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LABORATÓRIOLABORATÓRIO
@dardaniamedvet
Clínico
Etapas do exame
laboratorial
Etapas do exame
laboratorial
Fase pré-analítica: escolha do exame,
preparo do paciente, contenção,
coleta da amostra, manuseio,
tubo/recipiente próprio, volume
adequado, identificação, transporte,
armazenamento.
Fase analítica: técnica analítica,
equipamentos com manutenção em
dia, reagente correto, amostras
devidamente identificadas, formação
específica, atenção na realização,
erro sistemático X erro randômico
(aleatório).
Fase pós- analítica: cálculo dos
resultados, análises dos resultados,
interpretação, valores de referência 
corretos, digitação do laudo,
liberação do laudo.
Sangue total: 
Sangue coletado em um tubo contendo
anticoagulante
Não centrifugado
Homogeneizado
Plasma:
Sangue coletado em um tubo contendo
anticoagulante.
Centrifugado ou decantado.
Separação reversível da parte celular
(elementos figurados).
Não homogeneizado.
Erro Sistemático = erro fixo
Acontece sempre do mesmo jeito.
Todos os resultados saem errados se
não for investigado e consertado.
Exemplo: máquina mal calibrada,
reagente vencido.
Erro Randômico = erro por acaso
Acontece de vez em quando, sem
padrão.
Deixa os resultados “bagunçados”.
Exemplo: uma gotinha a mais ou a
menos na pipeta, variação de
temperatura.
Sangue total x plasma x soroSangue total x plasma x soro
Não contém fibrina e fatores de
coagulação pois foram utilizados para
formar o coágulo
Contém fibrina e fatores de coagulação
pois usa-se anticoagulante para que elas
não sejam utilizadas para formar coágulo
Soro:
Sangue coletado em um tubo sem
anticoagulante ou com
ativador/acelerador de coagulação
Centrifugado
Presença ou não de gel separador
Formação de um coágulo sanguíneo
(ausência de fibrinogênio)
Soro: Não tem as proteínas de
coagulação pois foram utilizadas
para a formação de coágulos
Plasma: Tem proteínas de coagulação
Tubos de coletaTubos de coleta
Tubo vermelho: sem aditivos
Uso: coleta de amostras para
exames que exigem soro, como
testes de função hepática, exames
de colesterol, exames hormonais e
alguns testes de proteínas.
Função: O tubo não possui
aditivos, então o sangue coleta e
fica em repouso para permitir a
separação do soro. Ideal para
exames que não envolvem
separação de plasma ou
preservação de células
sanguíneas 
Uso: separação do soro em
testes bioquímicos,
imunológicos, enquanto a
solução ACD é usada em banco
de sangue ou para coleta de
células sanguíneas.
Função: O gel separador
facilita a separação do soro ou
plasma após a centrifugação,
enquanto solução ACD é
utilizada para preservar as
células sanguíneas.
Tubo amarelo: Ativador de coágulo +
gel separador (pode ter ACD)
Uso: Usado para testes que
exigem plasma, como gases
sanguíneos, pesquisa de
medicamentos, bioquímicas
que necessitam de plasma
para análise e imunologia.
Função: A heparina é um
anticoagulante que bloqueia
a formação de trombina,
impedindo a coagulação.
Interfere mais nas células
(alterações) do que o EDTA.
Tubo verde: Heparina (de
sódio ou de lítio)
Tubo roxo: EDTA 
Uso: Exames como
hemograma, tipagem
sanguínea, contagem de
plaquetas, tipagem de células
vermelhas e outros testes
hematológicos.
Função: Liga o cálcio no
sangue e impede a
coagulação, sendo bastante
eficaz na preservação das
células sanguíneas. Usado
principalmente para exames
hematológicos. Pode interferir
em bioquímicos e coagulação.
O tubo roxo (EDTA), verde
(heparina) e azul (citrato) são
tubos que contém
anticoagulantes, porém são
diferentes em seus mecanismos
para impedir a coagulação, além
de serem usados para fins
diferentes.
Uso: Exames de glicose e lactato.
Função: Inibe a glicólise, mantendo
os níveis de glicose estáveis na
amostra, o que é importante para
exames de glicemia.
Tubo cinza: fluoreto de sódio
Tubo azul: citrato de sódio 
Uso: Testes de coagulação, como
Tempo de Protrombina (TP), Tempo
de Tromboplastina Parcial Ativada
(TTPa), Fibrinogênio e outros
exames relacionados à função de
coagulação.
Função: anticoagulante que
impede a coagulação do sangue
ao ligar-se ao cálcio no sangue,
que é essencial para a coagulação.
Vantagem de não interferir tanto
nas contagens celulares.
Observações:
Amarelo = Gel no meio, não é ativador de
coágulo, só está ali para separar o soro
do sangue, não deixa homogeneizar a
amostra.
Verde/heparina = Usado para silvestres
pois não faz lise de hemácia enquanto o
EDTA causa lise em algumas espécies
silvestres (na dúvida use heparina).
Heparina pode mudar coloração e
perde qualidade da morfologia das
células, o que torna o EDTA melhor para
ver a morfologia das células.
Heparina inibe a trombina que também
faz parte da cascata de coagulação.
O cálcio é essencial para a coagulação,
o EDTA interrompe a coagulação pois é
quelante total de cálcio.
As duas formas
interrompem a
cascata de
coagulação
porém em pontos
diferentes dela 
Gasometria é utilizada para medir
sódio então o ideal é usar heparina
de lítio, caso a de sódio seja usada,
pode alterar o resultado da amostra.
Prestar atenção em plasma e soro,
alguns elementos consegue-se dosar
no plasma mas vai depender do
fornecedor e do frasco com suas
funções, sempre estará especificado.
Azul (citrato) = Utilizado para teste de
coagulação (mede velocidade de
coagulação), impede a coagulação.
“Não quero que coagule agora,
quero que coagule somente quando
eu mandar”.
O citrato é inibidor parcial do cálcio,
ele vai impedir que coagule pois
bloqueia parcialmente o cálcio ali
dentro, se mais cálcio for
adicionado, ele chega a seu limite e
não consegue mais inibir o cálcio
recém adicionado, sendo assim, se
eu quero marcar o tempo e quero
que coagule a partir de certo ponto,
só é necessário acrescentar o
ativador de coágulo (cálcio)
Muito utilizado pra pré cirúrgico
* se o animal tem o tempo de
coagulação mais rápido há risco de
trombo, se coagula devagar há risco de
hemorragia 
Cinza (Fluoreto de sódio) = Mede
glicose e lactato. Mecanismo de
ação: ele interrompe o consumo de
glicose (via glicolítica) e a produção
de lactato
HematologiaHematologia
É a especialidade médica que estuda
e trata do sangue e de órgãos
hematopoéticos.
Sangue:
Tecido conjuntivo líquido
Transportes de gases, nutrientes,
metabolitos, hormônios e
eletrólitos
Células e fluido circulam em um
movimento unidirecional dentro do
sistema circulatório
Defesa
Hemostasia
Elementos figurados e plasma
plaquetas
leucócitos
Glóbulos vermelhos
plasma
Plasma:
Albumina - principal proteína 
Globulinas - fragmentos de proteínas
Eletrólitos
Sódio - principal no meio extracelular
Potássio - principal dentro da célula 
Alguns
consideram
células e alguns
não, são
fragmentos de
megacariocitos 
Monócito =
sangue
Macrófago =
fora
Proteína plasmática total (PPT) - medida
através do refratômetro (luz entra na
placa e o meio liquido faz com que ela
seja refletida/modificada. Ex: piscina com
falsa profundidade.
Através desse exame da para saber se
quem produz proteína (fígado) ou quem
faz a filtragem (rim) está funcionando
corretamente 
Volume globular (VG) ou hematócrito 
porcentagem de elementos figurados no
sangue
Elementos figurados: 
μl
HematopoieseHematopoiese
Saco vitelino
Fígado
Baço
Timo
Medula
óssea
Mo = única
que
continua
produzindo
quando
adultos
Baço e fígado tem memória e, em
alguns casos, eles podem começar
a produzir de novo (em situações
específicas). Ex: neoplasia
Durante a segunda metade do
desenvolvimento do feto a medula óssea
e os órgãos linfóides periféricos (para os
linfócitos) são os maiores locais de
produção de células sanguíneas nos
mamíferos.
Célula tronco - pode produzir
qualquer tecido.
Célula pluripotente ou totipotente -
produz qualquer célula sanguínea.
Multipotente linfoide = linfócitos 
Multipotente mieloide =
Hemácias/ plaquetas/
trombocitos
Durante maturação a hemoglobina
entra na célula 
Eritropoiese ocorre na medula, porém o
rim produz a eritropoetina, que é um
hormônio glicoproteico que promove a
viabilidade, proliferação e
diferenciação de progenitorasreutilizada, apenas uma
pequena quantidade escapa
para a circulação periférica, e é
essa fração que pode ser medida
em exames laboratoriais. 
liares um marcador útil para
avaliar a função hepática e a
presença de colestase.
Participam da regulação do
colesterol
Fazem parte da composição da
bile 
A circulação dos ácidos biliares no
organismo segue um ciclo
chamado circulação entero-
hepática, que é extremamente
eficiente.
Colestase
Obstrução do
fluxo
Ácidos biliares
se acumulam
no fígado e no
sangue
Leva a concentrações
elevadas detectadas em
exames
Marcador útil para avaliar
função hepática e
presença de colestase
Atua como precursor na
produção dos ácidos biliares,
que ajudam na digestão de
gorduras, dos hormônios
esteroidais e das membranas
celulares, contribuindo para sua
estrutura e estabilidade.
Pode ser obtido pela
alimentação (exógena) 
Produzido pelo próprio
organismo (endógena),
principalmente no fígado, a
partir de uma molécula
chamada acetil-CoA.
No sangue é transportado por
lipoproteínas, como o HDL, LDL
e VLDL, que ajudam a distribuí-
lo pelo corpo. 
Aproximadamente 2/3 do
colesterol circulante está
esterificado, ou seja, ligado a
ácidos graxos para facilitar esse
transporte. 
Colesterol Proteínas totais
Aumento: pode ocorrer em
casos de obstrução biliar, já que
a bile não consegue eliminar os
ácidos biliares e o colesterol
corretamente.
Diminuição: pode estar
associado à lesão das células
do fígado, insuficiência hepática
ou lipidose hepática, situações
em que o fígado perde a
capacidade de sintetizar e
metabolizar o colesterol de
forma adequada.
Composta por um grupo
heterogêneo de proteínas 
Exercem várias funções
importantes no organismo:
transporte de substâncias,
defesa imunológica, coagulação
e manutenção da pressão do
sangue. 
A maioria dessas proteínas é
sintetizada pelos hepatócitos,
as células do fígado.
Alterações
Albumina
Produzida exclusivamente pelo
fígado
Responsável por cerca de 80%
da pressão oncótica do sangue,
(força que ajuda a manter o
líquido dentro dos vasos) 
Albumina baixa
Comum em cães com doenças
hepáticas crônicas
Geralmente é necessário que o
fígado tenha perdido entre 60%
e 80% da sua função
Costuma indicar uma lesão
hepática mais avançada ou de
longa duração.
Globulina
Grupo heterogêneo de
proteínas 
Transporte de substâncias
Defesa imunológica e resposta
inflamatória. 
A maioria é produzida no
fígado, com exceção das
imunoglobulinas, que são
produzidas por células do
sistema imune (linfócitos B e
plasmócitos).
Globulina alterada
Insuficiência hepática →
produção de globulinas
pode diminuir
Doenças hepáticas crônicas
— como hepatites ou cirrose
— aumento das globulinas,
especialmente devido à
ativação do sistema imune e
resposta inflamatória
persistente.
O valor das globulinas
geralmente não é medido
diretamente, mas sim calculado
pela fórmula:
Globulina PPT Albumina
Fígado produz a maioria dos
fatores de coagulação e
anticoagulantes
São proteínas essenciais
para a formação de coágulos
sanguíneos e para o controle
de sangramentos.
Fatores de coagulação
Alterações
Quando o fígado está
comprometido por alguma
doença hepática, esse equilíbrio
pode se perder, levando a
alterações hemostáticas e
fibrinolíticas, aumentando o
risco de hemorragias ou
tromboses.
Obstrução biliar
redução na absorção da
vit. K (precisa da bile como
emulsificante)
Distúrbio de coagulação
TP e TTPA
Tempo de Protrombina (TP) e o
Tempo de Tromboplastina
Parcial Ativada (TTPA) são
exames laboratoriais utilizados
para avaliar a capacidade de
coagulação do sangue. Eles
medem o tempo que o sangue
leva para formar um coágulo e
ajudam a identificar alterações
nos fatores de coagulação.
Avalia principalmente a via
extrínseca e comum da
coagulação como:
TP
VII X V II
Fibrinogênio
Avalia a via intrínseca e
também a comum, então além
dos mesmos fatores da via
comum, fatores como:
TTPA
VIII IX XI XII
Esses exames são
especialmente importantes no
monitoramento de pacientes
críticos em UTI, alterações
podem ocorrer por:
Doenças hepáticas
Infecções graves (sepse)
Distúrbios metabólicos
Uso de medicamentos
anticoagulantes
Acompanhar o TP e o TTPA
permite detectar precocemente
riscos de sangramento ou
trombose e ajustar a conduta
médica de forma mais segura e
eficaz.
