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SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Olá! Após a conceituação de sistemas, iremos abordar, de forma geral, as metodologias sistêmicas. O termo "metodologia" origina-se do grego ‘methodos’ e pode ser compreendido como o estudo dos métodos e, especificamente neste e no próximo capítulo, compreenderá o estudo dos diferentes tipos de abordagens sistêmicas. Bons estudos! AULA 2 – METODOLOGIAS SISTÊMICAS 1 METODOLOGIAS SISTÊMICAS 1.1 Abordagens no âmbito da teoria de sistemas: Dedutiva e Indutiva Ao iniciar nosso percurso de estudos, podemos iniciar apontando o entendimento de Cervo e Bevian (1983) quanto aos temas de indução e a dedução que, segundo estes, são, antes de tudo, meios de raciocínio ou de argumentação e, como tais, são formas de reflexão e não de simples pensamento. Nos permitindo julgar que – por analogia – o raciocínio como algo ordenado, coerente e lógico, pode ser indutivo ou dedutivo. Dessa forma, a dedução corresponde a argumentação que tornam explicitas verdades particulares contidas em verdades universais. O ponto de partida é a "verdade universal” e o ponto de chegada é a "verdade particular" contida na "universal". Há, portanto, uma conexão descendente. Alinhado a isso, o raciocínio dedutivo busca, então, relacionar o antecedente e o consequente. O cerne da dedução é a relação lógica que se estabelece entre as proposições, dependendo o seu vigor do fato de a conclusão ser sempre verdadeira, desde que as premissas também o sejam (CERVO e BEVIAN, 1983, p. 40). Em particular ao que tange as premissas, deve-se aceitar também a conclusão, isto porque toda afirmação ou conteúdo final da conclusão já estava, pelo menos implicitamente, contido nas premissas. Já sobre o processo dedutivo, este por um lado, leva o pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de erro, mas, por outro, pode ser considerado de alcance limitado, pois a conclusão não pode possuir conteúdos que excedam o das premissas (JOÃO, 2012). Ao passo que, no âmbito da indução, tratando-se sobre a conclusão, vê-se que a mesma está para as premissas como o todo está para as partes. De verdades particulares, consegue-se descobrir verdades gerais, como destaca João (2012). O argumento indutivo baseia-se, portanto, na generalização de propriedades comuns a certo número de casos observados a todas as ocorrências de fatos similares que se verificam. O grau de confirmação dos enunciados induzidos depende das evidências ocorrentes. Na abordagem indutiva, busca-se abstrair interpretações, categorizá-las e integrá-las em um todo. Pode-se observar diante dos estudos que a indução e a dedução são processos que se complementam. Dessa forma, a indução reforça-se por argumentos dedutivos extraídos de outras disciplinas que lhe são correlatas ou afins. Na prática, recorre-se a ambos os instrumentos para demonstrar a verdade das proposições submetidas à análise (CERVO e BEVIAN, 1983). Ao tratar das duas abordagens, introduz-se ainda o conceito de hierarquia epistemológica dos sistemas, derivado de algumas noções: a partir do investigador e seu ambiente, do objeto a ser investigado e seu ambiente e das interações entre o investigador e o objeto (LAUDON, 2007). Em se tratando do nível inferior da hierarquia, constata-se que o termo "sistema" compreende o investigador, de acordo com a sua proposta de trabalho e do conhecimento disponível e relevante para a investigação. Enquanto que, as categorias superiores de sistemas envolvem a categorização das relações entre as variáveis básicas, com a introdução de variáveis adicionais. Nesse sentido, a evolução ocorre com a transição dos sistemas inferiores para os superiores, por meio de fenômenos que envolvem a mudança, a adaptação e a auto-organização (FREITAS, 1997). 