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Disciplina Infância, Adolescência e Laços sociais 
Profa. Dra. Anamaria Silva Neves 
Texto “País dos expostos” http://www.marioedianacorso.com/pais-dos-expostos 
*Precisamos saber porque em um determinado momento um bebê é surrado até afogar seus 
gritos no silêncio da morte. Porque uma criança maior é expulsa do seio da família à base de 
agressões físicas e/ou sexuais. 
*Estes pequenos que ganham nas ruas têm nome, sobrenome, uma pequena história para 
contar e uma estrutura mínima. É um exposto que tem ou teve pais. Pelo menos uma mãe e a 
figura intercambiável de um ou mais padrastos que faz o papel de homem da casa. 
*A toxicomania também é uma alternativa socialmente viável para afogar o grito infantil. 
Uma criança que não tem outra temporalidade que o presente imediato do gozo, tampouco 
coloca muitas perguntas difíceis de responder. O encontro com o objeto loló, coca, crack ou 
qualquer outro, líquida quaisquer impasses sobre a origem e o destino. O circuito é curto e 
auto suficiente, esgota-se na vida fugaz do prazer toxicômano e do próprio drogado, o tempo é 
instantâneo, o passado desimportante, o futuro é agora. 
*Por isso torna-se importante que possamos nos dedicar àqueles que de alguma forma não 
desistiram, às crianças que mesmo na rua tentam brincar, aos que tentam alguma forma de 
estudo e aos pais que tentam ter filhos, insistindo na repetição de uma paternidade que parece 
não decolar do momento real em que uma criança vem à luz. 
*Mas o que sentem aqueles que ninguém vai buscar? O espaço onde estão é este fora olhando 
para a porta, mas a espera inútil não deve ser sem efeitos. Por isso precisamos entender o 
apelo que uma criança está sempre a fazer, precisamos levar em conta qual é a porta para onde 
ela dirige seu olhar para abri-la, é esta porta e não outra onde ela vai entrar, de todas as outras, 
FEBEMs e juizados ela fugirá para voltar à sua escada, onde contempla sua porta… 
*Um ser humano cuja mãe lhe dê um lugar vazio, que é diferente de lugar nenhum, 
simplesmente se tornará um autista 
winnicott- tendência anti-social 
 
Violência na criança não educa, começou com os jesuítas- que não gostavam dos 
índios nus brincando com seus filhos nus tbm. Apanhar está relacionado ao medo, a angústia, 
raiva e até mesmo frustração. 
Nosso mundo psíquico, é feito a partir de laços sociais, de experiências de 
enfrentamentos…A partir de tudo isso, se faz sua subjetividade. O sujeito do desamparo é o 
sujeito que precisa do afeto, e agora como fica essa criança que não tem esse afeto ? Não há 
um suprimento desse desamparo. 
Somente 1 a cada 4 crianças realiza uma refeição principal (Brazil, 2021). 
Mais de 18 milhões de crianças e adolescentes de ate 14 anos passam fome no Brasil. 
9 milhões vivem situação de extrema pobreza, com renda per capita mensal de no 
máximo R$275. 
Como é essa infância perdida, essa infância de rua brasileira ? 
Dar condição de fala pra uma criança que sofre, uma criança que passa 
fome…acreditar na fala de uma criança e de um adolescente. Isso parece fácil, mas não é. É 
difícil entender uma realidade que você não sentiu. E ainda conseguir lidar com as fantasias 
das crianças. Temos que respeitar o espaço de direito que uma criança e um adolescente 
merece. 
Quando se atende um paciente, tudo importa, inclusive essa família do paciente, ou 
seja, como são esses laços dentro da família. 
Como se atende uma criança que passa fome ? Criar vínculo, isso se dá na produção 
de discurso. Porque após o vínculo, essa criança e esse adolescente consegue falar de verdade. 
“Falar no quentinho”- lugar esse que acolhe. Então é importante criar esse vínculo para que se 
possa confiar nessa pessoa, já que elas não sabem se vincular. Importante a intervenção 
interdisciplinar e intersetorial, já que se for apenas o trabalho da psicóloga não vai resolver. 
 
Desamparo pra psicanálise.- https://www.sbpsp.org.br/blog/panico-desamparo-e-psicanalise/ 
 
