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Prévia do material em texto

Libras I
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell
Reitor 
Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino
Prof. Ms. Daniel de Lima
Diretor Financeiro
Prof. Eduardo Luiz
Campano Santini
Diretor Administrativo
Prof. Ms. Renato Valença Correia
Secretário Acadêmico
Tiago Pereira da Silva
Coord. de Ensino, Pesquisa e
Extensão - CONPEX
Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
Coordenação Adjunta de Ensino
Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman 
de Araújo
Coordenação Adjunta de Pesquisa
Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme
Coordenação Adjunta de Extensão
Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves
Coordenador NEAD - Núcleo de 
Educação à Distância
Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
Web Designer
Thiago Azenha
Revisão Textual
Beatriz Longen Rohling
Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Geovane Vinícius da Broi Maciel
Kauê Berto
Projeto Gráfico, Design e
Diagramação
André Dudatt
2021 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2021 Os autores
Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi-
tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem 
a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP 
 
F697L Forcadell, Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch 
 Libras I / Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell. 
 Paranavaí: EduFatecie, 2022. 
 137 p. : il. Color. 
 
 
 
1. Língua brasileira de sinais. 2. Interpretes para surdos. 3. 
 Surdos - Educação. 4. Língua de sinais. 5. Aquisição 
 da linguagem. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de 
 Educação a Distância. III. Título. 
 
 CDD: 23 ed. 371.912 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 
 
UNIFATECIE Unidade 1 
Rua Getúlio Vargas, 333
Centro, Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 2 
Rua Cândido Bertier 
Fortes, 2178, Centro, 
Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 3 
Rodovia BR - 376, KM 
102, nº 1000 - Chácara 
Jaraguá , Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
www.unifatecie.edu.br/site
As imagens utilizadas neste
livro foram obtidas a partir 
dos sites Shutterstock e 
Pexels.
AUTORA
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell
● Mestre em Ensino Formação Docente Interdisciplinar (UNESPAR);
● Especialista em Educação Especial: Área da Surdez – Libras (ESAP); 
● Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica (ESAP);
● Especialista em Atendimento Educacional Especializado – AEE (UEM);
● Graduada em Pedagogia (UEM);
● Graduada em Letras com Habilitação em Libras (EFICAZ);
● Proficiência em Tradução/Interpretação de Libras (FENEIS);
● Proficiência em Tradução/Interpretação de Libras (PROLIBRAS);
● Técnica em Tradução/Interpretação de Libras (IFPR);
● Docente Universitária da Disciplina de Libras;
● Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Especial 
 e Inclusiva – GEPEEIN (IFPR).
CURRÍCULO LATES: http://lattes.cnpq.br/4629794516295407 
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Prezado (a) acadêmico (a)!
Que alegria estar com você novamente! Seja bem-vindo (a) à Disciplina de LIBRAS I.
Chegou a hora de você se desafiar a praticar a Língua Brasileira de Sinais, conhecer 
os aspectos visuais e gramaticais, as propriedades e a formação dos léxicos na morfologia 
e na sintaxe que podem mudar o significado e o sentido dos sinais e formar frases para 
iniciar sua comunicação com os surdos. É importante refletir e saber utilizar cada formação 
de sinais e sua descrição imagética, pois pode descrever cada objeto, animais e pessoas. 
Vale lembrar que, para que você não perca o contato com a língua de sinais, é 
preciso exercitar os “olhos” para “ver” as complexidades da língua, e, permitir que suas 
“mãos” possam “falar” durante a prática dessa língua visuo-espacial.
Essa disciplina te convida a mergulhar em um outro mundo, o das imagens em 
movimento, dos significados em comunicação, dos traços das expressões que traduzem 
todas emoções. 
Aprender língua de sinais é desafiante e instigante, e você acadêmico(a) poderá 
através desse material didático executar seus primeiros sinais e iniciar a comunicação com 
a comunidade surda.
Portanto, aproveite este material didático que foi elaborado em 4 Unidades e 
apresenta conteúdos teóricos, mas, principalmente práticos. Sabemos que estudar essa 
disciplina exige contato com a prática, por isso, tentamos apresentar a você, exemplos 
sinalizados por essa autora e pelo Professor Me. Murilo Sbrissia Pitarch Forcadell, surdo e 
esposo da autora desse material didático, a quem agradecemos pela valorosa contribuição. 
Na Unidade I - DIVISÃO DA LÍNGUA DE SINAIS: ASPECTOS DA VISUALIDADE, 
você vai adquirir noções básicas da Libras reconhecendo os aspectos visuais que compõem 
a língua, desenvolver a consciência espacial, as expressões faciais e corporais e a percep-
ção visual na língua de sinais, registrar o conceito de descrição imagética e identificar os 
processos de formação de sinais, analisando os conhecimentos linguísticos e culturais dos 
sujeitos surdos.
Na Unidade II - CONVERSANDO EM LIBRAS, passaremos a conhecer e distin-
guir os parâmetros da Libras na constituição dos sinais, percebendo os elementos visuais 
e estéticos na literatura sinalizada, aprenderemos o alfabeto manual e o sinal soletrado, 
a diferença entre os numerais cardinais, ordinais e quantidade nos diferentes contextos, 
e como executar os sinais conforme seus parâmetros de configuração de mão, utilizando 
esses sinais de maneira apropriada em situações comunicativas com surdos.
Na Unidade III - APRESENTAÇÃO PESSOAL, apresentaremos as saudações 
em Libras em contextos formal e informal, você será capaz de usar adequadamente os 
pronomes e os advérbios de lugar na Língua Brasileira de Sinais e compreender a Libras 
em seus aspectos morfológicos e sintáticos.
Na Unidade IV – OS CLASSIFICADORES NA LIBRAS, será compartilhado com 
você os verbos de locomoção e os verbos classificadores e seu sistema de flexão, para 
que inicie a construção de frases com verbos de locomoção e com verbos classificadores, 
diferenciando classificadores de adjetivos descritivos, bem como conhecer os vários tipos 
de verbos classificadores na Libras.
Durante toda essa disciplina de Libras I, estaremos sempre ao seu lado, pois o 
nosso desejo é que você possa avançar mais e mais a cada Unidade de Estudo. Buscamos 
então, usar uma linguagem acessível para facilitar a apreensão dos conteúdos. Portanto, 
para que a aprendizagem de Libras se torne algo prazeroso e contagiante, você precisa 
ir além desse material didático, leia, releia, treine – se for o caso – o material, assista às 
videoaulas correspondentes e desafie-se a praticar os sinais. Não se esqueça de consultar 
os sites e links que sugerimos, a fim de complementar seus estudos. Procure aprimorar 
seus conhecimentos sobre o assunto com colegas que já cursaram Libras, busque conhe-
cer e iniciar uma relação comunicativa com os surdos. O importante é não ficar parado, 
lembre-se que a Libras é a comunicação em suas mãos!
Bons estudos e abraços sinalizados!
SUMÁRIO
UNIDADE I ...................................................................................................... 4
Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade
UNIDADE II ................................................................................................... 34
Conversando em Libras
UNIDADE III .................................................................................................. 68
Apresentação Pessoal
UNIDADEII Conversando em Libras
FIGURA 16 - ALFABETO MANUAL
Fonte: Arquivos da autora (2021).
É importante ressaltar que o soletramento, tanto na sua forma receptiva (do ponto 
de vista de quem lê) quanto produtiva (do ponto de vista de quem realiza), supõe/implica 
letramento. O soletrando que não for alfabetizado (escrita/leitura) na língua oral de sua 
comunidade de fala, por exemplo, terá as mesmas dificuldades de um indivíduo iletrado 
para lançar mão deste uso, por exemplo:
51UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 51UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 17 - DIFICULDADE DE COMPREENSÃO DE SOLETRAMENTO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Para finalizar, a soletração manual não é uma representação direta do português, é 
uma representação manual da ortografia do português, envolvendo uma sequência de confi-
gurações de mão que tem correspondência com a sequência de letras escritas no português.
Seguindo a proposta de Battison (1978), palavras do português podem ser em-
prestadas à língua de sinais brasileira, via soletração manual. Por exemplo, o sinal “AZL” 
ou “AL” é derivado da soletração manual A-Z-U-L, assim como o sinal “NUN” é derivado da 
soletração N-U-N-C-A, conforme ilustram os exemplos abaixo:
FIGURA 18 - SOLETRAÇÃO MANUAL
Fonte: Arquivos da autora (2021).
52UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 52UNIDADE II Conversando em Libras
4. OS NUMERAIS NA LIBRAS
As línguas podem ter formas diferentes para apresentar os numerais quando utili-
zados como cardinais, ordinais, quantidade, medida, idade, dias da semana ou mês, horas 
e valores monetários, isso também acontece na Libras.Sendo assim, neste tópico vamos 
aprender um pouco sobre isso.
É erro o uso de uma determinada configuração de mão para um numeral cardinal 
sendo utilizada em um contexto onde o numeral é ordinal ou quantidade, por exemplo: o 
numeral cardinal 1 é diferente da quantidade 1, como em LIVRO 1, que é diferente de PRI-
MEIRO-LUGAR, que é diferente do numeral PRIMEIRO, que é diferente de PRIMEIRO-AN-
DAR, que é diferente de PRIMEIRO-GRAU, que é diferente de MÊS-1. Estas diferenças 
serão trabalhadas neste tópico, para que você possa compreender melhor através dos 
sinais que utilizamos para exemplificar.
53UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 53UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 19 - NÚMEROS CARDINAIS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Observe que os números cardinais não possuem movimento.
FIGURA 19 - NÚMEROS ORDINAIS 
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Observe que do 1º ao 9º tem a mesma forma dos cardinais, mas os ordinais possuem 
movimento. Outra observação importante é que os ordinais do 1º ao 4º têm movimentos 
para cima e para baixo e os ordinais de 5º ao 9º têm movimentos para os lados. A partir do 
numeral 10 não há mais diferença entre os cardinais e ordinais.
54UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 54UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 19 - NÚMEROS QUANTIDADE
Fonte: Arquivos da autora (2021)
Observe que os números quantidade são utilizados para quantidade de pessoas, 
coisas, animais etc., dos numerais 1 ao 4, note que os dedos estão na vertical, do numeral 
5 ao 9 seguem a mesma sinalização dos números cardinais.
● Valores Monetários
Pesos e medidas: para representar valores monetários de 1 até 9, usa-se o sinal do 
numeral correspondente ao valor, incorporando a este o sinal VÍRGULA ou, também, após 
o sinal do numeral correspondente acrescenta-se o sinal de R$ “REAL”. Para valores de 
1.000 até 9.000 usa-se a incorporação do sinal VÍRGULA ou PONTO.
55UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 55UNIDADE II Conversando em Libras
● Formas de Plural
Há plural na Libras no uso repetido de sinais ou indicando a quantidade.
FIGURA 20 - FORMAS DE PLURAL INDICANDO QUANTIDADE
Fonte: Arquivos da autora (2021).
56UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 56UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 21 - CLASSIFICADORES POSSUEM PLURAL
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Intensificadores e Advérbio de modo: utiliza-se a repetição exagerada para intensi-
ficar o significado do sinal.
FIGURA 22 - INTENSIFICADORES 
Fonte: Arquivos da autora (2021).
● Advérbio de modo
MUITO: utilizado como intensificador em Libras e expresso através das expressões 
facial e corporal ou de uma modificação no movimento do sinal 
RÁPIDO: para estabelecer um modo rápido de se realizar a ação, há uma repetição 
do sinal da ação e a incorporação de um movimento acelerado.
57UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 57UNIDADE II Conversando em Libras
5. CALENDÁRIO E ADVÉRBIO DE TEMPO
Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais, é como se os verbos ficas-
sem na frase quase sempre no infinitivo. O tempo é marcado sintaticamente através de 
advérbios de tempo que indicam se a ação está ocorrendo no presente: HOJE, AGORA; 
ocorreu no passado: ONTEM, ANTEONTEM; ou irá ocorrer no futuro: AMANHÃ. Por isso 
os advérbios geralmente vêm no começo da frase, mas podem ser usados também no final.
Quando não há, na frase, um advérbio de tempo específico, geralmente a frase, 
no presente, não é marcada, ou seja, não há nenhuma especificação temporal; já para a 
frase no passado, pode-se utilizar o sinal PASSADO ou o sinal JÁ, e para a frase no futuro, 
pode-se utilizar o sinal FUTURO:
58UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 58UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 23 - MARCAÇÃO DE TEMPO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 24 - DIAS DA SEMANA
Fonte: Arquivos da autora (2021).
59UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 59UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 25 - MESES DO ANO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 26 - ESTADOS DO TEMPO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
60UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 60UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 27 - ESTADOS DO TEMPO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 28 - ESTAÇÕES DO ANO/TEMPO/CLIMA
Fonte: Arquivos da autora (2021).
61UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 61UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 29 - TEMPO/CLIMA
Fonte: Arquivos da autora (2021).
62UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 62UNIDADE II Conversando em Libras
SAIBA MAIS
Fonte: SHUTTERSTOCK. Disponível em: https://www.shutterstock.com/. Acesso em: 26 ago. 2021.
REFLITA
Os surdos podem dançar? Precisamos nos despir de preconceitos! É assim que as 21 
dançarinas surdas do Grupo de Artes Performativas da Associação Chinesa de Pessoas 
com Deficiência exibem o seu número mais conhecido, a dança Qianshou Kuanyin ou 
Bodhisattva. Esse espetáculo prende a atenção de todos, pois as dançarinas surdas for-
mam uma fila vertical e 42 braços promovem diferentes gestos harmoniosos simultanea-
mente, reproduzindo a imagem do Buda de Mil Mãos, encontrada em muitas grutas da 
China. Os métodos para a percepção dos sons pelas bailarinas vão desde a marcação 
rítmica no próprio corpo, até a utilização de uma sala especial, com caixas acústicas co-
locadas sob o piso de madeira, o que favorece a percepção dos ritmos através da vibra-
ção provocada no corpo. Esse espetáculo foi criado por um famoso coreógrafo chinês, 
Zhang Jigang, e o vídeo está no site do Youtube desde junho de 2007, permanecendo 
disponível desde então. 
Assista você mesmo: http://br.youtube.com/watch?v=Iq9IOkWYlyY 
Fonte: YOUTUBE. Grupo de Artes Performativas da Associação Chinesa de Pessoas com Deficiência. 
Disponível em: http://br.youtube.com/watch?v=Iq9IOkWYlyY. Acesso em: 29 ago. 2021.
63UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 63UNIDADE II Conversando em Libras
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta Unidade de Estudos, você viu que a realização dos sinais em Libras obedece 
a parâmetros que orientam o ponto de articulação, a forma assumida pelamão, o tipo de 
movimento executado, a posição da palma da mão e as expressões facial e corporal que 
acompanham o sinal. Alguns sinais não são constituídos por todos os parâmetros. 
Você também viu que a gramática da Libras ainda apresenta alguns pontos que 
merecem maior formalização, pois só recentemente passou a ser estudada com mais inte-
resse pelos linguistas. 
Contudo, a insuficiência desses estudos não significa a inexistência de uma gramá-
tica da Libras, sendo necessário conhecê-la, pois alterações inadvertidas na realização dos 
sinais, isto é, a inobservância de seus parâmetros, pode provocar problemas na compreen-
são e até inverter o sentido do que se está tentando comunicar.
64UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 64UNIDADE II Conversando em Libras
MATERIAL COMPLEMENTAR
Jogo dos Parâmetros
Instruções do Jogo
65UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 65UNIDADE II Conversando em Libras
Cartelas do Jogo
Fonte: FORCADELL, Elizete, P. C. S. O Ensino de Libras na Universidade: política, formação docen-
te e práticas educativas. 180 f. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual do Paraná, 2017. 
66UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 66UNIDADE II Conversando em Libras
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Aprenda Libras com eficiência e rapidez
Autor: Éden Veloso e Valdeci Maia Filho.
Ano: 2009.
Sinopse: O livro já está em sua 8ª edição, trazendo inovações ao 
mundo da Libras. Os autores estudaram e pesquisaram a fundo e 
trouxeram, de maneira fácil, uma leitura suave, com técnicas para 
aprender Libras. Trazem sinais simples aos termos mais comple-
xos da língua de sinais.
WEBSITE
Título: Dicionário da Língua Brasileira de Sinais
Ano: 2005.
Sinopse: O Dicionário da Língua Brasileira de Sinais, é uma pla-
taforma on-line de busca de vocabulários em Libras. Em ordem 
alfabética ou por assunto pode ser pesquisado palavras da Língua 
Portuguesa, exemplificado a aplicação da palavra no contexto de 
frases, apresenta a classe gramatical, busca a configuração de mão, 
exemplifica a aplicação do sinal na sentença em Libras, demonstra 
a sinalização através de um profissional habilitado em Libras e por 
fim, apresenta a imagem referente ao sinal. A plataforma é de fácil 
manuseio e contribui para o aprendizado da língua de sinais. 
Link: https://www.ines.gov.br/dicionario-de-libras/ 
67
Plano de Estudo:
● A Libras e suas Modalidades Comunicativas;
● Aspectos Gramaticais e Sentenças em Libras;
● Tipos de Verbos em Libras.
Objetivos da Aprendizagem:
● Aprender e utilizar as saudações em Libras em contextos formal e informal;
● Utilizar adequadamente os pronomes e os advérbios 
de lugar na Língua Brasileira de Sinais;
● Compreender a Libras em seus aspectos morfológicos e sintáticos.
UNIDADE III
Apresentação Pessoal
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell
68UNIDADE III Apresentação Pessoal
INTRODUÇÃO
Nas Unidades anteriores você já conheceu o sistema linguístico de Libras e sua for-
mação de palavras ou sinal e agora nesta Unidade, abordaremos mais alguns componentes 
gramaticais da Libras, a fim de aumentar seu conhecimento. Salientamos sempre que se 
faz necessário, além do estudo deste material didático, um aprofundamento de conteúdo.
Acadêmico (a), as regras gramaticais da língua de sinais continuam em constante 
estudo, mas como já considerado, por se tratar de uma língua natural e com gramática 
própria, está totalmente estruturada, e tem parâmetros comparados à morfologia da Língua 
Portuguesa. “[...] línguas de sinais assemelham-se às línguas orais em todos os aspectos 
principais, mostrando que verdadeiramente há universais da linguagem, apesar das dife-
renças na modalidade em que a língua é realizada” (FROMKIN e RODMAN, 1993, p. 12).
