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LEGISLAÇÃO ESPECIAL
Lei n. 9.455/1997 – Crimes 
de Tortura
Livro Eletrônico
3 de 33gran.com.br
LegisLação espeCiaL 
Lei n. 9.455/1997 – Crimes de Tortura 
Douglas Vargas
SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Lei n. 9.455/1997 – Crimes de Tortura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Conceito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Tortura Qualificada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Forma Majorada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
Perda do Cargo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Fiança, Graça e Anistia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Regime Inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Extraterritorialidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Observações Finais sobre o Delito de Tortura. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
 
O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LUCIANA GLAUCE MELLO DE BRITTO - 94248354500, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,
a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
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LegisLação espeCiaL 
Lei n. 9.455/1997 – Crimes de Tortura 
Douglas Vargas
LEI N. 9.455/1997 – CRIMES DE TORTURALEI N. 9.455/1997 – CRIMES DE TORTURA
iNTRoDUçãoiNTRoDUção
A Lei n. 9.455/1997 define as condutas tipificadas como tortura em nosso ordenamento 
jurídico. Tal lei surgiu para atender à determinação de nosso constituinte, que incluiu em 
nossa Carta Magna o delito de tortura.
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da 
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como 
crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-
los, se omitirem.
É o que chamamos de mandado criminalizante – a Constituição define, em seu texto, 
um determinado delito, o que faz com que o legislador edite uma lei para criminalizar 
tal conduta.
Dito isso, é hora de definir o que efetivamente é o crime de tortura, nos termos da lei.
CoNCeiToCoNCeiTo
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento 
físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II – submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave 
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida 
de caráter preventivo.
Pena – reclusão, de dois a oito anos.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança 
a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não 
resultante de medida legal.
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-
las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
No inciso I do art. 1º da Lei de Tortura, temos três tipos de tortura, classificados pela 
doutrina da seguinte forma:
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Tortura-prova
Conduta é praticada para 
obter informação, 
declaração ou confissão.
Tortura-crime
Conduta praticada para 
provocar ação ou omissão 
criminosa
Tortura-discriminação
Conduta praticada em razão 
de discriminação racial ou 
religiosa.
Além disso, temos ainda as previsões contidas no inciso II e nos parágrafos 1º e 2º:
Tortura-castigo
Tortura praticada por 
autor que tem a 
vítima sob sua 
guarda, poder ou 
autoridade.
Requer a finalidade 
de aplicar castigo 
pessoal ou medida de 
caráter preventivo.
Nesse caso, o 
sofrimento deve ser 
INTENSO, 
diferentemente das 
outras modalidades!
Tortura praticada 
contra pessoa presa 
ou sujeita a medida 
de segurança.
Através de ato não 
previsto em lei ou 
não resultante de 
medida legal.
Tortura Omissão
Conduta praticada 
pelo garante, o qual 
tem o dever de evitar 
ou apurar tais 
condutas, mas não o 
faz.
Tais classificações e detalhes são muito importantes, pois o examinador costuma trazer 
variações para induzir o aluno ao erro na hora da prova. Por isso, observe as seguintes 
orientações:
Em regra, a tortura será praticada mediante violência ou grave ameaça, com a imposição 
de sofrimento físico ou mental, salvo no caso do inciso II, que exige que tal sofrimento 
seja INTENSO.
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Muito cuidado com questões sobre tortura, sempre observe se a descrição realizada pelo 
examinador se adequa EXATAMENTE ao texto de lei.
Muitas vezes, o candidato costuma deduzir se uma determinada situação hipotética 
pode configurar tortura. O problema com essa “estratégia” é que, por mais absurda que 
pareça a situação e por mais grave que seja a conduta, se não houver adequação ao tipo 
penal, não irá se configurar o delito de tortura.
Por isso, não se deixe levar pela gravidade em abstrato das circunstâncias, pois o 
examinador irá utilizar justamente essa tática para te induzir ao erro, fazendo você tipificar 
uma situação GRAVE como se fosse tortura – quando na verdade não é o caso.
Quer um exemplo notório dessa premissa?
O caso do adolescente que teve a testa tatuada à força por um indivíduo após ter 
tentado furtar um veículo tomou grande notoriedade nas redes sociais e meios de 
comunicação em geral.
