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AULA 2: A “GÊNESE”: ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA E TEORIA CLÁSSICA • Conhecer os Princípios da Administração científica. • Explorar o modelo de administração criado por Taylor no século XX. • Conhecer os principais aspectos da Administração na Teoria Clássica. • Conhecer o objetivo de Fayol ao se atentar à estrutura organizacional na Teoria Clássica. CONTEXTUALIZANDO A APRENDIZAGEM Prezado(a) aluno(a), vimos na aula anterior como a administração se tornou um dos objetos de estudo de maior ênfase pela humanidade, como os conceitos são aplicados dentro da organização, a fim de ajudar as pessoas na elaboração de suas funções com eficiência e eficácia. Nessa segunda aula, veremos que no século XX a abordagem Clássica da Administração e seu desdobramento se deu em duas vertentes distintas: a Administração Científica, tendo como seu mentor Frederick W. Taylor, e a Administração Clássica, tendo como seu principal mentor Henri Fayol. Vamos conhecer mais sobre a administração científica e a teoria clássica? Mapa mental panorâmico Para contextualizar e ajudá-lo(a) a obter uma visão panorâmica dos conteúdos que você estudará na Aula2, bem como entender a inter- relação entre eles, é importante que se atente para o Mapa Mental, apresentado a seguir: A “GÊNESE”: ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA E TEORIA CLÁSSICA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA 1.1 A OBRA DE TAYLOR 1.2 ORGANIZAÇÃO RACIONAL DO TRABALHO 1.3 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA DE TAYLOR 2 TEORIA CLÁSSICA 2.1 A OBRA DE FAYOL 2.2 AS FUNÇÕES BÁSICAS DA EMPRESA 2.3 CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO 2.4 PROPORCIONALIDADE DAS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS 2.5 DIFERENÇA ENTRE ADMINISTRAÇÃO E ORGANIZAÇÃO 2.6 PRINCÍPIOS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO PARA FAYOL A “GÊNESE”: ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA E TEORIA CLÁSSICA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA A abordagem da Administração Científica prioriza a ênfase nas tarefas. A preocupação original foi eliminar o fantasma do desperdício e das perdas sofridas pelas indústrias e elevar os níveis de produtividade. Veja bem, a administração científica é uma escola de administração criada no final do século XIX, pelo americano Frederick Winslow Taylor. O início do século XX teve como base a aplicação dos métodos científicos na administração como forma de garantir melhor custo/benefício aos produtos e serviços. Segundo Chiavenato (2004), Taylor buscava a melhor forma de garantir e até melhorar o nível de produção, ou seja, procurava conseguir que o trabalhador em menos tempo elevasse o nível de produtividade sem elevar o custo de produção. Com isso, pode observar que os sistemas da época tinham falhas a serem melhoradas como, por exemplo: a falta de padronização nos métodos de trabalho, a falta de conhecimentos dos trabalhadores e dos administradores, e a forma de remunerar os trabalhadores foram as principais falhas observadas por Taylor. Com essa visão, em 1903, Taylor publica o livro “Administração de Oficinas” expondo pela primeira vez seus pensamentos. Taylor (1903) propôs a racionalização do trabalho por meio do estudo dos tempos e movimentos. O que constituía em analisar o trabalho a ser melhorado, testando e analisando cientificamente, definindo metodologia a ser seguida junto aos trabalhadores na padronização dos métodos e das ferramentas. 1.1 A OBRA DE TAYLOR Frederick Winslow Taylor (1856-1915) foi fundador da Administração Científica, nasceu na Filadélfia, nos Estados Unidos. Veio de uma família de princípios rigorosos, sendo educado com uma disciplina severa e forte. Iniciou sua carreira como operário na Midvale Steel Co., passando a capataz, contramestre até chegar a engenheiro, quando se formou pelo Stevens Institute. Figura 1: Frederick Winslow Taylor Fonte: Disponível em Créditos Prezado(a) aluno(a) para saber mais sobre a vida de Taylor e seu início dentro das organizações, sugiro a leitura do texto: Frederick Winslow Taylor de Caroline Faria, clicando aqui. O trabalho de Taylor foi dividido em dois períodos: O primeiro período de Taylor teve como base principal a racionalização do trabalho do operário. Chiavenato (2004, p.54 e 55) relata que Taylor em seu livro Shop Management, lançado em 1903, teve como princípios: 1. O objetivo da Administração é pagar salários melhores e reduzir custos unitários de produção. 