 
Tendência antissocial em Winnicott: teoria e clínica 
 
A teoria e a clínica desenvolvidas por D. W. Winnicott sobre a tendência antissocial 
foram elementos fundamentais na construção da sua teoria do amadurecimento pessoal que 
estava começando a tomar corpo no final dos anos 30. Seu trabalho com crianças anti sociais 
possibilitou‐lhe confirmar a importância do ambiente na constituição do indivíduo e mudar o 
enfoque intrapsíquico da psicanálise tradicional para o enfoque interpessoal da psicanálise 
winnicottiana. 
Para Winnicott, a tendência antissocial é um distúrbio psíquico que tem basicamente 
três aspectos essenciais na sua etiologia. O primeiro é que a criança, no seu início, recebeu 
cuidados suficientemente bons, que foram retirados de maneira repentina, isto é, ocorreram 
mudanças bruscas na sua vida que foram traumáticas; o segundo é que essa perda não foi 
corrigida a tempo da esperança ser mantida e esse fato propiciou a experiência de uma agonia 
impensável; e o terceiro é que essas mudanças aconteceram numa época na qual ela tinha 
maturidade su ciente para dar‐se conta, consciente ou inconscientemente, de que foi o 
ambiente que falhou. São esses aspectos que caracterizam, para Winnicott, uma deprivação. 
A tendência antissocial manifesta-se, sempre, através de comportamentos que atingem 
e incomodam o ambiente. Esses comportamentos vão desde a avidez, até o roubo, a mentira e 
a destrutividade. Pode‐se considerar, portanto, que o acting-out na tendência antissocial é a 
maneira que o indivíduo tem de mostrar, ao ambiente, que sofreu privação. 
Os primeiros sinais de privação são tão corriqueiros que muitas vezes, para a mãe que 
cuida do bebé, passam por normais. Esses sinais que se traduzem num comportamento 
exigente, que incomoda, já são uma manifestação de tendência antissocial e não podem ser 
confundidos com omnipotência infantil, porque se trata de um comportamento e não de uma 
realidade psíquica. 
O bebé tem necessidades que precisam ser atendidas por uma mãe capaz de 
identificar-se com ele. A experiência com a mãe não se resume às satisfações instintuais, é 
uma experiência completa que o bebé busca, que inclui: comunicação, mutualidade, 
motilidade, o colo e o olhar da mãe. Tudo isso o reúne. Com o tempo e com cuidados 
suficientemente bons, o bebé se integra em um Eu unitário. Mas se a mãe deixa de cuidar dele 
de maneira pessoal, como vinha fazendo até então, o bebé sofre uma desilusão abrupta e 
começa a “incomodar” a mãe, nunca estando satisfeito, fazendo muita sujeira, em suma dando 
muito trabalho (isto para uma mãe que esteja disposta a tolerar o trabalho que todo bebé dá). 
Nesse momento, pode surgir avidez, que é, para Winnicott, a precursora do roubo. Essa avidez 
é uma busca compulsiva, no ambiente, para a cura da privação sofrida. 
Se a mãe é suficientemente boa, ela reconhece que algo está sendo tirado da criança e 
se predispõe a atender a reivindicação dela, funcionando, nesse caso, como uma terapeuta. 
Esse papel de terapeuta da mãe não pode ser confundido com amor materno, pois a mãe já 
falhou com seu bebé e está reconhecendo essa falha, e o que ela faz de fato “é uma terapia a 
respeito de omissão de amor materno” (1958c, p. 134). Frequentemente, a mãe consegue ser 
bem sucedida no seu papel de terapeuta, atendendo às reclamações compulsivas de seu bebé, 
através de uma fase de cuidados especiais que facilmente podem parecer a um observador 
externo como excesso de “mimos”. Esse sucesso é devido ao fato de que a privação está perto 
do seu ponto de origem e, além disso, porque a mãe recebeu a comunicação e acolheu a 
reivindicação que foi expressa pelo bebé. Porém, nada disso anula o fato de que foi a mãe que 
falhou e a necessidade desse período de cuidados derivados da falha. 
Se a mãe, por diversas razões, não consegue reconhecer sua falha ou fracassar no seu 
papel de terapeuta, o bebé vai seguir em frente, mas com danos certos. Apesar de ter sidoprejudicado no seu amadurecimento pessoal, o bebé, por já estar integrado num Eu, se 
reorganiza para continuar sua vida, isto implica, num primeiro momento, que entra num 
estado de desesperança que pode ser expresso por um humor deprimido. Mas, ao mesmo 
tempo, estará sempre atento ao ambiente e, à medida que o sente confiável, sua esperança 
retorna. É a partir do retorno da esperança que emergem os atos anti sociais, com os quais 
força o ambiente a efetuar sua cura. 
 
Esses atos antissociais são o roubo, a mentira e a destrutividade. 
 
O roubo está na linha da busca de objetos e a destrutividade na linha da 
instintualidade. O roubo e a mentira estão relacionados com a interação da criança com a mãe 
e a destrutividade está relacionada com a interação da criança com o pai. Para Winnicott: 
“Grosso modo, pode‐se dizer que há dois tipos de tendência antissocial. Em um, a 
enfermidade se apresenta em forma de roubo ou chamando atenção especial através do ato de 
urinar na cama, falta de asseio e outras delinquências menores que, de fato, dão à mãe 
trabalho e preocupações extras. No outro, há a destrutividade provocando atitudes firmes, ou 
melhor, firmes sem a qualidade adicional da retaliação. Sem entrar em detalhes, o primeiro 
tipo de criança sofre privação no sentido de perda do cuidado materno ou de um objeto bom, e 
o segundo tipo sofre de privação em termos do pai ou da qualidade na mãe que mostra que ela 
tem o apoio de um homem” (1971b, p. 230). 
 