1.2 A abordagem sistêmica e a ciência moderna Os conceitos sistêmicos podem ser aplicados às várias áreas do conhecimento. Neste sentido, de acordo com Blauberg et al. (1977), é possível distinguir no mínimo três tipos de aplicações dos estudos sistêmicos: A primeira, refere-se à aplicação dos princípios teóricos da pesquisa sistêmica na construção do conteúdo da esfera filosófica da abordagem sistêmica. Nesse caso, são utilizados os princípios gerais para a solução de problemas científicos, sejam eles abstratos ou concretos; Já a segunda, trata-se das aplicações baseadas no uso dos princípios sistêmicos gerais na formulação e solução de problemas de áreas específicas de conhecimento. Há uma grande variedade de estudos aplicados. Ex: Aplicação dos princípios sistêmicos para a solução de problemas sociais. E, por último, envolve a aplicação dos princípios da teoria dos sistemas à vida social. Tem um caráter especial, uma vez que se refere à aplicação da teoria à vida prática, sobretudo na administração, por meio de novos princípios, adequando abordagens à problemas práticos e à uma aplicação eficiente de vários instrumentos modernos. Dessa forma, alinhado ao pensamento de Blauberg et al., vê-se que o foco principal nesse caso, é a aplicação dos princípios sistêmicos aos problemas sociais, em especial aos problemas de gestão das organizações e de tomada de decisão. 1.3 A abordagem sistêmica nas ciências sociais Mediante aos estudos realizados, observamos que os conceitos sistêmicos são utilizados de diferentes formas nas várias áreas das ciências sociais. A abordagem sistêmica torna possível aplicar à essas áreas, noções gerais e métodos de análise desenvolvidos em outros campos do conhecimento, em particular na biologia e na cibernética (AUDY et al., 2007). Dessa forma, nas ciências sociais como em outras áreas do conhecimento, a abordagem sistêmica pode ser considerada uma exigência na elaboração das metodologias de pesquisa. A abordagem sistémica fornece, assim, instrumentos metodológicos e lógicos para a pesquisa social (CERVO e BEVIAN, 1983). 1.3.1 Objeto de investigação Aprofundando os estudos acerca da abordagem sistêmica e a elaboração das metodologias de pesquisas, em especial, sobre o objeto de investigação, constata- se a dificuldade no estudo de objetos complexos, por exigir descobrir a correlação em dois planos essenciais: o do funcionamento e o do desenvolvimento do objeto. Diante disso, se faz necessário considerar três tipos de tarefas que devem ser formuladas com relação ao objeto, como afirma Cervo e Bevian (1983): análise da história do objeto sem relacioná-la à sua estrutura; a questão da análise da estrutura do objeto, relacionando-a à sua história; e, por último, tomar em conta a necessidade da explicação da história do objeto por meio de sua estrutura e de sua estrutura por meio de sua história. O conhecimento científico deve fazer com que, essas diferentes tarefas estejam sincronizadas no estudo de qualquer objeto complexo. Inicia-se, assim, com noções sobre o objeto, percebendo-se e acumulando dados. Em particular aos dados são, em princípio, de caráter descritivo. Na sequência se faz oportuno iniciar o processo de construção de explicações para o conjunto acumulado de fatos. Geralmente, pressupõe certa esquematização. Dessa forma, apresenta-se uma esfera para a construção de conceitos teóricos, destaca-se o fato de que, não se deve analisar o objeto em si, mas uma sequência de estados e estágios pelos quais o objeto passa (CERVO e BEVIAN, 1983). Cabe ressaltar que não se deve limitar à consideração de uma sequência de estados, mas analisar os tipos de variações do objeto. Nessa perspectiva, essa tarefa é influenciada pelas visões do pesquisador, especialmente seus valores éticos e nível de conhecimento. O conhecimento da composição do objeto, sua anatomia e morfologia não necessariamente implicam a ciência de sua estrutura. A estrutura passa a ser revelada pela dinâmica do objeto. Um estudo estrutural, portanto, envolve a análise do funcionamentodo objeto, sendo essencialmente dinâmico (CHURCHMAN, 1971). 