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LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL
CAPÍTULO 2 - A LINGUAGEM ESCRITA APRESENTA
MECANISMOS PRÓPRIOS?
Marlise Buchweitz
INICIAR
Introdução
Antes de iniciar este estudo, reflita sobre as questões: a escrita tem mecanismos próprios? Ao produzir um texto,
você considera questões relacionadas à coesão e à coerência textual?
Se respondeu afirmativamente às duas perguntas, então já conhece as bases do processo de escrita e sabe que
existem mecanismos para tal. Para aprofundar seus conhecimentos, este capítulo – além de abordar estas
questões, também discutiráa intertextualidade e a relação entre escrita e ensino.
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Neste sentido, como estudante de Letras e futuro professor de produção textual, você acredita que, para mediar
conhecimento sobre formas de escrever um texto, são necessárias técnicas próprias? Ao longo deste estudo, você
saberá mais a esse respeito, além de perceber a necessidade de se aplicarem maneiras próprias e técnicas que
conduzam o aluno a aprimorar o processo de escrita de um texto.
Inicialmente, destacaremos as questões relacionadas à intertextualidade, à coerência e à coesão textual; no final
do capítulo, discutiremos o ensino e a escrita.
A partir de diferentes teóricos, abordaremos estas questões a fim de permitir que você, estudante de Letras,
tenha uma noção básica destes conceitos e possa encontrar formas de refletir sobre sua futura prática. Também,
indicamos alguns textos e vídeos que podem auxiliar numa abordagem diferenciada das temáticas aqui trazidas.
Boa leitura!
2.1 Escrita e intertextualidade
Para que possa auxiliar seu aluno na produção textual, partindo das partes para a assimilação do todo, a seguir
você conhecerá alguns tópicos importantes do processo. Dessa maneira,compreenderá a relação entre escrita e
intertextualidade, escrita e progressão referencial, escrita e progressão sequencial, escrita e coerência.
A escrita, portanto, tem mecanismos que favorecem sua produção, e o entendimento destes aspectos permite
uma melhor relação do autor com o texto – e deste com seu leitor. Toda produção textual será mais bem-
sucedida a partir da prática. Por isso, você pode trazer os conceitos gradativamente, e ir apresentando-os ao seu
aluno, num processo de construção de conhecimento no qual o erro é parte da aprendizagem, e em que o
sucesso está na sistematização e percepção de modos próprios de escrever. 
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Além disso, para o efetivo sucesso da aprendizagem da produção escrita e para que as categorias aqui discutidas
possam ser bem-sucedidas na prática, é importante apresentar leituras de diferentes gêneros textuais para seu
aluno.  
Figura 1 - A bagagem de leitura será diferencial no momento em que o aluno partir para a produção escrita.
Fonte: ESB Professional, Shutterstock, 2018.
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Figueiredo (1999) compara a escrita a qualquer outro aprendizado: inicia-se aos poucos, assimilando as partes
gradualmente. A partir do reconhecimento de cada parte, o redator/autor chega ao todo, assim como qualquer
educando em diferentes processos de aquisição de conhecimento. São os parágrafos que nos indicam as partes
do texto, e sua compreensão é necessária para o sentido do texto como um todo. Portanto, os parágrafos
precisam seguir uma divisão que apresente uma lógica textual, da qual fazem parte a coerência e a consistência
(FIGUEIREDO, 1999).
O texto apresenta sempre uma ideia central, e cada parágrafo é parte desta ideia. Ainda que apresente ideias
secundárias próprias, o parágrafo precisa conectar-se aos demais e à ideia central. Assim, as ideias devem estar
reunidas nos parágrafos de modo a representarem uma informação central e informações secundárias. A ideia
central é direcionadora do parágrafo, e as ideias secundárias remetem a detalhes, explicações, ou
desdobramentos da ideia central (FIGUEIREDO, 1999).
No vídeo Interpretação de texto (ROCHENBACH, 2017) o professor Wilson Rochenbach aborda a organização de um texto, explicando a ideia
central, as ideias secundárias e outros elementos que fazem parte da produção textual. Para assistir, acesse o endereço:
.
Com base no que estudou até aqui, na sequência você verá alguns aspectos relativos à intertextualidade. Você
sabe o que ela indica? Observe a relação representada na figura a seguir.
VOCÊ QUER VER?
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https://www.youtube.com/watch?v=RwBYc8579UQ
https://www.youtube.com/watch?v=RwBYc8579UQ
Cronologicamente, destaca-se que a ideia da intertextualidade é embasada nos estudos de Mikhail Bakhtin, que
na década de 1920 foi o primeiro teórico a destacar o dialogismo de um texto com outro:
[...] o objeto do discurso do falante, seja esse objeto qual for, não se torna pela primeira vez objeto do discurso em um
dado enunciado, e um dado falante não é o primeiro a falar sobre ele. O objeto, por assim dizer, já está ressalvado,
contestado, elucidado e avaliado de diferentes modos; nele se cruzam, convergem e divergem diferentes pontos de vista,
visões de mundo, correntes (BAKHTIN, 2011, p. 300).
Em outras palavras, significa que cada enunciado não ocorre pela primeira vez por determinado falante, e que
cada falante se utiliza de diferentes pontos de vista, já mencionados anteriormente, para compor seu discurso.
Figura 2 - Organograma com o conceito de intertextualidade e como pode ser utilizada em um texto escrito.
