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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS 
LIBRAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA – 2 
ASPECTOS 
LINGUÍSTICOS DE 
LIBRAS 
 
 
Prezado aluno, 
 
A LIBRAS ou Língua Brasileira de Sinais é a língua natural dos surdos 
brasileiros. É através dela que os surdos vivenciam suas experiências e interagem 
com os demais grupos sociais. A LIBRAS ao contrário do que muitos pensam, não 
é uma reprodução das línguas orais. A língua de sinais utiliza-se de um meio ou 
canal visual-espacial e não oral- auditivo, sendo dotada de uma gramática 
constituída a partir de elementos próprios, que se estruturam a partir de 
mecanismos fonológicos, morfológicos, sintáticos e semânticos. Além de possuir os 
elementos classificatórios e de identificação como qualquer outra língua, a língua 
de Sinais não é universal, cada país possui uma língua própria para satisfazer a 
comunicação e interação entre as comunidades ou grupos sociais que a utiliza. 
Quanto mais difundida for a Língua de Sinais, os sujeitos surdos terão maior acesso 
a comunicação e a interação social, tornando assim, mais significativas as vivências 
e experiências da comunidade surda. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
2. ASPECTOS LINGUÍSTICOS DE LIBRAS 
Conforme Brito (1995), as noções linguísticas de LIBRAS (Língua Brasileira de 
Sinais) são as mesmas de qualquer língua natural, como a língua portuguesa, por 
exemplo. Algumas das noções linguísticas mais importantes são: 
Fonologia: a fonologia da LIBRAS é o estudo dos sons e da organização 
desses sons em sinais. Cada sinal é composto por uma configuração de mão, ponto 
de articulação, orientação de mão e movimento, que, combinados, formam unidades 
mínimas de significado. 
Morfologia: a morfologia da LIBRAS é o estudo da estrutura das palavras em 
relação aos sinais. Na LIBRAS, os sinais podem ser compostos por prefixos, sufixos 
e outros elementos morfológicos, assim como as palavras em português. 
Sintaxe: a sintaxe da LIBRAS é o estudo da organização das palavras em 
frases e sentenças. Na LIBRAS, a ordem das palavras pode ser diferente da do 
português, mas segue padrões próprios, como a marcação de tópicos e a presença 
de verbos de ligação. 
Semântica: a semântica da LIBRAS é o estudo do significado dos sinais e 
como eles se relacionam entre si. Na LIBRAS, como em qualquer língua natural, o 
significado dos sinais é construído a partir do contexto em que são usados. 
Pragmática: a pragmática da LIBRAS é o estudo das regras sociais e culturais 
que governam o uso da língua em contextos sociais e culturais específicos. Isso inclui, 
por exemplo, as regras de conversação, a linguagem corporal e as expressões faciais 
que acompanham os sinais. 
Essas noções linguísticas são fundamentais para o estudo e a compreensão 
da LIBRAS como uma língua completa e complexa, com sua própria gramática e 
sintaxe. É importante lembrar que a LIBRAS é a língua materna de muitos surdos no 
Brasil e é reconhecida como uma língua oficial no país desde 2002. 
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é proveniente da Língua de Sinais 
Francesa, em uma relação similar à que a Língua Portuguesa tem com o português 
falado em Portugal. Assim, as línguas de sinais que existem não são universais, cada 
país tem a sua, podendo ou não se assemelhar com de outros países. 
Além disso, ela sofre influências culturais com o decorrer do tempo e, como 
qualquer outra, língua é carregada de expressões (sinais) que se diferenciam 
 