Glicose
O fígado desempenha um papel
fundamental na regulação dos
níveis de glicose no sangue, ele
faz isso por meio de dois
processos principais:
Produção e armazenamento
de glicogênio (forma de
reserva de glicose) 
Gliconeogênese, que é a
produção de glicose a partir
de outras substâncias, como
aminoácidos e glicerol,
especialmente em jejum
Hiperglicemia
Pode ocorrer por uma menor
captação da glicose pelo fígado,
o que reduz sua remoção da
corrente sanguínea.
Hipoglicemia
Pode ocorrer quando há
redução da atividade de
gliconeogênese e glicogenólise,
dois mecanismos essenciais que
o fígado utiliza para manter a
glicose disponível,
principalmente em situações de
jejum ou estresse metabólico.
Amônia
É uma substância tóxica
produzida principalmente por
bactérias no trato
gastrointestinal a partir da
digestão de proteínas. Uma vez
absorvida pela corrente
sanguínea, a amônia é levada
até o fígado, onde é
transformada em ureia e em
aminoácidos para síntese de
proteínas, tornando-se menos
tóxica e podendo ser eliminada
pelos rins.
rico em
amônia
transformado
em ureia
As duas principais causas de
alterações para isso são o shunt
portossistêmico e a insuficiência
hepática.
No caso do shunt
portossistêmico, o sangue do
sistema digestivo desvia do
fígado e vai direto para a
circulação geral, sem passar
pelo processo de filtragem e
conversão da amônia em ureia. 
Shunt
não passa
pelo
fígado
Essa disfunção pode acabar
levando ao acúmulo de amônia no
sangue — um dos fatores que
contribuem para a encefalopatia
hepática, que afeta o sistema
nervoso
Apesar de sua importância clínica,
a dosagem da amônia no sangue é
pouco utilizada na prática, pois
requer cuidados rigorosos na
coleta e no processamento da
amostra. A amônia é instável e se
degrada rapidamente se o sangue
não for refrigerado e analisado
imediatamente.
Ureia
É uma substância produzida pelos
hepatócitos a partir da amônia,
essa conversão é fundamental,
pois a ureia é muito menos tóxica
e pode ser facilmente eliminada
pelos rins através da urina.
Em animais com insuficiência
hepática, o fígado perde a
capacidade de converter a
amônia em ureia de forma
eficiente. Como consequência,
ocorre uma redução nos níveis
séricos de ureia. 
Esse achado laboratorial,
especialmente quando combinado
com aumento da amônia, pode
indicar falência da função
hepática. 
Além disso, a diminuição da ureia
também pode estar associada a
comprometimento da síntese
proteica pelo fígado:
síntese proteica
quebra de proteína
amônia ureia
AnotaçõesAnotações
Análise laboratorial de
líquidos biológicos
Análise laboratorial de
líquidos biológicos
Água
Compõe 60% do peso
corporal em adultos e 75%
em neonatos 
Todas as reações químicas
do organismo se realizam em
meio aquoso 
Qualquer mudança físico
química no meio aquoso
afeta o metabolismo 
60%
Essa água está distribuída em
dois compartimentos principais:
LIC- Líquido Intracelular
Representa 2/3 da água total
do organismo.
Equivale a 40% do peso
corporal.
Está dentro das células, onde
ocorrem muitos processos
metabólicos.
LEC- Líquido Extracelular
Representa 1/3 da água total do
organismo.
Equivale a 20% do peso
corporal.
Está fora das células e se divide
em:
Líquido intersticial: 14% da água
corporal – fica entre as células,
nos tecidos.
Plasma: 4% da água corporal – é
a parte líquida do sangue.
Outros líquidos: 2% da água
corporal – como o líquido
cefalorraquidiano, líquido
sinovial, entre outros.
Osmolaridade
É a medida da concentração de
solutos dissolvidos em um meio
aquoso
Ela indica quantas partículas
estão presentes em uma
determinada quantidade de
líquido.
Solutos como íons (sódio,
potássio, cloro), glicose e ureia
são os principais responsáveis
pela osmolaridade nos fluidoscorporais.
A água no organismo sempre se
desloca de regiões com menor
concentração de solutos (meio
mais diluído) para regiões com
maior concentração de solutos
(meio mais concentrado). Esse
movimento da água, chamado de
osmose, ocorre com o objetivo de
equilibrar a concentração de
solutos entre os compartimentos
do corpo, como o espaço
intracelular (dentro das células) e o
extracelular (fora das células).
Quando há alterações na
osmolaridade corporal, o
equilíbrio hídrico entre os
compartimentos pode ser
comprometido, levando a
situações patológicas. Por isso,
manter a osmolaridade dentro de
uma faixa adequada é essencial
para a estabilidade das células, o
funcionamento correto dos órgãos
e a homeostase do organismo
como um todo.
Segundo a equação, em condições
normais, existe um equilíbrio
dinâmico entre dois processos: a
filtração e a reabsorção de
líquidos. 
Filtração: ocorre quando o
líquido sai do interior do
capilar para o espaço
intersticial.
Forças de Starling
Filtração
Reabsorção: é o processo
inverso, no qual o líquido
retorna do espaço intersticial
para o interior do vaso
sanguíneo.
Reabsorção
Esse equilíbrio é controlado por
dois tipos principais de pressão:
Pressão hidrostática: é a
pressão exercida pelo líquido.
Ela tende a forçar o líquido
para fora do vaso, favorecendo
a filtração.
Pressão oncótica (ou
coloidosmótica): é gerada
principalmente pelas proteínas
plasmáticas, como a albumina,
que puxam a água de volta
para o interior do vaso,
promovendo a reabsorção.
albumina
Pressão
hidrostática Pressão
oncótica
Quando há desequilíbrios nessas
forças — como aumento da
pressão hidrostática, queda da
pressão oncótica ou aumento da
permeabilidade capilar — podem
surgir edemas, que são acúmulos
anormais de líquido no espaço
intersticial.
Portanto, a equação de Starling
ajuda a compreender não apenas
a troca normal de fluidos nos
tecidos, mas também os
mecanismos fisiopatológicos
envolvidos em condições como
insuficiência cardíaca,
desnutrição, inflamação e
doenças hepáticas.
Líquidos biológicos
São compostos
predominantemente de água +
solutos 
Além da água pode estar
presente, em menor quantidade
eletrólitos, proteínas,
metabólitos e células
Podem ser divididos em três
principais grupos: os líquidos
cavitários, o líquido
cefalorraquidiano (LCR) e o
líquido sinovial. 
Cavitário
Também chamados de líquidos
serosos, líquidos livres, efusões
ou derrames cavitários. 
Presentes em cavidades
corporais fechadas, como a
pleural, peritoneal e
pericárdica. 
Cada uma dessas cavidades é
revestida por duas membranas
serosas: a membrana parietal,
que recobre internamente a
cavidade, e a membrana
visceral, que recobre
externamente os órgãos
contidos nela. 
Existe entre essas membranas
uma fina camada de fluido com
aparência semelhante ao soro
sanguíneo.
Importante função de lubrificar
as superfícies internas das
cavidades, reduzindo o atrito e
prevenindo a aderência entre
os órgãos durante seus
movimentos.
A presença de efusões em excesso
ou com alterações em sua
composição pode indicar
distúrbios na homeostase hídrica e
na pressão capilar. Isso ocorre
devido ao desequilíbrio das forças
de Starling:
Aumento da pressão
hidrostática capilar.
Redução da pressão oncótica
(coloidosmótica).
Aumento da permeabilidade
vascular, que permite a saída
excessiva de líquidos e
proteínas.
Obstrução ou redução da
drenagem linfática, o que
impede a reabsorção adequada
do excesso de líquido presente
nas cavidades.
Ruptura de vasos sanguíneos
ou vísceras, que pode resultar
em efusões hemorrágicas ou
contaminadas.
A partir de suas características
físico-químicas, citológicas e
bioquímicas, é possível realizar
uma classificação geral e,
posteriormente, uma classificação
específica com base na etiologia
do processo.
Classificação geral
Transudato: fluido claro, pobre
em proteínas e células.
Transudato modificado: forma
intermediária entre o
transudato e o exsudato. Possui
concentração de proteínas e
células entre transudato puro e
exsudato.
Exsudato: fluido geralmente
mais turvo, com alta
concentração de proteínas e
número elevado de células.
Além da classificação geral, os
líquidos cavitários podem ser
classificados de forma
específica, de acordo com sua
causa ou conteúdo:
Efusão neoplásica: Infiltração
ou compressão causada por
tumores.
Peritonite ou Pleurite séptica:
Infecção bacteriana nas
cavidades, juntamente com
células de defesa.
Classificação específica
Uroperitônio: Presença de urina
livre na cavidade peritoneal,
geralmente por ruptura de
bexiga ou uretra. 
Hemorragia intracavitária:
Presença de sangue em
cavidades serosas.
Efusão biliar: há
extravasamento de bile para o
espaço peritoneal, muitas vezes
por ruptura de vesícula biliar
ou ductos biliares. 
Gravidade na coleta
Os líquidos são soltos dentro de
cavidades corporais — ou seja, eles
não estão presos ou fixos, e por
isso se movem conforme a posição
do animal.
Quando o animal está em
posição ortostática (em pé ou
em estação), a gravidade puxa o
líquido para as regiões mais
baixas da cavidade, seja
torácica ou abdominal. Isso faz
com que:
No tórax (cavidade pleural): o
líquido se acumule nas regiões
ventrais dos espaços
intercostais mais caudais, como
o 7º ou 8º EIC, facilitando a
toracocentese.
No abdômen (cavidade
peritoneal): o líquido desce para
a porção mais inferior da
cavidade, próxima ao umbigo e
região ventral, onde se realiza a
abdominocentese.
1. Paracentese: coleta de
líquido da cavidade
abdominal (peritoneal).
2. Toracocentese: espaço
pleural, onde pode haver
acúmulo de líquido
(hidrotórax), ar
(pneumotórax) ou ambos.
3. Pericardiocentese: punção
do saco pericárdico, que
envolve o coração, para
retirada de líquido
acumulado (efusão
pericárdica).
O principal objetivo da coleta é
diagnóstico, porém a coleta
também tem uma função
terapêutica, especialmente
quando o líquido causa
desconforto respiratório (no
tórax) ou dor/pressão
abdominal (no abdômen).
Procedimento de coleta
Técnicas de coleta
Toracocentese: 7º ou 8º
espaço intercostal, parte
ventral do hemitórax, com a
agulha inserida logo acima
da borda cranial da costela
inferior.
Paracentese: região ventral
do abdômen, na linha média
ou paramediana, entre o
umbigo e a pelve.
Pericardiocentese: geralmente
no 5º espaço intercostal
esquerdo, com guia por
ecocardiografia, se possível.
O líquido deve ser coletado
lentamente para evitar colapso de
estruturas e choque hipovolêmico.
Exames solicitados
Análise físico-química:
Cor, turbidez, odor, viscosidade
Densidade e proteínas totais
Comparação entre creatinina,
bilirrubina ou triglicerídeos no
soro x fluido
Citologia:
Contagem celular
Diferencial leucocitário
Pesquisa de células
neoplásicas, bactérias
intracelulares, cristais,
hemácias
Cultura bacteriana/aeróbia e
anaeróbia, quando houver
suspeita de infecção
Exames específicos, conforme o
caso: PCR, teste de Rivalta (em
gatos), pesquisa de fungos, entre
outros.
O líquido coletado deve ser
dividido em tubos específicos,
conforme o tipo de exame a ser
feito:
Tubos
Tubo vermelho: usado para
análises bioquímicas, como
proteínas, creatinina,
bilirrubina, triglicerídeos,
glicose etc.
Tubo cinza para glicose e
lactato.
Cefaloraquidiano
Fluido biológico produzido pelo
plexo coroide localizado dentro
dos ventrículos, que está em
íntima relação com o sistema
nervoso central (SNC) e seus
envoltórios.
 Funções:
Fornecimento de nutrientes
Eliminação de resíduos
metabólicos 
Defesa do SNC contra
agentes infecciosos 
Barreira mecânica contra
traumas
O SNC é revestidos pelas
meninges, que consistem em
três camadas: 
Dura-máter: que é a camada
externo
Aracnóide: que é uma
membrana interna
filamentosa; 
Pia-máter: membrana
mucosa que reveste as
superfícies do SNC
Fluido corporal estéril
Aparência translúcida e límpida
Produzido em pequenas
quantidades em uma taxa
constante 
Coleta:
Faz parte da interpretação do
exame 
Assepsia cirúrgica 
Exame invasivo geralmente
realizado sob sedação do
paciente 
Locais de eleição para coleta:
Cisterna cerebelomedular(atlanto-occipital) 
Cisterna lombar
Fatores que causam
alterações
Neoplasias 
Intoxicações 
Traumas mecânicos 
Processos inflamatórios
(infecciosos ou não-
infecciosos) 
Exames e avaliação
Volume 
Coloração 
Aspecto 
Densidade 
Proteína 
Teste de Pandy
Testa a presença de
proteínas globulinas no LCR
Adiciona-se ácido fênico ao
LCR
Se houver globulinas, forma-
se uma turbidez 
Positivo: indica aumento de
proteínas no líquor → pode
sugerir inflamação no SNC
Exame citológico 
Contagem total de células
nucleadas 
Contagem total de hemácias 
Avaliação morfológica
Técnica laboratorialTécnica laboratorial
Técnicas hematológicas
Homogeneização sanguínea para todas as
mensurações hematológicas.
