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Dispneia, Dor Torácica e Edema Problema 7 - “Minha falta de ar é genética” 1) Revisar semiologia do aparelho respiratório. O sistema respiratório pode ser dividido em sistema respiratório superior e sistema respiratório inferior. 🫁 Divisão do Sistema Respiratório 🔹 1. Sistema respiratório superior • Fossas nasais • Nasofaringe • Orofaringe • Laringofaringe • Laringe 👉 Responsável por filtrar, umidificar e aquecer o ar. 👉 Deve ser incluído sempre na avaliação clínica (ex.: inspeção de fossas nasais, orofaringe). 🔹 2. Sistema respiratório inferior • Traqueia • Brônquios principais • Bronquíolos • Alvéolos (parênquima pulmonar) 👉 Região onde ocorrem as trocas gasosas. 🫀 Divisão Pulmonar Pulmão Direito • 3 lobos: superior, médio e inferior. • Cada lobo subdividido em segmentos broncopulmonares. Pulmão Esquerdo • 2 lobos: superior e inferior. • Segmentos broncopulmonares adaptados (não possui lobo médio, mas a língula corresponde funcionalmente). 🎧 Semiologia e Ausculta • A parede torácica (costelas, esterno, clavículas, escápulas) serve como referência anatômica para localizar os lobos. • Pontos de ausculta variam conforme a posição do paciente e permitem correlacionar sons respiratórios aos lobos específicos. ✅ Resumo prático: • SR superior: fossas nasais até laringe. • SR inferior: traqueia até alvéolos. • Direito: 3 lobos. • Esquerdo: 2 lobos (língula no lugar do médio). • Importância clínica: conhecer a anatomia para interpretar a ausculta e localizar lesões (ex.: pneumonia no lobo inferior direito → ausculta em região posterior/inferior). Vista anterior Vista posterior Anamnese Informações importantes: idade, sexo, cor da pele, profissão, residências, antecedentes pessoais e familiares. • Tabagismo: investigar, pois se relaciona com bronquite, asma, enfisema e carcinoma brônquico. Principais sintomas respiratórios: a) Dor torácica • Pode ter origem cardíaca, musculoesquelética, neurológica, esofágica, extratorácica ou pleural. • Apenas a pleura parietal é inervada → dor pleural é a dor pulmonar típica. • Características: o Dor pleurítica: aguda, em pontada, bem localizada, sem irradiação. Piora com tosse e movimentos torácicos. Se diminui mas persiste dispneia → derrame pleural. o Pneumonias bacterianas periféricas: dor semelhante à pleurítica. o Pneumonia viral: dor difusa, em forma de desconforto. o Pneumotórax espontâneo: dor súbita, intensa, em punhalada. o Infarto pulmonar: semelhante à dor pleurítica. b) Tosse • Mecanismo de defesa das vias aéreas. • Avaliar: frequência, intensidade, tonalidade, expectoração, relação com decúbito, horário. • Classificação: o Aguda ( 8 semanas): asma, refluxo gastroesofágico, bronquite crônica, bronquiectasias. c) Expectoração • Avaliar: volume, cor, odor, transparência, consistência. • Translúcida/branca/cinza → infecções virais, fibrose cística. • Amarelada/esverdeada, viscosa → pneumonia bacteriana. • Fétida → abscesso pulmonar. d) Hemoptise • Eliminação de sangue do trato respiratório inferior pela tosse. • Diferenciar de hematêmese. • Principais causas: bronquiectasias, tuberculose, aspergilose. e) Dispneia • Sensação desconfortável de dificuldade para respirar. • Avaliar se ocorre em repouso ou esforço. • Escala mRC (Medical Research Council modificada): classifica graus de dispneia. f) Sibilância • “Chiado” expiratório, às vezes audível sem estetoscópio. • Decorre de estreitamento dos brônquios. • Causas: asma, bronquite, tuberculose brônquica, neoplasias, embolia pulmonar, uso de betabloqueadores. g) Rouquidão/disfonia • Alteração das cordas vocais ou nervo laríngeo recorrente. • Importante considerar neoplasias benignas ou malignas. 