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Direitos políticos são um conjunto de garantias que visam assegurar aos cidadãos a participação no processo político de um país. Esses direitos incluem o voto, o de candidatar-se a cargos políticos, além da possibilidade de manifestar-se politicamente. Além disso, também estão assegurados os direitos de associação política, liberdade de expressão, organizar-se em partidos políticos e a permissão para que os cidadãos influenciem as decisões políticas do Estado, seja mediante plebiscitos, referendos, audiências públicas, etc. Dessa forma, os direitos políticos são importantes para o exercício pleno da cidadania e para a construção de sociedades democráticas e justas. A história dos direitos políticos é longa, no entanto, a partir da Revolução Francesa (1789-1799) eles começaram a ser reconhecidos formalmente como elementos fundamentais para a cidadania. Isto acontece porque a França passou por mudanças sociais e políticas com a queda da monarquia e o estabelecimento de uma república democrática. Assim, foi neste contexto, foram criadas as primeiras Constituições modernas, que passaram a reconhecer o direito de voto universal e inalienável. Desde então, as disputas por tais direitos culminaram em todo o mundo, sobretudo em países que enfrentaram regimes autoritários e ditatoriais. Além disso, a ampliação destes direitos também foram pautados como o sufrágio feminino, garantia do voto secreto, direito ao voto para afrodescendentes e demais minorias étnicas, por exemplo. Falar sobre direitos políticos é falar sobre a democracia, isto porque ela prevê que o poder nasce do povo e pode ser exercido indiretamente através de representantes eleitos ou diretamente por meio de plebiscitos, referendos e iniciativa popular. Portanto, os direitos políticos são importantes para a consolidação da democracia e para garantir a participação ativa dos cidadãos na vida pública de uma sociedade. Eles asseguram que cada indivíduo tenha a oportunidade de influenciar as decisões que afetam suas vidas, seja por meio do voto, da candidatura a cargos eletivos ou da manifestação de suas opiniões. Esses direitos promovem a igualdade e a inclusão ao permitir que diferentes vozes sejam ouvidas e representadas nos processos políticos, o que fortalece a legitimidade das instituições democráticas. Além disso, eles oferecem aos cidadãos o poder de responsabilizar seus líderes, monitorar a gestão pública e exigir mudanças, quando necessário. Quando os cidadãos podem exercer livremente seu direito de votar, de se candidatar ou de se organizar politicamente, eles têm mais capacidade de influenciar políticas públicas que promovam a justiça social, a igualdade e o bem-estar coletivo. Em contextos em que esses direitos são negados ou limitados, frequentemente há um enfraquecimento das liberdades civis e do estado de direito. Portanto, a preservação dos direitos políticos é indispensável não apenas para a democracia, mas também para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. O que a Constituição Federal diz sobre os direitos políticos? Já no parágrafo único do art. 1º da Constituição brasileira de 1988, dispõe do seguinte texto: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” Em seguida, no Capítulo IV, especifica os direitos políticos como: o sufrágio universal, o voto direto, secreto e periódico, sendo estas cláusulas pétreas, ou seja, não podem ser abolidos da Constituição. Além disso, o texto garante a participação em plebiscitos, referendos ou iniciativas populares. O sufrágio universal, termo herdado da Constituição de 1793 da França durante a Revolução Francesa, compreende o direito de homens e mulheres naturalizados ou nascidos em um país de participar das eleições, seja votando ou como candidato. O voto direto e secreto se refere ao ato do voto em si. Nele, assegura-se o sigilo e o peso do voto, ou seja, os eleitores não têm seus votos revelados e o poder de voto é igual para todos eles. Atualmente, o voto é facultativo para menores de 18 anos (a partir dos 16 anos) e maiores de 70 anos, porém é obrigatório para os demais brasileiros natos e naturalizados (estrangeiros não votam). No Brasil, em 1932, foi criado o Código Eleitoral, que instaurou o voto secreto, como forma de combater o sistema de voto de cabresto, no qual os coronéis controlavam a escolha dos eleitores através da compra, do abuso de autoridade e de ameaças. O voto direto, por sua vez, foi promulgado em 1988 pela Constituição Federal, após intensas manifestações, conhecidas como Diretas Já, durante o Regime Militar. A participação em plebiscitos, referendos ou iniciativas populares são prescritas na Constituição como formas de garantir a soberania popular. Basicamente, a consulta popular por plebiscito ocorre em um período anterior à tomada de decisão do Legislativo sobre um ato, sendo que a votação popular pode rejeitá-lo ou ratificá-lo. No referendo, o ato legislativo é promulgado pelos legisladores, aprovado pelo Senado e depois é feita a consulta popular. Um exemplo de plebiscito ocorreu em 21 de abril de 1993, quando os brasileiros votaram se o país deveria ter um regime republicano ou monarquista e controlado por um sistema presidencialista ou parlamentarista. Dos totais de 67.010.409 votos, 66% votaram no sistema presidencialista e 55,4% no regime republicano. A monarquia ficou com 10,2% e o sistema parlamentarista com 24,6%. Houve um total de 25,7% de abstenção. Em 23 de outubro 2005, houve o referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, que não permitiu que o Artigo 35 do Estatuto do Desarmamento entrasse em vigor. Nele constava a permissão do comércio de armas de fogo e munição em todo território nacional, porém foi rejeitado por 63,94% da população, computando um total de 59.109.265 votos. Já a iniciativa popular, compreendida no artigo 13 da Lei nº 9.709/98, prescreve que a população pode propor projetos de lei, mas que estes precisam ter o apoio de, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído em ao menos 5 estados e com não menos de 3,33% dos eleitores de cada um destes. Um exemplo de lei de iniciativa popular é a Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de pessoas condenadas por práticas ilícitas. Como mencionado anteriormente, os direitos políticos dividem-se em: Direito de voto: qualquer cidadão poderá escolher seus representantes para governar e tomar decisões que impactarão sua vida; Direito de ser votado: qualquer pessoa poderá se candidatar a cargos públicos; Direito de manifestação política: a população tem direito de expressar-se politicamente, seja através de protestos ou demais manifestações políticas. Responder no caderno: 1. O que são direitos políticos e quais garantias eles oferecem aos cidadãos? 2. Como o direito de votar contribui para o fortalecimento da democracia? 3. Explique o que significa o direito de ser votado e sua importância para o sistema político. 4. Por que o direito de manifestar-se politicamente é fundamental em uma sociedade democrática? 5. Quais formas de participação política direta estão previstas na Constituição brasileira? 6. Como a história do sufrágio no Brasil, incluindo o voto secreto e o fim do voto de cabresto, influenciou o sistema eleitoral atual? 7. De que maneira a Constituição de 1988 protege os direitos políticos como cláusulas pétreas? 8. Na sua opinião, qual o papel dos plebiscitos, referendos e iniciativas populares na participação cidadã? 9. Por que o voto é facultativo para alguns grupos específicos, como jovens entre 16 e 18 anos e maiores de 70 anos? 10. O que o exemplo da Lei da Ficha Limpa demonstra sobre o combate à corrupção e a preservação dos direitos políticos? 11. Reflita sobre a importância da liberdade de expressão e organização política para o exercício dos direitos políticos. 12. Considerando os avanços e desafios descritos, o que você acredita ser essencial para garantir a efetividade dos direitos políticos no Brasil? image1.jpeg