Fonte: Elaborada pela autora, baseada em ZANI, 2003.
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A pesquisadora Elaine Cristina Medeiros Frossard (2008) publicou o artigo “A teoria do dialogismo de Bakhtin e a polifonia de Ducrot: pontos
de contato”, no qual compara o dialogismo de Bakhtin com a polifonia de Ducrot, outro teórico importante que também discute a questão do
texto como polifônico, resultante de várias vozes do discurso. Observe que a polifonia também remete a uma multiplicidade de vozes. O texto
está disponível em: .
Essa ideia do dialogismo de Bakhtin (2011) foi, posteriormente, usada por Julia Kristeva, que trouxe o conceito
de intertextualidade. Neste sentido, podemos dizer que um texto é formado de várias vozes, ou seja,tanto o
enunciado falado quanto o texto escrito são produzidos a partir de um conhecimento adquirido de outros textos,
de outros discursos. As múltiplas vozes dentro de uma produção textual são, então, essas conexões que o sujeito
faz com outros gêneros, outros textos.
Julia Kristeva nasceu na Bulgária, em 24 de junho de 1941, e tornou-se cidadã francesa naturalizada. É filósofa, escritora, crítica literária,
psicanalista e feminista. Pensadora do estruturalismo e pós-estruturalismo, introduziu a intertextualidade ao discurso popular (THYNUS,
2015). Para saber mais sobre a vida e a obra de Kristeva, acesse o endereço:em-24-de-junho-489275 (http://divagacoesligeiras.blogs.sapo.pt/julia-kristeva-nascida-em-24-de-junho-489275)>.
VOCÊ QUER LER?
VOCÊ O CONHECE?
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http://www.periodicos.ufes.br/contextoslinguisticos/article/view/5215
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http://divagacoesligeiras.blogs.sapo.pt/julia-kristeva-nascida-em-24-de-junho-489275
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Com base na ideia de que a intertextualidade está relacionada às interferências de outros textos em nossa
produção escrita, ou seja, que nossas leituras, nosso conhecimento, serão parte daquilo que escrevemos, a
seguir abordaremos outros aspectos relevantes para a produção textual.
2.1.1 Intertextualidade e coerência
A coerência, como o próprio nome diz, é a relação coerente que as partes de um texto estabelecem entre si
(LOPES, 1998). O autor destaca que a coerência está diretamente ligada à correspondência das informações
existentes na mente do leitor com as informações do contexto em que se insere.
A partir da explicação de Lopes (1998) pode-se pensar que a ideia remete, principalmente, à leitura. Porém, ela é
aplicável à produção escrita: o autor de um texto precisa fazer com que os dados sejam correspondentes entre si,
de modo a produzir sentido.
Também, existe unidade de sentido num texto quando este está coerente. Isso se deve ao fato de que os sentidos
são contínuos a partir dos conhecimentos ativados pelos períodos do texto (LOPES, 1998). As frases, portanto,
devem ser coerentes entre si, bem como cada parágrafo precisa de uma relação com o anterior e o posterior, e
todos os parágrafos juntos precisam ser coerentes para que a ideia central do texto seja compreendida.
Para que isso ocorra de forma efetiva, há as palavras transicionais, aquelas que fazem a transição/conexão entre
uma informação e outra. Observe a explicação de Figueiredo (1999, p. 29):
[...] as palavras e as frases transicionais ajudam a conectar as ideias secundárias com a ideia central, e as ideias
secundárias entre si; são conectivos (conjunções, pronomes, sinônimos etc.) que ajudam a desenvolver explicações,
mudar o curso da discussão, enfatizar ou ilustrar; são importantes para organizar ideias e dar coesão interna ao parágrafo.
Assim, depois do período tópico, os outros períodos do mesmo parágrafo ligam-se uns aos outros (ou à ideia principal)
por palavras ou frases de ligação, identificando as relações entre as partes do parágrafo e fazendo avançar a ideia
semeada no início. São pontes entre um período e outro.
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Não somente as ideias do texto em si precisam ser coerentes, como também os elementos, o diálogo com outros
textos que o escritor busca, precisam ter coerência com as ideias pretendidas e com o sentido do texto todo.
Leia o caso descrito a seguir e observe exemplos de coerência e intertextualidade.
CASO
A educação brasileira ainda enfrenta grandes desafios, em pleno século XXI. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) apontam que, em 2016, 51% da população nacional com 25 anos ou mais possuía apenas o nível fundamental de instrução
(BRASIL, 2017). Por outro lado, Schwartzman (2005, p. 1) destaca que “[...] os problemas principais são a má qualidade das escolas e a
repetência, ou seja, a tradição de reter os alunos que não se saem bem nas provas, prática amplamente disseminada no Brasil”.
No texto do estudo de caso apresentado, ao incluir uma citação de Schwartzman – ou seja, uma informação que
não é sua – se faz a intertextualidade, a qual dá suporte ao pensamento manifestado na escrita, em relação à
educação do Brasil.
Destacam-se, assim, as múltiplas vozes dentro de um mesmo texto. Isso quer dizer que, ao trazer uma
intertextualidade, nos embasamos na voz de outro autor para dar suporte a algo que pretendemos enfatizar.
Dessa forma, a intertextualidade é possível de ser realizada a partir da bagagem de leituras de um autor, o que
permitirá discussão e argumentação com bastante propriedade sobre o assunto a que se propuser escrever.
