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12
Glossário
Aformosentar: embelezar
Afear: tornar feio; 
Canárias: arquipélago no Oceano Atlântico,
próximo à costa africana, usado como ponto de
passagem na navegação. (Grande Canária: uma
das ilhas do arquipélago das Canárias.)
Légua: antiga unidade de medida de distância.
No contexto náutico, equivale a
aproximadamente 5,5 km.
Cabo Verde: arquipélago africano usado como
rota na navegação para as Índias e, neste caso,
para o Brasil. (Ilha de São Nicolau: uma das ilhas
que compõem o arquipélago de Cabo Verde.)
Oitavas de Páscoa: os oito dias após o domingo
de Páscoa; referência religiosa ao calendário
litúrgico.
Botelho e Rabo-de-asno: tipos de alga marinha
ou planta aquática flutuante encontrada no mar.
Mareante: marinheiro ou marujo;
Furabuchos: aves marinhas também chamadas
de bobo-pequeno.
Horas de véspera: final da tarde, início da noite
(por volta das 18h).
Leia o texto.
Senhor,
posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os
outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do
achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta
navegação achou, não deixarei de também dar disso
minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor
puder, ainda que -- para o bem contar e falar -- o saiba
pior que todos fazer!
Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa
vontade, a qual bem certo creia que, para
aformosentar nem afear, aqui não há de pôr mais do
que aquilo que vi e me pareceu. [...]
E digo quê:
A partida de Belém foi -- como Vossa Alteza sabe,
segunda-feira 9 de março. E sábado, 14 do dito mês,
entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias,
mais perto da Grande Canária. E ali andamos todo
aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a
quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas
mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo
Verde, a saber da ilha de São Nicolau, segundo o dito
de Pero Escolar, piloto.[...]
E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das Oitavas de
Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha -- segundo
os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas - os quais eram muita quantidade de ervas
compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de
rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam furabuchos.
Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um
grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã,
com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A
Terra de Vera Cruz!
CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El-Rei D. Manuel. São Paulo: Dominus, 1963, p. 1-2 Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2003. Acesso em: 16 maio 2025.
ATIVIDADE 1 
D028_P Identificar o tema de um texto.
O assunto desse texto é
A) o cotidiano dos marinheiros durante a viagem.
B) a descrição da viagem e da chegada à nova terra. 
C) as dificuldades da navegação no Atlântico Sul.
D) a descrição dos costumes indígenas encontrados.
E) o comércio marítimo entre Portugal e as ilhas africanas.
13
Leia o texto a seguir.
 [...] Então lançamos fora os batéis e esquifes. E
logo vieram todos os capitães das naus a esta nau
do Capitão-mor. E ali falaram. E o Capitão mandou
em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E
tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram
pela praia homens aos dois e aos três, de maneira
que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá
estavam dezoito ou vinte.
Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse
suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas
setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel.
E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os
arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles
haver fala nem entendimento que aproveitasse,
por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-
lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho
que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um
deles lhe arremessou um sombreiro de penas de
ave, compridas, com uma copazinha de penas
vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe
deu um ramal grande de continhas brancas 
miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais
peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E
com isto se volveu às naus por ser tarde e não
poder haver deles mais fala, por causa do mar.
batéis: pequenas embarcações a remo
usadas para transporte entre navios e terra
firme.
esquifes: barcos menores, geralmente
usados como auxiliares das naus. Serviam
para transportar pessoas ou cargas em
distâncias curtas.
naus: grandes embarcações utilizadas em
viagens marítimas longas.
rijamente: com energia, rapidez ou vigor.
Aqui indica que os indígenas vinham com
firmeza em direção ao batel.
barrete: um tipo de gorro ou touca usado
na época pelos portugueses.
carapuça: touca ajustada à cabeça, usada
para proteger do frio ou do sol.
sombreiro / sombreiro de penas de ave:
chapéu de abas largas que protege do sol.