3. Exame físico a) Inspeção • Avaliar frequência (normal: 20 irpm), ritmo, profundidade, esforço respiratório. • Bradipneia: 25 irpm. • Avaliar: coloração da pele (cianose/palidez), sons audíveis, uso de musculatura acessória, deformidades/assimetria, retrações intercostais, formato do tórax. • Ritmos respiratórios anormais: o Cheyne-Stokes → IC grave. o Kussmaul → acidose diabética. b) Palpação • Identificar dor, massas, crepitações. • Expansibilidade torácica: polegares na 10ª costela → avaliar simetria. • Frêmito toracovocal: vibração sentida ao paciente dizer “33”. o Aumentado: consolidações (pneumonia). o Diminuído: derrame pleural, DPOC, pneumotórax. c) Percussão • Normal: som claro pulmonar (ressonante). • Alterações: o Hipersonoridade: pneumotórax, enfisema. o Macicez/submacicez: derrame pleural, consolidação, tumor. • Percutir sempre lados simétricos. d) Ausculta • Usar diafragma do estetoscópio diretamente na pele; paciente respira fundo pela boca. • Avaliar: tom, intensidade, duração dos sons. Sons normais: • Murmúrio vesicular: fisiológico. • Sons brônquicos/bronco-vesiculares em locais anômalos sugerem substituição de ar por líquido/tecido. Sons adventícios: • Estertores finos: agudos, curtos, meio/final da inspiração; aberturas de vias aéreas pequenas → IC esquerda, congestão pulmonar. • Estertores grossos (bolhosos): graves, longos, em insp/exp; secreção viscosa → bronquite crônica, bronquiectasias. • Roncos: graves, contínuos; secreções em grandes vias. • Sibilos: agudos, contínuos; broncoespasmo (asma, DPOC). • Estridor: alto, inspiratório; obstrução de via aérea superior. • Atrito pleural: som áspero (pleurite seca), desaparece no derrame pleural. Ressonância vocal: ausculta da voz do paciente (“33”). • Normal. • Aumentada (consolidações): o Broncofonia: voz audível sem nitidez. o Pectorilóquia fônica: voz clara. o Pectorilóquia afônica: voz cochichada audível. • Diminuída: atelectasia, derrame pleural, espessamento pleural. 4. Conclusão A semiologia respiratória envolve: 1. Anamnese detalhada com identificação de sintomas cardinais (dor torácica, tosse, expectoração, hemoptise, dispneia, sibilância, rouquidão). 2. Exame físico completo (inspeção, palpação, percussão e ausculta) para localizar e caracterizar alterações. 3. Integração dos achados para diferenciar doenças como pneumonia, derrame pleural, pneumotórax, DPOC, asma, IC, entre outros. 2) Compreender as alterações nos exames complementares (Espirometria, Gasometria e + Rx Tórax). 📊 Espirometria – Alterações 🔹 Parâmetros principais • CVF (Capacidade Vital Forçada): volume máximo exalado após inspiração profunda. • VEF1 (Volume Expiratório Forçado no 1º segundo): volume exalado no primeiro segundo da CVF. • VEF1/CVF (%): relação usada para diferenciar padrões. • FEF 25–75%: fluxo médio no meio da expiração → sensível para pequenas vias aéreas. 🔹 Padrões 1. 🔒 Padrão Obstrutivo Doenças: DPOC, asma, bronquiectasia, bronquite crônica. • VEF1: ↓↓↓ (grande redução). • CVF: normal ou ↓ leve. • VEF1/CVF: 80%). • Sugere redução da complacência pulmonar ou limitação mecânica. ⚠ Confirma-se restrição verdadeira com pletismografia ou DLCO.3. 🔄 Padrão Misto (obstrutivo + restritivo) Doenças: DPOC avançado, fibrose + obstrução, sarcoidose. • VEF1: ↓↓↓ • CVF: ↓↓ • VEF1/CVF: reduzido ( 95% 🔹 Distúrbios Ácido-Básicos 1. Acidose Respiratória • pH 45 mmHg (retenção de CO₂) • HCO₃⁻ normal (aguda) ou ↑ (crônica, compensação renal). • Causas: DPOC, depressão do centro respiratório (opiáceos, sedativos), obstrução de vias aéreas, doenças neuromusculares. 2. Alcalose Respiratória • pH > 7,45 • PaCO₂ 7,45 • HCO₃⁻ > 26 mEq/L • PaCO₂ normal (não compensada) ou ↑ (compensação respiratória). • Causas: vômitos prolongados, aspiração gástrica, uso de diuréticos, excesso de bicarbonato. 