Você vai observar que, quanto mais nos aprofundamos nos estudos na gramática 
da Libras, perceberemos que ela está totalmente ancorada em uma linguística. Por se tratar 
de uma língua em constante movimento, pactuamos com você a seguinte citação: “Apesar 
da modalidade viso-gestual, a estrutura morfológica tem suas particularidades dentro da 
complexidade dessa estrutura. Além disso, na Língua de Sinais Brasileira, raros são os 
estudos linguísticos realizados nesta área” (QUADROS e KARNOPP, 2004, p. 84).
Pontuamos que, nesse respeito, alguns talvez digam que a Libras é uma língua 
pobre porque apresenta um número pequeno de sinais ou palavras.
Quando meditamos sobre isso, concluímos no que pode ter acontecido, por ser uma 
língua que não é usada em todos os setores da sociedade ou que é usada em uma cultura 
bem distinta da que conhecemos, alguns podem ter pensado que ela não apresenta vocá-
bulos ou palavras para um determinado campo semântico, entretanto, isso não significa que 
esta língua seja pobre, porque potencialmente ela tem todos os mecanismos para criar ou 
gerar palavras para qualquer conceito que vier a ser utilizado pela comunidade que a usa.
69UNIDADE III Apresentação Pessoal
1. A LIBRAS E SUAS MODALIDADES COMUNICATIVAS 
Como já estudamos, empregamos a linguagem de várias formas no nosso cotidia-
no. Por exemplo: quando nos dirigimos a uma pessoa da família ou amigo, usamos uma 
variedade informal da língua, isso acontece porque quando há confiança no nosso interlo-
cutor nos sentimos mais espontâneos. E ao contrário quando nos dirigimos a alguém que 
não conhecemos muito bem ou alguma autoridade como (juiz, polícia e outros), usamos 
uma variedade formal da língua, mais séria. No caso de Língua de Sinais, essa diferença 
fica evidente no momento da realização dos sinais.
Os seres humanos podem utilizar uma língua, de acordo com a modalidade de 
percepção e a produção desta: modalidade oral auditiva (português, francês, 
inglês etc.) ou modalidade espacial-visual (língua de sinais brasileira, língua 
de sinais americana, língua de sinais francesa etc.) (QUADROS, 2004, p. 24).
Dessa forma, existem níveis em que os surdos utilizam a Libras. Por meio de vo-
cabulário mais reduzido ou amplo/complexo, podendo ser comparada à Língua Portuguesa 
falada em nosso país, tendo vocabulário popular (coloquial) e o erudito. Descreveremos as 
mais utilizadas. Acompanhe:
● Língua de Sinais Formal: utiliza a estrutura da língua de sinais, que é a ima-
gem do pensamento, usa posturas corporais e faciais adequadas. Faz uso do 
processo anafórico, corretamente e os parâmetros, como configuração de mãos 
(CM), expressão e localização ou ponto de articulação.
70UNIDADE III Apresentação Pessoal
● Língua de Sinais Informal ou Nativa: não confundir com dialetos, gestos, mí-
micas ou pantomima (representações gestuais com o menor uso de palavras). 
Não utiliza as regras da Língua de Sinais e é composto pela imagem mental, do 
objeto, pessoa, animal ou situação a ser descrita.
Em todas as línguas há o ritual da saudação. Dependendo do contexto, esse cum-
primento será mais formal ou informal e geralmente é complementado por gestos. A Libras 
tem também sinais específicos para cada uma dessas situações. Assim pode-se utilizar os 
seguintes sinais: BO@ DIA, BO@ TARDE, BO@ NOITE, O-I, TCHAU, acompanhados ou 
não de gestos para cumprimento:
FIGURA 1 - DIÁLOGO DE SITUAÇÃO FORMAL
Fonte: Arquivos da autora (2021).
71UNIDADE III Apresentação Pessoal
FIGURA 2 - DIÁLOGO DE SITUAÇÃO INFORMAL
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Para Quadros e Karnopp (2004, p. 52) conversar em qualquer língua não basta 
conhecer as palavras, é preciso aprender as regras de combinação das palavras em frases. 
As palavras, ou itens lexicais, são os sinais. Partindo do pressuposto que cada língua tem 
um número determinado de unidades mínimas cuja função é determinar a diferença de um 
sinal em relação a outro sinal, na Unidade de Estudos II, vimos sobre a unidades mínimas: 
sinais que se opõem quanto à configuração de mão, sinais que se opõem quanto ao movi-
mento e sinais que se opõem quanto ao pontode articulação.
Essa união de regras lexicais possibilita a transmissão de qualquer pensamento 
visual não verbal e que se fundamentou através da cultura e identidade das comunidades 
surdas. Consideramos aqui, a importância de que o sinal ao ser produzido nunca deve ficar 
em frente aos olhos, e sim em frente ao tronco, facilitando a comunicação e compreensão 
dos sinais. 
null
72UNIDADE III Apresentação Pessoal
Ressaltamos ainda que essa orientação é de suma importância para não se criar 
sinais com movimentos sem sentido ou de difícil execução, já que a tendência das línguas 
é a economia e redução de palavras para agilidade na compreensão do receptor.
Já analisamos a importância da criação correta dos sinais, mas será que é imposta 
alguma restrição ou podemos executar os sinais de qualquer maneira? Siple (1978) mos-
trou que propriedades do sistema de percepção visual restringem a produção de sinais. A 
acuidade visual é maior na área da face, pois é onde o interlocutor fixa o olhar e específica 
possíveis combinações entre as unidades mínimas (configuração de mão, movimento, pon-
to de articulação e orientação de mão), na formação dos sinais. Observe a figura a seguir:
FIGURA 3 - ÁREA CENTRAL DO ESPAÇO DE SINALIZAÇÃO
Fonte: Quadros e Karnopp (2004, p. 78).
Dessa forma, quando executamos o sinal, devemos prestar atenção se está sendo 
realizado de forma correta e em uma área que o receptor consiga ver e interpretar. Po-
demos citar, como exemplo, se a pessoa usa barba/bigode e vai fazer um sinal na face, 
certifique-se que o sinal está sendo realizado limpo/sem impedimento/barreiras.
Por isso, pense nestas restrições físicas e linguísticas, como forma de nos capaci-
tar para fazermos os sinais corretamente. Como já colocamos aqui, Libras não são gestos 
ou palavras soltas no ar, e nem são um sistema de comunicação superficial, muito pelo 
contrário, o sinal foi criado com um objetivo a ser cumprido.
73UNIDADE III Apresentação Pessoal
2. ASPECTOS GRAMATICAIS E SENTENÇAS EM LIBRAS
Já vimos que a morfologia na linguística estuda e classifica as palavras ou mor-
femas, nesse caso de Libras, os sinais. Quadros (2004, p. 55) nos diz que: “similar às 
línguas orais auditivas, e diferentes dos gestos, os sinais pertencem à categoria lexical ou 
classes de palavras”. Para entender a Libras, é fundamental ter em mente a ampliação do 
conhecimento sobre o uso das propriedades da Língua utilizada pela comunidade surda. 
Aqui serão apresentadas algumas classes em que já se têm estudos mais profundos.
2.1 Substantivos
Na língua portuguesa, os substantivos são palavras que possuem desinência (sufixo/
terminação) de gênero e numeral, podendo ter a função de sujeito ou objeto. Em Libras essa 
classe fica evidente durante a formação da frase, o que diferencia da Língua portuguesa é 
que o substantivo, em geral, fica em último lugar. Observe o exemplo apresentado por Felipe 
e Monteiro (2001), na frase a seguir os substantivos Recife e surdo ficam no final da frase.
EU VIAJAR RECIFE
BOM! BONIT@ LÁ CONHECER MUIT@ SURD@
Todas as línguas possuem palavras que são classificadas em relação a seus aspec-
tos morfológicos, sintáticos, semânticos e pragmáticos. Assim também acontece em Libras. 
Não se pode esquecer que estamos estudando uma outra língua, que sua compreensão 
pode ser complexa, exigindo de nós um grande esforço para sua aprendizagem.
74UNIDADE III Apresentação Pessoal
2.2 Sistema de Preposição em Libras
Na Língua Portuguesa, o sistema de preposição compõe-se de um grupo relati-
vamente fechado: a, após, até, com, contra, desde, em etc., e um grupo mais aberto; a 
propósito de, de acordo com, por meio de etc. Trata-se de uma categoria nas línguas que 
estabelecem as mais diversas relações semânticas. Diferente do português, em Libras essa 
categoria de preposições possui um número bastante reduzido de elementos, sobretudo as 
relações de lugar. Veja os exemplos apresentados por Felipe (2001, p. 71):
QUANT@-HORA TREM SÃO PAULO ATÉ RIO?
VOCÊ MORAR LONGE, PERTO DA FACULDADE?
2.3 Artigos
Não se usam “artigos” no momento da realização do sinal, mas são expressos de 
outras maneiras, como na escrita datilológica.
2.4 Pronomes Interrogativos
Os pronomes interrogativos QUE e QUEM geralmente são usados no início da 
frase, mas o pronome interrogativo ONDE e o pronome QUEM, quando está sendo usado 
com o sentido de “quem é” ou “de quem é” são mais usados no final. Todos os três sinais 
têm uma expressão facial interrogativa feita simultaneamente com eles. 
Na variante do Rio de Janeiro, o pronome interrogativo QUEM, dependendo do 
contexto, pode ter duas formas diferentes, os sinais QUEM e o sinal soletrado QUM. Se se 
quer perguntar “quem está tocando a campainha”, usa-se o sinal QUEM; se quer perguntar 
“quem faltou hoje” ou “quem está falando” ou ainda “quem fez isso”, usa-se o sinal soletrado 
QUM, como nos exemplos abaixo:
2.5 Interrogativa
FIGURA 4 - PRONOME INTERROGATIVO - QUEM
75UNIDADE III Apresentação Pessoal
Fonte: Arquivos da autora (2021)
2.6 Interrogativa
FIGURA 5 - PRONOME INTERROGATIVO –Q-U-M
Fonte: Arquivos da autora (2021)
76UNIDADE III Apresentação Pessoal
2.7 Pronomes Pessoais
A Libras possui um sistema pronominal para representar as pessoas no discurso
● Primeira Pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): EU; NÓS-2, NÓS-3, 
NÓS-4, NÓS-GRUPO, NÓS/NÓS-TOD@;
Felipe e Monteiro (2001) pontuam como acontece a sinalização. Note que a direção 
da mão e do olhar é determinante para a significância do sinal.
● Primeira pessoa do singular: EU
Apontar para o peito do enunciador (a pessoa que fala)
FIGURA 6 - PRONOME PESSOAL PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR - EU
Fonte: arquivos da autora (2021).
● Primeira pessoa do plural: NÓS-2, NÓS-3, NÓS-4, NÓS-GRUPO, NÓS/NÓS-TOD@S
 FIGURA 7 - PRONOME PESSOAL PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL - NÓS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
77UNIDADE III Apresentação Pessoal
● Segunda pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): VOCÊ, VOCÊ-2, VOCÊ- 
 3, VOCÊ-4, VOCÊ-GRUPO, VOCÊS/VOCÊS-TOD@S
● Segunda pessoa do singular: VOCÊ
 Apontar para o interlocutor (a pessoa com quem se fala)
FIGURA 8 - PRONOME PESSOAL SEGUNDA PESSOA DO SINGULAR - VOCÊ
Fonte: Arquivos da autora (2021)
● Segunda pessoa do plural: VOCÊS-2, VOCÊS-3, VOCÊS-4, VOCÊS-GRUPO, 
VOCÊS/VOCÊS-TOD@S
FIGURA 9 - PRONOME PESSOAL SEGUNDA PESSOA DO PLURAL - VOCÊS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
78UNIDADE III Apresentação Pessoal
● Terceira pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): El@, El@-2, El@-3, El@- 
 4, El@-GRUPO, El@/El@TOD@)
● Terceira pessoa do singular: EL@
● Apontar para uma pessoa que não está na conversa ou para um lugar conven 
 cionado para uma pessoa.
FIGURA 10 - PRONOME PESSOAL TERCEIRA PESSOA DO SINGULAR - EL@
Fonte: Arquivos da autora (2021).
● Terceira pessoa do plural: El@, El@-2, El@-3, El@-4, El@S-GRUPO, El@S/ 
 El@S-TOD@S) 
 
FIGURA 11 - PRONOME PESSOAL TERCEIRA PESSOA DO PLURAL - EL@
79UNIDADE III Apresentação Pessoal
Fonte: Arquivos da autora (2021).
No singular, o sinal para todas as pessoas é o mesmo, o que difere uma das outras 
é a orientação da mão: o sinal para “eu” é um apontar para o peito do emissor (a pessoa 
que está falando), o sinal para “você” é um apontar para o receptor (a pessoa com quem 
se fala) e o sinal para “ele/ela” é um apontar para uma pessoa que não está na conversa 
ou para um lugar convencionado para uma terceira pessoa que está sendo mencionada.
No dual, a mão ficará com o formato do numeral dois (quantidade), no trial o for-
mato será do numeral três (quantidade), no quatrial, o formato será do numeral quatro 
(quantidade). Para o plural há dois sinais: um sinal composto, formado pelo sinal para a 
respectiva pessoa do discurso (1ª, 2ª 3ª), mais o sinal GRUPO; e outro sinal para plural que 
é feito pela mão predominante com a configuração em “d”, fazendo um semicírculo à frente 
do sinalizador, apontando para as duas pessoas ou três pessoas dodiscurso. Como na 
Língua Portuguesa, na Libras, quando uma pessoa surda está conversando, ela pode omitir 
a primeira pessoa porque, pelo contexto, as pessoas que estão interagindo sabem a qual 
das duas o contexto está relacionado, por isso, quando esta pessoa está sendo utilizada 
pode ser para dar ênfase à frase.
Quando se quer falar sobre uma terceira pessoa que está presente, mas deseja-se 
uma certa reserva, por educação, não se aponta para esta pessoa diretamente. Nesta 
situação, o enunciador faz um sinal com os olhos e um leve movimento de cabeça para a 
direção da pessoa que está sendo mencionada, ou aponta para a palma da mão encostan-
do o dedo indicador da mão esquerda na mão direita um pouco à frente do peito do emissor, 
estando o dorso da mão direita voltada para a direção onde se encontra a pessoa referida 
(FELIPE, 2007, p. 142-143).
Diferentemente do Português, os pronomes pessoais na terceira pessoa não pos-
suem marca para gênero (masculino e feminino)
80UNIDADE III Apresentação Pessoal
2.8 Pronomes Demonstrativos e Advérbios de Lugar
Os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar têm o mesmo sinal, 
somente o contexto os diferencia pelo sentido da frase acompanhada de ex-
pressão facial. Estes tipos de pronomes e de advérbios estão relacionados 
às pessoas do discurso e representam, na perspectiva do emissor, o que está 
bem próximo, perto e distante. Estes pronomes ou advérbios têm a mesma 
configuração de mãos dos pronomes pessoais (mão em d), mas os pontos 
de articulação e as orientações do olhar são diferentes (FELIPE, 2007, p. 41).
Na Libras, como no Português, os pronomes demonstrativos e os advérbios de 
lugar estão relacionados às pessoas no discurso e representam, na perspectiva do emissor, 
o que está bem próximo, perto ou distante. Eles têm a mesma configuração de mãos dos 
pronomes pessoais, mas os pontos de articulação e as orientações do olhar são diferentes.
Os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar relacionados à 1ª pessoa, 
EST@/AQUI, são representados por um apontar para o lugar perto e em frente do emissor, 
acompanhado de um olhar para este ponto. EST@ também pode ser sinalizado ao lado do 
emissor apontando para a pessoa/coisa mencionada.
ESS@/AI é um apontar para o lugar perto e em frente do receptor, acrescido de um 
olhar direcionado não para o receptor, mas para o ponto sinalizado com relação à coisa/
pessoa que está perto da segunda pessoa do discurso.
AQUEL@/LÁ é um apontar para um lugar mais distante, o lugar da terceira pessoa, 
mas diferentemente do pronome pessoal, ao apontar para este ponto há um olhar direcio-
nado para a coisa/pessoa ou lugar.
Como os pronomes pessoais, os pronomes demonstrativos também não possuem 
marca para gênero: masculino e feminino.
● Pronomes pessoais
EU (olhando para o receptor: 2ª pessoa)
VOCÊ (olhando para o receptor: 2ª pessoa)
EL@ (olhando para o receptor: 2ª pessoa)
● Pronomes demonstrativos ou advérbios de lugar
EST@/AQUI (olhando para coisa/lugar apontando, perto da 1ª pessoa)
EST@/AI (olhando para a coisa/lugar apontando, perto da 2ª pessoa)
AQUEL@/LÁ (olhando para a coisa/lugar distante apontado)
null
81UNIDADE III Apresentação Pessoal
FIGURA 12 - PRONOMES DEMONSTRATIVOS OU ADVÉRBIOS DE LUGAR
Fonte: Arquivos da autora (2021).
82UNIDADE III Apresentação Pessoal
2.9 Pronomes Possessivos
Os pronomes possessivos, como os pessoais e demonstrativos, também não 
possuem marca para gênero e estão relacionados às pessoas do discurso e não à coisa 
possuída, como acontece em Português.
FIGURA 13 - PRONOMES POSSESSIVOS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Para a primeira pessoa: ME@, pode haver duas configurações de mão: uma é 
a mão aberta com os dedos juntos, que bate levemente no peito do emissor, a outra é a 
configuração da mão em P com o dedo médio batendo no peito – MEU-PRÓPRIO. Para as 
segunda e terceira pessoas, a mão tem esta segunda configuração em P, mas o movimento 
é em direção à pessoa com que se fala (segunda pessoa) ou está sendo mencionada 
(terceira pessoa), Capovilla e Raphael (2001).
Não há sinal específico para os pronomes possessivo no dual, trial, quatrial e plural 
(grupo), nestas situações são usados os pronomes pessoais correspondentes. Exemplo: 
NÓS FILH@ “nossos(a) filhos(a).”
Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na Libras. Figueira (2011) 
expõe essa relação apresentando-os sempre na forma neutra, não havendo, portanto, nem 
marca para gênero (masculino e feminino), nem para número (singular e plural). Muitos 
adjetivos, por serem descritivos e classificadores, apresentam iconicamente uma qualidade 
do objeto, desenhando-a no ar ou mostrando-a a partir do objeto ou do corpo do emissor.
83UNIDADE III Apresentação Pessoal
Em português, quando uma pessoa se refere a um objeto como sendo arre-
dondado, quadrado, listrado, está também descrevendo e classificando, mas na 
Libras esse processo é mais ‘transparente’, porque o formato ou textura são tra-
çados no espaço ou no corpo do emissor, em uma tridimensionalidade permitida 
pela modalidade da língua. Em relação à colocação dos adjetivos na frase, eles 
geralmente vêm após o substantivo que o qualifica (FELIPE, 2007, p. 121).