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2.1.2 Intertextualidade no ensino da produção escrita
Falar de intertextualidade na produção escrita é saber que a escrita não está desvinculada da leitura. Para que
você, enquanto professor de Letras, instigue seu aluno a produzir um texto contendo intertextualidades, é
necessário indicar leituras ou levar para a sala de aula diferentes textos que possam dar ao estudanteuma base
para a escrita de seu próprio texto. Juntamente com as leituras que faz, o educando também traz para o texto
elementos de seu contexto de vida e de seu conhecimento de mundo. Assim, ele cria conexões entre o que pensa
e o que leu, uma vez que suas ideias não são isoladas das informações que já obteve previamente e dos fatos que
vivenciou.
Encarnação (2005) sugere que, durante o processo de leitura, sejam realizadas perguntas que podem guiar o
entendimento do leitor, as quais sejam:
[...] – De que trata o livro todo? Compete-lhe descobrir o tema principal do livro, e de que modo o autor
desenvolve esse tema de maneira metódica ao subdividi-lo em temas subordinados essenciais ou tópicos.
– O que está sendo dito em detalhe, e como? [...] descobrir as principais ideias, asserções e argumentos que
constituem a mensagem própria do autor.
– O livro é verdadeiro no todo ou em partes? Você não pode responder a esta pergunta enquanto não houver
respondido as duas primeiras. Precisa saber o que está sendo dito para que possa decidir se é verdadeiro ou
não. [...]
– Que resulta daí? Se o livro lhe transmitiu informação, indague da significação dela.
– Por que o autor acha que é importante conhecer essas coisas? É importante para você conhecê-las? E se o
livro lhe proporcionou ilustração, além de informação, é necessário buscar mais esclarecimento perguntando
o que resulta daí, o que está subentendido ou insinuado (ENCARNAÇÃO, 2005, p. 10).
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As respostas para estas perguntas servem como base para a escrita do texto deste sujeito-leitor. Ou seja, o
processo de escrita nunca é feito sozinho, sem que o produtor de um texto se baseie em outros textos, quer seja
na forma, na maneira de escrever, na informação dada, sempre haverá um texto-base para que a escrita seja
produzida. Essa relação pode ser consciente ou inconsciente, já que o repertório de leituras interferirá na
produção de um texto e, às vezes, o leitor pode não se dar conta de que está buscando dados em algo que já leu.
É nesse sentido, portanto, que se observa a intertextualidade vinculada à produção escrita. Você sempre deverá
fazer seu aluno ler informações, textos de diferentes gêneros, discursos de diferentes áreas, para, depois disso,
fazê-lo produzir um texto escrito.
Também, vale destacar que:
[...]quando se pensa em recepção e produção de textos, a informação, o conteúdo como um “todo” é que é essencial. Não
se pode pensar somente nas estruturas textuais, ou nos movimentos mentais do leitor, ou mesmo no contexto de
produção da comunicação. Todos esses aspectos encontram-se num processode imbricamento que é responsável para
uma leitura completa. Esse processo não deve envolver apenas os aspectos essenciais do texto, do leitor e da
comunidade discursiva em que o outro está inserido, mas também de que modo esses aspectos se autoinfluenciam. A
abordagem interativa, na medida em que perpassa diferentes linhas teóricas, permite o estudo dos vários elementos que
compõem a leitura, de maneira distribuída e equilibrada, evitando a centralização num único foco de interesse
(ENCARNAÇÃO, 2005, p. 12).
Portanto, priorizar a interatividade, discutir diferentes textos e fazer com que os alunos apreendam sentido é
tarefa do professor no momento de trabalhar a produção escrita. Você deve sempre levar múltiplos textos para
que seu aluno tenha mais possibilidades de realizar intertextualidades de acordo com as preferências pessoais.
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2.2 Escrita e progressão referencial
Você sabe o que é referenciação? Ela é fundamental para que possamos realizar adequadamente a compreensão
de um texto escrito.
A referenciação é parte da coesão textual, ou seja, é outra categoria que precisa sempre ser levada em
consideração ao se escrever um texto. Os elementos que indicam coesão são os que garantem a continuidade
das expressões do texto, e a correta articulação das ideias. Quando se observam os recursos coesivos, atenta-se
também para a coerência textual e para os sentidos que o leitor construirá a partir daquilo que lê.
Assim, percebe-se que a intertextualidade com outros textos e com o contexto é sempre ativado no momento de
se escrever um texto. Tal processo é realizado a partir de uma escolha pessoal, já que inserimos num texto nossos
pensamentos, modos de ver e pensar sobre um assunto, enfim, nossa intencionalidade e nossa visão de mundo
estão postas no texto escrito.
Nesse sentido, a referenciação é um dos dispositivos que nos permite criar a coesão textual. Segundo Marcuschi
(2000, p. 5), pode-se entender a referenciação como:
[...] um processo de geração de domínios referenciais com objetos discursivos para referir-se a um estado do mundo.
Neste caso, a língua é muito mais do que simples mediadora; se explica como atividade cognitiva e não apenas como
forma cognoscitiva (mapeadora) da realidade. A realidade não é um dado a priori, mas uma construção discursiva
motivada.
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O teórico Luiz Antonio Marcuschi (2000) faz uma análise importante sobre a referenciação no artigo intitulado “Referenciação e progressão
tópica: aspectos cognitivos e textuais”.  Para ler, acesse o endereço: .