 
 
conforme a região. Em função disso, ao se comunicar com uma pessoa surda de outra 
região do país, certamente notará que serão diferentes os sinais usados por ela, pois 
cada região tem suas próprias palavras e gírias. 
As línguas de sinais têm seu alicerce de produção e percepção em 
características gesto-visual, ou seja, usa o corpo para fazer gesticulações no espaço 
que constituem e compõe os sinais e as frases. Normalmente, são usadas as mãos 
como instrumento de comunicação, o que, para um desconhecedor do assunto, pode 
aparentar que a pessoa está fazendo mímica ou simplesmente acenos, mas na 
verdade, esses sinais vão muito além disso, pois são repletos de regras próprias e, 
devido à sua estrutura fonológica, morfológica, sintática e semântica, elas não podem 
ser tratadas de outra forma que não seja uma língua. 
2.1 Classificadores 
Dentre as estratégias ou meios de comunicação utilizada pela língua de sinais 
é o classificador, que, inicialmente, como já dito, pode parecer apenas mímica, mas 
não são, como você verá a seguir. 
Os classificadores são estratégias linguísticas que passam determinados 
significados ou mensagens, molda sinais, incorpora personagens ou apenas usa a 
criatividade espacial para expressar um conhecimento. Eles podem usar as 
configurações de mãos para explicar o plural de algo, por exemplo. (vários pratos), e 
aparecer em situações de nível semântico (significado), sintático (organização e 
estrutura da frase) e morfológico (gênero, plural, modo, tamanho, etc.). 
Segundo Pizzio et al. (2009), os classificadores em Libras, podem ser divididos 
em cinco grupos principais: 
 
 
 
 
Fonte: adaptada de Pizzio et al. (2009) 
O classificador não é considerado uma mímica, apesar de utilizar esse recurso 
espacial para auxiliar no entendimento da mensagem, porque ele se apoia ou usa os 
parâmetros das línguas de sinais na produção de significado linguístico, e a mímica 
não os utiliza. 
Em razão desse aspecto e de tantos outros que a língua de sinais é tão 
fascinante, pois tem particularidades que a tornam tão fascinante, entretanto, sem se 
separar do que ela tanto lutou para conquistar: ser reconhecida como uma língua. 
2.2 Aspectos fonológicos da Libras 
A fonética da Língua Brasileira de Sinais expande nossos conhecimentos em 
relação às estruturas dos sinais em Libras e nos aproxima ainda mais da gramática 
da modalidade visuoespacial (Libras). Como a fonética é a camada da linguagem que 
interage diretamente com os sinalizadores, as discrepâncias anatômicas, nesse 
aspecto, têm a capacidade de influenciar a estrutura fonética da língua entre suas 
modalidades. 
1. Descritivos: descrevem paisagens, prédios, imagens, entre outros. 
2. Especificadores: são uma descrição mais detalhada sobre algo, 
descrevendo visualmente a forma, a textura, o tamanho, o cheiro, etc. do 
objeto, do corpo de uma pessoa ou de animais. 
3. Plural: são as configurações de mãos ou o sinal que substituem o objeto 
que se deseja descrever, repetidas diversas vezes para passar a ideia de 
plural. Por exemplo, vários copos. 
4. Instrumental: é a incorporação de personagem descrevendo a ação ao 
utilizar um determinado instrumento. Por exemplo, usar um martelo. 
5. De corpo: descreve a ação por meio da expressão facial e/ou corporal dos 
seres que se deseja especificar. Por exemplo, um gato afiando as unhas.
 
 
 