Roubos e mentiras 
Sabe-se que em famílias normais geralmente ocorre uma grande quantidade de roubos, 
mas que não são taxados como tal. Uma criança de dois anos, por exemplo, pode pegar 
moedas ou outros pertences da bolsa de sua mãe, e ninguém vai chamá-la de ladra por isso. O 
ambiente familiar, por ser tolerante, é terapêutico e curativo. 
A criança quando rouba está procurando a mãe sobre a qual ela tem o direito de tirar 
tudo o que quiser. Se há uma grande alteração no padrão de cuidados fornecidos pela mãe, a 
criança sente‐se roubada e passa a exigir do mundo aquilo que ele lhe deve e que sente ser 
seu por direito. Ela tem direitos sobre a mãe porque foi ela que criou essa mãe a partir da sua 
própria criatividade originária. 
O roubo é compulsivo e a criança não sabe porque age dessa maneira. A sua ação é 
dissociada. A criança muitas vezes sente‐se louca por estar agindo sob essa compulsão. Os 
pais precisam compreender e tolerar essa situação. Se agirem como “inquisidores ferozes, 
exigindo uma confissão,[...], a criança por certo começará tanto a mentir como a roubar, e a 
culpa será inteiramente dos pais”. 
As crianças que sofrem uma desilusão súbita encontram‐se sob uma compulsão não só 
de roubar, mas, sem saber o motivo, criam confusões, recusam a defecação no momento 
correto, arrancam as flores do jardim, puxam o rabo do gato, etc. Se seus pais exigem que elas 
lhes dêem o motivo desse comportamento: “O resultado poderá ser que, em vez de sentir uma 
culpa quase insuportável, em consequência de ser mal compreendida e censurada, sua pessoa 
se divida em duas partes, uma terrivelmente severa e outra possuída por impulsos maléficos. 
A criança, então, deixa de sentir‐se culpada, mas em vez disso, transforma‐se no que as 
pessoas chamaram de mentirosa. 
Ao fracasso dos pais em “curarem” a privação da criança pode‐se somar o fracasso 
posterior da escola e da sociedade. A criança vai obtendo ganhos secundários e ficando 
enrijecida, cada vez mais afastada do sentido da de privação original, podendo tornar‐se um 
delinquente. 
Para Winnicott, podemos detectar manifestações de tendência antissocial mesmo em 
nossos pacientes de análise. Por exemplo, a compulsão para sair e fazer compras está, para 
ele, diretamente ligada ao furto. É possível empreender toda uma análise sem tocar nessa 
questão da tendência antissocial do paciente, pois ela não faz parte nem das suas defesas 
neuróticas, nem das suas defesas psicóticas. Ela está ligada a uma privação que aconteceu em 
algum momento da sua vida. 
Além do roubo e da mentira, como vimos, a tendência antissocial pode se manifestar 
como destrutividade. Nos estágios iniciais, quando a personalidade da criança ainda não está 
bem integrada, ela tem necessidade de viver “num círculo de amor e força” para que possa 
chegar à integração. São muitas as tarefas da integração à medida que o amadurecimento 
prossegue. A criança precisa poder explorar o ambiente, usar a motilidade, fazer o exercício 
de sua agressividade, testar suas forças, testar os limites e a capacidade de sobrevivência do 
ambiente. Se sofrer uma deprivação antes de ter incorporado como seu um quadro de 
referência, por exemplo, se o seu lar se desfizer, ela, ao invés de sentir-se livre para fazer o 
que quiser, torna‐se angustiada e se tiver alguma esperança procura uma estabilidade externa, 
sem a qual poderá enlouquecer. 
Sem um ambiente humano físico e limitado que ela possa conhecer, a criança não 
pode descobrir até que ponto suas idéias agressivas não conseguem realmente destruir e, por 
conseguinte, não pode discernir a diferença entre fato e fantasia. Sem um pai e uma mãe que 
estejam juntos e assumam, juntos, a responsabilidade por ela, a criança não pode encontrar e 
expressar seu impulso para separá-los nem sentir alívio por não conseguir fazê-lo. 
Se ela obtiver essa estabilidade, ou na família mais expandida ou na escola, ainda terá 
chance de incorporá-la como sua. Senão, irá provocar a sociedade – tornando‐se antissocial – 
de maneira a forçar que esta exerça a função de controle através do provimento de segurança 
e estabilidade, nem que seja, como último recurso, através “das quatro paredes de uma cela de 
prisão”. 
Na destrutividade, o que a criança procura é um ambiente forte e estável que suporte 
os resultados de seus estados excitados, liberando‐a para que possa viver suas ideias e 
impulsos agressivos de forma segura. Para Winnicott, este aspecto da tendência antissocial 
está relacionado com o pai. Quando uma criança rouba, além de procurar a mãe, sobre a qual 
tem direitos, também procura o pai que irá proteger essa mãe dos seus impulsos agressivos. 
Se esse roubo já extrapolou o ambiente familiar, ela necessita cada vez mais de encontrar um 
pai forte, severo e amoroso que “porá um limite ao efeito concreto de seu comportamento 
impulsivo e à atuação das ideias que lhe ocorrem quando está excitada”. É necessário que essa 
figura paterna seja rigorosa e forte, pois só assim poderá liberar a criança para viver seus 
impulsos instintivos com segurança, o que lhe permitirá recuperar seu sentimento de culpa, o 
desejo de reparar os estragos e sua capacidade para amar. 
Em virtude da segurança ambiental e da proteção dada à mãe pelo pai, a criança pode 
explorar rudemente atividades destrutivas que se relacionam ao movimento em geral, e mais 
especificamente à destruição relacionada à fantasia que se acumula em torno do ódio. Se essa 
segurança ambiental é perdida, as ideias e impulsos agressivos da criança tornam-se 
perigosos. A criança tem, então, que assumir o controle e com isso perde sua impulsividade e 
espontaneidade pessoais. Quando a criança sente uma esperança de retorno da segurança do 
ambiente, ela retoma sua agressividade, tendo explosões de agressão sem sentido e sem 
lógica. Ela não tem nenhuma noção do que está acontecendo, apenas “descobre que machucou 
alguém ou que quebrou uma vidraça”. Se essa segurança não é oferecida pelo ambiente, a 
criança torna-se incapaz de amar e vai ficando cada vez mais deprimida e despersonalizada e 
a única possibilidade de sentir‐se real é através da violência. 
A criança que se torna antissocial não desenvolveu a capacidade de controlar-se. Ela 
precisa de um controle externo para ficar tranquila. Se esse controle falta, como já vimos, ela 
fica sob a ameaça de tornar‐se louca, assim pratica atos antissociais para que o controleexterno volte e restitua a segurança de que necessita. Por outro lado, a criança que conseguiu 
desenvolver essa capacidade de controlar‐se, por ter tido cuidados suficientemente bons, 
desenvolveu um sentimento pessoal de culpa relativo à destrutividade inerente ao amor, que 
se transforma num concernimento pelo objeto. 
 