Ao tratar do tema, praticamente todos os meios de comunicação falaram na prática 
de tortura, haja vista a gravidade em abstrato da conduta de tatuar, à força, o corpo de 
um indivíduo.
Entretanto, definir a conduta praticada nesse caso como tortura não é juridicamente 
correto, por mais absurdo que isso nos pareça do ponto de vista ético oumoral.
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Vamos analisar passo a passo, para melhor definir se houve tortura, ou não, no 
caso concreto:
• Houve constrangimento mediante violência ou grave ameaça? Segundo as versões 
publicadas em meios de comunicação, houve, haja vista que a vítima foi forçada a se 
submeter à inserção de uma tatuagem em sua testa.
• Houve sofrimento físico ou mental? A própria prática de tatuagem é reconhecidamente 
dolorosa, até pelos que se submetem voluntariamente à prática. Então até aqui, 
tudo bem.
• Houve a finalidade de obter informação, de provocar ação criminosa? Não é o 
caso. Dessa forma, não se configura a tortura-prova nem a tortura-crime.
• A conduta foi praticada em razão de discriminação racial ou religiosa? Não. O 
que foi publicado é que a conduta do agente foi praticada em razão da tentativa de 
furto executada pela vítima, momentos antes. Dessa forma, não há que se falar em 
tortura-discriminação.
• A conduta foi praticada por indivíduo que tinha a vítima sob sua guarda, poder 
ou autoridade, com finalidade de aplicar castigo ou medida preventiva? Não, visto 
que o autor não tinha a vítima sob sua guarda, poder ou autoridade.
A conduta foi praticada contra pessoa presa ou sujeita a medida de segurança? 
Também não é o caso.
Note, portanto, que, embora a vítima tenha sido submetida a sofrimento físico ou 
mental, mediante violência ou grave ameaça, tal fato por si só não configura tortura, de 
acordo com a tipificação elaborada por nosso legislador.
E se a conduta não se amolda perfeitamente ao tipo penal, sabemos que não se admite 
analogia in malam partem no Direito Penal, de modo que não se pode aplicar o crime de 
tortura a esse caso específico unicamente com base no argumento de que a gravidade em 
abstrato da conduta justificaria tal medida.
É por isso que o Ministério Público, conforme dita a matéria em questão, decidiu pela 
exclusão da tortura ao oferecer a denúncia, que se resumiu aos delitos de constrangimento 
ilegal, lesão corporal e ameaça.
Outro exemplo recorrente em provas, e que é muito interessante, toma como base o 
parágrafo 1º da lei em estudo:
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a 
sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não 
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Note que o legislador admite a sujeição de uma pessoa presa a sofrimento físico ou 
mental sem que se configure o delito de tortura, desde que o ato praticado esteja previsto 
em lei ou seja resultante de medida legal.
Um exemplo seria o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). O preso, em situação admitida 
por nossa legislação, pode ser submetido a um regime de cumprimento de pena muito mais 
gravoso, no qual será mantido isolado dos demais presos, com reduzidas horas de banho 
de sol e de visita.
A imposição de tal regime com certeza gera sofrimento físico ou mental ao preso, o que, 
em tese, configuraria o delito de tortura. Entretanto, não é à toa que o legislador inseriu 
tal exceção no parágrafo 1º.
Finalizando este assunto, o macete é sempre pensar da seguinte forma, para identificar 
um delito de tortura:
O meio empregado se 
adequa à previsão 
legal?
As consequências 
sofridas pela vítima 
estão alinhadas com a 
Lei n. 9.455?
A finalidade ou o 
motivo da conduta 
estão alinhados com as 
modalidades do delito 
de tortura?
Se você se lembrar de analisar as situações hipotéticas em sua prova sob esse prisma, 
dificilmente irá errar uma questão sobre tortura!