2. Para realizar tal objetivo, a Administração deve aplicar métodos científicos de pesquisa e experimentos para formular princípios e estabelecer processos padronizados que permitam o controle das operações fabris. https://www.infoescola.com/biografias/frederick-taylor/ 3. Os empregados devem ser cientificamente selecionados e colocados em seus postos com condições de trabalho adequadas para que as normas possam ser cumpridas. 4. Os empregados devem ser cientificamente treinados para aperfeiçoar suas aptidões e executar uma tarefa para que a produção normal seja cumprida. 5. A Administração precisa criar uma atmosfera de íntima e cordial cooperação com os trabalhadores para garantir a permanência desse ambiente psicológico. O método usado por Taylor foi o Cartesiano. O ponto de partida foi a aplicação dos princípios da tecnologia de sua época ao trabalho manual. Procurou aplicar às operações manuais os mesmos princípios que os projetistas aplicavam às operações das máquinas no século XIX. Para tanto, ele identificava o trabalho a ser feito, decomponha-o em suas operações individuais, designava a maneira certa de realizar cada operação e, finalmente, reunia as operações na sequência que permitia realizá-lo mais rapidamente e com maior economia de tempo e movimento. O método cartesiano está na base desse raciocínio Chiavenato (2004, p. 58) e quando estudado, faz conexão com o modelo de ensino nos dias de hoje, no qual os professores ensinam os alunos usando o método cartesiano, ou seja, do mais simples ao mais complexo, eventualmente utilizando todas as fases de descartes. No segundo período de Taylor, ele define que o modo como o colaborador (operário) trabalha deve ser acompanhado e definiu métodos de administração aplicáveis em todas as situações diárias da empresa. Chiavenato (2004, p.56) afirma que Taylor apontou 3 males que as indústrias da época tinham: 1. Vadiagem sistemática dos operários, que reduziam a produção acerca de um terço da que seria normal para evitar a redução das tarifas de salários pela gerência. Há três causas determinantes da vadiagem no trabalho: a. O engano disseminado entre os trabalhadores de que o maior rendimento do homem e da máquina provoca desemprego. b. O sistema defeituoso de Administração que força os operários à ociosidade no trabalho a fim de proteger seus interesses pessoais. c. Os métodos empíricos ineficientes utilizados nas empresas, com os quais o operário desperdiça grande parte de seu esforço e tempo. 2. Desconhecimento, pela gerência, das rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua realização. 3. Falta de uniformidade das técnicas e dos métodos de trabalho. Para Taylor, o operário não tinha capacidade, formação, nem meios para analisar cientificamente seu trabalho e estabelecer racionalmente o método ou processo mais eficiente, conforme aponta Chiavenato (2004). A lenta construção da eficiência apesar de sua atitude pessimista a respeito da natureza humana - já que considerava o operário como irresponsável, vadio e negligente - Taylor se preocupou em criar um sistema educativo baseado na intensificação do ritmo de trabalho em busca da eficiência empresarial e, em uma visão mais ampla, reduzir a enorme perda que o país vinha sofrendo com a vadiagem e a ineficiência dos operários em quase todos os atos diários. O modelo científico inspirador do taylorismo foi a termodinâmica de N. Carnot, de onde Taylor extraiu a ideia da maximização da eficiência industrial com base na maximização da eficiência de cada uma das tarefas elementares: a melhoria da eficiência de cada operário conduz à melhoria em toda a empresa. Chiavenato (2004, p.56) relata que, apesar de tudo, Taylor se preocupou em criarum sistema educativo baseado na intensificação do ritmo de trabalho em busca da eficiência empresarial e, em uma visão mais ampla, reduzir a enorme perda que o país vinha sofrendo com a vadiagem. 