🔹 Alterações na Oxigenação • Hipoxemia: PaO₂ 45 mmHg (falência ventilatória). • Hipocapnia: PaCO₂ 7,45). 2. Ver PaCO₂ → alteração respiratória. 3. Ver HCO₃⁻ → alteração metabólica. 4. Avaliar compensação (se o outro parâmetro também mudou no mesmo sentido). 5. Conferir PaO₂ e SatO₂ → oxigenação. ✅ Resumão rápido: • pH ↓ + CO₂ ↑ → acidose respiratória. • pH ↑ + CO₂ ↓ → alcalose respiratória. • pH ↓ + HCO₃⁻ ↓ → acidose metabólica. • pH ↑ + HCO₃⁻ ↑ → alcalose metabólica. 🩻 Radiografia de Tórax – Alterações 🔹 1. Alterações de Parênquima Pulmonar • Consolidação alveolar: opacificação homogênea; broncograma aéreo positivo. o Causas: pneumonia, edema pulmonar, hemorragia alveolar. • Atelectasia: opacidade com retração de estruturas (desvio de traqueia/mediastino para o lado da lesão). • Nódulo/Massa pulmonar: opacidade arredondada (> 3 cm → massa; 0,5 (na incidência PA). • Congestão pulmonar: o Redistribuição vascular para ápices. o Linhas B de Kerley (edema intersticial). o Edema alveolar: infiltrado difuso em “asas de borboleta”. • Hipertensão pulmonar: aumento das artérias pulmonares centrais. 🔹 5. Alterações de Parede Torácica e Mediastino o Fraturas de costela: descontinuidade óssea, calo ósseo em consolidação. o Escoliose/cifose: deformidades ósseas que podem restringir ventilação. o Mediastino alargado: dissecção de aorta, linfonodomegalias, tumores. o Massas mediastinais: timoma, linfoma, bócio mergulhante. 🔹 6. Achados Clássicos • Corcova de Hampton: opacidade triangular periférica → TEP. • Sinal do menisco: derrame pleural. • Sinal do broncograma aéreo: consolidação alveolar. • Sinal da vela de barco: aumento do timo em crianças. • Sinal do coração em bota: tetralogia de Fallot. • Sinal do coração em garrafa d’água: derrame pericárdico volumoso. ✅ Resumão prático: • Branco difuso homogêneo: consolidação, derrame, atelectasia. • Branco reticulado/nodular: intersticial (fibrose, edema, doenças difusas). • Preto demais: pneumotórax, enfisema. • Coração grande: IC, derrame pericárdico. 3) Estudar fisiopatologia, epidemiologia, fatores de risco, diagnóstico, manifestações clínicas, classificação e tratamento da DPOC. 🫁 Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) 🔹 Definição • Doença comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação crônica do fluxo aéreo. • Curso progressivo, com piora funcional, exacerbações agudas frequentes e risco de falência respiratória. • Principais componentes: o Bronquite crônica → inflamação brônquica + hipersecreção de muco. o Enfisema → destruição dos alvéolos + perda da elasticidade pulmonar. 🔹 Epidemiologia • Uma das principais causas de morbidade e mortalidade mundial. • Acomete cerca de 10% da população adulta (≈ 300 milhões de pessoas no mundo). • Mais comum em homens, mas prevalência crescente em mulheres (↑ tabagismo). • Mais frequente > 40 anos, mas pode ocorrer antes em exposição intensa a fatores de risco. 🔹 Fatores de Risco Ambientais • Tabagismo (principal). • Exposição ocupacional (poeiras, fumaças, químicos). Individuais • Alterações genéticas (deficiência de alfa-1-antitripsina). • Hiperresponsividade brônquica. • Desnutrição. • Redução do crescimento pulmonar (infância/gestação). • Infecções pulmonares recorrentes. 🔹 Fisiopatologia • Inflamação crônica por exposição a irritantes (fumaça, poluentes). • Recrutamento de neutrófilos, macrófagos e linfócitos. • Liberação de citocinas e enzimas proteolíticas → dano celular. • Alterações resultantes: o Espessamento da parede das vias aéreas. o Hipersecreção de muco. o Contração da musculatura lisa. o Destruição alveolar (enfisema). • Consequências: o Obstrução do fluxo aéreo progressiva. o Perda da elasticidade pulmonar. o Redução irreversível da função respiratória. 