Assim, o gênero não se apresenta em Libras para substantivos e adjetivos, mas 
sim quando quer explicitar alguns substantivos dentro de determinados contextos. O sinal 
utilizado para essa distinção é o sinal de homem e o sinal de mulher em conjunto com sinais 
de pessoas ou animais.
FIGURA 14 - GÊNERO (FEMININO/MASCULINO)
Fonte: Arquivos da autora (2021).
84UNIDADE III Apresentação Pessoal
2.10 Pronomes Indefinidos
FIGURA 15 - PRONOMES INDEFINIDOS
Fonte: Capovilla e Raphael (2001), adaptado pela autora. 
85UNIDADE III Apresentação Pessoal
Exemplos:
NINGUÉM (acabar)
FIGURA 16 - USO DO PRONOME INDEFINIDO - NINGUÉM - NA SENTENÇA
Fonte: Arquivo da autora (2021)
NENHUM (não)
FIGURA 17 - USO DO PRONOME INDEFINIDOS - NENHUM (NÃO) - NA SENTENÇA
Fonte: Arquivo da autora (2021)
86UNIDADE III Apresentação Pessoal
FIGURA 18 - USO DO PRONOME INDEFINIDO - NENHUM (NÃO) - NA SENTENÇA
Fonte: Arquivo da autora (2021).
NENHUM-POUQUINHO
FIGURA 19 - USO DO PRONOME INDEFINIDO - NENHUM-POUQUINHO - NA SENTENÇA
Fonte: Arquivo da autora (2021).
87UNIDADE III Apresentação Pessoal
3. TIPOS DE VERBOS EM LIBRAS
Neste tópico veremos como os verbos são divididos em Libras. Focalizamos em 
exemplos que irão te orientar a aumentar seu aprendizado e ter um entendimento satisfa-
tório nesta classe gramatical tão importante.
Apresentamos, as definições dos processos sintáticos de língua de sinais e a forma 
de identificar a formação de frases. Para formar uma frase, é necessário nomear as marcas 
da formação de interrogativa, de acordo com o contexto. Sem falar da inserção dos verbos 
e a concordância da língua de sinais. As construções sintáticas dão mais significado e 
sentido nas captações visuais e mentais, reconhecendo cada elemento na gramática da 
Língua Brasileira de Sinais. 
A sintaxe é a área da gramática que trata da estrutura da sentença. Analisar alguns as-
pectos da Libras requer “enxergar” ou “ler” esse sistema que é viso-espacial e NÃO oral-auditivo.
Os verbos representam as ações. Em Libras alguns verbos apresentam variação 
de acordo com o contexto, por exemplo, não existe sinal para o verbo “ABRIR”, o sinal para 
esse verbo vai depender do contexto, ou seja, o sinal para “abrir a porta” será diferente do 
sinal de “abrir os olhos’, “abrir a porta”, “abrir o pote” entre outros. Veja na figura a diferença:
88UNIDADE III Apresentação Pessoal
FIGURA 20 - VERBOS QUE REPRESENTAM AS AÇÕES
Fonte: Arquivos da autora (2021)
Conforme Quadros e Karnopp (2004), os verbos na Libras estão divididos nas 
seguintes classes:
a) Verbos direcionais: verbos que possuem marca de concordância. A direção 
do movimento, marca no ponto inicial o sujeito e no final o objeto ou a localização. Há 
ainda,uma subclasse dos verbos direcionais cujo momento tem no ponto inicial o objeto ou 
localização e no ponto final o sujeito.
FIGURA 21 - VERBOS DIRECIONAIS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
89UNIDADE III Apresentação Pessoal
b) Verbos direcionais que incorporam o objeto
Exemplo: TROCAR
FIGURA 22 - VERBOS DIRECIONAIS QUE INCORPORAM O OBJETO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
c) Verbos não-direcionais: verbos que possuem marca de concordância. Quando se 
faz uma frase é como se eles ficassem no infinitivo. Os verbos não-direcionais podem aparecer.
 9 Ancorados no corpo: são verbos realizados em contato ou muito próximos do 
corpo. Podem ser verbos de estados cognitivos, emotivos ou experiências, como: 
FIGURA 23 - VERBOS NÃO-DIRECIONAIS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
90UNIDADE III Apresentação Pessoal
E verbos de ação, como: 
FIGURA 24 - VERBOS DE AÇÃO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
 9 Verbos que incorporam o objeto: quando o verbo incorpora o objeto, alguns parâ-
metros modificam-se para especificar as informações do sinal-objeto incorporado.
FIGURA 25 - VERBOS QUE INCORPORAM O OBJETO - COMER
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 26 - VERBOS QUE INCORPORAM O OBJETO - TOMAR/BEBER
Fonte: Arquivos da autora (2021).
91UNIDADE III Apresentação Pessoal
FIGURA 27 - VERBOS QUE INCORPORAM O OBJETO - CORTAR-TESOURA
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 28 - VERBOS QUE INCORPORAM O OBJETO - CORTAR
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Nesta classe de verbos, também estão inclusos verbos classificadores e incorpo-
ram a ação. Mas esse será assunto para a nossa próxima Unidade de Estudos.
3.1 Formação de Palavras
Na Libras também existe uma série de sinais que são derivados e compostos. 
FIGURA 29 - SINAIS DERIVADOS E COMPOSTOS
92UNIDADE III Apresentação Pessoal
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 30 - SINAIS DERIVADOS E COMPOSTOS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
93UNIDADE III Apresentação Pessoal
SAIBA MAIS
SOBRE A TV INES
Acessibilidade, qualidade e inovação: TV INES integra públicos surdo e ouvinte
Parceria do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e da Associação de Co-
municação Educativa Roquette Pinto (ACERP) viabiliza a primeira webTV em Língua 
Brasileira de Sinais (Libras), com legendas e locução.
O País tem mais de 9,7 milhões de pessoas com dificuldade auditiva, de acordo com o 
último censo do IBGE. Por isso, cresce entre surdos e ouvintes o uso da Língua Brasilei-
ra de Sinais (Libras) – reconhecida como meio legal de comunicação e expressão pela 
Lei 10.436, sancionada no dia 24 de abril de 2002.
A estreia da TV INES na internet também se deu num 24 de abril – reforçando a rela-
ção entre a conquista legal dos surdos brasileiros e a conquista de um canal de webTV 
acessível a todos.
A TV INES prioriza Libras e conta com legendas e locução em todos os produtos – o 
que a torna única na proposta de integrar os públicos surdo e ouvinte numa grade de 
programação bilíngue, já que Libras não é a simples gestualização da língua portuguesa 
e tem gramática, sintaxe e léxico próprios.
O desafio diário de produzir um canal de televisão bilíngue e construir narrativas audio-
visuais que conjuguem Libras e Língua Portuguesa, integrando públicos, é enfrentado 
por uma equipe de profissionais de televisão surdos, ouvintes, tradutores intérpretes e 
profissionais do INES.
Na web 24 horas por dia (em streaming e vídeo on demand), com transmissão satelital e 
através de parabólica, e em aplicativos para celulares, tablets e televisões conectadas à 
internet, a TV INES oferece uma grade de programação eclética com foco na comunica-
ção educativa: informação, cultura, entretenimento, esporte, documentários, desenhos 
animados, tecnologia, aulas de Libras, revistas eletrônicas, filmes com legendas descri-
tivas e um talk show em Língua Brasileira de Sinais.
A Roquette Pinto desenvolveu aplicativos que podem ser baixados gratuitamente para 
aparelhos com sistema Android, iOS e Windows Phone. Quem tem uma Samsung Smart 
TV (também chamada de TV conectada) pode acessar a tela Smart Hub, baixar o apli-
cativo da TV INES e ter acesso ao serviço de vídeos sob demanda (VoD). Desde a sua 
estreia, a TV INES conquista de maneira crescente e constante grande audiência nas 
94UNIDADE III Apresentação Pessoal
diferentes plataformas e, em maio de 2014, ganhou o Troféu do Júri no Prêmio Oi Tela 
Viva Móvel – principal premiação para inovação em conteúdo móvel no Brasil. Em 24 
de abril de 2014, data de seu primeiro aniversário, a TV INES presenteou a comunidade 
surda com um portal acessível. Além de assistir a todos os vídeos produzidos e exibidos 
pelo canal, o usuário pode também enviar seus vídeos colaborativos, comentar as publi-
cações, avaliar os programas e interagir com a TV INES nas redes sociais, sem precisar 
sair do portal.
Desenvolvido pela Roquette Pinto com a colaboração de profissionais surdos e ouvin-
tes, o portal da TV INES se inscreve na filosofia da comunidade surda: “nada sobre 
nós, sem nós” e justifica, na prática, o slogan: TV INES – Acessível Sempre.
Fonte: TV INES. Disponível em: http://tvines.org.br/. Acesso em: 26 ago. 2021.
REFLITA 
A pesquisadora Heloisa Maria Moreira Lima em sua publicação “Ensino de Língua Por-
tuguesa para Surdos: caminhos para a prática pedagógica’’ (2007, p. 119 - 120) aborda 
sobre a questão do texto escrito por surdos. Ela diz que o primeiro contato com o texto 
escrito por um surdo é, para o ouvinte, desconcertante. Isso decorre do fato de que o 
ouvinte, que desconhece a realidade do surdo, supõe que o escritor surdo tenha como 
língua única e/ou materna a Língua Portuguesa. 
Uma vez lembrado que a percepção sensorial do surdo é essencialmente visual, tendo 
ele, portanto, acesso restrito, ou nenhum acesso, a modalidade oral do português, o 
ouvinte ainda se surpreende com o fato de que o surdo escolarizado demonstra domínio 
tão restrito da Língua Portuguesa. 
Informado de que o aluno surdo tem a língua de sinais a sua disposição, e que, na esco-
la e nas situações de interação, lida com a língua de sinais de falantes não-nativos, com 
o português sinalizado, com a leitura labial, os gestos, as informações visuais e outras 
estratégias que possam auxiliá-lo na aquisição da língua oral, ainda assim, custa-lhe 
crer que a Língua Portuguesa seja tão opaca para o surdo ou que anos de escolarização 
não tenham o efeito esperado sobre essas pessoas. O fato é que a situação de imersão 
do surdo na cultura ouvinte não é trivial.
95UNIDADE III Apresentação Pessoal
Acadêmico(a), com base nos estudos supracitados pela pesquisadora, gostaria que 
você agora pudesse tirar um tempinho e refletir sobre os textos que serão apresentados 
a seguir. Todos são textos de pessoas surdas em processo de escolarização. Se você 
fosse professor desses estudantes, como você avaliaria tais textos?
Fonte: SALLES, Heloisa M. M. L. Ensino de língua portuguesa para surdos: caminhos para a prática pe-
dagógica. Brasília: MEC, SEESP, 2007.
96UNIDADE III Apresentação Pessoal
Fonte: Arquivos da autora (2021).
97UNIDADE III Apresentação Pessoal
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Finalizando esta unidade de estudos, enfatizamos a morfologia como estrutura 
complexa da Língua Brasileira de Sinais. É importante aprofundar as pesquisas sobre 
os processos morfológicos e suas comparações para um melhor entendimento e “ver” as 
complexidades da língua de sinais, bem como para rever e dar continuidade aos estudos 
da próxima Unidade. 
Para não perder o contato, procure exercitar os “olhos” durante a visualização 
dos links que complementam a teoria desse material didático. Cabe a nós pesquisarmos 
nos sites os vídeos, coletar as narrativas Surdas e fazer comparações por causa da sua 
modalidade viso-espacial, que é distinta da língua falada. Para aprimorarmos mais, é im-
prescindível elaborar a lista da formação sintática, tentar entender, coletar, ler e interpretar 
asclasses gramaticais, os verbos e concordância através das narrativas. 
Nesta Unidade você pôde relembrar que a Libras, mesmo sendo de modalidade 
visuo-espacial, possui aspectos gramaticais como qualquer língua oral-auditiva. Como por 
exemplo, as unidades mínimas da língua de sinais possuem morfemas lexicais e grama-
ticais. Os morfemas lexicais são as unidades convencionadas pela comunidade surda e 
morfemas gramaticais são as unidades que foram acrescidas nos morfemas lexicais.
As Preposições em Libras possuem um número bastante reduzido de elementos, 
sobretudo as relações de lugar.
Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na Libras e sempre estão 
na forma neutra, não havendo, portanto, nem marca para gênero (masculino e feminino), 
nem para número (singular e plural).
Na Língua Brasileira de Sinais – Libras há um sistema pronominal. No singular, o 
sinal para todas as pessoas é o mesmo, ou seja, a configuração da mão predominante é em 
“d” o que difere uma das outras é a orientação. No plural, configuração em “P”. 
Os pronomes em Libras são: pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, lugar, 
pronomes possessivos, pronomes interrogativos 
Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais, é como se os verbos ficas-
sem na frase quase sempre no infinitivo.
98UNIDADE III Apresentação Pessoal
LEITURA COMPLEMENTAR 
Acadêmico (a), a Cartilha “A Classificação Indicativa na Língua Brasileira 
de Sinais” foi produzida em 2009 pelo Ministério da Justiça e traz orientações acerca da 
acessibilidade comunicacional de pessoas surdas às produções audiovisuais, sobretudo as 
veiculadas em TVs. É importante que você busque conhecer essas orientações, que podem 
ser encontradas no link: http://www.librasgerais.com.br/materiais-nclusivos/downloads/
Cartilha_libras.pdf 
Em especial, quero destacar a página 28 desta cartilha que nos orienta na comuni-
cação com pessoas surdas:
Fonte: LIBRAS Gerais. A classificação indicativa na Língua Brasileira de Sinais. Disponível em: 
http://www.librasgerais.com.br/materiais-nclusivos/downloads/Cartilha_libras.pdf. Acesso em: 26 ago. 2021.
http://www.librasgerais.com.br/materiais-nclusivos/downloads/Cartilha_libras.pdf
99UNIDADE III Apresentação Pessoal
MATERIAIS COMPLEMENTARES
Caro (a) acadêmico (a), como material complementar nesta Unidade de Estudos 
sugiro uma atividade lúdica para iniciar sua prática em Libras através do diálogo curto. 
Espero que se divirta sinalizando e busquem ampliar o vocabulário em Libras. O jogo foi 
criado pela autora deste material didático, caso você não saiba sinalizar algumas palavras 
que aparecem nos cartões.
Faça uma busca no dicionário on-line de Libras disponível no link: 
https://www.ines.gov.br/dicionario-de-libras/ 
JOGO EU PERGUNTO, QUEM RESPONDE?
● O jogo é composto por 36 cartelas, sendo 18 cor de rosa contendo as perguntas 
e 17 de cor amarela contendo as respostas das perguntas.
● A professora entregará aleatoriamente as cartelas cor de rosa e amarelas para 
os alunos.
● Todos deverão ler suas cartela e depois encontrar seus pares, ou seja: um aluno 
fará a pergunta e outro responderá.
● Todas as cartelas são numeradas para facilitar o encontro dos pares.
● Ao encontrar a dupla os alunos deverão treinar a sinalização e ao comando da 
professora sinalizar para a turma toda a pergunta e a resposta.
100UNIDADE III Apresentação Pessoal
Fonte: Arquivos da autora (2021).
LIVRO 
Título: Língua de Sinais Brasileira Estudos Linguísticos
Autor: Ronice Muller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp.
Ano: 2004.
Sinopse: Neste livro, as autoras descrevem e analisam a língua de 
sinais brasileira, apontando, de modo competente, seus aspectos 
fonológicos, morfológicos e sintáticos.
FILME / VÍDEO 
Título: Aprenda LIBRAS com eficiência e rapidez (vocabulários 
básicos)
Ano: 2009.
Sinopse: Éden Veloso é surdo ministra aulas de Libras na região de 
Curitiba e através de suas experiência sentiu-se motivado a criar um 
material junto com seu amigo Valdeci Maia, com o objetivo principal 
de inserir os ouvintes no universo dos surdos. O vídeo é fruto do 
livro do autor, intitulado Aprenda LIBRAS com eficiência e rapidez 
e apresenta sinais básicos utilizados na região sul - Paraná.
No vídeo “Mãos Sinais” você aprenderá os sinais da região do 
Sul – Paraná, acesse o link: http://www.youtube.com/watch?v=m-
BeLLxSUW9k 
101UNIDADE III Apresentação Pessoal
FILME / VÍDEO 2
Título: A Vida em Libras – Gramática I
Ano: 2016.
Sinopse: Heveraldo Ferreira mostra sinais em Libras e curiosida-
des da vida cotidiana. Cultura, esportes, educação, gastronomia 
e situações do dia a dia são alguns dos temas que o A Vida em 
Libras aborda, sempre com o auxílio de animações, locuções e 
legendas. O tema deste vídeo GRAMÁTICA I, explica e mostra os 
sinais de fonologia, morfologia, sintaxe, vogais, consoantes e as 
classes gramaticais, como substantivo, adjetivo, artigo e numeral.
No vídeo “A vida em Libras – Gramática I” você conhecerá os 
conceitos e os sinais de fonologia, morfologia, sintaxe, vogais, 
consoantes, substantivos, adjetivos, artigos e numerais, acesse o 
link: http://tvines.org.br/?p=14113 
FILME / VÍDEO 3
Título: A Vida em Libras – Gramática II
Ano: 2016
Sinopse: Heveraldo Ferreira mostra sinais em Libras e curiosidades 
da vida cotidiana. Cultura, esportes, educação, gastronomia e situa-
ções do dia a dia são alguns dos temas que o A Vida em Libras 
aborda, sempre com o auxílio de animações, locuções e legendas. 
O tema deste vídeo, GRAMÁTICA II, dá continuidade ao vídeo 
anterior, de Gramática I, explica as classes gramaticais e mostra 
seus sinais. Neste episódio, foi incluído pronomes e suas variações, 
advérbios, verbos, preposições, conjunções e interjeições.
No vídeo “A vida em Libras – Gramática II” você conhecerá terá 
a explicação das classes gramaticais em Libras: pronomes e suas 
variações, advérbios, verbos, preposições, conjunções e interjei-
ções, acesse o link: http://tvines.org.br/?p=14117 
FILME / VÍDEO 4
Título: Aula de Libras - Verbos I e II
Ano: 2014.
