tipos de explosivos mais utilizados) pode gerar informações valiosas para as políticas públicas de segurança e prevenção. Por exemplo, a identificação de um padrão de fraude específica em uma região pode levar a campanhas educativas direcionadas. ‣ Cooperação com Redes de Proteção à Vítima: A perícia forense pode fornecer informações cruciais para redes de apoio a vítimas de violência (ex.: violência doméstica, crimes sexuais), auxiliando na produção de provas que garantam a responsabilização dos agressores e o acesso das vítimas à justiça e a serviços de apoio. II. Desenvolvimento da Pesquisa Forense: A Fronteira da Inovação A Polícia Científica não deve ser apenas uma executora de métodos existentes, mas também um centro de pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias. O investimento em pesquisa é fundamental para a inovação e para a manutenção da excelência e da relevância da instituição em um cenário criminal em constante mutação. • Aprimoramento e Validação de Métodos: A pesquisa permite o desenvolvimento e a validação de novas técnicas de análise que aumentam a sensibilidade, especificidade e rapidez das perícias. Isso é vital diante de novos desafios como: ‣ Novas Substâncias Psicoativas: A constante emergência de novas drogas sintéticas exige que a perícia química desenvolva e valide rapidamente métodos para sua identificação. ‣ Crimes Digitais e Cibersegurança: A complexidade da informática forense demanda pesquisa contínua em recuperação de dados, análise de malware e rastreamento de atividades ilícitas em ambientes virtuais. ‣ Bioinformática Forense: O uso de sequenciamento de nova geração para perfis de DNA complexos ou microbiomas forenses abre novas fronteiras para a investigação. • Adaptação a Novas Demandas Criminais: A pesquisa permite que a Polícia Científica esteja preparada para os crimes do futuro, desenvolvendo expertise em áreas emergentes. Exemplo: perícia em drones usados em atividades criminosas, análise de crimes ambientais complexos que utilizam novas tecnologias. • Parcerias com a Academia: A colaboração com universidades e centros de Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 47 pesquisa (federais, estaduais, privadas) por meio de: ‣ Projetos Conjuntos de Pesquisa: Parcerias para o desenvolvimento de teses de mestrado e doutorado que abordem problemas reais da perícia, utilizando a infraestrutura da Polícia Científica e o conhecimento acadêmico. ‣ Intercâmbio de Conhecimento: Participação conjunta em seminários, congressos e publicações científicas, promovendo a troca de experiências e o debate de novas ideias. ‣ Programas de Estágio: Recebimento de estudantes de graduação e pós- g r a d u a ç ã o em áreas correlatas (Química, Biologia, TI, Direito, etc.), que contribuem com novas perspectivas e podem se tornar futuros talentos para a instituição. • Captação de Recursos para P&D: Buscar financiamento em agências de fomento à pesquisa (ex: CNPq, CAPES, FINEP, fundações estaduais de amparo à pesquisa - FACEPE em Pernambuco), ou em editais específicos de segurança pública e inovação. A elaboração de projetos bem fundamentados é crucial para o sucesso nessas captações. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 48 Tipo de Investimento/ Desenvolvimento Descrição Exemplos na Polícia Científica Benefícios Impacto Social Direto Ações que geram benefícios h u m a n i t á r i o s e d i r e t o s à sociedade. Programas de identificação de desaparecidos (via DNA ou outros), atuação em grandes desastres. Alívio do sofrimento familiar, dignidade aos falecidos, suporte em crises. Impacto Social Indireto A ç õ e s e d u c a t i v a s e i n f o r m a c i o n a i s q u e c o n t r i b u e m p a r a a p r e v e n ç ã o e o conhecimento social. Palestras em escolas/ comunidades, análises de dados periciais para políticas de prevenção. E d u c a ç ã o c i d a d ã , r e d u ç ã o d a c r i m i n a l i d a d e , f o r t a l e c i m e n t o d a cidadania. Pesquisa Aplicada D e s e n v o l v i m e n t o e v a l i d a ç ã o d e n o v o s métodos e tecnologias para a perícia. Desenvolvimento de métodos para novas droga s , a n á l i s e de c r i m e s d i g i t a i s , a p r i m o r a m e n t o d e técnicas balísticas. A u m e n t o d a c a p a c i d a d e d e elucidação, respostas a novas formas de crime, excelência técnica. Parcerias com a Academia C o l a b o r a ç ã o c o m universidades e centros de pesquisa. Projetos de pesquisa conjuntos, intercâmbio d e p e r i t o s e professores, programas de estágio. G e r a ç ã o d e c o n h e c i m e n t o , formação de talentos, atualização científica, v i s i b i l i d a d e institucional. Captação de Fomento à P&D B u s c a d e r e c u r s o s financeiros para projetos de pesquisa e inovação. Inscrição em editais de agências de fomento (CNPq, FACEPE), fundos setoriais. F inanc iamento para i n f r a e s t r u t u r a , e q u i p a m e n t o s d e p o n t a , b o l s a s d e pesquisa. Tabela: Tipos de Investimentos e Desenvolvimento na Polícia Científica Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 49 Investirnessas frentes é uma demonstração de governança proativa e estratégica. Permite à Polícia Científica não apenas responder às demandas atuais do sistema de justiça, mas também construir um futuro onde sua atuação seja ainda mais relevante, inovadora e socialmente impactante para o Estado de Pernambuco, e para todo o Nordeste. 4.4. Instrumentos Financeiros e Otimização da Capacidade Operacional A gestão eficaz dos recursos financeiros é fundamental para a sustentabilidade e a expansão da capacidade operacional da Polícia Científica. Além do orçamento regular, existem outros instrumentos financeiros que podem ser explorados: • Convênios e Termos de Fomento/Colaboração: Acordos com órgãos federais (ex: SENASP/MJSP) ou outras esferas de governo para a captação de recursos destinados a projetos específicos, aquisição de equipamentos ou capacitação. • Fundos Específicos: Verificação da possibilidade de acesso a fundos setoriais de segurança pública, que podem destinar recursos para a modernização das perícias. • Captação de Recursos via Emendas Parlamentares: Articulação com o Poder Legislativo para a inclusão de emendas em leis orçamentárias que direcionem recursos para projetos da Polícia Científica. • Parcerias Público-Privadas (PPPs): Em casos de grande escala, PPPs podem ser consideradas para a construção e gestão de grandes centros de perícia ou para a aquisição e manutenção de infraestruturas tecnológicas complexas, onde o setor privado contribui com capital e expertise em troca de uma remuneração. No entanto, a aplicação de PPPs na área de perícia criminal exige rigorosa análise jurídica e ética para não comprometer a imparcialidade e a autonomia técnico- científica. • Gestão de Ativos: Otimização do uso dos equipamentos e laboratórios existentes, buscando a máxima utilização de sua capacidade e a manutenção preventiva para prolongar sua vida útil e evitar custos com substituições precoces. A capacidade de navegar por essas redes de governança e de utilizar estrategicamente os instrumentos de parceria e financiamento é um diferencial para a Polícia Científica de Pernambuco. Permite não apenas cumprir sua missão essencial de forma mais eficiente e com maior qualidade, mas também se posicionar como uma instituição de ponta, capaz de incorporar inovações e responder aos desafios complexos da criminalidade moderna. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 50 Reflexões Reflexão 1: O Consórcio Nordeste: Ampliando Capacidades Regionais. A atuação em redes, como o Consórcio Nordeste, oferece um vasto potencial. Como a Polícia Científica de Pernambuco pode maximizar os benefícios de uma cooperação mais profunda com os estados vizinhos, especialmente no que tange ao compartilhamento de laboratórios especializados e à aquisição conjunta de tecnologias de ponta? Pense em como isso poderia resolver gargalos e otimizar investimentos que seriam inviáveis para um único estado. Reflexão 2: Inovação e Pesquisa: Além da Demanda Cotidiana. A rotina da perícia é intensa, mas a inovação é essencial. Como a gestão da Polícia Científica pode fomentar a pesquisa interna e as parcerias com universidades, mesmo com a alta demanda de trabalho, para desenvolver novas metodologias e se adaptar aos desafios emergentes da criminalidade (ex: crimes tecnológicos, novas substâncias psicoativas)? Qual o papel de cada perito na identificação de oportunidades para a pesquisa aplicada? Reflexão 3: Captando Recursos para a Excelência. O orçamento público é finito. Além das verbas regulares, quais estratégias a Polícia Científica pode adotar para buscar novas fontes de financiamento (convênios, emendas parlamentares, fundos de segurança, parcerias público-privadas) que permitam investimentos em infraestrutura, equipamentos e capacitação? Como a capacidade de apresentar projetos bem elaborados e justificados (com foco em resultados) é crucial nesse processo? Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 51 5. Gestão Pública na Polícia Científica do Estado de Pernambuco Após explorarmos os fundamentos da gestão pública, o arranjo institucional brasileiro, a governança por desempenho e a importância das redes de cooperação, é imperativo que compreendamos a aplicação desses conceitos no cenário específico da Polícia Científica do Estado de Pernambuco. A realidade local, com suas particularidades regionais, demandas específicas da criminalidade e estrutura organizacional, exige uma visão de gestão adaptada e estratégica. 5.1. Estrutura Organizacional e Regimento Interno da Polícia Científica de PE A Polícia Científica de Pernambuco foi criada pela Lei n°6657 de 07 de janeiro de 1974, que organiza a Secretaria de Segurança Pública, hoje redenominada Secretaria de Defesa Social através da Lei Complementar n°49 de 31 de janeiro de 2003. Trata-se de um órgão de Gerência Geral, de apoio executivo, composta por Peritos Criminais, Médicos Legistas, Agentes de Perícia Criminal e Agentes de Medicina Legal. Sendo uma das operativas da Secretaria de Defesa Social, a Polícia Científica de Pernambuco apresenta as seguintes competências: • Coordenar, supervisionar, fiscalizar as atividades pertinentes aos exames de corpo de delito, da genética forense e outros procedimentos periciais técnico- científicos, no campo da Medicina Legal e da Criminalística, que interessem ao exercício da Polícia Judiciária de competência da Secretaria de Defesa Social, Ministério Público e Tribunal de Justiça; • Colaborar com as autoridades competentes de outras organizações, da Polícia Federal, da Polícia Civil, na realização de perícias que interessem a Polícia Judiciária dos correspondentes Órgãos; • Colaborar com outros órgãos da administração direta e indireta federais, estaduais ou municipais, na realização de perícias necessárias à instrução de procedimentos administrativos, desde que autorizados pelo Secretário de Defesa Social; • Planejar, coordenar, supervisionar, sistematizar, padronizar e fiscalizar as ações a serem desenvolvidas pelos órgãos que lhe estejam subordinados, e a sua execução direta, quando necessário; • Coordenar as atividades de estudos e pesquisas a serem promovidas por seus órgãos subordinados, no campo da Criminalística e da Medicina Legal. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 52 A Polícia Científica do Estado de Pernambuco, como parte integrante da Secretaria de Defesa Social (SDS/PE), possui uma estrutura organizacional que busca otimizar a prestação de serviços periciais em todo o território estadual. Compreender essa estrutura é fundamental para o exercício da gestão. • Organização e Vinculação: A Polícia Científica, no modelo pernambucano, é um órgão técnico-científico vinculado à SDS/PE, o que implica alinhamento com as políticas e diretrizes da pasta, mas com autonomia técnico-científica garantida para a produção das provas. • Regimento Interno e Normas: O funcionamento detalhado da instituição é regido por seu Regimento Interno e por uma série de normas e portarias internas e POP’s. Estes documentos detalham as atribuições de cada diretoria, departamento, instituto (ex: Instituto de Medicina Legal - IML, Instituto de Criminalística - IC, Instituto de Genética Forense Eduardo Campos - IGFEC), além de estabelecerem os fluxos de trabalho e as responsabilidades dos cargos. É essencial que o gestor conheça profundamente essas normativas para garantir a legalidade e a eficiência dos processos. • Capilaridade no Estado: A estrutura da Polícia Científica de Pernambuco busca atender às demandas de todas as regiões, incluindo o interior do estado. A existência de unidades regionais, delegacias de perícia ou postos avançados (como os vinculados à GINTER 2, que abrange o Sertão Pernambucano), é crucial para garantir a presença pericial e a celeridadeno atendimento a locais de crime e exames laboratoriais, mesmo em áreas mais distantes da capital. A gestão dessas unidades descentralizadas apresenta desafios logísticos e de recursos específicos, que exigem uma liderança capaz de adaptar as estratégias à realidade local. 5.2. Gestão de Recursos Humanos: Carreira, Capacitação e Desempenho O capital humano é o ativo mais valioso da Polícia Científica. Peritos criminais, médicos legistas, papiloscopistas e demais profissionais são altamente especializados e a gestão de suas carreiras, capacitação e desempenho é estratégica. • Plano de Carreira: Compreender o plano de carreira dos servidores da Polícia Científica em Pernambuco, que estabelece as progressões, promoções e requisitos para ascensão, é crucial para a gestão de pessoas. Uma gestão transparente e justa do plano de carreira motiva os profissionais. • Capacitação Continuada: A criminalidade e a tecnologia forense estão em constante evolução. A gestão deve garantir a oferta contínua de cursos, treinamentos, especializações e participação em congressos nacionais e internacionais. Isso inclui capacitação em novas técnicas (ex: perícias digitais, Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 53 análise de vestígios em crimes ambientais complexos), uso de novos equipamentos e atualização sobre a legislação. Para os peritos que atuam no Sertão, a capacitação em temas como crimes rurais, tráfico de fauna ou análise de solos pode ser particularmente relevante. • Avaliação de Desempenho: A implementação de um sistema de avaliação de desempenho que seja justo, transparente e que forneça feedback construtivo é vital. A avaliação deve ir além da produtividade (número de laudos) e considerar a qualidade técnica, a adesão a protocolos, a ética e a capacidade de trabalho em equipe. • Saúde e Bem-Estar no Trabalho: A natureza do trabalho pericial, muitas vezes envolvendo cenas de violência, contato com materiais biológicos e pressão por prazos, exige atenção especial à saúde mental e física dos servidores. A gestão deve implementar programas de apoio psicossocial e garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável. 5.3. Gestão de Recursos Materiais e Laboratoriais A Polícia Científica de Pernambuco, para cumprir sua missão com excelência, depende intrinsecamente de uma infraestrutura laboratorial moderna e funcional, além de equipamentos de alta tecnologia e insumos específicos. A gestão eficiente e eficaz desses recursos materiais e laboratoriais é um fator crítico de sucesso, impactando diretamente a qualidade, a celeridade e a credibilidade da prova pericial produzida. I. Equipamentos de Alta Tecnologia e Infraestrutura Laboratorial ‣ Parque Tecnológico: A perícia forense é uma ciência que avança rapidamente, impulsionada por novas tecnologias. A Polícia Científica necessita de um parque tecnológico atualizado, que inclua: ‣ Laboratórios Multidisciplinares: Espaços projetados e equipados para diversas especialidades (DNA, Toxicologia, Balística, Informática Forense, Documentoscopia, etc.), com áreas segregadas para evitar contaminação cruzada e garantir a segurança dos operadores. ‣ Equipamentos de Ponta: Cromatógrafos gasosos acoplados a espectrômetros de massa (GC-MS), sequenciadores de DNA de nova geração, microscópios eletrônicos, sistemas de comparação balística automatizados (IBIS), softwares de análise forense digital, tomógrafos, entre outros. A obsolescência tecnológica é um desafio constante, exigindo um ciclo de atualização e investimento. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 54 • Manutenção Preventiva e Corretiva: A gestão deve estabelecer programas rigorosos de manutenção preventiva para todos os equipamentos. A falta de manutenção pode levar à quebra inesperada de aparelhos, gerando interrupção dos serviços, atrasos na emissão de laudos e custos de reparo elevados. Além disso, contratos de manutenção corretiva com suporte técnico qualificado são essenciais para garantir a rápida recuperação operacional em caso de falhas. II. Gestão de Estoques de Insumos e Reagentes • Controle de Estoque: A disponibilidade de insumos e reagentes laboratoriais é vital para a continuidade das análises. Uma gestão de estoque eficiente evita a falta de materiais essenciais (que paralisaria as atividades) e o desperdício por vencimento ou armazenamento inadequado. Isso implica em: ‣ Inventário Rigoroso: Conhecimento exato do que está disponível, onde está e em que quantidade. ‣ Sistemas de Gestão: Utilização de softwares específicos para controle de estoque, que permitam o acompanhamento de prazos de validade, consumo médio e pontos de ressuprimento. ‣ Processos de Compra Otimizados: Alinhamento com a área de compras para garantir que os insumos sejam adquiridos em tempo hábil, considerando os prazos de entrega dos fornecedores, muitas vezes internacionais. • Validade e Qualidade: Reagentes e insumos têm prazos de validade e condições específicas de armazenamento (temperatura, umidade). A gestão deve garantir o controle rigoroso desses fatores para que a qualidade das análises não seja comprometida. O uso de reagentes vencidos ou mal armazenados pode invalidar um exame pericial. III. Logística de Amostras, Vestígios e Gestão da Cadeia de Custódia • Cadeia de Custódia: Este é um dos aspectos mais críticos da gestão de recursos materiais na Polícia Científica. A cadeia de custódia abrange todo o processo de rastreamento de um vestígio, desde sua coleta no local de crime, passando pelo transporte, recebimento no laboratório, análise, armazenamento, até sua apresentação em juízo ou descarte. A quebra da cadeia de custódia pode invalidar a prova pericial, comprometendo todo o processo judicial. ‣ Padronização de Coleta: Treinamento das equipes de local de crime e padronização dos procedimentos de coleta, embalagem e lacre de vestígios. ‣ Transporte Seguro: Definição de rotas, veículos e protocolos de transporte que garantam a integridade e segurança dos vestígios, especialmente em longas Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 55 distâncias como as que envolvem a GINTER 2 no Sertão Pernambucano. ‣ Registro e Rastreabilidade: Uso de sistemas informatizados que registrem cada etapa da manipulação do vestígio, identificando quem o coletou, transportou, recebeu, analisou e armazenou, com datas e horários precisos. ‣ Armazenamento Adequado: Locais seguros, com controle de acesso, temperatura e umidade, para a guarda de vestígios após a análise. • Desafios Logísticos em Pernambuco: A extensão territorial do Estado de Pernambuco e a distribuição geográfica das ocorrências exigem uma logística robusta. A gestão deve prever: ‣ Equipes Volantes: Capacidade de deslocamento rápido para locais distantes. ‣ Recursos Descentralizados: Apoio às unidades do interior com materiais essenciais e equipamentos básicos para a coleta inicial. ‣ Comunicação Integrada: Sistemas de comunicação eficientes com as delegacias e batalhões para o rápido acionamento da perícia. A gestão de recursos materiais e laboratoriais na Polícia Científica não é apenas uma tarefa operacional, mas uma função estratégica que impacta diretamente a capacidade da instituição de produzir provas periciais de alta qualidade, de forma célere e confiável. Um parque tecnológico atualizado, um controle rigoroso de insumos e uma cadeia de custódia inquestionável são garantias de que a Polícia Científica de Pernambuco permanecerá na vanguarda da ciência forense e continuará a ser um pilar essencial para a justiça no estado. 5.4. Planejamento Estratégico e Operações de Suporte Técnico-Científico O planejamento estratégico é a bússola que orienta a Polícia Científica do Estado de Pernambuco em sua jornada de longo prazo, garantindo que suas ações diárias estejam alinhadascom sua missão e visão de futuro. Complementar ao planejamento, a gestão eficaz das operações de suporte técnico-científico é o motor que traduz as estratégias em resultados concretos, especialmente no atendimento às demandas da segurança pública em todo o território pernambucano, incluindo as particularidades do interior. I. Definição de Prioridades Estratégicas Alinhadas à Realidade de Pernambuco O planejamento estratégico da Polícia Científica de Pernambuco não pode ser genérico; ele deve ser construído com base em uma análise aprofundada da realidade criminal e social do estado. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 56 • Análise do Cenário Criminal: A gestão deve utilizar dados e inteligência para compreender os tipos de crimes mais prevalentes em cada região (ex: crimes contra a vida, crimes ambientais, tráfico de entorpecentes), as metodologias criminosas emergentes e as áreas geográficas de maior incidência. Essa análise subsidia a priorização de investimentos. • Alinhamento com as Políticas de Segurança Pública: O planejamento da Polícia Científica deve estar em sintonia com o Plano Estadual de Segurança Pública e as metas da Secretaria de Defesa Social (SDS/PE). Se o governo prioriza o combate a homicídios, por exemplo, a Polícia Científica deve direcionar recursos para a otimização das perícias de locais de morte e exames cadavéricos. • Identificação de Necessidades Regionais: As demandas da Região Metropolitana do Recife podem ser diferentes das do Sertão, da Zona da Mata ou do Agreste. A Gerência dos interiores enfrenta desafios específicos como longas distâncias, condições climáticas adversas e a necessidade de perícias em crimes rurais. O planejamento estratégico precisa considerar essas nuances para alocar recursos de forma equitativa e eficaz. • Metas de Longo Prazo: Definir onde a Polícia Científica quer estar em 5 ou 10 anos, em termos de capacidade técnica, abrangência de serviços, reconhecimento nacional e internacional, e nível de excelência dos laudos. Isso pode incluir a construção de novos laboratórios, a acreditação de todos os exames, a implementação de novas tecnologias como blockchain para cadeia de custódia, ou a expansão da atuação em áreas como cibersegurança e perícias ambientais. II. Otimização das Operações de Resposta e Atendimento a Locais de Crime A capacidade de resposta rápida e qualificada a locais de crime é um dos indicadores mais visíveis da eficiência da Polícia Científica. A gestão operacional é fundamental para garantir essa agilidade. • Planejamento de Equipes de Plantão e Escalas: Garantir que haja um número adequado de peritos e auxiliares disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, para atender a todas as ocorrências no estado. Isso envolve um planejamento de escalas inteligente, que considere a demanda histórica, a complexidade dos casos e a distribuição geográfica das equipes. • Logística de Deslocamento e Frota: Uma frota de veículos adequada, com manutenção regular, e um planejamento logístico eficiente são cruciais para o deslocamento das equipes periciais. No Sertão Pernambucano, onde as distâncias entre cidades podem ser grandes, a otimização das rotas e a disponibilidade de veículos apropriados (inclusive 4x4, se necessário) são decisivas. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 57 • Tecnologias de Apoio à Resposta: A incorporação de tecnologias como sistemas de georreferenciamento para otimizar o deslocamento, o uso de drones para levantamento aéreo de grandes locais de crime ou áreas de difícil acesso, e a comunicação por rádio ou satélite em regiões com pouca cobertura, aprimoram a capacidade operacional. • Integração com Outras Forças Policiais: A coordenação com a Polícia Militar (para preservação do local) e a Polícia Civil (para requisição e acompanhamento da investigação) é vital. Protocolos de acionamento claros e treinamentos conjuntos (exercícios simulados de locais de crime) garantem uma atuação integrada e sem falhas. III. Sistemas de Informação e Dados para Tomada de Decisão Uma gestão estratégica moderna depende de dados. A Polícia Científica deve investir em sistemas de informação robustos que permitam não apenas o registro de casos, mas também a análise de desempenho e a geração de inteligência. • Sistemas de Gestão Laboratorial (LIMS - Laboratory Information Management System): Permitem gerenciar o fluxo de amostras, registrar resultados de exames, controlar equipamentos e gerar relatórios, otimizando o tempo de trabalho e a rastreabilidade. • Bancos de Dados Forenses: A manutenção e a integração de bancos de dados de perfis genéticos (DNA) e balísticos são cruciais para a identificação de criminosos e a elucidação de casos seriais. A interoperabilidade com bancos de dados nacionais (como a RIBPG e SINAB) potencializa essa capacidade. • Dashboards e Relatórios Gerenciais: Ferramentas que visualizam indicadores de desempenho em tempo real ou com frequência regular, permitindo que os gestores acompanhem a produtividade, o tempo de emissão de laudos, os custos e as demandas de cada unidade. Isso facilita a tomada de decisões rápidas e baseadas em evidências. • Inteligência Artificial e Big Data: A longo prazo, o investimento em IA e Big Data pode revolucionar a análise forense, permitindo o processamento de grandes volumes de dados (imagens, vídeos, dados de celulares) e a identificação de padrões que seriam imperceptíveis para a análise humana, auxiliando na elucidação de crimes complexos. O planejamento estratégico e a otimização das operações de suporte técnico- científico são essenciais para que a Polícia Científica de Pernambuco possa responder de forma eficaz às demandas da sociedade, garantir a justiça e fortalecer a segurança pública em todas as suas regiões. A visão do gestor, ao alinhar as capacidades técnicas com as necessidades estratégicas, é o que impulsionará a instituição para o futuro. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 58 5.5. Gestão da Qualidade, Otimização de Fluxos e Certificações A excelência da Polícia Científica de Pernambuco passa pela implementação de um sistema robusto de gestão da qualidade. • Implementação de Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ): Adoção de normas como a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, que estabelece os requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração. A certificação ISO é um selo de credibilidade e um diferencial para a prova pericial, atestando a competência técnica e a imparcialidade do laboratório. • Otimização de Fluxos de Trabalho (Lean Six Sigma, BPM): Aplicação de metodologias de gestão de processos para identificar gargalos, reduzir desperdícios e otimizar o tempo de emissão de laudos. Mapear o "caminho" de uma amostra desde a requisição até a emissão do laudo permite identificar pontos de melhoria. • Programas de Controle de Qualidade Interno e Externo: Participação em testes de proficiência (programas de comparação interlaboratorial) e auditorias externas que garantam a acurácia e a precisão dos resultados dos exames. • Cultura de Melhoria Contínua: Fomentar uma mentalidade em toda a organização que busque constantemente a inovação e o aprimoramento dos serviços, por meio de análise crítica e adoção de benchmarking com as melhores práticas nacionais e internacionais. A gestão pública na Polícia Científica do Estado de Pernambuco é, portanto, um campo de atuação complexo e desafiador, mas essencial. Requer profissionais com visão estratégica, capacidade de liderança, compromisso com a integridade e aptidão para gerir recursos e processos de forma eficiente e eficaz, sempre com o olhar atento às particularidades do nosso estado e à missão de servir à justiça e à sociedade pernambucana. Rua Tabira, 160 – Boa Vista– Recife – PE 59 Reflexões Reflexão 5.1: Descentralização e Coesão: O Caso da GInter 2 (Sertão). A existência de unidades descentralizadas, como as da GInter 2 no Sertão Pernambucano, é vital para a capilaridade da Polícia Científica. Quais são os principais desafios de gestão para garantir que essas unidades do interior recebam os mesmos padrões de qualidade, capacitação e recursos que as da capital? Como a comunicação e a integração entre as diferentes diretorias podem ser aprimoradas para uma atuação mais coesa em todo o estado? Reflexão 5.2: O Perfil do Novo Profissional da Polícia Científica: Técnico e Gestor. O Curso de Formação da Polícia Científica não capacita apenas técnicos, mas também futuros gestores em potencial. Como a formação em gestão pública pode empoderar o novo profissional para ir além de suas atribuições técnicas e se tornar um agente de mudança, propondo melhorias de processos, otimizando recursos e contribuindo para o planejamento estratégico da instituição? Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 60 GERENCIAMENTO DE CRISES Reflexão 5.3: Resiliência e Adaptação: A Polícia Científica diante de Crises. Eventos como grandes desastres, epidemias ou novas tipologias criminais exigem rápida adaptação da Polícia Científica. Como uma gestão pública robusta, com foco em planejamento de contingência, gestão de riscos e flexibilidade operacional, prepara a instituição para atuar com eficácia em cenários de crise e manter a qualidade da prova pericial, mesmo sob pressão extrema? Pense em lições aprendidas de eventos recentes no Brasil e no mundo. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 61 Conclusão Ao longo desta apostila, exploramos os fundamentos da gestão pública e sua aplicação estratégica no contexto da Polícia Científica do Estado de Pernambuco. Iniciamos compreendendo os conceitos essenciais que distinguem a administração pública da privada, focando na geração de valor público por meio da eficiência, eficácia e efetividade. Adentramos o arranjo institucional brasileiro, posicionando a Polícia Científica como um pilar técnico-científico indispensável ao sistema de justiça, interagindo em uma complexa rede de atores. Aprofundamos na governança pública, destacando as dimensões de liderança, estratégia e controle como mecanismos cruciais para a boa gestão. Vimos a importância da gestão por desempenho, com a definição de objetivos SMART e o uso de indicadores para monitorar a qualidade e a celeridade dos serviços periciais. Reforçamos o caráter inegociável da conformidade, integridade e ética, essenciais para a credibilidade da prova forense e para a confiança da sociedade na instituição. Discutimos, ainda, a relevância das redes de governança e das parcerias, ressaltando o potencial do Consórcio Nordeste como uma ferramenta estratégica para otimizar recursos e capacidades, buscando ganhos de eficiência e eficácia em aquisições, compartilhamento de expertise e desenvolvimento de pesquisas. Finalmente, aplicamos todos esses conceitos à realidade da Polícia Científica de Pernambuco, abordando sua estrutura, a gestão de recursos humanos e materiais, e a imperatividade da gestão da qualidade e da otimização de fluxos para um serviço de excelência. Conclui-se que a gestão pública não é um acessório, mas uma componente intrínseca e vital para a Polícia Científica. Profissionais capacitados em gestão são capazes de transformar os desafios em oportunidades, otimizar o uso dos escassos recursos públicos e garantir que a instituição cumpra sua missão com o mais alto padrão de qualidade e imparcialidade. A aplicação rigorosa dos princípios da gestão por resultados e da governança fortalece a Polícia Científica, assegurando que a prova técnica produzida em Pernambuco seja sempre um instrumento robusto e confiável na busca pela verdade e pela justiça, honrando o compromisso com a sociedade pernambucana. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 62 Referências Bibliográficas ABMG (Academia Bombeiro Militar dos Guararapes). Apostila específica do Curso de Formação da Praças oferecida em PDF: Fundamentos da Gestão Pública. [S.l.]: ABMG, [s.d.]