Essa discrepância é visível em termos de produção, uma vez que os 
articuladores utilizados na fala e no movimento das mãos variam: na língua oral, os 
articuladores são os lábios, os dentes, a língua, a garganta e a laringe, enquanto que 
na Libras, os articuladores são as mãos, os braços, a cabeça, o corpo e a face. 
Ademais dessa discrepância evidente, há diferenças fundamentais entre esses 
conjuntos de articuladores. 
 Os sinais da Língua Brasileira de Sinais podem ter uma importância menor na 
análise fonológica em comparação com a língua oral, uma vez que os sinalizadores 
são visíveis. Em outras palavras, a linguagem oral é mais suscetível a reanálise devido 
à decodificação acústica da produção. A Libras, por sua vez, é capaz de transmitir 
múltiplos eventos visuais simultaneamente, com a articulação envolvendo duas mãos 
e braços. Em contrapartida, a oralização é transmitida por meio do fluxo único de um 
sinal acústico. 
Léxico, vocabulários icônicos, arbitrários e soletrados 
De acordo comPinto (2018), o léxico é o conjunto de palavras e expressões 
que uma língua possui, e é fundamental para a comunicação efetiva em qualquer 
idioma, inclusive na Língua Brasileira de Sinais (Libras). No entanto, é importante 
ressaltar que conhecer sinais isoladamente, sem compreender o contexto em que eles 
são utilizados, não é suficiente para se tornar um profissional intérprete de Libras ou 
um usuário fluente da língua. Simplesmente sinalizar palavra por palavra pode resultar 
em uma forma de comunicação semelhante ao português sinalizado, mas não 
necessariamente em Libras. Isso pode prejudicar a compreensão dos surdos, que não 
terão acesso à informação de forma precisa e fidedigna. Para ilustrar melhor esse 
conceito, vejamos um exemplo prático. Considere a seguinte frase: 
 
Figura 1- Frase por datilologia. 
 
 
 
 
Figura 2- Frase soletrada. 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Usar apenas datilologia em uma conversa não é adequado, já que essa técnica 
não tem a função de expressar todo o significado de uma frase em Libras. Além disso, 
traduzir uma frase palavra por palavra para a Libras é equivalente a produzir um 
português sinalizado, o que não é o mesmo que utilizar a Língua Brasileira de Sinais. 
 
 
A datilologia tem sua utilidade quando precisamos comunicar nomes próprios, 
termos científicos ou elementos que ainda não possuem sinal estabelecido na língua. 
Desta forma, não se pode utilizar somente a datilologia em uma conversa, pois ela 
não substitui a estrutura da língua em si. Um exemplo de como essa frase seria 
sinalizada em Libras é o seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3- Frase representada apenas pelo sinal de idade. 
 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Na figura apresentada, é possível notar o sinal para "idade" acompanhado de 
uma expressão interrogativa que confere o contexto completo à frase: "Quantos anos 
você tem?". 
Sinais icônicos 
A fonologia da Libras apresenta sinais icônicos que podem proporcionar mais 
iconicidade do que as línguas orais, uma vez que objetos no mundo externo tendem 
a ter associações mais visuais do que auditivas. É importante destacar que, embora 
as línguas de sinais não possam mostrar um vínculo arbitrário entre símbolo e 
referente ou forma e significado, esse vínculo é tão convencionado quanto nas línguas 
orais. Além disso, é relevante observar que os oralizadores não têm verdadeira ciência 
do simbolismo sonoro que existe nas palavras, como "dor", "choro", "risada", etc., o 
que também é importante para os surdos, podendo resultar na falta de conhecimento 
das origens icônicas dos sinais. 
De acordo com Pinto (2018), os sinais icônicos são visualmente parecidos com 
os gestos comuns utilizados em nosso dia a dia, o que os torna familiares para muitas 
pessoas, mas não são considerados universais. Esses sinais são comuns na Libras e 
transmitem significados de forma icônica, observe a figura (Figura 4). 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4- Para sinalizar a palavra “feliz”, basta fazer a expressão de felicidade. 
Dessa forma, você já idealiza a comunicação. 
 