No contexto indígena, refere-se ao cocar
usado por diferentes etnias.
ramal: conjunto de contas ou enfeites
pendurados, como um colar.
aljôfar: tipo de pérola muito pequena e
irregular, bastante valorizada na época.
volveu: o mesmo que voltou.
Glossário
CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El-Rei D. Manuel. São Paulo: Dominus, 1963, p. 2 Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2003. Acesso em: 16 maio 2025.
Nesse trecho, Pero Vaz de Caminha, autor da primeira carta sobre a terra do
Brasil, tratou de qual assunto?
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ATIVIDADE 2
D028_P Identificar o tema de um texto.
14
CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El-Rei D. Manuel. São Paulo: Dominus, 1963, p. 7-8. Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2003. Acesso em: 16 maio 2025.
Leia o texto a seguir.
 [...] Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo
depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação,
em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão
compridas, cada uma, como esta nau capitaina. E eram de
madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de
razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma,
tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede
atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. E de
baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa
duas portas pequenas, uma numa extremidade, e outra na
oposta. E diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou
quarenta pessoas, e que assim os encontraram; e que lhes deram
de comer dos alimentos que tinham, a saber muito inhame, e
outras sementes que na terra dá, que eles comem. E como se
fazia tarde fizeram-nos logo todos tornar; e não quiseram que lá
ficasse nenhum. E ainda, segundo diziam, queriam vir com eles.
Glossário
Povoação: pequeno
agrupamento de casas;
aldeia.
Nau capitaina: principal
embarcação de uma
expedição naval.
Ilhargas: lados de uma
construção; laterais.
Esteios: pilares ou
colunas de madeira que
sustentam a estrutura
do telhado.
ATIVIDADE 3
D062_P Identificar discursos que contribuíram para a formação da identidade nacional em textos
da literatura brasileira.
Nesse texto, qual elemento contribuiu para a formação da identidade nacional?
A) A apresentaçãodas casas e costumes dos povos indígenas.
B) A exaltação dos navios europeus e as construções locais.
C) A idealização dos colonizadores pelas terras recém-descobertas.
D) A recusa dos indígenas em manter contato com os portugueses.
E) A imposição da religiosidade africana nas terras recém-descobertas.
Leia o texto a seguir.
Capítulo sétimo
DA CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO
A Capitania do Espírito Santo está cinquenta léguas de Porto
Seguro em vinte graus, da qual é Capitão e governador Vasco
Fernandes Coutinho. Tem um engenho somente, tira-se dele o
melhor açúcar que há em todo o Brasil. Pode ter até cento e
oitenta vizinhos. Há dentro da povoação um mosteiro de padres da
Companhia de Jesus. Tem um rio muito grande onde os navios
entram, no qual se acham mais peixes-bois que noutro nenhum rio
desta Costa. No mar junto desta Capitania matam grande cópia de
peixes grandes e de toda maneira, e também no mesmo rio há
muita abundância deles. Nesta Capitania há muitas terras e muito
largas, onde os moradores vivem muito abastados assim de
mantimentos da terra como de fazendas. E quando se tomou a
fortaleza do Rio de Janeiro desta mesma Capitania do Espírito
Santo sustentaram toda a gente e proveram sempre de
mantimentos necessários enquanto estiveram na terra os que
defendiam.
GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratado da Terra do Brasil: história da província Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil. p.
46. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2008. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/188899. Acesso em:
16 maio 2025.
Glossário
Capitania: divisão
territorial e administrativa
do Brasil colonial, entregue
a um donatário para
colonização e exploração.
Engenho: instalação
colonial onde se processava
a cana-de-açúcar,
transformando-a em
açúcar, melaço ou cachaça.
Companhia de Jesus:
ordem religiosa católica
fundada por Inácio de
Loyola, também conhecidos
como jesuítas.
Cópia (no contexto): grande
quantidade.
Abastados: com muitos
bens e recursos financeiros.
15
D062_P Identificar discursos que contribuíram para a formação da identidade nacional em textos
da literatura brasileira.