Sinopse: Com apresentação do professor Heveraldo Ferreira, 
o Aula de Libras é destinado a surdos e ouvintes que querem 
aprender a Língua Brasileira de Sinais. Com o auxílio de anima-
ções, locuções e legendas, o professor ensina, passo a passo, 
os sinais básicos para se comunicar a partir do vocabulário de 
temas específicos como família, escola, dias da semana, meios 
de transporte, cultura, entre outros. Para apresentar a temática 
Verbos I, Heveraldo Ferreira esteve na Biblioteca Parque Estadual 
e na Biblioteca Nacional e ensina os sinais dos verbos, que são 
importantes para a comunicação dos surdos. Já para o ensino de 
Verbos II, Heveraldo foi ao Centro Cultural do Liceu Português, 
enquanto Áulio e Renato continuam na Biblioteca Nacional, para 
ensinar verbos de sentimentos, movimentos e atividades.
Nos vídeos “Aula de Libras – Verbos I e II” você aprenderá os 
sinais dos verbos, que são importantes para a comunicação dos 
surdos, acesse o link: http://tvines.org.br/?p=3304 
102
Plano de Estudo:
● Os Processos de Formação de Sinais; 
● Verbos Classificadores;
● Classificadores na Libras;
● Tipos de Classificadores na Libras.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conhecer e utilizar adequadamente os verbos de locomoção 
e os verbos classificadores e seu sistema de flexão;
● Construir frases com verbos de locomoção e com verbos classificadores;
● Diferenciar classificadores de adjetivos descritivos;
● Conhecer os vários tipos de verbos classificadores na Libras.
UNIDADE IV
Os Classificadores na Libras
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell
103UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
INTRODUÇÃO
Caro (a) Acadêmico (a), 
O uso das estratégias para o estabelecimento de pontos espaciais é muito sofis-
ticado na língua de sinais. Nós já estudamos a apontação e as suas diferentes funções, o 
jogo de papéis, os sinais definidos ao serem realizados em pontos específicos no espaço.Nesta Unidade de Estudos, vamos aprofundar nosso conhecimento e uso dos 
verbos classificadores, conhecendo os seus dez tipos.
O termo “classificadores” é utilizado, na Libras, no sentido de uma configuração de 
mão geral que pode substituir vários sinais de uma determinada categoria.
Na Libras há classificadores para objetos, que são usados para descrever alguma 
coisa; há, também, os classificadores que incorporam a ação e o objeto ao mesmo tempo.
Os classificadores podem ser realizados em pontos específicos do espaço, assim 
como os sinais específicos, ou serem usados incorporando os pontos por meio de movi-
mentos, assim como alguns sinais já descritos em outras unidades.
104UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
1. OS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE SINAIS 
Quando se divide um sinal para estudá-lo, os cinco parâmetros, que você já conhe-
ceu na Unidade II, podem ser também comparados a “pedacinhos” de um sinal porque, não 
em todos, mas em muitos sinais, eles têm significados, são morfemas que se juntam ao 
radical do sinal em determinados contextos, assim:
a) A expressão facial/corporal pode ser:
FIGURA 1 - UM ADVÉRBIO DE MODO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
105UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
FIGURA 2 - UM INTENSIFICADOR
Fonte: Arquivos da autora (2021).
b) A alternância do movimento pode ser:
FIGURA 3 - UMA MARCA DE ASPECTO OU MODO DE REALIZAÇÃO DA AÇÃO:
Fonte: Arquivos da autora (2021).
106UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
FIGURA 4 - UM INTENSIFICADOR
Fonte: Arquivos da autora (2021).
c) A configuração de mão pode ser um classificador, ou seja, uma marca de gê-
nero (animado: pessoa e animais / inanimado: coisas e veículos). Essa marca 
prende-se ao verbo.
d) O ponto de articulação pode ser uma marca de concordância verbal com o 
locativo – adjunto adverbial de lugar.
e) A orientação da mão pode ser:
● Uma concordância verbal número-pessoal;
● Um advérbio de tempo. Exemplos: ANO e ANO-PASSADO.
Como a maioria desses parâmetros tem a função de marcadores de concordância 
verbal, é no nível sintático, ou seja, quando os sinais estão sendo utilizados em frases, que 
eles se modificam devido às regras de combinação.
● Verbos de Locomoção
Basicamente na Libras, há dois tipos de verbo:
a) Verbos que não possuem marca de concordância
b) Verbos que possuem marca de concordância
Quando se faz uma frase com verbos do primeiro grupo, é como se eles ficassem 
no infinitivo, já que não se alteram mesmo mudando as pessoas do discurso, mas eles 
admitem modificadores com intensificadores ou advérbios de modo. 
null
107UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Por exemplo: 
FIGURA 5 - VERBOS MODIFICADORES COM INTENSIFICADORES E ADVÉRBIOS DE MODO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
108UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
FIGURA 6 - VERBOS DE LOCOMOÇÃO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Meios de transporte podem também ser utilizados na função de verbo, por exemplo:
FIGURA 7 - VERBOS LIGADOS AO SUBSTANTIVO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
109UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
2. VERBOS CLASSIFICADORES
A síntese do texto a seguir é parte do artigo da pesquisadora Tanya A. Felipe 
(2002), intitulado “Sistema de flexão verbal na Libras: os classificadores enquanto 
marcadores de flexão de gênero”.Vários lingüistas, que têm pesquisado línguas de sinais, 
têm demonstrado que estas línguas possuem vários tipos de classificadores e, como os 
linguistas que têm pesquisando sobre classificadores nas línguas orais-auditivas, aqueles 
também estão tendo posicionamentos diferenciados ao fazerem tipologias dos classifica-
dores ou especificar as funções que eles exercem. O ponto em comum está na definição 
de classificador como sendo certas configurações de mãos que funcionam como morfemas 
que marcam certas características de um objeto nas línguas de sinais. Frishberg (1975), 
Kegl e Wilbur (1976) e Supalla (1978).
As divergências estão nos enfoques em relação a estes morfemas classificadores:
● Klima e Bellugi et al (1979) apresentaram um sistema de configurações de mãos 
que seriam classificadores na ASL, ou seja, as configurações de mãos especifi-
cam uma característica do objeto ou do modo como se seguraria um objeto;
● Kegl (1985) apresentou estas configurações como sendo clíticos formantes das 
raízes verbais, existindo o clítico de proeminência e o de fundo;
● Padden (1990) apresentou verbos classificadores, que possuem configurações 
de mãos que concordam com o sujeito ou objeto na frase, mas não especificou 
qual seria este tipo de concordância;
110UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
● Pedersen e Pedersen (1983) preferem o termo pró-forma ao em vez de clas-
sificador como Edmondson (1990), que analisando o fenômeno na língua de 
sinais dinamarquesa, concluiu que as configurações nos verbos de movimento 
e localização seriam morfemas que caracterizariam os referentes, de modo 
icônico, em situações estáticas ou dinâmicas, já que a iconicidade estaria mais 
em relação às categorias animado/inanimado, dimensionalidade, orientação, 
entre outras, do que em relação à forma.
Todas estas pesquisas apresentaram ou aspectos fonológicos e morfológicos ou 
sintáticos dos classificadores enquanto afixos ou itens lexicais.
Na tipologia e morfologia dos Classificadores da ASL de Supalla (1986), pesquisa 
que sistematiza seus trabalhos anteriores e que tem sido ponto de referência para vários 
pesquisadores.
A configuração de mão é uma marca de concordância de gênero: PESSOA, ANI-
MAL, COISA, VEÍCULO. Verbos que possuem concordância de gênero são chamados de 
verbo classificador porque concordam com o sujeito ou objeto da frase. Como, por exemplo, 
o verbo CAIR que, dependendo do sujeito da frase, terá uma configuração para concordar 
com a pessoa, a coisa, o animal ou veículo:
FIGURA 8 - VERBO CLASSIFICADOR PARA PESSOA, ANIMAL, COISA E VEÍCULO 
111UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Fonte: Arquivos da autora (2021).
112UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
3. CLASSIFICADORES NA LIBRAS
Muitos classificadores são icônicos em seu significado pela semelhança entre a sua 
forma ou tamanho do objeto a ser referido. Às vezes o classificador refere-se ao objeto ou ser 
como um todo, outras refere-se apenas a uma parte ou característica do ser (BRITO, 1995).
Nas línguas do mundo, os elementos que constituem as formas linguísticas podem 
ser de vários tipos. Ou seja:
 – Uma desinência, como em português, que classifica os substantivos e os adje-
tivos em masculino e feminino: menina – menino;
 – Uma partícula que se coloca antes ou depois da raiz;
 – Uma desinência que se coloca no verbo para estabelecer concordância.
Ao se atribuir uma qualidade a uma coisa como, por exemplo: arredondada, qua-
drado, cheio de bolas, de listras, entre outras, isso tudo representa um tipo de classificação 
porque é uma adjetivação descritiva.
Para os estudiosos deste assunto, um classificador é uma forma que existe em 
número restrito em uma língua e estabelece um tipo de concordância.
Na Libras, os classificadores, são configurações de mão que relacionadas à coisa, 
pessoa, animal e veículo, funcionam como marcadores de concordância.
113UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Assim, na Libras, os classificadores são formas que, substituindo o nome que as 
precede, podem ser presas à raiz verbal para classificar o sujeito ou o objeto que está ligado 
à ação do verbo. Portanto, os classificadores na Libras são marcadores de concordância de 
gênero: PESSOA, ANIMAL, COISA, VEÍCULO.
Os classificadores para PESSOA e ANIMAL podem ter plural, que é marcado ao se 
representar duas pessoas ou animais simultaneamente com as duas mãos ou fazendo um 
movimento repetido em relação ao número.
Os classificadores para COISA representam, através da concordância, uma carac-
terística desta coisa que está sendo o objeto da ação verbal, exemplos:
FIGURA 9 - CLASSIFICADORES, OBJETO DAAÇÃO VERBAL
 
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Portanto, não se deve confundir os classificadores, que são algumas configura-
ções de mão incorporadas ao movimento de certos tipos de verbos e que são obrigatórias, 
com os adjetivos descritivos que, nas línguas de sinais, por estas serem gestos-visuais, 
representam iconicamente qualidades de objetos. Por exemplo, para dizer nestas línguas 
que “uma pessoa está vestindo uma blusa de bolinhas, quadriculada ou listrada”, estas 
expressões adjetivas serão desenhadas no peito do emissor, mas esta descrição não é um 
classificador, e sim um adjetivo que, embora classifique, estabelece apenas uma relação de 
qualidade do objeto e não relação de concordância de gênero: PESSOA, ANIMAL, COISA, 
VEÍCULO que é a característica dos classificadores na Libras, como também em outras 
línguas orais e de sinais.
114UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Portanto, atenção!
Os adjetivos descritivos são sinais e por isso não se modificam sintaticamente 
para concordar com o sujeito ou objeto da frase, eles apenas apresentam uma qualidade/
característica do substantivo descrito iconicamente, ou seja, imitando ou desenhando essa 
característica, por exemplo:
FIGURA 10 - ADJETIVOS DESCRITIVOS, CARACTERÍSTICAS ICÔNICAS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
115UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
4. TIPOS DE CLASSIFICADORES NA LIBRAS
4.1 Classificador descritivo
As descrições visuais podem ser captadas de acordo com as imagens dos objetos 
animados ou inanimados. Observam-se aspectos tais como: som, tamanho, textura, pala-
dar, tato, cheiro, “olhar”, sentimentos ou formas visuais, bem como a localização e a ação 
incorporada ao classificador.
Na descrição visual para referir a forma, tamanho, textura, paladar, cheiro, senti-
mentos, “olhar”, ou desenhos de forma assimétrica ou simétrica é utilizado, dependendo da 
situação, uma mão ou duas. Exemplos:
FIGURA 11 - CLASSIFICADORES DESCRITIVOS
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021.
null
116UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
4.2 Classificador especificadores
A sua função é descrever visualmente a forma, o tamanho, a textura, o paladar, o 
cheiro, os sentimentos, o “olhar”, os “sons” do material, do corpo da pessoa e dos animais. 
Exemplos:
FIGURA 12 - CLASSIFICADORES ESPECIFICADORES
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021.
4.3 Classificador partes do corpo
Retrata uma parte específica do corpo em uma posição determinada ou fazendo 
uma ação. A configuração da mão retrata a forma de uma parte do corpo. Exemplos: 
FIGURA 13 - CLASSIFICADORES PARTES DO CORPO
117UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021.
4.4 Classificador locativo
Retrata um objeto como lugar determinado em relação a outro objeto. Exemplos: 
FIGURA 14 - CLASSIFICADORES LOCATIVOS
118UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021.
4.5 Classificador Semântico
Tem a função semelhante ao Classificador de locativo, por retratar um objeto em um 
lugar específico (às vezes indicando movimento). A configuração da mão retrata o objeto todo 
e o retrata abstratamente (muito pouco ou não se relaciona a aparência do objeto). Exemplos: 
FIGURA 15 - CLASSIFICADORES SEMÂNTICOS
119UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
4.6 Classificador do Plural
A configuração de mão substitui o objeto em si sendo repetido várias vezes. Exemplo: 
FIGURA 16 - CLASSIFICADORES DO PLURAL
120UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
Fonte: Adaptação dos sinais pela autora (2021). PEXELS. Disponível em: 
https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
121UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
4.7 Classificador instrumental
É a incorporação do instrumento descrevendo a ação gerada por ele.
FIGURA 17 - CLASSIFICADORES INSTRUMENTAIS
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
4.8 Classificador do corpo
É o classificador que descreve como uma ação acontece na realidade por meio da 
expressão corporal de seres animados. Exemplo:
122UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
FIGURA 18 - CLASSIFICADORES DO CORPO
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
4.9 Classificador de elemento
Esses classificadores retratam movimentos de “elementos” ou coisas que não são 
sólidas, isto é, ar, fumaça, água/líquido, chuva, fogo, luz.
Exemplos:
FIGURA 19 - CLASSIFICADORES DE ELEMENTO
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
123UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
4.10 Classificador de nome e número
Esses classificadores utilizam as configurações das mãos do alfabeto manual ou os 
números, mas são parte de uma descrição. Exemplos:
FIGURA 20 - CLASSIFICADORES DE NOME E NÚMERO
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
124UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
SAIBA MAIS
O projeto Literatura Didática em Libras é uma atividade de extensão com professores e 
alunos do Departamento de Libras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 
As narrativas originais e humorísticas, foram criadas em Libras para alunos surdos ini-
ciantes de Libras. O foco principal está na configuração de mão e nos elementos não 
manuais, o destaque desse material é explorar o humor surdo, realizado em Libras. O 
conteúdo das histórias mostra a cultura surda e a cultura brasileira. Cada uma dessas 
narrativas curtas, conta com ilustrações que apoiam e ampliam as ideias visuais dos 
sinais. Os professores podem usar estas histórias para estimular a aprendizagem da 
Libras, do humor e dos tópicos nas narrativas. Esse trabalho faz parte da Antologia de 
Literatura em Libras, organizado dentro do projeto Documentação da Libras, que tem o 
objetivo de disponibilizar materiais de literatura em Libras para professores de Libras. 
Escrita e apresentada por Marina Teles, Juliana Tasca Lohn, Anna Luiza Maciel, Rodri-
go Custódio da Silva, Bruno Araújo de Freitas e Hélio Alves de Melo Neto. Ilustração: 
Aldenisa Peixoto. Edição: Martin Haswell. Equipe de apoio: Jaqueline Boldo, Donna Jo 
Napoli, Rachel Sutton-Spence. 
Link: https://vimeo.com/showcase/6241328
Fonte: VIMEO. Literatura didática em Libras. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Disponível 
em: https://vimeo.com/showcase/6241328. Acesso em: 29 ago. 2021.
125UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
REFLITA
As autoras Maria Amin, Maria Lúcia e Ozana Vera, retratam a história de Ana, uma meni-
na com um grande mistério a resolver: por que quando as pessoas ao seu redor mexem 
a boca conseguem o que querem, seja na escola, seja na padaria, seja no mercado, e 
ela mexe a boca do mesmo jeito e ninguém a compreende?
A história “Um mistério a resolver: o mundo das bocas mexedeiras” mostra, com 
sensibilidade e clareza, às crianças e adultos, surdos e ouvintes como a descoberta da 
surdez e a prática da Língua de Sinais - Libras representa um passo fundamental para 
a inclusão do surdo no mundo que o cerca.
Acadêmico(a), você pode encontrar essa história facilmente na internet, contada por vá-
rias pessoas, selecionamos dois links para que você conheça mais essa literatura com 
personagens surdos e reflita sobre a importância da comunicação em língua de sinais. 
História “Um mistério a resolver: o mundo das bocas mexedeiras” em Libras.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=kHjqd6y4E-U 
 
História “Um mistério a resolver: o mundo das bocas mexedeiras” em Língua Portuguesa.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=jDobuSH3iug&t=110s
Fonte: PORSINAL. Disponível em: https://www.porsinal.pt/index.php?ps=biblioteca&idt=liv&cat=40&id-
bib=885. Acesso em: 29 ago. 2021. (Textoadaptado do site).
126UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta Unidade de Estudos, você visualizou e experienciou através das várias 
sugestões de materiais complementares que foram propostos, que os classificadores são, 
geralmente usados para especificar o movimento e a posição de objetos ou para descrever 
o tamanho ou a forma de objetos. 
Aprendeu também, que os sinais que utilizam classificadores são considerados 
como léxico nativo, mas formam outro componente no léxico das línguas de sinais, pois 
essas formações podem violar restrições formacionais do núcleo lexical. Nestes, a con-
figuração da mão, o movimento e o ponto de articulação podem especificar atributos do 
predicado e as qualidades de um referente, ou seja, o classificador pode ser um predicado 
completo, contendo o verbo e o objeto em um único sinal. Na função verbal, esse classifi-
cador pode ter flexão. No registro da avaliação expressiva, é marcado o emprego ou não 
de classificadores. 
Acadêmico (a), ler os sinais é um exercício desafiante e ao mesmo tempo encan-
tador, porque é nesse contato com a prática da língua de sinais que nós aprendemos e 
compreendemos as sensações, as percepções, a sinalização e forma de comunicação dos 
usuários de Libras. 
127UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
LEITURA COMPLEMENTAR
Vernáculo Visual 
O Vernáculo Visual (também conhecido como VV) é a técnica de contar histórias 
de uma forma muito visual sem utilizar o vocabulário de sinais. É um estilo que tem as 
raízes na tradição surda de contar de modo cinematográfico histórias, em que todos os 
personagens, a paisagem e o narrador são apresentados pelo contador.