A partir das ideias já apresentadas, na sequência abordaremos a questão da referenciação e de sua função
dentro de um texto. A escrita depende deste mecanismo para que seja realizada a correta produção de sentido
pelo autor e pelo leitor.
2.2.1 Referenciação: uma atividade discursiva
Conforme mencionado anteriormente, a referenciação é um dispositivo que faz parte da coesão textual e,
consequentemente, colabora para a coerência das ideias apresentadas num texto. Neste sentido, não se pode
construir um texto, ou ajudar nosso aluno na produção textual, sem passar pela aprendizagem desse elemento
importante no processo de escrita. Dessa maneira, para discutir a questão da referenciação, observe a figura a
seguir, que apresenta algumas questões indicadas por Koch (2001, p. 75).
VOCÊ QUER LER?
Figura 3 - Características de referenciação, dispositivo que integra a coesão textual e que importa para a produção escrita.
Fonte: Elaborada pela autora, baseada em KOCH, 2001.
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https://periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/9306/6660
https://periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/9306/6660
Com base nisso, estabelece-se que “[...] o processamento do discurso, por ser realizado por sujeitos ativos, é
estratégico, isto é, implica, da parte dos interlocutores, a realização de escolhas significativas entre as múltiplas
possibilidades que a língua oferece” (KOCH, 2001, p. 75).
Dentre a questão da referenciação estão os denominados “referentes”, ou seja, elementos que permitem a
produção de sentido do leitor em relação ao texto, conforme representa a figura a seguir.
Assim, entendemos que os referentes dizem respeito aos objetos do discurso, construídos ao longo da produção
textual. Eles são fundamentais para que se estabeleça a correta coesão textual.  Observe o exemplo a seguir,
extraído de matéria publicada em 14/02 no site da revista Veja (REDAÇÃO VEJA, 2018, s. p):
Figura 4 - Definição do que são os referentes, elementos-base da referenciação e componentes da coesão textual.
Fonte: Elaborada pela autora, baseada em KOCH, 2001.
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“Carnaval: Beija-Flor é a grande campeã de 2018” (título da matéria).
“Com enredo sobre ‘monstruosidades’ e estrelas em destaque, a escola de Nilópolis agitou a Sapucaí falando de
problemas sociais” (linha de apoio, ou “olho”, da matéria).
Observe que o referente a escola de Nilópolis está substituindo o substantivo Beija-Flor.
A referenciação está muito conectada à coerência, e ambas são aspectos centrais para a produção de sentido de
um texto. Ou seja,
[...] ambos são de algum modo co-dependentes, não se podendo determinar uma hierarquia de relevância entre ambos.
Contudo, embora se interpenetrem, são duas noções bastante diversas. Há casos em que a referenciação de um elemento
só é inferível a partir de estratégias globais sugeridas por atividades mentais como no caso de referentes de pronomes
sem antecedente explícito. Há casos em que a coerência fica na dependência de relações referenciais estabelecidas no
texto. E casos em que tudo depende de conhecimentos prévios em alto grau (MARCUSCHI, 2000, p. 9).
Ao escrever, podemos recorrer a duas maneiras de trazer referentes para o texto: a “ativação ancorada e a não-
ancorada” (KOCH; ELIAS, 2010, p. 134), sendo que a primeira diz respeito a informações já conhecidas, como base
no contexto de seus interlocutores, e a segunda é quando o escritor traz para o texto algo totalmente novo.
2.2.2 Formas de progressão referencial
Dentro de um texto é necessário, sempre, estabelecer a coesão e a coerência. Para que exista uma progressão
referencial, ou seja, para que todos os referentes estejam cumprindo a função de manter a coesão e a coerência,
estes referentes precisam retomar a ideia anterior sem que ocorra repetição ou qualquer problema de
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concordância na frase. Em outras palavras, “[...] um elemento designa um universo e fenômenos nomeados por
sinonímia ou até mesmo por substituição.” (MARCUSCHI, 2000, p. 4).
Figura 5 - O texto, ao ser produzido, é dependente das referenciações realizadas pelo autor e pelos leitores.
Fonte: ESB Professional, Shutterstock, 2018.
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Durante a escrita, é preciso garantir a continuidade de um texto, objetivo que se estabelece a partir da repetição
e da progressão. Ou seja, devemos sempre remeter a referentes que já foram apresentados anteriormente no
texto (KOCH; ELIAS, 2010).
A progressão referencial dentro do texto escrito pode ocorrer a partir de alguns elementos, que são:
formas de valor pronominal, como em: “Carlos está doente. Fui vê-lo para saber notícias.”;
numerais, como em: “Fiz uso de duas técnicas no processo: a primeira diz respeito ao método e a segunda
refere-se à execução.”;
certos advérbios locativos, como em: “João estava na praia com alguns amigos. Lá eles descobriram
Pedro.”;
elipses, como em: “Carla curte estar nas redes sociais; Mari, sair para conhecer pessoas.” (Mari curte sair
para conhecer pessoas);
formas nominais reiteradas, sinônimas ou quase sinônimas, e hiperonímicas;
alguns nomes genéricos.
Para os dois últimos – formas nominais reiteradas e alguns nomes genéricos –, observe o exemplo a seguir,
também extraído da matéria publicada em 14/02 (REDAÇÃO VEJA, 2018, s. p.).