1.2 ORGANIZAÇÃO RACIONAL DO TRABALHO Na tentativa de eliminar os movimentos inúteis e rudimentares, buscando alternativas para que os trabalhadores executassem suas tarefas de forma mais simples, rápida, com maiores lucros e qualidade, criou um método científico: ORT – Organização Racional do Trabalho. Segundo Chiavenato (2004 p.57) A organização Racional do trabalho se baseia em: • Análise do trabalho e do estudo dos tempos e movimentos: Garante que o trabalho seja executado da melhor e mais econômica maneira possível, por meio da divisão e subdivisão de todos os movimentos necessários à execução de cada operação de uma tarefa. Tendo como objetivo: 1. Eliminação do desperdício de esforço humano e dos movimentos inúteis. 2. Adaptação dos operários à tarefa. 3. Treinamento dos operários. 4. Especialização do operário. 5. Estabelecimento de normas para a execução do trabalho. • Estudo da fadiga humana: A fadiga predispõe o trabalhador para: diminuição da produtividade e qualidade do trabalho; perda de tempo; aumento da rotatividade de pessoal; doenças e acidentes e diminuição da capacidade de esforço. Em suma, a fadiga é um redutor da eficiência, segundo afirma Chiavenato (2004, p. 58 e 59). • Divisão do trabalho e especialização do operário: A especialização do operário se dá com a finalidade de elevar sua produtividade. Com isso, cada operário passou a ser especializado na execução de uma única tarefa para ajustar-se aos padrões descritos e às normas de desempenho definidas pelo método, de acordo com Chiavenato (2004, p. 59). A partir daí, o operário perdeu a liberdade e a iniciativa de estabelecer a sua maneira de trabalhar e passou a ser confinado à execução automática e repetitiva, durante toda sua jornada de trabalho CHIAVENATO (2004, p. 61). Caro(a) aluno(a) para conhecer mais sobre a vida dos trabalhadores na época, assista ao filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin. O filme mostra a vida dos operários em meio a revolução Industrial, filme esse que é um ícone da chamada Administração Científica. https://www.youtube.com/watch?v=vukhkvgmYaw • Desenho de cargos e de tarefas: As vantagens de se desenhar os cargos e tarefas são: 1) Admissão de empregado com qualificações mínimas e salários menores, reduzindo os custos de produção. 2) Minimização dos custos de treinamento. 3) Redução de erros na execução, diminuindo os refugos e rejeições. 4) Facilidade de supervisão, permitindo que cada supervisor controle um número maior de subordinados. 5) Aumento da eficiência do trabalhador, permitindo maior produtividade (CHIAVENATO, 2004, p. 60 e 61). https://www.youtube.com/watch?v=vukhkvgmYaw • Incentivos salariais e prêmios de produção: Para obter essa colaboração do operário, Taylor e seus seguidores desenvolveram planos de incentivos salariais e de prêmios de produção. A ideia básica era a de que a remuneração baseada no tempo (salário mensal, diário ou por hora) não estimula ninguém a trabalhar mais e deve ser substituída por remuneração baseada na produção de cada operário (salário por peça, por exemplo): o operário que produz pouco ganha pouco e o que produz mais ganha conforme sua produção (Chiavenato, 2004, p. 61). • Conceito de homo economicus: O homem procura o trabalho não porque gosta dele, mas como um meio de ganhar a vida por meio do salário que o trabalho proporciona. O homem é motivado a trabalhar pelo medo da fome e pela necessidade de dinheiro para viver. Assim, as recompensas salariais e os prêmios de produção (e o salário baseado na produção) influenciam os esforços individuais do trabalho (CHIAVENATO, 2004, p. 61 e 62). • Condições ambientais de trabalho: A eficiência do trabalhador depende não somente do método de trabalho e incentivo salarial, mas também de um conjunto de condições que garantam o seu bem-estar físico e diminuam a fadiga, como instrumentos, ferramentas e equipamentos adequados, o arranjo físico das máquinas e a melhoria do ambiente físico de trabalho (CHIAVENATO, 2004, p. 62). • Padronização: Passou a se preocupar também com a padronização dos métodos e processos de trabalho, com a padronização das máquinas e equipamentos, ferramentas e instrumentos de trabalho, matérias-primas e componentes, no intuito de reduzir a variabilidade e a diversidade no processo produtivo e, daí, eliminar o desperdício, aumentando eficiência, conforme destaca Chiavenato (2004, p. 62). • Supervisão funcional: Taylor era contrário à centralização da autoridade e propunha a chamada supervisão funcional, que nada mais é do que a existência de diversos supervisores, cada qual especializado em determinada área e que tem autoridade funcional (CHIAVENATO, 2004, p. 60). 1.3 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA DE TAYLOR Para Taylor a gerência deve seguir quatro princípios: o funcionário deixa de lado os métodos vivenciados dia a dia, métodos práticos e dá prioridade aos métodos baseados em procedimentos científicos, deixa de existir a improvisação dentre os trabalhadores. os colaboradores são escolhidos de acordo com sua capacidade intelectual e vivências profissionais, são treinados e preparados para produzir com maior índice de acertos e em maior quantidade, ou seja, são escolhidos cientificamente. o trabalho passa a ser monitorado, a fim de se assegurar que o mesmo está sendo bem feito e dentro das normas estabelecidas pela organização. os trabalhos, cargos, responsabilidades passam a ser destinados a fim de se assegurar que o trabalho seja executado de forma correta e no prazo previsto, sendo assim mais disciplinados. 2 TEORIA CLÁSSICA A Teoria Clássica da Administração engloba duas áreas diferentes: a operacional, de Taylor, com ênfase nas tarefas; e a administrativa, de Fayol, com ênfase na estrutura organizacional. A Teoria Clássica se caracterizava pela ênfase na estrutura que a organização deveria ter para ser mais eficiente no âmbito empresarial. 2.1 A OBRA DE FAYOL Henri Fayol (1841-1925) foi o fundador da Teoria Clássica da Administração, nasceu em Constantinopla, vivendo as consequências da Revolução Industrial, formou-se engenheiro de minas aos 19 anos e entrou para uma companhia metalúrgica e carbonífera, onde desenvolveu toda a sua carreira. Expôs sua Teoria da Administração do livro Administration Industrielle et Générale (Administração Industrial e Geral) publicado em 1916. Figura 2 - Henri Fayol Fonte: Disponível em Créditos 2.2 AS FUNÇÕES BÁSICAS DA EMPRESA Para Fayol toda empresa apresenta seis funções, conforme demonstra Chiavenato (2004, p. 80): 1. Funções técnicas, relacionadas com a produção de bens ou de serviços da empresa. 2. Funções comerciais, relacionadas com compra, venda e permutação. 3. Funções financeiras, relacionadas com procura e gerência de capitais. 4. Funções de segurança, relacionadas com proteção e preservação dos bens e das pessoas. 5. Funções contábeis, relacionadas com inventários, registros, balanços, custos e estatísticas. 6. Funções administrativas, relacionadas com a integração de cúpula das outras cinco funções. As funções administrativas coordenam e sincronizam as demais funções da empresa, pairando sempre acima delas. Atualmente, as funções básicas da empresa, na visão de Fayol (1916), estão ultrapassadas. Hoje, as funções recebem o nome de áreas da administração: assim, as funções administrativas recebem o nome de área de administração geral; as funções técnicas recebem o nome de área de produção, manufatura ou operações; as funções comerciais da área de vendas/marketing e as funções de segurança passaram para um nível mais baixo; as funções contábeis passaram a se subordinar às funções financeiras e finalmente surgiu a área de recursos humanos ou gestão de pessoas. Todavia, outras mudanças estão ocorrendo: as áreas citadas estão sendo geridaspor equipes e não exclusivamente por departamentos como antigamente. 2.3 CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO Fayol define o ato de administrar como: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. 1. Prever. Visualizar o futuro e traçar o programa de ação. 2. Organizar. Constituir o duplo organismo (do ponto de vista de função administrativa é aquela que constitui material e social da empresa.) 