O VV não é nem exatamente Libras nem totalmente mímica. Algumas pessoas 
entendem que o VV foi criado pelo ator surdo americano Bernard Bragg, porém a ideia 
de contar histórias com sinais e gestos fortemente visuais não vem apenas dele. Bernard 
Bragg afirmou: 
Marcel Marceau me convidou para estudar mímica com ele em Paris. Eu criei 
uma outra técnica de performance baseada no método dele. Desenvolvi algo 
que chamei VV – que é uma forma de mímica. Não é uma estrutura tradicio-
nal de mímica. Eu diminuí o tamanho do quadro e utilizei técnicas de filme. 
Usei edições e cortes, close-ups e perspectivas de distância. Eu fui o primeiro 
a usar esse estilo que chamei de Vernáculo Visual por falta de um termo me-
lhor (NATHAN-LERNER e FEIGEL, 2009, p. 10). 
O poeta surdo americano Peter Cook explicou com muita clareza a diferença entre 
o Vernáculo Visual e o uso de classificadores em línguas de sinais. Nessa explicação, ele 
mostra também elementos de mímica, um pouco diferentes da definição de Bragg. 
Vale a pena assistir ao vídeo curto O vernáculo visual e o uso de classificadores em 
línguas de sinais, de Peter Cook (ele usa uma mistura de ASL, Libras e sinais internacionais, 
mas quem conhece a Libras é capaz de entender), disponível no link: VV ou Classificadores 
Peter Cook - YouTube
Os classificadores pertencem à linguística. O VV, por outro lado, é como a 
atuação no teatro. É uma técnica de teatro. Existe uma escala entre os dois. 
Numa extremidade da escala temos os classificadores. Com os classificado-
res, por exemplo, eu posso mostrar uma pessoa caminhando e avançando, 
junto a uma expressão facial de descuido, mas o classificador significa que a 
pessoa está caminhando a pé. Um pouco mais na direção do VV, aumenta o 
uso de expressão facial e o movimento do corpo. Mais próximo ao VV ainda, 
continuo com o classificador na mão, mas uso mais o corpo e até mexo as 
pernas. Finalmente, na extremidade da escala do VV, posso tirar o classifi-
cador e usar os braços, as mãos e até as pernas e os pés para mostrar o 
verdadeiro corpo do personagem caminhando. Assim, temos uma escala e 
podemos escolher o que queremos de qualquer ponto dessa escala. Mas a 
extremidade de VV não é linguística e na extremidade linguística temos os 
classificadores. São bastante diferentes, mas há muita flexibilidade onde po-
demos escolher os sinais nos pontos da escala (COOK, 2018, ). 
128UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
O Jaguadarte, de Aulio Nóbrega, facebook jabberwocky aulio_10_novembro_2015 
(ufsc.br) e O Modelo do Professor Surdo, Poema Modelo do professor surdo sem legenda 
unicamp - YouTube de Wilson Santos são dois exemplos de VV (bastante diferentes nos 
tópicos e nos modos de apresentação).
Fonte: SUTTON-SPENCE, Rachel. Literatura em Libras, livro eletrônico, Petrópolis, 2021. Disponí-
vel em: http://www.literaturaemlibras.com/. Acesso em: 30 ago. 2021.
129UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Livro Ilustrado de Língua Brasileira de Sinais 
Autor: Márcia Honora; Mary Lopes Esteves Frizanco 
Ano: 2009, 2010 e 2011
Sinopse: Os livros desvendam a comunicação usada pelas pes-
soas com surdez e enfocam o conhecimento da Língua Brasileira 
de Sinais (LIBRAS) através de campos semânticos de forma visual 
e elucidativa, tendo como objetivo diminuir a barreira de comunica-
ção entre ouvintes e surdos. 
LIVRO 2
Título: 6 Fábulas de Esopo em Libras vol. 2
Autor: Nelson Pimenta.
Ano: 2009.
Sinopse: A fábula é um texto de ficção. As fábulas são narrativas 
em que os personagens são animais personificados que repre-
sentam histórias sobre a vida humana. O objetivo final da fábula 
é realizar um ensinamento através de uma lição de moral. Nelson 
Pimenta apresenta as seguintes fábulas: A raposa e as uvas; As 
gêmeas e o galo; O cão e o pelicano; Os pelicanos amigos; O cão 
e o osso e O sol e o vento.
LIVRO 3
Título: Configurações de Mãos em Libras
Autor: Nelson Pimenta.
Ano: 2011.
Sinopse: As configurações de Mãos (CM) constituem um dos 
parâmetros gramaticais das línguas de sinais. Na Libras, o pro-
fessor e pesquisador Nelson Pimenta catalogou sessenta e uma 
CM, mostradas neste vídeo-dvd interativo com exemplos, para ser 
utilizado em sala de aula, pesquisas ou mesmo para divertidas 
atividades com familiares e amigos.
130UNIDADE IV Os Classificadores na Libras
LIVRO 4
Título: Literatura em LSB - Poesia, Fábula, Histórias Infantis
Autor: Nelson Pimenta.
Ano: 2011.
Sinopse: O ator surdo Nelson Pimenta, representa um contador 
de histórias para o público infanto-juvenil. Nesse vídeo o ator traz 
a fábula “O passarinho diferente”, além de histórias infantis “Os 
três porquinhos” e “Chapeuzinho vermelho”. Os vídeos/dvs de 
Nelson Pimenta direcionam-se a todos aqueles que querem ver 
ou conhecer as fábulas, bem como aprender ou aprimorar a língua 
de sinais brasileira, ou seja, surdos e ouvintes que trabalham ou 
estudam a língua de sinais.
FILME / VÍDEO 
Título: As Aventuras de Pinóquio em Língua de Sinais Brasileira
Autores: Nelson Pimenta e Carlos Freitas (roteiro adaptado).
Ano: 2006.
Sinopse: Um dos clássicos da literatura infanto-juvenil, “As 
aventuras de Pinóquio” (romance italiano escrito no séc. XIX pelo 
italiano Carlo Collodi) ganha uma adaptação em Libras traduzida 
pelo surdo Nelson Pimenta. A famosa história do pequeno bone-
co-menino de madeira (que, ao mentir, via o seu nariz aumentar) 
criado por Gepeto e acompanhado por um Grilo Falante (persona-
gem surgido em uma das adaptações da versão original) torna-se 
disponível em Língua de Sinais.
131
REFERÊNCIAS
BAHAN, B. Comment on turner. Sign Language Studies, Washington DC, n. 83, p. 241-249, 
1994.
BAHAN, B. Face-to-Face Tradition in the American Deaf Community: Dynamics of the Teller, 
the Tale, and the Audience. In: BAUMAN, D. L., NELSON, J. L. e ROSE, H. M. Signing the 
Body Poetic: Essays on American Sign LanguaLanguage Literature. 1. ed. Los Angeles: UC 
PRESS, 2006, cap. 2, p. 21-50.
BAKER, C.; COKELY, D. American Sign Language: A Teacher’s Resource Text on Grammar 
and Culture. Silver Spring, MD: T.J. Publishers, 1980.
BAKER, C.; PADDEN, C. A. Focusing on the Nonmanual Components of American Sign 
Language. In: SIPLE, P. (Ed.). Understanding Language through Sign Language Research.New York: Academic Press, 1978. p. 27-57. 
BAKER-SHENK, C. A. Micro-Analysis of the Nonmanual Components of Questions in Ame-
rican Sign Language. Doctoral Dissertation, University of California, Berkeley, 1983. 
BATTISON, R. Lexical borrowing in american sign language. Silver Spring. MD: Linstok, 
1978.
BRASIL. Lei 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – 
Libras e dá outras providências. Brasília: MEC, 2002.
BRITO, L. F. Por uma gramática de Língua de Sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 
1995.
CAMPELLO, Ana Regina. Aspectos da Visualidade da Educação de Sujeitos Surdos. Tese 
de Doutorado. Florianópolis: UFSC, 2008.
CAMPELLO, Ana Regina. Deficiência auditiva e Libras. Centro Universitário Leonardo da 
Vinci - Indaial: Grupo Uniasselvi, 2009.
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Os Classificadores na Libras
4
Plano de Estudo:
● Experiência visual: o ouvir pelos olhos e o falar com as mãos;
● Componentes não manuais: expressões faciais e corporais na Libras;
● A percepção e o processamento visual espacial dos surdos;
● Os aspectos da visualidade na educação dos surdos;
● A descrição imagética na Libras;
● Signo visual e suas propriedades na Libras.
Objetivos da Aprendizagem:
● Adquirir noções básicas da Libras reconhecendo 
os aspectos visuais que compõem a língua;
● Desenvolver a consciência espacial, as expressões faciais 
e corporais e a percepção visual na língua de sinais;
● Registrar o conceito de descrição imagética;
● Identificar os processos de formação de sinais, analisando os 
conhecimentos linguísticos e culturais dos sujeitos surdos.
UNIDADE I
Divisão da Língua de Sinais:
Aspectos da Visualidade
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell
5UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
INTRODUÇÃO
Iniciamos esta unidade com um questionamento reflexivo a você acadêmico(a)!
Já parou para pensar, se de repente você se visse obrigado(a) a se comunicar 
sem emitir sons, usar as mãos e as expressões faciais e corporais para ser compreen-
dido(a)? Não te parece estranho, ter que criar estratégias para que as pessoas possam 
compreender seus pensamentos, seus sentimentos, suas emoções, seus conhecimentos, 
as informações, através de uma emissão não baseada em sons e falas orais? Você já 
parou para observar um grupo de surdos conversando? O que você sentiu? Como você se 
sentiria se estivesse no meio deles por alguns instantes?
Se você já teve essa experiência, posso imaginar algumas das suas respostas ou 
reflexões para cada um desses questionamentos, se você ainda não teve essa experiência, 
sugiro que comece aos poucos a ir observando e tentando refletir sobre isso.
Um dos pontos que certamente você irá perceber é a forma criativa que os surdos 
estabelecem para se comunicar através da comunicação visuo-espacial, o uso das expres-
sões faciais e corporais, a sinalização rápida, o direcionamento dos olhos, os apontamentos, 
são pontos muito destacados nessa comunicação, a isso, damos o nome de experiência 
visual da surdez, ou seja, a ausência da audição faz com que os surdos recorram a outros 
caminhos para interagir e desenvolver suas necessidades de compreensão linguística. 
Não podemos confundir essa forma de comunicação como mímica, como muitas 
pessoas erroneamente o fazem. Já estudamos anteriormente que a língua que os surdos 
brasileiros utilizam em sua comunicação, ensino e aprendizagem (LIBRAS), passou a ser 
reconhecida através da Lei 10.436/2002, sendo assim, ela tem o mesmo status linguístico 
que as línguas orais, no caso do Brasil, a Língua Portuguesa. 
Assim, a Libras é uma língua natural, relacionada aos costumes e à cultura da co-
munidade surda brasileira, que flui de uma necessidade de comunicação entre as pessoas 
que utilizam a modalidade ou visuo-espacial para se comunicar.
A experiência visual dos surdos, os componentes não-manuais, a percepção e o 
processamento visual espacial, os aspectos da visualidade na educação dos surdos, a 
descrição imagética e o signo visual e suas propriedades, a partir de agora farão parte dos 
nossos estudos que estão subdivididos em tópicos neste material didático. 
6UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
1. EXPERIÊNCIA VISUAL: O OUVIR PELOS OLHOS E FALAR COM AS MÃOS
Para iniciarmos os estudos deste capítulo, propomos apresentar uma síntese sobre 
a modalidade visuo-espacial, escrito por Heloisa Maria Moreira Lima Salles et al. (2007 
p. 83-84) o texto a seguir é um convite para que você, acadêmico(a) mergulhe a fundo 
nas reflexões abordadas no livro de Salles, et al. (2007) intitulado: “Ensino de Língua 
Portuguesa para Surdos: caminhos para a prática pedagógica”, vol. I.
Na caracterização das línguas de sinais, o primeiro aspecto a considerar é que essas 
línguas utilizam a modalidade visuo-espacial, que se distingue da modalidade oral-auditiva, 
utilizada pelas línguas orais. Essa oposição remete ao cerne do conceito de linguagem, 
suas propriedades e manifestações. 
Como salienta Brito (1995, p. 11), a linguista brasileira pioneira no estudo da Língua 
Brasileira de Sinais (Libras), o canal visuo-espacial pode não ser o preferido pela maioria 
dos seres humanos para o desenvolvimento da linguagem, posto que a maioria das línguas 
naturais são orais-auditivas, porém é uma alternativa que revela de imediato a força e a 
importância da manifestação da faculdade de linguagem nas pessoas.
Heloisa Maria M. L.Salles et al. (2004), em Ensino de língua portuguesa para sur-
dos: caminhos para a prática pedagógica, comenta:
7UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
Um aspecto que se sobressai no contraste entre as modalidades visuo-es-
pacial e oral-auditiva é a questão da arbitrariedade do signo linguístico. Esse 
conceito estabelece que, na constituição do signo linguístico, a relação entre 
o significante (imagem acústica / fônica) e o significado é arbitrária, isto é, não 
existe nada na forma do significante que seja motivado pelas propriedades 
da substância do conteúdo (significado). Uma característica das línguas de 
sinais é que, diferentemente das línguas orais, muitos sinais têm forte motiva-
ção icônica. Não é difícil supor que esse contraste se explique pela natureza 
do canal perceptual: na modalidade viso-espacial, a articulação das unida-
des da substância gestual (significante) permite a representação icônica de 
traços semânticos do referente (significado), o que explica que muitos sinais 
reproduzam imagens do referente; na modalidade oral-auditiva, a articulação 
das unidades da substância sonora (significante) produz sequências que em 
nada evocam os traços semânticos do referente (significado), o que explica o 
caráter imotivado ou arbitrário do signo linguístico nas línguas orais (SALLES 
et al., 2004, p. 83).
Para compreender melhor sobre a construção da experiência visual das pessoas 
surdas, Strobel (2008) exemplifica que os surdos conseguem andar ao mesmo tempo em 
que escrevem a mensagem no celular, diferentemente dos ouvintes. Isso porque, com a 
impossibilidade ou dificuldade de ouvir, os surdos se baseiam na visão e, portanto, desen-
volvem uma atenção visual muito grande, percebendo mais detalhes do que os ouvintes. 
Também possuem uma comunicação facial bastante expressiva e usam o corpo e muitos 
gestos para se fazerem entender.
Sob esse ponto de compreensão é possível entender que, não há uma comunica-
ção sem o estabelecimento do olhar, e, esse olhar além de estar associado à gramática 
espacial, também é pré-requisito que contribui na organização dos espaços físicos.
Vivenciar a surdez como ‘experiência visual’ permite que o surdo possa compreen-
der e interagir com o mundo, e no mundo, por meio da sua cultura, suas experiências, sua 
língua, suas representações e produções. A língua visual-espacial é capaz de dar ao surdo 
o direito de pensar, sonhar e planejar as coisas em sua língua natural.
A língua de sinais acontece em um espaço de sinalização que inclui o próprio corpo 
sinalizante e o espaço à frente do seu corpo. Os sinais serão feitos neste espaço, como 
você pode observar no vídeo The Giving Tree in American Sign Language, acessando: 
https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M
FIGURA 1 - A REPRESENTAÇÃO DA ÁRVORE NA HISTÓRIA E O SINAL ÁRVORE
Fonte: SILVERSTEIN. The giving tree in American Sign Language. 2013. Disponível em:
 https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M. Acesso em: 26 ago. 2021. 
8UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
FIGURA 2 - SINAL DE ÁRVORE
Fonte: SILVERSTEIN. The giving tree in American Sign Language. 2013. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M.Typological studies in language: noun classes and categorization, 7, p. 181-214. Amster-
dam, Philadelphia: John Benjamin Publishing Company.
TELLES, Marina. Vaca Surda de Salto Alto, 2019. Disponível em: https://vimeo.
com/356033857. Acesso em: 30 ago. 2021. In: SUTTON-SPENCE, Rachel. Literatura em 
Libras, livro eletrônico, Petrópolis, 2021. Disponível em: http://www.literaturaemlibras.com/. 
Acesso em: 30 ago. 2021. 
136
CONCLUSÃO GERAL
Prezado (a) acadêmico (a)!
Chegamos ao fim de mais uma disciplina, mas, com a certeza de que será o iní-
cio da sua longa caminhada de descobertas sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras. 
Foram tantos conceitos teóricos/práticos abordados durante o estudo das Unidades que te 
possibilitam entrar no mundo das experiências visuais, da comunicação visual-espacial dos 
surdos, do “ouvir com os olhos e falar com as mãos”.
Conversamos muito na Unidade I sobre a atenção do olhar, imprescindível na co-
municação com as pessoas surdas, no aprendizado da língua e na execução dos sinais. A 
morfologia nos ajudou compreender melhor a estrutura da Libras e suas regras gramaticais 
baseadas nos parâmetros da língua de sinais, foi durante os estudos da Unidade II que per-
cebemos que para se comunicar em Libras, não basta saber o alfabeto manual ou conhecer 
os sinais, é preciso utilizar esses sinais a partir de combinações entre as configurações 
de mão, pontos de articulação, orientações de mão e expressões faciais e corporais. Para 
ampliar esse conhecimento, buscamos exemplificar e perceber essas combinações em 
algumas literaturas surdas.
A Unidade III, foi fantástica! Porque permitiu que você se aventurasse com a prática 
da língua de sinais, buscando executar os sinais de forma adequada, formal e informal. 
Conhecer os pronomes nas Libras te ajudaram a iniciar a comunicação com a comunidade 
surda executando seus primeiros sinais e formação de frases curtas.
Por fim, você viu que os aspectos morfológicos e sintáticos da Língua Brasileira de 
Sinais, trazem em sua constituição linguística os verbos, os classificadores, o sistema de 
flexão e a construção das frases.
Todos esses aspectos visuais e gramaticais abordados neste material didático 
foram fundamentais para que você compreendesse que a Libras mesmo sendo de moda-
lidade visuo-espacial, é tão complexa como qualquer língua oral-auditiva como a Língua 
Portuguesa, sendo imprescindível o estudo e contato diário com essa língua. 
137
A partir de agora esperamos que se envolvam cada vez mais com essa língua, que 
os conteúdos que dialogamos aqui tenham sido enriquecedores para o seu aprendizado e 
que você possa durante essa disciplina ter sentido vontade de conversar com os surdos, 
colocando em prática os sinais de acordo com os contextos que você aprendeu. 
Não perca tempo! Você já é capaz de iniciar uma comunicação com os surdos! 
Acredite em você!
Até uma próxima oportunidade, abraços sinalizados!
+55 (44) 3045 9898
Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro
CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR
www.unifatecie.edu.br
	UNIDADE I
	Divisão da Língua de Sinais:
	Aspectos da Visualidade
	UNIDADE II
	Conversando em Libras
	UNIDADE III
	Apresentação Pessoal
	UNIDADE IV
	Os Classificadores na LibrasAcesso em: 26 ago. 2021.