Hematócrito
O valor do volume globular (ou hematócrito)
é a porcentagem do sangue total composta
pelos eritrócitos.
Inicialmente, o tubo (também chamado de
capilar) é preenchido por capilaridade,
segurando-o horizontal ou levemente
inclinado para baixo e encostando-se a
extremidade superior no sangue do tubo. Na
sequência, possibilite que o tubo seja
preenchido em 70 a 90% de sua extensão.
Segure o tubo horizontalmente para evitar
que o sangue escorra para fora e, então,
sele uma das extremidades. 
O capilar é então colocado na centrífuga, 
que é projetada para girar o tubo a
velocidades muito altas, produzindo força
centrífuga suficiente para ser possível
separar plasma e células vermelhas.
Podem ser observadas três camadas
distintas no tubo após sua remoção da
centrífuga: a coluna de plasma no topo, os
eritrócitos compactados na base e uma
pequena banda branca ao meio,
conhecida como capa leucocitária. 
A cor do plasma pode indicar alterações
clínicas, como:
Icterícia (amarelo intenso) →
hiperbilirrubinemia
Lipemia (branco opaco) → distúrbios
lipídicos
Hemólise (vermelho) → ruptura dos
eritrócitos, geralmente por erro na
coleta.
normal, lipémico, hemolisado e
ictérico, respectivamente 
O volume globular é mensurado em um
dispositivo de leitura, muitas vezes sendo
uma tabela. O procedimento é realizado
posicionando-se a base da coluna de
eritrócitos na linha 0 e o topo da coluna de
plasma na linha 100. Faz-se então a leitura,
na escala, correspondente à posição do
topo da coluna de eritrócitos, obtendo-se
o valor do volume globular.
Proteínas plasmáticas por refratometria:
Após a observação e a mensuração do
hematócrito, a coluna de plasma pode ser
utilizada para estimar a concentração de
proteínas plasmáticas por meio do uso do
refratômetro.
O capilar é quebrado no nível da capa
leucocitaria e a porção do tubo contendo
o plasma é utilizada para preencher o
refratômetro. O aparelho é então
empunhado de maneira que uma fonte de
luz ambiente possa passar através do
prisma embebido com o plasma e então se
lê o grau de refração da luz em uma escala
visível por meio da ocular.
Preparação de esfregaços sanguíneos: 
O esfregaço sanguíneo é uma ferramenta
essencial para a determinação das
concentrações individuais dos tipos de
leucócitos (ou seja, contagem diferencial) e
para a avaliação de importantes
anormalidades patológicas envolvendo
leucócitos, eritrócitos e plaquetas. 
O procedimento mais comum é conhecido
como técnica do deslizamento e precisa de
duas lâminas de vidro para microscopia.
Uma gota de sangue é colocada próximo à
extremidade da primeira lâmina, a
segunda lâmina é posicionada sobre a
primeira, à frente da gota de sangue. A
segunda lâmina, chamada agora de
lâmina deslizadora, é então trazida para
trás até encostar na gota de sangue e, em
seguida, impelida até o final da lâmina com
um movimento único e rápido.
Coloração 
A primeira etapa, é preparar as extensões
sanguíneas e deixar secar, em seguida
mergulhar a lâmina na solução de
triarilmetano a 0,1%, escorrer o excesso da
solução, na segunda etapa a lâmina deve
ser mergulhada em uma solução de
xantenos a 0,1% por 10 segundos, após isso
escorrer o excesso e por último mergulhar
a lâmina em uma solução de tiazinas a 0,1%
por 20 segundos.
*varia de laboratório para laboratório
Coloração 
A primeira etapa, é preparar as extensões
sanguíneas e deixar secar, em seguida
mergulhar a lâmina na solução de
triarilmetano a 0,1%, escorrer o excesso da
solução, na segunda etapa a lâmina deve
ser mergulhada em uma solução de
xantenos a 0,1% por 10 segundos, após isso 
Câmara de Neubauer
A Câmara de Neubauer é um dispositivo de
laboratório utilizado principalmente para
a contagem de células em líquidos, como
células sanguíneas ou células bacterianas.
É uma lâmina de vidro com um padrão
específico gravado, consistindo em uma
série de grades ou quadrados, sendo que
cada quadrado tem um volume conhecido,
permitindo que o usuário calcule a
concentração de células no líquido testado
O procedimento típico envolve diluir a
amostra, colocá-la na câmara e contar o
número de células em certos quadrados,
multiplicando este número pelo fator de
diluição e considerando o volume dos
quadrados, obtém-se a concentração total
de células na amostra original.
É composta por duas câmaras
(independentes), uma superior e uma
inferior. Cada uma possui uma grade no
centro, onde a contagem celular é
realizada.
A grade de contagem tem 3 mm x 3 mm de
tamanho e é subdividida em nove
quadrantes de 1 mm x 1mm.
escorrer o excesso e por último mergulhar
a lâmina em uma solução de tiazinas a 0,1%
por 20 segundos.
A lamínula é colocada sobre a câmara,
cobrindo a área central, onde a grade de
contagem está. Ela serve para concentrar a
amostra entre o fundo da câmara e a
própria laminula, deixando exatamente 0,1
mm nesse espaço.
O líquido contendo as células deve ser
preparado adequadamente antes de ser
aplicado à câmara de contagem. O fluido
deve ser uma suspensão homogênea e ter a
concentração apropriada. Se for muito alta
as células se sobrepõem dificultando a
contagem. Já uma concentração baixa, o
resultado por quadrante pode levar a um
erro estatístico, além de serem necessários
mais quadrantes para contagem, o que
demanda mais tempo.
Depois de diluida, a amostra deve ser
cuidadosamente introduzida no espaço
entre a lâmina e a camara de Neubauer,
preenchendo-a completamente por
capilaridade. A câmara de contagem é
levada ao microscópio, permitindo a
visualização da malha e dos quadrantes.
1 mm 
1 x 1 x 0,1 = 0,1mm
1 mm
 
1 mm
 
Largura
comprimento
Altura
Multiplica por 10 e chega a 1mm
3
A contagem de hemácias e leucócitos com o
uso da câmara de Neubauer permite
estimar o número de células por milímetro
cúbico (mm³) de sangue. Como o volume
observado na câmara é pequeno e o
sangue é previamente diluído, é necessário
aplicar uma fórmula que compense esses
fatores. Assim, multiplicações e divisões são
feitas para ajustar a profundidade da
câmara, o grau de diluição e a fração de
volume analisado — garantindo um
resultado correspondente a 1 mm³.
A gente quer saber quantas hemácias
existem em 1 mm³ de sangue, mas na
prática, a gente não observa 1 mm³ inteiro,
só uma parte dele, então na fórmula
multiplicamos por 10. Isso ocorre porque os
quadradinhos da câmara são rasinhos: só
0,1 mm de profundidade. A gente sempre
quer transformar tudo pra mm³ (volume
cúbico). Ou seja, multiplicar por 10
transforma o volume de cada quadrado em
milímetro cúbico.
3
2
Diluição
Uma diluição de 1:200 significa que, para
cada parte de sangue, você vai adicionar
199 partes de diluente, totalizando 200
partes. Ex: Se eu decidir usar 20uL de
sangue, então o total da mistura tem que
ser 200 vezes maior que 20uL
Usando 20 uL de sangue, para alcançar a
diluição de 1:200, a quantidade de diluente
necessária deve ser: 20uL (sangue) x 200 =
4000pL de diluente (NaCl).
Você sempre pega o volume da
amostra e multiplica pelo
número da diluição (200, nesse
caso) para saber o total final
que precisa ter no tubo.
Fator de correção 
E, por último, se você contou em 25
quadrados, significa que já contou tudo →
multiplica por 1.
Se contar só 5 quadrados → multiplicaria
por 5 para compensar o total de 25.
Exemplo prático (com 25 quadrados
contados):
Suponha que você contou 100 hemácias,com diluição 200.
 100×10×200×1 = 200.000 hemácias/mm³ 
Exemplo se fossem só 5 quadrados:
 100×10×200×5 = 1.000.000 hemácias/mm³
A lógica é:
Se você conta menos quadrados,
precisa multiplicar por um número
maior para compensar.
Contando 5 quadrados:
Você conta 20 hemácias em 5
quadrados
Multiplica por 5 no final, porque são 25
quadrados no total
→ 20 × 5 = 100 hemácias estimadas em 25
quadrados
Contando os 25 quadrados:
Você já vê 100 hemácias diretamente
→ Então não precisa multiplicar por 5.
Resultado é o mesmo!
Se conta todos os quadrados, você já
tem o total, então não precisa corrigir.
Vamos ver com um exemplo para
comparar:
Então temos que:
Número de hemácias x 10 x 200x 5
depende do diluente
depende
de
quantos
quadrados
você
contará
para
chegar a
1mm3
Contagem de leucócitos
Primeiro: o que muda em relação à
contagem de hemácias? Na contagem de
leucócitos, usamos outra área da câmara
de Neubauer, contamos os leucócitos em 4
quadrantes grandes (um em cada canto da
malha).
Ou seja
4
y1 + y2 + y3 + y4 x 10 x diluição
Número de leucócitos x 10 x diluição
Cada quadrado tem 0,1 mm³ de volume
Total analisado = 4 × 0,1 = 0,4 mm³
E como a profundidade da câmara é
sempre 0,1 mm, o fator 10 entra pra ajustar
pro volume de 1 mm³.
Então, em vez de dividir por 0,4 (como na
fórmula original), a fórmula prática vira:
4
Exemplo:
Leucócitos contados: 225
Diluição: 20
 225 x 10 x 20 = 11.250
4
Antigamente a concentração celular era
muito mensurada manualmente utilizando
uma diluição sanguínea colocada em um
hemocitômetro (câmara de Neubauer),
sendo as células contadas durante a
observação microscópica, como vimos
acima.
Durante os últimos anos, esse
procedimento tem sido progressivamente
substituído por sistemas hematológicos,
como os contadores celulares automáticos.eritroides. 
Hormônio estimulado pela hipóxia
tecidual.
Junto com a eritropoetina, o aumento
do IL-1 e TNF- α estimulam a produção
de hemácias.
Hemácia/eritrócitoHemácia/eritrócito
A função primária dos eritrócitos é
transportar hemoglobina, a qual é
responsável por carrear oxigênio para os
tecidos. 
A morfologia normal dos eritrócitos varia
entre as diversas espécies. 
Os eritrócitos dos mamíferos são
anucleados, sendo diferentes de todos os
outros vertebrados, os quais têm núcleo.
Os eritrócitos são células arredondadas e
relativamente bicôncavas na maioria dos
mamíferos, exceto na família Camellidae
(lhamas, camelos e alpacas), em que se
apresentam ovais. A biconcavidade dos
eritrócitos provoca a falsa percepção de
uma área central mais pálida, devido ao
fato de o observador olhar por uma
quantidade menor de hemoglobina nessa
região da célula. A forma de disco côncavo
do eritrócito é eficiente para a troca de
oxigênio e possibilita que a célula seja
maleável à medida que se movimenta por
vasos com diâmetro menor do que o seu. 
Eritrócitos normais caninos (C), equino (E),
felino (F) e bovino (B). Observe o tamanho
maior e área central marcantemente mais
pálida nos eritrócitos caninos quando
comparados com os de outras espécies. 
ColoraçãoColoração
A cor azulada dá-se em razão das organelas
remanescentes (ribossomos, mitocôndrias),
que ainda se encontram presentes nas
células imaturas. A presença ou a ausência
de policromatofilia é muito importante para
determinar a causa de anemia. 
Caso células imaturas tenham sido liberadas,
a provável causa de anemia foi a perda
sanguínea ou a destruição de eritrócitos, com
a medula óssea tentando compensar,
fazendo uma rápida liberação de células. 
Hipocromasia: os eritrócitos hipocrômicos
são claros e sua palidez central é mais
acentuada devido a menor concentração de
hemoglobina decorrente da deficiência de
ferro.
Eritrócitos policromatofílicos imaturos
também podem aparentar estar
hipocrômicos, pois sua concentração de
hemoglobina é menor do que a normal
devido ao seu volume aumentado.
Policromasia: as células policromatofílicas
são eritrócitos jovens que foram liberados
prematuramente. Normalmente, são células
grandes e com coloração mais azulada do
que as células maduras.
• Mamíferos: célula anucleada e sem
organelas
• Aves, répteis, peixes e anfíbios: célula
nucleada
• Todas contem hemoglobina.
Núcleo permite que a hemácia fique mais
tempo no sangue por conta do metabolismo
do animal
Animais com baixo
metabolismo tem
baixa produção de
hemácias 
Esfregaço sanguíneo de um cão com anemia por
deficiência de ferro. A maioria dos eritrócitos é
pequena e hipocromia (pontas de seta). A anemia
é regenerativa e numerosos eritrócitos
policromatofílicos estão presentes (setas).
A variação no tamanho dos eritrócitos é
denominada anisocitose. Essa variação
pode ser decorrente da presença de
células grandes, de células pequenas ou
de ambas. 
Para estimar o tamanho real dos
eritrócitos, o volume corpuscular médio
(VCM) é mais útil do que o exame do
esfregaço. 