ToRTURa QUaLiFiCaDaToRTURa QUaLiFiCaDa
A tortura, em qualquer de suas modalidades, poderá ser tipificada como tortura 
qualificada se resultar em lesão corporal grave ou gravíssima ou na morte da vítima, 
nos termos do parágrafo 3º:
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro 
a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
Sendo assim, temos as seguintes possibilidades de pena para os delitos de tortura:
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Tortura
Regra geral
Reclusão, 2 a 8 anos
Tortura Omissão
Detenção, 1 a 4 anos
Tortura Qualificada
Se resulta lesão 
corporal grave ou 
gravíssima: Reclusão, 
4 a 10 anos
Se resulta morte:
Reclusão, 8 a 16 anos.
FoRMa MaJoRaDaFoRMa MaJoRaDa
Os delitos de tortura podem ainda ter sua pena aumentada de 1/6 a 1/3 nos seguintes casos:
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I – se o crime é cometido por agente público;
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou 
maior de 60 (sessenta) anos;
III – se o crime é cometido mediante sequestro.
As causas de aumento de pena também podem ser aplicadas à tortura qualificada e à 
tortura omissão, se for o caso.
Por agente público, a doutrina entende que o legislador não fez restrição alguma, de 
modo que se aplica o conceito do art. 327 do CP:
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Art. 327. Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente 
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade 
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada 
para a execução de atividade típica da Administração Pública.
Por criança, entende-se o menor de doze anos.
Por adolescente, para fins de aplicação da lei penal, entende-se o indivíduo com doze 
anos ou mais, que, no entanto, ainda não completou dezoito anos.
Quanto à majorante aplicável para a tortura praticada contra gestante, entende-se 
que o autor deve ter ciência da gravidez.
peRDa Do CaRgopeRDa Do CaRgo
A Lei de Tortura prevê a seguinte consequência específica para o agente público:
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para 
seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
Tanto o STF quanto o STJ se posicionam no sentido de que tal efeito da condenação é 
automático. Dessa forma, não necessita de motivação específica, sendo obrigatório apenas 
que o efeito conste expressamente na sentença.
FiaNça, gRaça e aNisTiaFiaNça, gRaça e aNisTia
A Lei n. 9.455/1997 ainda prevê as seguintes restrições à prática da tortura:
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.
Tal previsão decorre da própria previsão constitucional sobreo crime de tortura. Nesse 
sentido, cabe apenas observar o entendimento do STF que, apesar da omissão do legislador, 
o crime de tortura também não é suscetível de INDULTO, haja vista que tal instituto é 
a modalidade coletiva da GRAÇA.
Dessa forma, não cabe a concessão de graça (perdão presidencial dirigido a um único 
indivíduo), assim como também não se pode falar em indulto, que nada mais é do que uma 
graça coletiva.
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RegiMe iNiCiaLRegiMe iNiCiaL
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento 
da pena em regime fechado.
Muito embora o parágrafo 7º da Lei n. 9.455 defina que o condenado pelo delito de 
tortura (salvo na modalidade de tortura omissão) deva iniciar o cumprimento de sua pena 
sempre em regime fechado, a jurisprudência não reconhece a validade de tal dispositivo.
Tanto STJ quanto STF já se posicionaram que não é obrigatório que o condenado por crime 
de tortura inicie o cumprimento da pena em regime fechado.
eXTRaTeRRiToRiaLiDaDeeXTRaTeRRiToRiaLiDaDe
A própria Lei de Tortura, em razão da gravidade dos delitos nela previstos, apresenta duas 
hipóteses em que a lei brasileira irá alcançar condutas praticadas fora do território nacional:
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território 
nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.
oBseRVaçÕes FiNais soBRe o DeLiTo De ToRTURaoBseRVaçÕes FiNais soBRe o DeLiTo De ToRTURa
Finalmente, é importante observar as seguintes características, aplicáveis a todas as 
modalidades de tortura:
Não se admite 
arrependimento eficaz 
nem arrependimento 
posterior nos delitos de 
tortura.
A ação penal é pública 
incondicionada.
A tortura é crime 
material (possui 
resultado naturalístico)
É admissível a tentativa.
É admissível o instituto 
da desistência 
voluntária.
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	Sumário
	Lei n. 9.455/1997 – Crimes de Tortura
	Introdução
	Conceito
	Tortura Qualificada
	Forma Majorada
	Perda do Cargo
	Fiança, Graça e Anistia
	Regime Inicial
	Extraterritorialidade
	Observações Finais sobre o Delito de Tortura

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