The giving tree (em português: A árvore generosa) que é traduzido em várias lín-
guas, inclusive em línguas de sinais e latim. A análise do texto sinalizado foi feita com 
foco no uso da mão passiva e ativa na ação construída para a representação dos dois 
personagens principais da história
O texto faz uso frequentemente dos classificadores, da mudança de papel e da pers-
pectiva do sinalizador. Também é rico em expressões faciais e recursos não manuais. A árvore 
é representada pelo corpo do sinalizador. Para indicar a vida da árvore (as folhas, flores e 
os frutos), o sinalizador usa a configuração de mão, principalmente com as duas mãos, que 
indicam os galhos da árvore. Na verdade, a forma das mãos refere-se ao sinal ÁRVORE. 
Somente quando o sinalizador quer representar o menino é que usa uma das mãos 
(em sinal de ÁRVORE) como mão passiva. A mão ativa então representa o menino, incor-
porando a inflexão dos verbos direcionais. No final da história, quando a árvore não tem 
galhos, o sinalizador não usa as mãos e a configuração de mão (em sinal de ÁRVORE). Aliás, 
para indicar o tronco cortado da árvore, o sinalizador se curva e a parte superior do corpo é 
abaixada. Assim, existe uma metáfora. O corpo para cima demonstra a vida (a árvore viva 
com galhos, flores, frutos), e o corpo para baixo, o fim da vida (a árvore sem galhos e com o 
tronco cortado). A perspectiva do sinalizador é baseada nessa contradição, e os recursos não 
manuais (por exemplo, o olhar do sinalizador) são direcionados por esta relação espacial; 
para cima, quando representa a árvore, e para baixo, quando representa o menino.
9UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
● Conectando objetivos com estrutura: a mudança de papel
Objetivo: Reconhecer a mudança de papéis como um marcador da mudança de 
sujeito e/ou objeto, bem como o uso do olhar para indicar o sujeito em uma sinalização.
FIGURA 3 - MUDANÇA DE PAPÉIS NA SINALIZAÇÃO
Fonte: adaptado pela autora: SILVERSTEIN. The giving tree in American Sign Language, 2013. 
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M. Acesso em: 26 ago. 2021.
Para Campello (2008), o papel do olhar, movimentos dos lábios, estufar das boche-
chas, boca em forma de “canudo”, movimentos das sobrancelhas, movimentos oculares, 
movimentos da testa, movimentos da cabeça, movimentos da face direita ou da esquerda 
puxando os lábios para cima ou para baixo e diversas formas da expressão facial são muito 
importantes: neles se mostra o “termômetro” em cada medida dos sinais ou dos gestos, 
para dar sentido ou dar o valor de tamanho ou de forma. As representações, associadas 
com as expressões faciais do narrador ou sujeito surdo, completam e acabam qualificando 
o signo visual em sinal.
10UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
2. COMPONENTES NÃO MANUAIS: EXPRESSÕES FACIAIS E CORPORAIS 
 NAS LIBRAS
A Libras conta com uma série de componentes não manuais, conforme Quadros e 
Karnopp (2004) esses componentes referem-se às expressões faciais e aos movimentos 
do corpo produzidos durante a realização do sinal ou realizados isoladamente para marcar 
construções sintáticas – marcar sentenças interrogativas, relativas, concordância, tópico 
e foco, marcar referência específica, referência pronominal, negação, advérbios, grau ou 
aspecto, bem como para marcar afetividade conforme ocorre nas línguas naturais e podem 
muitas vezes definir ou diferenciar significados entre sinais.
Muitos ouvintes ao iniciarem seus estudos e aprendizagem na área da língua de 
sinais apresentam bastante dificuldades em compreender a diferença que a expressão 
da face tem para marcar aspectos gramaticais. Vejamos alguns depoimentos e relatos de 
alunos ouvintes iniciantes da aprendizagem da Libras:
“É uma dificuldade pra gente de trabalhar a expressão facial...”
“A expressão facial não é uma coisa rotineira para nós ouvintes, e por isso é tão difícil.” 
“O professor contou uma piada para nós. É a primeira vez que “ouço” uma piada 
de surdos e contada por um surdo, e me impressiona muito a capacidade do professor 
surdo de mostrar os sentimentos através do corpo, da fase e do olhar também. Não é só as 
mãos que falam, mas o conjunto. Para pessoas contidas como eu é um “baile” desenvolver, 
além das mãos, essa capacidade de falar com o corpo! Depois em outra atividade ele 
nos chamou a atenção para a expressão facial. Particularmente tenho bastante dificuldade 
neste aspecto: cara de gesso!” 
null
11UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
A expressão facial e corporal é o quinto parâmetro na Língua Brasileira de Sinais e 
pode traduzir alegria, tristeza, raiva, amor, encantamento, entre outros sentimentos, dando 
mais sentido à Libras e, em alguns casos, determinando o significado de um sinal, como, 
por exemplo:
FIGURA 4 - EXPRESSÕES FACIAIS ASSOCIADAS ÀS PALAVRAS
Fonte: arquivos da autora (2021).
FIGURA 5 - EXPRESSÕES FACIAIS ASSOCIADAS ÀS PALAVRAS
Fonte: arquivos da autora (2021).
12UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
Para os usuários de língua de sinais, as expressões faciais têm duas funções distin-
tas: as afetivas, capazes de expressar as emoções (assim como nas línguas faladas) e as 
gramaticais que se subdividem em lexicais e sentenciais (como orações relativas), servindo 
para distinguir funções linguísticas, uma característica única das línguas de modalidade 
visual-espacial.
FIGURA 6 - EXPRESSÕES FACIAIS AFETIVAS
Fonte: arquivos da autora (2021).
FIGURA 7 - EXPRESSÕES FACIAIS AFETIVAS
Fonte: arquivos da autora (2021).
13UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
FIGURA 8 - EXPRESSÕES FACIAIS GRAMATICAIS
Fonte: arquivos da autora (2021).
FIGURA 9 - EXPRESSÕES FACIAIS ASSOCIADAS À SENTENÇA INTERROGATIVAS
Fonte: arquivos da autora (2021).
14UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
FIGURA 10 - EXPRESSÕES FACIAIS ASSOCIADAS 
À SENTENÇAS AFIRMATIVAS OU NEGATIVAS
Fonte: arquivos da autora (2021).
FIGURA 11 - EXPRESSÕES FACIAIS ASSOCIADAS À SENTENÇAS EXCLAMATIVAS
Fonte: arquivos da autora (2021).
Os trabalhos de Baker e Cokely (1980), Baker e Padden (1978) e Baker-Shenk 
(1983) são estudos que analisam a importância das expressões não-manuais expressa 
pela face (sobrancelhas franzidas, piscar dos olhos, movimentos de lábios) e pelo corpo 
(movimento de cabeça e tronco). Os estudos de Baker-Shenk (1983) serviram de base 
para Ferreira-Brito e Langevin (1995) identificarem as marcas não manuais em Libras. É 
importante registrar que duas expressões não manuais podem ocorrer simultaneamente, 
como podemos observar nas frases apontadas por Quadros apud Strobel (1995, p. 25), e 
sinalizadas pela autora deste material didático:
15UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
FIGURA 12 - EXPRESSÕES FACIAIS ASSOCIADAS ÀS CONSTRUÇÕES SINTÁTICAS
PORTUGUÊS LIBRAS Expressão
Você encontrou 
seu amigo?
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de interrogação)
Você encontrou seu amigo. VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de afirmação)
Você encontrou seu amigo! VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de alegria)
Você encontrou 
seu amigo!?
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de dúvida/desconfiança)
Você encontrou seu amigo. VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de negação)
Você encontrou seu amigo? VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de interrogação/negação)
Fonte: adaptado de: Strobel (1995).
16UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
3. A PERCEPÇÃO E O PROCESSAMENTO VISUAL ESPACIAL DOS SURDOS
Quando falamos em surdez como experiência visual, Skliar, (2013, p. 28) esclarece 
que todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas de com-
preender o universo em seu entorno, se constroem como experiência visual. O autor ainda 
em seus estudos complementa: 
Ao definir a surdez como uma experiência visual, que constitui e especificaa 
diferença, não estou restringindo o visual a uma capacidade de produção e 
compreensão especificamente linguística ou a uma modalidade singular de 
processamento cognitivo. Experiência visual envolve todo tipo de significa-
ções, representações e/ou produções, seja no campo intelectual, linguístico, 
ético, estético, artístico, cognitivo, cultural etc (SKLIAR, 1998, p. 11).
Assim, reconhecer e valorizar a importância da experiência visual para os sujeitos 
surdos, como forma peculiar de apreender o mundo e de posicionar-se diante dele, não 
só abre caminhos para que este se constitua na sua diferença, como também cria possi-
bilidades no seu processo de aprendizagem, levando em consideração às características 
visuais, gestuais e espaciais da língua de sinais. 
Para Campello (2008) essa experiência visual do surdo está relacionada à percep-
ção de signos visuais, e a partir dessa percepção os surdos criam os significados que irão 
compor a sua comunicação sinalizada: 
O signo visual nascido ou criado culturalmente pela comunidade Surda está 
em constante pesquisa, uma vez que envolve uma dada percepção visual 
e construção de ideias e imagens visualizadas que regem ou se constituem 
como princípios da língua natural e da modalidade comunicativa que pos-
sibilita a comunicação interativa entre os Surdos em um mesmo ambiente 
linguístico ou distinto deles. Os signos visuais (ou do som da palavra para os 
oralizados) criam uma língua quando repassam uma ou várias informações 
para o cérebro e essa passa para uma ação verbal ou sinalizada (CAMPE-
LLO, 2008, p. 100).
17UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
Nessa linha de pensamento, Campello (2008, p. 91) ressalta que a Língua de Sinais 
tem “inúmeras formas de apreensão, interpretação e narração do mundo a partir de uma 
cultura visual”, o que significa que a Língua de Sinais, no âmbito da experiência visual, 
não pode ser pensada apenas em seus aspectos estruturais, mas ancora-se também na 
exploração da visualidade do sujeito.
Sobre a experiência visual apontada por Campello (2008), temos que a cultura 
surda e identidade surda são formadas pelas experiências e pelos saberes do povo surdo. 
Todo o povo surdo traz consigo a experiência de ser surdo – e esta é uma experiência 
surda individual. Contudo, quando essa experiência pessoal se mistura com os saberes 
provenientes das experiências de outras pessoas surdas, incluindo aquelas que vêm do 
passado ou de outros lugares, nós podemos encontrar a cultura surda (BAHAN, 1994). 
Então, existem muitas formas pelas quais as pessoas surdas podem adquirir saberes do 
mundo surdo, todavia a Literatura Surda se torna uma das mais importantes. 
A Literatura Surda produzida pelos artistas surdos advém das suas experiências e 
dos saberes presentes no seu mundo surdo. Assim, os surdos levam adiante a sua cultura 
(linguística e de outros saberes) para outros surdos. 
A Literatura Surda pode incluir a escrita por surdos, mas é principalmente uma 
literatura em línguas de sinais, quase sempre produzida por pessoas surdas. Pode ser 
original (criada pelos próprios autores surdos), traduzida ou adaptada. Essas traduções e 
adaptações nem sempre são traduções de textos, mas sim de outros recursos como filmes 
e teatros (BAHAN, 2006). 
A Literatura Surda em língua de sinais é uma manifestação artística (com poemas, 
narrativas, teatros, piadas, entre outros) criada e apresentada por surdos. Entende-se que 
determinada produção faz parte da Literatura Surda se ela é criada e apresentada por 
surdos, o conteúdo mostra elementos da cultura surda, o público-alvo é um público de 
surdos, e/ou a forma de apresentação é por meio da língua dos surdos. A centralidade 
está na linguagem estética visual, a qual tem suas origens no uso da língua cotidiana, 
mas se modifica e se destaca por ser “diferente”, principalmente por aumentar a produção 
das imagens visuais. O objetivo das produções literárias é criar imagens visuais fortes e 
inesperadas. Por isso, podemos identificar alguns elementos nas narrativas, piadas, teatros 
e poemas em Libras que chamam a atenção para o aspecto visual.
As produções literárias focalizam o uso do espaço. Os sinais que costumam ser 
colocados no espaço de sinalização tendem a ser altamente icônicos, ou seja, apresentam 
uma função majoritariamente ilustrativa, criando imagens impressionantes. O espaço, além 
de icônico, tende a ser metafórico. A incorporação dos personagens mostra diretamente 
como são estes personagens, quais os seus sentimentos e como ele se comporta. Essa 
“ação construída”, também conhecida como “incorporação”, é um recurso muito valorizado 
na Literatura Surda no qual o artista recria os personagens por intermédio do seu próprio 
corpo, como vimos anteriormente no tópico I: The giving tree (em português: A árvore ge-
nerosa). A incorporação literária muitas vezes usa o exagero, com movimentos maiores e 
expressões não manuais mais fortes do que na simples conversa.
18UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
4. OS ASPECTOS DA VISUALIDADE NA EDUCAÇÃO DOS SURDOS
Ser professor de alunos surdos significa considerar suas singularidades de apreen-
são e construção de sentidos, as possibilidades de leitura de imagens se bem exploradas 
pelo professor, vai na mesma direção da construção desses sentidos. Martins (2010) com-
plementa que:
[...] para que [o professor] possa garantir uma prática adequada e eficaz, 
precisa desenvolver uma pedagogia visual e ser capaz de “transformar as 
palavras, as frases, as significações, os signos em outros signos visuais, ou 
seja, em “palavras visuais” em imagem, porque isso facilita muito para os 
surdos (MARTINS, 2010, p. 39).
A “experiência visual” na educação de surdos e na escolarização dos surdos com 
suas demandas de recursos gesto-visual e espacial aproxima-se sobremaneira da mesma 
tendência da chamada Sociedade da Visualidade, a sociedade da imagem. Como diz Jobim 
e Souza (2000, p.115), “vivemos na sociedade da visualidade, da estetização da realidade, 
da transformação do real em imagens [...]”. 
Nesse contexto as questões da surdez relacionadas à comunicação com base em 
signos visuais se destacam e se coadunam com as características do tempo contemporâneo: 
a visualidade anteriormente citada. Assim, a surdez passa a ser considerada e reconhecida 
por parâmetros diferentes dos tradicionais. Apresentamos, na sequência, o pensamento de 
alguns autores sobre tais questões que já foram ressaltadas por Skliar (1998):
19UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
TABELA 1 - A SURDEZ E A EXPERIÊNCIA VISUAL
 ► Wrigley (1996) afirma que é preciso compreender “a surdez não como uma questão de audiologia, 
mas em um nível epistemológico” (apud SKLIAR, 1998, p.10). 
 ► Skliar (1998, p.11) destaca, por sua vez, que “A surdez constitui uma diferença a ser politicamente 
reconhecida; a surdez é uma experiência visual”. A surdez não é mais considerada como patologia 
clínica terapêutica e sim como uma “experiência visual”. 
 ► Skliar (1995, p. 13) lembra que a Surdez está “ancorada em práticas de significação e de represen-
tações compartilhadas entre os Surdos”. Os signos visuais e suas interpretações variam de acordo 
com a subjetividade visual, representatividade visual e pensamento visual dos sujeitos Surdos. 
 ► Luklin (1998, p. 44) diz que “O conhecimento dos códigos do ver e do olhar de uma cultura visual 
possibilita outras interpretações e favorece os ‘estrangeiros’ que se aproximam da comunidade de 
pessoas Surdas”, facilitando o conhecimento pela visualidade e com os signos visuais. 
 ► Lane (1992, p. 38) aponta que é “mencionada muita coisa sobre as perdas auditivas e nada sobre o 
aumento da percepção visual e raciocínio”.
Fonte: Skliar (1998).
A “experiência visual” em consonância com o tema aspectos da visualidade na 
Educação de Surdos, relacionado ao processo de ensinar e aprender com os Surdos, é 
assunto poucopesquisado, estudado e trabalhado aqui no Brasil, por vários fatores, dentre 
esses gostaríamos de destacar: 
● ausência de uma política educacional específica para a educação dos surdos; 
● exigência de integração dos componentes curriculares aos aspectos da visualidade 
na educação de Surdos;
● a área é ainda destinada a poucos, pois os estudos da imagem visual, da semió-
tica imagética e mesmo da língua de sinais estão presentes como disciplina em 
raros cursos secundários ou superiores.
Esses pontos comentados têm como objetivo chamar a atenção para uma outra 
questão importante relacionada ao processo de ensinar e aprender: o registro escrito dos 
conteúdos “ensinados”. Os signos da língua dos sujeitos surdos possuem um caráter vi-
sual, independentemente da escrita e da oralidade. Esses possuem um “outro” modo de 
olhar, com percepções do mundo pautadas nesse caráter visual que difere do caráter da 
fala, que tem a palavra como signo. O registro por e com a escrita do português pode ser 
realizado de forma mecânica, sem “nada dizer” ao aluno surdo, mesmo que as anotações 
sejam feitas por ele. É sabido que muitos alunos não-surdos são exímios copistas sem que 
compreendam nada do que escrevem. As palavras para eles não possuem valor de signo.
20UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
Para entender melhor sobre a aprendizagem por meio da visualidade com diversas 
formas de representação presentes no nosso dia a dia, recorremos às experiências visuais 
dos surdos e aliamos aos estudos da pesquisadora professora doutora Fernandes (2006) 
sobre “Práticas de letramentos na educação bilíngue para surdos” , em que a pesqui-
sadora apresenta um roteiro de leitura com base na experiência visual, afirmando que esse 
canal sensorial deve ser amplamente explorado nos sujeitos surdos, e que a representação 
dos símbolos visuais estão intrinsecamente ligados ao processamento cognitivo, possibili-
tando a construção de conhecimentos.
No quadro a seguir, Fernandes (2006) define melhor como seria a Seleção 
de Textos para iniciar um roteiro de leitura com os surdos, alertando que é necessário 
selecionar textos que apresentam linguagem verbal e não-verbal, para que o aluno surdo 
possa fazer as associações entre as linguagens e constituir os sentidos no texto, como, 
por exemplo: fotografias, desenhos, caricaturas, cartazes, outdoors, folhetos, informativos, 
revistas, jornais, gibis, artes plásticas e cênicas, vídeos com trechos de programas de TV 
(novelas, humorísticos, propagandas...), filmes (legendados, preferencialmente), games 
eletrônicos, softwares, entre outros.