Nesse texto, qual elemento que contribuiu para a formação da identidade nacional
está em evidência?
A) A valorização da distância entre a capitania e Porto Seguro.
B) A crítica à presença dos colonos portugueses nas capitanias.
C) A descrição da quantidade de moradores que a capitania poderia comportar.
D) A explicação das dificuldades enfrentadas na navegação dos rios brasileiros.
E) A exaltação da produção de açúcar e da abundância de recursos naturais.
ATIVIDADE 4 
Leia o texto a seguir.
Capítulo segundo
DOS COSTUMES DA TERRA
[...] A maior parte das camas do Brasil são redes, as quais
armam numa casa com duas cordas e lançam-se nelas a
dormir. Este costume tomaram os índios da terra.
Os moradores destas Capitanias tratam-se muito bem e são
mais largos que a gente deste Reino, assim no comer como
no vestir de suas pessoas, e folgam de ajudar uns aos outros
com seus escravos e favorecem muito os pobres que
começam a viver na terra. Isto se costuma nestas partes: e
fazem outras muitas obras pias por onde todos têm remédio
de vida e nenhum pobre anda pelas portas a pedir como
neste Reino.
GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratado da Terra do Brasil: história da
província Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil. p. 56. Brasília:
Senado Federal, Conselho Editorial, 2008. Disponível em:
https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/188899. Acesso em: 16 maio 2025.
Nesse texto, qual elemento contribuiu para a formação da identidade nacional?
A) A crítica direta aos costumes religiosos das Capitanias.
B) A desvalorização da cultura europeia nas Capitanias.
C) A imagem dos habitantes como povo cordial e solidário.
D) A presença dos escravos como base da cultura local.
E) A exaltação exclusiva dos hábitos indígenas. 
D062_P Identificar discursos que contribuíram para a formação da identidade nacional em
textos da literatura brasileira.
ATIVIDADE 5
Glossário
Largos: generosos,
desprendidos; pessoas
que gostam de
compartilhar e ajudar.
folgam: sentem prazer,
têm satisfação em fazer
algo.
obras pias: ações de
caridade, práticas
religiosas ou sociais feitas
em benefício dos mais
necessitados.
remédio de vida: meios de
sobrevivência ou sustento.
Reino: referência ao Reino
de Portugal, na época em
que o Brasil era colônia.
16
Leia o texto a seguir.
Capítulo sexto
DAS FRUTAS DA TERRA
Uma fruta se dá nesta terra do Brasil muito saborosa, e mais prezada de quantas há. Cria-se
uma planta humilde junto do chão, a qual tem umas pencas como cardo, a fruta dela nasce
como alcachofras e parecem naturalmente pinhas, e são do mesmo tamanho, chamam-lhes
ananases, e depois de maduros têm um cheiro muito excelente, colhem-nos como são de
vez, e com uma faca tiram-lhes aquela casca grossa e fazem-nos em talhadas e desta 
GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratado da Terra do Brasil: história da província
Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil. p. 64. Brasília: Senado Federal,
Conselho Editorial, 2008. Disponível em:
https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/188899. Acesso em: 16 maio 2025.
prezada: valorizada,
estimada.
cardo: planta espinhosa,
semelhante ao alcachofra. 
alcachofras: planta
comestível que forma uma
flor arredondada.
ananases: abacaxi.
de vez: maduras, no ponto
certo para serem colhidas.
talhadas: fatias, pedaços
cortados.
cardais: plantações de
cardos (plantas espinhosas)
pêros repinaldos:
variedade antiga de pêras,
compridas e doces.
fel: substância amarga
produzida pelo fígado.
alqueires: antiga unidade
de medida.