3. Comandar. É o nome dado por Fayol à função de direção. Significa dirigir e orientar o pessoal. 4. Coordenar. Ligar, unir, harmonizar todos os atos e esforços coletivos, à coordenação de um processo ou atividade busca organizar e entregar materiais, recursos, equipamentos, técnicas, métodos e pessoas para o processo ou atividade ser realizado 5. Controlar. Verificar que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas (CHIAVENATO, 2004, p. 81). Esses são os elementos da Administração que constituem o chamado processo administrativo: são localizáveis no trabalho do administrador em qualquer nível ou área de atividade da empresa. Em outros termos, engloba tanto o diretor quanto o gerente e o chefe. Figura 3: As Seis funções básicas da empresa para Fayol Fonte: Chiavenato (2004, p. 81). Para compararmos com um organograma atual abaixo, podemos analisar o organograma da Petrobras S.A. Figura 4: Organograma da Petrobras S.A. Fonte: Disponível em Créditos 2.4 PROPORCIONALIDADE DAS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS Para Fayol existe uma proporcionalidade da função administrativa: ela se reparte por todos os níveis da hierarquia da empresa e não é privativa da alta cúpula. A função administrativa não se concentra exclusivamente no topo da empresa, nem é privilégio dos diretores, mas é distribuída proporcionalmente entre os níveis hierárquicos, segundo afirma Chiavenato (2004, p. 82). Figura 5: Cadeia de comando e cadeia escalar de Fayol Fonte: Chiavenato (2004, p. 82). Na medida em que se sobe na escala hierárquica, mais funções administrativas se adquire, conforme se pode observar na figura acima, adquirindo extensas funções dentro da órbita administrativa. Segundo Chiavenato (2004, p. 85), na “Teoria Clássica, a estrutura organizacional é analisada de cima para baixo (da direção para a execução) e do todo para as partes (da síntese para a análise), ao contrário da abordagem da Administração Científica”. Chiavenato (2004, p. 85) ainda afirma que: [...] enquanto a Administração Científica se preocupava com a divisão do trabalho no nível do operário, fragmentando as tarefas desse, a Teoria Clássica se preocupava com a divisão no nível dos órgãos que compõem a organização, isto é, com os departamentos, divisões, seções, unidades etc. De acordo com Chiavenato (2004, p. 85), “para a Teoria Clássica, a divisão do trabalho pode dar-se em duas direções”, a saber: Baseada exclusivamente na hierarquia definindo os escalões da organização que detêm diferentes níveis de autoridade. Na estrutura horizontal, os funcionários têm autonomia para tomar suas próprias decisões, segundo Fayol “no mesmo nível hierárquico cada departamento ou seção passa a ser responsável por uma atividade específica e própria” (Chiavenato 2014, p. 85). Para Chiavenato (2004, p. 85): A divisão do trabalho no sentido horizontal que assegura homogeneidade e equilíbrio é chamada departamentalização: refere-se à especialização horizontal da organização. A homogeneidade na organização é obtida quando são reunidos, na mesma unidade, todos os que estiverem executando o mesmo trabalho, pelo mesmo processo, para a mesma clientela, no mesmo lugar. 2.5 DIFERENÇA ENTRE ADMINISTRAÇÃO E ORGANIZAÇÃO Não se emprega a palavra Administração como sinônimo de Organização, segundo Chiavenato (2004, p. 82), a distinção entre elas é: Administração - como um conjunto de processos entrosados e unificados - abrange aspectos que a organização por si só não envolve, tais como previsão, comando e controle. A organização abrange apenas a definição da estrutura e da forma, sendo, portanto, estática e limitada. 2.6 PRINCÍPIOS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO PARA FAYOL Se baseando em leis e princípios da época, Fayol (1916) enumerou quatorze princípios aos quais chamou Princípios Gerais da Administração de Chiavenato (2004, p.83): 1. Divisão do trabalho. Consiste na especialização das tarefas e das pessoas para aumentar a eficiência. 