Explica Winnicott: 
“A criança normal, ajudada nos estágios iniciais pelo seu próprio lar, 
desenvolve a capacidade para controlar‐se. Desenvolve o que é denominado, 
por vezes, “ambiente interno”, com uma tendência para descobrir um bom 
meio. A criança antissocial, doente, não tendo tido a oportunidade de criar um 
bom “ambiente interno”, necessita absolutamente de um controle externo se 
quiser ser feliz e capaz de brincar e trabalhar. Entre esses dois extremos – 
crianças normais e crianças doentes, antissociais – estão as crianças que podem 
ainda vir a acreditar na estabilidade se uma experiência contínua de controle 
por pessoas amorosas puder ser proporcionada durante um período de anos. 
Uma criança de 6 ou 7 anos tem muito mais possibilidade de receber ajuda 
desse modo do que uma criança de 10 ou 11 anos” (p. 123). 
 
A clínica das crianças antissociais 
A experiência clínica de Winnicott com crianças que sofreram privação é muitíssimo 
vasta. Vai desde conselhos dados aos amigos que tinham lhos que roubavam e mentiam; 
passando pelo atendimento em consultas terapêuticas, que na maioria das vezes, resolvia de 
maneira rápida a questão antissocial da criança; por psicoterapias de indivíduos antissociais 
no estágio anterior ao desenvolvimento de ganhos secundários e chegando até a 
sistematização de atendimentos residenciais para crianças delinquentes. 
A sua grande descoberta teórica, essencial para fins de prevenção, foi de que a 
tendência antissocial pode ser mais facilmente tratada quanto mais perto estiver do seu ponto 
de origem. Se a criança sofrer deprivação e o ambiente reconhecer imediatamente e ressarcir, 
com cuidados especiais, a dívida para com ela, a chance dela ser curada é muito grande. 
Contrariamente a isso, se o ambiente não reconhece a perda sofrida, isso pode levar a criança 
a desenvolver uma delinquência que, com os ganhos secundários, afasta-a cada vez mais do 
trauma original, tornando cada vez mais difícil a sua cura. Para Winnicott, geralmente os pais 
são bem sucedidos em curar seus lhos de privações antes que eles tenham começado a obter 
ganhos secundários e “isso fornece a chave para a esperança que o clínico pode 
Para Winnicott, geralmente os pais são bem sucedidos em curar seus lhos de privações 
antes que eles tenham começado a obter ganhos secundários e “isso fornece a chave para a 
esperança que o clínico pode ter quanto a conseguir a cura da tendência antissocial” (1971b, 
p. 230). Vamos detalhar a seguir cada uma das modalidades terapêuticas utilizadas por 
Winnicott para tratamento da tendência antissocial. 
 
As consultas terapêuticas 
As consultas terapêuticas são uma modalidade de atendimento psicoterápico 
desenvolvida por Winnicott. Elas foram criadas devido ao tipo de demanda, que, aliás, 
caracteriza o serviço público: grande número de pessoas procurando ajuda, poucos 
profissionais, famílias que não tem condições de arcar com um longo tratamento, etc. 
Segundo Winnicott, as consultas terapêuticas "têm uma importância que a psicanálise não 
possui, ao atingir a necessidade e pressão sociais nas clínicas”. 
Consistem de uma ou mais entrevistas (não mais do que três em geral), nas quais pode 
se usar o jogo dos rabiscos. Nessas entrevistas, o terapeuta encontra‐se e se mantém na 
posição de objeto subjetivo e, portanto, numa situação em que tem uma maior oportunidade 
de estar em contato profundo com a criança. Isso propicia que a criança confie que será 
compreendida e então possa comunicar ao terapeuta a deprivação. Se essa comunicação 
ocorrer – e ela pode ocorrer num nível pré‐verbal – , pode haver uma mudança que a leve a 
retomar seu processo de amadurecimento pessoal. No caso da tendência antissocial, muitas 
vezes a consulta terapêutica é extremamente e ciente, curando o problema, pois integra na 
personalidade total o que ficou dissociado. 
Segundo Winnicott, de nada adianta, para a criança, saber que sofreu privação numa 
história contada por outra pessoa. Isto seria uma apreensão meramente teórica, o que pode ser 
muito simples para uma criança inteligente, mas que não altera em nada o sentimento de ter 
sido lesada que ela carrega consigo. O verdadeiro valor terapêutico “está na descoberta desses 
problemas na consulta terapêutica com a criança”. É claro que existe um grande número de 
casos antissociais, mais graves, em que esse tipo de atendimento não se aplica, mas para 
aqueles em que a criança vive em ambiente relativamente bom, e conta com uma família 
disposta a oferecer cuidados especiais, enquanto forem necessários, ele quase sempre é eficaz. 
 