Eritrocitos microcíticos: a principal causa
de microcitose é a anemia por deficiência
de ferro, a diminuição do VCM é marca
registrada desse tipo de anemia. As
células não conseguem obter um teor
normal de hemoglobina porque há
necessidade de ferro para formar tal
molécula. Em casos de deficiência grave
de ferro, é possível verificar microcitose e
hipocromia no esfregaço. 
Eritrócitos macrocíticos: são grandes e
apresentam VCM aumentado. A principal
causa de macrocitose é o aumento da
quantidade de eritrócitos imaturos. 
Durante a regeneração, as espécies
animais, com exceção dos cães, tendem a
produzir macrócitos regenerativos que
têm, aproximadamente, duas vezes o
tamanho dos eritrócitos normais,
resultando em alteração acentuada do
VCM. No entanto, os cães liberam
macrócitos que, em geral, são levemente
maiores do que os eritrócitos normais.
TamanhoTamanho
Classificação da anemiaClassificação da anemia
Ela é resultante de uma doença
primária, responsável pela destruição
de eritrócitos, podendo ser ocasionada
pela perda de sangue decorrente de
hemorragia, pela diminuição da
produção de eritrócitos ou por alguma
combinação desses eventos. Os sinais
clínicos normalmente estão
relacionados com a diminuição da
oxigenação dos tecidos ou com os
mecanismos compensatórios a ela
associados, podendo incluir mucosas
pálidas, letargia, intolerância ao
exercício, aumento da frequência
respiratória ou dispneia, aumento da
frequência cardíaca e sopros induzidos
pelo aumento da turbulência do sangue.
Três parâmetros gerais são utilizados
para classificar a anemia: tamanho dos
eritrócitos e teor de hemoglobina,
resposta da medula óssea e
fisiopatogênese. 
Tamanho dos eritrócitos e teor de
hemoglobina: a anemia tem sido
classificada em função do volume
eritrocitário (ou seja, volume
corpuscular médio - VCM) e do teor de
hemoglobina dentro dos eritrócitos
(concentração de hemoglobina
corpuscular média - CHCM). A anemia é
classificada em microcítica, normocítica
ou macrocítica quando os eritrócitos
apresentam tamanho pequeno, normal
ou grande, respectivamente.
Anemia é a diminuição da quantidade de
eritrócitos que resulta em diminuição da
oxigenação dos tecidos. 
 Deve-se reavaliar o
paciente quando for
constatada macrocitose
não acompanhada
de policromasia ou
reticulocitose, pois,
provavelmente, a resposta
regenerativa não é a
causa de
macrocitose.
A ausência de eritrócitos imaturos
circulantes indica anemia não
regenerativa e deve ser considerado
evidência de disfunção da medula.
Equinos quase nunca liberam quantidades
significativas de reticulócitos na
circulação.
A classificação fisiopatológica da anemia
baseia-se, essencialmente, na disfunção
primária. A anemia não regenerativa é
resultante de eritropoese defeituosa ou
diminuída. 
A diminuição da eritropoese é geralmente
classificada pelo fato de a produção de
neutrófilos e plaquetas também estar
diminuída (anemia aplásica) ou se a
produção de eritrócitos está reduzida
(hipoplasia) ou ausente (aplasia). Além
disso, a produção de eritrócitos pode ser
prejudicada por um distúrbio intrínseco
da medula óssea (causas primárias), ou
induzidos por distúrbio extrínseco (ou seja,
secundários). 
A anemia regenerativa é causada por
perda de sangue ou destruição de
eritrócitos. A hemorragia pode ser interna
ou externa, bem como aguda ou crônica. 
A destruição de eritrócitos pode ser
intravascular ou extravascular e decorre
de disfunções intrínsecas (primárias), como
deficiências de membrana ou de enzimas
de origem hereditária; ou extrínsecas
(secundárias), como ação de
hemoparasitos ou destruição
imunomediada. 
A hemólise intravascular corresponde à
lise dos eritrócitos no leito vascular. Nota-
se a hemólise extravascular quando
eritrócitos anormais são pelos
macrófagos, geralmente no baço ou no
fígado.
Os animais com anemia normocítica
geralmente desenvolvem anemia não
regenerativa ou pré-regenerativa
(anemia em que ainda não demonstram
sinais de regeneração no sangue).
A CHCM é menos útil na classificação de
anemia, pois a hipocromia normalmente
é associada a aumento das quantidades
de células imaturas grandes (ou seja,
anemia regenerativa). Os reticulócitos
ainda estão sintetizando hemoglobina,
portanto, seu teor de hemoglobina é
menor do que o dos eritrócitos maduros. 
Resposta da medula óssea: a anemia é
classificada como regenerativa ou não
regenerativa com base na quantidade de
eritrócitos imaturos circulantes. No início,
a liberação de eritrócitos imaturos é uma
resposta normal da medula em
decorrência do aumento da produção de
eritropoetina, principalmente pelo tecido
renal, secundário à hipoxia.
Normalmente constata-se aumento da
população de eritrócitos imaturos em um
período de 2 a 4 dias após hemorragia
ou hemólise.
Após hemorragia ou hemólise, há
liberação de maior quantidade de
eritrócitos imaturos na circulação,
indicativa de anemia regenerativa.
Avaliação laboratorial: 
Os principais dados laboratoriais incluemVG, VCM e contagem de reticulócitos.
Qualquer perda de sangue ou destruição
irá resultar em anemia regenerativa; a
disfunção da medula irá resultar em
anemia não regenerativa. 
É possível obter informações adicionais no
esfregaço sanguíneo; a morfologia dos
eritrócitos pode indicar um diagnóstico
definitivo.
microcitose —› indica
anemia por
deficiência de ferro.
macrocitose —› é
evidência de
regeneração.
A perda de sangue, em geral, não só
resulta em perda de eritrócitos, mas
também de outros componentes do
sangue, inclusive proteínas. Caso ocorra
hemorragia interna, como em uma
cavidade corporal, normalmente a
proteína é reabsorvida após algumas
horas. 
Em pacientes com anemia microcítica é
preciso dosar os teores séricos de ferro
para definir se a microcitose realmente é
decorrente da deficiência desse mineral. 
Além disso, as fezes devem ser examinadas
buscando-se a presença de sangue. Cães
anêmicos, particularmente aqueles que
apresentam de maneira concomitante
trombocitopenia e hiperglobulinemia,
devem ser submetidos ao exame para
erliquiose e gatos anêmicos devem ser
examinados quanto a infecções por vírus
da leucemia felina e vírus da
imunodeficiência felina.
Anemia não regenerativa
ou regenerativa
Anemia não regenerativa
ou regenerativa
A anemia é classificada como regenerativa
ou não regenerativa com base na
quantidade de eritrócitos imaturos
circulantes (eritrócitos policromáticos ou
reticulócitos). A ausência de eritrócitos
imaturos na circulação indica anemia não
regenerativa.
reticulócitos
reticulócito
eritrócitos policromáticos 
A anemia decorrente de doença
inflamatória: também chamada de anemia
de doença crônica, está associada a
processos inflamatórios persistentes, como
infecções, traumatismos e neoplasias.
Geralmente, é uma anemia discreta a
moderada, não regenerativa e normocítica.
Sua patogênese envolve alterações na
homeostase do ferro, reduzindo sua
absorção e liberação, além da inibição da
eritropoese por citocinas inflamatórias. 
A anemia causada por insuficiência renal
crônica ocorre devido à produção
insuficiente de eritropoetina, um hormônio
essencial para a eritropoese, o que resulta
em uma anemia moderada a grave, não
regenerativa e normocítica. Além da
deficiência de eritropoetina, outros fatores
podem contribuir para essa condição, como
tendência aumentada à hemorragia. 
 
As anemias associadas a doenças
endócrinas podem estar relacionadas ao
hipotireoidismo e ao hipoadrenocorticismo.
No hipotireoidismo, ocorre uma anemia
normocítica discreta e não regenerativa.
Essa condição geralmente melhora com o
tratamento adequado da disfunção
tireoidiana. Já no hipoadrenocorticismo, a
anemia também é normocítica e não
regenerativa, porém discreta.
A anemia causada por deficiências
nutricionais pode ocorrer devido à falta de
ferro. A deficiência de ferro normalmente
resulta em uma anemia regenerativa, exceto
nos casos em que há associação com uma
anemia inflamatória. 
A anemia regenerativa é secundária à
hemorragia ou à hemólise. A hemorragia
pode ser externa ou interna, aguda ou
crônica. 
As causas de hemorragia aguda incluem
traumatismos, lesões hemorrágicas, como
tumores ou úlceras extensas, e distúrbios
hemostáticos. As causas comuns de
hemorragia crônica incluem lesões 
hemorrágicas, principalmente no trato
gastrintestinal, parasitas gastrintestinais e
ectoparasitas.
A hemólise intravascular representa a lise
verdadeira de eritrócitos no sistema
vascular. A hemólise ocorre quando
eritrócitos anormais são fagocitados por
macrófagos, normalmente dentro do baço
ou do fígado. 
O termo “anemia regenerativa” indica que há
uma tentativa da medula óssea de
compensar a anemia por meio do aumento
na produção de eritrócitos e da liberação
precoce de formas imaturas. 
Alguns dos indicativos de que a anemia é
regenerativa são o aumento de células
policromatofílicas no esfregaço sanguíneo e
o aumento da concentração de reticulócitos
(exceto em equinos, que liberam raros
eritrócitos imaturos).
Células policromatofilicas (setas), apresentam-
se como células macrocíticas e com um
citoplasma azulado.
Esfregaço sanguíneo de cegonha com a
presença de células policromatofílicas (setas).
Neutrófilos
São as principais células da resposta
inflamatória aguda. No leucograma, um
aumento (neutrofilia) pode indicar infecção
bacteriana, inflamação ou estresse. Já a
redução (neutropenia) pode ocorrer por
infecções graves, doenças imunomediadas
ou toxicidade medular.
Leucócitos e leucogramaLeucócitos e leucograma
Monócitos
Atuam na inflamação crônica e na remoção
de debris celulares. A monocitose está
associada a inflamações prolongadas,
infecções bacterianas crônicas ou estresse.
A monocitopenia tem pouca relevância
clínica.
Linfócitos
Relacionados à resposta imunológica,
especialmente na defesa viral. A linfocitose
pode ocorrer em infecções crônicas,
resposta imune ativa ou estresse em
algumas espécies. A linfopenia pode ser
causada por estresse, corticoterapia ou
doenças virais imunossupressoras.
Eosinófilos
Atuam na defesa contra parasitas e na
modulação de reações alérgicas. No
leucograma, a eosinofilia pode indicar
alergias ou infecções parasitárias, enquanto
a eosinopenia ocorre em situações de
estresse ou uso de corticosteroides. 
Basófilos
Embora pouco compreendidos, contêm
histamina e heparina e estão ligados a
reações alérgicas. A basofilia é rara,
associada a alergias severas ou algumas
doenças hematológicas, enquanto a
basopenia não tem significado clínico
relevante.
Leucograma 
1.Concentração de leucócitos totais
(células/µL) → Mede a quantidade total
de leucócitos no sangue.
2.Exame diferencial dos leucócitos →
Identifica os tipos diferentes de
leucócitos (neutrófilos, linfócitos, etc.) e
suas proporções.
3.Morfologia Celular → Analisa a forma e
características das células (presença
de alterações ou anormalidades).
→ Juntar os dados acima para ajudar no
diagnóstico de infecções, inflamações,
leucemias e outras condições.
Neutrófilos
Eosinófilos
Basófilos
Linfócitos
Monócitos
Mamíferos 
mononucleares
(agranulócitos)
Polimorfonucleares
(granulócitos)
Heterófilo → São os equivalentes dos
neutrófilos em aves, seu nome vem dos
grânulos de coloração mista (hetero =
diferente).
Azurófilos → São um tipo especial de
monócito presente em alguns répteis.
Função de defesa, principalmente por
fagocitose.
Contêm grânulos finos, de coloração
azulada ou roxa (por isso o nome
"azurófilo").
Mais comuns em serpentes e outros
répteis, não aparecem em todas as
espécies.
Parecem uma mistura de linfócito com
monócito.
Medula Óssea – Fábrica de células
Células-tronco hematopoéticas: são as
"células-mãe" que dão origem a todos
os tipos de células do sangue.
Compartimento de proliferação: onde
as células se multiplicam e iniciam o
processo de diferenciação.
Compartimento de maturação e
estocagem: onde as células passam por
várias fases (como mudanças de
formato e coloração do núcleo) até
ficarem maduras e prontas para serem
liberadas.
Esse processo leva em média 5 a 7 dias no
total:
3 dias para proliferação.
2 a 3 dias para maturação e
armazenamento.
Fase proliferativa: mieloblasto →
promielócito → mielócito
Fase de maturação e estoque:
metamielócito → bastonete →
segmentado.
Heterófilos
Eosinófilos
Basófilos
Linfócitos
Monócitos
Aves, répteis e anfíbios
Granulócitos
agranulócitos
Tipo celular Aumento Diminuição
Neutrófilos Neutrocitose Neutropenia
Eosinófilos Eosinofilia Eosinopenia
Basófilos Basofilia Basopenia
Linfócitos Linfocitose Linfopenia
Monócitos Monocitose Monocitopenia
Leucócitos
totais Leucocitose Leucopenia
Liberação no Sangue
Depois de maduras, as células são
liberadas no sangue e ficam em dois
"pools" (reservatórios):
Pool circulante: células que estão
livremente no sangue e que são
coletadas quando fazemos exames
(como o hemograma).