Glossário
maneira se comem, excedem no gosto a quantas frutas há
neste reino e fazem todos tanto por esta fruta, que mandam
plantar roças dela, como de cardais: a este nosso reino
trazem muitos destes ananases em conserva. Outra fruta se
cria numas árvores grandes, estas se não plantam, nascem
pelo mato muitas; esta fruta depois de madura é muito
amarela: são como pêros repinaldos compridos, chamam-
lhes cajus, têm muito sumo, e cria-se na ponta desta fruta de
fora um caroço como castanha, e nasce diante da mesma
fruta, o qual tem a casca mais amargosa que fel, e se
tocarem com ela nos beiços dura muito aquele amargor e faz
empolar toda a boca; pelo contrário este caroço assado, é
muito mais gostoso que amêndoa; são de sua natureza
muito quentes em extremo. Há na terra tantos destes
caroços que os medem aos alqueires. Também há uma fruta
que lhe chamam bananas, e pela língua dos índios pacovas:
há na terra muita abundância delas: parecem-se na feição
com pepinos, nascem numas árvores muito tenras e não são
muito altas, nem têm ramos senão folhas muito compridas e
largas. [...]
ATIVIDADE 6
O assunto principal desse texto é
A) a relação entre frutas e doenças bucais.
B) a influência dos índios na alimentação colonial.
C) o modo de cultivo e preparo de frutas tropicais.
D) a variedade de frutas brasileiras e suas características. 
E) a comparação entre a flora brasileira e a portuguesa.
D028_P Identificar o tema de um texto.
17
GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratado da Terra do Brasil: história da província Santa Cruz, a que vulgarmente
chamamos Brasil. p. 129-130. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2008. Disponível em:
https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/188899. Acesso em: 16 maio 2025.
Leia o texto a seguir.
Capítulo IX
DO MONSTRO MARINHO QUE SE MATOU NA CAPITANIA DE
SÃO VICENTE, ANO 1564
Na capitania de São Vicente sendo já alta noite a horas em
que todos começavam de se entregar ao sono, acertou de sair
de fora de casa uma índia escrava do capitão; a qual lançando
os olhos a uma várzea que está pegada com o mar, e com a
povoação da mesma capitania, viu andar nela este monstro,
movendo-se de uma parte para outra com passos e meneios
desusados, e dando alguns urros de quando em quando tão
feios, que como pasmada e quase fora de si se veio ao filho
do mesmo capitão, cujo nome era Baltasar Ferreira, e lhe deu
conta do que vira, parecendo-lhe que era algumavisão
diabólica; [...] Então se levantou ele muito depressa e lançou
mão a uma espada que tinha junto de si [...] e pondo os olhos
naquela parte que ela lhe assinalou viu confusamente o vulto
do monstro ao longo da praia, sem poder divisar o que era,
por causa da noite lhe impedir, e o monstro também ser
cousa não vista e fora do parecer de todos os outros animais.
E chegando-se um pouco mais a ele para que melhor se
pudesse ajudar da vista, foi sentido do mesmo monstro: o 
Glossário
várzea: terreno plano,
geralmente próximo a rios
ou ao mar, que pode ser
alagado; planície.
meneios: movimentos,
gestos, balanços.
desusados: pouco comuns,
estranhos, diferentes do
habitual.
urros: sons fortes e
estrondosos, parecidos com
gritos ou rugidos.
pasmada: espantada,
surpresa, assustada.
cousa: forma antiga da
palavra “coisa”.
pareceres: aparências,
formas, aspectos
Os índios da terra lhe chamam em sua língua ipupiara, que quer dizer demônio da água.
Alguns como este se viram já nestas partes, mas acham-se raramente. E assim também deve
de haver outros muitos monstros de diversos pareceres, que no abismo desse largo e
espantoso mar se escondem, de não menos estranheza e admiração; [...]
qual em levantando a cabeça, tanto que o viu começou de caminhar para o mar de onde
viera.[...]
ATIVIDADE 7
D062_P Identificar discursos que contribuíram para a formação da identidade nacional em
textos da literatura brasileira.
Nesse texto, qual elemento contribuiu para a formação da identidade nacional?
A) O medo dos colonos diante dos animais locais.
B) A transmissão das lendas locais no imaginário popular.