Psicoterapia 
Antes que os ganhos secundários se estabeleçam de maneira a diminuir o sofrimento 
do indivíduo que foi privado e com isso impeçam a possibilidade dele aceitar ajuda, é possível 
uma psicoterapia da tendência antissocial. Se os ganhos secundários já estiverem 
estabelecidos, o indivíduo já estará enrijecido e só a psicoterapia não será suficiente. Nesse 
caso, o tratamento necessário é o fornecimento de um ambiente ao mesmo tempo forte e 
compreensivo. 
Em seu artigo Psicoterapia de distúrbios de caráter, Winnicott define o distúrbio de 
caráter como a distorção da personalidade resultante da acomodação que o indivíduo faz de 
certo grau de tendência antissocial. Se ele não consegue fazer essa acomodação, corre sempre 
o risco de um colapso psicótico. 
Como tratar em psicoterapia o distúrbio de caráter? Já vimos que uma característica da 
tendência antissocial é que a sua manifestação (acting-out) busca sempre incomodar e 
mobilizar o ambiente: seja reivindicando tempo, interesse ou dinheiro de pessoas (roubo); seja 
destruindo de modo a provocar manejos fortes. Essas manifestações acontecem num período 
de esperança. Se o indivíduo estiver em análise, o acting-out deve poder fazer parte do manejo 
total da análise e dificilmente o setting analítico tem esse caráter indestrutível. Esse é o ponto 
que torna a psicoterapia complicada, pois se o paciente começa a melhorar em virtude da 
confiabilidade encontrada e do consequente aumento de esperança, o consultório fica em 
perigo. A dificuldade é quando a atuação envolve a sociedade, extrapolando o setting. Nesse 
caso, muitas vezes a análise tem que ser interrompida e a sociedade assume o controle. 
O objetivo da terapia do distúrbio de caráter é chegar ao trauma original de 
deprivação. Para isso, é necessário que o paciente retorne “através do trauma da transferência 
ao estado de coisas que existia antes do trauma original”. Quando o analista não acolhe as 
atuações do paciente, ele falha e essas falhas são reais, no sentido de que essa falha atual é a 
falha original do ponto de vista do paciente. Assim, o paciente pode viver na transferência um 
sentimento de raiva apropriado. Isso libera os processos de amadurecimento do paciente. 
Se o comportamento (acting-out) da criança antissocial não é compreendido e ela é 
somente punida por eles, os ganhos secundários podem rapidamente tomar conta e, desse 
modo, ela caminha a passos largos para a delinquência. A tendência antissocial é, portanto, 
para Winnicott um distúrbio de de ciência ambiental e, como tal, é passível de ser prevenido 
e, até um certo limite, tratado. Winnicott elaborou um corpo teórico e clínico que possibilita a 
elaboração de políticas de prevenção e de tratamento da delinquência. 
Temos visto e sentido, a cada dia que passa, o crescimento da delinquência entre os 
nossos jovens e seria necessário que pessoas com poder para enfrentar esse problema 
tomassem conhecimento desse ferramental teórico‐clínicowinnicottiano. É claro que a 
situação econômica do país influencia na estabilidade das famílias, como já dizia Winnicott, 
em Londres, em 1950: “Em primeiro lugar, o fornecimento ao lar comum de uma ração básica 
de moradia, alimentação, vestuário, educação e instalações para recreio e lazer, e o que 
poderia ser chamado alimento cultural, tem prioridade em nossa atenção”. 
Todavia, em 1967, numa palestra para profissionais que trabalhavam com crianças 
delinquentes, chamou a atenção para a especificidade da sua teoria: “Vocês tentam relacionar 
a delinquência que tem à sua frente com assuntos gerais, tais como a miséria, habitações 
pobres, lares rompidos, delinquência parental e um colapso da provisão ambiental. Gostaria 
de sentir que, como resultado daquilo que tenho a dizer, vocês serão capazes de ver de modo 
um pouco mais claro que, em todos os casos que aparecem em seu caminho, houve um 
começo, e no começo houve uma doença, e o menino ou a menina tornou‐se uma criança de 
privada. Em outras palavras, existe um sentido naquilo que ocorreu num determinado 
momento, ainda que, à época em que cada pessoa aparece para ser cuidada, esse sentido 
geralmente se tenha perdido. 
Winnicott não menosprezava as condições sociais, muito pelo contrário, achava que 
eram condições essenciais para uma vida digna, mas como psicanalista precisava chamar a 
atenção para a especificidade do fracasso que está na origem de uma tendência antissocial e 
mostrar que ele é mais importante, no entendimento do distúrbio, do que um fracasso social 
geral. 
Dessa maneira, acredito, seria crucial que profissionais que trabalham com pais e 
filhos tivessem esse entendimento da questão antissocial, para que pudessem acolher e 
“curar”, muitas vezes, no seu nascedouro, as suas primeiras manifestações. Além desses 
profissionais, também todos aqueles outros que trabalham com crianças privadas – desde 
aquelas que começam a roubar na escola até as internas em instituições por estarem em 
conflito com a lei – poderiam ser ajudados, na sua prática cotidiana, pela concepção 
winnicottiana da delinquência. 
 