2. Autoridade e responsabilidade. Autoridade é o direito de dar ordens e o poder de esperar obediência. A responsabilidade é uma consequência natural da autoridade e significa o dever de prestar contas. Ambas devem estar equilibradas entre si. 3. Disciplina. Depende de obediência, aplicação, energia, comportamento e respeito aos acordos estabelecidos. 4. Unidade de comando. Cada empregado deve receber ordens de apenas um superior. É o princípio da autoridade única. 5. Unidade de direção. Uma cabeça e um plano para cada conjunto de atividades que tenham o mesmo objetivo. 6. Subordinação dos interesses individuais aos gerais. Os interesses gerais da empresa devem sobrepor-se aos interesses particulares das pessoas. 7. Remuneração do pessoal. Deve haver justa e garantida satisfação para os empregados e para a organização em termos de retribuição. 8. Centralização. Refere-se à concentração da autoridade no topo da hierarquia da organização. 9. Cadeia escalar. É a linha de autoridade que vai do escalão mais alto ao mais baixo em função do princípio do comando. 10. Ordem. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. É a ordem material e humana. 11. Equidade. Amabilidade e justiça para alcançar a lealdade do pessoal. 12. Estabilidade do pessoal. A rotatividade do pessoal é prejudicial para a eficiência da organização. Quanto mais tempo uma pessoa permanecer no cargo, tanto melhor para a empresa. 13. Iniciativa. A capacidade de visualizar um plano e assegurar pessoalmente o seu sucesso. 14. Espírito de equipe. A harmonia e a união entre as pessoas são grandes forças para a organização. Note aluno(a) que, segundo Chiavenato (2004), enquanto Taylor defende especialização dos operários e suas tarefas , Fayol diz que a função da organização é mais importante e que todos os setores deveriam ter um gerente. Para entender melhor, veja a figura 6, a seguir, na qual reflete as ideias e ensinamentos idealizados por Taylor e Fayol, e a visão entre administração científica e administração clássica. Figura 6: Diferença entre Taylor e Fayol Fonte: Disponível em Créditos Caro(a) aluno(a) para conhecer mais sobre TAYLOR X FAYOL. O filme mostra as características e suas visões resumidas. https://www.youtube.com/watch?v=T7gwHgaMTyI https://www.youtube.com/watch?v=T7gwHgaMTyI Após essa Aula, você pôde entender como iniciou a Administração Científica? Compreende o estudo e o objetivo da Teoria Clássica e as abordagens e diferenças de pensamentos de Taylor e Fayol? Caso você consiga responder a essas questões, parabéns! Você atingiu os objetivos específicos da Aula 2. Caso tenha dificuldades para responder a algumas delas, aproveite para reler o conteúdo das Aulas, e acessar o UNIARAXA Virtual e interagir com seus colegas, Tutor(a) e Professor(a). Você não está sozinho nessa caminhada. Conte conosco! Chegou o momento de complementar seu conhecimento. Vá até seu Ambiente Virtual de Aprendizagem e acesse esta aula para assistir a Video Aula RECAPITULANDO Caro(a) estudante, vimos que o mentor da Administração Científica no século XX foi Taylor (1903), o qual introduziu a primeira teoria administrativa. Inicialmente, sua inquietação era eliminar desperdícios e perdas dentro das indústrias americanas e assim aumentar o grau de produtividade. Trabalhava e agia com ênfase nas tarefas. Ele utilizava, para obter a colaboração e empenho dos operários, planos de incentivos salariais e de prêmios de produção. Estudamos que a Administração Científica tinha distorções dentre as quais podemos citar Chiavenato (2004, p. 67), que essa abordagem [...]restringiu-se às tarefas e aos fatoresdiretamente relacionados com o cargo e a função do operário. Embora a organização seja constituída de pessoas, deu-se pouca atenção ao elemento humano e concebeu-se a organização como "um arranjo rígido e estático de peças", ou seja, como uma máquina: assim como construímos uma máquina como um conjunto de peças e especificações também construímos uma organização de acordo com um projeto. Daí a denominação "teoria da máquina" dada à Administração Científica”. Já a teoria Clássica tem como pioneiro, Henri Fayol (1916), que definiu as funções básicas da empresa e o conceito de Administração (prever, organizar, comandar, coordenar e controlar). Sua visão era mais gerencial, com resultados finais na produção e tinha como ênfase a estrutura da organização, criando vários níveis de gerência e responsabilidades. Contudo, também foram feitas críticas a essa teoria. Conforme aponta Chiavenato (2004, p. 88): “As críticas à Teoria Clássica são numerosas. Todas as teorias posteriores da Administração se preocuparam em apontar falhas, distorções e omissões nessa abordagem que representou durante várias décadas o figurino que serviu de modelo para as organizações. As principais críticas à Teoria Clássica são:” abordagem simplificada da organização formal, ou seja, essa abordagem concebe a organização em termos lógicos, formais, rígidos, ausência de trabalhos experimentais, extremo racionalismo na concepção da Administração, a Teoria Clássica recebe também a denominação de teoria da máquina pelo fato de considerar a organização sob o prisma do comportamento mecânico de uma máquina, foi considerada pelos críticos uma abordagem incompleta da organização por tratar a organização como se ela fosse um sistema fechado. Vimos, também, que Chiavenato (2004) afirma que: Apesar de todas as críticas, a Teoria Clássica é ainda a abordagem mais utilizada para os iniciantes em Administração, pois permite uma visão simples. Com a necessidade de evolução através das críticas às abordagens de comportamento mecânico de uma máquina, surgiu a ABORDAGEM HUMANÍSTICA que Chiavenato (2004, p.98) conceitua a: [...] transferência da ênfase antes colocada na tarefa (pela Administração Científica) e na estrutura organizacional (pela Teoria Clássica) para a ênfase nas pessoas que trabalham ou que participam nas organizações. A Abordagem Humanística faz com que a preocupação com a máquina e com o método de trabalho e a preocupação com a organização formal e os princípios de Administração cedam prioridade para a preocupação com as pessoas e os grupos sociais - dos aspectos técnicos e formais para os aspectos psicológicos e sociológicos. Muito bem, em nossa próxima Aula iremos compreender o estudo da motivação através da abordagem das Relações Humanas e o movimento de oposição à Teoria Clássica, bem como a teoria comportamental e suas críticas. Que tal conhecer esses assuntos? Então, nos encontramos em próxima aula. Até lá! CRÉDITOS Figura 01 - Frederick Winslow Taylor - Fonte Disponível em: Fonte disponível em: https://www.infoescola.com/wp- content/uploads/2009/08/small_frederick-taylor.jpg. Acesso em 10 de jan. 2019. Figura 02 - Henri Fayol - Fonte Disponível em: Fonte disponível em: https://4.bp.blogspot.com/- bf0hsH17rIo/VNP4NbvFaSI/AAAAAAAACs4/z1rRhAS69SU/s1600/henri-fayol.jpgAcesso em 10 de jan. 2019. Figura 03 - Fórmulas estruturais das 4 bases nitrogenadas do DNA - Fonte Chiavenato (2004, p. 81) Figura 04 - Organograma da Petrobras S.A. - Fonte Disponível em: Fonte disponível em: http://www.petrobras.com.br/data/files/A8/55/91/49/45882510E5DC072561D2B8A8/nova-estrutura-blog.pngAcesso em 10 de jan. 2019. Figura 05 - Cadeia de comando e cadeia escalar de Fayol - Fonte Chiavenato (2004, p. 82) Figura 06 - Diferença entre Taylor e Fayol - Fonte Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/- uz8Ysuqy9Zo/TdkR71oNZkI/AAAAAAAAAEw/obNRdnoeIiI/s400/5.1.1.jpgAcesso em 03 de fev. 2019. REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 7ª Ed. São Paulo: Manole, 2004. SILVA, Reinaldo O da. Teoria Geral da Administração. 3ª edição. São Paulo. Editora Pearson, 2013. https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/small_frederick-taylor.jpg https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/small_frederick-taylor.jpg https://4.bp.blogspot.com/-bf0hsH17rIo/VNP4NbvFaSI/AAAAAAAACs4/z1rRhAS69SU/s1600/henri-fayol.jpg https://4.bp.blogspot.com/-bf0hsH17rIo/VNP4NbvFaSI/AAAAAAAACs4/z1rRhAS69SU/s1600/henri-fayol.jpg http://www.petrobras.com.br/data/files/A8/55/91/49/45882510E5DC072561D2B8A8/nova-estrutura-blog.png http://4.bp.blogspot.com/-uz8Ysuqy9Zo/TdkR71oNZkI/AAAAAAAAAEw/obNRdnoeIiI/s400/5.1.1.jpg http://4.bp.blogspot.com/-uz8Ysuqy9Zo/TdkR71oNZkI/AAAAAAAAAEw/obNRdnoeIiI/s400/5.1.1.jpg