A grande surpresa do Carnaval de 2018 acabou ficando por conta da Paraíso do Tuiuti, que no ano passado viu um de seus
carros alegóricos causar um grave acidente na Sapucaí, e em 2018 foi a vice-campeã. Neste ano,  a escola  trouxe o
enredo Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?, sobre os 130 anos da Lei Áurea. [...]
A agremiação ainda ironizou manifestantes que pediram o impeachment de Dilma Rousseff [...] 
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As expressões em destaque são referentes/formas nominais – a escola, a agremiação – para o substantivo Paraíso
do Tuiuti.
A partir disso, destaca-se que as formas de progressão referencial, elementos que mantêm a coesão textual,
possuem funções de diferentes ordens no texto. Vejamos algumas:
Cognitivas:
Os elementos do texto podem remeter a outros já apresentados e possibilitar a (re)ativação na memória do leitor.
[...] por outro lado, ao operarem uma recategorização ou refocalização do referente ou, em se tratando de
nominalizações, das informações-suporte, elas têm, ao mesmo tempo, função predicativa. Trata-se, pois, de formas
híbridas, referenciadoras e predicativas, isto é, veiculadoras tanto de informação dada (KOCH, 2001, p. 77).
Sumarização:
As informações-base do texto podem ser sumarizadas relacionadas a referentes textuais abstratos, tais como o
fato, o evento, o estado, a atividade etc. Segundo Koch (2001, p. 76): “[...] essa especificação vai constituir uma
seleção particular e única dentre uma infinidade de lexicalizações possíveis, efetuada a partir das proposições
veiculadoras das informações-suporte.”
De organização textual:
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a) No nível microestrutural: as formas nominais funcionam como anafóricos (elementos cuja referência depende
de outro previamente mencionado, como, por exemplo, os pronomes esse, aquele etc.) ou catafóricos
(elementos que se referem a algo que será dito posteriormente no texto, como, por exemplo: “Ao olhá-lo, Maria
disse: Pedro, você precisa fazer esta atividade”), ou ambos ao mesmo tempo.
b) No nível macroestrutural: as formas nominais possuem papel importante na organização textual, bem como
na conexão entre tópicos e subtópicos.
 
Também, existem alguns determinantes das formas nominais referenciais, segundo Koch (2001), que são:
 
1) Uso do demonstrativo (este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aquela(s), isto, aquilo) – alguns casos
nos quais o demonstrativo é usado são:
quando a expressão referencial produz uma recategorização metafórica ou não do processo, ou seja,
quando o substantivo requalifica o referente de forma pouco previsível;
quando acontece polifonia ou heterogeneidade discursiva, sempre que o substantivo-núcleo da expressão
referencial não é totalmente assumido pelo locutor, ou é usado de modo irônico;
quando o nome-núcleo do substantivo nominal vem modificado por um adjetivo na função de adjunto
adnominal;
nos casos de substantivos nominais associativos em que o demonstrativo não seja passível de substituição
por um definido, pois, se isto acontecesse, teriam alterado seu valor referencial ou haveria dificuldade na
correta interpretação;
quando se usam hiperônimos, de modo a evitar uma referência genérica;
quando há marcação de parágrafo;
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quando há alguma referência problemática:
[...] o referente da expressão anafórica possui, em geral, um alto grau de predizibilidade e, portanto, de acessibilidade.
Isto é, o referente pode ser facilmente inferido com base no co-texto prévio e/ou no contexto de uso, de forma que sua
presença na memória discursiva pode ser considerada latente no momento em que a anáfora aponta para ele. Contudo,
os referentes são, por vezes, menos predizíveis e até mesmo impredizíveis, obrigando o receptor a introduzir um novo
objeto em sua memória discursiva e construir a informação contextual de modo a permitir que esta introdução seja
consistente e compatível com o estado atual daquela. Neste caso, o uso do demonstrativo seria praticamente obrigatório
(KOCH, 2001, p. 81).
 2) Uso do artigo definido (o, a, os, as):
quando há um adjunto adnominal ou um complemento nominal que define um dos atores do processo;
em substantivos predicativos morfologicamente derivados de verbo;
quando os predicativos que designam um atributo da enunciação nominalizam um processo, não aquele
percebido pelo conteúdo proposicional, mas pelo tipo de “[...] ato de comunicação realizado por sua
enunciação.” (KOCH, 2001, p. 82);
quando o substantivo predicativo é um nome genérico, como coisa, fato, evento etc.
3)      Uso do artigo indefinido (um, uma, uns, umas, outro(s), outra(s), certo, tal):
quando se escolhe um referente no interior de um conjunto já mencionado;
em casos em que se nomeiam partes de um referente previamente mencionado;
quando a expressão anafórica enfoca especificamente a informação por ela veiculada.
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A partir do que foi visto, devem-se considerar, então, todas as funções das expressões referenciais, as quais
necessitam ser percebidas como “[...] multifuncionais, ou seja, possuem uma dimensão ao mesmo tempo
construtiva e intersubjetiva” (KOCH, 2001, p. 87). Mais ainda, as expressões referenciais não servem apenas para
referir; “[...] como multifuncionais que são, elas contribuem para elaborar o sentido, indicando pontos de vista,
assinalando direções argumentativas, sinalizando dificuldades de acesso ao referente, recategorizando os
objetos presentes na memória discursiva.” (KOCH, 2001, p. 87).