Leitura do texto 2 “Garantia do direito da criança e do adolescente sob 
medida protetiva à convivência familiar e comunitária: retrato das 
famílias acolhedoras no Brasil” 
Quais foram as principais legislações, instituições e iniciativas de apoio à criança e ao 
adolescente que marcaram o século XX? 
*É no século XIX, com os estudos da Pedagogia e da Psicologia, que é reconhecida a 
necessidade de proteção da criança. 
*As rodas dos expostos tiveram importante papel na proteção da vida das crianças, uma vez 
que antes elas eram deixadas no lixo, na rua, na floresta e quase nunca sobrevivem. Dessa 
forma, pode-se considerar que a roda dos expostos foi a primeira instituição de assistência à 
criança abandonada. 
*Médicos higienistas, horrorizados com os altíssimos níveis de mortalidade infantil reinante 
dentro das casas de expostos, criaram um movimento para a extinção das rodas. 
*leis que visavam ser apenas punitivas em relação às crianças e adolescentes (Esse sistema 
era constituído de reformatórios e casas de correção para adolescentes infratores, de 
patronatos agrícolas e escolas de aprendizagem de ofícios urbanos para menores carentes e 
abandonados).----SAM 
*Foi com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) que, pela primeira vez, a 
criança foi objeto de cuidados e atenções especiais 
No âmbito da Proteção Social Especial de Alta Complexidade são ofertados os serviços de 
acolhimento a crianças e adolescentes (abrigo; casa lar e família acolhedora. Caracterize o 
Serviço Família Acolhedora no Brasil) 
 Qual foi o texto de associação livre destacado por você? 
 
O reconhecimento da vulnerabilidade da criança e do adolescente surgiu apenas na 
Idade Moderna com um processo de reorganização familiar. Anterior a isso, a sociedade 
medieval considerava que a criança “representava um papel social mínimo, chegando a ser 
considerada ao nível dos animais, pois a mortalidade infantil era elevada e isso desfavorecia a 
relação de afeto entre crianças e adultos”. A rejeição e o abandono de crianças eram comuns, 
e não havia legislação que garantisse a proteção dessas crianças. 
A partir dessas transformações, tais como educação, escola, arte, trabalho, valorização 
da família composta de pai, mãe e filhos – e não mais família coletiva, e a educação religiosa 
ofertada pela igreja, nasce, então, a infância moderna. 
 
Aula dia 15/12- Aline Sicari e Bruna Magalhães- Família acolhedora. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2- QUAL A DIFERENÇA DO ACOLHIMENTO FAMILIAR PARA O ACOLHIMENTO 
INSTITUCIONAL? A Lei 12.010/2012 estabelece que os acolhimentos familiares são 
preferenciais em relação aos institucionais, reforçando o que é preconizado na Constituição 
Federal (art. 243.), que é o direito de viver em família. As Famílias Acolhedoras fornecem um 
tratamento humanizado e individualizado, em um ambiente seguro, saudável e afetivo, 
garantindo a convivência familiar e comunitária. Esse tipo de acolhimento se destina a 
crianças e adolescentes que geralmente não estão no cadastro de adoção, sendo encaminhadas 
para as residências de famílias previamente selecionadas e preparadas para acolhê-las 
voluntariamente e prestar-lhes os cuidados necessários, até que seja definida sua situação: 
retorno à família de origem ou adoção. Assim como os serviços de acolhimento institucional, 
os Serviços de Acolhimento em Família Acolhedora devem se organizar de acordo com os 
princípios e diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, especialmente no que se 
refere à excepcionalidade e provisoriedade do acolhimento; ao investimento na preservação 
do vínculo afetivo e reintegração à família de origem; à permanente articulação com a Justiça 
da Infância e Juventude e a rede de serviços. Entretanto, ao serem encaminhadas a essas 
famílias, as crianças não são “institucionalizadas”, ou seja, não ficam em abrigos à espera da 
adoção ou da reintegração à família de biológica, cuidadas de maneira coletiva por 
profissionais contratados para tal. 
 
 
 
Aula dia 22/12 
 
Alice 
*Tal qual afirma Jurandir Freire Costa, citado por Ferreira (2011, p.43) “a criança 
traumatizada é comparada a um fruto ferido por um pássaro ou inseto que amadurece 
precocemente para defender-se de “adultos quase loucos” que perderam o autocontrole.” 
*Falamos da instituição e Alice me diz que lá, no abrigo, “todo mundo é sério e triste”. 
Pergunto o que ela quer dizer com isso, mas há um silêncio, uma pausa e um “não sei”. Essa 
fala de Alice remete-me ao que Ferreira (2011, p.11) escreve na introdução de seu livro 
Traumas não elaboráveis. A autora diz que “crianças institucionalizadas em abrigos coletivos 
experimentam sensações altamente dolorosas, de qualidade mortífera que as deixam enlaçadas 
a marcas insuportáveis de terror” 
*Não deixo de pensar no estado melancólico tal qual descrito por Freud (1917), em que o 
sujeito, por uma severa perda no próprio ego, posiciona-se numa mortificação paralisante, 
como se afogasse em si mesmo. 
* Vem-me à mente o que Winnicott chamou de “falso self”, que, conforme Zimerman (2001, 
p. 140) seria o recurso inconsciente de certas pessoas para tentar preencher as expectativas 
dos outros, tal como na primeira infância era uma forma de garantir o reconhecimento do 
amor da mãe. O sujeito portador de um falso self utiliza esse recurso ao longo da vida a fim 
de obter o reconhecimento em seu meio familiar e social. De acordo com Zimerman (2001), 
“a construção precoce de um falso self faz com que o sujeito não consiga discriminar aquilo 
que é seu rosto e o que é uma máscara” (p.140). Percebo como nas instituições esses recursos 
são usados para caber na categoria de “bons meninos” e não questionar ou incomodar, já que 
a “paz” precisa ser garantida dentro do abrigo. 
*Tal qual assinala Eigen (2009)em seu texto sobre a Morte Psìquica, “o Outro Freudiano 
segue o rastro da dor. A dor é o Outro, o estranho, o nãoeu. Onde quer que a dor esteja o outro 
estará. Se a dor vier do interior do corpo, então o interior do corpo torna-se o Outro, o não-eu, 
algo que está acontecendo comigo, um você estranho, hostil ou indiferente”. Naquele 
momento eu sou o Outro que questiona e provoca dor em Alice. Não somos iguais e eu sou 
indesejada. O que na minha presença tanto frustra 79 essa adolescente? Seria eu a 
representação da rainha má que a prendeu e que lhe roubou o bolo do crescimento? 
*Concluo que as psicólogas que ouviram Alice em seu tempo de instituição não a ouviram em 
seu desejo, não a ajudaram em seu crescimento, não lhe puderam dar oportunidade de 
significação de sua história e assim, não puderam ser de “confiança” para que ela seguisse 
com algum amparo pela vida adulta. 
 