C) O uso da espada, arma europeia, contra o monstro.
D) A ideia do mar como um lugar tranquilo e sem perigo. 
E) A comprovação científica da existência de monstros do mar.
18
Leia o texto a seguir.
C A P Í T U L O XLV
EM QUE SE DIZ QUEM SÃO OS GOITACASES, SUA
VIDA E COSTUMES.
Este gentio foi o que fez despovoar a Pedro de Góis, e que deu
tantos trabalhos a Vasco Fernandes Coutinho. Esse gentio tem a
cor mais branca que os que dissemos atrás, e tem diferente
linguagem; é muito bárbaro; o qual não granjeia muita lavoura
de mantimentos: plantam somente legumes, de que se mantêm,
e a caça, que matam às flechadas, porque são grandes
flecheiros. Não costuma esta gente pelejar no mato, mas em
campo descoberto, nem são muito amigos de comer carne
humana, como o gentio atrás; não dormem em redes, mas no
chão, com folhas debaixo de si. Costumavam estes bárbaros, por
não terem outro remédio, andarem no mar nadando, esperando
os tubarões com um pau muito agudo na mão, e, em remetendo
o tubarão a eles, lhe davam com o pau, que lhe metiam pela
garganta com tanta força que o afogavam, e matavam, e o
traziam à terra, não para o comerem para o que se não punham
em tamanho, perigo, senão para lhes tirar os dentes, para os
engastarem nas pontas das flechas.
SOUSA, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587. p.75 Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?
select_action=&co_obra=38095. Acesso em: 16 maio 2025.
Glossário
gentio: termo antigo que,
no contexto, é usado para
se referir aos povos que
não eram cristãos.
despovoar: fazer com que
um lugar fique sem
habitantes; obrigar a
população a fugir ou
abandonar a área.
granjeia: cultiva, produz;
pelejar: lutar, guerrear, 
agudo: com ponta fina e
afiada.
engastarem: encaixarem,
fixarem algo dentro de
outra coisa; no caso,
prender os dentes nas
pontas das flechas.
O assunto desse texto é
A) a descrição dos costumes dos goitacases, como a pesca de tubarões para confecção de
flechas.
B) a descrição física dos goitacases, destacando as características físicas e psicológicas
desse grupo em contraste com as outras etnias.
C) a explicação sobre a origem da língua falada pelos indígenas no litoral brasileiro.
D) a denúncia das violências cometidas contra os povos nativos pelos colonizadores
europeus.
E) a comparação entre os hábitos dos indígenas e os costumes dos colonizadores
portugueses.
ATIVIDADE 8
D028_P Identificar o tema de um texto.
19
O assunto desse texto é
A) o isolamento das nações indígenas nas florestas.
B) a destruição das cidades pelos portugueses.
C) o número de portugueses que vieram para o Brasil.
D) a oposição entre os indígenas de diferentes etnias.
E) a diversidade indígena e suas diferentes línguas.
CARDIM, Fernão. Tratados da terra e da gente do Brasil. p. 95. Disponível em:
https://fundar.org.br/publicacoes/biblioteca-basica-brasileira/tratados-da-terra-e-da-gente-do-brasil/. Acesso em: 16 maio
2025.
Glossário
corda: faixa, extensão
territorial (geralmente linear) 
 discrepam: diferem,
apresentam pequenas
diferenças (neste caso, em
palavras da língua falada).
copiosa: abundante, rica em
palavras e expressões.
composições: aqui, refere-se
às formas complexas de
construção de palavras ou
expressões na língua
indígena.
Capitania de São Vicente:
localizada no atual estado de
São Paulo.
ATIVIDADE 9
D028_P Identificar o tema de um texto.
Leia o texto a seguir.