TABELA 2 - SELEÇÃO DE TEXTOS
Elementos intertextuais (Conhecimento prévio)
 ■ Exploração do conhecimento prévio das informações do texto, fazendo relações com o cotidiano 
dos alunos sobre o tema proposto, questionando os alunos e conduzindo as hipóteses de leitura, por 
meio do diálogo em Libras. 
 ■ Organizar perguntas que conduzam à ‘adivinhação’ das palavras e/ou expressões desconhecidas 
presentes no texto. Se necessário, associar pistas visuais como desenhos, ícones, etc. 
 ■ Seleção de aspectos que organizam o texto escrito e o inserirem em determinado gênero (carta, reporta-
gem, notícia, bulas...) tipologia (narração, descrição, argumentação...) e formalidade (formal/informal). 
 ■ Explorar sinais de pontuação (travessões, exclamações, interrogações...); a organização em verso 
ou prosa; o uso de maiúsculas/minúsculas como recurso estilístico; as caixas de texto, os des-
taques, as notas de rodapé, os asteriscos, a cor e o formato das letras, as marcas da oralidade 
(repetições, reduções de palavras, gírias, dialetos...).
 ■ Seleção de aspectos gramaticais desconhecidos pelos alunos surdos: ordem dos constituintes (su-
jeito-verbo-objeto), conhecimento de gênero e número (concordância nominal), concordância verbal 
(tempo/pessoa...), colocação pronominal, entre outros. 
Fonte: Fernandes (2006).
null
21UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
Para Fernandes (2006) esse primeiro passo é importante porque permite ao aluno 
surdo combinar descrições imagéticas com as pistas textuais, com essa associação o 
professor poderá interagir com seu aluno, estimulando-o a refletir sobre as imagens e as 
palavras já conhecidas ou não por ele. 
A seguir propomos duas imagens que poderão nos ajudar a compreender melhor 
esse processo de exploração da experiência visual:
FIGURA 13 - LINGUAGEM VERBAL FIGURA 14 - LINGUAGEM NÃO-VERBAL
Perceba que na imagem acima se os textos 
trouxeram apenas informações escritas, se 
apresentaram como grandes cartas enigmáti-
cas, como comparativamente a leitura desse 
texto em árabe nos pareceria.
Já com esta imagem mesmo sem as informações es-
critas, seria possível criar estratégias para conduzir 
o olhar do aluno para as ideias centrais do texto (lin-
guagem não-verbal). Explorar o conhecimento prévio 
sobre a imagem, realizar relações com o cotidiano, 
chamar a atenção para as pistas de palavras que não 
estão descritas na imagem, mas podem ser mais fami-
liares aos alunos, induzir o raciocínio para associações 
importantes, questionar e conduzir hipóteses de leitu-
ra, ampliar o vocabulário com informações novas e etc. 
22UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
5. A DESCRIÇÃO IMAGÉTICA NA LIBRAS
Morfologicamente, dentro da especificidade da estrutura icônica, a transferência 
de tamanho serve para representar o signo visual do Urso Grande em sinais, e se utiliza da 
descrição imagética para representá-la, como mostra a forma do corpo e do tamanho do 
urso e em seguida, a descrição corporal e da grandeza do urso, como você pôde observar 
nas imagens acima.
Isso reflete a transferência da percepção visual, cujos detalhes são transferidos 
mentalmente para o signo visual e, consequentemente, repassam para a imagem visual 
que acaba transmitindo o tamanho por meio de sinais.
É sempre bom relembrar que na estrutura icônica cada língua de sinais representa 
seus referentes, ainda que de forma icônica, convencionalmente porque cada uma vê os obje-
tos, seres e eventos representados em seus sinais sob uma determinada ótica ou perspectiva. 
Por exemplo, o sinal ÁRVORE em Libras representa o tronco da árvore através do antebraço e 
os galhos e as folhas através da mão aberta e do movimento interno dos seus dedos.
Outros exemplos:
23UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
FIGURA 15 - SINAIS ICÔNICOS
Fonte: arquivos da autora (2021).
Também há um tipo de transferência icônica metafórica, como poderemos citar 
os exemplos: sabemos que a cor amarela semanticamente é diferente da cor amarela 
como objeto de pintura, e corresponde à forma que se assemelha com a cor do sol para 
demonstrar a visualidade mais chocante. A cor é um signo abstrato, mas sinalizamos a cor 
amarela junto com a metáfora ou com expressões chamativas que possam denominar a 
cor, como ouro, pessoa doente (de malária), as cores das flores (margaridas ou girassóis). 
Culturalmente, a cor preta associa-se com a cor da morte, do terror, da infelicidade, do 
prenúncio de dias ruins etc. A cor branca denuncia a inocência, a brancura da neve, a 
pureza etc. Todos os signos que sinalizamos denotam a expressividade da suavidade ou 
do grotesco, dependendo da manifestação das cores.
Esses sinais podem ser incorporados como adjetivos, aumentativos, diminutivos, 
advérbios, e toda a gramática, como outras línguas, mas com suas próprias especificidades 
e particularidades. 
A sintaxe na Libras é a área da gramática que trata da estrutura da sentença. E anali-
sar alguns aspectos dessa língua requer “enxergar” ou “ler” esse sistema que é viso-espacial 
e não oral-auditivo. Os mecanismos espaciais apontados por Quadros e Karnopp (2004 p. 
127-133) que são importantes para estruturar a sintaxe da língua de sinais são os seguintes: 
a) Local particular – são os espaçospara definir a localização espacial acompa-
nhada com o referente. Quando sinalizam determinados sinais sempre acom-
panham com a direção do olhar, dependendo da direção (lado esquerdo, lado 
direito, em cima, embaixo etc).
24UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
b) Direcionar a cabeça, os olhos e o corpo – é um dos mecanismos espaciais 
para definir onde os movimentos da cabeça, dos olhos ou do corpo estão e 
acompanham juntamente com a “apontação” ou de um sinal para determinado 
referente ao substantivo ou ponto de locação.
c) Apontação ostensiva – é uma apontação para associar a locação com deter-
minado substantivo ou ponto de locação. 
d) Usar o pronome – com a apontação para determinar a referência no ponto de 
locação. 
e) Usar um classificador – é um mecanismo muito importante, e utiliza-se como 
“transferência imagética”, cujos detalhes são transferidos mentalmente para o 
signo visual e, consequentemente, repassar para a imagem visual que acaba 
transmitindo o tamanho, forma, espaço, e dá o “toque visual” por meio de sinais. 
Também se usa para representar o referente em descrições imagéticas. 
f) Usar um verbo direcional – os verbos são recursos muito úteis para direcionar 
do ponto da partida ao ponto de chegada para determinados sinais. 
g) Estabelecer o referente – é um dos instrumentos para definir o referente mes-
mo visível ou não visível em determinadas locações espaciais. 
h) Marcação não-manual – é a expressão facial e gramatical que complementa o 
discurso por meio de movimentos da cabeça e movimentos do corpo. 
25UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
6. SIGNO VISUAL E SUAS PROPRIEDADES NA LIBRAS
Se você conseguiu ler a mensagem acima sem dificuldades é porque seu dicionário 
mental reconheceu todas as letras e lhes atribuiu um sentido, não necessitando soletrar 
letra por letra para compreender a palavra invertida. 
É esse o mecanismo cognitivo que permitirá que os surdos passem da palavra ao 
significado, sem conhecer seus sons!
Como ocorre com a gramática em todas as línguas, a Libras possui ordem básica 
da frase que é a SVO (Sujeito, Verbo e Objeto). Segundo as pesquisas da Libras, as regras 
gramaticais admitem também a flexibilidade na sentença. Pode ser também OSV e SOV 
quando há concordância e as marcas não-manuais. Podemos observar os exemplos: 
SVO - EL@ VENDER UVA
OSV – UVA EL@ VENDER
SOV – EL@ UVA VENDER
O advérbio varia, assim como mostra a sentença em sinais: 
AMANHÃ J-O-Ã-O VENDER UVA ou J-O-Ã-O VENDER UVA AMANHÃ.
26UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
Da topicalização muda a ordem da frase de acordo com a prosódia, ou das senten=
-ças interrogativas ou da afirmativa ou de negação, assim como: 
Afirmativa: MAÇÃ, J-O-Ã-O GOSTA 
Negativa: MAÇÃ, J-O-Ã-O NÃO GOSTA
Interrogativa: EST@ MAÇÃ, ONDE J-O-Ã-O PEGAR
Quanto à estrutura sintática a Libras possui gramática diferenciada da Língua 
Portuguesa, portanto, não pode ser estudada com base no português. A construção de um 
enunciado obedece regras próprias que refletem a forma de o surdo processar suas ideias, 
com base em sua percepção visual espacial da realidade. Vamos ver alguns exemplos na 
tabela de como isso acontece:
TABELA 3 - ESTRUTURA SINTÁTICA 
Exemplo (1)
Libras: EU IR CASA (verbo direcional)
Português: “Eu irei para casa”
(observe que /para/ não se usa em Libras porque está incorporado ao verbo)
Exemplo (2)
Libras: FLOR EU – DAR MULHER ^ BENÇÃO (verbo direcional)
Português: “Eu dei a flor para a mamãe.”
Exemplo (3)
Libras: PORQUE ISTO (expressão facial de interrogação)
Português: “Para que serve isto?”
Exemplo (4)
Libras: IDADE VOCÊ (expressão facial de interrogação)
Português: “Quantos anos você tem?”
Fonte: Strobel e Fernandes (1998).
Há alguns casos de omissão de verbos na Libras, como vamos exemplificar:
TABELA 4 - OMISSÃO DE VERBOS NA LIBRAS
Exemplo (1)
Libras: CINEMA O-P-I-A-N-O MUITO BO@
Português: “O filme O Piano é maravilhoso!”
Exemplo (2)
Libras: PORQUE PESSOA FELIZ-PULAR
Português: “...porque as pessoas estão felizes demais!”
Exemplo (3)
Libras: PASSADO COMEÇAR FÉRIAS EU VONTADE DEPRESSA VIAJAR
Português: “Quando chegaram as férias, eu fiquei ansiosa pra viajar”
Fonte: Strobel e Fernandes (1998).
27UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
A estrutura Semântica e Pragmática na Libras também apresenta distinção entre 
a língua falada ou escrita, como no caso da língua portuguesa. Na língua portuguesa, a 
estrutura semântica e pragmática se aborda em relação com os sentidos das palavras e 
das frases, por exemplo: “Me lambuzo todo chupando manga” e “Não posso sair com essa 
manga rasgada”. Os sinais, na sua maioria, não são correspondidos com as palavras da 
língua portuguesa, por exemplo: 
a) ÔNIBUS IGUAL COBRA – se refere a ônibus que faz muitos trajetos e leva muito tempo para chegar;
b) TOCAR-VIOLINO – se refere à “monotonia” ou “ser monótono”; 
c) CONHECER – se refere a JÁ TER-ESTADO (conhece em algum lugar); 
d) VIVER – se refere à pessoa que está em determinado lugar.
 SAIBA MAIS
● Signo: é a união de um conceito com uma imagem acústica, que não é o som ma-
terial, físico, mas a impressão psíquica dos sons, perceptível quando pensamos 
numa palavra, mas não a falamos. 
● Signo Visual: é a união de um conceito com imagem visual com a impressão psí-
quica da imagem, perceptível quando pensamos num significado.
● Percepção Visual: é uma de várias formas de percepção associadas à visão. Con-
siste na habilidade de detectar as descrições e interpretar (ver) as consequências 
do estímulo da imagem, do ponto de vista lógico e cognitivo. 
● Descrição Imagética: os detalhes são transferidos mentalmente para o signo vi-
sual e consequentemente repassam para a imagem visual que acaba transmitindo 
o tamanho e o grau por meio de sinais.
● Experiência Visual: na teoria cultural e de Estudos Surdos, a língua de sinais vem 
construída e absorvida visualmente juntamente com a cultura do sem som. As percep-
ções visuais e suas experiências visuais, no dia a dia, com seus “próprios significados 
não-sonoros” transportam aquilo que foi vivenciado por meio da língua de sinais.
● Aspectos da Visualidade: pela ausência do som, criamos as nossas informações 
sobre a cultura do seu criador em detrimento da maioria da comunidade Surda e 
seus usuários que perderam ou nunca tiveram contato com a língua de sinais. O 
artefato varia e é acrescido ao longo do tempo, dependendo da evolução da tecno-
logia, de novas descobertas e dos recursos de que nós necessitamos para viver por 
meio da visão.
 Fonte: Campello (2009).
28UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
REFLITA 
Acadêmico(a), estamos chegando ao final dos nossos estudos do capítulo I, mas ainda 
há tempo para uma prazerosa reflexão em forma de poema “O Balé das mãos” de Ale-
xis Pier Aguayo, que reflete a beleza da comunicação visual-gestual, em sua cadência 
e força. Te convido a acessar o Link e perceber na tradução em língua de sinais pelo 
intérprete Quintino Martins Oliveira, como as mãos são capazes de dançar e criar o 
mundo ao seu redor. 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=U-7bpBFkoAI 
O Balé das Mãos 
Em meio a mil palavras
 Um único gesto molda toda a expressão do sentimento 
O corpo se expressa com desenvoltura
 E as mãos seguem graciosamente cada movimento 
Ouvidos trocados pelos olhos em uma escuta atenciosa 
E o balé das mãos segue incansável e incessante. 
O Silêncio quebrado às vezes pelo baque das mãos
 Só o silêncio, e as mãos seguem de forma majestosa. 
Cada par de mãos, iguais, e ao mesmo tempo diferentes. 
Dando mais uma graça a esse belíssimo espetáculo 
Onde cada movimento completa o próximo, e é completado pelo anterior. 
Cada forma, expressando todo o sentimento em si, presente.
E mesmo no fim quando elas dão o sinal de adeus no fim do espetáculo, 
A levamos em nossa memória, em nossa almae coração. 
A recordação daquela dança de movimentos, expressões e sentimentalismo, 
A magia fantástica do glorioso Balé das mãos. 
Alexis Pier Aguayo 
Fonte: Alexis Pier Aguayo (2016).
29UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Aprender Libras é entrar no mundo das imagens, da interpretação, da tradução, 
da leitura, da vivência com o corpo, das experiências visuais espaciais, cujo objetivo é 
compreender o outro.
A teoria e prática da “experiência visual” se fundem porque para se atuar na prática 
é preciso de uma atividade teórica. Não é uma posição absoluta e sim relativa, ou trata-se 
de uma diferença, da visualidade, pois vamos considerar que nas relações entre teoria 
e prática, diremos que a primeira depende da segunda, na medida em que a prática da 
“experiência visual” é fundamento da teoria, uma vez que indica com precisão a definição 
de desenvolvimento e progresso do conhecimento visual.
Nesta unidade, você estudou que a língua de sinais é formada através da experiência 
visual que é um “espaço de produção”, conforme diz Quadros (2007), igualmente na teoria 
cultural e de Estudos Surdos, que provêm da constituição dos surdos apresentando seus 
diversos artefatos. E que, historicamente, a língua de sinais sempre existiram, e existem, 
quando dois sujeitos usuários dessa forma de comunicação estabelecem suas comunicações.
Aprendemos a diferenciar a modalidade de uma língua oral auditiva e uma língua de 
sinais, conhecendo os aspectos linguísticos que estruturam a Libras, além de compreender-
mos que as características gramaticais da língua usada pela comunidade surda brasileira se 
estruturam pela modalidade visual espacial, ou seja, a linguagem do corpo, não como uma 
ilustração de uma narrativa oral, e sim a língua que atribui sentidos à identidade cultural surda.
Vimos que, além dos sinais produzidos pelas mãos, as línguas de sinais usam 
recursos não manuais, que incluem expressões faciais, movimentos da boca, direção do 
olhar, direção dos movimentos das mãos, produzindo a formação linguística.
Você também percebeu que a Libras não é uma língua tão fácil de aprender. Não 
é mímica. Para sua aquisição é necessário muito estudo e principalmente seu exercício 
corporal, na interação com as comunidades surdas ou com ouvintes que a dominem linguis-
ticamente, internalizando sua aquisição.
30UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
Esperamos que esta Unidade tenha contribuído para uma melhor compreensão 
acerca dos aspectos da visualidade e do uso da “descrição imagética” para a educação de 
sujeitos Surdos do Brasil. Sem esquecer a importância da necessidade de criar um Estudo 
Visual para desenvolver, aprofundar, preservar os registros imagéticos e uma pesquisa 
acerca das descrições imagéticas que irão contribuir mais para o desenvolvimento dos 
estudos e pesquisas na área linguística nas próximas Unidades desse Material Didático e, 
consequentemente, darão suporte linguístico para a formação dos futuros professores.
Para isso, é necessário que você, acadêmico(a) se proponha a aprofundar seus 
conhecimentos, buscando explorar os materiais complementares que foram sugeridos 
neste Material Didático. Para treinar as percepções visuais e cognitivas, é preciso elaborar, 
argumentando todos os aspectos dos sentidos e significados e, finalmente, coletar, ler e 
interpretar os sentidos e significados dos sinais através das narrativas.
31UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
LEITURA COMPLEMENTAR
Caro (a), Acadêmico (a)!
O livro de Karin Lilian Strobel (2008) “As imagens do outro sobre a cultura surda” 
é uma publicação muito importante nos Estudos Surdos. É um livro que traz as imagens 
do outro sobre a cultura surda a partir do olhar do próprio surdo. Para compreender melhor 
nossos estudos desse material didático, sugiro aprofundar os conhecimentos trazidos pela 
autora deste livro, que especificamente no capítulo 4, a autora descreve os artefatos cultu-
rais do povo surdo. Parte das experiências visuais, conversa sobre a língua de sinais, uma 
língua que também é uma experiência visual, as famílias, a literatura, o lazer, as artes, a 
política e os materiais. Todos estes artefatos foram concebidos a partir do VER.
Fonte: Strobel, UFSC (2008).
32UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
MATERIAL COMPLEMENTAR
Como material complementar cito a história contada e ilustrada, intitulada “Casal Feliz” 
é uma criação do autor Cleber Couto (2010), que é surdo e atua principalmente nos seguintes 
temas: palhaços surdos, inclusão, educação dos surdos e Língua Brasileira de Sinais. A história 
que preferi apresentar suas páginas nesse material didático, fala sobre o encontro entre a mão 
vermelha e a mão azul, uma história contada a partir da percepção visual.
Fonte: Cleber Couto (2010).
33UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 
LIVRO
Título: Curso de Libras 1 iniciante
Autor: Nelson Pimenta e Ronice Muller de Quadros.
Ano: 2013.