Anna 
*muitas rupturas vivenciadas 
*Durante minha trajetória, levei várias crianças até a instituição. A maioria delas ia chorando, 
debatendo-se, muito revoltadas. A angústia era muito grande, traumática para mim 
*Depois me conta também que tem medo de desistirem dela e fala que não quis os pais 
adotivos por esse motivo. Ela rejeita por temer a rejeição. Sua defesa é possível. Deixa-se 
congelar pela insegurança e não se acredita merecedora de amor. Infelizmente o caráter 
traumático das separações vivenciadas parece ser compulsivamente repetido por Anna. Ela 
olha pela janela e vê, mas não confia que portas se abrirão para ela 
*Ir embora da instituição é uma inevitabilidade, ali é um lugar provisório, então como se 
vincular com segurança? Fala de uma amiga de quem ela sente falta e que saiu da instituição, 
mas não pode mais entrar lá, essa amiga ela tem vontade visitar porque era alguém que a 
“ajudava nos namoros” 
*Percebo como o judiciário muitas vezes é depositário das mazelas afetivas e 
responsabilizado por retirar possibilidades de afeto e convivência. 
*Pergunto o que ela quer para sua vida futura e ela diz que quer “ser bióloga, ter uma família, 
formar uma família e só, e seguir a minha vida com Deus”. 
 
É importante nos atentarmos para o fato de que a manifestação da singularidade 
dos abrigados gera um incômodo na instituição por ameaçar a homogeneidade e as 
normas que visam ao controle dos sujeitos que ali se encontram. Essa singularidade, por 
vezes, ameaça o discurso institucional, seja pelo desconhecimento ou pela negação dos 
elementos desse discurso. (Souza, FM.S., Kyrillos Neto, F., & Calzavara, M.G.P. (2021). 
Pressupostos para a escuta psicanalítica em instituição de acolhimento de crianças e 
adolescentes. Revista da SPAGESP, 22(1), 83-97. Recuperado de 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702021000100007&lng
=pt&tlng=pt). 
 
Série Anne com E 
19/01/22- Conselho tutelar - Ana carolina Fernandes 
Quais são as leis que são menos respeitadas ? 
violência física, mas o que mais é evidente é a violência sexual. 
*Tem-se muito uma ideia pelas crianças de que o conselho é um bicho papão. Como 
se fosse algo ruim pra criança. 
*A violência contra crianças e adolescentes é um problema mundial, que atinge e 
prejudica esta população ao longo de um importante período de desenvolvimento. Diante 
desta realidade, em 1990, no Brasil, é promulgado o Estatuto da Criança e Adolescente (Lei 
8.069/90), o qual determina que toda criança e adolescente são sujeitos de direitos aos quais 
deve ser garantida a proteção integral. 
*Os Conselhos Tutelares têm como papel receber e acolher denúncias de 
acontecimentos que descumpram os princípios do ECA, bem como orientar e encaminhar 
fatos para os órgãos jurídicos competentes. 
*As intervenções proporcionam um caráter pontual no instante da ocorrência da 
denúncia, mas podem não ser suficientes para a conservação da permanência de tais 
benefícios. Deste modo, como forma de responder às necessidades detectadas junto às 
crianças e famílias recebidas no Conselho Tutelar, demonstra-se a urgência de medidas de 
prevenção e de acompanhamento das crianças e das famílias, procurando certificar a 
concretização dessas ações a médio e longo prazo. 
*É imprescindível que o conselheiro tutelar possua uma equipe multiprofissional, para 
lhe apoiar e orientar nos casos e nas medidas mais apropriadas a serem providenciadas. Neste 
caso, a psicologia teria contribuições relevantes. 
 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702021000100007&lng=pt&tlng=pt
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702021000100007&lng=pt&tlng=pt
1ª Atribuição: 
Atender crianças e adolescentes e aplicar medidas de proteção 
2ª Atribuição: 
Atender e aconselhar os pais ou responsável e aplicar medidas de proteção 
3ª Atribuição: 
Promover a execução de suas decisões 
4ª Atribuição: 
Encaminhar ao Ministério Público notícia e fato que constitua infração administrativa 
ou penal contra os direitos da criança ou do adolescente 
5ª Atribuição: 
Encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência 
6ª Atribuição: 
Tomar providências para que sejam cumpridas medidas protetivas aplicadas pela 
justiça a adolescentes infratores 
7ª Atribuição: 
Expedir notificações 
8ª Atribuição: 
Requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou de adolescente quando 
necessário. 
9ª Atribuição: 
Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para 
planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente. 
10ª Atribuição: 
Representa, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos 
no artigo 220, §3º, Inciso II, da Constituição Federal. 
11ª Atribuição: 
Representar ao Ministério Público, para efeito de ações de perda ou suspensão do 
poder familiar. 
12ª Atribuição: 
Fiscalizar as Entidades de Atendimento 
 26/01/22 
 