Pool marginal: células que ficam
aderidas à parede dos vasos
sanguíneos, "de prontidão", mas não
aparecem no exame.
Duração no sangue: 6 a 10 horas, em
média.
Diapedese / Transmigração LeucocitáriaCélula no pool marginalmente interage
com o endotélio e depois passa por ele.
 Leucócitos atravessam o endotélio
para alcançar o foco de inflamação →
infiltração tecidual.
Leucócitos
Aumentos:
Produção medular estimulada por
inflamação/infeção.
Reduções:
Destruição celular (ex: imunomediada).
Consumo tecidual (ex: inflamações
severas).
Sequestro celular (ex: esplenomegalia,
endotoxemia).
Cães tem a parte de
armazenamento
maior, eles estocam
mais células e por isso
tem uma resposta de
defesa muito maior.
Relação Neutrófilos : Linfócitos (N:L)
A razão entre neutrófilos e linfócitos é uma
ferramenta útil na interpretação do
leucograma, especialmente para avaliar a
presença de processos inflamatórios ou
infecciosos.
Cada espécie tem uma proporção
considerada normal:
Cão: ≥ 2 neutrófilos para 1 linfócito (2:1 ou
mais)
Gato: ≥ 2:1 (semelhante ao cão)
Bovino: aproximadamente 1 neutrófilo
para 2 linfócitos (1:2)
Equino: cerca de 1,5 neutrófilos para 1
linfócito (1,5:1 ou 3:2)
Essa razão pode ser alterada por diversas
condições clínicas. Um aumento da relação
(ou seja, mais neutrófilos e menos linfócitos)
é observado, por exemplo, em situações de
estresse, inflamação sistêmica ou sepse, e
por isso tem sido estudado como
biomarcador de gravidade em pacientes.
Resuminho:
 Neutrófilos
Função principal: Fagocitose de bactérias
e fungos.
Primeira linha de defesa em infecções
agudas.
Representam a maior parte dos leucócitos
circulantes.
Eosinófilos
Função principal: Defesa contra
parasitas/ bactérias. 
Reguladores de reações alérgicas.
Basófilos
Função principal: Participação em
reações alérgicas e inflamatórias.
Liberadores de histamina e outros
mediadores químicos.
Contribuem para vasodilatação e
recrutamento de outras células.
Presença de histamina e heparina.
Atraem eosinófilos. 
Monócitos / Macrófagos
Função principal: Fagocitose de
patógenos e células mortas.
Apresentadores de antígenos ao
sistema imune adaptativo.
Monócitos circulam no sangue e, ao
entrar nos tecidos, se diferenciam em
macrófagos.
Resposta a microrganismos
intracelulares.
Linfócitos T - imunidade celular.
Linfócitos B - imunidade humoral.
*RDW é o índice de dispersão celular,
significa que celular que ou estão
muito grandes ou muito pequenas tem
o valor de RDW grande
Cinética Leucocitária
Refere-se ao movimento e comportamento
dos leucócitos no organismo. Os fatores
que influenciam isso são:
Produção.
Liberação.
Distribuição intravascular: como eles
se distribuem entre o sangue
circulante e o marginal.
Sequestro celular: leucócitos podem
ficar "presos" em determinados tecidos,
exemplo do baço.
Vida média: tempo de sobrevivência
dos leucócitos.
Diapedese: migração dos leucócitos do
sangue para os tecidos,
principalmente em resposta a
infecções ou inflamações.
Desvios de Neutrófilos (DNNE):
Os neutrófilos passam por diferentes
estágios de maturação na medula
óssea antes de chegarem ao sangue
periférico. Em situações de infecção ou
inflamação, a medula óssea pode
liberar formas imaturas dessas células,
caracterizando o chamado Desvio do
Número de Neutrófilos à Esquerda
(DNNE). Esse desvio pode ser
classificado como regenerativo, quando
há predomínio de células maduras, ou
degenerativo, quando predominam
formas imaturas, indicando uma
resposta medular insuficiente frente à
demanda.
Quanto mais à
esquerda na
sequência, mais
imaturo é o
neutrófilo.
Mieloblasto → Promielócito → Mielócito →
Metamielócito → Bastonete (imaturos, mas já entram
na circulação) → Segmentado (forma madura
funcional)
Esse conceito é usado para avaliar se
há aumento de células jovens (imaturas)
no sangue, o que indica resposta da
medula óssea (muitas vezes por
infecção, inflamação ou outras causas).
Essas alterações não indicam toxicidade
para o organismo, mas sim um esforço da
medula em liberar rapidamente neutrófilos,
muitas vezes ainda imaturos ou com
características anormais. Ocorrem
aberrações de maturação, tamanho da
célula, forma nuclear, características dos
grânulos e citoplasma:
Basofilia citoplasmática
Presença de grânulos tóxicos
Corpúsculos de Döhle
Neutrófilos gigantes
Vacuolização citoplasmática
Núcleo em rosca ou anel (Donuts)
Neutrófilos Hipersegmentados (DNND)
Associada a alterações na maturação
nuclear dessas células. Essa condição
pode refletir distúrbios como deficiência de
vitamina B12 ou folato, além de possíveis
disfunções da medula óssea. O achado é
considerado anormal quando os
neutrófilos apresentam mais de 5 lóbulos
no núcleo com frequência aumentada.
Neutrófilos Tóxicos
São células que apresentam alterações
morfológicas significativas devido a
uma maturação acelerada da medula
óssea, geralmente em resposta a
infecções bacterianas graves, sepse ou
inflamações agudas intensas.
Neutrofilia
Leucocitose fisiológica (adrenalina):
É uma resposta normal e passageira do
corpo a situações de estresse físico ou
emocional, como exercício intenso ou
medo. A adrenalina provoca liberação
temporária de neutrófilos da margem
dos vasos para a circulação. sem
produção aumentada na medula. É uma
redistribuição, não uma produção
aumentada.
Leucograma de estresse
(corticoide/cortisol):
Associado ao aumento de cortisol no
sangue, seja por estresse crônico ou uso
de corticoides. Ocorre quando o animal
passa por algum tipo de estresse - como
dor, medo, internação, cirurgia ou
doença - e o corpo libera cortisol, o
hormônio do estresse. Esse cortisol afeta
a produção e circulação das células de
defesa no sangue, e isso aparece no
leucograma.
Alterações do leucograma de estresse:
1. Aumento dos neutrófilos: o cortisol
faz com que a medula óssea libere
mais neutrófilos maduros no sangue.
2. Diminuição dos linfócitos: o cortisol
causa a morte de alguns linfócitos ou
os faz sair da corrente sanguínea.
3. Diminuição dos eosinófilos: o cortisol
bloqueia a produção dessas células.
4. Aumento dos monócitos: o estresse
faz com que a medula libere mais
monócitos também.
Leucemia
Inflamatória/infecciosa
Neutropenia
É quando a quantidade de neutrófilos no
sangue está abaixo do normal. Isso pode
acontecer por vários motivos, como:
Infecções fortes que usam muitos
neutrófilos de uma vez.
Doenças que destroem os neutrófilos.
Problemas na medula óssea, que
impedem a produção normal (como
parvovirose, FeLV ou erliquiose).
Falha geral na produção dessas
células.
Monocitopenia (↓ monócitos):
Rara.
Pode ocorrer por falência medular (ex:
infecções severas, quimio, leucemias).
Também pode acontecer em estados
de imunossupressão grave.
Linfocitose (linfócitos aumentados no
sangue)
Quando acontece:
Infecção crônica: normalmente viral (ex:
FeLV, AIE, BLV), mas pode ter relação
com bactérias também.
Resposta fisiológica: em alguns casos,
principalmente em animais jovens ou
sob estímulo antigênico leve.
Leucemia linfocítica: produção
exagerada de linfócitos por um câncer
da medula.
Linfoma: pode “vazar” células tumorais
pro sangue.
Doença de Addison
(hipoadrenocorticismo): falta de cortisol
→ não ocorre a linfopenia esperada →
linfócitos aumentam.
Linfopenia (linfócitos diminuídos)
Causas principais:
1. Aumento de corticoide no corpo:
Doença de Cushing
(hiperadrenocorticismo).
Uso de corticoide exógeno
(tratamento).
Estresse físico ou psicológico (ex:
dor, medo, internação).
2. Infecções agudas: especialmente virais
e bacterianas fortes.
3. Hipoplasia medular (medula doente ou
fraca):
Leucemias.
Infecções severas.
Quimioterapia.
Monocitose (↑ monócitos):
Comum em inflamações crônicas.
Também pode aparecer em estresse,
como parte do leucograma de estresse.
Pode ocorrer pelo
aumento da demanda
em algum tecido, porém
elas foram liberadas na
corrente sanguínea e
ainda não migraram.
As vezes não está no
sangue e o valor se
encontra baixo pois elas
migraram para um
tecido que necessitava
delas.
Inclusões leucocitárias:
Erliquiose 
Corpúsculos de Lentz
Hepatozoon
Bactérias
Leishimaniose 
Esporotricose
Exemplos de leucograma
Leucocitose por neutrofilia com desvio a
esquerda do tipo regenerativo e linfopenia
Leucopeniapor neutropenia com desvio
nuclear a esquerda do tipo degenerativo com
linfopenia e eosinopenia + apresenta
neutrofilia tóxica.
Colocar observação de toxicidade depois do
degenerativo: “degenerativo com presença de
toxicidade”
Leucocitose por linfocitose
*somente linfócitos estão alterados, o resto
segue normal e dentro dos valores comuns de
referência.
As plaquetas (ou trombócitos) são fragmentos
celulares do sangue fundamentais para o
processo de coagulação. Elas ajudam a
estancar sangramentos ao se acumularem no
local de lesão dos vasos sanguíneos. São
produzidas na medula óssea, anucleadas,
formato de disco plano, medem de 2 a 3 µm.
A produção de plaquetas é estimulada por:
Trombopoietina: principal hormônio
regulador da produção de plaquetas.
Interleucinas (IL-1, IL-3, IL-6): citocinas que
participam da regulação do processo,
estimulando a maturação das células
precursoras.
Origem a partir da linhagem mieloide:
As plaquetas derivam de células-tronco
hematopoiéticas da linhagem mieloide, que
também dá origem aos glóbulos vermelhos e
alguns glóbulos brancos (como neutrófilos e
monócitos).
Leucocitose por neutrofilia e linfocitose.
Obs: é um exame de gato, sendo assim pode ter
ocorrido por adrenalina em momento de
estresse.
Obs 2: relação 3:1 está dentro dos padrões.
Plaquetas e HemostasiaPlaquetas e Hemostasia
Processo de formação:
1.Megacarioblasto: célula jovem da
linhagem mieloide.
2.Promegacariocito: estágio intermediário
de desenvolvimento.
3.Megacariócito: célula gigante da
medula óssea. Ela libera fragmentos de
seu citoplasma, que se tornam as
plaquetas.
4.Plaquetas (trombócitos): esses
fragmentos são liberados no sangue e
prontos para agir na coagulação.
As plaquetas circulam no sangue por cerca
de 3 a 10 dias, sendo 7 dias a média mais
comum. Depois disso, são removidas pelo
baço.
Normal
Ativada
Contém: DGr (grânulos densos); DT (sistema
tubular denso); Gr (grânulos); Mc (mitocôndrias);
Mt (microtúbulos); OC (sistema canalicular
aberto)
Funções das Plaquetas – Hemostasia
A hemostasia é o processo que controla o
sangramento após uma lesão em um vaso
sanguíneo, ela garante que o sangue
continue fluindo normalmente dentro dos
vasos (sem formar coágulos
desnecessários) e que pare de sair do vaso
em caso de ferimento.
Resumo: Hemostasia = equilíbrio entre
parar o sangramento e manter o sangue
fluido.
Hemostasia Primária
As plaquetas são ativadas e vão para o
local da lesão.
Elas se aderem à parede do vaso
lesionado e umas às outras, formando o
chamado "tampão plaquetário".
⚠ Essa fase estanca o sangramento de
forma rápida, mas ainda frágil.
Hemostasia Secundária
Envolve fatores da coagulação
(proteínas do plasma).
Forma uma rede de fibrina, que
estabiliza o tampão de plaquetas e
fortalece a barreira contra o
sangramento.
⚠ Essa fase é essencial para garantir que
o sangramento não volte (ressangramento).
Problemas na hemostasia podem levar a:
Hemorragia: quando há falha no processo
e o sangramento não é controlado.
Trombose: quando há formação excessiva
de coágulos mesmo sem lesão, o que pode
obstruir vasos e causar complicações.
Simplificando:
Primária: vasoconstrição local, adesão e
agregação plaquetária com consequente
formação de um tampão plaquetário
inicial 
Secundária: reações em cascata cujo
resultado final é a formação de fibrina a
partir do fibrinogênio que confere
estabilidade ao coágulo 
Terciária: plasmina atua degradando a
fibrina e desfazendo o coágulo formado.
Para saber se as plaquetas estão
funcionando corretamente, fazemos dois
tipos principais de avaliação:
1. Avaliação quantitativa: é a contagem do
número de plaquetas no sangue.
Automatizada: com equipamentos
automáticos.
Manual: usando uma lâmina e câmara de
contagem, sob o microscópio.
2. Avaliação qualitativa: avalia a função das
plaquetas, ou seja, se elas estão funcionando
corretamente, mesmo que o número esteja
normal.