DA DIVERSIDADE DE NAÇÕES E LÍNGUAS
Em toda esta província há muitas e várias nações de
diferentes línguas, porém uma é a principal, que
compreende algumas dez nações de índios: estes vivem na
costa do mar, e em uma grande corda do sertão, porém
são todos esses de uma só língua ainda que em algumas
palavras discrepam e esta é a que entendem os
portugueses; é fácil, e elegante, e suave, e copiosa, a
dificuldade dela está em ter muitas composições; porém
dos portugueses, quase todos os que vêm do Reino e estão
cá de assento e comunicação com os índios a sabem em
breve tempo, e os filhos dos portugueses cá nascidos a
sabem melhor que os portugueses, assim homens como
mulheres, principalmente na Capitania de São Vicente, e
com essas dez nações de índios têm os padres
comunicação por lhes saberem a língua [...]
Os primeiros dessa língua se chamam potiguaras senhores
da Paraíba, [...] Perto desses vivia grande multidão de
gentio que chamam Viatã, destes já não há nenhuns, [...] Outros há a que chamam tupinabas:
estes habitam do Rio Real até junto dos Ilhéus; estes entre si eram também contrários, os da
Bahia com os do Camamu e Tinharê. Por uma corda do Rio de São Francisco vivia outra nação
a que chamavam Caetés, e também havia contrários entre estes e os de Pernambuco. [...]
Dos Ilhéus, Porto Seguro até Espírito Santo habitava outra nação, que chamavam tupinaquim;
estes procederam dos de Pernambuco e se espalharam por uma corda do sertão,
multiplicando grandemente, mas já são poucos; [...] Outra nação mora no Espírito Santo a
que chamam Tememinó eram contrários dos tupinaquins, mas já são poucos. Outra nação
que se chama Tamoios, moradores do Rio de Janeiro, estes destruíram os portugueses
quando povoaram o Rio [...]
20
Leia o poema a seguir.
Em Deus, meu criador
Não há cousa segura.
Tudo quanto se vê
se vai passando.
A vida não tem dura.
O bem se vai gastando.
Toda criatura
passa voando.
 
Em Deus, meu criador,
está todo meu bem
e esperança
meu gosto e meu amor
e bem-aventurança.
Quem serve a tal Senhor
não faz mudança.
 
Contente assim, minha alma,
do doce amor de Deus
toda ferida,
o mundo deixa em calma,
buscando a outra vida,
na qual deseja ser
toda absorvida.
 
Do pé do sacro monte
meus olhos levantando
ao alto cume,
vi estar aberta a fonte
do verdadeiro lume,
que as trevas do meu peito
todas consome.
 
Correm doces licores
das grandes aberturas
do penedo.
Levantam-se os errores,
levanta-se o degredo
e tira-se a amargura
do fruto azedo!
ANCHIETA, José de. Em Deus, meu criador. p. 4. In: AZEVEDO FILHO, Leodegário A. de. Anchieta e a literatura
barroca em latim. Revista Letras, Curitiba, n. 58, p. 83–96, 2001. Disponível em:
https://revistas.ufpr.br/letras/article/viewFile/19272/12561. Acesso em: 16 maio 2025.
OPENAI. Imagem gerada por inteligência artificial. ChatGPT, 2025. 
ATIVIDADE 10
Nesse texto, qual elemento contribuiu para a
formação da identidade nacional?
A) A crítica à colonização portuguesa.
B) A exaltação dacultura indígenas.
C) A apresentação de valores cristãos.
D) A valorização da natureza.
E) A idealização amorosa.
D062_P Identificar discursos que contribuíram para a
formação da identidade nacional em textos da literatura
brasileira.
dura: duração 
bem-aventurança: felicidade plena e eterna, geralmente
associada à salvação ou à vida ao lado de Deus.
 cume: ponto mais alto de uma montanha; no poema,
simboliza elevação espiritual ou proximidade com o divino.
penedo: rocha grande.
errores: forma antiga da palavra “erros”; aqui representa
os pecados ou desvios da alma que são purificados.
degredo: castigo que consiste em ser afastado ou exilado
de um lugar; no poema, simboliza o afastamento do
sofrimento ou do mundo terreno.
Glossário

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