Automutilação: um pedido de ajuda 
a palavra automutilação, atos envolvendo dano fisico e sem intenção suicida 
Visão da automutilação enquanto uma forma morbida de auto ajuda 
escarificação: corte mesmo da pele 
Tendo em vista que o inicio e a frequencia maior desse ato ocorrem na adoldescencia torna-se 
relevante compreender as transfornmmações que ocorrem nesse periodo da vida esua relação 
com a candura 
Então quais os ignificantes atras desse corte ? 
Acredidtava-se que a automutilação. vitória da pulsão de vida sobre a pulsão de morte, pq se 
apulsão de morte vencesse teria o suicidio. 
Adolescencia: tempo precioso 
Durante a adolescencia questões elementares do processo de estrturação psiquica serão 
retomados 
 
A adolescente será submetida a uma remodelação tripla: uma relção ao seu corpo a sua 
sexualidade e a ao seu meio 
as mudanças que atingem o coropo na puberdade o coloca em uma condição de passividade 
ao mesmo tempo que esse corpo também funciona como representação de si. 
Os adolescentes usam muito o corpo como modo de falar, mas tbm se sente muito insatisfeito 
com seu corpo 
Os adolescentes se sentem com muitas transformações e excessos, então pode ser uma forma 
de descarregar a automutilação. Então é uma tendência que ela faça isso pra se expressar. 
Com ressalvas que a automutilação na adolescencia não significa que vá ocorrer com todos, 
isso dependende do contexto e da sua história de vida. 
 
Caso clínico 
Gisele 12 anos 
Busca o atendimento psicologico porque estava se cortanto e isto preocupa a sua mae 
Desde o inicio dos atendimentos aparentou ser comunicativa, extrorvetida e a vontade com 
aquele ambiente 
Chama a atenção para como ela usava os gestos e a postura do corpo como uso da linguagem 
corporal com intenção de atrair atenção 
Vivenciava muitos conflitos com os pais, sobretudo com a mãe que encontrava dificuldad em 
lidar com as experiencias e mudanças vindas com adolescencia da filha 
ela primeira vez se cortou com11 anos apos uma briga com a mãe 
ela sentia aliviou quando se cortava e depois sentia muito arrempendimento 
foram mais de 10 vezes os cortes 
corte por lâmina de apontador de lápis no braço esquerdo e nos dedos direitos 
com o tempo a pele se acostumou com os cortes e isso fez ela sentir menos dor e assim 
começou com os cortes piores 
Os pais demoram um ano até ver os cortes e quando ele veem tem uma relação bem agressiva 
Mãe extremamente controladora, tentava controlar até a psicóloga 
ela dizia que a filha era maria vai com as outras 
ela sempre tentava tirar algo relacionado a sexualidade ou há drogas 
era muito temente a Deus, falava sempre de um Deus punidor 
Gisele pode se considerar uma adolescente precoce. 
gisele conversando com garotos mais velhos, fotos provocativas e video fumando paiero 
Gisele se sentiu envergonhada pela mãe ter visto as coisas, mas ela se sentia muito 
pressionada pela mãe 
o corte foi antes da sessão. uns 50 minutos antes 
Nas sessões online ela se colocava o corpo inteiro e ficava passando as pernas 
Ela queria se mostar mesmo, queria se fazer mostrar sua dor, seu sofrimento, queria atenção 
A mãe engravidou muito cedo…ficou com muito medo de tudo. 
 
Análise do caso 
O primeiro corte início na puberdade (ao 11 anos), momento da adolescência em que se 
experimentam mudanças significativas não só no corpo, como no psiquismo. 
Uso do corpo como apresentação de si. 
O s mecanismos de projeção podem vir a ser uma tentativa de preservar a aparência do 
domínio de si 
tentativa de deixar sua marca no mundo, porém é barrada pela mãe 
Os cortes são uma tentativa de marcar uma separação entre o eu e outro materno onipresente 
Dimensão imagética do corte usada na busca pelo olhar do outro. 
Ela se corta pra tentar expulsar esse excesso que está dentro dela, muitas coisas estão 
acontecendo 
Ela utiliza muito esse corpo (piercing, roupas curtas…) tentativa de deixar sua marca no 
mundo atraves do corpo de formas saudáveis. Ai por ter sido represada, ela leva essa marcas 
pro lado não saudavel, de marcas de automutilação. 
Gisele tbm sempre usou muito o corpo, muitos esportes, ballet, futsal, basquete, natação e 
conforme os castigos vieram, a mãe foi barrando os esportes tbm, então ela não tinha lugar 
mais pra expressar e estravasar o que sentia 
A automutilação aparece muito como uma forma de ter pelo menos algum controle sobre a 
sua vida. 
Gisele não esconde os cortes, não esconde seu sofrimento, ela precisa da validação de 
sofrimento do outro. Precisa de apoio 
 
A mãe não falar nada sobre a sua adolescencia, me leva a pensar os não ditos nas famílias. e 
herança psiquica gerancional que sempre transborda. 
 
O desamparo

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