Fonte: mimagephotography/Shutterstock.com. 
Mesmo sendo um leitor leigo em Libras, é possível entender o significado de 
diversos sinais em Libras, bem como fazer sinais de palavras com estas 
características. 
Observe e reflita as palavras no quadro a seguir: 
Quadro 1. 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Após essa reflexão, tente idealizar sinais com as mãos e com o corpo que 
poderiam expressar essas palavras. É certo que não encontrou dificuldade para 
sinalizá-las! 
 De modo simplificado, essas palavras fáceis de sinalizar e que todos 
entenderiam são os sinais icônicos. Inverteremos, agora, esses exemplos. Observe 
os sinais a seguir: 
 
 
 
 
 
Figura 5- Sinais de não/casa/beber. 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Embora possa ser possível reconhecer alguns sinais em Libras mesmo sem 
conhecimento prévio da língua, é importante ressaltar que a compreensão dos 
significados e a habilidade de produzir sinais de forma adequada requerem um 
aprendizado formal da língua. Como você pôde ver na Figura 5, diversas palavras e 
seus sinais em Libras para reflexão. 
Sinais arbitrários 
A arbitrariedade é um aspecto importante da fonologia da Libras que suscita 
questões sobre sua legitimidade e autenticidade enquanto língua própria. Enquanto 
os sinais icônicos possuem uma associação visual direta com o referente, os sinais 
arbitrários não possuem tal relação e requerem conhecimento prévio da língua para 
sua identificação e produção adequada. É fundamental compreender essa distinção 
para compreender plenamente a fonologia da Libras. 
Segundo Pinto (2018), os sinais arbitrários são sinais que não possuem uma 
aparência que remeta a gestos convencionais, nem uma relação com a realidade, 
tornando difícil para um leigo em Libras entender o seu significado. Se alguém pedir 
para você, que é leigo em Libras, sinalizar as palavras: admirar, desculpe, quarta-feira 
provavelmente não conseguirá, justamente por essas palavras serem arbitrariamente 
sinalizadas. Os sinais arbitrários são a maioria na Língua Brasileira de Sinais, o que 
destaca a importância de conhecer e compreender essa língua. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6- sinais arbitrários: “admirar", "desculpe" e "quarta-feira” 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Como você viu, na Figura 6, os sinais arbitrários da fonologia em Libras não 
têm relação direta com o significado das palavras. Um exemplo disso são os sinais 
para as palavras "admirar", "desculpe" e "quarta-feira". Provavelmente, sem 
conhecimento prévio da Língua Brasileira de Sinais, não seria possível compreender 
esses sinais. 
Sinais soletrados 
Algumas palavras em Libras não possuem sinais sistematizados dentro dos 
cinco parâmetros, o que pode levar a variações regionais nos sinais utilizados. Por 
exemplo, em São Paulo, uma palavra pode ser soletrada, enquanto em Goiás existe 
um sinal específico para ela. 
 
 
É relevante salientar que a datilologia não deve ser confundida com a 
soletração de uma palavra em Libras. A datilologia pode ser utilizada para representar 
 
 
 
qualquer palavra quando não se conhece o sinal correspondente, enquanto o sinal 
soletrado é o próprio sinal da palavra e é uma opção minoritária entre o vocabulário 
da língua de sinais. 
De acordo com Hirata (2018), é relevante considerar o regionalismo, visto que 
as línguas de sinais ofertam possibilidades exclusivas para experenciar ideias sobre 
a natureza da própria linguagem, ideias geralmente formuladas exclusivamente a 
partir de observações na língua oral. Entre todas as diferenças e semelhanças entre 
línguas orais e línguas de sinais, as áreas que apresentam as divergências mais 
marcantes ocorrem na morfofonética e na fonologia. A área de interação entre 
morfologia e fonologia é divergente, de fato, em razão das liberdades e restrições 
dispostas para cada sistema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
BRITO, L. F. Por uma gramática da língua de sinais. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, 1995. 
HIRATA, G. Existem gírias na língua de sinais dos surdos? Mundo Estranho, 20 
abr. 2018. 
PINTO, D. N. Libras: Língua Brasileira de Sinais. Aracaju: UNIT, 2018. 
PIZZIO, A. L. et al. Língua Brasileira de Sinais III. Florianópolis: Centro de 
Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2009.

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