🔹 Quadro Clínico Sintomas principais • Tosse crônica. • Produção de muco (expectoração). • Dispneia progressiva. • Sibilância (chiado). Sintomas e complicações adicionais • Perda de peso. • Fadiga. • Limitação para exercícios. • Infecções respiratórias recorrentes (bronquite, pneumonia). • Exacerbações agudas → piora súbita da dispneia, risco de insuficiência respiratória aguda. 🔹 Diagnóstico Anamnese • Sintomas respiratórios. • Exposição a fatores de risco (tabaco, ocupacional). • História familiar. • Impacto na qualidade de vida. Exame físico • Sibilos. • Expansão torácica reduzida. • Tosse crônica e muco. • Cianose em fases avançadas. Testes de função pulmonar • Espirometria (padrão-ouro): o Redução do VEF1/CVF pós- broncodilatador (• Diferencia de asma. • Reversibilidade significativa sugere asma (não DPOC). Outros exames • Rx de tórax e TC de tórax → descartar outros diagnósticos, avaliar complicações. • Exames de sangue → avaliar comorbidades. 🔹 Estadiamento • Tradicionalmente pelo VEF1 pós- broncodilatador (% do previsto). • Problema: VEF1 não se correlaciona bem com a dispneia (sintoma principal). • Usado para estratificar prognóstico e orientar condutas. 🔹 Tratamento (em agudizações) Objetivos • Corrigir hipóxia. • Controlar/reverter hipercapnia e acidose. Condutas 1. Oxigenoterapia suplementar o Reduz hipóxia e vasoconstrição pulmonar. o Monitorar com gasometria após 1h. 2. Broncodilatadores inalatórios (primeira linha): o β2-agonistas de curta duração (salbutamol, formoterol). o Associar anticolinérgicos (brometo de ipratrópio) se resposta insuficiente. o Se falha → metilxantinas IV (teofilina, aminofilina). 3. Corticosteroides sistêmicos o Ex.: metilprednisolona IV → prednisona VO. o Benefícios: ↓ tempo de internação, ↓ recidivas, ↑ função pulmonar. 4. Antibioticoterapia empírica o Indicada se: ↑ dispneia + ↑ secreção + secreção purulenta. o Patógenos comuns: H. influenzae, M. catarrhalis, S. pneumoniae. 5. Agentes mucolíticos o Não recomendados (sem benefício comprovado). ✅ Resumão Final • DPOC = bronquite crônica + enfisema. • Principal causa: tabagismo. • Fatores individuais: genética (alfa-1- antitripsina), infecções, má nutrição. • Clínica: tosse crônica, expectoração, dispneia, exacerbações frequentes. • Diagnóstico: espirometria (VEF1/CVF 2x/semana, mas não diários. • Persistente moderada: sintomas diários, limitação de atividades. • Persistente grave: sintomas contínuos, limitação importante. 🔹 Tratamento 1. Medidas gerais • Evitar fatores desencadeantes (alérgenos, fumo, poeira). • Educação do paciente e plano de ação escrito. • Vacinação (influenza, pneumococo). 2. Farmacológico • Controle (uso contínuo): o Corticoides inalatórios (ICS): budesonida, beclometasona. o Associados ou não a β2- agonistas de longa ação (LABA: formoterol, salmeterol). o Alternativas: antagonistas de leucotrienos (montelucaste). • Alívio (resgate): o β2-agonistas de curta duração (SABA: salbutamol, fenoterol). o Anticolinérgicos de curta duração (iptratrópio) em exacerbações. 3. Crises de asma (exacerbação aguda) • Oxigenoterapia. • Broncodilatador inalatório (salbutamol nebulizado ± ipratrópio). • Corticoide sistêmico (prednisona, hidrocortisona). • Suporte ventilatório se insuficiência respiratória. 🔹 Prognóstico • Variável, mas geralmente bom com tratamento. • Controle adequado evita remodelamento e complicações. ✅ Resumão final: • Asma = inflamação crônica + broncoconstrição reversível. • Sintomas típicos: tosse, chiado, dispneia episódica. • Diagnóstico: espirometria com reversibilidade. • Tratamento: corticoide inalatório (base) + broncodilatador (resgate).