Principais testes:
Tempo de sangramento da mucosa oral:
Faz-se uma pequena incisão na mucosa
da boca.
Mede-se quanto tempo leva para parar de
sangrar.
Avalia função plaquetária e integridade
dos vasos.
Um tempo aumentado pode indicar
disfunção plaquetária.
Teste de retração do coágulo:
Após formar um coágulo de sangue,
observa-se se ele retrai e se solta soro.
A retração depende da ação mecânica
das plaquetas.
Se o coágulo não retrai, pode haver
problema na função plaquetária ou na
fibrina.
Qualquer distúrbio que interfira na ação das
plaquetas é denominado TROMBOCITOPATIAS.
Dentre os mais conhecidos desses distúrbios
estão as TROMBOCITOPENIAS (plaq. baixa) e
TROMBOCITOSES (plaq. alta).
Trombocitopenia (não é uma doença mas sim
um sinal clínico): Significa que há uma
quantidade reduzida de plaquetas no sangue.
 
Tipos de trombocitopenia:
Pseudotrombocitopenia: Falsa baixa de
plaquetas.
Ocorre geralmente por agregação
plaquetária durante a coleta ou análise
laboratorial, fazendo parecer que há
menos plaquetas do que realmente existe.
Sequestro: As plaquetas são retidas no
baço, por exemplo, em casos de
esplenomegalia. Não estão destruídas,
mas estão “presas” e fora da circulação.
*momento que libera adrenalina, os orgãos que
sequestraram liberam as plaquetas juntamente
com o sangue preso = valores equivocados.
Redução na produção:
Problemas na medula óssea, que é o
local onde as plaquetas são
produzidas.
Pode acontecer por infecções,
neoplasias, intoxicações, etc.
Destruição:
Quando o organismo destrói suas
próprias plaquetas.
Pode ser imunomediada (como em
doenças autoimunes) ou por agentes
infecciosos (como erliquiose em cães).
*Cavalier King Charles Spaniel - essa raça
é conhecida por apresentar uma condição
chamada trombocitopenia hereditária,
mas com plaquetas maiores e funcionais –
ou seja, mesmo com menos plaquetas, não
costumam ter problemas de sangramento.
Trombocitose = aumento de plaquetas.
Pode ocorrer por diversos motivos:
Quadros inflamatórios: A interleucina-6
(IL-6), liberada durante a inflamação,
estimula o fígado a produzir
trombopoetina, que estimula a
produção de plaquetas.
Secundária a uma trombocitopenia:
quando o animal teve uma queda anterior
de plaquetas (trombocitopenia), o
organismo tenta compensar com uma
produção excessiva — isso pode levar a
um "rebote" e gerar trombocitose.
Redistribuição: em momentos de estresse
ou atividade física, há liberação de
adrenalina, o que pode causar a liberação
de plaquetas do baço para a circulação,
isso causa um aumento transitório da
contagem de plaquetas.
Neoplasias hematopoiéticas: doenças
como leucemias mieloproliferativas podem
causar produção excessiva e
descontrolada de células sanguíneas,
incluindo plaquetas. Aqui a trombocitose é
primária ou essencial, não uma resposta a
outra condição.
Corticoide: (como prednisona) pode causar
aumento discreto de plaquetas.
Macroplaquetas: Não há uma definição
universal, são plaquetas com diâmetro
maior que o comum, mas não existe um
valor padronizado. Em geral, são
consideradas macroplaquetas aquelas
que têm tamanho semelhante ao de um
eritrócito ou até maiores.
Gatos hígidos (saudáveis): É comum
observar macroplaquetas em gatos
normais, sem que isso indique doença.
Os gatos possuem plaquetas naturalmente
mais variáveis em tamanho, e sua medula
óssea tende a liberar plaquetas grandes
com mais frequência.
Observação: em outras espécies,
macroplaquetas podem sugerir
regeneração plaquetária (ex: após
trombocitopenia), indicando que a medula
está reagindo.
Inclusões Citoplasmáticas:
Grânulos (normal)
Armazenam substâncias importantes
para a coagulação, como:
ADP, ATP
Serotonina
Fibrinogênio
Fatores de crescimento
Alterações na quantidade ou
aparência dos grânulos podem
ocorrer em algumas doenças
hereditárias (ex: síndrome de
plaquetas cinzentas).
Anaplasma platys
É uma bactéria intracelular que
infecta plaquetas de cães.
Forma corpúsculos basofílicos
arredondados (tipo “bolinhas” roxas)
no citoplasma plaquetário 
Cascata de coagulação
A maioria das reações da coagulação envolve:
Enzima (geralmente um fator de
coagulação ativado)Substrato (como fibrinogênio, fibrina ou
outro zimógeno)
Cofator (como o Fator V ou VIII)
Essas reações exigem a presença de íons
cálcio (Ca²⁺) para que ocorram
adequadamente.
Divisão didática da cascata (in vitro):
Via Intrínseca: avaliada no teste de TTPA.
Via Extrínseca: avaliada no teste TP (tempo
de protrombina).
Via Comum: ponto de convergência das
vias intrínseca e extrínseca.
Zimógenos: são formas inativas dos fatores de
coagulação, quando ativados, tornam-se
proteases que ativam o próximo fator da
cascata. Exemplo: Protrombina (Fator II) →
Trombina (Fator IIa).
Fatores dependentes de vitamina K para
serem ativados corretamente:
Fator II (protrombina)
Fator VII
Fator IX
Fator X
MPV - volume plaquetário
médio (vol. da plaq,
grande = jovem)
PWD - índice de dispersão
plaquetária (o quanto o
tamanho varia
PTC - o quanto a plaq.
ocupa do vol. do sangue
Agregado plaquetário pode
alterar exame. exemplo: achou-
se 100.000 plaquetas e o
normal/mínimo é 200.000, olha
no exame e há vários
agregados que a máquina só
contou como uma
corticoide = citocina reduzida (sem ela o
neutrófilo não sabe pra onde ir =
diminuição deles e das plaq. nos tecidos
pois ficam presos “desnorteados” na
corrente sanguínea = ocorre muito
segmentado.
AnotaçõesAnotações
UrináliseUrinálise
Dividida em quatro exames básicos: físico,
químico, bioquímico (nem sempre se pede)
e sedimentoscopia.
A urinálise é um exame simples e
essencial, usado para avaliar a função
renal, detectar infecções, alterações
metabólicas e doenças endócrinas.
Também é útil para detectar a presença
de proteína, glicose, lesões tubulares,
cristais, etc. Para resumir: se quer-se
analisar paciente com distúrbio hídrico,
eletrolítico ou acidobásico. 
A coleta de urina pode ser feita de três
formas principais:
Micção espontânea: feita com
recipiente limpo durante a micção do
animal. É útil para triagem, mas pode
haver contaminação por bactérias e
células do trato urinário distal (urina
não estéril). 
Cateterismo uretral: envolve a
introdução de um cateter na uretra
até a bexiga. Permite coleta mais limpa
que a micção, mas ainda pode causar
pequenas contaminações e é
contraindicado em alguns casos
(obstruções, trauma uretral).
Cistocentese: técnica mais estéril, feita
por punção direta da bexiga com
agulha através da parede abdominal.
Ideal para cultura bacteriana e
urinálise completa, pois evita
contaminações. 
O método de coleta vai
depender da finalidade
do exame.
Pode ocorrer refluxo urinário, o que leva
a acontecer por exemplo a existência de
células da uretra na bexiga, assim como
espermatozoides, não é comum e nem
esperado mas ocorre.
Tem um tubo passando, há
mais chance de ter
descamação,
sangramento, sendo um
método mais agressivo.
Há outros métodos menos comuns como: 
Compressão Vesical: pode apertar
devagar a região do abdomen, região
hipogástrica, para tentar fazer o
animal urinar. Método desconfortável,
doloroso e pode romper bexiga.
Massagem vulvar em movimentos
circulares em grandes animais, é
possível fazer em fêmeas e embora
seja possível fazer massagem no
prepúcio do macho, não é usual.
Cistocentese pode
ocorrer também a
presença de sangue,
atravessa capilares e
paredes abdominais, se
vier uma gota de
sangue já é muita coisa.
Avaliação Física:
Cor: Normalmente amarela, mas pode
variar. Ex: avermelhada (hematuria ou
hemoglobinúria), alaranjada/laranja
(bilirrubina/ animais ictéricos),
amarelada/escura (desidratação),
verde/acinzentado (biliverdina).
Aspecto: Deve ser límpido. Turvação
pode indicar presença de células,
cristais, muco ou bactérias, pode ser
discretamente turva também. Se
conseguir ler está límpida, se não está
turva.
Odor: Pode mudar com infecções (ex:
cheiro de amônia em infecção por
Proteus). Sui Generis (normal) =
sugestivo da espécie. Urina de 
adocicada, há urina com cheiro ácido.
Volume: variável, esperado encontrar
no mínimo 5ml, menos que isso não
consegue-se processar.
Hematúria:
sangue/células na urina.
Hemoglobinúria: não é a
presença de qualquer
sangue, há a proteína
hemoglobina.
Alimentação pode
influenciar na cor da
urina (corantes, grande
quantidade de beta
caroteno ingerida, etc).
Densidade: leitura feita através do
refratrômetro, pega-se uma gotinha
da urina para medir. Normal vai
depender da espécie.
Exame químico da urina (aquele que faz-
se na fita): mergulha ela na urina e cada
um dos quadradinhos vai avaliar uma
coisa diferente.
pH 
Proteína
Glicose
Corpos cetônicos
Sangue oculto
Bilirrubina
Urobilinogênio
Olhar se está negativo ou presente.
Sedimentoscopia urinária:
Centrifuga-se a urina (mínimo de 5 ml),
para sobrar 1 ml, sedimento é analisado
ao microscópio. Chamado de
sedimentoscopia pois foi o que
sedimentou após a centrifugação.
Analisa se há presença de:
Hemácias
Leucócitos
Bactérias
Células epiteliais (renal, pelve,
vesícula, uretra)
Cilindros (hialinos, granulosos,
celulares, céreos, mistos)
Outros achados: cristais, muco,
espermatozóides
No glomérulo, o sangue chega e passa o
ultrafiltrado (H2O, sódio, potássio,
cloreto, bicabornato, etc) para os
néfrons, seguem para a alça de Henle
proximal e distal e vai para tubos
coletores (que também coleta de outros
néfrons). 
Durante a passagem da urina vai
ocorrendo absorção e secreção de várias
substâncias, chegará no final com uma
densidade específica.
Densidade do ultrafiltrado: 1.007 a 1.013 ou
1.08 a 1.012 pois a maioria dos
refratômetros contabiliza em números
pares.
Densidade da água: 1000
Densidade da urina do animal dependerá
da espécie. Exemplo cachorro: 1015 a 1045, 
percebe-se que o rim funcional
concentra a urina.
Urina hiperestenúrica: densidade
acima da densidade do ultrafiltrado
(1013). Pode estar alta por estresse mas
dentro do valor de referência. Urina
em 1050 porém está mais concentrada
do que o fisiológico (acima de 1045),
possivelmente o animal está
desidratado, está fora do valor de
referência.
Isostenúria: semelhante ao
ultrafiltrado.
Hipostenúria: abaixo do valor de 1007.
Não é para classificar pelo valor de
referência e sim pelo valor do
ultrafiltrado. 
O valor do ultrafiltrado não vai mudar
por espécie mas o fisiológico sim.
O paciente estando com urina
hiperestenúrica ou hipostenúrica, ele não
está conseguindo concentrar do jeito
que deveria por algum processo
patológico que impede absorção.
Valor acima: está concentrando mais
do que deveria.
Valor abaixo: não é porque bebeu
muita água, é processo patológico.
Posso estar perdendo néfron mas
mantendo a concentração normal, se eu
tenho 100 néfrons e perco 20, os 80
restantes trabalham por eles e pra
“cobrir” o trabalho dos 20 que faltam. 
Quando isso começa a afetar? abaixo de
75% tem-se perda da capacidade de
concentração da urina, assim como
aumento de ureia e creatinina, que só vê
quando já perdeu a capacidade de
concentração.
Nenhum exame “pega”
quando a função está
pouco prejudicada, só
pega quando chega
aos 75%
Cilindros urinários
Os cilindros são estruturas em forma de
tubo que se formam nos túbulos renais
que se solidifica.
*Quando vê cilindro na urina, sabe-se
que é uma lesão a nível tubular.
Tipos principais de cilindros:
Hialinos: são os mais comuns e podem
aparecer em pequenas quantidades
em animais saudáveis, principalmente
após exercício, febre ou desidratação.
Quando em grande quantidade,
podem indicar início de doença renal.
Granulosos: indicam lesão tubular e
são formados pela degeneração de
células ou proteínas. Quanto mais
grosseiro o grânulo, mais avançada a
lesão.
Mais concentradoMenos concentrado
Celulares: são formados quando
células ficam "presas" dentro da
matriz proteica nos túbulos renais.
Isso acontece quando há inflamação,
infecção ou dano direto ao rim. 
Cerosos: aparecem como cilindros
largos, com aspecto homogêneo e
brilhante. São típicos de doenças
renais crônicas com pouca taxa de
filtração.
O pH da urina indica o grau de acidez ou
alcalinidade da urina. Ele pode variar de
4,5 a 8,5, dependendo da espécie, dieta,
metabolismo e presença de doenças.