2.3 Escrita e progressão sequencial
Dentro da coesão textual, outro tópico importante a destacar é a progressão sequencial, a qual está relacionada,
em especial, aos recursos fonológicos dentro de um texto. Em geral, as flexões dos verbos (tempo e modo) e as
conjunções sãoos mecanismos responsáveis pela progressão sequencial do texto. Dessa forma, a progressão
sequencial permite que as partes de um texto estejam articuladas entre si e possam contribuir para a produção
de sentido.
Ou seja, a coesão textual está relacionada à conexão linguística, o que vai possibilitar que as ideias se associem
umas às outras dentro deum texto. Além disso, a conexão linguística permite a correta transmissão de uma
informação ou do sentido dado pelo autor ao leitor. Fiorin e Savioli (2007, p. 271) apontam para o fato de que os
enunciados de um texto nunca estão agrupados caoticamente, mas “estritamente interligados entre si”.
Vale destacar que há um conjunto de elementos que, “mesmo fazendo o texto avançar, realizam algum tipo de
recorrência” (KOCH; ELIAS, 2010, p. 158).
Assim, neste tópico, abordaremos as questões relacionadas à fonologia da Língua Portuguesa: quais são alguns
dos recursos fonológicos, e a importância da recorrência dos tempos verbais na produção escrita.
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2.3.1 Recursos de ordem fonológica
A progressão sequencial apresenta alguns mecanismos que auxiliam no desenvolvimento da temática do texto,
permitindo uma articulação entre as ideias e os argumentos de um texto. Ou seja, contribuem para a coerência
textual.
Assim, a frequência fonológica e de palavras são fatores importantes em um texto. A fonologia diz respeito à
organização dos sons dentro de uma frase, os fonemas.
Alguns recursos importantes no texto são, portanto, a repetição, a paráfrase, os paralelismos e os recursos
fonológicos (KOCH; ELIAS, 2010). Observe as explicações a seguir, segundo Koch e Elias (2010):
Repetição – é um recurso que deve ser usado com cuidado, pois em alguns gêneros textuais repetir em
demasiado uma mesma palavra incorre em incômodo para o leitor. Outros gêneros já permitem o uso da
repetição como efeito estilístico e retórico. Leia essa parte do poema “Canto de regresso à pátria”, de Oswald de
Andrade (1971), no qual a repetição não incorre em erro:
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
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Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Paralelismo – diz respeito à repetição de uma mesma estrutura sintática, com elementos lexicais diferentes.
Exemplo: “A literatura permite não só aprender sobre novas culturas, mas também compreender outras visões de
mundo”.
Os termos não só e mas também servem para conectar fragmentos gramaticalmente semelhantes.
Paráfrase – é uma explicação de algo dito anteriormente através do uso de palavras diferentes, geralmente
introduzida por ou seja, isto é, entre outros.
Exemplo: “A literatura compreende o contexto social no qual está inserida, isto é, os textos literários de uma
época podem não ser entendidos em outros lugares e tempos”.
Recursos de ordem fonológica – alguns destes recursos são: a semilicadência (identidade entre metro, ritmo e
rima); os fatos suprassegmentais (entonação, rima, ritmo e metro) e os fatos segmentais (aliteração – repetição
de um som, como em vozes veladas, veludosas vozes – e assonância – repetição de uma vogal dentro de uma
frase).
2.3.2 Recorrência de tempos verbais
Assim como vimos anteriormente, o tempo e o modo dos verbos também contribuem para a progressão
sequencial de um texto escrito. Consequentemente, os tempos verbais também são responsáveis pela coerência
textual.
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Dependendo da significação que pretendemos dar a um verbo, temos os modos indicativo (remete a uma
certeza, uma possibilidade real de concretização da ação expressa pelo verbo), subjuntivo (expressa incertezas e
diz respeito a possibilidades remotas de a ação do verbo acontecer) e imperativo (indica conselhos, ordens,
proibições, pedidos etc.).
Quanto aos tempos verbais, são eles: passado ou pretérito, presente e futuro.
Portanto, precisamos sempre preestabelecer quais são as intenções que pretendemos a partir do uso dos verbos
em nosso texto. São eles que direcionarão a interpretação por parte do leitor.
Neste sentido, o uso de tempos verbais está diretamente ligado à nossa intencionalidade discursiva, e serve para
diferentes intenções, tais como:
narrar;
comentar;
criticar;
apresentar reflexões.
Ou seja, a escolha dos verbos e seus respectivos modos (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempos
(passado, presente ou futuro) norteará a intenção do autor, bem como a intepretação por parte do leitor.
Podemos sempre escolher se vamos narrar, comentar, criticar ou discutir determinada temática. Tal escolha
direcionará nosso texto e também poderá definir seu gênero textual.
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Figura 6 - Antes de começar a escrever um texto, o autor precisa definir qual a intencionalidade pretendida a partir dos tempos e modos
verbais.
Fonte: Sofiphoto, Shutterstock, 2018.
2.4 Escrita e coerência
Conforme já destacado anteriormente, a coerência é fundamental para a construção do texto escrito. Ela é
condição fundamental para que o discurso ocorra de maneira adequada e para que a produção de sentido se
estabeleça corretamente.