Sinopse: O livro destina-se às pessoas ouvintes ou surdas in-
teressadas em aprender ou melhorar conhecimentos em Língua 
Brasileira de Sinais - Libras. Propõe uma forma de aprender a 
língua natural dos surdos a partir do conceito de língua como fator 
de cultura e identidade dos indivíduos, ou seja: o aluno aprender, 
entendendo os mecanismos de comunicação e interação que 
acontecem no mundo dos surdos e, por isso, tem uma apreensão 
maior e mais sólida dessa língua rica e complexa.
WEBSITE
De forma especial, destacamos que na Literatura Surda podemos 
brincar com a nossa língua, a Libras. Nesse contexto, não se trata 
de algo meramente comunicativo, mas sim uma fonte de prazer e 
diversão – tanto para adultos quanto para crianças. O objetivo das 
produções literárias é criar imagens visuais fortes e inesperadas. 
Por isso, podemos identificar alguns elementos nas narrativas, 
piadas, teatros e poemas em Libras que chamam a atenção para 
o aspecto visual. Aproveitando para dar mais algumas dicas so-
bre Literatura Surda para vocês, trago como sugestão explorar o 
repositório institucional da UFSC, nele há mais de 1000 vídeos 
selecionados no eixo Literatura Surda do Corpus da Libras, penso 
que os vídeos trarão elementos visuais completos que te farão 
entrar no mundo da visualidade surda. 
Você pode encontrar uma lista de vídeos através do link: https://
repositorio.ufsc.br/handle/123456789/172841 
Há também o projeto Literatura Didática em Libras – disponível no 
link: https://vimeo.com/showcase/6241328
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Plano de Estudo:
● Configurações de mão na Libras;
● Elementos visuais e estéticos possíveis na linguagem literária em Libras;
● O alfabeto manual da Libras;
● Os numerais na Libras;
● Calendário e advérbio de tempo.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conhecer e distinguir os parâmetros da Libras na constituição dos sinais; 
● Perceber os elementos visuais e estéticos na literatura sinalizada;
● Conhecer o alfabeto manual e o sinal soletrado;
● Diferenciar os numerais cardinais, ordinais quantidade nos diferentes contextos;
● Executar os sinais conforme seus parâmetros de configuração de mão;
● Utilizar os sinais de maneira apropriada em situações comunicativas com surdos.
UNIDADE II
Conversando em Libras
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell
35UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 35UNIDADE II Conversando em Libras
INTRODUÇÃO
A língua de sinais é a língua natural da comunidade surda. Esta língua, com regras 
morfológicas, sintáticas, semânticas e pragmáticas próprias, possibilita o desenvolvimento 
cognitivo da pessoa surda, favorecendo o acesso desta aos conceitos e aos conhecimentos 
existentes na sociedade.
Pesquisas linguísticas têm demonstrado que as línguas de sinais são sistemas 
de comunicação desenvolvidos pelas comunidades surdas, constituindo-se em línguas 
completas com estruturasindependentes das línguas orais. Os sinais são formados a 
partir de parâmetros, como a combinação do movimento das mãos, com uma determinada 
configuração de mão, num determinado lugar de realização do sinal, orientação espacial, 
expressões. Ou seja, podemos definir que para compreender melhor e ter uma boa comu-
nicação em Libras, não basta saber basicamente esses três recursos: datilologia, sinais 
e os sinais soletrados. É preciso mergulhar no aprendizado também dos Parâmetros que 
estruturam a língua: Configuração de Mão, Ponto de Articulação, Movimento, Orientação da 
Mão e Expressão Facial e Corporal.
Nosso objetivo nesta Unidade de Estudos, é que você acadêmico(a), compreenda 
que a língua de sinais traz em sua estrutura a combinação desses parâmetros para que 
consigamos obter determinado sinal. Portanto, falar com as mãos é combinar os sinais que 
formam as palavras e as frases num determinado contexto.
As línguas são consideradas naturais quando são próprias das comunidades inseri-
das, que as têm como meio espontâneo de comunicação. Podendo ser adquiridas, através 
do convívio social, como primeira língua (ou língua materna), por qualquer um de seus 
membros desde a mais tenra idade. 
36UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 36UNIDADE II Conversando em Libras
1. CONFIGURAÇÕES DE MÃO NA LIBRAS
Caro (a) acadêmico (a), você lembra o que são as configurações de mão na Libras? 
Vamos relembrar?
A configuração de mão é o ponto de partida da articulação do sinal, ou seja, a 
forma que a mão assume para realizar os sinais. Quando estudamos os Parâmetros da 
Libras, vimos que as configurações de mão estão presentes nos estudos da fonologia da 
Libras, ou seja, é uma unidade mínima fonético-fonológica, como temos o exemplo na 
língua oral, nos fonemas (a menor unidade distintiva da palavra) a palavra FALA a letra /F/ 
representa o fonema /f/(fê), Pata e Rata /P/ e /R/. Na língua de sinais, também temos as 
unidades mínimas distintivas, que combinadas produzem unidades significativas, os sinais 
que obedecem às regras para construir frases, e produzir contextos, como é o caso das 
configurações de mão, que quando combinadas a outros parâmetros produzem o sinal. 
Uma das tarefas de um investigador de uma determinada língua de sinais é identi-
ficar as configurações de mão, os pontos de articulação, os movimentos, a direcionalidade 
do sinal e as expressões que têm um caráter distintivo. Isso pode ser feito comparando-se 
pares de sinais que contrastam minimamente, um método utilizado na análise tradicional de 
fones distintivos das línguas naturais.
37UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 37UNIDADE II Conversando em Libras
Então, vamos analisar o valor contrastivos dos parâmetros fonológicos na Libras, 
e observar que o contraste de apenas um dos parâmetros altera o significado dos sinais.
● Pares mínimos na Libras
FIGURA 1 - SINAIS QUE SE OPÕEM QUANTO À CONFIGURAÇÃO DE MÃO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 2 - SINAIS QUE SE OPÕEM QUANTO AO MOVIMENTO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 3 - SINAIS QUE SE OPÕEM QUANTO AO PONTO DE ARTICULAÇÃO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
38UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 38UNIDADE II Conversando em Libras
A linguística contrastiva é uma forma de trabalhar com o conhecimento explícito 
no ensino de segunda língua. Envolve a comparação entre duas ou mais línguas quanto 
aos níveis fonológico, semântico, pragmático, morfológico e sintático, (QUADROS, 1997, 
p. 102-102). O domínio que o professor tem das semelhanças e diferenças da Libras e do 
Português contribui para que construa estratégias explicativas que favoreçam a aprendiza-
gem dos alunos.
Talvez você esteja se perguntando…
O que são os Parâmetros da Libras?
Então, vai aí uma síntese.
TABELA 1 - PARÂMETROS NA LIBRAS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre os Parâmetros em língua de sinais, sugiro que você acesse o 
vídeo do professor Everaldo Ferreira “Aula de Libras” destinado a surdos e ouvintes que 
querem aprender a Língua Brasileira de Sinais. Com o auxílio de animações, locuções 
e legendas, o professor ensina, passo a passo, os sinais básicos para se comunicar a 
partir do vocabulário de temas específicos como os Parâmetros em Libras. 
Link: http://tvines.org.br/?p=707 
Fonte: TV, Inês. Aula de Libras. Rio de Janeiro. Disponível em: http://tvines.org.br/?p=707.
 Acesso em: 29 ago. 2021.
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39UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 39UNIDADE II Conversando em Libras
As Configurações de Mão (CM) podem ser feitas pela mão dominante (direita, se 
você for destro ou esquerda se você for canhoto) ou pelas duas mãos, dependendo do sinal 
a ser executado. Observe no quadro a seguir os sinais em Libras e as suas configurações 
de mão. Vale lembrar que, nas configurações de mão estão presentes as letras do alfabeto 
manual, os números e outras diferentes formas de mão.
FIGURA 4 - CONFIGURAÇÕES DE MÃO REALIZADOS PELA MÃO DOMINANTE
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 5 - MESMA CONFIGURAÇÃO DE MÃO PARA VÁRIOS SINAIS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
40UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 40UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 6 - CONFIGURAÇÃO DE MÃO, COM APENAS UMA MÃO
Fonte: Arquivos da autora (2021).
FIGURA 7 - DUAS CONFIGURAÇÕES DE MÃO DIFERENTES 
Fonte: Arquivos da autora (2021).
41UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 41UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 8 - DUAS CONFIGURAÇÕES DE MÃO IGUAIS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
42UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 42UNIDADE II Conversando em Libras
2. ELEMENTOS VISUAIS E ESTÉTICOS POSSÍVEIS NA LINGUAGEM 
 LITERÁRIA EM LIBRAS
Na Unidade de Estudos I, falamos um pouco sobre a literatura surda e agora quere-
mos analisar com você, acadêmico(a) alguns poemas que também foram disponibilizados a 
você pelo link: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/172841 e Literaturas Didáticas 
em Libras no link: https://vimeo.com/showcase/6241328
● Espaço Metafórico
O espaço, além de icônico, tende a ser metafórico. Tomando como exemplo o poe-
ma “Como veio a alimentação”, de Fernanda Machado (2011), analisamos a posição do 
lavrador rural e do morador urbano:
43UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 43UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 9 - ESPAÇO METAFÓRICO
Fonte: Adaptado de Fernanda Machado (2011).
Assim, o uso de espaço para articular os sinais mostram a metáfora de que “o mais 
alto tem poder”.
● Espaço Simétrico
Outra forma de utilizar o espaço é a simetria, a ocorrência de sinais de maneira 
espelhada. Encontramos esse recurso no poema narrativo “Voo sobre Rio”, de Fernanda 
Machado (2013).
FIGURA 10 - ESPAÇO SIMÉTRICO EM VOO SOBRE RIO
Fonte: adaptado de Fernanda Machado (2013). 
44UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 44UNIDADE II Conversando em Libras
● Mesma Configuração de Mãos
Outra maneira de brincar com a língua é usar sinais das mesmas configurações de 
mão ou configurações novas e inesperadas. Vemos esses fenômenos, principalmente, nas 
narrativas infantis, nas quais podemos contar uma história em que o sinal do protagonista 
e outros sinais utilizados no decorrer do conto apresentam a mesma configuração de mão. 
Identificamos esse recurso na obra “Vaca surda de salto alto” de Marina Teles (2019), 
nos momentos em que a narradora produz os sinais de VACA, USAR-SALTO-ALTO, VACA-
-GORDA, AVIÃO e CELULAR, todas com a configuração de mão em “Y”. 
FIGURA 11 - MESMA CONFIGURAÇÃO DE MÃO 
Fonte: Marina Teles (2019).
Nesta mesma obra, também vemos brincadeiras com a língua, quebrando suas 
próprias regras para a criação dos sinais de BRINCOS, OI, VACA-COMER com a mesma 
configuração de mão em “Y”. 
FIGURA 12 - MESMA CONFIGURAÇÃO DE MÃO
Fonte: MarinaTeles (2019).
45UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 45UNIDADE II Conversando em Libras
Esses elementos podem ser simplesmente estéticos – porque é prazeroso ver 
essas escolhas – ou podem ser metafóricos – por exemplo, se as configurações de mão 
estão todas fechadas (sugerindo força, peso ou algo acentuado), abertas (sugerindo algo 
leve e positivo) ou curvadas (com características mais negativas).
● Múltiplas Perspectivas
Por meio das múltiplas perspectivas, podemos ver produções de ação e reação, 
inclusive no momento da sinalização. Um exemplo disso se encontra na narrativa “Bolinha 
de Ping-Pong”, de Rimar Segala, (2009) na qual vemos pessoas jogando com uma bola, 
enquanto a bola pula e é rebatida. A perspectiva pode ser explorada por meio do afasta-
mento ou da aproximação. O sinal da bola pulando, visto de maneira afastada, utiliza um 
classificador que expressa objetos pequenos; quando a bola é rebatida e se aproxima, ela 
se torna maior e acaba sendo representada pela cabeça do artista. 
Em “Tinder”, de Anna Luiza Maciel, (2018) a personagem mulher mexe com o 
celular e, a cada ação, enxergamos através da perspectiva do próprio celular. Essa diferen-
ciação da perspectiva cria uma sensação de “desfamiliarização”, um elemento da literatura 
no qual vemos o cotidiano de uma perspectiva diferente da esperada.
● Incorporação de Personagens
Na Literatura Surda, não falamos tanto do que acontece, pois preferimos mostrar 
o que acontece. A incorporação dos personagens mostra diretamente como são estes 
personagens, quais os seus sentimentos e como ele se comporta. Essa “ação construída”, 
também conhecida como “incorporação”, é um recurso muito valorizado na Literatura Surda 
no qual o artista recria os personagens por intermédio do seu próprio corpo. A incorporação 
literária muitas vezes usa o exagero, com movimentos maiores e expressões não manuais 
mais fortes do que na simples conversa. 
A artista Klícia Campos (2017), na tradução do cordel “Antônio Silvino, rei dos can-
gaceiros”, se torna um cangaceiro macho; em “Bolinha de Ping-Pong”, Rimar Segala (2009) 
que descreve os dois jogadores de tênis de mesa, um homem e uma mulher, antes do jogo 
e, na sequência, incorpora cada personagem rebatendo a bola. 
Também podemos mostrar animais, plantas e objetos inanimados pela incorpora-
ção. Quando damos forma humana aos não humanos, utilizamos um fenômeno chamado 
antropomorfismo. Podemos também dar intenções, emoções e até a fala humana para 
estes não humanos. O artista literário vai escolher dentre as opções de mapeamento entre 
os corpos do humano e do personagem em questão. A exemplo disso podemos ver no 
personagem de sapo de “O sapo e o boi”, de Nelson Pimenta (1999).
46UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 46UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 13 - INCORPORAÇÃO DE PERSONAGEM
Fonte: Nelson Pimenta (1999).
Nesses exemplos, vemos que podemos utilizar a cabeça do artista para representar 
a cabeça dos animais, enquanto outras partes do corpo (como a língua comprida do sapo 
e o chifre do boi) exigem que o artista use as mãos para criá-las. 
A expressão facial e o uso de outros elementos não manuais, como a direção do 
olhar e a abertura dos olhos, são recursos especialmente importantes nesses exemplos de 
antropomorfismo, visto que muitas vezes os objetos não têm mãos e a comunicação não 
manual é a única opção possível. 
Usar as mãos para criar partes do corpo é um exemplo do uso de classificadores, 
os quais também fazem parte da Literatura Surda. Os classificadores colocados e movi-
mentados dentro do espaço de sinalização criam imagens visuais para o público. Podem 
apresentar múltiplas perspectivas de um personagem, do mais distante ao mais próximo, 
ou então, podem ser classificadores com configurações de mão inesperadas ou criativas. 
47UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 47UNIDADE II Conversando em Libras
3. O ALFABETO MANUAL DA LIBRAS
Iniciamos esse tópico com os estudos da pesquisadora Audrei Gesser (2009), que 
apresenta em seu livro intitulado, “Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em 
torno da língua de sinais e da realidade surdo” com uma abordagem bem clara sobre o 
alfabeto manual em Libras. Vale muito a pena você conhecer todas as temáticas trazidas 
no livro pela autora, por hora, vamos tentar compreender como ela cria esse espaço de 
estudos em torno do alfabeto manual.
A autora começa fazendo um questionamento, que muitas pessoas têm dúvidas: “a 
língua de sinais é o alfabeto manual?” (GESSER, 2009, p. 28).
De forma alguma. O alfabeto manual é utilizado para soletrar manualmente as 
palavras e é também conhecido como soletramento digital ou datilologia, é apenas um 
recurso utilizado por falantes da língua de sinais. Não é uma língua, e sim um código de 
representação das letras alfabéticas como, por exemplo:
48UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 48UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 14 - TIPOS DE ALFABETOS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Acreditar que a língua de sinais é o alfabeto é fixar-se na ideia de que a língua de 
sinais é limitada, já que a única forma de expressão comunicativa seria uma adaptação das 
letras realizadas manualmente, convencionadas e representadas a partir da língua oral. 
Imaginemos, por exemplo, quanto tempo levaria um surdo para falar uma sentença ou, 
ampliando bem a questão, ter uma conversa filosófica, se utilizasse apenas o soletramento 
manual? Travar uma conversa dentro deste enquadre s-o-l-e-t-r-a-d-o-s-e-r-i-a-c-a-n-s-a-t-
-i-v-o-e-m-o-n-ó-t-o-n-o-(-u-f-a-!-).
Entretanto, é importante que se diga que o alfabeto manual tem uma função na 
interação entre os usuários da língua de sinais. Lança-se mão desse recurso para soletrar 
nomes próprios de pessoas ou lugares, siglas, e algum vocabulário não existente na língua 
de sinais que ainda não tenha sinal.
Aqui chegamos num ponto bem importante: o “Batismo do Sinal Pessoal”. Os 
surdos brasileiros se batizam por meio de sinais. Na verdade, é um ritual que acontece 
quando um surdo ou ouvinte entra na comunidade surda ou passa a ter contato com surdos. 
Eles olham para a pessoa e identificam alguma característica que seja específica desta 
pessoa e lhe dão um sinal. Veja os exemplos a seguir:
49UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 49UNIDADE II Conversando em Libras
FIGURA 15 - SINAL DE BATISMO EM LIBRAS
Fonte: Arquivos da autora (2021).
Ao ser batizada, a pessoa recebe um sinal por causa do destaque da sua ca-
racterística, se essa caraterística mudar ao longo do tempo, por exemplo, como o braço 
quebrado do Murilo que foi curado com o tempo, o seu sinal permaneceu o mesmo. Quando 
questionado sobre o porquê do seu sinal, ele explica o contexto em que foi batizado.
Os usuários de língua de sinais, em algumas situações, fazem empréstimos da grafia 
da língua oral, recorrendo à datilologia para realizar sinais de pontuação (tais como, vírgulas, 
ponto final, ponto de interrogação, sinais matemáticos etc.) que, na maioria das vezes, são 
desenhadas no ar. O mesmo pode ocorrer com as preposições ou outras classes de palavras.
Entretanto, soletrar não é um meio com um fim em si mesmo. Palavras comu-
mente soletradas podem e de fato são substituídas por um sinal. Assim, podemos afirmar 
que esse recurso funciona potencialmente nas interações para incorporar sinais a partir do 
entendimento conceitual entre interlocutores – uma vez apreendida a ideia convencionam-
-se os sinais para substituir a datilologia de um dado vocábulo, por exemplo.
No Brasil, o alfabeto manual é composto de 27 formatos (contando o grafema ç 
que é a configuração de mão da letra c com movimento trêmulo). Cada formato da mão 
corresponde a uma letra do alfabeto do português brasileiro:
50UNIDADE I Divisão da Língua de Sinais: Aspectos da Visualidade 50UNIDADE

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