Urina ácida: pH7
Urina alcalina: pH > 7
Cristais urinários
Cristais se formam a partir da
precipitação de sais urinários. Podem ser
fisiológicos (sem importância clínica) ou
patológicos (relacionados a distúrbios
metabólicos ou urinários). O pH urinário
influencia fortemente o tipo de cristal
formado.
Principais cristais encontrados:
Oxalato de cálcio: aparecem em urina
ácida ou neutra. Pequenas
quantidades podem ser normais, mas
grandes quantidades ou forma
monohidratada podem indicar
intoxicação por etilenoglicol
(anticongelante).
Estruvita (fosfato de amônia e
magnésio): comuns em urina alcalina.
Associados a infecções urinárias e
cálculos urinários, principalmente em
cães.
Para fixar: se em um exame tem 1052 de
densidade com traços de proteína na
urina e em outro exame a densidade está
1010 nas mesmas condições, qual
representa maior risco?
Resposta: a de 1010 pois ela quase não
está concentrada e mesmo assim
aparece proteína.
Veja que tema mesma quantidade de
soluto porém em proporções diferentes
de solvente (mesma quantidade de
bolinhas mas a quantidade de água
muda).
Em outras palavras, pense em uma sopa,
se o sal está muito diluído nela (pouco sal
para muita sopa) o ideal é que não seja
sentido, mas se ele está menos diluído
(muito sal e pouca água) pode ser que a
sopa fique salgada, tudo depende da
quantidade de água que a sopa terá.
Uma modificação interessante a se
pensar é que se a sopa estiver muito
salgada (mais concentrada), o ideal é que
coloquemos água até não sentir ela tão
salgada mais.
Nesse sentido, se a urina está menos
concentrada (1010) ou quase não
concentrada, o ideal seria que não
aparecesse quase nenhuma ou nenhuma
proteína.Oxalato de cálcio Estruvita
Proteínas são
produzidas pelo
fígado mas podem
ser eliminadas pelos
rins, por isso
importante a
observação
Bioquímica RenalBioquímica Renal
RinsRins
gamaglutamiltransferase =
enzimas presentes nas bordas
em escova dos túbulos
contorcidos proximais =
excreção em caso de lesão
Auxiliam na regulação da
homeostase hídrica do
organismo (quantidade de
água retida ou eliminada);
Auxilia na manutenção dos
valores séricos de eletrólitos
(influencia na quantidade e em
quais serão mais ou menos
eliminados);
Processamento/
biotransformação e eliminação
de medicamentos e toxinas;
Produz urina/ hormônios;
Perfil metabólico: É o painel de
testes, que podem ser solicitados,
que fornecem ao médico
informações importantes sobre o
estado atual de funcionamento
dos rins.
Proteínas totais
Albumina
Globulina
Ureia
Creatinina
GGT
A proteína sempre tem que ser
analisada juntamente com a
densidade urinária.
Sódio
Potássio
Cálcio
Fósforo
Obs: A bilirrubina é fotossensível,
o que significa que se exposta a
luz, ela degrada, por isso a urina é
tampada e embrulhada em papel
alumínio.
Obs 2: A urina e o soro sanguíneo
são dois fluidos biológicos com
composições e funções distintas.
Por isso, ao fazer exames
bioquímicos, é comum que os
valores de uma mesma substância
(como glicose, creatinina, ureia
etc.) sejam diferentes quando
medidos na urina e no sangue.
O soro reflete o que está
circulando no sangue.
A urina mostra o que foi
filtrado e excretado pelos rins.
A concentração varia: a urina
pode estar diluída ou
concentrada, o sangue é mais
estável.
A função é diferente: por
exemplo, glicose alta no
sangue não aparece na urina
até ultrapassar o limiar renal.
URINA:
Ureia
Creatinina
GGT
Proteína
urinária
SORO:
Ureia
Creatinina
Sódio
Potássio
Cálcio
Fósforo
O que é dosado aonde?
Ureia: muito variável, não faz
sentido dosar na urina 
Nem sempre dosa tudo. Exemplo:
em um quadro pós renal, não mede
PPT. Se tiver cistite ou alguma
inflamação na bexiga e dosar PPT,
vai acusar alta quando o ideal era
não passar proteína pelo rim, mas
não vai estar passando, a proteína
estará presente por causa de
células de defesa na bexiga. Dosa-
se proteína renal quando quer
saber se o rim está filtrando elas.
Sintetizada no fígado a partir da
amônia derivada do catabolismo
proteico, ela vem da proteína
consumida no dia a dia, do
catabolismo de aminoácido e
ácidos nucleicos. Além disso, ela é
parcialmente reabsorvida nos
túbulos renais (40 a 70%).
Sendo assim: aumento te proteína
na dieta = aumento da ureia
Ureia
Obs: a ureia pode ser excretada
por via gastrointestinal em
equinos e ruminantes. 
Ureia alta
Dieta com altos teores de
proteína 
Cortisol → é catabólico,
aumentam a quebra de
proteínas no corpo, elevando
a ureia no sangue.
Diabetes mellitus → não tem
insulina para levar energia
para a célula, não abastece a
célula = consome músculo
para pegar energia vinda da
proteína.
+ proteína consumida =
+ nitrogênio o corpo
precisa eliminar. 
produçãode ureia
Hipovolemia → Quando há
desidratação ou perda de
sangue, o fluxo renal diminui
e a ureia fica retida no
sangue, aumentando seus
níveis.
Falha renal → Quando os rins
não filtram direito, a ureia
não é eliminada e se acumula
no sangue.
Jejum prolongado → Corpo
faz energia através da
quebra de proteína presente.
Ureia baixa
Insuficiência hepática → A
ureia é produzida no fígado
a partir da amônia. Se o
fígado não está funcionando
bem, ele não consegue
sintetizar ureia
adequadamente e os níveis
caem (pode até causar
problema neurológico por
acúmulo de amônia).
Shunts portassistêmicos →
Desvios anormais do sangue
do fígado (congênitos ou
adquiridos) fazem com que o
sangue rico em amônia não
passe pelo fígado. 
Ureia
Amônia
E urina
Normal
rico em
amônia
transformado
em ureia
Shunt
não passa
pelo
fígado
Dietas com baixos teores de
proteína → Com pouca
proteína na alimentação, há
menos degradação de
aminoácidos, gerando menos
amônia e, consequentemente,
menos ureia.
Derivada do catabolismo da
creatina do tecido muscular, a
creatinina é um metabólito
utilizado para armazenar
energia no músculo.
A formação da creatinina ocorre
de maneira constante. Sua
concentração é proporcional à
massa muscular e sua excreção
só é realizada por via renal.
Creatinina
Hidratação excessiva → dilui
o sangue, levando a uma
falsa redução da creatinina
plasmática.
Creatinina baixa
Insuficiência hepática → o
fígado é responsável por
sintetizar creatina, se a
produção de creatina é
reduzida, sua quantidade
também é.
Doenças musculares
degenerativas → Menor
massa muscular leva a uma
menor produção de
creatinina.
Caquexia → perda muscular
severa.
Menos
concentrado
Mais
concnetrado
Os dois tem a mesma
quantidade de creatinina,
porém um tem mais
líquido que outro
Azotemia e uremia
É o aumento de compostos
nitrogenados não proteicos no
sangue, principalmente ureia e
creatinina.
Esses compostos são
normalmente excretados pelos
rins. A azotemia indica disfunção
renal (filtração glomerular
reduzida), mas pode ser
assintomática
Azotemia
Tipos
Pré-renal – Redução da perfusão
renal (ex.: desidratação, choque,
insuficiência cardíaca). Como o
sangue chega com menor
volume aos rins, a filtração
glomerular diminui, acumulando
ureia e creatinina no sangue.
Rim possui alta reserva
funcional, mesmo com 75%
danificado ele ainda
funciona, só aparece no
exame depois dessa
porcentagem de dano, o que
facilita o diagnóstico tardio.
Renal – Lesão renal direta (ex.:
necrose tubular aguda,
glomerulonefrite). Os rins estão
danificados e não conseguem
filtrar adequadamente os
resíduos nitrogenados.
Pós-renal – Obstrução do fluxo
urinário (ex.: urolitíase,
neoplasias, obstruções uretrais).
A urina se acumula e a pressão
retrógrada prejudica a função
renal, causando retenção de
ureia e creatinina.
Uremia
É a manifestação clínica da
azotemia. O acúmulo de toxinas
urêmicas causa sintomas
sistêmicos (anorexia, perda de
peso, vômito, convulsões,
respiração com odor amoniacal).
Presente no epitélio dos
ductos biliares, renais e no
intestino delgado.
Gama-glutamil transferase (GGT) 
É uma enzima encontrada nas
células epiteliais com "borda
em escova" do túbulo
contorcido proximal renal.
É produzida no néfron.
A GGT urinária provem da GGT
renal e é indicativo de dano
renal.
GGT alta indica lesão no túbulo
contorcido.Proteína urinária
Normalmente, a urina não contém
proteínas ou possui apenas
traços mínimos, pois o rim
saudável filtra o plasma sem
deixar passar grandes proteínas,
e o que passa, é reabsorvido nos
túbulos renais.
Quando há proteína na urina, isso
indica alguma alteração no
processo de filtração, reabsorção
ou presença de
inflamação/infeção no trato
urinário.
Pré-Renal
Febre intensa → causa
desnaturação de proteínas
Hemoglobina livre no sangue
(hemoglobinúria) como lise de
hemácias.
Mioglobina (em rabdomiólise)
Renal
Glomerular: A barreira de
filtração está danificada e
permite a passagem de
proteínas grandes.
Tubular: O túbulo não
consegue reabsorver proteínas
normalmente filtradas.
SDMA
Pós-Renal
Inflamação ou infecção após
o rim.
Cistite (infecção da bexiga)
Uretrite
A dimetilarginina simétrica
(SDMA) é um aminoácido
arginina metilado, ela é
produzida naturalmente no
corpo durante o metabolismo de
proteínas e é excretada
exclusivamente pelos rins, sem
sofrer metabolização
significativa (diferente do ADMA).
Importância clínica:
É um marcador precoce de
função renal, reflete com
maior precisão a TFG em cães
e gatos.
Pode se elevar antes da
creatinina, ajudando no
diagnóstico precoce de
doença renal.
Não sofre interferência
muscular, o que a torna mais
confiável em pacientes com
pouca massa muscular (como
idosos ou animais
caquéticos).
Aumenta a partir da perda de
25% da função renal
Nefrotoxicidade dos
aminoglicosídeos
O que são?
Classe de antibióticos
descoberta na década de 1940,
com o primeiro sendo a
estreptomicina.
Farmacocinética:
Pouco absorvidos por via oral
→ uso preferencial por via
parenteral (IM ou IV).
Baixa ligação à albumina,
baixa penetração em tecidos,
não atravessam bem
barreiras biológicas.
O que são?
Classe de antibióticos
descoberta na década de 1940,
com o primeiro sendo a
estreptomicina.
Farmacocinética:
Pouco absorvidos por via oral
→ uso preferencial por via
parenteral (IM ou IV).
Baixa ligação à albumina,
baixa penetração em tecidos,
não atravessam bem
barreiras biológicas.
Eliminação renal, via filtração
glomerular.
Meia-vida plasmática: 2-3h.
Mas pode haver eliminação
na urina por semanas após a
última dose.
Exemplos comuns:
Estreptomicina
Gentamicina
Amicacina
Tobramicina
Toxicidade:
Nefrotoxicidade (principal) –
dano aos túbulos renais
proximais. O risco de toxicidade
varia de 0 a 50%, dependendo do
paciente e dose.
Mecanismo da nefrotoxicidade:
Aminoglicosídeos se ligam à
megalina no túbulo proximal
→ internalização → acúmulo
em lisossomos → alterações
celulares (corpos mieloides,
mitocôndrias, ribossomos,
Na/K-ATPase).
Outros fatores também
contribuem: hormônios
vasoconstrictores, agregação
plaquetária, obstrução
tubular, alterações na
filtração glomerular.
Bioquímica
Hepática
Bioquímica
Hepática
É composto estruturalmente de
hepatócitos, um sistema de
ductos biliares e um rico
suprimento sanguíneo, tanto
venoso quanto arterial 
Funções gerais:
Vascular: Armazenamento e
filtração do sangue 
Metabólica: Metaboliza uma
série de substancias,
endógenas e exógenas.
Secretora e excretora:
Responsável pela formação
da bile.
Fígado
Sinais clínicos de problemas
hepáticos
Icterícia: acúmulo de
bilirrubina no sangue, um
pigmento que o fígado
normalmente elimina. Indica
disfunção hepática,
obstrução biliar ou
destruição excessiva de
hemácias.
Hepatomegalia: Causas
incluem hepatite, acúmulo de
gordura (esteatose), tumores,
congestão por insuficiência
cardíaca, entre outros.
Ascite: Hipertensão portal
(pressão aumentada nas veias
do fígado) e baixa produção
de albumina.
Edema: Redução da albumina
(proteína produzida pelo
fígado que mantém os
líquidos nos vasos
sanguíneos).
baixa produção
de albumina
Albumina = ajuda a manter
líquido no vaso
Líquido sai do
vaso (migra
para
cavidades)
Perda de peso: má absorção
de nutrientes, perda de
apetite ou aumento do gasto
energético devido à doença
crônica do fígado.