Koch e Elias (2010, p. 194) ressaltam que a noção de coerência não deve ser aplicada “[...] isoladamente, ao texto,
nem ao autor, nem ao leitor, mas se estabelece na relação entre esses três elementos.” A coerência exige, tanto
por parte de quem escreve, quanto por parte de quem lê, conhecimento acerca do mundo, e também
conhecimento “enciclopédico e metagenérico” (KOCH; ELIAS, 2010, p. 195). Além disso, ela é a possibilidade de
produzir sentido para um texto, de fazer com que uma interpretação seja possível a partir do todo (KOCH;
TRAVAGLIA, 2010).
Assim, três grandes sistemas contribuem para o processo de organização de um texto: o linguístico, o
enciclopédico e o interacional. Koch (2011) define cada um deles, conforme destacamos: o conhecimento
linguístico diz respeito às noções gramaticais e de léxico que cada um possui; o conhecimento enciclopédico ou
de mundo é aquele que está armazenado na memória do autor e do leitor; o conhecimento sociointeracional
remete ao conhecimento sobre as ações verbais, ou seja, sobre as formas de interação por meio da linguagem.
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Figura 7 - A coerência textual pode remeter a um quebra-cabeças, um processo de montagem no qual diferentes conhecimentos precisam
estar conectados.
Fonte: Andris Torms, Shutterstock, 2018.
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VOCÊ SABIA?
A coerência textual é vista como um princípio de acessibilidade ao texto. Ela é uma necessidade e uma condição para que o discurso
tenha sentido e possa transmitir uma mensagem. Outras informações importantes sobre coerência textual são encontradas na
entrevista com Ingedore Koch, publicada em agosto de 2003 na “Revista Virtual de Estudos da Linguagem – ReVEL” (KOCH, 2003). Para
conferir a entrevista, acesse o endereço:(http://revel.inf.br/files/feae2f57341478af7ec218b4fc44d8e8.pdf) >.
Com base nos diferentes tipos de conhecimento que a coerência textual exige, bem como a partir da ideia de que
ela está ligada também à coesão textual – e que ambas são responsáveis pelo sentido do texto –, destacaremos, a
seguir, os fatores de coerência e as possibilidades de mediar conhecimento relativo a isso. Observam-se, assim,
os mecanismos que possibilitam informações e enunciados coerentes dentro de um texto.
2.4.1 Fatores de coerência
Conforme já mencionado, a coerência textual possui mecanismos próprios para que seja efetivada dentro de um
texto. A seguir, destacaremos os tipos de coerência que devem ser considerados ao se produzir um texto, bem
como os fatores dos quais esta coerênciadepende. Para que o texto seja coerente, segundo Koch (2011), isso
precisa ocorrer nos diferentes níveis, os quais sejam: o sintático, o semântico, o temático, o ilocucional,
contribuindo todos estes para a coerência global.
Portanto, existem alguns tipos de coerência textual que precisamos sempre enfocar:
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http://revel.inf.br/files/feae2f57341478af7ec218b4fc44d8e8.pdf
http://revel.inf.br/files/feae2f57341478af7ec218b4fc44d8e8.pdf
Coerência semântica: os elementos do texto precisam fazer sentido entre si, pois quando nos referimos a
elementos semânticos, estamos mencionando o desenvolvimento lógico das ideias. Por exemplo: não é muito
lógica a frase “Gosto de livros e de frutas”, porém dizer que “Gosto de livros e de filmes” tem mais sentido em
relação ao significado.
Coerência sintática: refere-se aos “meios sintáticos para fazer com que haja coerência semântica, através do uso
de conectivos, pronomes, sintagmas” (KOCH; TRAVAGLIA, 2010, p. 43). Por exemplo: Escreve ninguém assim
frase uma. Você entendeu? Mesmo não conhecendo a sintaxe, não vamos escrever uma frase assim. Portanto, a
coerência sintática segue a lógica de que os elementos precisam estar dispostos segundo uma ordem dentro da
frase.
Coerência estilística: uso de um mesmo estilo de elementos linguísticos. Por exemplo, ao escrever uma
dissertação argumentativa, seguiremos uma variedade linguística argumentativa, formal e impessoal, e não
podemos misturar elementos da linguagem coloquial.
Além disso, a coerência é dependente de alguns fatores:
Elementos linguísticos: servem como indicação para ativar conhecimentos previamente armazenados em nossa
memória. A forma como esses elementos se organizam, os sentidos, as famílias de significados, enfim, tudo isso
contribuirá ativamente no momento de construir coerência.
Conhecimento de mundo: já mencionado anteriormente, o tanto que conhecemos do nosso entorno e do
contexto social e cultural contribuirá na interpretação daquilo que lemos. Esse conhecimento é adquirido
conforme vivemos e fica armazenado em nossa memória. Ao produzir um texto, ativamos essa memória e somos
capazes de trazer elementos para o texto a partir das vivências.
Conhecimento compartilhado: o conhecimento e a memória de cada indivíduo é pessoal e intransferível. Cada
escritor produzirá seu texto a partir de suas vivências. Porém, para que o sentido dado por um autor seja
compreendido por seu leitor, há a necessidade de que algum conhecimento seja compartilhado. Deste modo, a
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interpretação poderá ser coerente com a intenção do autor.
Inferências: as inferências dizem respeito ao estabelecimento de relações não explícitas entre informações de
um texto.Sempre precisamos fazer inferências em um texto, pois, se assim não fosse, ele precisaria ser
extremamente longo e com cada informação minimamente detalhada (KOCH; TRAVAGLIA, 2010).
Situacionalidade: o texto deve estar adequado à situação de comunicação, pois um texto pode ser coerente
numa situação e, em outra, não.
Informatividade: diz respeito ao grau de “previsibilidade da informação contida no texto.” (KOCH; TRAVAGLIA,
2010, p. 86). Quanto mais previsível for a informação contida num texto, tão menor o grau de informatividade
que produzirá.
Focalização: tem relação direta com o conhecimento de mundo e com o conhecimento compartilhado entre
autor e leitor. Algumas expressões no texto, como também o título, são responsáveis pela focalização. Koch e
Travaglia (2010, p. 91) destacam que “[...] no ensino de redação, quando dizemos ao aluno que deve delimitar o
assunto e estabelecer um objetivo para o seu texto, estamos, na verdade, levando-o a focalizar o tema de um
determinado modo.”
Intertextualidade: já discutida neste capítulo.
Quando falamos sobre a intertextualidade, mencionamos o filósofo e pensador russo Mikhail Bakhtin (1895-1975), autor que traz a teoria do
dialogismo, o que remete ao fato de que qualquer enunciado já foi mencionado, criticado, aperfeiçoado (PINHEIRO, 2009). Para saber mais
sobre este autor, acesse o endereço:   .
VOCÊ O CONHECE?
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https://novaescola.org.br/conteudo/1621/mikhail-bakhtin-o-filosofo-do-dialogo
https://novaescola.org.br/conteudo/1621/mikhail-bakhtin-o-filosofo-do-dialogo
Intencionabilidade e aceitabilidade: diz respeito às intenções do autor e como estas são aceitas pelo leitor. O
produtor de um texto tem, portanto, propósitos e objetivos, “[...] que vão desde a simples intenção de
estabelecer ou manter o contato com o receptor até a de levá-lo a partilhar de suas opiniões ou a agir ou
comportar-se de determinada maneira” (KOCH; TRAVAGLIA, 2010, p. 97).
Consistência e relevância: os enunciados de um texto precisam ser consistentes com os anteriores, ou seja,
todos devem “ser verdadeiros dentro de um mesmo mundo ou dentro do mundo representado no texto” e
relevantes dentro do conjunto de tópicos apresentados num texto (KOCH; TRAVAGLIA, 2010, p. 99).
2.4.2 Coerência e ensino
Muito importante no processo de ensino da produção escrita está o conhecimento textual que o aluno tem, e
esse é adquirido por suas práticas de leitura (KOCH; ELIAS, 2010). Nesse sentido, o papel do professor está em
mediar o contato dos alunos com textos de diferentes gêneros e sobre os mais distintos temas.
Mas como trabalhar a coerência no ensino da produção escrita?
Koch e Elias (2010, p. 214) respondem à questão dizendo que “[...] a coerência precisa ser tratada para além do
que o texto nos revela em sua materialidade linguística explicitamente constituída.”  É importante embasar a
prática também na leitura e no conhecimento previamente adquirido. Assim, é possível conduzir o processo de
produção escrita dos alunos.
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VOCÊ SABIA?
As professoras Maria José dos Santos e Sylvia Domingos Barrera (2015) publicaram o estudo “Escrita de textos narrativos sob diferentes
condições de produção”, feito a partir de uma prática de escrita de textos narrativos com alunos de 5 ano do Ensino Fundamental de
uma escola do estado de Goiás. O resultado está disponível em:  .Essa leitura poderá ajudá-lo no momento em que precisar trabalhar a escrita de textos
narrativos em sala de aula.
Além disso, é necessário que o professor nunca diminua o processo de produção textual de um aluno. Isso quer
dizer que a escrita de um texto sempre ocorre de forma gradual, e quanto mais informações sobre diferentes
gêneros você, como estudante de Letras, puder adquirir e levar para seus alunos, no momento em que estiver na
prática em sala de aula, mais conhecimento de leitura e de contextos sociais e culturais seu aluno conseguirá
relacionar com a produção escrita.
o
Síntese
Concluímos os estudos relacionados aos mecanismos da linguagem escrita. Agora você já conhece os conceitos
de intertextualidade e referenciação, imprescindíveis para a produção de um texto escrito.
Neste capítulo, você teve a oportunidade de:
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572015000200253&lng=pt&tlng=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572015000200253&lng=pt&tlng=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572015000200253&lng=pt&tlng=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572015000200253&lng=pt&tlng=pt
entender a relação entre a escrita e a intertextualidade;
identificar diferentes formas de referenciação e suas funções;
compreender a relevância da intertextualidade, da progressão referencial e da progressão sequencial no
processo de produção escrita;
conhecer um exemplo prático de produção de textos narrativos no Ensino Fundamental;
compreender a relação que se estabelece entre a leitura e a escrita;
apreender sentidos mais abrangentes relacionados ao trabalho docente de produção textual.
Referências bibliográficas
ANDRADE, O. Canto de regresso à pátria. Portal  Poesias Reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1971.  Disponível em: . Acesso em: 19/02/2018.
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
BARRERA, S.; SANTOS, M. J. Escrita de textos narrativos sob diferentes condições de produção. Psicologia
Escolar e Educacional, v. 19, n. 2, Maringá, maio/ago. 2015. Disponível em: . Acesso em: 19/02/2018.
15/12/2025, 13:32 Leitura e Produção Textual
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http://www.jornaldepoesia.jor.br/oswal.html%23canto
http://www.jornaldepoesia.jor.br/oswal.html#canto
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