1.3.2 A decomposição da realidade social Dentro da área de ciências sociais, observando a especificidade dos estudos sociológicos e psicológicos, vemos, principalmente, nestas duas áreas, que as determinam o fato de usarem o grupo social como unidade de análise. Vários tipos de grupos são considerados, em virtude de conexões interindividuais (LAUDON, 2007). O procedimento de identificação e representação das conexões é baseado nas definições funcionais do indivíduo. Assim, a tipologia das características individuais forma a base para a tipologia dos grupos sociais. Consequentemente, o grupo será, na realidade, um sistema de funções dos indivíduos que formam esse grupo. Nesse sentido, de acordo com Laudon (2007), o indivíduo aparece como o elemento primário para a construção do todo social. De outro modo, o grupo social é composto por indivíduos, e a unidade de análise pode ser o grupo e não o indivíduo. Este é estudado como incluído em um grupo maior, verificando-se o seu papel no mesmo. A relação entre a sociedade e o indivíduo configura-se em um dilema das ciências sociais, incitando a utilização das abordagens sistêmicas para sua compreensão. Nesse contexto, a tarefa da abordagem sistêmica não é a de construir uma teoria social universal ou mesmo um modelo global da sociedade como um todo; acredita-se que a abordagem sistêmica consiste em um instrumento metodológico adequado para a consecução de tarefas menores (AUDY et al., 2007). 1.4 A abordagem sistêmica na administração Ao buscar tratar a abordagem sistêmica na administração, vê-se que seus estudos derivam do biólogo Ludwig von Bertalanffy, em 1950, por meio de sua Teoria Geral dos Sistemas (TGS). Dentro da Teoria Geral da Administração (TGA), constata- se que, ao longo do tempo, a TGA tem mostrado uma expansão gradual e crescente de seu foco, de uma abordagem clássica para uma abordagem sistêmica (CHIAVENATO, 2002). De acordo com a abordagem clássica, a TGA, como quase todas as ciências da época, foi influenciada por três princípios dominantes: reducionismo, pensamento analítico e mecanicismo. Reducionismo: Baseado na crença de que todas as coisas podem ser decompostas em partes menores, reduzidas aos seus elementos básicos mais simples, de forma que atinjam a estrutura de unidades indivisíveis; Pensamento analítico: é usado pelo reducionismo e considera que a divisão oferecida permite que tudo (objetos, fenômenos, teorias) seja melhor explicado, compreendido e resolvido, se for avaliado em suas partes mais elementares; Mecanismo: basicamente baseado em uma relação simples de causa e efeito entre dois fenômenos, um dos quais é a causa e o outro o efeito, se o primeiro for suficiente para causar o segundo. Com o surgimento da teoria de Bertalanffy, conforme destaca Chiavenato (2002), tais princípios foram substituídos, levando a gestão do TGA a uma abordagem de sistemas onde seu foco mudou para princípios opostos correspondentes ao expansionismo derivado do TGS, pensamento sistêmico e teleologia: Expansionismo: Este é um princípio que considera cada fenômeno como parte de um fenômeno maior, ou seja, o desempenho de um sistema depende de como ele se relaciona com o todo ao seu redor (visão focada no todo); Ex: um átomo na física, uma célula na biologia e substâncias na química são exemplos que descrevem o conceito de reducionismo. Pensamento sintético: vê cada fenômeno como parte de um sistema maior, explicado pelo papel ou função que desempenha nesse sistema (interesse em conectar as coisas em vez de separá-las); Teleologia: entende a causa como condição necessária, mas nem sempre suficiente para a ocorrência do efeito, ou seja, causa e efeito não representam uma relação determinística ou mecânica, mas puramente probabilística. Ao contrário do mecanismo, que enfoca a causa como promotora do efeito, a teleologia enfoca o efeito como motivação causal, explicando o comportamento em termos do que ele produz ou pretende produzir. Dessa forma, tais princípios introduzidos