Encefalopatia hepática:
alteração no estado mental
causada por acúmulo de
toxinas no cérebro (ex:
amônia). Fígado danificado
não consegue remover
substâncias tóxicas do
sangue.
Vômito: pode estar
relacionado à insuficiência
hepática, pressão aumentada
no trato gastrointestinal
(varizes esofágicas), ou
distúrbios metabólicos.
Distúrbios hepáticos
O fígado possui uma enorme
capacidade de reserva funcional,
ou seja, ele consegue continuar
funcionando mesmo quando
parte dele está danificada. Ele
compensa a função das áreas
lesionadas com as partes
saudáveis que ainda restam.
Hipóxia 
Doenças metabólicas 
Intoxicação 
Processos inflamatórios
Traumatismos 
Neoplasias 
Reserva funcional do fígado
Doença Hepática ≠ Insuficiência
Hepática
Doença
Hepática 
Qualquer
alteração ou
lesão que afete o
fígado
Pode estar
presente por
muito tempo
sem sintomas
graves, graças
à alta reserva
funcional
Insuficiência
hepática
Quando o
fígado perde
sua capacidade
de cumprir
suas funções
vitais 
Só acontece
quando há perda
significativa da
função hepática
(geralmente >70%
da massa
hepática)
Testes diagnósticos do fígado são
divididos em:
Testes que detectam lesão dos
hepatócitos
Testes que detectam obstrução
biliar (colestase)
Testes que avaliam a função do
fígado
Lesão
São substâncias produzidas
pelas células do fígado. Elas são
liberadas no sangue quando
essas células sofrem lesão, e por
isso são usadas para avaliar a
saúde do fígado.
Mensuração indireta – atividade
catalítica (substância que
aumenta a velocidade de uma
reação química sem ser
consumida no processo)
Enzimas hepáticas
As enzimas não são medidas
diretamente em “quantidade”
(como gramas ou miligramas). O
que se mede é quanto de reação
química a enzima consegue
realizar.
Exemplo prático:
A enzima ALT catalisa uma
reação química, o laboratório
mede quantas vezes por minuto
essa reação acontece na
amostra → isso indica quanto de
ALT está presente no sangue.
Atividade enzimática é
proporcional à concentração
Em geral, quanto maior a
atividade medida, maior é a
quantidade da enzima no
sangue, e isso sugere:
Maior dano às células do fígado
Mais enzimas sendo liberadas
para o sangue
Mas atenção: essa relação pode ser
afetada por:
Temperatura da análise
pH da amostra
Presença de cofatores
enzimáticos
Alterações estruturais da enzima
Nem sempre um valor alto de enzima
no exame significa uma lesão mais
grave.
A imagem compara dois tipos de
lesão nos hepatócitos:
1. Dano subletal
Os hepatócitos estão vivos, mas
sofrendo algum tipo de estresse
ou lesão leve
Eles ainda têm membrana intacta,
mas estão danificados o
suficiente para liberar enzimas
(ALT) no sangue.
Como vários hepatócitos estão
lesados, eles podem liberar
grande quantidade de ALT,
mesmo sem haver necrose.
2. Necrose
Os hepatócitos estão
morrendo de fato, com
ruptura da membrana
celular.
Isso também libera ALT, mas
se poucos hepatócitos forem
afetados, a ALT pode nem
estar tão alta. Em necroses
extensas e rápidas, as
enzimas podem inclusive
diminuir com o tempo, pois
as células já morreram.
Dano subletal
A célula não
morreu, mas
está estressada
ou danificada
Muitas células
vivas e sofrendo
podem liberar
MUITA ALT
Mais difuso e
prolongado = maior
liberação de ALT
Necrose
O hepatócito
rompe
completamen
te, morre e
libera ALT no
sangue toda
de uma vez
Apesar de
ser mais
grave,
muitas vezes
é mais rápida
e localizada.
Não fica liberando por um
período extenso
Elas se localizam em diferentes
partes das células hepáticas, como
o citoplasma, a mitocôndria e a
membrana plasmática. A
localização da enzima influencia o
tipo de lesão necessário para que
ela seja liberada na corrente
sanguínea.
Lesão dos hepatócitos
ALT (alanina aminotransferase).
AST (aspartato
aminotransferase).
SDH (sorbitol desidrogenase).
É a obstrução ou redução do fluxo
da bile — há aumento de enzimas
associadas à membrana das
células dos ductos biliares. As
principais são:
FA (fosfatase alcalina)
GGT (gama-glutamiltransferase)
Colestase
hepatócitos
ALT
AST SDH
FA GGT
ductos biliares
Essas enzimas aumentam no
sangue por doismecanismos
principais:
Extravasamento, quando há
dano celular direto e as
enzimas escapam para o
sangue;
Indução enzimática, quando
o fígado aumenta a produção
dessas enzimas em resposta
à presença prolongada de
bile, certos medicamentos
(como anticonvulsivantes) ou
álcool.
Portanto, o padrão de aumento
das enzimas ajuda a identificar o
tipo de alteração hepática
presente: se é uma lesão direta
dos hepatócitos (citólise) ou um
problema no fluxo biliar
(colestase). 
É uma enzima encontrada em
maior concentração nos
hepatócitos, sendo
predominantemente localizada
no citoplasma dessas células.
Por isso, é considerada uma
enzima de extravasamento, ou
seja, é liberada para a corrente
sanguínea quando há lesão ou
dano celular hepático, mesmo
que sem necrose.
ALT
ALT
Hepatoespecífica → está
presente principalmente no
fígado
Especificidade não é
absoluta → em casos de
lesões musculares graves a
ALT também pode se elevar,
mesmo sem
comprometimento hepático. 
Por isso, é fundamental
interpretar seus níveis com
cautela, considerando o
contexto clínico do paciente e, se
necessário, dosando outras
enzimas como a CK.
CK (creatina quinase):
Também chamada de CPK
(creatina fosfoquinase);
Encontrada
principalmente no
músculo esquelético,
músculo cardíaco e
cérebro;
Dosada para lesão
muscular.
AST
É uma enzima de extravasamento,
ela está presente em várias partes
do organismo, incluindo os
hepatócitos, a musculatura
esquelética e cardíaca e os
eritrócitos. É uma isoenzima.
Não é hepatoespecífica →
amplamente distribuída em outros
tecidos além do fígado. 
Isso significa que aumentos nos
níveis de AST podem ocorrer tanto
em lesões hepáticas quanto
musculares ou até em hemólise.
A AST está localizada tanto no
citoplasma quanto nas
mitocôndrias das células (cerca de
20% é mitocondrial). Por isso, a
liberação de AST mitocondrial
geralmente indica lesões mais
graves e mais profundas das
células, especialmente do fígado.
AST
AST
Essa enzima é usada com mais
frequência em grandes animais
(como cavalos e bovinos) porque
nesses casos a ALT tem pouca
utilidade, já que é encontrada em
concentrações muito baixas
nesses animais. 
Usar CK como referência.
AST é mais tardia, então caso
CK venha aumentada, pode ser
que a AST aumente somente
alguns dias depois Imais ou
menos 2 dias).
AST alta e CK baixa pode não
ser lesão muscular.
AST x CK
SDH
É uma enzima de extravasamento
citoplasmática que é
hepatoespecífica, devido à sua
especificidade, é um marcador
importante para identificar lesões
hepáticas. 
No entanto, a SDH apresenta
baixa estabilidade in vitro, o que
significa que sua atividade pode
diminuir rapidamente após a
coleta da amostra, exigindo
cuidado no manuseio e
armazenamento para garantir
resultados precisos. 
Em bovinos e equinos, a SDH é
frequentemente utilizada como
alternativa à AST para a avaliação
de danos hepáticos, pois pode
oferecer maior sensibilidade e
especificidade nesses animais.
Especificidade
Cães e gatos: 
ALT>SDH>AST 
Equinos e ruminantes: 
SDH>AST>ALT
Fosfatase alcalina
É uma enzima de indução que
pode ter múltiplas origens no
organismo (não sendo uma enzima
hepatoespecífica), incluindo
fígado, osso, intestino, rim e
placenta (as últimas 3 possuem
uma meia-vida curta,
aproximadamente 6 minutos em
cães). 
Filhotes: os níveis elevados
são normais devido ao
crescimento ósseo intenso. 
Colestase hepática 
Uso de corticoides em cães,
que induzem a produção da
enzima. 
Estresse crônico causa
aumento enzimático, porém é
válido observar se há
leucograma de estresse. 
Anticonvulsivantes: indução
enzimática no fígado. 
Neoplasias ósseas 
GGT
É uma enzima de indução
associada principalmente às
membranas celulares, ela está
presente em vários tecidos,
destacando-se nos ductos
biliares, túbulos renais,
pâncreas e intestino delgado. 
A GGT é considerada
hepatoespecífica, sendo um
importante marcador para
avaliar colestase e outras
doenças que afetam o sistema
biliar e o fígado. É uma
isoenzima e não interfere na
atividade sérica.
Aumento de FA
A interpretação das enzimas ALP
e GGT varia conforme a espécie.
AF X GGT
Cães
ALP 
Alta sensibilidade para detectar
alterações hepáticas,
especialmente colestase
Especificidade reduzida - pode se
elevar por causas não hepáticas
Gatos
ALP 
Sensibilidade menor
Quando elevada, tende a ser mais
específica para doenças do
fígado. 
Bovinos
GGT
Utilizada na detecção de colestase
Bovinos
ALP
Uso em equinos é limitado devido aos
amplos intervalos de referência para
a espécie
Isoenzimas são formas
diferentes da mesma enzima
que catalisam a mesma
reação química, mas
apresentam estruturas
moleculares distintas e,
muitas vezes, origens
diferentes no organismo. 
Marcadores que medem função
hepática:
Bilirrubina
Ácidos biliares
Colesterol
Proteína Total (Albumina +
Globulinas) Fatores de
coagulação 
Glicose 
Amônia 
Ureia
Função
Bilirrubina
Fotossensível
Substância produzida
quando o corpo quebra as
hemácias
Passa por diferentes formas
até ser eliminada, sendo
chamadas de bilirrubina
indireta e bilirrubina direta.
Também chamada de livre
Não é solúvel em água 
Circula no sangue ligada a
albumina
O fígado capta e a
transforma em uma forma
solúvel
Bilirrubina indireta
Também chamada de
conjugada
Solúvel em água 
Pode ser eliminada pela bile,
indo para o intestino e, depois,
para as fezes.
Bilirrubina direta
Essas duas formas ajudam a
entender onde está o problema
quando os níveis de bilirrubina
estão altos — se é antes do fígado,
no fígado ou depois dele. 
Pode ocorrer por diferentes
causas, que são classificadas
como pré-hepáticas, hepáticas ou
pós-hepáticas, de acordo com o
local onde o problema ocorre.
Aumento da bilirrubina
O fígado está funcionando
normalmente, mas há produção
excessiva de bilirrubina indireta
devido à destruição intensa de
hemácias. Isso pode acontecer em
casos de:
Hemólise aguda → quebra
rápida e em grande volume de
hemácias (por doenças ou
toxinas).
Absorção de hematomas
grandes → o corpo reabsorve o
sangue acumulado de um
hematoma grande, liberando
bilirrubina.
Pré-hepática
Hemorragias internas → o
sangue extravasado é
degradado, gerando excesso
de bilirrubina.
Transfusões incompatíveis → o
organismo reconhece as
células como “estranhas” e as
destrói.
Infecções por hemoparasitas
como anaplasmose e
babesiose → parasitas
infectam e destroem as
hemácias.
Anemias hemolíticas
imunomediadas → o próprio
sistema imune ataca e destrói
as hemácias.
Hepática
O fígado não consegue
transformar e eliminar a
bilirrubina adequadamente. Isso
pode acontecer em casos de:
Doenças infecciosas como
hepatite viral ou bacteriana →
causam inflamação e morte de
células do fígado.
Lesões tóxicas por
medicamentos, plantas tóxicas
ou venenos → afetam
diretamente os hepatócitos.
Obstrução intra-hepática biliar
→ quando os canais da bile
dentro do fígado estão
bloqueados (por inflamação ou
inchaço), a bilirrubina
conjugada não consegue sair.
Esteatose hepática → acúmulo
de gordura no fígado
atrapalha o funcionamento
das células
O fígado está funcionando, mas a
bilirrubina não consegue sair do
corpo. Ocorre porque há uma
obstrução fora do fígado, nos
canais biliares que levam a bile (e
a bilirrubina conjugada) até o
intestino. A bile se acumula e volta
para o sangue. Isso pode
acontecer em casos de:
Cálculos biliares → pedras nos
canais bloqueiam a passagem
da bile.
Tumores → massas que
pressionam ou invadem os
ductos biliares.
Parasitas → alguns vermes
podem se alojar nos canais da
bile e impedir sua drenagem.
Pós-hepática
Ácidos biliares
Produzidas pelos hepatócitos a
partir do colesterol
Papel essencial na digestão - 
agentes emulsificantes, ou seja,
ajudam a "quebrar" as gorduras
dos alimentos em partículas
menores. 
Facilita a ação das enzimas
digestivas 
Favorece a absorção das
gorduras e das vitaminas
lipossolúveis no intestino. 
ácidos quebrando gordura
Depois de serem liberados no
intestino para ajudar na
digestão das gorduras, a maior
parte dos ácidos biliares é
reabsorvida e retorna ao fígado
para ser