. ANTÃO, Celeste da Cruz; CARVALHO, Graça Maria Teles de Sousa; FERNANDES, Susana Maria Conde; FERNANDES, António José Gonçalves; RIBEIRO, Maria Isabel Barreiro. 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Na Polícia Científica, o interesse público se manifesta na busca pela verdade real, na imparcialidade da prova pericial e na contribuição para a justiça, que beneficia toda a sociedade. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 7 • Transparência: Refere-se à clareza e à publicidade dos atos da administração. É a obrigação do Estado de fornecer informações sobre suas ações, gastos e resultados, permitindo o controle social e fortalecendo a confiança dos cidadãos nas instituições. A transparência amplia a visibilidade das ações governamentais pela sociedade, por meio da disponibilização de informações públicas ou sob custódia dos órgãos e entidades da Administração Pública, desde que não sejam sigilosas, com qualidade e em espaço temporal adequado. Para a Polícia Científica, a transparência, respeitando os limites do sigilo investigativo, pode ser aplicada na divulgação de indicadores de desempenho agregados, na informação sobre a estrutura e competências, e no acesso a dados não sigilosos sobre a atuação. • Planejamento: É o processo de definir objetivos, estabelecer metas, prever cenários, alocar recursos e traçar estratégias para alcançar resultados desejados. O planejamento na gestão pública é essencial para garantir que as ações sejam coordenadas, eficientes e alinhadas às necessidades da sociedade. Na Polícia Científica, isso se traduz em planejamento estratégico para modernização de laboratórios, aquisição contínua de insumos para manutenção dos serviços periciais, planos de contingência para grandes ocorrências ou o planejamento operacional para a execução de perícias em locais complexos. • Inovação: Refere-se à introdução de novas ideias, métodos, processos, produtos ou serviços que gerem valor público. Na gestão pública, a inovação busca aprimorar a prestação de serviços, aumentar a eficiência e encontrar soluções mais eficazes para os problemas sociais. Para a Polícia Científica, a inovação é constante e vital, abrangendo desde a pesquisa e implementação de novas técnicas forenses (como avanços em análise de DNA ou ciberperícia) até a otimização de fluxos de trabalho com o uso de novas tecnologias (como sistemas de gestão laboratorial ou uso de drones em locais de crime). • Eficiência: Refere-se à relação entre os insumos utilizados e os produtos ou serviços gerados. Uma gestão eficiente busca fazer mais com menos, otimizando o uso dos recursos disponíveis. • Eficácia: Diz respeito à capacidade de atingir os objetivos e metas estabelecidos. Uma ação é eficaz quando alcança o resultado desejado. • Efetividade: Avalia o impacto das ações governamentais na realidade social. Uma política pública é efetiva quando produz mudanças positivas e duradouras na vida das pessoas. • Equidade: Trata da distribuição justa dos benefícios e encargos das políticas públicas, buscando reduzir desigualdades e promover a inclusão. • Economicidade: Relaciona-se com a minimização dos custos de aquisição e uso dos recursos, sem comprometer a qualidade. No contexto da Polícia Científica, a aplicação desses conceitos é vital. Por exemplo, a eficiência pode ser observada na otimização dos fluxos de trabalho nos laboratórios periciais para reduzir o tempo de emissão de laudos. A eficácia se manifesta na capacidade de produzir laudos completos e precisos que realmente subsidiem as investigações e os processos judiciais. A efetividade é percebida quando a atuação da perícia contribui significativamente para a elucidação de crimes e a consequente redução da impunidade, fortalecendo a confiança da sociedade nas instituições de segurança e justiça. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 8 1.2. Teorias e Modelos de Gestão Pública Ao longo da história, a gestão pública evoluiu, dando origem a diferentes teorias e modelos que influenciam a forma como o Estado é administrado. A compreensão desses paradigmas é essencial para contextualizar as práticas gerenciais contemporâneas e entender o caminho percorrido até o modelo atual. Destacam-se três grandes abordagens: Administração Pública Burocrática, Administração Pública Gerencial (Nova Gestão Pública - NGP) e Governança Pública. I. Administração Pública Burocrática • Origem e Características: Surgiu no final do século XIX e consolidou-se ao longo do século XX, fortemente influenciada pelos estudos do sociólogo Max Weber. A administração pública burocrática veio substituir as formas patrimonialistas de gestão e ganha importância em função da necessidade de maior previsibilidade e precisão no tratamento das questões organizacionais. Apresenta-se como reação ao nepotismo e subjetivismo, que tiveram lugar nos primeiros anos da Revolução Industrial. Seu principal objetivo era combater o patrimonialismo e o clientelismo, vícios presentes nas administrações anteriores, caracterizadas pela confusão entre o público e o privado. Os pilares desse modelo são: ‣ Profissionalização: Seleção de pessoal por mérito, via concurso público, e desenvolvimento de carreiras baseadas em especialização e hierarquia. ‣ Formalismo e Impessoalidade: Ações baseadas em regras e leis escritas, aplicadas de forma uniforme a todos, sem favorecimentos pessoais. ‣ Hierarquia: Estrutura organizacional rígida, com clara definição de níveis de autoridade e subordinação. ‣ Racionalidade Legal: A legitimidade da autoridade deriva da lei e das normas. • Foco e Contribuições: O foco principal da burocracia é a legalidade, a previsibilidade e a igualdade no tratamento. Suas contribuições foram cruciais para a profissionalização do serviço público, a redução da corrupção em larga escala e a construção de um Estado mais organizado e menos sujeito aos caprichos de governantes ou grupos de interesse. • Limitações: Apesar dos avanços, a burocracia também apresenta desvantagens, como: ‣ Rigidez: Dificuldade de adaptação a novas demandas e cenários complexos. ‣ Excesso de Formalismo: Lentidão nos processos e proliferação de rituais burocráticos. ‣ Distanciamento do Cidadão: Foco nas normas e procedimentos, por vezes em detrimento da satisfação das necessidades do "cliente" ou "usuário" do serviço público. ‣ Inovação Limitada: Aversão ao risco e pouca abertura para a experimentação. Relevância para a Polícia Científica: Na Polícia Científica, a herança burocrática é vital. A padronização de procedimentos, o formalismo na emissão de laudos, a cadeia de custódia e a impessoalidade na análise das provas são características essenciais que garantem a validade jurídica e a credibilidade dos resultados periciais. Sem a estrutura burocrática, a prova técnica seria facilmente questionável. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 9 II. Administração Pública Gerencial (Nova Gestão Pública - NGP) • Origem e Características: Surgiu no final do século XX como resposta às crises fiscais do Estado e às críticas à rigidez e ineficiência do modelo burocrático, tornando-se uma abordagem de administração pública que se refere a um conjunto de ideias e práticas que procuram aplicar estratégias do setor privado e negócios no setor público. Assim, inspirada nos modelos de gestão do setor privado, a NGP busca reformar o Estado para torná-lo mais eficiente, eficaz e focado em resultados. Seus princípios incluem: ‣ Descentralização e Flexibilidade: Delegação de autoridade e maior autonomia para as unidades executoras de serviços. ‣ Foco em Resultados e Metas: Ênfase na performance e nos produtos/serviços entregues, com mensuração por indicadores. ‣ Contratualização de Desempenho: Estabelecimento de metas e mecanismos de responsabilização para os gestores. ‣ Orientação para o Cidadão (Cliente): Busca pela satisfação do usuário dos serviços públicos. ‣ Competitividade e Eficiência: Estímulo à concorrênciaA Polícia Científica, como organização de Estado, opera com recursos públicos e tem a responsabilidade de prestar serviços essenciais à população. A gestão pública aplicada a este contexto não é apenas uma formalidade, mas um imperativo para garantir a excelência, a credibilidade e a relevância de sua atuação. A sólida base em gestão pública é indispensável para que os profissionais da Polícia Científica não sejam apenas excelentes técnicos em suas respectivas áreas de especialidade, mas também gestores conscientes e estratégicos. A importância da gestão pública para a Polícia Científica pode ser detalhada nos seguintes pontos cruciais: • Otimização de Recursos: A perícia forense é uma atividade que exige investimentos significativos em equipamentos de alta tecnologia, reagentes específicos e a formação de um corpo técnico altamente especializado. Uma gestão pública eficiente garante que esses recursos, que são públicos e, portanto, limitados, sejam alocados e utilizados de forma inteligente. Isso envolve desde a compra de insumos com melhor custo-benefício e sem desperdícios, a manutenção preventiva de aparelhos complexos, até a otimização das escalas de Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 13 trabalho e o dimensionamento correto do efetivo. A falta de gestão pode resultar em equipamentos parados, reagentes vencidos e ausência de pessoal, impactando diretamente a capacidade de resposta. • Qualidade e Confiabilidade da Prova Pericial: A principal entrega da Polícia Científica é a prova pericial, que precisa ser inquestionável em sua qualidade e imparcialidade. A gestão pública, por meio da implementação de sistemas de gestão da qualidade (como a ABNT NBR ISO/IEC 17025), garante a padronização de procedimentos, a rastreabilidade das análises, o controle rigoroso da cadeia de custódia e a validação científica dos métodos empregados. Um laudo pericial com selo de qualidade, fruto de uma gestão controlada, tem maior força probatória e contribui decisivamente para a formação da convicção do Ministério Público, do Poder Judiciário e da autoridade policial. • Celeridade e Agilidade na Resposta: A justiça célere é um direito. O atraso na emissão de laudos periciais pode comprometer investigações, prolongar prisões provisórias, ou mesmo levar à prescrição de crimes. Uma gestão pública focada na eficiência de processos busca identificar e eliminar gargalos, otimizar fluxos de trabalho e utilizar sistemas de informação que acelerem a tramitação de requisições e a produção dos laudos. Isso é particularmente desafiador em um estado com as dimensões de Pernambuco, onde a logística de deslocamento para locais de crime no Sertão, por exemplo, exige planejamento e agilidade. • Transparência e Responsabilização (Accountability): Como órgão público, a Polícia Científica deve atuar com máxima transparência, respeitando os limites do sigilo investigativo. A gestão pública garante a prestação de contas sobre o uso dos recursos públicos, os resultados alcançados e as decisões tomadas. Isso fortalece a confiança da sociedade na instituição e na validade da prova que produz. A clareza nos processos, a divulgação de dados agregados e o funcionamento eficaz de uma ouvidoria são exemplos de como a gestão promove a accountability. O processo de accountability, em seu sentido mais abrangente, pode ser definido com responsabilidade do governante ou do gestor público de prestar contas de suas ações, sobre o que faz, como faz e por que faz. • Planejamento Estratégico e Visão de Futuro: A gestão pública permite que a Polícia Científica não apenas reaja às demandas do dia a dia, mas que também antecipe desafios e planeje seu futuro. Isso envolve a definição de metas de longo prazo, a identificação de prioridades de investimento em novas tecnologias (como inteligência artificial para análise de dados forenses), o desenvolvimento de novas especialidades periciais para combater crimes emergentes (ex: cibersegurança, crimes ambientais) e o alinhamento de todas as ações com a missão institucional e as necessidades do sistema de justiça criminal. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 14 • Adaptação e Inovação Contínua: O cenário da criminalidade é dinâmico, e a tecnologia forense evolui rapidamente. Uma gestão pública eficaz confere à Polícia Científica a capacidade de se adaptar a novas tipologias criminais, incorporar avanços científicos e tecnológicos, e revisar constantemente seus métodos. Isso garante que a instituição permaneça relevante, com alto poder de elucidação, e que seus profissionais estejam sempre na vanguarda do conhecimento forense. Em síntese, a gestão pública é a força motriz que capacita a Polícia Científica a ir além da competência técnica individual, transformando-a em uma organização de alto desempenho, capaz de gerar valor público de forma consistente e sustentável, fortalecendo a segurança e a justiça para o povo pernambucano. Reflexões Reflexão 1: O Verdadeiro Valor Público na Perícia. Como a Polícia Científica de Pernambuco, em suas atividades diárias, transforma recursos públicos (orçamento, equipamentos, conhecimento dos peritos) em valor público que a sociedade realmente percebe e valoriza? Além da emissão do laudo, qual é o impacto real da nossa atuação na segurança jurídica e na confiança da população? Pense na elucidação de crimes que afetam diretamente a comunidade, como roubos ou homicídios, e como a celeridade e qualidade da perícia influenciam a percepção de justiça. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 15 Reflexão 2: Burocracia Necessária vs. Burocracia Excessiva. Considerando os modelos de gestão (Burocrática, Gerencial e Governança), como podemos equilibrar a necessidade de processos formais, padrões rígidos e controle (características da burocracia, essenciais para a confiabilidade da prova pericial e a cadeia de custódia) com a agilidade, flexibilidade e orientação para resultados que a gestão gerencial busca? Onde a rigidez pode ser um entrave, e onde ela é um pilar de segurança na atividade pericial? Reflexão 3: O Perito, o Médico e Agentes de Medicina Legal como Gestor de Resultados. Cada função, em sua especialidade, é um "microgestor". Como a compreensão da "gestão por resultados" pode influenciar diretamente a forma como um perito, médico ou agente organiza sua rotina, prioriza exames, utiliza equipamentos e contribui para o tempo médio de emissão de laudos de seu setor? Que indicadores poderia acompanhar em sua própria produtividade e qualidade? 2. O Arranjo Institucional Brasileiro O funcionamento da Administração Pública no Brasil é determinado por um complexo arranjo institucional, que envolve a estrutura do Estado, as atribuições dos diferentes níveis de governo e a organização da própria máquina administrativa. Compreender esse arranjo é essencial para qualquer profissional que atue no setor público, e, no caso da Polícia Científica, permite contextualizar sua missão, suas interações com outros órgãos e suas responsabilidades dentro do Sistema de Defesa Social e do Sistema de Justiça Criminal. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 16 2.1. O Estado, o Governo e a Administração Pública no Brasil No estudo do Direito Administrativo e da Ciência Política, é fundamental distinguir os conceitos de Estado, Governo e Administração Pública, que, embora interligados, representam diferentes dimensões da organização e do exercício do poder público em uma nação. I. O Estado: A Entidade Permanente e Soberana O Estado é a concepção mais ampla e permanente dos conceitos aqui estudados. Representa a organização política, jurídica e social de uma comunidade sobre um determinado território, dotada de soberania e que busca promover o bem comum. É uma entidade abstratae duradoura, que transcende os indivíduos e as gestões temporárias. Seus elementos essenciais são: • Povo: O conjunto de cidadãos que compõem a nação, com vínculos jurídicos com o Estado. • Território: A base geográfica sobre a qual o Estado exerce sua jurisdição e soberania. • Governo Soberano: A capacidade de exercer o poder de forma suprema internamente (imperium) e de não se submeter a outras potências externamente (independência). Este poder é exercido por meio de suas instituições. Assim, o Estado é a unidade administrativa de um território. Não existe Estado sem território. O Estado é formado pelo conjunto de instituições públicas que representam, organizam e atendem (ao menos em tese) os anseios da população que habita o seu território. Entre essas instituições, podemos citar o governo, a polícia científica, as escolas, as prisões, os hospitais públicos e o exército. A Polícia Científica, como instituição permanente, faz parte da estrutura do Estado brasileiro, independentemente de qual partido ou grupo político esteja no poder. Ela representa um braço técnico-científico do Estado para a garantia do direito à justiça e à segurança. II. O Governo: A Expressão do Poder Político Transitório O Governo é a instância de poder que, em determinado momento, exerce a direção política do Estado. É a manifestação transitória e dinâmica do poder estatal, responsável por formular e implementar as políticas públicas que refletem a vontade da maioria expressa nas urnas. O Governo é composto pelos chefes dos Poderes Executivo (Presidente, Governadores, Prefeitos) e seus ministros ou secretários, além das cúpulas Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 17 dos Poderes Legislativo e Judiciário em suas funções de direção política. Suas principais atribuições são: • Formulação de Políticas Públicas: Definir os grandes objetivos e planos de ação para áreas como saúde, educação, segurança pública, economia. • Alocação Orçamentária: Decidir como os recursos públicos serão distribuídos e investidos para a execução dessas políticas. • Direção Política: Conduzir os rumos do país, estado ou município, tomando decisões estratégicas em resposta às demandas sociais e aos desafios existentes. O Governo é a "cabeça pensante" do Estado em um dado período, responsável por traçar o caminho. As prioridades de segurança pública, por exemplo, são definidas pelo Governo em exercício, que, por sua vez, influencia a alocação de recursos para órgãos como a Polícia Científica. III. A Administração Pública: O Braço Executor do Estado e do Governo A Administração Pública é, em sentido prático ou subjetivo, o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado, bem como das demais pessoas coletivas públicas (tais como as autarquias locais) que asseguram a satisfação das necessidades coletivas variadas, como: segurança, cultura, saúde e o bem-estar das populações. É a máquina que faz a gestão e opera os serviços diários. Ela atua sob a égide dos princípios constitucionais do art. 37 da Constituição Federal: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. A Administração Pública pode ser classificada em: • Administração Direta: Compreende os órgãos que integram diretamente a estrutura das pessoas jurídicas de direito público (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Esses órgãos não possuem personalidade jurídica própria e são diretamente subordinados ao respectivo chefe do Poder Executivo. ✓ Exemplo: A Secretaria de Defesa Social (SDS) do Estado de Pernambuco é um órgão da Administração Direta, e a Polícia Científica de Pernambuco, no modelo atual, integra essa estrutura. Isso significa que, administrativamente, a Polícia Científica se subordina às diretrizes da SDS e, em última instância, ao Governo do Estado. • Administração Indireta: É composta por entidades com personalidade jurídica própria, criadas para desempenhar atividades específicas de forma descentralizada. Essa descentralização visa a dar maior agilidade e especialização na prestação de determinados serviços. As principais entidades da Administração Indireta são: Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 18 ‣ Autarquias: Pessoas jurídicas de direito público, criadas por lei, para desempenhar atividades típicas de Estado, que exijam gestão descentralizada. Possuem autonomia administrativa e financeira. Exemplo: Universidades públicas federais, agências reguladoras, e em alguns estados brasileiros (São Paulo, por exemplo), as Polícias Científicas são organizadas como autarquias, conferindo-lhes maior autonomia, inclusive orçamentária. ‣ Fundações Públicas: Pessoas jurídicas de direito público ou privado, criadas por lei ou autorizadas por lei, com patrimônio afetado a uma finalidade pública. Exemplo: FUNAI ‣ Empresas Públicas: Pessoas jurídicas de direito privado, com capital 100% público, criadas para explorar atividade econômica ou prestar serviços públicos. Exemplo: BNDS e Caixa Econômica Federal. ‣ Sociedades de Economia Mista: Pessoas jurídicas de direito privado, com capital misto (público e privado), criadas para explorar atividade econômica. Exemplo: Petrobras e Banco do Brasil. A Polícia Científica, em Pernambuco, insere-se diretamente no escopo da Administração Pública. Embora sua vinculação à SDS (Administração Direta) implique alinhamento às políticas de segurança do Governo, é fundamental que sua atuação técnica e científica mantenha a imparcialidade e a autonomia técnico-científica, características inerentes ao perito oficial e à prova que ele produz. Essa distinção é crucial para que os futuros peritos compreendam que, apesar de estarem inseridos em uma estrutura administrativa, a cientificidade de seu trabalho não deve ser comprometida por interesses políticos transitórios, mas sim por princípios técnicos e pelo interesse público em busca da verdade. 2.2. Divisão de Poderes e Funções Essenciais à Justiça A organização do Estado brasileiro, conforme a Constituição Federal de 1988, adota a clássica divisão de poderes, inspirada em Montesquieu. A Constituição também estabelece, no artigo 2°, que “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Essa composição, conhecida com tripartição dos Poderes, tem por intuito gerar um sistema equilibrado, em que nenhum Poder detém controle absoluto, ao mesmo tempo em que devem ser vigilantes uns em relação aos outros, de forma a produzir um sistema de freios e contrapesos que garante a harmonia e o controle mútuo: • Poder Executivo: Responsável pela administração do Estado, pela formulação e execução das políticas públicas. No âmbito federal, é representado pela Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 19 Presidência da República; nos estados, pelas Governadorias; e nos municípios, pelas Prefeituras. A Polícia Científica, em sua maioria, está vinculada a este poder, geralmente sob a estrutura da Secretaria de Defesa Social ou Segurança Pública. • Poder Legislativo: Encarregado de elaborar as leis e fiscalizar os atos do Executivo. No âmbito federal, é o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal); nos estados, as Assembleias Legislativas; e nos municípios, as Câmaras de Vereadores. A interação da Polícia Científica com o Legislativo ocorre, por exemplo, na proposição de leis relacionadas à perícia ou no atendimento a convocações para prestar informações. • Poder Judiciário: Responsável por aplicar as leis, dirimir conflitos e garantir os direitos. É composto por diversos tribunais e juízes em todas as esferas (federal, estadual, trabalhista, eleitoral, militar). A Polícia Científica atua como um órgão auxiliar do Poder Judiciário e do Ministério Público, fornecendo a prova material essencial para a formação da convicção judicial. • Além dessatripartição clássica, a Constituição Federal também prevê as Funções Essenciais à Justiça, que são instituições autônomas e independentes, fundamentais para a manutenção do Estado Democrático de Direito: • Ministério Público: Instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Atua na fiscalização da lei e como parte nas ações penais. A Polícia Científica fornece subsídios técnicos ao Ministério Público para a formação de sua convicção e para a propositura de ações. • Defensoria Pública: Instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados. • Advocacia Pública: Representa e defende os interesses do Estado em juízo e fora dele, além de prestar consultoria jurídica à Administração Pública. • Advocacia Privada: Representa os interesses dos cidadãos, sejam eles vítimas ou acusados, contribuindo para o contraditório e a ampla defesa nos processos. 2.3. O Papel da Polícia Científica no Contexto do Arranjo Institucional A Polícia Científica ocupa uma posição estratégica no arranjo institucional brasileiro, atuando como um órgão de Estado que fornece suporte técnico-científico essencial para o Sistema de Justiça Criminal. Sua missão transcende a mera execução de tarefas, configurando-se como um pilar fundamental para a elucidação de crimes e a garantia do devido processo legal. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 20 I. Missão e Funções Essenciais A missão primordial da Polícia Científica é a produção da prova material (ou prova técnica), que serve como base para a investigação criminal e para a formação da convicção do Ministério Público e do Poder Judiciário. Suas funções essenciais incluem: • Preservação e Análise de Locais de Crime: Desde a chegada inicial, com a perícia de locais de morte, roubo, explosões, etc., até a coleta, acondicionamento e transporte adequados de vestígios, garantindo a integridade da cadeia de custódia. • Realização de Exames Laboratoriais Especializados: Análises complexas em diversas áreas forenses, tais como: ✓ Perícia Criminal: Balística, documentoscopia, engenharia legal, fonética forense, informática forense, meio ambiente, química forense, papiloscopia, entre outras. ✓ Medicina Legal: Exames de corpo de delito, sexológicos, traumatológicos, necropsias, antropologia forense, odontologia forense. • Emissão de Laudos Periciais: Materialização técnica da prova, convertendo dados científicos em documentos objetivos e conclusivos que subsidiam as decisões judiciais e investigativas. O laudo é a "voz" da ciência no processo legal. II. Órgão Auxiliar da Justiça e do Inquérito Policial A Polícia Científica atua como um órgão auxiliar do Poder Judiciário e do Ministério Público, fornecendo subsídios técnicos. Sua produção de prova material é frequentemente o ponto de partida ou a confirmação crucial para as investigações conduzidas pela Polícia Judiciária (Polícia Civil). • Apoio à Polícia Civil: A relação mais direta e frequente é com a Polícia Civil, que requisita a maioria das perícias. A qualidade e a celeridade dos laudos periciais impactam diretamente a condução dos inquéritos policiais. Um laudo conclusivo pode acelerar a identificação de suspeitos, fundamentar prisões e direcionar novas diligências. • Subsídio ao Ministério Público: O Ministério Público utiliza os laudos periciais para formar sua convicção sobre a materialidade e autoria dos delitos, fundamentando a propositura de ações penais ou o pedido de arquivamento. • Fundamento para o Poder Judiciário: O laudo pericial é uma prova técnica de grande peso no processo judicial, auxiliando juízes e jurados na compreensão dos fatos e na tomada de decisões justas. A sua solidez técnico-científica é fundamental para o sistema probatório. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 21 III. Autonomia Técnico-Científica e Imparcialidade Um dos pilares que sustenta a credibilidade da Polícia Científica é a autonomia técnico- científica de seus peritos oficiais. Embora a instituição esteja administrativamente vinculada à Secretaria de Defesa Social (em Pernambuco), o perito, em sua atuação, deve ter liberdade para conduzir os exames com base em critérios estritamente científicos, sem qualquer tipo de interferência política, econômica ou social que possa comprometer a imparcialidade do resultado. ▪ Independência do Perito: A imparcialidade do perito é garantida pela legislação e pela própria natureza de sua função. Ele não deve atuar como "acusação" ou "defesa", mas sim como um expert que busca a verdade objetiva a partir dos vestígios. ▪ Compromisso com a Ciência: Os métodos empregados devem ser cientificamente validados e replicáveis, seguindo as melhores práticas forenses nacionais e internacionais. ▪ Garantia Constitucional: A própria Constituição Federal, ao prever a autonomia dos órgãos de perícia em alguns modelos estaduais (mesmo que não seja o caso de autonomia orçamentária plena em PE, a autonomia técnica é buscada), reconhece a necessidade de uma prova pericial isenta e fidedigna. A confiabilidade, a celeridade e a imparcialidade com que a Polícia Científica executa suas funções impactam diretamente a eficácia de todo o Sistema de Justiça Criminal. Um laudo pericial bem fundamentado e entregue em tempo hábil pode ser determinante para a prisão de criminosos, a absolvição de inocentes e a justa aplicação da lei, reforçando a credibilidade das instituições e a segurança jurídica. 2.4. Relações Interinstitucionais e Cadeia de Valor no Sistema de Justiça A atuação da Polícia Científica não ocorre isoladamente. Ela faz parte de uma complexa "cadeia de valor" no Sistema de Justiça Criminal, exigindo intensa e coordenada relação com diversas instituições: • Polícia Civil: Principal demandante dos exames periciais. A interação ocorre desde o acionamento para locais de crime até a entrega dos laudos para subsidiar os inquéritos policiais. A comunicação eficaz e a compreensão mútua dos papéis são cruciais. • Polícia Militar: Responsável pela preservação inicial de locais de crime, garantindo que vestígios não sejam contaminados antes da chegada da perícia. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 22 • Corpo de Bombeiros Militar: Responsável pela preservação inicial em incêndios criminosos, garantindo a incolumidade do local sinistrado até a chegada da Policia Científica. Há também sinergia em atividades de busca de corpo de afogado pela equipe de mergulho do CBMPE. • Ministério Público: Utiliza os laudos periciais para fundamentar denúncias ou requisições judiciais. Pode também requisitar diretamente exames ou esclarecimentos. • Poder Judiciário: Baseia-se nos laudos periciais como prova técnica no julgamento de processos, podendo solicitar esclarecimentos ou exames complementares. • Secretarias de Segurança/Defesa Social: Órgão ao qual a Polícia Científica está vinculada administrativamente, responsável pelo planejamento estratégico, orçamento e gestão de recursos. • Instituições de Ensino e Pesquisa: Colaborações para o desenvolvimento de novas técnicas forenses, capacitação e intercâmbio de conhecimento. A Cadeia de Valor é instrumento de gestão para a identificação dos principais macroprocessos e processos de trabalho da organização e o relacionamento entre eles, com o objetivo de elevar o valor agregado dos serviços, por meio de indicadores. É categorizada pelos Macroprocessos Finalísticos, Macroprocessos de Governança Institucional e Macroprocessos de Apoio, desdobrados em níveis, de acordo com a necessidade de detalhamento. A compreensão dessas interdependências e conceitos é fundamental paraque o profissional da Polícia Científica não apenas execute suas funções técnicas, mas também atue de forma integrada e estratégica, otimizando os fluxos de trabalho e garantindo que a prova pericial cumpra seu papel essencial na busca pela justiça. A articulação eficiente nessa rede de governança contribui significativamente para o desempenho de todo o sistema de segurança e justiça do Estado de Pernambuco. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 23 Reflexões Reflexão 1: A Autonomia Técnico-Científica em um Arranjo Vinculado. A Polícia Científica de Pernambuco está vinculada à Secretaria de Defesa Social. Como essa vinculação administrativa se harmoniza com a autonomia técnico-científica essencial para a imparcialidade da prova pericial? Quais são os desafios e as oportunidades que essa relação hierárquica e funcional apresenta para a gestão da Polícia Científica e para a credibilidade dos laudos? Reflexão 2: O Laudo Pericial como Elo da Cadeia de Valor da Justiça. Imagine um caso criminal que envolve a atuação de diversas instituições (Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Civil, Polícia Científica, Ministério Público, Judiciário). Se o laudo pericial atrasa ou é inconsistente, como isso afeta a eficácia e a eficiência de todo o processo investigativo e judicial? De que forma a sua atuação na Polícia Científica impacta diretamente o trabalho das outras Funções Essenciais à Justiça e a percepção de justiça pela sociedade? Reflexão 3: A Perícia no Contexto Regional: Desafios do Sertão Pernambucano. Pensando na realidade do Sertão Pernambucano, área da GInter 2, como o arranjo institucional se manifesta e quais são os desafios específicos para a atuação da Polícia Científica? Considere a logística, a infraestrutura, a demanda por tipos específicos de perícia e a integração com as polícias locais. Como a gestão deve se adaptar a essas particularidades regionais? Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 24 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 25 3. Governança Pública e Desempenho na Polícia Científica A governança pública é um conceito que transcende a mera gestão. Ela se refere ao conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a atuação da gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade. Para uma instituição como a Polícia Científica, que lida com a prova material no sistema de justiça, a governança robusta é um pilar para a credibilidade, a eficiência e a imparcialidade de suas operações. 3.1. Dimensões da Governança Pública: Liderança, Estratégia e Controle A governança pode ser compreendida, de forma geral, como um sistema composto por mecanismos e princípios que as instituições possuem para auxiliar a tomada de decisões e para administrar as relações com a sociedade, alinhado às boas práticas de gestão e às normas éticas, com foco em objetivos coletivos. No âmbito da política de governança da administração pública federal direta, autárquica e fundacional, esse tema encontra respaldo no Decreto nº 9.203, de 22/11/2017 (com alterações do Decreto nº 9.901/2019), cujo art. 2º traz o seguinte conceito: “I – Governança pública - Conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade”. Assim, a governança pública pode ser compreendida por meio de três dimensões (liderança, estratégia e controle) interligadas, conforme diversos modelos de referência, como o do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Instituto de Governança Pública (IGP): • Liderança: Refere-se à capacidade da alta administração de definir a direção estratégica da instituição, inspirar e engajar as equipes, promover uma cultura organizacional voltada para resultados e ética, e garantir a alocação adequada de recursos. Na Polícia Científica, a liderança envolve: ‣ Visão de Futuro: Estabelecer para onde a instituição quer ir, incorporando inovações tecnológicas e metodológicas na perícia forense. ‣ Definição de Valores: Promover a integridade, a imparcialidade, a excelência técnica e a dedicação à justiça como valores centrais. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 26 ‣ Engajamento: Mobilizar peritos, técnicos e pessoal administrativo em torno dos objetivos institucionais, reconhecendo e valorizando suas contribuições. ✓ Exemplo: A liderança deve ser o espelho da ética e da transparência que se espera de toda a instituição. • Estratégia: Diz respeito à forma como a instituição planeja alcançar seus objetivos, considerando o ambiente externo e suas capacidades internas. Abrange a formulação de planos, programas e projetos, a definição de metas e indicadores, e a gestão de riscos. Para a Polícia Científica, a dimensão estratégica envolve: ‣ Planejamento Estratégico: Desenvolvimento de um plano de longo prazo que defina a missão, visão, valores, objetivos estratégicos e ações táticas para aprimorar os serviços periciais. Isso pode incluir a expansão de laboratórios, a aquisição de novas tecnologias ou a capacitação de pessoal em áreas emergentes (ex: ciberperícia). ‣ Gestão de Riscos: Identificação, avaliação e tratamento de potenciais ameaças (ex: obsolescência tecnológica, contaminação de amostras, falta de recursos) e oportunidades (ex: novas fontes de financiamento, parcerias internacionais). ‣ Alinhamento: Garantir que as ações diárias e os projetos setoriais estejam alinhados com os objetivos estratégicos da Polícia Científica e com as demandas do sistema de justiça. • Controle: Envolve os mecanismos e processos estabelecidos para monitorar o desempenho, assegurar a conformidade com as leis e regulamentos, e garantir a responsabilização dos gestores. O controle se divide em: ‣ Controle Interno: Sistemas e procedimentos implementados pela própria instituição para proteger seus ativos, garantir a fidedignidade das informações, promover a eficiência operacional e aderir às políticas e normas. Inclui auditorias internas, controles de qualidade em laboratórios (verificação de equipamentos, calibração, controle de reagentes, duplo cego em análises), e a segregação de funções. ‣ Controle Externo: Exercido por órgãos alheios à instituição, como o Tribunal de Contas (TCU, TCE), o Ministério Público, o Poder Legislativo e a sociedade civil. Visa fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, a legalidade dos atos administrativos e a efetividade das políticas. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 27 3.2. Gestão por Desempenho e Indicadores na Atividade Pericial A Gestão por Desempenho é uma abordagem gerencial moderna e estratégica, que se tornou central na administração pública. Ela representa um modelo que vai além do cumprimento de tarefas e procedimentos (característica da burocracia) e busca focar nos resultados efetivamente alcançados e no valor gerado para a sociedade. Seu principal propósito é melhorar a prestação de serviços e a satisfação do cidadão. Isso é feito por meio de um ciclo contínuo de planejamento, execução, monitoramento e avaliação, tudo pautado em dados e informações concretas. I. Formulação de Objetivos e Metas SMART O conceito foi criado em 1981 pelo consultor norte-americano George T. Doran, que publicou um artigo na revista Management Review intitulado There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives (existe uma maneira inteligente de estabelecer metas e objetivos da administração, em tradução livre). O ponto de partida para qualquer sistema de gestão por desempenho é a clara definição do que se quer alcançar. Isso se materializa na formulaçãode objetivos e metas. Para que sejam eficazes, esses objetivos e metas devem ser SMART, um acrônimo em inglês para: • S (Specific - Específicos): Devem ser claros e inequívocos, descrevendo exatamente o que se pretende realizar. ✓ Exemplo: Em vez de "Melhorar a perícia", seria "Reduzir o tempo de emissão de laudos de DNA". • M (Measurable - Mensuráveis): Devem ser quantificáveis, permitindo que o progresso seja acompanhado e avaliado. Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 28 Análise Explicativa do Gráfico: Este gráfico ilustra visualmente a evolução do Tempo Médio de Emissão (TME) de laudos periciais ao longo do ano, segregado por tipo de perícia. Podemos observar, por exemplo, que o TME para laudos de locais de crime tem se mantido próximo ou acima da meta em alguns meses, enquanto os laudos de DNA mostram uma tendência de melhora. Essa visualização permite à gestão identificar os gargalos específicos (ex: falta de pessoal, equipamento, insumos, ou complexidade do caso) em cada tipo de perícia e direcionar esforços para as áreas que mais precisam de intervenção. ✓ Exemplo: "Reduzir o tempo de emissão de laudos de DNA em 30%". • A (Achievable - Alcançáveis): Devem ser realistas e exequíveis, considerando os recursos e capacidades disponíveis, para não desmotivar a equipe. ✓ Exemplo: Se o tempo médio atual para um laudo de DNA é de 90 dias e a equipe está sobrecarregada, uma meta de reduzir para 10 dias em um mês pode não ser alcançável sem investimentos significativos em tecnologia e pessoal. Uma meta de 60 dias, por outro lado, pode ser desafiadora, mas viável com otimizações de processo. Portanto, uma meta de "Reduzir o tempo de emissão de laudos de DNA em 30% em um ano" seria alcançável, considerando o histórico de melhorias graduais. • R (Relevant - Relevantes): Devem estar alinhados com a missão e os objetivos estratégicos da Polícia Científica e ter impacto significativo para o sistema de justiça e a sociedade. ✓ Exemplo: A redução do tempo de laudos de DNA é relevante porque acelera investigações e processos judiciais, contribuindo para a justiça. • T (Time-bound - Temporizáveis): Devem ter um prazo definido para sua conclusão, criando um senso de urgência e um ponto de referência para a avaliação. ✓ Exemplo: "Reduzir o tempo de emissão de laudos de DNA em 30% até dezembro de 2025". Exemplo de Indicador de Desempenho - Tempo Médio de Emissão de Laudos (TME) por Tipo de Perícia (Período: Janeiro-Dezembro 2025. (Fictício) Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 29 Um objetivo SMART completo para a Polícia Científica poderia ser: "Reduzir o Tempo Médio de Emissão (TME) de laudos de locais de crime em 20% até o final de 2025, por meio da otimização de fluxos de trabalho e investimentos em tecnologia de coleta e análise". II. Tipos de Indicadores de Desempenho (KPIs - Key Performance Indicators) na Perícia Forense Os indicadores de desempenho são as métricas que tornam os objetivos mensuráveis. Eles fornecem dados concretos que permitem à gestão avaliar o progresso, identificar problemas e tomar decisões embasadas. Esta sigla (KPI) corresponde ao termo em inglês “Key Performance Indicator”, e refere-se a uma técnica de gestão conhecida em português como indicador-chave de desempenho. Um indicador-chave de desempenho funciona como um veículo de comunicação, garantindo, na cadeia produtiva, que todos entendam como os seus trabalhos são importantes para o sucesso ou falta de sucesso da organização. A ideia desse sistema é criar ações de melhorias para os pontos identificados como problemáticos por meio dos KPIs. Na Polícia Científica, podem ser classificados em diferentes tipos: • Indicadores de Insumo: Medem os recursos utilizados para produzir um serviço ou resultado. ✓ Exemplos: Custo total por laudo pericial (custo de reagentes, energia, manutenção de equipamentos), número de horas trabalhadas por perito em determinado tipo de exame, quantidade de kits de coleta de vestígios utilizados. • Indicadores de Processo: Medem a eficiência das atividades internas e dos fluxos de trabalho. ✓ Exemplos: Tempo médio de tramitação de uma amostra entre os diferentes setores de um laboratório (recebimento, análise, revisão), número de perícias em fila de espera, taxa de conformidade com os Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) na coleta de vestígios. • Indicadores de Produto/Output: Medem o que foi produzido ou entregue pela instituição. ✓ Exemplos: Número total de laudos periciais emitidos por período, quantidade de exames de balística realizados, número de identificações papiloscópicas positivas, tempo médio para emissão de laudos (TME). Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 30 • Indicadores de Qualidade: Medem a excelência e a confiabilidade dos produtos/ serviços. ✓ Exemplos: Taxa de retrabalho ou correção de laudos, percentual de laudos que recebem certificação de qualidade (ex: ABNT NBR ISO/IEC 17025), resultados de testes de proficiência externos, índice de satisfação dos órgãos requisitantes (Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Ministério Público, Judiciário) com a qualidade dos laudos. • Indicadores de Resultado/Outcome: Medem os efeitos diretos da atuação da Polícia Científica. ✓ Exemplos: Percentual de inquéritos policiais ou processos judiciais que tiveram um laudo pericial como prova determinante para a elucidação ou condenação, redução do tempo médio total da investigação criminal que envolve perícia, aumento da confiança dos operadores do direito na prova científica. • Indicadores de Impacto/Efetividade: Medem as mudanças de longo prazo e os benefícios gerados para a sociedade. ✓ Exemplos: Contribuição da perícia para a redução da impunidade, impacto na taxa de elucidação de crimes violentos, aumento da sensação de segurança da população devido à atuação eficaz da perícia. III. Monitoramento, Avaliação e Retroalimentação (Ciclo PDCA) A gestão por desempenho é um ciclo contínuo, não um evento isolado. Para garantir a efetividade das ações de segurança pública, as metodologias e ferramentas de monitoramento e avaliação devem ser constantemente exploradas. O ciclo PDCA - conhecido também como ciclo Deming ou ciclo Stewart - que é frequentemente representado pelo PDCA (Plan-Do-Check-Act - Planejar, Fazer, Checar, Agir). É um tipo de metodologia de gerenciamento bastante utilizado na gestão de projetos, gestão da qualidade e gestão de processos. Tem como objetivo promover a melhoria dos processos de forma contínua. Essa é uma ferramenta relativamente simples mas, se bem aplicada, pode trazer melhorias importantes para a atividade da Polícia Científica. • P (Plan - Planejar): Nesta fase, são definidos os objetivos SMART e os indicadores de desempenho, com base no planejamento estratégico da Polícia Científica. É o momento de traçar o plano de ação, alocar recursos e definir responsabilidades. • D (Do - Fazer/Executar): Corresponde à implementação das ações e dos processos planejados. No caso da Polícia Científica, é a execução das perícias, a gestão dos Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 31 laboratórios, o treinamento das equipes e a coleta sistemática dos dados dos indicadores. • C (Check - Checar/Monitorar e Avaliar): É a fase de acompanhamento contínuo (monitoramento) e análise periódica (avaliação) dos resultados em relação às metas estabelecidas. • A (Act - Agir/Retroalimentar): Com base nas conclusões do monitoramento e da avaliação, são tomadas as decisões e implementadas as ações corretivas ou de melhoria. Isso pode envolver o ajuste de metas, a revisão de processos, a realocação de recursos, a capacitação adicional ou até mesmo a reformulação de estratégias. A retroalimentação é crucial para o aprimoramento contínuo da gestão.‣ Monitoramento: Realizado de forma contínua, geralmente por meio de dashboards (painéis de controle) e relatórios gerenciais que apresentam os KPIs em tempo real ou com frequência regular (semanal, mensal). Permite identificar desvios rapidamente. ‣ Avaliação: Processo mais aprofundado, realizado em períodos específicos (trimestral, semestral, anual), para analisar o impacto das ações, as causas dos resultados e a efetividade das políticas. 3.3. Conformidade, Integridade e Ética na Gestão da Polícia Científica O conceito de Compliance nasceu em meados dos anos 70, nos Estados Unidos, para inibir e punir práticas desleais das empresas americanas no exterior, após comprovação de suborno de governos para obtenção de contratos. Também visava a proteger o cidadão de práticas irregulares das empresas e dos efeitos nefastos. Vários tratados internacionais para enfrentar práticas comerciais ilegais, crime organizados e assemelhados foram determinantes para que a legislação brasileira acolhesse a figura do Compliance. Em uma instituição que lida com a produção de provas para o sistema de justiça, a conformidade (ou compliance), a integridade e a ética não são apenas requisitos legais ou burocráticos; são pilares para a credibilidade, a legitimidade e a eficácia da Polícia Científica. A ausência desses elementos pode não apenas comprometer a validade da prova pericial, mas também erodir a confiança pública na instituição. I. Programas de Integridade e Prevenção à Corrupção Programas de integridade (também conhecidos como compliance) são conjuntos estruturados de medidas e políticas institucionais desenvolvidas para prevenir, detectar e remediar atos de corrupção, fraudes e desvios éticos, garantindo a aderência a leis e regulamentos. Para a Polícia Científica, onde a imparcialidade e a objetividade são Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 32 cruciais, a implementação desses programas é vital: • Códigos de Ética e Conduta: São documentos que estabelecem os princípios e valores morais que devem guiar a atuação de todos os servidores. Eles servem como um guia prático para dilemas éticos no dia a dia, desde o tratamento de informações confidenciais até o relacionamento com as partes envolvidas em um processo. • Canais de Denúncia Seguros (Ouvidoria): A criação e manutenção de canais confidenciais e acessíveis (como ouvidorias internas ou externas, com garantia de anonimato e proteção ao denunciante) são essenciais para que irregularidades possam ser reportadas sem medo de retaliação. Isso permite que a própria instituição atue na correção de desvios antes que se tornem problemas maiores. • Treinamento e Capacitação Contínua: A educação dos servidores sobre as normas de conduta, a legislação anticorrupção e os princípios éticos da perícia forense é fundamental. Treinamentos regulares ajudam a internalizar a cultura de integridade e a manter os profissionais atualizados sobre os riscos e as melhores práticas. • Mecanismos de Controle Interno Reforçados: Auditorias periódicas em processos críticos (ex: aquisição de reagentes e equipamentos, descarte de materiais sensíveis, gestão da cadeia de custódia de vestígios) são implementadas para identificar vulnerabilidades e garantir a conformidade. • Ações Disciplinares Transparentes: A aplicação de sanções justas e transparentes em caso de desvio de conduta reforça o compromisso da instituição com a integridade e desestimula novas ocorrências. II. Conformidade Legal e Normativa para a Prova Pericial A atuação da Polícia Científica deve estar em estrita observância a um vasto e rigoroso arcabouço legal e normativo. A conformidade legal não é apenas um requisito administrativo, mas uma condição para a validade e a força probatória dos laudos periciais. • Legislação Penal e Processual Penal: Os peritos devem conhecer profundamente os artigos do Código de Processo Penal que regem a perícia (como o art. 158 e seguintes, que tratam do exame de corpo de delito e da cadeia de custódia), bem como as leis penais substantivas relacionadas aos crimes investigados. A inobservância dessas normas pode levar à nulidade da prova. • Legislação Administrativa: Leis sobre licitações e contratos (Lei nº 14.133/2021), improbidade administrativa, acesso à informação (Lei nº 12.527/2011 - LAI), e outras normas que regulam a gestão pública. A correta aplicação dessas leis Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 33 garante a legalidade na aquisição de insumos, na contratação de serviços e na gestão de pessoal. • Normas Técnicas Nacionais e Internacionais: Padrões de qualidade específicos para laboratórios forenses, como a ABNT NBR ISO/IEC 17025 (Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração), são cruciais. Além disso, diretrizes de redes como a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) e recomendações de organismos internacionais de ciência forense devem ser seguidas para garantir a robustez e aceitabilidade dos resultados. • Regimentos Internos e Manuais: Normas específicas da Polícia Científica de Pernambuco, incluindo regimentos internos dos institutos (IML, IC) e manuais de procedimentos operacionais padrão (POPs), são ferramentas que garantem a padronização e a rastreabilidade, fundamentais para a qualidade do trabalho pericial. III. Ética Profissional: Perspectivas Filosóficas na Conduta do Perito A ética profissional vai além do cumprimento de normas; ela se refere aos princípios morais que orientam a conduta do perito e de todos os servidores. A alta sensibilidade e a relevância social da atividade pericial exigem um compromisso ético inabalável. Compreender algumas das principais abordagens filosóficas sobre a ética pode aprofundar essa reflexão: • Platão (Virtude e Justiça): Para Platão, a ética está intrinsecamente ligada à busca da virtude e da justiça, tanto no indivíduo quanto na pólis (cidade-estado). Uma ação é ética se contribui para a harmonia e o bem comum, guiada pela razão. ‣ Aplicação na Polícia Científica: O perito ético, sob a ótica platônica, buscaria a verdade com imparcialidade (razão), contribuindo para a justiça (bem comum). Sua conduta virtuosa (coragem para defender a verdade científica, temperança para não se deixar influenciar, sabedoria na aplicação do conhecimento) seria essencial para a reputação e a função da instituição na sociedade justa. A busca pela excelência técnica, sem vícios, reflete a virtude do profissional. • Aristóteles (Eudaimonia e o Meio-Termo): Eudaimonia é uma palavra de origem grega formada a partir dos vocábulos Eu (o bem ou aquilo que é bom) e Daemon (deus, ou gênio, intermediário entre os homens e as divindades superiores). Na cultura grega, o Daemon seria a entidade capaz de guiar o caminho das pessoas. Aristóteles via a ética como a busca pela eudaimonia (felicidade ou florescimento humano), que é alcançada através da prática de virtudes. As virtudes, por sua vez, são encontradas no "meio-termo" entre dois extremos (vícios por excesso e por Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 34 falta). ‣ Aplicação na Polícia Científica: O profissional aristotélico encontraria a conduta ética no equilíbrio. Por exemplo, entre a pressa excessiva na emissão de um laudo (que poderia comprometer a qualidade) e a lentidão desnecessária (que prejudicaria a celeridade da justiça), o profissional virtuoso buscaria o meio-termo da diligência. A coragem (entre a covardia e a temeridade) para atuar em locais de crime perigosos ou para sustentar um laudo técnico sob pressão, sem ceder a influências, seria uma virtude fundamental. A excelência pericial seria um hábito virtuoso, resultado da prática constante do bem. • Friedrich Nietzsche (Vontade de Potência e Transvaloração dos Valores): Nietzsche questionou os valores moraisGOVERNANÇA PÚBLICA (IGP). Manuais e publicações sobre governança pública. INSTITUTO INE. Conceitos da Gestao Pública. 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