na abordagem de sistemas, principalmente a teleologia, contribuiu na reforma da Teoria Geral da Administração, passando a influenciar fortemente esta e outras ciências, introduzindo o conceito de busca de metas, em que os sistemas e suas partes integrantes possuem metas e objetivos únicos (ANDRADE, 2007). Em conexão com essas mudanças, os mais diversos campos e ciências, que antes correspondiam a mundos isolados, começaram a alinhar seus objetivos. Assim, cria-se uma abordagem de gestão sistêmica, combinando conceitos de diferentes ciências, acreditando que um determinado objeto de pesquisa tenha dimensões diferentes. 1.4.1 A abordagem sistêmica e os problemas de gerencia e controle A metodologia sistêmica é considerada na solução de problemas complexos na esfera da gerência e do controle. A análise sistêmica foi utilizada na década de 1960, especificamente como instrumento para a solução de problemas estratégicos militares. A diversidade de fatores e a variedade de aspectos dos problemas resolvidos pela análise sistêmica acarretam algumas implicações: A correta e precisa formulação do problema é essencial, bem como dos resultados esperados. Estudos demonstram que muitos problemas complexos não são resolvidos por estarem mal formulados, sem a definição de seus aspectos essenciais; As operações de formulação e solução das questões devem estar subordinadas a uma abordagem integral e do todo. Qualquer problema complexo deve ser decomposto em problemas menores, o que requer uma abordagem específica e critérios de avaliação da efetividade. As categorias de análise sistêmica incluem estratégia, os estados da natureza e os resultados finais. Pode-se, também, considerar como elementos lógicos da análise sistêmica, na gerência e no controle, as categorias básicas: As metas ou conjunto de metas; Os meios alternativos para a consecução das metas ou estratégias; Recursos gastos pelo sistema; Modelo matemático ou lógico, ou seja, um sistema de conexões entre as metas, meios alternativos, ambiente, necessidades versus recursos; O critério objetivo para a seleção das alternativas. Dessa forma, conforme afirma Van Gigch (1974), a abordagem sistêmica é fundamental para maximizar a compreensão das organizações. Vale destacar que, as organizações são consideradas sistemas com um nível de ordem mais elevado, se comparadas aos sistemas vivos, com alto grau de complexidade e determinação consciente de buscar atingir metas preestabelecidas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Aurélio L; et al. Pensamento Sistêmico. Porto Alegre: Bookman, 2006. AUDY, Jorge L. Nicolas; ANDRADE, Gilberto Keller; CIDRAL, Alexandre. Fundamentos de sistemas de informação. Porto Alegre: Bookman, 2007. BLAUBERG, I. V; et al. Systems theory: philosophical and methodological problems. Moscou: Progress Publishers, 1977. CERVO, A. L.; BEVIAN, P. A. Metodologia Científica. São Paulo: McGraw-Hill, 1983. CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração. Vol. 2. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2002. CHURCHMAN, C. W. Introdução à Teoria dos Sistemas. Petrópolis: Vozes, 1971. FREITAS, H; et al. Informação e decisão: sistemas de apoio e seu impacto. Porto Alegre: Ortiz, 1997. JOÃO, B. (Org.). Sistemas de Informação. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. LAUDON, Kenneth C. Sistemas de informações gerenciais. Tradução de Thelma Guimarães. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. VAN GIGCH, J. P. Applied general systems theory. New York: Harper & Row Publishers Inc., 1974. 1 METODOLOGIAS SISTÊMICAS 1.1 Abordagens no âmbito da teoria de sistemas: Dedutiva e Indutiva 1.2 A abordagem sistêmica e aciência moderna 1.3 A abordagem sistêmica nas ciências sociais 1.3.1 Objeto de investigação 1.3.2 A decomposição da realidade social 1.4 A abordagem sistêmica na administração 1.4.1 A abordagem sistêmica e os problemas de gerencia e controle REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS